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O que Mano Menezes ainda pode dar ao Cruzeiro?

Julio Gomes

31/07/2019 05h10

Lá se vão quatro anos de Mano Menezes no Cruzeiro, com um pequeno intervalo de seis meses na China no primeiro semestre de 2016.

Neste percurso, dois títulos de Copa do Brasil e dois Mineiros. E um Cruzeiro competitivo – mas não poderia ser de outro jeito, pois era um Cruzeiro ativo e comprador do mercado. No Brasileiro, o Cruzeiro, com Mano, nunca passou perto de repetir os títulos de que vieram em 13/14, com um bem menos badalado Marcelo Oliveira.

A estabilidade é tudo o que pedimos, os que gostaríamos de ver o futebol brasileiro mais profissional. Técnicos precisam de tempo para trabalhar, precisam ser bancados pelos chefes que os escolhem.

Mano é um caso raro no Brasil. Teve tempo no Corinthians, teve tempo no Cruzeiro, só não teve mesmo na seleção brasileira o ciclo necessário.

Mano entrega títulos. Não muitos, nunca formou dinastias. Mas quem formou? Dá para contar nos dedos. O que Mano não entrega é um futebol bacana de se ver. E Fred concorda comigo, pela "declaração de guerra" ao estilo do técnico, dada após a eliminação para o River Plate, ontem, na Libertadores.

Nem Fred nem eu nem você descobrimos ontem que Mano Menezes joga por placares mínimos, gosta de futebol reativo e conservador. Esta sempre foi a marca.

Pode-se gostar ou não. Eu não gosto. Falta ousadia, coragem, paixão. O resultadismo é um câncer no futebol e na vida.

Acho que esse futebol pragmático e "feio" não tem nada a ver com a história do Cruzeiro. Assim como o futebol de Felipão não tem nada a ver com a história do Palmeiras. O tal DNA. Mas já faz algum tempo que dirigentes deram uma bicuda no DNA dos clubes. E torcedores, em sua maioria, embarcaram. O que importa é ganhar, não importa como.

Mano entregou, pelo menos em parte, com as Copas do Brasil, o que se esperava dele no Cruzeiro.

Mas o que mais ele pode entregar? Neste ano, mais do mesmo. E, em termos de futebol bem jogado, com o elenco que tem em mãos, sinceramente, não vejo muita coisa.

A estabilidade para os técnicos é importante e obrigatória, mas não eterna. Mano deve ficar, pois está em uma semi de Copa do Brasil e o clube vive uma turbulência enorme extra-campo, dirigentes não precisam mexer em outros vespeiro, que seria a renovação técnica, neste momento.

Mas creio que está na hora de o Cruzeiro virar esta página e tentar resgatar um pouquinho de suas raízes.

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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