Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Tite

Arthur é o nome mais importante da convocação de Tite
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Quando Tite convocou a seleção brasileira para os jogos contra Equador e Colômbia, um mês atrás, eu escrevi aqui no blog que o grupo parecia ter 17 nomes certos para a Copa-2018.

As vagas abertas, a meu ver, eram ocupadas por Cássio, Fágner, Rodrigo Caio, Luan, Giuliano e Taison. Na convocação desta sexta-feira, para os jogos derradeiros nas eliminatórias, contra Bolívia e Chile, foram convocados os 17 “fixos” e Cássio. Os outros cinco citados acima ficaram de fora.

Para os testes, Tite chamou Danilo (Manchester City), Jemerson (Monaco), Arthur (Grêmio), Diego (Flamengo), Fred (Shakhtar) e Tardelli (Shandong). A lista desta vez tem 24 nomes.

Danilo e Jemerson parecem ter chances reais de estar no Mundial. Diego, Fred e Tardelli serão contestados – o primeiro porque não tem jogado bem, os outros dois porque não são vistos por ninguém (e, sei lá por qual razão, as pessoas pressupõem que não merecem, porque estão na Ucrânia e China. A meu ver, o que eles não merecem é a avaliação de quem não os assiste).

Mas quero me ater a Arthur.

Este é o nome mais importante desta convocação. Arthur é um jovem, com potencial para estar na seleção por muitos anos e muitas Copas. Na quarta, contra o Botafogo, sob os olhares de Tite, fez uma partida monstruosa. E, justamente com a ausência de Luan, um dos preteridos da lista, virou uma espécie de armador principal do Grêmio naquela partida. Mostrou, portanto, versatilidade e capacidade de fazer mais do que o que faz em sua posição original.

O time titular de Tite na Copa (salvo lesões) terá Casemiro como primeiro volante, Paulinho e Renato Augusto mais à frente. Estes dois são jogadores raros e que encaixam no que o técnico quer, jogadores “box to box”, com capacidade defensiva, de leitura de jogo e chegada forte ao ataque.

É muito difícil e tem sido muito difícil encontrar quem possa substituir Paulinho ou Renato Augusto caso um destes se machuque ou seja suspenso. Alguns são volantes demais, outros são meias demais. É difícil achar meio-campistas completos no futebol brasileiro.

Arthur tem mostrado potencial para ser um deles. Pode virar o primeiro reserva para posições chave.

Philippe Coutinho pode ser uma opção ali. Mas seria uma opção ofensiva. E não é sempre assim que a seleção poderá/precisará jogar na Copa.


Neymar e outras boas notícias no empate da seleção na Colômbia
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O Brasil de Tite, finalmente, não venceu nas eliminatórias. O surreal mesmo era ganhar tantos jogos seguidos na que talvez seja a mais dura competição entre seleções. Empatar com o bom time da Colômbia, em Barranquilla, é um resultado para lá de normal.

A seleção não teve de início quatro titulares (Miranda, Marcelo, Casemiro e Gabriel Jesus), mas fez um jogo sólido. Algumas boas notícias podem ser tiradas.

William, de volta aos titulares depois da queimada de filme de Philippe Coutinho no mercado europeu, voltou a jogar bem. Fez um golaço no primeiro tempo.

Thiago Silva e Fernandinho fizeram jogos sólidos. O meio de campo mostrou organização e nunca deixou a Colômbia ter espaço e se sentir confortável. James Rodríguez causou mais danos ao cair para os lados.

Foi assim, com um lindo passe, que ele desmontou a marcação de Filipe Luís e Renato Augusto e habilitou o companheiro para dar o cruzamento que resultou no belo cabeceio de Falcao García. Ninguém falhou no gol, foram muitos méritos do adversário.

No primeiro tempo, a Colômbia bateu demais. O time soube apanhar, não caiu na pilha, não revidou. E ainda teve a maturidade de pedir ao técnico rival, Pekerman (Daniel Alves e Neymar falaram com ele), para que conversasse com seus jogadores. No segundo tempo, o jogo ficou muito mais calmo.

E a melhor das notícias foi Neymar. Depois do jogo ruim, individualista e pouco produtivo, contra o Equador, ele voltou a ser o “Neymar da seleção” na Colômbia.

Será que Tite chamou o jogador de lado para uma conversa sobre a atuação de quinta? Seria ótima notícia. Mas duvido que ficaremos sabendo se ela ocorreu e em que termos.

Se Tite não falou nada, média notícia. Pelo menos Neymar caiu em si.

Suas melhores atuações pela seleção são como as de hoje. Pela esquerda, com liberdade de criação e movimentos, mais perto do gol e com menos adversários. Foi de uma jogada dele, por exemplo, que saiu o golaço de William. E também saíram outros lances de perigo.

Neymar não funciona quando joga de forma anárquica, transitando pelo meio de campo, com muitos rivais pela frente e se preocupando com carretilhas. Este Neymar não passará nem perto de ganhar uma Bola de Ouro.

Já o Neymar maduro, consciente taticamente, letal em velocidade e fazendo gols, este sim, pode ganhar uma logo logo.

 


Neymar faz seu pior jogo com Tite. Tendência ou exceção?
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Neymar fez contra o Equador, em Porto Alegre, aquele jogo que só gosta quem tem carteirinha do fã clube. Individualista, nervosinho, agressivo com os rivais, pouco útil para o time. Prendeu a bola, buscou dribles em vez de passes, tomou as decisões erradas.

Fez um jogo mais parecido com os dos tempos de Dunga, em que a seleção brasileira era um amontoado à espera de Neymar para resolver as coisas. Com Tite, a coisa mudou. Neymar atuou sempre pela esquerda, perto do gol e com liberdade para afunilar, se associar, entrar na área e finalizar.

Esta é a melhor versão de Neymar. Em Barcelona, ele jogava pela esquerda, mas com pouca liberdade de movimentos e com muitas obrigações defensivas. No Brasil de Tite, passou a produzir mais jogando à vontade (mas com um posicionamento).

No primeiro jogo pelo PSG, contra o Guingamp, Neymar jogou de forma anárquica. Pelo meio, vindo buscar todas as bolas, “à la Messi”, longe do gol e de seu melhor lugar no campo. Nos jogos seguintes, a coisa já se acertou e ele jogou de forma mais parecida à da seleção.

Eu acredito que a partida desta noite seja uma exceção, pelo fato de o Brasil já estar classificado. E não uma tendência, pelo fato de ele ter ido buscar liberdade e protagonismo no PSG. Mas isso é algo para vermos nos próximos jogos.

Não acredito que Tite tenha ficado feliz com a partida de seu melhor jogador. Os próximos dias terão implicações até a Copa. O treinador vai deixar isso claro internamente? Ou vai deixá-lo se sair com uma atuação assim?

Philippe Costinhas, perdão, Coutinho, por outro lado, mudou o jogo ao entrar. Ocupou a faixa central do campo, trouxe velocidade e dinamismo, empurrou Neymar para a esquerda e fez um golaço.

Com o mau jogo de Neymar e os ótimos minutos de Coutinho, capaz que o Barcelona ofereça 250 milhões de euros ao Liverpool e ainda bata no peito. A janela de transferências se fecha na Espanha nesta sexta.

A defesa não foi exigida, Willian e Gabriel Jesus foram muito bem, a estrela de Paulinho brilhou.

O time titular está testado e aprovado. Talvez, nas rodadas finais das eliminatórias, Tite possa testar jogadores e sistemas. Fica a dica.

A má notícia fica para o público. Dois terços do estádio ocupados. E o terço vazio? Certamente vazio pelos preços altos. Eles seguem achando que a seleção brasileira é só deles.


Fenerbahce dribla fair play da Uefa e acerta com Giuliano por empréstimo
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O meia Giuliano, 27, conseguiu deixar o Zenit St Petersburgo, da Rússia, onde estava sendo barrado pelo técnico italiano Roberto Mancini, e acertou para jogar do Fenerbahce, da Turquia, por quatro anos.

Presente em todas as convocações de Tite para jogos oficiais e chamado para as partidas contra Equador e Colômbia, pelas eliminatórias, Giuliano precisava arrumar um time onde tivesse minutos e exposição para seguir nos planos e ir à Copa do Mundo do ano que vem.

O blog apurou que, para não ferir as regras do fair play financeiro da Uefa, o Fenerbahce acertou um empréstimo de um ano por 1 milhão de euros, com valor de compra fixado em 6 milhões (aproximadamente 22 milhões de reais) a ser pago no meio do ano que vem. Após o vencimento do contrato de empréstimo, pode ser efetuada a compra e assinado um outro contrato por três anos.

Giuliano teve sondagens da Sampdoria (Itália), da Real Sociedad (Espanha), clubes da Premier League e até da MLS americana, mas os interessados não chegaram a fazer propostas. Quem, de fato, ofereceu mais do que os 6 milhões de euros que o Zenit queria receber para negociar o meia foi o Trabzonspor, também da Turquia.

O brasileiro bateu o pé, disse que não aceitava ir para o clube, que é uma espécie de quarta força turca. O Zenit precisou aceitar uma proposta menor do Fenerbahce e só receberá o valor da compra no ano que vem. O clube russo pagou 7 milhões de euros para tirar o meia do Grêmio no ano passado.

O blog apurou também que Giuliano chegou a conversar com o técnico turco Aykut Kocaman, que volta ao clube. Em sua primeira passagem, levantou um título nacional (2011). A conversa foi essencial para o jogador se decidir pelo Fener, recusando a proposta do Trabzonspor.

O Fenerbahce, clube mais popular da Turquia e por onde já passaram Alex, Roberto Carlos e outros tantos brasileiros, só pode utilizar verbas provenientes de vendas para comprar jogadores. Não pode fechar o atual ano financeiro com déficit superior a 10 milhões de euros, senão pode ser sancionado. Para a temporada que vem, a limitação não existirá mais.

Na atual janela, vendeu o zagueiro dinamarquês Kjaer para o Sevilla por 12 milhões de euros e o atacante nigeriano Emenike para o Olympiakos por outros 2,5. Mas gastou 10 milhões para tirar o veterano atacante espanhol Roberto Soldado do Villarreal, 4,5 para levar Dirar, meia subutilizado no Monaco, e 1,5 para contratar o também veterano Valbuena, do Lyon e seleção francesa. O Fener ainda vai perder outro veterano, o holandês Van Persie, que deve assinar contrato para defender o clube que o revelou, o Feyenoord.

Uma semana atrás, o blog revelou em primeira mão que Giuliano, sem espaço e relegado ao banco de reservas com a chegada do técnico Mancini, pediu para a diretoria do Zenit liberá-lo. O clube russo sofreu uma reformulação na cadeia de comando e a atuação de novos empresários significou saída de brasileiros e entrada de argentinos no elenco (quatro foram contratados e são titulares do novo treinador).

Com o técnico anterior, o romeno Mircea Lucescu, que agora assumiu a seleção turca, Giuliano fez uma boa primeira temporada no Zenit. Atuou em 45 partidas, com 18 gols e 14 assistências, sendo artilheiro do clube russo no ano e com boas apresentações na Europa League. Assim, sempre fez parte dos planos de Tite.

O Fenerbahce também está na Europa League, mas ainda precisa passar da última fase pré-classificatória. Como já atuou pelo Zenit na mesma competição, Giuliano só poderia ser inscrito para a fase de grupos. E o clube terá de fazer uma ginástica e tirar alguém da lista, pois está limitado a um teto de inscritos na competição (novamente para respeitar as regras financeiras impostas pela Uefa).

O Campeonato Turco começa neste fim de semana, mas o brasileiro só deverá poder estrear na segunda rodada, justamente contra o Trabzonspor.

Campeão turco pela última vez em 2014 e só duas vezes nos últimos dez anos, o Fener tenta voltar a ter anos de mais relevância domesticamente e na Europa.

O futebol turco sempre foi dominado por Galatasaray (20 títulos),  Fenerbahce (19) e Besiktas (15, atual bicampeão), com títulos pulverizados entre o trio de Istambul e raríssimos momentos de domínio de um deles – o Fener, por exemplo, nunca venceu três ligas seguidas, e o último a conseguir o feito foi o Galatasaray de Fatih Terim, tetra nos anos 90.

Como mostra esta reportagem do UOL Esporte, os clubes turcos voltaram a fazer contratações de maior impacto nesta temporada, após sanções e limitações impostas pela Uefa.

O Galatasaray desembolsou 16 milhões de euros para contratar o volante Fernando, do Manchester City, zagueiro Maicon, do São Paulo, e o lateral Mariano, do Sevilla. Pagou outros 8 milhões para levar o meia marroquino Belhanda, do Dynamo Kiev.

O Besiktas, em busca do primeiro tri desde 1990-92 e com limitações financeiras, vendeu os zagueiros Rhodolfo, pro Flamengo, e Marcelo, pro Lyon. Trouxe Pepe, do Real Madrid, de graça, e gastou pouco para tirar o chileno Medel e o lateral Erkin, da Inter de Milão, e o centroavante Negredo, do Valencia. O time do técnico Senol Gunes tem os brasileiros Talisca (com mais um ano de contrato) e Adriano (lateral, ex-Barcelona) e é o rival a ser batido.

 

 

 


Seleção brasileira parece ter apenas seis vagas abertas para a Copa
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Tite convocou nesta quinta-feira a seleção para os jogos contra Equador e Colômbia, pelas eliminatórias. Como o Brasil já está classificado para a Copa do Mundo do ano que vem, a lista poderia ter mais novidades. Não teve.

Os únicos nomes que não vinham sendo chamados foram os de Cássio e Luan. Merecidos, pelo que fazem no Campeonato Brasileiro.

Muitas pessoas lembram o bom campeonato de Vanderlei, do Santos, e o mau de Rodrigo Caio, do São Paulo, para reclamar da não convocação de um, da convocação do outro. Acho ambas as reclamações justas. Nunca haverá lista unânime.

Parecem haver, pela convocação e pela entrevista dada por Tite, apenas seis vagas abertas. Que foram ocupadas nessa chamada por Cássio, Fágner, Rodrigo Caio, Luan, Giuliano e Taison.

Os outros 17 parecem nomes certos na Copa (salvo lesões ou eventos fora do script). Os nomes dos garantidos, abaixo, seguem com um número entre parênteses. Acompanhe comigo do 1 ao 17.

No gol, Alisson (1) e Ederson (2), até pela idade, parecem garantidos. Com Cássio, disputam a terceira vaga Vanderlei, Weverton e Diego Alves.

Nas laterais, Daniel Alves (3), Marcelo (4) e Filipe Luís (5) estão garantidos. Rafinha e Danilo são as sombras de Fágner, Arana é uma opção para a esquerda.

Na zaga, Miranda (6), Thiago Silva (7) e Marquinhos (8) parecem consolidados. As ameaças a Rodrigo Caio são Gil e, talvez, David Luiz. Geromel parece um sonho distante. Acho o gremista bem mais jogador que Rodrigo Caio, apenas uma opinião.

No meio, Fernandinho (9), Casemiro (10), Paulinho (11) e Renato Augusto (12) são nomes certos. Giuliano tem tudo para seguir, sempre foi convocado, mas tem duas semanas para arrumar um clube para jogar. Perdeu espaço no Zenit e tem de sair.

Nas pontas, Neymar (13) e Philippe Coutinho (14) são titulares, Willian (15) está garantido.

Taison e Luan são os reservas. Douglas Costa é uma opção. Mas também concorrem por essas três vagas (incluindo a de Giuliano) jogadores que ocupariam um espaço no meio de campo: Diego ou Rodriguinho. Até mesmo Éverton Ribeiro está no radar, segundo Tite. Meu palpite é que, desta turma toda, irão para a Copa um jogador com característica de jogar pelos lados, um que faça mais o “box to box” e o terceiro em função do momento.

O momento é de Luan. Que, segundo Tite, foi convocado para fazer a função de Coutinho, não de Renato Augusto. O fato é que a melhor posição do ainda gremista é por trás do atacante, em um 4-2-3-1. Não é o sistema tático de Tite.

Finalmente, para o comando de ataque Gabriel Jesus (16) e Firmino (17) são nomes quase certos. Vida dura para Diego Souza, Richarlison ou mesmo Jô.

Me dá pena não ver Fabinho, do Monaco, como uma opção. Poderia jogar na lateral direita e também no meio. De resto, é isso aí.

Tite convoca Cássio e Luan para jogos da seleção


Exclusivo: Giuliano pede para sair do Zenit e busca novo clube pela Copa-18
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O meia brasileiro Giuliano está procurando nova casa. Presente em todas as convocações de Tite para jogos oficiais, ele se reuniu na tarde desta sexta-feira com a diretoria do Zenit St Petersburg, da Rússia, e pediu para deixar o clube.

Sem espaço com o novo técnico, o italiano Roberto Mancini, Giuliano foi comprado pelo Zenit junto ao Grêmio um ano atrás por 7 milhões de euros. Revelado pelo Paraná, o meia apareceu no cenário nacional no Internacional, com Tite. Ficou três anos e meio no Dnipro, da Ucrânia, antes de desembarcar em Porto Alegre novamente. Jogou (bem) dois anos no Grêmio e acabou voltando para o leste europeu.

Ele tem contrato com o Zenit até o meio de 2020, mas a cláusula rescisória não é tão assustadora. E o clube disse ao jogador que liberaria a venda por aproximadamente 22 milhões de reais (errata: a multa não é de 6 milhões de euros, como informado anteriormente, este é o valor que o clube quer).

Segundo apurou o blog, Giuliano não quer arriscar uma presença que parece quase certa na Copa do Mundo. Como não caiu nas graças de Mancini, pelo menos de cara, pediu a liberação da diretoria, recebeu a permissão para sair e está buscando novo clube a partir de hoje.

O que não estava nos planos do jogador foi uma mudança geral no Zenit St Petersburgo – além do técnico, mudaram diretores e novos agentes passaram a atuar de forma mais próxima ao clube. Na atual janela de transferências, o Zenit centrou esforços e buscou três argentinos: o volante Paredes, da Roma (23 milhões de euros), o zagueiro Mammana, do Lyon (16 milhões), e o atacante Driussi, do River Plate (15 milhões).

Foi justamente Driussi que virou titular no lugar de Giuliano e, logo no primeiro jogo, fez os dois gols da vitória do time sobre o Rubin Kazan, pelo Campeonato Russo.

Mancini tem utilizado pouco o brasileiro, que era titular absoluto com o romeno Mircea Lucescu – um técnico que historicamente sempre gostou muito de jogadores brasileiros e levou vários para jogar no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, onde ficou por 12 anos. Lucescu foi mandado embora após apenas uma temporada e sem conseguir levar o Zenit à Champions League – agora assumiu a seleção da Turquia.

Em sua primeira temporada no Zenit, com Lucescu, Giuliano foi o artilheiro do time, com 17 gols em todas as competições.

No Campeonato Russo 17/18, o Zenit jogou três partidas até agora e venceu as três. Giuliano foi titular no primeiro jogo (substituído no segundo tempo), começou no banco no segundo jogo, entrando no decorrer da partida, e não foi utilizado por Mancini no terceiro jogo.

Pela fase preliminar da Liga Europa, o Zenit fez duas partidas, sempre mandando uma espécie de time B a campo. Giuliano foi titular, mas acabou substituído nos dois jogos.

Ele não sabe se será relacionado por Mancini para o clássico contra o Spartak, domingo, em Moscou. Diante do cenário de incertezas e com a cabeça na Copa do Mundo, o jogador pediu dispensa.

 


Paulinho prefere a Copa ao Barça. Por que não os dois?
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Paulinho tornou pública a conversa entre seus empresários e o Barcelona. Nesta entrevista ao Globo Esporte, diz que está “difícil decidir” entre ir para um dos maiores clubes do mundo e ficar na China. Na cabeça dele, o dilema parece ser: a certeza de jogar, manter ritmo e ser titular na Copa do Mundo e a dúvida de esquentar banco no Barcelona e perder espaço.

Paulinho é muito bom jogador de futebol. Funciona muito bem no meio de campo como um volante que fecha espaços e tem bom passe, chegada e finalização. Tem as características do jogador moderno, é um todo-terreno, enfim. Foi importantíssimo no Corinthians de Tite, na Copa das Confederações de 2013 e tem sido peça fundamental no renascimento da seleção brasileira, reencontrando Tite.

Eu não critico Paulinho por escolher “ser feliz”. Aliás, eu não critico ninguém por buscar a felicidade. Se o cara prefere jogar futebol na China, na várzea ou na praia, em vez de outro lugar, o direito é dele.

Mas me sinto livre para criticar a falta de ambição ou então a incapacidade de se adaptar e buscar espaço.

Paulinho só funcionou plenamente até agora em lugares com condições ideais. Em lugares em que se sentiu confiante (não ameaçado), com treinadores que gostam dele e escalam do melhor jeito possível para seu futebol fluir. Azar dos que não fizeram o mesmo. Mas, convenhamos. É parte da coisa também o jogador atuar em condições que não sejam as ideais.

No Tottenham, Paulinho chegou com André Villas Boas no comando. Mas o português saiu no meio da temporada, assumiu Tim Sherwood. Perdeu ritmo e espaço, foi mal na Copa.

Na segunda temporada, vindo com o 7 a 1 na cabeça, Paulinho caiu nas mãos de Mauricio Pochettino. O argentino está lá desde então e, em três temporadas, está se tornando um dos grandes técnicos da história do Tottenham.

Paulinho ficou só um ano com Pochettino e se mandou para jogar com Felipão na China. Não se deram bem. Só eles sabem exatamente como as coisas ocorreram, mas, de longe, me parece ter havido um problema terrível de falta de comunicação. Convenhamos, poderia estar até agora no Tottenham, vivendo esse grande momento do clube.

E agora está com medo de acontecer a mesma coisa. Na China, joga, é titular, a família está adaptada. É jogador de confiança de Felipão e de Tite. Como será em Barcelona? Será uma temporada complicada para o Barça, com técnico novo (Ernesto Valverde) e um Real Madrid voando. E se Paulinho não agradar e ficar o ano todo sem jogar?

O medo dele é compreensível. Mas onde está a confiança? A determinação? A ambição? Ele tem à sua frente uma raríssima segunda chance no alto nível europeu. Olhando o elenco do Barcelona, Paulinho tem grandes chances de triunfar, ter minutos, agradar o novo técnico, municiar Messi, Neymar e Suárez.

Para isso, terá de batalhar. Não dá para dizer que um cara que foi para a Lituânia com 17 anos de idade não tenha coragem e não seja batalhador.

Mas me parece que o medo de não triunfar seja mais forte do que a genuína felicidade no futebol de menor nível da China.

Se escolher ficar, Paulinho estará escolhendo a estabilidade e a seleção brasileira sobre o desafio de jogar em um dos maiores clubes do mundo. Sonho de 10 em cada 10 jogadores.

Sinceramente, acho que daria para ter as duas coisas. Só depende dele, de confiar no próprio taco. Não dos outros.

 

 


Derrota significa pouco para o Brasil, vitória é gigante para a Argentina
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A derrota da seleção brasileira para a Argentina, na manhã desta sexta-feira, na Austrália, significa pouco para o Brasil. Muito, muitíssimo, para os adversários. O gol foi anotado pelo zagueiro Mercado, no fim do primeiro tempo, e o Brasil desperdiçou boas chances de empatar no segundo tempo.

Foi a primeira derrota de Tite no comando técnico da seleção. Mas, convenhamos, ela chega após uma incrível sequência de nove vitórias nas nove primeiras partidas com Tite. Com classificação para a Copa do Mundo garantida (um ano atrás, vamos lembrar, o Brasil corria sério risco de ficar fora). E  com um time com a defesa inteira reserva e sem Neymar.

Por outro lado, a vitória significa demais para a Argentina. É ela que corre risco nas eliminatórias e não havia maneira melhor de Jorge Sampaoli começar sua caminhada.

Para o Brasil, era importante fazer testes, Tite saber com quem contar, observar variações táticas. Para a Argentina, o importante era vencer.

Sete meses atrás, a Argentina levou um vareio do Brasil no Mineirão. Era um time depressivo com Patón Bauza, que lembrava muito a seleção com Dunga. Jogadores nitidamente desconfortáveis em campo, descontentes. Com Sampaoli, muda o espírito, a dinâmica de jogo, e a Argentina volta a ser forte. Claro que tudo isso precisava vir com resultados. Uma vitória sobre o Brasil logo de cara clareia as coisas para Sampaoli.

O início do jogo mostrou uma característica marcante dos dois técnicos, que gostam que seus times marquem no alto, sufocando a saída de bola adversária. Tanto Brasil quanto Argentina avançavam a marcação até a área rival.

O Brasil, naturalmente mais entrosado, tinha menos problemas para sair jogando, enquanto a Argentina sofria. Em uma destas recuperações de bola, logo aos 5min, Philippe Coutinho teve a primeira boa chance de gol para o Brasil.

Logo depois, no entanto, a Argentina mostrou qual seria sua principal jogada no amistoso. Ao sair da pressão, Dybala acionou Di María, que jogou o primeiro tempo grudado na linha lateral. Ele avançou e, quase sem ângulo, chutou na trave. Di María trouxe muitos problemas para Fágner, possivelmente o pior do Brasil em campo.

Além de ter sofrido defensivamente, Fágner ainda tentou cavar um pênalti de forma patética no segundo tempo, em uma de suas poucas subidas ao ataque. Rafinha entrou no lugar dele e foi melhor.

A Argentina de Sampaoli atuava com três zagueiros, Gómez e Di María abertos, Biglia e Banega muito próximos na primeira linha no meio, Messi e Dybala muito próximos na segunda linha. Com o “pelado”, os desenhos táticos são mesmos mais surpreendentes. Era um 3-6-1. Ou um 3-2-4-1.

Mais que nada, o que se notou foi uma Argentina mais leve e séria, com mais personalidade em campo. Foi notável a diferença para o time depressivo com Patón Bauza no comando.

A melhor chance brasileira no primeiro veio em um contra ataque puxado pela esquerda, um dois contra um em que Willian demorou demais para passar para Coutinho, que acabaria travado pela defesa.

A partir dos 30min, no entanto, a posse de bola argentina ficou mais perigosa, a seleção de Sampaoli passou a tomar conta do jogo em seu campo ofensivo. Dybala e Messi passaram a participar do jogo.

Foi difícil, no entanto, romper o fechadinho bloco defensivo brasileiro. O gol argentino acabou saindo em uma jogada com claro dedo do treinador. Escanteio cobrado para trás, cruzamento de Di María e a infiltração dos zagueiros. Otamendi acertou a trave, mas Mercado aproveitou o rebote.

No segundo tempo, no entanto, o jogo foi comandado pela seleção brasileira.

Tite fez alterações ofensivas e tentou criar um quadrado de frente ao colocar Douglas Costa no lugar de Renato Augusto – sumido, não pareceu se encontrar enquanto esteve em campo. Rafinha entrou bem na lateral direita. Já Sampaoli foi tirando de campo atacantes e reforçou o sistema defensivo. Messi nem foi visto no segundo tempo, não houve qualquer ameaça ao gol de Weverton.

A grande chance do Brasil veio em uma linda enfiada para Gabriel Jesus, que driblou Romero e, com gol vazio, chutou na trave. No rebote, Willian acertou a trave novamente. Com Willian pela direita e Coutinho pela esquerda, como jogam em seus clubes, o time funcionou melhor. Ao contrário de outras partidas, no entanto, o meio de campo simplesmente não funcionou.

Jesus participou muito do jogo e apanhou demais, mas acabou perdendo a melhor chance.

 

 

 

 


Tite acerta ao convocar David Luiz e Rodriguinho
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Está difícil achar uma bola fora de Tite. O técnico convocou nesta sexta a seleção para amistosos contra Argentina e Austrália, em junho. E a lista tem algumas justiças.

David Luiz ficou marcado pelos 7 a 1. E é justo que seja assim, que ele seja criticado por uma atuação desastrosa. Mas não gosto quando jogadores recebem um carimbo na testa e punição perpétua por uma má atuação.

A temporada de David Luiz foi enorme. Voltou para o Chelsea e foi importantíssimo na campanha do título, sendo um dos três zagueiros de Conte. Mostrou, mais uma vez, que pode jogar como zagueiro e que, apesar de ter alguns defeitos técnicos, pode compensá-los com elementos ofensivos que poucos zagueiros aportam a um time.

David Luiz pode ou não pode estar no grupo da Copa do Mundo. Há boas justificativas para qualquer que seja a decisão tomada por Tite. O que não dá é para riscá-lo da lista eternamente por causa do 7 a 1. Faz muito bem o técnico em chamá-lo, observá-lo, conhecê-lo.

Ele é um zagueiro especial. Muitas vezes a volúpia em campo lhe faz esquecer do básico da função. É um jogador que foi sendo lapidado durante o voo, não na base. Os técnicos que sabem trabalhar bem isso ganham uma ótima peça para seus times.

Diego Alves, goleiro do Valencia, deveria ser titular da seleção há muito tempo. Creio que seria o goleiro da Copa passada, não tivesse Marin demitindo Mano Menezes para se escorar na dupla Felipão/Parreira. O Brasil tem muitos bons goleiros, mas o nível apresentado por Diego Alves na Espanha, há muito tempo, é bastante alto.

Alex Sandro é titular da Juventus finalista da Champions. Outro que faz ótima temporada e é uma opção que precisa ser vista para a lateral esquerda. Assim como Jemerson, que foi muito bem no Monaco (campeão francês e semifinalista da Champions) e ganha uma chance.

Por fim, chegamos a Rodriguinho. Não acho que Rodriguinho vá chegar até a Copa do Mundo, o próprio Tite deu a entender que, se estivesse bem fisicamente, Diego é que seria convocado.

Mas é muito justo que seja chamado o melhor meia do futebol brasileiro em 2017. Repito. Em 2017.

Na atual temporada do futebol brasileiro, que ainda está muito no comecinho, nenhum outro jogador da posição foi mais determinante que Rodriguinho.

Não acho que seleção brasileira seja “momento”, como muitos dizem. Acho que seleção brasileira precisa ser uma base de atletas, muitos deles “à prova de momento”. Não dá para o cara jogar no fio da navalha o tempo todo, ele precisa ter confiança e saber que faz parte dos planos independente de viver uma fase ruim.

E uma ou duas vagas ficam reservadas para quem estiver bem, aí sim, naquele momento da competição. É importante testar Rodriguinho, observá-lo. Vai que o cara carrega o ótimo momento para o ano todo no Corinthians.

Claro que vamos lembrar de um nome aqui, outro ali. Faltou esse, faltou aquele. Não gosto muito de Fágner e Taison na lista, por exemplo. Mas essa é a graça de se falar de seleção.

Por enquanto, Tite segue só dando bolas dentro. Seu único erro é não querer ser presidente da combalida República!


Paulinho, as apostas e o recorde histórico de Tite
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Ser técnico da seleção brasileira é ser um pouco apostador. Fazer escolhas, acreditar que este ou aquele jogador vai dar a resposta necessária. Paulinho é uma aposta de Tite que vem rendendo altos dividendos. Neymar deixando de ser faz-tudo é outra. Alisson, uma aposta ainda a ser comprovada.

De aposta em aposta, acerto em acerto, Tite vai estabelecendo recordes e colocando o Brasil como maior favorito para a Copa do Mundo do ano que vem – lembrando que a Argentina está em viés de baixa, Alemanha e Espanha chegarão em transição à Rússia. No principais sites de apostas do mundo, só um título da Alemanha paga menos do que o título do Brasil. Pouco menos, já está quase a mesma coisa. Você nem imagina a capacidade que as casas de apostas têm de prever o futuro.

Cinco vitórias consecutivas era o máximo que havia sido conseguido por uma seleção nas eliminatórias sul-americanas de pontos corridos – uma competição de altíssimo equilíbrio e estádio complicados. A Argentina conseguiu duas vezes, o Equador, uma. Tite já conseguiu sete vitórias seguidas. Superou as seis seguidas de João Saldanha na campanha anterior à Copa de 70.

A goleada por 4 a 1 sobre o Uruguai, em Montevidéu, de virada, teve pouco de acaso. O Brasil dominou o primeiro tempo, não sentiu o gol sofrido logo no início, chegou naturalmente ao gol de empate e à virada. Suportou bem a pressão no segundo tempo, com compostura defensiva e sem abdicar da transição rápida para contra atacar.

A rotatividade alta da seleção não deveria ser regra, claro. A escolha de jogadores deveria ser mais constante e seguir certa coerência desde a base. Em tempos em que seleções se reúnem tão raramente e por tão pouco tempo, em tempos de futebol coletivo, em que individualidades contam menos, quanto mais os jogadores se conhecerem e o estilo for mantido, melhor.

Vivemos ao longo das décadas altíssima rotatitivade de treinadores. Cada um resolve jogar de um jeito, cada um tem seus jogadores prediletos ou de confiança, a imprensa pressiona por seus prediletos, e a cada mudança de comando o Brasil foi sofrendo revoluções. Nada a ver com a Alemanha, por exemplo, que mantém bases sólidas por anos e vai pontualmente acrescentando um jogador aqui, outro ali.

Tite foi o enésimo treinador a fazer a própria revolução. Algumas apostas eram óbvias, como trazer Marcelo de volta ao time ou dar espaço a Casemiro, voando no Real Madrid.

Outras, nem tão óbvias. Como dar a titularidade a um jovem Gabriel Jesus. Como bancar Alisson no gol. Ou resgatar Paulinho.

Nunca fui apaixonado pelo futebol de Paulinho. Ele teve um período fantástico no Corinthians com Tite. Mas sempre desconfiei de jogadores que aparecem tarde, não triunfam no futebol de altíssimo nível e vão parar em mercados como a China.

Talvez ele simplesmente não tenha a capacidade de se adaptar a um país como a Inglaterra, aprender idioma, superar competição. Mas, com confiança e espaço garantido, o cara seja um monstro.

Tite bancou um cara que ele conhecia e que se adaptava ao futebol de área a área que é jogado hoje em dia por meio-campistas. E Paulinho não só fez boas partidas até agora como foi o grande nome da virada no Centenário. Um golaço do meio da rua empatou o jogo, e um rebote típico de quem está bem colocado decretou a virada. Depois, veio a pintura de Neymar. E a cereja do bolo foi o quarto gol no finalzinho.

Hat trick de Paulinho. Um truque de tirar o chapéu, o de Tite.

Neymar funciona na seleção de forma parecida com a de Cristiano Ronaldo no Real Madrid e, claro, dele mesmo no Barcelona. Associa-se pela esquerda com Marcelo, tem liberdade para afunilar e tirar da cartola bons passes para os meias que infiltram. Quando consegue o um contra um ou a chance de finalizar – sua maior qualidade -, triunfa. É craque.

Não ter Neymar com a responsabilidade de resolver tudo o tempo todo é uma das grandes virtudes de Tite.

Ainda resta ver se a aposta em Alisson dará certo. Acho uma injustiça Diego Alves, do Valencia, não ser o titular da seleção há muitos anos. Mas quem sou eu para desconfiar das apostas de Tite!

Assim como não desconfio de apostadores. O título do Brasil no ano que vem está pagando entre 7 e 8 para 1. Está aí um bom investimento. Tão bom quanto os de Tite.