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O que é pior, torcedor? A humilhação de uma noite ou o horror duradouro?

Julio Gomes

31/10/2019 06h00

É difícil imaginar o Corinthians de Carille levando a sova que o São Paulo de Diniz levou do Palmeiras.

Tirando o chocolate levado contra o Independiete del Valle, em Itaquera, teríamos de voltar a janeiro para encontrar outra derrota por dois gols de diferença (para o Red Bull, no Paulista).

O Corinthians não leva goleadas, não é humilhado. Como foi o Grêmio de Renato no Maracanã, como aconteceu com times de Diniz, como aconteceu com Sampaoli algumas vezes, como aconteceu até com o Flamengo de Jorge Jesus em Salvador.

Tem muita gente que considera inaceitável que um time grande seja goleado. Não importa o contexto. Não importa o que foi tentado naquele jogo, não importa o que aconteceu uma semana antes, o que pode acontecer uma semana depois. Muitos preferem ver seu time jogar e ter resultados previsíveis. As vitórias serão apertadas, mas as derrotas serão raras e serão vendidas por um preço alto.

A derrota apertada do Corinthians para o CSA só se transforma em algo grande porque vem na esteira de uma série de maus resultados, senão passaria quase em branco, como um pequeno acidente.

Já uma derrota por 3 a 0 (e foi pouco!) para o Palmeiras, um rival, gera muito mais barulho para o São Paulo e seu treinador, ainda que seja antecedida de bons resultados e um esboço de bom futebol.

Times treinados por técnicos mais ofensivos e corajosos ficam sujeitos a essas coisas. Aos extremos. Farão jogos épicos, mas levarão sovas humilhantes aqui e ali.

Na minha opinião, Carille não tem ainda a capacidade de fazer seus times jogarem bola. É, no entanto, um exímio treinador na parte defensiva. Já Diniz é o oposto. Consegue fazer seus times jogarem, mas não consegue evitar que apanhem.

Defender é mais fácil que atacar, destruir é mais fácil que construir. Assim, é mais fácil obter resultados da primeira maneira, a margem do bom e do ruim fica bem pequena.

Com a palavra, o torcedor.

É preferível ver seu time tentando jogar bola, muitas vezes jogando bem, algumas vezes goleando, mas outras vezes pagando o preço e sendo atropelado?

Ou é preferível um time previsível, que vive no marasmo, conseguindo vitórias e sofrendo derrotas sempre apertadas, que definitivamente passam longe de entrar pra história?

O que é mais sofrido? Levar uma goleada em uma noite ruim ou conviver com um futebol burocrático e horroroso semana após semana?

 

Sobre o Autor

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

Sobre o Blog

Este blog fala (muito) de futebol, mas também se aventura em outros esportes e gosta de divagar sobre a vida em nossa e outras sociedades.

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