Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Manchester United

Prévia do Inglês: a melhor Liga virou também a mais imprevisível
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A Premier League já vem há anos sendo considerada a mais forte do mundo entre as ligas domésticas. Especialmente pela quantidade de dinheiro envolvido e o fato de os times médios e pequenos não serem presas tão fáceis para os grandes, como na Espanha, França, Holanda, Portugal. Por ter melhores times do que os italianos. Por ter mais concorrência do que a Bundesliga. Não tem jogo fácil. E é difícil ter jogo ruim.

O que a Premier não tinha, no entanto, era esse “componente Brasileirão”. O campeonato começa com muitos favoritos – ou sem favorito, depende do ponto de vista. Há um altíssimo índice de imprevisibilidade. Nem disso mais o futebol brasileiro pode presumir.

Vamos puxar a comparação pelas casas de apostas e seus poderosos algoritmos. Vou usar dados do Bet365, o maior site de apostas do mundo. Eis o retorno para cada dólar apostado no campeão inglês:

Manchester City – 2,70/1
Manchester United e Chelsea – 4,50/1
Tottenham – 11/1
Arsenal e Liverpool – 13/1

Para efeitos de comparação. Na Alemanha, o título do Bayern paga apenas 1,14 para cada dólar apostado. O sexto favorito da lista é o Hoffenheim, que vai disputar uma vaga com o Liverpool na próxima Champions. O título do Hoffenheim paga 81 para 1 para quem acertar.

Na Espanha, título do Real Madrid ou do Barcelona dá retorno de 1,90 para 1. Do quinto ao oitavo “favoritos” (uma lista que tem os tradicionais Valencia e Athletic Bilbao), o retorno é de absurdos 301 para 1. O retorno é assim grande por uma simples razão: não vai acontecer.

Na Itália, o título da Juventus paga 1,66 para 1. O sexto favorito é a Lazio: 67 para 1. Na França, título do PSG dá retorno de 1,14, igual ao do Bayern na Alemanha. O sexto favorito, o Nice, paga 81 para 1.

Não é possível encontrar uma liga doméstica de alto nível com seis times tão nivelados como na Premier League. Entre os dois clubes de Manchester, Liverpool e os três grandes londrinos, qualquer um pode ser campeão e qualquer um pode acabar em quinto ou sexto, fora da zona de classificação da Champions. Nenhum resultado surpreende.

Este é um dos componentes que fazem do campeonato que começa nesta sexta-feira, com o jogo entre Arsenal e Leicester, uma competição imperdível.

Além do mais, estão nele alguns dos técnicos mais badalados do planeta: Guardiola, Mourinho, Klopp, Conte, Pocchetino, Wenger. E muitos dos craques que estarão na Copa do Mundo do ano que vem.

Vamos saber um pouquinho mais dos favoritos?

MANCHESTER CITY – O clube de Guardiola foi o que mais mudou e mais gastou: 240 milhões de euros (e a janela ainda não fechou). Comprou o goleiro Ederson, do Benfica e da seleção, tirou Bernardo Silva (meia português) e Mendy (lateral francês) do ótimo Monaco, e comprou outros dois laterais-direitos: Walker, do Tottenham, e Danilo, do Real Madrid (já que Daniel Alves deu para trás para jogar com Neymar). Nasri voltou do empréstimo ao Sevilla.

A lista de dispensas também foi grande: Ileanacho, Nolito, Kolarov, Zabaleta, Fernando, Jesus Navas, Clichy, Caballero…

Não haverá desculpas para Guardiola. Como virou moda, aparentemente o City também usará um sistema com três zagueiros, mas com laterais muito mais ofensivos que os da concorrência. Gabriel Jesus (7 gols em 10 jogos na temporada passada) e Aguero devem jogar juntos no ataque, sendo municiados com gente de muita qualidade (De Bruyne, Silva, Sané, etc). É natural que seja considerado favorito ao título, mas é preciso observar se Guardiola encontrará a química. Se o time vai encaixar, parar de dar gols em saídas de bola e entender, de fato, o seu treinador.

MANCHESTER UNITED – Convencionou-se dizer que o segundo ano de Mourinho é sempre o melhor. O primeiro, apesar do futebol pobre, trouxe os primeiros títulos ao clube pós-Ferguson. Europa League, Copa da Liga, Supercopa inglesa, vaga na Champions…

O atacante belga Lukaku, de só 24 anos, chegou por 85 milhões de euros (só Neymar foi mais caro) e é promessa de gols. O sérvio Matic, volante tirado do Chelsea, um concorrente direto, e o zagueiro sueco Lindelof, de 23 anos, do Benfica, também chegam para jogar. Foram-se Rooney e Ibrahimovic. O United não vai encantar, mas vai competir. Mourinho é Mourinho, não convém duvidar.

CHELSEA – O atual campeão também fez contratações caras e relevantes: Morata chegou do Real Madrid para o ataque, Bakayoko era titular do Monaco e o zagueiro alemão Rudiger veio da Roma. Mas, ao contrário dos times de Manchester, o Chelsea perdeu jogadores muito importantes: Matic e Diego Costa.

Falem o que quiserem do atacante brasileiro, mas ele é um jogador talhado para a Premier League. Foi muito importante para o título, era um desafogo, um criador de chances onde elas não existiam. O artilheiro do time. E sua dispensa, via whatsapp de Conte, foi tão amadora que custará caro aos cofres do clube. A base do Chelsea está mantida, mas é necessário ver se os substitutos que chegam corresponderão à altura dos que se foram. E nesse ano tem Champions para o Chelsea, nada de semanas e mais semanas inteiras para descansar e treinar.

TOTTENHAM – O vice-campeão foi o time com menos mudanças. Não chegou ninguém importante e saiu Walker (para o City) da base titular. Ou seja, o Tottenham, muito bem treinado por Pocchetino, vai novamente para as cabeças. Mas não melhorou. E tem um detalhe: devido à construção de seu novo estádio, irá jogar em Wembley. Não será o mesmo time invencível em casa que foi na temporada passada, em White Hart Lane. Isso pode atrapalhar muito o sonho por um título que não vem desde 1961. Ficar entre os quatro já será uma grande conquista.

LIVERPOOL – Philippe Coutinho fica ou sai? Passará pelo Hoffenheim e entrará na fase de grupos da Champions League? Estas duas perguntas condicionam toda a temporada do Liverpool. O time foi o que fez mais pontos nos confrontos diretos entre os seis favoritos na temporada passada, mas deixou um caminhão deles contra os pequenos.

A grande compra foi o ponta egípcio Salah, da Roma. Convenhamos, nenhum time passa de quarto a primeiro na Inglaterra por ter Salah. É fundamental para o Liverpool manter Coutinho e trazer algum nome relevante – como Keita, do Leipzig. Também fundamental será conter o grande número de erros defensivos visto no time de Klopp no último campeonato. Daí a tentativa de tirar o zagueiro holandês Van Dijk, de 26 anos, do Southampton.

ARSENAL – Arsène Wenger, o longevo, segue firme e forte, para alegria de alguns, desespero de muitos. O Arsenal trouxe o atacante francês Lacazette, do Lyon, por 53 milhões de euros, mas ainda pode perder Alexis Sanchez, assediado por City e PSG. Se o chileno não for vendido nesta janela, sairá de graça ao final da temporada. O Arsenal não disputará a Champions pela primeira vez em duas décadas, quem sabe assim Wenger conseguirá fazer o time ser mais consistente e brigar por algo mais do que o tradicional quarto lugar dos últimos tempos.

E o resto dos times?

Uma menção ao Everton, que pegou o dinheiro de Lukaku e investiu em alguns nomes como o goleiro Pickford, do Sunderland, o zagueiro Keane, do Burnley, o ótimo meia Klaassen, do Ajax, e o atacante Sandro, do Málaga, ex-Barça. Wayne Rooney também está de volta à casa e pode ajudar com sua experiência. O holandês Ronald Koeman segue no comando técnico.

Outro holandês conhecido, Frank de Boer, será o técnico do Crystal Palace. O Leicester, improvável campeão em 2016, efetivou Criag Shakespeare, que levantou o time após a dispensa de Ranieri. Tão procurados no verão passado, Mahrez e Vardy seguem por lá, e o clube gastou 27 milhões de euros para tirar o promissor atacante nigeriano Ileanacho, de 20 anos, do Manchester City.

O supertradicional Newcastle, que sempre gastou muito (e mal), bateu e voltou da segunda divisão. O técnico espanhol Rafael Benítez segue no cargo, e o clube fez algumas contratações modestas para não repetir o vexame.

Não ao cai-cai

A cultura na Inglaterra é a de que jogadores que simulam fazem mais mal ao jogo do que jogadores que quebram pernas alheias. E a Premier League decidiu ser mais dura com os simuladores.

Um grupo de especialistas (cada painel será formado por um ex-árbitro, um ex-técnico e um ex-jogador) irá rever as imagens da rodada a cada segunda-feira. Jogadores que tiverem simulado faltas na área ou fingido agressões serão automaticamente suspensos por duas partidas – caso haja unanimidade no painel. Caso ele tenha conseguido o pênalti ou a expulsão de um rival com sua simulação, a punição será ainda maior.

Supercopa da Inglaterra: 

6/8/17 Arsenal 1 x 1 Chelsea (Arsenal 4 a 1 nos pênaltis)

Maiores campeões ingleses: Manchester United (20), Liverpool (18)

Campeões nos 25 anos desde a fundação da Premier League: Manchester United (13), Chelsea (5), Arsenal (3), Manchester City (2), Leicester (1), Blackburn (1)

Previsões:

Título: Manchester City
Vice: Manchester United
Vagas na Champions: Chelsea e Tottenham
Artilheiro: Lukaku (United)
Melhor jogador: De Bruyne (City)
Na TV: ESPN tem exclusividade

Primeira rodada:

Sexta
15h45 Arsenal x Leicester

Sábado
8h30 Watford x Liverpool
11h Chelsea x Burnley
11h Everton x Stoke City
11h Crystal Palace x Huddersfield Town
11h Southampton x Swansea
11h West Bromwich x Bournemouth
13h30 Brighton x Manchester City

Domingo
9h30 Newcastle x Tottenham
12h Manchester United x West Ham

 


Real Madrid expõe fraquezas e longo caminho para o United
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O Manchester United pode até ser campeão europeu no ano que vem. No futebol, convém não duvidar de nada nem ninguém, especialmente quando estamos falando de gigantes. Um clube enorme, um técnico vencedor.

Mas, pelo que vimos na Supercopa da Europa, disputada nesta terça, na Macedônia, o caminho será longo.

O Real Madrid ganhou do United por 2 a 1, ficando com a taça. Gols de Casemiro e Isco, que começa a temporada do mesmo jeito que acabou a anterior: voando. Mas poderia ter goleado, tal foi o domínio na maior parte do jogo. E olha que o Real Madrid só teve Cristiano Ronaldo jogando os 10 minutos finais e o time não fez uma pré-temporada muito emocionante.

O fato é que o United pode lamentar um gol feito perdido por Rashford nos minutos finais. Seria o 2 a 2.

É uma característica dos times de Mourinho. Vender caro, se manter perto no placar, achar uns gols aqui e ali, ser competitivo. Mas, na atual fase do futebol europeu, mesmo do inglês, alguns atributos a mais são necessários.

Com o material humano que tem em mãos, Mourinho pode até atingir esse nível de evolução ao longo da temporada. Mas, pelo que vimos na pré-temporada e na Supercopa, o United não parece muito diferente daquele da temporada passada. Nenhum coração baterá mais forte.

Tem um goleiraço, mas uma defesa de poucas garantias. Do meio para frente, jogadores interessantes. Lukaku fará um caminhão de gols. Mas faltam jogadores que quebrem a defesa adversária.

Nas casas de apostas, o Manchester United é colocado na mesma prateleira do atual campeão Chelsea. Ambos, só menos favoritos do que o Manchester City, de Guardiola, mas à frente de Tottenham, Arsenal e Liverpool. Muitos esperam um particular duelo entre Mou e Pep pelo título. Será? Há mais dúvidas do que certezas.

Já o Real Madrid dispensa comentários. É um time para lá de pronto. Forte em todos os setores, com reservas à altura, Cristiano Ronaldo, bom ambiente, confiança. Não à toa, é o primeiro bicampeão na era Champions. Resta saber quem terá bala para evitar o tri.


Ederson estreia com o pé esquerdo no Manchester City
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Foi apenas o primeiro jogo. Mas não foi um jogo qualquer. O goleiro brasileiro Ederson, comprado por 40 milhões de euros (segundo mais caro da história), começou com o pé esquerdo no Manchester City.

Uma saída tresloucada do gol permitiu que Lukaku ganhasse pelo alto e fizesse o primeiro gol do Manchester United no dérbi de pré-temporada, disputado em Houston. O belga é, pelo menos por enquanto, o jogador mais caro da janela de transferências europeia – o United pagou 85 milhões de euros para tirar o goleador do Everton.

Ainda no primeiro tempo, Rashford fez 2 a 0, e o placar se manteve assim até o fim.

Ederson é uma aposta de Pep Guardiola. Já provou seu valor no Benfica e tem o tal jogo com os pés que agrada o treinador. Não é porque falhou no dérbi de pré-temporada que seja um fiasco, um fracasso, um erro.

Foi apenas um início infeliz.

E Ederson precisa saber, logicamente, que a lupa estará sobre ele o tempo todo. Nem tanto por causa dele. Mas por causa de Guardiola. Um treinador genial, um eterno revolucionário, mas que parece evoluir pouco em sua relação com o mercado.

Mourinho, por exemplo, é um gastão que acerta mais do que erra quando convence os proprietários de seus times a torrar uma grana por alguém.

Já Guardiola está ganhando cada vez mais a fama de gastar muito e mal. Por exemplo: foi anunciada a compra de Danilo, lateral-direito do Real Madrid, por 30 milhões de euros. Um valor surreal. Quem assistiu aos jogos de Danilo no Real entenderá. Não é que ele foi simplesmente relegado ao banco pelo ótimo Carvajal. É que ele foi mal quase sempre mesmo, nunca conquistou a confiança de Zidane. Difícil imaginar que o Real não vendesse Danilo por um valor bem inferior.

Então jogadores como Ederson acabarão pagando o pato sempre que falharem. Nada pessoal. A questão é avaliar o que faz Guardiola no mercado.

O amistoso para quase 70 mil pessoas em Houston teve um ritmo frenético no primeiro tempo, parecia jogo já de Premier League. Um grande jogo de futebol entre um United com cara de time titular e um City com muitas caras novas – como o ótimo Phil Foden, de apenas 17 anos (isso ninguém tira de Guardiola, o cara tem olhos de lince para pescar jogadores jovens).

O United tem um time pronto e ganhou Lukaku para matar bolas ali na frente. Olho muito aberto para o time de Mourinho nesta temporada.

 


José Mourinho, o homem que não perde finais
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José Mourinho disputou 14 finais importantes em jogo único em sua carreira. Ganhou 12. Se finais existem para ser vencidas, como disse o próprio Mourinho, o negócio é chamar o português. O aproveitamento dele chega agora a 85%.

Se considerarmos apenas finais europeias, Mourinho ganhou todas: quatro de quatro (Uefa com o Porto em 2003, Champions em 2004, Champions com a Inter em 2010). É o primeiro título internacional do clube após a era Alex Ferguson.

Com a vitória por 2 a 0 sobre o Ajax, em Estocolmo, o Manchester United conquista o título da Europa League. Um título inédito. E, assim, não apenas salva a temporada, com a classificação direta para a fase de grupos da próxima Liga dos Campeões. Dá para considerar uma temporada de sucesso, a do United.

Foi um jogo que aconteceu do jeito que José Mourinho planejou e queria. O Manchester United fechou o meio de campo com Pogba, Herrera e o contestado Fellaini, que fez ótima partida. Tirou a velocidade do jogo, não permitiu que o jovem time do Ajax imprimisse o ritmo que gostaria. Foi um baile tático.

Jogou melhor no primeiro tempo, fez o gol com Pogba e depois foi só controlando. O gol no comecinho do segundo tempo, com Mkhitaryan, a outra grande contratação para a temporada, praticamente selou a decisão. O Ajax tentou, foi guerreiro, mas não passou nem perto de ameaçar a vitória do Manchester. Uma alegria para a cidade inglesa, após o terrível atentado desta semana.

Claro que ninguém quer perder finais. Mas, para o Ajax, é importante voltar a uma decisão continental após 21 anos, ainda mais com um time jovem e promissor, que trará alegrias ou, pelo menos, dinheiro.

Dinheiro que tanto custou Pogba. Um craque, que fez uma temporada bem mais ou menos pelo valor desembolsado. Mas acaba com gol de título. O melhor Pogba ainda vai aparecer em Manchester.

Em seu primeiro ano com Mourinho, o United foi campeão da Community Shield (a Supercopa da Inglaterra), a Copa da Liga Inglesa e a Europa League. É verdade que acabou a Premier League em sexto lugar (na lanterna entre os seis mais poderosos). Mas, por causa do título de hoje, atingiu o objetivo maior, estar na próxima Champions e ajudar as finanças do clube.

Se o segundo ano de Mourinho costuma ser o melhor, por todos os clubes que passou, é bom ficar de olho neste United na próxima temporada.

A lista de 14 finais disputadas por Mourinho tem jogos de competições longas, domésticas ou europeias. As únicas derrotas vieram em maio de 2004 (Benfica 2 x 1 Porto na prorrogação, Taça de Portugal) e maio de 2013 (Atlético de Madri 2 x 1 Real Madrid, gol de Miranda na prorrogação, Copa do Rei da Espanha). Ou seja, nos 90 minutos, Mourinho nunca perdeu uma decisão.

A lista exclui as Supercopas, aqueles jogos de menor relevância, de pré-temporada praticamente, que abrem as competições oficiais na Europa – entre Supercopas em Portugal, Itália e Inglaterra, Mou ganhou quatro e perdeu quatro (sempre considerando apenas jogos únicos).

Já o Manchester United, por incrível que pareça, conquista um título inédito. Nunca havia conquistado a Copa de Feiras, da Uefa ou a Europa League (tudo a mesma coisa). Torna-se o quinto clube a ganhar, além da Uefa/Europa League, a Copa dos Campeões/Champions e a extinta Recopa (os outros são o próprio Ajax, Juventus, Bayern e Chelsea).


Vitória do Arsenal e tropeço do Liverpool embolam briga por G4 na Premier
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Os resultados do domingo embolaram ainda mais a acirrada disputa na Inglaterra por vagas na próxima Liga dos Campeões da Europa.

O Liverpool, um leão contra os grandes ao longo da temporada, voltou a ser um gatinho contra os pequenos. Com direito a pênalti perdido por Milner, o time empatou sem gols, em casa, com o Southampton. Mais tarde, o Arsenal, gatinho contra os grandes e leão contra os pequenos, finalmente venceu um clássico.

Fez 2 a 0 contra o time misto do Manchester United, quebrando uma série invicta de 25 jogos do rival no Campeonato Inglês. Foi também a primeira vez que Arsene Wenger ganhou de um time de José Mourinho na Premier – eram cinco derrotas e sete empates nas 12 partidas anteriores.

O Manchester United joga todas as fichas na tentativa de ser campeão da Europa League. Na quinta, recebe o Celta de Vigo e, após a vitória por 1 a 0 fora de casa na ida, é favorito para chegar à final. Se for campeão da Europa League, entrará na fase de grupos da próxima Champions mesmo que fique fora do G4 da Premier – neste caso, a Inglaterra teria cinco times na competição.

Situação da Premier League faltando duas semanas para o encerramento da competição:

1) Chelsea 81 pts
Duas vitórias em quatro jogos bastam para o título. Enfrenta Middlesbrough (c) nesta segunda e abre a rodada seguinte contra o West Brom (f), na sexta. Já tem tudo para ser campeão nesta semana;

2) Tottenham 77 pts
Mais uma ótima campanha, mas será mesmo vice-campeão. Tem mais três jogos a fazer e só pode chegar a 86 pontos;

A briga pelas últimas 2 vagas na Champions League:

3) Liverpool 70 pts (saldo +29)
Pega West Ham (f), Middlesbrough (c). Se vencer ambas, está na Champions, pelo menos em quarto lugar. Dependeria dos resultados do City para ficar em terceiro e entrar direto na fase de grupos. Possível que chegue ao jogo de domingo contra o West Ham atrás do City e só um ponto na frente do Arsenal na tabela. Muita pressão para cima do time, que não tem mais margem para tropeços;

4) Manchester City 69 pts (saldo +33)
Pega Leicester (c), West Brom (c), Watford (f). Se vencer as três, acaba em terceiro e vai direto para a Champions. Se vencer duas das três, pelo menos se garante em quarto lugar, já que tem saldo de gols bem superior ao do Arsenal. É quem está em melhor posição;

5) Manchester United 65 pts (saldo +24)
Pega Tottenham (f), Southampton (f), Crystal Palace (c). G4 é quase impossível, teria de vencer as três e torcer por tropeços de todos os outros rivais. Aposta as fichas em ganhar a Europa League e entrar, assim, como um quinto inglês na próxima Champions;

6) Arsenal 63 pts (saldo +24)
Pega Southampton (f), Stoke (f), Sunderland (c), Everton (c). Esperanças renovadas. Precisa vencer os quatro jogos restantes e torcer ou por um tropeço do Liverpool ou por dois tropeços do City. Difícil, mas não impossível. O primeiro passo é ganhar seu jogo atrasado, na quarta-feira.

Jogos dos ingleses nesta semana:

Segunda 16h: Chelsea x Middlesbrough
Quarta 15h45: Southampton x Arsenal
Quinta 16h: Manchester United x Celta (Europa League)
Sexta 16h: West Bromwich x Chelsea

Fim de semana que vem:

Sábado: 8h30 Manchester City x Leicester, 13h30 Stoke x Arsenal
Domingo: 10h15 West Ham x Liverpool, 12h30 Tottenham x Manchester United

 


Juventus e Feyenoord podem ser campeões no fim de semana europeu
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O Bayern de Munique já garantiu o título na Alemanha. Neste fim de semana, Juventus, na Itália, e Feyenoord, na Holanda, podem garantir títulos domésticos nesta reta final de campeonatos europeus.

A Juve, virtual finalista da Liga dos Campeões da Europa, tem tudo para conquistar um inédito hexacampeonato italiano. Nunca um clube ganhou a Série A seis vezes seguidas.

A própria Juve conquistou o penta entre 1931 e 35, feito também conseguido pelo super Torino dos anos 40, antes do acidente de avião que vitimou o time inteiro. Mais recentemente, a Inter ganhou cinco títulos seguidos, mas em circunstâncias especiais (o primeiro dos cinco, em 2006, foi herdado após o escândalo extra-campo que tirou o título da Juventus e a mandou para a Série B).

Para ser campeã 2016/2017 com três rodadas de antecipação, a Juventus precisa vencer o dérbi da cidade contra o Torino, no sábado. No domingo, a vice-líder Roma tem um duro clássico fora de casa contra o Milan. Se a Juve ganhar e a Roma tropeçar, o hexa estará decidido. A rodada seguinte, a antepenúltima, tem justamente o duelo entre Roma e Juventus na capital.

Em seu estádio, a Juve ganhou os 17 jogos que fez no campeonato. Se juntarmos com a temporada passada, são 33 vitórias seguidas em partidas de Série A no Juventus Stadium. Em agosto de 2015, a Juve perdeu pela última vez em casa: 0-1 para a Udinese. Em setembro, empatou os dois jogos seguintes, 1-1 com Chievo e Frosinone. De lá para cá, só ganhou.

Se contarmos todas as competições, são 43 vitórias e 6 empates desde aquela derrota para a Udinese. A Juve pode chegar no sábado, portanto, a 50 jogos de invencibilidade em casa. E, ironicamente, comemorar o inédito hexa no sofá, no domingo.

RENASCIMENTO

Na Holanda, o Feyenoord pode quebrar um jejum incômodo de 18 anos sem um título da liga nacional. Para isso, basta vencer o Excelsior (13o colocado) no domingo de manhã. Como tem quatro pontos de vantagem para o Ajax, mesmo que tropece ainda terá a chance de ser campeão jogando em casa na última rodada.

O Feyenoord é o grande time de Roterdã, a segunda cidade do país. Foi o primeiro clube holandês a ganhar a Copa dos Campeões e a Copa Intercontinental (1970). Também foi o primeiro a ganhar a Copa da Uefa, em 1974 (depois repetiria a dose em 2002, o último grande momento do clube, ainda tempos de Van Persie).

Até o meio da década de 70, era o grande rival do Ajax. Enquanto o gigante de Amsterdã tinha 16 títulos nacionais, o Feyenoord tinha 11, e o PSV Eindhoven tinha só 4. Desde então, no entanto, o Ajax ganhou outros 17 campeonatos (soma 33), o PSV ganhou 19 (soma 23) e, o Feyenoord, apenas 3 (está a ponto de ganhar o 15o título no total).

Depois de uma grave crise financeira, o Feyenoord conseguiu acertar as contas nos últimos cinco anos. E, na temporada passada, fez um aposta alçando o ex-lateral Giovanni Van Bronckhorst ao cargo de técnico – seu primeiro como treinador principal de uma equipe.

Gio era titular do Barcelona de Ronaldinho, campeão da Europa em 2006, e chegou a fazer gol em semifinal de Copa do Mundo – 2010, contra o Uruguai. A final daquela Copa, perdida para a Espanha, foi seu último jogo como atleta profissional. Gio foi assistente de Koeman no Feyenoord antes de assumir o cargo principal.

Logo em sua primeira temporada, ano passado, quebrou um jejum de oito anos sem títulos com a conquista da Copa da Holanda. E, agora, está a ponto de quebrar o jejum de 18 anos sem ganhar a competição principal do país.

O Feyenoord foi cirúrgico no mercado do verão europeu, trazendo alguns jogadores de pouco nome e fama, mas que encaixaram bem com os jovens que subiram da base. O melhor exemplo é o atacante dinamarquês Nicolai Jorgensen, de 26 anos. Foi comprado por 3,5 milhões de euros após boas temporadas no Copenhagen e hoje é avaliado em 9 milhões. Ele é o artilheiro do Holandês, com 21 gols em 30 jogos.

OUTROS CAMPEONATOS

Na Inglaterra, o Chelsea tende a dar mais um passo rumo ao título. Na segunda-feira, recebe o penúltimo colocado e virtual rebaixado Middlesbrough. O Tottenham, que está quatro pontos atrás, quer seguir pressionando e enfrenta nesta sexta o West Ham, fora de casa, em um dérbi londrino.

O grande jogo da Premier no fim de semana será o clássico entre Arsenal e Manchester United, domingo, às 12h. Se o Arsenal não vencer, estará praticamente descartado do G4 e da classificação para a Champions League (não fica fora desde 1997/1998, segunda temporada de Wenger no clube). Wenger, por sinal, nunca venceu um jogo de Premier League contra times de José Mourinho (sete empates e cinco derrotas).

Na Espanha, o Barcelona entrará em campo para enfrentar o Villarreal, quinto colocado. Jogo perigoso, já que o Villarreal já ganhou do Atlético e empatou com o Real Madrid e com o Sevilla fora de casa na temporada. É a segunda melhor defesa do campeonato. Logo depois, o Real pega o já rebaixado Granada. O time reserva, que vem se mostrando para lá de confiável, tentará a sexta vitória em seis “missões” fora de casa. Cristiano Ronaldo, por exemplo, nem viajou a Granada. Após o atropelo diante do Real na Champions, o Atlético de Madri joga por uma vitória contra o Eibar para se garantir, de novo, na Liga dos Campeões da próxima temporada.

Na Alemanha, o Bayern de Munique celebrará o título em casa contra o lanterna e rebaixado Darmstadt. Promessa de uns 10 a 0. O grande jogo do sábado (10h30) é entre o quarto colocado, Borussia Dortmund, e o terceiro, Hoffenheim. Os times estão separados por apenas um ponto, e chegar em terceiro significa não jogar fase prévia da próxima Champions League.

Na França, Monaco e PSG enfrentam penúltimo e último, respectivamente. Mas são jogos complicadinhos, pois a rabeira da tabela está toda embolada e esses times jogam a vida. O PSG deve passar em casa pelo Bastia no primeiro jogo do sábado (12h) e novamente alcançar o Monaco em pontos – mas ainda ficar muito atrás no saldo de gols e com dois jogos a mais. O Monaco precisa esquecer a derrota para a Juventus quando entrar em campo para enfrentar o Nancy (15h), fora de casa.

Por fim, em Portugal faltam três rodadas e o Benfica tem três pontos de vantagem para o Porto – que empatou demais ao longo do campeonato. Os dois times jogam fora de casa: o Porto com o Marítimo (sexto) no sábado, o Benfica com o Rio Ave (sétimo) no domingo. Difícil imaginar que o Benfica fique sem o tetracampeonato.

 


Ligas europeias entram na reta final com mês recheado de clássicos
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Passada a última pausa da temporada europeia para jogos de seleções, o “vírus Fifa” deixou os grandes clubes em paz desta vez. Chegamos à reta final dos campeonatos e o mês de abril reservas grandes clássicos em todas as ligas.

Já neste fim de semana, PSG e Monaco decidem a Copa da Liga da França (sábado 15h45). Benfica e Porto se enfrentam pela liderança (e, possivelmente, o título) em Portugal (sábado 16h30). Schalke 04 e Borussia Dortmund fazem o clássico do Vale do Ruhr, nesta que é considerada a maior rivalidade da Alemanha (sábado 10h30). Na Itália, em outro clássico de grande rivalidade, o Napoli recebe a Juventus no domingo (15h45). E a rodada da Premier League tem clássico de Liverpool no sábado (8h30) e o confronto entre os criticados Wenger e Guardiola no domingo (12h).

A Champions League tem quartas de final em 11/12 e 18/19 de abril, com Bayern-Real Madrid, Juventus-Barcelona, Dortmund-Monaco e Atlético de Madri-Leicester.

Veja o que ainda está em jogo nos principais países:

INGLATERRA

O Chelsea chega às 10 rodadas finais com uma enorme vantagem de pontos. São 69 contra 59 do Tottenham, 57 do Manchester City, 56 do Liverpool, 52 do Manchester United, 50 de Arsenal e Everton. O título vai ficar com os “blues”, mas a disputa pelas vagas na próxima Liga dos Campeões promete.

Já neste sábado, tem o “Merseyside Derby”, o clássico de Liverpool. Jogando em seu estádio, o Liverpool não perde para o Everton desde 1999. Depois disso, no entanto, o Liverpool, assim como o Tottenham, tem uma tabela mais tranquila.

Após a decepcionante eliminação nas oitavas de final da Champions, o Manchester City, de Guardiola, vai a Londres enfrentar o Arsenal, domingo, e o Chelsea, na próxima quarta. O Chelsea ainda joga o clássico contra o United, em Manchester, no dia 16. Aliás, o United, de Mourinho, que já ganhou a Copa da Liga Inglesa, ainda está vivo na Liga Europa, onde enfrenta o Anderlecht nas quartas de final e é o grande favorito ao título.

Principais jogos de abril:
1/4 Liverpool-Everton
2/4 Arsenal-Man City
5/4 Chelsea-Man City
16/4 Man United-Chelsea (Mou vs Conte)
22/4 Chelsea-Tottenham (semi Copa da Inglaterra)
23/4 Arsenal-Man City (semi Copa da Inglaterra)
27/4 Man City-Man United (Mou vs Pep)
30/4 Tottenham-Arsenal, Everton-Chelsea

ESPANHA

O Real Madrid tem o controle da Liga, pois soma dois pontos a mais que o Barcelona (65 a 63), tem ainda um jogo a menos e joga o clássico do returno no Santiago Bernabéu. Mas os dois gigantes têm duelos complicadíssimos na Liga dos Campeões logo antes do superclássico e o Campeonato Espanhol está mais equilibrado. Os gigantes já tropeçaram e ainda podem tropeçar mais vezes.

O Atlético de Madri, em quarto, com 55 pontos, está mais focado na Champions, mas adoraria fazer um grande dérbi contra o Real antes dos duelos contra o Leicester. O Sevilla, com 57, tentará se manter entre os quatro e não perder Jorge Sampaoli para a seleção argentina.

Principais jogos de abril:
5/4 Barcelona x Sevilla
8/4 Real Madrid-Atlético de Madri
(11/4 Juventus-Barça, 12/4 Bayern-Real, Atlético-Leicester na Champions)
(18/4 Real-Bayern e Leicester-Atlético, 19/4 Barça-Juventus na Champions)
23/4 Real Madrid-Barcelona
29 ou 30/4 Real Madrid-Valencia, Espanyol-Barcelona

ALEMANHA

O Bayern de Munique conquistará o inédito pentacampeonato, disso ninguém duvida. Tem folga na Bundesliga e poderá até poupar jogadores nos jogos próximos ao duelo contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões – ainda que sejam jogos complicados. São 62 pontos na tabela, 13 a mais que o surpreendente RB Leipzig e 16 a mais que o Borussia Dortmund.

Depois de perder o clássico para o Borussia em Dortmund, em novembro, o Bayern engatou 12 vitórias e 2 empates no Alemão. Somando todas as competições, são 19 jogos e quatro meses sem perder. Em abril, o Bayern terá duas oportunidades de se vingar (ou não) de seu maior rival doméstico, que também está vivo na Champions.

Principais jogos de abril:
1/4 Schalke 04-Dortmund
8/4 Bayern-Dortmund
(11/4 Dortmund-Monaco, 12/4 Bayern-Real na Champions, 13/4 Ajax-Schalke na Europa League)
15/4 Bayer Leverkusen-Bayern
(18/4 Real-Bayern, 19/4 Monaco-Dortmund na Champions, 20/4 Schalke-Ajax na Europa League)
26/4 Bayern-Dortmund (semifinal da Copa da Alemanha, jogo único)

ITÁLIA

Assim como Chelsea e Bayern de Munique, a Juventus tem folga na liderança. Será o sexto Scudetto consecutivo, um feito inédito e histórico. Faltando nove rodadas para o final, a Juve lidera com 73 pontos, são 8 a mais que a Roma e 10 a mais que o Napoli. Foram 24 vitórias em 29 jogos até agora.

O mês de abril começa com dois duelos contra o Napoli, um pelo campeonato, outro pela Copa. São jogos de muita rivalidade e tensão entre times e torcidas. É o sul contra o norte, um duelo de muito simbolismo.

Jogando em seu estádio pelo Campeonato Italiano, a Juventus soma 31 vitórias consecutivas, juntando a atual com a temporada passada. Não empata desde um 1 a 1 com o Frosinone, em setembro de 2015. Não perde desde o primeiro jogo da temporada 15/16, 0-1 para a Udinese, em agosto de 2015. Somando todas as competições, são 46 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium. Impressionante.

Lazio, com 57, Inter e Atalanta, com 55, e Milan, com 53 pontos, ainda tentam alcançar Roma (65) e Napoli (63) pelas vagas na próxima Champions.

Principais jogos de abril:
2/4 Napoli-Juventus
4/4 Roma-Lazio (semi Coppa Itália, Lazio fez 2-0 na ida)
5/4 Napoli-Juventus (semi Coppa Itália, Juve fez 3-1 na ida)
9/4 Lazio-Napoli
(11/4 Juventus-Barça na Champions)
15/4 Internazionale-Milan
(19/4 Barça-Juventus na Champions)
29 ou 30/4 Roma-Lazio, Internazionale-Napoli

FRANÇA

Depois da virada sofrida na Liga dos Campeões para o Barcelona, restam ao Paris Saint-Germain as competições domésticas. A parada está dura na Ligue 1. Em busca do pentacampeonato, o PSG, com 68 pontos, está 3 atrás do Monaco – dono do melhor ataque da Europa na temporada.

O Monaco, que superou o City de Guardiola e está nas quartas de final da Champions, fez 129 gols em 48 partidas oficias, média de 2,7. É um time super agradável de ver jogar e que vai vender caro o título francês, que não conquista desde o ano 2000.

Logo de cara, neste sábado, PSG e Monaco se enfrentam em Lyon pelo título da Copa da Liga da França. É a competição menos importante da temporada, mas que ganhou peso justamente pelo confronto direto entre as duas forças do país. Nos dois jogos entre eles pela Ligue 1, o Monaco fez 3 a 1 em casa e empatou por 1 a 1 em Paris (com gol nos acréscimos).

Eles também estão vivos na Copa da França e tem jogos relativamente fáceis no meio da semana que vem. Podem se enfrentar nas semifinais ou em uma eventual nova decisão.

O Nice, de Balotelli, ficou para trás na tabela e soma 64 pontos, sete a menos que o Monaco. Mas deve conseguir vaga na Champions, pois tem 14 a mais do que o Lyon, o quarto colocado. O Lyon ainda está vivo na Europa League e enfrenta nos dias 13 e 20 de abril o Besiktas, líder do Campeonato Turco, por uma vaga nas semifinais.

PORTUGAL

Também neste sábado, Benfica e Porto fazem o superclássico em Lisboa. O Benfica lidera o campeonato com 64 pontos, apenas 1 a mais que o Porto – ambos foram eliminados nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Depois do clássico, faltarão sete rodadas para o fim do campeonato. Como Benfica e Porto costumam ganhar praticamente todos os seus jogos em Portugal, o duelo direto é uma verdadeira decisão. Ainda em abril, no dia 22, o Benfica faz o dérbi de Lisboa contra o terceiro colocado, no estádio do Sporting.


Manchester United massacra. Leicester virou abóbora
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juliogomes

E o Leicester já virou abóbora.

Normal, nenhum problema nisso. Um ano atrás (ou dois ou dez), se o Manchester United fizesse quatro gols no primeiro tempo contra o Leicester em um jogo de sexta rodada, poucos queixos ficariam caídos.

Desta vez, alguns ficaram. Afinal, é o atual campeão inglês contra um clube que ainda não acertou o rumo desde a aposentadoria do lendário técnico Alex Ferguson. Foram três anos fora das três primeiras posições na Premier – após 22 anos consecutivos sempre entre os três.

O jogo deste sábado passou aquela impressão de “coisas voltando ao devido lugar”. Com Rooney no banco (vem polêmica aí) e dois volantes que são meias e fazem o jogo fluir (Pogba e Ander Herrera), o United de Mourinho mostrou um jogo dinâmico, veloz. Construiu naturalmente a goleada, com alguma contribuição do Leicester nas bolas paradas.

No segundo tempo, com o jogo resolvido pelos quatro gols no primeiro, o United diminuiu a intensidade.

Na atual temporada, além dos 4 a 1 deste sábado, o Leicester já levou 4 a 1 do Liverpool e foi eliminado pelo Chelsea na Copa da Liga (levando quatro). Na pré-temporada, já havia levado quatro do PSG e do Barcelona. Coisas em seus devidos lugares.

Parece claro que o sistema defensivo está sofrendo. Terá sido pela saída do volante Kanté? Nada é tão simples.

Simples foi para Kanté ir para um clube maior, o Chelsea. Seus ex-colegas Vardy e Mahrez foram sondados por grandes da Europa e resolveram ficar, renovaram até 2020. Na minha visão, erro clássico. As histórias de Cinderela não se repetem. Se a vida financeira deles ficou resolvida, a vida esportiva pode ficar em segundo plano. Cada um sabe onde o calo aperta e a real qualidade que tem, mas eles erraram feio se acharam que o Leicester passaria a ser um clube de elite, a disputar títulos todos os anos. Se ficarem mesmo até 2020, possivelmente jogarão quatro temporadas evitando rebaixamentos.

O Leicester lembra muito aquele São Caetano de outrora. Jogadores que não saíram perderam uma grande chance de defender camisas pesadas do futebol brasileiro. Diferente do que fez o São Caetano em 2002, no entanto, o Leicester não chegará à final de “sua” Libertadores – até que o grupo fácil deixará o Leicester disputar as oitavas da Champions League atual, mas difícil ir além.

De qualquer forma, por mais doloroso que seja cair na real, o torcedor do Leicester deve encarar tudo sempre com o copo meio cheio. Em vez de ficar lamentando os 4 a 1, basta lembrar que foi neste mesmo Old Trafford, em maio, que um empate por 1 a 1 deixou o Leicester com o título inacreditável nas mãos – ele viria no dia seguinte, após um empate do Tottenham (malditos pontos corridos).

Ser campeão inglês um ano e depois passar a vida no meio da tabela, às vezes amargando algum rebaixamento? Ou chegar todo ano em terceiro ou quarto lugar, nunca perto do título, mas sempre ali indo à Champions?

Para os donos de clube, sem dúvida a segunda opção é a melhor. E para o torcedor de um Leicester City da vida? Eu fico com a primeira. Tenho certeza que eles não trocariam 2016 por 20 Champions Leagues.

A carruagem virou abóbora. Mas os tempos de carruagem são simplesmente inesquecíveis. A história esportiva mais linda e surreal que já vimos acabou.

 


Guardiola supera Mourinho em dérbi eletrizante
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juliogomes

Manchester United e Manchester City, ou José Mourinho e Pep Guardiola, entregaram o que todos esperavam do primeiro dérbi da cidade na temporada. O City venceu por 2 a 1 fora de casa, em um golpe de autoridade na disputa que certamente os dois clubes de Manchester vão travar em busca do título da Premier League.

O City segue com 100% no campeonato, quatro vitórias em quatro jogos. Mourinho perde a primeira no comando do United.

Foi um jogaço, eletrizante, de tirar o fôlego do primeiro ao último minuto. O City foi melhor e mereceu vencer.

No primeiro tempo, foi um banho do time azul de Guardiola. Além de dominar a posse de bola, o City machucou o United com uma postura ofensiva. Pep escalou o time com Fernandinho com único volante (jogou demais) e muita madeira na frente: David Silva e De Bruyne se incorporando, Sterling e Nolito abertos pelas pontas e o jovem Iheanacho substituindo Aguero.

Curiosamente, foi em um chutão para frente que saiu o primeiro gol, um gol típico da Premier League, típico dos times de qualquer técnico, menos Guardiola. Iheanacho escorou o balão de cabeça, Blind falhou, e De Bruyne ficou no mano a mano com De Gea para concluir com perfeição. O belga foi o melhor jogador em campo, não só pelo gol, mas pelas diversas ocasiões em que deixou o United em apuros.

Aos 36min, foi de uma jogada individual de De Bruyne que saiu a finalização na trave e, no rebote, Iheanacho fez o segundo.

O jogo era dominado completamente pelo City, até que a história mudou em um erro bisonho de Claudio Bravo na saída do gol após uma bola parada alçada na área. Ibrahimovic, genial, aproveitou o erro com uma chicotada para diminuir. Eram 42min do primeiro tempo.

A etapa inicial foi um retrato desta disputa histórica que Pep e Mou representam.

Os times de Pep são sempre mais legais de ver. Ofensivos, buscam a bola, o jogo, a vitória de forma mais agressiva. O City valoriza a bola (teve 60% de posse), mas vai muito além disso. Mescla a forma de Guardiola ver o jogo com as características de extrema velocidade do futebol jogado no país. Assim como Guardiola incorporou elementos nos três anos de Bayern, o mesmo vai acontecendo agora.

Os times de Mou especulam mais, buscam a vitória através da destruição primeiro, a construção depois – ambas as facetas de jogo de forma incontestavelmente eficientes. Em um jogo em que seu time foi inferior, ficou a um triz de sair com o empate.

No entanto, Pep ainda vai ter remar muito para alcançar Mourinho no modo como o português ataca o mercado e participa das finanças dos clubes.

A saída do goleiro Hart do City, além de traumática, ocorrida no último dia da janela de transferências, representou perda de dinheiro para o clube. Chegou Bravo, que é bom goleiro. Mas custou bem caro (18 milhões de euros) e falhou feio na estreia. E não só falhou no lance do gol. A grande suposta qualidade aos olhos de Pep, a saída de bola com os pés, quase colocou o City em apuros algumas vezes. Quem aproveitou o erro de Bravo foi Ibra, que chegou de graça ao United para jogar com Mourinho.

No segundo tempo, o jogo mudou completamente. As entradas de Herrera e Rashford no United melhoraram o time, que adiantou as posições de Rooney e Pogba e passou a pressionar demais a saída de bola do City, roubar algumas e rondar a área adversária. O empate parecia próximo, quando foi a vez de Guardiola atuar. Colocou Fernando na contenção para ajudar Fernandinho, estabilizando o sistema defensivo.

Em contra ataques, o City quase chegou ao terceiro gol. Mas, nos acréscimos, foi aquele sufoco em que quase o United empatou. No fim, pelo amplo domínio do City no primeiro tempo e nenhum erro capital do árbitro, foi um resultado justo.

Ao todo, são agora 17 confrontos diretos entre Mourinho e Guardiola. Mou fica com três vitórias, Guardiola chega à oitava – são seis empates.

Em mata-matas, 1 a 1 em Champions League, 1 a 1 em Copas do Rei, 2 a 0 para Pep nas Supercopas que pouco valem. Desequilíbrio no geral, ampliado com a vitória do City neste sábado, mas equilíbrio nos confrontos eliminatórios – e certamente veremos mais deles nesta e nas próximas temporadas.

 


Duas visões: quem é melhor? Mourinho ou Guardiola?
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juliogomes

José Mário dos Santos Mourinho Félix. 53 anos. Português de Setúbal.

Josep Guardiola Sala. 45 anos. Espanhol de Santpedor, Catalunha.

Ou simplesmente Mou e Pep.

Pedindo licença ao ótimo, mas (bastante) menos midiático Carlo Ancelotti, estamos falando dos dois maiores técnicos de futebol do planeta. Os homens que tomaram conta do noticiário e de títulos e mais títulos na Europa nos últimos anos.

Neste sábado, quis os destino que se reunissem em uma cidade cinzenta e sem muita graça. Uma cidade da qual pouco (ou nada) falaríamos, não fosse o futebol. Manchester.

Mou está no United, onde sempre quis estar para trilhar o caminho de Alex Ferguson. Pep está no City, onde sempre quiseram que ele estivesse para fazer do clube não só um grande da Europa, mas amado no mundo todo por um estilo de jogo.

Os dois já se enfrentaram muitas vezes. E não se enganem. Serão eles que vão batalhar pela próxima coroa na Premier League. Manchester vai ficar pequena. A partir do ano que vem, serão os intrusos no domínio recente de Barça, Real e Bayern no continente.

mou_pep

O blog abre espaço para as palavras de dois dos jornalistas mais respeitados da Europa. Dois amigos. Como bons amigos, conheço bem suas paixões futebolísticas. Um é Guardiolista. O outro é Mourinhista. Quem é o melhor, afinal?

Martín Ainstein, jornalista argentino, vive em Madri e cobre futebol internacional para a ESPN:

“São dois treinadores muito parecidos em termos de mentalidade. Obcecados, com mentalidade ganhadora, estudiosos, não suportam a derrota. Guardiola diz que o importante é o caminho para chegar ao fim. Se equivocam os que pensam que eu não gosto de ganhar, ele diz. Mas procuro ganhar da maneira que sinto que seja a melhor para obter os resultados. E essa maneira de Pep é com posse de bola, encontrar circuitos de jogo, ter jogadores ofensivos, abrir o campo com pontas, goleiro que saiba sair jogando com o pé, defensores que tenham coragem para sair com a bola.

Mourinho tem outro estilo. Para mim, menos eficiente, porque é um estilo onde a especulação é mais importante que propor jogo. Ele trabalha melhor com as linhas fechadas, a defesa, tentar destruir antes de construir.

Estamos falando de dois treinadores que sempre tiveram em mãos elencos de muita qualidade e talão de cheque à disposição. Talvez outros treinadores, com orçamentos mais escassos, tivessem mesmo que trabalhar de forma mais conservadora. Mas Mourinho, assim como Guardiola, sempre pôde construir o tipo de equipe que quisesse. E poderia ter buscado ao longo dos anos jogadores com maior capacidade criativa.”

Duncan Castles, jornalista escocês, é um dos grandes conhecedores dos bastidores dos clubes ingleses:

“São dois grandíssimos treinadores. Mas, se eu tivesse a chance de pegar um para meu time, escolheria Mourinho. Se você comparar a carreira dos dois, verá que Mourinho conseguiu dois feitos que talvez Guardiola nunca consiga. Ele conquistou a Copa da Uefa e a Liga dos Campeões em anos seguidos com o Porto e depois conquistou uma tríplice coroa com a Inter de Milão sem precedentes no futebol italiano. Aquele time da Inter foi estruturado por ele no mercado de transferências, com jogadores baratos. Mourinho é um grande negociador e conseguiu, por exemplo, mandar Ibrahimovic para o Barcelona em troca de Eto’o e ainda uma quantia em dinheiro para montar o time. Talvez Guardiola nunca aceite pegar times com estruturas como as do Porto ou da Inter.

Outro grande fator é a força mental de Mourinho, a durabilidade. É lógico que Guardiola tem muitos méritos, mas precisamos colocar em contexto os times que ele tinha na mão no Barcelona e no Bayern. E ele acabou estressando relações nos dois clubes, pessoas dizem que era uma situação de tensão demais para ele. Talvez o que mostre um pouco desta fragilidade mental de Guardiola, talvez falta de confiança, seja a própria escolha de ir para o City. Ele poderia ter ido para clubes como o United e o Chelsea, onde ganhar a Champions League não seria algo inédito. Ele preferiu ir para um clube onde a pressão é menor, onde chegar à final já será um grande feito, onde ele tem dirigentes conhecidos, amigos dele e que lhe deram carta branca para mexer no elenco como quisesse.

Esse fato nos mostra algo fundamental sobre Guardiola, como as condições precisam ser perfeitas para ele poder desenvolver seu ótimo trabalho. Já Mourinho pega qualquer desafio, não tem medo das dificuldades e assume cada trabalho com a missão de conseguir a vitória da maneira que for.”

E aí, amigos, você concorda com Ainstein ou Castles?

Pep ou Mou? Mou ou Pep?