Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Copa do Brasil

Botafogo viaja menos até volta da Libertadores; veja a tabela de cada um
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A semana foi intensa para os times brasileiros vivos na Libertadores, mas a competição só volta daqui a um mês. Grêmio, Santos e Botafogo conseguiram importantes vitórias fora de casa e estão pertinho das quartas de final. Palmeiras e Atlético-MG terão de reverter derrotas mínimas sofridas fora, enquanto o Atlético-PR é quem vive pior situação. Um cenário bem possível, hoje, é de vermos cinco brasileiros e três argentinos nas quartas.

Mas como estarão esses times todos daqui a um mês? Podem haver lesões, contratações, saídas e, por que não, até mesmo técnicos demitidos até lá.

Se juntarmos os mata-matas de Copa Libertadores e Copa do Brasil, veremos que o Grêmio é o único time que venceu nas duas competições e é favoritíssimo para seguir em ambas – até porque, resultados à parte, joga um grande futebol. O Atlético-PR, por sua vez, é o único que perdeu nas duas e dificilmente sobrará algo mais do que o Brasileiro, dentro de um mês, para o Furacão.

Palmeiras e Atlético-MG terão paradas duras na Copa do Brasil, fora de casa, antes de precisarem reverter, em seus domínios, as derrotas sofridas nesta semana pela Libertadores. O Santos está vivíssimo na Libertadores, mas em situação dura na Copa do Brasil. Mesmo cenário para o Botafogo. Ambos jogarão as partidas decisivas em casa, mas podendo administrar na competição sul-americana e tendo de buscar um resultado adverso na nacional.

O blog lista abaixo a tabela de jogos dos seis times brasileiros vivos tanto nas oitavas da Libertadores quanto nas quartas da Copa do Brasil. Nos próximos 35 dias, todos estarão em ação sempre, em fim de semana e meio de semana, e terão de administrar a maratona em três competições. Serão 10 jogos para cada.

Botafogo e Santos jogam 6 em casa e 4 fora, mas o primeiro ainda tem a vantagem de fazer um clássico contra o Fluminense. De todos eles, o Botafogo é quem menos viaja. Os outros – Palmeiras, Grêmio e Atléticos – fazem 5 partidas em casa e 5 fora.

O Grêmio, que vive a melhor situação, poderá evitar jogar com o time reserva no Brasileiro, como fez contra o Palmeiras. Poderá mesclar para poupar um ou dois (em vez do time todo). Ou, talvez, escolher um duelo mais “ganhável” para seu time B. Na minha visão, o jogo ideal para poupar titulares é justamente o próximo, em casa contra o Avaí, antes do duelo fundamental contra o Flamengo, no Rio, no meio da próxima semana.

O Palmeiras, com elenco mais parrudo, dificilmente poupará todo mundo de uma vez. Cuca vai administrar e terá duelos diretos contra Corinthians e Flamengo nas próximas duas quartas-feiras. Depois do confronto contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil, jogará três de quatro jogos em sua arena, onde não perde há um ano.

O Santos tem três pedreiras agora, depois dois jogos em casa antes de tentar reverter na Copa do Brasil, contra o Flamengo. Novamente duas pedreiras no Brasileiro e um jogo mais tranquilo, contra o Avaí, antes da Libertadores.

O Atlético Mineiro tem uma tabela amigável nas próximas cinco rodadas do Brasileiro, com três jogos em casa e um fora contra o lanterna. Mas, ensanduichados entre os jogos de mata-mata contra Botafogo (26/7) e Jorge Wilstermann (9/8), enfrenta os dois atuais ponteiros do campeonato, Corinthians e Grêmio. Os 10 primeiros dias de agosto serão determinantes para a temporada do Galo. O desempenho anterior no Brasileiro determinará se Roger acabará levando força máxima para enfrentar os líderes ou se abrirá, de vez, mão do campeonato para focar na Libertadores.

O Botafogo, rival do Galo na Copa do Brasil, terá duas sequências de três jogos no Rio de Janeiro e é quem menos viaja. E, além do mais, provavelmente mandará time reserva para as partidas que fará fora, contra Atlético-GO e Cruzeiro, imediatamente antes das partidas decisivas contra Atlético-MG e Nacional-URU. O time de Jair Ventura sabe o que quer em campo, está com muita confiança nos jogos grandes e pode continuar sonhando com tudo. A tabela não é propriamente uma inimiga no próximo mês.

O Atlético-PR é quem está em situação mais delicada no mata-mata. Virtualmente eliminado da Copa do Brasil e precisando vencer o Santos por dois gols, fora de casa, na Libertadores. Será um mês de viagens curtas e a segunda quinzena de julho sem sair de Curitiba. Tempo para Eduardo Baptista trabalhar melhor e tentar uma série de vitórias para sonhar, no Brasileiro, com vaga na Libertadores do ano que vem.

Os jogos de cada um no próximo mês.

ATLÉTICO-MG

9/7 Botafogo x Atlético-MG
12/7 Atlético-MG x Santos
16/7 Atlético-GO x Atlético-MG
19/7 Atlético-MG x Bahia
23/7 Atlético-MG x Vasco
26/7 Botafogo x Atlético-MG (Copa do Brasil, 0-1)
30/7 Coritiba x Atlético-MG
2/8 Atlético-MG x Corinthians
6/8 Grêmio x Atlético-MG
9/8 Atlético-MG x Jorge Wilstermann-BOL (Libertadores, 0-1)

ATLÉTICO-PR

9/7 Chapecoense x Atlético-PR
12/7 Atlético-PR x Cruzeiro
15/7 Corinthians x Atlético-PR
20/7 Atlético-PR x Botafogo
23/7 Atlético-PR x Ponte Preta
27/7 Atlético-PR x Grêmio (Copa do Brasil, 0-4)
31/7 Vasco x Atlético-PR
3/8 Atlético-PR x Avaí
6/8 Palmeiras x Atlético-PR
10/8 Santos x Atlético-PR (Libertadores, 3-2)

BOTAFOGO

9/7 Botafogo x Atlético-MG
12/7 Fluminense x Botafogo
17/7 Botafogo x Sport
20/7Atlético-PR x Botafogo
23/7Atlético-GO x Botafogo
26/7 Botafogo x Atlético-MG (Copa do Brasil, 0-1)
29/7 Botafogo x São Paulo
2/8 Botafogo x Palmeiras
6/8 Cruzeiro x Botafogo
10/8 Botafogo x Nacional-URU (Libertadores, 1-0)

GRÊMIO

9/7 Grêmio x Avaí
13/7 Flamengo x Grêmio
16/7 Grêmio x Ponte Preta
19/7 Vitória x Grêmio
24/7 São Paulo x Grêmio
27/7 Atlético-PR x Grêmio (Copa do Brasil, 0-4)
30/7 Grêmio x Santos
2/8 Atlético-GO x Grêmio
6/8 Grêmio x Atlético-MG
9/8 Grêmio x Godoy Cruz-ARG (Libertadores, 1-0)

PALMEIRAS

9/7 Cruzeiro x Palmeiras
12/7 Palmeiras x Corinthians
16/7 Palmeiras x Vitória
19/7 Flamengo x Palmeiras
23/7 Sport x Palmeiras
26/7 Cruzeiro x Palmeiras (Copa do Brasil, 3-3)
29/7 Palmeiras x Avaí
2/8 Botafogo x Palmeiras
6/8 Palmeiras x Atlético-PR
9/8 Palmeiras x Barcelona-EQU (Libertadores, 0-1)

SANTOS

9/7 Santos x São Paulo
12/7 Atlético-MG x Santos
16/7 Vasco x Santos
19/7  Santos x Chapecoense
23/7 Santos x Bahia
26/7 Santos x Flamengo (Copa do Brasil, 0-2)
30/7 Grêmio x Santos
2/8 Santos x Flamengo
6/8 Avaí x Santos
10/8 Santos x Atlético-PR (Libertadores, 3-2)


Quartas da Copa do Brasil: sem clássicos regionais e só um favorito
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juliogomes

O sorteio das quartas de final da Copa do Brasil, realizado nesta segunda-feira, gerou clássicos históricos do futebol brasileiro. Mas não apontou nenhum clássico estadual e ainda colocou mineiros e paulistas em lados opostos da chave.

De um lado da chave, estão Atlético Mineiro x Botafogo e Flamengo x Santos. Do outro lado, estão Grêmio x Atlético-PR e Palmeiras x Cruzeiro.

Jogam em casa a primeira partida Atlético, Flamengo, Grêmio e Palmeiras. Ou seja, Botafogo, Santos, Atlético-PR e Cruzeiro decidem as quartas de final em casa.

É difícil prever qualquer coisa, já que os jogos de ida serão realizados só no final de junho, enquanto as partidas de volta ocorrem entre final de julho e início de agosto. Até lá, muita coisa pode acontecer com os times envolvidos – e seis dos oito estarão disputando mata-mata da Copa Libertadores no meio do caminho.

Clássicos de Minas ou de São Paulo só podem ocorrer em uma eventual decisão. Atlético e Cruzeiro decidiram a Copa do Brasil em 2014 (com título do Galo), enquanto Palmeiras e Santos fizeram a final de 2015 (título palmeirense). A final do ano passado, em que o Grêmio bateu o Atlético Mineiro, também pode ser repetida.

Já um eventual clássico carioca pode ocorrer na semifinal caso Flamengo e Botafogo passem por Santos e Atlético-MG, respectivamente.

Favorito (pelo menos hoje)

O Grêmio, maior campeão da Copa do Brasil (cinco títulos), é quem, no papel, teve o melhor sorteio. Enfrenta um Atlético-PR que ainda não se acertou e tem um ponto no Brasileiro. Além de ter um retrospecto muito bom contra o Furacão, inclusive na temida Arena da Baixada.

Na temporada passada, o Grêmio eliminou o Atlético-PR nas oitavas de final. Ganhou por 1 a 0 em Curitiba (ainda com Roger), perdeu por 1 a 0 em Porto Alegre (justamente na reestreia de Renato Gaúcho), mas avançou nos pênaltis. O Grêmio já venceu o Atlético em Curitiba por 2 a 0, no último dia 21 de maio, pela segunda rodada do Brasileiro. Foi a terceira vitória gremista nas últimas quatro visitas à Arena da Baixada.

Ao contrário de outros grandes do futebol brasileiro que sofrem demais na Baixada, como São Paulo e Flamengo, o Grêmio se sente à vontade quando joga em Curitiba.

O Atlético-PR, além de ter a vantagem de decidir a partida de volta em casa, pode lembrar da única vez que chegou a uma final, em 2013, quando perdeu para o Flamengo. Naquela campanha, eliminou o Grêmio na semifinal.

Dos oito quadrifinalistas, o outro, além do Furacão, que nunca foi campeão do torneio é o Botafogo – perdeu a final de 1999 para o Juventude. Mas o Botafogo tem um bom retrospecto recente em mata-mata contra seu adversário das quartas e já eliminou o Galo da Copa do Brasil três vezes (07, 08 e 13) e da Copa Sul-Americana duas vezes (08 e 11).

O Flamengo, campeão três vezes (a última delas em 2013), pega um Santos que tem uma Copa do Brasil em sua história (2010).

Já o confronto com mais taças reunidas será entre Cruzeiro (quatro títulos, último em 2003) e Palmeiras (três títulos, último em 2015). Em 2015, o Palmeiras eliminou o Cruzeiro nas oitavas rumo ao título. No entanto, desde 2009, só venceu uma vez o rival mineiro em 12 confrontos pelo Brasileirão.

 


Mudança da Libertadores é ótima. Falta agora o Brasil inverter calendário
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juliogomes

A Conmebol, quem diria, anunciou uma decisão que considero ótima para o calendário sul-americano. A Copa Libertadores não será mais uma competição de primeiro semestre e, sim, de ano todo. Começa em fevereiro, acaba em novembro.

Times não classificados para as oitavas de final “caem” para a Copa Sul-Americana, no estilo “rebaixamento” da Champions para a Europa League. Isso melhora o nível da Sul-Americana. E a final da Libertadores será em partida única. Aí é questão de gosto. Acho que o lado esportivo perde, mas gosto de levar grandes clubes do continente para diversos mercados, criar festas internacionais.

O fato é que a Libertadores no ano inteiro cria vários fatos positivos. Um deles é dar “folga” no calendário para as competições nacionais. Outra é acabar com aquela bizarra pausa na “hora H” em anos de Copa do Mundo e Copa América (dois a cada quatro). Pelo menos a pausa ocorrerá entre fase de grupos e mata-mata, como ocorre na Champions.

Outro fator positivo. Se um time brasileiro ganhar a Libertadores, já parte logo para o Mundial. Não fica aquela palhaçada de abandonar tudo por seis meses por causa do tal Mundial. Aliás, é benéfico para o representante da Conmebol chegar para a disputa na ponta dos cascos – o que não necessariamente se aplica ao campeão europeu.

A janela de meio de ano europeia pode tirar alguns jogadores do mata-mata da Libertadores? Pode, mas é um detalhe menor. Quanto mais os países do continente se fortalecerem, menor impacto terá a janela.

Agora falta o calendário brasileiro se adaptar. E há uma mudança que é simplesmente mandatória: a inversão. O Campeonato Brasileiro precisa começar em janeiro ou fevereiro, empurrando os Estaduais para o fim do ano.

Assim, Brasileiro e Libertadores começam juntos. Fase mais aguda do Brasileiro, reta final, seria em julho e agosto. Consequentemente, times não precisariam em nenhum momento abrir mão do Brasileiro por causa da Libertadores – esse “abrir mão”, seja no início, seja no final do campeonato de pontos corridos, gera distorções terríveis para a disputa.

O Brasileiro pode ir de janeiro/fevereiro até o final de agosto. Assim, ele e Libertadores não se atrapalham. E as janelas europeias (de janeiro e agosto) têm impacto praticamente zero no decorrer Brasileiro. É possível condensar mais datas no primeiro semestre quando houver algum tipo de pausa (Copas do Mundo e América).

A Copa do Brasil pode ser espalhada pelo ano inteiro, com fases de oitavas de final para frente em setembro, outubro e novembro, ou seja, também sem concorrer com o Brasileiro.

E os Estaduais precisam ocupar o ano inteiro, dando calendário para times pequenos e amadores. Começam em fevereiro e vão até novembro. Sendo que em setembro, outubro e novembro os Estaduais ganham a participação dos clubes envolvidos nos Brasileiros A, B e C até agosto. Clubes menores jogam de fevereiro a agosto seus Estaduais para ganharem o direito de enfrentar os grandes no final.

Clubes grandes que, em setembro, outubro e novembro, estiverem envolvidos em Libertadores ou Copa do Brasil, podem abrir mão dessa fase “final” dos Estaduais. Que botem times mistos, reservas, sub-21, o que seja.

Em compensação, clubes importantes que estiverem fora das fases agudas de Libertadores e Copa do Brasil podem se dedicar aos Estaduais para “salvar o ano”. Desta forma, com três meses para os grandes, os Estaduais teriam muito mais peso e gerariam mais interesse do que com os quatro meses atuais no início do ano.

A notícia sobre a Libertadores é ótima. Agora só falta a CBF e os clubes fazerem a parte deles. Este post não traz nada mirabolante. Apenas, o óbvio. Espero que os dirigentes vejam da mesma maneira.

Calendário ideal:

Pré-temporada – janeiro

Libertadores – fevereiro a novembro (anúncio feito hoje)

Brasileiro (A, B, C, D) – fevereiro a agosto (um mês a mais que atualmente e sem ser afetado por janelas de transferência)

Copa do Brasil – fevereiro e novembro (oitavas a partir de setembro) – de preferência com participação de todos os clubes do país, estilo FA Cup

Estaduais – fevereiro a novembro – até agosto com com clubes que não estejam nas séries do Brasileiro. A partir de setembro, entram na disputa os clubes que estiverem envolvidos em competições nacionais

Férias – dezembro

libertadores


Atlético e Santos têm tudo para fazer semi na Copa do Brasil
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juliogomes

Foram definidas as quartas de final da Copa do Brasil. Todos queriam pegar o Juventude. Com todo respeito ao time que eliminou o São Paulo, segue sendo de terceira divisão (pode subir para segunda se passar do mata-mata que tem contra o Fortaleza na Série C).

E quem se deu bem foi o Galo. Apesar de decidir a vaga em Caxias, o Atlético Mineiro tem tudo para abrir boa vantagem na ida, semana que vem, e encaminhar a classificação para as semifinais. Marcelo Oliveira chegou a quatro das últimas cinco finais de Copa do Brasil – ganhou ano passado com o Palmeiras, perdeu com o Cruzeiro (2014) e duas vezes com o Coritiba (11 e 12).

marcelo-oliveira-atletico-mineiro

É um técnico com histórico muito bom na competição, pois. O sorteio ajudou. O Galo pode até estar ficando para trás no Brasileiro, mas está claro que vai para as cabeças na Copa do Brasil.

Uma semifinal está super desenhada entre Atlético e Santos.

O Santos enfrenta o Internacional. É verdade que o jogo de volta em Porto Alegre, mas isso, na verdade, me parece ser uma boa notícia para o Santos. O Inter vive um momento horroroso, mais um técnico balança, a preocupação é para evitar um rebaixamento que seria inédito. O Santos tem tudo para encaminhar o confronto semana que vem, se ganhar bem na Vila.

Atlético e Santos, pois, têm a faca e o queijo nas mãos para deixar quase garantida a vaga nas semis e poderem focar em buscar os líderes do Brasileiro no próximo mês (os jogos de volta são somente no fim de outubro).

Do outro lado da chave, tudo mais nebuloso. Grêmio e Palmeiras fazem primeiro jogo em Porto Alegre, volta em São Paulo. Corinthians e Cruzeiro abrem as quartas em Itaquera, decidem no Mineirão.

A tabela do Brasileiro, se servir como indicativo, aponta para Palmeiras e Corinthians como favoritos. Mas são duelos muito abertos. O Grêmio, apesar da grande crise, tem técnico novo, faz um jogo em casa meio que para “salvar o ano” semana que vem e, quando chegar a partida de volta, o Palmeiras pode estar totalmente focado em conquistar um Brasileiro que não ganha há 22 anos.

Já o Cruzeiro melhorou com Mano Menezes e, daqui a um mês, já deverá ter se afastado da briga contra o rebaixamento. O Corinthians nem saberemos se estará de técnico novo, disputando título ou G4, enfim.

A distância entre os duelos de ida e volta dilui – e muito – o suposto favoritismo de Palmeiras e Corinthians nestes dois duelos.

Palpite do blog: Atlético x Santos. Palmeiras x Cruzeiro. Final mineira. Calma. É apenas palpite. Deixe o teu aqui também.


Mimimi do presidente do Flu é exagero completo
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juliogomes

Quantos times já não saíram de Itaquera ou do Pacaembu reclamando de arbitragem? Ou do Maracanã? Ou do Bernabéu? Ou do Camp Nou? Ou do Delle Alpi?

Amigos, arbitragens caseiras são a notícia mais velha que há no futebol. O torcedor de futebol se sente bem achando que ele faz diferença no estádio. O que sempre fez diferença para time da casa foram as arbitragens. Sempre fizeram e sempre farão. E na esmagadora maioria dos casos os erros vão ajudar o time grande, o mais popular, o mais importante.

Árbitros têm medo de errar contra os grandes. Sabem que suas carreiras podem ser prejudicadas. Essa é uma verdade inexorável no futebol e que nunca será alterada. Vivam com isso.

O Corinthians sempre fez e sempre fará parte do seleto grupo de clubes que foram e serão mais beneficiados que prejudicados por arbitragens. Não estou falando em compra de árbitros nem nada do tipo (pode até ter acontecido no passado, mas hoje em dia acho muito difícil). Estou falando de uma coisa simples: árbitros têm medo de errar contra os grandões, ainda mais em sua casa.

Quando Levir Culpi fala que foram “seis lances capitais no jogo e o Corinthians ganhou de 6 a 0”, ele está clamando por uma “divisão” na hora dos lances duvidosos. Sorry, Levir. Isso nunca acontecerá.

O Corinthians já ganhou jogos com lances muito, mas muito mais polêmicos ou cristalinos que os desta quarta à noite contra o Fluminense.

A chave do jogo não foi a arbitragem. O Flu tinha um plano de jogo. Ser conservador no primeiro tempo e arriscar no segundo. Se levasse um gol, OK, plano seguiria, pois bastaria marcar um para levar a pênaltis. O que não estava nos planos foi a apatia do time carioca após levar o gol de Rodriguinho. O Fluminense não soube manter a frieza e o jogo que estava fazendo. Derreteu em campo, se encolheu, foi engolido.

Foi o gol de Rodriguinho que entrou na cabeça dos atores em campo e fez com que o Corinthians se classificasse.

O Flu teve três gols bem anulados, em lances pouco duvidosos. A expulsão de Marquinho, na minha visão, é ridícula. Não concordo com a atitude do árbitro, muito autoritária. Juízes são xingados o tempo todo, precisam entender a frustração de jogadores, relevar muita coisa. Amarelo bastaria. Mas foi uma expulsão nos minutos finais. Eu nem chamaria de lance capital. O pênalti reclamado em Cícero, para mim, não foi nada. Ombro com ombro.

O de Fágner nos acréscimos é um lance muito duvidoso. O jogador do Flu é acertado, sem dúvida. Mas caiu por isso? Se deixou cair? É pura interpretação. E aí caímos no que eu disse no começo desse post. Na dúvida, será sempre pro da casa ou pro grandão. Não adianta dar murro em ponta de faca. Aliás, eu não daria o pênalti. Concordo com a decisão do árbitro. Richarlison já estava caindo antes de haver o contato com Fágner, que recolhe a perna.

Aí vem o presidente do Fluminense, aquele mesmo do Pequeno Príncipe, dizer que o Corinthians “sempre joga com 12” e que foi “uma vergonha” o que aconteceu no Itaquerão.

Algum maldoso diria que vergonha é cair para a segunda divisão no campo e ficar na primeira no tribunal. Pessoalmente, acho que dirigentes como Siemsen mais ajudam do que atrapalham o futebol brasileiro.

Mas o choro teve todas as características para ser chamado de “mimimi”. Um exagero completo. Nunca vemos dirigentes falando com tanto fervor quando arbitragens ajudam seus times, somente quando atrapalham – ou supostamente atrapalham. Por isso, entre outras coisas, eles vão perdendo credibilidade.

O presidente, ou chefe, deveria ouvir a entrevista de seu técnico, o funcionário. Muito mais classe para reclamar. A frustração da eliminação é normal, a frustração por ter todas as decisões difíceis contra si é compreensível. O exagero, além de inútil, é nocivo. Dirigentes e jogadores fazem a vida dos árbitros ser muito mais difícil do que já é.

Siemsen passou completamente do ponto. Jogou para a torcida. Essa história também é velha. Dirigentes falando como torcedores e árbitros apitando lances duvidosos para o time da casa… o mundo gira, mas certas coisas não mudarão nunca.

siemsen


Santos joga 2016 no lixo e deve explicações à torcida
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juliogomes

O Santos tinha tudo para fazer um Campeonato Brasileiro meia boca. Como fez nos últimos anos. Nem era time para cair nem para disputar lá em cima. Time de meio de tabela.

A coisa ia mal no primeiro terço de campeonato, até na zona de rebaixamento o Santos andou. E de repente, com o ótimo trabalho de Dorival Júnior, o time encaixou e subiu, subiu, subiu. E, ao contrário de outros que subiram e caíram, subiram e caíram, o Santos se manteve em alta.

Na 29a rodada, chegou ao G-4. E se manteve lá por seis rodadas. No meio de tudo isso, dessa escalada, foi fazendo vítimas também na Copa do Brasil. Corinthians, apesar da má vontade, Figueirense e um verdadeiro atropelamento em cima do São Paulo – que, por sinal, era um dos rivais na luta pelo G-4 no Brasileiro.

Logo depois de garantir a vaga na final da Copa, no fim de novembro, o Santos pegou justamente o Palmeiras na 33a rodada. E ganhou o jogo, no que era a quarta vitória em seis partidas. Era o ápice santista na temporada, tinha gente que colocava somente o Corinthians um degrau acima no futebol nacional – isso se não colocasse no mesmo degrau.

Naquele momento, o Santos era favoritíssimo para ser campeão da Copa do Brasil. E também para ficar com a quarta vaga na Libertadores via Brasileirão.

Um empate em Joinville e a quarta colocação mantida após 34 rodadas. Naquele momento, o campeonato parou por 10 dias para a maioria dos times devido aos jogos da seleção brasileira. Se tinha gente desgastada, era uma parada propícia. Principalmente para quem vinha da maratona de quarta-domingo-quarta-domingo.

Por que, então, o Santos abandonou o Campeonato Brasileiro?

O que justifica ter colocado time reserva em campo em jogos contra Coritiba (com portões fechados!) e Vasco, dois times fracos e que disputam a salvação na primeira divisão?

A desculpa oficial todos sabemos. Era poupar os jogadores para a final da Copa do Brasil. Parece até que alguns deles pediram isso.

Mas a pergunta é: valeu a pena?

Agora, com o Santos derrotado na final da Copa do Brasil e sem vaga na Libertadores, a resposta parece mais do que óbvia.

“Ah, Julio. Foi nos pênaltis! Podia ter sido campeão e você não estaria falando nada disso.”

Era uma final, oras bolas. Contra todo um Palmeiras, de camisa, tradição, história. Podia ser nos pênaltis, como podia ser de outro jeito. Em que momento será que o Santos achou que seria mais fácil ganhar o título em cima do Palmeiras do que ganhar de dois times na zona de rebaixamento?

A partir da 34a rodada, o Santos simplesmente jogou fora a posição duramente conquistada no G-4 do Brasileiro. Não ganhou nenhum dos quatro jogos contra Joinville (rebaixado), Flamengo (sem razão de jogar), Coritiba (com portões fechados) e Vasco.

E olha que nenhum dos concorrentes pelo G-4 fez muito para abrir vantagem para o Santos. Foi o próprio Santos que jogou os pontos no lixo.

As explicações podem ser as melhores possíveis. A comissão técnica pode mostrar, por A + B, que fulano e beltrano se lesionariam, tivessem jogado nessas partidas. Mas que alguma explicação precisa ser dada, e muito bem dada, isso precisa.

O time parece ter perdido o tesão de jogar bola. E querem um símbolo disso? A comemoração pálida, quase sem graça, do gol de Ricardo Oliveira, aos 40 e tantos do segundo tempo, que levava o jogo para os pênaltis. Foi gritante o contraste com as celebrações dos gols de Dudu para o Palmeiras logo antes.

Em três semanas, o Santos simplesmente jogou 2016 na lata do lixo.

 


Os times se odeiam, e a noite foi horrorosa na Vila Belmiro
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juliogomes

Um dos grandes desafios no futebol é manter a concentração o jogo todo. Ainda mais em gramado molhado, com chuva, estádio cheio, etc. O Palmeiras teve uma bela atuação defensiva na primeira final contra o Santos. Mas falhou em um lance de lateral. Permitiu o bate e rebate.

E aí falou alto o talento de Gabriel, que aproveitou a bobeada e fez um belo gol. Foi praticamente a única coisa boa (se você não é torcedor palmeirense) que aconteceu durante toda a partida.

Finais costumam ser diferentes, mesmo. Jogos mais amarrados, tensos, com muita coisa em jogo.

Mas não foi por isso que o clássico da Vila foi horroroso. Creio que a razão principal é que os times parecem se odiar. Muitas contas devem ter ficado pendentes após as finais do Paulista e os duelos pelo Brasileiro.

Não foi um jogo tenso esportivamente. Foi um jogo tenso pelas pegadas, entradas, empurrões, cotovelaços, pontapés, xingamentos. Há uma rivalidade em campo entre esse Santos e esse Palmeiras que, sem dúvida alguma, extrapola a rivalidade histórica entre os clubes – que não é tão relevante como em outros duelos regionais.

O Palmeiras conseguiu o que queria. Amarrar a partida, diminuir espaços e não dar o contra ataque para um Santos que é muito veloz e letal nessa jogada. Um ataque contra defesa mais estático e em porção menor do gramado foi benéfico ao time visitante. O jogo teve o ritmo que Marcelo Oliveira queria.

Fora dos planos mesmo foi perder. E aí o Palmeiras vai reclamar – e muito, e com razão – da arbitragem. O pênalti não marcado de David Braz sobre Lucas Barrios, no segundo tempo, foi um escândalo.

Lance fácil para a arbitragem, o jogador do Palmeiras não tinha por que se jogar, já que estava de frente para o gol. Diminui a velocidade para bater, não para provocar o choque. Poderia ser um 1 a 0 para o Palmeiras que mudaria os rumos.

Lembrando que pênalti não é certeza de gol. O Santos perdeu um, com Gabriel (este bem marcado, pois Arouca puxa infantilmente Ricardo Oliveira na área). Lance que também poderia ter mudado a final e dado uma vantagem maior ao Santos, pois possivelmente quebraria o esquema de Marcelo Oliveira.

Santos e Palmeiras deram sequência, na primeira final, à fase ruim dos dois times. Ambos chegam à reta final da temporada jogando mal.

Para a volta, o Santos leva uma clara vantagem (apesar de lamentar muito o inacreditável gol perdido por Nilson nos acréscimos). Não só do resultado, mas porque o jogo pode se colocar como o time mais gosta, tendo o contra ataque à disposição. O Palmeiras viverá um dilema. Se expor logo de cara? Ou fazer um jogo parecido com o da Vila por algum tempo, correndo o risco de irritar a própria torcida?

Foi feio ver camisas tão importantes do nosso futebol povoadas por patrocínios que nem conseguem ser vistos. Foi horrível ver tanta pancadaria. Foi péssimo ver um erro tão grande da arbitragem. Foi risível o gol perdido por Nilson.

Só podemos torcer por um jogo melhor na semana que vem.


A final de nunca virou a final de sempre. Santos é favorito
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juliogomes

Santos e Palmeiras, dois gigantes do futebol paulista e brasileiro, demoraram 55 anos para disputar um título. Os deuses do futebol, esses engraçadinhos, resolveram então que isso acontecesse duas vezes no mesmo ano.

A notícia, surreal, apareceu em abril, quando ficou definida a final do Paulista. É inacreditável que dois clubes deste porte e que tenham tido times fantásticos em épocas parecidas tenham demorado tanto para se reencontrarem.

Sete meses depois de o Santos ter vencido o Paulistão em cima do Palmeiras, agora é a hora da revanche. Em um torneio bastante mais importante, convenhamos.

Pela Copa do Brasil, eles se enfrentaram lá atrás, em 1998, em uma semifinal. O Palmeiras passou e seria campeão. Lá se vão 17 anos sem um mata-mata nacional entre os dois.

Se a primeira partida fosse na semana que vem, o Santos levaria uma tremenda vantagem. É um time em melhor fase, mais inteiro e que sabe o que quer. O Palmeiras ainda é um time muito inconsistente e sofre na parte física.

O favoritismo do Santos, que eu aponto lá no alto, é momentâneo. Em um mês, tudo pode mudar. E o jogo de domingo, na Vila Belmiro, não vai valer para nada nesse sentido – vai valer para a disputa pelo G4 no Brasileiro, lógico, mas não nos dará qualquer tipo de indicação para a final.

Marcelo Oliveira segue com o mesmo desafio. Recuperar jogadores e transformar um bom elenco em um bom time, coisa que o Palmeiras ainda não é. Para o Santos, a chave é estender o momento por mais um mês e preservar Ricardo Oliveira, o fundamental homem-gol.

Uma pena que não tenhamos mais aqueles festas bonitas com o Morumbi rachado entre duas torcidas. Os tempos são outros, agora o fator casa vale nos clássicos. Para o Santos, jogar na Vila é fundamental para compensar a vantagem que o Palmeiras terá ao jogar em seu novo estádio.

 


Apático, Palmeiras correu riscos desnecessários para ir à semifinal
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juliogomes

O Palmeiras se classificou para a semifinal da Copa do Brasil, vai pegar o Fluminense e desde já é favorito. Pela mesma razão que era favorito contra o Inter: por ser mais time.

Mas o time de Marcelo Oliveira correu um risco desnecessário de eliminação contra o Inter de Argel e deixou uma impressão não tão animadora assim. E talvez a fisionomia dos dois técnicos durante o jogo, reflexo da personalidade dos mesmos, resuma bem o que aconteceu nesta noite de quarta no Allianz Parque.

Argel, pilhado, trouxe energia a seu time. Digamos que é um técnico que tem cara de mata-mata. Marcelo Oliveira, ainda que os resultados com o Coritiba me desmintam, tem mais cara de pontos corridos. E atuou assim ao longo do jogo.

O Palmeiras foi melhor que o Inter no Beira-Rio, mas saiu de lá com um 1 a 1. Em São Paulo, logo fez 1 a 0. E aí parece que se esqueceu de jogar o resto da partida. Acho que tudo estivesse resolvido.

O Inter já ameaçava o empate no primeiro tempo, até que veio o pênalti do 2 a 0. Pênalti, na minha visão, inexistente. O jogador Lucas, do Palmeiras, cai sozinho. E, por isso, Alex, do Inter, cai também. Sim, se apoia no próprio Lucas que tentava levantar. Mas não segura a camisa do jogador palmeirense, o braço vai ao corpo no movimento da queda. O típico “segue o jogo”, ninguém estaria falando desse lance, não fosse marcado o pênalti.

O erro gigantesco do árbitro teve consequência discutível, eu diria até irrelevante, pela maneira como o jogo se desenrola. Argel vai reclamar para burro, mas o time dele buscou o empate, buscou o prejuízo do erro do árbitro. Técnicos gostam de se apoiar nos erros alheios para apagar os próprios.

No segundo tempo, o Palmeiras voltou mais ainda senhor de si e crente que a eliminatória estava encerrada. O Inter foi para cima e buscou o empate, com muito ímpeto, volume, coração. O Inter buscava, o Palmeiras e a torcida que lotou o estádio pareciam estar em outro planeta. Uma apatia inacreditável, pelo palco e a importância do jogo.

Não vejo falta de Ânderson no lance do primeiro gol do Inter – Lucas abaixa a cabeça e vai em direção à bola -, além de o lance ter certa distância até a finalização em si. Não vejo impedimento de Rodrigo Dourado no lance do segundo gol, a imagem não é clara. Podia estar na mesma linha ou bem pouco à frente, lance difícil demais para ser marcado. É muito mimimi de arbitragem – ainda que hoje seja justificável por parte dos dois times, porque o árbitro era horroroso. Péssimo. E árbitros péssimos irritam todo mundo.

O 3 a 2 veio na jogada aérea, um minuto depois do empate do Inter. Quando o jogo tinha tudo para ganhar o desenho que Argel mais queria, com o campo inteiro para contra atacar.

Apesar de o 3 a 2 ser matematicamente igual ao 2 a 1 para a eliminatória, o cenário da partida mudou completamente. A chama do Palmeiras, enfim, se acendeu e o time mostrou, pelo menos por 15 minutos, o que não tinha mostrado nos 75 anteriores.

Com um time superior, em casa e 2 a 0 no intervalo, o Palmeiras nunca poderia ter dado essa sopa para o azar. Apesar de ter tantos jogadores experientes e um técnico campeão, mostrou-se um time imaturo, sem reação e sem ideias. Mais na linha do Palmeiras que arrumou um empate contra o São Paulo do que o que merecia ter ganhado do Corinthians.

Sim, é favorito contra o Fluminense.

Mas e se o Flu já tiver se livrado do rebaixamento com duas vitórias no Brasileiro? Sem Ronaldinho, o que ajuda, com um técnico novo e bom, o que ajuda, e com um Fred em condições, o que pode ser decisivo… não é possível descartar o time das Laranjeiras na decisão.

 


Um mês após a final da ‘nossa’ Copa, o futebol brasileiro agoniza
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juliogomes

Dia 13 de julho. Maracanã. Um enorme jogo de futebol, taticamente muito bem jogado, tecnicamente quase perfeito, com ritmo, velocidade, emoção, casa histórica, cheia, torcedores misturados, golaço decisivo. Era a final da Copa do Mundo. Tudo bem, é verdade. Não dá para um evento ser muito melhor do que a final da Copa do Mundo.

Mas ela foi em nossa casa. Debaixo dos nossos narizes. E coisas que acontecem por perto são as que têm mais efeitos inspiradores. É claro que eu não tinha a esperança de ver o Campeonato Brasileiro recomeçar com um futebol de primeiríssima. Mas, depois de a Copa ter nos mostrado jogos tão bons em todos os aspectos do esporte e, fundamentalmente, depois dos 7 a 1, eu esperava uma chacoalhada mais forte.

O que vimos? Nada. Ou quase nada. Seguimos na idade da pedra.

Ao longo de um mês, um mês cravado desde o final da Copa, tivemos:

– Jogador apanhando de torcedores e sendo ameaçado de “demissão” pelo próprio clube, que deveria ser o primeiro a protegê-lo;

– Estádios às moscas, com públicos ridiculamente pequenos dois ou três dias depois da decisão da Copa. A ressaca nem havia passado ainda e o futebol lixo já estava sendo empurrado goela abaixo;

– As brigas de sempre entre torcedores, quase sempre os tais “organizados”. Emboscada na porta de estádio, cadeiras quebradas, alpinismo pra pular de um setor a outro de estádio da Copa, etc, etc, etc;

– Jogos espetacularmente ruins, falta de gols, de passes certos, de futebol dinâmico, de campo encurtado, tudo isso junto com as velhas retrancas, o modus operandis consagrado dos últimos anos: a busca pelo resultado, não importa como;

– Um calendário sendo anunciado para o ano que vem sem a pré-temporada corretamente exigida pelos jogadores, um calendário que segue matando tanto clubes grandes quanto pequenos;

– Os dirigentes da CBF tirando olimpicamente o corpo fora ao colocar Dunga de volta no comando técnico da seleção. Mais um que aceita ser a cara da derrota, em caso de derrotas;

– Clubes tradicionais do nosso futebol demitindo treinadores após uma ou duas derrotas, depois de tê-los deixado trabalhando durante toda a pausa para a Copa do Mundo. E o pior, voltando até duas décadas no tempo para trazer os respectivos substitutos (19 anos atrás, repito, DEZENOVE anos atrás, São Paulo, Flamengo, Grêmio, Internacional e Atlético Mineiro tinham os mesmos técnicos que têm hoje);

– Movimento da “Bancada da Bola” no Congresso Nacional para aprovar uma lei de responsabilidade fiscal que parcelaria as históricas e vultuosas dívidas dos clubes de futebol para com a sociedade que paga seus impostos (sem, claro, as devidas contra partidas). Um show de dirigentes fazendo biquinho e tentando convencer os torcedores de que os clubes são pobre coitados e, se não tiverem a mão benevolente do governo, não poderão fomentar a lúdica prática esportiva a partir do ano que vem;

Devo estar esquecendo de alguma bizarrice pelo caminho.

E, passados 31 dias, chegamos ao 13 de agosto. Um mês depois da Copa.

Pela TV à cabo, poucos viram ou mesmo ficaram sabendo do título inédito do San Lorenzo na Copa Libertadores da América.

Veja bem. Na Europa, dia de final de Champions League é o dia do “para tudo”. Não importa de que país sejam os times finalistas. O jogo será transmitido pela TV que mais pagou, de preferência in loco, pelo melhor narrador, comentarista e repórter possíveis, com interesse total porque, afinal, estarão em campo os melhores do continente. Os times que chegaram onde todos os outros queriam chegar.

Aqui, não. Como não tem brasileiro, a final de Libertadores fica em quinto plano. Quer dizer. É o título que todo mundo quer no Brasil, mas é o torneio que ninguém quer ver se não estiver lá o próprio time ou então o rival, para torcer contra. Isso é gostar de futebol?? É assim que o “país do futebol” faz??

O país não conhece o San Lorenzo. Alguns sabem apenas que é o “time do Papa”. Pois é. A maioria tampouco conhecia Kroos, Khedira e aquele loirinho simpático que nadava no mar com os locais lá na Bahia. A ignorância é uma grande amiga da arrogância.

No dia da final da Libertadores, um mês depois da Copa, o que vimos foi a Copa do Brasil. Um torneio bacana. E que, como o mata-mata faz muita falta, tinha tudo para ser o mais bacana do país. Só que aí a CBF inventou uma regra: quem é eliminado da Copa do Brasil pode acabar tendo como “prêmio” a disputa da Copa Sul-Americana.

Como no futebol se classificar para algo virou mais importante do que ganhar algo, era óbvio que muitos times iriam preferir buscar a vaga na Libertadores seguinte via Sul-Americana, um torneio de menor nível técnico. No ano passado, pela primeira vez na história da Copa do Brasil, sete times de primeira divisão foram eliminados antes das oitavas de final do torneio. Coincidência?

A Ponte Preta mandou reservas e foi eliminada da Copa do Brasil pelo Nacional do Amazonas, então na quarta divisão. “Caiu” para a Sul-Americana. Chegou à final e quase conquistou o primeiro título internacional de sua história.

O assunto das possíveis “marmeladas” não ganhou corpo porque os times grandões do país não haviam sido eliminados de forma esquisita e precoce.

Só que eis que no 13 de agosto de 2014, um mês depois da final da Copa, o Fluminense (levando de 5 no Maracanã), o São Paulo (de 3 no Morumbi) e o Internacional caíram na Copa do Brasil para times da segunda divisão. O prêmio? A Sul-Americana (o Flu ainda não está garantido, depende de o Santos não dar vexame igual).

No futebol brasileiro, é simplesmente difícil acreditar na idoneidade de todos os atores ao mesmo tempo. Muito difícil. No país em que os pontos corridos foram notabilizados pelas entregas nas rodadas finais, para que rivais locais fossem prejudicados, a CBF conseguiu criar uma situação de “o melhor é perder” até mesmo em um torneio de mata-mata.

O melhor pode ser perder para disputar a Sul-Americana. Ou para ter um calendário mais livre e focar no Brasileiro. Ou pode-se perder por incompetência mesmo. Muita gente não acredita em coincidências e que tantas eliminações precoces de times da primeira divisão em 2013 e 2014 não podem ter sido por acaso. Outros acham absurdo pensar em teoria da conspiração.

Mas o fato é que a quarta-feira à noite, um mês depois da Copa que deveria ter mudado nossos rumos, no mesmo dia em que o campeão continental foi definido, o único assunto que se falava era a “esquisitice” de eliminações de times grandes e os bizarros regulamentos da CBF.

Tem gente que também acredita que os 7 a 1 foram só um acidente.

Eu simplesmente não acredito mais em nada.

Para não dizer que tudo foi catástrofe neste mês que se passou, alguns poucos pontos positivos podem ser destacados. Neymar deu uma boa entrevista, admitindo que, na base, “ensina-se futebol de forma errada”. Nomes importantes e com opiniões fortes e duras, que destoam da maioria, como Leonardo, foram ouvidos. A TV Globo, dona do produto, está se mexendo de alguma forma para cobrar dos clubes mais qualidade. O Bom Senso FC tem conseguido se mexer e foi fundamental, com a ajuda de alguns parlamentares, para que a lei que tanto querem os dirigentes não fosse aprovada.

O futebol brasileiro agoniza na UTI. As esperanças são poucas. Quem tem o remédio não pode nem entrar no hospital. E, ao que parece, os que têm a chave são fãs da eutanásia.