Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Rogério Ceni

São Paulo perde até troféu “cretinice da semana”. Prêmio vai para a Chape
Comentários Comente

juliogomes

A fase do São Paulo é tão ruim que nem o prêmio “cretinice da semana” ele consegue ganhar. Afinal, a Chapecoense conseguiu superá-lo.

Porque, mais cretina do que a demissão de Rogério Ceni, só mesmo a de Vágner Mancini.

O que os novos dirigentes pensam que a Chapecoense é? Uma gigante do futebol mundial? Talvez tenham ficado embriagados pela fama nos quatro cantos do planeta, fama gerada pela maior tragédia da história do esporte.

A Chapecoense é um clube pequeno, do interior de Santa Catarina, que conseguiu o milagre de subir da quarta para a primeira divisão nacional em cinco anos e que nela se mantém pelo quatro ano seguido. Clube que ganhou a simpatia de todos por desafiar os enormes e ricos do nosso futebol e se manter na elite contra os prognósticos.

Aí, acontece a tragédia. E vários profissionais se colocam à disposição para trabalhar para o clube. Vágner Mancini recebe um “não-time”. Vai montando elenco, é campeão estadual, classifica o time na Libertadores (perde pontos por erro administrativo) e chega a liderar o Brasileiro. No primeiro momento de instabilidade, é mandado embora?

É revoltante.

E vamos lá ver de quem a Chape perdeu? Do Botafogo, Flamengo e Atlético Mineiro, antes de cair para o Defensa y Justicia argentino e empatar com o Fluminense, sofrendo empate nos acréscimos.

Será que se tivesse vencido o Fluminense, segunda-feira, Mancini teria sido mandado embora? Eu tenho 100% de certeza. Não, não seria. Portanto, uma bola que entra ou não entra, aos 48min do segundo tempo, é o que faz um dirigente mandar ou não mandar um profissional embora.

Em um Bolão que faço com amigos, precisava mandar palpites de campeão, vice e rebaixados até a quarta rodada do campeonato. A Chape era líder. Mas coloquei na minha lista de rebaixados. Fui o único, talvez acerte sozinho. Era muito lógico que a Chape cairia de produção e logo estaria no seu verdadeiro campeonato, ali embaixo, lutando pela permanência. Pelo jeito, só os dirigentes dela achavam que aquela liderança significava alguma coisa.

Em entrevista, Vágner Mancini disse que se sentiu traído, o que é óbvio. E que sofreu com um elenco curto, quando começaram os desfalques, o que também é óbvio. Falou também:

“Vínhamos falando em reforços há muito tempo. Inclusive, me passaram que havia folga no orçamento e estávamos em cima disso. Todo mundo que sai do Estadual se reforça, a maratona é pesada.”

Interessante, essa informação. Interessante pensar que há “uma folga no orçamento” da Chapecoense. Será que há “folga no orçamento” das famílias de muitos dos mortos do último mês de dezembro? Já falei aqui e repito. A Chape é vítima e também culpada. A instituição é responsável por seus empregados, colocados dentro de um avião duvidoso, de uma empresa duvidosa. E temos relatos de famílias entrando na Justiça para receber indenizações condizentes com o que seus pais/maridos/filhos recebiam.

É uma enorme pena que as pessoas que assumiram a Chapecoense não tenham entendido nada.

Já a demissão de Rogério Ceni, tão comentada por tantos colegas e entendidos de São Paulo Futebol Clube, é cretina porque mostra o amadorismo do clube e seu presidente.

É incrível como o São Paulo, tão dominante em outros tempos, tenha ficado tão para trás. Hoje, é um clube sem identidade. Não sabe que futebol joga, se é um clube de elite ou popular, se compra ou vende, se é soberano ou humilde, não sabe nada.

Florentino Pérez também jogou para a torcida ao contratar Zidane. Mas Zidane havia passado por vários estágios obrigatórios na carreira de um treinador em formação. A aposta em Rogério Ceni precisava ter sido melhor estudada e, se aprovada, mantida.

O time não jogava nada, Rogério tem enorme parcela de culpa. Mas o cara tinha um plano, oras. E o mínimo que o clube devia a ele era a chance de colocar esse plano em prática. Se desse errado, depois haveria tempo para se levantar. No futebol brasileiro, quem ganha tanto dinheiro, como o São Paulo, sempre se levanta. Duro mesmo é ser a Chape. Ainda mais com quem administra o clube com o mesmo fígado de outros dirigentes.


Humildade em falta nas análises de Rogério e sobre o Palmeiras
Comentários Comente

juliogomes

No domingo, São Paulo e Palmeiras levaram chacoalhadas importantes. A classificação de ambos para a final do Paulistão ficou muito, muito difícil. Por mais que se fale que o Paulistão não vale nada, o fato é que o torcedor adora ganhar de seus maiores rivais. O São Paulo está na fila desde 2005, o Palmeiras só ganhou um dos 20 últimos estaduais que jogou, e o Paulista acaba sendo uma prova importante para técnicos “novatos”.

Rogério Ceni nunca se notabilizou na carreira de goleiro pelo excesso de humildade. Foram raras as falhas admitidas. Como treinador, apesar de ainda ser um estágio muito inicial, o caminho vai sendo parecido.

Mano Menezes, após a vitória cruzeirense no Morumbi na última quinta-feira, disse que “o futebol nos dá lições de humildade a cada dia”.

O jogo de quinta foi horrível. O resultado mais justo seria o 0 a 0, mas o Cruzeiro teve lá seus méritos ao achar dois gols de bola parada. No domingo, o São Paulo voltou a enfrentar um rival bem postado defensivamente. O mundo sabia que o Corinthians faria o que fez. E o time de Ceni voltou a levar um 0 a 2 na tampa.

Assistindo às coletivas de Ceni após o jogo, percebe-se uma dificuldade para admitir os problemas importantes do São Paulo. O discurso de quinta foi repetido no domingo.

As declarações do técnico sobre a postura de Cruzeiro e, depois, Corinthians, passam para alguns um tom de menosprezo. A impressão que muitos têm, ouvindo Rogério, é de que o São Paulo dominou ambos os jogos, massacrou e perdeu por puro azar, por lances fortuitos dos adversários.

Não foi bem assim. O São Paulo foi bem marcado por ambos e ofereceu pouca dificuldades para os sistemas defensivos bem postados de Mano e Carille. Apresentou futebol pobre. Foi um time de pouca movimentação, pouca velocidade, poucas associações, poucas jogadas, muito chuveirinho. Cássio ainda fez boas defesas para o Corinthians, já o Cruzeiro só precisou afastar cruzamentos.

O que Rogério Ceni quer implantar no São Paulo é louvável. Não é fácil! O Real Madrid, com o elenco que tem, vive sérios problemas de criação de jogo e é ultradependente de bolas paradas. Construir é dificílimo, ganhar com um estilo próprio é algo que requer tempo.

É muito bom que um técnico novo e inegavelmente influente e inteligente queira implementar um futebol ofensivo, de posse e qualidade. O Brasil precisa disso.

Os que acompanhamos mais de perto o futebol de altíssimo nível técnico e tático jogado na Europa estamos sedentos por algo assim no Brasil. Chega de resultadismo. Times precisam buscar identidade e desempenho, e é isso que Rogério tenta.

Mas não funcionou contra o Cruzeiro nem contra o Corinthians. É normal que não funcione. Falta tempo, faltam peças, faltou até sorte nos jogos. E faltou Rogério reconhecer, pelo menos de forma mais contundente, os méritos e virtudes das propostas adversárias, os erros e falhas da proposta dele. O discurso transparece certa arrogância, pouca humildade.

Como pouco humildes são os que colocam esse elenco do Palmeiras na estratosfera.

E aqui quero deixar claro que não vejo ninguém do próprio Palmeiras, nem técnico nem jogadores, adotar postura de arrogância e superioridade.

Mas é incrível como muitos colegas jornalistas e torcedores estão falando do Palmeiras como se fosse um Real Madrid ou um Barcelona. Calma lá!

Sim, é verdade que o elenco do Palmeiras é mais farto que outros. Fartura e quantidade não significam que haja esse abismo todo de qualidade. Eu não me espanto pelo Palmeiras ter sofrido tanto para vencer seus dois jogos em casa pela Libertadores e nem que tenha levado três da Ponte Preta.

Será que o 11 do Palmeiras é tãããão melhor assim que o da Ponte? Calma lá! Nada que um bom sistema defensivo, com contra ataques bem armados, não possa resolver. Já faz muito tempo que o futebol sul-americano está nivelado, sem um time dominante.

“Se o Barcelona conseguiu reverter contra o PSG, por que o Palmeiras não pode reverter contra a Ponte?”

Vocês duvidam que ouviremos a frase acima ao longo da semana?

Pois é.

Parece que querem criar um Palmeiras dominador que ainda está muito distante da realidade.

O risco é o torcedor acreditar mesmo que haja tal superioridade. E cobrar de time e técnico o que eles não poderão entregar. Talvez a sova de Campinas venha em boa hora para o futuro do Palmeiras no ano.

 


Aos 40, milagreiro Ceni faz o maior jogo da carreira
Comentários Comente

juliogomes

Claro, o jogo contra o Liverpool valeu um Mundial. Teve uma partida histórica também contra o Cruzeiro, acho, em que meteu gol, pegou pênalti. Tem até um vídeo do amigo André Plihal com o seis melhores momentos de Ceni, escolhidos por ele mesmo.

Mas a verdade é que eu nunca vi um jogo de Rogério Ceni maior do que o desta noite, no Chile. O São Paulo venceu a Universidade Católica por 4 a 3 e se classificou para as quartas de final da Sul-Americana.

Antes de falar de Rogério, um comentário. Muricy acertou quando poupou jogadores para a partida de ida, um mês atrás, com o time lá na rabeira do Brasileiro. E acertou em cheio também ao botar todo mundo para jogar a partida de volta, já que o rebaixamento deixa de ser uma realidade para o São Paulo. A coisa já está acertada no Brasileiro, o São Paulo tem, na Sul-Americana, a chance de ouro (e inimaginável, meses atrás) de estar na Libertadores-2014. Deveria, nesse momento, poupar todo mundo que precisa ser poupado no Brasileiro e ir com tudo na Copa.

Aloisio fez dois gols e deu passe de gol, Ganso contribuiu com as assistências que vêm sendo frequentes. Douglas deu dois gols de graça. Tudo isso é verdade. Tem algumas histórias nesse jogo, algumas tradicionais, outras nem tanto.

Mas não haveria classificação, talvez houvesse até goleada da Católica, não fosse Rogério Ceni. “O jogo do Mundial, teoricamente, é o mais importante da história do clube. Mas fiz boas defesas hoje”, disse ao microfone de Fernando Caetano, ótimo repórter do Fox Sports.

Desculpa, Rogério. Boas defesas você fez em outras partidas por aí.

Nesta quarta, 23 de outubro, data de aniversário de Pelé, Rogério Ceni fez cinco MILAGRES no Chile. E ainda algumas outras boas defesas.

Fazer gol não é obrigação de goleiro, é um bônus. Defender pênalti tampouco, é um “plus a mais”. Defender durante o jogo, estar bem posicionado, sair bem do gol, fazer virar escanteio aquele gol certo do outro time… é isso o que fazem os goleiros gigantes.

Rogério Ceni não precisava desse jogo no Chile para se aposentar como um gigante. Mas nada como fazer a melhor partida da carreira tecnicamente. Com reflexo para dar e vender. Aos 40. Um jogo pode ser mais importante, outro menos, um mais relevante, um mais emocionante. Tem para todos os gostos. Para o meu, esse aí foi o maior do Mito.

 


São Paulo de Muricy, sem brilho, mas com pontos. E as verdades de Ceni
Comentários Comente

juliogomes

O São Paulo não foi empolgante nesta quinta festiva, no Morumbi. Não acelerou o jogo, não envolveu a Ponte Preta, não construiu seguidas chances de gol. O que ele fez, que não vinha fazendo, foi chutar mais a gol. Encontrou Luis Fabiano algumas vezes, decorrência também da péssima marcação de um time que perdeu o sétimo jogo seguido e está virtualmente rebaixado no campeonato.

(Aqui, vale o curto parênteses. Para se salvar no Brasileirão, tem que fazer 45 pontos. Se a Ponte fez 15 em um turno, não vejo razão alguma para acreditar que fará 30 no outro, dobrando o rendimento. Está quase tão condenada quanto o Náutico.)

Luis Fabiano foi errático no primeiro tempo, mas resolveu no segundo. Batendo de primeira, coisa que sempre fez, mas não ultimamente. Ganso jogou bem, Muricy ajudou liberando os laterais e abrindo buracos para ele no meio de campo. Considero Jadson um jogador mais completo que Ganso, mas não sou eu quem decide alguma coisa no São Paulo.

Depois do 1 a 0, o time recuou, deu campo para a Ponte Preta, passou ali por um sufoco desnecessário por 10 minutos. Correu risco, porque está claramente com medo e precisa se segurar aos resultados, por mais mínimos que sejam. Depois, com Jadson e Negueba, desafogando no contra ataque, a coisa melhorou.

Foi sofrido. Teve uma bola da Ponte Preta que tocou no travessão. Duas semanas atrás teria entrado, diria aquele que acredita nessas coisas. Mas, a essa altura, o que importa mesmo para o São Paulo é conseguir pontos. Muricy não podia ter estreado de forma melhor, com a enorme pressão minimizada pela vitória e, claro, com o apoio da arquibancada cheia.

Mas o que eu gostei mesmo, já que o futebol não foi nada disso, foi de ouvir a entrevista de Rogério Ceni após a partida. Com palavras lindas a esse grande profissional que é Paulo Autuori, mais uma vítima desse regime amador de gestão que impera no futebol brasileiro.

“Muricy e Paulo são caras especiais, não são caras para ficarem dois meses no São Paulo. A vinda do Paulo foi o resgate de coisas que haviam sido deixadas para trás. O resgate moral da instituição. São caras como o Muricy, como o Paulo, que temos que respeitar. Telê morreu, Paulo nós matamos. Temos que cuidar dele (Muricy).”

Mudar técnico é o recurso fácil para um dirigente de futebol. Ele não é penalizado por seus erros, tanto na má contratação quanto na má demissão. Está claro que o buraco do São Paulo é mais em baixo, é político e institucional, mas sobra para um técnico, depois para o outro, depois para o outro.

Paulo Autuori, segundo contou Rogério Ceni, não pôde nem mesmo se despedir do elenco. Uma tristeza. Depois que esse furacão passar, será a hora de o São Paulo calçar as sandálias da humildade, talvez pela primeira vez na história, e repensar muita coisa. Porque o São Paulo agiu e tem agido, ao longo do ano, como todos os outros coirmãos, a quem sempre olhou de cima para baixo.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>