Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Manchester United

Mourinho e Manchester United foram covardes e mereceram a eliminação
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Julio Gomes

Eu colocava o Manchester United como um dos favoritos ao título europeu. Afinal, além de jogadores de muita qualidade, o clube tem um técnico que sabe como jogar a competição e sabe como amarrar duelos de mata-mata contra time melhores.

Eu errei.

O José Mourinho do United está virando um espectro do Mourinho de outros tempos. Não sou nem nunca fui um hater do português. Nunca concordei com os que falam que ele só sabia montar retrancas. Já vimos muitos times de Mourinho jogar muita bola. O Porto, os primeiros anos de Chelsea, o Real Madrid. Como virou o anti-Barça, sendo o único capaz de desafiar o clube catalão em seu auge, criou-se a imagem de retranqueiro.

Mas, hoje em dia, está difícil defender. Lá se vai a segunda temporada dele no United, sem que o time em nenhum momento jogasse futebol de qualidade. É um time compacto, seguro atrás, como sempre, mas extremamente limitado na frente.

Com jogadores como Pogba, Mata, Lukaku, Alexis Sánchez, etc, etc, era preciso fazer mais. Jogar mais. Vencer ou não é do futebol. Mas o jogo do United de Mourinho é pobre e covarde, se comparado aos outros gigantes da Europa.

O United já havia sido covarde em Sevilha. Atenção, não estamos falando de um grande Sevilla, como em anos recentes. É um time instável, que não irá se classificar para a próxima Champions League – está em quinto na Espanha, muito longe dos quatro primeiros.

Com os jogadores que tem, o Manchester deveria ter ido a Sevilha para encaminhar a eliminatória. Se não desse, paciência, haveria a volta em casa. Mas não, Mourinho foi à Espanha buscar um 0 a 0. Conseguiu. Um objetivo tosco demais, pequeno demais.

Mas na volta, em Manchester, nesta terça, nunca vimos o time da casa pressionar, tomar conta do jogo. O United seguiu especulando, com medo, jogando de forma covarde. Até que, enfim, em uma espetada, saiu o gol do Sevilla. E a eliminatória ficou praticamente impossível para o United.

Nos 15 minutos finais, o time jogou com o volume que deveria ter imposto desde o minuto inicial da eliminatória. Mas aí a vaca já havia ido para o brejo.

Classificação justa do Sevilla, eliminação para lá de justa do United. O Sevilla chega às quartas de final na Europa pela primeira vez em 60 anos. Perdeu recentemente chances de ouro contra Fenerbahce, CSKA e Leicester. Acabou passando quando menos se esperava.

Está difícil te defender, Mourinho!


Willian abre caminhos no Chelsea e pede passagem na seleção
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Julio Gomes

É ano de Copa do Mundo, a competição vai se aproximando e logo logo começarão as discussões acaloradas sobre quem deve jogar, quem deve estar no time, quem deve ser convocado (ou não). Depois de mais um grande jogo neste sábado, Willian é o nome da vez.

Nas redes sociais, na conversa de bar e nas mesas redondas bombam os pedidos para Tite dar um jeito de colocá-lo no time titular.

Cada mês será uma história até chegarmos a junho, quando a seleção brasileira fará a estreia. Em março, teremos a última data Fifa para amistosos entre seleções, em abril e maio, a reta final da Champions e ligas europeias, além do início do Brasileirão.

Dezembro foi o mês de Paulinho, brilhando no clássico contra o Real Madrid e mostrando estar à altura do Barcelona e da titularidade na seleção. Janeiro foi o mês de Firmino, fazendo um golaço no jogo em que o Liverpool derrubou a invencibilidade do Manchester City e entrando, de vez, na lista de Tite e mesmo das pessoas que não lhe conheciam e cornetavam o treinador por convocá-lo.

Fevereiro foi o mês de Willian.

Depois do grande jogo contra o Barcelona, no meio de semana, pela Liga dos Campeões, com duas bolas na trave e um belo gol marcado, Willian manteve o ritmo no clássico contra o Manchester United, neste domingo, pelo Campeonato Inglês.

No gol do Chelsea, puxou o contra ataque, encontrou Hazard, recebeu de volta e meteu um golaço. Fora isso, participou do jogo o tempo todo, mostrando mobilidade, obediência tática e coragem para encarar os marcadores. Foi o melhor do Chelsea.

O time acabou sofrendo a virada do United e perdendo em Manchester, graças a Lukaku, ao ótimo segundo tempo de Pogba e à postura, como sempre, defensiva demais de Conte. Nos 15 minutos finais, quando o Chelsea partiu em busca do empate, Conte tirou Hazard para a entrada de Pedro. Willian virou meia e criou, por exemplo, a jogada que acabaria no empate de Morata – o bandeira marcou um impedimento equivocadamente no lance.

Depois de ter frequentado muito o banco de reservas na primeira metade da temporada, especialmente nos jogos mais importantes do Chelsea, Willian abriu passagem na marra, na bola. Não dava mais para Conte preterir Willian para escalar Pedro. O Chelsea é um time melhor com ele, simples assim.

É verdade que os resultados contra Barcelona e Manchester United não foram legais, mas o futebol não é uma coisa de um homem só.

Mas e aí? E na seleção brasileira?

Willian já está convocado para a Copa, é uma espécie de décimo segundo titular de Tite. Mas só jogam 11, vocês já sabem. Nas primeiras partidas de Tite na seleção, ele era titular, mas Philippe Coutinho ganhou a vaga jogando muito, com a amarela e com o Liverpool.

Quem sairia do time para entrar Willian? São três os cenários.

O mais simples seria voltar Willian ao time no lugar de Coutinho, até porque Coutinho joga naturalmente pela esquerda, faixa ocupada também por um certo Neymar. Willian, pela direita, seria um posicionamento mais natural.

Uma segunda opção, que parece ser a mais próxima de acontecer, seria sacar Renato Augusto do time. Willian entraria pela direita e Philippe Coutinho jogaria por dentro. Pela entrevista recente de Tite ao jornal O Globo, é assim que a seleção vai começar no amistoso contra a Rússia.

Mas esta opção deixa o time ofensivo demais, protegido de menos e talvez suprima a grande qualidade do jogo de Paulinho, que é a chegada à frente. Então, surge uma variável. Paulinho também sairia do time para a entrada de Fernandinho, que faria a dupla de contenção com Casemiro por trás da linha com Neymar-Coutinho-Willian.

Possivelmente não haja uma opção melhor que a outra. Tudo vai depender do adversário, do momento físico e emocional dos jogadores quando a Copa chegar e, claro, dos cenários que cada partida vai apresentar. Mas, se a estreia fosse semana que vem, seria difícil deixar Willian fora do time.

 


Mourinho perdeu de vez a vergonha de estacionar seus ônibus
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Julio Gomes

Após a inédita classificação de cinco times para as oitavas de final e as sonoras goleadas aplicadas por Manchester City e Liverpool fora de casa, semana passada, a moda foi falar da força dos ingleses na Liga dos Campeões da Europa.

Mas se é verdade que, além dos já citados acima, o Tottenham tem uma bela vantagem contra a Juventus (2 a 2 na ida em Turim), Chelsea e Manchester United saem dos jogos de ida das oitavas de final em situação não tão confortável.

E foram eles justamente os ingleses que enfrentaram nesta semana clubes da Espanha, o país líder do ranking da Uefa.

O Chelsea, na terça, ficou no 1 a 1 com o Barcelona, em casa. Vai ter de buscar o resultado no Camp Nou, na segunda semana de março. E o Manchester United, nesta quarta, foi completamente dominado pelo Sevilla e precisa levantar as mãos aos céus por ter saído da Andaluzia com um 0 a 0.

Foram 25 finalizações do Sevilla, 8 delas exigindo defesas de De Gea (uma delas, no final do primeiro tempo, simplesmente milagrosa). Pelos lados do United, apenas 6 finalizações, só uma a gol. Sim, Mourinho nunca teve e segue sem ter vergonha alguma de buscar resultados desta forma pragmática. O que não dá para entender é fazê-lo com um elenco como este do United.

Estacionar o ônibus em Sevilha, contra um time que nem está tão certinho assim, trocou de técnico recentemente… é muito pouco para um clube do tamanho do United.

Ainda assim, o 0 a 0 não garante nada. O Sevilla jogará por qualquer empate com gols na volta, em Manchester. E viajará com a certeza de poder encarar o United de igual para igual.

O Barcelona tem a vantagem de jogar em casa contra o Chelsea, ter mais time e poder se classificar com um 0 a 0. O Sevilla tem a vantagem de ir a Manchester jogando por dois resultados. Sem dúvida, os times de Conte e Mourinho são os ingleses em pior situação.

Desde o título do Chelsea, em 2012, os clubes ingleses nunca mais passaram perto de ganhar o título da Champions. Nas cinco temporadas desde então, a Espanha colocou sempre três times nas quartas de final e dois nas semifinais.

Nas últimas nove temporadas, foram três títulos do Real Madrid, três do Barcelona e os outros três foram divididos entre alemães, italianos e ingleses. No mesmo período, Sevilla e Atlético de Madrid ganharam, entre eles, cinco Europa Leagues. Esta década é da Espanha, sem a menor sombra de dúvidas.

Entre 2007 e 2009, a Inglaterra sempre colocou três times nas semifinais – e em dois destes torneios colocou quatro nas quartas de final. Com a força da Premier League e o dinheiro fluindo, a impressão era que a Europa voltaria a ser coisa de ingleses, como ocorrera no fim dos anos 70, começo dos 80.

Mas o domínio de mais ou menos dez anos atrás não se confirmou. E é simplista dizer que isso não ocorreu apenas por causa da força de Real e Barça. Duas explicações corriqueiras são o calendário inglês, mais extenuante que o espanhol, o alemão e o italiano, e a competitividade maior na Premier League, o que dá menos “folga” para os principais times.

Enfim. É fato que os clubes ingleses parecem mais fortes neste ano do que nos anteriores. Mas não é surpresa nem que haja uma final inglesa e nem que nenhum deles chegue às semifinais. Convém esperar.

 


Ingleses dominam mercado de inverno na Europa. Quem se deu melhor?
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Julio Gomes

O mercado de inverno europeu deu sequência à gastança que vimos no verão. Grandes negócios foram fechados, com volumes monstruosos de dinheiro, mesmo entre clubes médios e pequenos. O mercado foi especialmente interessante na Inglaterra.

Quem se deu bem? Quem se deu mal?

Espanha

O Real Madrid, apesar da crise, ficou quieto no mercado, não achou que fosse necessário se reforçar. É claro que o silêncio de Zidane no mercado será lembrado se o Real for eliminado pelo PSG e a temporada “acabar”.

O Barcelona, humilhado no verão, fez a maior contratação do inverno ao trazer Philippe Coutinho. Como o futebol é dinâmico! Chegou também Mina. Saíram Mascherano, Rafinha (Inter) e os pouco usados Arda Turan e Deulofeu.

O Atlético de Madri ganhou os já conhecidos reforços de Diego Costa e Vitolo, que já estavam contratados, mas só poderiam jogar a partir de janeiro. O clube só não esperava estar fora da Champions, da Copa do Rei e com chances remotas na Liga a essas alturas. O Valencia, que vive grande temporada, trouxe Vietto e Coquelin e deve se manter no G4 para voltar à Champions. O Sevilla levou Guilherme Arana.

Inglaterra

O Manchester United e o Arsenal parecem ser os grandes vencedores do mercado de inverno. A troca “seca” Alexis Sánchez-Mkhitaryan fez com que o United ganhasse um jogador diferenciado sem gastar, e além de tudo, o chileno pode jogar a Champions. O Arsenal não ficou de mãos abanando.

Saíram Giroud e Walcott, mas Wenger conseguiu renovar o contrato de Ozil e ainda trouxe Aubameyang, do Borussia Dortmund. Se o treinador conseguir encaixar no time Lacazette, Aubameyang, Ozil e Mkhitaryan, pode dar samba.

Liverpool e Manchester City investiram em zagueiros (Van Dijk e Laporte), um porque não parava de levar gols, o outro porque Guardiola percebeu que não pode contar com Mangala, Stones e Kompany. Como a defesa fica constantemente exposta, Pep foi buscar um zagueiro que é muito bom na leitura de jogadas e antecipações.

Mas nenhum dos dois conseguiu tirar Mahrez do Leicester. O Liverpool, que perdeu Coutinho, foi o derrotado do mercado, logicamente. O Chelsea mandou Batschuayi emprestado para o Dortmund e trouxe o lateral brasileiro Emerson, além de Giroud e Barkley – o que não deve mudar a formação titular de meio/ataque. O Tottenham trouxe Lucas Moura, um bom reforço para completar elenco.

Outros países

O PSG perdeu apenas Lucas e trouxe Lass Diarra (lembra dele?) para compor elenco em uma posição em que o titular, Thiago Motta, vive machucado.

O Borussia Dortmund conseguiu uma boa venda com Aubameyang, trouxe Batschuayi e investiu no zagueiro Akanji, do Basel. O Bayern de Munique foi outro gigante quieto no mercado, trouxe apenas o veterano Sandro Wagner para o ataque.

A Juventus, assim como o Real Madrid, não trouxe nem perdeu ninguém. A disputa com o Napoli pelo título italiano será travada com os mesmos protagonistas da atualidade.


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Explosão do mercado foi a grande notícia do futebol em 2017
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Julio Gomes

Quando o Paris Saint-Germain depositou os 222 milhões de euros por Neymar, pagando ao Barcelona a multa rescisória, muitos viram aquele movimento como uma aberração do mercado. Uma distorção que só poderia ocorrer porque o PSG é um clube que na prática, pertence a um país – o Catar.

Mas é importante notar que o último mercado do verão europeu teve muitas outras transferências que implodiram recordes e mostraram que o que existe mesmo é uma tendência. O próprio Barcelona usou o dinheiro para pagar 105 milhões por Dembélé, do Borussia Dortmund, de apenas 20 anos, e 40 a um clube da China para trazer Paulinho.

Tiveram os 85 milhões pagos pelo Manchester United por Lukaku. E tantos outros negócios com volumes enormes de dinheiro. Morata do Real para o Chelsea, o Manchester City gastando centenas de milhões para trazer goleiro e laterais, a injeção de dinheiro no Milan, etc. O próprio PSG já se comprometeu a pagar outros 180 milhões de euros no meio do ano que vem ao Monaco para ter Mbappé, que por enquanto chegou por empréstimo.

De acidente, não tem nada.

A explosão do mercado foi a grande notícia do futebol em 2017. Com todo respeito ao bi europeu do Real Madrid, ao Chelsea de Conte, ao Grêmio de Renato Gaúcho, ao Corinthians de Carille e até à eliminação da gigante Itália da próxima Copa do Mundo.

Nada, no planeta bola, foi mais relevante do que a onda de transferências gigantescas.

A economia reaquece em alguns lugares da Europa, os clubes ganham mais e mais dinheiro globalmente, não apenas localmente, e existe uma corrida insana sendo disputada. O tal Fair Play financeiro foi o grande derrotado do ano e não parece passar de mais do que conversinha para boi dormir.

É uma corrida que vai ampliando o abismo dentro da própria Europa entre alguns gigantes nacionais e outros clubes menores. O que dizer então do abismo entre os gigantes da Europa e os clubes da América do Sul? Esse extremo fortalecimento e as quantias exorbitantes deixam a Champions League cada vez mais espetacular. Mas geram degradação esportiva das ligas domésticas europeias.

Precisamos ver no que vai dar.

Mas o movimento de final de ano já nos mostra que a tendência é irreversível. Nesta semana mesmo, o Liverpool anunciou a contratação do zagueiro mais caro da história. Não, não é o Baresi nem o Gamarra nem o Maldini nem o Sergio Ramos. O Liverpool pagou 75 milhões de libras (330 milhões de reais) pelo holandês Virgil Van Dijk, de 26 anos, do Southampton.

Estaria o Liverpool já contanto com um dinheiro que receberá por Philippe Coutinho? Tudo bem que a defesa do Liverpool é uma peneira e tanto. Mas 75 milhões de libras?? Uau.

É possível que o Barça finalmente consiga contratar Coutinho em janeiro ou no meio do ano e é plausível imaginar que o valor supere o pago pelo PSG por Neymar, virando a maior venda da história.

Ainda tem o climão de Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Quanto algum clube do mundo poderia pagar por ele?

Em 2018, teremos Copa do Mundo. Teremos a Libertadores com maior número de campeões na história. Teremos PSG x Real Madrid logo de cara, nas oitavas de final da Champions. Veremos e falaremos de muito futebol.

Mas, se preparem. Grandes manchetes voltarão a ser abocanhadas pelo tresloucado mercado da bola.

 


Após sorteio, City vira o maior favorito da Champions; Real cai para 5º
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Julio Gomes


Após a realização do sorteio dos confrontos de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, o Manchester City, de Pep Guardiola, transformou-se no principal favorito a ganhar o título continental. Pelo menos é o movimento que ocorreu nas casas de apostas pelo mundo.

O Real Madrid, atual bicampeão, era o maior favorito quando as apostas foram abertas, antes mesmo do início da Champions. E hoje, depois do sorteio que emparelhou o time de Zidane contra o PSG nas oitavas, passou a ser somente o quinto colocado na lista de favoritos ao título. É claro que, além do sorteio, os supercomputadores levam em conta os resultados inconsistentes do Real até agora na temporada – no Campeonato Espanhol, por exemplo, é só o quarto colocado.

O Manchester City foi o grande “sortudo” do dia ao ser emparelhado para enfrentar o Basel, da Suíça, nas oitavas. Líder disparado da Premier League inglesa e com apenas uma derrota na temporada, o time de Gabriel Jesus e Fernandinho é o maior favorito para passar às quartas de final.

Leia também no blog:
PSG x Real Madrid: será que o estagiário vai derrubar o chefe?

Logicamente, os resultados impressionantes até agora e essas probabilidades foram calculados pelos algoritmos das casas de apostas, diminuindo muito o valor pago para quem acreditar no título do City. Hoje, quem apostar (e acertar) no título do City tem um retorno de 4 para 1. Ou seja, para cada real (ou dólar ou euro ou a moeda que seja) apostado, o ganhador leva quatro de volta. Em nenhum momento da temporada o valor foi tão baixo para qualquer time na Champions. A lista completa está abaixo neste post*.

Quando o torneio começou, em setembro, o principal favorito era o Real Madrid. Na época, o retorno era de 5,50 para 1 em caso de título. Na sequência, vinham Barcelona (7 para 1), PSG (7 para 1) e Bayern (8 para 1). O City era apenas o quinto favorito, ao lado do Manchester United (13 para 1).

Antes do sorteio desta segunda-feira e após a realização da primeira fase, o PSG havia subido para o topo da lista de favoritos. Até ontem, o título do time de Neymar pagava 4,50 para 1. Na sequência, vinham City (5,50), Real (7), Barça (7) e Bayern (8).

Após o emparelhamento de oitavas de final, o retorno em caso de título do Manchester City caiu de 5,50 para 4 para 1. O Bayern de Munique, que enfrentará o Besiktas e já lidera a Bundesliga com folga, tornou-se o segundo favorito. O retorno caiu de 8 para 5,50 para 1 em caso de conquista alemã. Já o título do PSG subiu de cotação e passou a pagar 6 para 1, e o Real Madrid transformou-se apenas no quinto favorito a ficar com o título (9 para 1). Nunca, desde que as apostas foram abertas, se pagou tanto pela possibilidade de título do Real.

Como logicamente os retornos vão caindo de fase para fase, com o afunilamento do torneio, é plausível acreditar que este é o melhor momento possível para apostar em título do Real Madrid – caso o apostador ache que a terceira conquista seguida virá. Até porque conforme investidores observem aqui uma boa oportunidade e façam apostas, o valor de retorno vai caindo.

Por exemplo. Assim que saiu o sorteio, a vitória do Real Madrid sobre o PSG no jogo de ida, que será em Madri, pagava 2,25 para 1. Neste momento em que o post é publicado, esta cotação já havia caído para 2,10 para 1.

O título do Chelsea, emparelhado contra o Barcelona, pagaria para quem apostar hoje 34 para 1 (era 21 para 1 antes do sorteio). A maior zebra do torneio é o Basel, da Suíça – 401 para 1 em caso de título (boa sorte!).

Os jogos de IDA de oitavas de final:

13/2
Basel x Manchester City
Juventus x Tottenham

14/2
Real Madrid x PSG
Porto x Liverpool

20/2
Chelsea x Barcelona
Bayern de Munique x Besiktas

21/2
Sevilla x Manchester United
Shakhtar Donetsk x Roma

Retorno em caso de título da Champions (entre parênteses, a cotação antes do início do torneio):

Manchester City – 4 para 1 (13)
Bayern de Munique – 5,50 (8)
Paris Saint-Germain – 6 (7)
Barcelona – 8,50 (7)
Real Madrid – 9 (5,50)
Manchester United – 15 (12)
Liverpool – 15 (29)
Juventus – 17 (21)
Tottenham – 23 (34)
Chelsea – 34 (17)
Roma – 34 (101)
Sevilla – 101 (101)
Porto – 101 (126)
Shakhtar – 101 (251)
Besiktas – 201 (251)
Basel – 401 (501)

* fonte utilizada: Bet365

Para ver o movimento (idêntico) em outras casas de apostas, clique aqui.


PSG x Real Madrid: será que o estagiário vai derrubar o chefe?
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Julio Gomes

Aconteceu o que todo mundo queria, menos os envolvidos. Paris Saint-Germain e Real Madrid vão se enfrentar logo nas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa.

O Paris ganhou seu grupo, que tinha o Bayern, para enfrentar o pior segundo colocado possível. O Bayern, curiosamente, enfrentará o melhor primeiro colocado possível: o Besiktas, da Turquia.

O Bayern e o Manchester City, que enfrentará o Basel, da Suíça, são os dois mega favoritos das oitavas de final, os grandes “sortudos” da manhã desta segunda-feira. Manchester United, contra o Sevilla, Liverpool, que pega o Porto, e Roma, contra o Shakhtar, são favoritos, mas em duelos perigosos.

E não é possível apontar favoritos em dois duelos bem equilibrados: Tottenham x Juventus e Barcelona x Chelsea. São jogões. E vamos lembrar, em fevereiro/março os times poderão estar diferentes do que estão hoje.

Mas nada chama tanta a atenção como PSG x Real Madrid.

É simbólico, porque temos o duelo entre o chefe e aspirante. O clube mais vezes campeão da Europa, o único bicampeão da era Champions, a camisa mais pesada do mundo, contra o clube multimilionário que quer entrar no clubinho de campeões.

Eu entendo que todo mundo esteja dizendo que o PSG deu muito azar no sorteio. E deu mesmo! Mas o Real Madrid também, viu. Este é um duelo 50-50 e, neste início de temporada, o PSG está mostrando mais futebol. Outra coisa é quando chegar a hora H.

É claro que o PSG não queria enfrentar o Real Madrid nas oitavas de final. Seria inevitável enfrentar uma pedreira em algum momento, mas muito melhor que fosse mais para o fim, que o PSG tivesse tempo para construir um momento e um time mais equilibrado defensivamente no terço final da temporada.

Por outro lado, e se o PSG ganhar do Real Madrid? Aí terá, bem cedo, mostrado para o mundo e para si mesmo que pode ganhar de qualquer um. Se vencer o Real nas oitavas, o PSG não terá nenhum obstáculo maior, pelo menos simbolicamente, pela frente.

Individualmente, é também o duelo entre Cristiano Ronaldo e Neymar. O melhor do mundo, dono da Bola de Ouro, contra o que quer ser um dia.

Leia também:
Após sorteio, City vira o maior favorito da Champions; Real cai para 5º

Estas são as oitavas da Champions:

Tottenham x Juventus
Manchester City x Basel
Liverpool x Porto
Manchester United x Sevilla
PSG x Real Madrid
Roma x Shakhtar Donetsk
Barcelona x Chelsea
Besiktas x Bayern

Meus palpites, HOJE. Passam Juventus, City, Liverpool, United, PSG, Roma, Chelsea e Bayern. Mas em fevereiro conversamos novamente :-)


City e Guardiola ‘matam’ a Premier League no dérbi dos presentes
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Julio Gomes

O Manchester City foi a Old Trafford, ganhou do Manchester United por 2 a 1 e praticamente decretou o fim da disputa pelo título da Premier League.

Além de vencer seu principal concorrente, o City ainda foi beneficiado pelos empates de Chelsea, Arsenal e Liverpool. Neste momento, o time de Pep Guardiola tem 11 pontos de vantagem para o United, 14 para o Chelsea e podemos parar por aqui. O turno está quase no fim, são 15 vitórias e 1 empate em 16 jogos e nenhuma, nenhuma indicação de que o City vá “despencar” no returno.

Podemos considerar tranquilamente que o Manchester City será campeão inglês. Basta saber quando e qual será o tamanho do recorde. Por enquanto, as 14 vitórias seguidas já são uma marca inédita.

O que não dava para imaginar é que o City venceria o dérbi de Manchester com dois gols de bola parada, contando com falhas bisonhas de um time comandado por um tal José Mourinho. O time de Pep venceu com jogadas típicas dos times de Mou. Foram três gols na partida dados de presente pelas defesas.

Mas, independente de como saíram os gols que quebraram a série invicta de 40 jogos do United em seu campo, a forma de vencer foi a forma City de jogar, a forma Pep de enxergar futebol.

O domínio do City no primeiro tempo foi impressionante. Mesmo jogando no campo adversário, controlou completamente as ações, empurrou o United para trás e passou 45 minutos sem sofrer uma finalização sequer. O gol poderia ter saído bem antes. Mas saiu de um escanteio, após uma bobeada defensiva e a finalização de David Silva. O United empatou nos acréscimos em uma falha individual de Delph, lateral improvisado na esquerda por Guardiola e bem aproveitada por Rashford.

No segundo tempo, o United voltou melhor que o City, carregando o momento do primeiro. Equilibrou a posse de bola e aproveitou o fato de Guardiola ter precisado sacar o zagueiro Kompany e colocado Fernandinho na zaga. Mas, em nova jogada de bola parada, Lukaku afastou mal e ela sobrou limpa para Otamendi fazer o segundo do City.

Guardiola corrigiu, colocando um zagueiro e tirando Gabriel Jesus que, linda entortada no argentino Rojo à parte, fez um jogo ruim, errático, tomando más decisões – ainda que, diga-se, fora de seu melhor posicionamento. A partir daí, o City voltou a dominar. Sempre carregado por De Bruyne, um jogador especial, com leitura incrível e que adapta seu posicionamento em função do que encontra na marcação adversária.

No final, o United, claro, tentou buscar o empate. E, na melhor jogada do time de Mourinho na partida, parou em dois milagres seguidos do goleiro brasileiro Ederson.

O dérbi do ano passado serviu para ver que Guardiola havia viajado na contratação de Cláudio Bravo. O de hoje serve para referendar a grana paga por Ederson, um dos heróis da vitória.

Agora são 20 jogos entre Guardiola e Mourinho, com 9 vitórias para os times comandados por Pep, 7 empates e 4 vitórias do português.

O Manchester City é o grande time da temporada até agora. Ainda falta muito na Champions. Mas, na Premier, a vaca alheia já foi para o brejo.


Mou x Pep, capítulo 20: a batalha para voltar ao topo da pirâmide
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Julio Gomes

Em algum momento, parecia que José Mourinho e Pep Guardiola haviam atingido tal tamanho que mastodontes como Real Madrid e Barcelona estavam a seus pés. Não era o Barcelona que dominava a Europa e seria, um ano após o outro, desafiado por Chelsea, Inter, o próprio Real. Não. Era o Barcelona de Pep. E o desafiante era o time de Mou, onde quer que ele estivesse.

O tempo passou, Mourinho saiu do Real Madrid, viveu altos e baixos, perdeu um pouco do status adquirido. Guardiola foi para o Bayern, não chegou a uma final europeia, começou mal no Manchester City. E, neste domingo, eles se reencontram em mais um dérbi de Manchester.

Será o dérbi número 175 da história e o vigésimo jogo com os dois técnicos mais falados do mundo se enfrentando. O capítulo número 20. São dois técnicos que há muito tempo não atingem o olimpo que costumavam frequentar. Que não são unanimidade.

Mas que, nesta temporada, dão toda a pinta de que estão prontos para triunfar novamente. Não é apenas mais um Mou x Pep. É um clássico importante para situar a força dos times deles, que são candidatos a tudo na Europa e querem justificar o rótulo.

Amigos nos tempos de Barcelona anos-90 (Mou era auxiliar, Pep era jogador), eles romperam completamente em 2011, no auge da rivalidade. E agora, na mesma cidade, cinzenta, onde não há nada o que fazer e já há alguns anos sem se enfrentar diretamente por algo grande, parece que reataram.

Nas coletivas pré-jogo, não tivermos farpas para lá e para cá. Guardiola se recusou a criticar o jogo supostamente “negativo” do United (“cada técnico entende o futebol de uma maneira, essa é uma beleza do esporte”). Chamou Mourinho de “irmão gêmeo” na vontade de ganhar que ambos compartilham. O português, do outro lado, elogiou muito o time do City e seu “técnico fantástico”. Para não dizer que não era Mourinho, alfinetou os jogadores e as arbitragens (já fazendo aquela tradicional pressão) dizendo que às vezes “o vento derruba os jogadores do City”.

O fato é que os dérbis disputados na temporada passada tiveram um tamanho muito menor do que o esperado, pois os times de Manchester fizeram uma campanha pouco espetacular. Pareciam jogos envolvendo técnicos com mais passado do que futuro. Mas, neste ano, tudo mudou.

O City lidera a Premier com uma campanha surreal, 14 vitórias e 1 empate. O United tem respeitáveis 35 pontos, mas já está 8 atrás. Ou seja, o dérbi é crucial para o time de Mourinho, que joga em casa, tentar quebrar a invencibilidade do City, diminuir a diferença para 5 pontos e mostrar que o campeonato está vivo.

Mais do que isso. São dois times que claramente podem ir longe na Europa. Fizeram uma primeira fase de Champions League muito boa e podem, por que não, se encontrar em fases agudas no ano que vem. Guardiola e Mourinho voltam a ser fortíssimos aspirantes a tudo. A reconquistar a Europa – coisa que um não faz desde 2011, o outro, desde 2010.

Até hoje, foram disputados 19 confrontos diretos entre Mourinho e Guardiola. Pep ganhou oito jogos, Mou ganhou quatro e foram sete empates. Em pontos corridos, foram seis jogos, com três a um para o catalão (dois empates) – o mais marcante foi o primeiro, os 5 a 0 do Barça sobre o Real, a pior derrota de Mourinho. Esta é a quarta temporada em que eles treinam times na mesma liga.

Em mata-matas, o placar mostra 1 a 1 em Champions League (Inter sobre o Barça em 2010, Barça sobre o Real em 2011), 1 a 1 em Copas do Rei, 2 a 0 para Pep nas Supercopas da Espanha e Europa, que pouco valem, 1 a 0 para Mou na Copa da Liga Inglesa (ano passado), que também tem menos importância.