Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Juventus

CR7 foi só a primeira peça de um mercado que vai pegar fogo
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Julio Gomes

A grande interrogação era Cristiano Ronaldo. Onde ele jogaria? Porque já estava claro que os dias de Real Madrid estavam contados…

PSG e Manchester United pareciam ser as única opções – desconsiderando, claro, os mercados milionários periféricos, como China, EUA ou Oriente Médio. Mas Cristiano escolheu a Juventus.

Por um lado, aumenta o abismo entre Juve e outros no futebol italiano. Por outro, coloca um clube gigante de volta a uma briga que não estava parecendo mais dela, pela coroa europeia. E volta a trazer o calcio ao centro das atenções. Talvez a própria liga italiana se beneficie, com jogadores querendo atuar no mesmo campeonato de CR7.

A partir daqui, teremos semanas frenéticas. Na Premier League inglesa, a janela de contratações será fechada em 9 de agosto, por decisão dos clubes. Nos outros mercados importantes da Europa, a data segue sendo 31 de agosto.

O Real Madrid gastou pouco nas últimas temporadas, vai viver uma reconstrução com o novo técnico, Lopetegui, e sem Cristiano. Já sabemos que é um clube ultra agressivo no mercado. Todos os sinais apontam para Neymar. Mas a coisa não é tão simples.

Por um lado, a ausência de multa rescisória e o orgulho dos homens do Catar não farão fácil essa negociação. Por outro, o PSG vai receber um Neymar menor e um Mbappé muito maior após a Copa. Será o clube de quem? Não seria mais fácil apostar em Mbappé, que é francês, tem só 19 anos e não quer sair do clube? (ao contrário de Neymar).

Mas, pelo prisma do staff Neymar, forçar uma saída agora pode ser uma armadilha. Chegar ao Real Madrid tricampeão europeu e sem Ronaldo… qualquer coisa que não seja ganhar a Champions de novo será um fracasso retumbante. Além de adicionar a imagem de mercenário à já arranhada imagem do jogador pós-Copa.

Talvez tenha mais sentido esperar um ano. Minha aposta é que o casamento Real Madrid-Neymar só será celebrado no próximo mercado, em 2019.

Eu, se fosse apostar minhas fichas, apostaria em uma investida fortíssima do Real sobre Hazard, um namoro antigo, e Kane. Ambos nomes importantes da Copa, em clubes ingleses de relevância, mas que não se comparam ao gigante espanhol. Hazard, convenhamos, está fazendo hora-extra no Chelsea.

Pogba, outro que cresce na Copa, não parece feliz no Manchester United de Mourinho. O que será de Dybala e Higuaín na Juventus, com a chegada de Cristiano? São jogadores com alto valor de mercado e que podem sair, contra a vontade deles ou não.

É como um gigante dominó com as peças de pé, formando um desenho de cifrão. A primeira peça era Cristiano Ronaldo. A partir de agora, cairão todas as outras. Vai pegar fogo!


Uma Juventus covarde deixa o Napoli sonhar com o milagre
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Julio Gomes

Dez dias atrás, vimos uma Juventus heróica quase conseguir um milagre em Madri, na Champions League. Neste domingo, vimos uma Juventus covarde deixar o Napoli se aproximar de um milagre na Itália.

É incrível como alguns técnicos viajam na maionese. Allegri decidiu que a Juventus passaria o jogo inteiro se defendendo, em casa, contra o Napoli. Se vencesse, a Juve mataria o campeonato, abrindo sete pontos de vantagem e ficando a poucos passos do hepta italiano, com quatro rodadas para o fim.

É verdade que o empate deixaria a Juve com o título nas mãos – seriam quatro pontos e a vantagem do desempate. Mas por que arriscar? Ou melhor. Por que não arriscar? Por que não tentar o máximo e se acomodar com o mais ou menos? Especular é a senha para o fracasso.

E quem tem medo de perder perde a vontade de ganhar. Não é o que dizem? O futebol de hoje em dia, ainda bem, tem visto os corajosos se darem bem, em detrimento dos covardes.

Toda a ousadia de Madri virou covardia em Turim, no estádio em que a Juve perdeu tão poucas vezes.

O Napoli não foi brilhante – e nem tem sido assim nas últimas semanas, o time claramente perdeu fôlego. Mas controlou o jogo e foi o único time que buscou a vitória. O único time que atacou, agrediu, que quis vencer. E venceu com um gol improvável, de escanteio, aos 45min do segundo tempo.

A comoção da torcida do Napoli presente ao Allianz Stadium e dos jogadores em campo fala muito sobre o tamanho do gol de Koulibaly.

Qual a situação agora?

A Juventus tem um ponto de vantagem (85 a 84) e um saldo de gols superior (58 a 48). Mas, além do momento favorável com esta vitória, o Napoli tem uma tabela melhor pela frente.

A Juve pega a Inter, em Milão, na próxima rodada. Depois recebe o Bologna, joga a final da Copa da Itália contra o Milan e logo depois enfrenta a Roma, fora de casa. Na última rodada, recebe o Verona. Portanto, são duelos fora de casa contra Inter e Roma, que disputam ponto a ponto com a Lazio as duas posições que dão vaga na próxima Champions.

Para ser campeã, a Juve terá de ganhar todas. Porque isso é possivelmente o que o Napoli fará na reta final. São jogos contra Fiorentina (fora), Torino (casa), Sampdoria (fora) e Crotone (casa). São três times de meio de tabela, que não jogam a vida nestas rodadas, a o Crotone, que pode chegar salvo ou rebaixado à última rodada.

Cabe ao Napoli fazer sua parte e torcer. Vale lembrar os dois únicos títulos de Série A do Napoli vieram em 87 e 90, anos de Maradona. É esse o tamanho do tabu. É esse o tamanho do milagre que busca o time azul.

 


Árbitro decide o jogo. Eles estragam o futebol também na Europa
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Julio Gomes

A incompetência e a vontade de aparecer não têm nacionalidade, religião ou raça.

O britânico Michael Oliver, isso mesmo, um britânico, ou seja, um juiz de um lugar em que faltinhas não são marcadas, resolveu colocar o Real Madrid nas semifinais da Liga dos Campeões da Europa.

Anotou um pênalti para lá de discutível de Benatia em Lucas Vázquez aos 48min do segundo tempo. A Juventus vencia por 3 a 0 e levava de forma surreal a eliminatória para a prorrogação. Depois do milagre da Roma contra o Barcelona, estávamos à beira de outro na Champions. Mas ele não ocorreu.

O lance é duvidoso, eu admito isso. Aliás, o gesto do árbitro também denuncia que o lance foi duvidoso. Ele demora para apitar. Benatia encosta em Vázquez, que possivelmente faria o gol. O futebol é um jogo de contato, não é qualquer carga que é faltosa.

Mas, mais do que isso. No futebol, árbitros estão lá não apenas para colocar regras em prática. E, sim, levar o jogo. Arbitrar. Mediar. Um juiz que marca um pênalti nos minutos finais de uma partida (ou nos acréscimos) está decidindo a partida.

Assim como um juiz que expulsa um jogador nos minutos iniciais. Expulsão no começo e pênalti no fim são coisas que árbitros precisam evitar. E, de fato, evitam. Até que aparece algum Oliver da vida.

Como apareceu Javier Castrilli 20 anos atrás, naquele infame Corinthians-Portuguesa. São decisões de arbitragem que impedem o time prejudicado de buscar a reação (ou correção). Porque simplesmente não sobra tempo.

Árbitros não estão em campo para decidir partidas. São os jogadores que estão. Há casos inevitáveis, claro. Lembro-me da mão de Suárez na Copa de 2010, impedindo o gol de Gana. Mas, em um lance duvidoso ou não tão claro, como este do Bernabéu, um juiz NUNCA pode apitar pênalti. Nunca.

“Regras são regras”, choverão comentários assim aqui neste post. O primeiro minuto e o último são a mesma coisa. Nananinanão. Existe um código não escrito no futebol. Não é bem assim que funciona.

As regras do futebol têm altíssima carga de interpretação. Mesmo que Michael Oliver interprete a carga de Benatia como faltosa, ele não pode dar o pênalti. Pelo momento do jogo. Repito. Ele não está lá para decidir o jogo.

A Juventus expôs todos os problemas do Real Madrid e de Zidane. Que, ainda que esteja sendo um técnico cada vez melhor, ainda comete erros difíceis de explicar. No intervalo, com 0-2, tirou Casemiro de campo. Fechou o lado em que Douglas Costa fazia chover, mas escancarou a entrada da área e aumentou as chances da Juventus.

A prorrogação seria um final digno para uma eliminatória que começou com show de Ronaldo em Turim e acabaria com show de Buffon e companhia em Madri. Mas Oliver e, depois, novamente Ronaldo, não deixaram – aliás, que cobrança.

Uma brincadeira corrente na Europa quando se enfrentam Real Madrid e Juventus é falar que o juiz fica maluco em jogos assim. Não sabe quem ajudar. Claro, é uma coisa de torcedores rivais. Real e Juve sempre foram muito ajudados no futebol doméstico, ao longo da história. Times grandes sempre são muito ajudados, em qualquer lugar do mundo. Nesta quarta, tivemos o tira-teima.

Uma pena. Mas, com gente querendo ser mais realista que o rei, não tem VAR que funcione.


Aplausos a Cristiano Ronaldo em Turim são a coisa mais linda do futebol
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Julio Gomes

Tenho dó de quem vive no mundo binário, aquele em que quem não é teu amigo é teu inimigo, aquele em que torcedores precisam detestar o adversário, aquele em que só vale vencer, aquele em que você tem que escolher entre Messi e Cristiano Ronaldo.

Cristiano Ronaldo é um gênio. Simples assim. É o maior atacante que já vimos. Talvez ele precise de um gol de bicicleta para que algumas pessoas percebam que ele é muito mais do que um empurrador de bolas para as redes.

Mas, mais bonito até que o gol, foram os aplausos da torcida da Juventus. Em um jogo de mata-mata de Champions, logo após uma falha bisonha de seu grande zagueiro Chiellini, os tiffosi da Juve foram capazes de perceber que história estava diante de seus olhos.

Vai ter gente aqui no Brasil dizendo que são torcedores de teatro. Que futebol não é isso.

Estão errados. Futebol é exatamente isso. Esta é a essência do esporte. Competir honestamente e fazer seu máximo é, sim, mais importante que ganhar. A lógica de “o que importa é ganhar” é perversa e serve pouco para a raça humana.

Eu aplaudo a vitória por 3 a 0 em Turim, que deixa o Real Madrid virtualmente classificado para as semifinais. Eu aplaudo a bicicleta maravilhosa de Cristiano Ronaldo. Eu aplaudo os aplausos dos italianos.


Barcelona e Bayern são os sortudos do dia na Champions
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Julio Gomes

Não sejamos hipócritas. Tudo bem que é reta final, todo jogo é difícil, não tem moleza, etc e tal. Mas é lógico que Roma e Sevilla eram os times que todos queriam enfrentar nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa. E os agraciados foram Barcelona e Bayern de Munique.

O Bayern não pode reclamar da sorte! Depois de ser segundo colocado na fase de grupos, escapou de clássicos nas oitavas e enfrentou o Besiktas, da Turquia. Agora, nas quartas, pega o Sevilla e decide em casa.

O Barcelona joga a primeira em casa e decide a classificação em Roma. O favoritismo de Barça e Bayern nestes dois duelos é marcante.

Já os outros dois confrontos são equilibrados. Juventus e Real Madrid reeditam a final do ano passado, são duas camisas pesadíssimas. É um clássico europeu. Existe um ligeiro favoritismo do Madrid, logicamente, por ser o bicampeão e por ter Cristiano Ronaldo. Mas a Juventus já eliminou o Real recentemente e está em franco crescimento na temporada.

Nos últimos quatro anos, o Real ganhou a Champions três vezes. Na única vez que ficou pelo caminho, em 2015, foi eliminado justamente pela Juve.

E o Manchester City vai decidir em casa contra o Liverpool, em um duelo doméstico que deixará um inglês apenas nas semifinais. O Liverpool é capaz de tudo. Faz muitos gols, leva muitos gols, tem um técnico ousado. Tanto que, em um 4 a 3 épico, foi o time que quebrou a invencibilidade do City na temporada, em janeiro.

O City é mais time e, assim como o Real, tem certo favoritismo. Mas é um duelo equilibrado. Até porque o Liverpool tem muito mais história e tradição.

O sorteio permitiu que os quatro times mais fortes do continente – Real Madrid, Barcelona, Bayern e Manchester City – possam estar juntos nas semifinais. Será que alguém pode impedir que este destino se concretize?


Ingleses? A era é de Barcelona, Bayern e Real Madrid na Champions
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Julio Gomes

Muito se fala da Premier League, que é, de fato, uma liga com jogos fantásticos. Mas os últimos 10 anos de futebol europeu mostram uma superioridade inegável dos melhores times espanhóis, do Bayern e até da Juventus sobre os melhores ingleses.

Não discuto que a competitividade da Premier é maior que da Liga espanhola, da Bundesliga e da Série A italiana. Isso se deve a uma classe média/baixa de nível mais alto. E o ritmo dos jogos é mais intenso, a meu ver, porque a arbitragem deixa correr, sem marcar tantas faltas e sem sofrer com mimimi e teatro dos jogadores.

No entanto, o domínio absurdo de Real Madrid, Barcelona e Bayern fala muito mais deles do que dos outros. Eles não dominam seus campeonatos domésticos porque os outros são ruins. Mas, sim, porque eles são muito bons.

Este domínio seria igual, em um hipotético campeonato europeu em pontos corridos (credo).

Quem argumenta que a Liga espanhola é fraca cita sempre o hipotético Getafe-Leganés do domingo de manhã. Mas se esquece do timaço do Atlético de Madrid, se esquece do sucesso europeu do Sevilla, se esquece de um monte de coisas. E quem acha a Bundesliga uma liga sem graça não assiste a jogo algum da Alemanha, isso eu garanto.

Nesta sexta-feira cedinho, quando forem sorteados os jogos de quartas de final  da Liga dos Campeões da Europa, Barça, Real e Bayern estarão lá, juntos, pela sétima temporada seguida. Se não derem o azar de se enfrentarem, é bem possível que estejam os três juntos nas semifinais pela quarta vez nestes sete anos. É muita coisa. É muita hegemonia.

Quer mais? Desde aquela final inglesa de 2008, em Moscou, nunca mais uma decisão europeia deixou de ter Bayern, Real ou Barça.

Muito se falou da presença dos cinco ingleses nas oitavas de final neste ano, um feito inédito. E muitos achavam que a Inglaterra poderia classificar os cinco para as quartas. Pois é. Passaram só dois. Da Espanha, passaram três. Da Itália, também passaram dois. Quem imaginava que o Sevilla, que nem vive sua melhor temporada, eliminaria o Manchester United?

Talvez os nomes e os valores gastos no mercado turvem nossa visão. Hoje, não é possível considerar times da Premier favoritos em duelos contra times da Liga espanhola. Simples assim. Pelo menos não se olharmos o retrospecto dos últimos 10 anos de Champions e até Europa League.

Os melhores times espanhóis são melhores que os melhores times ingleses e provam isso ano após ano.

O domínio do Manchester City na Inglaterra, um domínio que nunca se viu na Premier, faz com que o campeonato seja considerado fraco e pouco competitivo? Não, né? O que esse domínio nos mostra é que o City tem um time especial, que está fazendo algo diferente – sob comando de um técnico espanhol, diga-se.

O Manchester City parece ser, entre os quadrifinalistas, o único time capaz de derrubar Bayern, Barcelona ou Real Madrid. Será? Pode ser. Mas que Guardiola prefere não jogar contra nenhum dos três, pode ter certeza que prefere…

 


Tottenham domina a Juventus e leva resultado enorme a Londres
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Julio Gomes

Que maravilha! A Champions League está de volta. E o nível vai lá para a estratosfera quando começam as fases eliminatórias. Na Suíça, o Manchester City, de Guardiola, enfiou logo 4 a 0 no Basel – ou seja, já está praticamente garantido nas quartas de final pela segunda vez em sua história e deu mais uma incrível demonstração de força.

Mas o jogaço mesmo foi disputado em Turim, onde Juventus e Tottenham ficaram no 2 a 2.

A Juve, fortíssima em casa, abriu 2 a 0, mas cedeu o empate e tem que agradecer aos céus por não ter saído derrotada. O Tottenham não se assustou com o cenário e fez uma partida espetacular na Itália.

Para se ter uma ideia do tamanho do feito, a Juve não levava dois gols em casa desde outubro, quando perdera para Lazio por 2 a 1 – aquela foi a quebra de uma invencibilidade caseira de 41 partidas e dois anos. A Juve não levava dois gols em um jogo qualquer desde uma derrota por 3 a 2 para a Sampdoria, em novembro, em Gênova. Nos três meses desde então, haviam sido 16 partidas disputadas e apenas UM gol sofrido.

É verdade que a Juve não tinha Barzagli, Matuidi e Dybala, mas o começo do jogo apagaria qualquer desfalque. A grande notícia desse duelo foi a personalidade monstra do Tottenham em campo. Jogou melhor por 80 minutos, poderia até ter virado e leva um grande resultado a Londres.

A Juventus começou a 200 por hora. Antes que o Tottenham entendesse em que cidade estava, para que lado deveria atacar, onde estavam seus torcedores e se a bola era redonda ou não, já estava 2 a 0.

Dois gols de Higuaín em 9 minutos. O primeiro, em jogada ensaiada, após falta cobrada por Pjanic, e o segundo convertendo pênalti sofrido por Bernardeschi.

A Juventus poderia ter mantido o ritmo de jogo. O Tottenham estava tonto, contra as cordas. Mas aí, meio que automaticamente, recuou. Recuou demais. Acreditava que naturalmente poderia dar a bola ao Tottenham e matar a eliminatória nos contra ataques.

Foi um jogo que lembrou muito a semifinal da Champions de 99. A Juventus, que vinha de três finais seguidas, abriu rápidos 2 a 0 sobre o Manchester United. Recuou tanto que levou a virada do rival inglês e foi eliminada. Outros tempos, claro.

Pudemos ver, nesta terça, a incrível maturidade adquirida pelo Tottenham nos últimos anos. Com Dele Ali e Eriksen flutuando entre as linhas de marcação, laterais subindo e espalhando o campo e Kane azucrinando os zagueiros, o time inglês foi empurrando a Juventus para trás. Muita personalidade, para um time que perdia fora de casa para uma gigante do futebol europeu.

Na primeira chance de Kane, Buffon defendeu o cabeceio à queima roupa. Na segunda, defendeu com a ponta dos dedos. Na terceira, não teve jeito. Kane conseguiu, aos 35min, o importante gol fora de casa.

Após uma jogadaça de Douglas Costa, que fez uma boa partida pelo meio e foi destaque, a Juventus ainda conseguiu outro pênalti no fim do primeiro tempo. Mas Higuaín, que havia desperdiçado uma boa chance em contra ataque, chutou no travessão. Desperdiçou o hat trick e uma vantagem enorme para ser levada para o intervalo.

No segundo tempo, o jogo perdeu ritmo. Até porque o 2 a 1 não estava mau para ninguém. A Juventus decepcionou, porque em nenhum momento apertou para ampliar a vantagem. O Tottenham manteve a posse de bola, jogou no campo da Juve, mas sem se expor demais.

Ganhou um prêmio após falta sofrida por Dele Ali nas proximidades da área. Eriksen bateu rasteira, no canto de Buffon, que deu um passinho para o lado e levou o gol no contrapé. Falha (raríssima) de Buffon.

O 2 a 2 colocou justiça no placar, o Tottenham fez por merecer o resultado.

E agora joga por qualquer vitória e empates por 0 a 0 ou 1 a 1 para se classificar em Wembley. O favoritismo vai todo para o time inglês, e a Juve que se vire para fazer em Londres o que não fez em casa.


Os ricaços que me desculpem, mas o Napoli é a grande história da Europa
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Julio Gomes

PSG, City. City, PSG. Neymar, Guardiola. Guardiola, Neymar. Dólares. Euros. Libras. Qualidade.

Napoli. Pizza. Maradona. Paixão. Loucura. Qualidade.

Nomes próprios trazem “sinônimos” diversos, ainda que alguns sejam comuns a eles.

Se estamos falando há meses dos que parecem ser dois dos melhores times da Europa, o PSG e o Manchester City, é porque o dinheiro fez com que isso fosse possível. O PSG foi comprado pelo Qatar. Isso mesmo, o país. O Qatar comprou o time de Paris. O City foi comprado pelos Emirados Árabes Unidos. Dinheiro de famílias reais. Que patrocinam algumas coisas não tão louváveis assim pelo mundo.

Não vou ser poliana. Muito dinheiro jogado em futebol é geralmente fruto de picaretagem e exploração. E isso não acontece só nesses dois clubes. Acontece em vários lugares.

Mas, por serem clubes de uma história pouco (ou quase nada) vencedora antes desses aportes, fica uma percepção de artificialidade. Muita qualidade. Muita bola. Muita gente top do futebol mundial. Não temos por que não admirar. O difícil é amar.

Paixão está em Nápoles.

O Napoli estava quebrado em 2004. Quebrado. Falido. Foi resgatado pelo produtor de cinema Aurelio De Laurentiis, o atual presidente. Que vá lá, não é flor que se cheire, tem sobre ele acusações de lavagem de dinheiro, etc. Mas caramba, estamos falando do clube que representa todo o Sul (pobre) da Itália. O Napoli não podia simplesmente deixar de existir.

Depois de passar pela terceira e segunda divisões, o Napoli voltou. Nesta década, nos últimos sete campeonatos, ficou sempre entre os cinco primeiros. Passou a ser figura constante na Champions League. Ganhou duas Coppas Itália. Só falta realmente o título da Série A. E a hora é agora.

Após 24 rodadas, o Napoli soma 63 pontos. São 20 vitórias, 3 empates e apenas a derrota em casa, justamente para a Juventus. A toda-poderosa hexacampeã italiana tem 62 pontos. Já são sete rodadas seguidas com os dois times ganhando seus jogos. Mas a desse fim de semana de Carnaval, a 24ª rodada, foi especial.

Especial porque a Juventus ganhou na sexta-feira em Florença, um estádio difícil, um jogo sofrido, em que a Fiorentina teve inúmeras chances de sair na frente do placar. Especial porque o Napoli, pressionado, jogou contra a terceira colocada, a Lazio, e saiu perdendo logo de cara. Parecia ser o fim. A rodada que, a priori, poderia ser de tropeço juventino e vitória napolitana, ia se transformando na rodada de pesadelo para o Napoli.

Mas quem joga bola, joga bola. E o Napoli, com o futebol leve e envolvente promovido pelo surpreendente técnico Maurizio Sarri, virou para 4 a 1 para cima da Lazio. Voltou à liderança e mandou o recadinho para a Juventus. “Siamo qui”. Estamos aqui.

Mesmo a quilômetros de distância, separado por um oceano, foi possível sentir pela TV o clima do estádio San Paolo. É comoção pura.

Se é verdade que o confronto do segundo turno entre eles será em Turim e o Napoli ainda enfrentará Milan e Inter fora, a Juventus está envolvida com Champions League, Coppa Itália e jogará fora contra Lazio, Roma e Inter. Tem muita água para rolar.

Mas o fato é que o Napoli é a grande história a ser seguida nesta temporada.

Com todo respeito aos investimentos de PSG e City, que realmente têm tudo para desafiar o domínio europeu recentemente estabelecido por Real Madrid, Barcelona e Bayern, a história do Napoli é a mais linda, é a mais raiz.

Eu cresci tendo na Juventus o meu “time da Europa”. Torcia muito, de verdade. Era fanático. Em uma era pré-Internet, ia atrás de informações de todos os modos, aprendi a falar italiano, queria morar em Turim (que erro!). Meu pai, só de farra, resolveu “virar” torcedor do Napoli. Nos primeiros anos, ele se deu bem. Eram os anos de Maradona e dos únicos dois títulos italianos da história do Napoli. Depois disso, logicamente, a Juve continuou sendo o que sempre foi: uma máquina de títulos.

Eu perdi o entusiasmo quando comecei a trabalhar com esporte e acompanhar o futebol com outros olhos. Tenho uma linda camisa 8 que me foi presenteada por Emerson, em 2006. Sigo gostando da Juve, mas não como antes.

Hoje, me flagro torcendo contra a Juventus e a favor do Napoli. Se forem campeões, comprarei uma camisa azul para meu pai. Promessa feita.

 


Ingleses dominam mercado de inverno na Europa. Quem se deu melhor?
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Julio Gomes

O mercado de inverno europeu deu sequência à gastança que vimos no verão. Grandes negócios foram fechados, com volumes monstruosos de dinheiro, mesmo entre clubes médios e pequenos. O mercado foi especialmente interessante na Inglaterra.

Quem se deu bem? Quem se deu mal?

Espanha

O Real Madrid, apesar da crise, ficou quieto no mercado, não achou que fosse necessário se reforçar. É claro que o silêncio de Zidane no mercado será lembrado se o Real for eliminado pelo PSG e a temporada “acabar”.

O Barcelona, humilhado no verão, fez a maior contratação do inverno ao trazer Philippe Coutinho. Como o futebol é dinâmico! Chegou também Mina. Saíram Mascherano, Rafinha (Inter) e os pouco usados Arda Turan e Deulofeu.

O Atlético de Madri ganhou os já conhecidos reforços de Diego Costa e Vitolo, que já estavam contratados, mas só poderiam jogar a partir de janeiro. O clube só não esperava estar fora da Champions, da Copa do Rei e com chances remotas na Liga a essas alturas. O Valencia, que vive grande temporada, trouxe Vietto e Coquelin e deve se manter no G4 para voltar à Champions. O Sevilla levou Guilherme Arana.

Inglaterra

O Manchester United e o Arsenal parecem ser os grandes vencedores do mercado de inverno. A troca “seca” Alexis Sánchez-Mkhitaryan fez com que o United ganhasse um jogador diferenciado sem gastar, e além de tudo, o chileno pode jogar a Champions. O Arsenal não ficou de mãos abanando.

Saíram Giroud e Walcott, mas Wenger conseguiu renovar o contrato de Ozil e ainda trouxe Aubameyang, do Borussia Dortmund. Se o treinador conseguir encaixar no time Lacazette, Aubameyang, Ozil e Mkhitaryan, pode dar samba.

Liverpool e Manchester City investiram em zagueiros (Van Dijk e Laporte), um porque não parava de levar gols, o outro porque Guardiola percebeu que não pode contar com Mangala, Stones e Kompany. Como a defesa fica constantemente exposta, Pep foi buscar um zagueiro que é muito bom na leitura de jogadas e antecipações.

Mas nenhum dos dois conseguiu tirar Mahrez do Leicester. O Liverpool, que perdeu Coutinho, foi o derrotado do mercado, logicamente. O Chelsea mandou Batschuayi emprestado para o Dortmund e trouxe o lateral brasileiro Emerson, além de Giroud e Barkley – o que não deve mudar a formação titular de meio/ataque. O Tottenham trouxe Lucas Moura, um bom reforço para completar elenco.

Outros países

O PSG perdeu apenas Lucas e trouxe Lass Diarra (lembra dele?) para compor elenco em uma posição em que o titular, Thiago Motta, vive machucado.

O Borussia Dortmund conseguiu uma boa venda com Aubameyang, trouxe Batschuayi e investiu no zagueiro Akanji, do Basel. O Bayern de Munique foi outro gigante quieto no mercado, trouxe apenas o veterano Sandro Wagner para o ataque.

A Juventus, assim como o Real Madrid, não trouxe nem perdeu ninguém. A disputa com o Napoli pelo título italiano será travada com os mesmos protagonistas da atualidade.


Após sorteio, City vira o maior favorito da Champions; Real cai para 5º
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Julio Gomes


Após a realização do sorteio dos confrontos de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, o Manchester City, de Pep Guardiola, transformou-se no principal favorito a ganhar o título continental. Pelo menos é o movimento que ocorreu nas casas de apostas pelo mundo.

O Real Madrid, atual bicampeão, era o maior favorito quando as apostas foram abertas, antes mesmo do início da Champions. E hoje, depois do sorteio que emparelhou o time de Zidane contra o PSG nas oitavas, passou a ser somente o quinto colocado na lista de favoritos ao título. É claro que, além do sorteio, os supercomputadores levam em conta os resultados inconsistentes do Real até agora na temporada – no Campeonato Espanhol, por exemplo, é só o quarto colocado.

O Manchester City foi o grande “sortudo” do dia ao ser emparelhado para enfrentar o Basel, da Suíça, nas oitavas. Líder disparado da Premier League inglesa e com apenas uma derrota na temporada, o time de Gabriel Jesus e Fernandinho é o maior favorito para passar às quartas de final.

Leia também no blog:
PSG x Real Madrid: será que o estagiário vai derrubar o chefe?

Logicamente, os resultados impressionantes até agora e essas probabilidades foram calculados pelos algoritmos das casas de apostas, diminuindo muito o valor pago para quem acreditar no título do City. Hoje, quem apostar (e acertar) no título do City tem um retorno de 4 para 1. Ou seja, para cada real (ou dólar ou euro ou a moeda que seja) apostado, o ganhador leva quatro de volta. Em nenhum momento da temporada o valor foi tão baixo para qualquer time na Champions. A lista completa está abaixo neste post*.

Quando o torneio começou, em setembro, o principal favorito era o Real Madrid. Na época, o retorno era de 5,50 para 1 em caso de título. Na sequência, vinham Barcelona (7 para 1), PSG (7 para 1) e Bayern (8 para 1). O City era apenas o quinto favorito, ao lado do Manchester United (13 para 1).

Antes do sorteio desta segunda-feira e após a realização da primeira fase, o PSG havia subido para o topo da lista de favoritos. Até ontem, o título do time de Neymar pagava 4,50 para 1. Na sequência, vinham City (5,50), Real (7), Barça (7) e Bayern (8).

Após o emparelhamento de oitavas de final, o retorno em caso de título do Manchester City caiu de 5,50 para 4 para 1. O Bayern de Munique, que enfrentará o Besiktas e já lidera a Bundesliga com folga, tornou-se o segundo favorito. O retorno caiu de 8 para 5,50 para 1 em caso de conquista alemã. Já o título do PSG subiu de cotação e passou a pagar 6 para 1, e o Real Madrid transformou-se apenas no quinto favorito a ficar com o título (9 para 1). Nunca, desde que as apostas foram abertas, se pagou tanto pela possibilidade de título do Real.

Como logicamente os retornos vão caindo de fase para fase, com o afunilamento do torneio, é plausível acreditar que este é o melhor momento possível para apostar em título do Real Madrid – caso o apostador ache que a terceira conquista seguida virá. Até porque conforme investidores observem aqui uma boa oportunidade e façam apostas, o valor de retorno vai caindo.

Por exemplo. Assim que saiu o sorteio, a vitória do Real Madrid sobre o PSG no jogo de ida, que será em Madri, pagava 2,25 para 1. Neste momento em que o post é publicado, esta cotação já havia caído para 2,10 para 1.

O título do Chelsea, emparelhado contra o Barcelona, pagaria para quem apostar hoje 34 para 1 (era 21 para 1 antes do sorteio). A maior zebra do torneio é o Basel, da Suíça – 401 para 1 em caso de título (boa sorte!).

Os jogos de IDA de oitavas de final:

13/2
Basel x Manchester City
Juventus x Tottenham

14/2
Real Madrid x PSG
Porto x Liverpool

20/2
Chelsea x Barcelona
Bayern de Munique x Besiktas

21/2
Sevilla x Manchester United
Shakhtar Donetsk x Roma

Retorno em caso de título da Champions (entre parênteses, a cotação antes do início do torneio):

Manchester City – 4 para 1 (13)
Bayern de Munique – 5,50 (8)
Paris Saint-Germain – 6 (7)
Barcelona – 8,50 (7)
Real Madrid – 9 (5,50)
Manchester United – 15 (12)
Liverpool – 15 (29)
Juventus – 17 (21)
Tottenham – 23 (34)
Chelsea – 34 (17)
Roma – 34 (101)
Sevilla – 101 (101)
Porto – 101 (126)
Shakhtar – 101 (251)
Besiktas – 201 (251)
Basel – 401 (501)

* fonte utilizada: Bet365

Para ver o movimento (idêntico) em outras casas de apostas, clique aqui.