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Arquivo : Sevilla

Esperança do Barça é que Real repita pior sequência com Zidane
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Zidane assumiu o comando técnico do Real Madrid em janeiro de 2016. Ao longo do ano passado inteiro, perdeu apenas dois jogos, foi campeão da Liga dos Campeões e do Mundial da Fifa. No comecinho de 2017, perdeu dois jogos seguidos: para Sevilla e Celta de Vigo.

São exatamente os dois adversários do Real Madrid no domingo e quarta-feira seguintes ao duelo de Champions contra o Atlético no meio desta semana.

Para ser campeão espanhol pela primeira vez desde 2012, o Real Madrid precisa somar sete pontos em seus três jogos restantes. Em casa contra o Sevilla, fora contra o Celta e fora contra o Málaga.

Após as goleadas de sábado sobre Granada e Villarreal, respectivamente, Real e Barcelona têm os mesmos 84 pontos. O Barça tem a vantagem no critério de desempate, mas só jogará mais duas vezes – o normal é que some seis pontos contra Las Palmas (fora) e Eibar (em casa).

Ao Barcelona, além de ganhar seus jogos, resta torcer contra o Real Madrid, um time que fez gols em todos os 55 jogos oficiais da temporada.

O Real de Zidane estabeleceu em janeiro um recorde histórico de 40 jogos seguidos sem perder. O jogo do recorde foi em Sevilha, pela Copa do Rei, um 3 a 3 arrancado com um gol de Benzema aos 48min do segundo tempo – valia apenas a marca, pois o Real já estava classificado, havia vencido por 3 a 0 na ida.

Três dias depois, os times voltaram a se enfrentar, pela penúltima rodada do turno da Liga espanhola. E o Sevilla quebrou a invencibilidade histórica do Real com uma vitória por 2 a 1 – gol contra de Sergio Ramos (ex-sevillista), aos 40min, e virada com Jovetic, aos 46min do segundo tempo.

Mais três dias se passaram, e o Real Madrid perdeu em casa para o Celta, por 2 a 1, pela Copa do Rei – com alguns desfalques, mas time titular em campo. Um empate por 2 a 2 na semana seguinte, em Vigo, decretaria a eliminação do Real na competição.

O Real voltaria a jogar em Vigo em fevereiro pelo Campeonato Espanhol, mas uma tempestade afetou o estádio Balaídos, e o jogo foi adiado. Por coincidência, será realizado agora entre penúltima e última rodadas, justamente depois do duelo contra o Sevilla.

Esta mesma sequência de jogos, a única em que Zidane saiu derrotado seguidamente desde que assumiu o clube, se repete – com os mandos de campo invertidos.

Um fio de esperança para um Barcelona se amarrando a qualquer coisa em suas “secadas”. E não basta torcer para o Real empatar uma. Precisa perder uma. Ou empatar duas.

O Sevilla está em quarto no campeonato e o jogo de domingo, no Bernabéu, está longe de ser de vida ou morte. São cinco pontos abaixo do Atlético de Madri e seis acima do Villarreal na tabela. Um ponto basta ao Atlético para se garantir em terceiro lugar e ganhar a vaga direta para a próxima Champions. E um ponto basta ao Sevilla para se garantir em quarto e ir pelo menos para a fase prévia da Champions. Na última rodada, o time de Sampaoli recebe em casa o lanterna e já rebaixado Osasuna. Se perder do Real Madrid, portanto, deve conseguir o ponto que falta depois.

Já o Celta perdeu três jogos seguidos e caiu para 11o lugar na tabela – são cinco derrotas em seis partidas. É um bom time, mas com a cabeça em outro lugar, com a cabeça no sonho europeu. Na quinta-feira, o Celta viaja a Manchester para enfrentar o United por uma vaga na Europa League. É a melhor campanha europeia da história do clube, que tenta sua primeira final continental. Para isso, terá de reverter a derrota de 1 a 0 em casa, sofrida na última quinta.

O mais provável é que chegue eliminado para o confronto da outra quarta-feira, contra o Real Madrid. Será aplaudido e homenageado por seu torcedor. Mas daí a complicar um time ultramotivado pela chance de título…

O Barcelona perdeu para o Celta em Vigo e perdeu também para o Málaga, que será o adversário do Real Madrid na última rodada.

Se o Real não tropeçar e ganhar o título em Málaga, o terá feito na mesma cidade em que o Barcelona perdeu pontos pela última vez no campeonato. Aquele jogo da expulsão de Neymar.


E agora, quem quer enfrentar o Leicester nas quartas?
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E o conto de fadas continua em Leicester. Quando todos davam os foxes como mortos na Champions League, o feitiço mostrou-se mais ativo do que nunca.

O Sevilla pegou um Leicester morto na partida de ida. Era a chance de goleada e classificação definida. E o jogo foi para goleada, mas acabou só em 2 a 1. Os jogadores conseguiram, afinal, derrubar Claudio Ranieri. E começaram a correr de novo.

Com o auxiliar Craig Shakespeare, “amigão” dos jogadores, assumindo o comando, o Leicester voltou a seu 4-4-2 bem britânico. Jogo forte na bola aérea e no contra ataque. Na vitória por 2 a 0, nesta terça, o Leicester teve 32% de posse de bola. Defende-se bem, não se incomoda com a bola nos pés dos outros.

O Sevilla começou o jogo passivo, levou o gol e só depois resolveu jogar. E aí Schmeichel, filho de peixe, que já havia defendido um pênalti na ida, defendeu outro na volta – o primeiro goleiro a fazer isso em uma eliminatória europeia.

Quando perdeu o pênalti, já no fim do jogo, o Sevilla estava com dez homens em campo após Nasri se desentender com Vardy no meio de um lance de ataque. Vardy “brasileirou” e fez um teatro danado após uma não cabeçada. Patético. Ou vermelho para os dois ou nada, pois o amarelo para ambos resultou na expulsão de um só.

Mesmo sem Nasry, que foi burrinho, burrinho, o Sevilla ainda arrumou o pênalti que levaria para a prorrogação. E perdeu de novo. Sampaoli só não perdeu cabelos porque não tem.

Não dá para dizer que o Sevilla mereceu. Teve todas as chances possíveis e imagináveis e fez questão de desperdiçá-las. E assim, a Espanha perde uma chance de ouro de colocar quatro times nas quartas de final pela primeira vez na história da máxima competição europeia.

O Leicester segue iluminado.

Quem quer enfrentá-lo nas quartas de final, após o sorteio de sexta-feira?

A resposta é simples. TODOS. O Leicester é o time mais fraco das quartas de final, mais previsível e mais fácil de ser batido. É o mais simpático também. Mas simpatia não ganha Champions.

Por outro lado, a Juventus ganhou por 1 a 0 do Porto, sem maiores problemas. São 47 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium, um fortim. Está aí um time que, ao contrário do Leicester, ninguém quer enfrentar na Champions.


Sergio Ramos redefine a “lei do ex”. Sevilla derruba o Real!
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juliogomes

Sergio Ramos jogou muito bem no Sevilla, em uma época de renascimento do clube. É um filho da cidade. Com 19 anos, o Real Madrid foi até o Sul contratar o zagueiro que seria o “novo Hierro”. Na época, falou-se daqui, dali e não pegou muito bem a saída de Ramos lá na Andaluzia.

Acelera a fita e chegamos ao meio da semana, quando Sevilla e Real Madrid se enfrentavam pela Copa do Rei. Com os 3 a 0 da ida, a eliminatória estava morta. Mas o Real defendia uma invencibilidade de 39 jogos oficiais, marca histórica e igual à conquistada pelo Barcelona nas duas temporadas anteriores.

O Sevilla ganhava por 3 a 1 até o 38min do segundo tempo. Foi quando Sergio Ramos bateu um pênalti com cavadinha. Deu aquela humilhada. Comemorou, meio que com raiva da torcida. E, claro, foi vaiado. Depois, disse que não tinha comemorado nada e que, quando morresse, seria enterrado com uma bandeira do Sevilla e outra do Real sobre o caixão. Disse que não entendia por que Daniel Alves (um brasileiro) era aplaudido no estádio Ramón Sánchez Pizjuán, enquanto ele era xingado.

Nos acréscimos daquele jogo, Benzema decretaria o 3 a 3, e o Real chegaria ao recorde do país, 40 jogos de invencibilidade. E Sergio Ramos se transformou no personagem da semana.

Chegamos a este domingo, jogo válido pela liga espanhola. Líder contra vice-líder, para se ter uma ideia de quão bons são o time do Sevilla e seu técnico, Jorge Sampaoli.

Após um bom primeiro tempo do Sevilla, o Real tomou conta do jogo no segundo, chegou ao gol e parecia a ponto de jogar um balde de água fria na liga espanhola. Criava chances para matar a partida.

Foi quando, aos 40min do segundo, Sergio Ramos apareceu. E fez um gol… contra!

Não dava para ter deixado o torcedor do Sevilla mais feliz. O personagem da semana tirava a vitória importantíssima do Real. Como disse um seguidor no Twitter. “A lei do ex se superou”.

A “lei do ex”, todos sabem, é evocada sempre que um ex-jogador de um clube marca quando reencontra o time que defendia. Sergio Ramos redefine a lei do ex ao meter um gol contra o Sevilla na quarta para depois, no domingo, fazer contra o atual, em favor do ex. Uau!

Mas tinha mais. O Sevilla cresceu no jogo, e o Real ficou atordoado. Jovetic, que chegou agora ao clube, meteu o 2 a 1 aos 45! E foi pelos ares a história invencibilidade de 40 jogos do Real Madrid de Zidane.

Êxtase total no Sánchez Pizjuán, onde o Sevilla derruba o todo poderoso Madrid pela segunda temporada consecutiva, quebra a série invicta e coloca fogo no campeonato.

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Na Espanha, são poucos os jogos em que você olha para a tabela e imagina um tropeço de Real Madrid ou Barcelona. O tropeço pode acontecer, vira e mexe acontece. Mas é difícil prevê-lo. Salvo pouquíssimas exceções, os dois grandões entram sempre em campo com um favoritismo destacado. Neste domingo, tínhamos um desses jogos-chave para o campeonato. Um jogo em que poderia acontecer o que, de fato, aconteceu. Gracias, Sergio Ramos!

O Real Madrid fica com 40 pontos, apenas 1 de vantagem para o Sevilla e 2 para o Barcelona. O Atlético está 6 atrás. Tem um detalhe: o Real tem um jogo a menos que essa turma toda. Ainda está no controle. Mas…

Esquenta na Itália, esfria na Inglaterra

A Juventus levou 2 a 1 da Fiorentina, em Florença, ao mesmo tempo que o Real caía em Sevilha. E a liga italiana também esquentou. A Juve tem agora só um ponto de vantagem para a Roma e quatro para o Napoli – apesar de, assim como o Real, ter um jogo a menos.

Já na Inglaterra, foi o contrário.

O Chelsea foi até a casa do atual campeão, o Leicester, e meteu 3 a 0 sem suar muito no sábado. Isso com uma semi crise se desenhando, após Antonio Conte barrar Diego Costa do jogo – falou-se de tudo, mas parece que tiveram um bate boca e o centroavante está balançado pela absurda proposta que recebeu da China.

Não bastasse a demonstração de foco e força, o Chelsea ainda viu de camarote, no domingo, Manchester United e Liverpool empatarem um ótimo jogo por 1 a 1. E o Manchester City levar 4 a 0 do Everton – Guardiola já até “jogou a toalha“.

O Chelsea lidera a Premier League com 52 pontos, 7 a mais que Liverpool e Tottenham, 8 a mais que o Arsenal, 10 a mais que o City e 12 a mais que o United. Faltam ainda 17 rodadas, mas é difícil ver o time de Conte perdendo pontos bobos – e o Chelsea tem a vantagem de não estar envolvido na Champions League, o foco é total na liga doméstica.

No dia 31 de janeiro tem Liverpool x Chelsea. Logo depois, no dia 4 de fevereiro, tem Chelsea x Arsenal. Ou a liga inglesa esquenta de novo nesses dois jogos ou o Chelsea já pode ir preparando a festa e nos restará acompanhar uma bela briga pelas vagas na Champions – hoje, os dois times de Manchester, de Pep e Mou, estariam fora.

Na sexta-feira, volta a Bundesliga. Olho no Bayern de Munique de Carlo Ancelotti. Começou a temporada claudicante, mas engatou no fim do ano e é um dos grandes favoritos a conquistar a Champions League.

 


Gol sofrido no fim mais ajuda que atrapalha o Real Madrid
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juliogomes

O Real Madrid levou um gol de Reus aos 43 do segundo tempo, empatou por 2 a 2 com o Borussia Dortmund e acabou ficando em segundo no grupo F da Champions League.

Má notícia? Na minha visão, longe disso. O Real atinge 34 jogos de invencibilidade com Zidane no comando, igualando uma marca história estabelecida em 1988-89, e deve superar o recorde no fim de semana, em casa, contra o La Coruña.

De quebra, ao ser segundo, diminui as chances de enfrentar uma “pedreira” nas oitavas de final. É verdade que decidirá fora de casa a vaga nas quartas, mas isso é muito relativo. Se fizer um bom resultado na ida, no Bernabéu, decidir fora nem é mau negócio.

Sendo segundo colocado no grupo, o Real Madrid será sorteado contra um dos primeiros colocados – não pode, no entanto, enfrentar times do mesmo país ou do mesmo grupo em que jogou a fase inicial.

Portanto, o Real enfrentará nas oitavas um destes cinco times: Arsenal, Juventus, Napoli, Monaco ou Leicester. Se colocarmos Arsenal e Juve na lista de favoritos ao título, o Real tem 40% de chances de pegar uma pedreira, contra 60% de chances de pegar um rival mais fraco. Não digo que Napoli, Monaco e Leicester sejam galinhas mortas, mas é difícil imaginar um destes três eliminando o Real de Zidane na Champions.

Se não tivesse levado o gol do Dortmund no fim, o Real enfrentaria um destes seis: Bayern de Munique, Manchester City, PSG, Benfica, Porto ou Bayer Leverkusen. Ou seja, 50% de chances de enfrentar um favorito ao título. E Bayern, City e PSG, creio, são mais fortes que Arsenal e Juventus.

Não acredito que levar um gol no fim tenha sido estratégia – não foi o que o jogo nos contou, e o Real colocou os titulares em campo. Apenas que há males que vêm para bem.

Como não houve nenhuma grande zebra na fase de grupos, não há nenhuma “baba” nas oitavas. Os segundos colocados como Porto, Benfica, Sevilla ou Napoli são clubes que, se não têm o mesmo orçamento dos gigantes e não devem brigar por título, têm camisa, bons jogadores e podem fazer alguma graça no mata-mata contra algum desavisado.

O Barcelona pode enfrentar Bayern, PSG, Porto, Benfica ou Bayer Leverkusen.

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Vamos agora aos classificados para as oitavas na Champions e quais os possíveis adversários que podem sair do sorteio de segunda-feira:

Grupo A
Arsenal – Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
PSG – Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Ludogorets na Liga Europa

Grupo B
Napoli – PSG, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
Benfica – Arsenal, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Besiktas na Liga Europa

Grupo C
Barcelona – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Porto
Manchester City – Napoli, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Borussia Moenchengladbach na Liga Europa

Grupo D
Atlético de Madri – PSG, Benfica, Manchester City, Bayer Leverkusen, Porto
Bayern de Munique – Arsenal, Napoli, Barcelona, Monaco, Leicester, Juventus
*Rostov na Liga Europa

Grupo E
Monaco – Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Real Madrid, Porto, Sevilla
Bayer Leverkusen – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Leicester, Juventus
*Tottenham na Liga Europa

Grupo F
Borussia Dortmund – PSG, Benfica, Manchester City, Porto, Sevilla
Real Madrid – Arsenal, Napoli, Monaco, Leicester, Juventus
*Legia Varsóvia na Liga Europa

Grupo G
Leicester – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Sevilla
Porto – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Copenhagen na Liga Europa

Grupo H
Juventus – PSG, Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto
Sevilla – Arsenal, Napoli, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester
*Lyon na Liga Europa


Real Madrid mantém chances de ser primeiro. Mas será que vale?
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juliogomes

Real Madrid e Borussia Dortmund fizeram o básico nesta noite de terça-feira na Champions League: ganharam. O Real fez 2 a 1 no Sporting, em Lisboa, apesar de nova atuação fraca na Europa. E o Borussia fez 8 a 4 (oi-to-a-qua-tro) no Legia. Os dois agendaram uma disputa direta pela primeira colocação no grupo F, daqui a duas semanas, em Madri.

Ambos estão classificados. O Borussia, com 13 pontos, precisa só de um empate no Bernabéu contra o Real, que tem 11. Ao time de Madri, uma vitória simples basta para ser primeiro. Mas será que vale à pena para o Real Madrid ganhar o grupo?

Ao longo dos anos, muitas vezes vimos times grandes da Europa pagarem o preço por subestimarem a importância de ser primeiro na fase de grupos. Os primeiros colocados cruzam com os segundos nas oitavas de final, ano que vem, e decidem a segunda partida em casa. Times do mesmo país não podem se enfrentar, então o sorteio das oitavas é dirigido.

Na atual edição da Champions, temos cinco grupos com dois claros favoritos a ficarem com as vagas – e, aparentemente, todos passarão sem problemas. E três grupos sem qualquer bicho papão, com times fora da lista de favoritos ao título.

Se o Real Madrid ficar em segundo no grupo, o “risco” seria enfrentar uma espécie de “final fora de hora” contra o primeiro colocado de um dos outros quatro grupos, digamos, mais fortes. No entanto, destes quatro grupos tudo indica que em dois deles um time espanhol ficará em primeiro lugar (Barcelona e Atlético de Madri).

De pedreira para o Real, sobraria um confronto contra a Juventus ou contra o vencedor do grupo que tem Arsenal e PSG (estão empatados em pontos e se enfrentam nesta quarta, em Londres).

A chance seria de 40% de enfrentar Juve ou Arsenal ou PSG nas oitavas. Os outros possíveis rivais seriam o Monaco (já ganhou grupo E), o Leicester (já ganhou grupo G) e o primeiro colocado no grupo ponteado por Benfica e Napoli. Convenhamos, difícil imaginar que um desses quatro traga problemas para o Real Madrid nas oitavas.

Já se for primeiro colocado de sua chave, o Real Madrid aumentaria as possibilidades de enfrentar uma pedreira de verdade. Bayern de Munique e Manchester City, que devem ficar atrás de Atlético e Barça em suas chaves, poderiam ser rivais nas oitavas, além, claro, do segundo colocado entre Arsenal e PSG. Seriam três rivais duríssimos entre seis possíveis (os outros três possíveis rivais seriam Porto, Bayer Leverkusen e Napoli/Benfica/Besiktas).

Já o Borussia Dortmund, se for primeiro no grupo, não poderia pegar nas oitavas nem Real nem Bayern nem Bayer. Sobraria o City como pedreira e outros rivais menos complicados. Já se for segundo, o Dortmund poderia ser emparelhado com Barcelona, Atlético, Juventus, enfim, todos os primeiros colocados fortes (pois nenhum será alemão).

Para o Dortmund, é muito mais importante ser primeiro do grupo do que para o líder do Campeonato Espanhol.

É difícil imaginar um Real Madrid entrando em campo contra o Borussia para não ganhar. No DNA do Real Madrid, na história do clube, está a vitória – e não jogar com o regulamento embaixo do braço, como fazem frequentemente os clubes italianos.

Por outro lado, o duelo será realizado quatro dias depois do clássico contra o Barcelona, um jogo sempre muito desgastante física e psicologicamente. Além de todos os desfalques ao longo da temporada, Bale e Marcelo saíram de campo com problemas. Jogar com o freio de mão puxado é um cenário difícil de imaginar. Mas será que Zidane não irá resolver poupar algumas peças chave do elenco?

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Outros grupos

O grande jogo da terça-feira foi Sevilla 1 x 3 Juventus. O Sevilla abriu o placar e dominava a partida quando teve Vázquez expulso aos 35min de jogo. O árbitro inglês Mark Clattenburg acertou na expulsão, mas mudou o destino do jogo marcando um pênalti ridículo para a Juve no finalzinho do primeiro tempo. Aquele empurra-empurra na área, falta que, na minha visão, não pode ser marcada.

No segundo tempo, com um a mais, a Juventus foi pouco a pouco tomando conta do jogo contra um Sevilla com a cabeça em pressionar a arbitragem para arrumar uma compensação. Sampaoli foi expulso e levou as mãos à cabeça quando Bonucci, com um golaço, decretou a virada. Mandzukic fechou o placar.

Árbitro à parte, vitória enorme da Juve, sem Higuaín e Dybala. Com 11 pontos, a Juve está classificada e será primeira no grupo, pois pega o fraco Dinamo Zagreb em casa na última rodada.

O Sevilla agora joga a classificação contra o Lyon, fora de casa, podendo empatar ou até perder por um gol de diferença. O Lyon só se classifica se vencer por dois ou mais gols de diferença.

O grupo E já está definido. O Monaco, que vive grande temporada, fez 2 a 1 no Tottenham, chegou aos 11 pontos e já ganhou o grupo. O Tottenham, uma das decepções da fase de grupos, está eliminado precocemente. O Bayer Leverkusen já se garantiu em segundo lugar, pois tem três pontos de vantagem para o time inglês e a vantagem no confronto direto.

Se o Tottenham decepcionou, o Leicester venceu o Brugge por 2 a 1 e transferiu seu conto de fadas para a Champions League. Com 13 pontos, já garantiu a primeira posição no grupo F.

Na Premier League, o Leicester fez até agora 12 pontos em 12 jogos. Um ponto a menos do que na Champions em cinco rodadas.

O Porto empatou sem gols em Copenhague e chegou aos oito pontos contra seis dos dinamarqueses. O Porto se classifica caso vença o Leicester, em casa, na última rodada. Se tropeçar, no entanto, o Porto terá de torcer para o Copenhagen não ganhar do Brugge na Bélgica – o Brugge perdeu cinco de cinco, no entanto.

 


Ganso cai no lugar ideal. Agora saberemos o real tamanho dele
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juliogomes

Paulo Henrique Ganso sempre me pareceu um jogador fora de seu tempo.

Seria craque anos atrás. Porque tem talento, tem passe, tem aquela jogada tirada da cartola, consegue pensar fora da caixa. Tem, como muitos técnicos gostam de dizer, “inteligência futebolística”.

Mas o futebol mudou. Jogadores como Ganso são raros, porque os defeitos de seu jogo comprometem as virtudes. Os que passam bem e dão fluência ao jogo hoje atuam mais atrás, como volantes ou até zagueiros. Mas cumprem funções defensivas que Ganso não cumpre. Os que, além do passe, tem o instinto matador, se transformam em meia-atacantes ou até atacantes. Ganso não faz tantos gols.

Ganso seria um número 10 das antigas. Mas hoje o número 10 praticamente não existe mais. Existem 5s, 8s e 11s. Ficou em um limbo que me impede de considerá-lo um craque.

As lesões tampouco ajudaram. Nem as negociações e exigências em excesso nos tempos de Santos, em que ele (além de tanta gente) realmente se achava tão ou mais importante que Neymar.

Mas o fato é que a carreira de Ganso foi ficando pelo caminho. Em vez de ir do Santos para um, digamos, Real Madrid, o máximo que deu foi para o São Paulo mesmo. Teve seus momentos. Mas nada do que se projetava seis anos atrás.

As portas da seleção brasileira pareciam fechadas para Ganso. Ele até esteve na Copa América após tantas lesões, mas não parece ser nada mais que um repique. Sem seleção e sem dinamismo, a consequência eram portas fechadas também no grande nível europeu.

Claro que dava para imaginar Ganso em uma Ucrânia da vida. Uma Turquia, até. Sem falar no “mundo chinês”, “mundo árabe”. Mas não em um clube importante de alguma das quatro grandes ligas domésticas. E nem as secundárias.

De repente, Ganso vai para o Sevilla. Atual tricampeão da Liga Europa. Um clube capaz de incomodar os grandes na Espanha. Um frequente nas ligas continentais. Clube importante, de torcida, de mídia. Um raro médio-médio. Médio em seu país, médio na Europa.

E mais. Para um Sevilla começando um projeto muito promissor, com o ótimo Jorge Sampaoli no comando. Ganso chega como um pedido do novo chefe. E que chefe! Um técnico campeão da América com o Chile. Que por onde passou implementou bom futebol, de posse e passe, com técnica e qualidade como condições essenciais de jogo.

Para mim, o argentino poderia tranquilamente ser técnico de uma seleção de peso. A brasileira ou a espanhola, por exemplo. Mas resolveu tentar a sorte na Europa. E está fadado ao sucesso, pois é muito bom no que faz.

É verdade que Sampaoli gosta também de dinamismo e intensidade. E é aqui a grande interrogação sobre o que Paulo Henrique consegue entregar.

O futebol na Espanha é incomparavelmente mais veloz e intenso que no Brasil. Mas bem menos que na Inglaterra ou Alemanha. É uma liga, a espanhola, que privilegia o talento, a ofensividade.

Além disso, Sevilha é uma cidade quente e acolhedora. Que gosta de brasileiros, até porque nos últimos anos muitos passaram por lá e só deixaram boas lembranças (Daniel Alves, Renato, Júlio Baptista, Ricardo Oliveira, Marcos Assunção, Edu, etc, etc, etc).

Time bom. Técnico ótimo. Cidade maravilhosa. Salário para lá de decente. Liga boa para se adaptar e de alta competitividade.

O que mais Ganso poderia pedir?

Muito se falou, muito falei, que Ganso era um bom jogador mas que, por características, não havia lugar na Europa para ele com o futebol jogado hoje em dia. O cara ainda tem 26 anos. E tem cabeça, além de talento. É claro que dá. Adoraria queimar a língua.

Agora veremos o verdadeiro tamanho de Ganso. Ou triunfa ou volta reclamando da sorte. Só depende dele.

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Sevilla atropela, e Espanha confirma domínio inédito
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juliogomes

O Liverpool é gigante. Mas é um gigante que desaprendeu a ganhar. O Sevilla é o melhor exemplo possível para os que acham que o futebol espanhol vive de dois times. Não é assim e nunca foi assim. O nível estratosférico de Barcelona e Real Madrid em anos recentes cegaram muitos para a qualidade enorme de outros times.

Os ingleses, tomara, têm um belo futuro com Klopp. Um baita técnico, uma baita torcida, uma baita história a ser resgatada, alguns bons jogadores. Mas, hoje, o Sevilla é um clube com cheiro de título. Aquele cheiro que os Reds perderam na megaglobalização vivida pelo futebol nos últimos anos.

O Liverpool teve a chance de ficar com a Europa League, seria a quarta (contando com os tempos de Copa da Uefa). Mas, com o 1 a 0 e o Sevilla contra as cordas, perdeu a chance de matar a decisão no primeiro tempo. Em finais, quando o adversário está entregue, as coisas não podem ficar para depois.

O “depois” foi o Sevilla empatando o jogo com menos de 30 segundos no segundo tempo. Jogada brilhante de Mariano e gol de Gameiro, o artilheiro.

A partir daí, foi um banho. O Liverpool não estava preparado para o empate tão rápido. E o Sevilla estava mais do que preparado para ganhar. Aprendeu a ganhar. E ganha. Fez 3 a 1 e poderia ter feito mais.

O Sevilla passou o carro por cima do Liverpool no segundo tempo.

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Muitos vão minimizar a Europa League, antes Copa da Uefa. É claro que é necessário relativizá-la. Não é forte como já foi.

Antes, até a mudança radical do futebol europeu, duas décadas e pouco atrás, a Copa dos Campeões era uma competição só para campeões, poucos times. A Copa da Uefa era até mais difícil de ganhar, pois tinha mais times fortes. Possivelmente em muitos anos dos anos 70 e 80 o campeão da Uefa era um time melhor do que propriamente o campeão europeu.

Não é mais assim. A Copa dos Campeões inchou, virou a Champions League e hoje é a maior competição de futebol do mundo. A Europa League é secundária. Mas sempre tem times bons. Seja porque esses times bons não conseguiram, no ano anterior, vaga na Champions, ou porque “caíram” da fase de grupos da Champions – foi o caso do Sevilla esse ano, ficando em terceiro em um grupo da morte que tinha Juventus e Manchester City na Champions.

A Europa League 2016/2017 já tem, por exemplo, Manchester United e Inter de Milão confirmados. Outras camisas pesadas estarão lá.

Como estiveram nas três seguidas conquistadas pelo Sevilla.

Real Madrid, entre 56 e 60, Ajax, de 71 a 73, e Bayern de Munique, de 74 a 76, eram os únicos times da história a vencerem três copas europeias seguidas. Todos na Copa dos Campeões. O Sevilla se junta a esse seleto grupo.

E não podemos esquecer que a Espanha conquista a terceira Europa League consecutiva com o Sevilla e já garantiu a terceira Champions League seguida com a final doméstica entre Real Madrid e Atlético de Madri. Isso nunca havia acontecido na Europa.

A Itália teve um domínio parecido quando o Milan ganhou a Copa dos Campeões em 89 e 90. Italianos ganharam a Copa da Uefa em 89 (Napoli), 90 (Juventus) e 91 (Inter). E a Sampdoria ainda levou a extinta Recopa em 1990.

Mas o histórico domínio italiano do final dos anos 80 foi superado agora pelos espanhóis.

Na Champions League, a Espanha leva 6 dos últimos 11 títulos. Na Europa League, são 7 títulos nos últimos 13 anos, com duas finais domésticas.

Nas últimas três temporadas, foram 45 confrontos europeus contra times de outros países. Os espanhóis levaram a melhor 42 vezes. “Só” 93% de aproveitamento.

Ufa. Haja número. Haja taça. E haja festa. A noite em Sevilla só acaba amanhã… à noite.


Imaginem se a Espanha tivesse mais de dois times bons…
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juliogomes

Os resultados do meio de semana deixaram engatilhadas duas finais espanholas nas duas competições europeias entre clubes: a Champions League e a Europa League.

Na Champions, o Real Madrid precisa de uma vitória por qualquer placar contra o Manchester City para chegar a sua décima-quarta final. O Atlético de Madri defende, em Munique, um 1 a 0 conseguido em cima do Bayern.

Na Europa League, o Sevilla volta para casa após um 2 a 2 contra o Shakhtar Donestsk, na Ucrânia. Para os sevilhanos, basta vencer ou até mesmo empatar por 0 a 0 ou 1 a 1 para garantirem a quinta final em 11 anos – foi campeão nas outras quatro vezes. Já o Villarreal defende em Liverpool a vitória por 1 a 0 na ida.

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Real Madrid e Sevilla, os maiores campeões da história da Copa dos Campeões/Champions League e da Copa da Uefa/Europa League, respectivamente, são favoritíssimos para estarem na final.

Atlético de Madri e Villarreal, claro, devem ter mais problemas, apesar de terem vencido o jogo de ida.

O fato é que os times espanhóis ganharam as últimas duas Champions e últimas duas Europa Leagues. Se fizerem as duas finais no mês que vem, serão três anos seguidos com os títulos das duas competições. Isso nunca ocorreu na história do futebol europeu.

A Itália teve um domínio parecido quando o Milan ganhou a Copa dos Campeões em 89 e 90. Italianos ganharam a Copa da Uefa em 89 (Napoli), 90 (Juventus) e 91 (Inter). E a Sampdoria ainda levou a extinta Recopa em 1990.

Mas o histórico domínio italiano do final dos anos 80 tem tudo para ser superado agora pelos espanhóis.

Na Champions League, a Espanha levou 5 dos últimos 10 títulos, com direito a uma final doméstica dois anos atrás. Na Europa League, foram 6 títulos nos últimos 12 anos, com duas finais domésticas.

Espanhóis superaram 16 das últimas 17 eliminatórias contra times ingleses, para se ter uma ideia – a Premier League é tida como a liga mais forte do planeta. Mas….

Enquanto tudo isso acontece, tem gente que ainda trata a liga espanhola como um campeonato de “apenas dois times”.

O detalhe é que o Barcelona não está na lista dos quatro times que podem fazer as duas finais continentais em maio.

Anos de domínio brutal de Barcelona e Real Madrid entre 2009 e 2012 fizeram muita gente achar que os dois jogavam “contra ninguém”. Por essa razão, portanto, tantos recordes estavam sendo batidos – de pontos, de gols, etc.

É verdade que a disparidade econômica fez com que Barcelona e Real Madrid se descolassem dos outros times do país. Mas isso levou a uma conclusão errada: não eram os outros times tão fracos assim, eram os dois gigantes que nunca haviam sido tão fortes. O Barça de Guardiola (2008-2012) é, na opinião deste blog, o maior time da história, superando o Santos de Pelé, o Real Madrid de Di Stéfano, o Ajax de Cruyff, o Milan de Sacchi e a Barcelusa de Jorginho (desculpem, não resisti).

O absurdo domínio espanhol vai além de Barcelona e Real Madrid.

Nas últimas três temporadas, foram 40 confrontos europeus contra times de outros países. Os espanhóis passaram 38 vezes. “Só” 95% de aproveitamento.

O Villarreal sempre se classificou em eliminatórias europeias após ganhar o jogo de ida (21 de 21). Má notícia para o Liverpool. 79% dos times que empataram por 2 a 2 fora de casa na ida uma eliminatória europeia acabaram garantindo a classificação na volta, jogando em casa. Má notícia para o Shakhtar. Nas últimas oito semifinais de Champions em que o time da casa venceu por 1-0, só uma vez este time perdeu a classificação jogando fora. Má notícia para o Bayern. O Real Madrid empatou sem gols oito vezes em uma partida de ida por competição europeia. Das oito ocasiões, se classificou em sete. Das 23 vezes em que empatou o jogo de ida fora de casa, se classificou em 22 ocasiões. Más notícias para o City.

São apenas estatísticas, não garantem nada. Mas indicam tendências.

Criticar a “espanholização” do futebol brasileiro pelas cotas discrepantes de TV é honesto. Continuar dizendo ou achando, no entanto, que o futebol da Espanha tem “só dois times bons, o resto é pereba” é fechar os olhos para a realidade.

Imaginem o que vai ser quando a Espanha tiver mais de dois times…

 


Na Liga de dois, pequena vantagem para o Real, calvário para os outros
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juliogomes

Barcelona e Real Madrid receberam 140 milhões de euros por seus contratos de TV na temporada passada, quase 500 milhões de reais. Atlético de Madrid e Valencia, os próximos da lista, levaram 42 milhões de euros (135 milhões de reais). Os mais modestos, 12 milhões de euros (40 milhões de reais).

Entenderam por que o Campeonato Espanhol virou um “grande Gauchão”, como dizem aqui, ou uma liga “escocesa”, como eles dizem lá?

Desde 2006, quando os contratos de TV passaram a ser negociados individualmente pelos clubes, um enorme abismo começou a ser criado no futebol espanhol. Um abismo que se acentuou com a crise financeira que pegou a Europa de jeito, a Espanha ainda mais, a partir de 2008. Crise esta que ainda não acabou. Combinados, os dois fatores fazem com que seja até ridículo chamar a liga espanhola de “melhor do mundo”.

A liga tem os dois times mais ricos do mundo. Os dois melhores jogadores do mundo. O clássico mais importante do mundo. O problema é que não existe mais o desafio esportivo a Real Madrid e Barcelona. Eles jogam um torneio à parte, enquanto os outros 18 disputam duas vagas na Champions League, três na Europa League e tentam fugir do grupo de três rebaixados.

Não era assim. Nos últimos nove anos, o Real Madrid foi sempre campeão ou vice. Nos nove anos anteriores, porém, havia fica cinco vezes fora das duas primeiras colocações. Nos últimos dez anos, somente uma vez o Barcelona não foi campeão ou vice. Mas nos nove anos anteriores, assim como o Real, havia ficado cinco vezes fora das duas primeiras posições. É óbvio que, historicamente, Real Madrid e Barcelona sempre foram muito fortes. Mas nunca tão fortes como agora.

Em 2007, quando ainda era cedo para o abismo financeiro ter consequências tão brutais, o Sevilla disputou o título com os dois gigantes até as rodadas finais. Em 2008, o Villarreal foi vice-campeão, o único time a quebrar a dualidade desde 2004, quando o Valencia de Rafael Benítez foi campeão – em cima do Barça de Ronaldinho e do Real dos Galácticos.

É essa a liga que começa neste sábado. Já sabemos, por antecipação, que um deles será campeão e o outro, vice. O torcedor não é bobo e já dá muito menos importância para o campeonato nacional. Na temporada passada, a rodada inaugural teve 61% dos estádios ocupados, número que bateu em 70% na temporada retrasada. É enorme a possibilidade de vermos a média de público cair como um todo.

Os melhores jogadores de futebol nascidos na Espanha estão ou no Barça ou no Real ou no exterior. Com as saídas de Falcao, Higuaín, Soldado, Negredo e Aspas, foram embora da liga os responsáveis por 93 gols na temporada passada. São só más notícias para quem espera um pouco mais de equilíbrio, um pouco menos bipartidarismo.

Mas e aí?, pergunta o amigo. Qual dos dois vai ganhar a liga?

Darei meu palpite só para não ficar no muro: Real Madrid, 53% a 47%.

No ano passado, o Real, com crise no vestiário entre Mourinho e alguns jogadores-chave, perdeu pontos no começo do campeonato que decretaram o final antecipado da disputa, por todos os motivos relacionados acima. Neste ano, com a dupla Carlo Ancelotti/Zidane, não há crise. A pré-temporada foi boa, o elenco é fortíssimo e eu simplesmente não vejo o Real perdendo pontos em qualquer estádio da Espanha, exceto o Camp Nou. Chegou o espetacular Isco, que estará na seleção espanhola que vai à Copa, e Gareth Bale tem um pé no Bernabéu.

O Barcelona tem Xavi um ano mais velho, Valdés em sua última temporada, nenhum zagueiro importante novo para um setor bastante debilitado, perdeu Thiago de forma juvenil, perdeu Villa, perdeu o técnico. Logicamente, ganhou Neymar. E isso não é pouco. O Barça é um time Messi-dependente no setor ofensivo, e Neymar poderá fazer muitos gols, distribuir responsabilidades e resolver paradas. Mas nunca nos esqueçamos, é só o primeiro ano em outro campeonato, outro país, outro futebol.

Tata Martino é um grande técnico e pode cair como uma luva no Barcelona. Ou não. Só o tempo dirá, mas não podemos nos esquecer que bastam um ou dois tropeços para a vaca ir para o brejo. Não há margem de erros em uma liga em que dois times disputam o título com percentual tão alto de pontos. Me chama a atenção que o Barcelona terá de jogar  fora contra Málaga e Valencia e em casa contra o Sevilla nas rodadas 2, 3 e 4.

Se tudo der certo para Martino e Neymar, então a liga será decidida nos clássicos, nos dois confrontos diretos. Mas vejo no Barça uma pequena margem de risco, que não vejo no Real, para tropeços. Principalmente no início do trabalho de Martino.

No demais, a liga promete muito equilíbrio e emoção.

O Atlético de Madri manteve a base, o ótimo Simeone e trocou Falcao por Villa. Falcao é, hoje, mais letal do que David Villa, mas não podemos subestimar um jogador com uma carreira tão consistente. Acredito no Atlético terceiro lugar com folga e com tempo para se dedicar à Champions League – e olha, o Atleti pode até ser uma grata surpresa na competição europeia.

Pela quarta vaga na Champions, teremos uma batalha entre Valencia, Real Sociedad, Athletic Bilbao e Sevilla. O Valencia perdeu Soldado, a Real perdeu Illarramendi e pode dividir atenções com a Champions (sempre um perigo), o Athletic trouxe o ótimo Beñat (ex-Betis) e o Sevilla perdeu Negredo e Navas, mas fez boas contratações.

O time andaluz foi buscar o bom alemão Marin, no Chelsea, Gameiro, no PSG, e tem o ótimo Unai Emery no comando. No deserto, foi o único que foi buscar água. Eu apostaria no Sevilla para voltar à Champions League, mas haverá muito equilíbrio neste grupo.

Atenção para o Villarreal, que volta à primeira divisão após um rebaixamento totalmente fora de lugar. É um time que trabalha muito bem a formação e a contratação de jogadores de outros mercados. Olho também no Celta, com Luis Enrique no comando e Rafinha, o outro filho de Mazinho, em campo. Fora isso, amigos, é todo mundo jogando para não cair.

Uma nova Lei do Esporte entra em vigor no ano que vem na Espanha e, a partir de 2015, os contratos para direitos de TV terão de ser novamente negociados de forma coletiva, não individual. A promessa é de equilíbrio na divisão de receita, fortalecendo os médios e pequenos e mantendo altas quantias para Real Madrid e Barcelona permanecerem competitivos na Europa. Daqui a alguns anos, calculo que uns quatro ou cinco, talvez tenhamos novamente vida dura para os dois gigantes. Por enquanto, a Liga é mesmo mamão com açúcar.

Vamos aos meus palpites da primeira rodada (entre parênteses, as transmissões ao vivo na TV. Estarei nos comentários de Barcelona e Levante, domingo, aqui no Placar UOL):

Sábado
14h Real Sociedad x Getafe (ESPN) – Real
16h Valladolid x Athletic Bilbao (Sports+) – empate
18h Valencia x Málaga (ESPN) – empate

Domingo
14h Barcelona x Levante (ESPN) – Barcelona, com gol de Neymar
16h Real Madrid x Betis (Sports+) – Real Madrid
16h Osasuna x Granada – Osasuna
18h Sevilla x Atlético de Madrid (Sports+) – Grande jogo da rodada. Empate

Segunda
15h Rayo Vallecano x Elche (Sports+) – Rayo
17h Celta x Espanyol – Celta
17h Almería x Villarreal (Sports+) – Villarreal volta com vitória

 


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