Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Seleção brasileira

Jogaço da Suíça deixa casca de banana no caminho do Brasil
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Julio Gomes

Brasil x Sérvia, quarta, em Moscou. Não há margem de erro para a seleção. Após a vitória dramática contra a Costa Rica, o Brasil pode empatar com a Sérvia para ir às oitavas. Mas, se perder, estará eliminada.

Perder para a Sérvia seria um absurdo? Não. Essa é a casca de banana que a Suíça jogou para o Brasil, após fazer um jogo espetacular nesta sexta-feira, em Kaliningrado.

Aqui é a base da Sérvia na Copa. Dezenas de milhares estão ou vieram até a cidade, e o estádio virou um caldeirão. Os torcedores sérvios apoiam constantemente e ferozmente. Havia também o componente político. O ódio de alguns torcedores sérvios em relação aos suíços de origem albanesa ou kosovar, especialmente Shaqiri.

Some a tudo isso um início fulminante dos sérvios, fazendo um gol e criando chances. Ou seja, a coisa estava feia para a Suíça. Muito feia.

Ainda assim, os caras foram lá e viraram o jogo, no melhor estilo contra tudo e contra todos. Isso serve também para algumas pessoas verem que não é só no Brasil que se joga bola no mundo. Empatar com esse time da Suíça, hoje em dia, está longe de ser uma catástrofe, como algumas pessoas pintaram.

E agora, a Sérvia. O Brasil joga pelo empate, e isso é uma grande notícia – ainda que o empate deixe a seleção provavelmente na segunda posição no grupo. Mas, à parte essa grande notícia, há outras menos animadoras.

Primeiro, o fator casa. A Sérvia novamente jogará com a torcida toda a seu favor, no jogo de quarta, em Moscou. Os sérvios são basicamente os únicos europeus que vieram em peso para essa Copa, até porque existe uma relação fraternal entre os povos. Russos estão com sérvios, sérvios estão com russos. Em muitos momentos, no estádio de Kaliningrado, o grito de apoio saía alternado da arquibancada. “Rús-si-a. Sér-vi-a. Rús-si-a. Sér-vi-a”.

O segundo fator preocupante é que a Sérvia tem um bom time de futebol, com aquela mistura que considero ideal. Experiente atrás, com jogadores calejados e com história no futebol europeu, e jovem na frente, com gente destemida e de velocidade.

O terceiro fator preocupante é que a Sérvia é muito boa na bola alta. Muito mesmo. É um time físico, forte, que usa e abusa desse tipo de jogada.

O Brasil é melhor? Sim, o Brasil é melhor. Mas não é nada bom chegar à última rodada já tendo um jogo eliminatório. Se perder, está fora.

E acho que após as partidas iniciais, e com tudo o que vimos na Copa até agora, talvez o pessoal já tenha entendido que o futebol mudou de verdade. O equilíbrio é tremendo. A Suíça se livrou do problema de maneira corajosa, mostrou muita força em um estádio hostil, em condições hostis. Agora a batata quente está com o Brasil.

 


Diário da Copa: Show do bilhão
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Julio Gomes

A convenção é dizer que este estádio é um “monumento à corrupção”. Mas que é bonito, é…

A Arena de São Petersburgo é, talvez, a mais bela que já vi na vida. De longe, tem aquele estilo disco voador, com umas “antenas” em cima que só aprofundam a comparação. Por dentro, arquibancadas verticais, tipo as do Mané Garrincha, de Brasília.

Se o nosso monumento dos corruptos passou de 1 bilhão de reais (mais ou menos, já sabem, não precisamos ser assim tão exatos, não é mesmo?), o dos russos ficou para lá de 1 bilhão de euros. É, portanto, o estádio mais caro da história. E olha que nesta conta foi dada uma arredondada… para baixo!

Como se ganha dinheiro nessa coisa de Copa do Mundo. Ou como se gasta, enfim. Depende do ângulo.

Gramado retrátil, cobertura feita para derreter a neve, o estádio do Zenit São Petersburgo é cheio de frufrus. Mas que é bonito… ah, isso é. Já falei isso, né? Vale repetir quantas vezes for preciso.

O Brasil terá um grande apoio nas arquibancadas. Ao contrário do que vi nos meus outros quatro Mundiais, percebo a torcida brasileira mais animada desta vez. Parece que o show que os argentinos deram quatro anos atrás em nossas ruas criou uma sensação de que somos ruins demais torcendo. É preciso melhorar.

A recepção à seleção na chegada a São Petersburgo foi calorosa, tocou os jogadores. Inventaram musiquinhas e tudo o mais – aliás, bem melhor que o chatérrimo “com-muito-orgulho-com-muito-amor”. O ônibus chegou ao hotel cercado de gente, o que é comum vermos no futebol de clubes, raro no de seleções.

Ainda temos que remar muito para chegar ao nível dos argentinos. Torcendo, não tem nada igual. Mas eles têm mais com o que se preocupar no momento. Afinal, jogando bola estão uma verdadeira porcaria – dificilmente conseguirão passar de fase após a humilhação contra a Croácia.

Aqui na Rússia, para onde quer que se olhe, vemos latino-americanos passeando. Muito mais do que europeus. O problema é que peruanos e argentinos já podem ir fazendo as malas. A festa foi curta para eles. Pelo menos os peruanos estão cheios de orgulho. Já os argentinos…

A verdade é que o futebol está muito equilibrado hoje em dia. Realmente, qualquer um pode ganhar de qualquer um. Menos, claro, a Costa Rica contra o Brasil. Afinal, a seleção vai jogar em casa. Na casa do bilhão.

 


CBF joga para a torcida ou não sabe como funciona o VAR
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Julio Gomes

Como deve ser usado o árbitro de vídeo? Qualquer conversa sobre o tema precisa começar com essa explicação. Eu, em meia hora de entrevista de Massimo Bussacca, o suíço chefe da arbitragem, e uma rápida visita ao lugar onde ficam as comissões vendo os jogos, já entendi. Mas, aparentemente, a CBF e outras pessoas do futebol não entenderam – ou fingem que não entenderam.

É assim: o juiz de campo toma as decisões que tomar. Se, em algum momento, a comissão de vídeo perceber alguma coisa clara, que pode não ter sido vista pelo juiz ou pelo bandeirinha, eles avisam. O juiz de campo pode aceitar a opinião de fora cegamente. Ou pode querer rever ali à beira do campo o lance em discussão. E ele, o juiz de campo, toma a decisão final.

Então vamos falar do lance de Brasil x Suíça. O juiz de campo não vê o lance ou não vê falta no lance. Não existe essa de ele “consultar o VAR”, como muita gente vem dizendo.

Os árbitros de vídeo irão rever a imagem. Se eles virem uma falta clara ali e perceberem que o juiz não viu no campo, cabe a eles a iniciativa de avisar. “Olha, tem um lance que achamos que pode ser falta dentro da área”. E aí cabe ao árbitro de campo dar a falta ou rever a imagem na lateral do campo.

Mas, se o árbitro de vídeo também interpretar que não houve nada ou então se o árbitro de vídeo perceber que o de campo tinha uma clara visão do lance, ele não tem que falar nada mesmo. Senão o futebol vai virar uma chatice. Play on. Segue o jogo.

Não adianta esperar do árbitro de vídeo uma reinterpretação do que foi definido no campo. Ele só chamará o juiz no rádio para falar de lances muito claros, sem quase nenhuma margem para interpretação.

Inicialmente, achei boa a postura de Tite, normal a dos jogadores e exagerada a dos colegas de imprensa. Mas, depois, a partir do momento em que a CBF resolve reclamar oficialmente sobre o uso do VAR, me parece uma falta de conhecimento sobre o sistema. Ou o famoso “jogar para a torcida”. Reclamar só para dar satisfação.

Em sua representação, a CBF questiona como foi a comunicação entre os árbitros. O que isso importa? Simplesmente não está sendo aceita uma outra interpretação sobre os lances.

Vocês acharam falta em Miranda? Eu, por exemplo, não achei. Se ele tivesse atacado a bola, aquele empurrão seria suficiente para desestabilizá-lo e ele possivelmente iria ao chão. Mas, estáticos na área, o uso de braços é normal. Eu não daria a falta, e este deve ter sido o mesmo pensamento dos árbitros envolvidos. Respeito quem diz que é falta. É lance de interpretação, não de revisão.

Querem outro exemplo? Os ingleses estão reclamando até mais do que os brasileiros. Ontem, Inglaterra e Tunísia. Eu não daria o pênalti que o colombiano Wilmar Roldán deu para a Tunísia. Mas ele viu o lance e decidiu. Não existe essa de o VAR falar “olha, não foi, viu”. Não é assim que funciona! A não ser que o árbitro de vídeo veja algo claro, do tipo, “reveja a imagem, porque o defensor toca na bola antes”, ou algo do tipo, ele não tem nada a fazer. A interpretação do árbitro de campo manda.

Outra coisa são os dois agarrões em Harry Kane na área, lances que o juiz de campo pode não ter visto e, aí sim, cabe ao pessoal do vídeo alertá-lo.

Acredito que a tendência daqui para frente é árbitros marcarem menos coisas – bandeirinhas então, nem se fala. É muito mais simples não marcar e depois ser avisado/rever para marcar. Do que apontar um pênalti e depois desmarcá-lo.

O VAR, e a Fifa deixou isso bem claro, não é uma consulta constante. E não é um debate constante de interpretações por rádio. Ele aparece para ajudar em lances muito claros. Não foi o caso da suposta falta em Miranda e nem nos lances reclamados pelos ingleses.

Segue o jogo!

 

 


Neymar dá a melhor resposta: a “humilhação do bem”
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Julio Gomes

Aleksandar Dragovic é um daqueles jogadores de quem provavelmente só falaremos hoje. Depois, nunca mais. Um desses caras que precisam estar no futebol, porque nem todos são craques. Temos que ter também os que caem de bunda no chão antes de Neymar meter um golaço.

Aqui na TV russa, meu paupérrimo conhecimento do idioma me permitiu entender uma expressão do narrador. “очень класс!”. Tipo… “otchin class!”. Muita classe. Emendou com um “d-jo-go bo-ni-to”.

Essa é a marca do Brasil no mundo, quer o pessoal queira ou não. É por isso que a seleção brasileira é adorada. Não por vitórias. Mas por encanto.

O gol absurdo de Neymar, deixando Dragovic sentado como um pato no chão antes de concluir a gol, é a melhor resposta possível para o adversário.

Como mandou mal a Áustria neste domingo! Não permitiu o minuto de silêncio a Maria Esther Bueno antes do jogo (e isso em um dia em que um tenista austríaco jogava a final de Roland Garros). E não cansou de bater em campo.

É verdade que os amistosos pré-Copa tiveram a marca da competitividade. Algumas entradas mais fortes, jogos “sérios”. Mas uma coisa é jogar sério, outra é bater gratuitamente.

Prodl deu uma entrada criminosa em Neymar, seguida de um grito também, convenhamos, exagerado. Escutei aqui em Moscou sem precisar da TV. Schopf foi só madeira desde o início. Na falta do cartão vermelho, o próprio técnico austríaco, o senhor Foda (desculpem, a culpa não é minha), retirou o rapaz de campo. E Dragovic chutou Marcelo no chão, fingindo que queria tirar a bola. Primeiro levou dura de Paulinho. Depois, virou meme. Bem feito pela humilhação.

Foto André Mourão / MoWA Press

Essa é a humilhação válida. Nunca na vida criticarei Neymar por dar um drible maravilhoso como este para tirar o rival da jogada e meter o gol. Critico as carretilhas inúteis no meio de campo apenas para humilhar outro profissional.

Recado dado. Neymar será caçado na Copa. Porque é craque e porque é detestado por muitos – o que fala dele tanto quanto fala dos outros. Caberá às arbitragens coibir os açougueiros. E a Neymar responder na bola, como fez hoje.

O Brasil enfrentou um adversário duro, que acaba de ganhar da Rússia e da Alemanha – jogando bem, não por acaso. A seleção não deu chance alguma, fez 3 a 0 e poderia ter feito mais.

A Copa pode vir ou não. Isso é um jogo. Mas essa é uma seleção pronta para algo grande na Rússia.

 


Amistosos chatos e com poucos gols. Coincidência ou tendência?
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Julio Gomes

Nestes primeiros dias de amistosos para a Copa, já podemos ver uma espécie de tendência. Jogos de poucos (ou nenhum) gols entre seleções que estarão no Mundial. Os gols ficam para as partidas com pelo menos uma seleção que não vai à Copa.

O Brasil x Croácia deste domingo, em Liverpool, seguiu a tendência vista nos 0 a 0 de sábado, entre Bélgica e Portugal e entre Suécia e Dinamarca, ou no 0 a 0 de sexta entre Egito e Colômbia. Jogo sem graça, sem intensidade e com poucas chances de gol.

Estão escondendo o jogo? Apenas coincidência? Ou será uma tendência?

É difícil imaginar que os jogos de Copa do Mundo terão essa pouca intensidade. Mas não é difícil imaginar que grande parte dos jogos serão mesmo estudados em demasia, amarrados, com poucas chances.

Hoje em dia, existe muito equilíbrio no futebol. Os jogadores se conhecem, o nível físico é parecido, os espaços são escassos. Qualquer um consegue montar um time para empatar. Considerando que taticamente todos – ou quase todos – estão em nível parecido, o equilíbrio sempre será quebrado pelo talento.

Foi o que aconteceu em Liverpool neste domingo. Neymar entrou no segundo tempo e decidiu o jogo. É isso o que se espera dele – nada mais, nada menos. O desequilíbrio. No último lance, Firmino fez o segundo.

Portugal não teve Cristiano Ronaldo contra a Bélgica. Os belgas que desequilibram, Hazard e De Bruyne, não estavam ligados no jogo. Suécia e Dinamarca não têm jogadores assim. Salah não estava no Egito x Colômbia. Tudo 0 a 0. Seria também o placar de Brasil x Croácia, não fosse Neymar.

A exceção foi Inglaterra 2 x 1 Nigéria, resultado que passou por um primeiro tempo muito, mas muito ruim mesmo, dos nigerianos. No segundo tempo, o marasmo foi parecido ao dos outros jogos.

O desequilíbrio trazido por Neymar pode ganhar a Copa para o Brasil. Simples assim.

 

 


Torcedor do Grêmio tem mais é que celebrar ausências de Arthur e Luan
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Julio Gomes

A convocação de Tite para a Copa do Mundo vai mexer bem pouco com o Campeonato Brasileiro. Ainda faltam sete rodadas até a pausa para o Mundial, são 21 pontos em jogo. E tem mais: a competição é reiniciada assim que a bola parar de rolar na Rússia.

Tite chamou apenas três que atuam no Brasil: Cássio, Fágner e Geromel. São jogadores importantes para Corinthians e Grêmio, mas substituíveis – Fágner está lesionado, de qualquer maneira. Cássio e Geromel se despedem no fim de semana, ainda atuam mais uma vez na Libertadores e uma no Brasileiro.

Muita gente está brava porque Arthur e Luan, jogadores do time que melhor joga no Brasil, ficaram fora da lista de Tite. Mas o torcedor gremista deveria estar com um sorrisão deste tamanho no rosto.

O Grêmio não ganha o Campeonato Brasileiro desde 1996. Será que Renato Gaúcho irá escolher Libertadores e Copa do Brasil, como fez ano passado? Neste ano, parece que o treinador pode fazer uma aposta maior na competição de pontos corridos.

O Grêmio ainda tem a vaga nas oitavas para garantir na Libertadores, o que pode acontecer já nesta terça. No Brasileiro, daqui até a Copa, enfrenta Paraná (f), Ceará (f), Fluminense (c), Bahia (f), Palmeiras (c), América-MG (c) e Sport (f). Convenhamos, uma tabela bem interessante, com um adversário direto em casa e os três jogos no Nordeste longe do verão.

Com a bola que está jogando, o Grêmio tem tudo para fazer um altíssimo percentual de pontos nestas rodadas e

O Brasil pode até lamentar Arthur e Luan fora. A metade azul do Sul, no entanto, tem mais é que celebrar.

 


Tite deixa claro que a 9 é de Jesus e Danilo está à frente de Fágner
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Julio Gomes

Tite deu uma entrevista de uma hora após convocar a seleção brasileira para a Copa do Mundo. Não são todas as perguntas que geram respostas importantes – ou que extraiam informações.

Mas é possível pinçar algumas coisas relevantes do que disse Tite.

Na lateral-direita, a disputa está aberta. “Hoje, a vantagem é do Danilo”, disse Tite. Uma indicação de que, não fosse a lesão de Daniel Alves, talvez Fágner não estivesse entre os convocados.

Aliás, Fágner foi o único nome lido fora da ordem alfabética em sua posição. Possivelmente, Rafinha, do Bayern, esteve na lista até os 45min do segundo tempo.

Na zaga, não está claro quem será titular. A briga está aberta entre Marquinhos e Thiago Silva para jogar ao lado de Miranda. Marquinhos foi muito elogiado pelo treinador, e Tite claramente pode contar com ele tanto para a lateral-direita quanto para o meio de campo, se por acaso Casemiro e Fernandinho se machucarem ou forem suspensos simultaneamente.

Por que não levar uma camisa 10? Um armador clássico? Porque, na cabeça de Tite, Coutinho pode jogar por ali, Willian, Taison, até Firmino.

Taison, além de obviamente ser um jogador de confiança, traz uma versatilidade que Tite considera importante. É um jogador mais agudo que Giuliano, de quem ele possivelmente “roubou” a vaga.

Por que não levar um camisa 9 típico? Aí, possivelmente porque faltou um jogador de peso, de altíssimo nível, para entrar na lista. Pelas respostas de Tite, ele pode contar com Firmino para isso, caso algum jogo apresente esta necessidade.

Firmino, aliás, é o claro reserva do ataque. Apesar da temporada monstruosa, muito superior à de Gabriel Jesus. Tite foi claro, esta não é uma vaga aberta. Gabriel é titular, “pelo que fez na seleção”, entre outras razões.

Eu deixaria a vaga de camisa 9 mais aberta do que efetivamente está. E você?


Sem Dani Alves, Tite deveria transformar Marcelo em protagonista
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Julio Gomes

A lesão que tira Daniel Alves da Copa do Mundo pode ser um sinal. Está na hora de Marcelo ser protagonista da seleção brasileira.

Marcelo e Firmino foram os dois melhores jogadores brasileiros na temporada 2017/2018, que se encerrará na Europa justamente com a final entre eles, Real Madrid x Liverpool na Champions League. Firmino não é nem titular da seleção, disputa posição com Gabriel Jesus.

Marcelo só não era titular na cabeça de Dunga. Com Tite, voltou a ganhar a posição. No Real Madrid, Marcelo pegou o bastão das mãos de Roberto Carlos para não soltar mais. São duas décadas com um brasileiro tomando conta da lateral esquerda do clube mais importante do mundo.

Como é característica dos laterais brasileiros, criados para atacar, não para defender, Marcelo sofreu muito e ainda sofre nesta fase do jogo. Em muitos momentos, foi preterido no Real, com Mourinho ou Ancelotti, justamente por isso. Mas, com Zidane, tomou conta de vez e passou a ser peça fundamental do fluxo de jogo do Real Madrid.

Assim como Daniel Alves sempre foi muito mais do que um lateral nos anos dourados do Barcelona. Daniel era mais um atacante pela direita, um jogador crucial para o fluxo de jogo do time e a saída para o ataque. Dani e Xavi. Marcelo e Kroos. Parcerias históricas.

Daniel Alves manteve a característica em sua vida pós-Barça, mas perdeu fôlego e, neste ano na França, tesão e competitividade. Mas estava claro, pelo menos para mim, que veríamos outro cara na Copa do Mundo. A seleção motiva esses jogadores, ao contrário do que muita gente pensa. Eles querem MUITO ganhar pelo Brasil.

Com Daniel Alves de um lado e Marcelo do outro, o treinador tem muitas opções de saída de bola, mas muitos problemas de cobertura. Nenhum dos dois é bom defensor.

Sem Daniel Alves, Tite ganha a luz verde para fazer o mesmo que Zidane. Focar o jogo ofensivo do Brasil, a transição, em Marcelo.

Pode jogar com três zagueiros, com Marquinhos pela direita, ou pode jogar com um lateral mais defensivo, tipo Fágner. Pode até, em determinado momento do jogo, abrir pela direita um meia.

Pode também fazer uma convocação diferente, com cinco zagueiros ou com algum jogador que se sinta bem aberto pela direita, mas que não seja lateral de ofício. Pode levar ou Fágner ou Danilo, não necessariamente os dois. Tudo isso é coisa para o treinador pensar, e pensar rápido. Não descarto que ele comece a preparação com uns 24 ou 25 e deixe para cortar alguns perto da Copa.

Mas o mais importante é a oportunidade para montar um time que machuque o adversário essencialmente com Marcelo e Neymar, da esquerda para dentro. Sem dó, sem preocupações, com foco nos dois melhores jogadores do país.

Claro que um time campeão do mundo não terá só uma opção de ataque ou saída de bola. Estou falando do foco, da característica predominante, da marca registrada, do protagonismo a quem merece.

Sempre dá para olhar o copo meio cheio.


Só Neymar é mais importante do que Daniel Alves na seleção
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Julio Gomes

A dúvida está no ar. Na segunda-feira, Tite convocará a seleção brasileira para a Copa do Mundo, e a grande interrogação é Daniel Alves.

Após a lesão da última terça, ainda não há um diagnóstico claro. Terá de operar? Basta tratar? Volta em quanto tempo?

Depois de Neymar (não há hexa sem ele), ninguém é mais importante para a seleção do que Daniel Alves. Não estou, com isso, dizendo que ele é o segundo melhor jogador do Brasil de Tite. Aliás, na minha visão Daniel errou ao escolher o PSG em detrimento do Manchester City. Perdeu nível. Perdeu competitividade e fez uma temporada média – como médio é o futebol francês. Quis se divertir com Neymar e as coisas não deram muito certo.

Mesmo assim, não há desnível maior em qualquer posição do que na lateral direita. Fágner, Danilo, Rafinha… nenhum desses caras se aproxima da capacidade técnica de Daniel Alves. Esta já era a posição mais crítica da seleção, exatamente porque Dani não vive seu melhor momento, mas não tem sombra. Agora, então, a coisa só piora.

Além deste problema, a ausência de um reserva à altura, estamos falando de um jogador altamente competitivo, importante no vestiário, multicampeão, experiente e que já viveu derrotas em Copas do Mundo. Minha aposta é que Daniel seria o capitão de Tite no Mundial.

Se não for necessária cirurgia e o diagnóstico apontar que Daniel Alves poderá voltar em algum momento da Copa, acredito que Tite será obrigado a levá-lo. Terá de arriscar. Pela liderança e pela possibilidade de voltar no mata-mata.

O mais provável é que o treinador comece o período de treinos na Granja Comary com 24 atletas. Leve dois laterais e espere até o fim para saber se poderá contar com Daniel Alves.

Claro que dá para ser campeão do mundo sem ele (sem Neymar, repito, não dá). Mas será ainda mais difícil do que já seria normalmente.

 


Lições dos amistosos: Seleção com três no meio de campo é muito mais sólida
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Julio Gomes

O jogo entre Alemanha e Brasil não foi bom. No primeiro tempo, um ritmo mais lento, mais cadenciado, imposto pela seleção brasileira, foi aceito e replicado por uma Alemanha que tinha muitos reservas, mas ainda assim jogadores de altíssimo nível.

O gol de Gabriel Jesus foi um achado, contando com a colaboração de Trapp.

No segundo tempo, o Brasil dominou por 15min, teve chance de ampliar, mas aí vieram as mudanças. A Alemanha pressionou – pero no mucho -, chuveirou, até que tentou o empate. Serviu para um bom teste da postura defensiva e do poder de concentração do time de Tite.

Foi perceptível que a Alemanha se adaptou ao ritmo imposto pelos adversários que enfrentou. Na sexta, os titulares foram envolvidos por um ritmo frenético da Espanha. Ainda assim, conseguiram achar um empate e se adaptar ao jogo no segundo tempo. Já nesta terça, a Alemanha reserva se submeteu a um jogo mais lento proposto pelo Brasil.

É fato que o time de Tite fica muito mais sólido defensivamente quando joga com dois meio-campistas ao lado de Casemiro. Paulinho e Fernandinho, que fatalmente tomará o lugar de Renato Augusto.

Perde poder ofensivo? Sim, claro. Mas, por outro lado, Paulinho fica mais solto para infiltrar. E o cara talvez seja melhor finalizador do que muito atacante por aí.

A grande observação destes dois amistosos, na esfera coletiva, é que o Brasil jogará com três meio-campistas, de forma mais sólida, nos jogos grandes. E possivelmente será mais ofensivo contra seleções fracas ou retrancadas. Este será o cenário com Willian, Coutinho e Neymar juntos. Nos jogos grandes, sobrará para Willian ou Coutinho.

Na esfera individual, confesso que Daniel Alves passa a gerar preocupação. Não é o mesmo Dani de outros anos. Errático e com pouca profundidade. O pior de tudo? Sem sombra.