Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Seleção brasileira

Paulinho prefere a Copa ao Barça. Por que não os dois?
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Paulinho tornou pública a conversa entre seus empresários e o Barcelona. Nesta entrevista ao Globo Esporte, diz que está “difícil decidir” entre ir para um dos maiores clubes do mundo e ficar na China. Na cabeça dele, o dilema parece ser: a certeza de jogar, manter ritmo e ser titular na Copa do Mundo e a dúvida de esquentar banco no Barcelona e perder espaço.

Paulinho é muito bom jogador de futebol. Funciona muito bem no meio de campo como um volante que fecha espaços e tem bom passe, chegada e finalização. Tem as características do jogador moderno, é um todo-terreno, enfim. Foi importantíssimo no Corinthians de Tite, na Copa das Confederações de 2013 e tem sido peça fundamental no renascimento da seleção brasileira, reencontrando Tite.

Eu não critico Paulinho por escolher “ser feliz”. Aliás, eu não critico ninguém por buscar a felicidade. Se o cara prefere jogar futebol na China, na várzea ou na praia, em vez de outro lugar, o direito é dele.

Mas me sinto livre para criticar a falta de ambição ou então a incapacidade de se adaptar e buscar espaço.

Paulinho só funcionou plenamente até agora em lugares com condições ideais. Em lugares em que se sentiu confiante (não ameaçado), com treinadores que gostam dele e escalam do melhor jeito possível para seu futebol fluir. Azar dos que não fizeram o mesmo. Mas, convenhamos. É parte da coisa também o jogador atuar em condições que não sejam as ideais.

No Tottenham, Paulinho chegou com André Villas Boas no comando. Mas o português saiu no meio da temporada, assumiu Tim Sherwood. Perdeu ritmo e espaço, foi mal na Copa.

Na segunda temporada, vindo com o 7 a 1 na cabeça, Paulinho caiu nas mãos de Mauricio Pochettino. O argentino está lá desde então e, em três temporadas, está se tornando um dos grandes técnicos da história do Tottenham.

Paulinho ficou só um ano com Pochettino e se mandou para jogar com Felipão na China. Não se deram bem. Só eles sabem exatamente como as coisas ocorreram, mas, de longe, me parece ter havido um problema terrível de falta de comunicação. Convenhamos, poderia estar até agora no Tottenham, vivendo esse grande momento do clube.

E agora está com medo de acontecer a mesma coisa. Na China, joga, é titular, a família está adaptada. É jogador de confiança de Felipão e de Tite. Como será em Barcelona? Será uma temporada complicada para o Barça, com técnico novo (Ernesto Valverde) e um Real Madrid voando. E se Paulinho não agradar e ficar o ano todo sem jogar?

O medo dele é compreensível. Mas onde está a confiança? A determinação? A ambição? Ele tem à sua frente uma raríssima segunda chance no alto nível europeu. Olhando o elenco do Barcelona, Paulinho tem grandes chances de triunfar, ter minutos, agradar o novo técnico, municiar Messi, Neymar e Suárez.

Para isso, terá de batalhar. Não dá para dizer que um cara que foi para a Lituânia com 17 anos de idade não tenha coragem e não seja batalhador.

Mas me parece que o medo de não triunfar seja mais forte do que a genuína felicidade no futebol de menor nível da China.

Se escolher ficar, Paulinho estará escolhendo a estabilidade e a seleção brasileira sobre o desafio de jogar em um dos maiores clubes do mundo. Sonho de 10 em cada 10 jogadores.

Sinceramente, acho que daria para ter as duas coisas. Só depende dele, de confiar no próprio taco. Não dos outros.

 

 


Alemanha aprendeu ‘lição brasileira’ e acerta ao poupar nas Confederações
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A Copa do Mundo, já faz algum tempo, não é mais a baba de outrora para os países tradicionais da bola. Nunca foi uma baba ganhar a Copa – mas quase nunca foi complicado para os grandes passar de primeira fase e chegar até o momento agudo da competição.

Isso foi mudando ao longo dos anos. E, hoje, em um futebol globalizado, em que as informações (táticas, técnicas e de treinamentos) correm muito rapidamente, a história de “não ter bobo” virou uma realidade. Portanto, em uma competição curta, como são Copas entre seleções, o condicionamento físico não só é uma virtude. É obrigação. É mandatório estar com todo mundo a 100%.

Neste contexto, a Alemanha acerta ao deixar tantos jogadores importantes fora da Copa das Confederações. A estreia será nesta segunda, contra a Austrália.

A Alemanha é a atual campeã do mundo. A Alemanha joga para ganhar Copa e Eurocopa. Claro que não entra para perder a Copa das Confederações, mas entra com limitações em nome de algo maior.

Não é o caso, por exemplo, de Chile, Portugal e México. Para estas três seleções, que têm tradição no futebol, mas não o peso da Alemanha, ganhar uma Copa das Confederações seria um feito. Seria bizarro deixar Alexis Sánchez ou Cristiano Ronaldo ou qualquer outro jogador fora de um momento importante na história do futebol destes países. Os olhos do mundo estão voltados para a Rússia.

Sim, é verdade que esses caras correm o risco de chegar com a língua de fora na Copa-2018, após vários anos sem férias ou sem pré-temporada bem feita. Mas… e daí? Para chilenos, mexicanos e portugueses, essa Copa das Confederações é histórica. E ganhá-la é uma possibilidade. A Alemanha escolheu compartilhar o favoritismo com os outros.

O que trouxe para o Brasil os títulos das Copas das Confederações de 2005, 2009 e 2013?

Será que foi a melhor estratégia expor suas qualidades e defeitos para o mundo inteiro ver? A de 2013 é até compreensível, pois a seleção tinha técnico novo, precisava montar time e jogava a competição em casa. Mas as outras…

Em 2005, Parreira até que deixou alguns poucos nomes fora daquela Copa das Confederações. Em 2009, Dunga foi com tudo. O fato é que o Brasil ganhou todas elas e perdeu todas as Copas do Mundo subsequentes. Já quando mandou o time Z, aquele do Leão, em 2001, se deu bem no ano seguinte.

A Alemanha tenta não cometer o erro do Brasil. Não quer se expor e não quer massacrar fisicamente seus jogadores mais importantes. Neuer, Hummels, Boateng, Kroos, Khedira, Ozil, Muller… ficam todos em casa. É a hora dos Kimmich, Brandt, Sule, Werner, Draxler.

Há países que vivem o dia a dia, a obrigação da vitória sempre a qualquer custo. E há países que planejam, entendem que derrotas fazem parte do jogo, mantêm estilo, base e vão fazendo transições pouco dramáticas. Alguns vivem da ruptura (e às vezes se dão bem com ela). Outros prezam pela estabilidade. Extrapole o futebol e muita coisa será explicada.

 


A um ano da Copa, França parece ser o maior obstáculo para a seleção
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Vamos começar pelo fim? Assim ninguém se dá ao trabalho de malhar o analista nos comentários. Sim, eu sei que a Copa do Mundo é uma competição rápida e que em um jogo qualquer coisa pode acontecer. Nos dias de hoje ainda mais, pois há muito equilíbrio entre times e seleções no futebol globalizado e da velocidade da informação. Não há segredos. Há padrões. Zebras acontecerão cada vez mais em competições internacionais curtas. Times organizados ganham jogos.

Dito tudo isso, não quero me furtar de tentar prever o futuro com base no presente, no passado e nas próprias perspectivas de futuro. Hoje, considero a seleção brasileira a mais forte do mundo. E, entre as europeias, a França, e não a Alemanha ou a Espanha ou a Itália, é quem promete ser o maior obstáculo para o hexa.

Brasil e França podem perder de QUALQUER UM. Isso é óbvio. Não ficarei aqui colocando o óbvio como “porém” ao analisar seleções e seus momentos. A Alemanha era a melhor seleção do mundo em 2014, disparado. E quase tropeçou na Argélia. Acontece. É uma questão de encaixe, seleções que tentam se dar bem na fraqueza alheia. Muitas vezes funciona.

Em 20 jogos contra aquela Alemanha, aquela Argélia ganharia um. Quase foi na Copa. Mas não podemos ignorar a superioridade alemã e nos escorar no “não tem favorito” para analisar e prognosticar um jogo de futebol. Claro que tinha e claro que tem.

O que faz da seleção brasileira tão forte? Uma série de fatores que simplesmente se encaixaram com a chegada de Tite. Ótimo treinador, antenado e atualizado com métodos e formações do futebol atual, ótimos jogadores em todas as posições, jogadores que compraram a ideia do técnico e rapidamente adotaram um estilo de jogo coletivo e participativo, muito uso de informações, estatísticas, vídeos, etc. Tudo isso em uma das camisas mais poderosas da história do futebol.

A França, já não é de agora, montou uma seleção muito boa e também tem um técnico competente, Deschamps, que conseguiu unir jogadores historicamente divididos. Uma seleção que viu dois jogadores promissores ganharem status de estrelas mundiais em Pogba e Griezmann.

A França parou na Copa do Mundo de 2014 na Alemanha, como era de se esperar. Mas superou a mesma Alemanha ano passado, na Eurocopa. Realmente faltou vencer Portugal (sem Cristiano Ronaldo desde o início do jogo) na decisão. E este é um ponto negativo que não pode ser deixado de lado. Que time é esse que perde um Europeu em casa, daquele jeito?

Mas algumas coisas aconteceram nesta temporada, que acabou oficialmente com estas partidas de seleções.

Algumas coisas tipo o Monaco, campeão francês e semifinalista da Champions.

Mbappé, já comparado com Henry, é um fator X nesta seleção francesa. Um jogador em claras condições de explodir rumo à estratosfera nesta temporada que vem e que mostrou um pouco disso no amistoso desta quarta-feira, na vitória sobre a Inglaterra (3 a 2 mesmo com um jogador a menos).

Mbappé é o que Neymar poderia ter sido na Copa de 2010, por exemplo. Um jogador muito jovem, de apenas 18 anos, que foi convocado pela primeira vez em março e que traz para um bom time aquele algo mais. Coragem, talento, velocidade, capacidade de desmontar esquemas.

Mas tem mais além dele. A temporada brutal do Monaco deu a Deschamps jogadores muito confiantes em Lemar, Sidibé e Mendy. Além deles, surgiu também Dembélé, que explodiu com a camisa do Borussia Dortmund (na foto acima, abraçado a Mbappé). Nenhum destes estava na Euro, um ano atrás.

Lloris, que era apenas um bom goleiro, ganhou status de um dos melhores do mundo com a número 1 do Tottenham. Descarte a besteira que ele fez no fim de semana contra a Suécia, pelas eliminatórias. E Kanté, depois da temporada brilhante no Leicester, foi para o Chelsea e transformou-se no melhor jogador da Premier League. É o Makelele 2.0. E ainda tem a dupla de zaga, Umtiti e Varane, mais do que consolidados e aprovados após esta temporada, titulares de Barcelona e Real Madrid, respectivamente.

Enfim. Uma França que já era forte na Copa de 2014 e na Euro de 2016, ganhou um punhado de jogadores que podem dar “algo a mais” no ano que vem. É uma claríssima candidata.

Imaginem um confronto entre Brasil e França na Copa? Daria calafrios, não é mesmo? Depois de 1986, 1998 e 2006, pode até haver um bloqueio pelo histórico. Convenhamos, o Brasil já entra ganhando contra um monte de seleções. Justamente pelo medo que impõe. Não contra a França. Com medo, eles não jogarão.

Mas e as outras seleções?

Temos muito tempo para dissecá-las. A Alemanha cumpriu um ciclo em 2014. Era uma seleção montada, que bateu na trave nas Euros de 2008 e 12, além da Copa de 2010. Desde o tetra, perdeu Lahm, Schweinsteiger, Goetze não explodiu, Draxler ainda é mais promessa que realidade. É uma seleção fortíssima, sem dúvida. É a campeã e é a Alemanha, oras bolas. Tem Neuer. Tem Kroos. Mas ainda passa por uma transição e hoje é menos forte do que era.

A Espanha está na mesma. Tem ótimos talentos. Jogadores pedindo passagem, como Isco e Asensio, um camisa 9 de muito respeito em Diego Costa, goleiraço, ótima dupla de zaga. Maaaaaas. Ainda não encaixou com Julen Lopetegui. O ciclo novo foi sendo adiado, demorou para começar e não sei se conseguirá encontrar a química necessária antes do Mundial.

A Itália tem mais camisa e sangue vencedor do que propriamente um time. A Bélgica, exatamente o contrário. Tem time, um baita time, mas falta aquela competitividade necessária para ganhar a Copa. A Argentina tem craques do meio para frente, muitos problemas atrás, mas ganhou um treinador fantástico em Sampaoli.

Todas estas podem ganhar a Copa. Até o México de Osorio pode ganhar a Copa! Até Portugal. Até a Croácia. Até o Uruguai. É mata-mata (ou melhor, só “mata”) e hoje há um equilíbrio brutal no futebol.

Mas, neste momento, a um ano do Mundial, ninguém parece mais pronto e com mais poder de fogo do que o Brasil e seu eterno nêmesis: a França.

 


Derrota significa pouco para o Brasil, vitória é gigante para a Argentina
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A derrota da seleção brasileira para a Argentina, na manhã desta sexta-feira, na Austrália, significa pouco para o Brasil. Muito, muitíssimo, para os adversários. O gol foi anotado pelo zagueiro Mercado, no fim do primeiro tempo, e o Brasil desperdiçou boas chances de empatar no segundo tempo.

Foi a primeira derrota de Tite no comando técnico da seleção. Mas, convenhamos, ela chega após uma incrível sequência de nove vitórias nas nove primeiras partidas com Tite. Com classificação para a Copa do Mundo garantida (um ano atrás, vamos lembrar, o Brasil corria sério risco de ficar fora). E  com um time com a defesa inteira reserva e sem Neymar.

Por outro lado, a vitória significa demais para a Argentina. É ela que corre risco nas eliminatórias e não havia maneira melhor de Jorge Sampaoli começar sua caminhada.

Para o Brasil, era importante fazer testes, Tite saber com quem contar, observar variações táticas. Para a Argentina, o importante era vencer.

Sete meses atrás, a Argentina levou um vareio do Brasil no Mineirão. Era um time depressivo com Patón Bauza, que lembrava muito a seleção com Dunga. Jogadores nitidamente desconfortáveis em campo, descontentes. Com Sampaoli, muda o espírito, a dinâmica de jogo, e a Argentina volta a ser forte. Claro que tudo isso precisava vir com resultados. Uma vitória sobre o Brasil logo de cara clareia as coisas para Sampaoli.

O início do jogo mostrou uma característica marcante dos dois técnicos, que gostam que seus times marquem no alto, sufocando a saída de bola adversária. Tanto Brasil quanto Argentina avançavam a marcação até a área rival.

O Brasil, naturalmente mais entrosado, tinha menos problemas para sair jogando, enquanto a Argentina sofria. Em uma destas recuperações de bola, logo aos 5min, Philippe Coutinho teve a primeira boa chance de gol para o Brasil.

Logo depois, no entanto, a Argentina mostrou qual seria sua principal jogada no amistoso. Ao sair da pressão, Dybala acionou Di María, que jogou o primeiro tempo grudado na linha lateral. Ele avançou e, quase sem ângulo, chutou na trave. Di María trouxe muitos problemas para Fágner, possivelmente o pior do Brasil em campo.

Além de ter sofrido defensivamente, Fágner ainda tentou cavar um pênalti de forma patética no segundo tempo, em uma de suas poucas subidas ao ataque. Rafinha entrou no lugar dele e foi melhor.

A Argentina de Sampaoli atuava com três zagueiros, Gómez e Di María abertos, Biglia e Banega muito próximos na primeira linha no meio, Messi e Dybala muito próximos na segunda linha. Com o “pelado”, os desenhos táticos são mesmos mais surpreendentes. Era um 3-6-1. Ou um 3-2-4-1.

Mais que nada, o que se notou foi uma Argentina mais leve e séria, com mais personalidade em campo. Foi notável a diferença para o time depressivo com Patón Bauza no comando.

A melhor chance brasileira no primeiro veio em um contra ataque puxado pela esquerda, um dois contra um em que Willian demorou demais para passar para Coutinho, que acabaria travado pela defesa.

A partir dos 30min, no entanto, a posse de bola argentina ficou mais perigosa, a seleção de Sampaoli passou a tomar conta do jogo em seu campo ofensivo. Dybala e Messi passaram a participar do jogo.

Foi difícil, no entanto, romper o fechadinho bloco defensivo brasileiro. O gol argentino acabou saindo em uma jogada com claro dedo do treinador. Escanteio cobrado para trás, cruzamento de Di María e a infiltração dos zagueiros. Otamendi acertou a trave, mas Mercado aproveitou o rebote.

No segundo tempo, no entanto, o jogo foi comandado pela seleção brasileira.

Tite fez alterações ofensivas e tentou criar um quadrado de frente ao colocar Douglas Costa no lugar de Renato Augusto – sumido, não pareceu se encontrar enquanto esteve em campo. Rafinha entrou bem na lateral direita. Já Sampaoli foi tirando de campo atacantes e reforçou o sistema defensivo. Messi nem foi visto no segundo tempo, não houve qualquer ameaça ao gol de Weverton.

A grande chance do Brasil veio em uma linda enfiada para Gabriel Jesus, que driblou Romero e, com gol vazio, chutou na trave. No rebote, Willian acertou a trave novamente. Com Willian pela direita e Coutinho pela esquerda, como jogam em seus clubes, o time funcionou melhor. Ao contrário de outras partidas, no entanto, o meio de campo simplesmente não funcionou.

Jesus participou muito do jogo e apanhou demais, mas acabou perdendo a melhor chance.

 

 

 

 


Brasileirão fica sem 18 convocados; Corinthians é o mais prejudicado
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Uma das coisas mais lamentáveis do calendário do futebol brasileiro, senão a mais lamentável, é o fato de o campeonato não parar em datas Fifa. Entre todos os países que jogam futebol seriamente, o Brasil é o único que não respeita o próprio produto principal.

Assim, quem paga o preço são clubes e torcedores. Ainda mais neste momento em que o futebol brasileiro, mais forte financeiramente, tem ido buscar tantos jogadores em países vizinhos.

No total, 18 jogadores convocados por diversas seleções desfalcarão o Brasileiro nas próximas três rodadas – a quinta, que começa nesta terça-feira, com Fluminense x Atlético-PR, a sexta, no fim de semana, e a sétima rodada, do meio da semana que vem. Poderiam ser até 22 desfalques, não lesões ou liberações.

O clube mais prejudicado é o Corinthians, que tem os mesmos 10 pontos da Chapecoense, mas aparece atrás na classificação pelo saldo de gols. O Corinthians perde três titulares, Fágner e Rodriguinho para a seleção brasileira, e Romero para a paraguaia – que só não levou também Balbuena porque o zagueiro está machucado.

Os três desfalcam o Corinthians contra o Vasco, em São Januário, nesta quarta. Romero, pelo menos, estará de volta para o clássico contra o São Paulo, domingo, e o jogo contra o Cruzeiro, na outra quarta – ambos em Itaquera.

O Palmeiras também perderia três jogadores, mas Guerra foi dispensado do amistoso da Venezuela. Mina e Borja, porém, estarão com a Colômbia para duas partidas na Espanha e perderão duelos contra Coritiba, Fluminense e Santos.

Atlético Mineiro, Flamengo, São Paulo e Sport perdem dois titulares cada. Atlético-PR, Bahia, Botafogo, Cruzeiro e Fluminense perdem um jogador. O Santos só não perde Lucas Lima porque o meia foi cortado por lesão. Outros oito clubes não serão afetados.

Ao contrário do Corinthians, a outra líder do campeonato, a Chapecoense, e o Grêmio, terceiro colocado e quem está apresentando o futebol mais bonito do Brasil, segundo seu treinador, não perderão ninguém. Lucas Barrios, que está voando com a camisa tricolor, não foi convocado pelo técnico Arce para o amistoso do Paraguai contra o Peru. Chape e Grêmio fazem um duelo direto pela ponta nesta quarta, em Chapecó.

Veja a lista de convocados que atuam no Brasileirão (entre parênteses, os jogos que cada jogador vai perder):

Atlético-MG – Cazares-EQU, (Ava, Vit, Atl-pr), Otero-VEN (Ava)
Atlético-PR – Weverton (Flu, Sant, Atl-mg)
Bahia – Armero-COL (Cru, Gre, Coxa*)
Botafogo – Gatito Fernández-PAR (Sant)
Corinthians – Fágner, Rodriguinho (Vas, SP, Cru), Romero-PAR, Balbuena-PAR** (Vas)
Cruzeiro – Arrascaeta-URU**, Caicedo-EQU (Bah, Atl-go, Corin)
Flamengo – Guerrero-PER, Trauco-PER (Spo, Ava, PP)
Fluminense – Orejuela-EQU (Atl-pr, Palm, Gre*)
Palmeiras – Borja-COL, Mina-COL, Guerra-VEN** (Coxa, Flu, Sant)
Santos – Lucas Lima** (Bot, Atl-pr, Palm)
São Paulo – Rodrigo Caio, Cueva-PER (Vit, Cor, Spo*)
Sport – Diego Souza (Fla, Vas, SP*), Mena (Fla, Vas, SP, Vit, Atl-mg, San, Atl-pr)***

Não foram prejudicados:
Atlético-GO, Avaí, Chapecoense, Coritiba, Grêmio, Ponte Preta, Vasco e Vitória

* jogos na quinta-feira, dia 15, então pode ser que estes jogadores voltem a tempo de atuar

** jogadores liberados ou cortados por lesão, ou seja, desfalcam seus times do mesmo jeito

*** Mena estará com o Chile na Copa das Confederações durante todo o mês de junho

Amistosos das seleções sul-americanas:

7/6 – Quarta
Espanha x Colômbia – Murcia (ESP)
Itália x Uruguai – Nice (FRA)
Bolívia x Nicarágua – Yacuiba (BOL)

8/6 – Quinta
Peru x Paraguai – Trujillo (PER)
Equador x Venezuela – Boca Raton (EUA)

9/6 – Sexta
Brasil x Argentina – Melbourne (AUS)
Rússia x Chile – Moscou (RUS)

13/6 – Terça
Brasil x Austrália – Melbourne (AUS)
Cingapura x Argentina – Cingapura (CIN)
Romênia x Chile – Cluj (ROM)
Camarões x Colômbia – Getafe (ESP)
Peru x Jamaica – Arequipa (PER)
Equador x El Salvador – New Jersey (EUA)


Tite acerta ao convocar David Luiz e Rodriguinho
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juliogomes

Está difícil achar uma bola fora de Tite. O técnico convocou nesta sexta a seleção para amistosos contra Argentina e Austrália, em junho. E a lista tem algumas justiças.

David Luiz ficou marcado pelos 7 a 1. E é justo que seja assim, que ele seja criticado por uma atuação desastrosa. Mas não gosto quando jogadores recebem um carimbo na testa e punição perpétua por uma má atuação.

A temporada de David Luiz foi enorme. Voltou para o Chelsea e foi importantíssimo na campanha do título, sendo um dos três zagueiros de Conte. Mostrou, mais uma vez, que pode jogar como zagueiro e que, apesar de ter alguns defeitos técnicos, pode compensá-los com elementos ofensivos que poucos zagueiros aportam a um time.

David Luiz pode ou não pode estar no grupo da Copa do Mundo. Há boas justificativas para qualquer que seja a decisão tomada por Tite. O que não dá é para riscá-lo da lista eternamente por causa do 7 a 1. Faz muito bem o técnico em chamá-lo, observá-lo, conhecê-lo.

Ele é um zagueiro especial. Muitas vezes a volúpia em campo lhe faz esquecer do básico da função. É um jogador que foi sendo lapidado durante o voo, não na base. Os técnicos que sabem trabalhar bem isso ganham uma ótima peça para seus times.

Diego Alves, goleiro do Valencia, deveria ser titular da seleção há muito tempo. Creio que seria o goleiro da Copa passada, não tivesse Marin demitindo Mano Menezes para se escorar na dupla Felipão/Parreira. O Brasil tem muitos bons goleiros, mas o nível apresentado por Diego Alves na Espanha, há muito tempo, é bastante alto.

Alex Sandro é titular da Juventus finalista da Champions. Outro que faz ótima temporada e é uma opção que precisa ser vista para a lateral esquerda. Assim como Jemerson, que foi muito bem no Monaco (campeão francês e semifinalista da Champions) e ganha uma chance.

Por fim, chegamos a Rodriguinho. Não acho que Rodriguinho vá chegar até a Copa do Mundo, o próprio Tite deu a entender que, se estivesse bem fisicamente, Diego é que seria convocado.

Mas é muito justo que seja chamado o melhor meia do futebol brasileiro em 2017. Repito. Em 2017.

Na atual temporada do futebol brasileiro, que ainda está muito no comecinho, nenhum outro jogador da posição foi mais determinante que Rodriguinho.

Não acho que seleção brasileira seja “momento”, como muitos dizem. Acho que seleção brasileira precisa ser uma base de atletas, muitos deles “à prova de momento”. Não dá para o cara jogar no fio da navalha o tempo todo, ele precisa ter confiança e saber que faz parte dos planos independente de viver uma fase ruim.

E uma ou duas vagas ficam reservadas para quem estiver bem, aí sim, naquele momento da competição. É importante testar Rodriguinho, observá-lo. Vai que o cara carrega o ótimo momento para o ano todo no Corinthians.

Claro que vamos lembrar de um nome aqui, outro ali. Faltou esse, faltou aquele. Não gosto muito de Fágner e Taison na lista, por exemplo. Mas essa é a graça de se falar de seleção.

Por enquanto, Tite segue só dando bolas dentro. Seu único erro é não querer ser presidente da combalida República!


Paulinho, as apostas e o recorde histórico de Tite
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juliogomes

Ser técnico da seleção brasileira é ser um pouco apostador. Fazer escolhas, acreditar que este ou aquele jogador vai dar a resposta necessária. Paulinho é uma aposta de Tite que vem rendendo altos dividendos. Neymar deixando de ser faz-tudo é outra. Alisson, uma aposta ainda a ser comprovada.

De aposta em aposta, acerto em acerto, Tite vai estabelecendo recordes e colocando o Brasil como maior favorito para a Copa do Mundo do ano que vem – lembrando que a Argentina está em viés de baixa, Alemanha e Espanha chegarão em transição à Rússia. No principais sites de apostas do mundo, só um título da Alemanha paga menos do que o título do Brasil. Pouco menos, já está quase a mesma coisa. Você nem imagina a capacidade que as casas de apostas têm de prever o futuro.

Cinco vitórias consecutivas era o máximo que havia sido conseguido por uma seleção nas eliminatórias sul-americanas de pontos corridos – uma competição de altíssimo equilíbrio e estádio complicados. A Argentina conseguiu duas vezes, o Equador, uma. Tite já conseguiu sete vitórias seguidas. Superou as seis seguidas de João Saldanha na campanha anterior à Copa de 70.

A goleada por 4 a 1 sobre o Uruguai, em Montevidéu, de virada, teve pouco de acaso. O Brasil dominou o primeiro tempo, não sentiu o gol sofrido logo no início, chegou naturalmente ao gol de empate e à virada. Suportou bem a pressão no segundo tempo, com compostura defensiva e sem abdicar da transição rápida para contra atacar.

A rotatividade alta da seleção não deveria ser regra, claro. A escolha de jogadores deveria ser mais constante e seguir certa coerência desde a base. Em tempos em que seleções se reúnem tão raramente e por tão pouco tempo, em tempos de futebol coletivo, em que individualidades contam menos, quanto mais os jogadores se conhecerem e o estilo for mantido, melhor.

Vivemos ao longo das décadas altíssima rotatitivade de treinadores. Cada um resolve jogar de um jeito, cada um tem seus jogadores prediletos ou de confiança, a imprensa pressiona por seus prediletos, e a cada mudança de comando o Brasil foi sofrendo revoluções. Nada a ver com a Alemanha, por exemplo, que mantém bases sólidas por anos e vai pontualmente acrescentando um jogador aqui, outro ali.

Tite foi o enésimo treinador a fazer a própria revolução. Algumas apostas eram óbvias, como trazer Marcelo de volta ao time ou dar espaço a Casemiro, voando no Real Madrid.

Outras, nem tão óbvias. Como dar a titularidade a um jovem Gabriel Jesus. Como bancar Alisson no gol. Ou resgatar Paulinho.

Nunca fui apaixonado pelo futebol de Paulinho. Ele teve um período fantástico no Corinthians com Tite. Mas sempre desconfiei de jogadores que aparecem tarde, não triunfam no futebol de altíssimo nível e vão parar em mercados como a China.

Talvez ele simplesmente não tenha a capacidade de se adaptar a um país como a Inglaterra, aprender idioma, superar competição. Mas, com confiança e espaço garantido, o cara seja um monstro.

Tite bancou um cara que ele conhecia e que se adaptava ao futebol de área a área que é jogado hoje em dia por meio-campistas. E Paulinho não só fez boas partidas até agora como foi o grande nome da virada no Centenário. Um golaço do meio da rua empatou o jogo, e um rebote típico de quem está bem colocado decretou a virada. Depois, veio a pintura de Neymar. E a cereja do bolo foi o quarto gol no finalzinho.

Hat trick de Paulinho. Um truque de tirar o chapéu, o de Tite.

Neymar funciona na seleção de forma parecida com a de Cristiano Ronaldo no Real Madrid e, claro, dele mesmo no Barcelona. Associa-se pela esquerda com Marcelo, tem liberdade para afunilar e tirar da cartola bons passes para os meias que infiltram. Quando consegue o um contra um ou a chance de finalizar – sua maior qualidade -, triunfa. É craque.

Não ter Neymar com a responsabilidade de resolver tudo o tempo todo é uma das grandes virtudes de Tite.

Ainda resta ver se a aposta em Alisson dará certo. Acho uma injustiça Diego Alves, do Valencia, não ser o titular da seleção há muitos anos. Mas quem sou eu para desconfiar das apostas de Tite!

Assim como não desconfio de apostadores. O título do Brasil no ano que vem está pagando entre 7 e 8 para 1. Está aí um bom investimento. Tão bom quanto os de Tite.


Gabriel Jesus na Europa estará mais para Neymar ou Gabigol?
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Em uma análise do respeitado jornal inglês “The Guardian”, ainda em agosto, a contratação de Gabriel Jesus pelo Manchester City foi comparada à chegada de Mirandinha ao Newcastle, em 1987. Lembram dele?

Dez anos antes de Gabriel Jesus NASCER, chegava o primeiro jogador brasileiro ao futebol inglês. A comparação, claro, só se deu porque Mirandinha vinha do Palmeiras, assim como Gabriel.

Mais vale especular se o novo garoto prodígio do futebol brasileiro terá um impacto parecido com o de Neymar ou com o de Gabigol na Europa. Ambos talentosos, jovens, que despertaram muito interesse e verdadeiras batalhas extra-campo de grandes clubes europeus por eles.

Neymar não chegou para ser o salvador da pátria. Chegou ao Barcelona de Messi. Um clube que tentava se acertar após a era Guardiola e a infelicidade de Tito Vilanova, que vivia a transição para um futebol mais “comum”, como o que joga hoje. Ainda assim, um clube campioníssimo, forte.

Quando Messi faltou, Neymar não deixou a peteca cair – é verdade que ter Suárez ao lado ajuda um tanto. Se nunca ameaçou o reinado do argentino, Neymar ganhou protagonismo, foi importante em temporadas vitoriosas e é claramente o futuro do clube. Ninguém duvida de Neymar em Barcelona.

Gabigol, por outro lado, vive situação inversa. Foi para a Inter de Milão (péssima escolha), ganhou poucos minutos até agora e vai ter de ganhar a vida em uma liga, a italiana, difícil demais para atacantes. Ainda mais para jogadores com as características que ele tem.

Talvez alguém tenha comprado o discurso de “novo Neymar”, discurso que eu nunca engoli. Dá para perdoar. As fornadas costumam ser boas na Baixada Santista.

Os “Gabrieis” acabaram tendo a chance de, ao lado de Neymar, conquistar a sonhada medalha de ouro olímpica. Mas aí chegou Tite na seleção principal e os destinos foram traçados de forma distinta: enquanto um virou titular, o outro perdeu espaço.

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Gabigol tem uma carreira de respeito na base, tem dois títulos paulistas no curriculum, chegou ao time principal do Santos aos 16 anos. Mas parece, à distância, ter aquela mentalidade comum entre os jovens jogadores brasileiros com mídia em excesso. Achar que tem um futebol muito maior do que verdadeiramente tem. Há campo para evolução, sem dúvida. Batalhar para triunfar em um clube difícil, em território hostil, como a Itália, talvez fosse mais louvável do que voltar logo para o Brasil (infelizmente, já começam a surgir especulações plantadas por empresários).

Gabriel Jesus, por outro lado, mostra muita maturidade. Chega à Europa com um título brasileiro no bolso, destaque em um clube que não ganhava o campeonato havia 22 anos. Não teve uma trajetória tão longa aqui como a de Neymar, poderia ter passado mais alguns anos em um clube grande como o Palmeiras, sendo elogiado e criticado, louvado e xingado. Poderia ter criado mais casca. Perdido e ganhado. Ainda assim, não saiu “sem jogar”, como aconteceu com muitos jovens que fizeram a transição sem escalas por nossa combalida elite.

Chega a um Manchester City com muitas interrogações no ar. Guardiola reclama das arbitragens, é criticado nas mesas redondas, começa a ser tratado na Inglaterra com um “bebê chorão”. Seu time perdeu tanto terreno para o Chelsea que o título inglês parece missão impossível.

Como Conte também chegou ao Chelsea no meio do ano, fica meio difícil justificar pela “falta de tempo de trabalho” o início claudicante do técnico mais badalado do mundo.

O que fará Guardiola com Gabriel Jesus? Vai jogar logo o menino na fogueira da Premier League ou vai dar tempo ao tempo? Como justificar um hipotético “pouco uso” do atacante diante da crise de resultados? Como ele será usado? Competindo com Aguero para jogar no comando do ataque ou com os “pontas”, transformando-se em Douglas Costa-2, “A Missão”?

O grande problema do City de Guardiola não tem sido a falta de gols – nos últimos 14 jogos oficiais, só não marcou em um. Mas, sim, o excesso de cartões vermelhos, erros de saída de bola e gols sofridos – nos últimos 22 jogos, só passou três sem levar pelo menos um gol. O jovem atacante brasileiro não é a solução para o principal buraco de Guardiola no momento.

Gabriel desembarcou nesta terça em Manchester e já se especula que ele possa jogar sexta-feira, pela Copa da Inglaterra. É um jogo secundário para o City. Se ele jogar, já teremos uma ideia do que pretende Guardiola.

Nunca é fácil chegar no meio da temporada, sem dominar o idioma, na liga doméstica mais competitiva do mundo, onde árbitros não protegem talentos e jornalistas preferem gastar tinta criticando atacantes que se jogam do que elogiando os que driblam.

Talvez, para este restante de temporada, a resposta à pergunta proposta por este post seja “nem Neymar, nem Gabigol”. Possivelmente Gabriel Jesus tenha muitos minutos, mas sem um impacto imediato. Nem vai ficar encostado, como Gabigol, nem “chegar chegando”, como Neymar.

Para os próximos anos, eu apostaria algumas fichas em Jesus como o Gabriel mais importante pelas bandas de lá.

Após uma curta pausa de fim de ano, aqui estamos de volta para debater futebol e esporte em alto nível. Sem histeria, sem interesses escusos ocultos, sem bordões, sem preconceitos. Queremos cada vez mais tratar o futebol como ele merece. E queremos uma sociedade menos agressiva e violenta, física ou verbalmente.

Agradeço muito aos que deixaram comentários construtivos (a maioria!) ao longo do ano passado e sejam todos e todas bem vindos para participar também em 2017. Sempre com educação e respeito à opinião do próximo. Não deixem de opinar, concordar, discordar, compartilhar o que vocês leem por aqui. Não deixem de acompanhar o melhor noticiário aqui nas páginas do UOL Esporte.

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Brasil de Tite é, no momento, a melhor seleção do mundo
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juliogomes

Como o futebol é dinâmico, não? Quem imaginaria, seis meses atrás, que eu estaria falando que a seleção brasileira é a melhor do mundo? Ou pelo menos que “está” a melhor do mundo.

Depois dos 7 a 1, de Dunga, dos jogos com o Haiti, Peru, as Copas Américas… A seleção brasileira vivia a maior depressão de sua história. E, de repente, tudo mudou com a chegada de Tite. Que deveria estar lá, no mínimo, no mínimo, desde 2014.

O melhor técnico do Brasil, atualizado, moderno, que domina todas as facetas da profissão. Tática, física, análise dos adversários, comportamento, alterações ao longo do jogo. Tite é bom em tudo. E faz um trabalho incrível em tão pouco tempo – ele não quer os louros e destaque o trabalho coletivo. Sem dúvida, é um trabalho coletivo. Mas liderado por você mesmo, Tite.

A seleção brasileira é recheada de grandes jogadores em todos os setores, ainda que tenha rolado o papinho de “geração ruim”. Não necessariamente melhores do mundo em suas posições, mas suficientemente bons. Bastou que se parasse de olhar para o indivíduo e que começasse a ser priorizado o coletivo, que é o que o esporte é. E tudo mudou.

A seleção do Brasil não É a melhor do mundo, mas ESTÁ.

Nenhuma seleção europeia mostra, hoje, o futebol que o Brasil mostrou nos últimos meses com Tite (e não mostrou tal futebol em amistosos patéticos mas, sim, em jogos de alta competitividade. Contra Argentina, Colômbia, na altitude do Equador, enfim).

Alemanha e Espanha, as mais fortes das últimas competições, vivem transição. Testam novos jogadores, buscam opções. Serão fortes na Copa-2018, sem dúvida. Mas, hoje, não mostram a bola que o Brasil mostra. E vimos isso na Eurocopa. A França, que parecia a melhor da Europa no meio do ano, tampouco empolga nas eliminatórias. Sofre. Assim como Itália e Inglaterra. A Bélgica sofre por falta de competitividade nos jogos grandes.

Chile e Portugal, os campeões de meio de ano, não têm essa bola toda. A Argentina, melhor seleção sul-americana dos últimos anos, caiu. Por Bauza, pela defesa ruim, por problemas extra-campo, pela solidão de Messi, crise jogadores-imprensa, enfim.

Com 27 pontos, o Brasil está a um ponto (em seis jogos) da Copa da Rússia. E pensar que correria sério risco se Dunga continuasse. É incrível como, com trabalho bem feito e resultados aparecendo, a tranquilidade transforma a seleção brasileira em um timaço. Basta ver a finalização de Gabriel Jesus no primeiro gol contra o Peru. Sem medo de errar, basta aos jogadores fazer o que sabem muito bem fazer desde crianças.

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Se a Copa começasse amanhã, o Brasil seria o favorito, sim senhor. Hoje, nenhum time joga mais bola ou está mais azeitado.

Outra coisa é o que acontecerá daqui a um ano e meio. Assim como em seis meses tudo mudou para o Brasil, em pouco tempo tudo pode mudar para todo mundo. Faltam muitos testes ainda, muitas situações. Mas o caminho está claramente certo.

Não é euforia gratuita. É apenas constatação de momento. MO-MEN-TO.


Brasil voa e expõe uma Argentina deprimida
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juliogomes

A Argentina só ficou fora de quatro Copas do Mundo até hoje. Não jogou os Mundiais de 38, 50 e 54 por motivos extra-campo. Ficar sem jogar por não conseguir vaga mesmo só aconteceu em 1970, eliminada pelo Peru.

Depois disso, a Argentina deu dois papelões e ficou contra a parede para se classificar para os Mundiais de 94 e 2010. Nas eliminatórias de 94, levou aqueles 5 a 0 para a Colômbia em casa, o que a obrigou a jogar a repescagem contra a Austrália, ganhando com um magro 1 a 0 em Buenos Aires.

A partir de 98, as eliminatórias sul-americanas passaram a ser disputadas em pontos corridos, todo mundo contra todo mundo, e a Argentina se classificou sem problemas em quase todas as vezes. Menos para a Copa de 2010. Naquela campanha, ficou cinco jogos sem ganhar, trocou de técnico, assumiu Maradona (medida desesperada), levou 6 da Bolívia (lembram?), levou sacolada do Brasil de Dunga em casa em uma série de três derrotas seguidas e acabou chegando à última rodada contra as cordas.

Em outubro de 2009, quando a Argentina chegou para jogar contra o Uruguai, em Montevidéu, uma derrota poderia deixá-la fora até da repescagem. Acabou ganhando por 1 a 0, com um gol no fim de um herói improvável, Bolatti. Foi a senha para Maradona mandar todos os jornalistas para a p* que pariu.

O tempo passou, Messi se consolidou como um dos maiores jogadores da história e a Argentina chegou a três finais consecutivas. Copa do Mundo-2014 e Copas Américas de 2015 e 2016. Perdeu uma na prorrogação, duas nos pênaltis. Bateu na trave para quebrar o jejum de títulos da absoluta, que vem desde 93.

E agora a coisa desandou. A seleção argentina parece uma seleção deprimida e cabisbaixa em campo.

Messi ameaçou se aposentar da seleção após a nova final contra o Chile, mas se arrependeu. Tata Martino saiu em circunstâncias estranhas. Tentaram Simeone, não deu certo. Sampaoli já havia ido para o Sevilla. Com tanto treinador argentino bom por aí, o cargo caiu no colo de Patón Bauza, que está muito longe de ser gênio. Seus times historicamente caminharam aos trancos e barrancos, com números pífios atuando fora de casa. Será que chega ao ano que vem?

Bauza ganhou do Uruguai na estreia. Depois disso, empates com Venezuela e Peru, derrota em casa para o Paraguai e os 3 a 0 desta quinta, que poderiam ter sido mais, para o Brasil no Mineirão.

Antes da Copa América, era o Brasil quem estava contra a parede. A decisão (atrasada, mas correta) de trazer Tite para o comando colocou as coisas nos eixos. Jogando bem, um futebol moderno e que ressalta as (muitas) qualidades de seus melhores jogadores, a seleção ganhou cinco seguidas. É lider das eliminatórias com 24 pontos e já está virtualmente classificada para a Copa-2018.

O jogo do Mineirão foi um passeio. Por mais que a Argentina tivesse mais posse no primeiro tempo, estava claro que o Brasil chegaria ao gol pela movimentação do time inteiro e pela leveza de espírito em campo. O golaço de Coutinho faz o rival desabar. A defesa é segura, o meio de campo é dinâmico (Paulinho fez mais um bom jogo) e o atacante é rápido, insinuante, com três velocistas e grandes finalizadores. Podia ter sido uma goleada histórica se a seleção apertasse mais no segundo tempo.

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Enquanto o Brasil se encontrou, a Argentina tomou as decisões erradas. Pela segunda vez na história, fica quatro jogos seguidos sem ganhar nas eliminatórias. Está fora da zona de classificação até para a repescagem e só não vive situação francamente dramática porque a rodada foi perfeita (evidentemente, exceto a derrota acachapante da própria Argentina). O Equador perdeu, o Paraguai perdeu em casa do Peru e Colômbia e Chile só empataram.

Brasil, com 24, e Uruguai, com 23, já estão garantidos. Aí são seis seleções separados por apenas quatro pontos. Duas vão para a Copa, uma para a repescagem e três vão sobrar. A Colômbia tem 18, Equador e Chile com 17, Argentina com 16, Paraguai com 15 e Peru com 14. No papel, Argentina, Chile e Colômbia são os favoritos para as três vagas. Mas como ignorar a altitude do Equador? A tradição do Paraguai? E até o Peru, de Cueva e Guerrero?

A última rodada das eliminatórias neste ano, terça-feira, tem Argentina x Colômbia, Chile x Uruguai, Equador x Venezuela, Bolívia x Paraguai, Peru x Brasil. O jogo contra os colombianos (treinados por Pekerman, um argentino) é decisivo para a vida de Bauza e da albiceleste nas eliminatórias.

No ano que vem, a Argentina pega Chile (casa, fantasmas), Bolívia (fora, fantasmas) e Uruguai (fora, casca de banana) antes de, finalmente, ter dois jogos supostamente fáceis: Venezuela e Peru em casa. Encerra na altitude equatoriana. Não é uma tabela tranquila, não.

Com uma defesa ridícula e um sistema ofensivo que parece cansado de bater na trave, desmotivado, abalado, a Argentina corre risco real de ficar fora da Copa.

E o Brasil está voando.

Como o futebol é dinâmico…