Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Zidane

Real Madrid expõe fraquezas e longo caminho para o United
Comentários Comente

juliogomes

O Manchester United pode até ser campeão europeu no ano que vem. No futebol, convém não duvidar de nada nem ninguém, especialmente quando estamos falando de gigantes. Um clube enorme, um técnico vencedor.

Mas, pelo que vimos na Supercopa da Europa, disputada nesta terça, na Macedônia, o caminho será longo.

O Real Madrid ganhou do United por 2 a 1, ficando com a taça. Gols de Casemiro e Isco, que começa a temporada do mesmo jeito que acabou a anterior: voando. Mas poderia ter goleado, tal foi o domínio na maior parte do jogo. E olha que o Real Madrid só teve Cristiano Ronaldo jogando os 10 minutos finais e o time não fez uma pré-temporada muito emocionante.

O fato é que o United pode lamentar um gol feito perdido por Rashford nos minutos finais. Seria o 2 a 2.

É uma característica dos times de Mourinho. Vender caro, se manter perto no placar, achar uns gols aqui e ali, ser competitivo. Mas, na atual fase do futebol europeu, mesmo do inglês, alguns atributos a mais são necessários.

Com o material humano que tem em mãos, Mourinho pode até atingir esse nível de evolução ao longo da temporada. Mas, pelo que vimos na pré-temporada e na Supercopa, o United não parece muito diferente daquele da temporada passada. Nenhum coração baterá mais forte.

Tem um goleiraço, mas uma defesa de poucas garantias. Do meio para frente, jogadores interessantes. Lukaku fará um caminhão de gols. Mas faltam jogadores que quebrem a defesa adversária.

Nas casas de apostas, o Manchester United é colocado na mesma prateleira do atual campeão Chelsea. Ambos, só menos favoritos do que o Manchester City, de Guardiola, mas à frente de Tottenham, Arsenal e Liverpool. Muitos esperam um particular duelo entre Mou e Pep pelo título. Será? Há mais dúvidas do que certezas.

Já o Real Madrid dispensa comentários. É um time para lá de pronto. Forte em todos os setores, com reservas à altura, Cristiano Ronaldo, bom ambiente, confiança. Não à toa, é o primeiro bicampeão na era Champions. Resta saber quem terá bala para evitar o tri.


Juventus x Real Madrid: Cinco chaves da final da Champions League
Comentários Comente

juliogomes

Há quem se apegue a curiosidades e tabus para “determinar” um favorito em uma final de campeonato. Freguesias, cor de camisa, datas.

Por exemplo. Você sabia que desde que a Copa dos Campeões virou a Champions League um clube italiano é campeão a cada sete anos? Em 96, foi a Juventus. Em 2003, o Milan. Em 2010, a Inter. Portanto, em 2017 só pode dar Juve, certo?

Por outro lado, você sabia que nas únicas duas vezes que o Real Madrid enfrentou a Juventus em campo neutro ele ganhou? E que, enquanto o Madrid é o clube de melhor aproveitamento em finais europeias, a Juve é o pior? Isso considerando quem jogou várias finais, claro, não só uma ou duas.

Esse tipo de informação é legal. Mas só se torna relevante mesmo se pesar coletivamente, se transformar em um fardo que, de fato, faça os jogadores atuarem abaixo do que podem devido à pressão. Que um tabu, uma “necessidade” de vitória entre na cabeça dos caras e afete o jogo. Não parece ser o caso neste Juventus x Real Madrid de jogadores tão experientes. Então vamos às chaves táticas da grande decisão deste sábado.

1- Brasileiro x brasileiros

Daniel Alves x Marcelo. Não é novidade para ninguém, certo? Um duelo que já ocorreu muitas vezes nos confrontos entre Barcelona e Real Madrid. Pelo Barça, Daniel enfrentou o Real 27 vezes, com 14 vitórias e 7 derrotas. Se somarmos os anos de Sevilla, foram 22 vitórias em 42 jogos. Ou seja, teve mais sucessos do que fracassos. Daniel Alves é uma das chaves da partida, seu espírito é contagiante e a experiência é muito importante. Quem vai pará-lo? Se Marcelo tiver essa atribuição, ficará comprometida uma importante saída de jogo do Real Madrid com ele pela esquerda. Possivelmente o trabalho sobre muitas vezes para Casemiro, um jogador que flertou com expulsões em vários momentos da temporada. Casemiro e Marcelo precisam parar Daniel Alves para o Real Madrid aumentar suas chances.

2- Agressividade

O Real Madrid faz gols consecutivamente há 64 jogos – todos os 59 da temporada atual e 5 ainda da temporada passada. Se tem algo que ficou claro nos últimos anos é que times que esperaram o Real Madrid pagaram o preço (como o Atlético de Madri). Uma das chaves para a Juventus é tomar as rédeas do jogo e mostrar a mesma agressividade que mostrou nos jogos de ida contra Barcelona e Monaco, outros times de ataque muito poderoso. Construir jogo, tentar aproveitar as falhas defensivas do Real, buscar o gol e não ficar apenas esperando uma boa chance de contra ataque.

 

3- Batalha no meio de campo

Tudo indica que Isco será mesmo titular e Bale começará o jogo no banco de reservas. Boa notícia para o Real Madrid, que foi um time muito mais equilibrado na temporada com o losango no meio – Casemiro no vértice de baixo, Modric pela direita, Kroos pela esquerda, Isco no topo. O desenho deu mais consistência defensiva, com os volantes ajudando na cobertura sem abrir buracos no meio. A Juventus não tem um volante do tipo Casemiro. Como Pjanic e Khedira conseguirão cortar essas linhas de passe? Como Dybala será municiado? Como sempre, no futebol de alto nível, quem ganhar a batalha do meio de campo terá grandes chances de ganhar o jogo.

4- Duelos individuais

Jogos muito equilibrados costumam ser desequilibrados de duas maneiras: arbitragens ou vitórias nos duelos individuais. Literalmente, um jogador superando o outro. Subindo mais para o cabeceio, dando um drible, se antecipando, aproveitando um erro alheio, enfim. Cristiano Ronaldo e Benzema destruíram o Atlético de Madri na semifinal ganhando os duelos individuais. Conseguirão também contra Chiellini, Bonucci e Barzagli? O mesmo vale para o outro lado. Higuaín e Mandzukic contra Sergio Ramos e Varane.

5- Primeiro gol

Viradas são muito raras em finais. Tão raras que basta puxar na memória para nos lembrarmos delas. Aqueles 2 a 1 do Barcelona sobre o Arsenal em 2006, com gol de Belletti no finalzinho. Ou os dois gols nos acréscimos do Manchester United sobre o Bayern de Munique, em 99. O Real Madrid ganhou do Atlético de virada, em 2014, mas na prorrogação e em circunstâncias especiais (empate aos 48min do segundo tempo, esgotamento físico e emocional do adversário). Há um certo consenso de que quem marcar primeiro terá muito mais do que meio caminho andado, daí a importância de entrar em campo a 110 por hora.

 

Com esse post, concluímos uma semana cheia de informações sobre Juventus e Real Madrid aqui no blog. Abaixo, encontre links para ler mais. Agora é esperar por um jogo sem erros importantes de arbitragem e que nos mostre, afinal, quem é o melhor da Europa.

Três razões para acreditar na Juventus. E três para crer no bi do Real Madrid

Buffon e Zidane: dois momentos históricos em que os caminhos se cruzaram

“Zidane virou um grande na Juventus, só faltou a Champions”

Como a final de 98 mudou os destinos de Real Madrid e Juventus

Real e Juventus campeões nacionais. Agora só falta saber quem é melhor

 


Três razões para acreditar na Juventus. E três para crer no bi do Real
Comentários Comente

juliogomes

A final da Liga dos Campeões, sábado, será a primeira em muitos anos que realmente apontará quem é o melhor time da Europa. Um tira-teima entre os dois melhores da temporada. A Juventus, campeã italiana e da Coppa Itália, tenta a tríplice coroa inédita. O Real Madrid tenta ser campeão espanhol e europeu pela primeira vez desde 1958.

Os dois gigantes têm motivos de sobra para acreditar que podem levantar a “orelhuda” em Cardiff, no País de Gales. Aqui, o blog aponta os três principais.

TRÊS RAZÕES PARA ACREDITAR NA JUVENTUS

1- Melhor defesa do mundo

Dizem que ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos. O sistema defensivo da Juventus começa pelos atacantes e a pressão que exercem lá na frente, o que já virou praxe no futebol mundial. E acaba em uma verdadeira muralha. Buffon, melhor goleiro das últimas duas décadas, talvez da história, e a seguríssima linha de zaga formada por Chiellini e Bonucci, talvez com Barzagli acompanhando pela direita. Na atual campanha na Champions, a Juve sofreu três gols em 12 jogos – o único sofrido no mata-mata foi na semifinal contra o Monaco, com a eliminatória já decidida.

2- O fator Daniel Alves (e a fome)

Ele quase foi para a China. Mas resolveu ficar no futebol de alto nível e chegou a Turim dizendo que queria ajudar a Juventus a ganhar uma Champions League. Foi o principal nome da semifinal contra o Monaco, atuando em uma posição mais avançada pela direita – que deve se repetir no sábado. Se for campeão da Champions (seria a quarta), Daniel Alves chegará a 36 títulos na carreira, se igualando ao galês Ryan Giggs, multicampeão no Manchester United.

Aliás, depois de lerem o resto desse post, voltem, cliquem aqui e leiam um texto para a história publicado nesta semana por Daniel Alves. Quem não chorar é porque tem coração de pedra. Com esse texto maravilhoso, Daniel nos mostra como a fome de vencer impulsiona jogadores profissionais. Assim como ele, a Juventus tem muitos jogadores no elenco querendo provar algo para o mundo.

3- Histórico recente contra o Real

É verdade que o histórico aponta oito vitórias para cada lado e na única vez que se enfrentaram em uma final europeia, em 1998, deu Real Madrid. Mas, de lá para cá, a Juventus vem dominando os duelos contra o rival espanhol. Saiu vencedora de confrontos eliminatórios em 2003 (semi), 2005 (oitavas) e 2015 (semi). Este último, dois anos atrás, tinha muitos jogadores que estarão em campo no sábado do lado do Real Madrid. Oito titulares que atuaram na volta (empate no Bernabéu) jogarão a final de Cardiff, ou seja, é essencialmente o mesmo time. Por parte da Juve, somente o eixo defensivo repetirá.

TRÊS RAZÕES PARA ACREDITAR NO REAL MADRID

1- O ataque que não falha

O Real Madrid fez pelo menos um gol em todos (isso mesmo, você leu direito, TO-DOS) os jogos que disputou nessa temporada. Foram 169 gols em 59 partidas. Considerando a temporada passada, a sequência histórica já está em 64 jogos. O Real não passa em branco desde abril do ano passado. Quando um time já entra em campo com a certeza de meter pelo menos uma para dentro, quem coça a cabeça é o adversário.

2- O Real não perde finais

Todos sabem que o Real Madrid é o maior campeão europeu de todos os tempos, já são 11 troféus de Copa dos Campeões e Champions League. Uma das razões para isso é o incrível aproveitamento de 78% nas decisões. É aquela história: “deixou chegar…”. Ninguém tem percentual tão alto – exceto alguns clubes que ganharam todas as finais que jogaram, mas nunca disputando mais do que duas. O Real é o recordista de decisões, chegou a 14. A última derrota veio em 1981, para o Liverpool. De lá para cá, cinco decisões, cinco canecos. Já a Juventus, pelo contrário, ganhou duas de oito. O aproveitamento de 25% em decisões europeias é o pior entre todos os que já ganharam o título alguma vez.

3- O equilíbrio encontrado com Isco

Foi necessária a série de lesões e recaídas de Bale para Zidane encontrar o time ideal. E que aparentemente será mantido para a decisão, consideradas as declarações do próprio Bale durante a semana. Apesar de Zidane ter batido o pé ao longo da temporada (“no trio de ataque não se mexe”), o fato é que o time ficou mais equilibrado com Isco no topo do losango do meio de campo. Cristiano Ronaldo e Benzema passaram a atuar mais próximos e receber mais bolas limpas. A presença de Isco desafogou de Kroos e Modric a responsabilidade única de municiar o ataque e criou inúmeras linhas de passe a mais. Com essa formatação, o Real passou a se impor nos jogos e depender menos de bolas paradas, chuveirinhos e vitórias arrancadas nos minutos finais, que vinham sendo regra na temporada.

 


Buffon e Zidane: dois momentos históricos em que os caminhos se cruzaram
Comentários Comente

juliogomes

Gianluigi Buffon e Zinedine Zidane. Dois nomes históricos do futebol europeu se reencontrarão neste sábado, na final da Liga dos Campeões da Europa.

Buffon tem a chance, talvez derradeira, de conquistar o título interclubes mais importante, aquele que falta em sua brilhante carreira. Zidane, completando sua primeira temporada completa como treinador de futebol, pode ser o primeiro homem em quase 30 anos a ganhar o título europeu duas vezes seguidas.

Não será a primeira vez que se cruzarão os caminhos das duas lendas. Houve outros dois momentos históricos. E outros de menos peso, mas ainda assim dignos de recordação.

Um talvez seja mais fácil de lembrar. Final da Copa do Mundo de 2006, em Berlim. O último jogo da carreira de Zidane como jogador de futebol, aos 34 anos de idade. França e Itália empataram por 1 a 1, e a Itália levou a melhor nos pênaltis, conquistando o tetracampeonato mundial.

A última imagem de Zidane como jogador foi a cabeçada em Materazzi, expulso em seu último jogo como profissional e logo na final da Copa. Antes disso, porém, ele havia superado Buffon em uma cobrança de pênalti com cavadinha. Mas Buffon deu o troco na prorrogação, fazendo uma defesaça e evitando um gol de Zidane que poderia ter sido o do título francês.

O outro momento histórico em que a vida dos gênios esteve interligada é menos lembrado – mas não menos importante.

Foi justamente a venda de Zidane da Juventus para o Real Madrid em 2001, então a mais cara da história, por 77 milhões de euros, que permitiu ao clube italiano contratar Buffon. A Juve pagou 53 milhões de euros ao Parma, no que é até hoje o maior valor desembolsado por um goleiro na história.

Aliás, com o dinheiro recebido por Zidane a Juventus não só tirou Buffon, mas também o lateral francês Thuram do Parma. E tirou Pavel Nedved da Lazio (ambos por aproximadamente 40 milhões de euros cada). Essas três eram as três contratações mais caras da história da Juventus, até os 90 milhões de euros pagos por Higuaín no ano passado.

Com Buffon, Thuram e Nedved, a Juventus recompôs com glória a perda de Zidane. Chegou novamente à final da Champions (perdeu para o Milan nos pênaltis, em 2003) e Nedved ganhou a Bola de Ouro naquele mesmo ano. Jogou no clube até se aposentar, em 2009, e hoje é membro da diretoria da Juve, ou seja, transformou-se em um nome histórico da Velha Senhora.

No caminho até a final de 2003, a Juventus, de Buffon, derrotou o Real Madrid, de Zidane, na semifinal. Dois anos depois, em 2005, a Juve voltaria a eliminar o Real na Champions, desta vez nas oitavas de final. Portanto, o Zidane jogador de futebol era freguês de carteirinha de Buffon.

Mas, sábado, em Cardiff, Zidane estará no banco de reservas. E Buffon, como nos últimos 16 anos, defendendo o gol da Juventus.


“Zidane virou um grande na Juventus, só faltou a Champions”
Comentários Comente

juliogomes

Poucos jogadores podem presumir de estar na lista dos maiores de dois dos clubes mais poderosos do mundo. Zinedine Yazid Zidane é um deles.

Um dos maiores jogadores da Juventus. Um dos maiores jogadores do Real Madrid. Dois clubes que fazem neste sábado a final da Liga dos Campeões da Europa, em Cardiff.

Hoje, Zidane é técnico do Real Madrid e tenta se tornar o primeiro homem desde Arrigo Sacchi (Milan 89-90) a se tornar campeão europeu por dois anos seguidos. Aliás, o Real Madrid tenta também ser o primeiro clube a ser rei da Europa por dois anos seguidos desde a criação da Champions League moderna, em 1992.

O francês é o nome próprio da final antes de a bola rolar. Se for campeão novamente com o Real, irá tirar da Juventus o título que ele mesmo não conseguiu dar.

A Juve era campeã europeia quando, no meio de 1996, foi buscar Zidane, então com 24 anos, no Bordeaux. O clube chegou a mais duas finais europeias, em 97 e 98, já com Zizou no time, mas perdeu ambas.

“Zidane chega depois da Euro 96 e logo demonstra um grande valor, vira um ponto de referência para o time. Ele virou um grande com a camisa da Juventus”, contou ao blog o jornalista Alberto Cerruti.

Cerruti escreve para a “Gazzetta dello Sport” há mais de 40 anos, é um dos jornalistas mais respeitados da Itália, uma referência, e acompanhou de perto a saga europeia daquela Juventus.

“Na Juve, ele cresce do ponto de vista tático. Passou a jogar para o time, fazer sacrifícios, pela primeira vez entende que podia virar um líder. Depois vieram os sucessos com a seleção francesa, Mundial de 98 e Euro 2000, virou um grande orgulho para a Juventus ter um campeão em seu elenco”, conta Cerruti.

“Os dois maiores da história da Juventus são Platini e Del Piero. Mas Zidane está no top 5 de qualquer torcedor. Sempre foi uma estrela. Só faltou mesmo ganhar a Champions.”

Na final de 97, a Juve foi derrotada pelo Borussia Dortmund de forma surpreendente. No ano seguinte, perdeu justamente para o Real Madrid, em Amsterdã. Zidane participa de algumas jogadas de bola parada, mas não faz uma de suas melhores partidas com a camisa juventina.

“Foram duas finais estranhas”, lembra Cerruti. “A Juventus era favorita, mas jogou mal as duas finais. Del Piero era a estrela principal, Zidane era um dos pilares do time, mas não o principal nome. Nunca foi indicado como culpado, não ficou com fama de perdedor nem nada do tipo. Em 98, no gol da vitória do Real Madrid, Mijatovic estava em posição de impedimento. E o time não conseguiu buscar, não parecia a Juventus.”

Em 2001, Zidane foi vendido ao Real Madrid por 77 milhões de euros – na época, a maior transferência da história do futebol.

Logo em sua primeira temporada, Zidane conquistou, finalmente, sua única Champions League como jogador. Com direito a um gol antológico na final em que o Real Madrid venceu o Bayer Leverkusen, em 2002.

“Ele tinha mulher espanhola, queria ir para a Espanha e foi uma grande oferta econômica. Ganharam todos com a troca. Ele saiu bem, não saiu como um traidor ou qualquer coisa do tipo. Até hoje é muito ligado à Juventus, tem casa em Turim. Talvez, naquele momento, tenha entendido que com o Real Madrid seria mais fácil, tivesse mais possibilidades de ganhar a Champions League. O futebol espanhol tem até hoje mais espaço, menos defensivismo, ele se encontrou muito bem logo de cara. E fez aquele gol maravilhoso na final de 2002”, lembra Cerruti.

Hoje, Zizou é “professor”. Em um ano e meio no cargo, já conquistou Champions, Mundial e Liga espanhola com o Real Madrid. Ainda é visto com ressalvas por muitos analistas. Não pelo italiano.

“Pensam que é fácil vencer no Real Madrid, mas não é bem assim. Ele mudou o time, colocou Casemiro, deixou James Rodríguez fora, teve coragem, não fez o time que o presidente (Florentino Pérez) queria. Sem Bale, fez Isco jogar, demonstrou ser um grande treinador. Tem muito carisma dentro do vestiário e entendeu a tranquilidade de Carlo Ancelotti, que foi seu técnico da Juventus e com quem trabalhou depois no Real. O treinador Zidane ainda é subvalorizado”, analisa Cerruti.

E quem vai ganhar a final de sábado?

“A Juventus é mais forte, mais completa. Precisa ter determinação e agressividade, deixar de lado esse complexo de perder finais. Se esperar o Real Madrid e não atacar, pode pagar o preço. Essa é uma final que será vencida por quem marcar o primeiro gol. Não vejo a Juventus conseguindo uma virada. Precisa entrar convencida e buscando a vitória desde o primeiro minuto”.

Se conquistar o título europeu, será a primeira vez da Juventus desde 1996. Já são 21 anos de fila. Naquela final perdida para o Real em 98, Zidane utilizava justamente a camisa 21.

O blog agradece à atenção de Alberto Cerruti. Um grande.


Na Espanha, o papo agora é a “mala branca”. Será?
Comentários Comente

juliogomes

É tão comum quanto aqui no Brasil. Chega o final da temporada na Espanha e sempre algum time precisa da ajuda do outro para alguma coisa. Para ser campeão, para não cair, para ir para a Champions…

O que conhecemos aqui como “mala branca”, na Espanha é chamado de “maletín”.

No campeonato, já estão definidos os rebaixados (Sporting Gijón, Osasuna e Granada) e os classificados para a Liga dos Campeões da Europa (Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madri na fase de grupos, Sevilla na fase prévia). Resta essencialmente a briga pelo título.

Real Madrid e Barcelona têm os mesmos 87 pontos na tabela. O primeiro critério de desempate é o confronto direto, e aí o Barça tem a vantagem – é, portanto, o líder no momento. Mas ao Barça só resta mais um jogo, em casa contra o Eibar. O Real Madrid ainda joga mais duas vezes, ambas fora de casa – quarta-feira contra o Celta, em Vigo, e domingo em Málaga.

A entrevista coletiva de Zinedine Zidane, hoje, teve perguntas sobre os famosos “maletínes”.

Será que alguém (tipo… o Barcelona) vai oferecer mala branca para os jogadores do Celta?

“Não falarei sobre isso. São jogadores profissionais, os do Celta”, falou Zidane.

Que, por sinal, desenvolveu uma enorme capacidade de encerrar as polêmicas rapidamente em suas entrevistas. Não dá a corda que a imprensa tanto gosta. Morata saiu zangado no domingo? “Não era comigo”. Vai ter mala branca? “Não respondo”. James Rodríguez não treinou e já está negociado com o Manchester United? “Só levou uma pancada”.

E assim vai Zidane. Sem polêmicas, sem apontar dedo, fiel a seus conceitos e com a linguagem que os jogadores adoram.

Mala branca é debate antigo. Alguns acham que é normal, um incentivo a outros jogadores. Alguns acham antiético, um expediente que não deveria ser usado. No mundo perfeito, nenhuma premiação em dinheiro deveria ser necessária para jogadores de futebol darem tudo em campo. Mas sabemos que o ser humano está longe de ser perfeito.

Não acho muito normal que o Barcelona perca tempo e corra risco de se expor oferecendo bicho extra aos jogadores do Celta. Mas, no futebol, convém não duvidar de nada.

O Celta perdeu cinco jogos seguidos na Liga espanhola. E não vence há um mês somando todas as competições (dois empates e seis derrotas). Esse “derretimento” no fim da temporada tem a ver com as atenções voltadas para o sonho vivido na Europa League. O Celta acabou eliminado pelo Manchester United na semifinal, mas teve grande chance de gol perdida aos 51min do segundo tempo em Old Trafford. Esteve a uma finalização bem feita de eliminar o United e ir à final.

É um time que tem, portanto, bola para complicar o Real Madrid. E complicar o Real Madrid é algo que toda torcida na Espanha quer. Nem precisa de maletínes.


Esperança do Barça é que Real repita pior sequência com Zidane
Comentários Comente

juliogomes

Zidane assumiu o comando técnico do Real Madrid em janeiro de 2016. Ao longo do ano passado inteiro, perdeu apenas dois jogos, foi campeão da Liga dos Campeões e do Mundial da Fifa. No comecinho de 2017, perdeu dois jogos seguidos: para Sevilla e Celta de Vigo.

São exatamente os dois adversários do Real Madrid no domingo e quarta-feira seguintes ao duelo de Champions contra o Atlético no meio desta semana.

Para ser campeão espanhol pela primeira vez desde 2012, o Real Madrid precisa somar sete pontos em seus três jogos restantes. Em casa contra o Sevilla, fora contra o Celta e fora contra o Málaga.

Após as goleadas de sábado sobre Granada e Villarreal, respectivamente, Real e Barcelona têm os mesmos 84 pontos. O Barça tem a vantagem no critério de desempate, mas só jogará mais duas vezes – o normal é que some seis pontos contra Las Palmas (fora) e Eibar (em casa).

Ao Barcelona, além de ganhar seus jogos, resta torcer contra o Real Madrid, um time que fez gols em todos os 55 jogos oficiais da temporada.

O Real de Zidane estabeleceu em janeiro um recorde histórico de 40 jogos seguidos sem perder. O jogo do recorde foi em Sevilha, pela Copa do Rei, um 3 a 3 arrancado com um gol de Benzema aos 48min do segundo tempo – valia apenas a marca, pois o Real já estava classificado, havia vencido por 3 a 0 na ida.

Três dias depois, os times voltaram a se enfrentar, pela penúltima rodada do turno da Liga espanhola. E o Sevilla quebrou a invencibilidade histórica do Real com uma vitória por 2 a 1 – gol contra de Sergio Ramos (ex-sevillista), aos 40min, e virada com Jovetic, aos 46min do segundo tempo.

Mais três dias se passaram, e o Real Madrid perdeu em casa para o Celta, por 2 a 1, pela Copa do Rei – com alguns desfalques, mas time titular em campo. Um empate por 2 a 2 na semana seguinte, em Vigo, decretaria a eliminação do Real na competição.

O Real voltaria a jogar em Vigo em fevereiro pelo Campeonato Espanhol, mas uma tempestade afetou o estádio Balaídos, e o jogo foi adiado. Por coincidência, será realizado agora entre penúltima e última rodadas, justamente depois do duelo contra o Sevilla.

Esta mesma sequência de jogos, a única em que Zidane saiu derrotado seguidamente desde que assumiu o clube, se repete – com os mandos de campo invertidos.

Um fio de esperança para um Barcelona se amarrando a qualquer coisa em suas “secadas”. E não basta torcer para o Real empatar uma. Precisa perder uma. Ou empatar duas.

O Sevilla está em quarto no campeonato e o jogo de domingo, no Bernabéu, está longe de ser de vida ou morte. São cinco pontos abaixo do Atlético de Madri e seis acima do Villarreal na tabela. Um ponto basta ao Atlético para se garantir em terceiro lugar e ganhar a vaga direta para a próxima Champions. E um ponto basta ao Sevilla para se garantir em quarto e ir pelo menos para a fase prévia da Champions. Na última rodada, o time de Sampaoli recebe em casa o lanterna e já rebaixado Osasuna. Se perder do Real Madrid, portanto, deve conseguir o ponto que falta depois.

Já o Celta perdeu três jogos seguidos e caiu para 11o lugar na tabela – são cinco derrotas em seis partidas. É um bom time, mas com a cabeça em outro lugar, com a cabeça no sonho europeu. Na quinta-feira, o Celta viaja a Manchester para enfrentar o United por uma vaga na Europa League. É a melhor campanha europeia da história do clube, que tenta sua primeira final continental. Para isso, terá de reverter a derrota de 1 a 0 em casa, sofrida na última quinta.

O mais provável é que chegue eliminado para o confronto da outra quarta-feira, contra o Real Madrid. Será aplaudido e homenageado por seu torcedor. Mas daí a complicar um time ultramotivado pela chance de título…

O Barcelona perdeu para o Celta em Vigo e perdeu também para o Málaga, que será o adversário do Real Madrid na última rodada.

Se o Real não tropeçar e ganhar o título em Málaga, o terá feito na mesma cidade em que o Barcelona perdeu pontos pela última vez no campeonato. Aquele jogo da expulsão de Neymar.


A Liga dos reservas do Real Madrid e da coragem de Zidane
Comentários Comente

juliogomes

Não sou o analista mais eufórico sobre a capacidade de Zinedine Zidane como técnico de futebol. Ao longo deste pouco mais de um ano de sua carreira, no comando “só” do Real Madrid, vi muito conservadorismo nas substituições, um time ultradependente da bola aérea e muito vazado atrás. Pouca capacidade de mudar jogos complicados.

Mas não é possível tirar os méritos de Zidane se o Real confirmar o título espanhol (só ganhou um nos últimos oito anos) e chegar à final da Champions – duas possibilidades para lá de prováveis. A estratégia de rodízio nas escalações foi simplesmente perfeita.

Se Zidane ainda sente dificuldades nos 90 minutos, mostrou enorme capacidade de pensar a temporada como um todo. Mostrou coragem. Porque, se desse errado, seria criticado. E o fato é que o time está voando na hora H, sobrando fisicamente nos jogos grandes.

Neste sábado, os reservas do Real golearam o Granada com quatro gols no primeiro tempo. Com isso, o Real segue empatado com o Barcelona em pontos, mas com um jogo a menos. Duas vitórias e um empate nas últimas três partidas serão suficientes para o título espanhol. Isco não jogou em Granada, mas Morata, James Rodríguez, Lucas Vázquez e Asensio deram conta do recado.

Desde o começo de abril, em um período de um mês, Zidane optou por colocar um time praticamente inteiro reserva em campo em quatro partidas. Todas fora de casa. Os reservas ganharam os quatro jogos. 12 pontos de 12. Com direito a 21 gols marcados – cinco de James, que quase deixou o clube em janeiro, e sete de Morata, que, por mais que a imprensa madrilenha tenha tentado forçar a situação, nunca ameaçou a titularidade de Benzema. Coloquei a lista de jogos dos reservas e marcadores no final deste post.

Devido às lesões, só o sistema defensivo foi pouco rodado nestes jogos. Sergio Ramos, por exemplo, esteve em campo em quase todos. Marcelo, em metade.

Zidane não só conseguiu os pontos que precisava como não sucumbiu às pressões midiáticas. Em nenhum momento os titulares se sentiram ameaçados. Quem era craque sabe que qualquer jogador, craque ou não, precisa de confiança para desempenhar.

Cristiano Ronaldo nem no banco ficou nestas partidas e tampouco viajou para um jogo em março, contra o Eibar. Consequência? O português está tinindo no fim de temporada e fez oito gols em três jogos nas eliminatórias contra Bayern e Atlético na Champions. Lembrando que, após a Eurocopa do ano passado e a lesão sofrida na final, Cristiano ficou sem pré-temporada.

Zidane conseguiu conter a “fome” de Cristiano Ronaldo por minutos, gols e números. E criou o melhor dos mundos: o português está voando na Champions, e os reservas voando para estádios hostis, dando conta sem ele.

As rotações começaram em janeiro, quando há os jogos de Copa do Rei no meio de semana. Zidane já dava mostras do que faria mais para frente, deixando alguns titulares fora de alguns jogos. O time titular, então, teve uma sequência horrorosa no Espanhol no final de fevereiro. Derrota para o Valencia, vitória no finalzinho (e com ajuda da arbitragem) em Villarreal e empate em casa contra o Las Palmas. Ali, foi tomada a decisão.

O jogo seguinte a este empate foi em Eibar, e Zidane deixou mais de meio time de fora, incluindo Cristiano. A partir daí, começou a alternar times. Enquanto os titulares cederam pontos em casa nos clássicos contra Atlético e Barcelona, os reservas foram ganhando uma atrás da outra. Drama mesmo só no jogo de Gijón, com gol de Isco no último minuto. De resto, goleadas e pontos.

Os titulares voltam a campo contra o Atlético, quarta, pela Champions. E aí serão disputados os três jogos finais pela Liga espanhola. Sevilla em casa, Celta fora, Málaga fora. Será que Zidane terá coragem de colocar os reservas em algum destes três jogos? Veremos.

A epopeia dos reservas (entre parênteses, quem fez os gols):

4/3 Eibar 1-4 Real (Benzema-2, James, Asensio)
5/4 Leganés 2-4 Real (Morata-3, James)
15/4 Gijón 2-3 Real (Isco-2, Morata)
26/4 La Coruña 2-6 Real (James-2, Morata, Lucas Vázquez, Isco, Casemiro)
6/5 Granada 0-4 Real (James-2, Morata-2)


Cinco razões pelas quais o Bayern é favorito a vencer o Real Madrid
Comentários Comente

juliogomes

Bayern de Munique e Real Madrid fazem o maior clássico da Europa. É isso mesmo que você leu. Não há jogo maior no mundo envolvendo times de países diferentes. Muito se deve ao fato de ambos serem os maiores campeões de seus países e dois dos maiores do continente. Mas o grande fator que faz esse jogo tão grande é o fato de terem se enfrentado tantas vezes em horas tão importantes.

Bayern e Real farão nesta quarta o 23o jogo entre eles – um recorde entre clubes em competições europeias. Até hoje, foram dez duelos de mata-mata, com cinco classificações para cada um. Só falta mesmo uma grande final, que nunca ocorreu (foram seis semifinais).

Junto com o Barcelona, os dois têm dominado o futebol europeu recentemente. São os três times apontados como favoritos desde o início da Liga dos Campeões. No entanto, este blog considera o Bayern bastante favorito para o jogo contra o Real, e o time alemão tem a chance de deixar a eliminatória encaminhada. Aqui estão as cinco razões.

1- Técnico

É o típico confronto entre mestre e pupilo, com a diferença que o aprendiz não parece nem um pouco perto de superar o professor. Zidane foi auxiliar de Ancelotti quando o italiano passou pelo Real Madrid. O próprio Zidane credita muito de seu estilo como técnico ao que aprendeu neste período.

Por mais que tenha conquistado a Champions League no ano passado, no entanto, Zidane ainda tem muito para provar. Seu time joga o arroz com feijão e é ultradependente das bolas aéreas. Com o que tem em mãos, poderia fazer muito mais. Sem dúvidas, Zidane fala a linguagem da boleirada, entende o Real Madrid, o torcedor, as necessidades. São fatores que não tiro da lista de méritos dele. Por outro lado, é nítida a dificuldade para ler partidas durante os 90 minutos e fazer alterações que melhorem o time. É quase sempre o seis por meia dúzia, tudo muito previsível.

Já Ancelotti, um mestre da arte, conhece o elenco do Real Madrid de trás para frente e sabe como explorar os pontos fracos. Tampouco se notabilizou na carreira pela criatividade, mas é bastante mais refinado que Zidane na leitura de jogo.

2- História

O passado pode não servir para garantir o futuro, mas certamente nos indica tendências. E, nos confrontos entre Bayern e Real, historicamente quem joga em casa se dá bem. O Bayern recebeu o rival espanhol 11 vezes em Munique: ganhou nove, empatou uma e perdeu só uma, a última, aqueles 4 a 0 de 2014 que levaram o Real à decisão. É bom lembrar que aquele era um jogo de volta – após o Real vencer na ida – e que Guardiola escancarou o Bayern para os contra ataques madridistas.

Das cinco vezes em que o jogo de ida de um mata-mata entre eles ocorreu em Munique, o Bayern venceu quatro.

O Real Madrid é um clube que se considera o maior do mundo. Os torcedores dizem não ter medo de nada nem ninguém, o clube já se mostrou capaz de tudo – e acreditar nisso certamente ajuda. Mas é inegável que o Bayern é o clube mais temido pelo Real, talvez o único. Não à toa, há faixas, camisetas e cachecóis em Munique com os dizeres “La bestia negra”. Eles adoram o apelido dado pelos próprios madrilenhos.

3- Defesa desfalcada

O Real Madrid já não tinha Varane e perdeu Pepe para o jogo e para a temporada, com duas costelas quebradas. Nacho atuará na zaga ao lado do Sergio Ramos, uma considerável queda de qualidade. Nacho entrou no dérbi, sábado, e logo teve posicionamento falho que permitiu a Griezmann empatar o jogo para o Atlético de Madri.

Na imprensa de Madri, Nacho é muito elogiado. Natural, é o único jogador do elenco que subiu da base para o time principal sem passar por outros clubes – a prata da casa é sempre valorizada e precisa ter a confiança do torcedor. Pelas muitas lesões dos outros, foi titular em 25 dos 47 jogos. Não é um completo novato, mas não tem a bagagem de um Pepe. Além do mais, Sergio Ramos jogará a ida pendurado, o que limita muito sua atuação em Munique. É um Real sem reservas para a zaga, no limite da improvisação.

4- BBC? Ou RLR?

Eu ODEIO essa sopa de letrinhas que inventaram na Espanha. BBC, MSN, PQP. Seria ridículo apelidar o ataque do Bayern de RLR, não é mesmo? O que não é ridículo é o futebol que estão mostrando Robben, Lewandowski e Ribèry.

Robben e Ribèry juntos e saudáveis, uma raridade. O Bayern sofreu demais sem os dois em boa forma na hora H das últimas três temporadas. Agora, não só estão bem como têm entre eles o que talvez seja o melhor camisa 9 do mundo hoje: Lewandowski. Até gol de falta ele anda fazendo, um atacante completo e que já destruiu o Real Madrid quando jogava no Dortmund.

A fase do ataque é tão boa (39 gols nos últimos 11 jogos) que mal nos lembramos que o Bayern tem um certo Thomas Mueller no elenco – em má temporada, é verdade, mas um jogador que já mostrou muito valor em partidas enormes.

Atualização: Algumas horas antes do jogo, o Diário Marca noticia que Lewandovski não jogará, por problemas no ombro. Mueller em seu lugar. Sensível baixa técnica para o ataque do Bayern, mas um substituto de peso.

O contraponto é o trio do Real Madrid. Cristiano Ronaldo não consegue fazer a mesma temporada de outros anos, e Bale não entrou nos eixos após a lesão que lhe deixou três meses sem jogar. Tanto não funciona como em outros anos que o principal “atacante” do Real Madrid, nos momentos mais agudos, foi Sergio Ramos. Morata pede passagem ou até mesmo uma formação diferente, mas Zidane insiste com o BBC.

5- Jogo coletivo

O Real tem problemas defensivos (só deixou de sofrer gols em 3 dos últimos 21 jogos) e de construção. É nítido que o time sofre demais quando Kroos e Modric são bem marcados. A bola não chega no trio de ataque e, por isso, o Real tem dependido tanto da bola parada para ganhar jogos. Sim, são 52 jogos seguidos fazendo gols, um mérito inegável. Mas quantos deles tiveram a ver com o “jogo jogado”?

Na temporada, o Real Madrid fez 132 gols e levou 56 em 47 partidas. O Bayern fez 109 gols e levou 24 em 41 jogos. Tem números ofensivos parecidos, mas sofre muito menos gols.

É um jogo coletivo mais fluido, com um meio de campo formado por jogadores capazes de tudo: destruir, cobrir laterais, construir com passes curtos ou longos, chegar à frente e marcar gols. Xabi Alonso, Vidal e Thiago são completos e vivem grande momento de forma.

O alicerce de qualquer time é o meio de campo. O do Bayern está melhor conectado com as linhas de trás e de frente do que o (também ótimo) meio de campo do Real Madrid.

 


Real Madrid deixa interrogações, Atlético deixa certezas
Comentários Comente

juliogomes

O jogo do Real Madrid era para lá de completo. O time tinha uma grande atuação contra um grande adversário. Mas o recuo exagerado nos 15 minutos finais foi punido. O Atlético de Madri buscou o empate, e o dérbi madrilenho acabou em 1 a 1.

O Real Madrid chega a 72 pontos. E a grande sorte que teve no dia veio mais tarde, já que o Barcelona perdeu por 2 a 0 do Málaga e ficou três pontos atrás. O Real ainda tem um jogo a menos, então segue com gordura antes do superclássico do dia 23.

O grande problema para o time de Zidane são as dúvidas que ele deixa no ar. É um time capaz de empurrar, dominar, criar. Mas passa a impressão de só fazer gols de bola parada. E de não ter a mesma intensidade o tempo todo, como fazem times como o Atlético. Zidane não consegue fugir do arroz com feijão nas substituições.

Bale era o pior jogador do time durante toda a partida. Mas o francês tirou Kroos para colocar Isco. A substituição certa era tirar Bale e reforçar um meio de campo que estava sendo atropelado pela intensidade atlética.

O Real, previsível, tem agora dois confrontos “só” contra o Bayern de Munique. Haverá momentos para um lado e para o outro nos dois duelos. Mas será que o Real conseguirá derrubar o mais completo elenco da Europa só com bolas paradas?

O número de gols de bola parada que o Real Madrid fez na temporada é brutal. O amigo Vítor Birner, companheiro blogueiro aqui no UOL, criou um apelido: Zidanebol.

De fato, em muitos jogos da temporada o Real Madrid não fez absolutamente nada e encontrou a vitória depois de uma falta ou escanteio levantados na área. Foi deste jeito que o Real achou o gol no dérbi deste sábado. Para não ser injusto, Zidanebol seria se o Real Madrid fizesse apenas isso. Se levantar bolas na área fosse o recurso único. Não foi o caso contra o Atlético. Ainda assim, foi só desse jeito que saiu o gol.

O Atlético de Madri é um baita time de futebol. Se o Real sai do dérbi com interrogações, o Atlético sai com certezas. Vive seu melhor momento na temporada e tem tudo para passar o carro em cima do Leicester e chegar a mais uma semifinal europeia.

Não dá chutão. Não adianta ser tão bom defensivamente, recuperar bolas e dar uma bicuda para ver o que acontece. Era assim três, quatro anos atrás, ainda com Diego Costa. Ao longo das últimas temporadas, o Atlético foi desenvolvendo esse jogo de bola no chão, passes curtos, saída rápida e com qualidade.

Alterna marcação alta com marcação mais recuada, sempre com incrível sincronia. Sabe sair trocando passes de trás, sabe alongar para a velocidade nas costas dos laterais. O Atlético sabe, enfim, levar partidas de futebol de muitos modos diferentes. É mais imprevisível. Tem mais recursos táticos do que o Real Madrid sob Zidane.

O primeiro tempo neste sábado foi um grandíssimo jogo de futebol, apesar do 0 a 0. O Atlético fechou as linhas de passe para Modric e Kroos, deixando a bola sobrar para Casemiro e os zagueiros. Mesmo assim, o Real Madrid conseguiu mandar no duelo. E foi pelo meio, primeiro após uma tabela, depois com bola roubada por Modric, que o Real quase chegou ao gol. Benzela obrigou Oblak a fazer uma defesaça, e Cristiano Ronaldo teve gol certo salvo em cima da linha por Savic.

Ao Atlético, faltava a conexão final com Griezmann e Torres. O time marcava bem, saía bem da marcação do Real, mas não conseguia conectar com os homens de frente – até porque Saúl fazia péssima partida, errático nos passes, e Carrasco estava muito afastado do campo de ataque.

Ainda assim, Griezmann chegou a obrigar Navas a fazer ótima defesa e algumas bolas paradas levaram perigo.

O segundo tempo começa com mais uma defesaça de Oblak contra Benzema. E, aos 7min, vem a falta infantil de Saúl, colocando a mão na bola em um lance bobo na intermediária. Quem dá bolas paradas de graça para o Real Madrid paga o preço. O cruzamento de Kroos foi na medida para o gol de Pepe.

Neste momento, o Real tinha o jogo a seu dispor. Mas o Atlético é um time tão bom e experiente que não caiu na armadilha. Não foi desesperado para frente, dando o contra ataque que o Real tanto ama.

Numa enfiada pelo meio, Torres ficou cara a cara, e Navas fez ótima defesa. Saíram Saúl e Torres, os piores do Atlético. A entrada de Correa deu mais do que certo. O argentino e Thomas conseguiram trabalhar entre as linhas do Real, sobrecarregando Casemiro. Zidane perdeu Pepe, que levou uma joelhada de Kroos, e tirou o próprio alemão.

O Real Madrid recuou demais na expectativa de contra atacar. Não agrediu. Quis segurar o 1 a 0. E aí o Atlético, que sabe jogar também com a bola nos pés, tomou conta do jogo. Em uma enfiada de Correa, Griezmann, um dos atacantes mais quentes do momento, empatou. Nacho, que entrou no lugar de Pepe, não parece ter a capacidade de ser o zagueiro titular ao lado de Ramos. Mas com Varane e, pelo jeito, Pepe fora de combate, é o que Zidane tem para hoje.

O Real Madrid quis fazer o que não sabe. Não é um time que domina todas as facetas do jogo, como seu rival de hoje.

O Atlético dominou os minutos finais, contra um Real Madrid aturdido em campo. É intensidade demais para um jogo só.

Desde que Simeone chegou ao Atlético, no fim de 2011, foram 22 dérbis: 8 vitórias do Real, 7 do Atlético, 7 empate. São três vitórias atléticas e um empate nos últimos quatro jogos entre eles pela Liga espanhola no Bernabéu.

O Atlético era freguês de carteirinha do maior rival. Hoje, é uma pedra de sapato quase que intransponível.