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River mostra que é o time a ser batido no continente

Julio Gomes

01/10/2019 23h26

O River Plate é o time a ser batido na América do Sul. Já bastaria o título continental do ano passado para dizer isso.

Mas é mais que isso.

São cinco anos com o mesmo treinador, uma base de jogadores, duas Libertadores, uma Sul-Americana e, o principal, muito bom futebol.

O River x Boca desta terça parecia um time jogando no estilo dos grandes europeus (moderno, intenso, propositivo, linha adiantada) contra um time típico do Brasileirão (defensivo, especulativo, jogando por uma bola).

Até acho que o Boca executou bem seu plano de jogo. Em vários momentos da partida, conseguiu contra atacar com perigo e ameaçar o River. O lance mais claro foi com Capaldo, que perdeu um gol absurdo no finalzinho do primeiro tempo, cara a cara com Armani.

No segundo tempo, o Boca chegou com perigo um punhado de vezes. Flamengo ou Grêmio, quem passar para possivelmente enfrentar o River na final, deveria observar atentamente a maneira utilizada pelo Boca para criar as chances que criou.

Do outro lado, no entanto, o River foi o dominador durante toda a partida, com técnica, qualidade de passe e movimentação. É um time mais veloz que o do ano passado, possivelmente.

O árbitro brasileiro Raphael Claus soube fazer bem seu trabalho, impedindo que o jogo descambasse, mantendo o controle o tempo todo. Acertou em todos os aspectos.

Acertou até ao não marcar o pênalti para o River, no primeiro tempo, em um lance em que, intuitivamente, ele percebeu em tempo real não se marca esse tipo de falta.

Mas o VAR é intervencionista na América do Sul, o VAR sempre quer falar alguma coisa. Uma vez chamado, era impossível Claus não dar a penalidade. Porque, em câmera lenta, tudo é pênalti. Claus fez o que tinha que fazer, o ideal é que o VAR fosse menos "caça pênaltis" e não desafiasse tanto as decisões de campo.

Nos acréscimos, o VAR ainda levou Claus a expulsar Capaldo. O VAR não serve para isso (reinterpretar), a Fifa já explicou, mas parece que pouca gente ouviu.

O jogo mudou, isso é um fato. Todos precisamos nos adaptar.

O pênalti, que a esmagadora maioria acha que foi bem marcado, não é determinante para o que aconteceu no jogo. O River seria superior de todas as maneiras, venceria de todas as maneiras.

O torcedor do River vai achar que, pelo que foi apresentado, o resultado foi até pequeno. O do Boca vai lamentar por três semanas o gol (fora) perdido por Capaldo. Vai ser difícil na Bombonera, muito difícil.

O River é o melhor time da América do Sul, com trabalho mais longevo e consistente. Os outros que se virem para derrubá-lo.

Em um jogo, o Flamengo pode vencer o River. O Grêmio pode. O Boca. Uma porrada de time. Não vejo o River invencível e tão superior assim individualmente. MAS… é o time mais consistente. Poucos altos e baixos, sabe a que joga e joga bem. Quem quiser vencê-lo, terá de superá-lo.

Melhores momentos de River Plate x Boca Juniors

Gols da Libertadores

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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