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Arquivo : Juventus

Tottenham domina a Juventus e leva resultado enorme a Londres
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Julio Gomes

Que maravilha! A Champions League está de volta. E o nível vai lá para a estratosfera quando começam as fases eliminatórias. Na Suíça, o Manchester City, de Guardiola, enfiou logo 4 a 0 no Basel – ou seja, já está praticamente garantido nas quartas de final pela segunda vez em sua história e deu mais uma incrível demonstração de força.

Mas o jogaço mesmo foi disputado em Turim, onde Juventus e Tottenham ficaram no 2 a 2.

A Juve, fortíssima em casa, abriu 2 a 0, mas cedeu o empate e tem que agradecer aos céus por não ter saído derrotada. O Tottenham não se assustou com o cenário e fez uma partida espetacular na Itália.

Para se ter uma ideia do tamanho do feito, a Juve não levava dois gols em casa desde outubro, quando perdera para Lazio por 2 a 1 – aquela foi a quebra de uma invencibilidade caseira de 41 partidas e dois anos. A Juve não levava dois gols em um jogo qualquer desde uma derrota por 3 a 2 para a Sampdoria, em novembro, em Gênova. Nos três meses desde então, haviam sido 16 partidas disputadas e apenas UM gol sofrido.

É verdade que a Juve não tinha Barzagli, Matuidi e Dybala, mas o começo do jogo apagaria qualquer desfalque. A grande notícia desse duelo foi a personalidade monstra do Tottenham em campo. Jogou melhor por 80 minutos, poderia até ter virado e leva um grande resultado a Londres.

A Juventus começou a 200 por hora. Antes que o Tottenham entendesse em que cidade estava, para que lado deveria atacar, onde estavam seus torcedores e se a bola era redonda ou não, já estava 2 a 0.

Dois gols de Higuaín em 9 minutos. O primeiro, em jogada ensaiada, após falta cobrada por Pjanic, e o segundo convertendo pênalti sofrido por Bernardeschi.

A Juventus poderia ter mantido o ritmo de jogo. O Tottenham estava tonto, contra as cordas. Mas aí, meio que automaticamente, recuou. Recuou demais. Acreditava que naturalmente poderia dar a bola ao Tottenham e matar a eliminatória nos contra ataques.

Foi um jogo que lembrou muito a semifinal da Champions de 99. A Juventus, que vinha de três finais seguidas, abriu rápidos 2 a 0 sobre o Manchester United. Recuou tanto que levou a virada do rival inglês e foi eliminada. Outros tempos, claro.

Pudemos ver, nesta terça, a incrível maturidade adquirida pelo Tottenham nos últimos anos. Com Dele Ali e Eriksen flutuando entre as linhas de marcação, laterais subindo e espalhando o campo e Kane azucrinando os zagueiros, o time inglês foi empurrando a Juventus para trás. Muita personalidade, para um time que perdia fora de casa para uma gigante do futebol europeu.

Na primeira chance de Kane, Buffon defendeu o cabeceio à queima roupa. Na segunda, defendeu com a ponta dos dedos. Na terceira, não teve jeito. Kane conseguiu, aos 35min, o importante gol fora de casa.

Após uma jogadaça de Douglas Costa, que fez uma boa partida pelo meio e foi destaque, a Juventus ainda conseguiu outro pênalti no fim do primeiro tempo. Mas Higuaín, que havia desperdiçado uma boa chance em contra ataque, chutou no travessão. Desperdiçou o hat trick e uma vantagem enorme para ser levada para o intervalo.

No segundo tempo, o jogo perdeu ritmo. Até porque o 2 a 1 não estava mau para ninguém. A Juventus decepcionou, porque em nenhum momento apertou para ampliar a vantagem. O Tottenham manteve a posse de bola, jogou no campo da Juve, mas sem se expor demais.

Ganhou um prêmio após falta sofrida por Dele Ali nas proximidades da área. Eriksen bateu rasteira, no canto de Buffon, que deu um passinho para o lado e levou o gol no contrapé. Falha (raríssima) de Buffon.

O 2 a 2 colocou justiça no placar, o Tottenham fez por merecer o resultado.

E agora joga por qualquer vitória e empates por 0 a 0 ou 1 a 1 para se classificar em Wembley. O favoritismo vai todo para o time inglês, e a Juve que se vire para fazer em Londres o que não fez em casa.


Os ricaços que me desculpem, mas o Napoli é a grande história da Europa
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Julio Gomes

PSG, City. City, PSG. Neymar, Guardiola. Guardiola, Neymar. Dólares. Euros. Libras. Qualidade.

Napoli. Pizza. Maradona. Paixão. Loucura. Qualidade.

Nomes próprios trazem “sinônimos” diversos, ainda que alguns sejam comuns a eles.

Se estamos falando há meses dos que parecem ser dois dos melhores times da Europa, o PSG e o Manchester City, é porque o dinheiro fez com que isso fosse possível. O PSG foi comprado pelo Qatar. Isso mesmo, o país. O Qatar comprou o time de Paris. O City foi comprado pelos Emirados Árabes Unidos. Dinheiro de famílias reais. Que patrocinam algumas coisas não tão louváveis assim pelo mundo.

Não vou ser poliana. Muito dinheiro jogado em futebol é geralmente fruto de picaretagem e exploração. E isso não acontece só nesses dois clubes. Acontece em vários lugares.

Mas, por serem clubes de uma história pouco (ou quase nada) vencedora antes desses aportes, fica uma percepção de artificialidade. Muita qualidade. Muita bola. Muita gente top do futebol mundial. Não temos por que não admirar. O difícil é amar.

Paixão está em Nápoles.

O Napoli estava quebrado em 2004. Quebrado. Falido. Foi resgatado pelo produtor de cinema Aurelio De Laurentiis, o atual presidente. Que vá lá, não é flor que se cheire, tem sobre ele acusações de lavagem de dinheiro, etc. Mas caramba, estamos falando do clube que representa todo o Sul (pobre) da Itália. O Napoli não podia simplesmente deixar de existir.

Depois de passar pela terceira e segunda divisões, o Napoli voltou. Nesta década, nos últimos sete campeonatos, ficou sempre entre os cinco primeiros. Passou a ser figura constante na Champions League. Ganhou duas Coppas Itália. Só falta realmente o título da Série A. E a hora é agora.

Após 24 rodadas, o Napoli soma 63 pontos. São 20 vitórias, 3 empates e apenas a derrota em casa, justamente para a Juventus. A toda-poderosa hexacampeã italiana tem 62 pontos. Já são sete rodadas seguidas com os dois times ganhando seus jogos. Mas a desse fim de semana de Carnaval, a 24ª rodada, foi especial.

Especial porque a Juventus ganhou na sexta-feira em Florença, um estádio difícil, um jogo sofrido, em que a Fiorentina teve inúmeras chances de sair na frente do placar. Especial porque o Napoli, pressionado, jogou contra a terceira colocada, a Lazio, e saiu perdendo logo de cara. Parecia ser o fim. A rodada que, a priori, poderia ser de tropeço juventino e vitória napolitana, ia se transformando na rodada de pesadelo para o Napoli.

Mas quem joga bola, joga bola. E o Napoli, com o futebol leve e envolvente promovido pelo surpreendente técnico Maurizio Sarri, virou para 4 a 1 para cima da Lazio. Voltou à liderança e mandou o recadinho para a Juventus. “Siamo qui”. Estamos aqui.

Mesmo a quilômetros de distância, separado por um oceano, foi possível sentir pela TV o clima do estádio San Paolo. É comoção pura.

Se é verdade que o confronto do segundo turno entre eles será em Turim e o Napoli ainda enfrentará Milan e Inter fora, a Juventus está envolvida com Champions League, Coppa Itália e jogará fora contra Lazio, Roma e Inter. Tem muita água para rolar.

Mas o fato é que o Napoli é a grande história a ser seguida nesta temporada.

Com todo respeito aos investimentos de PSG e City, que realmente têm tudo para desafiar o domínio europeu recentemente estabelecido por Real Madrid, Barcelona e Bayern, a história do Napoli é a mais linda, é a mais raiz.

Eu cresci tendo na Juventus o meu “time da Europa”. Torcia muito, de verdade. Era fanático. Em uma era pré-Internet, ia atrás de informações de todos os modos, aprendi a falar italiano, queria morar em Turim (que erro!). Meu pai, só de farra, resolveu “virar” torcedor do Napoli. Nos primeiros anos, ele se deu bem. Eram os anos de Maradona e dos únicos dois títulos italianos da história do Napoli. Depois disso, logicamente, a Juve continuou sendo o que sempre foi: uma máquina de títulos.

Eu perdi o entusiasmo quando comecei a trabalhar com esporte e acompanhar o futebol com outros olhos. Tenho uma linda camisa 8 que me foi presenteada por Emerson, em 2006. Sigo gostando da Juve, mas não como antes.

Hoje, me flagro torcendo contra a Juventus e a favor do Napoli. Se forem campeões, comprarei uma camisa azul para meu pai. Promessa feita.

 


Ingleses dominam mercado de inverno na Europa. Quem se deu melhor?
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Julio Gomes

O mercado de inverno europeu deu sequência à gastança que vimos no verão. Grandes negócios foram fechados, com volumes monstruosos de dinheiro, mesmo entre clubes médios e pequenos. O mercado foi especialmente interessante na Inglaterra.

Quem se deu bem? Quem se deu mal?

Espanha

O Real Madrid, apesar da crise, ficou quieto no mercado, não achou que fosse necessário se reforçar. É claro que o silêncio de Zidane no mercado será lembrado se o Real for eliminado pelo PSG e a temporada “acabar”.

O Barcelona, humilhado no verão, fez a maior contratação do inverno ao trazer Philippe Coutinho. Como o futebol é dinâmico! Chegou também Mina. Saíram Mascherano, Rafinha (Inter) e os pouco usados Arda Turan e Deulofeu.

O Atlético de Madri ganhou os já conhecidos reforços de Diego Costa e Vitolo, que já estavam contratados, mas só poderiam jogar a partir de janeiro. O clube só não esperava estar fora da Champions, da Copa do Rei e com chances remotas na Liga a essas alturas. O Valencia, que vive grande temporada, trouxe Vietto e Coquelin e deve se manter no G4 para voltar à Champions. O Sevilla levou Guilherme Arana.

Inglaterra

O Manchester United e o Arsenal parecem ser os grandes vencedores do mercado de inverno. A troca “seca” Alexis Sánchez-Mkhitaryan fez com que o United ganhasse um jogador diferenciado sem gastar, e além de tudo, o chileno pode jogar a Champions. O Arsenal não ficou de mãos abanando.

Saíram Giroud e Walcott, mas Wenger conseguiu renovar o contrato de Ozil e ainda trouxe Aubameyang, do Borussia Dortmund. Se o treinador conseguir encaixar no time Lacazette, Aubameyang, Ozil e Mkhitaryan, pode dar samba.

Liverpool e Manchester City investiram em zagueiros (Van Dijk e Laporte), um porque não parava de levar gols, o outro porque Guardiola percebeu que não pode contar com Mangala, Stones e Kompany. Como a defesa fica constantemente exposta, Pep foi buscar um zagueiro que é muito bom na leitura de jogadas e antecipações.

Mas nenhum dos dois conseguiu tirar Mahrez do Leicester. O Liverpool, que perdeu Coutinho, foi o derrotado do mercado, logicamente. O Chelsea mandou Batschuayi emprestado para o Dortmund e trouxe o lateral brasileiro Emerson, além de Giroud e Barkley – o que não deve mudar a formação titular de meio/ataque. O Tottenham trouxe Lucas Moura, um bom reforço para completar elenco.

Outros países

O PSG perdeu apenas Lucas e trouxe Lass Diarra (lembra dele?) para compor elenco em uma posição em que o titular, Thiago Motta, vive machucado.

O Borussia Dortmund conseguiu uma boa venda com Aubameyang, trouxe Batschuayi e investiu no zagueiro Akanji, do Basel. O Bayern de Munique foi outro gigante quieto no mercado, trouxe apenas o veterano Sandro Wagner para o ataque.

A Juventus, assim como o Real Madrid, não trouxe nem perdeu ninguém. A disputa com o Napoli pelo título italiano será travada com os mesmos protagonistas da atualidade.


Após sorteio, City vira o maior favorito da Champions; Real cai para 5º
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Julio Gomes


Após a realização do sorteio dos confrontos de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, o Manchester City, de Pep Guardiola, transformou-se no principal favorito a ganhar o título continental. Pelo menos é o movimento que ocorreu nas casas de apostas pelo mundo.

O Real Madrid, atual bicampeão, era o maior favorito quando as apostas foram abertas, antes mesmo do início da Champions. E hoje, depois do sorteio que emparelhou o time de Zidane contra o PSG nas oitavas, passou a ser somente o quinto colocado na lista de favoritos ao título. É claro que, além do sorteio, os supercomputadores levam em conta os resultados inconsistentes do Real até agora na temporada – no Campeonato Espanhol, por exemplo, é só o quarto colocado.

O Manchester City foi o grande “sortudo” do dia ao ser emparelhado para enfrentar o Basel, da Suíça, nas oitavas. Líder disparado da Premier League inglesa e com apenas uma derrota na temporada, o time de Gabriel Jesus e Fernandinho é o maior favorito para passar às quartas de final.

Leia também no blog:
PSG x Real Madrid: será que o estagiário vai derrubar o chefe?

Logicamente, os resultados impressionantes até agora e essas probabilidades foram calculados pelos algoritmos das casas de apostas, diminuindo muito o valor pago para quem acreditar no título do City. Hoje, quem apostar (e acertar) no título do City tem um retorno de 4 para 1. Ou seja, para cada real (ou dólar ou euro ou a moeda que seja) apostado, o ganhador leva quatro de volta. Em nenhum momento da temporada o valor foi tão baixo para qualquer time na Champions. A lista completa está abaixo neste post*.

Quando o torneio começou, em setembro, o principal favorito era o Real Madrid. Na época, o retorno era de 5,50 para 1 em caso de título. Na sequência, vinham Barcelona (7 para 1), PSG (7 para 1) e Bayern (8 para 1). O City era apenas o quinto favorito, ao lado do Manchester United (13 para 1).

Antes do sorteio desta segunda-feira e após a realização da primeira fase, o PSG havia subido para o topo da lista de favoritos. Até ontem, o título do time de Neymar pagava 4,50 para 1. Na sequência, vinham City (5,50), Real (7), Barça (7) e Bayern (8).

Após o emparelhamento de oitavas de final, o retorno em caso de título do Manchester City caiu de 5,50 para 4 para 1. O Bayern de Munique, que enfrentará o Besiktas e já lidera a Bundesliga com folga, tornou-se o segundo favorito. O retorno caiu de 8 para 5,50 para 1 em caso de conquista alemã. Já o título do PSG subiu de cotação e passou a pagar 6 para 1, e o Real Madrid transformou-se apenas no quinto favorito a ficar com o título (9 para 1). Nunca, desde que as apostas foram abertas, se pagou tanto pela possibilidade de título do Real.

Como logicamente os retornos vão caindo de fase para fase, com o afunilamento do torneio, é plausível acreditar que este é o melhor momento possível para apostar em título do Real Madrid – caso o apostador ache que a terceira conquista seguida virá. Até porque conforme investidores observem aqui uma boa oportunidade e façam apostas, o valor de retorno vai caindo.

Por exemplo. Assim que saiu o sorteio, a vitória do Real Madrid sobre o PSG no jogo de ida, que será em Madri, pagava 2,25 para 1. Neste momento em que o post é publicado, esta cotação já havia caído para 2,10 para 1.

O título do Chelsea, emparelhado contra o Barcelona, pagaria para quem apostar hoje 34 para 1 (era 21 para 1 antes do sorteio). A maior zebra do torneio é o Basel, da Suíça – 401 para 1 em caso de título (boa sorte!).

Os jogos de IDA de oitavas de final:

13/2
Basel x Manchester City
Juventus x Tottenham

14/2
Real Madrid x PSG
Porto x Liverpool

20/2
Chelsea x Barcelona
Bayern de Munique x Besiktas

21/2
Sevilla x Manchester United
Shakhtar Donetsk x Roma

Retorno em caso de título da Champions (entre parênteses, a cotação antes do início do torneio):

Manchester City – 4 para 1 (13)
Bayern de Munique – 5,50 (8)
Paris Saint-Germain – 6 (7)
Barcelona – 8,50 (7)
Real Madrid – 9 (5,50)
Manchester United – 15 (12)
Liverpool – 15 (29)
Juventus – 17 (21)
Tottenham – 23 (34)
Chelsea – 34 (17)
Roma – 34 (101)
Sevilla – 101 (101)
Porto – 101 (126)
Shakhtar – 101 (251)
Besiktas – 201 (251)
Basel – 401 (501)

* fonte utilizada: Bet365

Para ver o movimento (idêntico) em outras casas de apostas, clique aqui.


PSG x Real Madrid: será que o estagiário vai derrubar o chefe?
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Julio Gomes

Aconteceu o que todo mundo queria, menos os envolvidos. Paris Saint-Germain e Real Madrid vão se enfrentar logo nas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa.

O Paris ganhou seu grupo, que tinha o Bayern, para enfrentar o pior segundo colocado possível. O Bayern, curiosamente, enfrentará o melhor primeiro colocado possível: o Besiktas, da Turquia.

O Bayern e o Manchester City, que enfrentará o Basel, da Suíça, são os dois mega favoritos das oitavas de final, os grandes “sortudos” da manhã desta segunda-feira. Manchester United, contra o Sevilla, Liverpool, que pega o Porto, e Roma, contra o Shakhtar, são favoritos, mas em duelos perigosos.

E não é possível apontar favoritos em dois duelos bem equilibrados: Tottenham x Juventus e Barcelona x Chelsea. São jogões. E vamos lembrar, em fevereiro/março os times poderão estar diferentes do que estão hoje.

Mas nada chama tanta a atenção como PSG x Real Madrid.

É simbólico, porque temos o duelo entre o chefe e aspirante. O clube mais vezes campeão da Europa, o único bicampeão da era Champions, a camisa mais pesada do mundo, contra o clube multimilionário que quer entrar no clubinho de campeões.

Eu entendo que todo mundo esteja dizendo que o PSG deu muito azar no sorteio. E deu mesmo! Mas o Real Madrid também, viu. Este é um duelo 50-50 e, neste início de temporada, o PSG está mostrando mais futebol. Outra coisa é quando chegar a hora H.

É claro que o PSG não queria enfrentar o Real Madrid nas oitavas de final. Seria inevitável enfrentar uma pedreira em algum momento, mas muito melhor que fosse mais para o fim, que o PSG tivesse tempo para construir um momento e um time mais equilibrado defensivamente no terço final da temporada.

Por outro lado, e se o PSG ganhar do Real Madrid? Aí terá, bem cedo, mostrado para o mundo e para si mesmo que pode ganhar de qualquer um. Se vencer o Real nas oitavas, o PSG não terá nenhum obstáculo maior, pelo menos simbolicamente, pela frente.

Individualmente, é também o duelo entre Cristiano Ronaldo e Neymar. O melhor do mundo, dono da Bola de Ouro, contra o que quer ser um dia.

Leia também:
Após sorteio, City vira o maior favorito da Champions; Real cai para 5º

Estas são as oitavas da Champions:

Tottenham x Juventus
Manchester City x Basel
Liverpool x Porto
Manchester United x Sevilla
PSG x Real Madrid
Roma x Shakhtar Donetsk
Barcelona x Chelsea
Besiktas x Bayern

Meus palpites, HOJE. Passam Juventus, City, Liverpool, United, PSG, Roma, Chelsea e Bayern. Mas em fevereiro conversamos novamente :-)


Barça-Chelsea é o duelo mais provável das oitavas da Champions
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Julio Gomes

Como esperado, a última rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa teve pouca emoção e nenhuma surpresa (o legal foram os 33 gols, o maior número em um só dia de jogos desta edição). A única vaga em disputa em um confronto direto ficou decidida em 20 minutos, o tempo que o Liverpool precisou para destruir o Spartak Moscou com três gols. No fim, acabou 7 a 0, com três de Philippe Coutinho e um de Firmino – que saiu aplaudido de pé.

Aliás, não consigo entender bem as críticas às convocações de Firmino – jogador certo na Copa, podem se acostumar com a ideia. É um grande jogador de futebol, de primeiro nível. Mais fácil seria debater se ele ou Gabriel Jesus deveriam ser titular. Eu prefiro o jogador do City, mas o debate é válido.

As outras vagas, todas definidas em confrontos “indiretos”, acabaram sem surpresas. O Napoli está eliminado, já que o Shakhtar Donetsk fez sua parte e venceu o Manchester City por 2 a 1, acabando com os 100% do time de Guardiola na Champions e com a invencibilidade na temporada. Era esperado. O Napoli deu azar de pegar o City em um momento mais crucial da competição, enquanto o Shakhtar pegou um City já garantido em primeiro lugar.

Ao Napoli, cabe focar no que é a principal disputa para ele: o Italiano, que não vence desde os tempos de Maradona e tem chance real nesta temporada. Napoli, Atlético de Madri e Borussia Dortmund são os ausentes que poderiam estar no mata-mata. Nenhum “gigantão” ficou de fora.

O Tottenham fez a melhor campanha, com cinco vitórias e um empate (corrigindo informação anterior). Os dois times de Manchester, o PSG e o Bayern vieram atrás, com cinco vitórias e uma derrota. O PSG fez 25 gols, o Liverpool fez 23. O Barcelona sofreu só 1, O United levou 3. As oitavas terão um representante de França, Turquia, Suíça, Alemanha, Ucrânia e Portugal, dois da Itália, três da Espanha e cinco da Inglaterra (o que é um fato inédito).

Como o Chelsea é o único inglês que ficou em segundo lugar, o sorteio será muito condicionado por isso. O atual campeão da Premier não pode pegar nas oitavas nenhum time da Inglaterra e nem a Roma, que ganhou seu grupo. Assim, só sobram três confrontos possíveis: contra Barcelona, PSG ou Besiktas (será que o torcedor do Chelsea tem alguma preferência?).

Em média, a chance de um confronto específico sair no sorteio varia entre 14% e 18%. A chance de um Barcelona-Chelsea é de incríveis 43,75%. Segundo o estatístico espanhol Mister Chip (@2010MisterChip no Twitter), os confrontos com menor probabilidade de acontecerem são Bayern x Besiktas e PSG x Porto, na casa dos 10%.

A Juventus tem 75% de chances de ser sorteada contra um inglês nas oitavas, enquanto as chances de Real Madrid e Bayern pegarem um inglês está na casa dos 60%. Todos sonham com um confronto contra o Besiktas, o primeiro colocado menos badalado de todos. Os times que ganharam seus grupos adorariam enfrentar Basel, Shakhtar ou Porto.

Saiba quem pode enfrentar quem nas oitavas de final. Em itálico, os confrontos com mais de 18% de chances de acontecerem, ou seja, uma probabilidade consideravelmente maior que a média.

PRIMEIROS COLOCADOS:

Manchester United – pode pegar Real Madrid, Juventus, Sevilla, Shakhtar, Bayern ou Porto

PSG – Chelsea, Real Madrid, Juventus, Sevilla, Basel, Shakhtar ou Porto

Roma – Real Madrid, Sevilla, Basel, Shakhtar, Bayern ou Porto

Barcelona – Chelsea, Basel, Shakhtar, Bayern ou Porto

Liverpool – Real Madrid, Juventus, Shakhtar, Basel, Bayern ou Porto

Manchester City – Real Madrid, Juventus, Sevilla, Basel, Bayern ou Porto

Besiktas – Chelsea, Real Madrid, Juventus, Sevilla, Basel, Shakhtar ou Bayern

Tottenham – Juventus, Sevilla, Basel, Shakhtar, Bayern ou Porto

SEGUNDOS COLOCADOS:

Basel – Roma, Liverpool, Tottenham, Manchester City, Barcelona, PSG ou Besiktas

Bayern de Munique – Roma, Liverpool, Tottenham, Manchester United, Manchester City, Barcelona ou Besiktas

Chelsea – Barcelona, PSG ou Besiktas

Juventus – Liverpool, Tottenham, Manchester United, Manchester City, PSG ou Besiktas

Sevilla – Roma, Tottenham, Manchester United, Manchester City, PSG ou Besiktas

Shakhtar – Roma, Liverpool, Tottenham, Manchester United, Barcelona, PSG ou Besiktas

Porto – Roma, Liverpool, Tottenham, Manchester United, Manchester City, Barcelona ou PSG

Real Madrid – Roma, Liverpool, Manchester United, Manchester City, PSG ou Besiktas


Derrota do PSG não é nem trágica e nem insignificante
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Julio Gomes

Depois de perder um jogo pelo Francês, no último fim de semana, o Paris Saint-Germain perdeu também a invencibilidade na Liga dos Campeões da Europa, ao cair por 3 a 1 em Munique, diante do Bayern.

A derrota está longe de ser trágica. A famosa frase “perdeu quando podia perder” se encaixa bem. Como havia vencido o jogo entre eles por 3 a 0, em Paris, o PSG ficou em primeiro lugar no grupo e tem mais chances de fugir de um duelo duro. O Bayern de Munique, como esperado, ficou em segundo. Esse sim, possivelmente pegará uma pedreira nas oitavas – ou um time inglês ou o Barcelona. Sorte seria pegar Roma ou Besiktas.

Se não é trágica e não mostra que o PSG “não é tudo isso” nem nada do tipo, tampouco podemos considerar o resultado insignificante. De alguma forma, traz o time de volta à Terra. Não chegará ao mata-mata com aura de invencível.

O Bayern, mesmo sem muitos jogadores que possivelmente serão titulares na hora H da temporada, criou sérios problemas ao PSG, principalmente no primeiro tempo. Sem Thiago Motta, Unai Emery, o técnico do Paris, está usando muitas vezes uma formação com Draxler no meio de campo. O time, claro, fica ainda mais ofensivo. Mas, talvez, vulnerável.

São testes válidos. Emery precisa entender o verdadeiro nível do time, as alternativas, e são raros os momentos de competitividade extrema para fazer essas observações.

Nesta primeira metade da temporada, os únicos jogos complicados para o PSG seriam contra o Bayern e contra o Monaco. Fora de casa, o time atropelou o Monaco e tem nove folgados pontos de vantagem na tabela do Francês – um campeonato que se mostra pouco competitivo. No primeiro jogo contra o Bayern, passou o carro, mas o time de Munique vivia crise que não vive mais desde a saída de Carlo Ancelotti. Agora, a história seria diferente. E foi.

“Ah, como perdeu do Bayern, o PSG foi colocado em seu devido lugar. Não tem camisa. Não é um dos favoritos ao título”. Alguns dirão algo assim. Não concordo. O PSG é, sim, muito forte. Muito mesmo. A meu ver, está na prateleira de cima entre os favoritos. Junto com um certo Bayern, que precisava de um resultado como esse para se colocar de novo entre as principais forças.

Quem quiser ver o copo meio vazio, dirá que o PSG é tão favorito quanto qualquer outro, e isso ficou provado hoje. Quem quiser ver o copo meio cheio, dirá que o time e Neymar precisavam de uma chacoalhada como essa para cair na real e amadurecer rumo à metade final da temporada.

Outros jogos

O resto da rodada não teve novidades. O Manchester United garantiu a primeira colocação do grupo A ao fazer 2 a 1 no CSKA Moscou, de virada. O Basel ficou em segundo, impondo a sexta derrota em seis jogos para o Benfica (uma vergonha, diga-se). Já era esperado, pelos duelos, que o time suíço passasse.

No grupo C, o Atlético de Madri chegou a estar à frente contra o Chelsea. Mas neste momento a Roma já vencia o Qarabag, resultado que se confirmou. O Chelsea ainda conseguiu o 1 a 1, mas foi um mau resultado para todos em Londres. Porque a Roma acabou sendo primeira de um grupo muito difícil, o Chelsea ficou em segundo e o Atlético foi eliminado.

Como não pode pegar um inglês nem a Roma, por ser do mesmo grupo, o Chelsea enfrentará nas oitavas de final Barcelona, PSG ou Besiktas. Alguma preferência? Será?

Já a Roma não enfrenta nem Chelsea nem Juventus. De muito forte, sobrariam o Real Madrid e o Bayern. Os outros possíveis duelos de oitavas são ganháveis para os romanos, que vivem uma temporada melhor do que o esperado.

No grupo D, o Barcelona, mesmo com time reserva, fez 2 a 0 no Sporting. E a Juventus fez sua parte, vencendo o Olympiacos por 2 a 0, na Grécia. A Juve sofreu nos dois jogos contra o Sporting, mas se livrou de uma eliminação precoce, engatou a terceira marcha na Itália e está se acertando na temporada.


Champions League chega à rodada final com pouco suspense
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Julio Gomes

A Liga dos Campeões da Europa chega à última rodada da fase de grupos nesta semana com pouco em jogo e quase nenhum suspense.

São oito times já classificados e quatro virtualmente garantidos nas oitavas de final (os confrontos de mata-mata serão sorteados na sexta-feira e só começam em fevereiro). Restam quatro vagas abertas, mas só uma delas será definida em um duelo direto, em um jogo em que o Liverpool é franco favorito.

O grande confronto desta terça-feira, entre Bayern de Munique e Paris Saint-Germain, acaba tendo muito menos apelo do que poderia. Afinal, o Bayern só pode tomar a primeira posição do grupo B se vencer por quatro gols de diferença, algo difícil de imaginar.

O único “candidato” ameaçado de eliminação é o Atlético de Madri, que está em situação tão difícil que nem muito suspense desperta. E, convenhamos, por melhores que tenham sido as campanhas do Atlético nos últimos quatro anos, não é das camisas mais badaladas do continente.

Na quarta-feira, ainda haverá alguma expectativa para saber se o Liverpool confirmará sua vaga e se o Napoli terá a ajudinha de Guardiola e do City para chegar às oitavas. De novo, nada que gere muita palpitação.

Barcelona, Manchester City, Tottenham e Besiktas já garantiram a primeira colocação de seus grupos. O único segundo colocado já certo é o Real Madrid. Outros três times estão classificados, a falta de sabermos em qual colocação: PSG, Bayern de Munique e Chelsea.

Manchester United, Roma, Juventus e Sevilla têm suas situações muito encaminhadas, só ficam de fora com uma tragédia. As quatro vagas reais em jogo estão entre Basel/CSKA, Liverpool/Spartak (único duelo direto), Shakhtar/Napoli e Porto/Leipzig.

JOGOS DE TERÇA (17h45 de Brasília)

Grupo A- Manchester United 12 pontos, Basel e CSKA Moscou com 9. O Manchester United recebe o CSKA na última rodada e precisa do empate para ser primeiro. Na verdade, pode até perder por três gols, quem sabe mais, para ser primeiro. O Basel, que vai a Lisboa pegar o eliminado Benfica, pode ficar empatado com o CSKA, portanto é o favorito a ficar com a segunda vaga. Pode haver um tríplice empate na ponta, é por isso que o United não está garantido ainda. Mas, para que o time de Mourinho seja eliminado, precisará perder por sete gols de diferença.

Grupo B- PSG 15 pontos, Bayern 12. O Bayern só toma a primeira colocação se vencer o jogo entre eles, em Munique, por quatro ou mais gols de diferença. O jogo entre Celtic e Anderlecht serve apenas pra decidir quem vai pra Liga Europa, com grande vantagem para os escoceses.

Grupo C- Chelsea 10, Roma 8, Atlético de Madri 6. Jogam Chelsea-Atlético e Roma-Qarabag. Considerando que a Roma deve ganhar em casa o último jogo contra o time mais fraco, a vaga está na mão. Se isso acontecer, o Chelsea terá de vencer o Atlético para ser primeiro do grupo. O Atlético só passa para as oitavas se vencer em Londres e a Roma não vencer seu jogo. Difícil. Depois de anos de alta competitividade e duas finais, o Atlético está virtualmente eliminado.

Grupo D- Barcelona 11, Juventus 8, Sporting 7. O Barça já é primeiro. O Sporting só toma a segunda posição se vencer em Barcelona e a Juventus não ganhar do Olympiacos, já eliminado, na Grécia. Que a Juve não vença até é uma possibilidade, duro para o Sporting é ter de vencer no Camp Nou.

JOGOS DE QUARTA (17h45 de Brasília)

Grupo E- Liverpool 9, Sevilla 8, Spartak Moscou 6. O Liverpool recebe o Spartak e basta vencer para ser primeiro ou empatar para se classificar. Se perder, deve ser eliminado, pois dependeria de uma derrota do Sevilla para o fraco Maribor, na Eslovênia – o que não tem muita chance de acontecer. O Sevilla será necessariamente o segundo se empatar, mas pode ser primeiro se vencer (e o Liverpool não). O Spartak se classifica se vencer por qualquer placar em Liverpool.

Grupo F- Manchester City 15, Shakhtar 9, Napoli 6. O City já é o primeiro. O Napoli só se classifica se vencer o eliminado Feyenoord, na Holanda, e o Shakhtar perder na Ucrânia para o time de Guardiola.

Grupo G- Besiktas 11, Porto 7, RB Leipzig 7. O Besiktas já é o primeiro. O Porto tem o desempate sobre o Leipzig, portanto basta vencer o eliminado Monaco, em Portugal, na última rodada. O Leipzig, que recebe o Besiktas, só vai às oitavas se fizer um resultado melhor que o do Porto. O Monaco já está fora até da Liga Europa, foi uma grande decepção da fase de grupos.

Grupo H- Tottenham 13, Real Madrid 10. Tudo definido, as duas primeiras posições não estão mais em jogo. O Borussia Dortmund se despede em Madrid, tentando pelo menos ficar à frente do APOEL, que joga em Londres com o Tottenham. Ao time alemão, basta não ter resultado pior que o do cipriota.


Só em fevereiro saberemos qual é o nível real desse PSG
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Julio Gomes

O Paris Saint-Germain e o Manchester City são as sensações deste primeiro terço de temporada europeia, sem dúvida alguma. Os dois “novos ricos”, que há anos estão na mesma frase, porque já triunfaram domesticamente, mas ainda não na Europa, estão atropelando a concorrência.

O passo adiante do Manchester City foi trazer Pep Guardiola. O primeiro ano foi mais ou menos, as contratações e dispensas do mercado foram certeiras e hoje o time parece imbatível. Cinco vitórias em cinco jogos na Liga dos Campeões, duas delas contra o Napoli, líder da Série A italiana e ótimo time de futebol. Na Inglaterra, a liga mais forte do mundo, incríveis 11 vitórias em 12 jogos e já oito pontos de vantagem para o segundo colocado.

O passo adiante do PSG foi trazer Neymar, na maior contratação da história. Se o time foi dominante na França desde a chegada de grandes jogadores, a temporada passada foi marcante por dois fracassos retumbantes. Perder a liga local para um Monaco cheio de moleques e ser eliminado pelo Barcelona levando 6 a 1, depois de ter vencido por 4 a 0 na ida.

O time já era obviamente muito bom. Com Neymar, no entanto, ele parece estar pronto para o objetivo principal, que é conquistar o continente.

Eu não tenho dúvidas de que o PSG é um dos candidatos e pode ganhar a Champions. Mas o fato é que só saberemos o nível real deste time em fevereiro do ano que vem, quando vier o mata-mata, a fase aguda da temporada. Melhor dizendo. O nível é obviamente alto. Mas ele não será colocado à prova até fevereiro.

Já dá para notar certa preguiça nos jogos aos sábados e domingos, em que falta competitividade. E no único jogo “tenso” da temporada, o clássico contra o Marselha, Neymar foi expulso de campo.

Por enquanto, o PSG tem enfrentado nenhuma concorrência na França. Zero. Já tem seis pontos de vantagem para o Monaco e o clássico entre eles, domingo que vem, dificilmente terá a mesma disputa da temporada passada. O Monaco já está eliminado da Champions e é lanterna do seu grupo com uma rodada de antecipação. Só está em segundo na França porque o campeonato é realmente muito fraco e desnivelado. O time do Principado caiu muito.

Na Champions, o PSG, assim como o City, ganhou cinco de cinco. Mas quatro desses jogos foram contra os fraquíssimos Celtic e Anderlecht e a vitória sobre o Bayern de Munique precisa ser relativizada, pois era um time rompido com o técnico – Carlo Ancelotti sairia dias depois da derrota.

O jogo de Munique, que fechará a fase de grupos, não significa muito. O Bayern só será primeiro colocado se vencer por quatro gols de diferença, o que todos sabem que não é realista.

Daqui até o mata-mata, em fevereiro, portanto, o PSG tem jogos em Monaco e em Munique que não têm o mesmo peso que poderiam ter.

O time de Neymar está voando, é verdade. Mas ainda tem muito o que mostrar. O Manchester City, por outro lado, passa mais confiança porque tem adversários muito mais fortes semanalmente.

O que já sabemos na Champions?

Barcelona, que hoje empatou com a Juventus, City, Tottenham e Besiktas garantiram a primeira colocação de seus grupos. O único segundo colocado já certo é o Real Madrid. Times já classificados, a falta de sabermos em que colocação: PSG, Bayern de Munique e Chelsea. Portanto, metade dos participantes das oitavas de final estão definidos.

Manchester United, Roma, Juventus e Sevilla têm suas situações muito encaminhadas. Só ficam de fora com uma tragédia. As quatro vagas reais em jogo estão entre Basel/CSKA, Liverpool/Spartak, Shakhtar/Napoli e Porto/Leipzig.

Vamos grupo a grupo:

A- United 12 pontos, Basel e CSKA com 9. O Manchester United recebe o CSKA na última rodada e precisa do empate para ser primeiro. Na verdade, pode até perder por três gols, que sabe mais, para ser primeiro. O Basel, que vai a Lisboa pegar o eliminado Benfica, pode ficar empatado com o CSKA, portanto é o favorito a ficar com a segunda vaga. Pode haver um tríplice empate na ponta, é por isso que o United não está garantido ainda. Mas, para que o time de Mourinho seja eliminado, precisará perder por sete gols de diferença.

B- PSG 15 pontos, Bayern 12. O Bayern só toma a primeira colocação se vencer o jogo entre eles, em Munique, por quatro ou mais gols de diferença.

C- Chelsea 10, Roma 8, Atlético de Madri 6. Jogam Chelsea-Atlético e Roma-Qarabag. Considerando que a Roma deve ganhar em casa o último jogo, a vaga está na mão. Se isso acontecer, o Chelsea terá de vencer o Atlético para ser primeiro do grupo. O Atlético só passa para as oitavas se vencer em Londres e a Roma não vencer seu jogo. Difícil. Depois de anos de alta competitividade e duas finais, o Atlético está virtualmente eliminado.

D- Barcelona 11, Juventus 8, Sporting 7. O Barça já é primeiro. O Sporting só toma a segunda posição se vencer em Barcelona na última rodada e a Juventus não vencer o Olympiacos, já eliminado, na Grécia.

E- Liverpool 9, Sevilla 8, Spartak Moscou 6. O Liverpool recebe o Spartak na última rodada e basta vencer para ser primeiro ou empatar para se classificar. Se perder, deve ser eliminado, pois dependeria de uma derrota do Sevilla para o fraco Maribor, na Eslovênia. O Sevilla será necessariamente o segundo se empatar, mas pode ser primeiro se vencer (e o Liverpool não). O Spartak se classifica se vencer por qualquer placar em Liverpool.

F- Man City 15, Shakhtar 9, Napoli 6. O City já é o primeiro. O Napoli só se classifica se vencer o eliminado Feyenoord, na Holanda, e o Shakhtar perder na Ucrânia para o time de Guardiola.

G- Besiktas 11, Porto 7, RB Leipzig 7. O Besiktas já é o primeiro. O Porto tem o desempate sobre o Leipzig, portanto basta vencer o eliminado Monaco, em Portugal, na última rodada. O Leipzig, que recebe o Besiktas, só vai às oitavas se fizer um resultado melhor que o do Porto.

H- Tottenham 13, Real Madrid 10. Tudo definido, as duas primeiras posições não estão mais em jogo.

 

 


O grande injustiçado na lista de finalistas do prêmio da Fifa
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Julio Gomes

A Bola de Ouro voltou a ser o que era. Então, sinceramente, o prêmio Fifa volta, para mim, a ser o que era. Um prêmio secundário. Sei que serei minoria no Brasil, um país obcecado por chancelas oficiais de títulos, prêmios e por aí vai.

Independente disso, saltou aos olhos uma gigantesca injustiça. E que, aliás, mostra bem por que o prêmio da Fifa não deve ser levado tão a sério. Os votantes, em sua esmagadora maioria, são pessoas à margem, muito à margem, de onde o futebol é jogado, estudado, conversado. São pessoas que veem jogos pela TV e acabam influenciados pela própria mídia local. Até pelo marketing mundial imposto por grandes marcas.

Não é possível que uma lista dos três melhores técnicos da temporada não tenha Leonardo Jardim, o português de 43 anos de idade que levou o Monaco ao título francês e à semifinal da Champions League (passando, no caminho, pelo time de Guardiola).

São feitos inacreditavelmente mais difíceis de serem atingidos do que, por exemplo, os de Antonio Conte e Massimiliano Allegri, os outros finalistas ao lado de quem será o óbvio vencedor, Zinedine Zidane (e com justiça).

Allegri levou a Juventus a mais um doblete na Itália e à final da Champions. Conte levou o Chelsea ao título da Premier inglesa, tendo a devida folga no calendário por não ter disputado competições europeias. Grandes feitos, grandes trabalhos, palmas para eles.

Mas e o que fez Jardim no Monaco?

Nascido na Venezuela, mas filho de pais portugueses, voltou cedo à terrinha e é um desses exemplos de como o conhecimento teórico do futebol está aprofundado e rendendo grandes frutos em Portugal. Leonardo Jardim não foi jogador de futebol, como tantos outros portugueses de sucesso. Começou como assistente técnico aos 27 anos.

Depois de duas ótimas temporadas no Sporting, foi pescado pelo Monaco em 2014. E, em sua terceira temporada, o time explodiu. A ponto de conquistar um campeonato amplamente dominado pelo Paris Saint-Germain nos últimos quatro anos.

Chegar entre os quatro semifinalistas da Champions pode ser algo fortuito, dependendo da trajetória, dos sorteios, mas as chancelas foram o título francês e o fato de o Monaco ter apresentado uma quantidade de gols absurda na temporada, próxima de Real Madrid e Barcelona.

Mas, mais do que conquistas, já que evito ser um resultadista, o que mais chama a atenção são os frutos que o trabalho de Leonardo Jardim trouxe ao Monaco.

O Monaco vendeu o lateral Mendy e o meia Bernardo Silva ao Manchester City por 107 milhões de euros, o volante Bakayoko ao Chelsea por 40 e, claro, a cereja do bolo, emprestou Mbappé, de 18 anos, ao PSG e receberá 180 milhões de euros por ele no ano que vem.

Mendy, de 23 anos, havia sido comprado por 13 milhões um ano antes, foi embora por 57,5 – mais de 300% de lucro. Bernardo Silva chegara junto com Jardim, por empréstimo. Em janeiro de 2015, o Monaco pagou ao Benfica 15 milhões de euros por ele. Foi vendido por três vezes mais – e o valor pode chegar a 75 milhões com bônus de desempenho. E Bakayoko, que tem a mesma idade que os dois jogadores do City, foi comprado por 8 milhões junto ao Rennes, também chegou junto com Jardim. Foi vendido por cinco vezes mais.

Tem Mbappé, claro, pinçado da base do Monaco e trabalhado dentro do próprio clube. Isso sem contar outros tantos jovens que ainda estão no elenco do Monaco ou que o clube trouxe por preços baixos no mercado. Gente como Lemar, Tielemans…

Esse é o trabalho que mais valorizo em um treinador de futebol: a construção de jogadores. Ainda mais um cara que não tem o respeito imediato da boleirada, por não ter sido jogador. Ninguém passou nem perto de mudar o mapa do futebol europeu como Leonardo Jardim. Seu trabalho pode ter repercussão até mesmo na Copa do Mundo do ano que vem – se a França for campeã, será porque essa turma toda do Monaco foi aproveitada e jogou bem.

Neymar entrou na lista dos três melhores pelo nome que tem. Foi uma temporada de um jogo só. Mas até aí, tudo bem. Cristiano Ronaldo ganhará o prêmio Fifa, a Bola de Ouro, nos votos dos outros jogadores, nos votos entre quem fala português, entre quem não fala, entre homens, entre mulheres, entre quem não viu um jogo sequer, entre quem viu todos. Enfim.