Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Futebol brasileiro

Palmas para Rodrigo Caio em um dia de tantas simulações
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O que Rodrigo Caio fez neste domingo não deveria ser notícia. Ele foi apenas… honesto. O árbitro havia mostrado cartão amarelo para Jô, por achar que o corintiano havia acertado o goleiro Renan na tentativa de chegar à bola.

Rodrigo Caio falou para o árbitro que ele – e não o rival – tinha tocado em Renan. O árbitro tirou o cartão amarelo de Jô.

Esse tipo de honestidade deveria ser o mínimo. Mas o mínimo está em falta no futebol brasileiro. Na sociedade brasileira.

Neste mesmo Campeonato Paulista, no dérbi centenário da fase de grupos, o Corinthians ficou com um jogador a menos contra o Palmeiras porque o árbitro confundiu dois jogadores. Mostrou o cartão e expulsou Gabriel, que não havia feito a tal falta.

Erro do árbitro, sem dúvida. Mas quantos jogadores do Palmeiras em volta perceberam o erro e aplaudiram e comemoraram, em vez de fazer o que fez Rodrigo Caio?

Erros acontecem. Mas precisamos de uma vez por todas extirpar da nossa sociedade a necessidade de “se dar bem” às custas de erros alheios. Chega de celebrar fins que justificam os meios.

O futebol é, como essência, um jogo de “engano”. Tentar enganar o adversário. Fingir que vai pra cá e vai pra lá. Fingir que vai chutar e dar um passe.

Mas fingir que um adversário te acertou no rosto quando o cotovelo dele atingiu o peito… isso está correto?

Ficar quieto ao ver um árbitro, um ser humano, cometer um erro que você sabe que ele cometeu e pode ser corrigido?

Zé Roberto, um grande nome da história do futebol brasileiro, de quem sou fã, fez isso hoje em Campinas. Simulou uma agressão no rosto que não houve. Fiquei surpreso. Aliás, vários jogadores fizeram o mesmo em Campinas. Simular agressões para que o adversário seja expulso.

É o ridículo do futebol brasileiro. O ridículo da sociedade brasileira.

Palmas para Rodrigo Caio. Que sirva de exemplo.


Palmeirenses tinham obrigação de avisar o juiz do erro ao expulsar Gabriel
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juliogomes


O árbitro Thiago Duarte Peixoto fazia uma bela partida em Itaquera. Era o melhor em campo, até. Em um horroroso Corinthians x Palmeiras, que não honrou toda a ação que os clubes fizeram antes da partida, com vídeos bonitos, times perfilados de forma intercalada para o hino nacional, etc.

O jogo começou violento. Com atletas pouco preocupados em jogar bola, mais preocupados em jogar para a torcida (única). Carrinhos e mais carrinhos. Incrível a necessidade de mostrar “raça” hoje em dia.

E o árbitro conseguiu controlar o ímpeto violento inicial. Não contemporizou. Amarelo para Felipe Melo, amarelo para Raphael Veiga, amarelo para Gabriel (com uma jogada de atraso, mas OK, foi dado). Segurou o jogo. A partir daí, a violência diminuiu. Continuamos sem ver bola, porque aí já é pedir demais no nosso futebol. Mas o árbitro controlou a coisa.

Infelizmente, no finalzinho do primeiro tempo, cometeu um erro. Um erro que certamente terá grandes consequências para ele na carreira.

Quando Keno avançou no campo de ataque palmeirense, foi seguro por Maycon. Era amarelo para Maycon e segue o jogo.

Mas, no momento em que apita a falta, o árbitro Thiago Duarte Peixoto olha para o lado esquerdo. Quando olha para a jogada de novo, Maycon havia saído de cena e Gabriel estava no lugar em que Maycon estaria, não tivesse continuado correndo.

Não quero aqui minimizar o erro. Mas os caras são até parecidos no porte físico, tem uma barbicha parecida. O juiz obviamente não olhou o número 30 às costas de Maycon no momento da falta. Ele se confundiu, nada mais do que isso. E expulsou Gabriel.

Os jogadores do Corinthians tentaram desesperadamente avisá-lo do erro.

O que mais me incomodou no lance foi ver todo o banco palmeirense e também alguns jogadores tentando evitar que alguém passasse a informação correta para o árbitro ou para o quarto árbitro. Tentando evitar a tal “interferência externa”.

O que é pior? A irregularidade da interferência externa para ajudar o árbitro em um lance em que não há margem para dúvida? Ou a irregularidade de expulsar um jogador que não merecia ser expulso?

Oras.

Na boa? Podem me chamar de exagerado. Mas é por essas coisas que temos a sociedade que temos.

O que é certo é certo, oras. Keno até pode ser perdoado, estava de costas no momento em que sofre a falta. Mas ninguém mais viu que foi Maycon, e não Gabriel, até outro dia companheiro desses palmeirenses todos, que fez a falta? Dudu, por exemplo, estava de frente para o lance.

Será sonhar demais esperar pelo dia em que o banco do Palmeiras será o primeiro a avisar o juiz de seu erro?

A lisura não é mais importante do que a vitória? O que é certo não é certo e ponto final?

Não, não estou dizendo que “se fosse ao contrário” o banco do Corinthians faria de outra forma. Acho até que não. Mas isso pouco importa. É infantil ficar usando o argumento do “se fosse ao contrário”. Assim como é infantil comparar com um lance de pênalti em que o árbitro é “enganado” pelo atacante. São naturezas bem diversas. O futebol é um jogo de engano mesmo, mas não esse tipo de engano.

Será que nunca vamos entender que fazer as coisas certas é o mais importante nessa vida? Que ganhar não é tudo?

O juiz errou feio. Por mais que seja “ao vivo”, tudo muito rápido, etc, ele é treinado e tem técnicas para não cometer esse tipo de erro. Mas errou, oras. Como todos nós erramos. Uma imagem da Globo que permitiu leitura labial mostrou que o quarto árbitro avisou: “não foi o Gabriel!”. Errou de novo ao não confiar no colega (se é que ouviu o colega).

No fim, foi salvo pelo resultado. O Palmeiras achou que ganharia a qualquer momento, perdeu chances no segundo tempo e, no único bom contra ataque do Corinthians, após um erro grotesco de Guerra, Jô fez o gol da vitória. O Corinthians mereceu por ter mostrado mais vontade em campo.

Mas, pior que o erro do árbitro, foi o erro de quem não ajudou a consertar.

Em um jogo sem a menor importância para o campeonato, convenhamos.

Imaginem que linda seria a cena de alguém do Palmeiras avisando o árbitro do erro? Iria rodar o mundo, seria um exemplo de fair play. Quem estava vestido de verde, percebeu o erro e não falou nada perdeu uma grande chance na vida.


China e França protagonizam mercado de transferências em janeiro
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Real Madrid e Atlético de Madri nem podiam contratar na janela de transferências do inverno europeu, fechada nesta terça-feira. O Barcelona e o Bayern de Munique não se mexeram. Os ingleses pouco fizeram. Com a sombra da China pairando sobre o continente europeu, surpreendentemente foi a liga da França que realizou as transferências de maior impacto.

O Brasil não sofreu tanto como em outros anos – o que não significa que jogadores brasileiros não tenham sido alguns dos principais envolvidos em negociações.

A maior transferência do mercado foi Oscar, do Chelsea ao Shanghai SIPG, por algo na casa dos 60 milhões de euros. Outro time de Xangai, o Shenhua, não precisou desembolsar tanto para tirar Carlitos Tevez do Boca Juniors, mas pagará ao argentino o maior salário do mundo: 40 milhões de dólares por ano. Que tal, heim, ganhar 2 milhões de reais por semana de trabalho?

O Tianjin pagou 18 milhões de euros ao Villarreal e levou Alexandre Pato. Contratou também o ótimo volante belga Alex Witsel, após cinco longos anos no Zenit. Uma pena, dois jogadores jovens que parecem ter perdido a ambição de buscar espaço nos grandes do futebol europeu.

Gabriel Jesus chegou ao Manchester City agora, mas a negociação havia sido realizada no meio do ano. É o jogador que mais impacto promete trazer à Premier League.

Das cinco negociações no ranking de valores do inverno, depois de Oscar, quatro envolveram clubes franceses.

O PSG trouxe Draxler por 40 milhões de euros, tirando do Wolfsburg o jogador de 23 anos que pode ser titular da Alemanha na próxima Copa. A outra transação foi mais esquisita, chamada de “um mistério” pela imprensa em Portugal.

Gonçalo Guedes, atacante de 20 anos do Benfica e que ainda não fez nada demais (nem nas bases), custou 30 milhões de euros ao PSG. Investimento altíssimo. No verão, o PSG havia desembolsado 25 milhões de euros para tirar Jesé do Real Madrid. Não deu certo, e o atacante foi emprestado para o Las Palmas – apresentado nesta terça com pompa e circunstância pelo simpático clube das Ilhas Canárias. Guedes chega para ocupar o espaço de Jesé, mas não poderá atuar na Champions League por já ter jogado com a camisa do Benfica.

Foi apresentado também pelo PSG o meia argentino Giovani Lo Celso, que fez ótima Libertadores com o Rosario e havia sido contratado no meio do ano passado.

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O Olympique de Marselha é uma das histórias que merecem atenção nos próximos anos. O clube foi comprado por um magnata americano e promete fazer estragos no mercado, voltar a ser grande na Europa.

No fim da janela de transferências, o Olympique trouxe de volta o meia Dimitri Payet, do West Ham e da seleção francesa, por aproximados 30 milhões de euros. Repatriou também Evra, que estava na reserva da Juventus, e contratou o promissor meia Sanson, do Montpellier, de 22 anos, que estava na mira de outros clubes, como o Borussia Dortmund.

Até mesmo o Lyon, que não é mais dominador no país, mas segue frequentando o alto da tabela, se mexeu. Contratou o holandês Memphis Depay, do Manchester United, por 16 milhões de euros. Depay, de apenas 22 anos, chegara ao United em 2015 por aproximadamente 30 milhões, trazido por Van Gaal. Não caiu nas graças de Mourinho, perdeu espaço e se mandou para a França.

O Manchester City, que trouxe Gabriel Jesus por 32 milhões de euros, foi atrás de um jovem de 15 anos da base do Valencia, Nabil Touaizi. Projeto de futuro.

O futebol brasileiro sofreu três baixas relevantes – já tivemos janelas piores, convenhamos. O Ajax pagou 15 milhões de euros em David Neres, mas não conseguiu tirar Richarlison, de 19 anos, do Fluminense (teria oferecido 9 milhões de euros) – o atacante é um dos mais assediados do Sul-Americano sub-20, que está sendo disputado no Equador.

Neres também está com a seleção sub-20 e estava nos planos de Rogério Ceni. Um jogador criado na base do São Paulo, que se destacou e passava a aparecer no time de cima.

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Jorge, lateral revelação do ano passado, deixou o Flamengo para atuar pelo Monaco, que faz grande temporada e disputa o título francês. Walace, de 21 anos, deixou o Grêmio e foi para o Hamburgo por 9 milhões de euros.

Na Alemanha, foram mais de 90 milhões de euros gastos, recorde do país em mercados de inverno. Mas sem qualquer contratação de grande impacto – até porque, como já disse acima, o Bayern não se mexeu.

Se perdeu David Neres, Jorge e Walace, o futebol brasileiro repatriou Elias (Atlético-MG), Lucas Silva (Cruzeiro, emprestado de volta pelo Real Madrid), e Felipe Melo (Palmeiras). Três ótimos volantes. O Flamengo tirou Berrío, e o Palmeiras buscou Guerra no Atlético Nacional, melhor time do continente sul-americano em 2016.

A janela chinesa só fecha em fevereiro, então ainda pode vir bomba por aí. Mas a Europa só volta a incomodar no meio do ano.

 


Chapecoense não é só vítima. Olho aberto para o futuro das famílias
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juliogomes

Esta é a primeira vez que escrevo algo sobre a tragédia absurda que matou tanta gente em Medellín. Jogadores, dirigentes, jornalistas. Um crime, uma tragédia para lá de evitável.

Desde o primeiro momento, me incomodou um pouco como a Chapecoense passou a ser tratada como única – ou maior – vítima. Nos estádios mundo afora, vimos luto, #forçaChape, cânticos de homenagem.

Mas e as famílias?

Esta reportagem (mais uma da ótima Luiza Oliveira) mostra que algumas mulheres de jogadores que morreram na queda do avião da LaMia reclamam de abandono e cobram apoio financeiro.

Acredito que seja um pouco cedo para tratar a Chapecoense como vilã. É um clube destruído, que perdeu todo o seu corpo diretivo e é preciso de tempo para reconstruir a estrutura de gestão e tomada de decisões.

Mas pergunto novamente. E as famílias?

A Chapecoense, assim como as empresas de mídia que tinham profissionais no voo, não vai morrer. Ela é uma instituição, não uma pessoa. Aliás, no longo prazo, com a atenção nacional e internacional recebidas, a Chapecoense deve até ganhar um tamanho maior do que tinha.

Mas e as famílias?

Havia jogadores e pessoas ali que tinham uma carreira longa no futebol, suficiente para fazer o tal pé de meia. Mas havia também gente sem um grande contrato na profissão.

Qual o tamanho da indenização que as famílias deveriam receber? Vamos lembrar que estamos falando de famílias (a maioria) absolutamente dependentes dos jogadores que morreram. Algumas com dívidas feitas em função do que se esperava receber. E os profissionais do futebol menos “midiáticos”? Preparadores físicos, fisiologistas, diretores da Chape que estavam no voo e que não são o presidente ou alguém tão importante assim…

Com o seguro do clube mais o da CBF, foram pagos para as famílias dos jogadores 40 salários. O equivalente a três anos e pouco com contratos no mesmo valor. Mas aí já surge a primeira crítica. Salários CLT. Não deveria ser pago o salário integral, considerando também direito de imagem? Todos sabemos que no futebol os salários sob CLT ficam BASTANTE abaixo dos salários acordados entre clubes, empresários e atletas.

Aparentemente, as famílias dos jogadores não reclamam das indenizações, mas cobram o pagamento da premiação pelo título da Sul-Americana e o dinheiro de jogos beneficentes. Isso deverá ser resolvido em uma reunião nos próximos dias (esperamos).

Funcionários do departamento de futebol, comissão técnica e diretoria teriam recebido uma indenização de R$ 40 a 54 mil do clube – e zero da CBF. Me parece uma quantidade irrisória para o tamanho da perda, famílias que precisarão se reconstruir. Vamos lembrar que nem todos ali (quase ninguém) tinha construído uma carreira como a do técnico Caio Júnior.

Não seria justo que a Chapecoense arcasse com 40 salários destas pessoas também?

Ainda temos a questão da LaMia.

Aliás, por que mesmo a Chapecoense escolheu fazer um voo bizarro, saindo da Bolívia, com uma empresa picareta e nebulosa, em vez de pegar um voo de carreira até Bogotá e depois Medellín?

Especialistas dizem que dificilmente algo será pago por alguma seguradora. Funcionários da LaMia morreram no acidente e a conclusão das investigações foi de queda em razão de pane seca. Seguradoras não cobrem acidentes causados pela irresponsabilidade de seres humanos gananciosos.

No meu ponto de vista, qualquer que seja a indenização que deveria ser paga pela cia aérea às vítimas, a Chapecoense deve assumir esse custo junto às famílias de seus funcionários. E depois, em um segundo momento, com a força de uma instituição e o apoio que recebe do mundo inteiro, ir atrás de ressarcimento. Que a bilionária Fifa ajude! O que não pode é deixar as famílias anos e anos sem ver a cor desse dinheiro.

Quero colocar aqui um comentário que encontrei na postagem do UOL Esporte no Facebook sobre o tema.

“Mt gente ignorante,se o clube for pagar o que estao pedindo essas encostadas ai o clube vai acabar de falir de vez e se for o caso so declararem falencia e nao da nada pra essas vagabundas..vao caçar um serviço ate la cambadaa,uma faxina,um mercado pra trabalhar criar os filhos,ou dao o golpe en outro jogador otario ai..”

Esse comentário nos mostra várias coisas. O nível atual de muita gente com quem “convivemos” em sociedade, com o machismo arraigado até a tampa.

Mostra também com o clube é visto como a maior das vítimas. Muita gente tem tanta pena da Chapecoense que a considera vítima até mesmo no momento de indenizar as pessoas que morreram. Pessoas. PES-SO-AS.

A Chape é uma exemplo. Antes todos os clubes fossem como ela. Já na Copinha SP Júnior percebemos como todos querem o bem do clube. Será assim no Brasileiro, com simpatia e apoio em todos os estádios. Eu torcerei pela Chape para sempre. Muitos farão o mesmo.

Mas ela não é apenas vítima. Ela escolheu a LaMia. Precisa mostrar uma grandeza ainda maior do que já mostrou em relação a suas vítimas integrais. Não foram elas que escolheram entrar naquele avião. E são elas que perderam o arrimo familiar.

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Palmeiras, Argentina, 2016: o ano das conquistas “impossíveis”
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juliogomes

Muitos gostaram de 2016, algumas milhões de pessoas. Outros tantos milhões detestaram e não veem a hora de o ano acabar. O que é quase unânime, no entanto, é que 2016 foi o ano das conquistas que não achávamos que veríamos na vida.

No futebol europeu, tivemos a história mais surreal desde a lei Bosman, a União Europeia e o futebol globalizado: Leicester campeão inglês. No meio do futebol milionário dos elencos estrelados, o pequenino Leicester chegou lá.

O Atlético de Madri bateu na trave na Champions League, perdeu nos pênaltis para o Real Madrid a grande decisão.

Entre as seleções, em uma Eurocopa com a campeã do mundo Alemanha, a anfitriã França e as camisas pesadas da Itália e da Espanha, o título acabou com Portugal. O primeiro título da história da seleção portuguesa e ainda por cima sem Cristiano Ronaldo durante quase toda a partida final.

O título chileno na Copa América só não foi daqueles “impossíveis” porque repetiu o que ocorrera em 2015. Mas o futebol sul-americano teve a seleção brasileira conquistando a medalha de ouro olímpica pela primeira vez na história, em pleno Maracanã. O título que faltava.

A Copa Libertadores da América teve uma final sem um brasileiro ou um argentino pela primeira vez em 25 anos. O Atlético Nacional deu o primeiro título e um clube da Colômbia desde 2004, batendo o incrível Independiente del Valle, do Equador, na decisão. O Atlético Nacional de Medellín ainda pode ganhar a Sul-Americana e ser o primeiro clube a fazer o doblete no continente.

Se não for campeão, terá sido a Chapecoense, um título não menos “impossível”.

No futebol brasileiro, o domingo consagra o Palmeiras, campeão brasileiro pela primeira vez desde 1994. Eram 22 anos de fila e, com rebaixamentos no caminho, eliminações humilhantes para times minúsculos e até goleadas para clubes do naipe do Mirassol, parecia que o Palmeiras não voltaria a ser o gigante que é.

Mas voltou.

palmeiras_chape

Além do Palmeiras, o domingo nos reservou também o título da Argentina na Copa Davis. Inédito. Na Croácia, fora de casa, com 2 jogos a 1 contra e 2 sets a 0 para o croata Cilic contra o argentino Del Potro no jogo 4. Del Potro virou seu jogo para 3 a 2, Delbonis ganhou o quinto ponto e o milagre foi consumado diante dos olhos de Maradona e milhares de argentinos em plena Croácia.

Não foi só no tênis, entre os outros esportes, que milagres aconteceram.

Na NBA, o Cleveland Cavaliers, de Lebron James, foi campeão com uma virada inacreditável na série final contra o Golden State Warriors. Cleveland era a cidade americana havia mais tempo sem um título das grandes ligas do país: 52 anos. Lebron fez o impossível para sua cidade.

No beisebol, o maior tabu da história dos esportes caiu. O Chicago Cubs, após 108 anos, rebateu para longe todas as maldições escritas ao longo de mais de um século. Quantas gerações nasceram e morreram sem ver os Cubs campeões?

Felizes ou tristes, os fãs de esportes, dos mais variados esportes, não podem negar: 2016 foi o ano mais surreal de todos até hoje.


Mudança da Libertadores é ótima. Falta agora o Brasil inverter calendário
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juliogomes

A Conmebol, quem diria, anunciou uma decisão que considero ótima para o calendário sul-americano. A Copa Libertadores não será mais uma competição de primeiro semestre e, sim, de ano todo. Começa em fevereiro, acaba em novembro.

Times não classificados para as oitavas de final “caem” para a Copa Sul-Americana, no estilo “rebaixamento” da Champions para a Europa League. Isso melhora o nível da Sul-Americana. E a final da Libertadores será em partida única. Aí é questão de gosto. Acho que o lado esportivo perde, mas gosto de levar grandes clubes do continente para diversos mercados, criar festas internacionais.

O fato é que a Libertadores no ano inteiro cria vários fatos positivos. Um deles é dar “folga” no calendário para as competições nacionais. Outra é acabar com aquela bizarra pausa na “hora H” em anos de Copa do Mundo e Copa América (dois a cada quatro). Pelo menos a pausa ocorrerá entre fase de grupos e mata-mata, como ocorre na Champions.

Outro fator positivo. Se um time brasileiro ganhar a Libertadores, já parte logo para o Mundial. Não fica aquela palhaçada de abandonar tudo por seis meses por causa do tal Mundial. Aliás, é benéfico para o representante da Conmebol chegar para a disputa na ponta dos cascos – o que não necessariamente se aplica ao campeão europeu.

A janela de meio de ano europeia pode tirar alguns jogadores do mata-mata da Libertadores? Pode, mas é um detalhe menor. Quanto mais os países do continente se fortalecerem, menor impacto terá a janela.

Agora falta o calendário brasileiro se adaptar. E há uma mudança que é simplesmente mandatória: a inversão. O Campeonato Brasileiro precisa começar em janeiro ou fevereiro, empurrando os Estaduais para o fim do ano.

Assim, Brasileiro e Libertadores começam juntos. Fase mais aguda do Brasileiro, reta final, seria em julho e agosto. Consequentemente, times não precisariam em nenhum momento abrir mão do Brasileiro por causa da Libertadores – esse “abrir mão”, seja no início, seja no final do campeonato de pontos corridos, gera distorções terríveis para a disputa.

O Brasileiro pode ir de janeiro/fevereiro até o final de agosto. Assim, ele e Libertadores não se atrapalham. E as janelas europeias (de janeiro e agosto) têm impacto praticamente zero no decorrer Brasileiro. É possível condensar mais datas no primeiro semestre quando houver algum tipo de pausa (Copas do Mundo e América).

A Copa do Brasil pode ser espalhada pelo ano inteiro, com fases de oitavas de final para frente em setembro, outubro e novembro, ou seja, também sem concorrer com o Brasileiro.

E os Estaduais precisam ocupar o ano inteiro, dando calendário para times pequenos e amadores. Começam em fevereiro e vão até novembro. Sendo que em setembro, outubro e novembro os Estaduais ganham a participação dos clubes envolvidos nos Brasileiros A, B e C até agosto. Clubes menores jogam de fevereiro a agosto seus Estaduais para ganharem o direito de enfrentar os grandes no final.

Clubes grandes que, em setembro, outubro e novembro, estiverem envolvidos em Libertadores ou Copa do Brasil, podem abrir mão dessa fase “final” dos Estaduais. Que botem times mistos, reservas, sub-21, o que seja.

Em compensação, clubes importantes que estiverem fora das fases agudas de Libertadores e Copa do Brasil podem se dedicar aos Estaduais para “salvar o ano”. Desta forma, com três meses para os grandes, os Estaduais teriam muito mais peso e gerariam mais interesse do que com os quatro meses atuais no início do ano.

A notícia sobre a Libertadores é ótima. Agora só falta a CBF e os clubes fazerem a parte deles. Este post não traz nada mirabolante. Apenas, o óbvio. Espero que os dirigentes vejam da mesma maneira.

Calendário ideal:

Pré-temporada – janeiro

Libertadores – fevereiro a novembro (anúncio feito hoje)

Brasileiro (A, B, C, D) – fevereiro a agosto (um mês a mais que atualmente e sem ser afetado por janelas de transferência)

Copa do Brasil – fevereiro e novembro (oitavas a partir de setembro) – de preferência com participação de todos os clubes do país, estilo FA Cup

Estaduais – fevereiro a novembro – até agosto com com clubes que não estejam nas séries do Brasileiro. A partir de setembro, entram na disputa os clubes que estiverem envolvidos em competições nacionais

Férias – dezembro

libertadores


Um círculo virtuoso começa na seleção. Tomara que se espalhe
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juliogomes

O ideal seria que fosse de cima para baixo. Mas não há problema algum se for de baixo para cima.

O fato é que, vitória sobre o Equador à parte, está claro que um círculo virtuoso começa na seleção brasileira. O país entra no caminho certo em relação ao comando técnico da seleção. Agora falta espalhar para cima. Que o círculo vicioso de décadas e dirigentes nefastos seja quebrado.

Não é uma vitória qualquer a da estreia de Tite. Eram décadas sem ganhar em Quito – 33 anos. Desde que as eliminatórias sul-americanas passaram a ser disputadas em pontos corridos, o Equador tem uma campanha em casa, na altitude, que somente Brasil e Argentina conseguem repetir em seus jogos como locais.

Não é uma vitória circunstancial. Foi uma vitória construída por um time que jogou melhor que o outro, que se adaptou ao adversário durante a partida e jogou de forma coletiva. Quando o jogo coletivo funciona, o individual desponta. Digo sempre, mas nunca é mau repetir. Não se deve confiar no individualismo para resolver as partidas. O individualismo aparece, e é importantíssimo, quando a engrenagem funciona.

A engrenagem funcionou, com um meio de campo dinâmico, ótimas partidas de Paulinho e Renato Augusto e movimentação no ataque. Sobrou para Gabriel Jesus ser o rosto da vitória em Quito, com o pênalti sofrido e dois golaços. Um garoto de 19 anos! Ainda bem que essa geração é “ruim”, como dizem alguns. Imaginem se fosse boa.

O problema da seleção nunca foi falta de talento. Foi falta de percepção de que o futebol é outro. Mudou. Com Tite, afinal, estamos atualizados.

gabrieljesus


A linha tênue entre o vira-latismo e o reconhecimento
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juliogomes

Não gosto do vira-latismo clássico. TUDO o que vem de fora é o certo, é o bom, nós não sabemos nada de nada, somos péssimos.Mas também ODEIO o vira-latismo ao contrário. Essa raiva de estrangeiros, de dizer que eles todos se acham superiores em tudo (será mesmo?), que não devemos nos curvar a nada, ouvir, não aceitamos outras visões. O vira-latismo ao contrário é não admitir quando um estrangeiro é mesmo melhor em alguma coisa ou tem razão no que fala.

Ele é latente quando brasileiro fala de futebol.

 

Gosto sempre do equilíbrio.

 

Por exemplo. Em relação à torcida, ao público espalhado pelos diversos locais de competição nessa Olimpíada.

 

É óbvio que temos algumas coisas a aprender sobre comportamento convencional em esportes específicos. Não temos cultura esportiva. Por que não aprender?

 

Todos sabemos que no tênis, durante os pontos, a convenção é fazer silêncio. O tênis é um esporte relativamente popular, jogos são transmitidos nas TVs daqui há anos. Mas o que sabemos sobre o tênis de mesa? Também se faz silêncio? Simplesmente não sabemos. E na esgrima? Em que hora a comemoração ou tentativa de empurrar está invadindo um espaço do atleta?

 

Por que não ouvir humildemente e conhecer as convenções de cada esporte?

 

Por outro lado, não temos que aprender nada nem ouvir nada sobre “jeito” de torcer dentro dessas convenções. Gritar mais, menos, etc. Isso é de cada um, é cultural. Somos o que somos e isso deve ser respeitado.

 

No boxe, o barulho da torcida é para lá de comum. Se um gosta de urrar, o outro de aplaudir, o outro de gritar “uh, vai morrer”… oras… cada cidadão que faça do jeito que preferir. Idem para o basquete, o vôlei, a maioria dos esportes “de estádio”. Não gosto quando se critica excesso de barulho ou “paixão” da torcida brasileira em modalidades onde haver barulho é normal.

 

É por isso que chamei de “mimimi” o que fez o francês derrotado por Thiago Braz na final do salto com vara. Ao mesmo tempo, é preciso ter humildade para entender como funciona o esporte “normalmente”. Ter um pouco de empatia, vestir as sandálias dos outros.

 

Outro exemplo de vira-latismo versus vira-latismo ao contrário.

 

Técnicos estrangeiros.

 

Será que Thiago Braz e Isaquias Queiroz ganhariam medalhas, não fossem os técnicos estrangeiros?

 

Será que teríamos handebol e polo aquático ganhando jogos antes inimagináveis, não fossem os estrangeiros no comando das seleções brasileiras?

 

Precisamos nos curvar, sim, ao maior conhecimento. As federações de diversos esportes acertaram em cheio ao investir e trazer gente de fora. Não há nada no mundo mais frutífero que intercâmbio. Aprender com outras culturas, outras visões, outras técnicas.

 

Isaquias não estaria ganhando medalhas, talvez nem competindo em alto nível, não fosse o treinador espanhol Jesús Morlán. Foi ele mesmo quem disse.

 

Isso não é vira-latismo. É reconhecimento.

 

Vira-latismo seria dizer: nenhum esporte brasileiro vai conseguir alguma coisa sem técnicos estrangeiros. Vimos na ginástica, por exemplo, como a chegada dos ucranianos foi um divisor de águas. Mas, a partir disso, o esporte ganhou corpo e vida próprios. Entre os homens, Marcos Goto e Renato Araújo são dois dos grandes responsáveis pelos êxitos de Arthur Zanetti e Diego Hypolito.

 

O quanto eles aprenderam e absorveram dos estrangeiros? Certamente, muito.

 

No vôlei, possivelmente tenhamos mais a oferecer do que importar. Como foi com o futebol nos bons tempos (hoje, não mais).

 

Somos bons em algumas coisas, não tão bons em outras, péssimos em outras. O mesmo serve para todas as outras nacionalidades. Trocar informações e experiências faz a sociedade inteira evoluir. Menosprezar, não.

 

Tenho amigos que respeito muito e que não perdem uma chance de vestir uma incrível camisa nacionalista. “Quem são eles para virem nos dizer o que fazer?”. São discursos quase xenófobos, não conhecesse eu o caráter deles. Assim como conheço gente que despreza tudo que venha ou seja do Brasil. O verdadeiro exemplar do complexo de vira-latas.

 

Acho até que muitos achem que eu seja assim, por estar constantemente criticando o futebol brasileiro e mostrando como seria bacana copiar algumas coisas que funcionam na Europa.

 

Mas vejam. Assim como sou entusiasta da organização do futebol europeu e dos desenvolvimentos tático e de métodos de treinamento, eu não gosto do futebol asséptico do mundo das arenas ultramodernas de ingressos caríssimos (ou seja, copiamos justo o que não deveríamos copiar).

 

Me dá até medo ver a seleção feminina de futebol perder, para não ter que ouvir os verdadeiros vira-latas falando groselhas. Assim como me dá medo a seleção masculina ganhar o ouro, para não ouvir o cidadão no outro extremo, aquele com complexo de pitbull.

 

Como já disse aqui neste post, o importante é buscar o equilíbrio.

 

Falar só bem ou só mal de tudo e todos é fácil. Ouvir é uma arte.

 

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O que os papelões de Brasil e Argentina no futebol nos mostram
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juliogomes

A Argentina foi eliminada na primeira fase do torneio olímpico de futebol. O Brasil seguirá o mesmo caminho, se não vencer a Dinamarca. Este post independe do resultado desta quarta à noite. O time ainda não conseguiu fazer um gol sequer, após enfrentar África do Sul e Iraque. Já os argentinos ficaram fora por serem incapazes de ganhar de Honduras.

O que isso nos mostra?

Já sabemos há tempos que “não tem mais bobo no futebol”. Apenas não levamos a frase a sério. Também já sabemos da importância da parte tática, a organização em campo. Apenas não levamos a sério. Seguimos confiando na técnica, na individualidade.

Brasil e Argentina levaram catados para a Olimpíada. O time argentino era um time D. O brasileiro é um sub-23 com todos os tipos de desfalques. De machucados a não liberados por clubes.

Renato Augusto, tão criticado, seria naturalmente um dos três caras acima de 23 anos convocados? É claro que não. O cara chegou dois dias antes da competição. Não conhece praticamente ninguém – e isso que atua em uma posição crucial no meio de campo. Mas foi dos poucos liberados. Está na China.

As pessoas se enganam pela presença de Neymar. Não é porque tem Neymar que esse time é bom. Ninguém joga sozinho. Muito menos um jogador que acaba de sair das férias e que não tem, por característica, ser um criador que envolva todos os seus companheiros. Neymar é um finalizador. Um falso líder técnico.

Por mais que Micale tenha comandando um time sub-23 em alguns amistosos, percebemos nitidamente que o Brasil não tem um time.

Sim, pode ser que outras seleções tampouco tenham tido a possibilidade de treinar, juntar seus melhores jogadores, etc. Mas, para os que não têm entrosamento, defender é muito mais fácil do que criar jogo. A proposta de Micale é apenas uma proposta. Ela levo tempo para ser consumada. Não será na Rio-2016.

Não estou aqui defendendo ninguém. Apenas analisando à distância e sem tantas emoções. A seleção merece críticas por seu jogo. Mas parece também que estão jogando para cima desses jogadores todas as frustrações acumuladas ao longo de anos. Na vida e nos campos.

Os caras não estão jogando bem. Mas falta de vontade? Não vejo esse desprezo todos que dizem que os futebolistas têm pela Olimpíada ou pela camisa amarela.

Atitude deplorável? De Neymar fora de campo, sem dúvida. Ele virou o monstrinho que Dorival já alertava que viraria. Mas do resto do time?

Será que eles são culpados por serem ricos e os outros esportes serem tão abandonados? Oras, contingências da vida. Velejadores também são ricos. E o pessoal do hipismo então? Há jogadores e atletas humildes, há os que não são. Em todas as modalidades.

Me parece haver um exagero e uma dispersão das críticas. Estão orientadas para alguns fatores que pouco têm a ver.

O papelão está acontecendo e pode aumentar por algo muito mais simples. Futebol é coisa de equipe, não de indivíduos. Catados não ganham campeonatos.

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Que a pira seja acesa pelo maior brasileiro olímpico. Quem é ele ou ela?
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juliogomes

Pelé não sabe se poderá acender a pira olímpica. Não debaterei as questões contratuais do Rei.

Mas uma rápida conversa com amigos me mostrou como é difícil definir qual o maior brasileiro da história das Olimpíadas.

Pelé, definitivamente, não é. E creio que um personagem que não seja do futebol, que nunca rendeu uma medalha de ouro ao Brasil, deveria ser escolhido para acender a pira da Rio-2016.

Quem seria essa pessoa?

Pelé é o maior atleta da história do Brasil. Ayrton Senna, o segundo. Em uma lista de 10 mais, apareceriam vários futebolistas. Mas essa turma toda não tem nada a ver com Olimpíadas. Senna nem vivo está.

O nome de Gustavo Kuerten vem rapidamente à cabeça. Em um esporte “grande” no mundo todo, Guga foi número 1 do mundo. Não brilhou em Sydney-2000, quando vivia o auge, porém. Foi o maior nome de um esporte olímpico que já tivemos, possivelmente. Mas sem fazer algo grande na Olimpíada em si.

Robert Scheidt e Torben Grael são os maiores nomes da história da vela nacional. Mereceriam, pelos feitos olímpicos, entrar na lista para acender a pira. Mas praticam um esporte desconhecido, para poucos, quase irrelevante perto de outros mais difundidos e populares.

No atletismo, talvez o esporte-símbolo dos Jogos, tivemos nomes tremendos, com feitos em épocas em que o Brasil não ganhava nada e nem dinheiro tinha. Adhemar Ferreira da Silva, Nelson Prudêncio e João do Pulo, infelizmente, não estão mais entre nós. Joaquim Cruz? Por que não?

No judô, foram vários os medalhistas. Mas nenhum deles repetiu a dose.

Na ginástica, Arthur Zanetti pode ganhar status de mito. Duas medalhas em um esporte em que sempre fomos “nada”? Uau. Mas, por enquanto, ainda não tem tal status.

Gustavo Borges e César Cielo, dois gigantes da natação. Seriam candidatos naturais, mas longe de unânimes, a maior atleta olímpico brasileiro.

E aí chegamos ao vôlei. Na quadra ou na praia, o esporte mais eficiente do Brasil em Olimpíadas, que nunca deixa o país na mão. Contra o vôlei, jogam dois fatores. Primeiro, não é um esporte “mundial”. Não se compara com o basquete, por exemplo, em termos de peso e atenção nos quatro cantos do mundo. É um esporte essencialmente grande no Brasil e nos Estados Unidos. Outro fator que joga contra é que é um esporte coletivo, essencialmente o de quadra, então é difícil escolher um nome.

Giba? Sheilla? Maurício? Fofão? Complicado colocar um desses como maior atleta olímpico brasileiro, não é mesmo?

Me veio na cabeça então o nome de José Roberto Guimarães.

Não, ele não entrou em quadra. Não cortou uma bola sequer. Mas o homem levou o vôlei masculino ao primeiro ouro olímpico, lá em 1992. E depois levou o feminino ao bi, em 2008 e 2012. Esse gênio do esporte nacional não tem medalha olímpica em casa, pois técnicos não são agraciados com uma.

Um grande caráter. Um grande gestor. Uma pessoa sem uma mancha sequer, uma suspeita, sem atitudes discutíveis eticamente. Vitorioso da melhor forma possível. No trabalho e no carinho, não no grito ou na raiva.

O único tricampeão olímpico da história do Brasil nos Jogos.

Ele não tem uma medalha. Mas poderia ter a honra maior. Zé Roberto seria o meu escolhido para acender a pira olímpica na sexta-feira.

Quem seria o teu?

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