Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Futebol brasileiro

Brasileiro já começa com uma ‘final’ entre dois favoritos
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Fazer prognósticos no Brasileirão é sempre um grande desafio. Se não é lá grandes coisas tática e tecnicamente, o campeonato pode presumir de ser o mais imprevisível e equilibrado do mundo. Qualquer um pode ganhar de qualquer um, são muitos times de tradição, muitas camisas pesadas. E, ao longo do ano, muitas trocas de técnicos e jogadores.

Esta é a grande maravilha do Brasileirão. O equilíbrio.

A priori, este blog considera Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras, nesta ordem, os três candidatos principais ao título. E o primeiro jogo do campeonato é logo entre Fla e Galo! Lá na frente, poderemos olhar para ele com lupa quando os times estiverem disputando a ponta – ou não.

Porque, afinal, o Corinthians vem forte. O Cruzeiro, apesar do momento turbulento, tem um técnico para lá de provado nos pontos corridos. O Santos, atual vice-campeão, não pode ser descartado se mantiver o elenco intacto. Tem Grêmio, tem Botafogo…

Aqui no blog faremos os prognósticos de todos os jogos do campeonato. Vamos ver no que vai dar!

SÁBADO

16h Flamengo 1 x 1 Atlético-MG
O Flamengo tem um jogo duro na Argentina pela Libertadores, quarta-feira, e pode preservar algum jogador que esteja no limite físico. O Atlético tem dois desfalques na defesa (Marcos Rocha e Léo Silva), mas o técnico Roger reforçará o meio com três volantes. O Atlético vai ao Rio para buscar um empate.

19h Corinthians 1 x 0 Chapecoense
O Corinthians vem embalado pelo título paulista e a classificação na Sul-Americana. O time está funcionando, e Rodriguinho vive grande fase. Já a Chapecoense, apesar do título catarinense, ganhou só um de seus últimos sete jogos. Levou 4 na Colômbia no meio de semana. Já conseguiu empatar nas duas visitas que fez a Itaquera, mas desta vez será difícil evitar a derrota.

DOMINGO

11h Fluminense 1 x 2 Santos
Apenas um empate nos últimos 17 duelos entre eles, e o Santos costuma beliscar vitórias no Rio. O jovem time do Flu começou bem a temporada, mas sente a falta de Scarpa e, no meio de semana, sofreu para sair do Uruguai classificado na Sul-Americana. Já o Santos foi a Belém e venceu bem o Paysandu pela Copa do Brasil, o time evoluiu desde o início da temporada. Está embalando, jogando melhor. Se não perder seus melhores jogadores, é candidato a título.

16h Palmeiras 2 x 2 Vasco
A última vez que o Palmeiras venceu o Vasco como mandante foi em 2008. No único jogo entre eles no Alliaz Parque, em 2015, deu Vasco. O time cruzmaltino melhorou com o técnico Milton Mendes, e o Palmeiras tem a reestreia de Cuca em busca do bicampeonato. Algo me diz que vai dar zebra.

16h Cruzeiro 2 x 1 São Paulo
O jogo da depressão. O Cruzeiro, derrotado no Mineiro, caiu também na Sul-Americana. O São Paulo, depois de 18 dias de treinos, apresentou futebol pobre e também foi eliminado da Sul-Americana, pelo minúsculo Defensa y Justicia da Argentina. Crise dos dois lados. Recentemente, o Cruzeiro eliminou o São Paulo da Copa do Brasil, mas perdeu o jogo do Mineirão. A experiência de Mano Menezes e um time melhor que o do adversário farão a diferença na estreia, ainda que o São Paulo tenha ótimo retrospecto histórico contra o Cruzeiro em BH.

16h Bahia 1 x 0 Atlético-PR
O Atlético chega ao jogo com cinco desfalques e uma série de quatro jogos sem vitórias – perdeu em casa e está por um fio na Libertadores e perdeu o Paranaense para o Coritiba.

16h Ponte Preta 2 x 0 Sport
Após a linda campanha no Paulista, a Ponte perdeu seu artilheiro, Pottker. O Sport tem oito desfalques, vem de uma classificação dramática e emocionalmente cansativa na Sul-Americana no Uruguai (perdeu por 3 a 0 do Danubio e avançou nos pênaltis) e ainda joga pela Copa do Nordeste na outra semana. A Ponte é favorita.

16h Avaí 1 x 1 Vitória
O Avaí volta à primeira divisão com a intenção de permanecer. O Vitória estreia o técnico Petkovic e tem desfalques.

19h Grêmio 2 x 1 Botafogo
Mais um clássico. Nos últimos 20 anos, o Grêmio ganhou dez e perdeu só duas vezes do Botafogo em Porto Alegre – a última, ano passado. São dois times em posição confortável na Libertadores, mas que não triunfaram nos Estaduais. Equilíbrio. Fator casa pode fazer a diferença.

SEGUNDA

20h Coritiba 1 x 0 Atlético-GO
O Coxa vem embalado pelo título estadual. O Atlético conseguiu um bom empate com o Flamengo pela Copa do Brasil e mostrou-se um time arrumado defensivamente.


Futebol brasileiro segue moendo técnicos sem dó
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Técnicos são demitidos em muitos países. É normal vermos treinadores caírem também no “primeiro mundo da bola”. Mas é surreal o que acontece no Brasil.

O Campeonato Brasileiro nem começou, e vários times já demitiram treinadores. O último, o Palmeiras, que manda Eduardo Baptista embora poucos meses depois de contratá-lo.

O que esperam de um profissional em 3 ou 4 meses de trabalho?

OK, OK. O Palmeiras com Baptista não engrenou. Faz uma primeira fase da Libertadores cheia de emoções, gols no fim, drama. Mas, ainda assim, iria e vai se classificar.

No Paulistão, fez a melhor campanha da primeira fase. Ganhou clássicos. Foi eliminado na semifinal pela Ponte Preta. OK, não estava nos planos. Mas a Ponte é um time de Série A, oras. O Palmeiras ganhou UM Paulistão em 21 anos. Não é exatamente que o campeonato seja uma baba, que o Palmeiras ganhe toda hora.

E o Palmeiras não é o Real Madrid. Sim, bom elenco, bons nomes, mas calma lá. Não existe essa diferença toda que muitos querem ver para outros elencos do Brasil.

Borja e Guerra chegaram de outros países, é necessário tempo. Moisés se machucou, Tchê Tchê se machucou.

Não foi o técnico que foi expulso com 10 minutos de jogo contra o Tucumán na Argentina. Não foi o técnico que perdeu os gols que os caras perderam contra o Peñarol em São Paulo. Não foi o técnico que fez uma besteira atrás da outra contra a Ponte em Campinas.

O que exatamente quem contratou Eduardo Baptista esperava?

“Resultados” seria uma resposta cretina. A temporada mal começou, o mais importante ainda não foi jogado. “Desempenho” seria uma resposta ampla demais. E não se atinge desempenho, mudando um jeito de jogar, da noite para o dia.

O Palmeiras jogava tão bonito assim como Cuca no Brasileiro? Não, não jogava. Arrancou os resultados, foi campeão, parabéns. Mas não era um futebol inesquecível, de encher os olhos.

O estilo de Baptista ver futebol é completamente diferente. Entende-se, portanto, que sua contratação devia-se a um desejo de retomar um estilo antigo e histórico do Palmeiras. Se a ideia era seguir no “estilo Cuca”, então que fosse contratado outro treinador.

Quem contratou Eduardo Baptista precisava vir a público e explicar algumas coisas. O que exatamente se esperava dele e o profissional não entregou? Quanto a demissão vai custar para os cofres do Palmeiras?

Treinadores, de alguma forma, merecem. São vítimas em muitos casos, mas também se aproveitam. Sabem que uma demissão será sempre seguida de uma contratação. Incapazes de se unir para mudar as coisas. Do outro lado, dirigentes ou atuam como torcedores (o que são, passionais e imediatistas) ou jogam pra torcida (pela própria sobrevivência).

Não é possível que o futebol brasileiro siga funcionando como uma máquina de moer carne. Não é saudável, não é correto com os profissionais, não é correto com as finanças dos clubes. É muito amadorismo.

 


Sobre Felipe Melo, Bolsonaro e a truculência que não leva a nada
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juliogomes

Eu tinha prometido a mim mesmo não falar mais da pancadaria do Peñarol x Palmeiras, de Felipe Melo, de brigas, etc. Mas duas coisas me levam a escrever um pouquinho mais. Primeiro, o vídeo divulgado pelo Palmeiras, que mostra o início todo da confusão, mesmo que à distância. Depois, os vídeos de Felipe Melo apoiando Jair Bolsonaro para tomar conta do nosso combalido país.

Na semana passada, fiquei aturdido por duas razões.

Primeiro, tentando entender o que se passa na cabeça de uma pessoa que me ameaça somente porque eu emiti uma opinião diferente da dele. Recebi ameaças de morte em caixa pessoal de mensagens (todas nas mãos de quem deve estar, lógico). Recebi várias mensagens do tipo “vou te encher de porrada e aí vamos ver se você vai reagir”. Isso sem contar os xingamentos baixíssimos. Bloqueei mais de 500 pessoas, e bloquearei quantas mais for preciso, pois não quero qualquer tipo de relação com pessoas assim.

Não, eu não falei nada sobre a nação palmeirense, a história do clube, dos imigrantes, da Itália, da torcida, não ofendi honra coletiva, individual. Nada. Eu apenas critiquei Felipe Melo por ter desferido aqueles socos no jogador do Peñarol.

A segunda razão do meu susto foi a quantidade de gente que respeito, que considero ou sei que são pessoas do bem, elogiando e defendendo Felipe Melo. “Foi legítima defesa”, bradavam todos. “Lavou a alma dos brasileiros”, disseram alguns.

Foi com muita tristeza que li e vi alguns desses comentários.

Como eu disse em meu outro post sobre o tema, são devastadoras as consequências de imagens como aquelas. Pais “mostrando” para os filhos que é assim que se faz, filhos vendo a TV no dia seguinte e comentaristas esportivos dizendo “é isso mesmo, é assim que se faz”. A conivência generalizada da sociedade com a violência sob a fraca desculpa da legítima defesa. O que isso pode trazer de bom para uma sociedade já tão violenta como a nossa?

As imagens divulgadas pelo Palmeiras mostram algumas coisas.

Mostram, sim, que os uruguaios foram para cima de Felipe Melo logo de cara, quando o jogo acabou. Não foram para cima de outros. Foram para cima dele. Deu para ver também que, até o momento em que Felipe solta seus socos, os portões dos vestiários estavam abertos durante todo o tempo. Deu para ver também que Prass é atingido covardemente por três ou quatro. Não porque era o Prass, mas porque corria para tentar ajudar Felipe Melo e a confusão já tinha se generalizado.

Havia uma tensão monstra entre Felipe Melo e jogadores do Peñarol. O Palmeiras sabia disso, tanto que mandou alto contingente de seguranças. E ele sabia disso.

Assim que o juiz apita, levanta os braços. Não para comemorar, isso ficou nítido. Para louvar a Deus, dirá o Palmeiras em sua defesa. Tinha também algo do tipo “não quero briga”, pois ele mantém os braços levantados após o primeiro safanão.

Como todos sabem, quando um não quer, dois não brigam. Ele poderia tranquilamente ter se mandado na hora que o juiz apita. Apitou, vaza. Estava a uns 15 metros dos vestiários. Chegaria lá antes que qualquer jogador do Peñarol tivesse tempo de pensar na existência dele.

Mas não. Ele fica ali andando devagarinho com braços levantados. Para quê??

Chega um, chega outro, chega um terceiro, chega a turma do deixa disso, cria-se o empurra empurra. E, de novo, ele continua tendo chance de se mandar. O tempo inteiro ele poderia ter ido para o vestiário, escoltado por seus companheiros. Mas ele não se manda. Porque simplesmente não é isso o que ele queria. O que ele queria era mandar aqueles socos na cara de alguém.

Assim como três ou quatro jogadores do Peñarol também queriam briga. E, sem coragem de dar em Felipe Melo, deram covardemente nos coitados que estavam em volta. Prass apanhou por Melo. Outros apanharam por Melo. A briga não era deles.

Esse rapaz tem discurso violento e atitude violenta. Ele gosta de briga, gosta de resolver as coisas na força. Isso é cristalino.

E eu tenho direito de considerar isso ruim para a sociedade. E todo mundo tem direito de discordar de mim (sem agredir ou xingar).

E o capítulo de hoje, com o apoio a Bolsonaro e a mensagem do “pau nos vagabundos” deixa isso ainda mais claro para quem não quis ver antes.

Bolsonaro tem uma plataforma política baseada no confronto, na violência como solução para violência, na agressão aos que discordam dele e seus métodos, menosprezo pelas minorias historicamente massacradas, glorificação de homens que cometeram crimes bárbaros na ditadura, estado policial.

Um surfa em um momento de baixa estima da sociedade para com os políticos, pagando de honesto ainda que faça parte deste mesmo sistema político há décadas e como se não tivesse sido eleito por um dos partidos, o PP, que mais estão metidos no mar de lama de Brasília. O outro surfa na carência de ídolos no futebol brasileiro e em um momento em que jogadores de futebol são vistos como mercenários.

O jeito de ser de Felipe Melo em campo tem mesmo muito a ver com Bolsonaro. É a truculência no futebol. A truculência na política. Se não está comigo, é meu inimigo. E meu inimigo eu trato na porrada mesmo.

Exemplo: foi xingado de macaco? Que nojo. Isso é crime. Para mim, a atitude é ir para a delegacia. Para ele, a atitude é ir para o confronto. Eu sou um legalista, não um justiceiro.

Continuo considerando que o soco de Felipe Melo não teve nada de legítima de defesa. Foi uma atitude coerente de quem queria brigar. E de quem quer sempre brigar. No macro, ele é o grande culpado pelo que aconteceu no Uruguai. No micro, alguns energúmenos do Peñarol têm tanta ou mais culpa no cartório.

Sigo sem conseguir aplaudir soco na cara.

Sigo sem conseguir entender quem quer dar soco na cara em quem tem opinião diferente à sua.

Tenho certeza que muitos destes que perdem tempo na vida para ameaçar os outros fisicamente devem estar alinhados com Felipe politicamente. Devem achar mesmo que tem que dar “pau em vagabundo” (por vagabundo, entenda-se, quem vê o mundo de outro jeito). São pessoas muito violentas e pouco democráticas, que têm dificuldades em conviver com o diferente.

Violência nunca será resposta a nada, nunca será solução para nada.

Espero que este alinhamento de Felipe Melo com o que há de mais violento e truculento em nossa sociedade abra os olhos de algumas boas almas, especialmente colegas que influenciam a opinião pública, que defenderam o indefensável.


Nunca conseguirei aplaudir soco na cara
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juliogomes

Uau, a turma gosta de uma pancadaria, né? Nada como uma briga para unir time e torcida. Como critiquei Felipe Melo (também critiquei o Peñarol, jogadores, estádio, etc, mas isso não importa) após o quebra pau de Montevidéu, virei alvo no Twitter.

Essencialmente, aparecem para te xingar pessoas que colocam o nome do time substituindo ou como adendo ao próprio nome e que em sua foto de perfil colocam jogadores, estádios, escudo. Ou seja, time à frente da própria pessoa, da própria personalidade. Esses não me decepcionaram. São apenas acometidos de uma doença chamado fanatismo cego, acham que são a salvação do futebol, quando na verdade são o túmulo dele. Eles aparecerão por aqui nos comentários deste post. Não me decepcionam, apenas atendem (as baixas) expectativas.

O que me decepcionou foi tanta gente que respeito achar legítimo e normal o par de socos desferidos por Felipe Melo.

Antes de tentar entender o que aconteceu, eu lanço uma pergunta. E se Felipe Melo tivesse acertado em cheio o rosto do jogador uruguaio? Por força e velocidade, o rapaz possivelmente teria ficado estatelado ali no chão, sangrando com nariz quebrado. Teria sido melhor ou pior? Felipe Melo possivelmente estaria preso no Uruguai. Menos mal que não acertou.

Vamos tentar traçar uma cronologia dos fatos.

Impossível não falar da infeliz declaração do “tapa na cara de uruguaio”. Eu entendi perfeitamente, Felipe Melo usou uma figura de linguagem. Ele não estava sendo literal e inclusive se desculpou por isso depois. Mas é lógico que aquilo lá ficou anotado.

Depois, tivemos o jogo do Allianz Parque, com aqueles acréscimos eternos, a tensão, o antijogo do Peñarol que enervou time e torcida palmeirenses. Tivemos também Felipe Melo falando que foi chamado de “macaco”.

Eu sou radical quando o assunto é racismo. E sou também um pacifista radical. No meu ponto de vista, tudo, absolutamente TUDO pode ser resolvido sem agressão física. Obviamente, o ser humano não pensa assim. Não à toa, a história é contada através de guerras e basta sair em um sábado à noite para ver a quantidade de brigas nas ruas – em bares, discotecas, independente de lugar, classe social, cor, etc.

Então, se Felipe Melo foi chamado de macaco, deveria ter imediatamente parado o jogo. E seu agressor deveria estar enjaulado, que é o que ele merece.

A partida de quarta à noite não foi marcada pela violência durante 90 minutos. O Palmeiras estava mal armado no primeiro tempo, levou 2 a 0, Eduardo Baptista corrigiu no intervalo, voltou, virou para 3 a 2 de forma espetacular, ponto final. O Corinthians x São Paulo de domingo foi muito mais violento em campo.

Apito final, e aí começa a confusão.

Juntando tudo o que eu vi de imagens, em vídeo e também fotos, com algum toque de dedução (esse é o típico caso de interpretação, e cada um tem a sua), o que eu percebi.

Quando acaba o jogo, três ou quatro jogadores do Peñarol se dirigem a Felipe Melo, que está de braços levantados. Se Felipe Melo falou algo ao acabar o jogo ou se esses caras já tinham planejado fazer isso, só eles sabem. Tendo a considerar a segunda opção, por tudo o que tinha ocorrido antes, declarações, etc.

É aquela tirada de satisfações, que gera aquele empurra empurra de sempre. Quantas vezes não vimos isso no futebol? Fernando Prass se antecipa e já corre para defender seu companheiro.

Minha opinião: todas as perguntas na linha “o que você faria no lugar dele” se referem ao momento em que ele está sendo perseguido em campo. Eu transfiro a pergunta para este momento. O que eu faria no lugar dele?

Me mandaria, oras. Sai fora. Ele estava a poucos metros do túnel do vestiário. Os portões do vestiário foram abertos assim que o juiz apitou o final do jogo, como pode ser visto no vídeo com a imagem ampla ao final do jogo.

Se houve “emboscada”, como muitos disseram, ela só foi pensada depois. Porque, repito, assim que acaba o jogo, os portões dos vestiários são abertos.

Neste momento inicial da confusão, bastaria Felipe Melo dar um pique e IR EMBORA. Todos teriam feito o mesmo junto com ele, end of story.

Mas não, ele não vai embora. O rapaz tem histórico, não é mesmo? Basta ver suas declarações no passado e no presente. Felipe Melo faz questão de dizer que, se preciso for, para a porrada irá. Foi assim em todos os clubes por onde passou. E assim ele ganha torcidas. Porque torcidas e fanáticos adoram porrada.

Não discuto o futebol de Felipe Melo. Acho um grandíssimo jogador de futebol. Já defendi sua presença na seleção na Copa de 2014 e fui criticado por isso. Ele pode ser craque, bom pai, honesto, leal a quem trabalha com ele. Mas tem postura e discurso bélicos. Agressivos. Violentos. Alguém nega isso? Se negar, pode até parar de ler, sinceramente.

Com a postura de “não levar desaforo para casa”, de “bateu, levou”, ou melhor, “leve aqui uma antes para não me bater”, Felipe Melo é apenas mais um incentivador da violência, quando na verdade precisamos de mais e mais e mais inibidores da violência.

Por ser totalmente contrário a qualquer tipo de violência, fui “acusado” de: ser criado pela avó; tomar leite com pera; ter crescido no play do condomínio; ter apanhado na escola. Puxa. Feliz da sociedade formada de pessoas criadas pelas avós. Certamente é melhor que a sociedade do bullying, da violência, da agressão, da covardia, das coisas tratadas na marra, não no diálogo.

Sim, pelas imagens são os uruguaios que começam a confusão ali no apito final. Ou, na versão deles, continuam a confusão iniciada com a declaração do “tapa na cara”. São eles que começam, o que é lamentável, uma vergonha.

Mas, se eles quisessem realmente bater em Felipe Melo, teriam feito ali naquela hora do apito final, não?

Se o cara planeja dar um murro na cara de Felipe Melo, ele vai e dá. Eu apenas vi ali xingamentos, aquele empurra dali, encosta daqui (e, novamente, se houve ofensa racista, é de lá para a delegacia, não para o ringue).

E aí chegamos à parte 2. Felipe Melo vai recuando e sendo tirado pelos companheiros. Ele não corre para se mandar. Ele não corre para o vestiário. Ele corre com a postura corporal de quem quer brigar.

Um jogador do Peñarol corre atrás dele. Um baixinho, um tampinha, como eu. Que já teria batido nele (covardemente) antes, se quisesse fazê-lo. Felipe corria para trás, vários jogadores do Palmeiras estavam em volta e somente um do Peñarol.

Portanto, erra, a meu ver, quem fala que Felipe Melo desferiu aqueles socos “quando cercado por quatro ou cinco”, que “ele seria espancado” se não tivesse desferido os golpes. Não, ele não seria espancado. Como não foi antes e como não foi depois, quando verdadeiramente ficou encurralado no córner.

Ele poderia ter feito um milhão de coisas naquela situação. Corrido para o vestiário (de novo). E não, ele não sabia se o vestiário estava fechado ou não naquele momento.  Poderia ter dado um empurrão no tampinha. Poderia ter xingado de volta. Poderia ter se escorado nos vários coletes rosas palmeirenses a sua volta.

Mas não, ele desferiu dois socos que são uma imagem horrorosa. Um péssimo exemplo de como resolver as coisas.

Esqueçam o quem começou, quem acabou, etc, etc. E pensem apenas na imagem do soco. Uma criança vendo isso em casa. E o pai falando do lado “tem que bater antes de levar”. Pensem no desdobramento horroroso desta imagem e desta conclusão que vocês, que acham que os socos são legítima defesa. Uma pessoa bater na outra com a premissa de “melhor dar do que levar”.

Infelizmente, está sendo aplaudido por isso, inclusive por gente que eu admiro.

“O que você faria naquela situação?”, é o que mais me perguntaram. Certamente teria me mandado e não tentado socar o rapaz. Simples assim. Quando um não quer, dois não brigam, diz um dos mais sábios ditados da humanidade.

“Legítima defesa”, dizem. Defesa do quê exatamente? Ele não havia sofrido nenhuma agressão física até aquele momento. Nenhuma. No máximo, verbal.

Enquanto Felipe Melo corria para trás, quatro jogadores do Peñarol cercaram Fernando Prass e pelo menos dois deles acertaram o rosto do goleiro palmeirense.

Covardes. Uma vergonha. Precisam ser punidos por muitos jogos, a foto é um documento que precisa ser usado. Não sei se os socos em Prass ocorrem antes ou depois dos desferidos por Melo, acho que depois pela imagem, já que já estão no meio do campo e os outros estão correndo para o outro lado, onde estava Melo. Pouco importa.

Vi gente ousando criticar Borja por uma FOTO. Como se esse tipo de agressão não acontecesse em uma fração de segundos. Borja, na imagem em vídeo, é um dos primeiros a tentar tira Melo da confusão. Criticar quem está querendo acalmar as coisas. Típico.

Os jogadores agressores de Prass precisam ser punidos. Felipe Melo precisa ser punido. E o Peñarol precisa ser punido pela falta de segurança no estádio e, aí sim, pelos portões fechados dando ares de emboscada quando a violência se generalizou.

E esta é minha principal crítica a Felipe Melo. Sim, é achismo. Mas um achismo baseado em um milhão de outras confusões de fim de jogo que já vimos. Aquele empurra empurra não teria virado violência generalizada, não fosse o soco de Felipe Melo. Assim como naquele infame São Paulo x Palmeiras de 1994. Será que haveria o quebra pau generalizado, não fosse o soco na cara desferido por Edmundo?

Felipe Melo, depois do soco, que ainda bem ele não acertou, recuou até o córner. Um jogador do Peñarol chegou a pegar até a bandeirinha de escanteio para agredi-lo. Ainda bem, naquele momento apareceram os seguranças do clubes, uns poucos do estádio, Felipe conseguiu sair dali rapidamente. Sim, este foi o momento em que realmente ele estava encurralado. O único. E não, ele não foi espancado. E nem precisou socar ninguém para escapar dali, apenas dar alguns encontrões pelo caminho.

Caminho que ele deveria ter feito desde o apito final. O caminho do vestiário.

O Palmeiras mandou 20 seguranças para o jogo, aparentemente um número acima do normal, porque já imaginava algo do tipo. Há um histórico de coisas assim em campos sul-americanos, ainda que estejam ficando mais raros. Outro dia o Uruguai levou um sacode da seleção brasileira no Centenário e não houve um pontapé em campo, um problema sequer fora.

Mas, se o clube já imaginava, por que os jogadores não saíram fora antes de tudo isso?

Não, a culpa não é do Palmeiras. Quem vai tirar satisfação inicialmente são três ou quatro jogadores do Peñarol. Mas, vou repetir: quando um não quer, dois não brigam.

Os aplausos aos socos me incomodam demais. Como me incomodam, sem dúvida, todas as outras agressões dos uruguaios do Peñarol.

“Você tem sangue de barata, Julio!”

Olha. As baratas estão aí há milhões de anos. E nós, seres humanos, estamos conseguindo acabar com o planeta e contamos nossa curta história de um punhado de milhares de anos com sangue, guerras, luta, violência. Talvez sangue de barata seja necessário em nossas veias.

 


Palmas para Rodrigo Caio em um dia de tantas simulações
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juliogomes

O que Rodrigo Caio fez neste domingo não deveria ser notícia. Ele foi apenas… honesto. O árbitro havia mostrado cartão amarelo para Jô, por achar que o corintiano havia acertado o goleiro Renan na tentativa de chegar à bola.

Rodrigo Caio falou para o árbitro que ele – e não o rival – tinha tocado em Renan. O árbitro tirou o cartão amarelo de Jô.

Esse tipo de honestidade deveria ser o mínimo. Mas o mínimo está em falta no futebol brasileiro. Na sociedade brasileira.

Neste mesmo Campeonato Paulista, no dérbi centenário da fase de grupos, o Corinthians ficou com um jogador a menos contra o Palmeiras porque o árbitro confundiu dois jogadores. Mostrou o cartão e expulsou Gabriel, que não havia feito a tal falta.

Erro do árbitro, sem dúvida. Mas quantos jogadores do Palmeiras em volta perceberam o erro e aplaudiram e comemoraram, em vez de fazer o que fez Rodrigo Caio?

Erros acontecem. Mas precisamos de uma vez por todas extirpar da nossa sociedade a necessidade de “se dar bem” às custas de erros alheios. Chega de celebrar fins que justificam os meios.

O futebol é, como essência, um jogo de “engano”. Tentar enganar o adversário. Fingir que vai pra cá e vai pra lá. Fingir que vai chutar e dar um passe.

Mas fingir que um adversário te acertou no rosto quando o cotovelo dele atingiu o peito… isso está correto?

Ficar quieto ao ver um árbitro, um ser humano, cometer um erro que você sabe que ele cometeu e pode ser corrigido?

Zé Roberto, um grande nome da história do futebol brasileiro, de quem sou fã, fez isso hoje em Campinas. Simulou uma agressão no rosto que não houve. Fiquei surpreso. Aliás, vários jogadores fizeram o mesmo em Campinas. Simular agressões para que o adversário seja expulso.

É o ridículo do futebol brasileiro. O ridículo da sociedade brasileira.

Palmas para Rodrigo Caio. Que sirva de exemplo.


Palmeirenses tinham obrigação de avisar o juiz do erro ao expulsar Gabriel
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juliogomes


O árbitro Thiago Duarte Peixoto fazia uma bela partida em Itaquera. Era o melhor em campo, até. Em um horroroso Corinthians x Palmeiras, que não honrou toda a ação que os clubes fizeram antes da partida, com vídeos bonitos, times perfilados de forma intercalada para o hino nacional, etc.

O jogo começou violento. Com atletas pouco preocupados em jogar bola, mais preocupados em jogar para a torcida (única). Carrinhos e mais carrinhos. Incrível a necessidade de mostrar “raça” hoje em dia.

E o árbitro conseguiu controlar o ímpeto violento inicial. Não contemporizou. Amarelo para Felipe Melo, amarelo para Raphael Veiga, amarelo para Gabriel (com uma jogada de atraso, mas OK, foi dado). Segurou o jogo. A partir daí, a violência diminuiu. Continuamos sem ver bola, porque aí já é pedir demais no nosso futebol. Mas o árbitro controlou a coisa.

Infelizmente, no finalzinho do primeiro tempo, cometeu um erro. Um erro que certamente terá grandes consequências para ele na carreira.

Quando Keno avançou no campo de ataque palmeirense, foi seguro por Maycon. Era amarelo para Maycon e segue o jogo.

Mas, no momento em que apita a falta, o árbitro Thiago Duarte Peixoto olha para o lado esquerdo. Quando olha para a jogada de novo, Maycon havia saído de cena e Gabriel estava no lugar em que Maycon estaria, não tivesse continuado correndo.

Não quero aqui minimizar o erro. Mas os caras são até parecidos no porte físico, tem uma barbicha parecida. O juiz obviamente não olhou o número 30 às costas de Maycon no momento da falta. Ele se confundiu, nada mais do que isso. E expulsou Gabriel.

Os jogadores do Corinthians tentaram desesperadamente avisá-lo do erro.

O que mais me incomodou no lance foi ver todo o banco palmeirense e também alguns jogadores tentando evitar que alguém passasse a informação correta para o árbitro ou para o quarto árbitro. Tentando evitar a tal “interferência externa”.

O que é pior? A irregularidade da interferência externa para ajudar o árbitro em um lance em que não há margem para dúvida? Ou a irregularidade de expulsar um jogador que não merecia ser expulso?

Oras.

Na boa? Podem me chamar de exagerado. Mas é por essas coisas que temos a sociedade que temos.

O que é certo é certo, oras. Keno até pode ser perdoado, estava de costas no momento em que sofre a falta. Mas ninguém mais viu que foi Maycon, e não Gabriel, até outro dia companheiro desses palmeirenses todos, que fez a falta? Dudu, por exemplo, estava de frente para o lance.

Será sonhar demais esperar pelo dia em que o banco do Palmeiras será o primeiro a avisar o juiz de seu erro?

A lisura não é mais importante do que a vitória? O que é certo não é certo e ponto final?

Não, não estou dizendo que “se fosse ao contrário” o banco do Corinthians faria de outra forma. Acho até que não. Mas isso pouco importa. É infantil ficar usando o argumento do “se fosse ao contrário”. Assim como é infantil comparar com um lance de pênalti em que o árbitro é “enganado” pelo atacante. São naturezas bem diversas. O futebol é um jogo de engano mesmo, mas não esse tipo de engano.

Será que nunca vamos entender que fazer as coisas certas é o mais importante nessa vida? Que ganhar não é tudo?

O juiz errou feio. Por mais que seja “ao vivo”, tudo muito rápido, etc, ele é treinado e tem técnicas para não cometer esse tipo de erro. Mas errou, oras. Como todos nós erramos. Uma imagem da Globo que permitiu leitura labial mostrou que o quarto árbitro avisou: “não foi o Gabriel!”. Errou de novo ao não confiar no colega (se é que ouviu o colega).

No fim, foi salvo pelo resultado. O Palmeiras achou que ganharia a qualquer momento, perdeu chances no segundo tempo e, no único bom contra ataque do Corinthians, após um erro grotesco de Guerra, Jô fez o gol da vitória. O Corinthians mereceu por ter mostrado mais vontade em campo.

Mas, pior que o erro do árbitro, foi o erro de quem não ajudou a consertar.

Em um jogo sem a menor importância para o campeonato, convenhamos.

Imaginem que linda seria a cena de alguém do Palmeiras avisando o árbitro do erro? Iria rodar o mundo, seria um exemplo de fair play. Quem estava vestido de verde, percebeu o erro e não falou nada perdeu uma grande chance na vida.


China e França protagonizam mercado de transferências em janeiro
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juliogomes

Real Madrid e Atlético de Madri nem podiam contratar na janela de transferências do inverno europeu, fechada nesta terça-feira. O Barcelona e o Bayern de Munique não se mexeram. Os ingleses pouco fizeram. Com a sombra da China pairando sobre o continente europeu, surpreendentemente foi a liga da França que realizou as transferências de maior impacto.

O Brasil não sofreu tanto como em outros anos – o que não significa que jogadores brasileiros não tenham sido alguns dos principais envolvidos em negociações.

A maior transferência do mercado foi Oscar, do Chelsea ao Shanghai SIPG, por algo na casa dos 60 milhões de euros. Outro time de Xangai, o Shenhua, não precisou desembolsar tanto para tirar Carlitos Tevez do Boca Juniors, mas pagará ao argentino o maior salário do mundo: 40 milhões de dólares por ano. Que tal, heim, ganhar 2 milhões de reais por semana de trabalho?

O Tianjin pagou 18 milhões de euros ao Villarreal e levou Alexandre Pato. Contratou também o ótimo volante belga Alex Witsel, após cinco longos anos no Zenit. Uma pena, dois jogadores jovens que parecem ter perdido a ambição de buscar espaço nos grandes do futebol europeu.

Gabriel Jesus chegou ao Manchester City agora, mas a negociação havia sido realizada no meio do ano. É o jogador que mais impacto promete trazer à Premier League.

Das cinco negociações no ranking de valores do inverno, depois de Oscar, quatro envolveram clubes franceses.

O PSG trouxe Draxler por 40 milhões de euros, tirando do Wolfsburg o jogador de 23 anos que pode ser titular da Alemanha na próxima Copa. A outra transação foi mais esquisita, chamada de “um mistério” pela imprensa em Portugal.

Gonçalo Guedes, atacante de 20 anos do Benfica e que ainda não fez nada demais (nem nas bases), custou 30 milhões de euros ao PSG. Investimento altíssimo. No verão, o PSG havia desembolsado 25 milhões de euros para tirar Jesé do Real Madrid. Não deu certo, e o atacante foi emprestado para o Las Palmas – apresentado nesta terça com pompa e circunstância pelo simpático clube das Ilhas Canárias. Guedes chega para ocupar o espaço de Jesé, mas não poderá atuar na Champions League por já ter jogado com a camisa do Benfica.

Foi apresentado também pelo PSG o meia argentino Giovani Lo Celso, que fez ótima Libertadores com o Rosario e havia sido contratado no meio do ano passado.

psg_reforcos

O Olympique de Marselha é uma das histórias que merecem atenção nos próximos anos. O clube foi comprado por um magnata americano e promete fazer estragos no mercado, voltar a ser grande na Europa.

No fim da janela de transferências, o Olympique trouxe de volta o meia Dimitri Payet, do West Ham e da seleção francesa, por aproximados 30 milhões de euros. Repatriou também Evra, que estava na reserva da Juventus, e contratou o promissor meia Sanson, do Montpellier, de 22 anos, que estava na mira de outros clubes, como o Borussia Dortmund.

Até mesmo o Lyon, que não é mais dominador no país, mas segue frequentando o alto da tabela, se mexeu. Contratou o holandês Memphis Depay, do Manchester United, por 16 milhões de euros. Depay, de apenas 22 anos, chegara ao United em 2015 por aproximadamente 30 milhões, trazido por Van Gaal. Não caiu nas graças de Mourinho, perdeu espaço e se mandou para a França.

O Manchester City, que trouxe Gabriel Jesus por 32 milhões de euros, foi atrás de um jovem de 15 anos da base do Valencia, Nabil Touaizi. Projeto de futuro.

O futebol brasileiro sofreu três baixas relevantes – já tivemos janelas piores, convenhamos. O Ajax pagou 15 milhões de euros em David Neres, mas não conseguiu tirar Richarlison, de 19 anos, do Fluminense (teria oferecido 9 milhões de euros) – o atacante é um dos mais assediados do Sul-Americano sub-20, que está sendo disputado no Equador.

Neres também está com a seleção sub-20 e estava nos planos de Rogério Ceni. Um jogador criado na base do São Paulo, que se destacou e passava a aparecer no time de cima.

jorge_monaco

Jorge, lateral revelação do ano passado, deixou o Flamengo para atuar pelo Monaco, que faz grande temporada e disputa o título francês. Walace, de 21 anos, deixou o Grêmio e foi para o Hamburgo por 9 milhões de euros.

Na Alemanha, foram mais de 90 milhões de euros gastos, recorde do país em mercados de inverno. Mas sem qualquer contratação de grande impacto – até porque, como já disse acima, o Bayern não se mexeu.

Se perdeu David Neres, Jorge e Walace, o futebol brasileiro repatriou Elias (Atlético-MG), Lucas Silva (Cruzeiro, emprestado de volta pelo Real Madrid), e Felipe Melo (Palmeiras). Três ótimos volantes. O Flamengo tirou Berrío, e o Palmeiras buscou Guerra no Atlético Nacional, melhor time do continente sul-americano em 2016.

A janela chinesa só fecha em fevereiro, então ainda pode vir bomba por aí. Mas a Europa só volta a incomodar no meio do ano.

 


Chapecoense não é só vítima. Olho aberto para o futuro das famílias
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juliogomes

Esta é a primeira vez que escrevo algo sobre a tragédia absurda que matou tanta gente em Medellín. Jogadores, dirigentes, jornalistas. Um crime, uma tragédia para lá de evitável.

Desde o primeiro momento, me incomodou um pouco como a Chapecoense passou a ser tratada como única – ou maior – vítima. Nos estádios mundo afora, vimos luto, #forçaChape, cânticos de homenagem.

Mas e as famílias?

Esta reportagem (mais uma da ótima Luiza Oliveira) mostra que algumas mulheres de jogadores que morreram na queda do avião da LaMia reclamam de abandono e cobram apoio financeiro.

Acredito que seja um pouco cedo para tratar a Chapecoense como vilã. É um clube destruído, que perdeu todo o seu corpo diretivo e é preciso de tempo para reconstruir a estrutura de gestão e tomada de decisões.

Mas pergunto novamente. E as famílias?

A Chapecoense, assim como as empresas de mídia que tinham profissionais no voo, não vai morrer. Ela é uma instituição, não uma pessoa. Aliás, no longo prazo, com a atenção nacional e internacional recebidas, a Chapecoense deve até ganhar um tamanho maior do que tinha.

Mas e as famílias?

Havia jogadores e pessoas ali que tinham uma carreira longa no futebol, suficiente para fazer o tal pé de meia. Mas havia também gente sem um grande contrato na profissão.

Qual o tamanho da indenização que as famílias deveriam receber? Vamos lembrar que estamos falando de famílias (a maioria) absolutamente dependentes dos jogadores que morreram. Algumas com dívidas feitas em função do que se esperava receber. E os profissionais do futebol menos “midiáticos”? Preparadores físicos, fisiologistas, diretores da Chape que estavam no voo e que não são o presidente ou alguém tão importante assim…

Com o seguro do clube mais o da CBF, foram pagos para as famílias dos jogadores 40 salários. O equivalente a três anos e pouco com contratos no mesmo valor. Mas aí já surge a primeira crítica. Salários CLT. Não deveria ser pago o salário integral, considerando também direito de imagem? Todos sabemos que no futebol os salários sob CLT ficam BASTANTE abaixo dos salários acordados entre clubes, empresários e atletas.

Aparentemente, as famílias dos jogadores não reclamam das indenizações, mas cobram o pagamento da premiação pelo título da Sul-Americana e o dinheiro de jogos beneficentes. Isso deverá ser resolvido em uma reunião nos próximos dias (esperamos).

Funcionários do departamento de futebol, comissão técnica e diretoria teriam recebido uma indenização de R$ 40 a 54 mil do clube – e zero da CBF. Me parece uma quantidade irrisória para o tamanho da perda, famílias que precisarão se reconstruir. Vamos lembrar que nem todos ali (quase ninguém) tinha construído uma carreira como a do técnico Caio Júnior.

Não seria justo que a Chapecoense arcasse com 40 salários destas pessoas também?

Ainda temos a questão da LaMia.

Aliás, por que mesmo a Chapecoense escolheu fazer um voo bizarro, saindo da Bolívia, com uma empresa picareta e nebulosa, em vez de pegar um voo de carreira até Bogotá e depois Medellín?

Especialistas dizem que dificilmente algo será pago por alguma seguradora. Funcionários da LaMia morreram no acidente e a conclusão das investigações foi de queda em razão de pane seca. Seguradoras não cobrem acidentes causados pela irresponsabilidade de seres humanos gananciosos.

No meu ponto de vista, qualquer que seja a indenização que deveria ser paga pela cia aérea às vítimas, a Chapecoense deve assumir esse custo junto às famílias de seus funcionários. E depois, em um segundo momento, com a força de uma instituição e o apoio que recebe do mundo inteiro, ir atrás de ressarcimento. Que a bilionária Fifa ajude! O que não pode é deixar as famílias anos e anos sem ver a cor desse dinheiro.

Quero colocar aqui um comentário que encontrei na postagem do UOL Esporte no Facebook sobre o tema.

“Mt gente ignorante,se o clube for pagar o que estao pedindo essas encostadas ai o clube vai acabar de falir de vez e se for o caso so declararem falencia e nao da nada pra essas vagabundas..vao caçar um serviço ate la cambadaa,uma faxina,um mercado pra trabalhar criar os filhos,ou dao o golpe en outro jogador otario ai..”

Esse comentário nos mostra várias coisas. O nível atual de muita gente com quem “convivemos” em sociedade, com o machismo arraigado até a tampa.

Mostra também com o clube é visto como a maior das vítimas. Muita gente tem tanta pena da Chapecoense que a considera vítima até mesmo no momento de indenizar as pessoas que morreram. Pessoas. PES-SO-AS.

A Chape é uma exemplo. Antes todos os clubes fossem como ela. Já na Copinha SP Júnior percebemos como todos querem o bem do clube. Será assim no Brasileiro, com simpatia e apoio em todos os estádios. Eu torcerei pela Chape para sempre. Muitos farão o mesmo.

Mas ela não é apenas vítima. Ela escolheu a LaMia. Precisa mostrar uma grandeza ainda maior do que já mostrou em relação a suas vítimas integrais. Não foram elas que escolheram entrar naquele avião. E são elas que perderam o arrimo familiar.

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Palmeiras, Argentina, 2016: o ano das conquistas “impossíveis”
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juliogomes

Muitos gostaram de 2016, algumas milhões de pessoas. Outros tantos milhões detestaram e não veem a hora de o ano acabar. O que é quase unânime, no entanto, é que 2016 foi o ano das conquistas que não achávamos que veríamos na vida.

No futebol europeu, tivemos a história mais surreal desde a lei Bosman, a União Europeia e o futebol globalizado: Leicester campeão inglês. No meio do futebol milionário dos elencos estrelados, o pequenino Leicester chegou lá.

O Atlético de Madri bateu na trave na Champions League, perdeu nos pênaltis para o Real Madrid a grande decisão.

Entre as seleções, em uma Eurocopa com a campeã do mundo Alemanha, a anfitriã França e as camisas pesadas da Itália e da Espanha, o título acabou com Portugal. O primeiro título da história da seleção portuguesa e ainda por cima sem Cristiano Ronaldo durante quase toda a partida final.

O título chileno na Copa América só não foi daqueles “impossíveis” porque repetiu o que ocorrera em 2015. Mas o futebol sul-americano teve a seleção brasileira conquistando a medalha de ouro olímpica pela primeira vez na história, em pleno Maracanã. O título que faltava.

A Copa Libertadores da América teve uma final sem um brasileiro ou um argentino pela primeira vez em 25 anos. O Atlético Nacional deu o primeiro título e um clube da Colômbia desde 2004, batendo o incrível Independiente del Valle, do Equador, na decisão. O Atlético Nacional de Medellín ainda pode ganhar a Sul-Americana e ser o primeiro clube a fazer o doblete no continente.

Se não for campeão, terá sido a Chapecoense, um título não menos “impossível”.

No futebol brasileiro, o domingo consagra o Palmeiras, campeão brasileiro pela primeira vez desde 1994. Eram 22 anos de fila e, com rebaixamentos no caminho, eliminações humilhantes para times minúsculos e até goleadas para clubes do naipe do Mirassol, parecia que o Palmeiras não voltaria a ser o gigante que é.

Mas voltou.

palmeiras_chape

Além do Palmeiras, o domingo nos reservou também o título da Argentina na Copa Davis. Inédito. Na Croácia, fora de casa, com 2 jogos a 1 contra e 2 sets a 0 para o croata Cilic contra o argentino Del Potro no jogo 4. Del Potro virou seu jogo para 3 a 2, Delbonis ganhou o quinto ponto e o milagre foi consumado diante dos olhos de Maradona e milhares de argentinos em plena Croácia.

Não foi só no tênis, entre os outros esportes, que milagres aconteceram.

Na NBA, o Cleveland Cavaliers, de Lebron James, foi campeão com uma virada inacreditável na série final contra o Golden State Warriors. Cleveland era a cidade americana havia mais tempo sem um título das grandes ligas do país: 52 anos. Lebron fez o impossível para sua cidade.

No beisebol, o maior tabu da história dos esportes caiu. O Chicago Cubs, após 108 anos, rebateu para longe todas as maldições escritas ao longo de mais de um século. Quantas gerações nasceram e morreram sem ver os Cubs campeões?

Felizes ou tristes, os fãs de esportes, dos mais variados esportes, não podem negar: 2016 foi o ano mais surreal de todos até hoje.


Mudança da Libertadores é ótima. Falta agora o Brasil inverter calendário
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juliogomes

A Conmebol, quem diria, anunciou uma decisão que considero ótima para o calendário sul-americano. A Copa Libertadores não será mais uma competição de primeiro semestre e, sim, de ano todo. Começa em fevereiro, acaba em novembro.

Times não classificados para as oitavas de final “caem” para a Copa Sul-Americana, no estilo “rebaixamento” da Champions para a Europa League. Isso melhora o nível da Sul-Americana. E a final da Libertadores será em partida única. Aí é questão de gosto. Acho que o lado esportivo perde, mas gosto de levar grandes clubes do continente para diversos mercados, criar festas internacionais.

O fato é que a Libertadores no ano inteiro cria vários fatos positivos. Um deles é dar “folga” no calendário para as competições nacionais. Outra é acabar com aquela bizarra pausa na “hora H” em anos de Copa do Mundo e Copa América (dois a cada quatro). Pelo menos a pausa ocorrerá entre fase de grupos e mata-mata, como ocorre na Champions.

Outro fator positivo. Se um time brasileiro ganhar a Libertadores, já parte logo para o Mundial. Não fica aquela palhaçada de abandonar tudo por seis meses por causa do tal Mundial. Aliás, é benéfico para o representante da Conmebol chegar para a disputa na ponta dos cascos – o que não necessariamente se aplica ao campeão europeu.

A janela de meio de ano europeia pode tirar alguns jogadores do mata-mata da Libertadores? Pode, mas é um detalhe menor. Quanto mais os países do continente se fortalecerem, menor impacto terá a janela.

Agora falta o calendário brasileiro se adaptar. E há uma mudança que é simplesmente mandatória: a inversão. O Campeonato Brasileiro precisa começar em janeiro ou fevereiro, empurrando os Estaduais para o fim do ano.

Assim, Brasileiro e Libertadores começam juntos. Fase mais aguda do Brasileiro, reta final, seria em julho e agosto. Consequentemente, times não precisariam em nenhum momento abrir mão do Brasileiro por causa da Libertadores – esse “abrir mão”, seja no início, seja no final do campeonato de pontos corridos, gera distorções terríveis para a disputa.

O Brasileiro pode ir de janeiro/fevereiro até o final de agosto. Assim, ele e Libertadores não se atrapalham. E as janelas europeias (de janeiro e agosto) têm impacto praticamente zero no decorrer Brasileiro. É possível condensar mais datas no primeiro semestre quando houver algum tipo de pausa (Copas do Mundo e América).

A Copa do Brasil pode ser espalhada pelo ano inteiro, com fases de oitavas de final para frente em setembro, outubro e novembro, ou seja, também sem concorrer com o Brasileiro.

E os Estaduais precisam ocupar o ano inteiro, dando calendário para times pequenos e amadores. Começam em fevereiro e vão até novembro. Sendo que em setembro, outubro e novembro os Estaduais ganham a participação dos clubes envolvidos nos Brasileiros A, B e C até agosto. Clubes menores jogam de fevereiro a agosto seus Estaduais para ganharem o direito de enfrentar os grandes no final.

Clubes grandes que, em setembro, outubro e novembro, estiverem envolvidos em Libertadores ou Copa do Brasil, podem abrir mão dessa fase “final” dos Estaduais. Que botem times mistos, reservas, sub-21, o que seja.

Em compensação, clubes importantes que estiverem fora das fases agudas de Libertadores e Copa do Brasil podem se dedicar aos Estaduais para “salvar o ano”. Desta forma, com três meses para os grandes, os Estaduais teriam muito mais peso e gerariam mais interesse do que com os quatro meses atuais no início do ano.

A notícia sobre a Libertadores é ótima. Agora só falta a CBF e os clubes fazerem a parte deles. Este post não traz nada mirabolante. Apenas, o óbvio. Espero que os dirigentes vejam da mesma maneira.

Calendário ideal:

Pré-temporada – janeiro

Libertadores – fevereiro a novembro (anúncio feito hoje)

Brasileiro (A, B, C, D) – fevereiro a agosto (um mês a mais que atualmente e sem ser afetado por janelas de transferência)

Copa do Brasil – fevereiro e novembro (oitavas a partir de setembro) – de preferência com participação de todos os clubes do país, estilo FA Cup

Estaduais – fevereiro a novembro – até agosto com com clubes que não estejam nas séries do Brasileiro. A partir de setembro, entram na disputa os clubes que estiverem envolvidos em competições nacionais

Férias – dezembro

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