Blog do Júlio Gomes

Lukaku não entrou no jogo, solidez francesa fez diferença

Julio Gomes

Foi o jogo equilibrado que se esperava, decidido no detalhe da bola parada. A Bélgica foi bastante superior à França no primeiro tempo e criou pelo menos três claríssimas de gol, em grande noite de Hazard.

Com uma linha de quatro atrás, com Chadli, um meia, jogando como lateral, a Bélgica conseguiu se manter segura atrás, ter a posse de bola e criar chances.

A bola teimou em não entrar.

O segundo tempo já começa com o gol da França, no escanteio. Foi o grande problema da Bélgica na Copa do Mundo. O Brasil teve, assim, sua chance para abrir o placar e mudar a história das quartas de final. Não aproveitou. A França aproveitou.

E já sabemos que, com este nível de equilíbrio, marcar primeiro é muito mais do que meio caminho andado.

A grande chave do jogo foi Lukaku não ter entrado em campo. Tanto no primeiro quanto no segundo tempos, o gol passou na frente de Lukaku. Mas o centroavante, tão bem contra o Brasil, parecia aéreo nesta terça.

Curiosamente, no dia antes da semifinal, o técnico Roberto Martínez havia dito que tirou Lukaku da posição centralizada contra o Brasil para que ele não sofresse entre os zagueiros. Hoje, voltou a deixar o camisa 9 pelo meio. E ele sumiu entre Varane e Umtiti.

Quando alguns atacantes não vivem sua noite, viram peso morto para o time. Hoje, não foi a noite de Lukaku.

A grande mudança da França promissora de 2014 e derrotada na Euro de 2016 foi a defesa. Da linha de trás, só Umtiti começou a decisão europeia dois anos atrás.

Fora o jogo louco contra a Argentina, a França só levou um gol nas outras cinco partidas. É sólida, cede poucas chances. Kanté é um motor, imparável. O time só cometeu SEIS faltas para ganhar da Bélgica.

Deschamps se livrou de uns trastes, arrumou laterais jovens e bons, ganhou Mbappé de presente e foi corajoso na convocação.

Antes da Copa começar, eu colocava Brasil e França na prateleira de cima. Um, decepcionou. A outra está onde deveria estar. Nos últimos 20 anos, a terceira final francesa em seis Copas do Mundo.