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Arquivo : Tite

Tite acerta ao convocar David Luiz e Rodriguinho
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Está difícil achar uma bola fora de Tite. O técnico convocou nesta sexta a seleção para amistosos contra Argentina e Austrália, em junho. E a lista tem algumas justiças.

David Luiz ficou marcado pelos 7 a 1. E é justo que seja assim, que ele seja criticado por uma atuação desastrosa. Mas não gosto quando jogadores recebem um carimbo na testa e punição perpétua por uma má atuação.

A temporada de David Luiz foi enorme. Voltou para o Chelsea e foi importantíssimo na campanha do título, sendo um dos três zagueiros de Conte. Mostrou, mais uma vez, que pode jogar como zagueiro e que, apesar de ter alguns defeitos técnicos, pode compensá-los com elementos ofensivos que poucos zagueiros aportam a um time.

David Luiz pode ou não pode estar no grupo da Copa do Mundo. Há boas justificativas para qualquer que seja a decisão tomada por Tite. O que não dá é para riscá-lo da lista eternamente por causa do 7 a 1. Faz muito bem o técnico em chamá-lo, observá-lo, conhecê-lo.

Ele é um zagueiro especial. Muitas vezes a volúpia em campo lhe faz esquecer do básico da função. É um jogador que foi sendo lapidado durante o voo, não na base. Os técnicos que sabem trabalhar bem isso ganham uma ótima peça para seus times.

Diego Alves, goleiro do Valencia, deveria ser titular da seleção há muito tempo. Creio que seria o goleiro da Copa passada, não tivesse Marin demitindo Mano Menezes para se escorar na dupla Felipão/Parreira. O Brasil tem muitos bons goleiros, mas o nível apresentado por Diego Alves na Espanha, há muito tempo, é bastante alto.

Alex Sandro é titular da Juventus finalista da Champions. Outro que faz ótima temporada e é uma opção que precisa ser vista para a lateral esquerda. Assim como Jemerson, que foi muito bem no Monaco (campeão francês e semifinalista da Champions) e ganha uma chance.

Por fim, chegamos a Rodriguinho. Não acho que Rodriguinho vá chegar até a Copa do Mundo, o próprio Tite deu a entender que, se estivesse bem fisicamente, Diego é que seria convocado.

Mas é muito justo que seja chamado o melhor meia do futebol brasileiro em 2017. Repito. Em 2017.

Na atual temporada do futebol brasileiro, que ainda está muito no comecinho, nenhum outro jogador da posição foi mais determinante que Rodriguinho.

Não acho que seleção brasileira seja “momento”, como muitos dizem. Acho que seleção brasileira precisa ser uma base de atletas, muitos deles “à prova de momento”. Não dá para o cara jogar no fio da navalha o tempo todo, ele precisa ter confiança e saber que faz parte dos planos independente de viver uma fase ruim.

E uma ou duas vagas ficam reservadas para quem estiver bem, aí sim, naquele momento da competição. É importante testar Rodriguinho, observá-lo. Vai que o cara carrega o ótimo momento para o ano todo no Corinthians.

Claro que vamos lembrar de um nome aqui, outro ali. Faltou esse, faltou aquele. Não gosto muito de Fágner e Taison na lista, por exemplo. Mas essa é a graça de se falar de seleção.

Por enquanto, Tite segue só dando bolas dentro. Seu único erro é não querer ser presidente da combalida República!


Paulinho, as apostas e o recorde histórico de Tite
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Ser técnico da seleção brasileira é ser um pouco apostador. Fazer escolhas, acreditar que este ou aquele jogador vai dar a resposta necessária. Paulinho é uma aposta de Tite que vem rendendo altos dividendos. Neymar deixando de ser faz-tudo é outra. Alisson, uma aposta ainda a ser comprovada.

De aposta em aposta, acerto em acerto, Tite vai estabelecendo recordes e colocando o Brasil como maior favorito para a Copa do Mundo do ano que vem – lembrando que a Argentina está em viés de baixa, Alemanha e Espanha chegarão em transição à Rússia. No principais sites de apostas do mundo, só um título da Alemanha paga menos do que o título do Brasil. Pouco menos, já está quase a mesma coisa. Você nem imagina a capacidade que as casas de apostas têm de prever o futuro.

Cinco vitórias consecutivas era o máximo que havia sido conseguido por uma seleção nas eliminatórias sul-americanas de pontos corridos – uma competição de altíssimo equilíbrio e estádio complicados. A Argentina conseguiu duas vezes, o Equador, uma. Tite já conseguiu sete vitórias seguidas. Superou as seis seguidas de João Saldanha na campanha anterior à Copa de 70.

A goleada por 4 a 1 sobre o Uruguai, em Montevidéu, de virada, teve pouco de acaso. O Brasil dominou o primeiro tempo, não sentiu o gol sofrido logo no início, chegou naturalmente ao gol de empate e à virada. Suportou bem a pressão no segundo tempo, com compostura defensiva e sem abdicar da transição rápida para contra atacar.

A rotatividade alta da seleção não deveria ser regra, claro. A escolha de jogadores deveria ser mais constante e seguir certa coerência desde a base. Em tempos em que seleções se reúnem tão raramente e por tão pouco tempo, em tempos de futebol coletivo, em que individualidades contam menos, quanto mais os jogadores se conhecerem e o estilo for mantido, melhor.

Vivemos ao longo das décadas altíssima rotatitivade de treinadores. Cada um resolve jogar de um jeito, cada um tem seus jogadores prediletos ou de confiança, a imprensa pressiona por seus prediletos, e a cada mudança de comando o Brasil foi sofrendo revoluções. Nada a ver com a Alemanha, por exemplo, que mantém bases sólidas por anos e vai pontualmente acrescentando um jogador aqui, outro ali.

Tite foi o enésimo treinador a fazer a própria revolução. Algumas apostas eram óbvias, como trazer Marcelo de volta ao time ou dar espaço a Casemiro, voando no Real Madrid.

Outras, nem tão óbvias. Como dar a titularidade a um jovem Gabriel Jesus. Como bancar Alisson no gol. Ou resgatar Paulinho.

Nunca fui apaixonado pelo futebol de Paulinho. Ele teve um período fantástico no Corinthians com Tite. Mas sempre desconfiei de jogadores que aparecem tarde, não triunfam no futebol de altíssimo nível e vão parar em mercados como a China.

Talvez ele simplesmente não tenha a capacidade de se adaptar a um país como a Inglaterra, aprender idioma, superar competição. Mas, com confiança e espaço garantido, o cara seja um monstro.

Tite bancou um cara que ele conhecia e que se adaptava ao futebol de área a área que é jogado hoje em dia por meio-campistas. E Paulinho não só fez boas partidas até agora como foi o grande nome da virada no Centenário. Um golaço do meio da rua empatou o jogo, e um rebote típico de quem está bem colocado decretou a virada. Depois, veio a pintura de Neymar. E a cereja do bolo foi o quarto gol no finalzinho.

Hat trick de Paulinho. Um truque de tirar o chapéu, o de Tite.

Neymar funciona na seleção de forma parecida com a de Cristiano Ronaldo no Real Madrid e, claro, dele mesmo no Barcelona. Associa-se pela esquerda com Marcelo, tem liberdade para afunilar e tirar da cartola bons passes para os meias que infiltram. Quando consegue o um contra um ou a chance de finalizar – sua maior qualidade -, triunfa. É craque.

Não ter Neymar com a responsabilidade de resolver tudo o tempo todo é uma das grandes virtudes de Tite.

Ainda resta ver se a aposta em Alisson dará certo. Acho uma injustiça Diego Alves, do Valencia, não ser o titular da seleção há muitos anos. Mas quem sou eu para desconfiar das apostas de Tite!

Assim como não desconfio de apostadores. O título do Brasil no ano que vem está pagando entre 7 e 8 para 1. Está aí um bom investimento. Tão bom quanto os de Tite.


Seleção de Tite mostra diferença entre acelerar e contra atacar
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A seleção brasileira de Tite está em grande fase. Ganhou dois jogos difíceis na rodada passada e nesta quarta atropelou a Bolívia em Natal. Mais uma vitória sobre a Venezuela, terça, deixará o Brasil com um pé na Copa de 2018.

Foi um jogo quase perfeito do Brasil. Dominou, controlou a posse de bola, chegou aos gols e não deu chance alguma ao adversário: 5 a 0 na Bolívia. Não dá para pedir mais que isso.

O que é o jogo bonito, afinal? Hoje, jogo bonito é aliar dinamismo com verticalidade e gols. O que o Brasil fez.

Os anos da primeira era Dunga (nem vale a pena comentar a segunda) e mesmo o período curto com Felipão mostraram uma seleção brasileira apostando na velocidade. Na transição rapidíssima da defesa para o ataque para aproveitar a qualidade dos atacantes brasileiros partindo para cima dos defensores adversários com espaço para trabalhar.

Só que esta transição acontecia em contra ataques. O Brasil se acostumou a dar a bola para o adversário, se defender e, então, sair.

Com Tite, é diferente. Assim como fazem muitos times europeus, até mesmo os de Guardiola em determinados momentos e situações, o Brasil joga com a posse de bola. Com paciência. Troca passes como quem não quer nada e, então, quando encontra a situação, dá o bote.

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Muitas vezes essa situação é consequência da aplicação tática, da marcação dos meias e atacantes na saída de bola rival. Uma vez roubada a bola, aceleração total. Foi assim que saiu o primeiro gol. Neymar rouba a bola, tabela com Gabriel Jesus e marca o gol número 300 de sua carreira (impressionante).

O segundo gol é uma pintura. Giuliano e Daniel Alves tabelam pela direita, e Giuliano assiste Philippe Coutinho, que fez ótimo jogo e se consolida no time titular.

O terceiro e quarto gols decorrem de acelerações que permitem a Neymar dar assistências a Filipe Luís e Gabriel Jesus. E o quinto gol, com o jogo já morto no segundo tempo, sai de escanteio. Até na bola parada a coisa está funcionando.

Uma coisa é dar a bola ao adversário, abdicar do jogo e tentar contra atacar. Outra coisa é tomar conta do jogo e acelerar só em alguns momentos. Correr menos riscos, dominar o andamento, o destino da disputa.

O Brasil de Tite faz isso. É o melhor jeito de jogar, aliando as melhores características do futebol brasileiro. Gostar da bola. Gostar de correr para cima do adversário. Gostar de meter gols. Gostar de ganhar.


Com Thiago Silva, Tite corrige erro bizarro de Dunga
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juliogomes

A ausência de Thiago Silva da seleção brasileira foi ridícula. Infantil. Inacreditável. Convocando um dos melhores zagueiros do mundo, senão o melhor, Tite corrige um erro bizarro de Dunga.

A antipatia de Dunga por Marcelo era antiga, vinha desde a Olimpíada de Pequim, da primeira passagem. Era compreensível, até. Mas Thiago Silva estava fora da seleção por que mesmo? Um pênalti bobo cometido? Quem nunca… Porque chorou em um jogo de Copa do Mundo? Em casa, com essa pressão de leve que se faz aqui? Quem nunca…

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Não saberemos, porque nunca foi dada uma explicação plausível e transparente.

O Brasil tem bons zagueiros. Nenhum como Thiago Silva. Técnico, com grande senso de posicionamento, inteligente taticamente, líder. Simplesmente não dá para abrir mão.

Mais um gol de Tite. Esse até minha vó faria, como se diz por aí. Mas Dunga, não.


Brasil ganha jogo duríssimo e tranquilidade nas eliminatórias
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juliogomes

O Brasil sofreu para vencer a Colômbia, nesta quarta, em Manaus. Talvez até o empate fosse o resultado mais justo, pelo que fizeram os dois times. Regressão em relação ao jogo de Quito? Nada disso.

Nesta rodada específica, não haveria rival mais duro para o Brasil nas eliminatórias. A Colômbia é o time mais em forma do continente, mais do que uma Argentina sem Messi e com técnico novo, mais do que um Chile desencontrado.

Finalmente, vimos um Brasil x Colômbia de futebol, não de pancadaria. Foi um belíssimo jogo. Intenso, bem disputado e com chances. Os colombianos tiveram uma claríssima chance para virar o jogo, mas foi o Brasil quem matou.

O que mais gostei na seleção: troca de posições e infiltrações. Daniel Alves e Marcelo fazem parte da construção das jogadas, não ficam presos às laterais e, quando afunilam, são outros que ocupam as pontas para espalhar o campo. Com a proteção de Casemiro, Paulinho e Renato Augusto conseguem avançar e receberam passes importantes de Neymar e William. Bobearam em finalizações que poderiam ter sido limpas.

Talvez outros meias conseguissem participar melhor do que Paulinho e Renato Augusto neste tipo de lance. Mas talvez não façam o mesmo trabalho de marcação e coberturas que estes dois. É uma equação para o técnico.

Philippe Coutinho entrou bem novamente. Mas, também novamente, se beneficiou por ter minutos com o time vencendo o jogo e o contra ataque à disposição.

O que não gostei: Gabriel Jesus não foi envolvido nessas jogadas, não conseguiu fazer as paredes ou receber o passe de gol.

Neymar não precisa mais ser o “faz tudo”, o que é ótimo. Porque ele não é um faz tudo. Não é um armador, um criador. Sua grande qualidade é finalizar, assim como fez no gol da vitória. Quanto mais à frente receber a bola, com menos marcadores, melhor. Seu grande defeito atualmente é cair demais, reclamar demais da arbitragem, se mostrar tão irritado com o mundo. Precisa acalmar e jogar mais alheio aos árbitros.

O que detestei: ver que o estádio não estava lotado, pois o ingresso médio custava 160 reais. Um escândalo. Se é culpa de quem quer que mande no estádio, a milionária CBF que subsidiasse ingressos mais baratos. É a desconexão total da corja com a realidade. A seleção não é da CBF, é do Brasil.

O fato é que, com 15 pontos e na vice-liderança, o Brasil ganha muita tranquilidade para se classificar para a Copa de 2018. Em outubro, fecha o turno contra a Bolívia em casa (dia 6, em Natal) e abre o returno na Venezuela (dia 11). São as seleções mais fracas do continente. Com duas vitórias, a seleção chegaria a 21 pontos.

Desde que as eliminatórias sul-americanas passaram a ser disputadas em pontos corridos, 28 pontos sempre foram suficientes para qualquer seleção ficar entre as quatro primeiras. Se fizer o dever de casa em outubro, faltariam sete pontos em oito jogos para atingir a marca. Ou seja, situação bastante controlada.

Tite começou com o pé direito, e a seleção brasileira sai das cordas.

O fato é que a rodada dupla de setembro foi praticamente perfeita. Além de ganhar os dois jogos (foi o único país a fazê-lo), ambos muito complicados, o Brasil viu a Argentina perder pontos contra a Venezuela, o Chile tropeçar em casa com a Bolívia.

O Chile, campeão das últimas duas Copas Américas, é quem está contra as cordas agora. Com 11 pontos, está em sétimo lugar e começa a ficar longe de Uruguai, Brasil e Argentina. Vai ter de disputar ponto a ponto contra a Colômbia, o Equador e o Paraguai. Situação difícil após a saída de Sampaoli. Se perder no Equador na próxima rodada, resultado que seria para lá de normal, o Chile se complica demais.

 


Um círculo virtuoso começa na seleção. Tomara que se espalhe
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juliogomes

O ideal seria que fosse de cima para baixo. Mas não há problema algum se for de baixo para cima.

O fato é que, vitória sobre o Equador à parte, está claro que um círculo virtuoso começa na seleção brasileira. O país entra no caminho certo em relação ao comando técnico da seleção. Agora falta espalhar para cima. Que o círculo vicioso de décadas e dirigentes nefastos seja quebrado.

Não é uma vitória qualquer a da estreia de Tite. Eram décadas sem ganhar em Quito – 33 anos. Desde que as eliminatórias sul-americanas passaram a ser disputadas em pontos corridos, o Equador tem uma campanha em casa, na altitude, que somente Brasil e Argentina conseguem repetir em seus jogos como locais.

Não é uma vitória circunstancial. Foi uma vitória construída por um time que jogou melhor que o outro, que se adaptou ao adversário durante a partida e jogou de forma coletiva. Quando o jogo coletivo funciona, o individual desponta. Digo sempre, mas nunca é mau repetir. Não se deve confiar no individualismo para resolver as partidas. O individualismo aparece, e é importantíssimo, quando a engrenagem funciona.

A engrenagem funcionou, com um meio de campo dinâmico, ótimas partidas de Paulinho e Renato Augusto e movimentação no ataque. Sobrou para Gabriel Jesus ser o rosto da vitória em Quito, com o pênalti sofrido e dois golaços. Um garoto de 19 anos! Ainda bem que essa geração é “ruim”, como dizem alguns. Imaginem se fosse boa.

O problema da seleção nunca foi falta de talento. Foi falta de percepção de que o futebol é outro. Mudou. Com Tite, afinal, estamos atualizados.

gabrieljesus


Tite é muito melhor que Dunga. Mas os problemas do Brasil são mais graves
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juliogomes

O Brasil sempre teve administrações nefastas e corruptas no futebol. E sempre ganhou. Portanto, não é a gestão que resolve as coisas. São os jogadores dentro de campo.

Esta não é uma mentira completa. Mas, tampouco, uma verdade.

A gestão do futebol brasileiro nunca teve o planejamento e o futuro como prioridades. Mas muitas vezes acertou no presente. Foi escolhido o melhor técnico para o momento, o melhor plano de viagens, o melhor local para treinar, foi estabelecida uma relação aceitável com a imprensa, foram convocados os jogadores ideais.

Os anos Ricardo Teixeira mostram bem isso. Quer queira quer não, havia uma certa estabilidade para a comissão técnica. Havia bons jogadores. Resultados apareceram.

Quem resume o futebol a ganhar ou perder ajuda a perpetuar a cultura do “rouba, mas faz”. Que basicamente resume-se a um “fins justificam os meios”. Se é para ganhar, não importa como. Isso está, infelizmente, arraigado em nossa sociedade. E, claro, no futebol.

É neste cenário que dirigentes se perpetuam nos clubes, que políticos se perpetuam nos cargos. Ganhou? Ótimo. Gênio! É o presidente que levou o clube ao título brasileiro! Ao da Libertadores! Perdeu? Impeachment! Fora! Ladrão! Mercenários!

Poucos torcedores estão preocupados com a saúde financeira dos próprios clubes. Com os próximos 10 ou 20 anos. Querem ganhar. Aqui e agora. É só o que importa. Vivemos um imediatismo tosco.

As gestões da CBF, e a de Ricardo Teixeira é emblemática neste sentido, foram sendo constantemente salvas pelos resultados de campo. A seleção brasileira tornou-se um produto mundial e que dá muito dinheiro. E, como os resultados sempre vieram, com mais ou menos constância, mas sempre vieram, os olhos ficaram fechados para a corrupção, a roubalheira, os absurdos.

Tudo isso com a conivência dos torcedores. Mas com a cumplicidade de parte da imprensa, a tal imprensa oficial, sócia, que precisa da audiência, do dinheiro, das exclusivas, das vantagens. Ao longo de anos, fomos alimentando a cultura de resultados. Do “o que importa é ganhar”.

Tudo isso sem pensar no futuro e sem olhar para além mar.

E como explicar vitórias? Com heróis, oras. E derrotas? Com vilões.

Para que analisar a fundo uma seleção, um sistema de gestão, o futebol brasileiro, se podemos resumir o título de 94 a Romário, o fracasso de 98 a Ronaldo, o sucesso de 2002 ao mesmo, o fracasso de 2006 ao meião de Roberto Carlos, o de 2010 à loucura de Felipe Melo? É e sempre foi mais fácil individualizar tudo, rotular santos e demônios.

O problema do futebol brasileiro é e não é a tal “geração atual” ao mesmo tempo.

O problema é este se olharmos para o futebol como sempre olhamos. Para algo individual, não coletivo. Realmente, não há craques como antigamente. Vai ser difícil achar que este grupo atual de jogadores salvará a pele dos dirigentes, como outros o fizeram.

Mas o problema NÃO é este se olharmos a coisa de forma mais ampla.

Será que os brasileiros que são ruins? Ou os outros países que nos alcançaram tecnicamente? Porque vejam, é bizarro achar que jogadores de futebol brotam das maternidades. Há todo um contexto que desemboca, 18 ou 19 anos depois, em um baita jogador de futebol. Contexto social e também de treinamento, aprendizado, vivência.

Apontar o dedo para a “geração atual” pode levar a um nefasto próximo passo: esperar sentado pela próxima geração. E ficar na torcida. Será esta a solução?

O fato é que as recentes administrações corruptas e incompetentes da CBF colheram os frutos de quando o Brasil ainda era, de fato, o país do futebol. Mas não plantaram absolutamente nada para as gerações futuras. Arruinaram o futebol interno, com a cumplicidade dos clubes, federações locais, TVs e até governos.

E, enquanto o futebol mudava no mundo todo, nada acontecia aqui. O Brasil ficou parado no tempo. E o nosso atual momento é reflexo direto da falta de planejamento e visão dos que mandavam 10, 20 anos atrás.

Enquanto comemorávamos sermos “os melhores” após o penta de 2002, a Alemanha, finalista da mesma Copa, já mudava radicalmente todo seu sistema interno (base, primeira e segunda divisões, conceitos de jogo).

Colheram os frutos com o tetra no Maracanã, em 2014. Mas não é isso que “prova” que eles seguiram o caminho certo. É isso também. Mas é, além disso, uma liga cada vez melhor e mais forte, clubes saudáveis, futebol como parte importante da economia nacional e até de integração e tolerância, em um país cheio de imigrantes de vários locais.

O sucesso do futebol alemão não está no troféu levantado no Rio. Está no fato de filhos de turcos, poloneses, negros, brancos, mulatos estarem defendendo as cores do país. E esta não ser uma questão. Ser parte da seleção, como é da sociedade. E isso deve-se a um imenso trabalho iniciado 16 anos atrás, envolvendo clubes, comunidades, prefeituras.

A CBF nunca fez NADA para que a sociedade brasileira se beneficiasse das décadas de sucesso da seleção. E vice-versa. A CBF é uma chupim da pobreza social, da ignorância. E a sociedade como um todo conforma-se em se achar muito bom em algo, já que somos tão ruins em tanta coisa. Uma relação que não traz riqueza alguma.

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Tite é o melhor treinador do Brasil faz tempo. Deveria ter sido colocado lá pelo manda-chuva (que não pode sair do Brasil para não ser preso) há dois anos.

Tite faria um belíssimo serviço à nação se viesse a público dizer que não pode trabalhar com canalhas. Mas enfim, talvez seja um pouco demais pedir isso.

A presença dele é, sem dúvida, um upgrade em relação a Dunga. Tite é um cidadão que prioriza o futebol coletivo, que tem conceitos avançados e ótimo trato com seres humanos. Que enxerga o futebol de modo moderno, não atrasado. Que com ele venham pessoas como Leonardo e Edu Gaspar é uma baita notícia boa.

Quem sabe os resultados da seleção principal mudem. O caminho, pelo menos, é o correto.

No entanto, que sigam no comando as mesmas cabeças brancas que deveriam estar atrás das grades. Que o futebol de base siga refém de empresários. Que os clubes sigam sendo comandados por gângsters, sonegadores, exploradores das riquezas históricas destas entidades. Que os treinadores sigam escorados em feitos e conceitos do passado. Que os torcedores sigam achando que ganhar, do jeito que for, basta. Que parte da imprensa siga tratando tudo de forma rasa e individualizada. Que os jogadores sigam gostando apenas de jogar futebol, sem conhecer verdadeiramente o esporte e sem ter a carreira atrelada a um processo educacional. Que os empresários sigam chupinhando clubes e mandando como mandam, mimando quem deveria ser educado.

Que siga, enfim, tudo errado…

Não é para animar muito.

Boa sorte a Tite, uma grande figura. Trocamos um tosco por uma grande pessoa. Já é um grande começo.

Mas este é apenas o topo da pirâmide. E a base dela está caindo de podre. O 7 a 1 e o vexame na Copa América Centenário deveria abrir os nossos olhos para a base da pirâmide. Abriram apenas para o topo. OK, é alguma coisa, se olharmos o copo meio cheio, em vez de meio vazio.

Mas seguimos aqui lutando para iluminar esta triste realidade.

 


Título do Corinthians é incontestável e vai pra conta de Tite
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juliogomes

Antes de começar o campeonato, por mais que se diga que haja equilíbrio no futebol brasileiro, etc, etc, etc, o Corinthians era o principal favorito ao título.

O bicampeão Cruzeiro se desfez do elenco. O Corinthians tinha um elenco fortíssimo e com ótimo técnico. Com continuidade.

Alguém poderia colocar um time ou outro na lista de candidatos. A minha só tinha um mesmo, o Corinthians.

No entanto, o Corinthians que eu e outros colocaram como favoritaço ao título lá em abril era outro. Com Guerrero no ataque, por exemplo. Sem a decepção de ter sido eliminado pelo Guaraní do Paraguai na Libertadores.

É verdade que, apesar das dívidas, etc, o Corinthians é um dos clubes brasileiros com situação financeira de dar inveja. Ganha muito da televisão e enche o estádio. Consequentemente, consegue segurar elenco. Apesar de atrasos salariais, é tanto dinheiro entrando que o funcionário não vive com aquele medo constante de calote. Sabe que uma hora a coisa se ajusta.

Mas muito mais do que a organização do clube, vai para a conta de Tite o título brasileiro 2015. O homem que apagou com incrível velocidade todo e qualquer pequeno foco de incêndio que apareceu ao longo do ano.

Que perdeu Guerrero, perdeu Luciano e bancou Vágner Love. Que convenceu Jádson, peça fundamental do título, a ficar. O que teria sido do Corinthians sem Jádson neste Brasileiro? Impossível prever.

Vai ser necessário compartilhar o prêmio de melhor jogador do campeonato entre ele e Renato Augusto. Modernos, ofensivos, defensivos, dinâmicos e complementares.

É verdade que no final do turno alguns erros de arbitragem deram folga ao Corinthians na tabela. Mas estes erros não podem ser colocados na conta do título. Eles foram, de fato, diluídos. E a pá de cal no tema foi o jogo deste domingo no Independência.

Um turno atrás, o Atlético veio a Itaquera e foi superior ao Corinthians. Perdeu sem merecer. 19 jogos depois, a coisa virou completamente. Hoje, não há debate algum sobre qual o melhor time.

O Atlético criou pouquíssimas chances de gol. Só ameaçou em laterais e escanteios levantados na área. O Corinthians controlou a partida, teve várias chances com Malcom até que, com o próprio, abriu o placar. E aí virou passeio.

Os 3 a 0 foram uma demonstração de força tremenda. O título deve ser sacramentado já na próxima rodada, com quatro de antecipação.

A vantagem técnica não é tão grande para os outros times. A vantagem tática existe perante a maioria, mas não é gigantesca. O que sim, é considerável, é a vantagem psicológica. É um grupo de profissionais pronto para lidar com vitórias e derrotas, com pressão, adversidade. Tudo, enfim. E isso tem muito a ver com o comando, ou seja, Tite.

O homem é, hoje, disparado o melhor treinador do Brasil. E, o Corinthians, o justo campeão.


Do jeito que vão as coisas, São Paulo pode acabar na frente do Corinthians
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juliogomes

Quem me acompanha em minhas tribunas eletrônicas, sabe o que eu penso de São Paulo e Corinthians, antes e durante o campeonato.

1) São Paulo disputa G-4 (portanto, obviamente não cai). E 2) Corinthians é time campeão.

Claramente, errei em minhas previsões. O São Paulo não vai disputar G-4. E o Corinthians não vai ser campeão. Em tom de brincadeira, mas mostrando o que realmente penso, disse várias vezes que cortaria um dedo se o São Paulo fosse rebaixado. Brincadeira, porque lógico que não vou cortar dedo algum. Sério, porque sempre me pareceu muito oportunista considerar o São Paulo REALMENTE ameaçado de rebaixamento.

No momento em que um time está lá embaixo, ele corre risco. Mas, somando 2 + 2, é fácil perceber que o elenco são-paulino não é de time rebaixado.

“Ah, mas tantos outros grandes já caíram…”, dizem alguns. Todos esses grandes que caíram tinham elencos de nível de rebaixamento. Não tinham nada a ver com o São Paulo desse ano. O torcedor tem direito de sacanear o outro, isso é o que move o futebol. Quem entende de futebol, no entanto, não tem caneta e microfone em mãos para sacanear ninguém.

O que aconteceria com Ney Franco até o final do campeonato? O que aconteceria com Paulo Autuori? Nunca saberemos, não passará de especulação. Cada um é livre para falar o que quiser, seja porque realmente acha, seja por casuísmo, para comprovar uma tese ou ganhar uma aposta. Na minha opinião, de maneiras diferentes eles chegariam ao mesmo lugar: fora do G-4, fora do Z-4.

O São Paulo não tem um problema de time. O clube vive um momento político conturbado, rachas entre pessoas importantes, de goleiro a diretor, e tudo isso junto acabou gerando maus resultados dentro de campo. Maus resultados que acabaram tirando o time de onde ele deveria estar, brigando lá no topo. E o jogou para onde não tem como estar, lá na rabeira. Jogar futebol contra parede acaba fazendo com que jogadores atuem de forma mais ineficiente, algumas bolas não entrem, algumas vitórias virem empates, alguns empates virem derrotas. Chamamos de “zica”. Possivelmente, seja o resultado da tensão. Não é o mesmo bater um pênalti quando você está em primeiro do que quando está em penúltimo.

Mas, ao longo dos meses, essas coisas vão se ajustando. Parece que já se ajustaram. Com Autuori, creio, o São Paulo teria vencido Ponte Preta e Vasco. Foi com Muricy. Então, além dos pontos, isso cria um fato novo, o fator Muricy ganha peso e o treinador, pelo histórico que tem, vira uma barreira humana que separa o time dos problemas do clube. Consegue trabalhar sem encheção.

A tendência é o São Paulo fazer um segundo turno com número de pontos próximo ou dentro de G-4, possivelmente acima de 30 pontos. Isso será insuficiente, creio, para o time estar, de fato, no G-4 ao final do campeonato. Mas fará com que, em dezembro, muitos deem risada do papo de rebaixamento. Alguns, risadas de alegria, porque torcem pelo clube. Outros, como eu, risadas de satisfação por saber que o futebol tem lógica e não é tão maluco assim. Outras, risadas amarelas de quem errou feio ou, o pior, enganou o próprio público “cravando” que o São Paulo cairia ou tinha enormes chances de fazê-lo.

O título deste post é uma provocação. Mas, amigos, pensem bem. Não são nada 6 pontos em 17 rodadas. 6 pontos em 51 possíveis, pouco mais de 10%.

O São Paulo, hoje, tem 24 pontos. O Corinthians estacionou nos 30. Em uma semana, empatou com o Náutico e perdeu do Goiás em casa. Enquanto um sobe de rendimento, o outro desce. A Fiel já não comparece como antes. Vaia o time. O técnico já abandonou a luta pelo título. O substituto de Paulinho se machucou, o meio de campo não cria volume. Que o São Paulo acabe o campeonato na frente do Corinthians… não seria absurdo algum.

O Corinthians tem problemas sérios. O primeiro, de pontaria. Não deu nenhum banho no Goiás no primeiro tempo, mas jogou melhor e poderia ter feito um gol em uma das chegadas com Pato e Romarinho. Um gol muda um jogo, como bem sabemos. Não fez. Acabou levando gols no segundo tempo e praticamente não reagiu a eles.

O segundo problema é de vontade, mesmo. Parece que a descarga de adrenalina foi tão grande com o 2012 histórico que 2013 será mesmo um ano de transição, de recarregamento de energia para 2014. A torcida cobra vontade, sobretudo. É o que faltou no ano todo. O terceiro problema é que alguns jogadores não dão mais conta, não atingem mais o nível que atingiram um dia. Os laterais saíram machucados contra o Goiás, é sintomático.

Pelo elenco do Corinthians, a forte defesa (sistema defensivo, sobretudo), a estabilidade política e estádio cheio todo jogo, acreditava mesmo que o título seria barbada. Estamos falando de um esporte feito por humanos, no entanto, não máquinas. Errei, não previ a preguiça alvinegra ao longo do ano. Analisei fria e matematicamente. O futebol, ainda bem, não é assim. Errei. “Só bate quem erra”, como diria o outro.

É mais fácil mandar técnico embora do que reformular elenco. O que o Corinthians precisa fazer não é mandar Tite embora, é reformular algumas coisas. De todas as maneiras, precisa pensar em tudo isso quando acabar a temporada atual. E se a solução for trocar Tite, que seja. Mas no final do campeonato, de cabeça fria e planejamento e metas em mãos.

Você aí, amigo leitor, acha que o São Paulo acaba na frente do Corinthians? Guardarei meu palpite para mais algumas rodadas…

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O trabalho duro de Tite. O trabalho duro de Autuori
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juliogomes

O abraço no final do jogo foi longo, em tempo e distância. Tite e Paulo Autuori se encontraram no meio de campo e caminharam abraçados por 20 metros, até a intermediária mais próxima do tobogã do Pacaembu. Se despediram, “boa sorte”, um deve ter dito ao outro. Gosto de ver dois dos mais poderosos clubes do Brasil nas mãos (pelo menos a parte de campo) de pessoas decentes, honradas e trabalhadoras.

Gente que entende que o futebol precisa de método, estudos, trabalho, que não funciona a base de gritos, “pega, pega, pega”, “vocês vão ganhar porque são melhores”, essas bravatas todas. Gente dedicada, que entende que existe vida futebolística fora das nossas fronteiras, que foi e que vai buscar conhecimento em outros lugares. E que agrega e acrescenta.

Trabalho duro não faltou a Tite e não faltará a Autuori. Existe um mundo entre Corinthians e São Paulo dentro de campo. E o abismo que separava o São Paulo dos outros fora dele já não existe mais, então “é correr atrás”, como bem disse Rogério Ceni.

O Corinthians, ao vivo e a cores no estádio, é ainda mais europeu do que na TV. Ontem, entendi perfeitamente por que Pato não é titular desse time. Por mais que tenha vivenciado e aprendido na Europa, falta a Pato aquela voltagem nas pernas, ganas de acompanhar o lateral adversário, conexão total com o jogo. Como é grande o fato de um treinador convencer jogadores com o perfil de Romarinho e Emerson a marcarem, participarem do trabalho sujo defensivo! É isso o que eles fazem – e bem.

Falta ao Corinthian ainda juntar mais as linhas. Adiantar os zagueiros, sufocar o adversário em um pedaço ainda menor de campo, deixá-lo em impedimento. O campo ainda é longo, também para o Corinthians, mas a pressão defensiva exercida pelos atacantes (ensinada pelo Barcelona de Guardiola) está lá. E fez com que o São Paulo não conseguisse trocar três passe na primeira meia hora de jogo.

É muito trabalho duro para fazer um time inteiro se comportar assim. Agora a missão de Tite, com o melhor elenco do Brasil, é fazer essa turma correr do mesmo jeito no Brasileirão. Se repetir a faca nos dentes que tinha ontem, que tinha no ano passado, o Corinthians chegará ao título sem grandes dificuldades.

Trabalho duro feito por Tite, trabalho duríssimo pela frente para Paulo Autuori. O São Paulo é um time despedaçado, sem confiança e sem esperança. O jogo coletivo não foi tão ruim ontem, mas, individualmente, está no fundo do poço. Venho dizendo desde antes de o Brasileiro começar que o São Paulo não tinha time para título, somente para disputar Libertadores. Apesar de ser um elenco caro e de nomes importantes, parece que a Libertadores vai virar um sonho distante. Esqueçam rebaixamento, essa é uma ideia absurda, dada a devastadora diferença financeira entre o São Paulo e nove, dez outros clubes da primeira divisão. Mas o melancólico meio de tabela vai se desenhando como um destino provável.

Ganso é uma caricatura. O talento nos pés é inversamente profissional ao dinamismo e participação coletiva no jogo. As linhas estão exageradamente espalhadas, e o sistema defensivo é um desastre. Conversei com Autuori após a partida e a palavra de ordem é “defesa, defesa, defesa”. A sangria de gols precisa parar. Haja trabalho pela frente!

Abaixo, alguns cliques deste fotógrafo mequetrefe no Pacaembu, com os respectivos comentários.

IMAGEM 1

Para fazer as fotos da Espanha na Copa das Confederações eu tinha até que dar zoom! Para o jogo de hoje, nada de zoom, senão os times não apareceriam completos na imagem. São linhas bastante espalhadas, campo longo longo longo, uma característica que precisa mudar aqui no Brasil. Atenção, técnicos! Na imagem 1, Rogério sai com a bola. Percebam as distâncias enormes entre os jogadores do São Paulo. Os atacantes corintianos marcam na frente e impedem a saída com zagueiros e laterais. Os meio-campistas são-paulinos estão lá longe. E Luis Fabiano e Osvaldo somem no meio da última linha defensiva corintiana.

 

IMAGEM 2

A imagem 2 mostra o desenho do meio de campo em losango formado por Autuori no primeiro tempo. Rodrigo Caio à frente da zaga, com Wellington mais à direita, Denilson à esquerda e Ganso (agachado) no vértice superior. No segundo tempo, entrou Aloisio, e o time ficou no 4-2-3-1, com dois homens abertos pelos lados. Defensivamente, em termos coletivos (não individuais), o São Paulo teve um pouquinho mais de solidez ontem – dedo de Autuori. Ainda assim, considero que os homens de frente ficam muito afastados dos trabalhos defensivos quando o time é atacado.

 

IMAGEM 3

Saída de bola do São Paulo? Lançamentos de Rogério. Esse foi para Wellington, vejam a bola viajando pela intermediária. Ele vai receber a bola já com um volante corintiano em seu encalço. Com os atacantes a suas costas e bem distantes, sem ninguém vindo de trás para se associar. Ganso, ninguém sabe ninguém viu. Jadson é uma peça chave para Autuori. Trabalho duro, trabalho duro…

 

IMAGEM 4

Perdoem a falta de foco, prometo melhorar. Mas essa foto é a mais legal de todos, é colírio para os olhos. A tal pressão exercida pelo Corinthians no campo de ataque, o grande diferencial desse time e o resultado de anos de trabalho duro, tático e psicológico, de Tite. Emerson força para cima do lateral, Guerrero fecha o zagueiro, Romarinho faz o mesmo do outro lado. Danilo, Fábio Santos (à esquerda) e Guilherme (mais no alto da imagem) adiantam metros no campo para sufocar a saída de bola rival.

Alguns times esboçam algo parecido aqui e ali, o próprio Flamengo deu sinais contra o Vasco. Mas nenhum faz isso de forma sistemática e automatizada, como o Corinthians. Não dura o jogo todo, é verdade. Mas dura o suficiente para incomodar, e muito, os adversários.


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