Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Espanha

Quando um homem só vale tanto quanto um timaço
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Julio Gomes

O que mais falar de Cristiano Ronaldo? Ainda tem gente que consegue encontrar defeitos. Eu não consigo. Só vejo qualidades. O maior atacante que já vimos é o homem da Copa, que ainda mal começou. Pelo menos por enquanto.

Cristiano fez tudo sozinho nos 3 a 3 entre Portugal e Espanha. Jogo dentro do script – surpresa, talvez, o alto número de gols.

A Espanha com posse e controle, Portugal com organização, vontade e Ronaldo. Os espanhóis mostraram coração, não parece ser um time afetado mentalmente pela demissão de Julen Lopetegui anteontem. A única crítica é o modo como o time parou após o 3 a 2.

Relaxou demais. É verdade que, com o placar a favor e depois de remar tanto para chegar à virada, o jogo mudaria. Mas ainda faltava muito tempo para a Espanha sentar em cima do placar. E do outro lado tem um tal Ronaldo.

Portugal não é um timeco. É o campeão da Europa, oras. Alguma chance teria. E teve. E fez.

Para a Espanha, fica uma boa notícia. O time é bom, continua bom e não parece ter derretido pela crise extra-campo. Para Portugal, fica um empate com sabor de vitória. E uma preocupação. O time produziu muito pouco quando esteve atrás do placar.

Contra Irã e Marrocos, o jogo será assim. Será de Portugal a responsabilidade de atacar, de fazer o jogo acontecer.

Cristiano Ronaldo faz Portugal chegar ao nível de um timaço, como a Espanha. Não é pouca coisa.


Demissão de técnico espanhol é burra e vergonhosa
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Julio Gomes

A decisão do presidente da Federação Espanhola, Luis Rubiales, é inacreditável. Algumas horas depois da demissão do técnico Julen Lopetegui, ainda é difícil engolir que um dirigente tenha ido tão longe por uma questão de ego.

Porque é isso, nada mais. Ele pode dar a série de argumentos que quiser, pode contar o conto que quiser. Lopetegui foi demitido porque um cartola se sentiu #chateado por ter sido o último a saber da negociação com o Real Madrid.

Vejam, não tiro culpa do Real Madrid e de Lopetegui. As duas partes foram de uma insensibilidade incrível. Não custava ter falado com os jogadores, com a Federação, terem feito um comunicado conjuntos, etc, etc, etc.

Lembro-me, porque vivi de perto, dos casos envolvendo Luiz Felipe Scolari quando era técnico de Portugal. Convidado pelo Benfica antes da Euro-2004, pela Inglaterra antes da Copa-2006, pelo Chelsea antes da Euro-2008. Nos dois primeiros casos, Felipão não aceitou nem conversar. Na terceira vez, até para o cavalo selado não ir embora de novo, conversou com a Federação antes e só então se sentou para fechar com o Chelsea.

Sem dúvida, faltou tudo para o Real e para Lopetegui. A começar por inteligência. Não é a mesma coisa um técnico de qualquer outro país ser anunciado pelo Real Madrid ou o técnico da Espanha ser anunciado pelo Real Madrid – uma seleção que demorou décadas para superar as diferenças regionais e criar uma espécie de união nacional.

Agora, o presidente da Federação não está lá para ficar melindrado. Ele está lá para fazer o melhor possível para que sua seleção chegue o mais longe possível. Uma pergunta seca para o tal Rubiales: as chances da Espanha aumentam ou diminuem com a demissão de Lopetegui?

Não há debate sobre esta resposta. O presidente da Federação diminuiu as chances espanholas. Criou um clima de instabilidade a um dia do início do Mundial, indo contra a opinião de vários jogadores, incluindo seu capitão. O próprio Fernando Hierro, com uma carreira insignificante de técnico, mostrou seu descontentamento enquanto era anunciado como o novo comandante para a Copa.

Além disso, a Espanha virou chacota mundial. O que tampouco é missão de um dirigente. Fazer seu país passar vergonha.

O que esperar da Espanha? Bem, a principal torcida é para que Hierro tenha prestado bem atenção nas conversas, estudos e decisões de Lopetegui. Porque ele terá de seguir todas elas. Não há como mudar um trabalho que é bem feito e vem dando certo.

Torcer também para que nenhum jogador fique a tal ponto irritado com a Federação que não produza o que deveria ou poderia produzir. E, claro, torcer para que Hierro não tenha de tomar grandes decisões durante os jogos. Grandes mudanças táticas, lesões, essas coisas.

Pior: os jogadores mais experientes do elenco, gente como Sergio Ramos, Piqué, Iniesta ou Busquets, não têm o menor perfil de serem o “técnico em campo”. Cada um tem suas qualidades, mas nenhum deles é Xavi.

Difícil imaginar que todas essas estrelas irão se alinhar. No meu ponto de vista, a Espanha cai da primeira prateleira de favoritos para a segunda.

Se for campeã, será a primeira campeã sem técnico da história – comprovaria a tese de supervalorização do cargo de muita gente. Os outros treinadores do mundo devem estar com a barba de molho…


Iniesta deixa o Barcelona como maior jogador da história da Espanha
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Julio Gomes

Andrés Iniesta é um mito. Um gênio da bola. Mas é mais do que isso.

E talvez esse “plus a mais”, como diria o outro, é que faça a despedida dele do Barcelona após 16 temporadas, anunciada nesta sexta-feira, tão revelante e emocionante.

Iniesta não é o melhor jogador de todos os tempos do Barcelona. Lá estiveram Messi, Cruyff, Romário, Xavi, só para citar alguns. Sem dúvida ele está no top 10 da história do clube, afinal, fez parte da era mais vitoriosa da história do Barça.

No domingo, com um empate em La Coruña, o Barça deverá garantir por antecipação mais um título da Liga espanhola. Será o nono de Iniesta. O nono em 14 anos, desde que começou a fazer mesmo parte do time. É um absurdo. Bote aí na conta também seis Copas do Rei, quatro Liga dos Campeões da Europa, três Mundias de Clubes, três Supercopas da Uefa, sete da Espanha. É um escândalo.

Mas o que faz de Iniesta o maior jogador espanhol de todos os tempos, como eu cravo no título deste post?

Oras, entre outras coisas, os feitos com a seleção espanhola, é óbvio. Duas Eurocopas e uma Copa do Mundo, com direito ao gol do título naquela prorrogação de Johanesburgo. Um gol de título de Copa do Mundo é coisa para poucos.

Mas vamos além disso. Afinal, a seleção espanhola campeã de tudo é formada por outros jogadores de igual importância. Xavi, Sérgio Ramos, Casillas, Piqué, etc.

Depois de fazer aquele gol em Johanesburgo, Andrés Iniesta sacou a camisa em êxtase e, por baixo da “roja”, mostrou uma camiseta em que homenageava Dani Jarque – morto um ano antes, aos 26, após um ataque do coração, Jarque era capitão do Espanyol, rival local do Barcelona.

Gente. Vamos ser sinceros. Ninguém mais lembrava de Dani Jarque. Não é que passaram o mês da Copa inteiro falando dele. Aquela foi uma homenagem inesperada. Maravilhosa. Humana. Sincera.

É o paralelo a Cafu se lembrando do Jardim Irene. Só os verdadeiros humildes conseguem voltar tantas casinhas no tempo justo no momento em que estão vivendo seu ápice.

Iniesta, o autor do gol do título espanhol, passou a ser aplaudido por todos os campos da Espanha. Sempre, em qualquer jogo do Barcelona. E isso é assim há quase oito anos. Só porque ele fez o gol? Só por causa da homenagem a Jarque?

Não, não só. Pela atitude em campo, por ter sido sempre um exemplo de cavalheirismo e fair play em campo, por nunca ter dado pernada nem cotovelada em ninguém, por jogar muita, mas muita, mas muita, mas muita bola – o jeito de jogar que o espanhol venera e ama. E, claro, por não ter sido um divisor em anos de divisão e tensão.

Iniesta sempre foi uma voz apaziguadora ou silenciosa no auge da rivalidade Barça-Madrid e também neste momento de independentismo catalão à flor da pele. Ele não é catalão. Ao contrário do que muitos pensam, Iniesta é de Castilla La Mancha, uma região bem “espanhola”, e foi cedo para as bases do Barça. Mas nunca insuflou e nem menosprezou o separatismo catalão – ao contrário de Xavi, Piqué ou Sergio Ramos, por exemplo.

Não vou debater quem jogou mais. Acredito que Xavi tenha sido um jogador mais completo taticamente, uma influência mais importante em campo para o Barcelona e para a Espanha. Mas Iniesta foi mais genial, mais decisivo. Eles estão ali, pau a pau.

Como disse hoje Julio Maldini, o melhor jornalista de futebol da Espanha, escolher entre Xavi e Iniesta é como escolher entre papai e mamãe. Ou seja, não dá para escolher. Mas, olhando de fora, eu percebo que a admiração por Iniesta é nacional e unânime. Xavi, pela questão extra-futebol, não é uma unanimidade.

Junte tudo isso ao gol na final da Copa, aos títulos, à classe, etc, e temos o maior jogador da história da Espanha. Eu gosto de usar “maior”, em vez de “melhor”, porque gosto de abranger mais do que as quatro linhas para elencar jogadores em seu lugar na eternidade da bola.

E olho. Porque o homem se aposentou do Barça, mas não do futebol. E algo me diz que essa Espanha, com a tabela que tem, o time que tem, a confiança adquirida por essa geração e com Iniesta em campo… vai dar o que falar na Copa da Rússia.

Hasta pronto, Andrés. Y muchas gracias.

 


Alemanha e Espanha fazem jogaço e mandam recado para o mundo
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Julio Gomes

Na Alemanha, todo mundo acredita, esteja bem ou mal. A história vencedora a credencia. Já a Espanha não costuma despertar a mesma fé por esta e outras bandas. Apesar da Copa de 2010, das Euros de 2008 e 12, do sucesso retumbante no futebol de clubes, muitos ainda duvidam da Espanha.

Não deveriam. E, quem ainda duvidar, poderia assistir ao VT do amistoso desta sexta, disputado em Dusseldorf. Alemanha e Espanha empataram por 1 a 1, mas o jogo merecia mais gols. Foi uma partida de altíssima qualidade, intensidade, mais parecia um duelo de Copa do que um amistoso.

É um cheiro para o que vem aí na Copa. Quem quiser ganhar vai ter de competir neste nível.

A Espanha já fez a transição que precisava depois do ciclo vitorioso e da pequena depressão de 2014-16. Foram-se Casillas, Xavi, Villa, Torres e outros. Não é fácil a atualização de jogadores, de sistema e a manutenção da fome e da química.

Isso tudo parece estar funcionando agora, e o jogo contra a Alemanha foi o cartão de visitas às vésperas do Mundial.

Em alguns momentos do primeiro tempo, a Espanha colocou a Alemanha na roda, simples assim. O meio de campo de “jugones”, com Koke, Thiago, Iniesta, Silva e Isco trocava passes como se fosse um treino ou um jogo contra uma seleção menor. No banco, entrando no segundo tempo, gente como Asensio, Saúl, Diego Costa…

A Espanha já passou do tiki taka lento e está jogando com posse e controle, mas também com velocidade e verticalidade. É um timaço. E ainda faltou Busquets para fazer o trio defensivo consistente de veteranos com Piqué e Ramos.

Estivesse Busquets na cabeça da área e talvez Mueller não tivesse acertado o chute maravilhoso que decretou o empate. Porque a Alemanha é isso aí. Pode até estar na roda, mas nunca perde o foco e a fé. E a Alemanha não é só mentalidade forte, como sabemos. É muita bola também. Mas ainda é uma seleção que, apesar de competitiva, não concluiu totalmente a transição desde o título de 2014.

No segundo tempo, conseguiu encarar melhor a Espanha. Depois, vieram as substituições, a Espanha voltou a ser melhor. E os goleiraços, De Gea e Ter Stegen, fizeram questão de garantir a manutenção do 1 a 1.

Espanha e Alemanha usaram o amistoso para ver em que pé estavam. O que elas viram, e todos nós vimos, é que o sarrafo está lá no alto. São duas super candidatas a título na Copa da Rússia.

Na terça-feira, a Espanha jogará contra a Argentina. E a Alemanha enfrentará o Brasil. Será a hora de vermos em que pé estão os dois gigantes sul-americanos. Alguns podem se surpreender. Para bem ou para mal.


Argentina: risco real de naufrágio. Espanha “ganha” o sorteio
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Julio Gomes

Quatro anos atrás, em uma mesa da sala de conferências na Costa do Sauípe, onde foi realizado o sorteio para a Copa do Mundo do Brasil, eu escrevi um post com o seguinte título: “Espanha: risco real de naufrágio. Argentina ‘ganha’ o sorteio”. Para ler e lembrar, basta clicar aqui.

Acabaria sendo profético. O sorteio ruim empurrou a Espanha para uma eliminação prematura na primeira fase, e a Argentina, que teve mais sorte, chegaria até a final, no Maracanã.

Curiosamente, quatro anos depois aconteceu exatamente o inverso. E não perdi tempo, usando o mesmíssimo título daquela de 2013 para a postagem de hoje – apenas, claro, trocando os países.

Desta vez, a Espanha é quem mais tem razões para comemorar o sorteio dos grupos, realizados na sexta-feira, em Moscou. E a Argentina, entre as potências do futebol mundial, é quem tem mais a lamentar. E é quem mais corre riscos de eliminação logo de cara.

Claro, não há sorte e azar se as seleções não forem boas. E a Espanha, hoje comandada por Julen Lopetegui, parece ter superado as más campanhas na Copa-2014 e Euro-2016. É uma seleção que conseguiu se renovar e reencontrar uma forma de jogar. Tem um sistema defensivo sólido, baseado nos veteranos Sergio Ramos, Piqué e Busquets, e gera jogo ofensivo de qualidade com jogadores como Thiago, Isco, Asensio e Morata.

A Argentina é o outro lado da moeda. É uma seleção que parece ter vivido sua grande chance em 2014, naquela final contra a Alemanha. Depois, vieram as derrotas nos pênaltis para o Chile nas duas Copas América, as mudanças de técnico, o drama nas eliminatórias. Jorge Sampaoli não conseguiu fazer o time jogar de acordo com suas ideias, e não há muito tempo e jogos para que consiga. É um grande técnico. Mas que talvez não seja capaz de resolver os graves problemas da albiceleste.

A Argentina está no grupo D, com Islândia, Croácia e Nigéria. É um grupo muito complicado, qualquer uma dessas seleções pode passar. Sério, Julio? Sério. Seríssimo.

Sou fã do futebol da Croácia, é uma seleção que ainda não mostrou, em uma Copa ou Euro, todo o potencial da geração de Modric, Rakitic, Perisic, Mandzukic, etc. Uma seleção que pode ganhar de qualquer outra se estiver em seu dia.

E que foi relegada a jogar a repescagem nas eliminatórias europeias, vejam só, pela Islândia. A seleção que foi a “Cinderela” na Euro-2016, sua primeira grande competição, eliminando a Inglaterra nas oitavas de final e só caindo nas quartas para a anfitriã França. A Islândia provou que o que aconteceu no ano passado não foi por acaso, garantindo vaga direta para jogar a primeira Copa do Mundo de sua história. A Islândia é tão boa quanto qualquer seleção média europeia, muito organizada e corajosa em campo.

E a Nigéria, comandada pelo incansável Obi Mikel, por Iwobi e Iheanacho, jogadores de nível de Premier League, é a mais camisa mais forte entre as seleções africanas na Copa. Na última data Fifa, em 14 de novembro, meteu 4 a 2 na Argentina em amistoso. Classificou-se no grupo da morte das eliminatórias africanas, que tinha Camarões e Argélia.

A Argentina pode ganhar de Islândia, Nigéria e Croácia? Pode. Sim, claro que pode. Como pode não ganhar um jogo sequer neste grupo e ser eliminada na primeira fase. Não seria nenhum absurdo, pelo que a seleção de Messi apresentou no último ano e meio.

Já a Espanha, no grupo B, vai enfrentar Portugal na estreia e, depois, Marrocos e Irã. O grupo é uma baba. Há outras seleções fortes que caíram em grupos tranquilos, como França e Bélgica. Mas elas não têm o cruzamento dos sonhos que a Espanha tem.

Classificando-se, a Espanha enfrentará nas oitavas alguma seleção do grupo A (Rússia, Uruguai, Egito e Arábia Saudita). Ou seja, é o melhor cenário possível, é um cruzamento contra o grupo mais fraco. Mesmo que os espanhóis se enrolem e fiquem atrás de Portugal (o que eu duvido), ela não enfrentará nenhum bicho papão nas oitavas. OK, o Uruguai precisa ser respeitado. A Rússia é a dona da casa. Mas a Espanha tem um time consideravelmente melhor que ambos.

Se ficar em primeira no grupo e passando das oitavas contra Rússia ou Uruguai, a Espanha teria nas quartas de final possivelmente o primeiro colocado do grupo D que, como vimos acima, pode muito bem nem ser a Argentina. A Alemanha só apareceria no caminho na semifinal e, o Brasil ou a França, só em uma eventual decisão.

Quer mais? Então ouve essa.

Cair no grupo B foi perfeito para a logística espanhola. A Roja ficará baseada em Krasnodar, uma cidade no sul da Rússia, a meros 270 km de Sochi.

Em Sochi, a sede mais próxima, será o jogo de estreia contra Portugal. Depois, jogos em Moscou e Saransk. Mas, ficando em primeira, a Espanha volta a jogar em Moscou nas oitavas, Sochi nas quartas e Moscou nas semis e na final. Ou seja, uma logística de viagens para lá de tranquila, sempre podendo ir e vir da capital e ficar em sua base durante o Mundial. E sem grandes contrastes climáticos.

Não à toa, o Brasil, que estará hospedado em Sochi, sonhava em ser sorteado para cair no grupo B.

A Espanha tem um ótimo time, que vive momento de alta confiança, grupo fácil, cruzamentos fáceis, boa logística de viagens e nenhum bicho papão pelo caminho até a semifinal.

Ninguém pode comemorar mais o resultado do sorteio.

Leia também no blog: 
Brasil pega grupo chato, dá azar nos cruzamentos e fará tour pela Rússia


Sem Itália e Holanda, Copa será a mais ‘desfalcada’ desde 94
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Julio Gomes

Com as eliminações de Itália e Holanda, ambas protagonizadas pela Suécia nas eliminatórias europeias, a Copa do Mundo de 2018 será a mais desfalcada do grupo de “potências” do futebol mundial desde a edição de 1994.

Na última vez que a Itália ficou fora de uma Copa, em 58, o Brasil ganhou seu primeiro título. Na última vez que a Holanda não se classificou para um Mundial, em 2002, o Brasil conquistou o penta. E na última vez em que mais de uma seleção campeã mundial ficou fora de uma Copa, em 1994, o Brasil ganhou o tetra.

Naquela ocasião, Inglaterra, Uruguai e França ficaram de fora da Copa organizada pelos EUA. A França ainda não era campeã do mundo, mas já tinha um time forte. Foi eliminada em casa, assim como a Itália nesta semana, de forma dramática, levando gol no último minuto. A alma só seria lavada quatro anos mais tarde.

Também não jogou a Copa de 94 a Dinamarca, então campeã europeia (92) – uma raridade, pois só três vezes na história o campeão europeu não se classificou para o Mundial seguinte. Esta é outra coincidência com a desfalcada Copa da Rússia. Além de Itália e Holanda, tampouco estará o Chile, campeão continental no ano passado. Foi apenas a segunda vez que um campeão de Copa América disputada a dois anos ou menos do Mundial acabou não se classificando.

Desde 98, quando o Mundial foi ampliado e passou de 24 para 32 seleções, tivemos três Copas com todos os campeões presentes: 2002 (mas sem a Holanda), 2010 e 2014 (estas, as únicas até hoje com as nove “grandes” presentes). Em 98 e 2006, o Uruguai foi o ausente após sucumbir nas eliminatórias.

Copas “desfalcadas” costumam trazer boas lembranças para o torcedor brasileiro.

No tricampeonato da seleção, em 70, não estiveram no Mundial do México quatro das nove seleções que formam o grupo de países com melhores resultados da história das Copas (o G9). Isso nunca mais aconteceu desde então – vale ressaltar também que, na época, nenhum dos quatro havia levantado o caneco, como veremos mais abaixo neste post.

Dos cinco títulos brasileiros, dois deles vieram em Copas em que algo raro aconteceu: dois países que já haviam sido campeões mundiais no passado acabaram não disputando a competição (58 e 94).

Devido ao desastre italiano, a Copa da Rússia, no ano que vem, será a décima da história em que alguma seleção que já levantou a taça um dia não disputará a competição (metade das vezes).

Quem forma o G9?

A seleção brasileira, todos sabemos, jogou todas as 20 Copas disputadas até hoje. Alemanha e Itália vêm em seguida, com 18 participações. A Alemanha, seja como Ocidental ou, depois, unificada, não perde um Mundial desde 1950. A Itália não ficava fora desde 58. A Argentina, com 16 participações, esteve ausente pela última vez em 70. Espanha, Inglaterra e França jogaram 14 Mundiais. A última Copa sem a Espanha foi a de 74, enquanto ingleses e franceses “faltaram” pela última vez em 94.

São oito países campeões de Copas. Mas este blog considera importante acrescentar a Holanda no G9 de potências. Afinal, a Holanda, que “existe no futebol” desde a década de 70, chegou a três finais (só menos do que as quatro seleções gigantes) e acabou entre as quatro primeiras colocadas em menos ocasiões somente que Brasil, Alemanha e Itália. Além, claro, de ter uma influência histórica no esporte moderno.

A Holanda jogou 10 de 20 Copas e chegou pelo menos à semifinal em metade de suas participações. Além das campeãs, outras nove seleções apareceram em mais Mundiais que a Oranje, mas sem a mesma relevância em teremos de resultados. O México, por exemplo, é o quinto país com mais participações (15), mas nunca passou das quartas de final.

Veja a lista das potências que faltaram em cada Copa:

1930 – Campeão: Uruguai. Faltaram: Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha e Holanda;
1934 – Campeã: Itália. Faltaram: Inglaterra e Uruguai;
1938 – Campeã: Itália. Faltaram: Inglaterra, Espanha, Argentina e Uruguai;
1950 – Campeão: Uruguai. Faltaram: Alemanha, França, Holanda e Argentina;
1954 – Campeã: Alemanha. Faltaram: Espanha, Holanda e Argentina;
1958 – Campeão: Brasil. Faltaram: Itália, Espanha, Holanda e Uruguai;
1962 – Campeão: Brasil. Faltaram: França e Holanda;
1966 – Campeã: Inglaterra. Faltou: Holanda;
1970 – Campeão: Brasil. Faltaram: França, Espanha, Holanda e Argentina;
1974 – Campeã: Alemanha. Faltaram: Inglaterra, França e Espanha;
1978 – Campeã: Argentina. Faltaram: Inglaterra e Uruguai;
1982 – Campeã: Itália. Faltaram: Holanda e Uruguai;
1986 – Campeã: Argentina. Faltou: Holanda;
1990 – Campeã: Alemanha. Faltou: França;
1994 – Campeão: Brasil. Faltaram: Inglaterra, França e Uruguai;
1998 – Campeã: França. Faltou: Uruguai;
2002 – Campeão: Brasil. Faltou: Holanda;
2006 – Campeã: Itália. Faltou: Uruguai;
2010 – Campeã: Espanha. Não faltou ninguém;
2014 – Campeã: Alemanha. Não faltou ninguém;
2018 – Campeão: ? Faltarão: Itália e Holanda.

Portanto, na última vez em que mais de uma seleção campeã mundial ficou fora de uma Copa, em 1994, o Brasil ganhou o tetra. E, antes disso, a Copa com mais integrantes do G9 ausentes havia sido a de 1970, que não teve Argentina, França, Espanha e Holanda – vale ressaltar que elas não eram exatamente potências, como hoje.

Considerando o momento da realização de cada Copa do Mundo, houve dez Mundiais (metade) com a presença de todos os países que já haviam sido campeões de alguma edição anterior. Houve três Mundiais em que dois campeões estavam ausentes. Em 1958, quando não jogaram Itália e Uruguai, e em 1978 e 1994, quando ficaram fora Inglaterra e Uruguai.

A Copa do ano que vem será a sétima da história em que um único campeão ficará assistindo em casa (no caso, a Itália). Nos outros Mundiais em que isso ocorreu, cinco vezes o ausente foi o Uruguai – 34, 38, 82, 98 e 2006 – e uma vez foi  a Inglaterra (74).

Alemanha, Argentina, França, Espanha e, logicamente, o Brasil, jamais ficaram fora de uma Copa depois de terem conquistado a taça pela primeira vez.

 


Espanha, Sérvia, Alemanha e Inglaterra estão com o pé na Copa-2018
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Julio Gomes

A rodada do fim de semana classificou a Bélgica para a Copa do Mundo, após a vitória por 2 a 1 na Grécia. Além da anfitriã, a Rússia, a seleção belga é a única europeia já confirmada.

Mas a rodada dupla deste início de setembro deixou também Espanha, Inglaterra, Alemanha e Sérvia com um pé (e uns dedinhos) na Copa do Mundo do ano que vem. Nas eliminatórias europeias, as seleções vencedoras dos nove grupos ganham vaga direta, e oito segundos colocados disputam quatro vagas no mata-mata.

A Espanha, depois da ótima partida de sábado contra a Itália, no duelo direto que, de fato, decidiu tudo, massacrou Liechtenstein nesta terça por 8 a 0. Foram quase 80% de posse de bola e gols de quase todo mundo: Morata e Aspas fizeram dois, Isco, Sergio Ramos, David Silva e Deulofeu, um cada. A Espanha vai virando “o time de Isco”, o que não é mau negócio.

Com 22 pontos, a Espanha mantém três de frente para a Itália, que ganhou de Israel por 1 a 0 com um gol de Immobile. Foi uma partida preguiçosa da Itália, que parecia desmotivada em campo. Melhorou no segundo tempo, mas não foi suficiente para ampliar o marcador.

A Espanha não deve tropeçar nem contra Albânia nem contra Israel e tem 17 gols a mais de saldo que a Itália. Pode até perder uma. Não vai acontecer, a vaga para a Roja virá em outubro. E a Itália que se vire na repescagem.

Em uma “final” pela vaga direta, a Sérvia foi a Dublin e conquistou uma vitória enorme sobre a Irlanda. 1 a 0, com gol de Kolarov, ex-Manchester City, hoje na Roma. A Sérvia jogou quase 30 minutos com um homem a menos e segurou o resultado.

Nos outros jogos do grupo D, a Áustria se despediu ao ficar com 1 a 1 com a Geórgia, e o País de Gales ganhou por 2 a 0 em Moldova. Agora, faltando duas rodadas, a Sérvia tem 18 pontos, Gales tem 14 e a Irlanda tem 13. Mas a vaga está nas mãos dos sérvios, que enfrentam as fracas Áustria (fora) e Geórgia (casa) nos últimos jogos.

Na última rodada, Gales e Irlanda se enfrentarão em Cardiff por uma vaga na repescagem. Talvez o empate sirva para Gales, talvez para ninguém (o pior segundo colocado fica fora).

Além de Espanha e Sérvia, outras duas seleções praticamente garantidas são Alemanha e Inglaterra, que venceram seus jogos na segunda-feira.

A Alemanha tem cinco pontos a mais que a Irlanda do Norte e, mesmo que perca o confronto direto entre elas, depois se despedirá em casa contra o Azerbaijão. Já deve se garantir na próxima rodada, mesmo jogando na Irlanda. Os norte-irlandeses vão para a repescagem.

A Inglaterra tem cinco pontos de vantagem para a Eslováquia e seis para Eslovênia e Escócia. Também pode até tropeçar uma vez, já que a Inglaterra pega a Lituânia na última rodada. As outras três seleções jogam por uma vaga na repescagem. A Escócia tem duelos diretos em casa contra a Eslováquia e fora contra a Eslovênia. Se não perderem na Escócia, os eslovacos têm tudo para ficarem com a vaga no mata-mata derradeiro.

Outras potências

Depois de perder na estreia para a Suíça, um ano atrás, Portugal, campeão europeu, fez sua parte. Ganhou todos os jogos. Mas a Suíça também. Na próxima rodada, em outubro, Portugal vai ganhar de Andorra e a Suíça, em casa, não deve perder da Hungria. Na última rodada, em 10 de outubro, Portugal recebe a Suíça. Se vencer, vai para a Copa e jogará os suíços para a repescagem. A Suíça jogará pelo empate para ir ao Mundial.

A outra finalista da última Euro, a França, perdeu a chance de se garantir ao empatar com Luxemburgo, domingo. Com 17 pontos, comanda um grupo que tem a Suécia com 16, Holanda com 13 e Bulgária com 12. Na próxima rodada, jogam Bulgária x França e Suécia e Holanda têm jogos fáceis. Na última rodada, a França recebe Belarus, enquanto a Holanda recebe a Suécia.

A tendência é a França ganhar o grupo e a Suécia ser segunda, por ter um saldo muito melhor que o da Holanda. Mas é um grupo em que está tudo aberto – graças ao tropeço inesperado dos franceses domingo.

Grupo embolados

O grupo I teve jogos fundamentais nesta terça. A Turquia sobreviveu ao vencer a Croácia por 1 a 0, e a Islândia, Cinderela da última Euro, fez 2 a 0 na Ucrânia.

Agora, Croácia e Islândia têm 16 pontos, Ucrânia e Turquia têm 14. As quatro tem um jogo tranquilo, contra os rivais mais fracos do grupo. E tudo será definido em dois confrontos diretos: na próxima rodada, Turquia x Islândia e, na última, Ucrânia x Croácia. Um empate servirá para a Croácia e, talvez, para a Islândia. A turcos e ucranianos, bastará uma vitória para garantir, pelo menos, repescagem. Vai pegar fogo.

No grupo E, a Polônia tem 19 pontos, Montenegro e Dinamarca têm 16. A Polônia tem tudo para ficar com a vaga, joga fora com a Armênia e em casa contra Montenegro. Na próxima rodada, se enfrentam Montenegro e Dinamarca – na última rodada, os dinamarqueses recebem a eliminada Romênia. O jogo de Montenegro é fundamental, e um empate é bom negócio para a Dinamarca.

Além de Bélgica, Espanha, Sérvia, Alemanha e Inglaterra, conseguirão vagas diretas possivelmente França, Polônia, Portugal ou Suíça e, vou arriscar, a Croácia.

A repescagem está se desenhando com Suécia, Portugal ou Suíça, Irlanda do Norte, País de Gales, Montenegro ou Dinamarca, Eslováquia, Itália, Grécia e Turquia ou Islândia. Um deles, de pior campanha, ficará fora. E os outros se matam-matam por quatro vagas.

 


Argentina, França e cinco potências locais jogam contra a parede
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Julio Gomes

As eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 terão dias cheios e decisivos entre amanhã, quinta, e terça-feira que vem. Por enquanto, só Rússia, Brasil e Irã estão garantidos, mas todos os continentes podem ter mais classificados saindo nos próximos dias.

Chama a atenção, no entanto, que algumas potências mundiais, como França e Argentina, e outras locais, como Japão, Coreia do Sul, Camarões, Gana e até Estados Unidos jogarão contra a parede. Precisam dos resultados, sob pena de ficarem fora do Mundial ou caírem em perigosas repescagens. Destas, as duas africanas são as que vivem situação mais dramática.

O blog separou alguns jogos nos quais todos precisamos ficar de olho:

AMÉRICA DO SUL – Uruguai x Argentina (quinta, 20h)

Com o risco de ficar fora da Copa, em uma competição tão parelha como as eliminatórias sul-americanas, a Argentina trocou Bauza por Sampaoli. Essa é a esperança. Que o novo técnico encontre química com os jogadores e faça o time produzir o que ele pode.

Na América do Sul, são quatro vagas, mas o quinto é virtual classificado, pois enfrentará uma seleção da Oceania (a Nova Zelândia, possivelmente) na repescagem. O Brasil está garantido, e depois está um bolo só: Colômbia (24 pontos), Uruguai e Chile (23) seriam os classificados hoje; a Argentina (22) iria pra repescagem; mas não podemos descartar Equador (20), Peru (18) e Paraguai (18).

Faltam quatro rodadas. Se perder do Uruguai, a Argentina precisará vencer Venezuela e Peru em casa e muito provavelmente decidirá seu futuro contra o Equador, na altitude, na última rodada.

Para o Uruguai, que começou tão bem, não seria bom perder. Mas tampouco seria dramático. Pois os últimos jogos são contra Paraguai e Venezuela fora, e depois Bolívia em casa. Olhando para a tabela, é provável que Colômbia, Chile e Uruguai não fiquem fora das cinco primeiras posições.

A chave para a Argentina é evitar um confronto de tudo ou nada na altitude. E, para isso, precisa somar alguma coisa no Centenário. Com toda a rivalidade envolvida e a necessidade de ambos, este é o jogo mais imperdível de todos.

EUROPA – França x Holanda (quinta, 15h45)

A França é tida como uma das candidatas ao título mundial. Mas, antes, precisa chegar na Copa. E o caminho ficou tortuoso após a inesperada derrota para a Suécia, em junho, com a falha de Lloris no final. O grupo A das eliminatórias europeias tem Suécia e França com 13 pontos, Holanda com 10 e Bulgária com 9.

Nesta quinta, jogam França x Holanda e Bulgária x Suécia. Depois disso, faltarão três jogos para cada. Apesar do favoritismo, a França pode perder em casa para Holanda e se complicar de verdade. Um empate já seria ruim, pois pode deixar a Suécia com o comando em busca da vaga direta (o segundo do grupo vai ter de jogar repescagem).

Nos outros grupos, destaco um Hungria x Portugal, no domingo. Portugal está contra a parede desde que perdeu da Suíça na primeira rodada e não pode tropeçar. Alemanha, Bélgica e Polônia podem já se classificar nessa dobradinha de jogos, mas pode ser que isso só aconteça nas duas últimas rodadas, em outubro.

E no sábado, 15h45, tem um Espanha x Itália enorme. As duas lideram o grupo G com 16 pontos, mas a Espanha tem um saldo melhor. Não há muita expectativa de tropeço para ambas nas três rodadas finais. É um jogo em que basicamente quem vencer irá para a Copa, jogando a outra para a repescagem. Um empate é melhor para a Espanha, porque tem mais saldo e mais facilidade para golear, mas não seria um fim do mundo para os italianos, ainda mais jogando fora de casa.

ÁSIA – Japão x Austrália (quinta, 7h30)

Se vencer, o Japão estará classificado para a Copa com uma rodada de antecipação. Seria a quarta seleção com passaporte carimbado e deixaria para a Austrália a responsabilidade de golear a Tailândia na última rodada do grupo A asiático (terça) para ficar à frente da Arábia Saudita e entrar também.

O problema para o Japão é se não vencer a Austrália nesta quinta, e este é um resultado para lá de plausível. Neste caso, faria um confronto direto com os sauditas, fora de casa, no último jogo, terça que vem. Um empate bastaria para os japoneses, mas uma derrota deixaria a Arábia na Copa e jogaria o Japão para duas repescagens – a primeira contra um asiático (possivelmente o Uzbequistão, mas podendo ser a Coreia do Sul) e a segunda contra um representante da Concacaf.

A última vez que o Japão ficou fora de uma Copa foi a de 94, quando tomou um gol do Iraque no último minuto do último jogo das eliminatórias. A última vez que precisou passar por uma repescagem para garantir a vaga foi para a Copa de 98, ganhando justamente do Iraque na prorrogação.

Aquele Mundial de 98 foi o primeiro da história do futebol japonês e, de lá para cá, sempre se classificou sem o drama que pode viver nestes próximos dias. Amanhã cedo, é vaga ou tensão.

Já a Coreia do Sul, que jogou oito Copas seguidas (de 1986 para cá), pode até se classificar na próxima rodada. Para isso, precisa vencer o já garantido Irã (9h desta quinta) e torcer por uma derrota do Uzbequistão na China. O mais provável, no entanto, é que o duelo direto entre Uzbequistão e Coreia do Sul, na outra terça, defina quem entra na Copa e quem vai pra repescagem.

Podemos ter, portanto, um inesperado confronto entre Japão e Coreia na repescagem asiática, se as duas potências continentais não fizerem o que se espera delas nestas últimas duas rodadas.

ÁFRICA – Nigéria x Camarões (sexta, 13h)

As eliminatórias africanas têm um “grupo da morte” reunindo Nigéria (6 pontos), Camarões (2) e Argélia (1), três seleções que estiveram na Copa de 2014. Só uma delas irá à Rússia ano que vem.

Camarões, que em janeiro sagrou-se campeã continental, é a seleção africana com mais presenças em Mundiais – foram sete de nove desde a Copa de 82. A Nigéria vem logo atrás, com cinco participações (sempre presente desde 94, exceto na Copa de 2006).

As duas potências continentais se enfrentam nesta sexta, na Nigéria, e depois segunda-feira, em Camarões. A seleção camaronesa precisa, no mínimo, de quatro pontos nestes confrontos diretos para se manter com vida. Se vencer uma das duas partidas, a Nigéria encaminha a vaga.

Outra seleção tradicional contra as cordas é Gana, que esteve nos últimos três Mundiais e foi quadrifinalista em 2010. Após duas rodadas do grupo E, Gana tem só um ponto, contra seis do Egito e quatro de Uganda.

A última vez que o Egito esteve em uma Copa foi em 1990, apesar de desde então ter vencido quatro vezes a Copa Africana das Nações (é o maior campeão, com sete títulos, seguido de Camarões, com cinco, e Gana, com quatro).

Nesta quinta (16h), jogam Uganda x Egito. Na sexta (12h30), Gana recebe o Congo. Na terça, os jogos se repetem, com mandos invertidos. Gana, para sobreviver, precisa ganhar seus dois jogos e torcer para o Egito não fazer mais do que três pontos nos duelos contra a seleção de Uganda.

 

A Tunísia, fora das últimas duas Copas, enfrenta a República Democrática do Congo, que quando se chamava Zaire jogou o Mundial de 74. Sexta o duelo é na Tunísia, terça no Congo. Ambas têm seis pontos e, se alguém ganhar os dois duelos ou fizer quatro pontos neles, ficará com um pé na Copa-2018.

 

CONCACAF – EUA x Costa Rica (sexta, 19h)

Os Estados Unidos estão na terceira posição, com só 8 pontos. O México tem 14 e deve se garantir com três rodadas de antecipação se vencer o Panamá (7 pontos), também na sexta à noite. A Costa Rica vem logo atrás, com 11. O quarto colocado do hexagonal precisará jogar repescagem com uma seleção asiática.

Os EUA levaram um sonoro 4 a 0 da Costa Rica menos de um ano atrás e não estão em posição tão confortável assim. Se perderem em casa, na sexta, estarão contra a parede no duelo com Honduras, fora de casa, terça-feira. Os norte-americanos se classificaram para os últimos sete Mundiais. Honduras esteve nos últimos dois, e o Panamá busca classificação inédita.

 

 


A um ano da Copa, França parece ser o maior obstáculo para a seleção
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Julio Gomes

Vamos começar pelo fim? Assim ninguém se dá ao trabalho de malhar o analista nos comentários. Sim, eu sei que a Copa do Mundo é uma competição rápida e que em um jogo qualquer coisa pode acontecer. Nos dias de hoje ainda mais, pois há muito equilíbrio entre times e seleções no futebol globalizado e da velocidade da informação. Não há segredos. Há padrões. Zebras acontecerão cada vez mais em competições internacionais curtas. Times organizados ganham jogos.

Dito tudo isso, não quero me furtar de tentar prever o futuro com base no presente, no passado e nas próprias perspectivas de futuro. Hoje, considero a seleção brasileira a mais forte do mundo. E, entre as europeias, a França, e não a Alemanha ou a Espanha ou a Itália, é quem promete ser o maior obstáculo para o hexa.

Brasil e França podem perder de QUALQUER UM. Isso é óbvio. Não ficarei aqui colocando o óbvio como “porém” ao analisar seleções e seus momentos. A Alemanha era a melhor seleção do mundo em 2014, disparado. E quase tropeçou na Argélia. Acontece. É uma questão de encaixe, seleções que tentam se dar bem na fraqueza alheia. Muitas vezes funciona.

Em 20 jogos contra aquela Alemanha, aquela Argélia ganharia um. Quase foi na Copa. Mas não podemos ignorar a superioridade alemã e nos escorar no “não tem favorito” para analisar e prognosticar um jogo de futebol. Claro que tinha e claro que tem.

O que faz da seleção brasileira tão forte? Uma série de fatores que simplesmente se encaixaram com a chegada de Tite. Ótimo treinador, antenado e atualizado com métodos e formações do futebol atual, ótimos jogadores em todas as posições, jogadores que compraram a ideia do técnico e rapidamente adotaram um estilo de jogo coletivo e participativo, muito uso de informações, estatísticas, vídeos, etc. Tudo isso em uma das camisas mais poderosas da história do futebol.

A França, já não é de agora, montou uma seleção muito boa e também tem um técnico competente, Deschamps, que conseguiu unir jogadores historicamente divididos. Uma seleção que viu dois jogadores promissores ganharem status de estrelas mundiais em Pogba e Griezmann.

A França parou na Copa do Mundo de 2014 na Alemanha, como era de se esperar. Mas superou a mesma Alemanha ano passado, na Eurocopa. Realmente faltou vencer Portugal (sem Cristiano Ronaldo desde o início do jogo) na decisão. E este é um ponto negativo que não pode ser deixado de lado. Que time é esse que perde um Europeu em casa, daquele jeito?

Mas algumas coisas aconteceram nesta temporada, que acabou oficialmente com estas partidas de seleções.

Algumas coisas tipo o Monaco, campeão francês e semifinalista da Champions.

Mbappé, já comparado com Henry, é um fator X nesta seleção francesa. Um jogador em claras condições de explodir rumo à estratosfera nesta temporada que vem e que mostrou um pouco disso no amistoso desta quarta-feira, na vitória sobre a Inglaterra (3 a 2 mesmo com um jogador a menos).

Mbappé é o que Neymar poderia ter sido na Copa de 2010, por exemplo. Um jogador muito jovem, de apenas 18 anos, que foi convocado pela primeira vez em março e que traz para um bom time aquele algo mais. Coragem, talento, velocidade, capacidade de desmontar esquemas.

Mas tem mais além dele. A temporada brutal do Monaco deu a Deschamps jogadores muito confiantes em Lemar, Sidibé e Mendy. Além deles, surgiu também Dembélé, que explodiu com a camisa do Borussia Dortmund (na foto acima, abraçado a Mbappé). Nenhum destes estava na Euro, um ano atrás.

Lloris, que era apenas um bom goleiro, ganhou status de um dos melhores do mundo com a número 1 do Tottenham. Descarte a besteira que ele fez no fim de semana contra a Suécia, pelas eliminatórias. E Kanté, depois da temporada brilhante no Leicester, foi para o Chelsea e transformou-se no melhor jogador da Premier League. É o Makelele 2.0. E ainda tem a dupla de zaga, Umtiti e Varane, mais do que consolidados e aprovados após esta temporada, titulares de Barcelona e Real Madrid, respectivamente.

Enfim. Uma França que já era forte na Copa de 2014 e na Euro de 2016, ganhou um punhado de jogadores que podem dar “algo a mais” no ano que vem. É uma claríssima candidata.

Imaginem um confronto entre Brasil e França na Copa? Daria calafrios, não é mesmo? Depois de 1986, 1998 e 2006, pode até haver um bloqueio pelo histórico. Convenhamos, o Brasil já entra ganhando contra um monte de seleções. Justamente pelo medo que impõe. Não contra a França. Com medo, eles não jogarão.

Mas e as outras seleções?

Temos muito tempo para dissecá-las. A Alemanha cumpriu um ciclo em 2014. Era uma seleção montada, que bateu na trave nas Euros de 2008 e 12, além da Copa de 2010. Desde o tetra, perdeu Lahm, Schweinsteiger, Goetze não explodiu, Draxler ainda é mais promessa que realidade. É uma seleção fortíssima, sem dúvida. É a campeã e é a Alemanha, oras bolas. Tem Neuer. Tem Kroos. Mas ainda passa por uma transição e hoje é menos forte do que era.

A Espanha está na mesma. Tem ótimos talentos. Jogadores pedindo passagem, como Isco e Asensio, um camisa 9 de muito respeito em Diego Costa, goleiraço, ótima dupla de zaga. Maaaaaas. Ainda não encaixou com Julen Lopetegui. O ciclo novo foi sendo adiado, demorou para começar e não sei se conseguirá encontrar a química necessária antes do Mundial.

A Itália tem mais camisa e sangue vencedor do que propriamente um time. A Bélgica, exatamente o contrário. Tem time, um baita time, mas falta aquela competitividade necessária para ganhar a Copa. A Argentina tem craques do meio para frente, muitos problemas atrás, mas ganhou um treinador fantástico em Sampaoli.

Todas estas podem ganhar a Copa. Até o México de Osorio pode ganhar a Copa! Até Portugal. Até a Croácia. Até o Uruguai. É mata-mata (ou melhor, só “mata”) e hoje há um equilíbrio brutal no futebol.

Mas, neste momento, a um ano do Mundial, ninguém parece mais pronto e com mais poder de fogo do que o Brasil e seu eterno nêmesis: a França.

 


Marcelo comemora 10 anos de Real com brilho. Maior que Roberto Carlos?
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Julio Gomes

Não me lembro exatamente a data. Acho que era fim de 2007, começo de 2008, por aí. Tocou meu telefone e apareceu o nome “Paco”. Era um assessor de imprensa do Real Madrid. No início, achava uma mala sem alça. Depois, foi parecendo mais gente boa. Estranhei. Por que Paco estaria me ligando?

Atendi e ele logo saiu falando. “Olha, sei que você é brasileiro e tradutor e estamos precisando de alguém para ajudar em uma entrevista coletiva do Real Madrid com um jogador chamado Marcelo. Você está disponível?”.

Achei muito estranho. Paco me conhecia, sabia que eu era repórter, não tradutor. E que eu estava dia sim, dia não no CT do clube, em Valdebebas, sentado junto com os outros jornalistas, fazendo perguntas aos jogadores e muitas vezes filmando as coletivas – eu era correspondente da Band na época. Havia uma porta ali na sala de imprensa por onde chegavam os jogadores. Eu nunca havia passado por aquela porta. Era estranha a sensação de estar sendo convidado para entrar na sala junto com o jogador.

Notei que Paco não tinha percebido que aquele Julio-brasileiro era o único que ele conhecia, não outro. Esclareci. E o assessor do Real Madrid de repente se viu em uma encruzilhada. Estava desesperado, a coletiva começaria em horas. As coletivas do Real nunca tinham tradutor, exceto quando Beckham falava (raríssimo). E, claro, não queria que eu estivesse lá sentado na bancada. Seria esquisito. E se tem uma coisa que esses caras não gostam é de dever favor.

Eu me adiantei. “Paco, não se preocupe. Estou indo para Valdebebas e ajudo vocês nessa”.

Marcelo era uma criança. Um garoto acanhado, que, mesmo em português, mais murmurava do que falava. Eu achava um bom menino, talentoso, mas não via como ele poderia triunfar em um clube como aquele, um demolidor de pessoas tímidas. Para jogar no Real Madrid, não bastava ser bom de bola. Era preciso ter uma atitude à altura do clube.

A coletiva foi um fiasco para quem dependia daquela entrevista para o noticiário do dia. Marcelo jogava pouco, quase não conhecia o clube, não havia nenhuma crise em curso. Não havia o que perguntar para ele, em resumo. E as poucas perguntas que eram feitas eram respondidas com frases de no máximo umas cinco ou seis palavras. E ele respondia olhando de lado para mim, murmurando em português, sem ficar de frente para as câmeras.

Eu lembro que as minhas traduções se resumiam a “sí” e “no”.

O Real seria campeão naquela temporada com Schuster. Roberto Carlos havia deixado o clube, e Marcelo passou a ter mais minutos do que tivera em seu primeiro ano, com Fabio Capello.

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Poucas vezes encontrei Marcelo depois daquilo. Sempre foi um rapaz simpático, pelo menos comigo. Mas, mesmo à distância, foi fácil perceber como ele cresceu, amadureceu, ganhou personalidade. Ganhou o tamanho do Real Madrid e do futebol dele. Me parece mais vítima do que vilão nos problemas com Dunga e hoje exerce a justa titularidade absoluta na seleção brasileira de Tite.

Marcelo estreou no Real Madrid em 7 de janeiro de 2007. Portanto, 10 anos atrás. Nas tribunas do Bernabéu, neste sábado, estavam alguns nomes históricos do clube. Isso porque Cristiano Ronaldo recebeu e mostrou sua Bola de Ouro. Mas serviu também como uma homenagem a Marcelo. Que prestou sua auto homenagem ao fazer uma jogada linda e cruzar na cabeça para que Cristiano Ronaldo deixasse o dele nos 5 a 0 sobre o Granada.

O Real Madrid só perde esse Campeonato Espanhol se quiser. Se consumado, será o quarto título nacional de Marcelo no clube – para acompanhar duas Champions (com Mundiais), duas Copas do Rei, duas Supercopas da Espanha e outras duas da Europa.

É inevitável comparar Marcelo com Roberto Carlos. Ambos brasileiros, ambos laterais esquerdos, ambos com uma linda carreira no clube mais vencedor da história. Roberto Carlos também chegou ao clube quando Fabio Capello era o técnico e ficou 11 anos no Real. Conquistou quatro títulos espanhóis, três Champions, dois Mundiais, três Supercopas da Espanha e uma da Europa.

Percebemos, pois, que em termos de conquistas Marcelo já está no mesmo nível de Roberto Carlos em um período parecido dos dois no clube.

Mas quem foi maior ou melhor? Quem foi mais relevante nessas conquistas todas?

Eu ainda colocaria Roberto Carlos acima de Marcelo na história do clube e do futebol.

Roberto Carlos foi, durante todo seu período no Real Madrid, titular absoluto, indiscutível. O melhor do mundo na posição durante praticamente todo esse tempo, sendo também peça importante em muitos títulos da seleção brasileira. Não à toa, é o estrangeiro com mais partidas com a camisa do Real. Não se machucava nunca, jogava sempre.

Roberto fez parte de um Real Madrid que, em 1998, quebrou um jejum de 32 anos sem títulos europeus. E em uma época em que não havia supertimes, como hoje. As coisas eram muito mais equilibradas na Europa.

Já Marcelo chegou a jogar com um meia ou ponta esquerda por muito tempo com Juande Ramos e Manuel Pellegrini. Depois, com José Mourinho, era basicamente titular nos jogos em que o Real tinha a obrigação de atacar (na liga doméstica, por exemplo) e dava lugar ao português Coentrão nos jogos grandes, quando Mou se preocupava mais em defender.

Foi só nos últimos dois anos que Marcelo assumiu, de vez, a condição de titular absoluto e incontestável do clube na lateral esquerda. Ainda com alguma falha defensiva, mas essencial para a construção do jogo ofensivo do time pelo lado esquerdo. Fez até gol na final da Champions de 2014, quebrando jejum de 12 anos sem títulos europeus – em tempo, foi reserva de Coentrão naquela final, Ancelotti mandou o brasileiro a campo no segundo tempo, quando precisava buscar o resultado.

Não estou, de forma alguma, minimizando Marcelo. Pelo contrário. Um grande jogador, estabelecido no clube, parte da história, parceiro de Cristiano Ronaldo e caminhando para sua segunda Copa do Mundo como titular.

Roberto Carlos não tinha o mesmo talento para a construção com a bola nos pés. Os tempos também eram outros. Mas, por ser um “cavalo” fisicamente, conseguia compor melhor o sistema defensivo. E suas patadas, em faltas ou com bola rolando, eram uma arma e tanto do Real Madrid ao longo dos anos.

Roberto fez muito mais gols que Marcelo no Real, mais que o dobro (68 a 26). No entanto, Marcelo deu muitas assistências (54 em 382 jogos).

Imagino que na cabeça do torcedor brasileiro lendo esse texto, relembrando dos anos de Roberto Carlos na seleção, a comparação seja esdrúxula. Mas é preciso sair da caixa “Brasil”.

Eu acho a comparação justa e válida. Acho um ótimo debate de mesa de bar. No fim, ainda dou meu voto a Roberto Carlos. Tanto no peso histórico com a camisa do Real Madrid, pelos muitos mais anos de consistência e titularidade, quanto como jogador de futebol.

Mas Marcelo ainda tem tempo. Está no auge, jogando bola demais. Ee merece todas as palmas do mundo por completar 10 anos em clube exigente como o Real Madrid.