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Milagres de De Gea mostram: é a hora do United
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Julio Gomes

Desde que Mourinho levou um pé no traseiro e Solskjaer, ídolo histórico, assumiu o Manchester United, o time só ganhou. São seis de seis, feito inédito para um treinador estreante no clube.

Hoje, era a prova de fogo. O primeiro jogo grande com o norueguês no banco, clássico contra o Tottenham, em Londres. E o Manchester United ganhou mais uma, 1 a 0.

A atuação do goleiro espanhol De Gea é para entrar para a história. No segundo tempo, ele simplesmente fechou o gol, fazendo meia dúzia de defesas extraordinárias. Não foram defesas triviais, foram milagres à queima-roupa (no total, foram 11 paradas).

Depois de um primeiro tempo equilibrado, em que o United foi melhor no início e achou o gol já no finalzinho, o segundo tempo foi de um time só. O Tottenham dominou completamente a partida e foi acumulando chances de gol, parando sempre em De Gea. Mais um jogo fantástico da Premier, com muito ritmo e de prender o fôlego.

O United, de time carrancudo, chato de ver, de mal com a vida sob Mourinho, virou aquele time estrelado, quando tudo dá certo. O jogo deste domingo é o exemplo perfeito.

E ninguém quer enfrentar times iluminados, certo? Impossível não pensar no duelo entre Paris Saint-Germain e Manchester United, pelas oitavas da Champions, em fevereiro.

Na Premier, o United já alcançou a pontuação do Arsenal e está a seis do Chelsea, a sete do Tottenham. Difícil imaginar que não invada o G4 logo logo. Brigar pelo título é impossível, devido à distância para o Liverpool. Mas, no mata-mata… de repente, o gigante adormecido acordou.


Mourinho não merece mais pegar superpotência europeia
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Julio Gomes

José Mourinho foi mandado embora do Manchester United. Era o clube de seus sonhos, por ser um clube que mostrou, ao longo da história, ser capaz de dar tempo (e que tempo!) aos poucos treinadores que ocuparam o cargo.

Entre 1932 e 2013, portanto um período de 81 anos, só 11 homens ocuparam o cargo. Tem time brasileiro que tem 11 técnicos em dois ou três anos.

A era pós-Alex Ferguson seria necessariamente tumultuada, difícil. Moyes e Van Gaal que o digam. Mas Mourinho assumiu o United já três anos após a saída de Ferguson e com um orçamento gigante. Nestes dois anos e meio no cargo, apontou o dedo para o clube e como a estrutura havia ficado ultrapassada.

Não duvido. Mas esse é justamente um dos problemas de Mourinho: tratar os problemas em público, em vez de “ganhar” seus pares, chefes e subordinados invisíveis dentro das instituições.

O cara é um monstro dos nossos tempos. Ganhou Champions League com o Porto e com a Inter de Milão, o que não é pouca coisa e nenhum outro técnico conseguiu no futebol globalizado e multimilionário (ganhar sem ter uma superpotência em mãos). Por onde passou, seja Chelsea, Inter ou Real Madrid, foi o grande rival do melhor Barcelona da história (talvez melhor time da história), conseguindo até o feito de ganhar uma Liga doméstica contra aquele time de Guardiola, Messi, Xavi, Iniesta e cia.

Mas Mourinho implodiu o clima no Real Madrid, brigando com meio mundo. A volta ao Chelsea e o período de United, com duas demissões, mostram que lá, como cá, tem gente que fica parada no tempo.

Mourinho não era o técnico retranqueiro em que se transformou justamente por ser a nêmesis do Barcelona. O que era uma necessidade virou uma marca. O futebol de hoje mudou, e Mourinho não soube se adaptar a ele.

Não é um caso muito diferente de Luxemburgo. Os tempos mudam, a motivação muda, as relações humanas mudam. Os caras foram monstros, mas se manter como monstro por 20 anos? Não é para qualquer um. Desaprenderam sobre futebol? Claro que não. Mas é necessário rever conceitos que, muitas vezes, são inegociáveis para a pessoa. É mais fácil, concordo, criticar daqui, por trás de um teclado – mas é nossa função.

Sempre fui um fã de Mourinho, de sua competitividade e capacidade de encontrar soluções. Foram poucos os jogadores, ao longo dos tempos, que fizeram críticas a seu trabalho. Mas foram muitos nos últimos poucos anos. Algo mudou.

É com tristeza que digo: perdemos um grande.

Quem vai contratar Mourinho?

Real? Barça? PSG? Juventus? Bayern? Algum top inglês? Esqueçam… Mourinho não terá mais chances em um gigante nesta era de superpotências. E nem merece.

Talvez seja a hora de começar a pensar em alguma seleção. Talvez seja a chance de se reinventar, saindo dos holofotes do dia a dia, e ainda fazer algo grande na carreira. Ou então vir a algum clube do Brasil, país que ele tanto gosta! Receberemos de braços abertos (e microfones fervendo).

 


Champions tem fases de grupos cada vez mais previsíveis
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Julio Gomes

OK, OK, temos um grupo que arregala os olhos de todo mundo! Barcelona, Tottenham, Internazionale e PSV Eindhoven.

Uau! Talvez, apenas TALVEZ, se a Inter realmente acertar uns bons jogos, esse grupo saia do trivial, que seriam as classificações de Barcelona e Tottenham. Sim, certamente iremos assistir atentamente aos duelos entre esses três. E fingir que o PSV pode ameaçar alguém, afinal, já foi time de Romário e Ronaldo um dia…

(suspiro)

A Champions não é mais a mesma. Pelo menos na fase de grupos. Na era das superpotências, a competição ficou extremamente previsível antes do mata-mata. A classe média da Europa está tão achatada quanto nossa classe média da vida real no Brasil.

Ela olha para cima, para os ricaços, achando que um dia pode ser um deles (ou voltar a ser). Mal percebe que, na realidade, está muito mais perto do grupo gigantesco de pobres, sem chance alguma na vida.

Benfica, Ajax, PSV… eles já ganharam a Europa um dia. Hoje, não ameaçam mais do que Hoffenheim, Brugge ou Viktoria Pilsen.

O grupo citado, com Barcelona, Tottenham, Inter e PSV, é o grupo B. Como já disse, surpreendente será se a Inter conseguir tirar Barça ou Tottenham – que é fortíssimo e no ano passado jogou o Real Madrid para o segundo lugar de seu grupo.

O grupo C é o outro que está sendo chamado de “da morte”, pois tem PSG, Liverpool, Napoli e o Estrela Vermelha, campeão de 1991 e que recebe os jogos no caldeirão de Belgrado, chamado por eles de “Marakana”.

Mas esse grupo é da morte só para o Napoli, mesmo.

No grupo A, difícil não imaginar que Atlético de Madrid e Borussia Dortmund deixem Monaco e Brugge para trás.

O D é o mais equilibrado, sem favoritos entre Lokomotiv Moscou, Porto, Schalke 04 e Galatasaray. Quaisquer dois podem passar – para dificilmente avançarem após as oitavas. É imprevisível porque não tem nenhum grande time, ou seja, tão imprevisível quanto desinteressante.

No grupo E, o Bayern passa com folgas, Benfica e Ajax fazem o outrora clássico pela “glória” de chegar às oitavas. Olharemos com carinho para os duelos clássicos entre Bayern e Benfica, Bayern e Ajax, relembraremos dias maravilhosos dos anos 60 e 70, apenas para tomarmos um choque de realidade com o placar final desses jogos.

No grupo F, o Manchester City passa com folgas e deixa para Lyon, Shakhtar e Hoffenheim a briga pelo segundo lugar. No grupo G, o Real Madrid não terá problemas contra Roma ou CSKA Moscou. Esses dois, City e Real, possivelmente estarão mesclando titulares e reservas nas rodadas finais, lá para novembro e dezembro.

E o grupo H é parecido com os grupos B e C. Tem cara de grupo da morte… do Valencia. Juventus e Manchester United estão léguas à frente em termos de time, orçamento, etc, e qualquer coisa que não seja a classificação dos dois será surpreendente.

A fase de grupos terá vários jogões. Juventus x Manchester United, PSG x Liverpool, Barcelona x Tottenham, Atlético x Dortmund… mas em regra essas partidas mais decidirão primeiro lugar dos grupos, o que nem é tão visto na Europa como a coisa mais relevante do mundo. A competitividade é baixa nesta fase do torneio. Sobram clássicos entre favoritos, mas que são jogos sem transcendência.

A que isso se deve? Fácil apontar o dedo para a Uefa e a decisão de colocar mais campeões nacionais (de países de futebol muito abaixo) na fase de grupos. Mas o buraco é mais profundo do que isso. Mesmo se estivessem aqui camisas mais conhecidas que foram ficando pelo caminho (Spartak Moscou, Fenerbahce, Celtic) ou que entrassem mais times médios dos grandes centros… que diferença faria? Nenhuma.

Fair play financeiro, teto de gastos e salários, grupos maiores… sei lá. Alguma solução a Uefa vai precisar dar. Ou os clubes. Competição esportiva precisa de organização, qualidade, tudo isso. Mas também de um pouco de imprevisibilidade.


Manchester City começa Inglês do jeito que acabou: arrasando
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Julio Gomes

Começou o Campeonato Inglês do jeito que se esperava. O Manchester United ganhou com sofrimento na sexta-feira, coisa que virou característica fundamental dos times de Mourinho nos últimos anos. O Chelsea começou ganhando e jogando bem, a vida com Maurizio Sarri será muito mais divertida para jogadores e torcedores do que era com Conte. O Liverpool, em busca de um título inédito (na era Premier League), contratou bem e começou com uma goleada contundente – a chave será encontrar equilíbrio e consistência semana após semana.

E o melhor ficou para o fim da rodada. O Manchester City foi a Londres e fez fáceis 2 a 0 sobre o Arsenal, de técnico novo (Unai Emery, ex-amiguinho dos brasileiros do PSG – contém ironia).

É estranho ver o Arsenal sem Arsene Wenger no banco após mais de duas décadas. Mas o time, em campo, foi igualzinho ao dos últimos anos. Pouca atitude competitiva em vários momentos da partida, derrota para um time melhor sem dar muita luta, sem ameaçar, sem conseguir trazer a torcida junto.

Mas ainda é cedo para criticar o Arsenal. Até porque do outro lado estava o time a ser batido, o melhor do último ano (apesar de ter ficado sem o título máximo, a Champions). O Manchester City dos 100 pontos começou a temporada atual fulminante, do mesmo jeito que acabou a outra.

Guardiola montou o City com uma linha de 4, usando Mendy pela lateral-esquerda. O francês, campeão do mundo, mesmo sem jogar, era para ser titular na temporada passada, mas sofreu grave lesão. Do lado direito do ataque, Mahrez, grande nome do Leicester daquele milagre. Ou seja, o timaço da temporada passada agora tem dois baita reforços.

Passou por cima do Arsenal sem dó e sem De Bruyne, David Silva, Gabriel Jesus, Sané…

É muita força, muito jogador bom, muitas opções e uma ideia muito clara de jogo, difícil de ser enfrentada pelos outros. O City joga com posse, controle, velocidade, se defende bem e com seriedade, é um time quase perfeito. Vamos ver como a temporada se desenrola. Haverá mais altos do que baixos, e a Champions é uma conta pendente de Guardiola nestes anos de Bayern e City.

Na Inglaterra, não sei se terá pro cheiro, não.


Mourinho e Manchester United foram covardes e mereceram a eliminação
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Julio Gomes

Eu colocava o Manchester United como um dos favoritos ao título europeu. Afinal, além de jogadores de muita qualidade, o clube tem um técnico que sabe como jogar a competição e sabe como amarrar duelos de mata-mata contra time melhores.

Eu errei.

O José Mourinho do United está virando um espectro do Mourinho de outros tempos. Não sou nem nunca fui um hater do português. Nunca concordei com os que falam que ele só sabia montar retrancas. Já vimos muitos times de Mourinho jogar muita bola. O Porto, os primeiros anos de Chelsea, o Real Madrid. Como virou o anti-Barça, sendo o único capaz de desafiar o clube catalão em seu auge, criou-se a imagem de retranqueiro.

Mas, hoje em dia, está difícil defender. Lá se vai a segunda temporada dele no United, sem que o time em nenhum momento jogasse futebol de qualidade. É um time compacto, seguro atrás, como sempre, mas extremamente limitado na frente.

Com jogadores como Pogba, Mata, Lukaku, Alexis Sánchez, etc, etc, era preciso fazer mais. Jogar mais. Vencer ou não é do futebol. Mas o jogo do United de Mourinho é pobre e covarde, se comparado aos outros gigantes da Europa.

O United já havia sido covarde em Sevilha. Atenção, não estamos falando de um grande Sevilla, como em anos recentes. É um time instável, que não irá se classificar para a próxima Champions League – está em quinto na Espanha, muito longe dos quatro primeiros.

Com os jogadores que tem, o Manchester deveria ter ido a Sevilha para encaminhar a eliminatória. Se não desse, paciência, haveria a volta em casa. Mas não, Mourinho foi à Espanha buscar um 0 a 0. Conseguiu. Um objetivo tosco demais, pequeno demais.

Mas na volta, em Manchester, nesta terça, nunca vimos o time da casa pressionar, tomar conta do jogo. O United seguiu especulando, com medo, jogando de forma covarde. Até que, enfim, em uma espetada, saiu o gol do Sevilla. E a eliminatória ficou praticamente impossível para o United.

Nos 15 minutos finais, o time jogou com o volume que deveria ter imposto desde o minuto inicial da eliminatória. Mas aí a vaca já havia ido para o brejo.

Classificação justa do Sevilla, eliminação para lá de justa do United. O Sevilla chega às quartas de final na Europa pela primeira vez em 60 anos. Perdeu recentemente chances de ouro contra Fenerbahce, CSKA e Leicester. Acabou passando quando menos se esperava.

Está difícil te defender, Mourinho!


Willian abre caminhos no Chelsea e pede passagem na seleção
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Julio Gomes

É ano de Copa do Mundo, a competição vai se aproximando e logo logo começarão as discussões acaloradas sobre quem deve jogar, quem deve estar no time, quem deve ser convocado (ou não). Depois de mais um grande jogo neste sábado, Willian é o nome da vez.

Nas redes sociais, na conversa de bar e nas mesas redondas bombam os pedidos para Tite dar um jeito de colocá-lo no time titular.

Cada mês será uma história até chegarmos a junho, quando a seleção brasileira fará a estreia. Em março, teremos a última data Fifa para amistosos entre seleções, em abril e maio, a reta final da Champions e ligas europeias, além do início do Brasileirão.

Dezembro foi o mês de Paulinho, brilhando no clássico contra o Real Madrid e mostrando estar à altura do Barcelona e da titularidade na seleção. Janeiro foi o mês de Firmino, fazendo um golaço no jogo em que o Liverpool derrubou a invencibilidade do Manchester City e entrando, de vez, na lista de Tite e mesmo das pessoas que não lhe conheciam e cornetavam o treinador por convocá-lo.

Fevereiro foi o mês de Willian.

Depois do grande jogo contra o Barcelona, no meio de semana, pela Liga dos Campeões, com duas bolas na trave e um belo gol marcado, Willian manteve o ritmo no clássico contra o Manchester United, neste domingo, pelo Campeonato Inglês.

No gol do Chelsea, puxou o contra ataque, encontrou Hazard, recebeu de volta e meteu um golaço. Fora isso, participou do jogo o tempo todo, mostrando mobilidade, obediência tática e coragem para encarar os marcadores. Foi o melhor do Chelsea.

O time acabou sofrendo a virada do United e perdendo em Manchester, graças a Lukaku, ao ótimo segundo tempo de Pogba e à postura, como sempre, defensiva demais de Conte. Nos 15 minutos finais, quando o Chelsea partiu em busca do empate, Conte tirou Hazard para a entrada de Pedro. Willian virou meia e criou, por exemplo, a jogada que acabaria no empate de Morata – o bandeira marcou um impedimento equivocadamente no lance.

Depois de ter frequentado muito o banco de reservas na primeira metade da temporada, especialmente nos jogos mais importantes do Chelsea, Willian abriu passagem na marra, na bola. Não dava mais para Conte preterir Willian para escalar Pedro. O Chelsea é um time melhor com ele, simples assim.

É verdade que os resultados contra Barcelona e Manchester United não foram legais, mas o futebol não é uma coisa de um homem só.

Mas e aí? E na seleção brasileira?

Willian já está convocado para a Copa, é uma espécie de décimo segundo titular de Tite. Mas só jogam 11, vocês já sabem. Nas primeiras partidas de Tite na seleção, ele era titular, mas Philippe Coutinho ganhou a vaga jogando muito, com a amarela e com o Liverpool.

Quem sairia do time para entrar Willian? São três os cenários.

O mais simples seria voltar Willian ao time no lugar de Coutinho, até porque Coutinho joga naturalmente pela esquerda, faixa ocupada também por um certo Neymar. Willian, pela direita, seria um posicionamento mais natural.

Uma segunda opção, que parece ser a mais próxima de acontecer, seria sacar Renato Augusto do time. Willian entraria pela direita e Philippe Coutinho jogaria por dentro. Pela entrevista recente de Tite ao jornal O Globo, é assim que a seleção vai começar no amistoso contra a Rússia.

Mas esta opção deixa o time ofensivo demais, protegido de menos e talvez suprima a grande qualidade do jogo de Paulinho, que é a chegada à frente. Então, surge uma variável. Paulinho também sairia do time para a entrada de Fernandinho, que faria a dupla de contenção com Casemiro por trás da linha com Neymar-Coutinho-Willian.

Possivelmente não haja uma opção melhor que a outra. Tudo vai depender do adversário, do momento físico e emocional dos jogadores quando a Copa chegar e, claro, dos cenários que cada partida vai apresentar. Mas, se a estreia fosse semana que vem, seria difícil deixar Willian fora do time.

 


Mourinho perdeu de vez a vergonha de estacionar seus ônibus
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Julio Gomes

Após a inédita classificação de cinco times para as oitavas de final e as sonoras goleadas aplicadas por Manchester City e Liverpool fora de casa, semana passada, a moda foi falar da força dos ingleses na Liga dos Campeões da Europa.

Mas se é verdade que, além dos já citados acima, o Tottenham tem uma bela vantagem contra a Juventus (2 a 2 na ida em Turim), Chelsea e Manchester United saem dos jogos de ida das oitavas de final em situação não tão confortável.

E foram eles justamente os ingleses que enfrentaram nesta semana clubes da Espanha, o país líder do ranking da Uefa.

O Chelsea, na terça, ficou no 1 a 1 com o Barcelona, em casa. Vai ter de buscar o resultado no Camp Nou, na segunda semana de março. E o Manchester United, nesta quarta, foi completamente dominado pelo Sevilla e precisa levantar as mãos aos céus por ter saído da Andaluzia com um 0 a 0.

Foram 25 finalizações do Sevilla, 8 delas exigindo defesas de De Gea (uma delas, no final do primeiro tempo, simplesmente milagrosa). Pelos lados do United, apenas 6 finalizações, só uma a gol. Sim, Mourinho nunca teve e segue sem ter vergonha alguma de buscar resultados desta forma pragmática. O que não dá para entender é fazê-lo com um elenco como este do United.

Estacionar o ônibus em Sevilha, contra um time que nem está tão certinho assim, trocou de técnico recentemente… é muito pouco para um clube do tamanho do United.

Ainda assim, o 0 a 0 não garante nada. O Sevilla jogará por qualquer empate com gols na volta, em Manchester. E viajará com a certeza de poder encarar o United de igual para igual.

O Barcelona tem a vantagem de jogar em casa contra o Chelsea, ter mais time e poder se classificar com um 0 a 0. O Sevilla tem a vantagem de ir a Manchester jogando por dois resultados. Sem dúvida, os times de Conte e Mourinho são os ingleses em pior situação.

Desde o título do Chelsea, em 2012, os clubes ingleses nunca mais passaram perto de ganhar o título da Champions. Nas cinco temporadas desde então, a Espanha colocou sempre três times nas quartas de final e dois nas semifinais.

Nas últimas nove temporadas, foram três títulos do Real Madrid, três do Barcelona e os outros três foram divididos entre alemães, italianos e ingleses. No mesmo período, Sevilla e Atlético de Madrid ganharam, entre eles, cinco Europa Leagues. Esta década é da Espanha, sem a menor sombra de dúvidas.

Entre 2007 e 2009, a Inglaterra sempre colocou três times nas semifinais – e em dois destes torneios colocou quatro nas quartas de final. Com a força da Premier League e o dinheiro fluindo, a impressão era que a Europa voltaria a ser coisa de ingleses, como ocorrera no fim dos anos 70, começo dos 80.

Mas o domínio de mais ou menos dez anos atrás não se confirmou. E é simplista dizer que isso não ocorreu apenas por causa da força de Real e Barça. Duas explicações corriqueiras são o calendário inglês, mais extenuante que o espanhol, o alemão e o italiano, e a competitividade maior na Premier League, o que dá menos “folga” para os principais times.

Enfim. É fato que os clubes ingleses parecem mais fortes neste ano do que nos anteriores. Mas não é surpresa nem que haja uma final inglesa e nem que nenhum deles chegue às semifinais. Convém esperar.

 


Ingleses dominam mercado de inverno na Europa. Quem se deu melhor?
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Julio Gomes

O mercado de inverno europeu deu sequência à gastança que vimos no verão. Grandes negócios foram fechados, com volumes monstruosos de dinheiro, mesmo entre clubes médios e pequenos. O mercado foi especialmente interessante na Inglaterra.

Quem se deu bem? Quem se deu mal?

Espanha

O Real Madrid, apesar da crise, ficou quieto no mercado, não achou que fosse necessário se reforçar. É claro que o silêncio de Zidane no mercado será lembrado se o Real for eliminado pelo PSG e a temporada “acabar”.

O Barcelona, humilhado no verão, fez a maior contratação do inverno ao trazer Philippe Coutinho. Como o futebol é dinâmico! Chegou também Mina. Saíram Mascherano, Rafinha (Inter) e os pouco usados Arda Turan e Deulofeu.

O Atlético de Madri ganhou os já conhecidos reforços de Diego Costa e Vitolo, que já estavam contratados, mas só poderiam jogar a partir de janeiro. O clube só não esperava estar fora da Champions, da Copa do Rei e com chances remotas na Liga a essas alturas. O Valencia, que vive grande temporada, trouxe Vietto e Coquelin e deve se manter no G4 para voltar à Champions. O Sevilla levou Guilherme Arana.

Inglaterra

O Manchester United e o Arsenal parecem ser os grandes vencedores do mercado de inverno. A troca “seca” Alexis Sánchez-Mkhitaryan fez com que o United ganhasse um jogador diferenciado sem gastar, e além de tudo, o chileno pode jogar a Champions. O Arsenal não ficou de mãos abanando.

Saíram Giroud e Walcott, mas Wenger conseguiu renovar o contrato de Ozil e ainda trouxe Aubameyang, do Borussia Dortmund. Se o treinador conseguir encaixar no time Lacazette, Aubameyang, Ozil e Mkhitaryan, pode dar samba.

Liverpool e Manchester City investiram em zagueiros (Van Dijk e Laporte), um porque não parava de levar gols, o outro porque Guardiola percebeu que não pode contar com Mangala, Stones e Kompany. Como a defesa fica constantemente exposta, Pep foi buscar um zagueiro que é muito bom na leitura de jogadas e antecipações.

Mas nenhum dos dois conseguiu tirar Mahrez do Leicester. O Liverpool, que perdeu Coutinho, foi o derrotado do mercado, logicamente. O Chelsea mandou Batschuayi emprestado para o Dortmund e trouxe o lateral brasileiro Emerson, além de Giroud e Barkley – o que não deve mudar a formação titular de meio/ataque. O Tottenham trouxe Lucas Moura, um bom reforço para completar elenco.

Outros países

O PSG perdeu apenas Lucas e trouxe Lass Diarra (lembra dele?) para compor elenco em uma posição em que o titular, Thiago Motta, vive machucado.

O Borussia Dortmund conseguiu uma boa venda com Aubameyang, trouxe Batschuayi e investiu no zagueiro Akanji, do Basel. O Bayern de Munique foi outro gigante quieto no mercado, trouxe apenas o veterano Sandro Wagner para o ataque.

A Juventus, assim como o Real Madrid, não trouxe nem perdeu ninguém. A disputa com o Napoli pelo título italiano será travada com os mesmos protagonistas da atualidade.


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Explosão do mercado foi a grande notícia do futebol em 2017
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Julio Gomes

Quando o Paris Saint-Germain depositou os 222 milhões de euros por Neymar, pagando ao Barcelona a multa rescisória, muitos viram aquele movimento como uma aberração do mercado. Uma distorção que só poderia ocorrer porque o PSG é um clube que na prática, pertence a um país – o Catar.

Mas é importante notar que o último mercado do verão europeu teve muitas outras transferências que implodiram recordes e mostraram que o que existe mesmo é uma tendência. O próprio Barcelona usou o dinheiro para pagar 105 milhões por Dembélé, do Borussia Dortmund, de apenas 20 anos, e 40 a um clube da China para trazer Paulinho.

Tiveram os 85 milhões pagos pelo Manchester United por Lukaku. E tantos outros negócios com volumes enormes de dinheiro. Morata do Real para o Chelsea, o Manchester City gastando centenas de milhões para trazer goleiro e laterais, a injeção de dinheiro no Milan, etc. O próprio PSG já se comprometeu a pagar outros 180 milhões de euros no meio do ano que vem ao Monaco para ter Mbappé, que por enquanto chegou por empréstimo.

De acidente, não tem nada.

A explosão do mercado foi a grande notícia do futebol em 2017. Com todo respeito ao bi europeu do Real Madrid, ao Chelsea de Conte, ao Grêmio de Renato Gaúcho, ao Corinthians de Carille e até à eliminação da gigante Itália da próxima Copa do Mundo.

Nada, no planeta bola, foi mais relevante do que a onda de transferências gigantescas.

A economia reaquece em alguns lugares da Europa, os clubes ganham mais e mais dinheiro globalmente, não apenas localmente, e existe uma corrida insana sendo disputada. O tal Fair Play financeiro foi o grande derrotado do ano e não parece passar de mais do que conversinha para boi dormir.

É uma corrida que vai ampliando o abismo dentro da própria Europa entre alguns gigantes nacionais e outros clubes menores. O que dizer então do abismo entre os gigantes da Europa e os clubes da América do Sul? Esse extremo fortalecimento e as quantias exorbitantes deixam a Champions League cada vez mais espetacular. Mas geram degradação esportiva das ligas domésticas europeias.

Precisamos ver no que vai dar.

Mas o movimento de final de ano já nos mostra que a tendência é irreversível. Nesta semana mesmo, o Liverpool anunciou a contratação do zagueiro mais caro da história. Não, não é o Baresi nem o Gamarra nem o Maldini nem o Sergio Ramos. O Liverpool pagou 75 milhões de libras (330 milhões de reais) pelo holandês Virgil Van Dijk, de 26 anos, do Southampton.

Estaria o Liverpool já contanto com um dinheiro que receberá por Philippe Coutinho? Tudo bem que a defesa do Liverpool é uma peneira e tanto. Mas 75 milhões de libras?? Uau.

É possível que o Barça finalmente consiga contratar Coutinho em janeiro ou no meio do ano e é plausível imaginar que o valor supere o pago pelo PSG por Neymar, virando a maior venda da história.

Ainda tem o climão de Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Quanto algum clube do mundo poderia pagar por ele?

Em 2018, teremos Copa do Mundo. Teremos a Libertadores com maior número de campeões na história. Teremos PSG x Real Madrid logo de cara, nas oitavas de final da Champions. Veremos e falaremos de muito futebol.

Mas, se preparem. Grandes manchetes voltarão a ser abocanhadas pelo tresloucado mercado da bola.