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River Plate dá recado ao Real em Madrid: no Mundial, é 50-50
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Julio Gomes

No domingo à tarde, o Real Madrid suou sangue para ganhar por 1 a 0 do Huesca, último colocado do Campeonato Espanhol. Isso foi lá em Huesca, a 4 horas da capital. De noite, no estádio Santiago Bernabéu, os protagonistas foram outros. Com estádio dividido e ambientaço de futebol (que sei lá desde quando o Bernabéu não vivia), o River Plate fez 3 a 1 no Boca Juniors e se tornou campeão da América.

Salvo qualquer catástrofe, River Plate e Real Madrid estarão decidindo o campeão mundial no sábado que vem.

E, se no ano passado o Grêmio já tinha condições de vencer o Real, neste ano eu vou mais longe: é 50-50. Isso mesmo.

Até porque este River é melhor que o Grêmio-2018. E este Real é pior que o Real-2018.

Assim como o São Paulo, em 2005, e o Corinthians, em 2012, o River Plate terá a sorte de enfrentar um campeão europeu que não é o melhor time da Europa. O Liverpool ganhou a Champions por acaso em 2005, o Chelsea da mesma maneira em 2012, e o Real Madrid esteve para lá de iluminado na última Champions. Havia times melhores. E, mesmo que alguém discorde disso, as saídas de Zidane e Cristiano Ronaldo tiveram impacto tão grande na temporada que o Madrid já até demitiu técnico.

Na atual temporada 18/19, o Real já perdeu de Levante, Alavés, CSKA Moscou… já levou 5 do Barcelona, 3 a 0 do Sevilla e do… Eibar (!!!).

Não é um time confiável. Joga mal, não tem padrão. Tem qualidade individual técnica, lógico, mas o futebol é cada vez mais coletivo.

Tampouco era confiável no ano passado. Mas ainda tinha Cristiano Ronaldo. E o Grêmio não tinha Arthur e não teve coragem para encarar de frente.

Já o River Plate tem um time completo, técnico, que gosta de jogar com a bola, mas sabe atual na transição em velocidade. Tem no banco de reservas, por exemplo, um talento como Quintero, o colombiano que decidiu a final da Libertadores no Bernabéu. Só é ruim, ruim para chuchu, nas bolas altas defensivas.

Essa coisa de a final da Libertadores ser disputada pertinho do Mundial é muito benéfica para os times sul-americanos. Porque chegam com ritmo, com adrenalina lá no alto e não perdem jogadores-chave entre torneios. A aproximação das datas é um fator de equilíbrio em um confronto que, nas últimas duas décadas, não teve nada de equilíbrio.

O River Plate passou, em sua campanha de título, por um grupo pesado na primeira fase, Racing, Independiente, Grêmio e Boca (somados, 17 títulos de Libertadores). É um River redondinho contra um Real Madrid claudicante.

Tem jogo.


Barça e Real com início tão pífio? É preciso voltar muitos anos no tempo
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Julio Gomes

O Barcelona é o líder do Campeonato Espanhol após o empate arrancado no último minuto contra o Atlético de Madrid, ontem – ainda que possa ser desbancado hoje à tarde, em caso de vitória do Sevilla.

Mas o número de pontos do Barça, 25, é pífio perto do que vimos nos anos anteriores – o mais baixo do clube desde 2003. Superado o primeiro terço da Liga espanhola (13 rodadas), o Barça ganhou apenas um pouquinho mais da metade de seus jogos (7).

E o Real Madrid então? São apenas 20 pontos, com 6 vitórias em 13 jogos, e a sexta colocação na tabela.

Somados, Barça e Real somam 45 pontos em 13 rodadas (58% de aproveitamento da dupla). É preciso voltar a 2002, 16 anos no tempo, para encontrar um início tão pífio.

Naquela temporada 2002/2003, a Real Sociedad liderava após 13 rodadas, com 29 pontos. O Real era terceiro, com 24, e o Barcelona era o décimo, com 16. Somados, os gigantes tinham 40 pontos.

O Real Madrid ganharia a Liga sobre a Real Sociedad na última rodada. O Barcelona veria sua história mudar a partir da chegada de Ronaldinho, ao final daquele campeonato.

Desde então, nunca mais o Campeonato Espanhol deixou de ter ou Real ou Barcelona na liderança após 13 rodadas. É preciso voltar 10 anos no tempo para encontrar o último campeonato em que, após 13 rodadas, os dois gigantes não somavam pelo menos 60 pontos (dos 78 possíveis).

O que explica o que está acontecendo no atual campeonato?

O Barcelona perdeu Messi, machucado, por algum tempo. Mas ainda assim tem um elenco estrelado e que não está tendo os mesmos tropeços na Champions League. O empate no fim com o Atlético é heróico, mas o que dizer das derrotas para Bétis e Leganés, por exemplo?

Já o Real Madrid vive uma ressaca brava após o tri europeu. Perdeu Cristiano Ronaldo, perdeu Zidane e simplesmente não consegue encontrar a boa forma novamente. A polêmica da vez é o suposto doping de Sergio Ramos encoberto após uma final de Champions. Já demitiu Lopetegui e parecia estar se encontrando com Solari, até os 3 a 0 sofridos diante do Eibar (!), ontem. O ambiente não está nada calmo.

A queda do Real Madrid era esperada. A do Barcelona, pelo menos no futebol doméstico, não.

O Atlético de Madrid perdeu, no clássico em seu estádio, uma chance de ouro de assumir a liderança na Espanha. Também começou a Liga com muitos tropeços bobos, mas, ao contrário de outros anos, não está desgarrado da ponta, exatamente pela incrível instabilidade de Barça e Real.


Lopetegui se despede com um troféu: o idiota do ano
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Julio Gomes

Julen Lopetegui não acabará 2018 sem um título. Não há quem tenha conseguido ser mais idiota do que ele ao longo do ano. É o campeão mundial da idiotice.

O técnico tinha em mãos uma fortíssima seleção da Espanha para a disputa da Copa do Mundo. Basta ver onde chegou a Croácia, na mesma chave da Espanha, para imaginar o que poderia ter acontecido.

Mas ele pôs tudo a perder ao negociar às escondidas com o Real Madrid, o tricampeão europeu, que acabara de ser surpreendido com a saída de Zidane.

Lopetegui foi estúpido ao usar (ou ser usado por) seu capitão, Sergio Ramos, para se acertar com o Real Madrid a dias da Copa. Poderia ter jogado às claras, talvez tivesse sido criticado aqui e ali, mas teria realizado o sonho da Copa e, depois, o sonho de pegar o mais poderoso clube do mundo. E, se o Real não topasse que assim fosse, que se danasse o clube. A missão dele era fazer da Espanha a campeã do mundo.

Os jogadores do Barcelona descobriram a negociação secreta, não gostaram. A Federação foi a última a saber e tomou a drástica decisão de demiti-lo.

Fui contra a demissão na época, pois considerava que a Federação estava dizimando as chances da Espanha na Copa – e foi o que aconteceu. Mas ser contra a demissão não significava absolver Lopetegui.

Quando a coisa começa mal, dificilmente acaba bem. Lopetegui chegou ao Real Madrid na pior situação possível. Com o time multicampeão, mas já sem jogar tão bem assim, sem Cristiano Ronaldo e com a polêmica como pano de fundo – ou seja, sem qualquer boa vontade por parte da imprensa local.

Situação que teria sido completamente diferente se ele tivesse chegado ao Real após uma boa campanha na Copa. E se tivesse sido campeão do mundo? Será que os maus resultados seriam suficientes para Florentino Pérez demiti-lo?

Para piorar, resolveu fazer rotações e mais rotações neste início de temporada, em vez de achar logo um time titular e ganhar a confiança deles, da torcida, da imprensa e dos dirigentes.

Os cinco jogos sem vitórias, o que não acontecia desde 2009, as 8 horas de futebol sem fazer gols (quase superando a histórica seca de 85, a maior da história do clube) e, de quebra, a goleada para o Barcelona, domingo, acabaram sentenciando Lopetegui.

Ele não é o primeiro treinador rifado no Real após apanhar do Barça. Já aconteceu com Luxemburgo, com Benítez e acontecerá com mais gente. Só Mourinho sobreviveu a levar de 5, como em 2010. Mas, ali, o clube vivia uma fase tão lamentável que era necessário apostar na continuidade do português.

Lopetegui é, sim, o primeiro rifado após fazer a lambança que fez. Entre tantos idiotas que tivemos em 2018, e olha que o ano nem acabou, nenhum superou Lopetegui.


Real Madrid vive o caos a uma semana do clássico
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Julio Gomes

É necessário voltar quase 10 anos no tempo. Até maio de 2009, para encontrar uma sequência de cinco derrotas do Real Madrid.

Foram as cinco rodadas finais da temporada 2008/2009. Então treinado por Juande Ramos, o Real defendia uma invencibilidade de 18 partidas e recebia o Barcelona no estádio Santiago Bernabéu. Estava quatro pontos atrás e precisava vencer para por fogo na disputa pelo título. Levou de 6 a 2, no famoso primeiro jogo em que Guardiola usou Messi como “falso 9”. Era o primeiro ano de Guardiola no Barça – com 100% de aproveitamento de títulos.

Depois dos 6 a 2, o Real Madrid baixou a guarda e perdeu seus últimos quatro jogos no campeonato (para Valencia, Villarreal, Mallorca e Osasuna). Cinco derrotas seguidas.

Neste sábado, o Real Madrid voltou a protagonizar um papelão. Diante de sua torcida, perdeu por 2 a 1 para o minúsculo Levante. Pela primeira vez desde 2009, o time fica cinco jogos sem vitória. Perdeu para Sevilla, empatou o dérbi com o Atlético e depois foi derrotado por Alavés (!) e Levante (!!) na Liga espanhola. No meio desses jogos, perdeu para o CSKA Moscou pela Champions League.

As três derrotas seguidas ocorrem pela primeira vez desde a já citada sequência de 2009.

Pelo menos, quando Marcelo marcou hoje contra o Levante, já no fim do segundo tempo, o clube encerrou em 481 minutos o período de seca. Foram 8 horas de futebol sem um gol do Real Madrid. Surreal. Mas não atingiu o recorde negativo, de 494 minutos sem um golzinho, estabelecido em 1985.

O Real sente falta de Cristiano Ronaldo? Claro que sim.

Quantos jogos ruins o clube teve salvos por Cristiano em vários momentos das últimas temporadas? O Real da temporada passada já dava sinais de decadência, mas ganhou o tri europeu na marra, sabe-se lá como.

Porém, o buraco é mais embaixo. Junto com Cristiano, saiu Zidane e sua capacidade de manter o clube pacificado. Ninguém desafia a palavra de um dos maiores nomes da história do Madrid. Unir o vestiário é sempre o primeiro passo para conseguir vitórias com elencos multiestelares. Depois vem tática, técnica, etc.

O Real Madrid vive aquele período do quais muitos grandes clubes já foram vítima. Transição mal feita. Chegou técnico novo, com jogadores velhos. Um grupo que já ganhou de tudo e não está muito a fim de ouvir blá blá blá.

É muito possível que o Real Madrid quebre a série negativa na terça-feira, pela Champions, contra o Viktoria Pilsen, da República Tcheca. E domingo que vem é clássico no Camp Nou, contra o Barcelona.

Muitos técnicos já caíram após chegarem ao clássico na corda bamba e fracassarem contra o Barcelona. Rafael Benítez, Luxemburgo, a lista é grande. Schuster caiu em 2008 uma semana antes do clássico, dando lugar justamente a Juande Ramos.

Será que Julen Lopetegui escapa? Será que ele chega ao clássico?

É um técnico que gosta de rodar jogadores, não define um time principal, não tem a confiança de ninguém. Não é o time de Bale, não é o time de Benzema, não é o time de Courtois, não é o time de Modric-Kroos. O Real Madrid de Lopetegui não tem cara.

 


Champions tem fases de grupos cada vez mais previsíveis
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Julio Gomes

OK, OK, temos um grupo que arregala os olhos de todo mundo! Barcelona, Tottenham, Internazionale e PSV Eindhoven.

Uau! Talvez, apenas TALVEZ, se a Inter realmente acertar uns bons jogos, esse grupo saia do trivial, que seriam as classificações de Barcelona e Tottenham. Sim, certamente iremos assistir atentamente aos duelos entre esses três. E fingir que o PSV pode ameaçar alguém, afinal, já foi time de Romário e Ronaldo um dia…

(suspiro)

A Champions não é mais a mesma. Pelo menos na fase de grupos. Na era das superpotências, a competição ficou extremamente previsível antes do mata-mata. A classe média da Europa está tão achatada quanto nossa classe média da vida real no Brasil.

Ela olha para cima, para os ricaços, achando que um dia pode ser um deles (ou voltar a ser). Mal percebe que, na realidade, está muito mais perto do grupo gigantesco de pobres, sem chance alguma na vida.

Benfica, Ajax, PSV… eles já ganharam a Europa um dia. Hoje, não ameaçam mais do que Hoffenheim, Brugge ou Viktoria Pilsen.

O grupo citado, com Barcelona, Tottenham, Inter e PSV, é o grupo B. Como já disse, surpreendente será se a Inter conseguir tirar Barça ou Tottenham – que é fortíssimo e no ano passado jogou o Real Madrid para o segundo lugar de seu grupo.

O grupo C é o outro que está sendo chamado de “da morte”, pois tem PSG, Liverpool, Napoli e o Estrela Vermelha, campeão de 1991 e que recebe os jogos no caldeirão de Belgrado, chamado por eles de “Marakana”.

Mas esse grupo é da morte só para o Napoli, mesmo.

No grupo A, difícil não imaginar que Atlético de Madrid e Borussia Dortmund deixem Monaco e Brugge para trás.

O D é o mais equilibrado, sem favoritos entre Lokomotiv Moscou, Porto, Schalke 04 e Galatasaray. Quaisquer dois podem passar – para dificilmente avançarem após as oitavas. É imprevisível porque não tem nenhum grande time, ou seja, tão imprevisível quanto desinteressante.

No grupo E, o Bayern passa com folgas, Benfica e Ajax fazem o outrora clássico pela “glória” de chegar às oitavas. Olharemos com carinho para os duelos clássicos entre Bayern e Benfica, Bayern e Ajax, relembraremos dias maravilhosos dos anos 60 e 70, apenas para tomarmos um choque de realidade com o placar final desses jogos.

No grupo F, o Manchester City passa com folgas e deixa para Lyon, Shakhtar e Hoffenheim a briga pelo segundo lugar. No grupo G, o Real Madrid não terá problemas contra Roma ou CSKA Moscou. Esses dois, City e Real, possivelmente estarão mesclando titulares e reservas nas rodadas finais, lá para novembro e dezembro.

E o grupo H é parecido com os grupos B e C. Tem cara de grupo da morte… do Valencia. Juventus e Manchester United estão léguas à frente em termos de time, orçamento, etc, e qualquer coisa que não seja a classificação dos dois será surpreendente.

A fase de grupos terá vários jogões. Juventus x Manchester United, PSG x Liverpool, Barcelona x Tottenham, Atlético x Dortmund… mas em regra essas partidas mais decidirão primeiro lugar dos grupos, o que nem é tão visto na Europa como a coisa mais relevante do mundo. A competitividade é baixa nesta fase do torneio. Sobram clássicos entre favoritos, mas que são jogos sem transcendência.

A que isso se deve? Fácil apontar o dedo para a Uefa e a decisão de colocar mais campeões nacionais (de países de futebol muito abaixo) na fase de grupos. Mas o buraco é mais profundo do que isso. Mesmo se estivessem aqui camisas mais conhecidas que foram ficando pelo caminho (Spartak Moscou, Fenerbahce, Celtic) ou que entrassem mais times médios dos grandes centros… que diferença faria? Nenhuma.

Fair play financeiro, teto de gastos e salários, grupos maiores… sei lá. Alguma solução a Uefa vai precisar dar. Ou os clubes. Competição esportiva precisa de organização, qualidade, tudo isso. Mas também de um pouco de imprevisibilidade.


E se o Real Madrid emprestasse Vinícius Jr?
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Julio Gomes

Vinícius Jr estreou domingo. Pelo Real Madrid Castilla. É o Real B, que joga a terceira divisão da Espanha.

Como foi? Não sei, não vi o jogo contra o poderoso Las Palmas… B. Sim, na Espanha as divisões inferiores são basicamente recheadas de times B. Vi a bela caneta que ele deu em um adversário. E li críticas ao pouco brilho de seu jogo.

Com todo respeito, repito o que já disse quando foi confirmada a ida de Vinícius Jr para Madrid, no meio do ano: é uma estupidez.

Estupidez dele, que poderia ter ficado para tentar fazer história no Flamengo. Estupidez do Flamengo, que deveria ter feito um esforço muito maior para convencê-lo a ir em 2019. E estupidez do Real Madrid, que considera isso aí uma adaptação necessária para o futuro dele.

Jogar na terceira divisão espanhola ou na Libertadores e no Brasileiro, pelo time mais popular do país mais vitorioso do futebol – de quebra, disputando títulos?

Vinícius Jr aprenderia o idioma espanhol perfeitamente ano que vem. Aprenderia o futebol tático da Europa perfeitamente o ano que vem. O que ele não vai aprender? A lidar com momentos de pressão e exposição máxima antes de vivenciá-los com a camisa do Real Madrid.

Já que não quis mantê-lo no time principal, pelo menos por enquanto, como o Real Madrid pode desenvolver o futebol de Vinícius Jr?

Não parece ser na terceira divisão, em um campo vazio, que fica no centro de treinamento do clube, contra adversários e companheiros de um nível inferior.

E se o Real Madrid emprestasse sua pérola? Digamos… para o Flamengo?

 


A hora de Vinícius Jr vai demorar. O Real, agora, é o time de Bale
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Julio Gomes

Cristiano Ronaldo se foi. E, depois de 18 anos, o Real Madrid perdeu uma final internacional – os 4 a 2 para o Atlético de Madrid, Supercopa da Europa. Claro que Cristiano não jogou todas as finais nestes 18 anos, mas a maioria delas.

Com Zidane, que ficou dois anos e meio no clube e ganhou três Champions, nunca o Real havia levado quatro gols. Eu sempre digo que, enquanto os outros dão presentinhos (Bayern, Liverpool), o Real Madrid não entrega nada de graça para ninguém. Ontem, entregou. Navas no primeiro gol, Marcelo no segundo, Varane no terceiro… foram muitas (raras) falhas individuais.

A Supercopa da Europa é apenas o primeiro jogo oficial para os times madrilenhos, começo de temporada. Mas já dá para observar algumas coisas.

Os que estavam empolgados com a pré-temporada de Vinícius Jr precisam sossegar. Há uma fila. E nela estão Asensio, Lucas Vázquez, Ceballos…

Isso sem contar Benzema e Isco, que devem ser titulares o ano todo e, claro, Bale.

Agora a bola está com ele. Depois de lesões, de perder espaço, de ficar, segundo alguns meios de imprensa europeus, perto de sair do Real, Bale tem agora a chance que nunca teve enquanto CR7 estava na área. A chance de ser dono do time.

Fica mais fácil depois de ter metido o gol de bicicleta que meteu na final na Liga dos Campeões, contra o Liverpool. Nesta quarta, contra o Atlético, o time jogou mais pela esquerda, com Marcelo e Asensio, no primeiro tempo. Mas foi de Bale que saiu o cruzamento perfeito para o primeiro gol, de Benzema.

O Real Madrid é uma das interrogações da temporada europeia. Já sabemos o que esperar do City, do United, do Liverpool, do PSG, do Bayern, até mesmo do Barcelona. Mas Arsenal, Chelsea e Real Madrid, e este é o tricampeão europeu, portanto, mais relevante, são clubes de técnico e filosofia novos.

Lopetegui fazia um ótimo trabalho na seleção espanhola, mas não foi bem quando passou pelo Porto. Ganhou um goleiraço em Courtois, o melhor do mundo, mas Navas é também ótimo. A base vencedora está mantida, só que se foi o melhor jogador do time, responsável por um número bizarro de gols. Esses gols precisam ser feitos para o time se manter no topo. Quem os fará?

Não vai ser Vinícius Jr. Aliás, a não entrada dele ontem contra o Atlético, com o time perdendo e sem ser uma Copa de grande relevância, mostra que a hora do menino ainda vai demorar bastante para chegar.

Este, a partir de agora, é o time de Bale. Será que o galês está à altura da ocasião?

 


Como alguém pode desprezar a bola de Diego Costa?
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Julio Gomes

É natural que o caráter de Diego Costa seja contestado. Alguém pode não aceitar a atitude que o sergipano de Lagarto tem em campo. É, de fato, um jogador duro, provocador, muitas vezes sujo. Mas não é normal que o futebol dele seja tão contestado por tanta gente.

Diego Costa é uma peça cada vez mais rara – portanto, valiosa – no futebol de hoje. Um “9 de garantias”, como eles gostam de falar na Espanha. Não faz só gol, é muito mais do que isso.

Contra o Real Madrid, nesta quarta, Diego Costa foi o grande nome da virada do Atlético de Madrid, campeão da Supercopa da Europa.

Diego Costa abriu o placar com um golaço sem ângulo e, na reta final do jogo, empatou a partida – o Real havia virado o marcador. Assim como nas finais de Champions de 2014 e 2016, Real e Atlético iam para a prorrogação.

Desta vez, no entanto, a história foi diferente. Se, em 14 (com Diego machucado), o Real chegou à décima e, em 16, à décima-primeira, primeiro na prorrogação e depois nos pênaltis, agora o Atlético foi quem se deu bem.

O terceiro gol nasce de uma roubada de bola de Thomas (bobeada de Varane, francês campeão do mundo) e uma ótima tabela com Diego Costa antes do maravilhoso sem pulo de Saúl. O quarto gol também passa por ótimo passe de Diego Costa antes do chute de Koke.

Ou seja, o hispano-sergipano fez dois e participou de outros dois. Não é só goleador, é brigador, preparador de jogadas, abridor de espaço, garçom. Além, claro, de levar os adversários à loucura com seu estilo agressivo em campo. Ele tira os caras do sério.

É inacreditável que Antonio Conte tenha preterido um jogador como esses no Chelsea, dispensado por SMS.

E talvez esse jeito de ser não combine mesmo com a “boazinha” seleção espanhola – reportagem do El País apontou, após a Copa, que o grupo de jogadores estava rachado em função da preferência de Lopetegui e, depois, Hierro, por Diego Costa.

Mas, se tem um time em que o estilo de Diego Costa é “match” perfeito, esse time é o Atlético de Simeone.

Ele flerta com expulsão o tempo todo, mas quase nunca vê o vermelho. É 100% tensão, 100% intensidade. É o Simeone 2.0 com gols, potência e bem mais talento.

O título da Supercopa não representa, nem de perto, o mesmo que ganhar uma Champions. Mas o torcedor do Atlético começa a temporada de alma lavada, metendo 4 no maior rival e levantando mais uma taça, o que já não é raridade para o clube.

Além de ter mantido Griezmann, o MVP da final da Copa do Mundo, o Atlético reforçou demais o elenco, com gente como Lemar, Rodri, Arias, Gelson Martins, Kalinic.

E, claro, “acharam” Lucas Hernández, que era reserva, na Copa (Filipe Luís vai ficar bastante tempo no banco). O ótimo Saúl está mais experiente, Corrêa também. Diego Costa e Vitolo estão lá desde o início da temporada. É elenco para ser campeão de qualquer coisa.

Se conseguir manter o embalo inicial de temporada e não deixar pontos bobos pelo caminho, o Atlético é candidatíssimo a desafiar o Barcelona no Espanhol. Mais até do que o Real Madrid. Aliás, a final da Champions, ano que vem, é no estádio do Atleti…


Vinícius Jr já no Real Madrid: ruim para todas as partes
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Julio Gomes

Como não houve muita polêmica, nenhum bafafá, é possível entender que a chegada de Vinícius Jr ao Real Madrid já, logo após completar 18 anos de idade, ocorreu em comum acordo entre os espanhóis, o Flamengo e o jogador.

Por acaso, estou em Madrid, cidade querida, para miniférias após a maratona da Copa do Mundo. Nada a ver com a primeira semana de treinos de Vinícius e a apresentação dele, nesta sexta, com presença de Ronaldo e tudo. Como dizem por aí, aqui na cidade… “só se fala de outra coisa”.

Vinícius Jr não fez Madrid pulsar nem nada do tipo, ainda que tenha havido público em sua apresentação no Bernabéu. É verdade que, em julho, a cidade se esvazia de madrilenhos, se enche de turistas.

Por mais que todos pareçam felizes, e é natural que o garoto esteja vivendo um sonho, não consigo entender como pode ter sido bom para Vinícius, Real Madrid e Flamengo. Na real, é ruim para todo mundo.

Vinícius Jr acabava de virar titular do Flamengo. Era uma chance de ouro para ter minutos, jogar todo um Campeonato Brasileiro, um torneio difícil, pegado, disputado, que, se taticamente agrega pouco, emocionalmente acrescentaria demais na formação do caráter do atleta.

O Flamengo lidera o campeonato, é um dos candidatos a título, Vinícius Jr, com juventude e agressividade, tinha tudo para ser uma peça fundamental nesta luta. Tem Libertadores e Copa do Brasil também, ou seja, aprendizado em mata-mata, time contra a parede! Jogar grandes partidas, grandes clássicos, isso tudo tem um valor inestimável na carreira de um atleta. É aquilo que não se ensina. É a tal experiência. Ganhar, perder, aprender a ganhar, aprender a perder.

Nem se sabe se Vinícius Jr ficará no primeiro time do Real Madrid na temporada ou se será “rebaixado” ao Real Madrid B, o Castilla. Que grande diferença faria que o menino viesse daqui a seis meses, no final do ano?

Que grande aprendizado tático ele terá agora que não teria chegando seis meses depois? É um gigantesco abismo o que separa a responsabilidade que Vinícius Jr teria atuando neste segundo semestre por um gigante como o Flamengo e a (falta de) responsabilidade atuando em jogos menores na Espanha.

Para o Flamengo, é a perda de uma peça que poderia ser chave. Para Vinícius Jr, é a chance perdida de fazer história pelo clube, deixar uma marca. Para o Real Madrid, é jogar no lixo um período de experiência que poderia se mostrar valiosíssimo no futuro.

Não consigo entender.


CR7 foi só a primeira peça de um mercado que vai pegar fogo
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Julio Gomes

A grande interrogação era Cristiano Ronaldo. Onde ele jogaria? Porque já estava claro que os dias de Real Madrid estavam contados…

PSG e Manchester United pareciam ser as única opções – desconsiderando, claro, os mercados milionários periféricos, como China, EUA ou Oriente Médio. Mas Cristiano escolheu a Juventus.

Por um lado, aumenta o abismo entre Juve e outros no futebol italiano. Por outro, coloca um clube gigante de volta a uma briga que não estava parecendo mais dela, pela coroa europeia. E volta a trazer o calcio ao centro das atenções. Talvez a própria liga italiana se beneficie, com jogadores querendo atuar no mesmo campeonato de CR7.

A partir daqui, teremos semanas frenéticas. Na Premier League inglesa, a janela de contratações será fechada em 9 de agosto, por decisão dos clubes. Nos outros mercados importantes da Europa, a data segue sendo 31 de agosto.

O Real Madrid gastou pouco nas últimas temporadas, vai viver uma reconstrução com o novo técnico, Lopetegui, e sem Cristiano. Já sabemos que é um clube ultra agressivo no mercado. Todos os sinais apontam para Neymar. Mas a coisa não é tão simples.

Por um lado, a ausência de multa rescisória e o orgulho dos homens do Catar não farão fácil essa negociação. Por outro, o PSG vai receber um Neymar menor e um Mbappé muito maior após a Copa. Será o clube de quem? Não seria mais fácil apostar em Mbappé, que é francês, tem só 19 anos e não quer sair do clube? (ao contrário de Neymar).

Mas, pelo prisma do staff Neymar, forçar uma saída agora pode ser uma armadilha. Chegar ao Real Madrid tricampeão europeu e sem Ronaldo… qualquer coisa que não seja ganhar a Champions de novo será um fracasso retumbante. Além de adicionar a imagem de mercenário à já arranhada imagem do jogador pós-Copa.

Talvez tenha mais sentido esperar um ano. Minha aposta é que o casamento Real Madrid-Neymar só será celebrado no próximo mercado, em 2019.

Eu, se fosse apostar minhas fichas, apostaria em uma investida fortíssima do Real sobre Hazard, um namoro antigo, e Kane. Ambos nomes importantes da Copa, em clubes ingleses de relevância, mas que não se comparam ao gigante espanhol. Hazard, convenhamos, está fazendo hora-extra no Chelsea.

Pogba, outro que cresce na Copa, não parece feliz no Manchester United de Mourinho. O que será de Dybala e Higuaín na Juventus, com a chegada de Cristiano? São jogadores com alto valor de mercado e que podem sair, contra a vontade deles ou não.

É como um gigante dominó com as peças de pé, formando um desenho de cifrão. A primeira peça era Cristiano Ronaldo. A partir de agora, cairão todas as outras. Vai pegar fogo!