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São Paulo é o ‘azarado’ do sorteio da Libertadores
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Julio Gomes

No mesmo dia do sorteio das oitavas de final da Champions League, a Conmebol realizou o sorteio das fases preliminares e da fase de grupos da Libertadores da América 2019.

São muitos times brasileiros, e quem mais pode reclamar da sorte é o São Paulo. Quem não pode reclamar de jeito nenhum são Cruzeiro, Atlético Mineiro e Flamengo.

O São Paulo enfrentará o argentino Talleres, de Córdoba, na pré-Libertadores. Se passar, provavelmente terá como rival o Independiente de Medellín, que ficou com o vice-campeonato colombiano no último domingo. Dois mata-matas difíceis logo no começo do ano.

Na América do Sul, é sempre difícil saber quem vem pela frente. O time de Medellín sofrerá algum desmanche ou se manterá forte? De qualquer maneira, é uma camisa tradicional e uma viagem longa para a Colômbia.

O Talleres ocupa uma posição intermediária na Argentina, mas não é um rival muito diferente do Defensa y Justicia e do Colón, argentinos medianos que recentemente eliminaram o São Paulo da Sul-Americana.

Se passar dessas duas eliminatórias, o São Paulo cairá no grupo 1, com “só” o River Plate e o Internacional, além do Alianza Lima, do Peru. Pode ser o grupo da morte.

Neste ano, o Vasco passou pela pré para cair em um grupo com Cruzeiro e Racing (e ser eliminado). No ano passado, o Botafogo também caiu em um grupo da morte após passar pela pré-Libertadores, mas conseguiu carregar o momento e chegar ao mata-mata. Ou seja, já teve time se aproveitando do momento trazido pela eliminatória preliminar, já teve time que não conseguiu usar o embalo a seu favor. Vamos ver o que será do São Paulo.

Outro que tem um grupo complicadinho pela frente (no papel) é o Palmeiras, que tem pela frente o San Lorenzo, da Argentina, o Junior de Barranquilla, campeão colombiano e vice da Sul-Americana, e um time que vem da pré-Libertadores, possivelmente a Universidad de Chile.

Assim como o Inter, o Grêmio é outro em grupo que pode se mostrar difícil, com a Católica, do Chile, o Rosario Central, da Argentina, e um time que virá da fase preliminar e será, provavelmente, ou o Libertad, do Paraguai, ou o Atlético Nacional, da Colômbia.

O Atlético Paranaense está no grupo do Boca Juniors, mas os outros rivais são o Jorge Wilstermann, da Bolívia, e o Tolima, da Colômbia.

Os brasileiros que não podem reclamar da sorte, por outro lado, são o Flamengo e os dois grandes mineiros.

O Flamengo enfrentará o Peñarol, a LDU de Quito e um time da Bolívia. Nenhum bicho papão.

O Cruzeiro está no grupo com o Emelec, do Equador, o Huracán, da Argentina, e o Deportivo Lara, da Venezuela. O Cruzeiro é, desde já, o favorito a passar da fase de grupos com a melhor campanha da Libertadores.

O Atlético Mineiro está na pré-Libertadores. Primeiro, enfrenta o Danubio, do Uruguai, e depois, provavelmente, o Barcelona de Guayaquil, do Equador. Se passar, cai em um grupo acessível, com Nacional uruguaio, Cerro Porteño, do Paraguai, e Zamora, da Venezuela.

A vida do sexto colocado do último Brasileiro é, em teoria, mais fácil que a do quinto, o São Paulo.

A Libertadores não é a Champions. A América do Sul não é a Europa. Os times mudam demais, às vezes radicalmente, de um ano para o outro. No ano que vem, talvez os grupos que hoje parecem fortes sejam, na real, fracos. E vice-versa. Mas quem passará a virada de ano com mais dores de cabeça, sem dúvida, é o torcedor são-paulino.


Se São Paulo aposta mesmo em Jardine, não deveria rifá-lo
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Julio Gomes

Imaginem que uma equipe de Fórmula 1 tenha encontrado um talento a ser lapidado no kart, em uma corrida aleatória disputada em Interlagos. Ela contrata o garoto, dá apoio à família, preserva sua joia e faz de tudo para que o aprendizado ocorra da maneira mais suave possível.

O rapaz vai se desenvolvendo pouco a pouco. Ganha muitas corridas no kart e nas F-qualquer-coisa, ganha títulos, acompanha de perto o trabalho dos pilotos principais na Fórmula 1. Aprende, erra, aprende, ganha, aprende, chora, aprende, comemora. E vai chegando a hora dele, o momento de assumir o volante na categoria máxima.

A equipe já tem tudo planejado para que ele seja o piloto em 2019. Mas aí, para garantir um orçamento maior, a equipe precisa conquistar um pódio na última corrida do ano, no dificílimo circuito de rua de Mônaco, um circuito tão diferente do resto que nem é possível treinar nele, as simulações não são fieis.

O dono da equipe vai lá até o piloto e diz. “Fulano, você vai estrear ainda em 2018. Chegue ao pódio em Mônaco que a vaga no ano que vem será tua. Não chegue e… já veremos”.

Ou seja, tudo o que o rapaz fez e aprendeu ao longo dos anos precisa ser referendado por um resultado improvável. Senão, se concluirá que ele não presta.

E aí, você acha essa situação hipotética inteligente? Justa? Você acha que a equipe acerta ao arriscar seu talento, que levou tantos anos a ser preparado?

Agora troque “a equipe” por São Paulo. E o hipotético piloto por André Jardine. A tal corrida de Mônaco são as cinco rodadas finais do Campeonato Brasileiro.

Não vou discutir a demissão de Aguirre. O São Paulo é um clube que nitidamente não sabe o que quer em termos de futebol. Ir de Osorio a Bauza a Ceni a Dorival a Aguirre a Jardine… não há um fio condutor.

Há trocas de técnico que dão certo, há outras que dão errado. Mas o que não pode dar certo nunca é trocar por trocar, sem um norte, sem saber exatamente o que se quer ser. Pode até ser conquistado um objetivo imediato, mas nunca funcionará no longo prazo.

Se o São Paulo não confiava em Aguirre para o ano que vem e o futuro, que troque. Não é um absurdo. Realmente, um fato novo pode resultar no time dentro do G4, em vez de fora.

Agora, colocar Jardine nessa situação é inteligente?

E se as coisas derem errado e o São Paulo acabar em quinto lugar? Aí você fica sem a vaga direta na Libertadores e sem técnico para o ano que vem. Porque, como todos sabemos, é assim que a banda toca.

Se Leco e o São Paulo confiam tanto em Jardine para colocar o projeto nas mãos dele, deveriam esperar mais um pouquinho e não expor o profissional neste momento, de time desencontrado e vestiário fragmentado. Tudo o que ele fez fora e dentro do clube ao longo da carreira se resumirá a cinco jogos. O julgamento será todo feito em cima de cinco jogos.

É justo? É inteligente?

 


Qual será o futuro de Rogério Ceni?
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Julio Gomes

O Fortaleza será campeão da Série B. Pode ser que seja amanhã, ainda que o jogo, na Ressacada, contra um Avaí buscando o acesso, não seja dos mais fáceis. Pode ser no feriado de 15 de novembro, com uma grande festa no Castelão, diante do Juventude. É apenas questão de tempo.

E o que será de Rogério Ceni?

Depois de anos estancado na Série C, onde definitivamente não era o lugar do Fortaleza, o Leão pula da B para a A logo na primeira tentativa. E de forma para lá de consistente. Liderou do início ao fim, na quinta rodada já sabíamos que subiria.

Ceni, que talvez tenha aceitado de forma prematura pegar o São Paulo ano passado, pôde, na Série B, em uma longa disputa de pontos corridos, acertar, errar, tentar, testar, superar os obstáculos, ver o que funciona e o que não funciona em seus métodos como treinador de futebol.

Já está pronto para a próxima? Só saberemos quando chegar a próxima. Será que a próxima já tem que ser logo agora?

O Brasil é um deserto de ideias. Alguns elementos do jogo, não tão visíveis para o público em geral, estão chegando só agora por aqui. Rogério Ceni parece ser do time de treinadores antenados, globalizados e que buscam colocar em prática o que está sendo feito no mundo hoje em dia – e não só replicar aquilo que ele vivenciou como atleta.

Gente assim costuma colher frutos rápido e já ser alçada a postos bem mais importantes, talvez prematuramente. No futebol brasileiro, etapas são queimadas o tempo todo.

Qual seria o destino ideal de Rogério Ceni? E o quanto sua ligação histórica com o São Paulo altera os possíveis cenários?

Vejamos.

Palmeiras e Corinthians têm pinta de que manterão seus treinadores para 2019 e acho que existiria mesmo, um bloqueio à figura de Ceni.

E o Santos? Se Cuca sair, poderia ser uma possibilidade. O clube pode estar na Libertadores em 2019, mas vive problemas financeiros, turbilhão político e há também um passado de alguma rivalidade. Seria uma dilema, se existisse esse convite.

O Flamengo vai passar por eleições e 10 em cada 10 flamenguistas sonham com Renato Gaúcho. Seria a figura ideal para o clube, pois tem qualidade, liderança, pulso firme e histórico de ídolo. Mas Renato pode querer ficar no Grêmio.

O Flamengo seria grande demais para Rogério Ceni? Eu acho que seria uma boa aposta, dado o cenário de mercado atual.

E se algum outro clube do Rio viesse atrás dele? Fluminense, Vasco ou Botafogo. Neste momento, os três parecem firmes com seus técnicos, mas tudo pode mudar em um estalar de dedos. Nestes casos, sinceramente, acho que seria um erro de Ceni aceitar um eventual convite.

São clubes com história? Sem dúvida. Mas colocam 50 mil pessoas no estádio, como faz o Fortaleza? Não tem sido assim. São lugares com perrengues financeiros importantes e com exigência, por parte de torcida e imprensa, incompatível com a realidade. É melhor ficar no Fortaleza, disputando um Brasileirão de Série A, sempre com estádio lotado, em que o objetivo da permanência seria muito mais valorizado do que nos citados clubes cariocas.

Inter, Cruzeiro e Atlético Mineiro devem manter seus treinadores. O Grêmio vai depender de Renato. Se perder seu técnico para o Flamengo, creio que seria também um bom lugar para Ceni.

E há, claro, o São Paulo. Que deveria manter Aguirre para a Libertadores do ano que vem, mas que pode sucumbir à pressa.

Rogério Ceni voltará ao São Paulo fatalmente um dia. Será que precisa ser agora? A exigência em relação a ele, especificamente, no São Paulo, especificamente, será diferente do normal. E o clube ainda não está pronto para títulos e grandes coisas. O São Paulo precisa melhorar bastante para voltar a ser protagonista.

Resumindo. Se aparecer uma oportunidade no Flamengo ou no Grêmio, creio que seria um salto interessante e com boa chance de sucesso para Rogério Ceni – que disputaria a Libertadores pela primeira vez como técnico (o que nem sei se é vantagem, dada a loucura que é esse calendário, não dando tempo a técnicos para trabalharem).

O São Paulo seria um erro. E, para ir para qualquer outro clube não-protagonista da Série A, melhor seria ficar no Fortaleza, mantê-lo na primeira divisão e, depois, pensar em um salto.

E se ele resolvesse abrir mão do alto salário que talvez seja oferecido aqui no Brasil para galgar uma bela carreira na Europa? Da minha parte, terá todo o apoio. Alguém, uma hora, precisa sair da dinâmica “altos salários-alta rotatividade-nenhum tempo de trabalho” do Brasil para se aventurar no primeiro mundo da bola.

 


Chance de título do São Paulo era tão fantasiosa quanto a de rebaixamento
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Julio Gomes

O São Paulo flertou tanto com um inédito rebaixamento ao longo do ano passado que parecia até que ia cair. O São Paulo flertou tanto com o título neste ano que parecia até que ia ganhar. No fim, eram apenas fantasias.

O São Paulo não tinha como cair ano passado, como não tinha como ser campeão esse ano. Era, o do ano passado e é, o atual, um time “medião”.

Como o Brasileiro é muito equilibrado, nivelado por baixo, muitos times são mediões. Quase todos. O que faz um cair, outro ficar lá em cima? A resposta número um é elenco. O campeonato é uma grande maratona, inserido em um calendário desumano e estúpido. Quem tiver mais dinheiro (e souber aproveitá-lo) vai sempre ter elencos melhores. Quem tiver menos, vai sofrer.

E aí entram outros fatores, claro. Ter bom técnico, elenco com encaixe, torcida apoiando, sorte, etc.

No ano passado, o São Paulo montou mal o elenco. Sofreu, mas não só não caiu como ainda quase beliscou uma pré-Libertadores. Neste ano, com um corpo diretivo mais competente, montou um time melhor. Mas para ser campeão? Fantasia.

O São Paulo tem um time bom, com técnico bom, torcida apoiou, mas o elenco não é tão recheado como o de outros concorrentes. Quando um jogador fundamental, como Éverton, se machuca, a coisa desanda facilmente. Aí Anderson Martins comete seguidos erros em seguidos jogos. Deu certo azar aqui e ali. É a história de sempre, acontece com quase todo mundo (exceto, claro, o time que acaba sendo campeão).

Tem potencial e dinheiro para, no futuro próximo, voltar a brigar forte. Possivelmente voltará à Libertadores. É o caminho a ser seguido.

Depois da derrota para o Internacional, o São Paulo fica fora da briga pelo título. São sete pontos para um Palmeiras que ninguém para, quatro para o próprio Inter, que renasce forte na luta, três para o Flamengo. Todos apontando para cima, enquanto o Tricolor ganhou uma das últimas oito – e com semanas inteiras para treinar. Aponta para baixo.

O Flamengo, que havia feito três gols só duas vezes em 41 partidas competitivas na temporada, fez dois 3 a 0 seguidos contra Corinthians e Fluminense. Cresceu com Dorival. E o Inter fez uma grande partida de futebol contra o São Paulo, no Beira-Rio. Levou um gol no início, mas partiu para a virada e com direito a gol mal anulado. Jogou bem e ainda sonha.

O Grêmio, que na visão deste blog já estava fora da luta de fato (dentro só na matemática) desde o Gre-Nal e por avançar na Libertadores (lembram do elenco curto?), ainda poderia dar uma respirada se tivesse vencido o Palmeiras no Pacaembu. Com tantos desfalques, virou presa fácil para o líder. Deyverson, estrela do time de “domingueiros” de Felipão, resolveu.

O Brasileiro parece ser, agora, coisa de três. São Paulo e Grêmio vão jogar pelo G4.


Onde está o espírito guerreiro do São Paulo?
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Julio Gomes

Mesmo que tivesse vencido por 1 a 0, seria difícil elogiar o São Paulo neste sábado. Contra o América, o time não mostrou o sangue nos olhos que estava sendo a marca tricolor no campeonato. Teve certa arrogância, até, em alguns momentos. Achou que venceria quando quisesse.

Acabou levando o empate de um time que pouco se aventurou ao ataque, em uma falha tremenda de Rodrigo Caio no lance, habilitando o atacante do América – que deveria ter sido deixado em impedimento. Nos 10 minutos finais (mais acréscimos), os mineiros ficaram mais próximos da virada do que o São Paulo do 2 a 1.

O time de Aguirre vem sofrendo com seguidos desfalques, é verdade, sejam lesões, suspensões ou convocações. Está difícil repetir o time. A baixa de Éverton é especialmente sensível.

Mas o problema parece ir além disso.

O São Paulo forjou sua liderança com muita guerra, muita briga, muita humildade. Era um time que parecia se sentir inferior a todos, consequentemente precisava lutar por cada bola como se fosse um prato de comida.

Mesmo nos dois primeiros tropeços da série, empate com o Flu e derrota para o Galo, o time brigou e até jogou bem. Mas, contra Bahia, Santos e América, o espírito foi diferente. O time agora se sente líder.

Nos últimos cinco jogos, foi apenas uma vitória e três gols marcados. Não faz mais de um gol em um jogo desde 19 de agosto, contra a Chape, há mais de um mês – foram sete partidas desde então.

Faltam gols. E está faltando guerra. O São Paulo está líder. Para continuar, tem que fazer por merecer.


Queridinha do Brasil faz a alegria de três das maiores torcidas
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Julio Gomes

A vitória da Chapecoense sobre o Internacional, nesta segunda à noite, representou um suspiro de alívio para as torcidas de São Paulo, Palmeiras e Flamengo, três das maiores do Brasil.

Time que já tinha a simpatia geral por ser o patinho feio na elite, ganhou o coração de todos após a tragédia de Medellín e, agora, deixa tanta gente feliz. A Chape, de quebra, sai da zona do rebaixamento.

O Inter poderia assumir a liderança isolada e ganhar ainda mais moral para o resto do Brasileiro. Pelo contrário. Em uma rodada que parecia favorável ao Colorado, enfrentando um time da zona de rebaixamento, todos os seus adversários fizeram um ponto a mais e em jogos mais complicados (Flamengo e São Paulo, em clássicos locais, o Palmeiras jogando em Salvador contra o bom time do Bahia).

Ainda teve vitória do rival Grêmio, que, no entanto, eu descarto da briga pelo título por causa da Libertadores – não pela diferença de pontos.

O Inter ainda perdeu um pênalti aos 49min do segundo tempo, com Jandrei parando Damião – aliás, eu não teria marcado a penalidade. Jandrei, cria colorada, ainda fez um milagre aos 51min, em um lance de bola parada onde, aí sim, me pareceu haver pênalti não marcado para o Inter sobre Moledo.

O Colorado não pode falar de arbitragem. A real é que nunca foi superior à Chape e só jogou bem depois de sofrer a virada e ficar com um homem a menos. Não jogou como líder. Mais um típico jogo que mostra o equilíbrio absurdo do nosso campeonato. Ninguém é favorito contra ninguém.

O Brasileiro é cada vez mais um campeonato “caseiro”. Nas primeiras 20 rodadas, só uma (a sexta) acabou sem vitória alguma dos visitantes. Nas últimas cinco rodadas, isso aconteceu três vezes. O Inter perde o posto de melhor visitante e também a liderança para o São Paulo.

Os empates conseguidos pelo São Paulo, em Santos, e pelo Palmeiras, em Salvador, contra adversários superiores ao longo dos dois jogos, hoje parecem valer ouro.


Inter desafia tendência de Brasileiro ‘caseiro’ para ganhar rodada
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Julio Gomes

O Flamengo empatou. O São Paulo empatou. O Palmeiras empatou. Os três principais adversários do Internacional na luta pelo título brasileiro deixaram pontos pelo caminho neste fim de semana. Para saber se essa rodada será ótima, regular ou péssima para o Inter, teremos de esperar a resposta do próprio Inter.

Antes desta rodada começar, ela já pintava como uma rodada boa para o Colorado. Afinal, o jogo de hoje à noite contra a Chapecoense fora de casa, apesar de não poder ser chamado de fácil, é, em teoria, menos complicado do que os jogos que tinham os outros concorrentes. Flamengo e São Paulo fizeram clássicos, o Palmeiras foi com o time reserva à Fonte Nova.

Se o Inter vencer, terá sido uma rodada maravilhosa, com liderança isolada e tropeços alheios. Se o Inter perder, terá sido uma rodada horrorosa. Se empatar, terá sido uma rodada apenas regular – afinal, tudo seguirá igual e ficará o gostinho de chance perdida.

Para vencer em Chapecó, o Inter terá de derrubar o que parece ser uma tendência no Brasileirão.

No primeiro turno, os visitantes ganharam 36 jogos em 19 rodadas – 19% dos confrontos, o que fica bem perto da média de qualquer campeonato do mundo, em que os times que jogam fora costumam vencer entre 20 e 25% das partidas. Somente uma rodada, a sexta, foi encerrada sem vitória alguma dos visitantes.

No segundo turno, apenas 10% dos jogos acabaram com derrota do time da casa. Ou seja, isso acontecia em 1 a cada 5 jogos no turno. Está acontecendo em 1 a cada 10 jogos no returno. O campeonato, nesta fase de mais equilíbrio e de elencos consolidados, virou uma competição “caseira”.

Nas 20 primeiras rodadas do campeonato, só uma delas ficou sem visitante ganhar jogo. Se o Inter não vencer em Chapecó, isso acontecerá pela terceira vez nas últimas cinco rodadas. É contra essa tendência que o Colorado joga hoje à noite.

A boa notícia? O Inter é o time de melhor aproveitamento fora de casa (boa notícia para a metade vermelha do Sul, logicamente).

O time de Odair Hellmann ganhou 52,78% dos pontos disputados fora, com cinco vitórias, quatro empates e três derrotas. Além de ter, também, um aproveitamento fantástico contra os times da parte baixa da tabela.

O único outro que ganhou mais da metade dos pontos que jogou fora de casa foi o São Paulo, com 20 pontos em 13 partidas. Caiu para 51,3% de aproveitamento após o bom empate na Vila Belmiro.

 


Derrota do São Paulo é dura, mas deixa fio de esperança
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Julio Gomes

A rodada é duríssima para o São Paulo. Além de ter perdido seu jogo para o Atlético Mineiro, sai da liderança pela vitória do Inter sobre o Flamengo e vê o Palmeiras a apenas três pontos.

Sem dúvida, vai ficar a pulga atrás da orelha. Virão momentos de tensão. Mas o São Paulo pode se agarrar a um fio de esperança: o time foi duro, bravo, guerreiro e não merecia ter perdido em Belo Horizonte.

O segundo tempo foi jogado praticamente inteiro dentro da área do Atlético Mineiro e é quase um milagre que nenhuma bola tenha entrado. Everton faz muita falta ao time, por ser um jogador de ótimas decisões em campo. Reinaldo não está jogando mal jogando à frente, pelo contrário, mas Everton tem muita importância para o ataque.

Em um jogo, não tinha Nenê. No outro, Diego Souza. O São Paulo se mostra um time menos vencedor sem seu 11 titular. Mas, ainda assim, forte e com espírito de luta em dia.

Assim como no empate contra o Fluminense, o torcedor são-paulino não pode ficar bravo com o time. Só com a sorte. E, talvez, preocupado com seu goleiro.


Rodada de jogos gigantes será divisora de águas no Brasileiro
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Julio Gomes

Podem anotar. A rodada deste meio de semana do Campeonato Brasileiro será uma divisora de águas na competição.

Três jogos desta quarta e um de quinta, todos eles com alto nível de dificuldade para os clubes que ocupam as cinco primeiras posições, indicarão quem quer o quê, a ponto de entrarmos no terço final do campeonato.

O São Paulo seguirá somando? Haverá um vencedor no duelo direto dos que vêm atrás, Inter e Flamengo? E Grêmio e Palmeiras, que jogam contra os dois times mais indigestos do momento para se enfrentar, irão entrar de vez na briga?

Uma pena que a rodada tão transcendental ocorra no meio de uma data Fifa, com diversas seleções, inclusive a brasileira, desfalcando os principais clubes.

O São Paulo fica sem Arboleda (além de outros seis desfalques por razões diferentes), o Flamengo perde Paquetá, Cuellar e Trauco, o Grêmio não terá Everton e Kannemann (só isso). Bom para Inter e Palmeiras, que passam incólumes das seleções e das lesões.

Uma pena, mas não uma surpresa. Já se sabe desde o ano passado o calendário do Brasileiro e quais são as datas reservadas para seleções. O calendário é o calcanhar de Aquiles do nosso futebol e é co-responsabilidade de CBF, federações estaduais e, claro, clubes.

Hoje, os clubes se fazem de vítimas por perderem seus jogadores em um momento tão importante. Mas eles estão no topo da pirâmide de culpados pela situação. O que não era possível prever era uma 23a rodada tão sensível.

O São Paulo, líder, vai ao Horto enfrentar o Atlético Mineiro (que perdeu Chará para a seleção colombiana). Apesar dos três jogos sem vitórias, o Atlético é forte demais em casa. O São Paulo será pressionado e pode se aproveitar disso, como fez contra o Flamengo. Jogar de forma reativa é uma marca no time. Para o Atlético, o jogo é quase uma final . A chance derradeira de voltar para a briga.

Inter e Flamengo, segundo e terceiro colocados, jogam no Beira-Rio. Além dos desfalques por conta da data Fifa, o Flamengo não poderá contar com Diego e Réver – ou seja, o ameaçado Barbieri terá meio time titular em Porto Alegre.

Desde a derrota para o Flamengo, no turno, o Inter engatou uma sequência com 11 vitórias, 6 empates e só 1 derrota (72% de aproveitamento). Com zero gols marcados nos cinco jogos contra seus concorrentes diretos, o Inter busca dar uma resposta.

O Palmeiras, quarto, recebe o Atlético-PR. Supostamente, seria, entre os líderes, o time com confronto mais “fácil” na rodada. Só que o Furacão é um dos times mais quentes do campeonato – são sete vitórias e dois empates nos últimos nove jogos, contando a Sul-Americana, e a quinta melhor campanha pós-Copa. E o Grêmio, quinto, vai à Vila Belmiro enfrentar um Santos que vive seu melhor momento no ano, embalando com Cuca e com Gabriel, o Gabigol, se reencontrando com o próprio apelido.

São Paulo, Inter e Flamengo, pela pontuação, o calendário e o fato de jogarem sempre com titulares, são os três candidatos maiores a título. Palmeiras e Grêmio correm por fora, pois atuarão muitas vezes no Brasileiro com seus times reservas – é a estratégia de ambos antes das partidas de mata-mata pela Libertadores e, no caso do Palmeiras, também a Copa do Brasil.

Mas esta é uma rodada que pode “obrigar” Palmeiras e/ou Grêmio a darem mais atenção ao campeonato. Imaginem um cenário de vitória deles, combinada com derrota do São Paulo e empate no Sul? A rodada pode acabar com o Flamengo sem técnico. Com o São Paulo disparando. Com o Inter liderando… são muitas as possibilidades!

Se olharmos a tabela com a lupa, veremos que, daqui até o final, a enorme maioria das rodadas sempre é, teoricamente, boa para alguém ou então ruim para alguém. Sempre um dos times tem um jogo mais complicado ou então, pelo contrário, mais fácil do que os outros. Sempre em tese, já que sabemos que no Brasil o nivelamento é grande mais.

Depois dessa rodada número 23, só mais uma tem características semelhantes. A 29a rodada, por enquanto toda marcada para o domingo, 14 de outubro, terá Inter x São Paulo, Palmeiras x Grêmio e o Fla-Flu. E adivinhem! Será em plena data Fifa. Aliás, será também ensanduichada entre as duas finais da Copa do Brasil, que podem ter a presença de Palmeiras e Flamengo.

É isso mesmo que você leu. Os dois jogos da final da Copa do Brasil e essa rodada gigante do Brasileiro vão coincidir com mais dois jogos da seleção brasileira – ainda não marcados, mas possivelmente contra Arábia Saudita e Argentina, lá no Oriente Médio. É provável que Tite não convoque jogadores dos clubes brasileiros para estes jogos, mas essa é uma decisão dele, não dos clubes.

Claro que outras rodadas podem se apresentar enormes mais para frente, de acordo com os momentos vividos pelos clubes que ponteiam a tabela e também seus adversários. Mas, a priori, as rodadas 23, essa que começa hoje, e a 29, ambas em datas Fifa, são as maiores até o fim o campeonato.


Fábio vira herói de todas as torcidas – menos a gremista
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Julio Gomes

O Grêmio é quem melhor joga futebol no Brasil. A frase, repetida à exaustão por Renato Gaúcho, possivelmente seja verdadeira. É assim que analisam a maioria dos especialistas, entre jornalistas e ex-jogadores. E o Grêmio é, afinal, o campeão da América.

Aí o time reserva, finalmente, ganha boas partidas no Brasileiro. O time titular é eliminado da Copa do Brasil, dando respiro no calendário. A pontuação é alta no primeiro turno. E a sombra gremista vai ganhando um tamanho que os rivais não queriam ver na competição nacional. Porque, se o time do Renato é eliminado da Libertadores semana que vem… quem vai pará-lo no Brasileiro?

O que não estava nos planos do Grêmio era o tropeço desta quarta à noite, contra um Cruzeiro sem vários titulares e sem intenção alguma no Brasileiro. Dedé e Henrique nem foram a Porto Alegre. Edílson foi outro titular que não entrou em campo, Lucas Silva, Robinho e Thiago Neves ficaram no banco, só entraram no segundo tempo.

O pepino é que Fábio estava lá. E foi o herói de novo, ao pegar o pênalti de Luan nos minutos finais. Herói cruzeirense? Sim. E herói são-paulino, flamenguista, colorado, palmeirense…

Além de ter evitado a quarta vitória seguida e dois pontos a mais para o Grêmio, Fábio evitou que a sombra gremista tomasse um tamanho maior do que o resto da turma de cima queria.

E agora o Grêmio vai com reservas a Curitiba enfrentar um Atlético-PR em ascensão. Em teoria, vai perder ainda mais terreno. O jogo desta quarta era essencial.

Em um campeonato equilibrado como o Brasileiro, em que não há jogo fácil, os duelos fora de casa de São Paulo e Inter, contra o desesperado Paraná e o acertadinho Bahia, talvez fossem até mais complicados do que o do Grêmio contra o Cruzeiro misto e com a cabeça em outras competições.

O São Paulo manteve os cinco pontos de frente, o Inter abriu vantagem para o rival, o Palmeiras se aproximou. E caberá ao Flamengo, na quinta, fazer a parte dele também.

O jogo entre Grêmio e Cruzeiro foi disputado com alta intensidade, foi um bom jogo de futebol. No primeiro tempo, o plano de jogo cruzeirense funcionou, com Bruno Silva muito bem em campo (golaço à parte), assim como De Arrascaeta. O Grêmio tocava muito de lado, com pouca verticalidade.

Renato ousou no intervalo, fez boas alterações, e o Grêmio foi muito superior no segundo tempo – aposto que Jael ganhará a vaga de André na Libertadores. Everton fez um golaço e Luan bateu mal o pênalti que representaria a virada. Bom para os líderes.