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Tite deixa claro que a 9 é de Jesus e Danilo está à frente de Fágner
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Julio Gomes

Tite deu uma entrevista de uma hora após convocar a seleção brasileira para a Copa do Mundo. Não são todas as perguntas que geram respostas importantes – ou que extraiam informações.

Mas é possível pinçar algumas coisas relevantes do que disse Tite.

Na lateral-direita, a disputa está aberta. “Hoje, a vantagem é do Danilo”, disse Tite. Uma indicação de que, não fosse a lesão de Daniel Alves, talvez Fágner não estivesse entre os convocados.

Aliás, Fágner foi o único nome lido fora da ordem alfabética em sua posição. Possivelmente, Rafinha, do Bayern, esteve na lista até os 45min do segundo tempo.

Na zaga, não está claro quem será titular. A briga está aberta entre Marquinhos e Thiago Silva para jogar ao lado de Miranda. Marquinhos foi muito elogiado pelo treinador, e Tite claramente pode contar com ele tanto para a lateral-direita quanto para o meio de campo, se por acaso Casemiro e Fernandinho se machucarem ou forem suspensos simultaneamente.

Por que não levar uma camisa 10? Um armador clássico? Porque, na cabeça de Tite, Coutinho pode jogar por ali, Willian, Taison, até Firmino.

Taison, além de obviamente ser um jogador de confiança, traz uma versatilidade que Tite considera importante. É um jogador mais agudo que Giuliano, de quem ele possivelmente “roubou” a vaga.

Por que não levar um camisa 9 típico? Aí, possivelmente porque faltou um jogador de peso, de altíssimo nível, para entrar na lista. Pelas respostas de Tite, ele pode contar com Firmino para isso, caso algum jogo apresente esta necessidade.

Firmino, aliás, é o claro reserva do ataque. Apesar da temporada monstruosa, muito superior à de Gabriel Jesus. Tite foi claro, esta não é uma vaga aberta. Gabriel é titular, “pelo que fez na seleção”, entre outras razões.

Eu deixaria a vaga de camisa 9 mais aberta do que efetivamente está. E você?


Sem Dani Alves, Tite deveria transformar Marcelo em protagonista
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Julio Gomes

A lesão que tira Daniel Alves da Copa do Mundo pode ser um sinal. Está na hora de Marcelo ser protagonista da seleção brasileira.

Marcelo e Firmino foram os dois melhores jogadores brasileiros na temporada 2017/2018, que se encerrará na Europa justamente com a final entre eles, Real Madrid x Liverpool na Champions League. Firmino não é nem titular da seleção, disputa posição com Gabriel Jesus.

Marcelo só não era titular na cabeça de Dunga. Com Tite, voltou a ganhar a posição. No Real Madrid, Marcelo pegou o bastão das mãos de Roberto Carlos para não soltar mais. São duas décadas com um brasileiro tomando conta da lateral esquerda do clube mais importante do mundo.

Como é característica dos laterais brasileiros, criados para atacar, não para defender, Marcelo sofreu muito e ainda sofre nesta fase do jogo. Em muitos momentos, foi preterido no Real, com Mourinho ou Ancelotti, justamente por isso. Mas, com Zidane, tomou conta de vez e passou a ser peça fundamental do fluxo de jogo do Real Madrid.

Assim como Daniel Alves sempre foi muito mais do que um lateral nos anos dourados do Barcelona. Daniel era mais um atacante pela direita, um jogador crucial para o fluxo de jogo do time e a saída para o ataque. Dani e Xavi. Marcelo e Kroos. Parcerias históricas.

Daniel Alves manteve a característica em sua vida pós-Barça, mas perdeu fôlego e, neste ano na França, tesão e competitividade. Mas estava claro, pelo menos para mim, que veríamos outro cara na Copa do Mundo. A seleção motiva esses jogadores, ao contrário do que muita gente pensa. Eles querem MUITO ganhar pelo Brasil.

Com Daniel Alves de um lado e Marcelo do outro, o treinador tem muitas opções de saída de bola, mas muitos problemas de cobertura. Nenhum dos dois é bom defensor.

Sem Daniel Alves, Tite ganha a luz verde para fazer o mesmo que Zidane. Focar o jogo ofensivo do Brasil, a transição, em Marcelo.

Pode jogar com três zagueiros, com Marquinhos pela direita, ou pode jogar com um lateral mais defensivo, tipo Fágner. Pode até, em determinado momento do jogo, abrir pela direita um meia.

Pode também fazer uma convocação diferente, com cinco zagueiros ou com algum jogador que se sinta bem aberto pela direita, mas que não seja lateral de ofício. Pode levar ou Fágner ou Danilo, não necessariamente os dois. Tudo isso é coisa para o treinador pensar, e pensar rápido. Não descarto que ele comece a preparação com uns 24 ou 25 e deixe para cortar alguns perto da Copa.

Mas o mais importante é a oportunidade para montar um time que machuque o adversário essencialmente com Marcelo e Neymar, da esquerda para dentro. Sem dó, sem preocupações, com foco nos dois melhores jogadores do país.

Claro que um time campeão do mundo não terá só uma opção de ataque ou saída de bola. Estou falando do foco, da característica predominante, da marca registrada, do protagonismo a quem merece.

Sempre dá para olhar o copo meio cheio.


Teste na Rússia mostra caminhos para furar ferrolhos
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Julio Gomes

O Brasil fez um primeiro tempo modorrento contra a Rússia. No segundo, melhorou e construiu a boa vitória por 3 a 0 no palco da final da próxima Copa.

O que mudou?

A penetração dos meio-campistas. Tite testa um time mais agressivo, com Philippe Coutinho pelo meio e Willian entre os titulares, sacando Renato Augusto. O problema do primeiro tempo é que Coutinho foi muito Renato Augusto. E Paulinho, talvez preocupado pela ausência de outro meio-campista mais, digamos, defensivo, guardou muito a posição no meio, perto de Casemiro.

Assim, o time vivia de algumas espetadas pelos lados, mas não tinha infiltração. E Douglas Costa, logicamente, não é Neymar. Eu acho que Douglas Costa estará na lista dos 23 da Copa, mas é um jogador que não acaba de me convencer.

O Brasil não criou nada e, após uma saída de bola errada, ainda quase levou um gol da Rússia, na melhor chance da partida até o intervalo.

No segundo tempo, Philippe Coutinho e Paulinho adiantaram posicionamento. E aí começaram a ser empilhadas as chances de gol.

O primeiro saiu na bola parada – Thiago Silva está virando um zagueiro melhor na frente do que atrás. O segundo saiu de um pênalti sofrido por Paulinho. O terceiro foi marcado pelo próprio. E antes ele havia perdido gol feito, em bela jogada de Coutinho.

Contra defesas de cinco atrás, é preciso abrir o campo. Só que não é só isso. É necessário que os meias (e até os laterais, no caso do Brasil) se infiltrem por dentro, chutem a gol de fora, tentem o drible e a tabela.

Não foi o que a seleção fez no primeiro tempo. Foi o que fez no segundo.

Há seleções que marcam melhor do que a Rússia e amistoso é amistoso. Mas este foi mais um bom teste para Tite ver o que funciona – e o que não funciona – ofensivamente.

Na fase defensiva, ficam algumas pulgas atrás da orelha. O Brasil deu espaços e oportunidades com essa formação.

 


Seleção já jogou abaixo de zero antes de uma Copa. E não serviu para nada
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Julio Gomes

Era fevereiro de 2006 quando pisei na Rússia pela primeira vez. Fui ao hotel onde a seleção brasileira estaria hospedada, perto da Praça Vermelha. E logo que entrei o rapaz que trabalhava para Ambev na época quase estendeu um tapete vermelho. “Juuuuuuuulio. Tudo bem amigo? Como você está? Fez boa viagem?”.

Fiquei até constrangido. O cara mal me cumprimentava nas outras tantas viagens que eu havia feito para cobrir a seleção. Por que estava tão gente boa?

Foi fácil descobrir. Nevava. Fazia um frio de menos 10 graus. O jogo não tinha nenhum cabimento esportivo. Era o único amistoso da seleção antes da Copa de 2006, e a Ambev havia comercializado. Daí, a tentativa de “convencer” a imprensa de que o jogo não era tão mal negócio assim.

Mas era. Péssimo negócio. O amistoso com a Rússia acabou com vitória do Brasil por 1 a 0. Parreira não pôde fazer observação alguma, e a única coisa que os jogadores queriam era não se machucar. Havia cobertores no banco de reservas, e reserva nenhum queria entrar na partida – até porque o elenco de convocados estava mais do que fechado (seis acabaram sendo “agraciados” e entraram na partida).

Eu me lembro de usar duas luvas. Eu filmava pedaços no jogo, para isso precisava tirar a luva da mão direita. No dia seguinte, minha mão direita estava quase em carne viva.

Havia um termômetro no chão, ao lado do banco de reservas. No primeiro tempo, ele marcava menos 16 graus. Quando o Sol se pôs, ao longo do segundo tempo, bateu em menos 32 graus. Não era a temperatura do ar. Era, digamos, a temperatura do chão. Os caras jogavam neste frio.

Algo parecido irá ocorrer nesta semana de treinos da seleção em Moscou e no amistoso de sexta. É verdade que estamos no fim de março, talvez o frio seja menos intenso (ainda que abaixo de zero). E é verdade também que desta vez há várias vagas abertas, então jogadores que disputam as posições passarão por cima do clima para ganhar a confiança de Tite.

As ruas de Moscou tinham tanto gelo naquele inverno de 2006 que o grande amigo Paulo Cobos chamava a Rússia de “o país do ‘já vai?'”. Ninguém parava em pé. Até que, claro, foi ele quem tomou o maior tombaço.

A Rússia da Copa do Mundo será outra, os jogos serão no verão. Resumindo. Se a seleção sair da Rússia sem machucados, já estará de bom tamanho. Que bom que haverá também o jogo contra a Alemanha, que pelo menos será um desafio esportivo importante.


Vaga do ‘ritmista’ é a mais disputada e imprevisível da seleção
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Julio Gomes

Como o próprio Tite disse nesta segunda-feira, após anunciar os convocados para os amistosos contra Rússia e Alemanha, a seleção já tem alguns jogadores que podem vestir a camisa de “ritmista”, usando o termo cunhado por ele mesmo.

Fernandinho, Philippe Coutinho, Renato Augusto. Mas o treinador quer mais um. E essa vaguinha é a mais imprevisível de todas, quando chegar a convocação final para a Copa do Mundo. Existe um mundo de candidatos, e o leque se ampliou com a presença de Talisca na lista de hoje.

Vejamos. A convocação final tem 16 nomes certos. Outras quatro vagas são necessariamente a do terceiro goleiro, o quarto zagueiro e os laterais reservas. Sobram, portanto, só mais três.

As entrevistas de Tite, especialmente a coletiva de hoje, mostram que ele dificilmente abrirá mão de levar um centroavante e um homem de lado de campo. Consequentemente, sobra apenas uma para o meio, a do ritmista.

Tite quer um centroavante porque, como ele mesmo explicou, pode precisar. Aquele momento do sufoco, aquele jogo contra uma linha de 5, em que os cruzamentos choverão na área rival. É preciso ter um homem de força, estatura, bom cabeceio, com características diferentes das de Gabriel Jesus e Roberto Firmino. Willian José terá sua chance, Jô segue no páreo, Diego Souza está perdendo terreno. Essa é uma vaga aberta. Tite quer levar um 9 para a Copa.

E também está claro que Douglas Costa e Taison brigam por uma vaga para jogar pelos lados, uma espécie de reserva para Neymar-Willian-Coutinho. Apostaria em Douglas Costa no Mundial, até porque está jogando bem pela Juventus.

Sobra o ritmista. E olhem o tamanho da lista de candidatos, já convocados e até mesmo citados por Tite: Talisca, Fred (do Shakhtar), Diego, Lucas Lima, Rodriguinho, Luan, Arthur, Giuliano.

É claro que algum dos fixos pode se machucar (Neymar, Willian, Coutinho, Jesus e Firmino). E isso abriria mais uma vaga. Que, creio, seria de Taison – se ele for preterido na briga com Douglas Costa – para o lugar de um jogador de lado de campo. E de Luan caso fiquem fora Jesus ou Firmino.

Mas o tal ritmista, acredito, não será um jogador de corte tão ofensivo. Será um meio-campista mesmo, capaz de jogar de área a área, ocupar até uma posição no círculo central, se for o caso. E se Casemiro e Fernandinho estiverem fora de algum jogo de forma simultânea? Creio que essa dúvida pesará muito para Tite.

Porque Firmino, Neymar, Coutinho e até Willian podem jogar por dentro, como um camisa 10, por trás de um atacante. Levar Lucas Lima, Diego ou Rodriguinho pode ser redundante.

Além disso, esses meias estão acostumados ao jogo do futebol brasileiro, muito mais lento do que veremos na Copa, que se assemelha mais ao esporte jogado na Europa.

Tem mais pinta de que o ritmista será um jogador como Arthur ou como Fred, talvez Giuliano, que frequentou tantas convocações (mas também é mais ofensivo).

Das sete vagas abertas, seis estão sendo disputadas entre dois, no máximo três jogadores. Mas essa sétima vaga, a do ritmista, amigas e amigos, é travada por muito mais gente… essa está difícil de adivinhar quem ganhará o prêmio de estar na Copa da Rússia.

Qual o teu palpite?


Tite acerta em cheio ao chamar Geromel e fazer lista cheia de lacunas
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Julio Gomes

Uau! Que lista de Tite para os amistosos contra Rússia e Alemanha. É verdade que todos esperávamos (torcíamos) pela presença de Geromel, que parece ser um zagueiro muito melhor do que os outros que brigam pela quarta vaga na convocação final.

Mas ninguém esperava os nomes do goleiro Neto, do Valencia, de Talisca, do Besiktas, e Willian José, da Real Sociedad. Tite acerta. Mostra que a lista não está fechada e vai todo mundo ter de capinar para chegar à Copa.

Nas últimas Copas vimos essa penúltima lista ser parecida demais com a final. Esta mostra que as lacunas, ou seja, as vagas em aberto, estão escancaradas.

Os tais 16 nomes certos são certos mesmo, salvo contusão. Alisson e Ederson no gol, Dani Alves e Marcelo nas laterais, Marquinhos, Miranda e Thiago Silva na zaga, Casemiro, Fernandinho, Paulinho e Renato Augusto no meio, Willian, Coutinho, Neymar, Jesus e Firmino na frente. Destes 16, só Neymar não apareceu na convocação para os amistosos.

Sobram 7 vagas para a Copa.

Para o gol, Cássio parecia certo como terceiro nome, mas agora aparece Neto na concorrência. Nas laterais, a disputa já é conhecida. Foram chamados Fágner e Filipe Luís, a disputa deles é com Danilo e Alex Sandro.

Sempre é bom ter a “última” chance, mas acho que Danilo e Alex Sandro estão um pouquinho à frente nessa disputa, mesmo com a ausência.

Para a zaga, Tite leva Geromel e Rodrigo Caio para os amistosos. Aparentemente, a vaga ficará com um deles, Gil e Jemerson ficaram um pouco para trás. Com o que fizeram Geromel e Caio no último ano, não há debate, a diferença é grande.

E aí é aquela bagunça do meio para frente. São três vagas abertas. Uma possivelmente ficará entre Douglas Costa e Taison, ambos convocados para os amistosos.

Uma será de um meio-campista box-to-box. Desta vez, Tite chamou Talisca. Ótimo teste! Está fazendo ótima temporada no Besiktas. Ele concorre com Giuliano, que segue sendo favorito à vaga, Fred, do Shakhtar, que também foi convocado, Arthur, Diego e Lucas Lima.

E aí falta uma vaga que pode ser para um outro meio-campista mais ofensivo, tipo Diego, Lucas Lima ou um Luan, todos estes fora da lista. Ou atacante. Desta vez o teste é com Willian José, que realmente faz ótimas temporadas seguidas na Espanha. Esqueçam o Willian José do São Paulo, o da Real Sociedad é outro jogador. Muito melhor.

Dos ausentes na lista, além de Cássio e dos laterais, me parecem que os que têm chance de irem à Copa são Giuliano, Diego, Lucas Lima, Luan e Arthur. O resto, bem difícil.

Sem Neymar, Tite leva Talisca e W. José para jogos contra Rússia e Alemanha


Neymar e a velha queda de braço: Copa x clubes
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Julio Gomes

Primeiro, é necessário falar a real. Jogador brasileiro que sabe que será convocado para a Copa do Mundo morre de medo de se machucar às vésperas da competição. Se dependesse deles, ficariam sem jogar os últimos dois ou três meses da temporada europeia.

Nunca entendi o papo de “falta de comprometimento” com a seleção. Dez de dez jogadores profissionais com quem convivi ou tive contato tratam a seleção brasileira como total prioridade em suas vidas. Isso não acontece com várias seleções europeias – por isso, às vezes, vemos times bons no papel fracassarem, pois não há química nem foco total.

E, sim, isso deixa muitos clubes europeus P…s da vida em ano de Copa. Porque eles sabem que os 15, 16 brasileiros “garantidos” no Mundial irão tirar o pé na temporada.

O PSG deve estar P… da vida com Neymar. E tem lá sua dose de razão. Pagou 222 milhões de euros para Neymar levar o clube ao título da Champions League. Campeonato Francês dá para ganhar sem Neymar.

(Aliás, antes que critiquem o técnico por não tirá-lo do jogo decidido contra o Olympique de Marselha, que é uma coisa que já andei ouvindo por aí esses dias, vai aqui uma informação. Neymar jogou 30 partidas na temporada. Foi titular nas 30. Foi substituído ZERO vezes. Me parece que o rapaz não gosta de sair de campo. E o jogo não era o último antes da partida contra o Real Madrid, ainda faltavam dez dias.)

O que aconteceu foi uma fatalidade. Contusões acontecem no futebol até em treino.

O que vem depois da lesão, no entanto, já mostra bem quais são as prioridades. Pelas informações disponíveis, a lesão poderia cicatrizar sozinha em semanas. Neymar perderia o jogo enorme contra o Real Madrid, mas ainda poderia ajudar o PSG na Champions, caso o time passasse pelas oitavas – não é impossível.

A OPÇÃO escolhida por Neymar, Neymar pai e pessoas de confiança foi operar, pensando na Copa do Mundo.

Poréééém, poucos minutos depois desta notícia, que chegou via-staff de Neymar, o técnico do PSG, Unai Emery, deu entrevista coletiva negando a operação. Dizendo que ainda é necessário esperar alguns dias.

É óbvio que o clube, que é quem paga salário, tentará preservar seu investimento e vai querer contar com Neymar na temporada. E se os caras ganham do Real Madrid semana que vem?? Como fica nas quartas de final?

Por que a opção pela cirurgia significaria optar pela Copa, em vez do clube?

Pelo seguinte. Ele ficaria dois meses parado, a lesão seria curada de forma mais segura e voltaria a tempo de ganhar ritmo em alguns jogos de final de temporada na França, ainda tem dois ou três amistosos com a seleção, participa dos treinamentos desde o começo, na Granja Comary.

Já vimos um milhão de vezes essa história. Jogadores que perdem um pedaço da temporada anterior chegam à Copa melhor fisicamente. E jogadores que atuam durante a temporada inteira chegam esgarçados no Mundial.

Para o jogador, que só quer jogar, deve ser frustrante (além de dolorido e doloroso) ficar fora de partidas importantes. O campo é sempre melhor que o hospital. Além, claro, de uma operação ser uma operação. Sempre existe risco, receio, angústia. Não é uma coisa trivial. Mas tampouco estamos falando da cirurgia e recuperação mais complicadas da medicina esportiva.

Para a seleção, no entanto, não vejo como má notícia. É uma bala desviada.

Do jeito que Neymar apanha e joga muitos minutos, o risco seria constante. Ele poderia sofrer qualquer lesão muscular leve, daquelas de um mês, no fim da temporada. Como poderia sofrer uma lesão muito mais grave do que esta.

Nos amistosos contra Rússia e Alemanha, Tite terá a oportunidade de testar o time sem Neymar, coisa que nunca foi feita antes da semifinal de 2014. Tudo bem, seria bom tê-lo nestes testes. Mas não tê-lo tem seu valor. É importante o time se sentir confiante para a eventualidade de o melhor jogador não estar em campo.

Tem mais. Se fizer a operação, ele fica dois meses fora dos campos e, de quebra, dois meses longe dos holofotes, da eventual pressão por não ter alcançado o objetivo com o PSG, das críticas, da antipatia generalizada que está se criando em torno do nome dele.

E o plano de ser melhor do mundo fica preservado, porque a competição decisiva para isso, em ano de Copa, é a própria Copa. Chegar tinindo na Rússia e arrebentar com a seleção é o atalho mais curto.

Para quem ama futebol, queria ver Neymar contra o Real Madrid, queria ver o que seria desse PSG na temporada, a opção de Neymar é uma tristeza. Para o clube, um desastre. Para quem está preocupado com o hexa, não é.

E aí, quem vai ganhar a queda de braço?

Se eu fosse apostar meu pouco dinheirinho, seria no jogador…

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Willian abre caminhos no Chelsea e pede passagem na seleção
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Julio Gomes

É ano de Copa do Mundo, a competição vai se aproximando e logo logo começarão as discussões acaloradas sobre quem deve jogar, quem deve estar no time, quem deve ser convocado (ou não). Depois de mais um grande jogo neste sábado, Willian é o nome da vez.

Nas redes sociais, na conversa de bar e nas mesas redondas bombam os pedidos para Tite dar um jeito de colocá-lo no time titular.

Cada mês será uma história até chegarmos a junho, quando a seleção brasileira fará a estreia. Em março, teremos a última data Fifa para amistosos entre seleções, em abril e maio, a reta final da Champions e ligas europeias, além do início do Brasileirão.

Dezembro foi o mês de Paulinho, brilhando no clássico contra o Real Madrid e mostrando estar à altura do Barcelona e da titularidade na seleção. Janeiro foi o mês de Firmino, fazendo um golaço no jogo em que o Liverpool derrubou a invencibilidade do Manchester City e entrando, de vez, na lista de Tite e mesmo das pessoas que não lhe conheciam e cornetavam o treinador por convocá-lo.

Fevereiro foi o mês de Willian.

Depois do grande jogo contra o Barcelona, no meio de semana, pela Liga dos Campeões, com duas bolas na trave e um belo gol marcado, Willian manteve o ritmo no clássico contra o Manchester United, neste domingo, pelo Campeonato Inglês.

No gol do Chelsea, puxou o contra ataque, encontrou Hazard, recebeu de volta e meteu um golaço. Fora isso, participou do jogo o tempo todo, mostrando mobilidade, obediência tática e coragem para encarar os marcadores. Foi o melhor do Chelsea.

O time acabou sofrendo a virada do United e perdendo em Manchester, graças a Lukaku, ao ótimo segundo tempo de Pogba e à postura, como sempre, defensiva demais de Conte. Nos 15 minutos finais, quando o Chelsea partiu em busca do empate, Conte tirou Hazard para a entrada de Pedro. Willian virou meia e criou, por exemplo, a jogada que acabaria no empate de Morata – o bandeira marcou um impedimento equivocadamente no lance.

Depois de ter frequentado muito o banco de reservas na primeira metade da temporada, especialmente nos jogos mais importantes do Chelsea, Willian abriu passagem na marra, na bola. Não dava mais para Conte preterir Willian para escalar Pedro. O Chelsea é um time melhor com ele, simples assim.

É verdade que os resultados contra Barcelona e Manchester United não foram legais, mas o futebol não é uma coisa de um homem só.

Mas e aí? E na seleção brasileira?

Willian já está convocado para a Copa, é uma espécie de décimo segundo titular de Tite. Mas só jogam 11, vocês já sabem. Nas primeiras partidas de Tite na seleção, ele era titular, mas Philippe Coutinho ganhou a vaga jogando muito, com a amarela e com o Liverpool.

Quem sairia do time para entrar Willian? São três os cenários.

O mais simples seria voltar Willian ao time no lugar de Coutinho, até porque Coutinho joga naturalmente pela esquerda, faixa ocupada também por um certo Neymar. Willian, pela direita, seria um posicionamento mais natural.

Uma segunda opção, que parece ser a mais próxima de acontecer, seria sacar Renato Augusto do time. Willian entraria pela direita e Philippe Coutinho jogaria por dentro. Pela entrevista recente de Tite ao jornal O Globo, é assim que a seleção vai começar no amistoso contra a Rússia.

Mas esta opção deixa o time ofensivo demais, protegido de menos e talvez suprima a grande qualidade do jogo de Paulinho, que é a chegada à frente. Então, surge uma variável. Paulinho também sairia do time para a entrada de Fernandinho, que faria a dupla de contenção com Casemiro por trás da linha com Neymar-Coutinho-Willian.

Possivelmente não haja uma opção melhor que a outra. Tudo vai depender do adversário, do momento físico e emocional dos jogadores quando a Copa chegar e, claro, dos cenários que cada partida vai apresentar. Mas, se a estreia fosse semana que vem, seria difícil deixar Willian fora do time.

 


Neymar pai e filho deveriam ouvir Casagrande, em vez de atacá-lo
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Julio Gomes

A polêmica da semana, para variar, é com Neymar. Para quem não acompanhou, foram dois movimentos. Depois do jogo entre Real Madrid e PSG, Walter Casagrande Jr criticou a postura do jogador, em sua participação no programa Redação Sportv. Vídeo aqui. Mais tarde, sem citar nomes (nem precisava), o pai de Neymar publicou isso aqui no Instagram.

 

Eu apenas coloquei as duas posições na minha conta do Twitter. Para não dizer que não usei adjetivos, chamei as colocações de Casagrande de “pertinentes”. E a resposta de Neymar pai de “patética”. Choveram comentários e é possível que tenham sido na ordem de meio a meio.

Uma coisa é fato. Neymar desperta amor e ódio. Tem gente que adora o cara, o jogo dele, o jeito e não atura ouvir qualquer crítica. Tem gente que detesta e se nega a elogiar. Quem gosta de Neymar, tem certeza absoluta que a mídia “persegue” o rapaz. Quem não gosta, diz que a mídia “passa a mão na cabeça” dele.

Primeiro, a mídia, assim como torcedores, ex-jogadores, etc, é formada por gente em carne e osso. Cada um tem sua opinião, cada um faz sua análise e chega a conclusões. Na mídia, existe a mesmíssima divisão que há entre as pessoas que acompanham e vivem futebol, mas não estão com microfone em mãos. Tem quem ame, tem quem deteste.

Eu, por exemplo, me considero uma pessoa no meio do caminho. Gosto muito do jogo de Neymar, acredito que ele seja um genuíno craque, que já está na lista de 10 maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Isso mesmo.

No entanto, sou crítico em relação a algumas posturas dele, especialmente dentro de campo, e acho que ele pularia para um degrau mais alto se ele melhorasse em alguns aspectos mentais e tomasse algumas decisões mais inteligentes em jogos grandes. A tomada de decisões é o que diferencia, por exemplo, Messi de Neymar.

Quando digo que sou crítico a algumas posturas, não estou falando de Instagram nem de festança de aniversário. Falo de posturas no jogo mesmo, com algum individualismo, algum desrespeito por rivais, algum desdém, alguma animosidade com toda a mídia, que, a meu ver, sobram. Ele deveria ser maior que isso.

Quando Casagrande fala que Neymar está sendo muito mimado, ele acerta em cheio, a meu ver. Sobre a postura em campo, por exemplo, nas jogadas com Cavani, já não concordo muito.

O que não gosto da polêmica gerada nesta semana é quando os defensores de Neymar passam ao ataque. Desqualificando Casagrande por seus problemas do passado com as drogas. Casagrande merece ser aplaudido pela maneira aberta e transparente como lidou com um problema pessoal, até para servir de exemplo para tantas outras famílias que sofrem do mesmo mal. Chamá-lo de “cheirador” acrescenta zero ao debate sobre Neymar. Zero.

Mostra apenas o nível baixíssimo das pessoas quando têm suas ideais confrontadas. Parece que se sentem ameaçadas. Mas deixemos os comentários sobre a psique humana para quem sabe mais disso do que eu.

E quando o pai de Neymar se manifesta chamando Casagrande de “abutre” me parece extremamente agressivo e desproporcional.

“Em uma “guerra” há os que se alimentam de vitórias e há os que, como os abutres, se alimentam da carniça dos derrotados. Nada fazem, nada produzem, vivem do brilho ou, com mais frequência, de momentos difíceis de suas “presas”. Foi o que escreveu Neymar pai.

Quem é mesmo que “vive do brilho dos outros”? cri, cri, cri….

E tem mais. Que história é essa de guerra?? É isso que está virando o Brasil. Tudo é guerra, tudo é enfrentamento. Se você faz uma crítica, é inimigo e precisa ser combatido. É um binarismo inacreditável, surreal.

Não sou advogado de Casagrande. Mas a crítica dele é analítica. É uma análise do jogo de Neymar e da postura dele como jogador protagonista da seleção brasileira, além de ser o mais caro da história do futebol.

Na análise de Casagrande, Neymar atua em campo com uma mentalidade individualista. E ele não gostaria que isso acontecesse na Copa do Mundo, pelo bem da seleção brasileira.

Esta mentalidade individualista, a meu ver, é parte integrante do futebol brasileiro. Foi, em grande parte, razão do nosso sucesso. Mas, hoje, é razão do fracasso. O jogo mudou. Hoje, ele é mais coletivo do que nunca. E o individualismo precisa estar a serviço do coletivo para, aí sim, marcar diferenças.

O que Casagrande diz é que Neymar joga um jogo em que o coletivo precisa estar a serviço do individualismo (dele). E esta é uma inversão de lógica inaceitável. A soma de atitudes, gestos, falas, etc, de Neymar fazem com que ele chegue a esta conclusão. Me parece uma opinião lícita.

Como lícita foi a opinião de Muricy Ramalho no mesmo Sportv, ex-treinador dele no Santos, dizendo que Neymar não é mimado, é super profissional, dedicado, etc. Tite fala a mesma coisa. Aliás, é nítido que Tite entende como ninguém que sua grande missão é trazer o individualismo do jogador brasileiro para serviço do coletivo. Só assim o hexa será conquistado. E ele parece estar tendo êxito na missão, inclusive pela postura que Neymar mostra quando joga com a seleção, bem diferente da postura que vem mostrando no PSG.

Eu não acho que ser mimado e ser super profissional sejam coisas excludentes. Me parece claro que Neymar não teria atingido o nível estratosférico que atingiu não fosse um jogador profissional, preparado e dedicado. Dedicado até que ponto? Mais ou menos que Cristiano Ronaldo? Mais ou menos que Ronaldinho Gaúcho? É difícil dizer. Podemos deduzir, observar, mas creio que ninguém tenha tal certeza. Nem mesmo os envolvidos, pois não estão na pele do outro.

Agora, só porque é profissional não é mimado?

O que é ser mimado, afinal? Na minha opinião, a pessoa mimada é aquela que tem dificuldades em aceitar um não como resposta, pois sempre tiveram a sua volta pessoas dispostas e disponíveis a cumprir seus desejos.

Eu, caçula e temporão, sou uma pessoa mimada. Não teria por que fazer a auto análise aqui neste post mas… por que não? Já tive e tenho muitas dificuldades na vida por me sentir contrariado. É uma barreira a ser superada. E isso não me impede de ser profissional, dedicado, ético, correto, etc.

Ninguém é 100% perfeito, ninguém é 100% imperfeito.

A impressão que a resposta de Neymar pai passa (corroborada a mim por outras pessoas mais próximas, não citarei nomes) e que as atitudes de Neymar filho, pai e staff passam é que Neymar nunca será contrariado pelas pessoas a sua volta.

É muito difícil imaginar que, depois do jogo contra o Real Madrid, alguém vá chegar perto dele e falar. “Ney, você errou nesse lance, naquele, naquele outro, poderia ter passado aqui, chutado ali, tomado outra decisão”.

Muricy deu a dica no Sportv. “Ele gosta de ser contrariado, confrontado”. Não duvido. Mas será que isso está acontecendo e tem acontecido nos últimos anos? Muricy não convive mais com ele para saber.

Mais, para apimentar o debate. Isso é função do técnico?

Sem dúvida. Mas pense no quão difícil é a posição de um técnico nesta relação com uma estrela como Neymar, rodeada de gente envenenando sua cabeça sobre os outros profissionais a sua volta. Será que “staff” Neymar fala bem ou mal de Emery, Cavani, etc para ele? Será que fazem contrapontos? Ou será que falam o que Neymar quer ouvir?

O que vocês acham?

Eu acho que as pessoas mais próximas a ele, que são as que deveriam ser constantes antagonistas, apenas fazem passar a mão na cabeça e falar o que ele quer ouvir. E a resposta agressiva e desmedida de Neymar pai a Casagrande são praticamente uma comprovação disso.

Foram muitos os jogadores e, principalmente, treinadores, que adotaram essa postura de enfrentamento. Que consideravam que o mundo estava contra eles, que havia uma gigantesca conspiração dos invejosos de plantão. Invariavelmente, essas pessoas fracassaram no próprio mar de ódio que geraram.

Nada na vida é melhor do que um choque de realidade de tempos em tempos. É duro na hora, mas faz um bem danado depois. Se eu fosse Neymar, ouviria e absorveria melhor as críticas. Isso aqui não é guerra. É apenas o jogo. O jogo que ele escolheu jogar muito tempo atrás.

 

 


O que fará Tite se Fernandinho continuar jogando assim?
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Julio Gomes

O meio de campo titular da seleção brasileira da era Tite está escalado: Casemiro, Paulinho e Renato Augusto.

Fernandinho é um coringa que pode entrar por ali e que parece ser o reserva imediato para os três. Mas o que fará Tite se Fernandinho continuar jogando o que está jogando no Manchester City?

Está cada vez mais difícil imaginar um time, qualquer que seja, sem ele. Qualquer time ou até qualquer seleção. Fernandinho está em uma hipotética “seleção mundial” de 2017, sem sombra de dúvida.

É uma peça fundamental no time mais quente da Europa, o Manchester City. Pep Guardiola não se cansa de elogiar o brasileiro e, durante a vitória fácil sobre o Watford, nesta terça, debaixo de chuva, aplaudiu seu jogador com braços esticados para cima, pedindo ao estádio para que entendesse a grandeza do jogo de Fernandinho.

Guardiola, aliás, que jogava muito, disse que seria reserva nesse time do City. Por causa de Fernandinho.

Sua presença no meio de campo, à frente (às vezes ao lado) dos zagueiros, limpando tudo, permite ao time jogar com toda sua força ofensiva. Sterling e Sané pelos lados, Silva e De Bruyne na armação, Aguero (ou Jesus) à frente.

É a chave que permite ao time ser sólido na defesa e criar maiorias e volume no ataque.

Lembra muito o papel de facilitador de Marcos Senna fez na seleção espanhola de 2008, campeã da Euro (o embrião de tudo o que viria). Com Senna, a Espanha podia jogar com Xavi, Iniesta, Silva, Torres e Villa. Busquets também faz um papel mais ou menos assim no Barcelona, e mesmo Casemiro no Real Madrid.

Mas Fernandinho seja talvez um jogador de melhor passe e mais importante para determinar a velocidade do time em campo – às vezes mais lento, às vezes acelerando.

Tite já comentou e pensa em uma formação com Casemiro e Fernandinho juntos. Neste desenho, no entanto, Philippe Coutinho jogaria por dentro, com Neymar e Willian abertos, sairiam do time Paulinho e Renato Augusto. Seria um 4-2-3-1 puro, diferente do 4-1-4-1 atual.

Mas como tirar Paulinho do time? É outro que está jogando muito e tem uma chegada ao ataque rara entre meio campistas, além da força na bola aérea. Com Casemiro, Fernandinho e Paulinho, o time pode ficar defensivo demais. Se Fernandinho jogar como joga no City, Casemiro teria de adiantar posição, o que também não parece uma grande opção.

Enfim.

Fica para Tite quebrar a cabeça e tomar as decisões.

Mas, do jeito que Fernandinho está jogando, e nada indica que seu nível cairá neste semestre, vai ser difícil deixá-lo fora da seleção que estreará na Copa da Rússia.