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Botafogo faz um favor a todos os brasileiros na Libertadores
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Está cada vez mais difícil imaginar que time pode tirar o título da Libertadores da América de um brasileiro. O Botafogo fez um favor a si mesmo e aos outros “patrícios” ao vencer por 1 a 0 e eliminar o Atlético Nacional de Medellín, nesta quinta à noite.

Atual campeão e melhor time da América do Sul no ano passado, o Nacional perdeu muitas peças, mas ainda é um time muito forte e que, se tivesse passado para as oitavas, seria candidato natural ao bi. É o líder disparado na Colômbia, com recorde de pontos. Mas pagou o preço ao começar a Libertadores com três derrotas seguidas.

Quando se ajustou no ano, já era tarde. E, no Engenhão, apesar da maior posse de bola, parou em uma muralha defensiva do Botafogo. O time da casa cedeu pouquíssimas chances reais de gol aos colombianos.

Um time de dedicação louvável, com todos os jogadores trabalhando muito na defesa, fechando espaços e criando ajudas. E saindo de forma extremamente rápida no contra ataque. O Botafogo fez o que o Flamengo, por exemplo, não fez contra o San Lorenzo: nunca abdicou do jogo. Sim, se defendeu, mas contra atacou com dois, três, quatro jogadores. Fez um gol e poderia ter feito mais.

Botafogo, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR já estão nas oitavas de final. Grêmio, Palmeiras e Chapecoense têm a faca e o queijo na mão – só ficam fora por catástrofe. Apenas o Flamengo vai sobrar mesmo, o que faz da semana ainda mais perfeita para o botafoguense.

Quem pode tirar o título de um brasileiro?

O torneio avança pelo ano todo. Mas, no momento, parece que só o River Plate e o San Lorenzo teriam condições de fazê-lo. Talvez o Santa Fé, se conseguir vencer o Strongest e se classificar.

O Santa Fé vai ser aquele segundo colocado que ninguém vai querer enfrentar nas oitavas. O Atlético-PR, claro, é também um rival indigesto. O Botafogo precisa brigar para ser primeiro de seu grupo e, para isso, talvez nem precise vencer o Estudiantes na Argentina – duvido muito que o Barcelona não saia derrotado de Medellín na última rodada.

Botafogo e Barcelona têm 10 pontos, mesmo saldo, mas o time carioca fez um gol a menos. O Atlético Nacional ainda pode ir à Sul-Americana se vencer o Barcelona. Um empate pode servir para o Botafogo ser primeiro e para o Estudiantes ser terceiro.

Se for primeiro, o Botafogo evita possíveis confrontos nas oitavas contra Santos, Palmeiras, Galo, Grêmio, San Lorenzo, River…

Deste time, o exterminador de campeões da Libertadores, convém não duvidar.


Nunca conseguirei aplaudir soco na cara
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juliogomes

Uau, a turma gosta de uma pancadaria, né? Nada como uma briga para unir time e torcida. Como critiquei Felipe Melo (também critiquei o Peñarol, jogadores, estádio, etc, mas isso não importa) após o quebra pau de Montevidéu, virei alvo no Twitter.

Essencialmente, aparecem para te xingar pessoas que colocam o nome do time substituindo ou como adendo ao próprio nome e que em sua foto de perfil colocam jogadores, estádios, escudo. Ou seja, time à frente da própria pessoa, da própria personalidade. Esses não me decepcionaram. São apenas acometidos de uma doença chamado fanatismo cego, acham que são a salvação do futebol, quando na verdade são o túmulo dele. Eles aparecerão por aqui nos comentários deste post. Não me decepcionam, apenas atendem (as baixas) expectativas.

O que me decepcionou foi tanta gente que respeito achar legítimo e normal o par de socos desferidos por Felipe Melo.

Antes de tentar entender o que aconteceu, eu lanço uma pergunta. E se Felipe Melo tivesse acertado em cheio o rosto do jogador uruguaio? Por força e velocidade, o rapaz possivelmente teria ficado estatelado ali no chão, sangrando com nariz quebrado. Teria sido melhor ou pior? Felipe Melo possivelmente estaria preso no Uruguai. Menos mal que não acertou.

Vamos tentar traçar uma cronologia dos fatos.

Impossível não falar da infeliz declaração do “tapa na cara de uruguaio”. Eu entendi perfeitamente, Felipe Melo usou uma figura de linguagem. Ele não estava sendo literal e inclusive se desculpou por isso depois. Mas é lógico que aquilo lá ficou anotado.

Depois, tivemos o jogo do Allianz Parque, com aqueles acréscimos eternos, a tensão, o antijogo do Peñarol que enervou time e torcida palmeirenses. Tivemos também Felipe Melo falando que foi chamado de “macaco”.

Eu sou radical quando o assunto é racismo. E sou também um pacifista radical. No meu ponto de vista, tudo, absolutamente TUDO pode ser resolvido sem agressão física. Obviamente, o ser humano não pensa assim. Não à toa, a história é contada através de guerras e basta sair em um sábado à noite para ver a quantidade de brigas nas ruas – em bares, discotecas, independente de lugar, classe social, cor, etc.

Então, se Felipe Melo foi chamado de macaco, deveria ter imediatamente parado o jogo. E seu agressor deveria estar enjaulado, que é o que ele merece.

A partida de quarta à noite não foi marcada pela violência durante 90 minutos. O Palmeiras estava mal armado no primeiro tempo, levou 2 a 0, Eduardo Baptista corrigiu no intervalo, voltou, virou para 3 a 2 de forma espetacular, ponto final. O Corinthians x São Paulo de domingo foi muito mais violento em campo.

Apito final, e aí começa a confusão.

Juntando tudo o que eu vi de imagens, em vídeo e também fotos, com algum toque de dedução (esse é o típico caso de interpretação, e cada um tem a sua), o que eu percebi.

Quando acaba o jogo, três ou quatro jogadores do Peñarol se dirigem a Felipe Melo, que está de braços levantados. Se Felipe Melo falou algo ao acabar o jogo ou se esses caras já tinham planejado fazer isso, só eles sabem. Tendo a considerar a segunda opção, por tudo o que tinha ocorrido antes, declarações, etc.

É aquela tirada de satisfações, que gera aquele empurra empurra de sempre. Quantas vezes não vimos isso no futebol? Fernando Prass se antecipa e já corre para defender seu companheiro.

Minha opinião: todas as perguntas na linha “o que você faria no lugar dele” se referem ao momento em que ele está sendo perseguido em campo. Eu transfiro a pergunta para este momento. O que eu faria no lugar dele?

Me mandaria, oras. Sai fora. Ele estava a poucos metros do túnel do vestiário. Os portões do vestiário foram abertos assim que o juiz apitou o final do jogo, como pode ser visto no vídeo com a imagem ampla ao final do jogo.

Se houve “emboscada”, como muitos disseram, ela só foi pensada depois. Porque, repito, assim que acaba o jogo, os portões dos vestiários são abertos.

Neste momento inicial da confusão, bastaria Felipe Melo dar um pique e IR EMBORA. Todos teriam feito o mesmo junto com ele, end of story.

Mas não, ele não vai embora. O rapaz tem histórico, não é mesmo? Basta ver suas declarações no passado e no presente. Felipe Melo faz questão de dizer que, se preciso for, para a porrada irá. Foi assim em todos os clubes por onde passou. E assim ele ganha torcidas. Porque torcidas e fanáticos adoram porrada.

Não discuto o futebol de Felipe Melo. Acho um grandíssimo jogador de futebol. Já defendi sua presença na seleção na Copa de 2014 e fui criticado por isso. Ele pode ser craque, bom pai, honesto, leal a quem trabalha com ele. Mas tem postura e discurso bélicos. Agressivos. Violentos. Alguém nega isso? Se negar, pode até parar de ler, sinceramente.

Com a postura de “não levar desaforo para casa”, de “bateu, levou”, ou melhor, “leve aqui uma antes para não me bater”, Felipe Melo é apenas mais um incentivador da violência, quando na verdade precisamos de mais e mais e mais inibidores da violência.

Por ser totalmente contrário a qualquer tipo de violência, fui “acusado” de: ser criado pela avó; tomar leite com pera; ter crescido no play do condomínio; ter apanhado na escola. Puxa. Feliz da sociedade formada de pessoas criadas pelas avós. Certamente é melhor que a sociedade do bullying, da violência, da agressão, da covardia, das coisas tratadas na marra, não no diálogo.

Sim, pelas imagens são os uruguaios que começam a confusão ali no apito final. Ou, na versão deles, continuam a confusão iniciada com a declaração do “tapa na cara”. São eles que começam, o que é lamentável, uma vergonha.

Mas, se eles quisessem realmente bater em Felipe Melo, teriam feito ali naquela hora do apito final, não?

Se o cara planeja dar um murro na cara de Felipe Melo, ele vai e dá. Eu apenas vi ali xingamentos, aquele empurra dali, encosta daqui (e, novamente, se houve ofensa racista, é de lá para a delegacia, não para o ringue).

E aí chegamos à parte 2. Felipe Melo vai recuando e sendo tirado pelos companheiros. Ele não corre para se mandar. Ele não corre para o vestiário. Ele corre com a postura corporal de quem quer brigar.

Um jogador do Peñarol corre atrás dele. Um baixinho, um tampinha, como eu. Que já teria batido nele (covardemente) antes, se quisesse fazê-lo. Felipe corria para trás, vários jogadores do Palmeiras estavam em volta e somente um do Peñarol.

Portanto, erra, a meu ver, quem fala que Felipe Melo desferiu aqueles socos “quando cercado por quatro ou cinco”, que “ele seria espancado” se não tivesse desferido os golpes. Não, ele não seria espancado. Como não foi antes e como não foi depois, quando verdadeiramente ficou encurralado no córner.

Ele poderia ter feito um milhão de coisas naquela situação. Corrido para o vestiário (de novo). E não, ele não sabia se o vestiário estava fechado ou não naquele momento.  Poderia ter dado um empurrão no tampinha. Poderia ter xingado de volta. Poderia ter se escorado nos vários coletes rosas palmeirenses a sua volta.

Mas não, ele desferiu dois socos que são uma imagem horrorosa. Um péssimo exemplo de como resolver as coisas.

Esqueçam o quem começou, quem acabou, etc, etc. E pensem apenas na imagem do soco. Uma criança vendo isso em casa. E o pai falando do lado “tem que bater antes de levar”. Pensem no desdobramento horroroso desta imagem e desta conclusão que vocês, que acham que os socos são legítima defesa. Uma pessoa bater na outra com a premissa de “melhor dar do que levar”.

Infelizmente, está sendo aplaudido por isso, inclusive por gente que eu admiro.

“O que você faria naquela situação?”, é o que mais me perguntaram. Certamente teria me mandado e não tentado socar o rapaz. Simples assim. Quando um não quer, dois não brigam, diz um dos mais sábios ditados da humanidade.

“Legítima defesa”, dizem. Defesa do quê exatamente? Ele não havia sofrido nenhuma agressão física até aquele momento. Nenhuma. No máximo, verbal.

Enquanto Felipe Melo corria para trás, quatro jogadores do Peñarol cercaram Fernando Prass e pelo menos dois deles acertaram o rosto do goleiro palmeirense.

Covardes. Uma vergonha. Precisam ser punidos por muitos jogos, a foto é um documento que precisa ser usado. Não sei se os socos em Prass ocorrem antes ou depois dos desferidos por Melo, acho que depois pela imagem, já que já estão no meio do campo e os outros estão correndo para o outro lado, onde estava Melo. Pouco importa.

Vi gente ousando criticar Borja por uma FOTO. Como se esse tipo de agressão não acontecesse em uma fração de segundos. Borja, na imagem em vídeo, é um dos primeiros a tentar tira Melo da confusão. Criticar quem está querendo acalmar as coisas. Típico.

Os jogadores agressores de Prass precisam ser punidos. Felipe Melo precisa ser punido. E o Peñarol precisa ser punido pela falta de segurança no estádio e, aí sim, pelos portões fechados dando ares de emboscada quando a violência se generalizou.

E esta é minha principal crítica a Felipe Melo. Sim, é achismo. Mas um achismo baseado em um milhão de outras confusões de fim de jogo que já vimos. Aquele empurra empurra não teria virado violência generalizada, não fosse o soco de Felipe Melo. Assim como naquele infame São Paulo x Palmeiras de 1994. Será que haveria o quebra pau generalizado, não fosse o soco na cara desferido por Edmundo?

Felipe Melo, depois do soco, que ainda bem ele não acertou, recuou até o córner. Um jogador do Peñarol chegou a pegar até a bandeirinha de escanteio para agredi-lo. Ainda bem, naquele momento apareceram os seguranças do clubes, uns poucos do estádio, Felipe conseguiu sair dali rapidamente. Sim, este foi o momento em que realmente ele estava encurralado. O único. E não, ele não foi espancado. E nem precisou socar ninguém para escapar dali, apenas dar alguns encontrões pelo caminho.

Caminho que ele deveria ter feito desde o apito final. O caminho do vestiário.

O Palmeiras mandou 20 seguranças para o jogo, aparentemente um número acima do normal, porque já imaginava algo do tipo. Há um histórico de coisas assim em campos sul-americanos, ainda que estejam ficando mais raros. Outro dia o Uruguai levou um sacode da seleção brasileira no Centenário e não houve um pontapé em campo, um problema sequer fora.

Mas, se o clube já imaginava, por que os jogadores não saíram fora antes de tudo isso?

Não, a culpa não é do Palmeiras. Quem vai tirar satisfação inicialmente são três ou quatro jogadores do Peñarol. Mas, vou repetir: quando um não quer, dois não brigam.

Os aplausos aos socos me incomodam demais. Como me incomodam, sem dúvida, todas as outras agressões dos uruguaios do Peñarol.

“Você tem sangue de barata, Julio!”

Olha. As baratas estão aí há milhões de anos. E nós, seres humanos, estamos conseguindo acabar com o planeta e contamos nossa curta história de um punhado de milhares de anos com sangue, guerras, luta, violência. Talvez sangue de barata seja necessário em nossas veias.

 


Mudança da Libertadores é ótima. Falta agora o Brasil inverter calendário
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juliogomes

A Conmebol, quem diria, anunciou uma decisão que considero ótima para o calendário sul-americano. A Copa Libertadores não será mais uma competição de primeiro semestre e, sim, de ano todo. Começa em fevereiro, acaba em novembro.

Times não classificados para as oitavas de final “caem” para a Copa Sul-Americana, no estilo “rebaixamento” da Champions para a Europa League. Isso melhora o nível da Sul-Americana. E a final da Libertadores será em partida única. Aí é questão de gosto. Acho que o lado esportivo perde, mas gosto de levar grandes clubes do continente para diversos mercados, criar festas internacionais.

O fato é que a Libertadores no ano inteiro cria vários fatos positivos. Um deles é dar “folga” no calendário para as competições nacionais. Outra é acabar com aquela bizarra pausa na “hora H” em anos de Copa do Mundo e Copa América (dois a cada quatro). Pelo menos a pausa ocorrerá entre fase de grupos e mata-mata, como ocorre na Champions.

Outro fator positivo. Se um time brasileiro ganhar a Libertadores, já parte logo para o Mundial. Não fica aquela palhaçada de abandonar tudo por seis meses por causa do tal Mundial. Aliás, é benéfico para o representante da Conmebol chegar para a disputa na ponta dos cascos – o que não necessariamente se aplica ao campeão europeu.

A janela de meio de ano europeia pode tirar alguns jogadores do mata-mata da Libertadores? Pode, mas é um detalhe menor. Quanto mais os países do continente se fortalecerem, menor impacto terá a janela.

Agora falta o calendário brasileiro se adaptar. E há uma mudança que é simplesmente mandatória: a inversão. O Campeonato Brasileiro precisa começar em janeiro ou fevereiro, empurrando os Estaduais para o fim do ano.

Assim, Brasileiro e Libertadores começam juntos. Fase mais aguda do Brasileiro, reta final, seria em julho e agosto. Consequentemente, times não precisariam em nenhum momento abrir mão do Brasileiro por causa da Libertadores – esse “abrir mão”, seja no início, seja no final do campeonato de pontos corridos, gera distorções terríveis para a disputa.

O Brasileiro pode ir de janeiro/fevereiro até o final de agosto. Assim, ele e Libertadores não se atrapalham. E as janelas europeias (de janeiro e agosto) têm impacto praticamente zero no decorrer Brasileiro. É possível condensar mais datas no primeiro semestre quando houver algum tipo de pausa (Copas do Mundo e América).

A Copa do Brasil pode ser espalhada pelo ano inteiro, com fases de oitavas de final para frente em setembro, outubro e novembro, ou seja, também sem concorrer com o Brasileiro.

E os Estaduais precisam ocupar o ano inteiro, dando calendário para times pequenos e amadores. Começam em fevereiro e vão até novembro. Sendo que em setembro, outubro e novembro os Estaduais ganham a participação dos clubes envolvidos nos Brasileiros A, B e C até agosto. Clubes menores jogam de fevereiro a agosto seus Estaduais para ganharem o direito de enfrentar os grandes no final.

Clubes grandes que, em setembro, outubro e novembro, estiverem envolvidos em Libertadores ou Copa do Brasil, podem abrir mão dessa fase “final” dos Estaduais. Que botem times mistos, reservas, sub-21, o que seja.

Em compensação, clubes importantes que estiverem fora das fases agudas de Libertadores e Copa do Brasil podem se dedicar aos Estaduais para “salvar o ano”. Desta forma, com três meses para os grandes, os Estaduais teriam muito mais peso e gerariam mais interesse do que com os quatro meses atuais no início do ano.

A notícia sobre a Libertadores é ótima. Agora só falta a CBF e os clubes fazerem a parte deles. Este post não traz nada mirabolante. Apenas, o óbvio. Espero que os dirigentes vejam da mesma maneira.

Calendário ideal:

Pré-temporada – janeiro

Libertadores – fevereiro a novembro (anúncio feito hoje)

Brasileiro (A, B, C, D) – fevereiro a agosto (um mês a mais que atualmente e sem ser afetado por janelas de transferência)

Copa do Brasil – fevereiro e novembro (oitavas a partir de setembro) – de preferência com participação de todos os clubes do país, estilo FA Cup

Estaduais – fevereiro a novembro – até agosto com com clubes que não estejam nas séries do Brasileiro. A partir de setembro, entram na disputa os clubes que estiverem envolvidos em competições nacionais

Férias – dezembro

libertadores


São Paulo fez Libertadores ‘guerreira’, sai de cabeça erguida
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juliogomes

Não seria fácil acreditar se alguém dissesse no começo do ano que o São Paulo estaria na semifinal da Libertadores. Menos ainda depois daquela derrota para o Strongest no Pacaembu.

Mas o fato é que chegou. E, se ficou bem clara a inferioridade no duelo contra o Atlético Nacional, o São Paulo se despede com um álibi. A discutível expulsão de Maicon selou o destino do primeiro jogo. O indiscutível pênalti não marcado sobre Hudson no final do primeiro tempo minou as possibilidades (já remotas) de classificação no segundo jogo.

O São Paulo tem uma relação interessante com a Libertadores, que me lembra muito a do Real Madrid com a Champions (guardadas as devidíssimas proporções). É como se clube e torcida “se apropriassem” da competição. Como se fosse dono dela, como se fosse o único vencedor apto.

É claro que há uma linha fina entre o tamanho (enorme) e a soberba. Aí vai da ação e da interpretação de cada um.

O são-paulino pôde ter novamente o gostinho de ser protagonista na Libertadores. Mas deve ter cuidado para não se empolgar demais. É uma semifinal bem diferente daquelas dos anos 90 e da “era Ceni” no meio da década passada. Difícil até ver o São Paulo se classificando para a próxima Libertadores, mas não dá para desprezar essa hipótese – a provável saída de Ganso certamente não ajuda.

Ganso foi um dos fatores de crescimento do time na competição e, sem dúvidas, a ausência dele foi um dos fatores que prejudicaram o São Paulo na semifinal.

Foi uma campanha que teve jogos grandes contra o River Plate. Que teve a sorte de o Strongest perder do Trujillanos. A partida heróica da classificação na Bolívia, com o surgimento do “xerife” Maicon. O ótimo jogo de oitavas contra o Toluca no Morumbi. E as partidas feias contra o Atlético Mineiro.

Resumindo, o São Paulo não mostrou tanta bola. Mas mostrou organização (mérito de Bauza) e, o principal, mostrou muito coração nessa Libertadores. Fazendo jus ao que pedem os torcedores. Foi aos trancos e barrancos. Mas foi até onde deu. Mais que isso, seria estranho.

O Atlético Nacional é um justo finalista. Pela campanha que fez e por ter mostrado, nos dois jogos, ser um time melhor e mais organizado que o São Paulo.

Vamos ouvir muito sobre arbitragem. O perigo disso é esquecer de olhar para os próprios erros. Aquela entrada inútil de Ganso em um jogo do Brasileiro. A infantilidade de Maicon, logo após um valor deveras exorbitante desembolsado para manter o zagueiro. Um Lugano que realmente não dá mais pra jogar. Enfim.

O grande grande erro de arbitragem foi o pênalti não marcado em Hudson no último minuto do primeiro tempo na Colômbia. Erro gigante. Mas nada garante que o pênalti seria convertido e nem que o São Paulo buscaria o terceiro gol no segundo tempo. Aliás, não teve chance alguma na etapa final contra o bom time colombiano.

Foi uma Libertadores guerreira. De resgate, de mostrar que a camisa tem peso, de mostrar que o trabalho de Bauza merece crédito para anos. O São Paulo merece palmas, caiu de cabeça erguida.

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Em um jogo horroroso, 1 a 0 é goleada para o São Paulo
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juliogomes

Cada vez sou mais crítico da regra do gol qualificado. Seja aqui, seja na Europa, cada vez mais os técnicos se apaixonam pelo 0 a 0 no jogo de ida de eliminatórias com a regra do gol fora de casa como critério de desempate.

É bom para todo mundo!

Pelo menos no papel. Para quem joga em casa, dá o direito de empatar o jogo de volta, fora de casa. Outro 0 a 0 leva a pênaltis, empate com gols classifica. E para o visitante também é bom, lógico. Empata fora e depois “só” precisa ganhar em casa.

Assim sendo, os jogos de ida estão mais e mais chatos.

O 0 a 0 no Morumbi, entre São Paulo e Atlético, estava escrito. E seria o resultado mais condizente para a partida.

Mas o Atlético Mineiro deu mostras de ter problemas na bola parada. O São Paulo só levou perigo assim no jogo inteiro. Na terceira bola perigosa alçada à área na etapa final, chegou ao gol.

Uma verdadeira goleada, dado o péssimo nível técnico apresentado no Morumbi.

Michel Bastos fez o gol. Ele, que entrara na etapa final e tinha o nome gritado pela torcida – como o tempo passa rápido, não é mesmo? Ah, o torcedor.

Com 15 minutos de jogo, cinco cartões amarelos. Foram sete no primeiro tempo. Carrinhos que não acabavam mais, tabefes, empurrões, entradas feias. O primeiro tempo foi de pancadaria, intensidade, bola sendo disputada como se fosse um pedaço de carne. Mas bola mesmo… nada.

Já não é de hoje que os times brasileiros jogam “ao estilo Libertadores”. Chutão, falta, “garra”… e pouca bola. Alguns vão culpar o fato de os times serem comandados por um técnico argentino e outro uruguaio. Acho que o buraco é mais embaixo.

Do jeito que dava para ouvir torcedor comemorando aquelas rachadas de bola para o mato. E que jogadores batem no peito gritando para comemorar lateral… é, acho que o buraco é mesmo bem mais embaixo.

No segundo tempo, os times voltaram menos pilhados. O que evitou que acabassem com vários expulsos. O Atlético teve alguns contra ataques, o São Paulo ameaçou em bolas paradas – e marcou na terceira. Mas o fato é que as limitações de Atlético e São Paulo ficaram para lá de expostas.

O Atlético não terá Rafael Carioca, Junior Urso e possivelmente Robinho para a volta. Desfalques sensíveis. O principal: não terá o gol fora levado para o Independência. Vai ter de construir uma boa vitória, contra um São Paulo que certamente irá a BH para se defender e tentar um golzinho qualificado.

Bauza, de novo aos trancos e barrancos, vai ficando perto de outra semifinal de Libertadores. Sair com um 1 a 0 de um jogo horroroso como este… é de se levantar a mão para o céu.


Vive um drama, o Palmeiras!
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juliogomes

Futebol com Galvão Bueno é outra história, né? Podem gostar ou não gostar dele, mas o cara é fera. E há uma frase que resuma melhor a situação do que essa? “Vive um drama, o Palmeiras!”.

E é um drama real. No grupo da Libertadores, o Nacional tem 5 pontos, Palmeiras e Rosario têm 4, o River Plate uruguaio tem 2. Em termos de pontuação, está tudo aberto. Mas o River é o pior time e o Palmeiras vai jogar contra Nacional e Rosario fora de casa.

O Nacional, que tem camisa pesada, joga agora três partidas em Montevidéu, e o Rosario é o melhor time do grupo.

Na semana passada, em pleno Allianz Parque, o Palmeiras foi completamente dominado pelo Rosario. E ganhou por pura sorte. Nesta quarta, perdeu por 2 a 1 para o Nacional jogando o segundo tempo inteiro com um homem a mais.

Foi a história da semana passada às avessas? Não, não foi.

Comparem o domínio do Rosario na semana passada com o “domínio”, assim mesmo, entre aspas, do Palmeiras contra o Nacional.

Nada de nada de nada. O Palmeiras não criou nada no segundo tempo. Teve duas bolas aéreas perigosas com Victor Hugo e, no finalzinho, um chute de Lucas na trave. Bola alçada e abafa, nada de construção.

O time não é um primor tático, não isento Marcelo de Oliveira de culpa. Mas será que o elenco não é supervalorizado, não?

É incrível como ninguém tenta nada, ninguém chama a responsabilidade, como o número de passes errados é enorme e, o principal, como não há deslocamentos e aproximações. É um time que joga longe, distante. Sendo assim, o único recurso é girar o jogo e buscar o cruzamento. Não há penetração, aproximações, chutes de fora, triangulações.

As substituições foram corretas, mas ainda assim nada mudou.

Creio que a história do “ótimo elenco do Palmeiras” está virando uma verdade absoluta para lá de contestável. Um pouco simplista apontar o dedo para o técnico, ainda que esta seja a história de toda vida.

No pós-jogo, aquela leitura equivocada de sempre. “Eles não quiseram jogar”, disse Dudu. “Tem noite que a bola não entra”, falou Lucas.

Oras, o Nacional resistiu aos primeiros minutos de jogo e depois colocou seu plano em ação. Contra atacou bem e fez dois gols. No segundo tempo, se defendeu com qualidade e ganhou o tempo que precisava ganhar.

Não é que o Palmeiras tenha dado um azar danado, bola não entrou, goleiro foi o destaque… nada disso. Goleiro do Nacional não fez uma defesa difícil sequer. Foram 34 cruzamentos para a área, uma pressão “de mentira” no segundo tempo.

Não é pela tabela, é pelo futebol. Vive um drama, o Palmeiras.

SÃO PAULO, SP - 25.04.2015 - PALMEIRAS X SANTOS: A torcida da SE Palmeiras, em jogo contra a equipe do Santos FC, durante partida válida pela final (ida) do Campeonato Paulista, Série A1, na Arena Allianz Parque. (Foto: Cesar Greco / Fotoarena)


Trio-de-ferro começa a Libertadores do jeito que acabou o ano
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juliogomes

O trio-de-ferro paulista começou a Libertadores da América do jeito que acabou o ano passado.

O Corinthians sabe o que quer e acha resultados até quando não merece. O Palmeiras, no vai-não vai, cheio de incertezas. E o São Paulo, com rumo para lá de duvidoso.

O Corinthians fez um primeiro tempo horroroso no deserto de Atacama, Chile, no estádio em que cabe três vezes a população da cidade (!!). O Cobresal pressionou lá no alto a saída de bola corintiana. Resultado: chutão atrás de chutão. No segundo tempo, com André e Giovanni Augusto, o Corinthians melhorou – logicamente ambos terão de ser titulares.

Passou a rondar mais a área adversária, ameaçar minimamente. Ainda assim, não assustou. Pouco finalizou. Não mereceu ganhar. Mas ganhou. Foi um jogo horroroso, para 0 a 0, mas times campeões encontram maneiras de vencer – mesmo que a maneira seja um gol contra nos acréscimos. É o prêmio pela organização e o esforço coletivo.

O resultado é ótimo em um grupo complicado. O Cobresal não acabará sem pontos. Cerro Porteño e, principalmente, o Santa Fé são times de tradição em seus países e até no futebol sul-americano. É claro que 9 pontos em Itaquera resolvem tudo.

Preocupa a dificuldade incrível para jogar quando pressionado. Mas o Corinthians tem uma base de jogo, um treinador ótimo e só vai melhorar ao longo das semanas.

O Palmeiras empatou com o pior time do grupo, mas fora de casa. No entanto, não transmite a mesma segurança em relação a ganhar 9 pontos em casa. O técnico parece ameaçado, pelo menos de acordo com quem acompanha o clube de perto. E o time continua sem padrão de jogo.

O Palmeiras esteve duas vezes à frente, cedeu o empate e perdeu a chance de respirar e ganhar tranquilidade para trabalhar com menos pressão. Não foi pressionado como o Corinthians, não enfrentou a altitude. E não ganhou.

E o São Paulo, esse sim, precisa se preocupar.

Continua o mesmo time instável de 2015, capaz do melhor e do pior em pequeno espaço de tempo. Na pré-Libertadores, faz um ótimo jogo fora e um péssimo em casa. Tem a chance de começar a fase de grupos com tudo. E…. derrota, vaias, crise.

O The Strongest é o típico time forte em casa (altitude) e que literalmente não ganha de ninguém fora. Mas… ganhou. No Pacaembu.

O grupo do São Paulo tem um desenho nítido. Duas supostas forças, River Plate e São Paulo. Um time que “poderia” complicar, o Strongest. E uma baba, o Trujillanos. Ganhar do Strongest era um resultado básico. A consequência agora? Vai ter de ganhar na Argentina do River ou na altitude boliviana. O São Paulo coloca, sobre as próprias costas, uma pressão monstra para o resto da fase de grupos.

Na Libertadores, os prognósticos são mais complicados. A imprevisibilidade é maior. É apenas uma rodada, mas uma rodada de jogos com peso grande no papel.

O Corinthians ganhou onde talvez os outros não ganhem. Encaminhou a classificação. O São Paulo perdeu o jogo que não podia perder. Já coloca em risco a classificação. E o Palmeiras volta do Uruguai deixando no ar as mesmas interrogações que levou para lá.


No papel, sorteio bom para São Paulo e Galo, ruim para Palmeiras e Grêmio
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juliogomes

Finalmente, a Copa Libertadores teve um sorteio decente, bacana. Nada de Peru 3, Argentina 4, Venezuela 2. Times com nome, alguns até com sobrenome, e já sabemos os grupos da competição no ano que vem. Foi um pouco arrastado, o sorteio, com muita falação até a hora da definição dos grupos. Mas avançou, ficou mais legal.

Pelo menos no papel, o sorteio foi péssimo para Palmeiras e Grêmio. Ótimo para o São Paulo e para o Atlético Mineiro. E regular para o Corinthians.

Por que “no papel”?

copalibertadoresPorque a real é que conhecemos pouco da maioria dos times da Libertadores. É muito difícil ter acesso aos jogos dos campeonatos da Colômbia, Equador, mesmo do Uruguai. Aliás, é por isso que costumamos ter essa relação de medo e soberba ao mesmo tempo com a Libertadores.

Por um lado, todo mundo é “perigoso”. Por causa da camisa, da altitude, da viagem, do que seja. Por outro lado, poucos são verdadeiramente temidos e respeitados, porque brasileiro é assim mesmo com futebol. O desconhecimento costuma gerar petulância e às vezes medo exagerado.

Teoricamente, pois, Palmeiras e Grêmio estão em grupos complicadíssimos.

O Palmeiras, no grupo 2, encara um uruguaio de tradição, o Nacional, um argentino, o Rosario Central, e provavelmente a Universidad de Chile. O Nacional deu papelão na pré-Libertadores do ano passado, mas depois ganhou o campeonato nacional. O Rosario foi terceiro na Argentina, deve ser respeitado. E “La U” já mostrou força nos últimos anos – tem de passar do River Plate uruguaio no mata-mata de fevereiro antes.

Já o Grêmio, no grupo 6, também terá uma missão difícil. O San Lorenzo, vice-campeão argentino e campeão da América no ano passado, é o cabeça-de-chave. A LDU joga em Quito, tem a altitude a seu lado. E o quarto time é o Toluca, obrigando o Grêmio a fazer a longa viagem ao México.

Palmeiras e Grêmio não terão um jogo sequer para respirar. É batalha jogo sim, jogo também, para ficar entre os dois primeiros e sobreviver para o mata-mata.

O São Paulo encara o Cesar Vallejo, do Peru, na eliminatória. No papel, não terá problemas, e a eliminação, dado o tamanho dos clubes, seria vexaminosa. Passando, o São Paulo cai em um grupo com River Plate, o atual campeão, The Strongest, da Bolívia, e Trujillanos, da Venezuela.

O River, é bom lembrar, assusta no nome e na camisa, mas só se classificou da fase de grupos da última Libertadores na bacia das almas. Acabaria sendo campeão do torneio, já sabemos. Tem de ser respeitado, mas não temido, pois além de tudo perdeu jogadores importantes. Aliás, bom lembrar que todos os times sul-americanos ficam expostos na janela de transferências de janeiro e podem sofrer com a perda de peças-chave.

O Strongest tem a altitude a seu lado, o Trujillanos não mete medo. É um grupo, no papel, que deve ser tranquilo para o São Paulo. Tudo dependerá da adaptação rápido do novo técnico e um bom planejamento, daqui 40 dias já tem jogo decisivo.

O mesmo serve para o Atlético Mineiro, que encara Colo Colo, do Chile, o Melgar, campeão peruano, e ou o Independiente del Valle, do Equador, ou o Guaraní, do Paraguai, que surpreendeu ao eliminar o Corinthians e ir à semifinal da última Libertadores.

Com Javier Aguirre no comando, o Atlético não terá o problema de desconhecimento dos adversários. É um treinador sul-americano, experiente, estudioso e que não deixará a soberba tomar conta. Grupo bom para o Atlético ficar em primeiro e fazer uma das melhores campanhas da primeira fase, para depois ganhar o direito de decidir em casa nos mata-matas.

O Corinthians caiu em uma chave nem tão dura quanto as de Grêmio e Palmeiras, nem tão fácil (na teoria) como as de São Paulo e Atlético.

Favorito destacado do torneio ao lado do Boca Juniors – foram os dois melhores times do continente em 2015 -, o Corinthians encara Cerro Porteño, sempre um rival chato lá no Paraguai, o desconhecido Cobresal, que, no entanto, ganhou título no Chile, e possivelmente o Independiente Santa Fé, da Colômbia, se este passar da fase prévia.

Se fizer a lição de casa no alçapão de Itaquera, o Corinthians não terá problemas para passar.


Atlético cai, mas mostra coração e futebol. Já Corinthians e São Paulo…
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juliogomes

Três brasileiros estão fora da Copa Libertadores da América. Sobram dois, e dois que terão vida muito dura nas quartas de final. O Inter, contra o bom Santa Fé, da Colômbia. E o Cruzeiro, que vai sofrer seja contra o Boca Juniors ou contra o River Plate.

Mas esse post é sobre derrotados, não vitoriosos.

O Atlético Mineiro faz por merecer os aplausos de seus torcedores. Empatou com o Inter em Belo Horizonte por 2 a 2 na ida, perdeu por 3 a 1 no Beira-Rio. Mas esteve perto, em muitos momentos, de dar a volta na eliminatória. Ainda teve um gol anulado em Porto Alegre e reclama de um pénalti em Jô, dois lances discutíveis, mas não tão claros. Reclamar faz parte da frustração.

É um time que pouco tem a ver com o Galo campeão da América dois anos atrás, mas que mantém uma característica: a recusa em perder. O Internacional tem mais elenco e melhores jogadores que o Atlético, mas sofreu. Sofreu, porque qualquer um sofre e sofrerá para bater o Galo enquanto a coragem continuar no sangue.

Com 2 a 1 abaixo no Beira-Rio, o Atlético teve bola no travessão e levou perigo em muitos momentos. Um erro de Dátolo, um jogador que vem sendo mais criticado do que merece pelo próprio torcedor, decretou o fim da eliminatória.

Os dois jogos entre Inter e Atlético foram bastante, mas muito mesmo, superiores taticamente aos outros envolvendo clubes brasileiros. Nestes dois ainda há o problema de times muito espalhados e defesas expostas, o que é crônico no futebol brasileiro, quando comparamos com o europeu. Mas, apesar disso, houve intensidade, a luta por todas as bolas, o comprometimento dos 22 jogadores com funções ofensivas e defensivas e bom nível técnico. Foram jogos que deixam pouco a dever.

Uma nota positiva para o técnico uruguaio do Inter, Diego Aguirre. Apesar da ótima atuação no primeiro jogo, fez mudanças para o segundo. E foi corajoso ao tirar Jorge Henrique, nesta quarta, poucos minutos depois de ter colocado o meia em campo. Estava comprometendo defensivamente. Tchau, vestiário. É importante que técnicos atuem mais e chorem menos, será benéfico ao futebol brasileiro.

Levir Culpi também foi corajoso, arriscou e mudou o Atlético de forma inteligente no segundo tempo. Incomodou, embaralhou, acuou o Inter. Mas não teve prêmio.

Tudo de bom que vimos nos jogos entre estes dois times contrasta com as eliminações de Corinthians e São Paulo, os badalados dois dos três clubes mais ricos do Brasil.

O Corinthians, que tão bem começou a temporada e é forte favorito ao Campeonato Brasileiro, ainda mais agora, sofreu uma eliminação vexatória para o um clube pequeno, pobre, sem tradição, sem muita coisa. Basta dar uma olhada nos orçamentos. Que o Corinthians perca para o Guaraní do Paraguai é comparável a um Chelsea perder nas oitavas de final da Champions League para um Apoel do Chipre. Pouco aceitável.

Zero gols em dois jogos, duas expulsões bestas e uma apatia digna de vaias. É ótimo que, ao contrário do que vimos em outros tempos, a torcida não tenha invadido campo, quebrado tudo, aquelas coisas lamentáveis. Mas confesso que os aplausos ao time ao final da partida em Itaquera me pareceram um sintoma preocupante. Me causam relativa surpresa. Torcedores estão ficando tão condicionados a comemorar renda e número de sócios que se esquecem de cobrar (positivamente e sem violência, reforço) resultados e esforço dos atletas.

Foi uma eliminatória vergonhosa e longe de heróica do Corinthians, que jogou até com certo desprezo no Paraguai e pagou o preço.

Já o São Paulo não teve a apatia do Corinthians, mas teve uma partida de verdadeira calamidade tática em Belo Horizonte, contra o Cruzeiro. Se para um faltou coração, para outro faltou muito futebol.

O clube do Morumbi teve azar por perder Muricy Ramalho, que nunca esteve presente na temporada. Mas sobra empáfia a dirigentes que acreditaram que um eterno interino levaria o São Paulo a um título da América. Fala-se como se somente três ou quatro nomes tivessem a grandeza para dirigir o clube.

O Cruzeiro matou o São Paulo de forma simples, atacando por um setor, o direito. Chega a ser surreal que o time paulista não tenha nem tentado, ao longo do jogo todo, eliminar a ameaça por ali. As substituições no segundo tempo não tiveram propósito.

Só não aconteceu uma goleada no Mineirão porque o Cruzeiro também é um time com limitações, ainda em construção, longe da máquina azeitada que ganhou dois títulos nacionais seguidos.

Uma pena para Rogério Ceni, que estava genuinamente sentido – ao contrário de outros – ao final da partida, sua última em nível internacional.

Assim como o Corinthians, no entanto, o São Paulo não merece aplausos pela Libertadores que fez. Do tal grupo da morte, vejam só que ironia. Morreram todos.


Jô, a chave do sistema. Victor, o herói. Torcida, a melhor
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juliogomes

Ninguém resumiu melhor o estilo de jogo do Atlético do que Tostão. Aliás, ninguém hoje em dia explica melhor o futebol do que Tostão. É o sistema “Galo Doido”. Uma conexão incrível do time com a torcida, assustando e empurrando o adversário para trás com muito mais coração do que futebol.

Chamei o Atlético de “unidimensional” taticamente em posts anteriores. E foi mesmo! Foi contra Tijuana, Newell’s e Olimpia. Um jogo direto, de bolas longas procurando Jô no ataque. Pouca criação, pouca construção, pouco meio de campo, o jeito de jogar do Galo foi um só: pressionar e mandar bola pra frente, ligação defesa-ataque.

Um sistema que não funciona em campeonatos longos, mas que pode dar certo em mata-mata. Desde que o alvo, lá na frente, consiga aguentar as porradas, cotoveladas e seja capaz de segurar a bola. De dominá-la e, de alguma forma, distribuí-la. E foi isso que Jô fez. E fez bem demais.

Jô foi a chave do Atlético no segundo tempo contra o Olimpia, na reta final contra o Newell’s e basicamente em todos os momentos. A bola sobe, o cara ganha quase todas as jogadas e, assim, o Atlético já está no ataque. Aí, a jogada se desenvolve lá na frente com Tardelli, Bernard, quem seja. Só com um cara desses podia funcionar o sistema Galo Doido.

Victor foi a estrela que salvou o Atlético quando foi preciso. Especialmente contra o Tijuana, aquele mano a mano e aquele pênalti. Depois, contra o Newell’s e contra o Olimpia nas disputas de pênaltis. Foi o grande homem do Atlético. Sem Victor, não haveria título.

Victor e Jô foram contratações que deram certo. Depois de anos de acertos e erros, o Galo finalmente foi acertando a mão com um presidente que todo clube gostaria de ter. Kalil foi o homem que trouxe Ronaldinho. E trazer Ronaldinho talvez tenha sido o divisor de águas.

Porque independente do que faça Ronaldinho, sua simples presença é um recado que os outros jogadores recebem, que os adversários recebem. É um jogador que tira um clube de um patamar e coloca em outro. Foi o que aconteceu no ano passado, quando o Galo disputou o título brasileiro e ganhou a vaga que gerou essa noite histórica no Mineirão.

Ronaldinho não jogou rigorosamente nada contra Tijuana, Newell’s e Olimpia. Mas e daí? Sua presença fez o Brasil inteiro, a América do Sul, o mundo deixarem de ver o Atlético como “café com leite” e passarem a ver como a força que nunca poderia ter deixado de ser. E respeito dentro de campo importa muito nessa coisa chamada futebol.

Uma parada de um mês que ajudou demais um clube destroçado fisicamente. Uma queda de luz fundamental para mudar a história da volta contra o Newell’s. O escorregão de Ferreyra. E Victor, muito Victor. Tudo estava escrito para que o Atlético chegasse lá. Não tem campeão sem sorte. E a sorte vem para quem faz por merecer.

E essa torcida merece, como merece. Outro dia tive a curiosidade de ver os líderes em média de público na história dos Campeonatos Brasileiros. O Flamengo, mais popular do país, foi o líder 12 vezes. O Corinthians, segundo mais popular, líder 8 vezes. E o Galo? Mesmo com 41 anos de jejum nacional, o Galo foi líder em média de público 9 vezes. Mais que o Corinthians, pertinho do Flamengo.

É uma torcida impressionante. Toda torcida acha que é “a melhor do Brasil”, “melhor do mundo”, “melhor do bairro”. Se eu fosse votar em uma, votaria na do Galo. Porque torcer por time que ganha é fácil, duro é manter o fanatismo e a assiduidade nos momentos ruins. Kalil chamou de “a mais chata do Brasil, de longe”. Quem torce muito é chato mesmo, oras! E atleticano torce muito. Mas muito. Como poucos torcem no mundo.

Solte o grito, Galo Doido! Você é o dono das Américas!!