Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Real Madrid

Demissão de técnico espanhol é burra e vergonhosa
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Julio Gomes

A decisão do presidente da Federação Espanhola, Luis Rubiales, é inacreditável. Algumas horas depois da demissão do técnico Julen Lopetegui, ainda é difícil engolir que um dirigente tenha ido tão longe por uma questão de ego.

Porque é isso, nada mais. Ele pode dar a série de argumentos que quiser, pode contar o conto que quiser. Lopetegui foi demitido porque um cartola se sentiu #chateado por ter sido o último a saber da negociação com o Real Madrid.

Vejam, não tiro culpa do Real Madrid e de Lopetegui. As duas partes foram de uma insensibilidade incrível. Não custava ter falado com os jogadores, com a Federação, terem feito um comunicado conjuntos, etc, etc, etc.

Lembro-me, porque vivi de perto, dos casos envolvendo Luiz Felipe Scolari quando era técnico de Portugal. Convidado pelo Benfica antes da Euro-2004, pela Inglaterra antes da Copa-2006, pelo Chelsea antes da Euro-2008. Nos dois primeiros casos, Felipão não aceitou nem conversar. Na terceira vez, até para o cavalo selado não ir embora de novo, conversou com a Federação antes e só então se sentou para fechar com o Chelsea.

Sem dúvida, faltou tudo para o Real e para Lopetegui. A começar por inteligência. Não é a mesma coisa um técnico de qualquer outro país ser anunciado pelo Real Madrid ou o técnico da Espanha ser anunciado pelo Real Madrid – uma seleção que demorou décadas para superar as diferenças regionais e criar uma espécie de união nacional.

Agora, o presidente da Federação não está lá para ficar melindrado. Ele está lá para fazer o melhor possível para que sua seleção chegue o mais longe possível. Uma pergunta seca para o tal Rubiales: as chances da Espanha aumentam ou diminuem com a demissão de Lopetegui?

Não há debate sobre esta resposta. O presidente da Federação diminuiu as chances espanholas. Criou um clima de instabilidade a um dia do início do Mundial, indo contra a opinião de vários jogadores, incluindo seu capitão. O próprio Fernando Hierro, com uma carreira insignificante de técnico, mostrou seu descontentamento enquanto era anunciado como o novo comandante para a Copa.

Além disso, a Espanha virou chacota mundial. O que tampouco é missão de um dirigente. Fazer seu país passar vergonha.

O que esperar da Espanha? Bem, a principal torcida é para que Hierro tenha prestado bem atenção nas conversas, estudos e decisões de Lopetegui. Porque ele terá de seguir todas elas. Não há como mudar um trabalho que é bem feito e vem dando certo.

Torcer também para que nenhum jogador fique a tal ponto irritado com a Federação que não produza o que deveria ou poderia produzir. E, claro, torcer para que Hierro não tenha de tomar grandes decisões durante os jogos. Grandes mudanças táticas, lesões, essas coisas.

Pior: os jogadores mais experientes do elenco, gente como Sergio Ramos, Piqué, Iniesta ou Busquets, não têm o menor perfil de serem o “técnico em campo”. Cada um tem suas qualidades, mas nenhum deles é Xavi.

Difícil imaginar que todas essas estrelas irão se alinhar. No meu ponto de vista, a Espanha cai da primeira prateleira de favoritos para a segunda.

Se for campeã, será a primeira campeã sem técnico da história – comprovaria a tese de supervalorização do cargo de muita gente. Os outros treinadores do mundo devem estar com a barba de molho…


Zidane dá mais uma lição de grandeza e humildade
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Julio Gomes

E Zidane “se fué”. Convocou uma coletiva, avisou que estava deixando o Real Madrid e deixou o mundo de queixo caído.

Pode parecer inacreditável para nós – para os espanhóis, para todo mundo, enfim – que alguém deixe seu posto no auge. Vamos lembrar. Zidane nunca havia dirigido uma equipe profissional. Assumiu o Real Madrid na roubada, há dois anos e meio, depois da má escolha e da demissão de Benítez. Em duas temporadas e meia, ganhou três Champions League. Um fenômeno.

Por que ir embora? O cara pode ganhar o salário que quiser, pode fazer e desfazer no vestiário, tem a faca e o queijo na mão, é amado pela torcida, talvez seja o maior nome da história do madridismo. Por que?

A resposta talvez seja mais fácil do que parece. Porque Zidane é um gigante. Grandeza e humildade, coisa que poucos têm. A humildade para reconhecer que o ano não foi bom – acabou com um título europeu quase acidental, se olharmos para a trajetória da temporada. A humildade para reconhecer que possivelmente não seja capaz de reverter o viés de queda do time. A grandeza de deixar o lugar para outro. A grandeza de não enganar o clube com falsas promessas e expectativas.

O Madrid está de luto, dirigentes e jogadores possivelmente estejam zonzos com a notícia. Mas parece que só Zidane, neste momento, consegue compreender o que é melhor para o clube. Com a classe de sempre. Sem polêmicas nem intrigas.

O melhor é abrir caminho para a transição com três Copas da Europa em sequência. Muito melhor do que fazê-lo no meio de uma tempestade.

A transição, está claro, não será apenas de treinador. Bale tem pinta de que vai embora. Uma troca Cristiano Ronaldo por Neymar com o PSG está fervendo, com todos os sinais possíveis de que ocorrerá. Não se sabe se Navas continuará com a confiança do clube. Para Sergio Ramos, a idade vai chegando. Asensio e outros jovens pedem caminho.

Haverá mudanças, isso está claro. E Zidane não se sente na melhor posição para comandar a revolução e seguir fazendo o Real vencedor.

O que tinha toda pinta de ser uma hegemonia de anos se transformou em domínio continental, mas não doméstico. Pode parecer para nós, brasileiros, que os europeus tratem suas Ligas como nós temos tratado os estaduais. Não é bem assim. E a prova é que, em sua despedida, Zidane disse que seu maior momento como treinador do Real Madrid foi conquistar o Espanhol, ano passado.

Para reconquistar a Liga local, o Real vai ter de remar muito e se ajustar rapidamente às mudanças de elenco que possam se produzir. Não é uma conta fácil nem previsível.

Zidane se vai como chegou. De forma rápida e inesperada. Veio dos livros de história e escreveu páginas ainda mais triunfais. Foram 9 títulos (de 13 possíveis) em 876 dias. Estamos diante de um grande. Uma pessoa completamente diferente, um ponto fora da curva.


Por que ninguém fala deste Real Madrid como o melhor time da história?
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Julio Gomes

Basta ler a coluna na Folha do grande PVC, também blogueiro aqui do UOL, para entender o tamanho da história feita pelo Real Madrid.

É o primeiro tricampeão da era Champions League (já era primeiro o bicampeão), uma era em que é muito mais difícil ganhar o torneio. Antes, enquanto tínhamos o formato de Copa dos Campeões da Europa, o difícil mesmo era disputar o torneio – era necessário ser campeão nacional. A característica da era Champions é que todos os grandões estão sempre na disputa, porque, claro, raramente não ficam entre os três ou quatro primeiros nas ligas domésticas.

Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Juventus, Manchester United, agora os “ricos” Chelsea, City, PSG, enfim. A galera toda está sempre lá, salvo uma ou outra exceção. E é isso que faz da Champions uma competição tão difícil de ser vencida.

Que o Real tenha vencido quatro europeus em cinco anos é um fato estrondoso. Muito mais relevante que o penta do próprio Real lá nos anos 60, quando a competição é criada, ou os tris de Ajax e Bayern e, claro, mais relevante que as quatro conquistas do Barcelona entre 2006 e 2015, com uma espinha dorsal e um jeito de jogar característico.

Quando o Barcelona de Guardiola, Messi, Xavi e Iniesta ganha do jeito que ganha em 2011 – e considerando que aquele time era base e inspiração para uma Espanha campeã do mundo em 2010 e campeã da Europa em 2008 e, depois, em 2012 -, parecia claro que estávamos diante do maior time da história. Maior que o Real de Di Stefano e do Santos de Pelé, pela competição maior de hoje em dia, pelo fato de o futebol ser globalizado (ou seja, os melhores do mundo realmente estão na Champions) e por deixar uma marca, uma impressão digital, quando parecia impossível inventar algo novo no jogo. O resgate triunfal do “jogo bonito”.

Por que podemos discutir se o Barça de Guardiola e Messi é o melhor de sempre, mas não vemos discussões desse tipo sobre o Real Madrid de Zidane e Cristiano Ronaldo?

Não seria a hora de olharmos para Sergio Ramos como um dos grandes zagueiros da história? Não seria a hora de percebermos que, exceção feita à Copa do Mundo, Marcelo tem uma carreira maior que a de Roberto Carlos? Não seria a hora de colocarmos a dupla Kross-Modric em um patamar parecido ao de Xavi-Iniesta? Não seria a hora de vermos que Cristiano Ronaldo é o maior atacante de todos os tempos?

Eu desconfio de alguns fatores que fazem com que muita gente seja tão reativa à ideia de considerar este Real Madrid de 14-18 o maior time de todos os tempos.

É um time que neste mesmo período ganhou seu campeonato doméstico apenas uma vez – neste ano, por exemplo, acabou em terceiro, a 17 pontos do Barcelona. As ligas domésticas, com 38 rodadas, apontam que times conseguem ser mais consistentes, dominantes em todos os jogos, enquanto o mata-mata, claro, dá margem a muito mais coisa.

O Barça de Guardiola, o Real de Di Stefano, o Santos de Pelé eram todos absolutamente dominantes nas competições domésticas.

Guardiola é um gênio do ofício, um cara que consegue enxergar muito além, abstrair, pensar fora da caixa. É desses que deixam a digital, um legado. Qual é até agora a marca de Zidane?

E uma comparação parecida envolve o embate Cristiano-Messi. Os números e a capacidade do primeiro são inegáveis. Mas Messi é fantasia, é genialidade, é fazer aquilo que ninguém espera, aquilo que conexões cerebrais não conseguem enxergar.

Cristiano e Zidane ganham. Messi e Guardiola encantam. Mais ou menos por aí.

Os detratores do Real Madrid vão também olhar para a sorte, para os adversários do mata-mata, para erros de arbitragem que favoreceram o clube nestes quatro títulos. Mas, se olharmos na lupa, o mesmo que argumento que poderia servir para diminuir os feitos do Real pode ser usado para outros. Nos últimos anos, o Barcelona tem sido mais ajudado por arbitragens europeias que o Real Madrid, por exemplo. Em três dos quatro títulos, o Real passou pelo Bayern. Enfim. Não tem muito como ficar colocando “poréns”.

Talvez o título deste ano tenha sido mesmo o menos brilhante, com tantos presentes dados pelos adversários. Mas azar dos outros.

O Real Madrid, eu já disse aqui, só dá presente para a própria torcida, não para os rivais.

Ainda que eu seja um “Messista”, eu também sou “Cristianista”. O cara ruma à sexta Bola de Ouro, faz mais gols que qualquer um, foi campeão europeu com Portugal, ganhou tudo com dois clubes diferentes, mostrando que se adapta a qualquer lugar.

É fácil defender a tese de “Cristiano é o maior de todos”. Muito mais fácil do que defender a tese de “este Real Madrid é o maior time de futebol da história”.

Eu entendo que você não goste dessa ideia. Mas está na hora de, no mínimo, debatê-la. Acho que esse time aí faz por merecer, não fez?

 


Marcelo x Salah é o duelo chave da final da Champions
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Julio Gomes

Chegou a hora. Real Madrid e Liverpool vão decidir amanhã, em Kiev, o título europeu. O Real Madrid tenta se transformar no primeiro a vencer a competição máxima do continente por três vezes seguidas desde o Bayern dos anos 70 – já é o primeiro a ganhar dois seguidos na “era Champions”. O Liverpool, que nunca conquistou o Inglês na “era Premier League”, pode voltar a ser coroado após o “milagre de Istambul”, em 2005, para cima do Milan.

Muito se fala do duelo Cristiano Ronaldo x Salah. A vitória na final seria um passo decisivo rumo à Bola de Ouro – ainda que falte “só” a Copa do Mundo para ser jogada.

Quando todos esperavam o ano de Neymar, após a chegada triunfal ao PSG, foi um egípcio que saiu do nada para se meter entre Messi e Cristiano Ronaldo, dominantes há 10 anos.

Mas não é Cristiano Ronaldo quem irá parar Salah na final deste sábado. A responsabilidade é coletiva. E o setor é o de Marcelo.

Este é o grande duelo da decisão. Marcelo x Salah. Marcelo vive um momento sublime na carreira e é de seus pés que costumam sair as jogadas mais perigosas do Real Madrid.

Pode ser um drible que rompa uma das linhas e gere profundidade. Pode ser uma finalização certeira de fora da área, como a contra o Bayern m Munique. Pode ser uma tabela com um dos atacantes. Pode ser uma daquelas magníficas viradas de jogo, que gera um contra um pelo outro lado do campo.

Muitas vezes o jogo do Real nasce por ali, e Salah é o primeiro jogador a dar o combate.

Não podemos perder de vista que Marcelo está longe de ser perfeito na defesa. Ainda que tenha evoluído, é um ponto fraco do Real e precisa de muita ajuda por ali. É o lado de Salah, um jogador que faz uma temporada surreal.

Há muitos outros duelos que podem definir o jogo, mas é por ali que a final será jogada, estudada, pensada. Quem, entre os dois, ganhar a batalha nas fases ofensiva e decisiva, deixará seu time muito bem encaminhado.


Nunca Barcelona e Real Madrid foram tão pequenos no mesmo dia
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Julio Gomes

Já tivemos muitos e muitos clássicos mais importantes do que o Barcelona-Real Madrid deste domingo. Não só na história toda, mas mesmo nos últimos anos. O de hoje foi dos menos importantes. O Espanhol está decidido para o Barcelona, o Real Madrid não joga mais nada nesse campeonato, não vivemos o auge da tensão política Espanha-Catalunha…

Então, com licença aos gols de Cristiano Ronaldo e Messi, um em cada tempo, e também com licença ao fato de o Barcelona ter mantido a invencibilidade no campeonato, se aproximando de um feito histórico, o clássico do Camp Nou foi vergonhoso.

Não havia razão para tanta pancada, tantas entradas, tanta provocação, tanta picuinha. Não há rivalidade que justifique.

Tem gente que adora. Muita gente, aliás. “Isso é futebol”. “Os caras não têm sangue de barata”. “Vai lá assistir vôlei”. Esses são os (profundos) argumentos prediletos da turma.

Não é como eu vejo o jogo, não é o que me apaixona no jogo. Sou um crítico frequente deste “futebol machão” que vemos na América Latina, não tem por que poupar o maior clássico do mundo de críticas.

Todos sabemos perfeitamente que existe tensão dentro do campo de futebol, não precisam estar jogando Barcelona e Real Madrid para termos conhecimento disso. O problema é quando descamba. E ainda mais em um jogo assim, assistido no mundo inteiro, por zilhões de pessoas.

Que exemplo dá Messi para o mundo ao dar uma entrada maldosa em Sergio Ramos, como uma forma de vingança após um cotovelo deixado por Ramos no peito de Luis Suárez?

O juiz deu amarelo a Ramos (justo) e a Suárez (também justo, pela reclamação ostensiva, aquele show de sempre). O que mais queria Messi?

Vamos dar um pequeno desconto a Messi, porque em tantos anos de carreira nunca o vimos fazer esse tipo de coisa?

Até podemos. Mas imaginem se fosse Neymar a fazer o que Messi fez? Teria perdão? Messi é grande quando faz o golaço que fez no segundo tempo, é pequeno quando resolve fazer justiça com as próprias mãos (ou pés).

Aliás, em nosso país estamos vivendo a era dos justiceiros. Todo mundo quer e acha que pode fazer justiça com as próprias mãos. O pequeno microcosmo do futebol nos mostra o quanto isso é a barbárie.

Messi deu a senha. No minuto seguinte, Bale deixou a sola na panturrilha de Umtiti, de forma igualmente maldosa. No mínimo, amarelo. Outro minuto, e Sergi Roberto dá um soco em Marcelo (recebeu o vermelho). Não dá nem para chamar o fraco juiz de justiceiro seletivo, porque no segundo tempo Suárez fez falta clara em Varane no lance do gol de Messi. E depois, já com 2 a 2, o árbitro ainda deixou de dar pênalti claro de Alba sobre Marcelo.

O árbitro se perdeu e cometeu erro atrás de erro. Mas a confusão toda começa antes disso e é exclusivamente culpa dos jogadores. Gente que, hoje, perdeu a noção do que representa. De como são copiados no mundo inteiro.

Nos minutos finais ainda teve a briguinha pelo tal fair play. Suárez cai, Busquets não joga a bola para fora, depois o Real Madrid tampouco e vira bate boca. Após o apito final, claro, sorrisinhos de Ramos, Piqué e os outros jogadores da seleção espanhola. Do tipo “os bobocas aí devem ter se divertido com nossas briguinhas”. Foi um “El Clássico” deprimente.

Vamos lembrar que a vergonha já havia começado antes da partida. Na Espanha, existe uma tradição de muitas décadas. Depois de um time ser campeão, ele é homenageado em sua partida seguinte. O adversário da vez faz um corredor (o “pasillo”) para render homenagem aos jogadores campeões, que entram em campo sob aplausos.

Em dezembro, o primeiro jogo do Real Madrid após a conquista do Mundial de Clubes foi o clássico contra o Barcelona. Alegando que não havia disputado o mesmo torneio, o Barça resolveu não fazer o tal pasillo. Um argumento discutível, pois o Barça havia disputado a Champions, vencida pelo Real e que deu o direito ao time de Madri jogar o “Mundialito”. Picuinha pura.

O Real Madrid, que se orgulha de ser um clube “señor”, acima do bem e do mal, classudo, devolveu como? Não fazendo o pasillo neste domingo, apesar de o Barça ter sido campeão espanhol na rodada passada. Ou seja, uma atitude pequena, mesquinha. Picuinha pura.

Faltou classe a todo mundo. Menos ao pobre Iniesta, que se despediu dos clássicos em um jogo para ser esquecido.

Nunca Barcelona e Real Madrid foram tão pequenos, juntos, no mesmo dia.


Liverpool foi o único capaz de vencer final do Real nos últimos 52 anos
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Julio Gomes

Real Madrid e Liverpool farão, no próximo dia 26, em Kiev, a final mais premiada da história da Liga dos Campeões da Europa. São 17 títulos somados – 12 do Real, 5 dos ingleses.

Mas os dois não são apenas supercampeões. Eles são também supervencedores de finais.

Se levarmos em conta um mínimo de três finais disputadas, para tirarmos da conta os que venceram a uma ou duas decisões que jogaram, encontraremos em Real Madrid e Liverpool os dois clubes com melhor aproveitamento em finais.

O Real Madrid ganhou 12 e perdeu apenas 3, um aproveitamento de 80%. O Liverpool ganhou 5 e perdeu 2, ou seja, 71,5% de sucesso. Curiosamente, foi o próprio Liverpool que impôs ao Real uma dessas raras derrotas em finais: 1 a 0 na decisão de 1981, disputada em Paris.

O Real ganhou as cinco primeiras Copas da Europa, entre 56 e 60, os anos de Di Stefano, Gento e companhia. Depois perdeu duas finais – em 62, para o Benfica de Eusébio, e em 64, para a Inter de Milão. Voltou a ser campeão em 66. Depois disso, o time da capital espanhola demorou 32 anos para voltar a ser campeão continental, já entrando na era moderna da Champions League.

Entre o hexa, em 66, e o hepta, em 98, a única final disputada pelo Real foi a de 81, quando perdeu para um Liverpool em seu auge europeu.

O Liverpool era dominante na Inglaterra no fim dos anos 70 e início dos 80. Foi campeão europeu em 77, 78, 81 e 84, perdendo a decisão de 85. Depois, na era Champions, conseguiu o milagre de Istambul em 2005, contra o Milan, para depois perder do próprio Milan em 2007 – nestes anos, como agora, o Liverpool não era cotado para chegar à decisão.

Na era Champions League, o Real Madrid ganhou as seis finais que jogou – duas contra a Juventus (98 e 2017), duas contra o Atlético de Madrid (2014 e 16), uma contra o Valencia (2000) e uma contra o Bayer Leverkusen (2002). Somados, todos esses adversários derrotados pelo Real tinham apenas dois títulos máximos europeus (ambos da Juventus, que, ao contrário dos finalistas deste ano, é o clube com pior aproveitamento em decisões).

Portanto, em 10 de seus 12 títulos, o Real enfrentou um time que, na ocasião, nunca havia sido campeão.

Quando os dois gigantes disputaram a final em 81, a competição tinha outro formato, apenas com os campeões nacionais e eliminatórias desde o início. Falando o português claro, era mais difícil entrar no torneio, mas mais fácil chegar até o fim – o que aumenta os méritos do Real Madrid da atualidade.

Em 80/81, o Liverpool havia passado por Oulun (FIN), Aberdeen (ESC), CSKA Sofia (BUL) e Bayern de Munique. O Real Madrid havia passado por Limerick (IRL), Honved (HUN), Spartak Moscou (RUS) e Inter de Milão.

O Liverpool entrou em campo na decisão com oito ingleses e três escoceses. O Real Madrid tinha nove espanhóis, um alemão e um inglês. O que dá bem a noção de como os tempos eram outros. Alan Kennedy fez o gol do título, aos 37min do segundo tempo.


Real Madrid fica a um jogo do inacreditável na Europa
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Julio Gomes

Você sabia que o Real Madrid é o primeiro bicampeão da história da Uefa Champions League? Para a maioria das pessoas que acompanham este blog, isso não é novidade. Ao ganhar a Champions ano passado, repetindo o feito de 2016, o Real se transformou no primeiro clube a ser campeão europeu de forma consecutiva desde que a Copa dos Campeões virou Champions.

Isto não é apenas coincidência. Até 1992, no formato antigo, a Copa dos Campeões era jogada apenas por… campeões. E nem sempre, como sabemos, o campeão de uma liga nacional em um ano mantém o nível no seguinte.

Entre 1955, quando foi criada a Copa dos Campeões, e 1992, nada menos do que oito clubes fizeram pelo menos uma dobradinha de títulos – alguns ganharam até mais do que dois seguidos.

Na era Champions League, passaram a disputar o torneio dois, três, quatro times de cada país europeu. É por isso que os grandes, como Real, Barcelona, Bayern, United, Juventus, etc, estão na Champions ano sim, ano também. Se fizer um mau campeonato nacional e chegar em terceiro, por exemplo, vai pra Champions mesmo assim.

Com tanto time gigante, ficou muito difícil ser campeão de forma consecutiva. Tão difícil que foram 25 anos de competição até o Real Madrid atingir o feito, que era tão corriqueiro antes.

É verdade que criou-se um abismo entre os mais poderosos da Europa e uma classe média que costumava dar muito trabalho. Mas os poderosos são tão poderosos, concentram tanto os jogadores top do planeta, que é inacreditável que o mesmo time ganhe sempre o campeonato mais importante.

Se ganhar a final contra o Liverpool (ou contra a Roma), o Real Madrid terá sido campeão pela quarta vez em cinco anos. Será o primeiro tricampeão seguido desde o Bayern dos anos 70.

O Bayern da atualidade não foi capaz de evitar o feito. E basicamente não foi capaz porque deu dois gols de presente. Um em Munique, o 1-2 presenteado por Rafinha. E um em Madri, dado pelo goleiro Ulreich no começo do segundo tempo. O Bayern foi melhor que o Real em três dos quatro tempos da eliminatória. Isso já tinha sido assim no confronto entre eles ano passado. Deixou a eliminatória aberta até o fim. Fez gols, perdeu gols, consagrou Navas, foi superior.

O Real Madrid já havia passado no sufoco contra a Juventus antes. E teve muita sorte nas finais contra o Atlético em anos anteriores. Podemos empilhar as eliminatórias que o Real ganhou sabe-se lá como nestes anos todos. Com Cristiano Ronaldo fazendo rigorosamente nada em dois jogos, brilhou Keylor Navas, um goleiro subestimado.

O Bayern foi melhor. Mas deu dois presentes. Alguém se lembra de o Real Madrid dar presentes para os adversários nos últimos cinco anos? Pois é. Presente do Real, só para sua torcida.


Real Madrid é uma máquina de fazer times pagarem por seus pecados
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Julio Gomes

Quantas vezes já vimos essa história? O time joga bem contra o Real Madrid. Pode ser um pequeno, de forma surpreendente. Pode ser um gigante, tipo Bayern de Munique. Perde um gol. Perde outro. Domina. E…. pumba.

Foi a história do jogo desta quarta, em Munique. Uma cidade em que o Real Madrid havia perdido nas dez primeiras visitas que fizera na história, mas onde ganha agora a terceira de forma consecutiva. O Bayern era a “bestia negra”. Virou freguês em casa.

Zidane montou o Real de forma cautelosa, sem Benzema ou Bale, com Cristiano Ronaldo isolado na frente e Lucas Vázquez no time para marcar pelo lado. Povoou o meio de campo. Até conseguiu ter a posse de bola nos primeiros minutos. E ainda deu a sorte de ver o Bayern, com uma formação ultraofensiva, perder Robben, machucado, no comecinho do jogo.

Mas o Bayern se acertou, fez o gol em um contra ataque improvável, com Kimmich, e a partir daí encontrou os espaços no meio de campo. Teve várias chances de gol, a melhor delas com Ribery, outras em escanteios que poderiam ter acabado com bola na rede. Era jogo para 2 a 0 no primeiro tempo.

Mas o Real Madrid faz todo mundo pagar por seus pecados. Todo. Mundo. Até o Bayern.

Bastou uma falha na intermediária e Marcelo acertou um chute lindo para empatar o jogo. No intervalo, Zidane tirou Isco, sacrificado pela esquerda, e colocou Asensio, um jogador mais incisivo. Subiu a marcação, incomodou a saída de bola do Bayern e fez seu time ser muito superior no segundo tempo.

Foi Rafinha, que fazia uma ótima partida pela esquerda, que deu o presente que Asensio não desperdiçou. 2 a 1 para o Real Madrid. Asensio, o mesmo que decidiu a eliminatória contra o PSG. Futuro e presente do Real Madrid.

O Bayern ocupou o campo de ataque, mas o Real Madrid, fechadinho, apesar da frustração de Cristiano por ficar tão isolado na frente, conseguiu fazer o seu jogo funcionar.

O Bayern havia perdido também Boateng por lesão no primeiro tempo. Heynckes ficou sem margem de manobra tática. Talvez, quando o Real perdeu Carvajal, pudesse ter trazido Rafinha para direita, aberto Kimmich na frente e jogado Thomas Muller para dentro da área. Uma área em que Lewandowski passou o jogo inteiro enrolado no meio de três, quatro, cinco adversários.

Quando Ribery conseguia fazer algo pela esquerda, mesmo com a língua de fora a seus 35 anos de idade, não havia ninguém na área para concluir. Faltou presença ofensiva ao Bayern no posicionamento dos meias e de Thomas Muller.

No segundo tempo, não apareceram chances ótimas como no primeiro. A melhor foi aos 43min, mano a mano de Lewandowski com Navas, que o polonês tocou pessimamente, para fora.

O Bayern perdoou no ataque, errou no lance do segundo gol. E o Real Madrid, como sempre, fez o adversário pagar o preço.

Não é uma eliminatória definida, claro que não. No ano passado, o Real ganhou por 2 a 1 em Munique, mas o Bayern devolveu o placar em Madri e levou o jogo para a prorrogação. A expulsão equivocada de Vidal deu ao Real a possibilidade de fazer três gols na prorrogação e se classificar.

Tem jogo. O Bayern tem gente suficiente para reverter. Mas, neste momento, é difícil imaginar uma final de Champions League diferente de Real Madrid x Liverpool.

 


Bayern x Real Madrid: o maior clássico europeu é uma final impossível
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Julio Gomes

Está é a décima Liga dos Campeões da Europa consecutiva que terá na final ou Real Madrid ou Bayern de Munique ou Barcelona. Mas nenhuma das 10 teve uma final entre dois dos três times que dominam o cenário há tanto tempo, deixando os também ricos e poderosos ingleses chupando dedos.

O sorteio desta sexta colocou frente a frente Bayern e Real, Real e Bayern. De novo. É o confronto que mais vezes aconteceu em competições europeias. Por isso, e pela história vitoriosa de ambos ao longo das décadas, é o maior clássico europeu.

Claro que não há, entre eles, a rivalidade e o ódio que envolvem confrontos locais, de mesma cidade ou país. Mas há tensão suficiente. Tem muita história. Muita mesmo.

Foram 24 jogos até hoje, todos eles válidos pela competição máxima europeia. Mas, nunca, em uma final. E, outra vez, o sorteio impediu que a decisão fosse realizada entre eles.

Nos 24 jogos até hoje, 11 vitórias para cada lado e 2 empates. O domínio caseiro é evidente e idêntico. Quem jogou em casa ganhou 9 vezes, empatou 1 e perdeu 2. Sim, o retrospecto de ambos é igual jogando em casa. Em mata-matas, o Real levou a melhor 6 vezes, o Bayern, 5. Em semifinais, o Bayern leva vantagem de 4 a 2 nos duelos entre eles.

Eu já contei isso aqui no blog outras vezes. O Bayern é o único clube do mundo que o Real Madrid verdadeiramente teme, não gosta de enfrentar. Por mais que o retrospecto seja tão equilibrado, existe uma imagem de que o Bayern é a pedra no sapato madrilenho, a “bestia negra”, o único “não freguês” do mundo. E nem mesmo as últimas duas vitórias do Real contra eles, nas semis de 2014 e nas quartas do ano passado, mudaram essa imagem.

Se em 2014 o Real, de Carlo Ancelotti, se aproveitou com bola aérea e contra ataques dos buracos deixados por Guardiola para golear em Munique, no ano passado a história foi diferente. Ancelotti era o técnico do Bayern, e uma expulsão injusta de Vidal no Bernabéu foi decisiva para o duelo pender para o Real na prorrogação.

Ancelotti, como sabemos, não durou no Bayern e deu lugar a Jupp Heynckes, campeão de tudo em 2013 e retirado da aposentadoria, para onde voltará dentro de um mês e pouquinho. Heynckes é um homem que fala a língua dos jogadores, de uma simplicidade incrível na leitura de jogo, um desses técnicos que nos faz pensar que talvez “menos seja mais” com um elenco estrelado em mãos.

Logicamente a chave para o Bayern é não deixar Cristiano Ronaldo fazer tantos estragos. Com ele, bobeou, dançou.

Quem quer que passe deste duelo será ultrafavorito se enfrentar a Roma na final de Kiev. E será ligeiramente favorito contra o Liverpool, uma camisa pesada, multicampeã e um time extremamente perigoso na fase ofensiva. Em um jogo, pode golear ou ser goleado por qualquer um. Pode eliminar o City, como pode perder da Roma. É um time imprevisível.

Bayern de Munique e Real Madrid. A final que parece que nunca será. É que merecemos mesmo ver sempre dois jogos entre eles. Um é pouco.

 

 

 


Árbitro decide o jogo. Eles estragam o futebol também na Europa
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Julio Gomes

A incompetência e a vontade de aparecer não têm nacionalidade, religião ou raça.

O britânico Michael Oliver, isso mesmo, um britânico, ou seja, um juiz de um lugar em que faltinhas não são marcadas, resolveu colocar o Real Madrid nas semifinais da Liga dos Campeões da Europa.

Anotou um pênalti para lá de discutível de Benatia em Lucas Vázquez aos 48min do segundo tempo. A Juventus vencia por 3 a 0 e levava de forma surreal a eliminatória para a prorrogação. Depois do milagre da Roma contra o Barcelona, estávamos à beira de outro na Champions. Mas ele não ocorreu.

O lance é duvidoso, eu admito isso. Aliás, o gesto do árbitro também denuncia que o lance foi duvidoso. Ele demora para apitar. Benatia encosta em Vázquez, que possivelmente faria o gol. O futebol é um jogo de contato, não é qualquer carga que é faltosa.

Mas, mais do que isso. No futebol, árbitros estão lá não apenas para colocar regras em prática. E, sim, levar o jogo. Arbitrar. Mediar. Um juiz que marca um pênalti nos minutos finais de uma partida (ou nos acréscimos) está decidindo a partida.

Assim como um juiz que expulsa um jogador nos minutos iniciais. Expulsão no começo e pênalti no fim são coisas que árbitros precisam evitar. E, de fato, evitam. Até que aparece algum Oliver da vida.

Como apareceu Javier Castrilli 20 anos atrás, naquele infame Corinthians-Portuguesa. São decisões de arbitragem que impedem o time prejudicado de buscar a reação (ou correção). Porque simplesmente não sobra tempo.

Árbitros não estão em campo para decidir partidas. São os jogadores que estão. Há casos inevitáveis, claro. Lembro-me da mão de Suárez na Copa de 2010, impedindo o gol de Gana. Mas, em um lance duvidoso ou não tão claro, como este do Bernabéu, um juiz NUNCA pode apitar pênalti. Nunca.

“Regras são regras”, choverão comentários assim aqui neste post. O primeiro minuto e o último são a mesma coisa. Nananinanão. Existe um código não escrito no futebol. Não é bem assim que funciona.

As regras do futebol têm altíssima carga de interpretação. Mesmo que Michael Oliver interprete a carga de Benatia como faltosa, ele não pode dar o pênalti. Pelo momento do jogo. Repito. Ele não está lá para decidir o jogo.

A Juventus expôs todos os problemas do Real Madrid e de Zidane. Que, ainda que esteja sendo um técnico cada vez melhor, ainda comete erros difíceis de explicar. No intervalo, com 0-2, tirou Casemiro de campo. Fechou o lado em que Douglas Costa fazia chover, mas escancarou a entrada da área e aumentou as chances da Juventus.

A prorrogação seria um final digno para uma eliminatória que começou com show de Ronaldo em Turim e acabaria com show de Buffon e companhia em Madri. Mas Oliver e, depois, novamente Ronaldo, não deixaram – aliás, que cobrança.

Uma brincadeira corrente na Europa quando se enfrentam Real Madrid e Juventus é falar que o juiz fica maluco em jogos assim. Não sabe quem ajudar. Claro, é uma coisa de torcedores rivais. Real e Juve sempre foram muito ajudados no futebol doméstico, ao longo da história. Times grandes sempre são muito ajudados, em qualquer lugar do mundo. Nesta quarta, tivemos o tira-teima.

Uma pena. Mas, com gente querendo ser mais realista que o rei, não tem VAR que funcione.