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Paulinho prefere a Copa ao Barça. Por que não os dois?
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Paulinho tornou pública a conversa entre seus empresários e o Barcelona. Nesta entrevista ao Globo Esporte, diz que está “difícil decidir” entre ir para um dos maiores clubes do mundo e ficar na China. Na cabeça dele, o dilema parece ser: a certeza de jogar, manter ritmo e ser titular na Copa do Mundo e a dúvida de esquentar banco no Barcelona e perder espaço.

Paulinho é muito bom jogador de futebol. Funciona muito bem no meio de campo como um volante que fecha espaços e tem bom passe, chegada e finalização. Tem as características do jogador moderno, é um todo-terreno, enfim. Foi importantíssimo no Corinthians de Tite, na Copa das Confederações de 2013 e tem sido peça fundamental no renascimento da seleção brasileira, reencontrando Tite.

Eu não critico Paulinho por escolher “ser feliz”. Aliás, eu não critico ninguém por buscar a felicidade. Se o cara prefere jogar futebol na China, na várzea ou na praia, em vez de outro lugar, o direito é dele.

Mas me sinto livre para criticar a falta de ambição ou então a incapacidade de se adaptar e buscar espaço.

Paulinho só funcionou plenamente até agora em lugares com condições ideais. Em lugares em que se sentiu confiante (não ameaçado), com treinadores que gostam dele e escalam do melhor jeito possível para seu futebol fluir. Azar dos que não fizeram o mesmo. Mas, convenhamos. É parte da coisa também o jogador atuar em condições que não sejam as ideais.

No Tottenham, Paulinho chegou com André Villas Boas no comando. Mas o português saiu no meio da temporada, assumiu Tim Sherwood. Perdeu ritmo e espaço, foi mal na Copa.

Na segunda temporada, vindo com o 7 a 1 na cabeça, Paulinho caiu nas mãos de Mauricio Pochettino. O argentino está lá desde então e, em três temporadas, está se tornando um dos grandes técnicos da história do Tottenham.

Paulinho ficou só um ano com Pochettino e se mandou para jogar com Felipão na China. Não se deram bem. Só eles sabem exatamente como as coisas ocorreram, mas, de longe, me parece ter havido um problema terrível de falta de comunicação. Convenhamos, poderia estar até agora no Tottenham, vivendo esse grande momento do clube.

E agora está com medo de acontecer a mesma coisa. Na China, joga, é titular, a família está adaptada. É jogador de confiança de Felipão e de Tite. Como será em Barcelona? Será uma temporada complicada para o Barça, com técnico novo (Ernesto Valverde) e um Real Madrid voando. E se Paulinho não agradar e ficar o ano todo sem jogar?

O medo dele é compreensível. Mas onde está a confiança? A determinação? A ambição? Ele tem à sua frente uma raríssima segunda chance no alto nível europeu. Olhando o elenco do Barcelona, Paulinho tem grandes chances de triunfar, ter minutos, agradar o novo técnico, municiar Messi, Neymar e Suárez.

Para isso, terá de batalhar. Não dá para dizer que um cara que foi para a Lituânia com 17 anos de idade não tenha coragem e não seja batalhador.

Mas me parece que o medo de não triunfar seja mais forte do que a genuína felicidade no futebol de menor nível da China.

Se escolher ficar, Paulinho estará escolhendo a estabilidade e a seleção brasileira sobre o desafio de jogar em um dos maiores clubes do mundo. Sonho de 10 em cada 10 jogadores.

Sinceramente, acho que daria para ter as duas coisas. Só depende dele, de confiar no próprio taco. Não dos outros.

 

 


Derrota significa pouco para o Brasil, vitória é gigante para a Argentina
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juliogomes

A derrota da seleção brasileira para a Argentina, na manhã desta sexta-feira, na Austrália, significa pouco para o Brasil. Muito, muitíssimo, para os adversários. O gol foi anotado pelo zagueiro Mercado, no fim do primeiro tempo, e o Brasil desperdiçou boas chances de empatar no segundo tempo.

Foi a primeira derrota de Tite no comando técnico da seleção. Mas, convenhamos, ela chega após uma incrível sequência de nove vitórias nas nove primeiras partidas com Tite. Com classificação para a Copa do Mundo garantida (um ano atrás, vamos lembrar, o Brasil corria sério risco de ficar fora). E  com um time com a defesa inteira reserva e sem Neymar.

Por outro lado, a vitória significa demais para a Argentina. É ela que corre risco nas eliminatórias e não havia maneira melhor de Jorge Sampaoli começar sua caminhada.

Para o Brasil, era importante fazer testes, Tite saber com quem contar, observar variações táticas. Para a Argentina, o importante era vencer.

Sete meses atrás, a Argentina levou um vareio do Brasil no Mineirão. Era um time depressivo com Patón Bauza, que lembrava muito a seleção com Dunga. Jogadores nitidamente desconfortáveis em campo, descontentes. Com Sampaoli, muda o espírito, a dinâmica de jogo, e a Argentina volta a ser forte. Claro que tudo isso precisava vir com resultados. Uma vitória sobre o Brasil logo de cara clareia as coisas para Sampaoli.

O início do jogo mostrou uma característica marcante dos dois técnicos, que gostam que seus times marquem no alto, sufocando a saída de bola adversária. Tanto Brasil quanto Argentina avançavam a marcação até a área rival.

O Brasil, naturalmente mais entrosado, tinha menos problemas para sair jogando, enquanto a Argentina sofria. Em uma destas recuperações de bola, logo aos 5min, Philippe Coutinho teve a primeira boa chance de gol para o Brasil.

Logo depois, no entanto, a Argentina mostrou qual seria sua principal jogada no amistoso. Ao sair da pressão, Dybala acionou Di María, que jogou o primeiro tempo grudado na linha lateral. Ele avançou e, quase sem ângulo, chutou na trave. Di María trouxe muitos problemas para Fágner, possivelmente o pior do Brasil em campo.

Além de ter sofrido defensivamente, Fágner ainda tentou cavar um pênalti de forma patética no segundo tempo, em uma de suas poucas subidas ao ataque. Rafinha entrou no lugar dele e foi melhor.

A Argentina de Sampaoli atuava com três zagueiros, Gómez e Di María abertos, Biglia e Banega muito próximos na primeira linha no meio, Messi e Dybala muito próximos na segunda linha. Com o “pelado”, os desenhos táticos são mesmos mais surpreendentes. Era um 3-6-1. Ou um 3-2-4-1.

Mais que nada, o que se notou foi uma Argentina mais leve e séria, com mais personalidade em campo. Foi notável a diferença para o time depressivo com Patón Bauza no comando.

A melhor chance brasileira no primeiro veio em um contra ataque puxado pela esquerda, um dois contra um em que Willian demorou demais para passar para Coutinho, que acabaria travado pela defesa.

A partir dos 30min, no entanto, a posse de bola argentina ficou mais perigosa, a seleção de Sampaoli passou a tomar conta do jogo em seu campo ofensivo. Dybala e Messi passaram a participar do jogo.

Foi difícil, no entanto, romper o fechadinho bloco defensivo brasileiro. O gol argentino acabou saindo em uma jogada com claro dedo do treinador. Escanteio cobrado para trás, cruzamento de Di María e a infiltração dos zagueiros. Otamendi acertou a trave, mas Mercado aproveitou o rebote.

No segundo tempo, no entanto, o jogo foi comandado pela seleção brasileira.

Tite fez alterações ofensivas e tentou criar um quadrado de frente ao colocar Douglas Costa no lugar de Renato Augusto – sumido, não pareceu se encontrar enquanto esteve em campo. Rafinha entrou bem na lateral direita. Já Sampaoli foi tirando de campo atacantes e reforçou o sistema defensivo. Messi nem foi visto no segundo tempo, não houve qualquer ameaça ao gol de Weverton.

A grande chance do Brasil veio em uma linda enfiada para Gabriel Jesus, que driblou Romero e, com gol vazio, chutou na trave. No rebote, Willian acertou a trave novamente. Com Willian pela direita e Coutinho pela esquerda, como jogam em seus clubes, o time funcionou melhor. Ao contrário de outras partidas, no entanto, o meio de campo simplesmente não funcionou.

Jesus participou muito do jogo e apanhou demais, mas acabou perdendo a melhor chance.

 

 

 

 


Tite acerta ao convocar David Luiz e Rodriguinho
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juliogomes

Está difícil achar uma bola fora de Tite. O técnico convocou nesta sexta a seleção para amistosos contra Argentina e Austrália, em junho. E a lista tem algumas justiças.

David Luiz ficou marcado pelos 7 a 1. E é justo que seja assim, que ele seja criticado por uma atuação desastrosa. Mas não gosto quando jogadores recebem um carimbo na testa e punição perpétua por uma má atuação.

A temporada de David Luiz foi enorme. Voltou para o Chelsea e foi importantíssimo na campanha do título, sendo um dos três zagueiros de Conte. Mostrou, mais uma vez, que pode jogar como zagueiro e que, apesar de ter alguns defeitos técnicos, pode compensá-los com elementos ofensivos que poucos zagueiros aportam a um time.

David Luiz pode ou não pode estar no grupo da Copa do Mundo. Há boas justificativas para qualquer que seja a decisão tomada por Tite. O que não dá é para riscá-lo da lista eternamente por causa do 7 a 1. Faz muito bem o técnico em chamá-lo, observá-lo, conhecê-lo.

Ele é um zagueiro especial. Muitas vezes a volúpia em campo lhe faz esquecer do básico da função. É um jogador que foi sendo lapidado durante o voo, não na base. Os técnicos que sabem trabalhar bem isso ganham uma ótima peça para seus times.

Diego Alves, goleiro do Valencia, deveria ser titular da seleção há muito tempo. Creio que seria o goleiro da Copa passada, não tivesse Marin demitindo Mano Menezes para se escorar na dupla Felipão/Parreira. O Brasil tem muitos bons goleiros, mas o nível apresentado por Diego Alves na Espanha, há muito tempo, é bastante alto.

Alex Sandro é titular da Juventus finalista da Champions. Outro que faz ótima temporada e é uma opção que precisa ser vista para a lateral esquerda. Assim como Jemerson, que foi muito bem no Monaco (campeão francês e semifinalista da Champions) e ganha uma chance.

Por fim, chegamos a Rodriguinho. Não acho que Rodriguinho vá chegar até a Copa do Mundo, o próprio Tite deu a entender que, se estivesse bem fisicamente, Diego é que seria convocado.

Mas é muito justo que seja chamado o melhor meia do futebol brasileiro em 2017. Repito. Em 2017.

Na atual temporada do futebol brasileiro, que ainda está muito no comecinho, nenhum outro jogador da posição foi mais determinante que Rodriguinho.

Não acho que seleção brasileira seja “momento”, como muitos dizem. Acho que seleção brasileira precisa ser uma base de atletas, muitos deles “à prova de momento”. Não dá para o cara jogar no fio da navalha o tempo todo, ele precisa ter confiança e saber que faz parte dos planos independente de viver uma fase ruim.

E uma ou duas vagas ficam reservadas para quem estiver bem, aí sim, naquele momento da competição. É importante testar Rodriguinho, observá-lo. Vai que o cara carrega o ótimo momento para o ano todo no Corinthians.

Claro que vamos lembrar de um nome aqui, outro ali. Faltou esse, faltou aquele. Não gosto muito de Fágner e Taison na lista, por exemplo. Mas essa é a graça de se falar de seleção.

Por enquanto, Tite segue só dando bolas dentro. Seu único erro é não querer ser presidente da combalida República!


Paulinho, as apostas e o recorde histórico de Tite
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juliogomes

Ser técnico da seleção brasileira é ser um pouco apostador. Fazer escolhas, acreditar que este ou aquele jogador vai dar a resposta necessária. Paulinho é uma aposta de Tite que vem rendendo altos dividendos. Neymar deixando de ser faz-tudo é outra. Alisson, uma aposta ainda a ser comprovada.

De aposta em aposta, acerto em acerto, Tite vai estabelecendo recordes e colocando o Brasil como maior favorito para a Copa do Mundo do ano que vem – lembrando que a Argentina está em viés de baixa, Alemanha e Espanha chegarão em transição à Rússia. No principais sites de apostas do mundo, só um título da Alemanha paga menos do que o título do Brasil. Pouco menos, já está quase a mesma coisa. Você nem imagina a capacidade que as casas de apostas têm de prever o futuro.

Cinco vitórias consecutivas era o máximo que havia sido conseguido por uma seleção nas eliminatórias sul-americanas de pontos corridos – uma competição de altíssimo equilíbrio e estádio complicados. A Argentina conseguiu duas vezes, o Equador, uma. Tite já conseguiu sete vitórias seguidas. Superou as seis seguidas de João Saldanha na campanha anterior à Copa de 70.

A goleada por 4 a 1 sobre o Uruguai, em Montevidéu, de virada, teve pouco de acaso. O Brasil dominou o primeiro tempo, não sentiu o gol sofrido logo no início, chegou naturalmente ao gol de empate e à virada. Suportou bem a pressão no segundo tempo, com compostura defensiva e sem abdicar da transição rápida para contra atacar.

A rotatividade alta da seleção não deveria ser regra, claro. A escolha de jogadores deveria ser mais constante e seguir certa coerência desde a base. Em tempos em que seleções se reúnem tão raramente e por tão pouco tempo, em tempos de futebol coletivo, em que individualidades contam menos, quanto mais os jogadores se conhecerem e o estilo for mantido, melhor.

Vivemos ao longo das décadas altíssima rotatitivade de treinadores. Cada um resolve jogar de um jeito, cada um tem seus jogadores prediletos ou de confiança, a imprensa pressiona por seus prediletos, e a cada mudança de comando o Brasil foi sofrendo revoluções. Nada a ver com a Alemanha, por exemplo, que mantém bases sólidas por anos e vai pontualmente acrescentando um jogador aqui, outro ali.

Tite foi o enésimo treinador a fazer a própria revolução. Algumas apostas eram óbvias, como trazer Marcelo de volta ao time ou dar espaço a Casemiro, voando no Real Madrid.

Outras, nem tão óbvias. Como dar a titularidade a um jovem Gabriel Jesus. Como bancar Alisson no gol. Ou resgatar Paulinho.

Nunca fui apaixonado pelo futebol de Paulinho. Ele teve um período fantástico no Corinthians com Tite. Mas sempre desconfiei de jogadores que aparecem tarde, não triunfam no futebol de altíssimo nível e vão parar em mercados como a China.

Talvez ele simplesmente não tenha a capacidade de se adaptar a um país como a Inglaterra, aprender idioma, superar competição. Mas, com confiança e espaço garantido, o cara seja um monstro.

Tite bancou um cara que ele conhecia e que se adaptava ao futebol de área a área que é jogado hoje em dia por meio-campistas. E Paulinho não só fez boas partidas até agora como foi o grande nome da virada no Centenário. Um golaço do meio da rua empatou o jogo, e um rebote típico de quem está bem colocado decretou a virada. Depois, veio a pintura de Neymar. E a cereja do bolo foi o quarto gol no finalzinho.

Hat trick de Paulinho. Um truque de tirar o chapéu, o de Tite.

Neymar funciona na seleção de forma parecida com a de Cristiano Ronaldo no Real Madrid e, claro, dele mesmo no Barcelona. Associa-se pela esquerda com Marcelo, tem liberdade para afunilar e tirar da cartola bons passes para os meias que infiltram. Quando consegue o um contra um ou a chance de finalizar – sua maior qualidade -, triunfa. É craque.

Não ter Neymar com a responsabilidade de resolver tudo o tempo todo é uma das grandes virtudes de Tite.

Ainda resta ver se a aposta em Alisson dará certo. Acho uma injustiça Diego Alves, do Valencia, não ser o titular da seleção há muitos anos. Mas quem sou eu para desconfiar das apostas de Tite!

Assim como não desconfio de apostadores. O título do Brasil no ano que vem está pagando entre 7 e 8 para 1. Está aí um bom investimento. Tão bom quanto os de Tite.


Seleção de Tite mostra diferença entre acelerar e contra atacar
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A seleção brasileira de Tite está em grande fase. Ganhou dois jogos difíceis na rodada passada e nesta quarta atropelou a Bolívia em Natal. Mais uma vitória sobre a Venezuela, terça, deixará o Brasil com um pé na Copa de 2018.

Foi um jogo quase perfeito do Brasil. Dominou, controlou a posse de bola, chegou aos gols e não deu chance alguma ao adversário: 5 a 0 na Bolívia. Não dá para pedir mais que isso.

O que é o jogo bonito, afinal? Hoje, jogo bonito é aliar dinamismo com verticalidade e gols. O que o Brasil fez.

Os anos da primeira era Dunga (nem vale a pena comentar a segunda) e mesmo o período curto com Felipão mostraram uma seleção brasileira apostando na velocidade. Na transição rapidíssima da defesa para o ataque para aproveitar a qualidade dos atacantes brasileiros partindo para cima dos defensores adversários com espaço para trabalhar.

Só que esta transição acontecia em contra ataques. O Brasil se acostumou a dar a bola para o adversário, se defender e, então, sair.

Com Tite, é diferente. Assim como fazem muitos times europeus, até mesmo os de Guardiola em determinados momentos e situações, o Brasil joga com a posse de bola. Com paciência. Troca passes como quem não quer nada e, então, quando encontra a situação, dá o bote.

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Muitas vezes essa situação é consequência da aplicação tática, da marcação dos meias e atacantes na saída de bola rival. Uma vez roubada a bola, aceleração total. Foi assim que saiu o primeiro gol. Neymar rouba a bola, tabela com Gabriel Jesus e marca o gol número 300 de sua carreira (impressionante).

O segundo gol é uma pintura. Giuliano e Daniel Alves tabelam pela direita, e Giuliano assiste Philippe Coutinho, que fez ótimo jogo e se consolida no time titular.

O terceiro e quarto gols decorrem de acelerações que permitem a Neymar dar assistências a Filipe Luís e Gabriel Jesus. E o quinto gol, com o jogo já morto no segundo tempo, sai de escanteio. Até na bola parada a coisa está funcionando.

Uma coisa é dar a bola ao adversário, abdicar do jogo e tentar contra atacar. Outra coisa é tomar conta do jogo e acelerar só em alguns momentos. Correr menos riscos, dominar o andamento, o destino da disputa.

O Brasil de Tite faz isso. É o melhor jeito de jogar, aliando as melhores características do futebol brasileiro. Gostar da bola. Gostar de correr para cima do adversário. Gostar de meter gols. Gostar de ganhar.


Com Thiago Silva, Tite corrige erro bizarro de Dunga
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juliogomes

A ausência de Thiago Silva da seleção brasileira foi ridícula. Infantil. Inacreditável. Convocando um dos melhores zagueiros do mundo, senão o melhor, Tite corrige um erro bizarro de Dunga.

A antipatia de Dunga por Marcelo era antiga, vinha desde a Olimpíada de Pequim, da primeira passagem. Era compreensível, até. Mas Thiago Silva estava fora da seleção por que mesmo? Um pênalti bobo cometido? Quem nunca… Porque chorou em um jogo de Copa do Mundo? Em casa, com essa pressão de leve que se faz aqui? Quem nunca…

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Não saberemos, porque nunca foi dada uma explicação plausível e transparente.

O Brasil tem bons zagueiros. Nenhum como Thiago Silva. Técnico, com grande senso de posicionamento, inteligente taticamente, líder. Simplesmente não dá para abrir mão.

Mais um gol de Tite. Esse até minha vó faria, como se diz por aí. Mas Dunga, não.


Brasil ganha jogo duríssimo e tranquilidade nas eliminatórias
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juliogomes

O Brasil sofreu para vencer a Colômbia, nesta quarta, em Manaus. Talvez até o empate fosse o resultado mais justo, pelo que fizeram os dois times. Regressão em relação ao jogo de Quito? Nada disso.

Nesta rodada específica, não haveria rival mais duro para o Brasil nas eliminatórias. A Colômbia é o time mais em forma do continente, mais do que uma Argentina sem Messi e com técnico novo, mais do que um Chile desencontrado.

Finalmente, vimos um Brasil x Colômbia de futebol, não de pancadaria. Foi um belíssimo jogo. Intenso, bem disputado e com chances. Os colombianos tiveram uma claríssima chance para virar o jogo, mas foi o Brasil quem matou.

O que mais gostei na seleção: troca de posições e infiltrações. Daniel Alves e Marcelo fazem parte da construção das jogadas, não ficam presos às laterais e, quando afunilam, são outros que ocupam as pontas para espalhar o campo. Com a proteção de Casemiro, Paulinho e Renato Augusto conseguem avançar e receberam passes importantes de Neymar e William. Bobearam em finalizações que poderiam ter sido limpas.

Talvez outros meias conseguissem participar melhor do que Paulinho e Renato Augusto neste tipo de lance. Mas talvez não façam o mesmo trabalho de marcação e coberturas que estes dois. É uma equação para o técnico.

Philippe Coutinho entrou bem novamente. Mas, também novamente, se beneficiou por ter minutos com o time vencendo o jogo e o contra ataque à disposição.

O que não gostei: Gabriel Jesus não foi envolvido nessas jogadas, não conseguiu fazer as paredes ou receber o passe de gol.

Neymar não precisa mais ser o “faz tudo”, o que é ótimo. Porque ele não é um faz tudo. Não é um armador, um criador. Sua grande qualidade é finalizar, assim como fez no gol da vitória. Quanto mais à frente receber a bola, com menos marcadores, melhor. Seu grande defeito atualmente é cair demais, reclamar demais da arbitragem, se mostrar tão irritado com o mundo. Precisa acalmar e jogar mais alheio aos árbitros.

O que detestei: ver que o estádio não estava lotado, pois o ingresso médio custava 160 reais. Um escândalo. Se é culpa de quem quer que mande no estádio, a milionária CBF que subsidiasse ingressos mais baratos. É a desconexão total da corja com a realidade. A seleção não é da CBF, é do Brasil.

O fato é que, com 15 pontos e na vice-liderança, o Brasil ganha muita tranquilidade para se classificar para a Copa de 2018. Em outubro, fecha o turno contra a Bolívia em casa (dia 6, em Natal) e abre o returno na Venezuela (dia 11). São as seleções mais fracas do continente. Com duas vitórias, a seleção chegaria a 21 pontos.

Desde que as eliminatórias sul-americanas passaram a ser disputadas em pontos corridos, 28 pontos sempre foram suficientes para qualquer seleção ficar entre as quatro primeiras. Se fizer o dever de casa em outubro, faltariam sete pontos em oito jogos para atingir a marca. Ou seja, situação bastante controlada.

Tite começou com o pé direito, e a seleção brasileira sai das cordas.

O fato é que a rodada dupla de setembro foi praticamente perfeita. Além de ganhar os dois jogos (foi o único país a fazê-lo), ambos muito complicados, o Brasil viu a Argentina perder pontos contra a Venezuela, o Chile tropeçar em casa com a Bolívia.

O Chile, campeão das últimas duas Copas Américas, é quem está contra as cordas agora. Com 11 pontos, está em sétimo lugar e começa a ficar longe de Uruguai, Brasil e Argentina. Vai ter de disputar ponto a ponto contra a Colômbia, o Equador e o Paraguai. Situação difícil após a saída de Sampaoli. Se perder no Equador na próxima rodada, resultado que seria para lá de normal, o Chile se complica demais.

 


Um círculo virtuoso começa na seleção. Tomara que se espalhe
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juliogomes

O ideal seria que fosse de cima para baixo. Mas não há problema algum se for de baixo para cima.

O fato é que, vitória sobre o Equador à parte, está claro que um círculo virtuoso começa na seleção brasileira. O país entra no caminho certo em relação ao comando técnico da seleção. Agora falta espalhar para cima. Que o círculo vicioso de décadas e dirigentes nefastos seja quebrado.

Não é uma vitória qualquer a da estreia de Tite. Eram décadas sem ganhar em Quito – 33 anos. Desde que as eliminatórias sul-americanas passaram a ser disputadas em pontos corridos, o Equador tem uma campanha em casa, na altitude, que somente Brasil e Argentina conseguem repetir em seus jogos como locais.

Não é uma vitória circunstancial. Foi uma vitória construída por um time que jogou melhor que o outro, que se adaptou ao adversário durante a partida e jogou de forma coletiva. Quando o jogo coletivo funciona, o individual desponta. Digo sempre, mas nunca é mau repetir. Não se deve confiar no individualismo para resolver as partidas. O individualismo aparece, e é importantíssimo, quando a engrenagem funciona.

A engrenagem funcionou, com um meio de campo dinâmico, ótimas partidas de Paulinho e Renato Augusto e movimentação no ataque. Sobrou para Gabriel Jesus ser o rosto da vitória em Quito, com o pênalti sofrido e dois golaços. Um garoto de 19 anos! Ainda bem que essa geração é “ruim”, como dizem alguns. Imaginem se fosse boa.

O problema da seleção nunca foi falta de talento. Foi falta de percepção de que o futebol é outro. Mudou. Com Tite, afinal, estamos atualizados.

gabrieljesus


Tite é muito melhor que Dunga. Mas os problemas do Brasil são mais graves
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juliogomes

O Brasil sempre teve administrações nefastas e corruptas no futebol. E sempre ganhou. Portanto, não é a gestão que resolve as coisas. São os jogadores dentro de campo.

Esta não é uma mentira completa. Mas, tampouco, uma verdade.

A gestão do futebol brasileiro nunca teve o planejamento e o futuro como prioridades. Mas muitas vezes acertou no presente. Foi escolhido o melhor técnico para o momento, o melhor plano de viagens, o melhor local para treinar, foi estabelecida uma relação aceitável com a imprensa, foram convocados os jogadores ideais.

Os anos Ricardo Teixeira mostram bem isso. Quer queira quer não, havia uma certa estabilidade para a comissão técnica. Havia bons jogadores. Resultados apareceram.

Quem resume o futebol a ganhar ou perder ajuda a perpetuar a cultura do “rouba, mas faz”. Que basicamente resume-se a um “fins justificam os meios”. Se é para ganhar, não importa como. Isso está, infelizmente, arraigado em nossa sociedade. E, claro, no futebol.

É neste cenário que dirigentes se perpetuam nos clubes, que políticos se perpetuam nos cargos. Ganhou? Ótimo. Gênio! É o presidente que levou o clube ao título brasileiro! Ao da Libertadores! Perdeu? Impeachment! Fora! Ladrão! Mercenários!

Poucos torcedores estão preocupados com a saúde financeira dos próprios clubes. Com os próximos 10 ou 20 anos. Querem ganhar. Aqui e agora. É só o que importa. Vivemos um imediatismo tosco.

As gestões da CBF, e a de Ricardo Teixeira é emblemática neste sentido, foram sendo constantemente salvas pelos resultados de campo. A seleção brasileira tornou-se um produto mundial e que dá muito dinheiro. E, como os resultados sempre vieram, com mais ou menos constância, mas sempre vieram, os olhos ficaram fechados para a corrupção, a roubalheira, os absurdos.

Tudo isso com a conivência dos torcedores. Mas com a cumplicidade de parte da imprensa, a tal imprensa oficial, sócia, que precisa da audiência, do dinheiro, das exclusivas, das vantagens. Ao longo de anos, fomos alimentando a cultura de resultados. Do “o que importa é ganhar”.

Tudo isso sem pensar no futuro e sem olhar para além mar.

E como explicar vitórias? Com heróis, oras. E derrotas? Com vilões.

Para que analisar a fundo uma seleção, um sistema de gestão, o futebol brasileiro, se podemos resumir o título de 94 a Romário, o fracasso de 98 a Ronaldo, o sucesso de 2002 ao mesmo, o fracasso de 2006 ao meião de Roberto Carlos, o de 2010 à loucura de Felipe Melo? É e sempre foi mais fácil individualizar tudo, rotular santos e demônios.

O problema do futebol brasileiro é e não é a tal “geração atual” ao mesmo tempo.

O problema é este se olharmos para o futebol como sempre olhamos. Para algo individual, não coletivo. Realmente, não há craques como antigamente. Vai ser difícil achar que este grupo atual de jogadores salvará a pele dos dirigentes, como outros o fizeram.

Mas o problema NÃO é este se olharmos a coisa de forma mais ampla.

Será que os brasileiros que são ruins? Ou os outros países que nos alcançaram tecnicamente? Porque vejam, é bizarro achar que jogadores de futebol brotam das maternidades. Há todo um contexto que desemboca, 18 ou 19 anos depois, em um baita jogador de futebol. Contexto social e também de treinamento, aprendizado, vivência.

Apontar o dedo para a “geração atual” pode levar a um nefasto próximo passo: esperar sentado pela próxima geração. E ficar na torcida. Será esta a solução?

O fato é que as recentes administrações corruptas e incompetentes da CBF colheram os frutos de quando o Brasil ainda era, de fato, o país do futebol. Mas não plantaram absolutamente nada para as gerações futuras. Arruinaram o futebol interno, com a cumplicidade dos clubes, federações locais, TVs e até governos.

E, enquanto o futebol mudava no mundo todo, nada acontecia aqui. O Brasil ficou parado no tempo. E o nosso atual momento é reflexo direto da falta de planejamento e visão dos que mandavam 10, 20 anos atrás.

Enquanto comemorávamos sermos “os melhores” após o penta de 2002, a Alemanha, finalista da mesma Copa, já mudava radicalmente todo seu sistema interno (base, primeira e segunda divisões, conceitos de jogo).

Colheram os frutos com o tetra no Maracanã, em 2014. Mas não é isso que “prova” que eles seguiram o caminho certo. É isso também. Mas é, além disso, uma liga cada vez melhor e mais forte, clubes saudáveis, futebol como parte importante da economia nacional e até de integração e tolerância, em um país cheio de imigrantes de vários locais.

O sucesso do futebol alemão não está no troféu levantado no Rio. Está no fato de filhos de turcos, poloneses, negros, brancos, mulatos estarem defendendo as cores do país. E esta não ser uma questão. Ser parte da seleção, como é da sociedade. E isso deve-se a um imenso trabalho iniciado 16 anos atrás, envolvendo clubes, comunidades, prefeituras.

A CBF nunca fez NADA para que a sociedade brasileira se beneficiasse das décadas de sucesso da seleção. E vice-versa. A CBF é uma chupim da pobreza social, da ignorância. E a sociedade como um todo conforma-se em se achar muito bom em algo, já que somos tão ruins em tanta coisa. Uma relação que não traz riqueza alguma.

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Tite é o melhor treinador do Brasil faz tempo. Deveria ter sido colocado lá pelo manda-chuva (que não pode sair do Brasil para não ser preso) há dois anos.

Tite faria um belíssimo serviço à nação se viesse a público dizer que não pode trabalhar com canalhas. Mas enfim, talvez seja um pouco demais pedir isso.

A presença dele é, sem dúvida, um upgrade em relação a Dunga. Tite é um cidadão que prioriza o futebol coletivo, que tem conceitos avançados e ótimo trato com seres humanos. Que enxerga o futebol de modo moderno, não atrasado. Que com ele venham pessoas como Leonardo e Edu Gaspar é uma baita notícia boa.

Quem sabe os resultados da seleção principal mudem. O caminho, pelo menos, é o correto.

No entanto, que sigam no comando as mesmas cabeças brancas que deveriam estar atrás das grades. Que o futebol de base siga refém de empresários. Que os clubes sigam sendo comandados por gângsters, sonegadores, exploradores das riquezas históricas destas entidades. Que os treinadores sigam escorados em feitos e conceitos do passado. Que os torcedores sigam achando que ganhar, do jeito que for, basta. Que parte da imprensa siga tratando tudo de forma rasa e individualizada. Que os jogadores sigam gostando apenas de jogar futebol, sem conhecer verdadeiramente o esporte e sem ter a carreira atrelada a um processo educacional. Que os empresários sigam chupinhando clubes e mandando como mandam, mimando quem deveria ser educado.

Que siga, enfim, tudo errado…

Não é para animar muito.

Boa sorte a Tite, uma grande figura. Trocamos um tosco por uma grande pessoa. Já é um grande começo.

Mas este é apenas o topo da pirâmide. E a base dela está caindo de podre. O 7 a 1 e o vexame na Copa América Centenário deveria abrir os nossos olhos para a base da pirâmide. Abriram apenas para o topo. OK, é alguma coisa, se olharmos o copo meio cheio, em vez de meio vazio.

Mas seguimos aqui lutando para iluminar esta triste realidade.

 


Título do Corinthians é incontestável e vai pra conta de Tite
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juliogomes

Antes de começar o campeonato, por mais que se diga que haja equilíbrio no futebol brasileiro, etc, etc, etc, o Corinthians era o principal favorito ao título.

O bicampeão Cruzeiro se desfez do elenco. O Corinthians tinha um elenco fortíssimo e com ótimo técnico. Com continuidade.

Alguém poderia colocar um time ou outro na lista de candidatos. A minha só tinha um mesmo, o Corinthians.

No entanto, o Corinthians que eu e outros colocaram como favoritaço ao título lá em abril era outro. Com Guerrero no ataque, por exemplo. Sem a decepção de ter sido eliminado pelo Guaraní do Paraguai na Libertadores.

É verdade que, apesar das dívidas, etc, o Corinthians é um dos clubes brasileiros com situação financeira de dar inveja. Ganha muito da televisão e enche o estádio. Consequentemente, consegue segurar elenco. Apesar de atrasos salariais, é tanto dinheiro entrando que o funcionário não vive com aquele medo constante de calote. Sabe que uma hora a coisa se ajusta.

Mas muito mais do que a organização do clube, vai para a conta de Tite o título brasileiro 2015. O homem que apagou com incrível velocidade todo e qualquer pequeno foco de incêndio que apareceu ao longo do ano.

Que perdeu Guerrero, perdeu Luciano e bancou Vágner Love. Que convenceu Jádson, peça fundamental do título, a ficar. O que teria sido do Corinthians sem Jádson neste Brasileiro? Impossível prever.

Vai ser necessário compartilhar o prêmio de melhor jogador do campeonato entre ele e Renato Augusto. Modernos, ofensivos, defensivos, dinâmicos e complementares.

É verdade que no final do turno alguns erros de arbitragem deram folga ao Corinthians na tabela. Mas estes erros não podem ser colocados na conta do título. Eles foram, de fato, diluídos. E a pá de cal no tema foi o jogo deste domingo no Independência.

Um turno atrás, o Atlético veio a Itaquera e foi superior ao Corinthians. Perdeu sem merecer. 19 jogos depois, a coisa virou completamente. Hoje, não há debate algum sobre qual o melhor time.

O Atlético criou pouquíssimas chances de gol. Só ameaçou em laterais e escanteios levantados na área. O Corinthians controlou a partida, teve várias chances com Malcom até que, com o próprio, abriu o placar. E aí virou passeio.

Os 3 a 0 foram uma demonstração de força tremenda. O título deve ser sacramentado já na próxima rodada, com quatro de antecipação.

A vantagem técnica não é tão grande para os outros times. A vantagem tática existe perante a maioria, mas não é gigantesca. O que sim, é considerável, é a vantagem psicológica. É um grupo de profissionais pronto para lidar com vitórias e derrotas, com pressão, adversidade. Tudo, enfim. E isso tem muito a ver com o comando, ou seja, Tite.

O homem é, hoje, disparado o melhor treinador do Brasil. E, o Corinthians, o justo campeão.