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Título marca o nascimento de Mbappé, um novo fenômeno
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Julio Gomes

Mbappé não ganhou a Copa sozinho, longe disso. Aliás, não ganhou nenhum jogo sozinho. Mesmo contra a Argentina, nas oitavas de final, apesar da atuação monstruosa, o gol decisivo foi o do empate, de Pavard.

Mas Mbappé é o grande nome da Copa do Mundo. Presenciamos em 2018 o possível nascimento de um fenômeno do futebol mundial. Um garoto de 19 anos, repetindo coisas que só Pelé havia atingido com tão pouca idade – fazer dois gols em um jogo de Copa do Mundo, fazer gol em uma final.

Lloris foi importantíssimo contra Uruguai e Bélgica, apesar da bizarrice da final. Os laterais Pavard e Lucas Hernandez foram perfeitos, a grande sacada de Deschamps. Os zagueiros, Varane e Umtiti, seguros atrás e decisivos na bola aérea na frente. Kanté e Matuidi, dois carregadores de piano de luxo. Pogba, um craque de bola, capaz de tudo no meio de campo. Griezmann, criativo, participativo, não falhou quando foi chamado. Giroud, o atacante dos zero gols, que mostra como o futebol é mais que isso.

É um timaço, o da França. Quem lê esse blog sabe que, na opinião do escriba, havia só dois favoritos a título. Brasil e França. É uma seleção pronta em todos os setores.

Mas a grande diferença de 2014 ou mesmo da Euro-2016 para cá foi o surgimento de Mbappé. Voou em um Monaco semifinalista de Champions, virou o segundo jogador mais caro da história ao ir para o PSG e, agora, se transforma em campeão do mundo com quatro gols na Copa.

É o surgimento de algo muito especial, que possivelmente durará muitos anos. A maior história, em outras tantas grandes histórias, da Copa da Rússia.

Passamos muitos anos buscando o sucessor de Messi e Cristiano Ronaldo. Encontramos. Começa a era Mbappé.


Seleção da Copa: franceses dominam, estrelas estão fora
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Julio Gomes

Não quero esperar a final. Eu sei que é o jogo mais importante e tudo o mais, mas acho injusto dar um peso tão desproporcional a um jogo só. Portanto, já fiz minha seleção da Copa do Mundo.

E ele é recheada de franceses. França e Bélgica jogaram o melhor futebol da Copa da Rússia. A primeira (e finalista) muito sólida defensivamente e com uma dupla inacreditável no meio de campo, além de Mbappé. Os belgas tiveram grandes momentos ofensivos. Os problemas defensivos foram mascarados por inacreditáveis atuações do melhor goleiro da atualidade.

Não foi fácil escolher o goleiro. Lloris, Subasic, Pickford, Ochoa, Akinfeev, Schmeichel… vários foram muito bem. Mas Courtois foi um escândalo.

Nem Cristiano Ronaldo nem Messi nem Neymar estão na seleção. Quem diria isso antes de começar a Copa?

O melhor jogador do Mundial, a meu ver, é Luka Modric. São 32 anos e três prorrogações nas pernas, sem sair um minuto e dando piques com 115min de jogo contra a Inglaterra. Qualidade impressionante com a bola, inteligência tática sem ela. Estamos diante de um super craque – mas sem mídia.

Aqui vai minha seleção A:

Courtois no gol; Vrsaljko, Mina, Varane e Lucas Hernandez; Kanté, Pogba e Modric; Hazard, Mbappé e Kane.

Eu sei que Mbappé tem só 19 anos, etc e tal, mas o cara já é conhecido, foi a segunda maior transferência da história do futebol. Sendo assim, considero o lateral Lucas Hernandez, da França, a revelação do Mundial.

Timaço!

Minha seleção B teria sistema com três atrás (que foi bastante usado) e um russo/brasileiro improvisado: Schmeichel; Mário Fernandes, Stones e Thiago Silva; Rebic, Casemiro, Cheryshev, De Bruyne e Coutinho; Cristiano Ronaldo e Cavani.

Mande a sua aqui também!

 


Lukaku não entrou no jogo, solidez francesa fez diferença
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Julio Gomes

Foi o jogo equilibrado que se esperava, decidido no detalhe da bola parada. A Bélgica foi bastante superior à França no primeiro tempo e criou pelo menos três claríssimas de gol, em grande noite de Hazard.

Com uma linha de quatro atrás, com Chadli, um meia, jogando como lateral, a Bélgica conseguiu se manter segura atrás, ter a posse de bola e criar chances.

A bola teimou em não entrar.

O segundo tempo já começa com o gol da França, no escanteio. Foi o grande problema da Bélgica na Copa do Mundo. O Brasil teve, assim, sua chance para abrir o placar e mudar a história das quartas de final. Não aproveitou. A França aproveitou.

E já sabemos que, com este nível de equilíbrio, marcar primeiro é muito mais do que meio caminho andado.

A grande chave do jogo foi Lukaku não ter entrado em campo. Tanto no primeiro quanto no segundo tempos, o gol passou na frente de Lukaku. Mas o centroavante, tão bem contra o Brasil, parecia aéreo nesta terça.

Curiosamente, no dia antes da semifinal, o técnico Roberto Martínez havia dito que tirou Lukaku da posição centralizada contra o Brasil para que ele não sofresse entre os zagueiros. Hoje, voltou a deixar o camisa 9 pelo meio. E ele sumiu entre Varane e Umtiti.

Quando alguns atacantes não vivem sua noite, viram peso morto para o time. Hoje, não foi a noite de Lukaku.

A grande mudança da França promissora de 2014 e derrotada na Euro de 2016 foi a defesa. Da linha de trás, só Umtiti começou a decisão europeia dois anos atrás.

Fora o jogo louco contra a Argentina, a França só levou um gol nas outras cinco partidas. É sólida, cede poucas chances. Kanté é um motor, imparável. O time só cometeu SEIS faltas para ganhar da Bélgica.

Deschamps se livrou de uns trastes, arrumou laterais jovens e bons, ganhou Mbappé de presente e foi corajoso na convocação.

Antes da Copa começar, eu colocava Brasil e França na prateleira de cima. Um, decepcionou. A outra está onde deveria estar. Nos últimos 20 anos, a terceira final francesa em seis Copas do Mundo.


Sem Itália e Holanda, Copa será a mais ‘desfalcada’ desde 94
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Julio Gomes

Com as eliminações de Itália e Holanda, ambas protagonizadas pela Suécia nas eliminatórias europeias, a Copa do Mundo de 2018 será a mais desfalcada do grupo de “potências” do futebol mundial desde a edição de 1994.

Na última vez que a Itália ficou fora de uma Copa, em 58, o Brasil ganhou seu primeiro título. Na última vez que a Holanda não se classificou para um Mundial, em 2002, o Brasil conquistou o penta. E na última vez em que mais de uma seleção campeã mundial ficou fora de uma Copa, em 1994, o Brasil ganhou o tetra.

Naquela ocasião, Inglaterra, Uruguai e França ficaram de fora da Copa organizada pelos EUA. A França ainda não era campeã do mundo, mas já tinha um time forte. Foi eliminada em casa, assim como a Itália nesta semana, de forma dramática, levando gol no último minuto. A alma só seria lavada quatro anos mais tarde.

Também não jogou a Copa de 94 a Dinamarca, então campeã europeia (92) – uma raridade, pois só três vezes na história o campeão europeu não se classificou para o Mundial seguinte. Esta é outra coincidência com a desfalcada Copa da Rússia. Além de Itália e Holanda, tampouco estará o Chile, campeão continental no ano passado. Foi apenas a segunda vez que um campeão de Copa América disputada a dois anos ou menos do Mundial acabou não se classificando.

Desde 98, quando o Mundial foi ampliado e passou de 24 para 32 seleções, tivemos três Copas com todos os campeões presentes: 2002 (mas sem a Holanda), 2010 e 2014 (estas, as únicas até hoje com as nove “grandes” presentes). Em 98 e 2006, o Uruguai foi o ausente após sucumbir nas eliminatórias.

Copas “desfalcadas” costumam trazer boas lembranças para o torcedor brasileiro.

No tricampeonato da seleção, em 70, não estiveram no Mundial do México quatro das nove seleções que formam o grupo de países com melhores resultados da história das Copas (o G9). Isso nunca mais aconteceu desde então – vale ressaltar também que, na época, nenhum dos quatro havia levantado o caneco, como veremos mais abaixo neste post.

Dos cinco títulos brasileiros, dois deles vieram em Copas em que algo raro aconteceu: dois países que já haviam sido campeões mundiais no passado acabaram não disputando a competição (58 e 94).

Devido ao desastre italiano, a Copa da Rússia, no ano que vem, será a décima da história em que alguma seleção que já levantou a taça um dia não disputará a competição (metade das vezes).

Quem forma o G9?

A seleção brasileira, todos sabemos, jogou todas as 20 Copas disputadas até hoje. Alemanha e Itália vêm em seguida, com 18 participações. A Alemanha, seja como Ocidental ou, depois, unificada, não perde um Mundial desde 1950. A Itália não ficava fora desde 58. A Argentina, com 16 participações, esteve ausente pela última vez em 70. Espanha, Inglaterra e França jogaram 14 Mundiais. A última Copa sem a Espanha foi a de 74, enquanto ingleses e franceses “faltaram” pela última vez em 94.

São oito países campeões de Copas. Mas este blog considera importante acrescentar a Holanda no G9 de potências. Afinal, a Holanda, que “existe no futebol” desde a década de 70, chegou a três finais (só menos do que as quatro seleções gigantes) e acabou entre as quatro primeiras colocadas em menos ocasiões somente que Brasil, Alemanha e Itália. Além, claro, de ter uma influência histórica no esporte moderno.

A Holanda jogou 10 de 20 Copas e chegou pelo menos à semifinal em metade de suas participações. Além das campeãs, outras nove seleções apareceram em mais Mundiais que a Oranje, mas sem a mesma relevância em teremos de resultados. O México, por exemplo, é o quinto país com mais participações (15), mas nunca passou das quartas de final.

Veja a lista das potências que faltaram em cada Copa:

1930 – Campeão: Uruguai. Faltaram: Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha e Holanda;
1934 – Campeã: Itália. Faltaram: Inglaterra e Uruguai;
1938 – Campeã: Itália. Faltaram: Inglaterra, Espanha, Argentina e Uruguai;
1950 – Campeão: Uruguai. Faltaram: Alemanha, França, Holanda e Argentina;
1954 – Campeã: Alemanha. Faltaram: Espanha, Holanda e Argentina;
1958 – Campeão: Brasil. Faltaram: Itália, Espanha, Holanda e Uruguai;
1962 – Campeão: Brasil. Faltaram: França e Holanda;
1966 – Campeã: Inglaterra. Faltou: Holanda;
1970 – Campeão: Brasil. Faltaram: França, Espanha, Holanda e Argentina;
1974 – Campeã: Alemanha. Faltaram: Inglaterra, França e Espanha;
1978 – Campeã: Argentina. Faltaram: Inglaterra e Uruguai;
1982 – Campeã: Itália. Faltaram: Holanda e Uruguai;
1986 – Campeã: Argentina. Faltou: Holanda;
1990 – Campeã: Alemanha. Faltou: França;
1994 – Campeão: Brasil. Faltaram: Inglaterra, França e Uruguai;
1998 – Campeã: França. Faltou: Uruguai;
2002 – Campeão: Brasil. Faltou: Holanda;
2006 – Campeã: Itália. Faltou: Uruguai;
2010 – Campeã: Espanha. Não faltou ninguém;
2014 – Campeã: Alemanha. Não faltou ninguém;
2018 – Campeão: ? Faltarão: Itália e Holanda.

Portanto, na última vez em que mais de uma seleção campeã mundial ficou fora de uma Copa, em 1994, o Brasil ganhou o tetra. E, antes disso, a Copa com mais integrantes do G9 ausentes havia sido a de 1970, que não teve Argentina, França, Espanha e Holanda – vale ressaltar que elas não eram exatamente potências, como hoje.

Considerando o momento da realização de cada Copa do Mundo, houve dez Mundiais (metade) com a presença de todos os países que já haviam sido campeões de alguma edição anterior. Houve três Mundiais em que dois campeões estavam ausentes. Em 1958, quando não jogaram Itália e Uruguai, e em 1978 e 1994, quando ficaram fora Inglaterra e Uruguai.

A Copa do ano que vem será a sétima da história em que um único campeão ficará assistindo em casa (no caso, a Itália). Nos outros Mundiais em que isso ocorreu, cinco vezes o ausente foi o Uruguai – 34, 38, 82, 98 e 2006 – e uma vez foi  a Inglaterra (74).

Alemanha, Argentina, França, Espanha e, logicamente, o Brasil, jamais ficaram fora de uma Copa depois de terem conquistado a taça pela primeira vez.

 


Espanha, Sérvia, Alemanha e Inglaterra estão com o pé na Copa-2018
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Julio Gomes

A rodada do fim de semana classificou a Bélgica para a Copa do Mundo, após a vitória por 2 a 1 na Grécia. Além da anfitriã, a Rússia, a seleção belga é a única europeia já confirmada.

Mas a rodada dupla deste início de setembro deixou também Espanha, Inglaterra, Alemanha e Sérvia com um pé (e uns dedinhos) na Copa do Mundo do ano que vem. Nas eliminatórias europeias, as seleções vencedoras dos nove grupos ganham vaga direta, e oito segundos colocados disputam quatro vagas no mata-mata.

A Espanha, depois da ótima partida de sábado contra a Itália, no duelo direto que, de fato, decidiu tudo, massacrou Liechtenstein nesta terça por 8 a 0. Foram quase 80% de posse de bola e gols de quase todo mundo: Morata e Aspas fizeram dois, Isco, Sergio Ramos, David Silva e Deulofeu, um cada. A Espanha vai virando “o time de Isco”, o que não é mau negócio.

Com 22 pontos, a Espanha mantém três de frente para a Itália, que ganhou de Israel por 1 a 0 com um gol de Immobile. Foi uma partida preguiçosa da Itália, que parecia desmotivada em campo. Melhorou no segundo tempo, mas não foi suficiente para ampliar o marcador.

A Espanha não deve tropeçar nem contra Albânia nem contra Israel e tem 17 gols a mais de saldo que a Itália. Pode até perder uma. Não vai acontecer, a vaga para a Roja virá em outubro. E a Itália que se vire na repescagem.

Em uma “final” pela vaga direta, a Sérvia foi a Dublin e conquistou uma vitória enorme sobre a Irlanda. 1 a 0, com gol de Kolarov, ex-Manchester City, hoje na Roma. A Sérvia jogou quase 30 minutos com um homem a menos e segurou o resultado.

Nos outros jogos do grupo D, a Áustria se despediu ao ficar com 1 a 1 com a Geórgia, e o País de Gales ganhou por 2 a 0 em Moldova. Agora, faltando duas rodadas, a Sérvia tem 18 pontos, Gales tem 14 e a Irlanda tem 13. Mas a vaga está nas mãos dos sérvios, que enfrentam as fracas Áustria (fora) e Geórgia (casa) nos últimos jogos.

Na última rodada, Gales e Irlanda se enfrentarão em Cardiff por uma vaga na repescagem. Talvez o empate sirva para Gales, talvez para ninguém (o pior segundo colocado fica fora).

Além de Espanha e Sérvia, outras duas seleções praticamente garantidas são Alemanha e Inglaterra, que venceram seus jogos na segunda-feira.

A Alemanha tem cinco pontos a mais que a Irlanda do Norte e, mesmo que perca o confronto direto entre elas, depois se despedirá em casa contra o Azerbaijão. Já deve se garantir na próxima rodada, mesmo jogando na Irlanda. Os norte-irlandeses vão para a repescagem.

A Inglaterra tem cinco pontos de vantagem para a Eslováquia e seis para Eslovênia e Escócia. Também pode até tropeçar uma vez, já que a Inglaterra pega a Lituânia na última rodada. As outras três seleções jogam por uma vaga na repescagem. A Escócia tem duelos diretos em casa contra a Eslováquia e fora contra a Eslovênia. Se não perderem na Escócia, os eslovacos têm tudo para ficarem com a vaga no mata-mata derradeiro.

Outras potências

Depois de perder na estreia para a Suíça, um ano atrás, Portugal, campeão europeu, fez sua parte. Ganhou todos os jogos. Mas a Suíça também. Na próxima rodada, em outubro, Portugal vai ganhar de Andorra e a Suíça, em casa, não deve perder da Hungria. Na última rodada, em 10 de outubro, Portugal recebe a Suíça. Se vencer, vai para a Copa e jogará os suíços para a repescagem. A Suíça jogará pelo empate para ir ao Mundial.

A outra finalista da última Euro, a França, perdeu a chance de se garantir ao empatar com Luxemburgo, domingo. Com 17 pontos, comanda um grupo que tem a Suécia com 16, Holanda com 13 e Bulgária com 12. Na próxima rodada, jogam Bulgária x França e Suécia e Holanda têm jogos fáceis. Na última rodada, a França recebe Belarus, enquanto a Holanda recebe a Suécia.

A tendência é a França ganhar o grupo e a Suécia ser segunda, por ter um saldo muito melhor que o da Holanda. Mas é um grupo em que está tudo aberto – graças ao tropeço inesperado dos franceses domingo.

Grupo embolados

O grupo I teve jogos fundamentais nesta terça. A Turquia sobreviveu ao vencer a Croácia por 1 a 0, e a Islândia, Cinderela da última Euro, fez 2 a 0 na Ucrânia.

Agora, Croácia e Islândia têm 16 pontos, Ucrânia e Turquia têm 14. As quatro tem um jogo tranquilo, contra os rivais mais fracos do grupo. E tudo será definido em dois confrontos diretos: na próxima rodada, Turquia x Islândia e, na última, Ucrânia x Croácia. Um empate servirá para a Croácia e, talvez, para a Islândia. A turcos e ucranianos, bastará uma vitória para garantir, pelo menos, repescagem. Vai pegar fogo.

No grupo E, a Polônia tem 19 pontos, Montenegro e Dinamarca têm 16. A Polônia tem tudo para ficar com a vaga, joga fora com a Armênia e em casa contra Montenegro. Na próxima rodada, se enfrentam Montenegro e Dinamarca – na última rodada, os dinamarqueses recebem a eliminada Romênia. O jogo de Montenegro é fundamental, e um empate é bom negócio para a Dinamarca.

Além de Bélgica, Espanha, Sérvia, Alemanha e Inglaterra, conseguirão vagas diretas possivelmente França, Polônia, Portugal ou Suíça e, vou arriscar, a Croácia.

A repescagem está se desenhando com Suécia, Portugal ou Suíça, Irlanda do Norte, País de Gales, Montenegro ou Dinamarca, Eslováquia, Itália, Grécia e Turquia ou Islândia. Um deles, de pior campanha, ficará fora. E os outros se matam-matam por quatro vagas.

 


O futebol da Holanda desapareceu
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Julio Gomes

Como esperado, a Holanda perdeu por 4 a 0 para a França e ficou em situação delicada nas eliminatórias europeias para a Copa do Mundo. Ainda depende só de si, porque a Bulgária fez o favor de vencer a Suécia por 3 a 2, em outro jogo do grupo A.

Mas a matemática parece ser o menor dos problemas da Holanda. Uma seleção que sete anos atrás perdia o título mundial na prorrogação, na África do Sul, e três anos atrás ficava fora da final da Copa do Mundo ao perder nos pênaltis para a Argentina, em Itaquera.

O problema maior da Holanda é ser uma seleção sem identidade, sem grandes jogadores, sem futebol. É um time ruim, simples assim. Robben é o único jogador de classe mundial e já não é mais menino. Perdeu um gol incrível quando a Holanda ainda caía por 1 a 0 e criou sua única chance de machucar a França.

Todos os problemas ficaram escancarados no Stade de France. A seleção da casa dominou o jogo do primeiro ao último minuto, controlou a posse, criou as chances, não foi ameaçada. É verdade que a Holanda ficou com dez em campo após uma expulsão injusta de Strootman, mas logo antes o árbitro havia perdoado um pênalti claro para a França.

A França, essa sim uma seleção renovada e com grandes perspectivas de futuro, ainda comemorou o primeiro gol de Mbappé, o quarto na goleada. Mbappé foi anunciado hoje e jogará ao lado de Neymar no PSG.

Em 2010, a Holanda chegou à final da Copa com um futebol feio, defensivo, que tinha pouco a ver com suas raízes. Era uma Holanda pragmática para conquistar o título que faltava, mesmo tendo Robben e, aí sim, Sneijder no auge.

Na Euro 2012, a Holanda foi eliminada na primeira fase com três derrotas. Era um sinal. Mas aí veio a campanha da Copa-2014, e a Holanda foi até a semifinal e deu uma marretada no Brasil na disputa do terceiro lugar. É bom lembrar que passou pela Costa Rica nos pênaltis nas quartas e sofrera contra o México nas oitavas. Não era um futebol maravilhoso.

Veio a não classificação para a Euro 2016. E, agora, tudo indica que virá a eliminação da Copa 2018. A seleção holandesa sofre junto com seu futebol.

Está aí a Bélgica, um país vizinho, com menos tradição, para provar que trabalho de base bem feito dá resultado. A Holanda ficou muito para trás na Europa e agora terá de remar para ser competitiva de novo.

Se vencer a Grécia no domingo, a Bélgica estará classificada para a Copa com duas rodadas de antecipação. Se empatar, não terá a vaga na matemática, mas na prática, pois tem um saldo de gols monstruoso – hoje meteu 9 a 0 em Gibraltar, com gols de Lukaku, Hazard, Mertens, Witsel… todos jogadores caros. Quantos jogadores holandeses movimentaram o mercado de verão mais inflacionado da história?

A conta para a Holanda é a seguinte. No grupo A, a França lidera com 16 pontos e conseguirá a vaga direta na Copa. O segundo lugar vai ter de brigar na repescagem. A Suécia tem 13 pontos e saldo de +7, a Bulgária tem 12 pontos e saldo de -2, a Holanda tem 10 pontos e saldo de +3.

No domingo, a Holanda recebe a Bulgária e tem de vencer para ultrapassá-la. Depois, em outubro, joga em Belarus também precisando ganhar. A Suécia, por sua vez, joga fora com Belarus no domingo e, depois, em casa contra Luxemburgo. Na última rodada, em 10 de outubro, a Holanda recebe a Suécia em Amsterdã.

Portanto, a matemática é vencer os três jogos restantes e, caso a Suécia vença os dois próximos dela, tentar ficar à frente no saldo de gols para ser segunda do grupo.

Mas, como eu já disse, a matemática é o menor dos problemas da Holanda. Uma pena.

 


Argentina, França e cinco potências locais jogam contra a parede
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Julio Gomes

As eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 terão dias cheios e decisivos entre amanhã, quinta, e terça-feira que vem. Por enquanto, só Rússia, Brasil e Irã estão garantidos, mas todos os continentes podem ter mais classificados saindo nos próximos dias.

Chama a atenção, no entanto, que algumas potências mundiais, como França e Argentina, e outras locais, como Japão, Coreia do Sul, Camarões, Gana e até Estados Unidos jogarão contra a parede. Precisam dos resultados, sob pena de ficarem fora do Mundial ou caírem em perigosas repescagens. Destas, as duas africanas são as que vivem situação mais dramática.

O blog separou alguns jogos nos quais todos precisamos ficar de olho:

AMÉRICA DO SUL – Uruguai x Argentina (quinta, 20h)

Com o risco de ficar fora da Copa, em uma competição tão parelha como as eliminatórias sul-americanas, a Argentina trocou Bauza por Sampaoli. Essa é a esperança. Que o novo técnico encontre química com os jogadores e faça o time produzir o que ele pode.

Na América do Sul, são quatro vagas, mas o quinto é virtual classificado, pois enfrentará uma seleção da Oceania (a Nova Zelândia, possivelmente) na repescagem. O Brasil está garantido, e depois está um bolo só: Colômbia (24 pontos), Uruguai e Chile (23) seriam os classificados hoje; a Argentina (22) iria pra repescagem; mas não podemos descartar Equador (20), Peru (18) e Paraguai (18).

Faltam quatro rodadas. Se perder do Uruguai, a Argentina precisará vencer Venezuela e Peru em casa e muito provavelmente decidirá seu futuro contra o Equador, na altitude, na última rodada.

Para o Uruguai, que começou tão bem, não seria bom perder. Mas tampouco seria dramático. Pois os últimos jogos são contra Paraguai e Venezuela fora, e depois Bolívia em casa. Olhando para a tabela, é provável que Colômbia, Chile e Uruguai não fiquem fora das cinco primeiras posições.

A chave para a Argentina é evitar um confronto de tudo ou nada na altitude. E, para isso, precisa somar alguma coisa no Centenário. Com toda a rivalidade envolvida e a necessidade de ambos, este é o jogo mais imperdível de todos.

EUROPA – França x Holanda (quinta, 15h45)

A França é tida como uma das candidatas ao título mundial. Mas, antes, precisa chegar na Copa. E o caminho ficou tortuoso após a inesperada derrota para a Suécia, em junho, com a falha de Lloris no final. O grupo A das eliminatórias europeias tem Suécia e França com 13 pontos, Holanda com 10 e Bulgária com 9.

Nesta quinta, jogam França x Holanda e Bulgária x Suécia. Depois disso, faltarão três jogos para cada. Apesar do favoritismo, a França pode perder em casa para Holanda e se complicar de verdade. Um empate já seria ruim, pois pode deixar a Suécia com o comando em busca da vaga direta (o segundo do grupo vai ter de jogar repescagem).

Nos outros grupos, destaco um Hungria x Portugal, no domingo. Portugal está contra a parede desde que perdeu da Suíça na primeira rodada e não pode tropeçar. Alemanha, Bélgica e Polônia podem já se classificar nessa dobradinha de jogos, mas pode ser que isso só aconteça nas duas últimas rodadas, em outubro.

E no sábado, 15h45, tem um Espanha x Itália enorme. As duas lideram o grupo G com 16 pontos, mas a Espanha tem um saldo melhor. Não há muita expectativa de tropeço para ambas nas três rodadas finais. É um jogo em que basicamente quem vencer irá para a Copa, jogando a outra para a repescagem. Um empate é melhor para a Espanha, porque tem mais saldo e mais facilidade para golear, mas não seria um fim do mundo para os italianos, ainda mais jogando fora de casa.

ÁSIA – Japão x Austrália (quinta, 7h30)

Se vencer, o Japão estará classificado para a Copa com uma rodada de antecipação. Seria a quarta seleção com passaporte carimbado e deixaria para a Austrália a responsabilidade de golear a Tailândia na última rodada do grupo A asiático (terça) para ficar à frente da Arábia Saudita e entrar também.

O problema para o Japão é se não vencer a Austrália nesta quinta, e este é um resultado para lá de plausível. Neste caso, faria um confronto direto com os sauditas, fora de casa, no último jogo, terça que vem. Um empate bastaria para os japoneses, mas uma derrota deixaria a Arábia na Copa e jogaria o Japão para duas repescagens – a primeira contra um asiático (possivelmente o Uzbequistão, mas podendo ser a Coreia do Sul) e a segunda contra um representante da Concacaf.

A última vez que o Japão ficou fora de uma Copa foi a de 94, quando tomou um gol do Iraque no último minuto do último jogo das eliminatórias. A última vez que precisou passar por uma repescagem para garantir a vaga foi para a Copa de 98, ganhando justamente do Iraque na prorrogação.

Aquele Mundial de 98 foi o primeiro da história do futebol japonês e, de lá para cá, sempre se classificou sem o drama que pode viver nestes próximos dias. Amanhã cedo, é vaga ou tensão.

Já a Coreia do Sul, que jogou oito Copas seguidas (de 1986 para cá), pode até se classificar na próxima rodada. Para isso, precisa vencer o já garantido Irã (9h desta quinta) e torcer por uma derrota do Uzbequistão na China. O mais provável, no entanto, é que o duelo direto entre Uzbequistão e Coreia do Sul, na outra terça, defina quem entra na Copa e quem vai pra repescagem.

Podemos ter, portanto, um inesperado confronto entre Japão e Coreia na repescagem asiática, se as duas potências continentais não fizerem o que se espera delas nestas últimas duas rodadas.

ÁFRICA – Nigéria x Camarões (sexta, 13h)

As eliminatórias africanas têm um “grupo da morte” reunindo Nigéria (6 pontos), Camarões (2) e Argélia (1), três seleções que estiveram na Copa de 2014. Só uma delas irá à Rússia ano que vem.

Camarões, que em janeiro sagrou-se campeã continental, é a seleção africana com mais presenças em Mundiais – foram sete de nove desde a Copa de 82. A Nigéria vem logo atrás, com cinco participações (sempre presente desde 94, exceto na Copa de 2006).

As duas potências continentais se enfrentam nesta sexta, na Nigéria, e depois segunda-feira, em Camarões. A seleção camaronesa precisa, no mínimo, de quatro pontos nestes confrontos diretos para se manter com vida. Se vencer uma das duas partidas, a Nigéria encaminha a vaga.

Outra seleção tradicional contra as cordas é Gana, que esteve nos últimos três Mundiais e foi quadrifinalista em 2010. Após duas rodadas do grupo E, Gana tem só um ponto, contra seis do Egito e quatro de Uganda.

A última vez que o Egito esteve em uma Copa foi em 1990, apesar de desde então ter vencido quatro vezes a Copa Africana das Nações (é o maior campeão, com sete títulos, seguido de Camarões, com cinco, e Gana, com quatro).

Nesta quinta (16h), jogam Uganda x Egito. Na sexta (12h30), Gana recebe o Congo. Na terça, os jogos se repetem, com mandos invertidos. Gana, para sobreviver, precisa ganhar seus dois jogos e torcer para o Egito não fazer mais do que três pontos nos duelos contra a seleção de Uganda.

 

A Tunísia, fora das últimas duas Copas, enfrenta a República Democrática do Congo, que quando se chamava Zaire jogou o Mundial de 74. Sexta o duelo é na Tunísia, terça no Congo. Ambas têm seis pontos e, se alguém ganhar os dois duelos ou fizer quatro pontos neles, ficará com um pé na Copa-2018.

 

CONCACAF – EUA x Costa Rica (sexta, 19h)

Os Estados Unidos estão na terceira posição, com só 8 pontos. O México tem 14 e deve se garantir com três rodadas de antecipação se vencer o Panamá (7 pontos), também na sexta à noite. A Costa Rica vem logo atrás, com 11. O quarto colocado do hexagonal precisará jogar repescagem com uma seleção asiática.

Os EUA levaram um sonoro 4 a 0 da Costa Rica menos de um ano atrás e não estão em posição tão confortável assim. Se perderem em casa, na sexta, estarão contra a parede no duelo com Honduras, fora de casa, terça-feira. Os norte-americanos se classificaram para os últimos sete Mundiais. Honduras esteve nos últimos dois, e o Panamá busca classificação inédita.

 

 


A um ano da Copa, França parece ser o maior obstáculo para a seleção
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Julio Gomes

Vamos começar pelo fim? Assim ninguém se dá ao trabalho de malhar o analista nos comentários. Sim, eu sei que a Copa do Mundo é uma competição rápida e que em um jogo qualquer coisa pode acontecer. Nos dias de hoje ainda mais, pois há muito equilíbrio entre times e seleções no futebol globalizado e da velocidade da informação. Não há segredos. Há padrões. Zebras acontecerão cada vez mais em competições internacionais curtas. Times organizados ganham jogos.

Dito tudo isso, não quero me furtar de tentar prever o futuro com base no presente, no passado e nas próprias perspectivas de futuro. Hoje, considero a seleção brasileira a mais forte do mundo. E, entre as europeias, a França, e não a Alemanha ou a Espanha ou a Itália, é quem promete ser o maior obstáculo para o hexa.

Brasil e França podem perder de QUALQUER UM. Isso é óbvio. Não ficarei aqui colocando o óbvio como “porém” ao analisar seleções e seus momentos. A Alemanha era a melhor seleção do mundo em 2014, disparado. E quase tropeçou na Argélia. Acontece. É uma questão de encaixe, seleções que tentam se dar bem na fraqueza alheia. Muitas vezes funciona.

Em 20 jogos contra aquela Alemanha, aquela Argélia ganharia um. Quase foi na Copa. Mas não podemos ignorar a superioridade alemã e nos escorar no “não tem favorito” para analisar e prognosticar um jogo de futebol. Claro que tinha e claro que tem.

O que faz da seleção brasileira tão forte? Uma série de fatores que simplesmente se encaixaram com a chegada de Tite. Ótimo treinador, antenado e atualizado com métodos e formações do futebol atual, ótimos jogadores em todas as posições, jogadores que compraram a ideia do técnico e rapidamente adotaram um estilo de jogo coletivo e participativo, muito uso de informações, estatísticas, vídeos, etc. Tudo isso em uma das camisas mais poderosas da história do futebol.

A França, já não é de agora, montou uma seleção muito boa e também tem um técnico competente, Deschamps, que conseguiu unir jogadores historicamente divididos. Uma seleção que viu dois jogadores promissores ganharem status de estrelas mundiais em Pogba e Griezmann.

A França parou na Copa do Mundo de 2014 na Alemanha, como era de se esperar. Mas superou a mesma Alemanha ano passado, na Eurocopa. Realmente faltou vencer Portugal (sem Cristiano Ronaldo desde o início do jogo) na decisão. E este é um ponto negativo que não pode ser deixado de lado. Que time é esse que perde um Europeu em casa, daquele jeito?

Mas algumas coisas aconteceram nesta temporada, que acabou oficialmente com estas partidas de seleções.

Algumas coisas tipo o Monaco, campeão francês e semifinalista da Champions.

Mbappé, já comparado com Henry, é um fator X nesta seleção francesa. Um jogador em claras condições de explodir rumo à estratosfera nesta temporada que vem e que mostrou um pouco disso no amistoso desta quarta-feira, na vitória sobre a Inglaterra (3 a 2 mesmo com um jogador a menos).

Mbappé é o que Neymar poderia ter sido na Copa de 2010, por exemplo. Um jogador muito jovem, de apenas 18 anos, que foi convocado pela primeira vez em março e que traz para um bom time aquele algo mais. Coragem, talento, velocidade, capacidade de desmontar esquemas.

Mas tem mais além dele. A temporada brutal do Monaco deu a Deschamps jogadores muito confiantes em Lemar, Sidibé e Mendy. Além deles, surgiu também Dembélé, que explodiu com a camisa do Borussia Dortmund (na foto acima, abraçado a Mbappé). Nenhum destes estava na Euro, um ano atrás.

Lloris, que era apenas um bom goleiro, ganhou status de um dos melhores do mundo com a número 1 do Tottenham. Descarte a besteira que ele fez no fim de semana contra a Suécia, pelas eliminatórias. E Kanté, depois da temporada brilhante no Leicester, foi para o Chelsea e transformou-se no melhor jogador da Premier League. É o Makelele 2.0. E ainda tem a dupla de zaga, Umtiti e Varane, mais do que consolidados e aprovados após esta temporada, titulares de Barcelona e Real Madrid, respectivamente.

Enfim. Uma França que já era forte na Copa de 2014 e na Euro de 2016, ganhou um punhado de jogadores que podem dar “algo a mais” no ano que vem. É uma claríssima candidata.

Imaginem um confronto entre Brasil e França na Copa? Daria calafrios, não é mesmo? Depois de 1986, 1998 e 2006, pode até haver um bloqueio pelo histórico. Convenhamos, o Brasil já entra ganhando contra um monte de seleções. Justamente pelo medo que impõe. Não contra a França. Com medo, eles não jogarão.

Mas e as outras seleções?

Temos muito tempo para dissecá-las. A Alemanha cumpriu um ciclo em 2014. Era uma seleção montada, que bateu na trave nas Euros de 2008 e 12, além da Copa de 2010. Desde o tetra, perdeu Lahm, Schweinsteiger, Goetze não explodiu, Draxler ainda é mais promessa que realidade. É uma seleção fortíssima, sem dúvida. É a campeã e é a Alemanha, oras bolas. Tem Neuer. Tem Kroos. Mas ainda passa por uma transição e hoje é menos forte do que era.

A Espanha está na mesma. Tem ótimos talentos. Jogadores pedindo passagem, como Isco e Asensio, um camisa 9 de muito respeito em Diego Costa, goleiraço, ótima dupla de zaga. Maaaaaas. Ainda não encaixou com Julen Lopetegui. O ciclo novo foi sendo adiado, demorou para começar e não sei se conseguirá encontrar a química necessária antes do Mundial.

A Itália tem mais camisa e sangue vencedor do que propriamente um time. A Bélgica, exatamente o contrário. Tem time, um baita time, mas falta aquela competitividade necessária para ganhar a Copa. A Argentina tem craques do meio para frente, muitos problemas atrás, mas ganhou um treinador fantástico em Sampaoli.

Todas estas podem ganhar a Copa. Até o México de Osorio pode ganhar a Copa! Até Portugal. Até a Croácia. Até o Uruguai. É mata-mata (ou melhor, só “mata”) e hoje há um equilíbrio brutal no futebol.

Mas, neste momento, a um ano do Mundial, ninguém parece mais pronto e com mais poder de fogo do que o Brasil e seu eterno nêmesis: a França.

 


Portugal e França, finalistas da Euro, têm péssimo início rumo à Copa
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Julio Gomes

Os jogos da terça-feira encerraram a primeira rodada das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Das chamadas “potências”, Portugal e França, curiosamente as finalistas da última Euro, foram as que tiveram resultados preocupantes.

Não subestimemos o fato de ser apenas a primeira rodada. São 13 vagas para o Mundial, só passam de forma direta os vencedores dos nove grupos. Os segundos colocados terão de rebolar em uma repescagem com mata-mata no fim do ano que vem.

Portugal perdeu para a Suíça por 2 a 0, na Basileia. Este era um tropeço previsível até, como eu apontava no post do último domingo, fazendo uma análise geral das eliminatórias europeias.

Previsível, mas preocupante. É um grupo sem adversários capazes de desafiar suíços ou portugueses, e a vitória em casa é fundamental para deixar a Suíça em vantagem na busca pela vaga direta para a Copa.

Sem Cristiano Ronaldo, Portugal fez ótimos 20 minutos no primeiro tempo. Dominou completamente o jogo e parecia jogar em casa, até porque era forte a presença dos torcedores lusos nas arquibancadas – a Suíça é dos países europeus que mais recebeu imigrantes portugueses ao longo das últimas décadas. Apertou, teve chances e parecia carregar o momento após o título sonhado da Eurocopa, em junho.

Mas aí um erro besta de saída de bola, primeiro em um passe errado de Raphael Guerreiro, depois um de Nani, acabou em falta perigosa para a Suíça. No rebote da bola parada, saiu o primeiro gol, de Embolo. Portugal entrou em pane e levou o segundo gol logo depois, contra ataque e belo chute colocado de Mehmedi. Apesar de ter dominado o segundo tempo, faltou “punch” a Portugal, faltou Cristiano Ronaldo. O bom sistema defensivo suíço segurou as pontas sem muitos sustos.

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Não foi um mau jogo de Portugal. Mas o resultado é péssimo, muito pior do que o futebol apresentando pelo time de Fernando Santos. O futebol é mesmo muito dinâmico. Em um dia, campeão pela primeira vez. No outro, contra a parede para ir ao Mundial.

Menos mal para Portugal que a Hungria, que talvez pudesse entrar nessa briga no grupo, ficou no 0 a 0 contra Ilhas Faroe. É mesmo um grupo de dois, que continua em outubro. Portugal recebe Andorra e vai às Ilhas Faroe com a obrigação de conseguir duas goleadas. E torce para a Suíça tropeçar contra Hungria, fora de casa, no único jogo complicado para os suíços nesse grupo.

Nas eliminatórias para a Euro-2016, Portugal começou perdendo em casa da Albânia e jogou o resto das partidas contra a parede. Sim, ganhou as sete. Mas duas delas, contra a Dinamarca e a própria Albânia, com gols nos acréscimos. Foi muito mais dramático do que a tabela indica.

O próximo confronto direto entre Portugal e Suíça só acontecerá na última rodada das eliminatórias, em 10 de outubro de 2017, e caberá aos campeões europeus chegar a este jogo dependendo de uma vitória simples para fugir da repescagem. Para isso, não há mais margem para erro.

Tropeço francês

A vice-campeã europeia empatou um desses jogos que não pode empatar. 0 a 0 com Belarus, fora de casa. Nos outros jogos do grupo A, empate por 1 a 1 entre Suécia e Holanda e vitória de 4 a 3 da Bulgária sobre Luxemburgo.

Este é um dos grupos complicados das eliminatórias. A Suécia, sem Ibrahimovic e com um time bem “medião”, não deveria ameaçar França ou Holanda, que disputariam vaga direta. Mas é bom lembrar que a Holanda ficou fora da última Euro, acabando a eliminatória atrás de República Tcheca, Islândia e Turquia. O equilíbrio é total.

A Holanda é uma seleção renovada e com Danny Blind, um técnico sem currículo extenso, no comando. Para a Laranja, a rodada foi ótima. Empatou na Suécia e viu a França tropeçar. No dia 10 de outubro, as duas forças do grupo se enfrentam em Amsterdã. Se a Holanda ganhar, e considerando que a Suécia deve passar pela Bulgária, a França pode ficar precocemente (e surpreendentemente) contra as cordas nas eliminatórias.

Outras forças

No grupo H, o outro com jogos nesta terça-feira, a Bélgica fez sua parte e meteu 3 a 0 no Chipre, fora de casa, dois gols de Lukaku e um de Carrasco. Encontrar intensidade e competitividade é a grande chave para a tal geração belga alçar voos mais altos. Jogadores não faltam. O grupo teve também Bósnia-Herzegovina 5 x 0 Estônia e Gibraltar 1 x 4 Grécia. Não dá para imaginar que bósnios ou gregos ameacem a vaga direta da Bélgica na Copa.

Nos dias anteriores, os favoritos fizeram sua parte.

No grupo C, domingo, a Alemanha começou fazendo 3 a 0 na Noruega e mostrando força. No grupo F, a Inglaterra fez 1 a 0 na Eslováquia no finalzinho. Falei aqui sobre estes dois jogos.

Na segunda-feira, a Itália sofreu, mas, mesmo com um a menos, ganhou de Israel por 3 a 1 fora de casa. E a Espanha passou, com 8 a 0 sobre Liechtenstein. O clássico entre Itália e Espanha, em Turim, no dia 6 de outubro, é o grande jogo da próxima rodada das eliminatórias europeias.

À parte a derrota de Portugal e o tropeço francês, outros favoritos que deixaram a desejar na rodada: a Croácia, favorita no grupo I, que empatou por 1 a 1 em casa com a Turquia; e a Polônia, favorita no grupo E, que ficou no 2 a 2 no Cazaquistão. Já País de Gales, com direito a gol de Bale (para variar), fez 4 a 0 em Moldova, lidera o grupo D e sonha em voltar a uma Copa após 60 anos. A chance é boa.

 

Clique aqui para ver a página do UOL Esporte com todos os resultados e tabela completa das eliminatórias europeias.

Segunda e terceira rodadas de todos os grupos serão disputadas entre 6 e 11 de outubro. Destaques para Itália x Espanha (6/10), Bélgica x Bósnia (7/10), Holanda x França (10/10), Alemanha x República Tcheca (8/10), Áustria x Gales (6/10), Polônia x Dinamarca (8/10) – são os jogos com mais implicações em termos de classificação – e Kosovo x Croácia (6/10), o primeiro jogo de Kosovo em casa em competições oficiais (a partida será na Albânia).


Favoritos sofreram e sofrerão na Copa nivelada por cima
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UOL Esporte

Os grandes sobreviveram às oitavas de final desta grande Copa do Mundo. Sobreviveram. Brasil, Argentina e Alemanha sofreram mais do que muitos esperavam. Não foi surpresa para eles, no entanto.

É um jogão atrás do outro! Quatro dias de coração na boca e será assim nos oito jogos que faltam.

Para os “gigantes”, foram sofrimentos distintos em circunstâncias distintas de jogo.

Não é uma boa leitura minimizar as dificuldades enfrentadas pelo Brasil só porque outros também sofreram.

Muita gente andou falando no Twitter coisas do tipo “o Brasil sofreu contra o Chile, mas olha só os outros sofrendo contra times piores”.

“Pior” e “melhor” é muito relativo. Se olharmos o ranking da Fifa, por exemplo, pouquíssimos são “melhores” que a Suíça, que era cabeça de chave do grupo dela.
A Suíça jogou um futebol extremamente negativo. Nunca quis ganhar o jogo, o plano foi sempre embaralhar a entrada da área, congestionar o campo e esperar pelos pênaltis.

Tiveram um par de contra ataques no primeiro tempo e nada mais do que isso. A lição de casa era copiar o que fez o Irã e não permitir os espaços que a Argentina tinha tido contra a Nigéria.

É definitivamente uma boa estratégia para enfrentar a Argentina, que joga de modo muito estático. Messi está parado, quer bola no pé e, quando ela chega, rapidamente uma marcação dobrada (muitas vezes até triplicada) era imposta pelos suíços.

O outro rompedor de defesas é Di María, que fez um mal jogo, tomando muitas decisões equivocadas. Virou o herói no final, mas estamos falando aqui dos 118 minutos anteriores.

A Suíça tem poder de fogo, no entanto. E poderia ter pelo menos tentado ganhar o jogo. Pagou por ter abdicado do futebol, uma punição justa a quem decidiu fazer um jogo negativo.

Brasil, Alemanha, qualquer um teria sofrido contra a Suíça. É sempre difícil jogar contra linhas sólidas, juntas e envolvendo os dez atletas de linha.

A Argélia fez algo bastante diferente contra a Alemanha. Além de marcar muito, tentou ganhar o jogo de forma inteligentíssima. Correndo para cima de uma zaga lenta, pelo meio, apostando realmente em fazer dano dessa maneira.

É o ponto fraco alemão e quase a maior zebra da Copa apareceu.

No Brasil, temos a mania de ignorar e desprezar times médios e pequenos europeus. São ridicularizadas por muita gente que quer “provar” que as ligas domésticas europeias são ruins por terem “apenas dois ou três times bons”.

Os argelinos, espalhados pelos Sportings e Getafes da vida, mostraram não só qualidade, mas muita inteligência tática. Não foi o antijogo suíço, foi algo muito mais ousado, sofisticado e digno de aplausos.

O Brasil possivelmente teria tanto trabalho quanto contra a Suíça e bastante menos contra a Argélia. Com laterais e zagueiros mais rápidos que os alemães, as ameaças seriam menores.

Já a Alemanha possivelmente teria tido menos trabalho contra o Chile. Porque gosta da bola, não permitiria que os chilenos dominassem a posse e fizessem o jogo como quisessem. Além, claro, de serem brilhantes em bolas aéreas – o grande defeito defensivo do Chile.

Que o futebol não tem mais bobo é algo que todos deveriam saber faz tempo, ainda que muita gente siga achando que camisas ganham jogos. O futebol evoluiu, é global, esses caras jogam em grandes ligas europeias.

Foram sofrimentos diferentes e esperados. Que não falam tão mal de Brasil, Alemanha e Argentina, mas, sim, bem de seus adversários e do nível atingido no futebol global.

Zebra mesmo será se o Brasil não sofrer contra a Colômbia. A Alemanha, contra a França (aliás, mal vejo um favorito aqui). A Holanda, contra a brava Costa Rica, convidada de honra desta grande festa. E se a Argentina não passar apuros contra a Bélgica também.

(Aliás, Colômbia e Bélgica prometiam. E cumpriram. O que vier a partir de agora é lucro e histórico).

É zebra se os favoritos não sofrerem. Não é zebra alguma se perderem.

Não é uma Copa nivelada por baixo, daí o equilíbrio. Muito pelo contrário. Estamos vendo qualidade, velocidade e gols. Times abertos, buscando a vitória. Não dá para pedir muito mais.


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