Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Zidane

Zidane dá mais uma lição de grandeza e humildade
Comentários Comente

Julio Gomes

E Zidane “se fué”. Convocou uma coletiva, avisou que estava deixando o Real Madrid e deixou o mundo de queixo caído.

Pode parecer inacreditável para nós – para os espanhóis, para todo mundo, enfim – que alguém deixe seu posto no auge. Vamos lembrar. Zidane nunca havia dirigido uma equipe profissional. Assumiu o Real Madrid na roubada, há dois anos e meio, depois da má escolha e da demissão de Benítez. Em duas temporadas e meia, ganhou três Champions League. Um fenômeno.

Por que ir embora? O cara pode ganhar o salário que quiser, pode fazer e desfazer no vestiário, tem a faca e o queijo na mão, é amado pela torcida, talvez seja o maior nome da história do madridismo. Por que?

A resposta talvez seja mais fácil do que parece. Porque Zidane é um gigante. Grandeza e humildade, coisa que poucos têm. A humildade para reconhecer que o ano não foi bom – acabou com um título europeu quase acidental, se olharmos para a trajetória da temporada. A humildade para reconhecer que possivelmente não seja capaz de reverter o viés de queda do time. A grandeza de deixar o lugar para outro. A grandeza de não enganar o clube com falsas promessas e expectativas.

O Madrid está de luto, dirigentes e jogadores possivelmente estejam zonzos com a notícia. Mas parece que só Zidane, neste momento, consegue compreender o que é melhor para o clube. Com a classe de sempre. Sem polêmicas nem intrigas.

O melhor é abrir caminho para a transição com três Copas da Europa em sequência. Muito melhor do que fazê-lo no meio de uma tempestade.

A transição, está claro, não será apenas de treinador. Bale tem pinta de que vai embora. Uma troca Cristiano Ronaldo por Neymar com o PSG está fervendo, com todos os sinais possíveis de que ocorrerá. Não se sabe se Navas continuará com a confiança do clube. Para Sergio Ramos, a idade vai chegando. Asensio e outros jovens pedem caminho.

Haverá mudanças, isso está claro. E Zidane não se sente na melhor posição para comandar a revolução e seguir fazendo o Real vencedor.

O que tinha toda pinta de ser uma hegemonia de anos se transformou em domínio continental, mas não doméstico. Pode parecer para nós, brasileiros, que os europeus tratem suas Ligas como nós temos tratado os estaduais. Não é bem assim. E a prova é que, em sua despedida, Zidane disse que seu maior momento como treinador do Real Madrid foi conquistar o Espanhol, ano passado.

Para reconquistar a Liga local, o Real vai ter de remar muito e se ajustar rapidamente às mudanças de elenco que possam se produzir. Não é uma conta fácil nem previsível.

Zidane se vai como chegou. De forma rápida e inesperada. Veio dos livros de história e escreveu páginas ainda mais triunfais. Foram 9 títulos (de 13 possíveis) em 876 dias. Estamos diante de um grande. Uma pessoa completamente diferente, um ponto fora da curva.


Por que ninguém fala deste Real Madrid como o melhor time da história?
Comentários Comente

Julio Gomes

Basta ler a coluna na Folha do grande PVC, também blogueiro aqui do UOL, para entender o tamanho da história feita pelo Real Madrid.

É o primeiro tricampeão da era Champions League (já era primeiro o bicampeão), uma era em que é muito mais difícil ganhar o torneio. Antes, enquanto tínhamos o formato de Copa dos Campeões da Europa, o difícil mesmo era disputar o torneio – era necessário ser campeão nacional. A característica da era Champions é que todos os grandões estão sempre na disputa, porque, claro, raramente não ficam entre os três ou quatro primeiros nas ligas domésticas.

Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Juventus, Manchester United, agora os “ricos” Chelsea, City, PSG, enfim. A galera toda está sempre lá, salvo uma ou outra exceção. E é isso que faz da Champions uma competição tão difícil de ser vencida.

Que o Real tenha vencido quatro europeus em cinco anos é um fato estrondoso. Muito mais relevante que o penta do próprio Real lá nos anos 60, quando a competição é criada, ou os tris de Ajax e Bayern e, claro, mais relevante que as quatro conquistas do Barcelona entre 2006 e 2015, com uma espinha dorsal e um jeito de jogar característico.

Quando o Barcelona de Guardiola, Messi, Xavi e Iniesta ganha do jeito que ganha em 2011 – e considerando que aquele time era base e inspiração para uma Espanha campeã do mundo em 2010 e campeã da Europa em 2008 e, depois, em 2012 -, parecia claro que estávamos diante do maior time da história. Maior que o Real de Di Stefano e do Santos de Pelé, pela competição maior de hoje em dia, pelo fato de o futebol ser globalizado (ou seja, os melhores do mundo realmente estão na Champions) e por deixar uma marca, uma impressão digital, quando parecia impossível inventar algo novo no jogo. O resgate triunfal do “jogo bonito”.

Por que podemos discutir se o Barça de Guardiola e Messi é o melhor de sempre, mas não vemos discussões desse tipo sobre o Real Madrid de Zidane e Cristiano Ronaldo?

Não seria a hora de olharmos para Sergio Ramos como um dos grandes zagueiros da história? Não seria a hora de percebermos que, exceção feita à Copa do Mundo, Marcelo tem uma carreira maior que a de Roberto Carlos? Não seria a hora de colocarmos a dupla Kross-Modric em um patamar parecido ao de Xavi-Iniesta? Não seria a hora de vermos que Cristiano Ronaldo é o maior atacante de todos os tempos?

Eu desconfio de alguns fatores que fazem com que muita gente seja tão reativa à ideia de considerar este Real Madrid de 14-18 o maior time de todos os tempos.

É um time que neste mesmo período ganhou seu campeonato doméstico apenas uma vez – neste ano, por exemplo, acabou em terceiro, a 17 pontos do Barcelona. As ligas domésticas, com 38 rodadas, apontam que times conseguem ser mais consistentes, dominantes em todos os jogos, enquanto o mata-mata, claro, dá margem a muito mais coisa.

O Barça de Guardiola, o Real de Di Stefano, o Santos de Pelé eram todos absolutamente dominantes nas competições domésticas.

Guardiola é um gênio do ofício, um cara que consegue enxergar muito além, abstrair, pensar fora da caixa. É desses que deixam a digital, um legado. Qual é até agora a marca de Zidane?

E uma comparação parecida envolve o embate Cristiano-Messi. Os números e a capacidade do primeiro são inegáveis. Mas Messi é fantasia, é genialidade, é fazer aquilo que ninguém espera, aquilo que conexões cerebrais não conseguem enxergar.

Cristiano e Zidane ganham. Messi e Guardiola encantam. Mais ou menos por aí.

Os detratores do Real Madrid vão também olhar para a sorte, para os adversários do mata-mata, para erros de arbitragem que favoreceram o clube nestes quatro títulos. Mas, se olharmos na lupa, o mesmo que argumento que poderia servir para diminuir os feitos do Real pode ser usado para outros. Nos últimos anos, o Barcelona tem sido mais ajudado por arbitragens europeias que o Real Madrid, por exemplo. Em três dos quatro títulos, o Real passou pelo Bayern. Enfim. Não tem muito como ficar colocando “poréns”.

Talvez o título deste ano tenha sido mesmo o menos brilhante, com tantos presentes dados pelos adversários. Mas azar dos outros.

O Real Madrid, eu já disse aqui, só dá presente para a própria torcida, não para os rivais.

Ainda que eu seja um “Messista”, eu também sou “Cristianista”. O cara ruma à sexta Bola de Ouro, faz mais gols que qualquer um, foi campeão europeu com Portugal, ganhou tudo com dois clubes diferentes, mostrando que se adapta a qualquer lugar.

É fácil defender a tese de “Cristiano é o maior de todos”. Muito mais fácil do que defender a tese de “este Real Madrid é o maior time de futebol da história”.

Eu entendo que você não goste dessa ideia. Mas está na hora de, no mínimo, debatê-la. Acho que esse time aí faz por merecer, não fez?

 


Real Madrid fica a um jogo do inacreditável na Europa
Comentários Comente

Julio Gomes

Você sabia que o Real Madrid é o primeiro bicampeão da história da Uefa Champions League? Para a maioria das pessoas que acompanham este blog, isso não é novidade. Ao ganhar a Champions ano passado, repetindo o feito de 2016, o Real se transformou no primeiro clube a ser campeão europeu de forma consecutiva desde que a Copa dos Campeões virou Champions.

Isto não é apenas coincidência. Até 1992, no formato antigo, a Copa dos Campeões era jogada apenas por… campeões. E nem sempre, como sabemos, o campeão de uma liga nacional em um ano mantém o nível no seguinte.

Entre 1955, quando foi criada a Copa dos Campeões, e 1992, nada menos do que oito clubes fizeram pelo menos uma dobradinha de títulos – alguns ganharam até mais do que dois seguidos.

Na era Champions League, passaram a disputar o torneio dois, três, quatro times de cada país europeu. É por isso que os grandes, como Real, Barcelona, Bayern, United, Juventus, etc, estão na Champions ano sim, ano também. Se fizer um mau campeonato nacional e chegar em terceiro, por exemplo, vai pra Champions mesmo assim.

Com tanto time gigante, ficou muito difícil ser campeão de forma consecutiva. Tão difícil que foram 25 anos de competição até o Real Madrid atingir o feito, que era tão corriqueiro antes.

É verdade que criou-se um abismo entre os mais poderosos da Europa e uma classe média que costumava dar muito trabalho. Mas os poderosos são tão poderosos, concentram tanto os jogadores top do planeta, que é inacreditável que o mesmo time ganhe sempre o campeonato mais importante.

Se ganhar a final contra o Liverpool (ou contra a Roma), o Real Madrid terá sido campeão pela quarta vez em cinco anos. Será o primeiro tricampeão seguido desde o Bayern dos anos 70.

O Bayern da atualidade não foi capaz de evitar o feito. E basicamente não foi capaz porque deu dois gols de presente. Um em Munique, o 1-2 presenteado por Rafinha. E um em Madri, dado pelo goleiro Ulreich no começo do segundo tempo. O Bayern foi melhor que o Real em três dos quatro tempos da eliminatória. Isso já tinha sido assim no confronto entre eles ano passado. Deixou a eliminatória aberta até o fim. Fez gols, perdeu gols, consagrou Navas, foi superior.

O Real Madrid já havia passado no sufoco contra a Juventus antes. E teve muita sorte nas finais contra o Atlético em anos anteriores. Podemos empilhar as eliminatórias que o Real ganhou sabe-se lá como nestes anos todos. Com Cristiano Ronaldo fazendo rigorosamente nada em dois jogos, brilhou Keylor Navas, um goleiro subestimado.

O Bayern foi melhor. Mas deu dois presentes. Alguém se lembra de o Real Madrid dar presentes para os adversários nos últimos cinco anos? Pois é. Presente do Real, só para sua torcida.


Real Madrid é uma máquina de fazer times pagarem por seus pecados
Comentários Comente

Julio Gomes

Quantas vezes já vimos essa história? O time joga bem contra o Real Madrid. Pode ser um pequeno, de forma surpreendente. Pode ser um gigante, tipo Bayern de Munique. Perde um gol. Perde outro. Domina. E…. pumba.

Foi a história do jogo desta quarta, em Munique. Uma cidade em que o Real Madrid havia perdido nas dez primeiras visitas que fizera na história, mas onde ganha agora a terceira de forma consecutiva. O Bayern era a “bestia negra”. Virou freguês em casa.

Zidane montou o Real de forma cautelosa, sem Benzema ou Bale, com Cristiano Ronaldo isolado na frente e Lucas Vázquez no time para marcar pelo lado. Povoou o meio de campo. Até conseguiu ter a posse de bola nos primeiros minutos. E ainda deu a sorte de ver o Bayern, com uma formação ultraofensiva, perder Robben, machucado, no comecinho do jogo.

Mas o Bayern se acertou, fez o gol em um contra ataque improvável, com Kimmich, e a partir daí encontrou os espaços no meio de campo. Teve várias chances de gol, a melhor delas com Ribery, outras em escanteios que poderiam ter acabado com bola na rede. Era jogo para 2 a 0 no primeiro tempo.

Mas o Real Madrid faz todo mundo pagar por seus pecados. Todo. Mundo. Até o Bayern.

Bastou uma falha na intermediária e Marcelo acertou um chute lindo para empatar o jogo. No intervalo, Zidane tirou Isco, sacrificado pela esquerda, e colocou Asensio, um jogador mais incisivo. Subiu a marcação, incomodou a saída de bola do Bayern e fez seu time ser muito superior no segundo tempo.

Foi Rafinha, que fazia uma ótima partida pela esquerda, que deu o presente que Asensio não desperdiçou. 2 a 1 para o Real Madrid. Asensio, o mesmo que decidiu a eliminatória contra o PSG. Futuro e presente do Real Madrid.

O Bayern ocupou o campo de ataque, mas o Real Madrid, fechadinho, apesar da frustração de Cristiano por ficar tão isolado na frente, conseguiu fazer o seu jogo funcionar.

O Bayern havia perdido também Boateng por lesão no primeiro tempo. Heynckes ficou sem margem de manobra tática. Talvez, quando o Real perdeu Carvajal, pudesse ter trazido Rafinha para direita, aberto Kimmich na frente e jogado Thomas Muller para dentro da área. Uma área em que Lewandowski passou o jogo inteiro enrolado no meio de três, quatro, cinco adversários.

Quando Ribery conseguia fazer algo pela esquerda, mesmo com a língua de fora a seus 35 anos de idade, não havia ninguém na área para concluir. Faltou presença ofensiva ao Bayern no posicionamento dos meias e de Thomas Muller.

No segundo tempo, não apareceram chances ótimas como no primeiro. A melhor foi aos 43min, mano a mano de Lewandowski com Navas, que o polonês tocou pessimamente, para fora.

O Bayern perdoou no ataque, errou no lance do segundo gol. E o Real Madrid, como sempre, fez o adversário pagar o preço.

Não é uma eliminatória definida, claro que não. No ano passado, o Real ganhou por 2 a 1 em Munique, mas o Bayern devolveu o placar em Madri e levou o jogo para a prorrogação. A expulsão equivocada de Vidal deu ao Real a possibilidade de fazer três gols na prorrogação e se classificar.

Tem jogo. O Bayern tem gente suficiente para reverter. Mas, neste momento, é difícil imaginar uma final de Champions League diferente de Real Madrid x Liverpool.

 


Zidane e Asensio apagam a constelação do PSG
Comentários Comente

Julio Gomes

Com toda a licença do mundo a Cristiano Ronaldo, pelos gols feitos, e até mesmo Neymar, pela sentida ausência, mas Zinedine Zidane foi o nome próprio da classificação do Real Madrid contra o Paris Saint-Germain pela Liga dos Campeões.

No primeiro jogo, ele já havia feito uma leitura perfeita da configuração tática do PSG, colocando Asensio em campo e definindo a partida com dois gols no fim. Para o segundo jogo, Zidane mostrou novamente ser um técnico subvalorizado por muitos – inclusive este escriba, em muitos momentos.

Não é qualquer um que tem a coragem de deixar no banco de reservas jogadores como Bale, Kroos e Modric. Não basta ter respeito dos próprios jogadores e apoio dos chefes para fazer algo assim. É necessário ter um plano. E Zidane tinha um plano.

Com as entradas de Asensio, Lucas Vázquez e Kovacic no meio, foi formada uma linha de quatro com Casemiro. Foram os quatro jogadores que mais quilômetros percorreram no primeiro tempo, dando consistência defensiva ao time e ao mesmo tempo dando volume ofensivo quando a bola era recuperada.

O PSG mantinha a posse com Motta, Rabiot e Verratti, mas muitos metros separavam os meio-campistas dos atacantes. Faltava Neymar flutuando pelo meio para fazer as associações entre linhas, papel que Di María não conseguiu desempenhar.

Só nos 5 minutos finais o PSG conseguiu finalizar a gol e criar suas duas melhores chances – em uma delas, Mbappé preferiu chutar em vez de dar o gol a Cavani, uma decisão para lá de equivocada. Antes disso, Areola havia feito duas ótimas intervenções.

No segundo tempo, o plano de Zidane triunfou. Asensio roubou bola de Daniel Alves, avançou, recuou e encontrou um passe precioso para Vázquez, que cruzou para Cristiano, sempre ele, fazer o 1 a 0.

Asensio ou Mbappé? Por enquanto, o espanhol é o jogador jovem de melhor prospecto na Europa. Mbappé foi muito mal na eliminatória de Champions.

O PSG foi para cima, criou chances, empurrou, mas o estrago já estava feito. E Verratti não ajudou nada xingando o árbitro e sendo expulso tolamente – ótimo jogador, mas é bom lembrar que foi ele que, um ano atrás, fez uma falta estúpida no goleiro (!) do Barcelona, habilitando o time catalão a jogar a bola na área e marcar o sexto gol daquela remontada histórica.

Um rebote na área acabou em empate de Cavani. Mas logo o Real Madrid voltou a marcar, com Casemiro – parece que todos os gols deles saem de desvios. Rabiot, que não acompanhou Vázquez no primeiro gol e entregou a bola de volta para a área suavemente no segundo, foi o pior do PSG em campo.

O fato é que no duelo entre quem é e quem quer ser, o Real Madrid mostrou ao PSG que, para ser campeão europeu, o clube francês ainda tem muito arroz e feijão para comer. Pequenos erros na tomada de decisões geram prejuízos incríveis. Times que chegam mais, como o Real Madrid, estão mais habituados a estes momentos.

Era querer demais que logo no primeiro ano de Neymar o PSG fosse campeão europeu? Talvez. O fato é que o PSG tem ficado há alguns anos a um passo das semifinais, de conseguir algo grande, e Neymar seria esse passo. Não desta vez.

 


Real Madrid se afunda na falta de gols e na seca de Cristiano
Comentários Comente

Julio Gomes

Foi um ano e meio fazendo gols em todos os jogos. Todos. 73 partidas consecutivas guardando pelo menos um, recorde absoluto de um Real Madrid que viveu uma fase em que tudo dava certo com Zinedine Zidane.

Quando começou a temporada 17/18, após passar por cima do Barcelona na Supercopa espanhola, parecia que o Real Madrid iria atropelar todo mundo que viesse pela frente. A Liga dos Campeões da Europa, sempre marcada pelo equilíbrio de forças, começou com um favorito absoluto, o time a ser batido, como há muito não se via.

Pois é. Acelere a fita. E, neste sábado, o Real Madrid viveu mais uma tarde de depressão no Santiago Bernabéu. Quatro graus Celsius, muita chuva, arquibancada fria, molhada e impaciente. Trocentas chances criadas. Zero gols. E mais uma derrota. 0 a 1 contra uma Villarreal que nunca havia vencido neste estádio.

Depois da sequência histórica de 73 jogos oficiais marcando, agora o Real Madrid passa em branco pela quinta vez em 25 partidas. 20% dos jogos, portanto.

O Bernabéu não vê uma vitória do Real há mais de um mês. Em 16 jogos oficias na temporada em casa, o Real ganhou 8 e não ganhou 8. Isso mesmo. Este contra o Villarreal já é o quinto tropeço em casa na Liga espanhola, a terceira derrota em dez jogos.

Não à toa, as vaias foram intensas a partir do gol do Villarreal, que já saiu nos minutos finais – aliás, um golaço de Fornals. São vaias generalizadas e difusas, sem um vilão claro. Afinal, quem vai ficar xingando Zidane ou Cristiano Ronaldo?

O melhor jogador do mundo vive sua temporada mais seca em muitos anos. E passa por ele e por um ataque que não funciona a explicação para o que vem acontecendo.

Afinal, foram quase 30 chegadas ao gol, 12 escanteios, muitos lances criados. É verdade que o goleiro Asenjo, do Villarreal, pegou muito. Mas Cristiano Ronaldo, por exemplo, perdeu um gol feito no primeiro tempo, daqueles que talvez nunca tenhamos visto perder. Nos últimos dez jogos pelo Espanhol, ele foi à rede em só dois deles – e jogando os 90 minutos sempre. Tem quatro gols no campeonato, que contrastam com os nove que marcou na Champions.

Para quem achava que o problema era Benzema, talvez seja melhor rever conceitos. Se antes estava dando tudo certo, hoje parece claro que as coisas estão dando errado para o Madrid.

O primeiro turno acaba na Espanha. É verdade que o Real Madrid ainda tem um jogo a menos, mas soma 32 pontos contra 48 do líder Barcelona – que encerra a rodada no domingo contra a Real Sociedad. Está bem atrás de Atlético de Madri e Valencia e tem na cola Sevilla e Villarreal.

A última vez que o Real Madrid acabou em quarto lugar no campeonato foi em 2004 – alguns meses depois, chegaria Vanderlei Luxemburgo. A última vez que ficou fora do G4 foi no ano 2000 (quando conquistou a Champions). A última vez que ficou fora da Champions foi na temporada 96/97. É este o tamanho do risco que o time atual está correndo.

Rafael Benítez foi demitido dois anos atrás após 18 jogos na Liga espanhola – 11 vitórias, 4 empates e 3 derrotas (37 pontos) – 47 gols marcados. Na atual temporada, Zidane disputou os mesmos 18 jogos no Espanhol – 9 vitórias, 5 empates e 4 derrotas (32 pontos) – apenas 32 gols marcados.

Sim, o jogo do Real Madrid é pobre. Mas chances estão sendo criadas. Está na hora de Cristiano Ronaldo aparecer, senão o confronto contra o PSG não vai ter nem graça.


Zidane inventa, erra feio, e Barça “mata” o Real Madrid na Liga
Comentários Comente

Julio Gomes

Zinedine Zidane vai completar em janeiro dois anos à frente do Real Madrid. Neste período, ganhou uma Liga Espanhola e duas Champions League seguidas, o que nunca havia acontecido na era moderna da competição. O francês se notabilizou por não inventar. É um ex-craque, que conhece o clube, a linguagem necessária para estimular e fazer com que os seus jogadores funcionem em campo. Nunca pareceu ser um gênio tático ou um mestre das substituições durante os jogos.

Hoje, Zidane inventou. O Real levou 3 a 0 na testa. E a Liga acabou.

Zidane tirou Isco do time, colocou Kovacic. No primeiro tempo, a estratégia de ganhar o meio de campo até que deu certo em alguma medida. O Real Madrid teve a posse de bola e, jogando pela esquerda, Cristiano Ronaldo criou muitos problemas para o Barça. Mas faltava criatividade, o último passe. O passe de morte. Faltava Isco.

É verdade que Messi mal pegou na bola. Quando conseguiu, encontrou um lançamento para Paulinho, na única chance do Barça no primeiro tempo. Aliás, Paulinho já justificou com sobras o investimento. Sem Neymar, o Barça passou a jogar em um 4-4-2 que só dá certo porque Paulinho tem muita chegada no ataque.

O primeiro tempo foi do Real Madrid, mas as chances criadas foram poucas – basicamente uma rara furada de Cristiano Ronaldo e uma grande defesa de Ter Stegen. No segundo tempo, o Barcelona voltou muito melhor. Com Rakitic mais próximo de Busquets e o time mais compacto no meio, aliado a um Real Madrid “mole”, começaram a surgir os primeiros contra ataques para o Barcelona.

Num deles, criado por Busquets e puxado por Rakitic, Kovacic fingiu que não era com ele, Casemiro estava muito recuado e saiu o gol de Suárez. Mesmo assim, Zidane demorou para reagir. Nada fez. Até que saiu o segundo gol, em pênalti anotado por Messi e com expulsão de Carvajal. Ali, a vitória do Barcelona ficou decretada.

O Real ainda tentou depois de Zidane tirar os dois volantes, Ter Stegen brilhou e sairia o terceiro gol nos acréscimos, de Vidal.

O preço pago pelo Real Madrid pelos erros de Zidane é altíssimo. A derrota por 3 a 0 para o Barcelona é a quinta nos últimos sete superclássicos disputados no Santiago Bernabéu. Em Madri, quem manda é o Barça. Não à toa, vimos algo raro neste sábado: um time vaiado pela própria torcida.

Antes de começar a temporada, o Real Madrid era destacado favorito para ganhar o Campeonato Espanhol. Nos duelos entre os dois gigantes na Supercopa, no início da temporada, o Real atropelava um Barça em depressão, que perderia Neymar para o PSG. Naquela ocasião, Piqué, um ícone da Catalunha e do clube, disse o seguinte:

“Pela primeira vez, em anos, me sinto realmente inferior ao Real Madrid”.

Piqué estava correto. Havia um abismo entre os clubes. Mas talvez essa noção e o fato de terem vencido tudo foram fatores que geraram desatenção no Real Madrid. O time começou mal a temporada, com tropeços pouco usuais.

Enquanto isso, o Barcelona ia vencendo, vencendo, vencendo. Mesmo sem Neymar. Mesmo com tantas lesões. Mesmo com a seca de Suárez. Mesmo sem encantar. Mesmo com toda a fervura política na Catalunha. O Barça fechou os ouvidos e foi vencendo, vencendo, vencendo.

Chegamos ao clássico deste sábado, e o Real Madrid precisava vencer para sobreviver. Perdeu. E o Campeonato Espanhol virou missão impossível. São 14 pontos de desvantagem (que podem ser 11, porque o Real tem um jogo a menos). Até hoje, na história da Liga, a maior “remontada” foi de 9 pontos.

Zidane será muito pressionado nas próximas semanas, até as oitavas de final da Champions, contra o PSG. Neste momento, o Real Madrid seria presa fácil para o time francês. Algo está acontecendo nos bastidores, e possivelmente alguns destes atritos virão a público nos próximos dias.

Vamos ver como Zidane vai se virar para reencontrar o time e a forma de vencer.


Real Madrid enfrenta ‘match point’ contra o Barcelona
Comentários Comente

Julio Gomes

Antes do início do Campeonato Espanhol, o Real Madrid tinha ares de favoritaço. O bicampeonato era uma barbada.

Afinal, o Real, além de campeão espanhol, é o bi europeu. Acabou o primeiro semestre voando, atropelando quem aparecesse na frente. Encontrou um Isco mágico com a titularidade no meio de campo. E mostrou reservas de muitas garantias, liderados por Asensio e Morata, que deram conta do recado quando necessário e mostraram que pediriam passagem logo logo.

Já o Barcelona… bem, o Barcelona, além de ter acabado bem mal a temporada, dando sinais de decadência, perdeu simplesmente Neymar, com requintes de humilhação, no mercado de verão. E ainda levou um “não” do Liverpool, apesar de tanto insistir por Philippe Coutinho.

Acelere a fita e estamos no fim do ano. O Barcelona tem 11 pontos de vantagem para o Real Madrid, ainda que este tenha um jogo a menos, devido à viagem para o Mundial.

O time de 2017 acaba o ano contra a parede.

O Real tropeçou no começo da temporada. Isso quase sempre acontece, os dois gigantes vira e mexe dão umas escorregadas no início do campeonato. Só que não foi o caso com o Barcelona de Ernesto Valverde, mesmo sem Neymar.

O Barça só não venceu Atlético de Madri e Valencia fora de casa, resultados normais, e tropeçou com o Celta em casa. Foram 13 vitórias até agora, com três empates e nenhuma derrota. Daí, a vantagem expressiva.

O Real Madrid chega ao clássico com o troféu do Mundial no bolso, mas sabedor de que essa é a principal “final” de dezembro para o clube. É uma espécie de match point. Que o Real só salva com vitória. Isso quer dizer que o Barcelona será campeão caso não perca? Ainda não. Até porque o Atlético de Madri está perto e vai se reforçar no mercado de janeiro. Mas é difícil o Real buscar o título se não conseguir diminuir a desvantagem no confronto direto.

O Real ganhou três dos últimos cinco clássicos contra o Barça. Mas, em casa, no Santiago Bernabéu, perdeu quatro dos últimos seis confrontos.

Só 1 dos últimos 14 clássicos acabou empatado. Em só 2 dos últimos 25 clássicos algum time ficou sem marcar. Só 1 dos últimos 30 clássicos teve menos de dois gols marcados. Ou seja, a tendência do jogão nos últimos anos tem sido de gols e alternância de placar.

Desta vez, é plausível acreditar que o Real Madrid tomará o comando das ações e terá mais posse de bola. Zidane tem todos os titulares à disposição e um time que já sabemos de cor. Casemiro, Kroos e Modric formam o melhor meio de campo do mundo. Isco flutua na armação para Cristiano Ronaldo e Benzema. É um time que já provou nos últimos anos que cresce quando importa.

O Barcelona, ao contrário dos últimos anos, é um time mais equilibrado e menos exposto defensivamente com Valverde. Paulinho não é titular sempre, mas fatalmente será no sábado, até porque tem muita explosão e chegada à frente. Sua presença faz com que Iniesta e Rakitic tenham mais liberdade em determinadas situações. E, claro, Messi e Suárez são a garantia na frente de que qualquer coisa pode acontecer.

Messi já fez 14 gols no Bernabéu. Cristiano Ronaldo também tem o Barça como uma das vítimas prediletas. Os dois maiores do século.

É o maior jogo de futebol do mundo. E com aquele componente político que conhecemos – nesta semana foram realizadas eleições na Catalunha, os ânimos estão à flor da pele e a arquibancada mostrará isso. Quem gosta de futebol, não pode perder.


Grêmio de hoje tem bola para vencer o Real Madrid (que não é mais o mesmo)
Comentários Comente

Julio Gomes

O Grêmio foi ao longo do ano, sob a batuta de um remodelado Renato Gaúcho, o único time que jogou futebol ofensivo no Brasil. É o melhor time do país, aquele que não tem problema algum com a bola e muito menos pavor de tê-la em seus pés. Um Grêmio que nada tem a ver com as raízes gremistas, mas que tudo tem a ver com as raízes do futebol brasileiro.

O título da Libertadores foi merecido e a festa perdurará por alguns dias. Logo depois, vem o Mundial. Será que esse Grêmio de Renato é tão bom que chega ao nível de um time de alto escalão europeu?

Não, claro que não. Mas é um time que pode, sim, ganhar o Real Madrid se esta for a final do Mundial de Clubes da Fifa, daqui a menos de duas semanas, nos Emirados Árabes.

Se já eram os mais dedicados, agora os clubes sul-americanos ganharam uma outra vantagem enorme para a disputa do Mundial: a proximidade das datas.

O fato de a Libertadores ser disputada ao longo do ano todo faz com que o campeão logo viaje para a disputa do Mundial. Não há desmanche e não há aquela obsessão sendo construída ao longo de todo o segundo semestre. Aquele excesso de foco que se transforma em uma pressão vil para cima dos envolvidos.

O Grêmio chegará ao Oriente Médio deste mesmo jeito que jogou contra o Lanús. Voando. É um time pronto, entrosado e, o principal, com ritmo de jogo. Mais do que isso: ritmo de decisão.

Leia também no blog: Grêmio de Renato foi o melhor time do Brasil em 2017

Imaginem um confronto contra um Real Madrid na ponta dos cascos, como aquele que atropelou a Juventus na final da Liga dos Campeões?

Pois é. Aquele Real Madrid venceria qualquer time sul-americano mesmo se jogasse com vendas nos olhos.

Mas aquele Real não é o Real Madrid de hoje. O Real Madrid de hoje é um time com problemas. Que ocupa a quarta posição no Campeonato Espanhol, a longínquos oito pontos do líder. Que sofreu uma dura derrota para o Tottenham e acabou em segundo em seu grupo na Champions. Um time que no último fim de semana sofreu para ganhar do Málaga, que ocupa a zona de rebaixamento. É um Real que parece sem fome.

Agora a imprensa espanhola trata o retorno de Bale, após mais uma lesão, como a salvação da lavoura. Sendo que o time se acertou mesmo na temporada passada justamente com a lesão do galês e a entrada de Isco no meio de campo.

Cristiano Ronaldo andou falando que o nível caiu, devido às saídas de jogadores como Morata ou Pepe. Sergio Ramos andou retrucando. Dizem que os dois líderes do vestiário já não se bicam.

Campeão espanhol, após alguns incômodos anos de seca, e bi da Champions (o primeiro a conseguir o feito), o Real Madrid começou a temporada 17/18 com toda a pinta de um time a fim de construir uma dinastia. Era favoritaço na Espanha, ainda mais depois da saída de Neymar do Barcelona e dos fracassos do rival na janela de transferências, e era também o time a ser batido na Europa.

Talvez quando chegue o mata-mata da Champions, a partir de fevereiro, Zidane tenha conseguido levar o time novamente a um alto nível. Mas, neste momento, o Real não é o melhor da Europa. Há pelo menos cinco times jogando futebol de forma mais consistente. Na Espanha, o Real tem sofrido para vencer times que são, sem sombra de dúvida, piores do que o Grêmio.

O Real Madrid jogará contra a parede neste sábado, em Bilbao, contra o Athletic. Um rival histórico, um campo duro, e a possibilidade de chegar ao duelo 11 pontos atrás do Barça, que joga antes. Na quarta, quando o Grêmio já estará nos Emirados Árabes, cumprirá tabela pela Champions contra o Borussia Dortmund. No outro sábado, tem um jogo duríssimo, em casa, contra o bom time do Sevilla.

Só depois disso, destes dois jogos fundamentais pelo Espanhol, é que o Real Madrid viajará e pensará no “Mundialito”.

E tem mais: sabem qual o jogo seguinte ao Mundial? Sim, o clássico contra o Barcelona, em 23 de dezembro. Não podemos descartar a hipótese de Zidane deixar de fora da eventual partida contra o Grêmio qualquer jogador que esteja mais cansado ou correndo risco de lesão.

A prioridade para o Real Madrid serão os jogos contra Athletic, Sevilla e, depois, Barcelona. A tabela é complicada, é uma benção para o Grêmio.

Um Grêmio, como já disse, que chegará inteiro e com ritmo.

É lógico que o favoritismo estará todo do lado do Real Madrid. É lógico que, em condições normais, o Real passará o carro sobre qualquer um. Mas o que quero dizer é que, neste momento específico da temporada, as condições não são normais.

A chave será não assumir a inferioridade, como os times sul-americanos naturalmente têm feito desde que o abismo foi criado e acentuado entre os melhores de lá e os melhores daqui, nas últimas duas décadas. Se o Grêmio mudar a sua postura e seu jeito de ser e quiser só se defender, fatalmente perderá. Não adianta querer se espelhar, por exemplo, no Inter de 2006 ou no Corinthians de 2012. É preciso evitar a armadilha que fez o Santos cair praticamente sem lutar contra o Barcelona, em 2011.

Não basta ficar atrás e estacionar o ônibus.

Mas se o Grêmio colocar em campo toda a bola e toda a coragem que tem mostrado pode, sim, surpreender um Real Madrid que vive seu pior momento desde o início do trabalho de Zidane. Pode competir pela bola no meio de campo e pode criar problemas para uma defesa que não está firme.

Se tudo der certo, Renato Gaúcho vai poder tirar onda de Cristiano Ronaldo ao vivo e a cores. Será?

 


Real Madrid expõe fraquezas e longo caminho para o United
Comentários Comente

Julio Gomes

O Manchester United pode até ser campeão europeu no ano que vem. No futebol, convém não duvidar de nada nem ninguém, especialmente quando estamos falando de gigantes. Um clube enorme, um técnico vencedor.

Mas, pelo que vimos na Supercopa da Europa, disputada nesta terça, na Macedônia, o caminho será longo.

O Real Madrid ganhou do United por 2 a 1, ficando com a taça. Gols de Casemiro e Isco, que começa a temporada do mesmo jeito que acabou a anterior: voando. Mas poderia ter goleado, tal foi o domínio na maior parte do jogo. E olha que o Real Madrid só teve Cristiano Ronaldo jogando os 10 minutos finais e o time não fez uma pré-temporada muito emocionante.

O fato é que o United pode lamentar um gol feito perdido por Rashford nos minutos finais. Seria o 2 a 2.

É uma característica dos times de Mourinho. Vender caro, se manter perto no placar, achar uns gols aqui e ali, ser competitivo. Mas, na atual fase do futebol europeu, mesmo do inglês, alguns atributos a mais são necessários.

Com o material humano que tem em mãos, Mourinho pode até atingir esse nível de evolução ao longo da temporada. Mas, pelo que vimos na pré-temporada e na Supercopa, o United não parece muito diferente daquele da temporada passada. Nenhum coração baterá mais forte.

Tem um goleiraço, mas uma defesa de poucas garantias. Do meio para frente, jogadores interessantes. Lukaku fará um caminhão de gols. Mas faltam jogadores que quebrem a defesa adversária.

Nas casas de apostas, o Manchester United é colocado na mesma prateleira do atual campeão Chelsea. Ambos, só menos favoritos do que o Manchester City, de Guardiola, mas à frente de Tottenham, Arsenal e Liverpool. Muitos esperam um particular duelo entre Mou e Pep pelo título. Será? Há mais dúvidas do que certezas.

Já o Real Madrid dispensa comentários. É um time para lá de pronto. Forte em todos os setores, com reservas à altura, Cristiano Ronaldo, bom ambiente, confiança. Não à toa, é o primeiro bicampeão na era Champions. Resta saber quem terá bala para evitar o tri.