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Sem Neymar, Brasil foi mais coletivo e equilibrado

Julio Gomes

07/07/2019 18h57

Ninguém poderá me acusar de engenharia de obra pronta, pois venho falando o mesmo desde antes de a Copa América começar.

A Copa estava fácil para o Brasil e não era necessário Neymar para ganhá-la. Não era e não foi.

Tite não deveria ter convocado Neymar para esta competição, era uma chance de ouro de passar uma lição para seu melhor e mais mimado atleta. Além de ser uma chance também de conectar mais time e torcida, já que a rejeição a Neymar só aumenta no país. Após o soco dado no rosto de um torcedor na final da Copa da França, seria bastante compreensível e aceitável não convocá-lo.

Tite não fez isso, passou a mão na cabeça – de novo. Mas ganhou de presente a lesão que deixou Neymar fora da Copa.

E soube trabalhar bem com o que tinha. O Brasil foi um time mais coletivo e equilibrado na competição. Se na Copa do Mundo tudo acontecia pelo lado esquerdo, com Neymar e Marcelo, na Copa América o time dividiu melhor suas ações.

Após as entradas de Everton e Gabriel Jesus no time, o Brasil passou a esticar mais o campo. Pela esquerda, Everton foi destaque, combinou bem com Alex Sandro e com Coutinho. Pela direita, Gabriel Jesus e Daniel Alves, com apoio de Arthur, transformaram-se nos dois grandes nomes da seleção.

Daniel Alves é o maior campeão da história, um jogador subvalorizado por muitos aqui. É um monstro e foi o melhor jogador da competição.

O melhor de Neymar sempre vimos quando ele jogou pelo lado esquerdo, com chances de mano a mano e perto do gol. Mas alguém resolveu (ele mesmo?) que ele deveria virar meio-campista. E, no meio, Neymar sofre mais faltas, tem mais marcação e manipula mais as atenções.

Sem Neymar, o time pôde ficar mais bem desenhado, e Coutinho teve o espaço que precisava para jogar pelo meio. Coutinho e Arthur se encontraram sem o "trânsito" gerado pela presença de Neymar.

Com ele, teria sido campeão? Possivelmente sim.

Ele vai voltar e tem que voltar. Mas espero que a Copa América sirva de lição tática para Tite, já que sabemos que não servirá como lição disciplinar. O melhor Neymar é aquele que joga pela esquerda, pelo time, sem virar "dono da bola" e centro das atenções.

O time sai coletivamente fortalecido da competição. E com a certeza de haver vida sem ele.

 

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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