Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Santos

Clássico sonolento expõe a época mais difícil de ver jogos no Brasil
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Julio Gomes

Entre janeiro e maio, é o buraco negro. O fundo do poço. A hora mais difícil de ver jogos Brasil afora. Principalmente, se for logo depois de algum jogo grande da Europa. É o luxo seguido do lixo.

Neste domingo, a emenda foi Liverpool 2-2 Tottenham com Palmeiras 2-1 Santos (claro, o clássico foi visto por quem está onde passou esse jogo – fora de São Paulo, tivemos outros jogos sendo transmitidos na TV aberta. Vou me ater ao que vi).

A outra dobradinha tradicional que vemos entre janeiro e maio é em meios de semana. Jogos de Champions League ou finais das Copas europeias à tarde seguidos de duelos modorrentos das fases iniciais da Libertadores e Copa do Brasil à noite. Dá depressão.

Liverpool e Tottenham, neste domingo, foi um daqueles jogos incríveis da Premier League. A 110 por hora, sem parar por um segundo sequer, de tirar o fôlego e, de quebra, com golaços, placar maluco, pênaltis e gols nos acréscimos, etc. Já Palmeiras x Santos foi um sono só.

Um jogo muito, muito, muito difícil de ver. É claro que há atenuantes, já falaremos deles. O calendário não ajuda nada, nada, nada.

Quem está emocionalmente envolvido nem precisa perder tempo cornetando aqui. É lógico que o palmeirense está feliz e o santista está triste em função do resultado e das perspectivas de cada um deles na temporada. Mas isso pouco importa, falo da qualidade do jogo. Nem mesmo o mais fanático torcedor pode estar satisfeito com o ritmo do clássico paulista. Quer fazer um teste? Tente encontrar um amigo não-palmeirense que tenha assistido aos 90 minutos e tenha gostado.

É claro que não são todos os jogos que são bons na Europa. Óbvio que não. Não me venham com aquele argumento profundo de “vá ver Getafe x Leganés então”. Falta qualidade técnica lá em muitos times. Mas os jogos são mais bem jogados, os times são mais organizados. E, o principal, as arbitragens não ficam parando tanto tudo.

No Palmeiras x Santos isso ficou claro. Tudo é falta, tudo é cartão, tudo é reclamação, tudo é motivo para ficar rolando no chão. Os árbitros são permissivos, e os jogadores ficam o tempo todo querendo enganá-los e pressioná-los.

O ritmo de jogo já é lento por natureza, porque estamos no começo da temporada e os times estão longe do melhor momento físico. E os árbitros fazem com que esse ritmo seja ainda mais lento.

Mesmo com o placar apertado, o clássico paulista foi um sono só. Parecia ritmo de Copa de 70. Para quem viu Liverpool x Tottenham minutos antes, parecia um jogo em slow motion. O Santos achou um gol (ilegal, pois a bola havia saído pela linha de fundo segundos antes) e, ainda assim, não passou nem perto de empatar.

O Palmeiras, apesar de ter um elenco muito, mas muito, mas muito melhor que o do Santos, nunca apertou, nunca fez valer a superioridade. Roger tem escalado sempre o que tem de melhor, colecionado vitórias com segurança e está ganhando a tranquilidade que outros não tiveram para trabalhar. Está sendo inteligente.

A superioridade do Palmeiras só ficará mais clara conforme a temporada avance. O grande vilão, para todos, é o calendário. Ninguém teve nem pré-temporada.

Virão as finais dos Estaduais, com algumas partidas mais emocionantes, porque serão clássicos e jogos eliminatórios. Acabará a temporada europeia. Virá a Copa do Mundo. E, lá para agosto, o Brasileirão, com times mais prontos e melhores fisicamente, passará a ter partidas melhores.

No segundo semestre, chegam também as fases agudas de Libertadores e Copa do Brasil. É o que nos resta. Esperar. E tentar não dormir.


Será que Robinho saiu porque a sociedade melhorou tanto assim?
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Julio Gomes

Robinho não fica no Brasil. Vai para o Sivasspor, da Turquia. Muitos dirão que é a prova de que a sociedade brasileira evoluiu. Não há espaço entre nós para um condenado por estupro na Itália.

Mas será que foi isso mesmo? Gostaria de compartilhar tal otimismo, mas em minha visão Robinho não ficou porque ninguém quis pagar o que era pedido. É o tema do vídeo abaixo:


Afinal, será que mudar de técnico é bom ou mau negócio?
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Julio Gomes

O Campeonato Brasileiro chegou ao fim, e somente seis clubes acabaram a competição com o mesmo treinador do início. Corinthians, Grêmio, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Avaí.

Os outros 14 clubes trocaram de treinador. Alguns deles, mais de uma vez. Foram, no total, 20 treinadores degolados por estes 14 clubes. Isso, sem contar os interinos que assumiram por algumas rodadas e não se firmaram. Ao longo da competição, 46 profissionais diferentes ocuparam o banco de reservas de algum time por pelo menos um jogo.

Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Chapecoense e Vitória são os clubes que chegaram, entre contratados e interinos, a ter quatro técnicos diferentes em seus jogos ao longo do campeonato.

É nítido que a definição sobre contratar e demitir técnicos é feita com pouca razão e pouco conhecimento do assunto. Se formos escolher palavras para definir, de forma genérica, a atuação de dirigentes de futebol no país elas seriam amadorismo, paixão, inconsequência. Dificilmente escolheríamos profissionalismo, planejamento, responsabilidade financeira. Dirigentes, a maioria (não todos, mas a maioria) atuam como torcedores.

Mas o que esse campeonato mostra, dentro do equilíbrio incrível que marca o futebol brasileiro, é que não existe uma regra. Algumas vezes, mandar treinador embora simplesmente dá certo. Outras vezes, não.

É fato que é muito difícil um time ser campeão trocando de técnico ao longo do campeonato. Este é o oitavo seguido em que quem ganha o título mantém o mesmo treinador do início ao fim – a última exceção foi o Flamengo de 2009. Em 15 anos de pontos corridos, só três campeões mudaram de técnico ao longo do percurso, ou seja, 20% (os outros foram Santos-2004 e Corinthians-2005)

É fato também que quem ganha o campeonato costuma estar na liderança já em algum momento do primeiro turno, então nenhum dirigente é louco de demitir o técnico que está dando certo.

No caso de 2017, o Corinthians efetivou Fábio Carille e foi com ele até o fim. Outros dois clubes que não mandaram treinadores embora foram Grêmio e Cruzeiro. O primeiro, com Renato Gaúcho, mostrou bom futebol durante todo o ano, chegou à semifinal da Copa do Brasil e acabou ganhando a Libertadores. Já Mano Menezes só passou a ter vida tranquila no Cruzeiro depois do título da Copa do Brasil.

O Botafogo teve um grande ano com Jair Ventura, uma campanha heróica na Libertadores, foi à semi da Copa do Brasil e tinha tudo para acabar entre os cinco primeiros no Brasileiro. Mas despencou no último mês de jogos e acabou fora até da pré-Libertadores. Digamos que não deu tempo para demitirem Jair.

O Fluminense colocou nas mãos de Abel o projeto de lançar jovens. Não foi um bom campeonato, mas correu poucos riscos. Houve uma tragédia pessoal no meio do caminho que faria com que demitir o Abel se transformasse, também, em uma péssima ação de relações públicas.

E o Avaí, por fim, foi o único time “rebaixável” desde o início que apostou na estabilidade. Manteve Claudinei Oliveira do início ao final. Louvável. Mas não adiantou. E se o Avaí tivesse trocado de técnico? Teria se salvado? Teria caído algumas rodadas antes? Nunca saberemos.

Nós, que defendemos estabilidade e responsabilidade financeira, inclusive com regras mais rígidas para evitar a dança das cadeiras, estávamos torcendo pelo Avaí. Claro que seria o exemplo para provar o ponto. Não provou nada, admito.

De alguma forma, no entanto, a tristeza dos jogadores do Avaí, comprometidos com Claudinei, contrastou com uma aparente indiferença do Coritiba, o último rebaixado na última rodada.

Um Coritiba que no início do ano mandou embora Paulo César Carpegiani, que havia livrado o clube da queda no ano passado e foi demitido após a eliminação para o ASA na Copa do Brasil. O Coxa começou o Brasileiro com Pachequinho, trocou para Marcelo Oliveira e… não deu certo.

Como não deu certo para o Atlético-GO, que demitiu dois antes de efetivar João Paulo Sanches e ter aproveitamento melhor. Como não deu certo para o Flamengo, que com Zé Ricardo fez 29 pontos nos 19 jogos do turno (51% de aproveitamento). Sem ele, fez 24 pontos no returno (44% com Rueda). Como não deu certo para a Ponte Preta, que somou 28 pontos em 24 jogos com Gilson Kleina (39%) e apenas 11 em 13 jogos com Eduardo Baptista (28%).

Gilson Kleina e Zé Ricardo foram daquela para uma melhor, e acabaram levando Chapecoense e Vasco à classificação para a fase prévia da Libertadores.

Com Kleina, a Chape teve aproveitamento de 70% nas nove rodadas finais, não perdeu um jogo sequer e acabou como “campeã” do returno. Mas é bom lembrar que a Chape havia demitido no começo do campeonato Vágner Mancini, que depois ajudaria o Vitória a se salvar do rebaixamento.

O Vasco demitiu Milton Mendes com 25 pontos em 21 jogos, uma posição acima da zona de rebaixamento (39%). Com Zé Ricardo, teve 58% de aproveitamento e acabou em sétimo lugar.

Os casos de Chapecoense e Vasco são os casos claros de mudanças de técnico que deram certo. Isso ficou nítido também nos casos de São Paulo e Bahia.

Mas não está claro, por exemplo, se as mudanças realizadas em Palmeiras, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR fizeram os times melhorarem ou não. Será que o Palmeiras de Cuca, o Santos de Dorival, o Galo de Roger e o Atlético-PR de Baptista teriam acabado melhor ou pior do que acabaram? Impossível dizer.

Mesmo o caso do Sport é de puro palpite. Depois de assumir no lugar de Luxemburgo, Daniel Paulista empatou um e perdeu quatro dos cinco primeiros jogos. Mas ganhou os três finais, tendo a sorte de pegar Fluminense e Corinthians desinteressados nas rodadas derradeiras. O aproveitamento com Luxa era de 38%, com Daniel Paulista foi a 41%. Será que Luxemburgo não teria salvado o Sport?

Está claro que a estabilidade no comando técnico é necessária para times que estejam buscando o título. Mas e para as vagas na Libertadores? E para a fuga de rebaixamento? Não está nada claro. Dá certo para alguns, errado para outros.

 


Júlio César e Zé Roberto: dois grandes brasileiros que se vão do futebol
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Julio Gomes

A maneira de o brasileiro ver e falar de futebol é muito próxima de um moedor de carnes. Ao mesmo tempo em que ídolos são gerados em 5 minutos, reputações inteiras são moídas após um erro ou após uma escolha que não agrade à maioria apaixonada.

Júlio César e Zé Roberto não são unanimidade no futebol.

Brasileiro.

Porque em todos os grandes centros europeus eles construíram uma reputação irretocável. Especialmente, claro, na Itália e na Alemanha.

Vou contar duas historinhas que aconteceram comigo, nos anos em que tive a grande oportunidade de cobrir de perto o futebol europeu.

No fim de 2004, fui a Munique. E combinei com Zé Roberto uma entrevista para a revista “Placar”. Ele marcou o encontro para a Marienplatz. Para quem não conhece Munique, é a principal praça da cidade, uma espécie de Praça da Sé de Munique – só que um pouquinho mais limpa :-).

Achei estranho. Como assim, na Marienplatz? Assim, no meio das pessoas? E foi lá que nos encontramos. Entramos em um café e conversamos longamente. O cara era simplesmente titular do Bayern de Munique. Onde, em alguma outra oportunidade, cheguei a encontrá-lo também. Um CT incrível.

O que mais me chamou a atenção? O respeito. A maneira como as pessoas se aproximavam dele, cumprimentavam, mostravam admiração. Eu não falo mais do que meia dúzia de palavras em alemão. Mas gestos e olhares são suficientes para compreender o que estava acontecendo.

E Júlio César. Bem, sobre ele eu sempre achei o mesmo que um monte de vocês achavam ou acham. “Mascarado”.

Ledo engano. Com ele, me encontrei em Milão em 2006 ou 2007, por aí. A ideia era apenas fazer uma entrevista para a Band. Mas Júlio César abriu as portas da casa dele. Conheci Suzana Werner, brinquei com os filhos, ganhei carona. Nada me pareceu mais humano do que aquele casal de celebridades. O apartamento era muito perto do estádio San Siro. Na ocasião, ele me contou que voltava à pé das partidas. Assim, no meio do povo. “Mesmo em dia de Inter x Milan?”. “Sim”.

Em 2010, Júlio César foi indiscutivelmente (vou repetir, indiscutivelmente) o melhor goleiro do mundo. Atuações muito consistentes em uma Inter de Milão que conquistou a Europa após décadas de seca. O Brasil tem sido um grande fabricante de goleiros nas últimas décadas. Mas, depois de Taffarel, que goleiro brasileiro foi o melhor do mundo? Só Júlio César.

Mas, por não ter sido um goleiro ultravitorioso no Flamengo, por uma falha na Copa de 2010 e pelos 7 a 1, é visto com desdém por muitos aqui. Em 2010, a falha deveria ser compartilhada com Felipe Melo. E mais: uma falha não faz de ninguém um idiota, assim como um acerto não faz de alguém um craque. O futebol é cruel demais.

Em 2014, eu não teria chamado Júlio César para a Copa. Mas o que ele teve a ver com o 7 a 1? Nada. Ou quase nada. Não fosse ele, talvez o Brasil nem tivesse passado pelo Chile nas oitavas de final.

Zé Roberto foi outra “vítima” do Flamengo. Depois de anos para lá de espetaculares na Portuguesa, Zé Roberto passou a fazer parte da seleção brasileira. Foi parar em um Real Madrid estrelado, onde ele precisaria de tempo para ganhar espaço. Voltou para o Flamengo, caiu na fogueira, não foi nada demais. Portanto, nunca foi visto como o craque que sempre foi pela grande imprensa.

A partir daí, Zé Roberto foi quase campeão europeu e alemão com o pequeno Bayer Leverkusen. E foi titular por muitos anos de um gigante como o Bayern. Aprendeu alemão, se adaptou ao país. Menos mal que treinadores de futebol (especialmente Parreira e Zagallo) ignoravam as mesas redondas que sempre “escolhiam” Zé Roberto para ficar fora das convocações e times titulares da seleção.

O Brasil foi “descobrir” que Zé Roberto era bom de bola em 2006, quando ele fez uma grande Copa do Mundo em um time que deixou a desejar. Depois, triunfou no Santos, no Grêmio, no Palmeiras. Mostrou ser zero egoísta ao pedir dispensa da seleção de Dunga em 2007, “para dar lugar aos mais jovens”. Curiosamente, quando acabou o ciclo de Zé na seleção, começou o de Júlio César titular do gol. Eles estiveram pouco tempo juntos, portanto.

Zé Roberto encerrou a carreira com honras. Fez parte da reconstrução de um gigante, como o Palmeiras. Só depois de passar por times mais midiáticos ganhou um pouco do tamanho que merece.

Ainda assim, poucos colocariam Zé Roberto no lugar que merece na história do futebol brasileiro. Falei um pouco disso neste post de dois anos atrás.

Júlio César e Zé Roberto são dois exemplos a serem seguidos. De adaptação em outros países, de respeito adquirido, de profissionalismo, de capacidade técnica, de construção familiar, de lisura nos clubes por onde passaram.

Eles deixam um belo legado. Que definitivamente não pode ser minimizado por frases do tipo “ganhou o quê?”, “falhou naquele dia”, “não fez nada não sei onde”.

O Palmeiras acerta em cheio dando um cargo imediato para Zé Roberto. Espero que não seja só para parecer bacana, só para consumo externo.

Já o Flamengo deveria ter trazido Júlio César de volta muito tempo atrás. Para jogar, não dá mais. Que seja, então, para cuidar de seus goleiros, porque está precisando.

 


Brasileiro, ato 34: mini Rio-SP mostrará caminhos para a Libertadores
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Julio Gomes

Com a disputa pelo título encerrada – basta saber quando o Corinthians será campeão matematicamente -, as cinco rodadas finais do Brasileiro terão jogos valendo Libertadores e fuga do rebaixamento. E dois clássicos entre cariocas e paulistas dirão muito sobre o futuro dos clubes envolvidos na competição.

No domingo, o Palmeiras recebe o Flamengo no Allianz Parque e, se não se recuperar após as derrotas para Corinthians e Vitória, estará colocando a posição no G4 em risco. Se vencer, o Flamengo ficará a um ponto do Palmeiras. E o Botafogo, que neste sábado abre a rodada contra o Atlético-PR, é outro que pode se aproximar ainda mais.

Jogarão também Vasco e São Paulo no Maracanã, dois dos quatro melhores times do returno – o melhor, por enquanto, é o Botafogo. Vasco e São Paulo não olham para o G4, mas olham para uma vaga na pré-Libertadores. É bom lembrar que o G6 vai virar G7 se o Cruzeiro estiver entre os seis primeiros, e pode virar G8 se o Grêmio for campeão da Libertadores ou até G9, se o Flamengo vencer a Sul-Americana e estiver entre os primeiros do Brasileiro.

Como há essa indefinição, e ela vai perdurar até as duas rodadas finais do campeonato, é importante estar bem posicionado. O Vasco, que só perdeu 1 de 11 jogos com Zé Ricardo, estará consolidado entre os oito primeiros se vencer o São Paulo. Já o time paulista, que perdeu a chance de ganhar a quarta seguida ao tropeçar na Chape, no Pacaembu, já se afastou do rebaixamento e precisa ganhar no Maracanã para sair da “zona morta” da tabela e entrar na briga pela Libertadores. O jogo é um divisor de águas nesse sentido.

Outro confronto direto de Libertadores reúne Bahia e Atlético-MG. Na parte de baixo da tabela, o duelo que mais chama a atenção reúne Coritiba e Ponte Preta. É um confronto direto e, se o Coxa vencer, fica muito tranquilo na luta contra o rebaixamento, afundando a Ponte de vez.

Aqui vão os prognósticos da rodada.

SÁBADO

17h Botafogo x Atlético-PR (Engenhão)
Turno: 0-0
Prognóstico: Fogo 1-0
Aposta: menos de 2,5 gols
O Botafogo é líder do returno porque começou ganhando cinco de seis jogos. Desde setembro, não encaixa duas vitórias seguidas e precisa quebrar essa escrita para buscar o Palmeiras e entrar no G4. O Atlético-PR não faz gol há três jogos e não terá Gedoz nem Nikão, mas Guilherme volta ao time. Parece que vai acabar o campeonato na zona morta, mas se continuar perdendo muito o Z4 pode virar um fantasma, pois ainda jogará fora de casa contra Ponte e Avaí.

19h Corinthians x Avaí (Itaquera)
Turno: 0-0
Prognóstico: 0-0
Aposta: menos de 2,5 gols
Sem Cássio e com a lesão de Walter, o Corinthians terá no gol o jovem Caíque, terceiro goleiro. Jô, suspenso, também está fora. Basicamente, portanto, o Corinthians não terá seus dois jogadores mais importantes no campeonato e enfrenta um adversário para quem um pontinho será um espetáculo. Jogo deve ser amarrado e duro de ver em Itaquera.

DOMINGO

17h Vasco x São Paulo (Arena da Baixada)
Turno: SPFC 1-0
Prognóstico: 1-2
Aposta: melhor fugir!
São dois dos times mais consistentes do returno. Um dia, chegaram a estar ameaçados de rebaixamento, principalmente o São Paulo, mas este é um pesadelo distante e agora a hora é de pensar em Libertadores. Com Zé Ricardo, o Vasco só perdeu um jogo e nunca tomou mais de um gol na mesma partida. A questão é: como estarão as arquibancadas de São Januário? Torcedores unidos para apoiar o time ou um clima de guerra pela divisão política do clube? O Vasco não vence o São Paulo em casa desde maio de 2005. Desde então, foram 20 jogos entre eles, com 12 vitórias são-paulinas e 2 vascaínas (mas ambas como visitante). Jogo de difícil prognóstico.

17h Palmeiras x Flamengo (Allianz Parque)
Turno: 2-2
Prognóstico: 2-2
Aposta: ambos marcam
Quem olhasse a tabela antes do início do campeonato poderia usar uma caneta marca-texto e marcar este clássico na 34a rodada como um possível jogo de implicações de título. Ledo engano. Os dois elencos milionários do futebol brasileiro não fizeram um campeonato nem perto de suas possibilidades e agora jogam por uma vaga no G4 – e olhe lá, porque do jeito que vão as coisas ficarão abraçados com vagas de pré-Libertadores. Desde 2010, o Flamengo só venceu 1 de 12 jogos contra o Palmeiras, que leva vantagem no retrospecto histórico. Ainda sem Borja e Mina, o Palmeiras deve ter William de volta ao ataque, enquanto o Flamengo terá a defesa reforçada por Juan. Paquetá, que jogou muito bem pelo meio contra o Cruzeiro, segue no time substituindo Diego.

17h Grêmio x Vitória (Alfredo Jaconi, Caxias do Sul)
Turno: 1-3 Grêmio
Prognóstico: Grêmio 2-1
Aposta: coluna 1
Depois de seis jogos sem vencer, o Vitória finalmente ganhou uma – e em casa. O que já foi suficiente para sair da zona de rebaixamento. O jogo será em Caxias do Sul porque a Arena Grêmio irá receber um show, o que deixou Renato Gaúcho indignado. Com as duas últimas vitórias, o Grêmio está mais do que consolidado no G4, uma garantia, pois nunca se sabe o que acontecerá na final da Libertadores. Se ganhar mais essa (Grohe, Cortez e Edilson são os desfalques, do meio para frente joga todo mundo), o Grêmio pode usar reservas a vida toda no Brasileiro, com a certeza de que estará na fase de grupos da próxima Libertadores. O Vitória ganhou em Porto Alegre ano passado, o que não acontecia desde 2005.

17h Atlético-GO x Sport (Olímpico)
Turno: Sport 4-0
Prognóstico: 1-2
Aposta: coluna 2, com empate anula aposta
Pior time do returno, com apenas uma vitória, o Sport tanto fez que entrou na zona de rebaixamento e em um momento para lá de crítico do campeonato. Agora, contra o lanterna Atlético-GO, mesmo jogando fora e sem Diego Souza, é vencer ou vencer. Não adianta mais somar de um em um. O Dragão perdeu as últimas quatro em casa e ganhou só uma das últimas 12 partidas, já sabe que será rebaixado.

18h Bahia x Atlético-MG (Fonte Nova)
Turno: 0-2 Bahia
Prognóstico: 2-2
Aposta: mais de 2,5 gols
Assim como os clássicos entre paulistas e cariocas, este é também um jogo com implicações de Libertadores. Para o Bahia, já livre do rebaixamento muito antes do que o mais otimista torcedor imaginava, seria um prêmio e tanto. O time encaixou com Carpegiani e vai fazer estragos nas rodadas finais. Para o Atlético, dadas as expectativas antes do início do campeonato, seria um prêmio de consolação para lá de aceitável. Enquanto o Bahia, que é bom mandante, ganhou quatro, empatou duas e perdeu só uma com Carpegiani, o Galo, que é otimo visitante, ganhou quatro, empatou duas e perdeu duas com Oswaldo de Oliveira. Os últimos quatro duelos entre eles acabaram em empate em Salvador, e o Bahia não vence o Galo em casa desde 2002.

19h Cruzeiro x Fluminense (Mineirão)
Turno: 1-1
Prognóstico: Cruzeiro 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
O Cruzeiro ganhou só um dos últimos cinco jogos, era normal que o time caísse de rendimento após o título da Copa do Brasil. O Fluminense ganhou um de quatro e parece claro o destino: acabar na zona morta da tabela. Nem cai nem briga por nada lá em cima. O Flu joga sem Henrique Dourado, artilheiro do campeonato.

19h Coritiba x Ponte Preta (Couto Pereira)
Turno: Ponte 4-0
Prognóstico: Coxa 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
Com Eduardo Baptista, a Ponte conseguiu duas vitórias por 1 a 0, empatou um jogo e perdeu seis. O péssimo momento contrasta com o do Coritiba, que não perde há cinco jogos e, se vencer a rival direta, fica em situação muito confortável para evitar o rebaixamento. Para o Coxa, é a chance de respirar de vez. Para a Ponte, é final de campeonato. Típico confronto em que, historicamente, quem joga em casa, vence. Última vitória da Ponte em Curitiba foi 16 anos atrás. Com dois gols marcados nos últimos cinco jogos, Baptista promete escalação ofensiva.

SEGUNDA

20h Chapecoense x Santos (Arena Condá)
Turno: Santos 1-0
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir!
Com Gilson Kleina, a Chape ganhou uma e empatou três. De pontinho em pontinho, vai ficando longe do rebaixamento – o que seria praticamente um título após a tragédia de um ano atrás. O Santos é um dos times mais difíceis de prever neste campeonato. Vive em litígio com a torcida e joga sem Bruno Henrique, mas está em terceiro na tabela e quer se garantir com vaga direta na Libertadores. Jogo tem cheiro de empate.


Corinthians tem tudo para ser campeão daqui a uma semana
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Julio Gomes

Aconteceu exatamente o que se esperava. O dérbi entre Corinthians e Palmeiras, no domingo, decidiu o campeonato. Quem vencesse, sairia fortalecido demais, quem perdesse pagaria o preço.

Contra o Atlético-PR, em Curitiba, o Corinthians foi mais parecido com o do primeiro turno. É nítido como o time passou a jogar com mais confiança, menos dúvidas, a consistência defensiva voltou a aparecer e até mesmo teve pênalti defendido.

Teria vencido na Arena da Baixada, não fosse a tranquilidade adquirida pelo dérbi? Nunca saberemos, mas dado o futebol que o time vinha apresentando, é plausível achar que não. E Palmeiras e Santos teriam perdido, se tivessem chance real de título? Difícil.

O Palmeiras, ainda grogue, conseguiu o feito de perder para o Vitória, em Salvador. O Vitória, pior mandante do campeonato, ganhou em casa pela primeira vez após três meses e foi, junto com o Corinthians, o grande vencedor da rodada. Afinal, Avaí, Ponte Preta e Sport, concorrentes diretos contra o rebaixamento, perderam em casa.

E o Santos parece ter sentido a vitória do Corinthians em Curitiba. Não jogou com a devida faca nos dentes. Fez o primeiro e depois levou tanta pressão do Vasco que estava claro que o empate chegaria. E chegou. Cabisbaixo, levou a virada na falta cobrada por Nenê.

O Corinthians tem agora dois jogos em casa, contra Avaí (sábado à noite) e Fluminense (no feriado, quarta que vem). Ainda que o Avaí tenha melhores resultados fora de casa, o momento do campeonato é outro. É um time que só ganhou uma de suas últimas dez partidas. E o Fluminense não mete medo em ninguém, está em zona morta da tabela.

Com duas vitórias nestes jogos, o Corinthians chega a 71 pontos. Já não poderia mais ser alcançado por Santos e Palmeiras. O Grêmio ainda poderia chegar a 72 pontos, mas tem poupado jogadores pensando na final da Libertadores e é muito capaz que perca algum ponto contra o Vitória (em Caxias do Sul) ou São Paulo (na Arena).

Daqui a uma semana, o Corinthians muito provavelmente já será o justo campeão brasileiro.


Brasileiro, ato 33: Corinthians entra em contagem regressiva
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Julio Gomes

Depois da vitória em Itaquera sobre o Palmeiras, o Corinthians começou sua contagem regressiva para comemorar um título que estava para lá de definido, ficou por um triz e, agora, muito dificilmente escapará.

O Santos precisa ganhar todos os seus jogos e torcer por três tropeços do Corinthians. A campanha corintiana no returno não inspira confiança. Mas justamente confiança era o que estava faltando e agora está sobrando ao time de Fábio Carille.

Contra o Atlético-PR, em um estádio em que colecionou bons resultados nos últimos anos, o Corinthians tem tudo para se reencontrar de vez. E condicionar o jogo do Santos, contra um Vasco pouco vazado desde a chegada de Zé Ricardo.

Muitos acreditam que a diferença entre Corinthians e Santos vá diminuir nesta rodada, mas ela pode muito bem aumentar.

O post dá as dicas de apostas para os jogos de quarta-feira e será complementado amanhã com os prognósticos de quinta.

QUARTA

19h30 Ponte Preta x Grêmio (Moisés Lucarelli)
Turno: Grêmio 3-1
Colocação: 18-Ponte (35), 3-Grêmio (54)
Prognóstico: Ponte 1-0 Grêmio
Aposta: coluna 1, com empate anula aposta
O Grêmio venceu em Campinas pela última vez em 1980 e vai só com quatro titulares. Jogo fundamental para as chances de a Ponte Preta se manter na primeira divisão. Os reservas do Grêmio apanharam de todo mundo durante o campeonato, a Ponte precisa vencer ou vencer. Se não sair com os três pontos, dá mais um passinho rumo à Série B.

19h30 Avaí x Bahia (Ressacada)
Turno: 1-1
Colocação: 19-Avaí (35), 10-Bahia (42)
Prognóstico: 1-1
Aposta: ambos marcam
O Avaí só ganhou um dos último nove jogos e está afundado no Z4. O Bahia reagiu com Carpegiani e já está praticamente livre de qualquer possibilidade de rebaixamento. A ideia é alçar voos mais altos. Jogo de difícil prognóstico, até porque o Avaí não pode mais especular, precisa se abrir e buscar o resultado em casa.

21h Atlético-PR x Corinthians (Arena da Baixada)
Turno: 2-2
Colocação: 11-CAP (42), 1-Corinthians (62)
Prognóstico: 0-2
Aposta: menos de 2,5 gols
O Corinthians tirou todo o peso do mundo das costas após a vitória sobre o Palmeiras e tem tudo para voltar a encontrar os resultados do primeiro turno – começando por um estádio em que coleciona bons resultados historicamente. O Furacão não terá Guilherme e Sidcley, o Corinthians não terá Cássio, Gabriel e Jadson.

21h Sport x Botafogo (Ilha do Retiro)
Turno: Botafogo 2-1
Colocação: 16-Sport (36), 6-Fogo (48)
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir
Mais um jogo de prognóstico dificílimo. O Sport só venceu 1 de seus últimos 15 jogos no campeonato e, em casa, não vence há mais de três meses. Só um ponto acima do Z4 e correndo grande risco, o Sport precisa urgentemente se reencontrar com a vitória, e tentará sem Diego Souza, que está com a seleção. O Botafogo já eliminou o Sport da Copa do Brasil neste ano e não perde para o time pernambucano há mais de três anos (seis jogos), mas não tem sido nenhum exemplo de consistência ultimamente.

21h45 Flamengo x Cruzeiro (Ilha do Urubu)
Turno: 1-1
Colocação: 7-Fla (47), 5-Cruzeiro (51)
Prognóstico: 1-1
Aposta: coluna do meio – aposta de altíssimo risco, altíssimo retorno
Os times já se enfrentaram três vezes neste ano, com três empates. Portanto, temos uma tendência. O Flamengo tem vários desfalques (Diego, Guerrero, Trauco, Juan, Réver), o que obrigará Rueda a escalar uma zaga para lá de suspeita com Rhodolfo e Rafael Vaz. O Cruzeiro joga as rodadas finais descompromissado, um fator que pode ajudar e pode atrapalhar também.

21h45 Santos x Vasco (Vila Belmiro)
Turno: 0-0
Colocação: 2-Santos (56), 8-Vasco (45)
Prognóstico: 1-0
Aposta: menos de 2,5 gols
Em dez jogos desde a chegada de Zé Ricardo ao Vasco, o clube ganhou quatro, empatou cinco e só perdeu para o gol de mão de Jô. Em apenas um desses jogos foram marcados mais do que dois gols somados os dois times (nos 2 a 1 sobre o Avaí). É um Vasco mais seguro, mas pouco goleador, que vai somando pontos em busca da Libertadores. O jogo deve ser condicionado pela partida do Corinthians em Curitiba. Se o Corinthians estiver tropeçando, a torcida e o sonho do título podem empurrar o Santos a uma vitória. O Vasco tem muitos desfalques e é difícil imaginar que a convulsão política não afete o time. A última vez que o Vasco venceu o Santos como visitante foi em 2006, é um confronto em que quem joga em casa costuma vencer, historicamente.

21h45 Vitória x Palmeiras (Barradão)
Turno: Palmeiras 4-2
Colocação: 17-Vitória (35), 4-Palmeiras (54)
Prognóstico: 1-3 Palmeiras
Aposta: mais de 2,5 gols
O Vitória está há seis jogos sem vencer e, em casa, amarga uma seca de três meses. Apesar da derrota em Itaquera, o Palmeiras é favorito para chegar à sétima vitória nos últimos oito jogos contra o rival baiano. Sem Borja nem Deyverson, Valentim deve improvisar um meia na frente.


Brasileiro, ato 32: a reta final pelo título começa agora
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Julio Gomes

Venho dizendo nas minhas tribunas que o dérbi de domingo, entre Corinthians e Palmeiras, decidirá o campeão. Quem vencer sairá tão fortalecido e dará uma marretada tão forte na cabeça do outro que é bem plausível prever que o time vencedor fará todos ou quase todos os pontos possíveis nas seis rodadas finais.

Mas e o empate? E o fator Santos?

O fator Santos vai entrar em jogo a partir deste sábado, no duelo contra o Atlético Mineiro, na Vila Belmiro.

O Santos se arrastou durante o campeonato. Fez duas trocas de técnicos para lá de duvidosas, vive em litígio com a torcida, que não comparece na Vila e ainda fez de Lucas Lima o vilão do momento (sem perceber que os pivôs da saída dele, sem compensação financeira para o clube, são outros).

É um clube que teria uns 10 a 15 pontos a menos no campeonato, não fossem as impressionantes atuações do goleiro Vanderlei. Uma das mais significativas delas foi justamente contra o Atlético, em BH, quando pegou até pênalti.

Ainda assim, com tudo isso, aos trancos e barrancos, com Vanderlei e Bruno Henrique, o Santos está a seis pontos da liderança. E o discurso inicial de Elano, que ficará no comando até o fim do campeonato, foi bem interessante. É um campeão, um ex-jogador histórico do clube e que potencialmente pode encontrar o discurso ideal para este grupo de atletas.

Se o Santos conseguir embalar neste fim de ano, ele pode ser o campeão mais improvável que vimos nos últimos tempos.

E qualquer time pode embalar neste campeonato hipernivelado. Já vimos vários times embalarem, até mesmo Avaí e Atlético-GO no começo do returno. Neste momento, os mais embalados são Palmeiras e São Paulo. Por que não o Santos nos sete jogos finais?

O Santos precisa vencer o Atlético na Vila, um adversário perigoso, um dos melhores visitantes do campeonato e ainda sonhando com Libertadores. E precisa muito de um empate no dérbi de domingo – ou pelo menos que o Corinthians não vença.

É surreal. Mas não podemos descartar o Santos nessa briga.

Por outro lado, se o Santos tropeçar em casa, um empate torna-se um resultado maravilhoso para o Corinthians no dérbi.

No primeiro turno, a rodada 13 quebrou a banca das casas de apostas. Só um mandante e OITO visitantes saíram vitoriosos. Ao final dela, o Corinthians tinha 10 pontos de vantagem para o Grêmio, 12 para o Santos e 16 para o Palmeiras.

O que acontecerá no returno? Aqui vão os prognósticos e dicas de apostas da rodada.

SÁBADO

17h Santos x Atlético-MG (Vila)
Turno: 0-1 Santos
Colocação: 3-Santos (53), 10-CAM (42)
Prognóstico: Santos 3-1 Galo
Aposta: mais de 2,5 gols
É o duelo entre o melhor mandante e o segundo melhor visitante. A promessa é de gols, com dois times escalados ofensivamente, e alternância no placar. Só a vitória interessa a ambos para tentarem chegar aos objetivos. Novo reencontro de Robinho com a torcida santista.

19h Botafogo x Fluminense (Engenhão)
Turno: 0-1 Fogo
Colocação: 6-Fogo (48), 14-Flu (39)
Prognóstico: Botafogo 2-0
Aposta: menos de 2,5 gols (coluna 1 pagando bem também)
Tudo o que queremos no último clássico carioca do ano é um pênalti para o Flu! O que seria do duelo entre Henrique Dourado e Gatito? Uau. Brincadeiras à parte, o Botafogo é favorito em um jogo que reúne um time consistente e que teve a semana toda para treinar contra um time jovem, imaturo e que foi eliminando de forma traumática pelo Flamengo na Sul-Americana. O Flu está perto de se salvar logo do drama do rebaixamento, mas essas rodadas finais podem ser muito longas, especialmente se o time não somar pontos fora de casa (não vence há quase quatro meses fora). O Botafogo segue firme rumo à Libertadores e pode sim entrar no G4 – com o Grêmio pensando em outra coisa, fica mais fácil.

19h Atlético-GO x São Paulo (Serra Dourada)
Turno: 2-2
Colocação: 20-Atlético (27), 11-SPFC (40)
Prognóstico: 1-3
Aposta: coluna 2 paga bem
Duelo do segundo pior mandante contra o segundo pior visitante. O jogo será no Serra Dourada, e o São Paulo deve ter apoio grande de sua torcida no Centro-Oeste do país. O Atlético-GO só ganhou 1 das últimas 11 partidas como mandante, e o São Paulo vem apresentando bom futebol. Já está praticamente livre do rebaixamento. Tem tudo para vencer, fazer a Série B virar um pesadelo distante e começar a focar em Libertadores.

21h Coritiba x Avaí (Couto Pereira)
Turno: 1-4 Coxa
Colocação: 16-Coxa (35), 18-Avaí (35)
Prognóstico: 0-1
Aposta: alguém fica sem marcar
Confronto crucial na briga contra o rebaixamento. Com sete pontos dos últimos nove possível, o Coritiba, que tinha pinta de rebaixado, saiu do Z4. O Avaí, que começou tão bem o returno, ganhou só um dos últimos oito jogos. O momento é todo do Coxa, mas estes são os jogos em que o Avaí surpreendeu todo mundo. Quem fizer primeiro deve levar, se é que alguém fará gol – é um jogo que promete poucos gols.

DOMINGO

17h Corinthians x Palmeiras (Itaquera)
Turno: 0-2 Corinthians
Colocação: 1-SCCP (59), 2-Palmeiras (54)
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir!
O grande jogo da rodada e do campeonato. Quem vencer, sairá muito fortalecido rumo ao título. O Corinthians ganhou um banho de massa neste sábado e vai com Clayson e Camacho no lugar de Jadson e Maycon. Não entendo por que Carille passou a semana dando tantas informações para o adversário. O Corinthians, mesmo em casa, deve tentar se aproveitar dos espaços deixados pelo Palmeiras, que é o time para quem só a vitória interessa. Jogo de difícil prognóstico, assim como o campeonato.

17h Cruzeiro x Atlético-PR (Mineirão)
Turno: 0-2 Cruzeiro
Colocação: 5-Cruzeiro (48), 9-CAP (42)
Prognóstico: 1-1
Aposta: menos de 2,5 gols
O Atlético-PR já beliscou muitas vitórias sobre o Cruzeiro fora de casa. É um jogo difícil de prognosticar, pois o Cruzeiro já não tem tanta motivação no campeonato – mas jogou bem contra o Palmeiras. O Atlético-PR busca Libertadores, mas é um time instável demais. O Furacão não terá Gedoz, Nikão e Thiago Heleno.

17h Grêmio x Flamengo (Arena)
Turno: 0-1 Grêmio
Colocação: 4-Grêmio (51), 7-Fla (47)
Prognóstico: Grêmio 1-0
Aposta: menos de 2,5 gols
O Grêmio deve mandar time misto a campo, poupando alguns jogadores que atuaram na quarta-feira. O Flamengo também teve um jogo desgastante na quarta e pode ficar sem alguns atletas – Diego, por exemplo, é desfalque certo. São dois times com a cabeça em outro lugar. Mas, claro, quem perder (se perder) na competição continental, pode se lembrar com remorso da falta de motivação para este duelo na Arena. Veremos.

18h Bahia x Ponte Preta (Fonte Nova)
Turno: 0-3 Bahia
Colocação: 13-Bahia (39), 17-Ponte (35)
Prognóstico: Bahia 2-0
Aposta: coluna 1
O Bahia é o principal favorito da rodada. Tem feito o serviço em casa e jogando bem com Carpegiani, enquanto a Ponte Preta é a pior visitante do campeonato. A Ponte não vence o Bahia desde 2008, há nove partidas (cinco derrotas e quatro empates). Se ganhar, o Bahia praticamente se garante na primeira divisão e joga tranquilo nas seis rodadas finais.

19h Vasco x Vitória (Maracanã)
Turno: 1-4 Vasco
Colocação: 8-Vasco (44), 19-Vitória (34)
Prognóstico: Vasco 2-1
Aposta: ambos marcam
Com Zé Ricardo, o Vasco ganhou quatro, empatou quatro e perdeu só uma. Da briga lá embaixo, pulou para a briga por Libertadores. O Vitória, todos sabemos, é péssimo em casa e traiçoeiro fora, onde consegue a maioria de seus pontos. O time de Mancini está há cinco jogos sem vitória, em situação bastante delicada. O Vasco tem Luis Fabiano e Breno de volta e é favorito, mas convém não subestimar o Vitória.

19h Chapecoense x Sport (Arena Condá)
Turno: Sport 3-0
Colocação: 12-Chape (39), 15-Sport (35)
Prognóstico: Chape 2-0
Aposta: coluna 1
No turno, este foi o único jogo da rodada com vitória do mandante. O Sport ganhou 1 de seus últimos 14 jogos no Brasileiro e este é um jogo decisivo. Se vencer, respira e traz a Chapecoense de volta para a briga do rebaixamento. Já a Chape sabe que uma vitória no confronto direto praticamente garante a permanência na Série A. O Sport conta com a volta de cinco titulares, que nem viajaram para a Colômbia no meio de semana, mas tem desfalques de Rithely, Ronaldo Alves, Samuel Xavier e, talvez, Anselmo e Rogério.


Brasileiro, ato 31: Corinthians e Palmeiras condicionados pelo dérbi
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Julio Gomes

O Corinthians conseguiu o impossível: reabrir o campeonato. Apesar de o Santos teimar em ficar na briga, mesmo jogando uma bolinha pequena e em litígio com sua própria torcida, tudo indica que o confronto direto entre Corinthians e Palmeiras, na rodada que vem, indicará o campeão.

É verdade que o sábado é de dois clássicos importantes. O São Paulo ainda não está livre do fantasma da Série B, o Santos ainda sonha, Flamengo e Vasco jogam por Libertadores. Mas é no domingo e na segunda-feira que estão as partidas mais importantes se pensarmos em título.

Quem vencer o dérbi de Itaquera, no outro domingo, terá todos os ingredientes em mãos para caminhar rumo ao título. Sairá mentalmente tão fortalecido que é difícil imaginar que não vença praticamente todos os jogos dos seis que restarão.

Sim, pode haver um cenário que o Palmeiras vença o dérbi, mas ainda não passe o Corinthians. Fique um, três ou quatro pontos atrás, por exemplo. Ainda assim, colocarei o time de Valentim como favorito ao título. Se sair vencedor de Itaquera, atropelará na reta final.

Mas e o empate? Quem sairá do dérbi contente com um empate? É isso que a atual rodada, a 31, irá definir. Os jogos dos próximos dias estão totalmente condicionados pelo jogo que virá no fim de semana que vem.

O Corinthians tem um duelo de desesperados contra a Ponte Preta, em Campinas. Um time que fez só 4 de 18 pontos possíveis com Eduardo Baptista e que está namorando firme com o rebaixamento. Uma vitória sobre um rival como o Corinthians mudaria tudo. Uma derrota afundaria o barco.

O Palmeiras só entra em campo no dia seguinte, contra o Cruzeiro. Está embalado por três vitórias seguidas, está com moral, a torcida voltou a acreditar e o Cruzeiro, campeão da Copa do Brasil, já está jogando o Brasileiro só por jogar. Mano Menezes, com muitos amigos no Palmeiras, que queria contratá-lo, não é exatamente muito amigo da diretoria atual do Corinthians. Não estou insinuando nada, é apenas mais um componente de não motivação.

É óbvio que o Cruzeiro é mais time que a Ponte Preta. Mas a Ponte joga a vida, o Cruzeiro, não. O Corinthians tem um adversário mais perigoso. E, de quebra, entra em campo com oito pendurados. Cássio, Pablo, Balbuena, Gabriel, Camacho, Rodriguinho, Jadson e Jô. São sete titulares e um reserva que costuma ter minutos.

Mesmo que eles tenham ordem para não tirar o pé, jogar com vontade máxima, não reclamar com o juiz, será que o inconsciente não fará essa turma toda jogar de outra forma? Ninguém quer perder o dérbi.

Se o Corinthians sair desta rodada com os mesmos seis pontos de vantagem para o Palmeiras ou conseguir ampliá-los, o empate estará de ótimo tamanho no clássico de Itaquera. Especialmente se tiver perdido muitos dos pendurados.

Mas, se o Palmeiras tiver conseguido diminuir a desvantagem atual para três ou quatro pontos, é ele que pode muito bem se satisfazer com o empate em Itaquera. Três ou quatro pontos são uma diferença para lá de tirável nas seis rodadas finais, dados os estados de forma dos dois times.

Devido a um probleminha pessoal, não pude fazer os prognósticos e dar as dicas de apostas para as rodadas 29 e 30, peço desculpas aos leitores. Vamos com tudo daqui até o final.

SÁBADO

17h São Paulo x Santos (Pacaembu)
Turno: Santos 3-2
Colocação: 14-SPFC (37), 3-Santos (53)
Prognóstico: 1-2 Santos
Aposta: ambos marcam
O São Paulo não vence duas seguidas desde maio, enquanto o Santos não perde há seis rodadas, só perdeu uma das últimas 20 que fez no campeonato – são muitos empates, claro, especialmente fora de casa. Nos últimos nove jogos fora, o Santos ganhou uma (contra o Palmeiras), empatou sete e perdeu uma. O São Paulo, em casa, ganhou quatro e empatou duas das últimas seis – fez 78% de seus pontos jogando com o apoio de sua torcida. O jogo será no Pacaembu, com mando do São Paulo. Mas é um estádio onde o Santos não perde desde 2014 e está invicto há 25 jogos. Renato está de volta ao time, que também terá Bruno Henrique. É um jogo com cheiraço de empate, que não seria ruim para o São Paulo e é uma constante deste Santos. Mas empates são raros no San-São, e o Santos ganhou 7 dos 11 clássicos disputados de 2015 para cá.

19h Flamengo x Vasco (Maracanã)
Turno: 0-1 Fla
Colocação: 7-Fla (46), 8-Vasco (43)
Prognóstico: 0-1 Vasco
Aposta: menos de 2,5 gols (mas está pagando muito para vitória vascaína)
O clássico do turno acabou em confusão e gerou um longo calvário para o Vasco, que ficou afastado de São Januário. O técnico do Flamengo era justamente Zé Ricardo, que agora enfrenta seu ex-clube. Desde que chegou ao Vasco, Zé Ricardo levou o time a quatro vitórias, três empates e uma derrota (a do gol de mão de Jô). Uma vitória faria o Vasco ultrapassar o próprio Flamengo na tabela e entrar na zona da Libertadores. Sem o suspenso Cuellar e os lesionados Réver, Guerrero e Berrío, o Flamengo deve escalar Rhodolfo, Márcio Araújo e Paquetá. Rueda tem como desafio fazer o Flamengo jogar com determinação e intensidade, raridades na temporada.

21h Atlético-PR x Chapecoense (Baixada)
Turno: 1-1
Colocação: 9-CAP (41), 11-Chape (38)
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir, mas coluna 1 paga bem
Se o Furacão quiser voltar à Libertadores, não pode pensar em tropeçar neste jogo. A Chape respirou com duas vitórias seguidas, a última já sob o comando de Kleina. São dois times em bom momento, em um confronto que historicamente apresenta muitos empates.

DOMINGO

17h Ponte Preta x Corinthians (Moisés Lucarelli)
Turno: Corinthians 2-0
Colocação: 18-Ponte (32), 1-SCCP (59)
Prognóstico: 1-1
Aposta: coluna 2, com empate anula
O grande jogo da rodada, com dois times desesperados e em péssima fase. Um para não cair, o outro para não jogar pela janela um campeonato ganho. O Corinthians só fez 8 gols em 11 jogos no returno, todos eles marcados por Jô ou Clayson, é um time que não funciona mais. Mas tem pela frente um adversário quase ideal, uma Ponte que é freguesa histórica e só ganhou um de seis jogos desde o retorno de Eduardo Baptista. Pelo Paulistão, o Corinthians quase sempre vence em Campinas, mas pelo Brasileiro a última vitória veio em 2005. Com a volta de Pablo, Carille mandará a campo o que considera o Corinthians ideal – que inclui Romero, Jadson e mais uma turma que parece que se esqueceu de jogar bola.

17h Fluminense x Bahia (Maracanã)
Turno: 1-1
Colocação: 13-Flu (38), 12-Bahia (38)
Prognóstico: Flu 2-1
Aposta: coluna 1, com empate anula
Fora de casa, o Bahia não vence há mais de três meses – três empates e quatro derrotas nas últimas sete partidas. O Flu, que tinha um desempenho pífio em casa, melhorou e ainda conta com um retrospecto muito bom contra o Bahia. Quem vencer estará praticamente livre do rebaixamento.

17h Atlético-MG x Botafogo (Independência)
Turno: 1-1
Colocação: 10-CAM (41), 6-Fogo (47)
Prognóstico: 1-3 Fogo
Aposta: melhor fugir
Jogo crucial na briga por Libertadores. Para o Galo, é vencer ou vencer – o que não tem sido tão corriqueiro neste ano no Horto. O Botafogo já eliminou o Atlético na Copa do Brasil neste ano e costuma ser uma pedra no sapato do time mineito.

18h Sport x Coritiba (Ilha do Retiro)
Turno: 0-3 Sport
Colocação: 15-Sport (35), 19-Coxa (32)
Prognóstico: Sport 1-0
Aposta: menos de 2,5 gols
Confronto crucial na briga contra o rebaixamento, reunindo os dois piores times do returno – ambos venceram só 1 de 11 jogos, somando sete pontos. O Sport demitiu Luxemburgo e vai de Daniel Paulista até o fim. Pelo Brasileiro, o time não vence na Ilha há mais de três meses, com dois empates e cinco derrotas nos últimos sete jogos. Já o Coxa, fora de casa, empatou três e perdeu três das última seis. No ano passado, o Coritiba quebrou um tabu, vencendo o Sport na Ilha pela primeira vez. É, historicamente, um estádio ruim para o Coxa.

18h Vitória x Atlético-GO (Barradão)
Turno: 1-2 Vitória
Colocação: 17-Vitória (33), 20-Atlético-GO (26)
Prognóstico: Vitória 2-1
Aposta: melhor fugir
Pior mandante, o Vitória conseguiu perder 10 de 15 jogos que fez em casa. Se não ganhar do lanterna, vai ganhar de quem? Está na hora de o Vitória pagar um pouquinho da dívida que tem com a torcida, até porque já são quatro jogos sem vitórias e a situação é preocupante. Após esboçar reação no returno, o Atlético-GO perdeu as últimas três e já sabe que não conseguirá escapar da degola. Ainda assim, pode beliscar algum pontinho em Salvador.

19h Avaí x Grêmio (Ressacada)
Turno: 0-2 Avaí
Colocação: 16-Avaí (34), 4-Grêmio (50)
Prognóstico: Avaí 1-0
Aposta: menos de 2,5 gols, mas coluna 1 pagando bem
O Grêmio, com um pé na final da Libertadores, mandará a campo um time completamente reserva. Aquele time que apanhou de todo mundo no campeonato inteiro. Chance de ouro para o Avaí, o mandante que mais empata no Brasileiro, para abrir vantagem para o Z4.

SEGUNDA

20h Palmeiras x Cruzeiro (Allianz)
Turno: Cruzeiro 3-1
Colocação: 2-Palmeiras (53), 5-Cruzeiro (47)
Prognóstico: 2-0
Aposta: coluna 1
A torcida vai lotar o Allianz e empurrar o Palmeiras, que venceu as três desde a saída de Cuca. Independente do que faça o Corinthians no domingo, a chance de chegar vivo no dérbi e sonhar com o bi passa por vencer o Cruzeiro. São dois dos melhores times do returno, atrás só do Botafogo, mas o Cruzeiro já dá mostras de desinteresse no campeonato e perdeu as últimas duas. O time mineiro é uma pedra no sapato palmeirense e passou pelo Verde na trajetória de sucesso na Copa do Brasil. O Palmeiras não terá Bruno Henrique, suspenso, mas talvez tenha o retorno de Mina.


É sério que seus Mundiais precisam ser carimbados por engravatados da Fifa?
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Julio Gomes

Acordei tarde, após mais uma madrugada tumultuada por minhas lindas (e não tão dorminhocas) bebês e me deparei com um trending topic de impacto no Twitter. SOU CAMPEÃO MUNDIAL.

Uau. Cliquei lá para ver do que se tratava. E do que se tratava? A Fifa reconheceu que os campeões intercontinentais entre 1960 e 2004 eram, de fato, campeões mundiais. E sabem o que este fato merece? Desprezo. E não comemoração.

Aqui no Brasil, temos uma incrível necessidade de chancelas oficialescas. Por exemplo. O mundo sério da bola sabe que a escolha mais confiável e embasada de melhor jogador do planeta é a Bola de Ouro, feita há décadas pela revista France Football. Mas, no Brasil, o peso maior é para o que diz a Fifa.

Tanto a Fifa também sabe que a Bola de Ouro é mais importante que comprou o prêmio anos atrás, para unificá-lo. Agora, desfeita a parceria, mudou de data, passou a olhar para a temporada (em vez de ano corrido). A Fifa rebola para conseguir o reconhecimento ao prêmio dela. Claro, com tanto dinheiro, tanta pompa e circunstância, é capaz que a Fifa ganhe, para sua gala, status parecido ao da France Football.

Por que dar tanto peso para uma entidade sabidamente corrupta, que tenta agora limpar sua barra após décadas de roubalheira e politicagem? Por que precisamos que alguns senhores engravatados, com charuto na boca e cartola na cabeça, nos digam quem é e quem não é campeão mundial?

Aliás, isso serve para o Brasil também. Todos sabem que o Brasileiro é Brasileiro desde 1971. E todos sabem que o Flamengo era o melhor time do Brasil em 1987. Eu não preciso da CBF e de suas politicagens e razões estranhas para definir o que é e o que não é. A história mostra o que é e o que não é.

Flamenguistas, gremistas, santistas, são-paulinos, vocês precisam mesmo da Fifa?

Essa necessidade de chancela é um atestado de fraqueza, a meu ver. Quem sabe o que é e sabe o que fez não precisa dos outros para reconhecerem seus feitos.

Quer uma chancela mais importante que a da Fifa? Deem uma passadinha pela associação de veteranos do Real Madrid, que fica ali no Santiago Bernabéu, e perguntem a eles o que eles acham do Santos dos anos 60. Ou então perguntem a Guardiola e Maldini o que eles achavam do São Paulo dos anos 90.

Eu diria, inclusive, que a Copa Intercontinental disputada até o fim do século passado era muito mais Mundial do que o que veio depois. Não por uma questão de formato nem de nomes. Mas uma questão de contexto do futebol. Até a lei Bosman, a União Europeia e o advento da Champions League moderna, os times europeus não eram tão fortes como hoje.

Eram fortes, claro, eram ricos, mas não eram verdadeiras seleções mundiais. Os clubes sul-americanos tinham muito mais bons jogadores retidos por aqui, tinham times muito mais competitivos. Até mais ou menos o ano 2000, quando chegava o Mundial, não era possível cravar um favorito claro. Tinha jogo. Tinha confronto de escolas, de estilos.

Alguém ousa dizer que o São Paulo de 2005 era o melhor time do mundo? Quem disser isso é louco. Os de 92 e 93, sim, eram. O de 2005 não era. Nem perto. Alguém ousa dizer que o Inter de 2006 ou o Corinthians de 2012 eram os melhores times do mundo? Sinto decepcioná-los, mas não eram. Não estavam nem entre os 10.

E o que nós, sul-americanos, precisamos, é mudar isso no campo e no que acontece fora dele. Precisamos que nossas economias sejam mais fortes, que nossas sociedades sejam mais justas, democráticas e organizadas, que nossos clubes sejam profissionalizados, que nossas federações e confederações saiam das mãos de mafiosos.

Hoje em dia, infelizmente, o futebol de altíssimo nível está só na Europa. Isso não é vira-latismo. Isso é constatação. Vira-latismo é continuar tratando o futebol como é tratado por aqui, vira-latismo é precisar que alguém em um escritório da Suíça nos diga que fomos campeões mundiais em tal e tal ano.

Buscar carimbinho da Fifa quer dizer pouco. Ou quase nada. Talvez o melhor trending topic para hoje seja um simples “EU JÁ SABIA”.

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