Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Seleção brasileira

Willian abre caminhos no Chelsea e pede passagem na seleção
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Julio Gomes

É ano de Copa do Mundo, a competição vai se aproximando e logo logo começarão as discussões acaloradas sobre quem deve jogar, quem deve estar no time, quem deve ser convocado (ou não). Depois de mais um grande jogo neste sábado, Willian é o nome da vez.

Nas redes sociais, na conversa de bar e nas mesas redondas bombam os pedidos para Tite dar um jeito de colocá-lo no time titular.

Cada mês será uma história até chegarmos a junho, quando a seleção brasileira fará a estreia. Em março, teremos a última data Fifa para amistosos entre seleções, em abril e maio, a reta final da Champions e ligas europeias, além do início do Brasileirão.

Dezembro foi o mês de Paulinho, brilhando no clássico contra o Real Madrid e mostrando estar à altura do Barcelona e da titularidade na seleção. Janeiro foi o mês de Firmino, fazendo um golaço no jogo em que o Liverpool derrubou a invencibilidade do Manchester City e entrando, de vez, na lista de Tite e mesmo das pessoas que não lhe conheciam e cornetavam o treinador por convocá-lo.

Fevereiro foi o mês de Willian.

Depois do grande jogo contra o Barcelona, no meio de semana, pela Liga dos Campeões, com duas bolas na trave e um belo gol marcado, Willian manteve o ritmo no clássico contra o Manchester United, neste domingo, pelo Campeonato Inglês.

No gol do Chelsea, puxou o contra ataque, encontrou Hazard, recebeu de volta e meteu um golaço. Fora isso, participou do jogo o tempo todo, mostrando mobilidade, obediência tática e coragem para encarar os marcadores. Foi o melhor do Chelsea.

O time acabou sofrendo a virada do United e perdendo em Manchester, graças a Lukaku, ao ótimo segundo tempo de Pogba e à postura, como sempre, defensiva demais de Conte. Nos 15 minutos finais, quando o Chelsea partiu em busca do empate, Conte tirou Hazard para a entrada de Pedro. Willian virou meia e criou, por exemplo, a jogada que acabaria no empate de Morata – o bandeira marcou um impedimento equivocadamente no lance.

Depois de ter frequentado muito o banco de reservas na primeira metade da temporada, especialmente nos jogos mais importantes do Chelsea, Willian abriu passagem na marra, na bola. Não dava mais para Conte preterir Willian para escalar Pedro. O Chelsea é um time melhor com ele, simples assim.

É verdade que os resultados contra Barcelona e Manchester United não foram legais, mas o futebol não é uma coisa de um homem só.

Mas e aí? E na seleção brasileira?

Willian já está convocado para a Copa, é uma espécie de décimo segundo titular de Tite. Mas só jogam 11, vocês já sabem. Nas primeiras partidas de Tite na seleção, ele era titular, mas Philippe Coutinho ganhou a vaga jogando muito, com a amarela e com o Liverpool.

Quem sairia do time para entrar Willian? São três os cenários.

O mais simples seria voltar Willian ao time no lugar de Coutinho, até porque Coutinho joga naturalmente pela esquerda, faixa ocupada também por um certo Neymar. Willian, pela direita, seria um posicionamento mais natural.

Uma segunda opção, que parece ser a mais próxima de acontecer, seria sacar Renato Augusto do time. Willian entraria pela direita e Philippe Coutinho jogaria por dentro. Pela entrevista recente de Tite ao jornal O Globo, é assim que a seleção vai começar no amistoso contra a Rússia.

Mas esta opção deixa o time ofensivo demais, protegido de menos e talvez suprima a grande qualidade do jogo de Paulinho, que é a chegada à frente. Então, surge uma variável. Paulinho também sairia do time para a entrada de Fernandinho, que faria a dupla de contenção com Casemiro por trás da linha com Neymar-Coutinho-Willian.

Possivelmente não haja uma opção melhor que a outra. Tudo vai depender do adversário, do momento físico e emocional dos jogadores quando a Copa chegar e, claro, dos cenários que cada partida vai apresentar. Mas, se a estreia fosse semana que vem, seria difícil deixar Willian fora do time.

 


Neymar pai e filho deveriam ouvir Casagrande, em vez de atacá-lo
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Julio Gomes

A polêmica da semana, para variar, é com Neymar. Para quem não acompanhou, foram dois movimentos. Depois do jogo entre Real Madrid e PSG, Walter Casagrande Jr criticou a postura do jogador, em sua participação no programa Redação Sportv. Vídeo aqui. Mais tarde, sem citar nomes (nem precisava), o pai de Neymar publicou isso aqui no Instagram.

 

Eu apenas coloquei as duas posições na minha conta do Twitter. Para não dizer que não usei adjetivos, chamei as colocações de Casagrande de “pertinentes”. E a resposta de Neymar pai de “patética”. Choveram comentários e é possível que tenham sido na ordem de meio a meio.

Uma coisa é fato. Neymar desperta amor e ódio. Tem gente que adora o cara, o jogo dele, o jeito e não atura ouvir qualquer crítica. Tem gente que detesta e se nega a elogiar. Quem gosta de Neymar, tem certeza absoluta que a mídia “persegue” o rapaz. Quem não gosta, diz que a mídia “passa a mão na cabeça” dele.

Primeiro, a mídia, assim como torcedores, ex-jogadores, etc, é formada por gente em carne e osso. Cada um tem sua opinião, cada um faz sua análise e chega a conclusões. Na mídia, existe a mesmíssima divisão que há entre as pessoas que acompanham e vivem futebol, mas não estão com microfone em mãos. Tem quem ame, tem quem deteste.

Eu, por exemplo, me considero uma pessoa no meio do caminho. Gosto muito do jogo de Neymar, acredito que ele seja um genuíno craque, que já está na lista de 10 maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Isso mesmo.

No entanto, sou crítico em relação a algumas posturas dele, especialmente dentro de campo, e acho que ele pularia para um degrau mais alto se ele melhorasse em alguns aspectos mentais e tomasse algumas decisões mais inteligentes em jogos grandes. A tomada de decisões é o que diferencia, por exemplo, Messi de Neymar.

Quando digo que sou crítico a algumas posturas, não estou falando de Instagram nem de festança de aniversário. Falo de posturas no jogo mesmo, com algum individualismo, algum desrespeito por rivais, algum desdém, alguma animosidade com toda a mídia, que, a meu ver, sobram. Ele deveria ser maior que isso.

Quando Casagrande fala que Neymar está sendo muito mimado, ele acerta em cheio, a meu ver. Sobre a postura em campo, por exemplo, nas jogadas com Cavani, já não concordo muito.

O que não gosto da polêmica gerada nesta semana é quando os defensores de Neymar passam ao ataque. Desqualificando Casagrande por seus problemas do passado com as drogas. Casagrande merece ser aplaudido pela maneira aberta e transparente como lidou com um problema pessoal, até para servir de exemplo para tantas outras famílias que sofrem do mesmo mal. Chamá-lo de “cheirador” acrescenta zero ao debate sobre Neymar. Zero.

Mostra apenas o nível baixíssimo das pessoas quando têm suas ideais confrontadas. Parece que se sentem ameaçadas. Mas deixemos os comentários sobre a psique humana para quem sabe mais disso do que eu.

E quando o pai de Neymar se manifesta chamando Casagrande de “abutre” me parece extremamente agressivo e desproporcional.

“Em uma “guerra” há os que se alimentam de vitórias e há os que, como os abutres, se alimentam da carniça dos derrotados. Nada fazem, nada produzem, vivem do brilho ou, com mais frequência, de momentos difíceis de suas “presas”. Foi o que escreveu Neymar pai.

Quem é mesmo que “vive do brilho dos outros”? cri, cri, cri….

E tem mais. Que história é essa de guerra?? É isso que está virando o Brasil. Tudo é guerra, tudo é enfrentamento. Se você faz uma crítica, é inimigo e precisa ser combatido. É um binarismo inacreditável, surreal.

Não sou advogado de Casagrande. Mas a crítica dele é analítica. É uma análise do jogo de Neymar e da postura dele como jogador protagonista da seleção brasileira, além de ser o mais caro da história do futebol.

Na análise de Casagrande, Neymar atua em campo com uma mentalidade individualista. E ele não gostaria que isso acontecesse na Copa do Mundo, pelo bem da seleção brasileira.

Esta mentalidade individualista, a meu ver, é parte integrante do futebol brasileiro. Foi, em grande parte, razão do nosso sucesso. Mas, hoje, é razão do fracasso. O jogo mudou. Hoje, ele é mais coletivo do que nunca. E o individualismo precisa estar a serviço do coletivo para, aí sim, marcar diferenças.

O que Casagrande diz é que Neymar joga um jogo em que o coletivo precisa estar a serviço do individualismo (dele). E esta é uma inversão de lógica inaceitável. A soma de atitudes, gestos, falas, etc, de Neymar fazem com que ele chegue a esta conclusão. Me parece uma opinião lícita.

Como lícita foi a opinião de Muricy Ramalho no mesmo Sportv, ex-treinador dele no Santos, dizendo que Neymar não é mimado, é super profissional, dedicado, etc. Tite fala a mesma coisa. Aliás, é nítido que Tite entende como ninguém que sua grande missão é trazer o individualismo do jogador brasileiro para serviço do coletivo. Só assim o hexa será conquistado. E ele parece estar tendo êxito na missão, inclusive pela postura que Neymar mostra quando joga com a seleção, bem diferente da postura que vem mostrando no PSG.

Eu não acho que ser mimado e ser super profissional sejam coisas excludentes. Me parece claro que Neymar não teria atingido o nível estratosférico que atingiu não fosse um jogador profissional, preparado e dedicado. Dedicado até que ponto? Mais ou menos que Cristiano Ronaldo? Mais ou menos que Ronaldinho Gaúcho? É difícil dizer. Podemos deduzir, observar, mas creio que ninguém tenha tal certeza. Nem mesmo os envolvidos, pois não estão na pele do outro.

Agora, só porque é profissional não é mimado?

O que é ser mimado, afinal? Na minha opinião, a pessoa mimada é aquela que tem dificuldades em aceitar um não como resposta, pois sempre tiveram a sua volta pessoas dispostas e disponíveis a cumprir seus desejos.

Eu, caçula e temporão, sou uma pessoa mimada. Não teria por que fazer a auto análise aqui neste post mas… por que não? Já tive e tenho muitas dificuldades na vida por me sentir contrariado. É uma barreira a ser superada. E isso não me impede de ser profissional, dedicado, ético, correto, etc.

Ninguém é 100% perfeito, ninguém é 100% imperfeito.

A impressão que a resposta de Neymar pai passa (corroborada a mim por outras pessoas mais próximas, não citarei nomes) e que as atitudes de Neymar filho, pai e staff passam é que Neymar nunca será contrariado pelas pessoas a sua volta.

É muito difícil imaginar que, depois do jogo contra o Real Madrid, alguém vá chegar perto dele e falar. “Ney, você errou nesse lance, naquele, naquele outro, poderia ter passado aqui, chutado ali, tomado outra decisão”.

Muricy deu a dica no Sportv. “Ele gosta de ser contrariado, confrontado”. Não duvido. Mas será que isso está acontecendo e tem acontecido nos últimos anos? Muricy não convive mais com ele para saber.

Mais, para apimentar o debate. Isso é função do técnico?

Sem dúvida. Mas pense no quão difícil é a posição de um técnico nesta relação com uma estrela como Neymar, rodeada de gente envenenando sua cabeça sobre os outros profissionais a sua volta. Será que “staff” Neymar fala bem ou mal de Emery, Cavani, etc para ele? Será que fazem contrapontos? Ou será que falam o que Neymar quer ouvir?

O que vocês acham?

Eu acho que as pessoas mais próximas a ele, que são as que deveriam ser constantes antagonistas, apenas fazem passar a mão na cabeça e falar o que ele quer ouvir. E a resposta agressiva e desmedida de Neymar pai a Casagrande são praticamente uma comprovação disso.

Foram muitos os jogadores e, principalmente, treinadores, que adotaram essa postura de enfrentamento. Que consideravam que o mundo estava contra eles, que havia uma gigantesca conspiração dos invejosos de plantão. Invariavelmente, essas pessoas fracassaram no próprio mar de ódio que geraram.

Nada na vida é melhor do que um choque de realidade de tempos em tempos. É duro na hora, mas faz um bem danado depois. Se eu fosse Neymar, ouviria e absorveria melhor as críticas. Isso aqui não é guerra. É apenas o jogo. O jogo que ele escolheu jogar muito tempo atrás.

 

 


Real Madrid? Quando se trata de Neymar, sempre que teve fumaça, teve fogo
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Julio Gomes

Muitos gols, dribles, títulos, polêmicas, conflitos, selfies e… especulações. É inegável que a carreira de Neymar tem sido marcada por tudo isso até agora. Não é possível ficar à margem. Alguns amam tudo, do jogo ao estilo. Alguns odeiam tudo, do jogo ao estilo. Alguns amam Neymar em campo, odeiam fora. Tem de tudo.

E se os gols, dribles, títulos, polêmicas e conflitos acontecem em mais ou menos quantidade em função do momento da temporada, tem uma coisa que não muda. As especulações sobre o futuro de Neymar rondam sua carreira inteira, desde o início. E, quando houve fumaça, houve fogo.

Agora, a fumaça é Neymar no Real Madrid.

Isso mesmo. O cara mal chegou ao PSG, na maior transação de todos os tempos, e esquenta cada vez mais o papo de Neymar no Real Madrid.

Quando ele estava no Santos, havia fumaceira o tempo todo. Mas nunca houve tanta fumaça quanto em 2011. E ano e meio depois confirmou-se a ida dele para o Barcelona, em um acordo fechado com o pai em… 2011.

Já no Barcelona o fumacê foi constante desde o início, mas se intensificou no meio de 2016. Só não foi ao PSG naquele momento porque, na hora H, o jogador não quis. A fumaça foi aumentando até que, no meio do ano passado, veio o incêndio.

E agora, em meio a algumas vaias de torcida, algumas especulações sobre insatisfação em Paris, alguma desavença de vestiário, etc, etc, aparece a fumaça branca. Fumata madridista.

Vamos lembrar que o namoro Neymar-Real Madrid é antigaço. Eu entrevistei o garotinho Neymar nas arquibancadas do Bernabéu ainda em 2006 (vídeo está aqui). Seu empresário e muita gente do staff sempre preferiram o Real ao Barça – foi o jogador que quis vestir a mesma camisa de Messi.

Após a goleada de sábado sobre o Montpellier, pela Ligue 1, Neymar finalmente se pronunciou – após dois meses em silêncio. O vídeo está aqui. Tire suas conclusões.

“Especulação sempre vai existir. No Santos sempre existiu. No Barcelona, toda janela de transferência tinha algo com o meu nome. É impossível ficar fora disso, né?”, disse Neymar.

O amigo João Castelo Branco insistiu, pedindo uma palavra para pôr fim na possibilidade de sair para o Real. “Já falei, especulação sempre existe, não vou estar repetindo toda hora”.

Eu não acho que seja “impossível ficar fora disso”. Basta se pronunciar mais claramente. Ou então que seu staff pare de vazar a outros clubes a possibilidade de saída. Ainda no Barcelona, Neymar foi literalmente oferecido a PSG, City e United, os únicos três que teriam bala para pagar a multa. Se o cara é oferecido, aí realmente fica “impossível ficar fora disso”.

Se teve uma coisa que Neymar NÃO fez no sábado foi ajudar a dissipar a especulação. A minha leitura é que deixou a porta escancarada para sair.

Eu não vejo o PSG liberando Neymar facilmente. E não vejo Neymar ao lado de Cristiano Ronaldo no Real Madrid.

Há algumas estrelas que precisam ficar alinhadas para que essa transferência ocorra. Uma saída de CR7 do Real e, talvez, um título de Champions para o PSG (o site Goal.com noticiou que o presidente do PSG teria feito essa promessa ao jogador, basta clicar).

Não acredito que Neymar vá para o Real Madrid sem que essas duas coisas ocorram. E tampouco acredito que Cristiano Ronaldo toparia ser negociado com o PSG se for um modelo CR7 mais dinheiro por Neymar. Aí o orgulho falará mais alto.

Vamos ver.

Em questão de semanas, a fumacinha virou fumaçona. E, quando se trata de Neymar, fumaça é fogo. Se não for agora no fim desta temporada, será na próxima, no meio de 2019. Mas que tem toda a pinta de que Neymar se vestirá de branco, isso tem.


O que fará Tite se Fernandinho continuar jogando assim?
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Julio Gomes

O meio de campo titular da seleção brasileira da era Tite está escalado: Casemiro, Paulinho e Renato Augusto.

Fernandinho é um coringa que pode entrar por ali e que parece ser o reserva imediato para os três. Mas o que fará Tite se Fernandinho continuar jogando o que está jogando no Manchester City?

Está cada vez mais difícil imaginar um time, qualquer que seja, sem ele. Qualquer time ou até qualquer seleção. Fernandinho está em uma hipotética “seleção mundial” de 2017, sem sombra de dúvida.

É uma peça fundamental no time mais quente da Europa, o Manchester City. Pep Guardiola não se cansa de elogiar o brasileiro e, durante a vitória fácil sobre o Watford, nesta terça, debaixo de chuva, aplaudiu seu jogador com braços esticados para cima, pedindo ao estádio para que entendesse a grandeza do jogo de Fernandinho.

Guardiola, aliás, que jogava muito, disse que seria reserva nesse time do City. Por causa de Fernandinho.

Sua presença no meio de campo, à frente (às vezes ao lado) dos zagueiros, limpando tudo, permite ao time jogar com toda sua força ofensiva. Sterling e Sané pelos lados, Silva e De Bruyne na armação, Aguero (ou Jesus) à frente.

É a chave que permite ao time ser sólido na defesa e criar maiorias e volume no ataque.

Lembra muito o papel de facilitador de Marcos Senna fez na seleção espanhola de 2008, campeã da Euro (o embrião de tudo o que viria). Com Senna, a Espanha podia jogar com Xavi, Iniesta, Silva, Torres e Villa. Busquets também faz um papel mais ou menos assim no Barcelona, e mesmo Casemiro no Real Madrid.

Mas Fernandinho seja talvez um jogador de melhor passe e mais importante para determinar a velocidade do time em campo – às vezes mais lento, às vezes acelerando.

Tite já comentou e pensa em uma formação com Casemiro e Fernandinho juntos. Neste desenho, no entanto, Philippe Coutinho jogaria por dentro, com Neymar e Willian abertos, sairiam do time Paulinho e Renato Augusto. Seria um 4-2-3-1 puro, diferente do 4-1-4-1 atual.

Mas como tirar Paulinho do time? É outro que está jogando muito e tem uma chegada ao ataque rara entre meio campistas, além da força na bola aérea. Com Casemiro, Fernandinho e Paulinho, o time pode ficar defensivo demais. Se Fernandinho jogar como joga no City, Casemiro teria de adiantar posição, o que também não parece uma grande opção.

Enfim.

Fica para Tite quebrar a cabeça e tomar as decisões.

Mas, do jeito que Fernandinho está jogando, e nada indica que seu nível cairá neste semestre, vai ser difícil deixá-lo fora da seleção que estreará na Copa da Rússia.

 


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Brasil pega grupo chato, dá azar nos cruzamentos e fará tour pela Rússia
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Julio Gomes

O Brasil foi sorteado para ser cabeça de chave do grupo E da Copa do Mundo. O grupo não pode ser chamado de “grupo da morte” para a seleção de Tite, mas também não é molezinha. O problema mesmo é o que vem depois. O cruzamento e a logística estão longe do ideal.

O Brasil é favorito absoluto em uma chave com Suíça, Costa Rica e Sérvia. São duas seleções europeias, mas não as mais fortes. Será uma boa briga pela segunda colocação.

O cruzamento de oitavas de final, no entanto, será contra um forte grupo F, possivelmente o mais forte da fase e grupos, com Alemanha, México, Suécia e Coreia do Sul.

A boa notícia é que, se Brasil e Alemanha ganharem seus grupos, só poderão se reencontrar na final. No entanto, se um deles for o primeiro e outro for o segundo, o indesejado duelo ocorrerá já nas oitavas de final.

O Brasil jogará na primeira fase em Rostov, São Petersburgo e Moscou. Se for primeiro no grupo, jogará em Samara nas oitavas e em Kazan nas quartas. É o único cabeça de chave que, se for primeiro, fará jogos em cinco cidades diferentes, um verdadeiro tour pela Rússia.


Seleção não deve se preocupar com grupo, mas com cruzamentos e logística
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Julio Gomes

As bolinhas sairão hoje, na Rússia, uma após a outra. E saberemos quem a seleção brasileira vai enfrentar na primeira fase do Mundial, em que estádios, etc. Passaremos meses falando dos tais três adversários da seleção de Tite.

É normal que seja assim. Mas, a meu ver, o mais importante no sorteio desta sexta-feira são outras duas coisas: os cruzamentos futuros e as datas/deslocamentos entre jogos.

Vamos imaginar que o Brasil dê o maior azar do mundo e caia em um “grupo da morte”. Que grupo da morte seria esse? Possivelmente um que tivesse Espanha ou Inglaterra, Dinamarca ou Suécia e a Nigéria. Será que o Brasil sofreria tanto assim para passar de um grupo desses? Claro que seria desafiador, mas seria uma grande surpresa se Brasil ou Espanha fossem eliminados em um grupo assim.

Mas agora vamos pensar de forma diferente. Vamos imaginar que seja a Argentina a cabeça de chave deste hipotético grupo da morte com Espanha, Dinamarca e Nigéria, por exemplo. E que o Brasil fique em um grupo teoricamente mais fácil, mas cruze nas oitavas de final justamente contra alguém desta chave. Isso significaria enfrentar Argentina ou Espanha já no primeiro jogo de mata-mata.

Isso sim, é algo a evitar. É muito melhor enfrentar uma Espanha ou uma Inglaterra logo na fase de grupos, quando perder não significará eliminação, do que pegar pedreiras em todas as fases eliminatórias.

Em 2014, o Brasil não teve muita sorte. Pegou um grupo não tão fácil, com Croácia e México, e cruzou nas oitavas com um grupo que tinha Espanha, Holanda e Chile. Acabou jogando contra o Chile e só não caiu logo nas oitavas de final porque passou nos pênaltis.

A Copa da Rússia tem algumas ausências importantes. Itália, Holanda, Chile, EUA, Gana… Com isso, diminuem bastante as possibilidades de um ou mais grupos da morte serem formados. É mais improvável que aconteça com o Brasil no ano que vem o que aconteceu em 2014: grupo relativamente difícil e cruzamento ingrato.

Ampliando um pouco a questão dos cruzamentos, há uma outra torcida. Dos sete outros cabeças de chave, três podem ser considerados da “primeira prateleira” na lista de favoritos ao título: Alemanha, França e Argentina. Os outros quatro são Bélgica, Portugal, Polônia e Rússia.

O ideal seria que o Brasil ficasse em uma “metade” diferente das maiores potências. Ou seja, se ele for sorteado para cair nos grupos B, C ou D (a Rússia já está no A), o ideal seria que Alemanha, França e Argentina estivessem ocupando a metade de baixo (grupos E, F, G e H). Assim, o Brasil evitaria qualquer confronto contra estas seleções antes das semifinais.

A outra grande chave é a questão logística.

O sonho de consumo de Tite e comissão é cair no grupo B. O cabeça de chave deste grupo fará a estreia em Sochi e, se for primeiro, jogaria de novo na cidade nas quartas de final. Teria jogos em Moscou na segunda rodada, oitavas e semis. Ou seja, a logística de viagem ficaria extremamente facilitada e o cruzamento seria com o grupo A, o da Rússia, a cabeça de chave destacadamente mais fraca.

O lado ruim de cair no grupo B seria estrear logo no dia 15 de junho, segundo dia de Mundial. Os cabeças dos grupos C e D estreiam no dia 16 e, considerando que a seleção ficará em Sochi, teria de fazer muitas viagens na fase de grupos. Algo parecido aconteceria se o Brasil fosse sorteado para ser cabeça do grupo E ou F. Seriam cinco cidades diferentes nos cinco primeiros jogos.

O grupo G seria uma boa opção, pois a estreia seria somente no dia 18 de junho (mais dias de preparação) e em Sochi. O outro lado da moeda é que o cabeça deste grupo, se for o primeiro colocado, será o país com menos intervalo entre fase de grupos e oitavas e entre oitavas e quartas de final. Mais tempo de descanso antes da estreia, mas menos tempo entre um jogo e outro no decorrer da competição. Algo parecido acontecerá com o cabeça do grupo H.

 


Júlio César e Zé Roberto: dois grandes brasileiros que se vão do futebol
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Julio Gomes

A maneira de o brasileiro ver e falar de futebol é muito próxima de um moedor de carnes. Ao mesmo tempo em que ídolos são gerados em 5 minutos, reputações inteiras são moídas após um erro ou após uma escolha que não agrade à maioria apaixonada.

Júlio César e Zé Roberto não são unanimidade no futebol.

Brasileiro.

Porque em todos os grandes centros europeus eles construíram uma reputação irretocável. Especialmente, claro, na Itália e na Alemanha.

Vou contar duas historinhas que aconteceram comigo, nos anos em que tive a grande oportunidade de cobrir de perto o futebol europeu.

No fim de 2004, fui a Munique. E combinei com Zé Roberto uma entrevista para a revista “Placar”. Ele marcou o encontro para a Marienplatz. Para quem não conhece Munique, é a principal praça da cidade, uma espécie de Praça da Sé de Munique – só que um pouquinho mais limpa :-).

Achei estranho. Como assim, na Marienplatz? Assim, no meio das pessoas? E foi lá que nos encontramos. Entramos em um café e conversamos longamente. O cara era simplesmente titular do Bayern de Munique. Onde, em alguma outra oportunidade, cheguei a encontrá-lo também. Um CT incrível.

O que mais me chamou a atenção? O respeito. A maneira como as pessoas se aproximavam dele, cumprimentavam, mostravam admiração. Eu não falo mais do que meia dúzia de palavras em alemão. Mas gestos e olhares são suficientes para compreender o que estava acontecendo.

E Júlio César. Bem, sobre ele eu sempre achei o mesmo que um monte de vocês achavam ou acham. “Mascarado”.

Ledo engano. Com ele, me encontrei em Milão em 2006 ou 2007, por aí. A ideia era apenas fazer uma entrevista para a Band. Mas Júlio César abriu as portas da casa dele. Conheci Suzana Werner, brinquei com os filhos, ganhei carona. Nada me pareceu mais humano do que aquele casal de celebridades. O apartamento era muito perto do estádio San Siro. Na ocasião, ele me contou que voltava à pé das partidas. Assim, no meio do povo. “Mesmo em dia de Inter x Milan?”. “Sim”.

Em 2010, Júlio César foi indiscutivelmente (vou repetir, indiscutivelmente) o melhor goleiro do mundo. Atuações muito consistentes em uma Inter de Milão que conquistou a Europa após décadas de seca. O Brasil tem sido um grande fabricante de goleiros nas últimas décadas. Mas, depois de Taffarel, que goleiro brasileiro foi o melhor do mundo? Só Júlio César.

Mas, por não ter sido um goleiro ultravitorioso no Flamengo, por uma falha na Copa de 2010 e pelos 7 a 1, é visto com desdém por muitos aqui. Em 2010, a falha deveria ser compartilhada com Felipe Melo. E mais: uma falha não faz de ninguém um idiota, assim como um acerto não faz de alguém um craque. O futebol é cruel demais.

Em 2014, eu não teria chamado Júlio César para a Copa. Mas o que ele teve a ver com o 7 a 1? Nada. Ou quase nada. Não fosse ele, talvez o Brasil nem tivesse passado pelo Chile nas oitavas de final.

Zé Roberto foi outra “vítima” do Flamengo. Depois de anos para lá de espetaculares na Portuguesa, Zé Roberto passou a fazer parte da seleção brasileira. Foi parar em um Real Madrid estrelado, onde ele precisaria de tempo para ganhar espaço. Voltou para o Flamengo, caiu na fogueira, não foi nada demais. Portanto, nunca foi visto como o craque que sempre foi pela grande imprensa.

A partir daí, Zé Roberto foi quase campeão europeu e alemão com o pequeno Bayer Leverkusen. E foi titular por muitos anos de um gigante como o Bayern. Aprendeu alemão, se adaptou ao país. Menos mal que treinadores de futebol (especialmente Parreira e Zagallo) ignoravam as mesas redondas que sempre “escolhiam” Zé Roberto para ficar fora das convocações e times titulares da seleção.

O Brasil foi “descobrir” que Zé Roberto era bom de bola em 2006, quando ele fez uma grande Copa do Mundo em um time que deixou a desejar. Depois, triunfou no Santos, no Grêmio, no Palmeiras. Mostrou ser zero egoísta ao pedir dispensa da seleção de Dunga em 2007, “para dar lugar aos mais jovens”. Curiosamente, quando acabou o ciclo de Zé na seleção, começou o de Júlio César titular do gol. Eles estiveram pouco tempo juntos, portanto.

Zé Roberto encerrou a carreira com honras. Fez parte da reconstrução de um gigante, como o Palmeiras. Só depois de passar por times mais midiáticos ganhou um pouco do tamanho que merece.

Ainda assim, poucos colocariam Zé Roberto no lugar que merece na história do futebol brasileiro. Falei um pouco disso neste post de dois anos atrás.

Júlio César e Zé Roberto são dois exemplos a serem seguidos. De adaptação em outros países, de respeito adquirido, de profissionalismo, de capacidade técnica, de construção familiar, de lisura nos clubes por onde passaram.

Eles deixam um belo legado. Que definitivamente não pode ser minimizado por frases do tipo “ganhou o quê?”, “falhou naquele dia”, “não fez nada não sei onde”.

O Palmeiras acerta em cheio dando um cargo imediato para Zé Roberto. Espero que não seja só para parecer bacana, só para consumo externo.

Já o Flamengo deveria ter trazido Júlio César de volta muito tempo atrás. Para jogar, não dá mais. Que seja, então, para cuidar de seus goleiros, porque está precisando.

 


Sem Itália e Holanda, Copa será a mais ‘desfalcada’ desde 94
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Julio Gomes

Com as eliminações de Itália e Holanda, ambas protagonizadas pela Suécia nas eliminatórias europeias, a Copa do Mundo de 2018 será a mais desfalcada do grupo de “potências” do futebol mundial desde a edição de 1994.

Na última vez que a Itália ficou fora de uma Copa, em 58, o Brasil ganhou seu primeiro título. Na última vez que a Holanda não se classificou para um Mundial, em 2002, o Brasil conquistou o penta. E na última vez em que mais de uma seleção campeã mundial ficou fora de uma Copa, em 1994, o Brasil ganhou o tetra.

Naquela ocasião, Inglaterra, Uruguai e França ficaram de fora da Copa organizada pelos EUA. A França ainda não era campeã do mundo, mas já tinha um time forte. Foi eliminada em casa, assim como a Itália nesta semana, de forma dramática, levando gol no último minuto. A alma só seria lavada quatro anos mais tarde.

Também não jogou a Copa de 94 a Dinamarca, então campeã europeia (92) – uma raridade, pois só três vezes na história o campeão europeu não se classificou para o Mundial seguinte. Esta é outra coincidência com a desfalcada Copa da Rússia. Além de Itália e Holanda, tampouco estará o Chile, campeão continental no ano passado. Foi apenas a segunda vez que um campeão de Copa América disputada a dois anos ou menos do Mundial acabou não se classificando.

Desde 98, quando o Mundial foi ampliado e passou de 24 para 32 seleções, tivemos três Copas com todos os campeões presentes: 2002 (mas sem a Holanda), 2010 e 2014 (estas, as únicas até hoje com as nove “grandes” presentes). Em 98 e 2006, o Uruguai foi o ausente após sucumbir nas eliminatórias.

Copas “desfalcadas” costumam trazer boas lembranças para o torcedor brasileiro.

No tricampeonato da seleção, em 70, não estiveram no Mundial do México quatro das nove seleções que formam o grupo de países com melhores resultados da história das Copas (o G9). Isso nunca mais aconteceu desde então – vale ressaltar também que, na época, nenhum dos quatro havia levantado o caneco, como veremos mais abaixo neste post.

Dos cinco títulos brasileiros, dois deles vieram em Copas em que algo raro aconteceu: dois países que já haviam sido campeões mundiais no passado acabaram não disputando a competição (58 e 94).

Devido ao desastre italiano, a Copa da Rússia, no ano que vem, será a décima da história em que alguma seleção que já levantou a taça um dia não disputará a competição (metade das vezes).

Quem forma o G9?

A seleção brasileira, todos sabemos, jogou todas as 20 Copas disputadas até hoje. Alemanha e Itália vêm em seguida, com 18 participações. A Alemanha, seja como Ocidental ou, depois, unificada, não perde um Mundial desde 1950. A Itália não ficava fora desde 58. A Argentina, com 16 participações, esteve ausente pela última vez em 70. Espanha, Inglaterra e França jogaram 14 Mundiais. A última Copa sem a Espanha foi a de 74, enquanto ingleses e franceses “faltaram” pela última vez em 94.

São oito países campeões de Copas. Mas este blog considera importante acrescentar a Holanda no G9 de potências. Afinal, a Holanda, que “existe no futebol” desde a década de 70, chegou a três finais (só menos do que as quatro seleções gigantes) e acabou entre as quatro primeiras colocadas em menos ocasiões somente que Brasil, Alemanha e Itália. Além, claro, de ter uma influência histórica no esporte moderno.

A Holanda jogou 10 de 20 Copas e chegou pelo menos à semifinal em metade de suas participações. Além das campeãs, outras nove seleções apareceram em mais Mundiais que a Oranje, mas sem a mesma relevância em teremos de resultados. O México, por exemplo, é o quinto país com mais participações (15), mas nunca passou das quartas de final.

Veja a lista das potências que faltaram em cada Copa:

1930 – Campeão: Uruguai. Faltaram: Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha e Holanda;
1934 – Campeã: Itália. Faltaram: Inglaterra e Uruguai;
1938 – Campeã: Itália. Faltaram: Inglaterra, Espanha, Argentina e Uruguai;
1950 – Campeão: Uruguai. Faltaram: Alemanha, França, Holanda e Argentina;
1954 – Campeã: Alemanha. Faltaram: Espanha, Holanda e Argentina;
1958 – Campeão: Brasil. Faltaram: Itália, Espanha, Holanda e Uruguai;
1962 – Campeão: Brasil. Faltaram: França e Holanda;
1966 – Campeã: Inglaterra. Faltou: Holanda;
1970 – Campeão: Brasil. Faltaram: França, Espanha, Holanda e Argentina;
1974 – Campeã: Alemanha. Faltaram: Inglaterra, França e Espanha;
1978 – Campeã: Argentina. Faltaram: Inglaterra e Uruguai;
1982 – Campeã: Itália. Faltaram: Holanda e Uruguai;
1986 – Campeã: Argentina. Faltou: Holanda;
1990 – Campeã: Alemanha. Faltou: França;
1994 – Campeão: Brasil. Faltaram: Inglaterra, França e Uruguai;
1998 – Campeã: França. Faltou: Uruguai;
2002 – Campeão: Brasil. Faltou: Holanda;
2006 – Campeã: Itália. Faltou: Uruguai;
2010 – Campeã: Espanha. Não faltou ninguém;
2014 – Campeã: Alemanha. Não faltou ninguém;
2018 – Campeão: ? Faltarão: Itália e Holanda.

Portanto, na última vez em que mais de uma seleção campeã mundial ficou fora de uma Copa, em 1994, o Brasil ganhou o tetra. E, antes disso, a Copa com mais integrantes do G9 ausentes havia sido a de 1970, que não teve Argentina, França, Espanha e Holanda – vale ressaltar que elas não eram exatamente potências, como hoje.

Considerando o momento da realização de cada Copa do Mundo, houve dez Mundiais (metade) com a presença de todos os países que já haviam sido campeões de alguma edição anterior. Houve três Mundiais em que dois campeões estavam ausentes. Em 1958, quando não jogaram Itália e Uruguai, e em 1978 e 1994, quando ficaram fora Inglaterra e Uruguai.

A Copa do ano que vem será a sétima da história em que um único campeão ficará assistindo em casa (no caso, a Itália). Nos outros Mundiais em que isso ocorreu, cinco vezes o ausente foi o Uruguai – 34, 38, 82, 98 e 2006 – e uma vez foi  a Inglaterra (74).

Alemanha, Argentina, França, Espanha e, logicamente, o Brasil, jamais ficaram fora de uma Copa depois de terem conquistado a taça pela primeira vez.

 


Inglaterra mostra uma encrenca tática que será comum na Copa
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Julio Gomes

O jogo do Brasil contra a Inglaterra não foi bom. Mas não é preocupante. É um toque de atenção, porque Tite nunca havia enfrentado uma seleção europeia e logo pegou uma que joga no 3-4-3 cheio de variáveis, que virou moda no futebol mundial.

Na Inglaterra, está todo mundo jogando assim, até mesmo Mourinho, no United, e Guardiola, no City, copiaram a fórmula de sucesso que Conte implementou no Chelsea. A Juventus, às vezes o Barcelona, enfim, tem muita gente jogando assim no futebol de alto nível. E no mundo global, em que todo mundo vê tudo e tem acesso a tudo, copiar é moleza.

São muitas variáveis. É muito diferente ter três zagueiros flanqueados por laterais que sobem pouco ou que sobem muito. Alguns técnicos usam meias ou atacantes para ser o “ala”. É um sistema que demanda muito treino e sincronia e que aposta em uma defesa firme com saídas rápidas na transição (a exceção, claro, é o Manchester City). Ele vira um 5-4-1 ou um 5-3-2 na fase defensiva, vira um 3-6-1 e até um 3-3-4 na ofensiva. Numerinhos apenas para tentar ilustrar.

O fato é que o Brasil não conseguiu sair do emaranhado inglês.

O jeito que a Inglaterra jogou é bastante prejudicial aos laterais adversários, especialmente se o time adversário, como é o que caso do Brasil, tem laterais tão ofensivos e tão importantes na criação de jogadas. Pelos lados, os laterais brasileiros são armadores, não apenas metedores de bolas na área.

Como furar um bloqueio desses? Mais difícil ainda seria sem laterais bons como Daniel Alves e Marcelo. Mas o fato é que eles precisarão ser usados mais taticamente do que tecnicamente. Precisam subir, espalhar a defesa rival, prender e incomodar os alas/laterais do adversário. Desta forma, é possível criar maiorias pelo meio com os meias e atacantes.

O Brasil não conseguiu fazer isso hoje. Nem na primeira versão de meio de campo e nem depois que Willian e Fernandinho substituíram Coutinho e Renato Augusto (ainda que tenha melhorado na reta final).

Faltou velocidade na troca de passes, para confundir e deslocar a defesa adversária. E faltaram bons chutes de fora da área.

A melhor chance no segundo tempo veio em uma jogada de velocidade puxada por Neymar, que abriu para a boa finalização de Paulinho. Foi praticamente a única grande infiltração de Paulinho no jogo.

É bom ter jogadores que quebrem defesas, como Neymar e Coutinho. Mas contra adversários bem fechados eles terão poucas chances de jogar como gostam, com velocidade e espaço.

O amistoso contra a Inglaterra serviu demais para ver um tipo de encrenca que será possivelmente frequente na Copa do Mundo. Agora, Tite que se vire para encontrar soluções. Tem alguns meses para isso.