Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Campeonato Francês

Neymar comanda PSG às vésperas do que realmente importa
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Julio Gomes

O Paris Saint-Germain não deveria ter colocado Neymar para jogar hoje. Começando a rodada da Ligue 1 com mais de 10 pontos de vantagem para a concorrência, o PSG já sabe que reconquistará a coroa francesa. Ganhar ou perder do Toulouse, um time a um ponto da zona de rebaixamento, não faria diferença alguma.

Cavani e Thiago Silva foram poupados. Neymar, não. E, não fosse ele, o PSG, de fato, talvez tivesse tropeçado em Toulouse. Além de ter feito o único gol do jogo, Neymar chamou para si a responsabilidade de ganhar a partida.

Chamou da maneira correta. Jogando, encarando quando tem que encarar, distribuindo o jogo, desmontando a defesa rival. Sem chiliques, sem humilhações, sem esfomear. Foi um jogo trivial para um craque, como ele é. Este é o Neymar que eu, particularmente, gosto de ver.

OK, o PSG ganhou mais uma na França. Mas todos sabem o que realmente importa. É a Liga dos Campeões, é o confronto contra o atual bicampeão da Europa e maior vencedor da competição. Quarta-feira tem Real Madrid x PSG, partida de ida das oitavas de final.

O duelo entre quem é e quem quer ser.

É ano de Copa de Mundo. Haverá muitos “jogos do ano” até 31 de dezembro. Este é o primeiro deles. É o jogo do ano, é o jogo que o mundo vai parar para ver.

No ano passado, ainda sem Neymar e Mbappé, o PSG enfiou 4 a 0 no Barcelona nesta mesma fase. Para depois levar 6 a 1 na volta, obra da maior atuação de Neymar com a camisa do Barça e, claro, obra também do árbitro, que foi decisivo para a goleada histórica.

Portanto, qualquer que seja o resultado de Madri, ele não será definitivo. Ainda haverá a volta, em Paris. Mas, convenhamos, o primeiro jogo é muito mais do que meio caminho.

O PSG chega a essa partida tendo passado por poucos desafios reais na temporada. Passeia na França, com 21 vitórias em 25 jogos, média de 3 gols por partida. Já está na final da Copa da Liga e vivo na Copa da França – fatalmente, fará o triplete doméstico. Quando enfrentou o Bayern na fase de grupos da Champions, ganhou com autoridade em Paris, mas sofreu uma derrota dura em Munique.

Quer queira quer não, há uma grande interrogação sobre o PSG antes deste que é O jogo. O time é fantástico, as peças estão lá e Neymar voa na temporada. Mas esta é a hora H, e na hora H alguns crescem, outros somem.

Importante dizer que as interrogações também rondam o Real Madrid. Já sem chances de título na Espanha e eliminado vexatoriamente da Copa do Rei – por um time minúsculo e em casa. O Real não convence ninguém e já deu vários papelões na temporada. Mas quem duvida desses caras?

Assim como no momento do sorteio, o PSG vive melhor momento. É ligeiro favorito, segundo as casas de apostas. Mas quem quiser arriscar, que arrisque. Há muito tempo não temos um confronto tão 50-50 como este da Champions. Chega logo, quarta-feira!

 


Lesão de Mbappé deixa Neymar ainda mais em evidência
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Julio Gomes

Neymar e Mbappé chegaram juntos ao PSG, as maiores transferências da história. Presente e futuro, para elevar o nome do time e para levar Paris ao topo da Europa.

É claro que são jogadores com peso diferente. Neymar, seis anos mais velho, é um postulante a melhor do mundo agora. Mbappé, daqui a alguns anos.

Mas o fato é que o garoto vinha tendo impacto imediato nesta temporada. Foi titular em todos os jogos importantes do PSG (não podemos nos enganar com algumas esquentadas de banco em partidas menores) e mostrou grande conexão com Neymar e Cavani. É um jogador, além de talentoso e com faro de gol, com grande leitura de jogo. Posicionamento e tomadas de decisões quase sempre perfeitos.

A lesão que tira Mbappé dos gramados por dois meses fará com que o PSG jogue sem ele contra o Real Madrid, pelas oitavas da Champions League.

Mais um peso nas costas de Neymar, já não bastasse toda a responsabilidade que o melhor jogador brasileiro da década leva em suas costas.

É evidente que uma eventual eliminação para o Real fará todas as câmeras apontarem para Neymar. Mas não era tão evidente que passar desta eliminatória dependesse 110% de grande atuações coletivas e individuais de Neymar. Agora, é.

Mbappé tinha tudo para ser um nome próprio desta eliminatória. Quase contratado pelo Real no verão, com sede de mostrar serviço. E podendo aproveitar uma situação de mais liberdade de jogo, dada a atenção especial que Zidane dará a Neymar.

O PSG tem vários jogadores de alto nível para substituir Mbappé, como Di María ou Draexler. Mas ninguém mete medo como o garotão francês. Casemiro ficará muito mais tranquilo para caçar Neymar pelo campo. Muitas vezes esses jogadores coadjuvantes salvam a pele do protagonista ou mesmo fazem um trabalho que permita à estrela maior brilhar ainda mais.

Neymar perde um grande parceiro para os confrontos contra o Real. Talvez seu melhor parceiro, certamente o mais brilhante. A batata em seu colo esquenta ainda mais.

 


Sábado perfeito para Barcelona, PSG e outros líderes das ligas europeias
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Julio Gomes

A rodada da Liga dos Campeões da Europa, semana que vem, gerou um super sábado no retorno dos campeonatos europeus, com praticamente todas as grandes forças do continente em ação.

O dia começou com um dérbi londrino, teve um romano durante a tarde e acabou com um dérbi madrilenho. Nenhuma zebra apareceu, o que é raro após as paradas para jogos de seleções (que geram perda de ritmo, lesionados, etc). Manchester City, Barcelona, Bayern de Munique, PSG e Napoli tiveram vitórias importantes e estão mais do que consolidados na liderança das cinco principais ligas.

City e Barcelona ganharam 11 de 12 jogos, enquanto PSG e Napoli ganharam 11 de 13. Estão invictos.

Espanha

O Barça, sem muitos problemas, passou pelo fraco Leganés, com dois gols de Suárez, quebrando uma seca incômoda, e um de Paulinho, que havia entrado no segundo tempo. A impressão é que o titular da seleção faz gol em todos os jogos do Barça! Já são quatro na Liga.

O Barcelona é, na visão deste blog e de acordo com as previsões feitas antes do início da temporada, a grande surpresa. São 11 vitórias e 1 empate em 12 jogos, uma campanha impressionante que nem os melhores Barças de anos atrás conseguiram.

Com 34 pontos, o Barça tem como perseguidor mais próximo o surpreendente Valencia, que tem 27 pontos e pode chegar a 30 se vencer o Espanyol, neste domingo. No fim de semana que vem tem Valencia x Barcelona, e Piqué desfalcará o time catalão.

Real Madrid e Atlético de Madri fizeram um dérbi muito intenso, bem jogado, mas não saíram do 0 a 0 no lindo estádio Wanda Metropolitano, que recebeu o primeiro clássico da cidade. Os dois já estão dez pontos atrás do líder.

Desde a inauguração do estádio, o Atlético ganhou as duas primeiras e depois colecionou uma derrota e, agora, quatro empates seguidos. Os resultados na nova casa estão sendo tão ruins que o time já está virtualmente eliminado na Champions League e ficou para trás no Espanhol. Está invicto na Liga, mas são seis vitórias e sete (muitos) empates.

O Real Madrid, bicampeão europeu, é inegavelmente uma das decepções da temporada. O time não demonstra a mesma fome e muito menos a mesma bola, fala-se em uma crise de relacionamento entre Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo e parece claro que o elenco está mais fraco – o que permite menos alternativas a Zidane.

O Real teve algumas chances contra o Atlético, até poderia ter vencido pelo segundo tempo que fez. Mas não foi um time com a urgência da vitória, como se esperava. Como tirar dez pontos de desvantagem para o Barcelona, em uma liga desequilibrada como a espanhola?

Itália

O Napoli parece decidido a ganhar seu primeiro título desde 1990, quando era o time de Maradona. No clássico que fechou o sábado, fez 2 a 0 em cima do Milan.

Ao contrário do Barcelona, do City, do PSG e do Bayern, no entanto, ainda não tem grande vantagem, pois a Série A está muito equilibrada. São 35 pontos, contra 31 da Juventus e 30 de Roma e Inter, todos estes com um jogo a menos. Juve e Inter entram em campo no domingo.

Já a Roma venceu bem o dérbi da capital contra a Lazio, 2 a 1. Fez um grande primeiro tempo, abriu 2 a 0 no segundo e depois sofreu, mas garantiu a vitória. A Roma, de técnico novo, é uma das surpresas da temporada, mantendo altíssimo nível dos tempos de Spalletti – hoje técnico da Inter.

Inglaterra

Na Premier League, o Manchester City deu mais uma demonstração de força ao fazer 2 a 0 no Leicester, fora de casa. O time voltou a jogar bem, dominar completamente as ações. O City é um “vendaval” para cima dos adversários. Ataca por todos os lados, de todos os jeitos, com muita gente chegando de trás e muita qualidade.

Guardiola gerou interrogações em algumas cabeças incrédulas depois de um primeiro ano meia boca no City e de três anos sem chegar à final europeia com o Bayern. Parece que muitas das dúvidas estarão dissipadas antes mesmo no Natal.

O City faz uma campanha histórica, com 11 vitórias em 12 jogos, 40 gols marcados. Um escândalo. São 8 pontos de vantagem para o United, 9 para o Chelsea, 11 para o Tottenham, 12 para Arsenal e Liverpool.

Na rodada inglesa, Manchester United, Chelsea e Liverpool ganharam bem, e o Arsenal fez uma grandíssima partida contra o rival Tottenham, vencendo por 2 a 0. O Tottenham, naturalmente, foi o grande derrotado do super sábado. É verdade que o primeiro gol do Arsenal saiu de uma jogada que deveria ter sido invalidada, mas tal foi o domínio que parece uma bobagem falar de arbitragem.

Gabriel Jesus fez o primeiro do City, Philippe Coutinho fez o terceiro dos 3 a 0 do Liverpool sobre o Southampton, e, no jogo do United, duas grandes notícias. Pogba voltou ao time e fez a jogada do empate, quando o time perdia para o Newcastle, e ainda marcou o terceiro gol, que praticamente matou o jogo – seria 4 a 1. A outra grande notícia foi a volta de Ibrahimovic, após mais de seis meses longe dos gramados.

Bundesliga e Ligue 1

Na Alemanha, o Bayern chegou à sétima vitória em oito jogos desde o retorno de Jupp Heynckes ao banco de reservas. O reencontro é sucesso absoluto, e o Bayern volta a ganhar corpo como uma das forças da Europa.

Com a derrota – mais uma – do Borussia Dortmund, sexta, e o empate do RB Leipzig em Leverkusen, neste sábado, o Bayern já abre seis pontos para o Leipzig na liderança. O caminho para o inédito hexacampeonato já está bem pavimentado.

Na França, Neymar fez um jogo sem muita graça. Ficou apagado na goleada de 4 a 1 do PSG sobre o Nantes, um adversário perigoso e bem treinador por Claudio Ranieri.

Cavani abriu o placar aos 37min, quando o PSG nada tinha feito em campo. Os outro gols saíram todas de lambanças bizarras do adversário, o que mostra o desnível entre a liga francesa e outras mais potentes. Com mais um tropeço do Monaco, na sexta-feira, agora a distância entre eles é de seis pontos.

No domingo que vem, haverá o aguardado duelo entre Monaco e PSG. Além de estar jogando mal, o Monaco enfrentará um time que ganhou 11 e empatou 2 até agora, campanha inferior somente à do City na Inglaterra.

 

 


Quatro impressões iniciais da temporada europeia
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Julio Gomes

A temporada 2017/2018 ainda mal começou na Europa e temos a primeira pausa para jogos de seleções. Foram quatro rodadas na França e Portugal, três na Inglaterra e Holanda, duas na Alemanha, Espanha e Itália. Foram disputadas também as fases prévias da Liga dos Campeões e da Liga Europa, com as chaves sorteadas para a fase de grupos de ambas as competições continentais.

Já podemos tirar conclusões? É logicamente cedo para concluir qualquer coisa. Mas já temos alguns indícios. Aqui vão quatro deles:

1- Manchester United é favorito a tudo

Convencionou-se dizer que a segunda temporada de José Mourinho é sempre a melhor nos clubes por onde passa. O técnico português tem impacto imediato, mas é depois de observar (e trocar) as peças do elenco que ele consegue elevar seus times ao próximo nível.

A primeira temporada de Mourinho no United não foi ruim. Conquistou a Europa League e a Copa da Liga Inglesa. É verdade que são títulos menores para um clube com o tamanho e o histórico do United, mas ainda assim foram os primeiros pós-Ferguson, o que foi importantíssimo. Para este ano, chegaram Lukaku, Matic e Lindelof. E agora há a notícia da permanência de Ibrahimovic, um jogador importantíssimo, ainda mais considerando que o sueco ficou apesar da chegada de Lukaku – ou seja, fica com a consciência da reserva e de sua importância para o grupo.

O United é o único a ganhar os três jogos na Premier League e não sofreu um gol sequer. Meteu 4 a 0 no West Ham e no Swansea (fora) e fez 2 a 0 no Leicester. O United do campeonato passado não goleava ninguém e costumava empatar jogos como este, contra o fechadinho Leicester, sábado. Agora apresenta mais soluções ofensivas aliadas à solidez defensiva.

Além do mais, o United foi sorteado em um grupo fácil na Champions League, ou seja, não precisará abrir mão de jogos na Premier League para avançar às oitavas na Europa. É apenas início de temporada, mas já deu para ver que as previsões feitas antes de o campeonato começar estavam certas: o gigante de Manchester vai disputar o título inglês, sim senhor, e é forte candidato na Champions.

Ainda na Inglaterra, importante observar o bom início do Liverpool, apesar da “lesão” (assim mesmo, entre aspas) de Philippe Coutinho. Sem o brasileiro, os Reds passaram bem pela prévia da Champions, contra um perigoso Hoffenheim, enfiaram impiedosos 4 a 0 no Arsenal, ontem, e só não têm 100% na Premier porque levaram um gol nos acréscimos e em impedimento na primeira rodada. Havia a interrogação sobre o que seria o Liverpool sem Coutinho. E a impressão é que Klopp conseguirá superar a ausência de seu melhor jogador – se ele, de fato, sair para o Barcelona.

2- Milão está de volta

Comprados por chineses, Milan e Internazionale tentam retomar dias de glória e quebrar o inédito domínio da Juventus, hexacampeã italiana.

O Milan foi o terceiro clube que mais gastou na janela de verão europeia, atrás apenas de Manchester City e PSG, trouxe o torcedor de volta ao San Siro e não está deixando ninguém na mão até agora. Passou com tranquilidade da fase prévia da Europa League e ganhou as duas primeiras no Italiano – ainda que tenha sofrido mais da conta ontem, contra o Cagliari.

É um time inteirinho novo e, como eu já dizia na prévia do Italiano, vamos ver que química Montella irá conseguir criar. Se encaixar, como parece que está encaixando, o Milan tem tudo para estar entre os quatro primeiros e ameaçar a Juventus. O início é promissor.

A Inter foi a quarta que mais gastou antes da temporada passada. Para este ano, mais do que gastar, o que o clube fez foi trazer o técnico Spalletti. E logo na segunda rodada ele comandou uma virada importante contra seu ex-clube, a Roma, fora de casa. A ausência de competições europeias (calendário folgado), duas vitórias em dois jogos, sendo uma delas contra um adversário direto da parte alta da tabela, credenciam a Inter a fazer um bom papel no Italiano.

3- Monaco não dará trégua ao PSG

Neymar começou muito bem sua trajetória no PSG, com gols, assistências e eficiência. Por aqui, o que mais ouvimos ultimamente é que “na França é fácil”. Bom, geralmente os que falam isso também achavam que “jogar na Espanha é fácil”. Difícil é o Brasileirão, claro.

Os adversários da França estão um degrau abaixo da Espanha, sem dúvida, e a diferença do PSG para os outros é muito grande. Mas eu não usaria tais argumentos para diminuir o início de Neymar.

O que este começo de temporada nos mostra, no entanto, é que o PSG não vai passear rumo ao título do Francês. O atual campeão é o Monaco e, apesar da perda de três titulares para a Premier League, o time de Leonardo Jardim trouxe boas reposições e manteve o alto nível.

Assim como o PSG, o Monaco ganhou seus quatro primeiros jogos no campeonato e, ontem, enfiou 6 a 1 no Olympique de Marselha – um grande do país e que começou a temporada como suposta terceira força. Falcao García começou voando e já tem sete gols nas quatro primeiras rodadas, e o Monaco fez os mesmos 14 gols que o PSG marcou.

Resta saber se nesta semana serão confirmados os rumores da saída de Mbappé do Monaco para o PSG. Se a transferência realmente ocorrer, aí a balança se desequilibra. Mas, por enquanto, não podemos descartar o atual campeão. Somando as duas temporadas, o Monaco ganhou seus últimos 16 jogos na Ligue 1.

4- Barcelona em crise

Quem olha a tabela do Espanhol, vê o Barcelona entre os líderes, com seis pontos, e o Real Madrid abaixo, com quatro. Nesta segunda, o clube catalão apresentou o novinho Dembélé, segundo jogador mais caro da história do futebol. Pode ser que para os jornais locais a crise seja passado. Mas não é. O Barcelona foi atropelado pelo Real na Supercopa, jogou francamente mal nas duas vitórias pela Liga e nota-se uma ruptura entre jogadores e diretoria. Não há coesão e união.

Se conseguir acertar com Coutinho até quinta, quando fecha a janela de transferências, o Barcelona terá sido o clube campeão de gastos do verão. Tudo isso porque perdeu Neymar de forma humilhante para o PSG e saiu comprando a torto e direito, pagando mais do que o mercado exige. Jogando para a torcida, sem qualquer planejamento financeiro.

Perdeu Neymar para si mesmo, assim como tinha perdido uma peça tão importante como Daniel Alves. E agora temos a novela da tal assinatura de Messi, que está faltando, apesar do anúncio de renovação meses atrás.

O início de temporada mostra um Barcelona rachado, com pouco futebol e muitas interrogações. Interrogações que não pairam sobre o Real Madrid, apesar do tropeço diante do Valencia – sem Cristiano Ronaldo, diga-se.


Neymar, agora sim, joga como na seleção e dá show em Paris
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Julio Gomes

Se no primeiro jogo com a camisa do PSG, domingo passado, Neymar fez o que quis em campo, vindo buscar jogo até no círculo central, no segundo, vitória de 6 a 2 sobre o Toulouse, a coisa foi diferente.

Hoje, sim, Neymar jogou de forma muito similar à que joga na seleção brasileira com Tite. Seu posicionamento é pela esquerda, mas ele tem liberdade para afunilar e aparecer em outras áreas do campo. Mas sempre no ataque, não tantos metros longe de gol.

Com técnica e improviso, ele foi o nome do jogo em sua primeira partida no Parque dos Príncipes. Fez dois gols, o mais importante e o mais bonito, cavou pênalti, deu duas assistências e carretilha. Um show, como o esperado pelo valor desembolsado por ele.

Não jogou nem tão fixo na esquerda e precisando até voltar para recompor na marcação, como no Barcelona. E nem tão anárquico como na estreia, em Guingamp.

Mais fiel ao posicionamento, Neymar fez um jogo melhor neste domingo. E funcionou melhor para o time, pois não criou um “congestionamento” no meio de campo. E apareceu mais vezes na área, criando (muito) perigo.

Assim, transformou Rabiot no nome do primeiro tempo. O meio-campista foi, para fazer um paralelo, uma espécie de Iniesta contra o Toulouse, avançando pela esquerda e se aproveitando dos corredores e quebras defensivas criadas por Neymar.

Em um chute de Rabiot, que o goleiro deu rebote, Neymar fez o primeiro gol. Gol importante. Pois o PSG começou melhor, mas cedeu um gol no contra ataque e começava a dar sinais de tensão.

Antes disso, Neymar havia perdido um gol feito, chutando por cima cara a cara. E havia dado uma assistência magnífica desperdiçada por Cavani. Logo depois do empate, Neymar deu uma bela deixada para Rabiot acertar um chute preciso e virar o jogo.

Di María foi quem, assim no primeiro jogo, centralizou seu posicionamento. Uma nítida tentativa de abrir o corredor para Daniel Alves, que apareceu mais vezes no ataque. O sacrificado é Verratti, que precisa ficar mais precavido. Se é para jogar assim, talvez Pastore seja uma opção melhor do que Di María para o time.

No segundo tempo, Neymar tentou cavar um pênalti, fez uma firula, foi o jogador mais ativo, mas Cavani estava pouco inspirado. Depois da expulsão injusta de Verratti, parecia que a coisa iria virar dramática. E aí os gols passaram a sair aos montes.

Neymar cavou um pênalti que eu não marcaria, e Cavani fez 3 a 1. Depois de o Toulouse diminuir, Pastore fez o quarto, e Kurzawa, em um golaço de voleio após escanteio batido por Neymar, fez 5 a 2. O melhor ficou para o fim. Em um lance na área que parecia perdido, Neymar se livrou da marcação e fez um golaço.

Foi um jogo muito agradável, o PSG está jogando bom futebol. E, com Neymar, agora mais fiel ao seu melhor posicionamento e com liberdade de ações, ganhando entrosamento, a tendência é só melhorar.

Só seria bom evitar carretilhas, como a dada nos acréscimos, que só servem para adversários se sentirem humilhados. Tem quem goste. Eu acho que faz mais mal do que bem para ele.

Enquanto isso, o Barcelona ganhou por 2 a 0 do Betis e Messi, apesar de três bolas na trave, andou em campo. O que vai virando tendência. Isso na semana em que o clube admite não ter ainda a assinatura de Messi para a renovação e surge fumaça forte de que ele poderia ir para o Manchester City. Se bobear de graça, ao final da temporada.

Imaginem o Barcelona sem Messi, depois de perder Neymar basicamente por causa do tal protagonismo? Uau.

O PSG soma três vitórias no campeonato. Mas o Monaco também, e a qualidade do atual campeão não caiu, mesmo com os jogadores que saíram. O Campeonato Francês não será a baba que muitos pensam.


Neymar estreia “à la Messi”, armando jogo e mais longe do gol
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Julio Gomes

Neymar fez uma boa estreia com a camisa do Paris Saint-Germain. Fez o terceiro gol da vitória de 3 a 0 sobre o pequenino Guingamp, após passe de Cavani – o uruguaio havia marcado o segundo, na primeira assistência de Neymar pelo PSG. A lata havia sido aberta em um gol contra patético do Guingamp no início no segundo tempo.

Um gol, um passe para gol, uma caneta, um bom cruzamento que Marquinhos cabeceou no travessão. Não dá para reclamar.

Eu sou uma voz que destoante da maioria ao analisar o futebol de Neymar. O rapaz é um craque, disso não há dúvidas. Mas, a meu ver, sua principal qualidade é a finalização.

Com isso, não quero dizer que ele não seja bom driblador ou que não saiba armar o jogo. Apenas digo que a melhor versão de Neymar é aquela em que ele joga bem perto do gol, recebendo bolas limpas e com poucos adversários pela frente. De preferência, em velocidade. Ele tem um índice de aproveitamento ao concluir para o gol do nível de Cristiano Ronaldo e outros finalizadores pelo mundo.

Em quatro temporadas no Barcelona, Neymar fez 88 gols de bola rolando. 40 deles com apenas um toque na bola, 39 com domínio e finalização e somente 9 construindo o próprio gol.

Na estreia, o gol veio com toque único na bola. É lógico que essa proporção vai mudar no PSG. Ele jogou de 10. A mudança de camisa nunca foi tão fiel à mudança tática. Jogou como Messi faz em vários momentos no Barcelona, recebendo bolas no meio de vários adversários (como ilustra a foto abaixo). É bom. Ficarão mais fáceis as comparações.

Na temporada passada, a primeira do técnico Unai Emery, o Paris jogou quase sempre com dois jogadores bem abertos – entre Draexler, Di María e Lucas. Neste domingo, Neymar e Di María jogaram centralizados, abrindo o corredor para os laterais. Só que praticamente “tirando” do jogo o italiano Verratti, que é originalmente o principal armador do time.

Daniel Alves deu poucas estocadas pela direita, com o tempo vai adquirir mais entrosamento com o argentino. Kurzawa avançou muito pelo espaço que seria de Neymar na esquerda. Dele saiu o cruzamento que mais tarde acabaria no gol de Neymar.

E o jogo todo passou pelos pés do brasileiro. Até demais. Uma coisa é ter liberdade em campo. Ter posição saindo da esquerda, mas ter liberdade de movimentos. É assim que Neymar joga na seleção brasileira.

Não foi o que aconteceu na estreia. Ele foi um meia de fato, um armador, o principal construtor de todas as jogadas. Foi mais um Isco ou um Rodriguinho ou um Iniesta do que Neymar. Foi mais Verratti do que Verratti. Deste jeito, em alguns momentos de vacas magras pré-Tite, a coisa não funcionou tão bem na seleção.

Ocupou uma parte do campo em que há mais gente, mais congestionada. E ficou longe demais do gol.

No primeiro tempo, o PSG, apesar de ter a bola o tempo todo, criou pouquíssimas chances de perigo real. No segundo tempo, ganhou um presente de Ikoko, um gol contra dos mais bizarros que todos veremos em nossas vidas.

Aí sim, o jogo mudou, ficou fácil, o PSG passou a ter mais espaços. Neste cenário, em um contra ataque, Neymar deu um passe maravilhoso para Cavani fazer o segundo gol. Sua primeira assistência com a nova camisa.

O número de passes para gol inevitavelmente aumentará. Mas é bom ressaltar que Neymar já dava muitas assistências no Barcelona. Isso não passa necessariamente por ter um posicionamento de “playmaker”.

Sinceramente, não acho que esse posicionamento se manterá e é justo que o técnico tente em uma partida contra um adversário fraco como o Guingamp.

Na hora H da temporada, acredito que Emery vai preferir Neymar jogando mais à esquerda, mais perto do gol, onde ele é muito mais produtivo.

Se o plano de sair do Barcelona e ir para o PSG era ser protagonista e jogar como Messi, parece que ele será mesmo colocado em prática. Vai faltar… jogar como Messi.

 


Prévia do Francês: Neymar e PSG fazem bi parecer só um sonho para o Monaco
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Julio Gomes

Depois de quatro títulos consecutivos do Paris Saint-Germain, que se transformou em um grande player europeu com a compra do clube e os aportes financeiros vindos do Catar, a França viu atônita a um jovem e insinuante time do Monaco conquistar a Ligue 1.

Capitaneado por um renascido Falcao García e com uma constelação de jovens valores, o Monaco arrancou com muita força e, na reta final da temporada, simplesmente não deixou o PSG ultrapassá-lo. Isso tudo jogando a Champions League ao mesmo tempo e só caindo na semifinal, para a Juventus.

Será que o Monaco vai conseguir repetir a dose?

Muito, muito difícil. A caminhada começa nesta sexta-feira, às 15h45, abrindo o campeonato em casa contra o Toulouse. No sábado, logo às 12h, tem jogo do Paris e possível estreia de Neymar.

O PSG “quebrou a banca” no mercado de transferências pagando a cláusula rescisória no valor de 222 milhões de euros e tirando Neymar do Barcelona. É uma adição técnica estratosférica a um time já muito bom.

O PSG é forte em todas as linhas, tem um elenco equilibrado e um técnico, o espanhol Unai Emery, muito competente. Emery é subvalorizado por quem acompanha o futebol não tão de perto, mas é um profissional jovem, dedicado e que sabe demais do jogo. Só não pode de forma alguma, logicamente, entrar em rota de colisão com Neymar.

Além dele, o Paris assinou com Daniel Alves e com o lateral esquerdo espanhol Berchiche (16 milhões de euros), da Real Sociedad, para suprir a aposentadoria de Maxwell.

Só não sabemos ainda se o Paris irá perder algum jogador importante nesta janela. Verratti é um alvo do Barcelona já há bastante tempo, e tirar o ótimo meia italiano seria uma vingancinha interessante. E Di María deve estar preocupado com a alta probabilidade de esquentar banco o ano todo. De qualquer forma, na falta de Suárez, Neymar terá a seu lado Edison Cavani. O uruguaio meteu 35 gols em 36 jogos na última Ligue 1.

Se o Monaco conseguirá ou não fazer frente ao Paris, isso passará por segurar Mbappé. O jovem de 18 anos é a joia da coroa do Principado.

O Real Madrid quer Mbappé – a negociação foi dada como certa pela imprensa espanhola na semana passada, por 180 milhões de euros, mas ainda não se confirmou. O Manchester City, de Guardiola, quer Mbappé. E o Barcelona, por que não, pode entrar no meio para atravessar qualquer negócio, agora que tem dinheiro em caixa.

Só que, claro, a França inteira quer e precisa que Mbappé fique. Para a Ligue 1 crescer, alcançar o interesse e o volume de dinheiro da Série A italiana e, depois, alçar voos para se equiparar aos três principais campeonatos (Premier League, Bundesliga e Liga espanhola), é necessário ter times fortes e estrelas mundiais.

Não basta um PSG dominante com Neymar. É necessário ter um adversário de peso.

Mbappé à parte, o Monaco fez três grandes vendas, seguindo a política do clube se encontrar jovens talentos e ganhar dinheiro com eles. O Manchester City pagou 107 milhões de euros para levar o meia português Bernardo Silva, de 22 anos, e o lateral Mendy, de 23. Já o Chelsea pagou 40 pelo volante Bakayoko, de 22. Vendeu também Germain, um atacante que teve muitos minutos na temporada, para o Olympique de Marselha. Não dá para chamar de desmanche, mas foram embora jogadores importantes.

Olho muito atento, no entanto, para as contratações do Monaco, que foram muito acertadas nos últimos anos. Logo que terminou a temporada passada, o clube anunciou a contratação de um rapaz extremamente promissor: o meio-campista belga Youri Tielemans, que veio do Anderlecht por 25 milhões de euros e já aparece em convocações de seu país.

Na Holanda, o Monaco buscou o zagueiro congolês Kongolo e pagou 15 milhões ao Feyenoord, campeão  holandês na temporada passada. Pagou 10 milhões ao Rennes pelo ponta Diakhaby, 8 milhões pelo volante marfinense Meité, do Zulte (Bélgica) e ainda foi buscar, na base do Barcelona, o atacante Mboula, 18, de origem congolesa.

Se segurar Mbappé, o Monaco tem time para desafiar o PSG. Mas ganhar novamente o título é para sonhadores.

Outros times e técnicos de peso

O Nantes anunciou a contratação de Claudio Ranieri, demitido do Leicester após o milagre da temporada retrasada. Mas o treinador que mais chama a atenção é Marcelo Bielsa. O argentino assinou com o Lille por duas temporadas e logo dispensou mais de dez jogadores. Aliás, os dois se enfrentam logo na primeira rodada, domingo de manhã.

O elenco do Lille tem média de idade inferior a 24 anos, é o mais novo do país. Gastou 35 milhões de euros contratando três jovens e promissores brasileiros: Thiago Maia (20), do Santos, Luiz Araújo (21) e Thiago Mendes (25), do São Paulo. É um time trabalho pelo maluco beleza Bielsa. E times de Bielsa são sempre times bons e que têm algo a dizer ao longo da temporada.

O Nice, surpreendente terceiro colocado na última temporada e que disputará a fase prévia da Champions, teve como grande notícia neste período de mercado a renovação de Balotelli por mais um ano. O time manteve a base e fez algumas contratações pontuais – como a chegada do experiente lateral Jallet, que veio de graça do Lyon.

O Lyon fez duas vendas importantes no mercado. Lacazette, 26, saiu por 53 milhões de euros para o Arsenal, enquanto o volante Tolisso, 22 anos, custou 41 milhões aos cofres do Bayern de Munique. O zagueiro argentino Mammana saiu por 16 milhões para o Zenit russo. Na lista de contratações, o que chama mais a atenção é Traoré, atacante de Burkina Fasso que nunca se firmou no Chelsea e estava emprestado para o Ajax, onde jogou muito bem. É bom lembrar que o Lyon tem no elenco o jovem holandês Memphis Depay, contratado junto ao Manchester United na temporada passada.

O Olympique de Marselha, que tem o ex-Barça Zubizarreta como diretor de futebol, adotou uma política interessante de repatriar jogadores. O clube mais popular do país, que já havia trazido de volta Payet em janeiro, se reforçou repatriando Thauvin, lateral do Newcastle, Rami, zagueiro do Sevilla, e trazendo Luiz Gustavo, aquele mesmo, do Wolfsburg. Também tirou Germain, atacante do Monaco.

Supercopa da França:

29/7/17 PSG 2 x 1 Monaco

Maiores campeões franceses: Marselha e Saint Étienne (10 títulos cada)

Previsões:

Título: PSG
Vice: Monaco
Terceiro (vaga na Champions): Olympique de Marselha
Artilheiro: Cavani
Melhor jogador: Neymar
Olho em: Lille e Rennes
Na TV: Sportv e ESPN
Duelos imperdíveis: Monaco-PSG em 26/11, e PSG-Monaco só em 15/4/18

Bom saber: a rodada sempre começa na sexta à tarde e o jogo principal ocorre geralmente no domingo à tarde, ao mesmo tempo dos jogos do Brasileirão

Primeira rodada:

Sexta
15h45 Monaco x Toulouse

Sábado
12h PSG x Amiens
15h Lyon x Strasbourg
15h Metz x Guingamp
15h Montpellier x Caen
15h Saint Étienne x Nice
15h Troyes x Rennes

Domingo
10h Lille x Nantes
12h Angers x Bordeaux
16h Olympique de Marselha x Dijon


Juventus e Feyenoord podem ser campeões no fim de semana europeu
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Julio Gomes

O Bayern de Munique já garantiu o título na Alemanha. Neste fim de semana, Juventus, na Itália, e Feyenoord, na Holanda, podem garantir títulos domésticos nesta reta final de campeonatos europeus.

A Juve, virtual finalista da Liga dos Campeões da Europa, tem tudo para conquistar um inédito hexacampeonato italiano. Nunca um clube ganhou a Série A seis vezes seguidas.

A própria Juve conquistou o penta entre 1931 e 35, feito também conseguido pelo super Torino dos anos 40, antes do acidente de avião que vitimou o time inteiro. Mais recentemente, a Inter ganhou cinco títulos seguidos, mas em circunstâncias especiais (o primeiro dos cinco, em 2006, foi herdado após o escândalo extra-campo que tirou o título da Juventus e a mandou para a Série B).

Para ser campeã 2016/2017 com três rodadas de antecipação, a Juventus precisa vencer o dérbi da cidade contra o Torino, no sábado. No domingo, a vice-líder Roma tem um duro clássico fora de casa contra o Milan. Se a Juve ganhar e a Roma tropeçar, o hexa estará decidido. A rodada seguinte, a antepenúltima, tem justamente o duelo entre Roma e Juventus na capital.

Em seu estádio, a Juve ganhou os 17 jogos que fez no campeonato. Se juntarmos com a temporada passada, são 33 vitórias seguidas em partidas de Série A no Juventus Stadium. Em agosto de 2015, a Juve perdeu pela última vez em casa: 0-1 para a Udinese. Em setembro, empatou os dois jogos seguintes, 1-1 com Chievo e Frosinone. De lá para cá, só ganhou.

Se contarmos todas as competições, são 43 vitórias e 6 empates desde aquela derrota para a Udinese. A Juve pode chegar no sábado, portanto, a 50 jogos de invencibilidade em casa. E, ironicamente, comemorar o inédito hexa no sofá, no domingo.

RENASCIMENTO

Na Holanda, o Feyenoord pode quebrar um jejum incômodo de 18 anos sem um título da liga nacional. Para isso, basta vencer o Excelsior (13o colocado) no domingo de manhã. Como tem quatro pontos de vantagem para o Ajax, mesmo que tropece ainda terá a chance de ser campeão jogando em casa na última rodada.

O Feyenoord é o grande time de Roterdã, a segunda cidade do país. Foi o primeiro clube holandês a ganhar a Copa dos Campeões e a Copa Intercontinental (1970). Também foi o primeiro a ganhar a Copa da Uefa, em 1974 (depois repetiria a dose em 2002, o último grande momento do clube, ainda tempos de Van Persie).

Até o meio da década de 70, era o grande rival do Ajax. Enquanto o gigante de Amsterdã tinha 16 títulos nacionais, o Feyenoord tinha 11, e o PSV Eindhoven tinha só 4. Desde então, no entanto, o Ajax ganhou outros 17 campeonatos (soma 33), o PSV ganhou 19 (soma 23) e, o Feyenoord, apenas 3 (está a ponto de ganhar o 15o título no total).

Depois de uma grave crise financeira, o Feyenoord conseguiu acertar as contas nos últimos cinco anos. E, na temporada passada, fez um aposta alçando o ex-lateral Giovanni Van Bronckhorst ao cargo de técnico – seu primeiro como treinador principal de uma equipe.

Gio era titular do Barcelona de Ronaldinho, campeão da Europa em 2006, e chegou a fazer gol em semifinal de Copa do Mundo – 2010, contra o Uruguai. A final daquela Copa, perdida para a Espanha, foi seu último jogo como atleta profissional. Gio foi assistente de Koeman no Feyenoord antes de assumir o cargo principal.

Logo em sua primeira temporada, ano passado, quebrou um jejum de oito anos sem títulos com a conquista da Copa da Holanda. E, agora, está a ponto de quebrar o jejum de 18 anos sem ganhar a competição principal do país.

O Feyenoord foi cirúrgico no mercado do verão europeu, trazendo alguns jogadores de pouco nome e fama, mas que encaixaram bem com os jovens que subiram da base. O melhor exemplo é o atacante dinamarquês Nicolai Jorgensen, de 26 anos. Foi comprado por 3,5 milhões de euros após boas temporadas no Copenhagen e hoje é avaliado em 9 milhões. Ele é o artilheiro do Holandês, com 21 gols em 30 jogos.

OUTROS CAMPEONATOS

Na Inglaterra, o Chelsea tende a dar mais um passo rumo ao título. Na segunda-feira, recebe o penúltimo colocado e virtual rebaixado Middlesbrough. O Tottenham, que está quatro pontos atrás, quer seguir pressionando e enfrenta nesta sexta o West Ham, fora de casa, em um dérbi londrino.

O grande jogo da Premier no fim de semana será o clássico entre Arsenal e Manchester United, domingo, às 12h. Se o Arsenal não vencer, estará praticamente descartado do G4 e da classificação para a Champions League (não fica fora desde 1997/1998, segunda temporada de Wenger no clube). Wenger, por sinal, nunca venceu um jogo de Premier League contra times de José Mourinho (sete empates e cinco derrotas).

Na Espanha, o Barcelona entrará em campo para enfrentar o Villarreal, quinto colocado. Jogo perigoso, já que o Villarreal já ganhou do Atlético e empatou com o Real Madrid e com o Sevilla fora de casa na temporada. É a segunda melhor defesa do campeonato. Logo depois, o Real pega o já rebaixado Granada. O time reserva, que vem se mostrando para lá de confiável, tentará a sexta vitória em seis “missões” fora de casa. Cristiano Ronaldo, por exemplo, nem viajou a Granada. Após o atropelo diante do Real na Champions, o Atlético de Madri joga por uma vitória contra o Eibar para se garantir, de novo, na Liga dos Campeões da próxima temporada.

Na Alemanha, o Bayern de Munique celebrará o título em casa contra o lanterna e rebaixado Darmstadt. Promessa de uns 10 a 0. O grande jogo do sábado (10h30) é entre o quarto colocado, Borussia Dortmund, e o terceiro, Hoffenheim. Os times estão separados por apenas um ponto, e chegar em terceiro significa não jogar fase prévia da próxima Champions League.

Na França, Monaco e PSG enfrentam penúltimo e último, respectivamente. Mas são jogos complicadinhos, pois a rabeira da tabela está toda embolada e esses times jogam a vida. O PSG deve passar em casa pelo Bastia no primeiro jogo do sábado (12h) e novamente alcançar o Monaco em pontos – mas ainda ficar muito atrás no saldo de gols e com dois jogos a mais. O Monaco precisa esquecer a derrota para a Juventus quando entrar em campo para enfrentar o Nancy (15h), fora de casa.

Por fim, em Portugal faltam três rodadas e o Benfica tem três pontos de vantagem para o Porto – que empatou demais ao longo do campeonato. Os dois times jogam fora de casa: o Porto com o Marítimo (sexto) no sábado, o Benfica com o Rio Ave (sétimo) no domingo. Difícil imaginar que o Benfica fique sem o tetracampeonato.

 


Real Madrid, Juventus e Monaco têm ótimo fim de semana antes das semis
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Julio Gomes

A semana será de semifinais de Liga dos Campeões, com o dérbi entre Real Madrid e Atlético de Madri, na terça, e Monaco x Juventus, na quarta. Mesmo sem entrar em campo neste domingo, Juventus e Monaco viraram virtuais campeões da Itália e da França.

A Juve tenta ser a primeira equipe a ganhar seis vezes seguidas o Italiano. O Monaco, por sua vez, tenta o oitavo título nacional, o primeiro desde o ano 2000. E ficou muito, muito perto com a derrota do Paris Saint-Germain neste domingo.

A temporada europeia vai chegando ao fim, e começam a aparecer os primeiros campeões das grandes ligas. O Bayern de Munique, após as decepcionantes eliminações na Liga dos Campeões da Europa e na Copa da Alemanha, garantiu matematicamente o pentacampeonato alemão ao desencantar e vencer o Wolfsburg por 6 a 0, fora de casa, no sábado.

Com Heynckes, o Bayern da tríplice coroa, em 2013, foi campeão com seis rodadas de antecipação. Com Guardiola, bateu o recorde em 2014 (sete rodadas, título em março). Em 2015, o tri veio com quatro rodadas de antecedência. O tetra, ano passado, na penúltima rodada. Agora, no primeiro ano de Carlo Ancelotti, é campeão com três rodadas para o fim da Bundesliga. Nunca, na história do futebol alemão, um time havia conseguido cinco títulos seguidos.

Na Inglaterra, o Chelsea deu um passo gigantesco rumo ao título ao vencer o Everton, fora de casa, por 3 a 0. É verdade que o Tottenham ganhou o dérbi de Londres contra o Arsenal, e a diferença entre eles segue em quatro pontos. Mas este era o último jogo realmente complicado para o Chelsea na tabela – dos quatro restantes, três são em casa e contra times da parte baixa da tabela.

A briga boa na Inglaterra é mesmo pelas duas vagas restantes no G4, as vagas para a próxima Liga dos Campeões. Liverpool e Manchester City tem os mesmos 66 pontos e os mesmos 28 gols de saldo (primeiro critério de desempate). O Manchester United tem 65 pontos, e o Arsenal tem 60, mas um jogo a menos.

Por falar em Liga dos Campeões, dos quatro semifinalistas, três brigam para serem campeões nacionais. E os três tiveram um fim de semana para sorrir.

O Real Madrid ainda tem os mesmos pontos que o Barcelona na ponta da Espanha, mas conseguiu uma vitória muito mais dramática. Pela enésima vez no campeonato, conseguiu pontos decisivos nos momentos finais. Marcelo foi o herói da vitória sobre o Valencia no sábado, marcando aos 41min do segundo tempo. O Valencia havia arrancado empates em Madri nas quatro das últimas cinco visitas e havia vencido o Real no jogo do turno.

Uma rodada a menos, e o Real Madrid ainda tem direito a empatar um dos quatro jogos restantes. Ao Barça, não basta vencer seus três jogos a fazer.

A Juventus empatou com a Atalanta na sexta-feira, mas depois viu de camarote a Roma perder o dérbi da capital por 3 a 1 para a Lazio, neste domingo de manhã. A vantagem na liderança, que poderia cair, subiu para nove pontos faltando quatro rodadas. A Juventus pode ser campeã na próxima rodada: faz em seu estádio o dérbi contra o Torino no sábado, enquanto a Roma tem um duro clássico contra o Milan, fora de casa, no domingo.

E o grande felizardo do dia foi o Monaco, que viu o PSG perder para o Nice por 3 a 1. Desde os 6 a 1 para o Barcelona, na Champions, o PSG havia vencido todas as nove partidas que havia disputado. Colocou pressão no Monaco, que busca seu primeiro título francês desde o ano 2000. Mas, apesar da maratona e de algumas partidas dramáticas, o time do Principado segurou as pontas.

No sábado, venceu o Toulouse precisando de uma virada no segundo tempo. Com a derrota do PSG em Nice, agora o Monaco tem três pontos de vantagem, muito mais saldo de gols (20 gols a mais), que é o primeiro critério de desempate, e ainda um jogo a menos.

Basta ao Monaco, portanto, ganhar dois dos quatro jogos restantes para ser campeão – pode perder duas vezes que ainda assim levará o caneco, mesmo que o PSG vença seus três jogos restantes. Essa margem de erro, que era pequena e ficou grande, dá um baita respiro para o Monaco focar nos duelos contra a Juventus pela Liga dos Campeões.

Em tempo: o Atlético de Madri, o último semifinalista da Champions, está fora da disputa pelo título espanhol, mas também sorriu. No sábado, meteu 5 a 0 no Las Palmas e recuperou a confiança em Gameiro. O problema é que perdeu Gimenez, machucado, e está sem lateral direito para enfrentar o Real Madrid – um tal Cristiano Ronaldo é quem joga por ali…


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