Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Tite

Willian abre caminhos no Chelsea e pede passagem na seleção
Comentários Comente

Julio Gomes

É ano de Copa do Mundo, a competição vai se aproximando e logo logo começarão as discussões acaloradas sobre quem deve jogar, quem deve estar no time, quem deve ser convocado (ou não). Depois de mais um grande jogo neste sábado, Willian é o nome da vez.

Nas redes sociais, na conversa de bar e nas mesas redondas bombam os pedidos para Tite dar um jeito de colocá-lo no time titular.

Cada mês será uma história até chegarmos a junho, quando a seleção brasileira fará a estreia. Em março, teremos a última data Fifa para amistosos entre seleções, em abril e maio, a reta final da Champions e ligas europeias, além do início do Brasileirão.

Dezembro foi o mês de Paulinho, brilhando no clássico contra o Real Madrid e mostrando estar à altura do Barcelona e da titularidade na seleção. Janeiro foi o mês de Firmino, fazendo um golaço no jogo em que o Liverpool derrubou a invencibilidade do Manchester City e entrando, de vez, na lista de Tite e mesmo das pessoas que não lhe conheciam e cornetavam o treinador por convocá-lo.

Fevereiro foi o mês de Willian.

Depois do grande jogo contra o Barcelona, no meio de semana, pela Liga dos Campeões, com duas bolas na trave e um belo gol marcado, Willian manteve o ritmo no clássico contra o Manchester United, neste domingo, pelo Campeonato Inglês.

No gol do Chelsea, puxou o contra ataque, encontrou Hazard, recebeu de volta e meteu um golaço. Fora isso, participou do jogo o tempo todo, mostrando mobilidade, obediência tática e coragem para encarar os marcadores. Foi o melhor do Chelsea.

O time acabou sofrendo a virada do United e perdendo em Manchester, graças a Lukaku, ao ótimo segundo tempo de Pogba e à postura, como sempre, defensiva demais de Conte. Nos 15 minutos finais, quando o Chelsea partiu em busca do empate, Conte tirou Hazard para a entrada de Pedro. Willian virou meia e criou, por exemplo, a jogada que acabaria no empate de Morata – o bandeira marcou um impedimento equivocadamente no lance.

Depois de ter frequentado muito o banco de reservas na primeira metade da temporada, especialmente nos jogos mais importantes do Chelsea, Willian abriu passagem na marra, na bola. Não dava mais para Conte preterir Willian para escalar Pedro. O Chelsea é um time melhor com ele, simples assim.

É verdade que os resultados contra Barcelona e Manchester United não foram legais, mas o futebol não é uma coisa de um homem só.

Mas e aí? E na seleção brasileira?

Willian já está convocado para a Copa, é uma espécie de décimo segundo titular de Tite. Mas só jogam 11, vocês já sabem. Nas primeiras partidas de Tite na seleção, ele era titular, mas Philippe Coutinho ganhou a vaga jogando muito, com a amarela e com o Liverpool.

Quem sairia do time para entrar Willian? São três os cenários.

O mais simples seria voltar Willian ao time no lugar de Coutinho, até porque Coutinho joga naturalmente pela esquerda, faixa ocupada também por um certo Neymar. Willian, pela direita, seria um posicionamento mais natural.

Uma segunda opção, que parece ser a mais próxima de acontecer, seria sacar Renato Augusto do time. Willian entraria pela direita e Philippe Coutinho jogaria por dentro. Pela entrevista recente de Tite ao jornal O Globo, é assim que a seleção vai começar no amistoso contra a Rússia.

Mas esta opção deixa o time ofensivo demais, protegido de menos e talvez suprima a grande qualidade do jogo de Paulinho, que é a chegada à frente. Então, surge uma variável. Paulinho também sairia do time para a entrada de Fernandinho, que faria a dupla de contenção com Casemiro por trás da linha com Neymar-Coutinho-Willian.

Possivelmente não haja uma opção melhor que a outra. Tudo vai depender do adversário, do momento físico e emocional dos jogadores quando a Copa chegar e, claro, dos cenários que cada partida vai apresentar. Mas, se a estreia fosse semana que vem, seria difícil deixar Willian fora do time.

 


Neymar pai e filho deveriam ouvir Casagrande, em vez de atacá-lo
Comentários Comente

Julio Gomes

A polêmica da semana, para variar, é com Neymar. Para quem não acompanhou, foram dois movimentos. Depois do jogo entre Real Madrid e PSG, Walter Casagrande Jr criticou a postura do jogador, em sua participação no programa Redação Sportv. Vídeo aqui. Mais tarde, sem citar nomes (nem precisava), o pai de Neymar publicou isso aqui no Instagram.

 

Eu apenas coloquei as duas posições na minha conta do Twitter. Para não dizer que não usei adjetivos, chamei as colocações de Casagrande de “pertinentes”. E a resposta de Neymar pai de “patética”. Choveram comentários e é possível que tenham sido na ordem de meio a meio.

Uma coisa é fato. Neymar desperta amor e ódio. Tem gente que adora o cara, o jogo dele, o jeito e não atura ouvir qualquer crítica. Tem gente que detesta e se nega a elogiar. Quem gosta de Neymar, tem certeza absoluta que a mídia “persegue” o rapaz. Quem não gosta, diz que a mídia “passa a mão na cabeça” dele.

Primeiro, a mídia, assim como torcedores, ex-jogadores, etc, é formada por gente em carne e osso. Cada um tem sua opinião, cada um faz sua análise e chega a conclusões. Na mídia, existe a mesmíssima divisão que há entre as pessoas que acompanham e vivem futebol, mas não estão com microfone em mãos. Tem quem ame, tem quem deteste.

Eu, por exemplo, me considero uma pessoa no meio do caminho. Gosto muito do jogo de Neymar, acredito que ele seja um genuíno craque, que já está na lista de 10 maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Isso mesmo.

No entanto, sou crítico em relação a algumas posturas dele, especialmente dentro de campo, e acho que ele pularia para um degrau mais alto se ele melhorasse em alguns aspectos mentais e tomasse algumas decisões mais inteligentes em jogos grandes. A tomada de decisões é o que diferencia, por exemplo, Messi de Neymar.

Quando digo que sou crítico a algumas posturas, não estou falando de Instagram nem de festança de aniversário. Falo de posturas no jogo mesmo, com algum individualismo, algum desrespeito por rivais, algum desdém, alguma animosidade com toda a mídia, que, a meu ver, sobram. Ele deveria ser maior que isso.

Quando Casagrande fala que Neymar está sendo muito mimado, ele acerta em cheio, a meu ver. Sobre a postura em campo, por exemplo, nas jogadas com Cavani, já não concordo muito.

O que não gosto da polêmica gerada nesta semana é quando os defensores de Neymar passam ao ataque. Desqualificando Casagrande por seus problemas do passado com as drogas. Casagrande merece ser aplaudido pela maneira aberta e transparente como lidou com um problema pessoal, até para servir de exemplo para tantas outras famílias que sofrem do mesmo mal. Chamá-lo de “cheirador” acrescenta zero ao debate sobre Neymar. Zero.

Mostra apenas o nível baixíssimo das pessoas quando têm suas ideais confrontadas. Parece que se sentem ameaçadas. Mas deixemos os comentários sobre a psique humana para quem sabe mais disso do que eu.

E quando o pai de Neymar se manifesta chamando Casagrande de “abutre” me parece extremamente agressivo e desproporcional.

“Em uma “guerra” há os que se alimentam de vitórias e há os que, como os abutres, se alimentam da carniça dos derrotados. Nada fazem, nada produzem, vivem do brilho ou, com mais frequência, de momentos difíceis de suas “presas”. Foi o que escreveu Neymar pai.

Quem é mesmo que “vive do brilho dos outros”? cri, cri, cri….

E tem mais. Que história é essa de guerra?? É isso que está virando o Brasil. Tudo é guerra, tudo é enfrentamento. Se você faz uma crítica, é inimigo e precisa ser combatido. É um binarismo inacreditável, surreal.

Não sou advogado de Casagrande. Mas a crítica dele é analítica. É uma análise do jogo de Neymar e da postura dele como jogador protagonista da seleção brasileira, além de ser o mais caro da história do futebol.

Na análise de Casagrande, Neymar atua em campo com uma mentalidade individualista. E ele não gostaria que isso acontecesse na Copa do Mundo, pelo bem da seleção brasileira.

Esta mentalidade individualista, a meu ver, é parte integrante do futebol brasileiro. Foi, em grande parte, razão do nosso sucesso. Mas, hoje, é razão do fracasso. O jogo mudou. Hoje, ele é mais coletivo do que nunca. E o individualismo precisa estar a serviço do coletivo para, aí sim, marcar diferenças.

O que Casagrande diz é que Neymar joga um jogo em que o coletivo precisa estar a serviço do individualismo (dele). E esta é uma inversão de lógica inaceitável. A soma de atitudes, gestos, falas, etc, de Neymar fazem com que ele chegue a esta conclusão. Me parece uma opinião lícita.

Como lícita foi a opinião de Muricy Ramalho no mesmo Sportv, ex-treinador dele no Santos, dizendo que Neymar não é mimado, é super profissional, dedicado, etc. Tite fala a mesma coisa. Aliás, é nítido que Tite entende como ninguém que sua grande missão é trazer o individualismo do jogador brasileiro para serviço do coletivo. Só assim o hexa será conquistado. E ele parece estar tendo êxito na missão, inclusive pela postura que Neymar mostra quando joga com a seleção, bem diferente da postura que vem mostrando no PSG.

Eu não acho que ser mimado e ser super profissional sejam coisas excludentes. Me parece claro que Neymar não teria atingido o nível estratosférico que atingiu não fosse um jogador profissional, preparado e dedicado. Dedicado até que ponto? Mais ou menos que Cristiano Ronaldo? Mais ou menos que Ronaldinho Gaúcho? É difícil dizer. Podemos deduzir, observar, mas creio que ninguém tenha tal certeza. Nem mesmo os envolvidos, pois não estão na pele do outro.

Agora, só porque é profissional não é mimado?

O que é ser mimado, afinal? Na minha opinião, a pessoa mimada é aquela que tem dificuldades em aceitar um não como resposta, pois sempre tiveram a sua volta pessoas dispostas e disponíveis a cumprir seus desejos.

Eu, caçula e temporão, sou uma pessoa mimada. Não teria por que fazer a auto análise aqui neste post mas… por que não? Já tive e tenho muitas dificuldades na vida por me sentir contrariado. É uma barreira a ser superada. E isso não me impede de ser profissional, dedicado, ético, correto, etc.

Ninguém é 100% perfeito, ninguém é 100% imperfeito.

A impressão que a resposta de Neymar pai passa (corroborada a mim por outras pessoas mais próximas, não citarei nomes) e que as atitudes de Neymar filho, pai e staff passam é que Neymar nunca será contrariado pelas pessoas a sua volta.

É muito difícil imaginar que, depois do jogo contra o Real Madrid, alguém vá chegar perto dele e falar. “Ney, você errou nesse lance, naquele, naquele outro, poderia ter passado aqui, chutado ali, tomado outra decisão”.

Muricy deu a dica no Sportv. “Ele gosta de ser contrariado, confrontado”. Não duvido. Mas será que isso está acontecendo e tem acontecido nos últimos anos? Muricy não convive mais com ele para saber.

Mais, para apimentar o debate. Isso é função do técnico?

Sem dúvida. Mas pense no quão difícil é a posição de um técnico nesta relação com uma estrela como Neymar, rodeada de gente envenenando sua cabeça sobre os outros profissionais a sua volta. Será que “staff” Neymar fala bem ou mal de Emery, Cavani, etc para ele? Será que fazem contrapontos? Ou será que falam o que Neymar quer ouvir?

O que vocês acham?

Eu acho que as pessoas mais próximas a ele, que são as que deveriam ser constantes antagonistas, apenas fazem passar a mão na cabeça e falar o que ele quer ouvir. E a resposta agressiva e desmedida de Neymar pai a Casagrande são praticamente uma comprovação disso.

Foram muitos os jogadores e, principalmente, treinadores, que adotaram essa postura de enfrentamento. Que consideravam que o mundo estava contra eles, que havia uma gigantesca conspiração dos invejosos de plantão. Invariavelmente, essas pessoas fracassaram no próprio mar de ódio que geraram.

Nada na vida é melhor do que um choque de realidade de tempos em tempos. É duro na hora, mas faz um bem danado depois. Se eu fosse Neymar, ouviria e absorveria melhor as críticas. Isso aqui não é guerra. É apenas o jogo. O jogo que ele escolheu jogar muito tempo atrás.

 

 


O que fará Tite se Fernandinho continuar jogando assim?
Comentários Comente

Julio Gomes

O meio de campo titular da seleção brasileira da era Tite está escalado: Casemiro, Paulinho e Renato Augusto.

Fernandinho é um coringa que pode entrar por ali e que parece ser o reserva imediato para os três. Mas o que fará Tite se Fernandinho continuar jogando o que está jogando no Manchester City?

Está cada vez mais difícil imaginar um time, qualquer que seja, sem ele. Qualquer time ou até qualquer seleção. Fernandinho está em uma hipotética “seleção mundial” de 2017, sem sombra de dúvida.

É uma peça fundamental no time mais quente da Europa, o Manchester City. Pep Guardiola não se cansa de elogiar o brasileiro e, durante a vitória fácil sobre o Watford, nesta terça, debaixo de chuva, aplaudiu seu jogador com braços esticados para cima, pedindo ao estádio para que entendesse a grandeza do jogo de Fernandinho.

Guardiola, aliás, que jogava muito, disse que seria reserva nesse time do City. Por causa de Fernandinho.

Sua presença no meio de campo, à frente (às vezes ao lado) dos zagueiros, limpando tudo, permite ao time jogar com toda sua força ofensiva. Sterling e Sané pelos lados, Silva e De Bruyne na armação, Aguero (ou Jesus) à frente.

É a chave que permite ao time ser sólido na defesa e criar maiorias e volume no ataque.

Lembra muito o papel de facilitador de Marcos Senna fez na seleção espanhola de 2008, campeã da Euro (o embrião de tudo o que viria). Com Senna, a Espanha podia jogar com Xavi, Iniesta, Silva, Torres e Villa. Busquets também faz um papel mais ou menos assim no Barcelona, e mesmo Casemiro no Real Madrid.

Mas Fernandinho seja talvez um jogador de melhor passe e mais importante para determinar a velocidade do time em campo – às vezes mais lento, às vezes acelerando.

Tite já comentou e pensa em uma formação com Casemiro e Fernandinho juntos. Neste desenho, no entanto, Philippe Coutinho jogaria por dentro, com Neymar e Willian abertos, sairiam do time Paulinho e Renato Augusto. Seria um 4-2-3-1 puro, diferente do 4-1-4-1 atual.

Mas como tirar Paulinho do time? É outro que está jogando muito e tem uma chegada ao ataque rara entre meio campistas, além da força na bola aérea. Com Casemiro, Fernandinho e Paulinho, o time pode ficar defensivo demais. Se Fernandinho jogar como joga no City, Casemiro teria de adiantar posição, o que também não parece uma grande opção.

Enfim.

Fica para Tite quebrar a cabeça e tomar as decisões.

Mas, do jeito que Fernandinho está jogando, e nada indica que seu nível cairá neste semestre, vai ser difícil deixá-lo fora da seleção que estreará na Copa da Rússia.

 


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
Comentários Comente

Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Brasil pega grupo chato, dá azar nos cruzamentos e fará tour pela Rússia
Comentários Comente

Julio Gomes

O Brasil foi sorteado para ser cabeça de chave do grupo E da Copa do Mundo. O grupo não pode ser chamado de “grupo da morte” para a seleção de Tite, mas também não é molezinha. O problema mesmo é o que vem depois. O cruzamento e a logística estão longe do ideal.

O Brasil é favorito absoluto em uma chave com Suíça, Costa Rica e Sérvia. São duas seleções europeias, mas não as mais fortes. Será uma boa briga pela segunda colocação.

O cruzamento de oitavas de final, no entanto, será contra um forte grupo F, possivelmente o mais forte da fase e grupos, com Alemanha, México, Suécia e Coreia do Sul.

A boa notícia é que, se Brasil e Alemanha ganharem seus grupos, só poderão se reencontrar na final. No entanto, se um deles for o primeiro e outro for o segundo, o indesejado duelo ocorrerá já nas oitavas de final.

O Brasil jogará na primeira fase em Rostov, São Petersburgo e Moscou. Se for primeiro no grupo, jogará em Samara nas oitavas e em Kazan nas quartas. É o único cabeça de chave que, se for primeiro, fará jogos em cinco cidades diferentes, um verdadeiro tour pela Rússia.


Seleção não deve se preocupar com grupo, mas com cruzamentos e logística
Comentários Comente

Julio Gomes

As bolinhas sairão hoje, na Rússia, uma após a outra. E saberemos quem a seleção brasileira vai enfrentar na primeira fase do Mundial, em que estádios, etc. Passaremos meses falando dos tais três adversários da seleção de Tite.

É normal que seja assim. Mas, a meu ver, o mais importante no sorteio desta sexta-feira são outras duas coisas: os cruzamentos futuros e as datas/deslocamentos entre jogos.

Vamos imaginar que o Brasil dê o maior azar do mundo e caia em um “grupo da morte”. Que grupo da morte seria esse? Possivelmente um que tivesse Espanha ou Inglaterra, Dinamarca ou Suécia e a Nigéria. Será que o Brasil sofreria tanto assim para passar de um grupo desses? Claro que seria desafiador, mas seria uma grande surpresa se Brasil ou Espanha fossem eliminados em um grupo assim.

Mas agora vamos pensar de forma diferente. Vamos imaginar que seja a Argentina a cabeça de chave deste hipotético grupo da morte com Espanha, Dinamarca e Nigéria, por exemplo. E que o Brasil fique em um grupo teoricamente mais fácil, mas cruze nas oitavas de final justamente contra alguém desta chave. Isso significaria enfrentar Argentina ou Espanha já no primeiro jogo de mata-mata.

Isso sim, é algo a evitar. É muito melhor enfrentar uma Espanha ou uma Inglaterra logo na fase de grupos, quando perder não significará eliminação, do que pegar pedreiras em todas as fases eliminatórias.

Em 2014, o Brasil não teve muita sorte. Pegou um grupo não tão fácil, com Croácia e México, e cruzou nas oitavas com um grupo que tinha Espanha, Holanda e Chile. Acabou jogando contra o Chile e só não caiu logo nas oitavas de final porque passou nos pênaltis.

A Copa da Rússia tem algumas ausências importantes. Itália, Holanda, Chile, EUA, Gana… Com isso, diminuem bastante as possibilidades de um ou mais grupos da morte serem formados. É mais improvável que aconteça com o Brasil no ano que vem o que aconteceu em 2014: grupo relativamente difícil e cruzamento ingrato.

Ampliando um pouco a questão dos cruzamentos, há uma outra torcida. Dos sete outros cabeças de chave, três podem ser considerados da “primeira prateleira” na lista de favoritos ao título: Alemanha, França e Argentina. Os outros quatro são Bélgica, Portugal, Polônia e Rússia.

O ideal seria que o Brasil ficasse em uma “metade” diferente das maiores potências. Ou seja, se ele for sorteado para cair nos grupos B, C ou D (a Rússia já está no A), o ideal seria que Alemanha, França e Argentina estivessem ocupando a metade de baixo (grupos E, F, G e H). Assim, o Brasil evitaria qualquer confronto contra estas seleções antes das semifinais.

A outra grande chave é a questão logística.

O sonho de consumo de Tite e comissão é cair no grupo B. O cabeça de chave deste grupo fará a estreia em Sochi e, se for primeiro, jogaria de novo na cidade nas quartas de final. Teria jogos em Moscou na segunda rodada, oitavas e semis. Ou seja, a logística de viagem ficaria extremamente facilitada e o cruzamento seria com o grupo A, o da Rússia, a cabeça de chave destacadamente mais fraca.

O lado ruim de cair no grupo B seria estrear logo no dia 15 de junho, segundo dia de Mundial. Os cabeças dos grupos C e D estreiam no dia 16 e, considerando que a seleção ficará em Sochi, teria de fazer muitas viagens na fase de grupos. Algo parecido aconteceria se o Brasil fosse sorteado para ser cabeça do grupo E ou F. Seriam cinco cidades diferentes nos cinco primeiros jogos.

O grupo G seria uma boa opção, pois a estreia seria somente no dia 18 de junho (mais dias de preparação) e em Sochi. O outro lado da moeda é que o cabeça deste grupo, se for o primeiro colocado, será o país com menos intervalo entre fase de grupos e oitavas e entre oitavas e quartas de final. Mais tempo de descanso antes da estreia, mas menos tempo entre um jogo e outro no decorrer da competição. Algo parecido acontecerá com o cabeça do grupo H.

 


Inglaterra mostra uma encrenca tática que será comum na Copa
Comentários Comente

Julio Gomes

O jogo do Brasil contra a Inglaterra não foi bom. Mas não é preocupante. É um toque de atenção, porque Tite nunca havia enfrentado uma seleção europeia e logo pegou uma que joga no 3-4-3 cheio de variáveis, que virou moda no futebol mundial.

Na Inglaterra, está todo mundo jogando assim, até mesmo Mourinho, no United, e Guardiola, no City, copiaram a fórmula de sucesso que Conte implementou no Chelsea. A Juventus, às vezes o Barcelona, enfim, tem muita gente jogando assim no futebol de alto nível. E no mundo global, em que todo mundo vê tudo e tem acesso a tudo, copiar é moleza.

São muitas variáveis. É muito diferente ter três zagueiros flanqueados por laterais que sobem pouco ou que sobem muito. Alguns técnicos usam meias ou atacantes para ser o “ala”. É um sistema que demanda muito treino e sincronia e que aposta em uma defesa firme com saídas rápidas na transição (a exceção, claro, é o Manchester City). Ele vira um 5-4-1 ou um 5-3-2 na fase defensiva, vira um 3-6-1 e até um 3-3-4 na ofensiva. Numerinhos apenas para tentar ilustrar.

O fato é que o Brasil não conseguiu sair do emaranhado inglês.

O jeito que a Inglaterra jogou é bastante prejudicial aos laterais adversários, especialmente se o time adversário, como é o que caso do Brasil, tem laterais tão ofensivos e tão importantes na criação de jogadas. Pelos lados, os laterais brasileiros são armadores, não apenas metedores de bolas na área.

Como furar um bloqueio desses? Mais difícil ainda seria sem laterais bons como Daniel Alves e Marcelo. Mas o fato é que eles precisarão ser usados mais taticamente do que tecnicamente. Precisam subir, espalhar a defesa rival, prender e incomodar os alas/laterais do adversário. Desta forma, é possível criar maiorias pelo meio com os meias e atacantes.

O Brasil não conseguiu fazer isso hoje. Nem na primeira versão de meio de campo e nem depois que Willian e Fernandinho substituíram Coutinho e Renato Augusto (ainda que tenha melhorado na reta final).

Faltou velocidade na troca de passes, para confundir e deslocar a defesa adversária. E faltaram bons chutes de fora da área.

A melhor chance no segundo tempo veio em uma jogada de velocidade puxada por Neymar, que abriu para a boa finalização de Paulinho. Foi praticamente a única grande infiltração de Paulinho no jogo.

É bom ter jogadores que quebrem defesas, como Neymar e Coutinho. Mas contra adversários bem fechados eles terão poucas chances de jogar como gostam, com velocidade e espaço.

O amistoso contra a Inglaterra serviu demais para ver um tipo de encrenca que será possivelmente frequente na Copa do Mundo. Agora, Tite que se vire para encontrar soluções. Tem alguns meses para isso.

 


Arthur é o nome mais importante da convocação de Tite
Comentários Comente

Julio Gomes

Quando Tite convocou a seleção brasileira para os jogos contra Equador e Colômbia, um mês atrás, eu escrevi aqui no blog que o grupo parecia ter 17 nomes certos para a Copa-2018.

As vagas abertas, a meu ver, eram ocupadas por Cássio, Fágner, Rodrigo Caio, Luan, Giuliano e Taison. Na convocação desta sexta-feira, para os jogos derradeiros nas eliminatórias, contra Bolívia e Chile, foram convocados os 17 “fixos” e Cássio. Os outros cinco citados acima ficaram de fora.

Para os testes, Tite chamou Danilo (Manchester City), Jemerson (Monaco), Arthur (Grêmio), Diego (Flamengo), Fred (Shakhtar) e Tardelli (Shandong). A lista desta vez tem 24 nomes.

Danilo e Jemerson parecem ter chances reais de estar no Mundial. Diego, Fred e Tardelli serão contestados – o primeiro porque não tem jogado bem, os outros dois porque não são vistos por ninguém (e, sei lá por qual razão, as pessoas pressupõem que não merecem, porque estão na Ucrânia e China. A meu ver, o que eles não merecem é a avaliação de quem não os assiste).

Mas quero me ater a Arthur.

Este é o nome mais importante desta convocação. Arthur é um jovem, com potencial para estar na seleção por muitos anos e muitas Copas. Na quarta, contra o Botafogo, sob os olhares de Tite, fez uma partida monstruosa. E, justamente com a ausência de Luan, um dos preteridos da lista, virou uma espécie de armador principal do Grêmio naquela partida. Mostrou, portanto, versatilidade e capacidade de fazer mais do que o que faz em sua posição original.

O time titular de Tite na Copa (salvo lesões) terá Casemiro como primeiro volante, Paulinho e Renato Augusto mais à frente. Estes dois são jogadores raros e que encaixam no que o técnico quer, jogadores “box to box”, com capacidade defensiva, de leitura de jogo e chegada forte ao ataque.

É muito difícil e tem sido muito difícil encontrar quem possa substituir Paulinho ou Renato Augusto caso um destes se machuque ou seja suspenso. Alguns são volantes demais, outros são meias demais. É difícil achar meio-campistas completos no futebol brasileiro.

Arthur tem mostrado potencial para ser um deles. Pode virar o primeiro reserva para posições chave.

Philippe Coutinho pode ser uma opção ali. Mas seria uma opção ofensiva. E não é sempre assim que a seleção poderá/precisará jogar na Copa.


Neymar e outras boas notícias no empate da seleção na Colômbia
Comentários Comente

Julio Gomes

O Brasil de Tite, finalmente, não venceu nas eliminatórias. O surreal mesmo era ganhar tantos jogos seguidos na que talvez seja a mais dura competição entre seleções. Empatar com o bom time da Colômbia, em Barranquilla, é um resultado para lá de normal.

A seleção não teve de início quatro titulares (Miranda, Marcelo, Casemiro e Gabriel Jesus), mas fez um jogo sólido. Algumas boas notícias podem ser tiradas.

William, de volta aos titulares depois da queimada de filme de Philippe Coutinho no mercado europeu, voltou a jogar bem. Fez um golaço no primeiro tempo.

Thiago Silva e Fernandinho fizeram jogos sólidos. O meio de campo mostrou organização e nunca deixou a Colômbia ter espaço e se sentir confortável. James Rodríguez causou mais danos ao cair para os lados.

Foi assim, com um lindo passe, que ele desmontou a marcação de Filipe Luís e Renato Augusto e habilitou o companheiro para dar o cruzamento que resultou no belo cabeceio de Falcao García. Ninguém falhou no gol, foram muitos méritos do adversário.

No primeiro tempo, a Colômbia bateu demais. O time soube apanhar, não caiu na pilha, não revidou. E ainda teve a maturidade de pedir ao técnico rival, Pekerman (Daniel Alves e Neymar falaram com ele), para que conversasse com seus jogadores. No segundo tempo, o jogo ficou muito mais calmo.

E a melhor das notícias foi Neymar. Depois do jogo ruim, individualista e pouco produtivo, contra o Equador, ele voltou a ser o “Neymar da seleção” na Colômbia.

Será que Tite chamou o jogador de lado para uma conversa sobre a atuação de quinta? Seria ótima notícia. Mas duvido que ficaremos sabendo se ela ocorreu e em que termos.

Se Tite não falou nada, média notícia. Pelo menos Neymar caiu em si.

Suas melhores atuações pela seleção são como as de hoje. Pela esquerda, com liberdade de criação e movimentos, mais perto do gol e com menos adversários. Foi de uma jogada dele, por exemplo, que saiu o golaço de William. E também saíram outros lances de perigo.

Neymar não funciona quando joga de forma anárquica, transitando pelo meio de campo, com muitos rivais pela frente e se preocupando com carretilhas. Este Neymar não passará nem perto de ganhar uma Bola de Ouro.

Já o Neymar maduro, consciente taticamente, letal em velocidade e fazendo gols, este sim, pode ganhar uma logo logo.

 


Neymar faz seu pior jogo com Tite. Tendência ou exceção?
Comentários Comente

Julio Gomes

Neymar fez contra o Equador, em Porto Alegre, aquele jogo que só gosta quem tem carteirinha do fã clube. Individualista, nervosinho, agressivo com os rivais, pouco útil para o time. Prendeu a bola, buscou dribles em vez de passes, tomou as decisões erradas.

Fez um jogo mais parecido com os dos tempos de Dunga, em que a seleção brasileira era um amontoado à espera de Neymar para resolver as coisas. Com Tite, a coisa mudou. Neymar atuou sempre pela esquerda, perto do gol e com liberdade para afunilar, se associar, entrar na área e finalizar.

Esta é a melhor versão de Neymar. Em Barcelona, ele jogava pela esquerda, mas com pouca liberdade de movimentos e com muitas obrigações defensivas. No Brasil de Tite, passou a produzir mais jogando à vontade (mas com um posicionamento).

No primeiro jogo pelo PSG, contra o Guingamp, Neymar jogou de forma anárquica. Pelo meio, vindo buscar todas as bolas, “à la Messi”, longe do gol e de seu melhor lugar no campo. Nos jogos seguintes, a coisa já se acertou e ele jogou de forma mais parecida à da seleção.

Eu acredito que a partida desta noite seja uma exceção, pelo fato de o Brasil já estar classificado. E não uma tendência, pelo fato de ele ter ido buscar liberdade e protagonismo no PSG. Mas isso é algo para vermos nos próximos jogos.

Não acredito que Tite tenha ficado feliz com a partida de seu melhor jogador. Os próximos dias terão implicações até a Copa. O treinador vai deixar isso claro internamente? Ou vai deixá-lo se sair com uma atuação assim?

Philippe Costinhas, perdão, Coutinho, por outro lado, mudou o jogo ao entrar. Ocupou a faixa central do campo, trouxe velocidade e dinamismo, empurrou Neymar para a esquerda e fez um golaço.

Com o mau jogo de Neymar e os ótimos minutos de Coutinho, capaz que o Barcelona ofereça 250 milhões de euros ao Liverpool e ainda bata no peito. A janela de transferências se fecha na Espanha nesta sexta.

A defesa não foi exigida, Willian e Gabriel Jesus foram muito bem, a estrela de Paulinho brilhou.

O time titular está testado e aprovado. Talvez, nas rodadas finais das eliminatórias, Tite possa testar jogadores e sistemas. Fica a dica.

A má notícia fica para o público. Dois terços do estádio ocupados. E o terço vazio? Certamente vazio pelos preços altos. Eles seguem achando que a seleção brasileira é só deles.