Blog do Júlio Gomes

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Milagres de De Gea mostram: é a hora do United
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Julio Gomes

Desde que Mourinho levou um pé no traseiro e Solskjaer, ídolo histórico, assumiu o Manchester United, o time só ganhou. São seis de seis, feito inédito para um treinador estreante no clube.

Hoje, era a prova de fogo. O primeiro jogo grande com o norueguês no banco, clássico contra o Tottenham, em Londres. E o Manchester United ganhou mais uma, 1 a 0.

A atuação do goleiro espanhol De Gea é para entrar para a história. No segundo tempo, ele simplesmente fechou o gol, fazendo meia dúzia de defesas extraordinárias. Não foram defesas triviais, foram milagres à queima-roupa (no total, foram 11 paradas).

Depois de um primeiro tempo equilibrado, em que o United foi melhor no início e achou o gol já no finalzinho, o segundo tempo foi de um time só. O Tottenham dominou completamente a partida e foi acumulando chances de gol, parando sempre em De Gea. Mais um jogo fantástico da Premier, com muito ritmo e de prender o fôlego.

O United, de time carrancudo, chato de ver, de mal com a vida sob Mourinho, virou aquele time estrelado, quando tudo dá certo. O jogo deste domingo é o exemplo perfeito.

E ninguém quer enfrentar times iluminados, certo? Impossível não pensar no duelo entre Paris Saint-Germain e Manchester United, pelas oitavas da Champions, em fevereiro.

Na Premier, o United já alcançou a pontuação do Arsenal e está a seis do Chelsea, a sete do Tottenham. Difícil imaginar que não invada o G4 logo logo. Brigar pelo título é impossível, devido à distância para o Liverpool. Mas, no mata-mata… de repente, o gigante adormecido acordou.


Vexame do PSG é valioso ou sinal de coisas piores?
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Julio Gomes

Para quem não viu, o Paris Saint-Germain deu um vexame ao ser eliminado da Copa da Liga Francesa, quarta, pelo “poderoso” Guingamp, lanterna da Ligue 1.

É isso aí. No Campeonato Francês, o PSG tem 47 pontos, com 15 vitórias e 2 empates em 17 jogos. O Guingamp tem 11 pontos, com 2 vitórias em 18 jogos. E o detalhe: a vitória do Guingamp na quarta, de virada, foi conseguida no Parque dos Príncipes.

Foi somente a segunda derrota do PSG na temporada – a outra havia sido para o Liverpool, pela Champions League.

A eliminação chama a atenção por vários motivos. O PSG ganhou as últimas cinco Copas da Liga da França. Ganhou as últimas quatro Copas da França. E ganhará daqui a alguns meses o sexto título da Ligue 1, o Campeonato Francês, sem sete anos. Desde que o dinheiro do Qatar começou a ser injetado, o clube virou dominante no cenário nacional.

Dominante de verdade. Tirando um ano bom do Monaco, na temporada retrasada, o PSG nunca foi sequer ameaçado.

Para piorar tudo, apesar de a Copa da Liga ser a competição menos importante do ano, o PSG que perdeu do Guingamp tinha em campo o time titular. Thiago Silva, Di María, Neymar, Mbappé… a turma toda. Isso é o que chamou mais a atenção.

O que podemos tirar dessa derrota?

Só o tempo nos dirá.

O grande objetivo do PSG é a Champions League, o investimento todo foi feito para o clube conquistar a Europa. Nos últimos anos, a impressão é que a Europa não era conquistada, entre outros motivos, pela falta de competitividade no futebol doméstico.

A primeira fase da Champions atual já mostrou isso. O PSG ficou a um fio de ser eliminado já na fase de grupos, perdeu contra o Liverpool e deu sorte de sair vivo com dois empates contra o Napoli. Jogos que se intercalaram com goleadas fáceis no futebol “de casa”.

Talvez essa mesma falta de competitividade e a rotina de vitórias fáceis tenha levado ao vexame desta semana.

Ou talvez não. Talvez na hora H a gente descubra que o PSG nunca chegou a encaixar como time para os duelos grandes de verdade. No dia 12 de fevereiro, o PSG viaja a Manchester para enfrentar o United pela ida das oitavas de final.

Desde que Mourinho foi demitido e Solskjaer assumiu, o United ganhou cinco de cinco, com 16 gols marcados. Um reencontro total com a torcida e com o futebol. É um dos times mais quentes da Europa, e os confrontos contra Tottenham e Arsenal, em Londres, ainda neste mês de janeiro, darão pistas mais sólidas sobre este “novo” time.

Será que a derrota para o Guingamp é apenas o presságio do desastre? Ou será que servirá como toque de atenção para o Paris jogar todas as partidas com a devida e necessária seriedade?

Quando saiu o sorteio das oitavas da Champions, não havia muitas razões para o PSG para se preocupar. Agora, há duas. O United. E o próprio Paris.

 


Sorte sorriu para o City na vitória sobre o Liverpool
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Julio Gomes

O Manchester City ganhou do Liverpool por 2 a 1, diminuindo a desvantagem para quatro pontos, tirando a invencibilidade do líder e colocando fogo na Premier League inglesa.

Antes de mais nada, um parênteses. Espero que todos os técnicos e jogadores do Brasil, principalmente os da base, tenham assistido a essa partida. Dois times taticamente perfeitos, agressivos, jogando todas as fases do jogo, sem abdicar de nada. Esse é o futebol que amamos.

A vitória teve mérito, raramente não é assim. Mas teve muito de sorte também.

O City se livrou por um centímetro (para ser mais exato, 11 milímetros) de fazer um gol contra no primeiro tempo. Após tabela maravilhosa entre Salah e Firmino e assistência do egípcio, Mané chutou na trave. Na volta, Stones, zagueiro do City, se apavorou e chutou a bola em cima de Ederson. A bola ia entrando quando o próprio Stones salvou. A tecnologia da linha do gol mostrou que não entrou por isso aí, um centímetro.

Sorte também o fato de Lovren, zagueiro croata supervalorizado, ser do Liverpool, não do City. Foi ele quem teve a velocidade de um mastodonte no final do primeiro tempo e deixou Aguero se antecipar, dominar, girar e fuzilar, sem chance para Alisson. A bola passou no único lugar por onde poderia passar, no pequeno espaço entre o goleiro brasileiro e a trave.

Lovren voltaria a vacilar três vezes no segundo tempo, mas o City não aproveitou. O zagueiro croata é velho, lento, é claramente o ponto fraco de uma defesa que leva poucos gols – o que valoriza ainda mais o outro zagueiro, o holandês Van Dijk.

Ironicamente, após o justo empate do Liverpool, marcado por Firmino (após falha de Danilo no lance), foi Van Dijk, com suas pernas longas, que deu condição de jogo, novamente por um centímetro, para Sterling receber uma boa bola, avançar e dar a assistência para Sane fazer o gol da vitória.

O chute cruzado do alemão bateu na trave e entrou, ao contrário do chute de Mané no primeiro tempo, que bateu na trave e voltou para a área.

No segundo tempo, houve pelo menos dois bate e rebates na área do City, aquelas bolas que podem cair em qualquer pé, mas que acabaram não entrando.

O resultado normal para o jogo seria um empate. O Liverpool fez por merecer e encurralou o City nos 20 minutos finais, coisa muito rara de se ver quando um time comandado por Guardiola está em campo.

Mas, nos detalhes, o jogo caiu para o City, não para o Liverpool. O futebol é assim. Quando dois times se equivalem e fazem bons jogos, o placar final será decidido por um erro, por uma genialidade, por um centímetro para lá ou para cá.

Para o time azul de Manchester, uma noite perfeita. Para o Liverpool, no entanto, não foi um desastre completo. O time mostrou não sentir a pressão, jogou pela vitória e merecia outro resultado. Não amarelou, enfim. Ainda são quatro pontos de vantagem e o sonho de acabar com a seca de 29 anos sem título da Premier mais do que vivo.

 


Time de 2018, Liverpool começa o ano com desafio gigante
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Julio Gomes

O Liverpool foi o grande time de futebol de 2018. E não falo isso naquela de “a última impressão é a que fica”. Não, é a impressão de um ano todo.

Vamos lembrar que, no primeiro semestre, o Liverpool foi até a final da Champions League, eliminando no caminho o Manchester City, de Guardiola, destruidor de todos os recordes na Premier League. Vamos lembrar que é com a camisa do Liverpool que joga Salah, o jogador de um país sem tradição alguma e que ousou se colocar no nível, tanto técnico quanto estatístico, de Cristiano Ronaldo e Messi.

E, claro, vieram a Copa do Mundo e o segundo semestre. A Copa nos mostrou que o futebol de posse de bola se transformou rapidamente no futebol da intensidade e das transições (hoje, passar a defender depois de atacar e atacar depois de defender, as duas transições, para contra atacar e para evitar contra ataques, são mais importantes do que simplesmente atacar ou simplesmente defender).

O Liverpool é o time de futebol do mundo que melhor compreende e executa o futebol do momento, à imagem de seu técnico, o alemão Jurgen Klopp.

Mesmo nos tempos de Borussia Dortmund, Klopp já era um anti-Guardiola de sucesso. Não uma nêmesis do tipo Mourinho, de extremos, criando uma rivalidade agressiva tanto em campo como no discurso. Klopp é um boa gente. Sua rivalidade com Guardiola não se trata de algo pessoal e midiático, mas estratégico.

Só que Klopp, apesar de ser uma pedra no sapato guardiolista, vai agora além dos momentos pontuais em que há um confronto direto. Agora o time de Klopp conseguiu transformar a intensidade em consistência (e tudo isso em um ano em que o Liverpool perdeu Philippe Coutinho).

Se, na temporada passada, o Liverpool era uma espécie de Robin Hood – leão nos jogos contra os outros grandes, gatinho contra os times médios e pequenos, uma verdadeira peneira defensiva -, agora os Reds passaram um turno inteiro sem perder um ponto sequer para um time fora do “big six” (os três maiores de Londres e os dois de Manchester).

O primeiro jogo gigantesco de 2019, hoje à tarde, coloca frente a frente Manchester City x Liverpool.

A percepção geral é que a pressão está toda do lado do time de Guardiola, pois é ele que joga em casa, que está sete pontos atrás e que, se perder, pode dar adeus ao título.

Não vejo assim. A pressão existe para os dois, mas, para mim, é maior para o Liverpool. Porque é o Liverpool que não ganha o Campeonato Inglês desde 1990 (nunca foi campeão na era Premier League e perdeu para o United o posto de maior vencedor do país).

O Liverpool é o raro clube grande europeu (o único, na real) que escolheria ganhar a liga doméstica do que a Champions League. O Liverpool PRECISA ganhar a Premier League neste ano, dado que montou um belo time e chega à metade do campeonato com vantagem considerável.

Se vencer hoje, o Liverpool dará um passo gigante para isso. Mas, e se perder? A vantagem cai para quatro pontos, as interrogações invadem a cabeça, o City ganha muita força e ainda faltará um mundo de 17 jogos. O empate hoje seria ótimo para o Liverpool. Mas será que o time de Klopp jogará pensando nisso? Se conformará com isso?

Não é e nunca foi a característica dos times de Klopp.

Hoje é dia para o Liverpool mostrar toda sua grandeza. Mostrar se esse time, que é quem melhor joga futebol no planeta já há meses, tem o DNA dos campeões. O resultado importa. Mas, a forma, ainda mais.

 


Após 10 anos, Guardiola, afinal, perde o trono
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Julio Gomes

Pep Guardiola surge como treinador de futebol, para os olhos de todos nós, há 10 anos. Um pouquinho mais que isso, para ser mais exato. No meio de 2008, ele assumia, para a surpresa de muitos, o time principal do Barcelona, sucedendo Rijkaard.

E, desde então, firmou-se como o grande gênio da classe.

Não adianta contarmos apenas os títulos para definirmos quem é melhor, isso é puro resultadismo, é tudo o que combato no futebol e na vida. Um golpe de sorte, uma genialidade, um erro, um centímetro – no futebol, qualquer coisa pode definir um título. É analisando desempenho e consistência e ouvindo o que dizem os próprios atletas e pares que fica mais justo apontar melhores e piores, profissionais de sucesso ou nem tanto.

Os times de Guardiola são os melhores do mundo desde que ele passou a brincar dessa coisa de ser técnico. Times com impressão digital, como se fossem um quadro assinado por um maestro, um roteiro de cinema com cada frase e cada take pensados de forma magistral.

Alguns ganharam tudo, outros não. Mas os times que ficam marcados são sempre os dele. As quatro Champions em cinco anos do Real Madrid importam, e muito. Mas, daqui a X anos, lembraremos do nome “Real Madrid”, talvez secundado pelo nome “Cristiano Ronaldo”. A década que se completa será para sempre a década de Guardiola.

Do Barcelona tão bom que nos fez compará-lo ao Santos de Pelé. De um Bayern de Munique destruidor de todos os recordes possíveis na ultracompetitiva Alemanha, que só não ganhou a Europa por obras do acaso. E de um Manchester City que fez a Premier League, a melhor liga doméstica do mundo, parecer coisa de amadores.

Em 2018, finalmente, Guardiola parece estar de volta ao mundo dos terráqueos. Pela primeira vez, acaba um ano e não digo que esse cara é o número 1.

Continua sendo um gênio. O City continua sendo um time espetacular, que daqui a seis meses pode ser campeão de absolutamente tudo. Mas, neste fim de 2018, o melhor técnico do mundo chama-se Jurgen Klopp, e o Liverpool é o time do ano.

Exatamente por combater o resultadismo, digo que isso nada tem a ver com as duas derrotas seguidas do City e a liderança absoluta do Liverpool na Premier. Isso é apenas consequência de algo que está sendo construído ao longo do ano. Os resultados deste mês de dezembro dão apenas uma forcinha a minha tese – que, aliás, já defendo neste espaço desde setembro. No dia 3 de janeiro tem aí um City x Liverpool, para eu quebrar a cara :-).

Se eu fosse um magnata, que comprasse a Portuguesa e tivesse todo o dinheiro do mundo à disposição, hoje meu alvo seria Klopp, e não Guardiola.

Aceito todas as disposições em contrário. Como sempre.

 


Mourinho não merece mais pegar superpotência europeia
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Julio Gomes

José Mourinho foi mandado embora do Manchester United. Era o clube de seus sonhos, por ser um clube que mostrou, ao longo da história, ser capaz de dar tempo (e que tempo!) aos poucos treinadores que ocuparam o cargo.

Entre 1932 e 2013, portanto um período de 81 anos, só 11 homens ocuparam o cargo. Tem time brasileiro que tem 11 técnicos em dois ou três anos.

A era pós-Alex Ferguson seria necessariamente tumultuada, difícil. Moyes e Van Gaal que o digam. Mas Mourinho assumiu o United já três anos após a saída de Ferguson e com um orçamento gigante. Nestes dois anos e meio no cargo, apontou o dedo para o clube e como a estrutura havia ficado ultrapassada.

Não duvido. Mas esse é justamente um dos problemas de Mourinho: tratar os problemas em público, em vez de “ganhar” seus pares, chefes e subordinados invisíveis dentro das instituições.

O cara é um monstro dos nossos tempos. Ganhou Champions League com o Porto e com a Inter de Milão, o que não é pouca coisa e nenhum outro técnico conseguiu no futebol globalizado e multimilionário (ganhar sem ter uma superpotência em mãos). Por onde passou, seja Chelsea, Inter ou Real Madrid, foi o grande rival do melhor Barcelona da história (talvez melhor time da história), conseguindo até o feito de ganhar uma Liga doméstica contra aquele time de Guardiola, Messi, Xavi, Iniesta e cia.

Mas Mourinho implodiu o clima no Real Madrid, brigando com meio mundo. A volta ao Chelsea e o período de United, com duas demissões, mostram que lá, como cá, tem gente que fica parada no tempo.

Mourinho não era o técnico retranqueiro em que se transformou justamente por ser a nêmesis do Barcelona. O que era uma necessidade virou uma marca. O futebol de hoje mudou, e Mourinho não soube se adaptar a ele.

Não é um caso muito diferente de Luxemburgo. Os tempos mudam, a motivação muda, as relações humanas mudam. Os caras foram monstros, mas se manter como monstro por 20 anos? Não é para qualquer um. Desaprenderam sobre futebol? Claro que não. Mas é necessário rever conceitos que, muitas vezes, são inegociáveis para a pessoa. É mais fácil, concordo, criticar daqui, por trás de um teclado – mas é nossa função.

Sempre fui um fã de Mourinho, de sua competitividade e capacidade de encontrar soluções. Foram poucos os jogadores, ao longo dos tempos, que fizeram críticas a seu trabalho. Mas foram muitos nos últimos poucos anos. Algo mudou.

É com tristeza que digo: perdemos um grande.

Quem vai contratar Mourinho?

Real? Barça? PSG? Juventus? Bayern? Algum top inglês? Esqueçam… Mourinho não terá mais chances em um gigante nesta era de superpotências. E nem merece.

Talvez seja a hora de começar a pensar em alguma seleção. Talvez seja a chance de se reinventar, saindo dos holofotes do dia a dia, e ainda fazer algo grande na carreira. Ou então vir a algum clube do Brasil, país que ele tanto gosta! Receberemos de braços abertos (e microfones fervendo).

 


Bélgica e Espanha são as grandes derrotadas do pós-Copa
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Julio Gomes

A Liga das Nações nem chegou ao fim, mas já dá para ver que é (mais) uma bola dentro do futebol europeu. Os modorrentos amistosos que permeiam os longos qualificatórios para Copas e Eurocopas foram substituídos por jogos competitivos e entre seleções de nível parecido. Deu certo.

Enquanto o Brasil faz essas partidas tediosas, que só servem para expor o técnico e afastar a seleção das pessoas (seja por atrapalhar os clubes ou por simplesmente não se apresentar em casa), a Europa teve, em curtíssimo período de tempo, grandes partidas entre suas principais seleções.

Portugal (que será sede), Inglaterra e Suíça estão classificados para o quadrangular final desta primeira Liga de Nações, que será disputado em junho do ano que vem e certamente ganhará status de grande evento. A quarta classificada será ou a França ou a Holanda.

Depende do Alemanha x Holanda de hoje à tarde. Empate basta para a Holanda entrar. Só uma vitória alemã classifica os franceses, campeões mundiais.

Alguém pode argumentar que França e Alemanha são as grandes decepções deste pós-Copa do Mundo. Eu digo que são Bélgica e Espanha.

A França, na ressaca pós-Copa, ganhou seus jogos em casa contra alemães e holandeses. Empatou na Alemanha e o único tropeço foi a derrota da sexta-feira na Holanda. É verdade que a França só tinha três desfalques em relação ao time da Copa (Pogba, Umtiti e Hernandez), mas perder um jogo na Holanda, diante de uma seleção sedenta por recuperar status, não é um escândalo. Acontece.

A Alemanha eu não considero uma decepção porque ela apenas carrega o mau momento. Após o vexame na Rússia, Low ainda não encontrou um jeito de fazer a Alemanha jogar. Caiu em um grupo difícil, não ganhou um jogo sequer e já está, de antemão, rebaixada para o grupo 2, a segunda divisão da próxima Liga das Nações. Pode se despedir atrapalhando a vida da Holanda, que é uma rival histórica, maior do que a França. Cedo ou tarde, a Alemanha recuperará sua força.

Bélgica e Espanha eram as seleções que tinham algo a dizer no pós-Copa e não disseram. E são as grandes derrotadas também pela forma como vieram suas desclassificações.

Os belgas apresentaram o melhor futebol da Copa, eliminaram o Brasil, tiveram azar na semi contra a França. Estavam em um grupo fácil da Liga, com Suíça e Islândia, ou seja, era uma aposta fácil para estar no quadrangular final, ganhar o torneio e coroar, de alguma forma, a tal “geração de ouro” com um troféu. Afinal, liderar ranking da Fifa não é taça.

A Bélgica jogava por um empate, ontem, na Suíça, para carimbar a classificação. Abriu 2 a 0 no primeiro tempo e conseguiu levar uma virada de 5 a 2.

A Suíça tem uma boa seleção, mas não goleia ninguém. A Bélgica protagonizou um grande vexame.

Já a Espanha confirmou aquela sensação de que “deveria ter ido longe na Copa, não tivesse ficado sem técnico” ao começar a Liga das Nações, em setembro, ganhando da Inglaterra em Wembley e enfiando 6 na Croácia, vice-campeã do mundo. Ingleses e croatas, todos se lembram, fizeram uma das semifinais da Copa.

Bastava um empate nos dois jogos finais para se classificar para o quadrangular. E aí eis que a Espanha perde da Inglaterra, em Sevilha, e perde da Croácia com gol nos acréscimos. Péssimo início de trabalho de Luís Enrique no comando técnico.

Ainda que o técnico esteja fazendo muitos testes e diga que a seleção tem “boa pinta” para o futuro, não creio que estivesse nos planos ficar fora do “Final Four”, ainda mais depois dos resultados iniciais. Acabou entrando a Inglaterra, que virou para cima da Croácia, ontem, e carrega as boas sensações deixadas na Copa.

A Itália também decepcionou ao não passar nem perto de se classificar em um grupo com Polônia e Portugal sem Cristiano Ronaldo. Mas da Itália, assim como da Alemanha, pouco se esperava.

Alemanha, Islândia, Polônia e Croácia são as seleções rebaixadas para o Grupo 2 da próxima Liga das Nações. Sobem para o lugar delas Dinamarca, Ucrânia, Bósnia e ou Rússia ou Suécia, que se enfrentam amanhã.

 


Juventus ganhou um monstro na frente, mas perdeu um atrás
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Julio Gomes

Ontem, falei de Buffon. Grande contratação para o Paris Saint-Germain. Se o time de Neymar ainda está longe de se classificar para as oitavas de final da Champions League, pelo menos o jogo contra o Napoli mostrou que Buffon será uma grande segurança no gol. Não tem time campeão sem goleiro bom.

E a Juventus?

Até os minutos finais do segundo tempo, a Juve vencia o Manchester United por 1 a 0 e ia se transformando no único time com 100% de aproveitamento após quatro rodadas da fase de grupos da Champions.

O gol? Uma pintura de Cristiano Ronaldo, acertando um sem pulo maravilhoso.

Mas aí Mata fez um golaço de falta aos 41min. Defensável? Talvez, se o goleiro Szczesny não tivesse dado um passinho para o lado na hora da cobrança. Depois o polonês falhou em uma falta cobrada na área, e o United virou o jogo em Turim. A Juventus perder em Turim é algo para lá de raro. Quem diria que a derrota viria diante de um claudicante United, de Mourinho?

(Aliás, Mourinho, definitivamente engolido pelo próprio personagem, saiu provocando a torcida juventina após a vitória. Lamentável)

A Juventus já andou batendo na trave nos últimos anos, tentando um título europeu que não vem desde 1996 – foram cinco finais perdidas desde então.

O clube é competitivo, mas faltava algo. Esse algo tem nome: Cristiano Ronaldo. Com a chegada de CR7, a Juventus ganharia o ingrediente que faria a diferença entre ser e não ser campeã.

Só que aí… Buffon pega um avião e vai embora para Paris.

Szczesny não é mau goleiro. E não quero dizer aqui que, por causa de uma noite ruim, a Juventus está impossibilitada de ser campeã europeia. Mas é uma falha em jogo grande. De um goleiro que nunca foi tão grande. Na hora H, será que a Juve poderá confiar nele?

De Buffon a Szczesny, existe um oceano.

Alguns dirão que Buffon nunca foi campeão europeu. Não foi, de fato, a diferença entre uma Juve campeã ou vice-campeã. É verdade. Inegável. Mas ele nunca teve Cristiano Ronaldo no time dele.

Buffon foi a Paris tentar realizar o sonho. E a Juventus busca o mesmo sonho, mas sem ele. Com Szczesny. É o asterisco imperfeito em uma Juventus quase perfeita na temporada.


Buffon brilha, mas PSG fica contra as cordas na Champions
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Julio Gomes

Está aí uma boa contratação. A chegada de Buffon dá ao PSG aquela segurança que qualquer grande time precisa. Idade, convenhamos, não é o fator mais determinante para um goleiro. Buffon mostrou que seguirá sendo sempre Buffon, que os reflexos estão em dia, e salvou o Paris de uma derrota contra o Napoli.

Tuchel deu uma de professor Pardal, deixando Cavani no banco. Ninguém poderá acusar o técnico alemão de falta de coragem. Montou o time com três zagueiros, espetou alas pelos lados e deixou Neymar e Mbappé totalmente livres na frente.

Deu relativamente certo no primeiro tempo, mas mais por causa da passividade do Napoli do que pelo jogo do PSG. Bernat, um dos laterais avançados, acabou fazendo o 1 a 0.

O Napoli voltou muito melhor para o segundo tempo e foi quando Buffon passou a brilhar. Só não evitou o pênalti em Callejón, após a lambança de Thiago Silva. E ainda quase fez a defesa na cobrança.

Com 1 a 1, entrou Cavani, o Napoli perdeu gás, e o PSG ficou muito perto da vitória. Mbappé não esteve à altura do momento.

O Napoli mereceu ganhar a partida de Paris, quando levou gol nos acréscimos. No segundo duelo entre eles, parou em Buffon e, depois do empate, perdeu fôlego. Tem mais é que agradecer o ponto ganho.

A inacreditável derrota do Liverpool para o Estrela Vermelha, no Maracanã de Belgrado, embola tudo. Napoli e Liverpool têm 6 pontos, o PSG tem 5 e o Estrela Vermelha tem 4.

Supostamente Napoli, em casa, na próxima rodada, e PSG, fora, na última, vão ganhar do Estrela Vermelha.

O jogo entre PSG e Liverpool, na quinta rodada, em Paris, ganha contornos de decisão.

Especialmente para o PSG, que, se perder, fatalmente ficará fora das oitavas. Um empate também deve ser trágico para o Paris. O time mais milionário do planeta está contra as cordas.

Se na próxima rodada o Napoli vencer o Estrela Vermelha e PSG e Liverpool empatarem, o Napoli estará classificado. O PSG teria de torcer para o Liverpool não ganhar do já garantido Napoli na última partida. Não dependeria mais de si.

Por outro lado, se vencer os dois jogos finais, o time de Neymar estará classificado, e Liverpool e Napoli decidirão a segunda vaga em confronto direto. O Liverpool, mesmo que perca em Paris, dependerá só de si na última rodada.

O Paris está impossível na França. Mas, na Europa, está chegando a hora do tudo ou nada. “Acabar” a temporada em novembro não está nos planos do pessoal da grana, lá no Catar.


Lopetegui se despede com um troféu: o idiota do ano
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Julio Gomes

Julen Lopetegui não acabará 2018 sem um título. Não há quem tenha conseguido ser mais idiota do que ele ao longo do ano. É o campeão mundial da idiotice.

O técnico tinha em mãos uma fortíssima seleção da Espanha para a disputa da Copa do Mundo. Basta ver onde chegou a Croácia, na mesma chave da Espanha, para imaginar o que poderia ter acontecido.

Mas ele pôs tudo a perder ao negociar às escondidas com o Real Madrid, o tricampeão europeu, que acabara de ser surpreendido com a saída de Zidane.

Lopetegui foi estúpido ao usar (ou ser usado por) seu capitão, Sergio Ramos, para se acertar com o Real Madrid a dias da Copa. Poderia ter jogado às claras, talvez tivesse sido criticado aqui e ali, mas teria realizado o sonho da Copa e, depois, o sonho de pegar o mais poderoso clube do mundo. E, se o Real não topasse que assim fosse, que se danasse o clube. A missão dele era fazer da Espanha a campeã do mundo.

Os jogadores do Barcelona descobriram a negociação secreta, não gostaram. A Federação foi a última a saber e tomou a drástica decisão de demiti-lo.

Fui contra a demissão na época, pois considerava que a Federação estava dizimando as chances da Espanha na Copa – e foi o que aconteceu. Mas ser contra a demissão não significava absolver Lopetegui.

Quando a coisa começa mal, dificilmente acaba bem. Lopetegui chegou ao Real Madrid na pior situação possível. Com o time multicampeão, mas já sem jogar tão bem assim, sem Cristiano Ronaldo e com a polêmica como pano de fundo – ou seja, sem qualquer boa vontade por parte da imprensa local.

Situação que teria sido completamente diferente se ele tivesse chegado ao Real após uma boa campanha na Copa. E se tivesse sido campeão do mundo? Será que os maus resultados seriam suficientes para Florentino Pérez demiti-lo?

Para piorar, resolveu fazer rotações e mais rotações neste início de temporada, em vez de achar logo um time titular e ganhar a confiança deles, da torcida, da imprensa e dos dirigentes.

Os cinco jogos sem vitórias, o que não acontecia desde 2009, as 8 horas de futebol sem fazer gols (quase superando a histórica seca de 85, a maior da história do clube) e, de quebra, a goleada para o Barcelona, domingo, acabaram sentenciando Lopetegui.

Ele não é o primeiro treinador rifado no Real após apanhar do Barça. Já aconteceu com Luxemburgo, com Benítez e acontecerá com mais gente. Só Mourinho sobreviveu a levar de 5, como em 2010. Mas, ali, o clube vivia uma fase tão lamentável que era necessário apostar na continuidade do português.

Lopetegui é, sim, o primeiro rifado após fazer a lambança que fez. Entre tantos idiotas que tivemos em 2018, e olha que o ano nem acabou, nenhum superou Lopetegui.