Blog do Júlio Gomes

Arquivo : River Plate

Brasileiros, argentinos e dois intrusos na Libertadores
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Estão definidas as quartas de final da Libertadores. A grande zebra das oitavas de final foi a eliminação do Atlético Mineiro pelo Jorge Wilstermann, da Bolívia. De resto, tudo normal.

A eliminação do Palmeiras não é uma zebra. É verdade que é um clube de mais investimento e maior folha salarial, mas o futebol sul-americano é nivelado por baixo, e o Barcelona de Guayaquil já havia mostrado seu valor na fase de grupos, deixando pelo caminho o atual campeão, Atlético Nacional, e vencendo o Botafogo no Rio.

Galo e Palmeiras, as decepções da temporada nacional até agora, foram os únicos que perderam a vaga em casa. O San Lorenzo se safou nos pênaltis nesta quinta à noite, após perder do Emelec por 1 a 0 em Buenos Aires.

A chave está desenhada para uma final entre um argentino e um brasileiro.

De um lado, o River Plate enfrenta o Jorge Wilstermann. Vai ter de enfrentar a altitude boliviana na ida, antes de decidir no Monumental. O River é o único favorito das quartas de final. Se passar, garante um argentino na decisão, pois enfrentará o vencedor de San Lorenzo x Lanús.

O outro lado tem três brasileiros e o Barcelona. O Santos é quem vai jogar a ida no Equador antes de decidir em casa. Não vejo favoritos. O Santos tem conseguido bons resultados com mau futebol, e não à toa a revolta geral por Vanderlei não ter sido convocado para a seleção. O goleiro é, disparado, o melhor jogador do time. O Barcelona joga melhor fora do que em casa, então decidir longe do Equador não é um problema gigante.

Nesta quinta, o Santos jogou como time pequeno na Vila Belmiro. Foi amassado pelo Atlético-PR, que fez sua melhor partida na temporada. O Atlético merecia ter vencido o jogo. Mas levou um gol no contra ataque, já nos minutos finais e esgotado fisicamente.

Se jogar assim, como disse o próprio Levir, o Santos não chegará à semifinal. O Barcelona já tirou o Palmeiras, é um time muito rápido, que sabe jogar bola.

Para chegar à decisão, o Barcelona teria de se transformar no exterminador de brasileiros, e sempre abrindo os duelos em casa e decidindo fora. Difícil que aconteça, mas é bom abrir o olho. O futebol brasileiro já teve muitos tropeços inesperados por excesso de prepotência.

Grêmio e Botafogo, o exterminador de campeões (já deixou cinco pelo caminho, contando as fases prévias), decidirão as quartas em Porto Alegre. No ano passado, o Botafogo ganhou na Arena pelo Brasileirão. Neste ano, no turno, foi 2 a 0 para o Grêmio (mas com um gol irregular). O jogo do returno será neste fim de semana, no Rio.

Não consigo apontar favoritos. O Grêmio gosta de jogar com a bola, dominar e agredir seus adversários. Mas o Botafogo gosta de jogar sem a bola, é muito dedicado taticamente e se sente confortável aproveitando erros e saindo rapidamente em transição. O desenho do jogo já está na cabeça de todos. Resta saber quem aproveitará melhor as chances. A presença (ou ausência) de Luan pode ser fundamental para o confronto.

Contra o Santos, o Grêmio decidiria a semifinal em casa. Já o Botafogo abriria a disputa no Rio e decidiria fora. Tanto Grêmio quanto Botafogo estão jogando melhor do que o Santos, mas, como sabemos, o Santos tem conseguido os resultados mesmo sem jogar bem, com um grande Vanderlei. Tem história no torneio, convém não duvidar.

 

 


No papel, sorteio bom para São Paulo e Galo, ruim para Palmeiras e Grêmio
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Finalmente, a Copa Libertadores teve um sorteio decente, bacana. Nada de Peru 3, Argentina 4, Venezuela 2. Times com nome, alguns até com sobrenome, e já sabemos os grupos da competição no ano que vem. Foi um pouco arrastado, o sorteio, com muita falação até a hora da definição dos grupos. Mas avançou, ficou mais legal.

Pelo menos no papel, o sorteio foi péssimo para Palmeiras e Grêmio. Ótimo para o São Paulo e para o Atlético Mineiro. E regular para o Corinthians.

Por que “no papel”?

copalibertadoresPorque a real é que conhecemos pouco da maioria dos times da Libertadores. É muito difícil ter acesso aos jogos dos campeonatos da Colômbia, Equador, mesmo do Uruguai. Aliás, é por isso que costumamos ter essa relação de medo e soberba ao mesmo tempo com a Libertadores.

Por um lado, todo mundo é “perigoso”. Por causa da camisa, da altitude, da viagem, do que seja. Por outro lado, poucos são verdadeiramente temidos e respeitados, porque brasileiro é assim mesmo com futebol. O desconhecimento costuma gerar petulância e às vezes medo exagerado.

Teoricamente, pois, Palmeiras e Grêmio estão em grupos complicadíssimos.

O Palmeiras, no grupo 2, encara um uruguaio de tradição, o Nacional, um argentino, o Rosario Central, e provavelmente a Universidad de Chile. O Nacional deu papelão na pré-Libertadores do ano passado, mas depois ganhou o campeonato nacional. O Rosario foi terceiro na Argentina, deve ser respeitado. E “La U” já mostrou força nos últimos anos – tem de passar do River Plate uruguaio no mata-mata de fevereiro antes.

Já o Grêmio, no grupo 6, também terá uma missão difícil. O San Lorenzo, vice-campeão argentino e campeão da América no ano passado, é o cabeça-de-chave. A LDU joga em Quito, tem a altitude a seu lado. E o quarto time é o Toluca, obrigando o Grêmio a fazer a longa viagem ao México.

Palmeiras e Grêmio não terão um jogo sequer para respirar. É batalha jogo sim, jogo também, para ficar entre os dois primeiros e sobreviver para o mata-mata.

O São Paulo encara o Cesar Vallejo, do Peru, na eliminatória. No papel, não terá problemas, e a eliminação, dado o tamanho dos clubes, seria vexaminosa. Passando, o São Paulo cai em um grupo com River Plate, o atual campeão, The Strongest, da Bolívia, e Trujillanos, da Venezuela.

O River, é bom lembrar, assusta no nome e na camisa, mas só se classificou da fase de grupos da última Libertadores na bacia das almas. Acabaria sendo campeão do torneio, já sabemos. Tem de ser respeitado, mas não temido, pois além de tudo perdeu jogadores importantes. Aliás, bom lembrar que todos os times sul-americanos ficam expostos na janela de transferências de janeiro e podem sofrer com a perda de peças-chave.

O Strongest tem a altitude a seu lado, o Trujillanos não mete medo. É um grupo, no papel, que deve ser tranquilo para o São Paulo. Tudo dependerá da adaptação rápido do novo técnico e um bom planejamento, daqui 40 dias já tem jogo decisivo.

O mesmo serve para o Atlético Mineiro, que encara Colo Colo, do Chile, o Melgar, campeão peruano, e ou o Independiente del Valle, do Equador, ou o Guaraní, do Paraguai, que surpreendeu ao eliminar o Corinthians e ir à semifinal da última Libertadores.

Com Javier Aguirre no comando, o Atlético não terá o problema de desconhecimento dos adversários. É um treinador sul-americano, experiente, estudioso e que não deixará a soberba tomar conta. Grupo bom para o Atlético ficar em primeiro e fazer uma das melhores campanhas da primeira fase, para depois ganhar o direito de decidir em casa nos mata-matas.

O Corinthians caiu em uma chave nem tão dura quanto as de Grêmio e Palmeiras, nem tão fácil (na teoria) como as de São Paulo e Atlético.

Favorito destacado do torneio ao lado do Boca Juniors – foram os dois melhores times do continente em 2015 -, o Corinthians encara Cerro Porteño, sempre um rival chato lá no Paraguai, o desconhecido Cobresal, que, no entanto, ganhou título no Chile, e possivelmente o Independiente Santa Fé, da Colômbia, se este passar da fase prévia.

Se fizer a lição de casa no alçapão de Itaquera, o Corinthians não terá problemas para passar.


Não deu para o River. Ganhar Mundial hoje é preparo, vontade e muita sorte
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juliogomes

“São Paulo e Corinthians deram MUITA sorte. Liverpool em 2005 e Chelsea em 2012 ganharam a Champions por sorte, não eram nem top-5 da Europa”.

Essa foi a “tuitada” que eu dei hoje em cedo, logo depois de dizer que “O Mundial virou uma coisa desnivelada demais nos últimos 15 anos. Os sul-americanos estão a anos-luz dos times europeus”.

Escrevia isso conforme o Barcelona destroçava o River Plate, sem nenhuma margem para zebra.

Infelizmente, na tuitada da “sorte”, pela limitação de caracteres, faltou dizer que São Paulo e Corinthians deram muita sorte “por enfrentar Liverpool e Chelsea”. E não nas vitórias sobre ambos. Mas, claro, corações apaixonados leem o que querem. A tuitada deu polêmica. E muita! E agora, com mais espaço, vamos desenvolver o raciocínio.

O Mundial de Clubes é o ponto fraco do brasileiro. Esse é um torneio que precisa ser relativizado. Mas como relativizar quando se pensa com coração e fígado? Como relativizar quando temos uma sociedade paranóica em querer ser “a melhor do mundo”, principalmente quando o tema é futebol?

O Mundial precisa ser relativizado por vários fatores.

Não necessariamente envolve os melhores de cada continente – há um mata-mata, com alto grau de imprevisibilidade, para definir Champions e Libertadores. Além disso, os times chegam, em regra, modificados em relação aos que ganharam o título continental. Às vezes mais fortes ainda, às vezes mais fracos, não raro com treinador diferente. A viagem, principalmente se for para o Japão, é longuíssima. E o nível de preparação varia demais.

Espanhóis, por exemplo, até dão certa importância. Capa de jornal, pelo menos. Ingleses não dão a menor pelota. Isso varia até mesmo dentro da Europa. E é dificílimo conseguir assistir ao jogo na Europa, a não ser que você esteja no país de um dos clubes envolvidos.

Hoje em dia, e cada vez mais, a preparação dita a história de um jogo de futebol. Programas de computador ajudam comissões técnicas que, se realizarem o trabalho de depuração com competência, passam tudo mastigadinho para jogadores. Vai marcar fulano? Analisa-se, com dados e estatísticas, a melhor maneira de combate os pontos fortes de fulano. Para onde corta, dribla, etc.

Times sul-americanos vivem, respiram o Mundial durante seis meses. Os europeus, por uma semana. Isso faz muita diferença. Aí é necessário colocar na mistura a vontade. E isso vai variar muito conforme a quantidade de jogadores sul-americanos atuando pelo time europeu em questão. Porque jogadores sul-americanos nascem e crescem ouvindo que o Mundial é a coisa mais importante que existe. Europeus, não.

E vontade, no futebol e em qualquer esporte ou profissão, conta muito. Quem quer mais amplia suas chances de vitória contra quem quer menos.

De 15 anos para cá, com a Lei Bosman e o livre mercado europeu consolidados, os clubes de lá viraram verdadeiras seleções. Enquanto os daqui, sujeitos a desmandos de federações corruptas e situação econômica instável em países emergentes (quando muito), foram ficando para trás. Criou-se um abismo.

Abismo que não existia quando Santos, Flamengo, Grêmio e São Paulo ganharam Mundiais lá atrás. Havia equilíbrio, havia, sim, duelos entre escolas. Naquele tempo, o Mundial era mesmo um tira-teima. O último sul-americano com nível mundial foi o Corinthians de 2000. De lá para cá, abriu-se o abismo.

Com verdadeiras seleções e se nada de significativo mudar, os times europeus vão perder “Mundiais” para os sul-americanos beeeeeem de vez em quando. E essa tendência já pode ser notada. De 1960 até o ano 2000, por quatro décadas, foram 22 títulos sul-americanos contra 18 europeus. Equilíbrio total. De 2001 até 2015, o placar está 11 a 4 para os europeus. Desequilíbrio.

Estou juntando Copa Intercontinental e Copa do Mundo de Clubes da Fifa, logicamente. Porque, salvo para mentes doentias, é a mesma coisa.

O River Plate, neste domingo, não teve qualquer chance contra o Barcelona. Em outros tempos, Messi, Neymar e Suárez, os três melhores jogadores sul-americanos da atualidade, talvez estivessem jogando pelo River (ou pelo menos um deles). Hoje, estão os três juntos. No time europeu.

Foi um passeio.

E é aí que está a questão. Não é apenas o fato de europeus estarem ganhando mais. É que os sul-americanos já entram em campo sem qualquer chance. Não é muito diferente, para o Barcelona, se impor contra o River Plate ou contra o Guangzhou Evergrande. Como não foi para o Real Madrid ano passado, Bayern de Munique no retrasado, etc.

Os times sul-americanos estão mais expostos a perder de algum africano ou asiático (Mazembe e Raja Casablanca que o digam) do que a ganhar de um europeu. O nível é mais próximo de quem está abaixo do que quem está acima.

O que pode fazer um sul-americano ganhar, então?

Um completo alinhamento de estrelas. Tudo tem que dar certo. E o legal do futebol é que, às vezes, dá.

Como eu já disse lá em cima, a preparação do sul-americano tem de ser muito mais bem feita, é necessário aproveitar o fato de conhecer o rival de baixo pra cima, de frente para trás, enquanto os do outro lado não têm o mesmo nível de conhecimento. A vontade de ganhar dos jogadores tem que ser maior – e é. Sul-americanos têm jogado em casa (20 mil argentinos para ver o River contra o Barça, 30 mil corintianos no Japão em 2012, etc).

E sorte, claro, conta muito em um duelo de partida única. Um goleiro inspirado, um impedimento mal marcado, um cartão vermelho, uma falha individual. Quanto menor o espaço para disputa, maior a chance de quem é pior.

Ajuda também enfrentar um europeu que não seja o melhor do momento.

E foi exatamente isso o que aconteceu com o São Paulo, em 2005, e o Corinthians, em 2012.

Os corintianos do Twitter ficaram menos exaltados do que os são-paulinos. Talvez por ser uma memória mais recente. O próprio Tite já disse que, tivesse o Corinthians enfrentado o Barcelona de Guardiola, muito dificilmente teria sido campeão no Japão.

O Chelsea estava longe de ser o melhor da Europa. Deu uma estrelada na Champions daquelas que fazem a gente amar o futebol. Na semifinal, contra o Barça, até Messi perdeu pênalti. Isso não é sorte? Da parte de Messi, não é azar, é incompetência. Da parte do Chelsea, é o quê? Quantos times tiveram a sorte de aproveitar um raríssimo momento de fraqueza de Messi? E na final, contra o Bayern? Achou um gol improvável de empate, depois ganhou nos pênaltis.

Não foi pouca sorte que o Chelsea teve para ser campeão europeu naquele ano. Foi muita. Mas MUITA. Claro que sorte, sem competência, coração, orgulho, etc, não leva ninguém a lugar algum. Mas ignorar os fatos subjetivos daqueles jogos é ignorar a própria essência apaixonante do futebol. Seis meses depois, quando foi enfrentar o Corinthians, o Chelsea já tinha outro técnico (Benítez, que coincidência) e havia sido eliminado na primeira fase da Champions League 2012-2013.

Isso está claro para qualquer pessoa que entenda de futebol. Que o Corinthians teve uma sorte danada de ter o Chelsea como rival no fim de ano. O que não tira, em nada, o mérito do título corintiano. As defesas de Cássio, o sistema tático montado por Tite, etc. Era um time inferior, mas que havia se preparado melhor, queria mais a vitória e enfrentou um rival ideal. As estrelas se alinharam.

Como se alinharam, ainda mais, para o São Paulo em 2005.

Porque hoje, com o futebol global, o abismo entre times europeus e sul-americanos diminuiu um pouquinho. No meio da década passada, estava no ápice.

O São Paulo deu uma sorte danada de enfrentar o Liverpool.

Aquela Champions 2004/2005 foi especial. O Barcelona de Ronaldinho já era um dos grandes times da Europa, foi eliminado de forma épica pelo Chelsea de Mourinho nas oitavas – o início da rivalidade Barça-Mou, que marcou a Europa nos anos seguintes. O Real Madrid galáctico de Luxemburgo ficou pelo caminho também.

Ao Liverpool, de Benítez, brilhou a estrela com gol espírita na semifinal contra o Chelsea. E depois, aquela final de Atenas, possivelmente a maior final europeia de todos os tempos. Um Milan 250 vezes superior já metia 3 a 0 no primeiro tempo. A superioridade era tanta, e tão rara em uma final europeia, que o Milan se deu o direito de achar que estava ganho no intervalo. E aí, carregado por sua linda torcida, o Liverpool foi buscar o empate e o título nos pênaltis.

Foi um dos títulos mais épicos e improváveis da história da Champions League – comparável ao do Chelsea em 2012, do Porto (Mourinho) em 2004 e da Inter (Mourinho de novo) em 2010.

Naquele ano, o Liverpool acabou em quinto o Campeonato Inglês, 37 pontos atrás do Chelsea. Teve uma polêmica na Europa, porque o campeão da Champions sempre joga o torneio seguinte. Mas ele também sempre é um time forte o suficiente para se classificar para a Champions seguinte via liga doméstica.

Pois aquele Liverpool não conseguiu a vaga via Premier League. Foi necessário aumentar o número de ingleses na Champions 05-06, e o Liverpool precisou passar pelas fases eliminatórias, jogando contra times de Gales, Lituânia e Bulgária. Caiu nas oitavas de final da Champions seguinte, para o Benfica.

E esse era o nível daquele Liverpool. Médio. Do nível do Benfica, inferior a 10 ou mais times europeus. Um time que ganhou a Champions porque as estrelas se alinharam e a energia de jogadores e torcida fez toda a diferença. Energia que times ingleses, especialmente os ingleses, não levam para o Mundial tão amado pelos sul-americanos.

Problema deles? Sim, problema deles. E problema do torneio também.

A sorte que o São Paulo teve foi de encarar um adversário que não era, nem de longe, o mais forte e interessado que podia enfrentar. E logo teve o jogo épico de Rogério Ceni, o bandeirinha acertando impedimentos milimétricos que acabariam em gols do Liverpool (outros times não têm essa “sorte” de acertos tão difíceis para a arbitragem). Enfim. Teve méritos, muitos méritos. E teve sorte, em boa dose.

Ninguém está aqui para tirar os méritos de São Paulo e Corinthians por aqueles Mundiais. Apenas para contextualizar.

O que aconteceu com o River Plate neste domingo ou com o Santos em 2011 é o normal de 15 anos para cá. Atropelamento sem dó. O que aconteceu em 2005 e 2012, e também em 2006 com o Inter, só é possível quando tudo conspira, tudo se alinha, é formada a tempestade perfeita.

E isso faz até ser mais bacana ver as esporádicas vitórias sul-americanas. Sempre é legal ver Davi derrubar Golias. O que não dá é para achar que essas vitórias eventuais simbolizam alguma coisa. Elas são pequenos milagres, nada muito além disso.

O Mundial deixou, faz tempo, de ser um duelo de escolas, um jogo aberto em que qualquer um poderia ganhar. Os sul-americanos ganharão de vez em quando. E, para isso, precisam de muita preparação, de muita vontade e, claro, de muita sorte.


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