Blog do Júlio Gomes

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Real Madrid é primeiro bicampeão da era Champions. Veja mais curiosidades
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O Real Madrid conquistou a terceira Liga dos Campeões da Europa em quatro anos. Um domínio que não era visto desde os tricampeonatos de Ajax e Bayern de Munique, na década de 70 – quando o torneio tinha mesmo só campeões, não vários times fortes dos principais países.

Os 4 a 1 sobre a Juventus – que, antes desse jogo, havia tomado apenas três gols em 12 partidas no torneio – significaram a 12a conquista europeia do Real Madrid. Aqui vão alguns dados e curiosidades da Champions.

– O Real Madrid é o primeiro clube a ganhar dois títulos seguidos desde que a Champions League foi criada (substituindo a Copa dos Campeões), em 1992;

– O último bicampeão havia sido o Milan, em 89 e 90. Assim, Zidane torna-se o primeiro técnico a ganhar dois europeus seguidos desde o lendário Arrigo Sacchi;

– É a primeira vez desde 1958 que o Real Madrid consegue ser campeão europeu e espanhol na mesma temporada;

– O Real ganhou 12 das 15 finais que disputou, um incrível aproveitamento de 80%. Já são seis finais consecutivas vencendo;

– A Juventus, por outro lado, tem aproveitamento pífio em finais, com duas vitórias e sete derrotas – já são cinco seguidas depois do último título, em 1996;

– Campeã de tudo na Itália, a Juve perdeu a chance de conquistar uma tríplice coroa inédita. Entre italianos, só a Inter conseguiu, em 2010;

– O Real Madrid fez pelo menos um gol em todos os 60 jogos oficiais que disputou na temporada. A série histórica vem desde a temporada passada e já está em 65 partidas;

– Cristiano Ronaldo chegou a 600 gols na carreira (em 855 jogos) – 105 deles na Champions League, liderando a lista de artilheiros na história da competição;

– Com 12 gols, o português foi o artilheiro da Champions League pela quinta vez seguida e pela sexta vez em sua carreira – superando Messi, máximo goleador de cinco edições. Dos 12 gols, 10 saíram das quartas de final para frente;

– Cristiano Ronaldo torna-se o segundo homem (primeiro desde a criação da Champions) a fazer gols em três finais diferentes. Ele marcou também em 2008, pelo Manchester United, e em 2014. Alfredo di Stefano, outra lenda do Real Madrid, fez gols em cinco finais, consecutivamente entre 1956 e 60;

– Casemiro tornou-se o décimo brasileiro a marcar um gol em final de Champions League. O último havia sido Neymar, pelo Barcelona, em 2015, também contra a Juventus;

– Em apenas um ano e meio no cargo, Zidane já tem um currículo melhor como técnico do que como jogador do Real Madrid. Como técnico, ganhou cinco títulos: duas Champions, um Espanhol, um Mundial e uma Supercopa da Europa. Como jogador, também conquistou um Espanhol, um Mundial e uma Supercopa, mas apenas uma Champions.

 


O melhor da Europa? Aquele que tem Cristiano Ronaldo
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Fazia muito tempo que uma final de Champions League não mostrava quem era o melhor da Europa. A deste sábado mostrou. O melhor time é sempre o time de Cristiano Ronaldo.

Dois gols na final, gols em três finais, quatro títulos europeus. O melhor do mundo.

A Juventus foi agressiva no início, como tinha que ser. Teve chances. Mas cedeu um contra ataque, Cristiano Ronaldo deu um passe perfeito para Carvajal, que devolveu também com perfeição. E aí veio aquela finalização de bilhar. 1 a 0.

Mas a Juve, brava, não desistiu. Foi para cima, empatou em um gol que poderia ter marcado o futuro de Navas no Real Madrid. Mandzukic tocou por cobertura e correu para o abraço. Fez o mais difícil. Achar um empate rápido.

No segundo tempo, no entanto, não teve jogo. Ou melhor. Teve jogo de um time só.

A Juventus não quis rifar a bola, tentava sair jogando, mas a marcação avançada do Real Madrid não só impedia essa estratégia como roubava rapidamente e criava situações de perigo.

O gol parecia questão de tempo. E foi. Saiu em chute de muito longe de Casemiro, que desviou em Khedira e matou Buffon, entrando no único buraquinho possível entre a mão dele e a trave.

A Juve sentiu o gol. Não sabia o que fazer. Seguiu tentando sair para o jogo desde a defesa. E, em um passe errado de Alex Sandro, Modric criou o cruzamento finalizado por (quem mais?) Cristiano Ronaldo.

Com 3 a 1, a final morreu. Ainda teve um quase gol de Alex Sandro. E a ridícula expulsão de Cuadrado, em um teatro de Sergio Ramos que foi a única coisa a se lamentar na atuação do Real Madrid. Depois, veio a jogadaça de Marcelo e os 4 a 1, dos pés do superpromissor Asensio.

A Juventus havia levado três gols em 12 jogos na Champions. Levou quatro do time que fez gols em TODOS os 60 jogos oficiais que fez na temporada.

O campeão dos campeões, o time que não perde finais, ganha a sexta seguida. A duodécima. terceira em quatro anos. O primeiro bicampeão da história moderna da Champions League. Contra uma Juventus que perde a quinta final seguida e vira, de vez, o oposto do Real. O time que não vence finais.

Ganhou o melhor da Europa. Ganhou o time de Cristiano Ronaldo.


Juventus x Real Madrid: Cinco chaves da final da Champions League
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Há quem se apegue a curiosidades e tabus para “determinar” um favorito em uma final de campeonato. Freguesias, cor de camisa, datas.

Por exemplo. Você sabia que desde que a Copa dos Campeões virou a Champions League um clube italiano é campeão a cada sete anos? Em 96, foi a Juventus. Em 2003, o Milan. Em 2010, a Inter. Portanto, em 2017 só pode dar Juve, certo?

Por outro lado, você sabia que nas únicas duas vezes que o Real Madrid enfrentou a Juventus em campo neutro ele ganhou? E que, enquanto o Madrid é o clube de melhor aproveitamento em finais europeias, a Juve é o pior? Isso considerando quem jogou várias finais, claro, não só uma ou duas.

Esse tipo de informação é legal. Mas só se torna relevante mesmo se pesar coletivamente, se transformar em um fardo que, de fato, faça os jogadores atuarem abaixo do que podem devido à pressão. Que um tabu, uma “necessidade” de vitória entre na cabeça dos caras e afete o jogo. Não parece ser o caso neste Juventus x Real Madrid de jogadores tão experientes. Então vamos às chaves táticas da grande decisão deste sábado.

1- Brasileiro x brasileiros

Daniel Alves x Marcelo. Não é novidade para ninguém, certo? Um duelo que já ocorreu muitas vezes nos confrontos entre Barcelona e Real Madrid. Pelo Barça, Daniel enfrentou o Real 27 vezes, com 14 vitórias e 7 derrotas. Se somarmos os anos de Sevilla, foram 22 vitórias em 42 jogos. Ou seja, teve mais sucessos do que fracassos. Daniel Alves é uma das chaves da partida, seu espírito é contagiante e a experiência é muito importante. Quem vai pará-lo? Se Marcelo tiver essa atribuição, ficará comprometida uma importante saída de jogo do Real Madrid com ele pela esquerda. Possivelmente o trabalho sobre muitas vezes para Casemiro, um jogador que flertou com expulsões em vários momentos da temporada. Casemiro e Marcelo precisam parar Daniel Alves para o Real Madrid aumentar suas chances.

2- Agressividade

O Real Madrid faz gols consecutivamente há 64 jogos – todos os 59 da temporada atual e 5 ainda da temporada passada. Se tem algo que ficou claro nos últimos anos é que times que esperaram o Real Madrid pagaram o preço (como o Atlético de Madri). Uma das chaves para a Juventus é tomar as rédeas do jogo e mostrar a mesma agressividade que mostrou nos jogos de ida contra Barcelona e Monaco, outros times de ataque muito poderoso. Construir jogo, tentar aproveitar as falhas defensivas do Real, buscar o gol e não ficar apenas esperando uma boa chance de contra ataque.

 

3- Batalha no meio de campo

Tudo indica que Isco será mesmo titular e Bale começará o jogo no banco de reservas. Boa notícia para o Real Madrid, que foi um time muito mais equilibrado na temporada com o losango no meio – Casemiro no vértice de baixo, Modric pela direita, Kroos pela esquerda, Isco no topo. O desenho deu mais consistência defensiva, com os volantes ajudando na cobertura sem abrir buracos no meio. A Juventus não tem um volante do tipo Casemiro. Como Pjanic e Khedira conseguirão cortar essas linhas de passe? Como Dybala será municiado? Como sempre, no futebol de alto nível, quem ganhar a batalha do meio de campo terá grandes chances de ganhar o jogo.

4- Duelos individuais

Jogos muito equilibrados costumam ser desequilibrados de duas maneiras: arbitragens ou vitórias nos duelos individuais. Literalmente, um jogador superando o outro. Subindo mais para o cabeceio, dando um drible, se antecipando, aproveitando um erro alheio, enfim. Cristiano Ronaldo e Benzema destruíram o Atlético de Madri na semifinal ganhando os duelos individuais. Conseguirão também contra Chiellini, Bonucci e Barzagli? O mesmo vale para o outro lado. Higuaín e Mandzukic contra Sergio Ramos e Varane.

5- Primeiro gol

Viradas são muito raras em finais. Tão raras que basta puxar na memória para nos lembrarmos delas. Aqueles 2 a 1 do Barcelona sobre o Arsenal em 2006, com gol de Belletti no finalzinho. Ou os dois gols nos acréscimos do Manchester United sobre o Bayern de Munique, em 99. O Real Madrid ganhou do Atlético de virada, em 2014, mas na prorrogação e em circunstâncias especiais (empate aos 48min do segundo tempo, esgotamento físico e emocional do adversário). Há um certo consenso de que quem marcar primeiro terá muito mais do que meio caminho andado, daí a importância de entrar em campo a 110 por hora.

 

Com esse post, concluímos uma semana cheia de informações sobre Juventus e Real Madrid aqui no blog. Abaixo, encontre links para ler mais. Agora é esperar por um jogo sem erros importantes de arbitragem e que nos mostre, afinal, quem é o melhor da Europa.

Três razões para acreditar na Juventus. E três para crer no bi do Real Madrid

Buffon e Zidane: dois momentos históricos em que os caminhos se cruzaram

“Zidane virou um grande na Juventus, só faltou a Champions”

Como a final de 98 mudou os destinos de Real Madrid e Juventus

Real e Juventus campeões nacionais. Agora só falta saber quem é melhor

 


Três razões para acreditar na Juventus. E três para crer no bi do Real
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A final da Liga dos Campeões, sábado, será a primeira em muitos anos que realmente apontará quem é o melhor time da Europa. Um tira-teima entre os dois melhores da temporada. A Juventus, campeã italiana e da Coppa Itália, tenta a tríplice coroa inédita. O Real Madrid tenta ser campeão espanhol e europeu pela primeira vez desde 1958.

Os dois gigantes têm motivos de sobra para acreditar que podem levantar a “orelhuda” em Cardiff, no País de Gales. Aqui, o blog aponta os três principais.

TRÊS RAZÕES PARA ACREDITAR NA JUVENTUS

1- Melhor defesa do mundo

Dizem que ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos. O sistema defensivo da Juventus começa pelos atacantes e a pressão que exercem lá na frente, o que já virou praxe no futebol mundial. E acaba em uma verdadeira muralha. Buffon, melhor goleiro das últimas duas décadas, talvez da história, e a seguríssima linha de zaga formada por Chiellini e Bonucci, talvez com Barzagli acompanhando pela direita. Na atual campanha na Champions, a Juve sofreu três gols em 12 jogos – o único sofrido no mata-mata foi na semifinal contra o Monaco, com a eliminatória já decidida.

2- O fator Daniel Alves (e a fome)

Ele quase foi para a China. Mas resolveu ficar no futebol de alto nível e chegou a Turim dizendo que queria ajudar a Juventus a ganhar uma Champions League. Foi o principal nome da semifinal contra o Monaco, atuando em uma posição mais avançada pela direita – que deve se repetir no sábado. Se for campeão da Champions (seria a quarta), Daniel Alves chegará a 36 títulos na carreira, se igualando ao galês Ryan Giggs, multicampeão no Manchester United.

Aliás, depois de lerem o resto desse post, voltem, cliquem aqui e leiam um texto para a história publicado nesta semana por Daniel Alves. Quem não chorar é porque tem coração de pedra. Com esse texto maravilhoso, Daniel nos mostra como a fome de vencer impulsiona jogadores profissionais. Assim como ele, a Juventus tem muitos jogadores no elenco querendo provar algo para o mundo.

3- Histórico recente contra o Real

É verdade que o histórico aponta oito vitórias para cada lado e na única vez que se enfrentaram em uma final europeia, em 1998, deu Real Madrid. Mas, de lá para cá, a Juventus vem dominando os duelos contra o rival espanhol. Saiu vencedora de confrontos eliminatórios em 2003 (semi), 2005 (oitavas) e 2015 (semi). Este último, dois anos atrás, tinha muitos jogadores que estarão em campo no sábado do lado do Real Madrid. Oito titulares que atuaram na volta (empate no Bernabéu) jogarão a final de Cardiff, ou seja, é essencialmente o mesmo time. Por parte da Juve, somente o eixo defensivo repetirá.

TRÊS RAZÕES PARA ACREDITAR NO REAL MADRID

1- O ataque que não falha

O Real Madrid fez pelo menos um gol em todos (isso mesmo, você leu direito, TO-DOS) os jogos que disputou nessa temporada. Foram 169 gols em 59 partidas. Considerando a temporada passada, a sequência histórica já está em 64 jogos. O Real não passa em branco desde abril do ano passado. Quando um time já entra em campo com a certeza de meter pelo menos uma para dentro, quem coça a cabeça é o adversário.

2- O Real não perde finais

Todos sabem que o Real Madrid é o maior campeão europeu de todos os tempos, já são 11 troféus de Copa dos Campeões e Champions League. Uma das razões para isso é o incrível aproveitamento de 78% nas decisões. É aquela história: “deixou chegar…”. Ninguém tem percentual tão alto – exceto alguns clubes que ganharam todas as finais que jogaram, mas nunca disputando mais do que duas. O Real é o recordista de decisões, chegou a 14. A última derrota veio em 1981, para o Liverpool. De lá para cá, cinco decisões, cinco canecos. Já a Juventus, pelo contrário, ganhou duas de oito. O aproveitamento de 25% em decisões europeias é o pior entre todos os que já ganharam o título alguma vez.

3- O equilíbrio encontrado com Isco

Foi necessária a série de lesões e recaídas de Bale para Zidane encontrar o time ideal. E que aparentemente será mantido para a decisão, consideradas as declarações do próprio Bale durante a semana. Apesar de Zidane ter batido o pé ao longo da temporada (“no trio de ataque não se mexe”), o fato é que o time ficou mais equilibrado com Isco no topo do losango do meio de campo. Cristiano Ronaldo e Benzema passaram a atuar mais próximos e receber mais bolas limpas. A presença de Isco desafogou de Kroos e Modric a responsabilidade única de municiar o ataque e criou inúmeras linhas de passe a mais. Com essa formatação, o Real passou a se impor nos jogos e depender menos de bolas paradas, chuveirinhos e vitórias arrancadas nos minutos finais, que vinham sendo regra na temporada.

 


Buffon e Zidane: dois momentos históricos em que os caminhos se cruzaram
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Gianluigi Buffon e Zinedine Zidane. Dois nomes históricos do futebol europeu se reencontrarão neste sábado, na final da Liga dos Campeões da Europa.

Buffon tem a chance, talvez derradeira, de conquistar o título interclubes mais importante, aquele que falta em sua brilhante carreira. Zidane, completando sua primeira temporada completa como treinador de futebol, pode ser o primeiro homem em quase 30 anos a ganhar o título europeu duas vezes seguidas.

Não será a primeira vez que se cruzarão os caminhos das duas lendas. Houve outros dois momentos históricos. E outros de menos peso, mas ainda assim dignos de recordação.

Um talvez seja mais fácil de lembrar. Final da Copa do Mundo de 2006, em Berlim. O último jogo da carreira de Zidane como jogador de futebol, aos 34 anos de idade. França e Itália empataram por 1 a 1, e a Itália levou a melhor nos pênaltis, conquistando o tetracampeonato mundial.

A última imagem de Zidane como jogador foi a cabeçada em Materazzi, expulso em seu último jogo como profissional e logo na final da Copa. Antes disso, porém, ele havia superado Buffon em uma cobrança de pênalti com cavadinha. Mas Buffon deu o troco na prorrogação, fazendo uma defesaça e evitando um gol de Zidane que poderia ter sido o do título francês.

O outro momento histórico em que a vida dos gênios esteve interligada é menos lembrado – mas não menos importante.

Foi justamente a venda de Zidane da Juventus para o Real Madrid em 2001, então a mais cara da história, por 77 milhões de euros, que permitiu ao clube italiano contratar Buffon. A Juve pagou 53 milhões de euros ao Parma, no que é até hoje o maior valor desembolsado por um goleiro na história.

Aliás, com o dinheiro recebido por Zidane a Juventus não só tirou Buffon, mas também o lateral francês Thuram do Parma. E tirou Pavel Nedved da Lazio (ambos por aproximadamente 40 milhões de euros cada). Essas três eram as três contratações mais caras da história da Juventus, até os 90 milhões de euros pagos por Higuaín no ano passado.

Com Buffon, Thuram e Nedved, a Juventus recompôs com glória a perda de Zidane. Chegou novamente à final da Champions (perdeu para o Milan nos pênaltis, em 2003) e Nedved ganhou a Bola de Ouro naquele mesmo ano. Jogou no clube até se aposentar, em 2009, e hoje é membro da diretoria da Juve, ou seja, transformou-se em um nome histórico da Velha Senhora.

No caminho até a final de 2003, a Juventus, de Buffon, derrotou o Real Madrid, de Zidane, na semifinal. Dois anos depois, em 2005, a Juve voltaria a eliminar o Real na Champions, desta vez nas oitavas de final. Portanto, o Zidane jogador de futebol era freguês de carteirinha de Buffon.

Mas, sábado, em Cardiff, Zidane estará no banco de reservas. E Buffon, como nos últimos 16 anos, defendendo o gol da Juventus.


“Zidane virou um grande na Juventus, só faltou a Champions”
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Poucos jogadores podem presumir de estar na lista dos maiores de dois dos clubes mais poderosos do mundo. Zinedine Yazid Zidane é um deles.

Um dos maiores jogadores da Juventus. Um dos maiores jogadores do Real Madrid. Dois clubes que fazem neste sábado a final da Liga dos Campeões da Europa, em Cardiff.

Hoje, Zidane é técnico do Real Madrid e tenta se tornar o primeiro homem desde Arrigo Sacchi (Milan 89-90) a se tornar campeão europeu por dois anos seguidos. Aliás, o Real Madrid tenta também ser o primeiro clube a ser rei da Europa por dois anos seguidos desde a criação da Champions League moderna, em 1992.

O francês é o nome próprio da final antes de a bola rolar. Se for campeão novamente com o Real, irá tirar da Juventus o título que ele mesmo não conseguiu dar.

A Juve era campeã europeia quando, no meio de 1996, foi buscar Zidane, então com 24 anos, no Bordeaux. O clube chegou a mais duas finais europeias, em 97 e 98, já com Zizou no time, mas perdeu ambas.

“Zidane chega depois da Euro 96 e logo demonstra um grande valor, vira um ponto de referência para o time. Ele virou um grande com a camisa da Juventus”, contou ao blog o jornalista Alberto Cerruti.

Cerruti escreve para a “Gazzetta dello Sport” há mais de 40 anos, é um dos jornalistas mais respeitados da Itália, uma referência, e acompanhou de perto a saga europeia daquela Juventus.

“Na Juve, ele cresce do ponto de vista tático. Passou a jogar para o time, fazer sacrifícios, pela primeira vez entende que podia virar um líder. Depois vieram os sucessos com a seleção francesa, Mundial de 98 e Euro 2000, virou um grande orgulho para a Juventus ter um campeão em seu elenco”, conta Cerruti.

“Os dois maiores da história da Juventus são Platini e Del Piero. Mas Zidane está no top 5 de qualquer torcedor. Sempre foi uma estrela. Só faltou mesmo ganhar a Champions.”

Na final de 97, a Juve foi derrotada pelo Borussia Dortmund de forma surpreendente. No ano seguinte, perdeu justamente para o Real Madrid, em Amsterdã. Zidane participa de algumas jogadas de bola parada, mas não faz uma de suas melhores partidas com a camisa juventina.

“Foram duas finais estranhas”, lembra Cerruti. “A Juventus era favorita, mas jogou mal as duas finais. Del Piero era a estrela principal, Zidane era um dos pilares do time, mas não o principal nome. Nunca foi indicado como culpado, não ficou com fama de perdedor nem nada do tipo. Em 98, no gol da vitória do Real Madrid, Mijatovic estava em posição de impedimento. E o time não conseguiu buscar, não parecia a Juventus.”

Em 2001, Zidane foi vendido ao Real Madrid por 77 milhões de euros – na época, a maior transferência da história do futebol.

Logo em sua primeira temporada, Zidane conquistou, finalmente, sua única Champions League como jogador. Com direito a um gol antológico na final em que o Real Madrid venceu o Bayer Leverkusen, em 2002.

“Ele tinha mulher espanhola, queria ir para a Espanha e foi uma grande oferta econômica. Ganharam todos com a troca. Ele saiu bem, não saiu como um traidor ou qualquer coisa do tipo. Até hoje é muito ligado à Juventus, tem casa em Turim. Talvez, naquele momento, tenha entendido que com o Real Madrid seria mais fácil, tivesse mais possibilidades de ganhar a Champions League. O futebol espanhol tem até hoje mais espaço, menos defensivismo, ele se encontrou muito bem logo de cara. E fez aquele gol maravilhoso na final de 2002”, lembra Cerruti.

Hoje, Zizou é “professor”. Em um ano e meio no cargo, já conquistou Champions, Mundial e Liga espanhola com o Real Madrid. Ainda é visto com ressalvas por muitos analistas. Não pelo italiano.

“Pensam que é fácil vencer no Real Madrid, mas não é bem assim. Ele mudou o time, colocou Casemiro, deixou James Rodríguez fora, teve coragem, não fez o time que o presidente (Florentino Pérez) queria. Sem Bale, fez Isco jogar, demonstrou ser um grande treinador. Tem muito carisma dentro do vestiário e entendeu a tranquilidade de Carlo Ancelotti, que foi seu técnico da Juventus e com quem trabalhou depois no Real. O treinador Zidane ainda é subvalorizado”, analisa Cerruti.

E quem vai ganhar a final de sábado?

“A Juventus é mais forte, mais completa. Precisa ter determinação e agressividade, deixar de lado esse complexo de perder finais. Se esperar o Real Madrid e não atacar, pode pagar o preço. Essa é uma final que será vencida por quem marcar o primeiro gol. Não vejo a Juventus conseguindo uma virada. Precisa entrar convencida e buscando a vitória desde o primeiro minuto”.

Se conquistar o título europeu, será a primeira vez da Juventus desde 1996. Já são 21 anos de fila. Naquela final perdida para o Real em 98, Zidane utilizava justamente a camisa 21.

O blog agradece à atenção de Alberto Cerruti. Um grande.


Como a final de 98 mudou os destinos de Real Madrid e Juventus
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Na única vez em que se enfrentaram em uma final, 19 anos atrás, Juventus e Real Madrid viviam realidades muito distintas. E o resultado daquele jogo alterou o destino dos dois clubes.

Um, nunca mais venceu finais europeias e tenta quebrar um jejum de 21 anos. O outro, nunca mais perdeu finais europeias e virou o clube mais rico do planeta.

A Juventus era o principal time de um futebol italiano ainda muito forte, o mais poderoso da Europa nos anos 80 e 90. A Premier League ainda engatinhava e só tinha o Manchester United como força mundial (estava nascendo o Arsenal de Wenger e ainda não haviam chegado os russos e sheiks para comprar clubes). O Real Madrid vivia uma grave crise econômica.

A Juve de Marcelo Lippi havia quebrado o domínio do Milan e havia sido campeã da Itália três vezes em quatro anos. Chegava, em 1998, a sua terceira final europeia consecutiva – título em 96 contra o Ajax, derrota para o Dortmund em 97. Feito que igualava o do Milan (campeão em 94, vice em 93 e 95) e que não seria mais repetido na era moderna da Champions League.

Aliás, aquela Champions 97/98 foi a primeira a ter também a participação dos vice-campeões dos países mais importantes, e não só os campeões. Até 97, só participavam do principal torneio os campeões nacionais. Na era chamada de Copa dos Campeões da Europa, quando a competição era menos dura, outros times haviam chegado a três finais seguidas (Ajax e Bayern, tricampeões nos anos 70, o Benfica, nos anos 60, e o Real Madrid, que ganhou as cinco primeiras Copas, nos anos 50).

Hoje, alguns países têm até quatro participantes. De 20 anos para cá, desde o feito daquela Juventus, nunca mais um time chegou a três finais seguidas. Isso mostra o peso histórico daquele time.

A Juve, até 96, havia chegado a quatro finais europeias, com duas vitórias e duas derrotas. Eram os times de Platini e, depois, Del Piero. O problema é que as derrotas em 97 e 98 abriram o caminho para a criação da imagem de uma Juventus de sucesso em casa, mas pouco na Europa. Vieram as derrotas de 2003 e 2015, e agora já são quatro finais seguidas perdidas.

Na decisão deste sábado, a Juve luta contra o que virou um estigma. O clube que perde finais.

E o que virou o Real Madrid depois daquela decisão de 98? Justamente o contrário. O clube que não perde finais. Depois daquela decisão, o Real chegou a quatro e ganhou todas. Antes do triunfo de 98, vivia uma jejum de 32 anos sem o título europeu.

O Real Madrid era um clube atolado em dívidas quando, em 1997, conseguiu fazer seu primeiro negócio, digamos, polêmico, para dizer o mínimo, com o poder público da cidade. Depois vieram Florentino Pérez e outros e outros e outros negócios polêmicos – sempre envolvendo terrenos supervalorizados e permissões urbanísticas discutíveis. Sempre é bom lembrar que Pérez é um dos empreiteiros mais poderosos do país. Hoje, o Real é o clube mais rico do planeta.

Ficou mais fácil sair do atoleiro financeiro com aquele título de 1998.

O Real tinha um time que acabaria a Liga doméstica somente na quarta colocação. Jogou a final com Illgner; Panucci, Hierro, Sanchís e Roberto Carlos; Redondo, Seedorf e Karembeu; Raúl (Amavisca) Mijatovic (Suker) e Morientes (Jaime). O técnico era Jupp Heynckes, que recentemente se aposentou ganhando a tríplice coroa pelo Bayern (e que seria demitido do Real logo após ganhar a Champions).

Roberto Carlos estava em seu segundo ano no clube, já era titular absoluto da lateral esquerda do Real e da seleção brasileira. Sávio ficou no banco naquela final, era o outro brasileiro do grupo – Zé Roberto, contratado em 97 junto à Portuguesa, havia sido emprestado para o Flamengo e depois sairia para a Alemanha.

A Juventus não tinha brasileiros. Entrou na final com Peruzzi; Torricelli, Iuliano e Montero; Di Livio (Tacchinardi), Deschamps (Conte), Davids e Pessotto (Fonseca); Zidane; Del Piero e Inzaghi. Era um time melhor que o do Real Madrid e foi melhor que o adversário naquela final, mas não saiu com o resultado.

Inzaghi talvez tenha sido o grande vilão, pelas chances perdidas no segundo tempo. Zidane e Del Piero não conseguiram ser decisivos, e Davids teve uma grande chance para empatar no segundo tempo. Apesar de serem os anos iniciais da vitoriosa “era Raúl” no Real Madrid, o grande herói acabou sendo Predrag Mijatovic.

Um montenegrino de 29 anos que era titular de uma ainda poderosa seleção da extinta Iugoslávia. Em 97, ele já havia ficado em segundo lugar na eleição da Bola de Ouro, atrás apenas de Ronaldo, à frente de Zidane. Sairia do clube um ano depois e voltaria para ser diretor de futebol durante três anos (2006 a 2009), justamente no intervalo entre as presidências de Florentino Pérez.

Mijatovic não tem, em Madri, o tamanho que aquele gol representou para o clube.


Isco, melhor do Real Madrid, é solução e problema para Zidane
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Cristiano Ronaldo fez 25 gols. Sergio Ramos arrancou muitos pontos nos “seus” acréscimos. Marcelo foi enorme. Mas nenhum jogador do Real Madrid foi mais valioso que Isco na campanha do título espanhol, conquistado no domingo com a vitória em Málaga – justamente a região natal do meia.

Não estou falando que Isco é melhor que esses caras. E não estou colocando a Liga dos Campeões da Europa na conta. Isco foi o MVP, o mais importante do Real especificamente na campanha da Liga doméstica.

O título chega após cinco anos da última conquista e havia virado uma obsessão do Real Madrid. Afinal, o todo poderoso clube da capital havia conquistado só uma das oito competições anteriores. O domínio do Barcelona estava incomodando demais, e Zidane sabia que era importante reconquistar a soberania nacional.

Para isso, arriscou. Depois da longa viagem para o Mundial, quando virou o ano e o calendário apertou, com Copa do Rei e mata-mata da Champions, Zidane passou a usar seguidamente a profundidade do elenco. Foram cinco jogos em casa com praticamente só reservas do meio para frente – só não usou reservas na defesa também por causa das lesões.

Isco estava nesse grupo de reservas. Zidane sempre deixou muito claro que não mexeria no tal trio BBC, Bale-Benzema-Cristiano, apesar da pressão da imprensa espanhola. A pressão era mais por causa de Morata, outro dos reservas, que poderia entrar no lugar de Benzema. Isco nunca teve esse lobby todo.

Com os reservas, ele brilhou. O jogo em que o Real passou mais perto de tropeçar foi o de Gijón. E aí Isco fez isso aqui para empatar a partida. E depois isso aqui, aos 45min do segundo tempo, para decidir. Logo depois de os titulares perderem o clássico para o Barcelona, os reservas foram a La Coruña e fizeram 6 a 2 no Deportivo. Jogo-chave em que Isco só não fez chover.

E Bale se machucou. E depois se machucou de novo. Chegou a hora de Isco entre os titulares, justo nessa reta final de campeonato e Champions.

E a presença dele no meio de campo, à frente de Modric e Kroos, formando um losango com Casemiro no vértice oposto, simplesmente arrumou o Real Madrid.

Por mais que os resultados estivessem chegando, o Real Madrid deixava muitas interrogações ao longo da temporada. Talvez, em um campeonato mais competitivo, tipo Inglês ou Alemão, tivesse deixado mais pontos para trás na primeira metade. Conseguiu muitas vitórias no sufoco, nos minutos finais (isso tem mérito, mas por que chegar a esse ponto?) e era um time ultradependente da bola aérea. Parecia só fazer gol assim.

Os times cortavam as linhas de passe de Modric e Kroos e complicavam muito a fluência de jogo do Real Madrid. A presença de Isco no lugar de Bale acerta isso. Os corredores ficam livres para os laterais, Kroos e Modric ganham um parceiro e possibilidades, Benzema e Cristiano Ronaldo passam a receber muito mais bolas limpas na frente.

Isco mandou no jogo contra o Atlético de Madri, no Calderón, com o Real 2 a 0 abaixo e contra a parede (isso pela Champions). Foi dominante na reta final do Espanhol, concluindo com um jogaço contra o Málaga dele na última partida. Saiu aplaudido pelas duas torcidas, algo raro, fez uma assistência maravilhosa, de três dedos, para o primeiro gol (de Cristiano Ronaldo).

Está cada vez mais parecido com Iniesta e tem só 25 anos de idade. Um meia que se mexe muito pelo campo, tem chegada, drible curto. A bola gruda em seus pés, ele limpa as jogadas passando por um ou dois e abre o campo para criar jogadas de perigo. Muito rápido, muito inteligente, muito esperto na tomada de decisões.

E ainda por cima tem gol! Fez dez no campeonato, apenas um a menos que Benzema, cinco a menos que Morata.

Mas então, se Isco foi tão importante assim, por que ele é um problema para Zidane?

Bale está trabalhando para chegar bem à final de Cardiff – por sinal, Cardiff é a capital do País de Gales. A imagem de Bale estará por todos os lados, ele é o grande personagem no local da decisão da Champions.

Zidane já disse mil vezes que “com o trio BBC não se mexe”.

E agora? E se Bale se recuperar a tempo? Zidane terá coragem de deixar Isco no banco e mexer em um sistema de jogo que está dando tão certo, voltando para um esquema de Cristiano e Bale abertos, com um vão no meio?

Isco não será problema. Se Zidane tiver percebido que ele foi a solução.


Real Madrid e Juventus campeões. Agora só falta saber quem é melhor
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juliogomes

Faz muito tempo que a final da Liga dos Campeões da Europa não é, além da disputa pelo título, um tira-teima. O jogo para determinar quem é, de fato, o melhor do continente. É o caso neste ano.

Neste domingo pela manhã, a Juventus confirmou o hexampeonato italiano com uma vitória sobre o Crotone por 3 a 0. De tarde, o Real Madrid ganhou o Campeonato Espanhol ao fazer 2 a 0 sobre o Málaga.

Quem é melhor? Juventus ou Real Madrid? Para mim, é impossível dizer. Precisamos da final do dia 3 de junho, daqui a dois fins de semana, em Cardiff, para saber. Sinto-me incapaz de apontar um favorito.

Os títulos domésticos deste domingo mostram a força de ambos. A Juventus construiu uma dinastia na Itália. O Real Madrid quebra o incômodo domínio do Barcelona. Pode até ter o melhor ataque do mundo, mas não tem a taça.

Por ser um torneio de mata-mata, nem sempre a Champions League opõe na final os dois melhores times da temporada.

Nos últimos três anos, qualquer final sem o Bayern de Munique não reunia os dois melhores da Europa. Talvez a última vez tenha sido em 2011? Mas o atropelamento do Barcelona de Guardiola na final mostra que aquele Manchester United não estava em um nível tão alto. Possivelmente o segundo melhor time daquele ano era o Real Madrid de Mourinho, eliminado pelo Barça na semi.

Enfim, quanto mais voltamos no tempo, mais vamos chegando a tempos em que equipes não eram super seleções, como hoje. E fica mais difícil achar a situação em que os melhores do ano estavam na final.

No sábado, 20 de maio, foi o aniversário de 19 anos da final de 1998, entre Juve e Real. Aquele Real Madrid acabou em quarto lugar a Liga espanhola, mas venceu por 1 a 0 a decisão contra uma Juve bicampeã italiana e que estava em sua terceira final europeia seguida. Naquela final, havia um favorito. Que perdeu, por sinal.

Mas não falávamos dos dois melhores da Europa, o Real Madrid não era nem o melhor da Espanha.

Hoje, como negar que a final será um tira-teima?

A Juventus construiu um domínio nunca antes visto na Itália. É o primeiro time hexacampeão da história da Série A e o primeiro a ganhar três vezes seguidas a Copa da Itália (conquistada na última quarta, 2 a 0 na final sobre a Lazio). Em casa, a Juve ganhou 18 jogos e empatou 1 no campeonato. Não perde desde setembro de 2015 um jogo em seu estádio.

Tudo isso ancorada com uma base defensiva ultrasólida, jogadores que atuam juntos há muito tempo. Buffon, Chiellini, Bonucci, Barazagli. Ganhou um campeão com Daniel Alves. Outro em Mandzukic. Jogadores de espírito competitivo e história. História que querem construir personagens sedentos e decisivos, como Higuaín e Dybala. É um time equilibrado e que sabe jogar de várias maneiras diferentes.

E o Real Madrid, depois de um título espanhol em oito anos, consegue retomar a hegemonia doméstica. O último título tinha sido em 2012, com Mourinho. É verdade que perdeu para o Barcelona em casa no mês passado. Mas aquilo foi coisa de Messi. Não dá para contestar a campanha madridista.

Zidane teve coragem, colocou times mistos em várias partidas fora de casa e conseguiu ter os titulares inteiros fisicamente para a reta final, quando não havia margem para tropeços. É verdade que em muitos momentos o time parecia não saber bem a que jogava, ganhou muitos pontos na marra, nos minutos finais, nas bolas levantadas na área.

Mas a lesão de Bale e a consequente entrada de Isco no time equilibrou tudo. O Real Madrid passou a depender menos de bolas aéreas, passou a ter mais a bola nos pés, a fazer valer a qualidade de seu meio de campo. O time fez pelo menos um gol em TODOS os jogos da temporada. Já são 64 consecutivos.

A Internazionale, em 2010, foi o único time italiano a conseguir a tríplice coroa na história. A Juventus, campeã da Série A e da Copa, pode repetir o feito. Para isso, precisa quebrar o jejum de 21 anos sem conquistar a Europa.

O Real Madrid nunca conquistou a tríplice coroa. Os 11 títulos europeus só vieram acompanhados de título espanhol duas vezes. Em 1957 e 1958. O time de Zidane tenta quebrar um tabu de 59 anos, portanto. Não é pouca coisa.

Um dos dois fará história com H maiúsculo. Precisamos dessa final para saber quem é o melhor. Chega logo, dia 3!


Na Espanha, o papo agora é a “mala branca”. Será?
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juliogomes

É tão comum quanto aqui no Brasil. Chega o final da temporada na Espanha e sempre algum time precisa da ajuda do outro para alguma coisa. Para ser campeão, para não cair, para ir para a Champions…

O que conhecemos aqui como “mala branca”, na Espanha é chamado de “maletín”.

No campeonato, já estão definidos os rebaixados (Sporting Gijón, Osasuna e Granada) e os classificados para a Liga dos Campeões da Europa (Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madri na fase de grupos, Sevilla na fase prévia). Resta essencialmente a briga pelo título.

Real Madrid e Barcelona têm os mesmos 87 pontos na tabela. O primeiro critério de desempate é o confronto direto, e aí o Barça tem a vantagem – é, portanto, o líder no momento. Mas ao Barça só resta mais um jogo, em casa contra o Eibar. O Real Madrid ainda joga mais duas vezes, ambas fora de casa – quarta-feira contra o Celta, em Vigo, e domingo em Málaga.

A entrevista coletiva de Zinedine Zidane, hoje, teve perguntas sobre os famosos “maletínes”.

Será que alguém (tipo… o Barcelona) vai oferecer mala branca para os jogadores do Celta?

“Não falarei sobre isso. São jogadores profissionais, os do Celta”, falou Zidane.

Que, por sinal, desenvolveu uma enorme capacidade de encerrar as polêmicas rapidamente em suas entrevistas. Não dá a corda que a imprensa tanto gosta. Morata saiu zangado no domingo? “Não era comigo”. Vai ter mala branca? “Não respondo”. James Rodríguez não treinou e já está negociado com o Manchester United? “Só levou uma pancada”.

E assim vai Zidane. Sem polêmicas, sem apontar dedo, fiel a seus conceitos e com a linguagem que os jogadores adoram.

Mala branca é debate antigo. Alguns acham que é normal, um incentivo a outros jogadores. Alguns acham antiético, um expediente que não deveria ser usado. No mundo perfeito, nenhuma premiação em dinheiro deveria ser necessária para jogadores de futebol darem tudo em campo. Mas sabemos que o ser humano está longe de ser perfeito.

Não acho muito normal que o Barcelona perca tempo e corra risco de se expor oferecendo bicho extra aos jogadores do Celta. Mas, no futebol, convém não duvidar de nada.

O Celta perdeu cinco jogos seguidos na Liga espanhola. E não vence há um mês somando todas as competições (dois empates e seis derrotas). Esse “derretimento” no fim da temporada tem a ver com as atenções voltadas para o sonho vivido na Europa League. O Celta acabou eliminado pelo Manchester United na semifinal, mas teve grande chance de gol perdida aos 51min do segundo tempo em Old Trafford. Esteve a uma finalização bem feita de eliminar o United e ir à final.

É um time que tem, portanto, bola para complicar o Real Madrid. E complicar o Real Madrid é algo que toda torcida na Espanha quer. Nem precisa de maletínes.