Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Juventus

O grande injustiçado na lista de finalistas do prêmio da Fifa
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A Bola de Ouro voltou a ser o que era. Então, sinceramente, o prêmio Fifa volta, para mim, a ser o que era. Um prêmio secundário. Sei que serei minoria no Brasil, um país obcecado por chancelas oficiais de títulos, prêmios e por aí vai.

Independente disso, saltou aos olhos uma gigantesca injustiça. E que, aliás, mostra bem por que o prêmio da Fifa não deve ser levado tão a sério. Os votantes, em sua esmagadora maioria, são pessoas à margem, muito à margem, de onde o futebol é jogado, estudado, conversado. São pessoas que veem jogos pela TV e acabam influenciados pela própria mídia local. Até pelo marketing mundial imposto por grandes marcas.

Não é possível que uma lista dos três melhores técnicos da temporada não tenha Leonardo Jardim, o português de 43 anos de idade que levou o Monaco ao título francês e à semifinal da Champions League (passando, no caminho, pelo time de Guardiola).

São feitos inacreditavelmente mais difíceis de serem atingidos do que, por exemplo, os de Antonio Conte e Massimiliano Allegri, os outros finalistas ao lado de quem será o óbvio vencedor, Zinedine Zidane (e com justiça).

Allegri levou a Juventus a mais um doblete na Itália e à final da Champions. Conte levou o Chelsea ao título da Premier inglesa, tendo a devida folga no calendário por não ter disputado competições europeias. Grandes feitos, grandes trabalhos, palmas para eles.

Mas e o que fez Jardim no Monaco?

Nascido na Venezuela, mas filho de pais portugueses, voltou cedo à terrinha e é um desses exemplos de como o conhecimento teórico do futebol está aprofundado e rendendo grandes frutos em Portugal. Leonardo Jardim não foi jogador de futebol, como tantos outros portugueses de sucesso. Começou como assistente técnico aos 27 anos.

Depois de duas ótimas temporadas no Sporting, foi pescado pelo Monaco em 2014. E, em sua terceira temporada, o time explodiu. A ponto de conquistar um campeonato amplamente dominado pelo Paris Saint-Germain nos últimos quatro anos.

Chegar entre os quatro semifinalistas da Champions pode ser algo fortuito, dependendo da trajetória, dos sorteios, mas as chancelas foram o título francês e o fato de o Monaco ter apresentado uma quantidade de gols absurda na temporada, próxima de Real Madrid e Barcelona.

Mas, mais do que conquistas, já que evito ser um resultadista, o que mais chama a atenção são os frutos que o trabalho de Leonardo Jardim trouxe ao Monaco.

O Monaco vendeu o lateral Mendy e o meia Bernardo Silva ao Manchester City por 107 milhões de euros, o volante Bakayoko ao Chelsea por 40 e, claro, a cereja do bolo, emprestou Mbappé, de 18 anos, ao PSG e receberá 180 milhões de euros por ele no ano que vem.

Mendy, de 23 anos, havia sido comprado por 13 milhões um ano antes, foi embora por 57,5 – mais de 300% de lucro. Bernardo Silva chegara junto com Jardim, por empréstimo. Em janeiro de 2015, o Monaco pagou ao Benfica 15 milhões de euros por ele. Foi vendido por três vezes mais – e o valor pode chegar a 75 milhões com bônus de desempenho. E Bakayoko, que tem a mesma idade que os dois jogadores do City, foi comprado por 8 milhões junto ao Rennes, também chegou junto com Jardim. Foi vendido por cinco vezes mais.

Tem Mbappé, claro, pinçado da base do Monaco e trabalhado dentro do próprio clube. Isso sem contar outros tantos jovens que ainda estão no elenco do Monaco ou que o clube trouxe por preços baixos no mercado. Gente como Lemar, Tielemans…

Esse é o trabalho que mais valorizo em um treinador de futebol: a construção de jogadores. Ainda mais um cara que não tem o respeito imediato da boleirada, por não ter sido jogador. Ninguém passou nem perto de mudar o mapa do futebol europeu como Leonardo Jardim. Seu trabalho pode ter repercussão até mesmo na Copa do Mundo do ano que vem – se a França for campeã, será porque essa turma toda do Monaco foi aproveitada e jogou bem.

Neymar entrou na lista dos três melhores pelo nome que tem. Foi uma temporada de um jogo só. Mas até aí, tudo bem. Cristiano Ronaldo ganhará o prêmio Fifa, a Bola de Ouro, nos votos dos outros jogadores, nos votos entre quem fala português, entre quem não fala, entre homens, entre mulheres, entre quem não viu um jogo sequer, entre quem viu todos. Enfim.

 


Barça atropela a Juve. Quem tem Messi nunca está morto
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juliogomes

O Barcelona, após a dramática janela de transferências, é quem deveria ser o time desfigurado em campo. Mas não foi o que vimos no Camp Nou, na noite de abertura da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. Foi a Juventus, vice-campeã na temporada passada, que estava irreconhecível.

A Juve entrou em campo nesta terça sem cinco jogadores que começaram a final contra o Real Madrid e sem seis dos que fizeram aquele 3 a 0 em cima do Barcelona nas quartas de final da última Champions, em abril. Sem Daniel Alves, Bonucci e Chiellini, a intensidade defensiva caiu demais.

E tudo o que Messi precisa nessa vida é de um time desarrumado atrás.

Messi é cada vez mais um meio-campista. Está mais paradão. Não se movimenta como antes, não marca mais a saída de bola do rival e não fica buscando deslocamentos. Recebe a bola no pé. Às vezes, apenas devolve. Às vezes, resolve acelerar. E, quando acelera, sai de baixo.

Ernesto Valverde escalou o Barcelona de forma inteligente. Abriu Alba pela esquerda e jogou Dembélé lá para a ponta direita. O efeito foi nítido: Alex Sandro, uma das principais armas para a saída de bola da Juventus, ficou preso na marcação. Messi e Iniesta se encontraram pelo meio do campo, e Suárez caiu por todos os lados. Busquets ficou mais recuado.

Ainda assim, o Barça trocou muitos passes e chegou pouco no primeiro tempo. A grande chance veio no rebote de uma falta cobrada por Messi, Suárez chutou e obrigou Buffon a fazer grande defesa. Pouco a pouco, a Juventus foi avançando a marcação e conseguiu roubar bolas e ameaçar. O 0 a 0 do primeiro tempo era condizente com o jogo.

Mas, por mais que o Barcelona não pareça mais ou mesmo, alterne momentos de chatice pura com velocidade, mesmo que não tenha mais Neymar, o fato é que o time que tenha Messi, qualquer que seja ele, nunca pode ser considerado morto.

No último lance do primeiro tempo, Messi acelerou. Fez linda tabela com Suárez e bateu com precisão, no canto, sem chances para Buffon. Foi a primeira vez na carreira que Messi conseguiu fazer um gol em Buffon.

Na carreira de Buffon, só faltava ganhar a Champions e tomar gol do Messi. Agora só falta ganhar a Champions. E vai ser difícil. Porque a Juventus, além de menos intensa e coesa defensivamente, vai sentir falta da opção ofensiva que Daniel Alves dava na temporada passada (além do espírito competitivo). Claro que há muita temporada pela frente e Allegri tem tempo para encontrar alternativas. Mas, neste momento, a Juve não passa a segurança de outros anos. Foi um time apático no Camp Nou.

No começo do segundo tempo, Alex Sandro subiu pela esquerda (uma raridade) e Dybala teve a chance de empatar. Mas chutou por cima. Alguns minutos depois, Messi acertou a trave. Depois, em uma troca de posições com Dembélé, arrancou pela direita e cruzou, Rakitic completou na sobra. Ali, o jogo morreu.

A Juve tentou adiantar a marcação para buscar o renascimento no jogo. Resultado? Deu espaços. Com espaço, Messi fez um golaço, 3 a 0. A partir daí, até a Juve achou que estava de bom tamanho.

Coloquei o Barcelona na terceira prateleira de favoritos para a Champions e o mantenho por aí. Mas, para um clube que parecia despedaçado um mês atrás, Valverde está conseguindo encontrar soluções rapidamente. E, claro, quem tem Messi tem sempre esperanças.

Favoritos vencem com facilidade

Todos os favoritos ganharam bem, sem sustos, neste primeiro dia de fase de grupos. Nenhum deles sofreu um gol sequer.

No grupo A, o Manchester United fez 3 a 0 no Basel. O Benfica levou a virada em casa e perdeu para o CSKA Moscou por 2 a 1. Resultado péssimo para os portugueses nessa briga pela segunda vaga.

No grupo B, O PSG foi à Escócia e meteu 5 a 0 no Celtic. Neymar fez um, Mbappé fez outro, Cavani fez dois. É um ataque absurdo. O Bayern de Munique também passeou, 3 a 0 no Anderlecht. Na próxima rodada, tem o primeiro confronto entre PSG e Bayern. Entre eles, decidirão quem fica em primeiro e quem fica em segundo.

No grupo C, o Chelsea fez o dever de casa e enfiou 6 a 0 no debutante Qarabag. Roma e Atlético de Madri ficaram no 0 a 0 no Olímpico, um resultado melhor para o Atlético, logicamente.

E, no grupo D, além dos 3 a 0 do Barça sobre a Juve, o Sporting, fora de casa, abriu 3 a 0 sobre o Olympiacos. O multicampeão grego ainda fez dois gols no finalzinho, mas não conseguiu buscar o milagre. O Sporting está com 100% de aproveitamento na temporada e não pode ser descartado como uma ameaça à Juve neste grupo.

 


Real nunca foi tão favorito, mas nunca teve tanta concorrência na Champions
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juliogomes

O Real Madrid é o bicampeão da Liga dos Campeões da Europa. Tem o melhor jogador do mundo. Um técnico com time e diretoria nas mãos. Jogadores ótimos em todas as linhas. Banco de reservas jovem e fortíssimo. Tem camisa, tradição e o medo dos adversários.

Não há ninguém mais pronto que o Real na disputa da Champions League 2017/2018, que começa nesta terça-feira. E o reflexo disso é o favoritismo apontado pelas casas de apostas.

Durante os meses que antecederam a competição, um eventual título do Real Madrid tinha o mesmo retorno para os apostadores que uma eventual conquista do Barcelona ou do Bayern de Munique. E é assim há anos. Os três gigantes dominaram a competição, sempre entrando como favoritos, ao longo dos últimos dez anos. O Real foi campeão em 14, 16 e 17, o Barcelona em 09, 11 e 15, o Bayern em 13 (perdeu finais de 10 e 12).

As semifinais da última Champions foram as primeiras desde 2009 sem que pelo menos dois deles estivessem presentes.

Agora, as coisas mudaram. O Real Madrid se descolou dos dois concorrentes. É claro que o Barcelona, mesmo sem Neymar, mas ainda com Messi e Suárez, e o Bayern de Munique, de elenco milionário e técnico multicampeão, não podem ser descartados. Mas não estão na mesma prateleira que o Real Madrid.

Quem aparece como segundo favorito na competição é o Paris Saint-Germain, que ganha o status após as chegadas de Neymar e Mbappé. No final deste post, encontre o retorno das casas de apostas.

O PSG tem batido na trave desde que ganhou o aporte financeiro do Qatar. Precisa superar a barreira das quartas de final para, depois, pensar em título. No último mata-mata, todos se lembrarão, foi eliminado de forma surreal nas oitavas pelo Barcelona após fazer 4-0 na ida e levar 6-1 na volta. Agora, deu um murro na mesa. E acrescentou dois craques ao que já era um timaço. Qualquer coisa que não seja chegar à final será considerado um fracasso.

O PSG tenta se posicionar com o anti-Real. Mas não está sozinho.

Se, por um lado, o Real Madrid entra com um status de “maior favorito” que ninguém tinha desde o Barcelona dos anos de Guardiola, por outro vai ter de encarar uma competição incomum.

Devido ao título do Manchester United na última Europa League, a Inglaterra chega com cinco representantes. Que são, de fato, os cinco melhores times da Premier League, fortalecidos por altíssimos gastos em seguidas janelas de transferências e com técnicos badalados. Nada de Leicester e Arsenal, que todos sabiam que não chegariam a lugar algum.

O Chelsea, de Conte, o Manchester City, de Guardiola, o Manchester United, de Mourinho, e até mesmo o Liverpool, de Klopp, e o Tottenham, de Pocchetino, têm bola suficiente para eliminar qualquer time da Champions League quando chegar o mata-mata, no ano que vem. Os ingleses chegam com sede para recuperar o domínio da década passada.

E há uma leva de times que também são fortes o suficiente e com características interessantes para derrubar gigantes no mata-mata. O Atlético de Madri, de Simeone, foi finalista em 14 e 16, é um time ultracompetitivo e que já não surpreende mais. A Juventus chegou às finais de 15 e 17, perdeu Bonucci e Dani Alves, mas trouxe bons reforços e segurou Dybala.

O Napoli incomodou o Real Madrid na temporada passada e está roçando uma campanha mais longa. A Roma e o Sevilla podem encarar algum gigante em dois jogos. O Monaco, sensação da última Champions, perdeu muita gente, mas segue em alto nível. E não podemos descartar os alemães: o tradicionalíssimo Borussia Dortmund e o debutante RB Leipzig, que tem um ótimo time.

Não seria nenhum absurdo que qualquer um dos times citados acima neste post eliminasse o Real Madrid ou o PSG em algum momento. Pode até ser uma zebra, mas não um absurdo.

É uma Champions rara. Com um inegável favorito. Mas também recheada de times que podem derrotá-lo. Uma concorrência mais forte que a de outros anos.

Dessa turma toda, quem pode ficar pelo caminho já na fase de grupos?

Na próprio grupo do Real Madrid estão Borussia Dortmund e Tottenham, um deles vai sobrar. O grupo C reúne Chelsea, Atlético de Madri e Roma, que é favorita a ficar de fora. De resto, deverão estar todos no mata-mata, que promete ser o mais parelho e imprevisível da história. Por enquanto, ficamos com alguns jogaços e alguns joguinhos da fase de grupos.

Ranking de força do blog:

Prateleira 1:
Real Madrid – time pronto, bicampeão e com Cristiano Ronaldo

Prateleira 2:
Bayern de Munique – nunca é bom desprezar Ancelotti
Manchester United – nunca é bom desprezar Mourinho
Manchester City – nunca é bom desprezar Guardiola
Paris Saint-Germain – nenhum trio de ataque é mais poderoso. Tem fome

Prateleira 3:
Barcelona – Messi-Suárez podem desequilibrar, mas tem algo muito errado fora de campo
Atlético – parece em queda, mas tem coração, experiência, classe, técnico…
Juventus – forte, mas abaixo da temporada passada
Chelsea – a forma reativa de jogar pode machucar no mata-mata

Prateleira 4:
Tottenham – fez uma péssima Champions passada, mas o time está pronto
Liverpool – como será a reintegração de Coutinho após a crise?
Monaco – perdeu titulares, mas repôs bem (na medida do possível) e segue com talento e gols
Borussia Dortmund – foi primeiro no grupo do Real e chegou às quartas em 16/17
Napoli – tem um ataque muito rápido e está a ponto de beliscar algo maior se tiver sorte

Prateleira 5:
Leipzig – é vice alemão, segurou o time todo e pode incomodar
Sevilla – ainda não sabemos como será a vida pós-Sampaoli
Roma – ainda não sabemos como será a vida pós-Spalletti

Nas casas de apostas (retorno por valor apostado):
Real Madrid – entre 3,5 e 4
PSG – entre 6 e 7
Bayern – entre 7 e 8
Barcelona – entre 7 e 8
City – entre 10 e 12
United – entre 10 e 12
Juventus – entre 14 e 16
Chelsea – entre 14 e 18
Atlético – entre 18 e 22
Liverpool – entre 18 e 22


Oito jogos históricos que se repetirão na Champions League
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juliogomes

O sorteio da fase de grupos da Champions League distribuiu 32 das mais fortes e tradicionais equipes europeias em oito grupos. Os confrontos ocorrem entre setembro e dezembro. E o blog foi recuperar oito jogos históricos, um de cada grupo, que se repetirão agora, em 2017.

29/5/68 Manchester United 4 x 1 Benfica

Dez anos após a tragédia de Munique, um acidente aéreo que matou oito jogadores e três membros da comissão técnica do Manchester United, o clube conquistou sua primeira Copa da Europa – a primeira também de um clube inglês. Comandado pelo histórico técnico Matt Busby e o lendário Bobby Charlton, ambos sobreviventes da tragédia, o United enfrentou na final o Benfica, multicampeão português, que já tinha dois títulos europeus e o grande Eusébio no ataque.

O jogo, disputado diante de mais de 90 mil pessoas no velho Wembley, em Londres, terminou empatado em 1 a 1. Charlton abriu o placar para o United, mas Jaime Graça empatou para o Benfica a dez minutos do fim. Na prorrogação, gols de George Best, Kidd e, novamente, Charlton, selaram o 4 a 1 e a primeira Copa dos Campeões para o United. É um dos jogos mais importantes da história do clube e com toda a carga simbólica de ter ocorrido dez anos após o acidente de Munique.

Ambos estão no grupo A da atual Champions, e o United tem um retrospecto altamente positivo contra o Benfica, com seis vitórias, dois empates e somente uma derrota (fase de grupos, em 2005). Os outros times são o CSKA Moscou e o Basel, da Suíça, que em 2012 eliminou o próprio United da fase de grupos da Champions.

19/3/86 Anderlecht 2 x 0 Bayern de Munique

No grupo B da competição, o Bayern de Munique tem a companhia do Paris Saint-Germain (que ganhou os três jogos que fez em Paris contra os alemães). Os outros times, o Celtic e o Anderlecht, não devem ser páreos para os atuais multimilionários que enfrentarão.

Mas o Anderlecht viveu um auge e foi muito forte nos anos 70 e 80, quando ganhou duas Recopas (76 e 78), uma Copa da Uefa (83) e duas Supercopas (76 e 78, contra Bayern e Liverpool). Em 1986, entrou em campo contra o Bayern pelas quartas de final da Copa dos Campeões após perder a partida de ida por 2 a 1. No que foi um dos grandes jogos da história do clube, ganhou a volta por 2 a 0, com gols de Scifo e Frimann, classificando-se para as semifinais e igualando o feito de 1982.

Acabou sendo eliminado na semi pelo Steaua Bucareste, da Romênia, que seria campeão europeu na decisão contra o Barcelona. Aquele time do Anderlecht era a base da seleção da Bélgica, que chegaria à semifinal da Copa do Mundo de 86, no México – quatro jogadores do clube eram titulares da seleção belga, que tinha o goleiro Pfaff, do Bayern.

30/4/14 Chelsea 1 x 3 Atlético de Madri

Chelsea, Atlético de Madri e Roma deverão ter uma disputa apertada pelas duas vagas do grupo C. Houve poucos confrontos entre estes três clubes. Eu poderia lembrar de novembro de 2008, quando a Roma ganhou do Chelsea pela fase de grupos. Foi minha única visita ao Olímpico e eu bati o carro na saída do estádio. Mas foi muito mais uma pequena tragédia pessoal do que um jogo inesquecível :-).

Em 2012, o Atlético chegou a ganhar a Supercopa da Europa com um 4 a 1 sobre o Chelsea, então vencedor da Champions. Mas o confronto mais relevante entre eles ocorreria dois anos depois. Eram as quartas de final da Champions de 2014 e, após o empate sem gols em Madri, os times de Mourinho e Simeone se enfrentaram em Londres.

O Chelsea abriu o placar com Fernando Torres. Mas Adrián empatou ainda no primeiro tempo, e Diego Costa e Arda Turan decretaram o 1-3 que levaram o Atlético à semifinal europeia (perderia a final para o Real Madrid, na prorrogação). Na temporada seguinte, Diego Costa passaria a jogar pelo Chelsea – e agora quer desesperadamente voltar ao Atlético.

6/6/15 Barcelona 3 x 1 Juventus

O Barcelona conquistou sua quinta Copa da Europa ao vencer a Juventus, em Berlim, dois anos atrás. Foi o auge do lendário trio Messi-Suárez-Neymar, desfeito com a saída do brasileiro para o PSG. Aquela era a segunda temporada de Neymar no Barça, e a primeira de Suárez e do técnico Luís Enrique. Rakitic abriu o placar para os catalães, mas a Juve, que tinha Pirlo, Pogba e Tevez, empatou com Morata. Tevez desperdiçou uma grande chance de virada antes de Suárez fazer o segundo e, nos acréscimos, Neymar definir o 3 a 1.

Na temporada passada, há poucos meses, a Juve se vingou, eliminando o Barcelona nas quartas de final com um 3 a 0 em Turim e um 0 a 0 no Camp Nou. O clube italiano perderia a final para o Real Madrid, mas manteve a sólida base para a atual temporada, enquanto o Barcelona está juntando os cacos após o trágico mercado de verão e a perda de Neymar.

 

18/5/16 Sevilla 3 x 1 Liverpool

Outro jogo recente, o Sevilla conquistou a Europa League retrasada vencendo o Liverpool na final, disputada na Basileia, Suíça. Daqueles times, seis jogadores ainda seguem no Sevilla, e dez no Liverpool. Os ingleses saíram na frente com Sturridge, mas no segundo tempo Gameiro e Coke (duas vezes) viraram para o Sevilla, então treinado por Unai Emery, hoje técnico do PSG.

Aquela foi a terceira conquista de Europa League consecutiva do Sevilla, quinta no total. Os dois times estão no grupo E da atual Champions League, junto com o Spartak Moscou e o Maribor, da Eslovênia.

14/9/11 Manchester City 1 x 1 Napoli

Feyenoord e Shakhtar Donetsk, os outros integrantes do grupo F, nunca jogaram entre si ou contra Napoli ou City. Os clubes da Itália e da Inglaterra, favoritos para passar neste grupo, estiveram juntos nesta fase na temporada 2011/12.

O Manchester City jogava a Champions League pela primeira vez desde que passou a ter dinheiro árabe arraigando suas contas. Pela primeira vez na máxima competição europeia desde 1968. E o Napoli também vivia um momento histórico. Era seu primeiro jogo de Champions League e a primeira vez na máxima competição europeia desde 1990/91, ainda tempos de Copa dos Campeões e de Diego Maradona.

Na estreia de ambos na fase moderna da Champions, empate por 1 a 1, gols de Kolarov e Cavani. Depois, na quinta rodada, o Napoli venceria por 2 a 1, com dois de Cavani, passando o City na tabela e se classificando para as oitavas, deixando o já rico clube de Manchester eliminado na fase de grupos.

26/5/04 Porto 3 x 0 Monaco

Poucos diriam, antes do início daquela temporada 2003/2004, que o título europeu seria decidido entre Porto e Monaco. Mas foi o que aconteceu, com a vitória portuguesa na decisão, disputada em Gelsenkirchen, Alemanha. O brasileiro Carlos Alberto, Deco (nome do jogo) e o russo Alenichev marcaram na fácil vitória do Porto.

O jogo é inesquecível também por ter sido a primeira Champions conquistada por José Mourinho, que na temporada seguinte assumiria o Chelsea. O time do Porto seria a base da seleção de Portugal, que naquele verão de 2004, comandada por Luiz Felipe Scolari, perderia em casa a final da Eurocopa para a Grécia. Os principais nomes do Monaco eram Evra, Giuly e Morientes. Nenhum dos dois clubes voltou a jogar uma final europeia depois daquilo.

Na atual Champions, Porto e Monaco estão no grupo G, ao lado do debutante RB Leipzig, da Alemanha, e do Besiktas, bicampeão turco.

24/4/13 Borussia Dortmund 4 x 1 Real Madrid

O grupo H é considerado o grupo da morte. Real e Dortmund, que já caíram no mesmo grupo na temporada passada, voltam a se enfrentar e têm a companhia do Tottenham, uma força da Premier League. O Tottenham foi vítima recente tanto de um quanto do outro e precisa mostrar mais do que vem monstrando em campanhas europeias. Irá se reencontrar com dois ex-jogadores que estão no Real, Bale e Modric.

O Real Madrid eliminou o Borussia em 2014, no caminho rumo ao nono título europeu. Mas o jogo que fica marcado para a história foi disputado um ano antes. Era a partida de ida da semifinal, em Dortmund, e o polonês Robert Lewandowski, hoje no Bayern, fez simplesmente os quatro gols da vitória do Borussia, de Klopp, sobre o Real, de Mourinho. Na partida de volta, o Real fez dois gols no fim e quase chegou à heróica remontada, mas não deu. O Borussia Dortmund perderia a final de 2013 para o Bayern.

 


Real Madrid encabeça grupo da morte. Dos outros…
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juliogomes

As bolinhas tiradas por Totti e Shevchenko, homenageados no sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, foram desviando balas aqui e ali. Mas não teve como evitar a confecção de um grupo da morte.

E o grupo H, encabeçado pelo campeão Real Madrid, é o que será apelidado assim. O Real enfrenta novamente o Borussia Dortmund (que no ano passado relegou os espanhóis à segunda posição no grupo) e o Tottenham (que fez uma péssima Champions no ano passado, mas é um belíssimo time de futebol). Sorte que o quarto elemento é o fraco Apoel Nicosia, do Chipre, que vai apanhar de todo mundo.

São três times para duas vagas. Mas o Real Madrid está alguns vários degraus acima dos outros. É possível que seja o grupo da morte… para os outros. Tottenham e Dortmund que se virem pela segunda vaga.

Outro grupo forte é o que reúne Chelsea, Atlético de Madri, Roma e o estreante Qarabag, do Azerbaijão. O Atlético e o Chelsea são favoritos, a Roma ainda é uma incógnita na temporada. Trocou técnico e perdeu bons jogadores. Claro que pode deixar um dos favoritos a ver navios, mas, a priori, corre por fora.

À exceção do Tottenham e do Chelsea, o sorteio foi muito bom para os ingleses.

O Manchester United, de José Mourinho, vai enfrentar Benfica, Basel e CSKA Moscou. Um grupo tranquilo para o gigante inglês, que não vai precisar se matar e sacrificar jogos da Premier League para passar. Benfica é ligeiro favorito para a segunda vaga.

O Liverpool, que poderia ter caído em um verdadeiro grupo da morte (estava no terceiro pote das bolinhas), se safou e jogará contra Sevilla, Spartak Moscou e Maribor, da Eslovênia. O Liverpool mostrou muita força da fase prévia, passando por cima do bom Hoffenheim. Mesmo que perca Philippe Coutinho, é o favorito destacado. Até porque o Sevilla tem técnico novo, ainda derrapa e vai suar para ficar à frente do Spartak, campeão russo.

O Manchester City, depois de anos de “azareios”, finalmente teve um sorteio favorável. Jogará contra Napoli, Shakhtar Donetsk e Feyenoord, o campeão holandês. City é favoritaço para ser primeiro do grupo. E o Napoli, um ótimo time de futebol, que manteve a base do ano passado, é favoritaço para ser segundo. Tem mais chance de o Napoli atrapalhar o City do que ser atrapalhado pelos outros.

Dos três grupos restantes, um tem equilíbrio total. E os outros dois tem aquele formato com duas grandes forças e duas zebras. O que se decide é basicamente quem fica em primeiro, quem fica em segundo.

É assim no grupo B, em que Bayern de Munique e o Paris Saint-Germain, de Neymar, disputarão o primeiro lugar e não terão a passagem às oitavas ameaçada por Anderlecht ou Celtic. Os confrontos entre Bayern e PSG devem ser os que chamarão mais atenção durante a fase de grupos.

E é assim no grupo D, em que Juventus e Barcelona, que se enfrentaram nas últimas quartas de final, jogarão pelo primeiro lugar. Bom sorteio para o Barça, que derrapa neste início de temporada, mas não deve ser ameaçado por Olympiacos ou Sporting de Portugal. Não quero desprezar as duas camisas, com muita história, mas imaginem se caísse um Liverpool ou um Tottenham ou um Leipzig nesse grupo? O Barcelona pode respirar aliviado.

O grupo G é o mais equilibrado, com Monaco, Porto, Besiktas e RB Leipzig. O Monaco é favorito. É o campeão francês, atual semifinalista e, ainda que tenha perdido três titulares em relação à campanha passada, segue mostrando ótimo futebol. O Porto tem a camisa mais pesada, mas o Besiktas é um bom time, bicampeão turco, e o RB Leipzig tem um ótimo time. É vice-campeão alemão e manteve a base.

Abaixo, os grupos e os prognósticos de quem passa para as oitavas de final:

Grupo A
Benfica (POR)
Manchester United (ING)
Basel (SUI)
CSKA Moscou (RUS)

Prognóstico: 1- United, 2- Benfica, 3- Basel, 4- CSKA

Grupo B
Bayern de Munique (ALE)
Paris Saint-Germain (FRA)
Anderlecht (BEL)
Celtic (ESC)

Prognóstico: 1- PSG, 2-Bayern, 3- Anderlecht, 4- Celtic

Grupo C
Chelsea (ING)
Atlético de Madri (ESP)
Roma (ITA)
Qarabag (AZE)

Prognóstico: 1- Atlético, 2- Chelsea, 3- Roma, 4- Qarabag

Grupo D
Juventus (ITA)
Barcelona (ESP)
Olympiakos (GRE)
Sporting (POR)

Prognóstico: 1- Juventus, 2- Barcelona, 3- Olympiacos, 4- Sporting

Grupo E
Spartak Moscou (RUS)
Sevilla (ESP)
Liverpool (ING)
Maribor (SLO)

Prognóstico: 1- Liverpool, 2- Sevilla, 3- Spartak, 4- Maribor

Grupo F
Shakhtar Donetsk (UCR)
Manchester City (ING)
Napoli (ITA)
Feyenoord (HOL)

Prognóstico: 1- City, 2- Napoli, 3- Feyenoord, 4- Shakhtar

Grupo G
Monaco (FRA)
Porto (POR)
Besiktas (TUR)
RB Leipzig (ALE)

Prognóstico: 1- Monaco, 2- Leipzig, 3- Besiktas, 4- Porto

Grupo H
Real Madrid (ESP)
Borussia Dortmund (ALE)
Tottenham (ING)
Apoel Nicosia (CHP)

Prognóstico: 1- Real, 2- Tottenham, 3- Dortmund, 4- Apoel


Prévia do Italiano: Champions e motivação, obstáculos para o hepta da Juve
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juliogomes

Até hoje, o recorde de títulos consecutivos nas ligas mais importantes da Europa é do Lyon, heptacampeão francês na “era Juninho Pernambucano”, entre outros grandes jogadores, é claro. A Juventus tenta repetir o feito da Itália a partir deste sábado, quando abre o campeonato contra o Cagliari.

A Juve sempre foi a principal força doméstica, mas nunca dominou tanto quanto agora. Formou um sistema defensivo tão sólido que, mesmo mudando todo mundo do meio para frente, chegou à segunda final de Champions League em três anos. E mantém Dybala, a joia da coroa.

Justamente a Champions é a conta pendente da Juve com seu torcedor. Nos últimos 20 anos, desde que a principal competição europeia foi ampliada, a Juventus é a única potência sem título (foram quatro derrotas em finais). Isso pode atrapalhar o foco na busca pelo hepta nacional? Não foi o que vimos nos últimos anos, mas é sempre difícil motivar jogadores a ganhar o que já ganharam tantas vezes.

Apesar das saídas de Daniel Alves e Bonucci, que não podem ser menosprezadas (pelo jogo e pela liderança de ambos no vestiário), a Juve se reforçou bem no mercado. Trouxe Matuidi, do PSG, Douglas Costa e Benatia, do Bayern, Di Sciglio, do Milan, e, a meu ver a principal contratação, o promissor Bernardeschi, da Fiorentina.

Existe um grande equilíbrio entre Roma, Napoli, Milan, Inter e até Lazio. São bons times de futebol. Mas é difícil imaginar que algum deles possa tirar o título da Juventus. Pode ganhar no confronto direto. Pode ameaçar em algum momento. Mas, no fim das contas, a disputa (boa) promete ser mesmo do segundo lugar para baixo.

Com a saída de Spalletti, a ROMA aposta em um ex-jogador e campeão com o clube em 2001, Eusebio di Francesco. O treinador levou o pequeno Sassuolo da segunda divisão à Liga Europa e adquiriu fama de propor um jogo ofensivo e desenvolver jogadores jovens. É bom lembrar também que agora a diretoria técnica da Roma está a cargo do espanhol Monchi, a grande mente por trás dos anos de sucesso do Sevilla.

A Roma fez caixa (100 milhões de euros) com três vendas importantes: Salah, para o Liverpool, Rudiger, para o Chelsea, e Paredes, para o Zenit. E fez contratações de baixo perfil, como os laterais Karsdorp (campeão holandês com o Feyenoord, 14 milhões), Bruno Peres (Torino, 12 mi) e Kolarov (Man City), os zagueiros Juan Jesus, Hector Moreno e Fazio, os centro-campistas Pellegrini e Gonalons e o extremo turco Under – este, o mais novo de todos, 20 anos, que veio do desconhecido time do Basaksehir, pode ser um dos típicos achados de Monchi.

Alisson será titular no gol da Roma, é muito importante observar o desempenho do goleiro, que tem tudo para ser titular da seleção na Copa.

O NAPOLI manteve a ótima base, com seu envolvente trio ofensivo formado por Mertens, Insigne e Callejón, e reforçou a defesa com o zagueiro sérvio Maksimovic (20 milhões de euros ao Torino) e o volante croata Rog, do Dinamo de Zagreb. A chave para o time de Maurizio Sarri é conseguir conciliar Série A e Champions League. Mas o Napoli e, sem dúvida, o postulante com menos interrogações para poder desafiar a Juve.

O MILAN, que saiu das mãos de Berlusconi para os chineses, foi quem mais fez barulho no mercado. Gastou muito e montou um time novo, mas não com medalhões. Começou bem nas fases prévias da Europa League e está animando o torcedor, sedento por voltar aos grandes palcos. Tudo vai depender da química que o treinador Vincenzo Montella conseguir criar.

Chegaram Bonucci (42 milhões de euros), uma garantia para a defesa; o jovem atacante André Silva (38 mi), de 21 anos, do Porto; a dupla que foi muito bem na Atalanta, o lateral Conti e o volante Kessié; da Alemanha, chegaram o bom meia turno Calhanoglu, do Bayer Leverkusen, e o lateral Rodríguez, do Wolfsburg; e vieram os argentinos Musacchio, do Villarreal, e Biglia, da Lazio.

Uma mistura de jovens com alguns veteranos. Outra grande notícias para os milanistas foi a permanência do goleiro Donnarumma, cortejado por outros gigantes europeus.

A INTERNAZIONALE, após o papelão da temporada passada e tantos técnicos demitidos, aposta as fichas em Luciano Spalletti, ex-técnico da Roma. Foi buscar na Fiorentina os meio-campistas Vecino e Borja Valero, na Sampdoria o zagueiro Skriniar e, no Nice, o desconhecido lateral-esquerdo brasileiro Dalbert, com passagens pelas bases de Flamengo e Fluminense. A Inter pagou 20 milhões de euros por ele, que fará companhia a Gabigol e Miranda.

Spalletti é um grande treinador de futebol. A Inter é um clube complicado, mas tem elenco para brigar no alto e não está em competições europeias, o que alivia o calendário.

Outras prévias no blog:

Real Madrid é favoritaço para o bicampeonato na Espanha

Em busca do hexa na Alemanha, Bayern não tem rivais à altura

Liga inglesa: a melhor virou também a mais imprevisível

França: Neymar e PSG fazem bi parecer sonho distante para o Monaco

Supercopa da Itália:

13/8/17 Lazio 3 x 2 Juventus

Maiores campeões italianos: Juventus (33), Milan (18), Internazionale (18)

Previsões:

Título: Juventus
Vice: Napoli
Vaga na Champions: Inter
Artilheiro: Higuaín
Melhor jogador: Dybala
Olho em: o Torino promete fazer um bom campeonato
Na TV: FOX e ESPN

Primeira rodada:

Sábado
13h Juventus x Cagliari
15h45 Verona x Napoli

Domingo
13h Atalanta x Roma
15h45 Bologna x Torino
15h45 Crotone x Milan
15h45 Internazionale x Fiorentina
15h45 Lazio x Spal
15h45 Sampdoria x Benevento
15h45 Sassuolo x Genoa
15h45 Udinese x Chievo


Real Madrid é primeiro bicampeão da era Champions. Veja mais curiosidades
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juliogomes

O Real Madrid conquistou a terceira Liga dos Campeões da Europa em quatro anos. Um domínio que não era visto desde os tricampeonatos de Ajax e Bayern de Munique, na década de 70 – quando o torneio tinha mesmo só campeões, não vários times fortes dos principais países.

Os 4 a 1 sobre a Juventus – que, antes desse jogo, havia tomado apenas três gols em 12 partidas no torneio – significaram a 12a conquista europeia do Real Madrid. Aqui vão alguns dados e curiosidades da Champions.

– O Real Madrid é o primeiro clube a ganhar dois títulos seguidos desde que a Champions League foi criada (substituindo a Copa dos Campeões), em 1992;

– O último bicampeão havia sido o Milan, em 89 e 90. Assim, Zidane torna-se o primeiro técnico a ganhar dois europeus seguidos desde o lendário Arrigo Sacchi;

– É a primeira vez desde 1958 que o Real Madrid consegue ser campeão europeu e espanhol na mesma temporada;

– O Real ganhou 12 das 15 finais que disputou, um incrível aproveitamento de 80%. Já são seis finais consecutivas vencendo;

– A Juventus, por outro lado, tem aproveitamento pífio em finais, com duas vitórias e sete derrotas – já são cinco seguidas depois do último título, em 1996;

– Campeã de tudo na Itália, a Juve perdeu a chance de conquistar uma tríplice coroa inédita. Entre italianos, só a Inter conseguiu, em 2010;

– O Real Madrid fez pelo menos um gol em todos os 60 jogos oficiais que disputou na temporada. A série histórica vem desde a temporada passada e já está em 65 partidas;

– Cristiano Ronaldo chegou a 600 gols na carreira (em 855 jogos) – 105 deles na Champions League, liderando a lista de artilheiros na história da competição;

– Com 12 gols, o português foi o artilheiro da Champions League pela quinta vez seguida e pela sexta vez em sua carreira – superando Messi, máximo goleador de cinco edições. Dos 12 gols, 10 saíram das quartas de final para frente;

– Cristiano Ronaldo torna-se o segundo homem (primeiro desde a criação da Champions) a fazer gols em três finais diferentes. Ele marcou também em 2008, pelo Manchester United, e em 2014. Alfredo di Stefano, outra lenda do Real Madrid, fez gols em cinco finais, consecutivamente entre 1956 e 60;

– Casemiro tornou-se o décimo brasileiro a marcar um gol em final de Champions League. O último havia sido Neymar, pelo Barcelona, em 2015, também contra a Juventus;

– Em apenas um ano e meio no cargo, Zidane já tem um currículo melhor como técnico do que como jogador do Real Madrid. Como técnico, ganhou cinco títulos: duas Champions, um Espanhol, um Mundial e uma Supercopa da Europa. Como jogador, também conquistou um Espanhol, um Mundial e uma Supercopa, mas apenas uma Champions.

 


O melhor da Europa? Aquele que tem Cristiano Ronaldo
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juliogomes

Fazia muito tempo que uma final de Champions League não mostrava quem era o melhor da Europa. A deste sábado mostrou. O melhor time é sempre o time de Cristiano Ronaldo.

Dois gols na final, gols em três finais, quatro títulos europeus. O melhor do mundo.

A Juventus foi agressiva no início, como tinha que ser. Teve chances. Mas cedeu um contra ataque, Cristiano Ronaldo deu um passe perfeito para Carvajal, que devolveu também com perfeição. E aí veio aquela finalização de bilhar. 1 a 0.

Mas a Juve, brava, não desistiu. Foi para cima, empatou em um gol que poderia ter marcado o futuro de Navas no Real Madrid. Mandzukic tocou por cobertura e correu para o abraço. Fez o mais difícil. Achar um empate rápido.

No segundo tempo, no entanto, não teve jogo. Ou melhor. Teve jogo de um time só.

A Juventus não quis rifar a bola, tentava sair jogando, mas a marcação avançada do Real Madrid não só impedia essa estratégia como roubava rapidamente e criava situações de perigo.

O gol parecia questão de tempo. E foi. Saiu em chute de muito longe de Casemiro, que desviou em Khedira e matou Buffon, entrando no único buraquinho possível entre a mão dele e a trave.

A Juve sentiu o gol. Não sabia o que fazer. Seguiu tentando sair para o jogo desde a defesa. E, em um passe errado de Alex Sandro, Modric criou o cruzamento finalizado por (quem mais?) Cristiano Ronaldo.

Com 3 a 1, a final morreu. Ainda teve um quase gol de Alex Sandro. E a ridícula expulsão de Cuadrado, em um teatro de Sergio Ramos que foi a única coisa a se lamentar na atuação do Real Madrid. Depois, veio a jogadaça de Marcelo e os 4 a 1, dos pés do superpromissor Asensio.

A Juventus havia levado três gols em 12 jogos na Champions. Levou quatro do time que fez gols em TODOS os 60 jogos oficiais que fez na temporada.

O campeão dos campeões, o time que não perde finais, ganha a sexta seguida. A duodécima. terceira em quatro anos. O primeiro bicampeão da história moderna da Champions League. Contra uma Juventus que perde a quinta final seguida e vira, de vez, o oposto do Real. O time que não vence finais.

Ganhou o melhor da Europa. Ganhou o time de Cristiano Ronaldo.


Juventus x Real Madrid: Cinco chaves da final da Champions League
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juliogomes

Há quem se apegue a curiosidades e tabus para “determinar” um favorito em uma final de campeonato. Freguesias, cor de camisa, datas.

Por exemplo. Você sabia que desde que a Copa dos Campeões virou a Champions League um clube italiano é campeão a cada sete anos? Em 96, foi a Juventus. Em 2003, o Milan. Em 2010, a Inter. Portanto, em 2017 só pode dar Juve, certo?

Por outro lado, você sabia que nas únicas duas vezes que o Real Madrid enfrentou a Juventus em campo neutro ele ganhou? E que, enquanto o Madrid é o clube de melhor aproveitamento em finais europeias, a Juve é o pior? Isso considerando quem jogou várias finais, claro, não só uma ou duas.

Esse tipo de informação é legal. Mas só se torna relevante mesmo se pesar coletivamente, se transformar em um fardo que, de fato, faça os jogadores atuarem abaixo do que podem devido à pressão. Que um tabu, uma “necessidade” de vitória entre na cabeça dos caras e afete o jogo. Não parece ser o caso neste Juventus x Real Madrid de jogadores tão experientes. Então vamos às chaves táticas da grande decisão deste sábado.

1- Brasileiro x brasileiros

Daniel Alves x Marcelo. Não é novidade para ninguém, certo? Um duelo que já ocorreu muitas vezes nos confrontos entre Barcelona e Real Madrid. Pelo Barça, Daniel enfrentou o Real 27 vezes, com 14 vitórias e 7 derrotas. Se somarmos os anos de Sevilla, foram 22 vitórias em 42 jogos. Ou seja, teve mais sucessos do que fracassos. Daniel Alves é uma das chaves da partida, seu espírito é contagiante e a experiência é muito importante. Quem vai pará-lo? Se Marcelo tiver essa atribuição, ficará comprometida uma importante saída de jogo do Real Madrid com ele pela esquerda. Possivelmente o trabalho sobre muitas vezes para Casemiro, um jogador que flertou com expulsões em vários momentos da temporada. Casemiro e Marcelo precisam parar Daniel Alves para o Real Madrid aumentar suas chances.

2- Agressividade

O Real Madrid faz gols consecutivamente há 64 jogos – todos os 59 da temporada atual e 5 ainda da temporada passada. Se tem algo que ficou claro nos últimos anos é que times que esperaram o Real Madrid pagaram o preço (como o Atlético de Madri). Uma das chaves para a Juventus é tomar as rédeas do jogo e mostrar a mesma agressividade que mostrou nos jogos de ida contra Barcelona e Monaco, outros times de ataque muito poderoso. Construir jogo, tentar aproveitar as falhas defensivas do Real, buscar o gol e não ficar apenas esperando uma boa chance de contra ataque.

 

3- Batalha no meio de campo

Tudo indica que Isco será mesmo titular e Bale começará o jogo no banco de reservas. Boa notícia para o Real Madrid, que foi um time muito mais equilibrado na temporada com o losango no meio – Casemiro no vértice de baixo, Modric pela direita, Kroos pela esquerda, Isco no topo. O desenho deu mais consistência defensiva, com os volantes ajudando na cobertura sem abrir buracos no meio. A Juventus não tem um volante do tipo Casemiro. Como Pjanic e Khedira conseguirão cortar essas linhas de passe? Como Dybala será municiado? Como sempre, no futebol de alto nível, quem ganhar a batalha do meio de campo terá grandes chances de ganhar o jogo.

4- Duelos individuais

Jogos muito equilibrados costumam ser desequilibrados de duas maneiras: arbitragens ou vitórias nos duelos individuais. Literalmente, um jogador superando o outro. Subindo mais para o cabeceio, dando um drible, se antecipando, aproveitando um erro alheio, enfim. Cristiano Ronaldo e Benzema destruíram o Atlético de Madri na semifinal ganhando os duelos individuais. Conseguirão também contra Chiellini, Bonucci e Barzagli? O mesmo vale para o outro lado. Higuaín e Mandzukic contra Sergio Ramos e Varane.

5- Primeiro gol

Viradas são muito raras em finais. Tão raras que basta puxar na memória para nos lembrarmos delas. Aqueles 2 a 1 do Barcelona sobre o Arsenal em 2006, com gol de Belletti no finalzinho. Ou os dois gols nos acréscimos do Manchester United sobre o Bayern de Munique, em 99. O Real Madrid ganhou do Atlético de virada, em 2014, mas na prorrogação e em circunstâncias especiais (empate aos 48min do segundo tempo, esgotamento físico e emocional do adversário). Há um certo consenso de que quem marcar primeiro terá muito mais do que meio caminho andado, daí a importância de entrar em campo a 110 por hora.

 

Com esse post, concluímos uma semana cheia de informações sobre Juventus e Real Madrid aqui no blog. Abaixo, encontre links para ler mais. Agora é esperar por um jogo sem erros importantes de arbitragem e que nos mostre, afinal, quem é o melhor da Europa.

Três razões para acreditar na Juventus. E três para crer no bi do Real Madrid

Buffon e Zidane: dois momentos históricos em que os caminhos se cruzaram

“Zidane virou um grande na Juventus, só faltou a Champions”

Como a final de 98 mudou os destinos de Real Madrid e Juventus

Real e Juventus campeões nacionais. Agora só falta saber quem é melhor

 


Três razões para acreditar na Juventus. E três para crer no bi do Real
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juliogomes

A final da Liga dos Campeões, sábado, será a primeira em muitos anos que realmente apontará quem é o melhor time da Europa. Um tira-teima entre os dois melhores da temporada. A Juventus, campeã italiana e da Coppa Itália, tenta a tríplice coroa inédita. O Real Madrid tenta ser campeão espanhol e europeu pela primeira vez desde 1958.

Os dois gigantes têm motivos de sobra para acreditar que podem levantar a “orelhuda” em Cardiff, no País de Gales. Aqui, o blog aponta os três principais.

TRÊS RAZÕES PARA ACREDITAR NA JUVENTUS

1- Melhor defesa do mundo

Dizem que ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos. O sistema defensivo da Juventus começa pelos atacantes e a pressão que exercem lá na frente, o que já virou praxe no futebol mundial. E acaba em uma verdadeira muralha. Buffon, melhor goleiro das últimas duas décadas, talvez da história, e a seguríssima linha de zaga formada por Chiellini e Bonucci, talvez com Barzagli acompanhando pela direita. Na atual campanha na Champions, a Juve sofreu três gols em 12 jogos – o único sofrido no mata-mata foi na semifinal contra o Monaco, com a eliminatória já decidida.

2- O fator Daniel Alves (e a fome)

Ele quase foi para a China. Mas resolveu ficar no futebol de alto nível e chegou a Turim dizendo que queria ajudar a Juventus a ganhar uma Champions League. Foi o principal nome da semifinal contra o Monaco, atuando em uma posição mais avançada pela direita – que deve se repetir no sábado. Se for campeão da Champions (seria a quarta), Daniel Alves chegará a 36 títulos na carreira, se igualando ao galês Ryan Giggs, multicampeão no Manchester United.

Aliás, depois de lerem o resto desse post, voltem, cliquem aqui e leiam um texto para a história publicado nesta semana por Daniel Alves. Quem não chorar é porque tem coração de pedra. Com esse texto maravilhoso, Daniel nos mostra como a fome de vencer impulsiona jogadores profissionais. Assim como ele, a Juventus tem muitos jogadores no elenco querendo provar algo para o mundo.

3- Histórico recente contra o Real

É verdade que o histórico aponta oito vitórias para cada lado e na única vez que se enfrentaram em uma final europeia, em 1998, deu Real Madrid. Mas, de lá para cá, a Juventus vem dominando os duelos contra o rival espanhol. Saiu vencedora de confrontos eliminatórios em 2003 (semi), 2005 (oitavas) e 2015 (semi). Este último, dois anos atrás, tinha muitos jogadores que estarão em campo no sábado do lado do Real Madrid. Oito titulares que atuaram na volta (empate no Bernabéu) jogarão a final de Cardiff, ou seja, é essencialmente o mesmo time. Por parte da Juve, somente o eixo defensivo repetirá.

TRÊS RAZÕES PARA ACREDITAR NO REAL MADRID

1- O ataque que não falha

O Real Madrid fez pelo menos um gol em todos (isso mesmo, você leu direito, TO-DOS) os jogos que disputou nessa temporada. Foram 169 gols em 59 partidas. Considerando a temporada passada, a sequência histórica já está em 64 jogos. O Real não passa em branco desde abril do ano passado. Quando um time já entra em campo com a certeza de meter pelo menos uma para dentro, quem coça a cabeça é o adversário.

2- O Real não perde finais

Todos sabem que o Real Madrid é o maior campeão europeu de todos os tempos, já são 11 troféus de Copa dos Campeões e Champions League. Uma das razões para isso é o incrível aproveitamento de 78% nas decisões. É aquela história: “deixou chegar…”. Ninguém tem percentual tão alto – exceto alguns clubes que ganharam todas as finais que jogaram, mas nunca disputando mais do que duas. O Real é o recordista de decisões, chegou a 14. A última derrota veio em 1981, para o Liverpool. De lá para cá, cinco decisões, cinco canecos. Já a Juventus, pelo contrário, ganhou duas de oito. O aproveitamento de 25% em decisões europeias é o pior entre todos os que já ganharam o título alguma vez.

3- O equilíbrio encontrado com Isco

Foi necessária a série de lesões e recaídas de Bale para Zidane encontrar o time ideal. E que aparentemente será mantido para a decisão, consideradas as declarações do próprio Bale durante a semana. Apesar de Zidane ter batido o pé ao longo da temporada (“no trio de ataque não se mexe”), o fato é que o time ficou mais equilibrado com Isco no topo do losango do meio de campo. Cristiano Ronaldo e Benzema passaram a atuar mais próximos e receber mais bolas limpas. A presença de Isco desafogou de Kroos e Modric a responsabilidade única de municiar o ataque e criou inúmeras linhas de passe a mais. Com essa formatação, o Real passou a se impor nos jogos e depender menos de bolas paradas, chuveirinhos e vitórias arrancadas nos minutos finais, que vinham sendo regra na temporada.