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Arquivo : Salah

Marcelo x Salah é o duelo chave da final da Champions
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Julio Gomes

Chegou a hora. Real Madrid e Liverpool vão decidir amanhã, em Kiev, o título europeu. O Real Madrid tenta se transformar no primeiro a vencer a competição máxima do continente por três vezes seguidas desde o Bayern dos anos 70 – já é o primeiro a ganhar dois seguidos na “era Champions”. O Liverpool, que nunca conquistou o Inglês na “era Premier League”, pode voltar a ser coroado após o “milagre de Istambul”, em 2005, para cima do Milan.

Muito se fala do duelo Cristiano Ronaldo x Salah. A vitória na final seria um passo decisivo rumo à Bola de Ouro – ainda que falte “só” a Copa do Mundo para ser jogada.

Quando todos esperavam o ano de Neymar, após a chegada triunfal ao PSG, foi um egípcio que saiu do nada para se meter entre Messi e Cristiano Ronaldo, dominantes há 10 anos.

Mas não é Cristiano Ronaldo quem irá parar Salah na final deste sábado. A responsabilidade é coletiva. E o setor é o de Marcelo.

Este é o grande duelo da decisão. Marcelo x Salah. Marcelo vive um momento sublime na carreira e é de seus pés que costumam sair as jogadas mais perigosas do Real Madrid.

Pode ser um drible que rompa uma das linhas e gere profundidade. Pode ser uma finalização certeira de fora da área, como a contra o Bayern m Munique. Pode ser uma tabela com um dos atacantes. Pode ser uma daquelas magníficas viradas de jogo, que gera um contra um pelo outro lado do campo.

Muitas vezes o jogo do Real nasce por ali, e Salah é o primeiro jogador a dar o combate.

Não podemos perder de vista que Marcelo está longe de ser perfeito na defesa. Ainda que tenha evoluído, é um ponto fraco do Real e precisa de muita ajuda por ali. É o lado de Salah, um jogador que faz uma temporada surreal.

Há muitos outros duelos que podem definir o jogo, mas é por ali que a final será jogada, estudada, pensada. Quem, entre os dois, ganhar a batalha nas fases ofensiva e decisiva, deixará seu time muito bem encaminhado.


Salah é o melhor jogador do mundo, será injusto se não for Bola de Ouro
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Julio Gomes

A primeira coisa que é importante ressaltar, antes de seguir com este post. O prêmio de melhor jogador de futebol do mundo não pode ser dado para quem “é” e, sim, para quem “está”. É um prêmio de melhor do ano. Para premiar a temporada, não uma avaliação geral de todos os atributos e potencial que os jogadores têm na vida.

Dito isso, será uma das grandes injustiças da história se não for Mohamed Salah, um egípcio, um herói improvável, o jogador encarregado de quebrar os 10 anos de domínio de Messi e Cristiano Ronaldo dividindo a premiação de melhor do mundo.

Desde que Kaká foi eleito, em 2007, o argentino e o português ficaram com cinco prêmios cada. No meio do caminho, a Fifa “comprou” a Bola de Ouro, uma premiação mais técnica e com mais credibilidade – afinal, a votação da Fifa é povoada de jogadores, técnicos e jornalistas da periferia da bola, mais sujeitos a votar em nomes famosos.

Agora, Bola de Ouro e Fifa estão separadas novamente. Não consigo prever o que acontecerá na premiação da Fifa, creio que dependerá demais da Copa do Mundo.

Mas acredito que dificilmente a Bola de Ouro sairá das mãos de Mohamed Salah. E será injusto se não for assim.

Salah já foi eleito o melhor jogador da Premier League por seus pares – um indicativo importante, em um campeonato tão dominado por um time, o Manchester City, que não é o dele.

Na temporada toda, são 43 gols em 47 jogos para Salah. Uma enormidade. E ele ainda produz um número significativo de assistências.

Nesta terça, contra a Roma, Salah fez dois e deu dois passes para gol. Os dois gols foram os dois primeiros. E foram dois golaços. Este é outro detalhe. O cara virou o Messi de um ano para o outro. É gol de canhota no ângulo, de cavadinha… é só golaço. Sem contar a função tática pela esquerda, fechando espaços e criando muitos problemas com tanta velocidade.

Quando saiu de campo, o Liverpool relaxou e tomou dois gols que ainda fazem a Roma sonhar. No fim, 5 a 2 para o time inglês. É muito difícil a classificação para a final europeia escapar, mas futebol é futebol.

No dia 15 de junho, o Egito vai estrear na Copa do Mundo contra o Uruguai, em Ekaterimburgo. Será o primeiro jogo do Egito em Copas desde 1990. Será o dia do aniversário de 26 anos de Salah, que não é nenhum garotinho.

Foi contratado pelo Chelsea quatro anos atrás, não deu certo, foi emprestado para a Fiorentina, vendido para a Roma. Na Itália, eu costumava chamá-lo de “uma espécie de Mirandinha”. Velocista, ciscador, mas péssimo na tomada de decisões. Meio burro, falando o português claro (“ou corro ou penso, professor”). Eu, como muitos, achei um absurdo o Liverpool pagar mais de 200 milhões de reais por ele.

Eu, como muitos, estávamos errados. Ele não só provou seu valor na Premier League como passou a tomar todas as decisões corretas. Passa quando tem que passar. Finaliza quando tem que finalizar. E faz gols. Um caminhão deles.

O Liverpool perdeu seu (suposto) melhor jogador em janeiro, Philippe Coutinho, e foi criticado por trazer um zagueiro (Van Dijk) por outro caminhão de dinheiro. Resultado? Acertou o sistema defensivo, manteve a velocidade na frente, já praticamente se garantiu no top 4 da Premier, derrubou três vezes seguidas o badalado time de Guardiola e está virtualmente na final da Champions League.

Tudo isso passa por um monte de gente. A coragem de Klopp, a grande fase de Firmino, a presença de Van Dijk, etc. Mas tudo isso passa essencialmente pelo Faraó. Por Salah.

Messi é o Pelé dos nossos tempos. Cristiano Ronaldo é o melhor atacante que já vimos. Os dois elevaram o nível do futebol a tal ponto que é muito difícil olhar para outro jogador e colocá-lo acima deles.

Mas lá está Salah. No topo da pirâmide.

 


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