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Arquivo : Atlético Paranaense

Drone, Diniz, ambição e intensidade: um dia no CT do Atlético-PR
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Julio Gomes

Lucho faz um lançamento longo, e os quero-queros que passeavam pelo gramado saem voando desesperadamente. Barulhentos, como sempre, eles não querem levar uma bolada. E quase levam uma “dronada”. Dura, a vida dos quero-queros.

No CT do Caju, eles dividem espaço com um drone, usado pelo time de análise de desempenho do Atlético Paranaense. Como o terreno é plano, o drone é utilizado para a filmagem dos treinos de Fernando Diniz. Não são só imagens, logicamente. Todos os jogadores têm GPSs no corpo – e isso acontece também nos treinos dos times sub-23 e sub-19.

A análise é completa e complexa. Olhando para a tela do notebook de um dos analistas, eu parecia estar vendo uma daquelas telas de Matrix, com os códigos aparecendo freneticamente em verde na tela preta. Mais compreensível era o controle remoto do drone. Me lembrou o de um carrinho qualquer.

Após o treino, Diniz se reúne com a equipe de análise. São selecionadas imagens, momentos, lances. E os devidos jogadores recebem depois, por WhatsApp, o que a comissão técnica quer que chegue até eles. Entender as novas linguagens é parte do processo.

Alta tecnologia não é novidade nos grandes clubes europeus, mas é coisa de não mais de cinco anos no Brasil. Ainda não são todos os que usam as ferramentas apropriadas. O Atlético-PR sempre esteve na vanguarda.

Um pequeno quadro na sede do clube mostra a ambição. “Visão: Ser o clube de futebol mais moderno e competitivo das Américas”.

Talvez outros clubes do Brasil tnham como visão “ganhar domingo”.

Na contra-mão do que pedem torcedores e jornalistas (jogadores e títulos), o Atlético investiu em estrutura nas últimas duas décadas. O homem-forte do clube e atual presidente do Conselho Deliberativo, Mário Celso Petraglia, pode ser acusado de muitas coisas (e é, já que a relação com a torcida, que se sente apartada do clube e desprezada, está bastante azeda). Mas ele não pode ser acusado de falta de visão.

Enquanto outros clubes gastaram com jogadores, técnicos, salários exorbitantes, etc, o Atlético Paranaense fez a primeira Arena do Brasil – basicamente com o dinheiro das vendas de Oséas e Paulo Rink, lembra deles? Depois, fez um CT de primeiro nível, que, como qualquer estrutura viva, segue sendo ampliada e modernizada. E ainda fez outro estádio em cima do que já existia, a atual Arena da Baixada, único do Brasil com teto retrátil e gramado sintético.

Para reatar com a torcida, será necessário haver vontade, inteligência e sensibilidade. Mas construir tudo o que o Atlético construiu em 20 e poucos anos é algo bastante mais difícil de ser realizado. As coisas não são excludentes. É possível ser ao mesmo tempo moderno e fiel a algumas raízes. O torcedor apaixonado pode ser ouvido, acolhido, ter sensação de pertencimento – e ao mesmo tempo o clube pode seguir sua linha moderna e estratégica de crescimento.

Paixão, aliás, não falta a Fernando Diniz. Eu já vi muitos treinamentos, de muitos técnicos. O dele é intenso. “Ritmo, ritmo, ritmo”. É o que mais se ouve do treinador durante a sessão acompanhada pelo blog no CT do Caju.

“Vai, vai, vai. Tudo rápido. Seis segundos! Seis segundos!”.

Não faltam broncas em quem dá passes arriscados e imprecisos no meio de campo, deixando os companheiros expostos atrás. O treino para. Recomeça. Para. Recomeça. “Vai, vai, vai. Ritmo, ritmo, ritmo”.

As transições rápidas e fatais não têm sido muito comuns nos jogos do Atlético, já que são os adversários que abusam do expediente. É um trabalho difícil treinar para jogar da maneira como Diniz entende o futebol. Fica mais difícil ainda quando faltam jogadores como Paulo André, gente com o chamado QI futebolístico alto. O sistema e seus automatismos precisam ser assimilados, compreendidos. Depois, mecanizados.

“Quando as coisas estão dando errado, é aí que você tem mesmo que fazer no campo aquilo que treina. E não sair loucamente querendo decidir as coisas. O sistema é nossa maior segurança. Se está perdendo ou está em dificuldade, aí, mais do que nunca, tem de confiar nele, se apegar ao que treinamos todos os dias”, fala Diniz, caixinha de água de côco em mãos, olhar no horizonte.

As sessões começam sempre com o tradicional bobinho. Aliás, deveríamos arrumar um nome mais sério para ele. O bobinho é um dos treinos fundamentais para times que queiram sair jogando e manter a posse de bola sob pressão. O jogador se habitua a passar a bola de forma rápida, precisa e automática.

Nos meus tempos de Espanha, principalmente em treinos do Barcelona e da seleção espanhola, lembro que o bobinho (“rondo”) era coisa muito séria. No treino do Atlético-PR, o único que presenciei, teve mais gozação do que sequências longas e precisas. São hábitos, cultura local. Quem tem talento, mas não comprometimento, acaba virando peixe fora d’água e tendo de sair, como Gedoz. Precisa de muito treino, foco, tempo para automatizar movimentos. O cérebro não constrói tudo em um ou dois dias. É necessário dar um bom ano ou mais de trabalho para saber se a coisa vai engrenar.

Não faz nem dois anos, por exemplo, que o Atlético contratou a Double Pass, ideia de Paulo Autuori. A empresa belga foi a responsável pela grande revolução no futebol de base da Bélgica e da Alemanha – e tem gente que ainda acha que esses países tiveram “sorte” pela geração atual. Sorte é uma coisa que afeta um jogo ou outro. Trabalho bem feito é o que gera frutos sólidos e consistentes lá na frente.

Mas uma revolução na base, fazendo com que times sub-13, 15, 16, 17, 19, etc, entendam e trabalhem futebol da mesma forma, leva anos. Parece óbvio, mas é necessário muitas vezes ressaltar o óbvio. Este trabalho, iniciado em 2000 na Alemanha, desembocou no título mundial somente em 2014. Façam as contas.

Por que no Atlético Paranaense ele teria resultado em meses?

Lembra do quadrinho com a visão do clube? Lá também está a missão. “Trabalhar com qualidade e responsabilidade desde a captação, formação, aquisição e treinamento de atletas, objetivando a constituição de um time comprometido e vencedor”.

Pelos corredores do clube, a reportagem esbarrou mais de uma vez com Paulo André, que está ficando prontinho para pegar o bastão e dar sequência ao trabalho de longo prazo no Atlético. Ele mora no CT. Respira o clube, conhece todos os funcionários, os meninos da base, os dirigentes.

Paulo André faz suas refeições diárias, como todos os outros, em um refeitório anexo à cozinha industrial do clube. A poucos passos e dois lances de escada dali, está a sede administrativa. Um pouco mais à frente, piscinas (aquecida, gelada, para todos os gostos), vestiários, uma quadra coberta com o mesmo gramado sintético da Arena (está sendo construído um outro campo no CT com o mesmo gramado) e, claro, uma academia com o que há de mais moderno. A tela da esteira me pareceu mais complicada do que o controle remoto do drone. Tudo está conectado, para que as informações de cada indivíduo sejam coletadas e analisadas.

Quem nos mostrou os aparelhos foi Jean Lourenço, preparador físico, parte da comissão técnica de Diniz, ex-jogador do clube e há 25 anos no Atlético. Ele viu a mudança acontecer por dentro. E mostra no olhar a confiança dos que estão inseridos no projeto.

O Atlético fala em três ondas. A onda da criação de infraestrutura, de 95 a 2004, a da profissionalização (2005 a 2014) e, agora, vive a terceira, a do protagonismo.

Protagonismo nos bastidores, para gerar mudanças de leis que permitam a injeção de capital externo no clube – o que faria o Atlético dar outro salto e entrar, de vez, no grupo de cinco ou seis principais do país, já que ele se diz o único pronto para ser comprado, com estrutura administrativa de empresa.

E protagonismo no campo, com um projeto multidisciplinar que busca a coesão futebolística do profissional ao mirim e que busca estar imune a desejos, vontades e visões de indivíduos. Tudo precisa fazer sentido para o todo. E tudo parece fazer sentido ao visitar o Atlético.

Logo no hall de entrada da sede do CT do Caju, está uma vitrine com troféus. O do Brasileiro de 2001, o mais importante da história do clube, nem está tão destacado assim. Para ganhar outros como aquele, a fábrica precisa funcionar a todo vapor, com cada setor fazendo sua parte na linha de produção. Convém não se esquecer dos parceiros antigos de empreitada, que se sentem abandonados. E convém ter paciência.

O texto acima encerra a semana de conteúdo exclusivo sobre o Atlético Paranaense. O blog foi convidado para conhecer a estrutura do clube e para uma entrevista com Mário Celso Petraglia (clique para ler a parte 1 e a parte 2). 


Em rota de colisão com torcida, Petraglia não sabe como encher Arena
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Julio Gomes

Quanto vale a paixão do torcedor de futebol? Para Mário Celso Petraglia, nada. Ou quase nada. Não é para o apaixonado que o futebol deve ser feito. “Futebol é entretenimento”, diz. Uma frase com a qual muita gente concorda, muita gente discorda. No mínimo, polêmica. Será que um magnífico teto retrátil tem maiores probabilidades de fazer alguém ir ao estádio do que um gol?

Na segunda parte da entrevista deste blog com o homem-forte do Atlético Paranaense, o principal tema é a torcida. Petraglia admite um erro de cálculo. Acreditava que a Arena da Baixada seria sucesso absoluto após a reconstrução visando a Copa do Mundo. “Achávamos que seria fácil colocar aqui 40 mil pessoas em todos os jogos. Tem muito pão duro em Curitiba”.

Avisa que a biometria veio para ficar, à despeito das queixas e da perda de público, que vai insistir com torcida única na Arena, vaticina um futuro nebuloso para o arquirrival Coritiba e fala da “carga pesadíssima” de liderar o clube e as mais de duas décadas no divã.

Aqui vai a segunda e última parte da entrevista exclusiva do Blog do Julio Gomes com Petraglia. Para ler a primeira parte, é só clicar abaixo:

Petraglia: Diniz se encaixa no projeto e não sai nem se o Atlético-PR cair

Julio Gomes: Muitos torcedores do Atlético reclamam da biometria, houve queda no número de sócios, reclamam da política de preços na Arena da Baixada, de uma desconexão com a diretoria. O que você tem a dizer sobre tudo isso?

Mário Celso Petraglia: A biometria é uma medida de segurança e uma mudança de cultura. Sim, perdemos sócios porque aqui temos a cultura do jeitinho. O sujeito acha que pode passar para qualquer um usar. Precisamos mudar essa cultura. Devem haver umas 50 mil pessoas que frequentam o estádio e eles querem ficar se revezando nas cadeiras. E tem a segurança. No último jogo aqui na Arena (que havia sido contra o Atlético Mineiro, no momento da entrevista), quatro pessoas foram imediatamente presas, porque estavam com pendências com a justiça.

(o assessor do clube avisa que “o Corinthians normalmente vem com 20 ônibus para cá, no ano passado vieram só dois”).

Você pode ouvir essa turma (mostra um desenho que simboliza a massa de torcedores do clube), essa não pode (mostra os “50 mil que vão ao estádio”) e essa nunca (organizados). Você pode ouvir quem está distante. Esse pessoal (que vai ao estádio) tem uma contaminação muito maior. E esse aqui (organizados) tem interesse. Quer que você ganhe para ele ganhar. É uma sub-marca. Quanto mais forte for a marca, mais forte ele é. Agora esse aqui (que está longe) sim, é quem a gente busca. Estamos reféns deste grupo do meio.

JG: Na Europa, geralmente o sócio pode devolver seu ingresso para o clube revendê-lo.

MCP: O Barcelona, se você avisar que não vai 72 horas antes, eles te creditam o dinheiro na sexta-feira. Mas aqui tem mais lugares que sócios. Se tivéssemos 40 mil sócios, ou 36 mil, já que tem ainda os 10% dos visitantes, a gente poria à venda. O sócio põe o código dele à disposição e vende. Temos o sistema pronto para isso, mas tem mais cadeira do que sócio.

JG: Pois é. Como o Atlético vai chegar a esses 36, 40 mil sócios? Política de preços? Contratando jogador? Ou talvez se voltar um pouco para a paixão?

MCP: Essa resposta eu já tive. Já tive. Não tenho mais. No pré Copa, eu tinha absoluta certeza que pela qualidade do estádio, pela segurança, pelo conforto, 40 mil sócios seriam fáceis. Para garantir o seu lugar. Temos estimados 2,5 milhões de torcedores. Temos a população de Curitiba em 3,6 milhões. Então pegar 40 mil… teoricamente teria que ser fácil. Acreditávamos que seria fácil. Tem um problema cultural seríssimo. O futebol ninguém sabe se é público ou privado. Estamos sob o regime do direito privado, mas há interferência pública absurda. Estabelece preço do ingresso, metade pra idosos, professores, estudantes, etc. (Governo) não tem que dar nada para sua paixão. E o que ele (torcedor) dá em troca pela paixão dele? Zero. Só exige. O que o brasileiro faz para contribuir com sua paixão? 30 milhões de flamenguistas… o que eles consomem?

JG: O Palmeiras conseguiu chegar nessa equação do estádio cheio.

MCP: É momentâneo. Perde a Libertadores, perde aquele outro… esqueça. É um momento de euforia, uma bolha.

JG: Mas esse cálculo superestimado de pessoas que viriam à Arena, então…

MCP: Você me perguntou qual era a resposta (para conseguir sócios), eu disse que não tinha. Eu tinha lá atrás. Acreditava. Estava errado. Hoje, eu não tenho.

JG: O quanto isso compromete o projeto?

MCP: Nada. Pega o balanço do Flamengo. 8% de bilheteria. Na Europa, 30% para mais. No Brasil, bilheteria foi pro “caceta” por causa da televisão, da violência.

JG: Por falar em violência. Por que a aposta pela torcida única nos jogos do Atlético? O clube tem uma imagem positiva no país, de modernidade, vanguarda, por que enfrentar todos os torcedores de todos os clubes. Não teme arranhar essa imagem?

MCP: Não, não temo. Falem mal, mas falem de mim.

JG: Por que a torcida única?

MCP: É a visão. No médio, curto prazo, com a inteligência artificial, vai sobrar mais tempo para o homem. Esporte é entretenimento. Ele tem que ir com a família, tem que se divertir no dia do jogo dele. Sem medo.

JG: Esporte é mais que isso, não é?

MCP: Nas culturas mais desenvolvidas, não estão nem aí para perder!

JG: Eu não acho que não estejam nem aí…

MCP: Quando o outro vai atacar ele nem vê, vai tomar chope. Vai comer.

JG: Nos Estados Unidos talvez, mas não na Europa.

MCP: Mas qual é o país mais desenvolvido do mundo?

JG: Ah, eu teria algumas respostas que não são os Estados Unidos…

MCP: Não há dúvida que são os Estados Unidos. Eu não gosto, não me faz bem. Mas só é a nação que é pela cultura imposta, pela democracia, pela liberdade e pelo judiciário, que ali funciona para todos, não só preto e pobre.

JG: Então a torcida única se encaixa em uma ideia de que esporte é entretenimento, como nos Estados Unidos?

MCP: Claro. A médio e longo prazo. O que é a Copa do Mundo? Uma grande festa! Futebol é segundo plano para a maioria. Nós fomos sede de quatro jogos aqui em Curitiba. As pessoas vão ver o futebol como arte, como espetáculo.

JG: Não é cruel com quem é apaixonado pelo esporte, tirá-los da cena?

MCP: Cruel é a situação atual, que todo mundo é escravo dessa paixão maluca.

JG: Mas quero tirar da conta o animal que vai para o estádio matar alguém, bater em alguém. Tem muita gente apaixonada, que não vê o esporte só como entretenimento.

MCP: Isso é cruel, essa paixão.

JG: Mas vamos tirar essa paixão?

MCP: Por que não? Por que temos que ser escravos dela? O homem não pode ser escravo de nenhuma paixão.

JG: Essa paixão não move o futebol?

MCP: Não! O que move o futebol é dinheiro. É grana. É business.

JG: Essa ruptura com a arquibancada não pode custar alguma derrota eleitoral? A última eleição não foi fácil aqui…

MCP: Eu não ia participar, não queria mais, entrei no último mês… eram cinco ou seis grupos, se juntaram todos. Em quatro ou cinco entrevistas eu destruí eles.

JG: O projeto do Atlético é personalista?

MCP: Claro. Absolutamente personalista. E nem pode ser diferente. Tem que personalizar em alguém em algum momento.

JG: Mas temos outros projetos personalistas no Brasil que você abomina. Os Euricos Mirandas da vida…

MCP: Todos os projetos são personalistas. Os projetos de Einstein, Newton, Darwin, eram todos personalistas. Como vai fazer um projeto que não tenha a personalidade do cara que está fazendo? Agora. A diferença de Euricos para Petraglias é que meu projeto é pro bem e o outro foi pro mal. Abomino projetos personalistas destrutivos, não construtivos.

JG: Como garantir que este projeto continue?

MCP: Não somos donos do clube. Estamos donos do clube. E vamos propor fórmulas e maneiras de blindar e proteger nosso clube, dar continuidade ao projeto. Amarras estatutárias, abertura de capital, trazer um parceiro estratégico e de capital. Há modelos de Europa. Com isso, faz acordos de acionistas, governança corporativa, se moderniza para uma empresa ser dona.

JG: Mas esse tipo de coisa depende de muitas mudanças de legislação no Brasil.

MCP: Estamos trabalhando para isso. Também não é justo que você tenha SAs tributadas e clubes sem fins lucrativos, isentos.

JG: Neste futebol cada vez menos regional e mais nacionalizado, com a possibilidade de profissionalização real, mercados espremidos. O Coritiba vai acabar?

MCP: O Coritiba vai existir. O América do Rio existe. Não acabam. Mas a que nível vai existir? Essa é a pergunta. Não cabem três clubes de primeira grandeza em Curitiba, assim como não cabem quatro no Rio ou em São Paulo. Não tem mercado para faturar. Quatro no Rio faturando 640 milhões? Mas não há nenhum planejamento de médio e longo prazo. Clubes não têm uma pesquisa para saber a quanto andamos, as tendências. Ninguém se preocupa com o futuro, é o jogo da quarta e do domingo.

JG: Dizem que em cidades com duas forças destacadas um alimenta e empurra o outro. É assim aqui?

MCP: Em Curitiba, desequilibrou. O Paraná era um clube riquíssimo, uma fusão de cinco, com patrimônio enorme, que, por más gestões, ficou pelo caminho. Decidiu gastar, contratar os Luxemburgos da vida. O Coritiba deitou em berço esplêndido, era o mais rico, único campeão brasileiro, com estádio e achou que o que estávamos fazendo não atrapalharia a vida dele. Ficaram para trás, né? Então agora vai existir, mas a que nível? De primeira grandeza, entre os primeiros dez do Brasil, só cabe um aqui.

JG: Como está a relação? Teve aquela transmissão do jogo pelo You Tube, o Atlético invadiu o direito do Coritiba…

MCP: Não! Nós não vendemos! Qual prejuízo deu ao Coritiba?

JG: Não é bem essa a lógica…

MCP: Se não passar o jogo, aí ele que estaria me prejudicando.

JG: Pela lei Pelé, os dois precisam estar de acordo.

MCP: Depende, para a televisão sim.

JG: Por que parou de passar no intervalo então?

MCP: A Globo intimidou o You Tube. Se tivéssemos feito por vários canais, eu não teria parado. Quem ficou com medo foi o You Tube, depois nós restabelecemos no Facebook. O que trouxe de prejuízo? Se o mando era nosso, a renda era nossa…

JG: O mandante deveria ter o direito de fazer o que quisesse com seus direitos de transmissão?

MCP: Me preocupa muito. Na Europa, é assim, mas os clubes que se preocupam com o todo vendem em bloco. Mas na Espanha o governo teve de intervir, porque abriu um buraco imenso entre Real Madrid e Barcelona e o resto.

JG: Há um grande elogio à autogestão do clube, o Atlético fez, por exemplo, o estádio mais barato da Copa, sem passar pelos cartéis de empreiteiras. Mas há quem critique a autogestão por ser uma coisa quase familiar (diversos familiares de Petraglia tiveram produtos ou expertise comprados pelo clube) e também por perder eventos.

MCP: O que vou dizer sobre isso, a não ser meu desprezo? Mesmo agora fiz questão de trazer para o balanço valores que eu botei lá atrás, milhões de dólares para começar o projeto, que nunca tinha cobrado. Não vou dar ouvido para esse tipo de conversa. Eu só não fiz religião ainda nessa vida. Fiz grandes empresas, fiz política de altíssimo nível e fiz futebol. Jamais fui envolvido em qualquer desvio de alguma coisa.

JG: O senhor não vê um conflito ético?

MCP: Eu não administro de fora para dentro. Administro com a minha consciência. Eu seria o Ali Babá, teria de ter 40 ladrões aqui ao meu lado. Isso é ridículo. Jamais na história de um clube de futebol foi feito o que nós fizemos aqui, em um clube sem dono. Era um clube de várzea, de bairro, que não remendava a meia, que comprava roupa no botequim da esquina para poder jogar. Não tinha onde treinar, onde jogar, não existia. Em 20 anos, foi feito o clube mais rico das Américas, dito pela Soccerex. Não há preço pelo que eu dei ao clube, a cabeça do Mário Celso Petraglia ter doado seu trabalho, o networking, a experiência. Eu sou há 21 anos psicanalisado. 21 anos num divã. Cinco vezes por semana.

JG: Ah é? Fale mais sobre isso…

MCP: Vim muito de baixo, fiquei muito bem econômica e socialmente e fiquei descasado emocionalmente. Economicamente resolvido, familiarmente resolvido, socialmente resolvido e emocionalmente ancorado lá atrás, em cima do caminhão que me trouxe do Rio Grande com a família.

JG: Continuar tomando conta do Atlético é uma missão para mais quanto tempo?

MCP: É uma carga pesadíssima. Pesadíssima. Chegar em nono no ranking (da CBF) foi dez vezes mais fácil. Daqui para frente, o trabalho é insano.

JG: Por fim, como o senhor vê o quadro político do país?

MCP: Pelo quadro atual, não vejo grandes alternativas. Gostaria que o Joaquim Barbosa tivesse sido candidato, teria meu voto. Mas ele declinou e vamos aguardar. Pelo quadro que está aí… minha geração é a mais responsável por esse estado de coisas no país. A geração pós-Guerra, por omissão e por esse pseudo medo, o medo do bilateralismo, do pseudo comunismo. O espírito patriótico que minha geração tinha acabou. Acabaram com ensino público, privatizaram tudo, destruíram as universidades públicas, acabaram com movimentos estudantis, o clima de corpo estudantil, ou seja, uma destruição da educação e nós permitimos isso de forma passiva demais.

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O atraso vibra com as derrotas do Atlético-PR
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Julio Gomes

Todos os jogos do Atlético Paranaense têm história parecida. Durante boa parte dos 90 minutos, um time tenta jogar bola, o outro se defende. Se defende e, claro, adota o contra ataque como plano único para chegar ao gol contrário.

Este segundo jeito de jogar tem nome: futebol reativo. Quem joga em função do que faz o adversário.

É lícito. No futebol, as vitórias podem chegar de várias maneiras. O “jogo bonito” não é o futebol reativo. Isso é questão de gosto, é verdade. Mas existe uma imagem. E a imagem do “jogo bonito”, repito, não é a do futebol reativo.

A Argélia, com um jogo ultrareativo, deu mais trabalho à Alemanha na Copa do que o Brasil. É bonito o que a Argélia fez? Depende do gosto. O que não podemos é, adjetivos à parte, não perceber o que a Argélia fez.

Como não podemos não perceber o que fazem os times que enfrentam o Atlético de Fernando Diniz. Entram em campo para se defender e contra atacar, sem pudor algum. E isso independe de local, de grandeza, de história.

O atraso vê a vitória do Fluminense por 2 a 0, neste domingo, no Maracanã, como uma coisa maravilhosa. Futebol é resultado, o que importa é chegar ao resultado. Para mim, uma camisa como a do Fluminense (e tantas outras, estou apenas usando o exemplo de hoje) não merece isso. Jogar diante de sua torcida, no estádio mais famoso do mundo, desse jeito. Para mim, é uma vergonha.

Essa adaptação de jogo em função do que faz o Atlético não é opinião minha. É admitido por todos, basta ver entrevistas de jogadores e treinadores após os jogos. É vista como uma coisa “inteligente”. Respeito, mas discordo.

O torcedor aprendeu a só pensar em resultados. Isso é culpa, também, da imprensa de forma geral. E a imprensa é formada por torcedores, também de forma geral, e infelizmente, e aí a culpa é de todo mundo, apartados do jogo que é construído dentro dos clubes. Sabe-se pouco de futebol, essa é uma realidade. Ou, pelo menos, sabe-se pouco de como o futebol é pensado e construído para desembocar no que se vê pela televisão.

O Atlético Paranaense, pelo estilo de jogo que seu treinador adota, enfrenta semanalmente as mesmas retrancas que enfrentam o Barcelona ou a seleção brasileira. Sem, no entanto, ter os jogadores do mesmo nível para cansá-las e furá-las.

Então a impressão é de que o Atlético “joga mal”. Oras, é muito difícil jogar bem contra times que apenas se defendem. E aí só sobra o resultado para fazer a avaliação. Se ganhar, foi uma maravilha, porque dominou e ganhou. Se perder, uma porcaria, porque “jogar assim não serve para nada”.

Claro que há problemas sérios no Atlético. Tem bastante azar também nas últimas semanas, mas tem problemas. Agora, qualquer treinador especializado no que se faz no Brasil há duas décadas pega um time e monta uma bela retranca em uma semana. Criar um sistema de jogo complexo e sofisticado, ofensivo e imune a tudo isso, leva tempo.

Quem olha futebol com a lupa dos resultados (tipo, todo mundo no Brasil?), não entende a razão de Fernando Diniz não mudar o jeito de jogar para mudar os resultados.

É aí que faço uma metáfora.

Imagine que você, leitor, tenha um conceito de vida inegociável. Por exemplo. Ser fiel. 100% fiel à esposa ou ao marido. Mas você se encontra em um momento de dificuldade financeira, faltam coisas em casa e a saída, você sabe disso, é transar com o (a) chefe. Isso vai gerar uma situação profissional de privilégios, melhores condições de trabalho, etc. Mas veja. Ser fiel é inegociável. Nem passa pela cabeça fazer isso para chegar ao resultado. Passam pela cabeça mil e uma soluções e adaptações para melhoras as coisas, mas não a traição.

É o mesmo com Diniz e com tantos outros treinadores. O entendimento do que é futebol é inegociável. Podem ser feitas adaptações, mas não uma traição frontal de conceito para chegar a um determinado resultado.

O jeito de jogar futebol do Atlético-PR é o jeito de jogar dos grandes times e seleções de onde o futebol está no mais alto nível. Pode ser que isso não dê certo no Brasil. Porque times grandes não se importam em envergonhar sua história para conseguir uma vitória. Porque o material humano para colocar isso em prática é fraco. Por N razões.

Mas torcer para que isso dê errado é puro atraso. É o verdadeiro espírito do vira-lata.


Petraglia diz que Atlético-PR não aceita convite da CBF para ir à Copa
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Julio Gomes

O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR (e homem forte do clube), Mário Celso Petraglia, disse que o Atlético Paranaense não vai aceitar o convite da CBF, que irá custear a viagem de alguns dirigentes para acompanhar de perto a primeira fase da Copa do Mundo.

“Não aceitamos por princípio. Não aceitamos favor deles nem de ninguém. Eles que deem (a viagem) para outro. Se eu quiser ir à Copa do Mundo, tenho dinheiro de comprar a minha passagem”, falou Petraglia ao blog.

Este blogueiro viajou a Curitiba a convite do Atlético-PR para conhecer a estrutura do clube e fazer uma entrevista com Petraglia. O conteúdo gerado pela conversa e as observações feitas no CT do Caju será publicado neste mesmo espaço, nos próximos dias.

A CBF convidou dirigentes das 27 federações estaduais e realizou um sorteio entre clubes das Séries A e B. O Atlético-PR foi um dos contemplados para o “voo da alegria”, assim como Atlético-MG, Bahia, Ceará, São Paulo, Avaí, Guarani, CRB, Brasil-RS e Paysandu. Segundo o jornal O Tempo, o Atlético de Minas também declinou o convite.

“Existe um distanciamento (entre clube e CBF). Nós não fomos nem na eleição (de Rogério Caboclo, atual presidente da CBF). Aparecer lá para quê?, questionou Petraglia.

 

 


Atlético-PR é a grande incógnita do ano e pode, por que não?, sonhar alto
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Julio Gomes

A classificação para as oitavas da Copa do Brasil, eliminando um “grandão”, mesmo que em pior fase, parece ser o resultado que Fernando Diniz precisava para se firmar no Atlético Paranaense.

Sabemos como é o futebol. Estão todos na corda bamba o tempo todo. Mas algumas cordas são mais bambas. Aparentemente, a relação entre Diniz e quem realmente manda no Atlético é ótima. Ou está ótima. Como sempre, em clubes de mandatário centralizador, tudo depende da combinação relação/resultados.

Se a relação é ótima, ótimo! Mas se os resultados não vêm…

Quando o Atlético contratou Fernando Diniz, eu chamei a parceria de “casamento perfeito” aqui no blog.

Tudo iria por água baixo se o Atlético fosse eliminado logo nas fases iniciais da Copa do Brasil por um Tubarão da vida. Foi quase. Mas não foi. E lá está o bravo CAP nas oitavas, passando pelo São Paulo no Morumbi. E virtual classificado para a próxima fase da Sul-Americana, após atropelar o Newell’s. E na liderança do Brasileiro, pois foi quem fez a maior vitória da primeira rodada.

Onde pode chegar o Atlético de Diniz?

Esta é, a meu ver, a grande incógnita da temporada do nosso futebol.

Porque sabemos que os times de elenco mais rico chegarão fortes lá na frente. Que outros ficarão pelo caminho, uma hora ou outra.

Todo mundo coloca como favoritos a ganhar o Brasileiro o Corinthians, atual campeão, o Grêmio, pelo maravilhoso futebol mostrado, e o trio dos riquinhos Palmeiras-Cruzeiro-Flamengo, os três com elencos fartos, apesar de não terem mostrado nada demais em termos de bola.

Quem pode desbancá-los? A resposta é: o Atlético Paranaense.

Jogando um futebol ultramoderno, de posse e controle do jogo, com uma estrutura fantástica, um estádio maravilhoso, torcida participativa e um técnico brilhante e corajoso, o Atlético pode, sim, ser campeão de um Brasileiro ou de uma Copa do Brasil. Ou dos dois.

Ou ser eliminado na próxima fase da Copa, chegar em 14o no Brasileiro e ter Diniz demitido após alguma sequência de derrotas.

Sem dúvida, as chances do CAP passam por fazer um ótimo trabalho nestas duas primeiras fases do Brasileiro. As seis rodadas iniciais, quando seus supostos concorrentes diretos estarão super envolvidos com Libertadores – há confrontos diretos contra Grêmio e Palmeiras -, e das rodadas 7 a 12, quando uma turma importante perderá jogadores para a Copa do Mundo e o Atlético enfrentará adversários que possivelmente passarão a maior parte do campeonato na metade de baixo da tabela.

O Cruzeiro, em 2013, não parecia ter time para ser campeão. Mas aproveitou muito bem o período pré-Copa das Confederações e depois não olhou mais para trás.

Seria muito importante que os tais concorrentes diretos perdessem pontos nestas 12 rodadas iniciais, para de repente priorizar as Copas em vez do campeonato.

Não estou aqui falando que o Atlético Paranaense será campeão brasileiro. Estou falando que não é nenhum absurdo pensar nesta hipótese. Mas, claro, precisamos sempre lembrar que estamos falando do futebol e ele, especialmente no Brasil, é dinâmico demais. Em uma semana, tudo muda.

O que não mudam são as convicções e o bom gosto de Fernando Diniz pelo futebol bem jogado. Sempre tentando submeter o adversário, em vez de depender do que o próprio fará.

Times que jogam de forma específica e fora da caixinha têm um problema: são mais visados, estudados, e isso pode gerar dificuldades adicionais. Como eu disse lá no começo. É cedo, o Atlético é uma grande incógnita em 2018. Mas que vale muito ver, isso vale.

 


Votação anti-VAR vai assombrar o Brasileiro do início ao fim
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Julio Gomes

Faz um pouquinho mais de dois meses. Foi no início de fevereiro que os 20 clubes da Série A decidiram não utilizar o recurso de vídeo para auxiliar as arbitragens no Brasileirão.

Bastou um sábado de futebol, menos da metade da primeira das 38 rodadas do campeonato, para que a decisão levasse um gigantesco tapa na cara. Erros de arbitragem acontecem toda hora. Interpretações diferentes sobre o mesmo lance, também. O pepino mesmo, e esse pepino é solucionado pelo VAR, são os lances claros, evidentes, não passíveis de discussão.

Como o pênalti dado para o Vitória contra o Flamengo, que resultou na expulsão injusta de Éverton Ribeiro, alterando toda a dinâmica do jogo. Ou como o segundo gol do Flamengo, em impedimento grosseiro.

Nem todo o jogo tem lances tão claros, tão evidentes, de erros de arbitragem. Aqueles sem nenhum “porém”. Aqueles que, com o VAR, não existirão mais.

O Flamengo foi um dos que votaram a favor do VAR me fevereiro. O Vitória, contra.

Na semana passada, tivemos a final do Paulista e toda a polêmica do pênalti dado e “des-dado” para o Palmeiras, com a forte suspeita do VAR clandestino mudando a decisão do árbitro. Uma das coisas que mais li, ainda que o campeonato fosse outro. “O Palmeiras votou pelo VAR, o Corinthians votou contra”. E daí?

Nas entrevistas pós-jogo no Barradão, o tema foi levantado. Nos programas de todos os canais de TV, idem. Mas e daí?

E daí que esta é a sombra que vai acompanhar o campeonato todo. Um verdadeiro fantasma.

Sempre que houver erro claro, a tal votação será lembrada. “Viram? O time X votou contra o VAR, agora aguenta”. Ou então. “O time Y votou a favor do VAR, viram por quê? É sempre roubado!”.

Preparem-se. Serão 38 rodadas e sete meses e meio de lembranças da maldita votação.

Não vou colocar a lista aqui de quem votou a favor, quem votou contra e quem se absteve. Sabem o motivo? Defendo que precisamos parar de olhar para o próprio umbigo. O futebol brasileiro precisa urgentemente passar a pensar no todo, não no pedaço.

Não interessa quem votou como. Foi uma decisão coletiva contra o VAR.

Uma decisão, é claro, induzida pela CBF. Que não larga o osso, não deixa a organização do campeonato para os clubes, mas não quer se responsabilizar pela arbitragem de vídeo. Jogou o preço lá em cima. sabendo que isso geraria o que gerou.

Mas clubes que foram contra porque o VAR da CBF só seria usado no segundo turno ou os que foram contra por causa do preço alto não poderiam ter se mexido? Os que votaram a favor do VAR não poderiam ter liderado esse movimento?

Será que era tão difícil assim os clubes chegarem a um acordo, encontrarem uma situação melhor de custo e emparedarem a CBF? Os clubes são parceiros da CBF em mais este erro histórico.

A votação será lembrada durante o ano todo. Uma pena. Uma enorme pena.

 


Estreia do Atlético-PR tem DNA de Diniz, mas time precisa de rodagem
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Julio Gomes

O Atlético-PR, comandado por Fernando Diniz, estreou nesta terça-feira na Copa do Brasil e, de fato, na temporada 2018 – o Estadual é disputado por time B, com outro treinador. O resultado não foi bonito, mas foi suficiente. 0 a 0 em Caxias do Sul, o que garantiu vaga para a segunda fase.

Deu para ver que a ideia de jogo de Fernando Diniz apareceu em alguns momentos. Mas ainda é muito cedo e, logicamente, jogar futebol desse jeito demanda treinos e tempo. Faltou brilho, faltaram chances de gol, faltou qualidade individual, mas valeu ao Atlético pela organização defensiva e a classificação em uma eliminatória-armadilha. Nenhum time de Série A tinha um duelo tão complicado de cara.

Aqui faço um parênteses. O regulamento da Copa do Brasil é bizarro, inaceitável. Como assim em um mata-mata que é só mata (jogo único) um time entra em campo com a vantagem do empate? Um time com dois resultados e o outro com um? Só no Brasil mesmo. Só da cabeça dos nossos dirigentes pode sair algo assim.

Eu adoro eliminatórias de jogos únicos. Podia ser inteira assim, a Copa do Brasil. Mas, se empatar, pênaltis, oras bolas. E sorteio de mando de campo para saber quem joga em casa. Enfim.

A bizarrice do regulamento, no entanto, vai gerar jogos interessantes na primeira fase, já que ao time da casa só serve vencer. Foi o caso em Caxias. O time gaúcho foi agressivo, pressionou, esteve rondando o gol e ficou perto de eliminar o Atlético – o que seria um baque monstruoso para o técnico estreante.

Com as semanas que teve de treino, Fernando Diniz já conseguiu colocar seu dedo no estilo de jogo do Atlético-PR. O DNA está ali. Foi um time que evitou o chutão, tentou o tempo inteiro tocar, trabalhar e manter a posse da bola – em alguns momentos, no fim do jogo, errou passes perigosos e até correu riscos com as saídas de bola trabalhadas de pé em pé.

Foram 53% de posse de bola para o Atlético-PR, o que não é tanta vantagem assim. O Caxias finalizou mais (18 a 10) e explorou muito os lados, principalmente no primeiro tempo. Pela direita, o time gaúcho explorou muito um flanco que tinha Thiago Heleno (lento) e Carletto (mal na estreia).

O Caxias tentou ganhar o jogo na bola aérea, mas o Atlético soube se defender bem – aliás, a defesa foi o setor que recebeu os elogios do técnico.

O Furacão, convenhamos, deu um certo azar na chave. A estreia na Copa do Brasil foi contra um bom time do Caxias, bem treinado, que venceu as quatro partidas no Gauchão, lidera e já tem ritmo de jogo. Isso ficou claro especialmente no terço final da partida, quando os gaúchos tinham mais perna.

O goleiro Santos, da base do Atlético, fez defesas importantes na partida. E o goleiro Glédson, do Caxias, fez sua parte quando o Furacão teve contra ataques no segundo tempo.

Ribamar, o centroavante do Atlético, apanhou da bola o jogo inteiro. A coisa até poderia ter sido resolvida sem tanto sufoco, se houvesse mais eficiência.

É compreensível que o Furacão jogue o Paranaense para segundo plano. Mas o projeto de Diniz depende de prática. Por que não treinar o time em alguns jogos do próprio Estadual? Não é muito arriscado jogar esporadicamente e logo em partidas de mata-mata (ou, no caso das duas primeiras fases da Copa do Brasil, só mata)?

Não é necessário jogar um Atletiba, por exemplo, que poderia gerar um desgaste precoce e desnecessário. Mas por que não fazer alguns “treinos” em jogos oficiais na Arena contra times piores do Estado? É importante que braços de ferro entre dirigentes não prejudiquem a parte esportiva.

Ainda tem muito chão para Fernando Diniz e para o seu projeto no Atlético-PR. E ele precisa de rodagem.


Atlético-PR e Fernando Diniz: o casamento do ano no Brasil
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Julio Gomes

O Atlético Paranaense resolveu fazer a aposta que tantos clubes grandes do Brasil relutaram em fazer. Contratou Fernando Diniz.

Fernando não é o Guardiola brasileiro. Mas é.

Não é porque eles são pessoas diferentes, têm estilos diferentes de trabalhar e, claro, a bagagem cultural de cada um deles, pelo país em que nasceram e os lugares por onde passaram, é diferente.

Mas ao mesmo tempo é, sim, o nosso Guardiola. Porque a visão de futebol dos dois se assemelha no conceito principal: querer ganhar a sua maneira, não de qualquer maneira.

É um rótulo simplista e simplório, malvado até, mas que tem lá algum sentido. E, neste momento em que volta a estar em alta o Pep europeu, deste jeito de ver e sentir o futebol, temos as condições ideais para a explosão da carreira do nosso Pep.

Fernando Diniz é o único técnico do Brasil que, por onde quer que tenha passado, não abriu mão da sua maneira de ver futebol. Alguns gostam, alguns não gostam. É do jogo. É direito de dirigentes, torcedores, jornalistas gostarem ou não gostarem. Tem gente que ama de paixão o Barcelona de Guardiola. Tem gente que, apesar dos resultados, não gosta.

É muito mais honesto ver o futebol assim do que “gostar” ou “não gostar” em função do resultado. Isso sim, é o que faz nosso futebol ser tratado de forma tão rasa. O resultadismo.

Mas voltando a Diniz. Nossa categoria de treinadores, desunida, é ao mesmo tempo refém do amadorismo dos dirigentes nacionais e beneficiada financeiramente pelo troca-troca e a irresponsabilidade destes mesmos dirigentes com as finanças dos clubes. Enquanto acaba sendo obrigada a se sustentar em resultados e aceita este círculo vicioso, Fernando Diniz foi o único que não sucumbiu a esta forma de trabalhar.

É visto por alguns, portanto, como “louco”. Ou um “radical intransigente”. Não podemos esquecer que o brasileiro é, no fundo da alma, um conservador. Pessoas disruptivas incomodam.

Foi treinado por este louco que o Audax, aqui em São Paulo, fez o Santos ser campeão paulista jogando como time pequeno, atuando nos contra ataques em 2016. O Audax já submeteu Palmeiras e São Paulo em campo, na bola. No peito.

Já deu para ver que eu sou um entusiasta deste jeito de ver o futebol. Mais do que isso: um entusiasta da coragem e de pessoas que seguem fiéis a seu modo de ver o mundo. Já estamos cansados de tanta bipolaridade, de tanta incoerência, de tanta volatilidade, de tanta inconsistência.

E por que o casamento com o Clube Atlético Paranaense é perfeito?

Porque o Atlético, apesar de ainda ser um pouco refém do personalismo e das decisões de Mário Celso Petraglia, é o clube do Brasil mais próximo ao que consideramos modelo ideal de tratar o futebol extra-campo. É o clube mais profissional daqui, do topo à base.

Se no Brasil existem 12 clubes grandes (por história, alcance nacional, torcida, mídia, jogadores cedidos à seleção, etc, etc), é fato que o Atlético-PR se posicionou sozinho em uma prateleira de 13a força.

Até 20 anos atrás, o Atlético-PR não era “maior” que Coritiba, Sport, Vitória, Bahia, Paysandu, Remo, Goiás, Portuguesa, Guarani, só para citar alguns dos clubes que, gigantes ou não localmente, sempre fizeram parte da “classe média” do futebol brasileiro.

De duas décadas para cá, o Atlético se descolou dessa turma. Foi o primeiro a construir uma Arena moderna, que já foi atualizada por causa da Copa, fez um CT de primeiro mundo, tem setores ultramodernos de fisiologia, preparação física, análise de desempenho e scout, é um clube solvente financeiramente, com receita, pagamentos em dia, torcida, ambição, atuação no mercado internacional. Estável. Só não gosto do tratamento que dá à imprensa, mas até nisso o Atlético está “europeizado”.

No próximo Brasileiro, Botafogo e Fluminense entrarão para não cair. Como vem sendo rotina, por sinal, salvo anos de exceção. O Atlético-PR já não entra mais no Brasileiro para não cair. A consistência de duas décadas da instituição CAP contrasta com a inconsistência de vários clubes “gigantes” da nossa história nesta era de pontos corridos. Na esfera esportiva, o Atlético já é um dos 10 clubes do Brasil.

Petraglia, com suas qualidades e defeitos, é, sem sombra de dúvida, o principal dirigente do futebol brasileiro nos últimos 20 anos. Foi o único capaz de mudar um clube de patamar. Não por ter vencido um título brasileiro. É muito mais que isso.

Com esta visão vanguardista, dentro do deserto que é o futebol brasileiro, o Atlético adotou, por exemplo, a postura de jogar o Campeonato Paranaense com um time sub-23. Algo que todos acabarão fazendo um dia, se os Estaduais continuarem.

Isso dará tempo (alguns meses) a Fernando Diniz para implementar suas ideias e gastar horas, horas e horas com o elenco do Atlético para que lá na frente, no Brasileiro e na hora aguda da Copa do Brasil, o time esteja jogando de acordo com suas convicções.

No futebol de defesa e contra ataque que virou isso aqui, veremos um time remando contra a maré. O único que de certa forma fez isso este ano acabou levantando a taça da Libertadores.

Se Petraglia e o Atlético tiveram coragem ao longo de anos para desafiar federação local, desafiar o status quo do futebol brasileiro, quebrar tantos obstáculos, é plausível imaginar que a contratação de Fernando Diniz esteja carregada de convicção.

Convicção que praticamente não existe entre dirigentes do futebol brasileiro, que atuam muito mais como torcedores empoderados do que como verdadeiros profissionais da área. Convicção que é o que mais faz falta no futebol daqui.

Em algum dos outros “12 grandes” do Brasil, Diniz teria muito menos tempo de trabalho e muito mais pressão das arquibancadas e microfones. Já em outros clubes da “classe média”, teria muito menos ferramentas a sua disposição.

É claro que na primeira série de derrotas do Atlético haverá jornalistas e diretores questionando o trabalho de Fernando Diniz. Mas acredito que ele caia no lugar certo para ter o mínimo de tempo necessário para desenvolver seu trabalho.

E isso ficou claro na conversa que definiu a contratação, pelo que o blog apurou. A convicção está lá no discurso de quem manda, de quem banca. Claro que as coisas podem mudar. Relações humanas são relações humanas. Mas há motivos e histórico para acreditar que, se houver qualquer tipo de ruptura, ela não virá por causa de uma ou outra derrota.

É uma notícia para lá de animadora para quem gosta da maneira do Atlético trabalhar fora de campo e da maneira de Fernando trabalhar dentro de campo.

Que seja um longo e próspero casamento.


Afinal, será que mudar de técnico é bom ou mau negócio?
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Julio Gomes

O Campeonato Brasileiro chegou ao fim, e somente seis clubes acabaram a competição com o mesmo treinador do início. Corinthians, Grêmio, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Avaí.

Os outros 14 clubes trocaram de treinador. Alguns deles, mais de uma vez. Foram, no total, 20 treinadores degolados por estes 14 clubes. Isso, sem contar os interinos que assumiram por algumas rodadas e não se firmaram. Ao longo da competição, 46 profissionais diferentes ocuparam o banco de reservas de algum time por pelo menos um jogo.

Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Chapecoense e Vitória são os clubes que chegaram, entre contratados e interinos, a ter quatro técnicos diferentes em seus jogos ao longo do campeonato.

É nítido que a definição sobre contratar e demitir técnicos é feita com pouca razão e pouco conhecimento do assunto. Se formos escolher palavras para definir, de forma genérica, a atuação de dirigentes de futebol no país elas seriam amadorismo, paixão, inconsequência. Dificilmente escolheríamos profissionalismo, planejamento, responsabilidade financeira. Dirigentes, a maioria (não todos, mas a maioria) atuam como torcedores.

Mas o que esse campeonato mostra, dentro do equilíbrio incrível que marca o futebol brasileiro, é que não existe uma regra. Algumas vezes, mandar treinador embora simplesmente dá certo. Outras vezes, não.

É fato que é muito difícil um time ser campeão trocando de técnico ao longo do campeonato. Este é o oitavo seguido em que quem ganha o título mantém o mesmo treinador do início ao fim – a última exceção foi o Flamengo de 2009. Em 15 anos de pontos corridos, só três campeões mudaram de técnico ao longo do percurso, ou seja, 20% (os outros foram Santos-2004 e Corinthians-2005)

É fato também que quem ganha o campeonato costuma estar na liderança já em algum momento do primeiro turno, então nenhum dirigente é louco de demitir o técnico que está dando certo.

No caso de 2017, o Corinthians efetivou Fábio Carille e foi com ele até o fim. Outros dois clubes que não mandaram treinadores embora foram Grêmio e Cruzeiro. O primeiro, com Renato Gaúcho, mostrou bom futebol durante todo o ano, chegou à semifinal da Copa do Brasil e acabou ganhando a Libertadores. Já Mano Menezes só passou a ter vida tranquila no Cruzeiro depois do título da Copa do Brasil.

O Botafogo teve um grande ano com Jair Ventura, uma campanha heróica na Libertadores, foi à semi da Copa do Brasil e tinha tudo para acabar entre os cinco primeiros no Brasileiro. Mas despencou no último mês de jogos e acabou fora até da pré-Libertadores. Digamos que não deu tempo para demitirem Jair.

O Fluminense colocou nas mãos de Abel o projeto de lançar jovens. Não foi um bom campeonato, mas correu poucos riscos. Houve uma tragédia pessoal no meio do caminho que faria com que demitir o Abel se transformasse, também, em uma péssima ação de relações públicas.

E o Avaí, por fim, foi o único time “rebaixável” desde o início que apostou na estabilidade. Manteve Claudinei Oliveira do início ao final. Louvável. Mas não adiantou. E se o Avaí tivesse trocado de técnico? Teria se salvado? Teria caído algumas rodadas antes? Nunca saberemos.

Nós, que defendemos estabilidade e responsabilidade financeira, inclusive com regras mais rígidas para evitar a dança das cadeiras, estávamos torcendo pelo Avaí. Claro que seria o exemplo para provar o ponto. Não provou nada, admito.

De alguma forma, no entanto, a tristeza dos jogadores do Avaí, comprometidos com Claudinei, contrastou com uma aparente indiferença do Coritiba, o último rebaixado na última rodada.

Um Coritiba que no início do ano mandou embora Paulo César Carpegiani, que havia livrado o clube da queda no ano passado e foi demitido após a eliminação para o ASA na Copa do Brasil. O Coxa começou o Brasileiro com Pachequinho, trocou para Marcelo Oliveira e… não deu certo.

Como não deu certo para o Atlético-GO, que demitiu dois antes de efetivar João Paulo Sanches e ter aproveitamento melhor. Como não deu certo para o Flamengo, que com Zé Ricardo fez 29 pontos nos 19 jogos do turno (51% de aproveitamento). Sem ele, fez 24 pontos no returno (44% com Rueda). Como não deu certo para a Ponte Preta, que somou 28 pontos em 24 jogos com Gilson Kleina (39%) e apenas 11 em 13 jogos com Eduardo Baptista (28%).

Gilson Kleina e Zé Ricardo foram daquela para uma melhor, e acabaram levando Chapecoense e Vasco à classificação para a fase prévia da Libertadores.

Com Kleina, a Chape teve aproveitamento de 70% nas nove rodadas finais, não perdeu um jogo sequer e acabou como “campeã” do returno. Mas é bom lembrar que a Chape havia demitido no começo do campeonato Vágner Mancini, que depois ajudaria o Vitória a se salvar do rebaixamento.

O Vasco demitiu Milton Mendes com 25 pontos em 21 jogos, uma posição acima da zona de rebaixamento (39%). Com Zé Ricardo, teve 58% de aproveitamento e acabou em sétimo lugar.

Os casos de Chapecoense e Vasco são os casos claros de mudanças de técnico que deram certo. Isso ficou nítido também nos casos de São Paulo e Bahia.

Mas não está claro, por exemplo, se as mudanças realizadas em Palmeiras, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR fizeram os times melhorarem ou não. Será que o Palmeiras de Cuca, o Santos de Dorival, o Galo de Roger e o Atlético-PR de Baptista teriam acabado melhor ou pior do que acabaram? Impossível dizer.

Mesmo o caso do Sport é de puro palpite. Depois de assumir no lugar de Luxemburgo, Daniel Paulista empatou um e perdeu quatro dos cinco primeiros jogos. Mas ganhou os três finais, tendo a sorte de pegar Fluminense e Corinthians desinteressados nas rodadas derradeiras. O aproveitamento com Luxa era de 38%, com Daniel Paulista foi a 41%. Será que Luxemburgo não teria salvado o Sport?

Está claro que a estabilidade no comando técnico é necessária para times que estejam buscando o título. Mas e para as vagas na Libertadores? E para a fuga de rebaixamento? Não está nada claro. Dá certo para alguns, errado para outros.

 


Brasileiro, ato 35: jogos cruciais ofuscados pela festa corintiana
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Julio Gomes

O Corinthians tem, nesta quarta, o primeiro match point, para consumar o heptacampeonato nacional. Basta ganhar do Fluminense e será campeão com três rodadas de antecipação.

O jogo não é nenhuma barbada, até porque o Corinthians não ganhou fácil de ninguém ao longo do campeonato. O Fluminense, muito instável, é capaz de tudo e de nada e ainda não está totalmente livre da ameaça de rebaixamento. A festa que está sendo preparada em Itaquera ofusca jogos importantíssimos desta quarta-feira.

Ponte Preta e Avaí jogam a vida. Se não vencerem Atlético-PR e Cruzeiro, respectivamente, estarão virtualmente rebaixados para a segunda divisão.

O Grêmio mandará os titulares a campo para um teste final antes da Libertadores contra um São Paulo que ainda sonha estar na competição continental do ano que vem. Mesmo caso de Vasco e Atlético, que se enfrentam em São Januário.

Os olhos estarão voltados para Itaquera, mas muita coisa estará em jogo neste feriado em outros quatro campos do país.

Aqui vão informações, prognósticos e dicas de aposta dos jogos de quarta-feira:

17h Ponte Preta x Atlético-PR (Moisés Lucarelli)
Turno: 0-2 Ponte
Colocação: 18-Ponte (36), 12-CAP (45)
Prognóstico: 0-2 Atlético
Aposta: alguém passa em branco
A vitória sobre o Botafogo, fora, afastou de vez o Atlético-PR da luta contra o rebaixamento – e, como consequência, reacendeu esperança de Libertadores. A Ponte também saiu relativamente feliz da última rodada, pois perder para o Coritiba teria sido o caos. Mas o campeonato vai chegando ao fim e, se não vencer os últimos dois jogos que fizer em casa (este contra o Atlético e na penúltima rodada, contra o Vitória, a Ponte fatalmente cairá). O time só tem três gol marcados nos últimos seis jogos e ganhou duas de dez partidas com Eduardo Baptista. O técnico vai repetir o time, novamente sem Sheik e agora com Cajá no banco. Curiosamente, um duelo com pouquíssimos empates até hoje – só 2 nos últimos 23 confrontos. O jogo do primeiro turno marcou a única vitória da Ponte fora de Campinas neste campeonato.

19h30 Cruzeiro x Avaí (Mineirão)
Turno: Avaí 1-0
Colocação: 5-Cruzeiro (54), 19-Avaí (35)
Prognóstico: Cruzeiro 1-0
Aposta: alguém passa em branco
O Avaí enfrenta três dos cinco primeiros colocados nas últimas quatro rodadas e, apesar do belo esforço da diretoria e de ter mantido o técnico durante o campeonato todo, parece condenado. O time que menos fez gols no campeonato precisa vencer praticamente todos os jogos restantes para se salvar, começando pelo Cruzeiro, a quem venceu pela primeira vez na história no jogo do turno. O Cruzeiro, que vendeu Diogo Barbosa ao Palmeiras e tem quatro mudanças em relação ao time que venceu o Flu, é o líder do returno.

19h30 Grêmio x São Paulo (Arena)
Turno: 1-1
Colocação: 2-Grêmio (58), 11-SPFC (45)
Prognóstico: Grêmio 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
É o último jogo do Grêmio com o time titular, um teste final a uma semana da primeira partida decisiva da Libertadores, contra o Lanús. O São Paulo vai de Araruna na lateral e Maicosuel no meio – Cueva segue com o Peru e, sem o meia, o São Paulo só empatou os últimos dois jogos. Apesar da grande arrancada no segundo turno e sonhar com boa posição, para quem sabe beliscar uma Libertadores, o tricolor paulista segue sendo o segundo pior visitante do campeonato.

21h45 Vasco x Atlético-MG (São Januário)
Turno: 1-2 Vasco
Colocação: 8-Vasco (49), 10-CAM (46)
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir
Historicamente, um duelo em que mandantes costumam vencer – mas não foi o que aconteceu no turno. Este é um jogo de prognóstico complicadíssimo, qualquer coisa pode acontecer. Os jogos do Vasco costumam ter poucos gols, mas o do Galo, pelo contrário. O Vasco não perde com Zé Ricardo (os dez jogos são a maior invencibilidade vigente no campeonato), mas vem empatando muito (quatro das últimas cinco). O time tem muitos desfalques, mas conta com os retornos de Breno e Wellington. O jovem Evander será titular. O Galo, ótimo visitante, tem os retornos de Leonardo Silva, Marcos Rocha, Adilson e Fred – Luan é desfalque.

21h45 Corinthians x Fluminense (Itaquera)
Turno: 0-1 Corinthians
Colocação: 1-SCCP (68), 14-Flu (43)
Prognóstico: 0-0
Aposta: menos de 2,5 gols
É o jogo do título e a torcida prepara uma grande festa em Itaquera. Só falta combinar com o Fluminense, que ainda precisa de alguns pontinhos para se livrar do rebaixamento – depois deste jogo, o Flu recebe os ameaçados Ponte e Sport em casa, ou seja, situação está sob controle, mas não pode bobear, pois serão duelos diretos. O time de Abelão não terá Marlon e Renato Chaves, mas voltam Sornoza e Henrique Dourado. O Corinthians não terá Cássio e Balbuena, que serão substituídos por Caíque e Pedro Henrique. Jô volta ao time – ele tem um gol a menos que Henrique Dourado na briga pela artilharia do campeonato (16 a 17).