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Panelinha de brasileiros em clube europeu é uma faca de dois gumes
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Julio Gomes

Eu trabalhava como correspondente na Europa, bem perto de Real Madrid e Barcelona, acompanhando os dois gigantes quase diariamente. Coincidentemente (ou não), ambos eram recheados de brasileiros.

No Real Madrid, no meio do entra-e-sai, estavam Luxemburgo (e comissão técnica), Roberto Carlos, Ronaldo, Cicinho, Júlio Baptista, Emerson, Robinho, Marcelo. No Barcelona, estavam Ronaldinho, Deco, Edmilson, Belletti, Sylvinho, Thiago Motta.

Tínhamos ali dois exemplos opostos de como ter muitos brasileiros no elenco de um gigante europeu pode dar muito certo ou muito errado.

No Real Madrid, formou-se a panelinha. Só que havia outras panelinhas dentro do clube, essencialmente um núcleo duro de jogadores espanhóis e profissionais do clube (médicos, diretores, etc). O conflito estava desenhado antes mesmo de Luxemburgo colocar os pés na capital.

No Barcelona, não parecia haver uma separação do tipo “brasileiros aqui, catalães para lá”. Eles se mesclaram, se fundiram. Não dava para chamar de panelinha.

Talvez os momentos e personagens explicassem ter dado errado no Real, certo no Barça. O Real vinha de títulos grandes, os jogadores já eram consagrados e parte da história do clube. Então que palhaçada era aquela de chegarem esses brasileiros querendo fazer e acontecer por aqui? Roberto Carlos era o elo entre o passado e o então presente, mas talvez não tenha sido capaz de fazer dar liga entre os grupos.

Foi a era dos Galácticos. Os fracassos não vieram só por causa dos brasileiros, claro que não. Mas o fato de não ter havido química certamente não ajudou.

Quando alguns deles saíram e poucos ficaram, obrigados a “entrar na linha”, o clube foi bicampeão espanhol (2007 e 2008).

Já o Barcelona era um clube em depressão em 2003, em um momento esportivo terrível, e tudo mudou com a chegada de Ronaldinho. Outros brasileiros já haviam feito sucesso no clube, havia e há uma química interessante entre Catalunha e Brasil. Existia boa vontade, uma boa vontade que não havia em Madri. Puxado por Ronaldinho, Barcelona começou a sorrir e a ganhar, então o próprio grupo de jogadores do clube via a turma brasilina com ótimos olhos.

Uma panelinha de brasileiros em clube grande europeu só dá certo se houver química e condescendência por parte dos outros jogadores e do técnico da vez. Até porque a maioria dos brasileiros (estou generalizando, falando de “maioria”, não de totalidade) não faz tanta questão de se misturar e de se adaptar. Gostam de levar o Brasil para a Europa, na forma de “parças”, comida, CDs de música.

Aí, chegamos ao Paris Saint-Germain da atualidade (ler essa notícia do UOL Esporte).

Não parecia haver tanto problema quando estavam lá veteranos como Thiago Motta, Maxwell (que parou), Thiago Silva, um jovem Marquinhos, outro jovem, Lucas.

Mas, quando chegam Neymar e vem um cara como Daniel Alves, um veterano e que foi a Paris apenas e tão somente para acompanhar Neymar e “ganharem tudo juntos”, o cenário muda. Ainda mais porque, com as contratações de Neymar e Mbappé, o resto do elenco todo passou a estar automaticamente à venda. E ninguém fica feliz ao ser oferecido por aí, jogado ao mercado.

Não havia muitas dúvidas de que a turma de brasileiros não estaria no topo da lista de “vendáveis”, exatamente para não incomodar o grupo. E, quando isso aconteceu com Lucas, os outros não gostaram muito.

Para piorar a situação, o resto do elenco tem uma quantidade considerável grande de argentinos e uruguaios, que formam outro tipo de panelinha. E um técnico que não tem o estilo “paizão”.

Foi interessante quando Muricy Ramalho disse, recentemente, em meio à polêmica Neymar-Casagrande, que o fato de o treinador espanhol Unai Emery não ser muito “amigão” dos jogadores estar atrapalhando as coisas.

De fato, Emery e a grande maioria dos treinadores europeus não precisam ser “paizões”. Luiz Felipe Scolari não deu certo no Chelsea, entre outras coisas, porque o estilo “paizão” era visto por outros jogadores com desdém. O jogador de futebol europeu, com bases educacionais e familiares mais sólidas (por serem provenientes de países mais desenvolvidos), não fazem muita questão desse tipo de relacionamento.

Mas os brasileiros, sim. O fato de a relação Emery-brasileiros ter ido para o vinagre fala mais (mal) sobre os brasileiros do que o técnico, no meu ponto de vista. Agora, sabedor do que viria pela frente e do que cairia em seu colo, o técnico também deveria ter tido mais jogo de cintura. Viver em enfrentamento com uma panelinha de jogadores brasileiros bons e caros era e é uma burrice. O lado fraco da corda é ele, o treinador. E, ao barrar Thiago Silva do jogo de quarta, ele declarou guerra.

Jogadores brasileiros são bons. Em regra, acima da média. Não à toa são maioria da Liga dos Campeões.

Mas juntá-los é uma faca de dois gumes. Pode dar muito certo, como já deu em vários lugares. Pode dar muito errado, como parece que vai dando no PSG.

Talvez o ideal seja ter alguns brasileiros, mas com parcimônia. Um ou dois “craques” ou titulares, mais um ou dois jogadores de grupo, para fazer companhia. Um modelo que já deu muito certo em muitos lugares.

Emery parece condenado no PSG. Qual a solução? Certamente não é desfazer a panelinha de brasileiros, agora que já está formada. Muito mais fácil mandar o cara embora, até porque ele não é unanimidade em Paris.

Um Carlo Ancelotti, que está dando sopa no mercado, um Tite. Enfim, alguém que seja capaz de falar a linguagem dos brasileiros, sempre sedentos por um carinho, uma palavra amiga.

 


Neymar pai e filho deveriam ouvir Casagrande, em vez de atacá-lo
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Julio Gomes

A polêmica da semana, para variar, é com Neymar. Para quem não acompanhou, foram dois movimentos. Depois do jogo entre Real Madrid e PSG, Walter Casagrande Jr criticou a postura do jogador, em sua participação no programa Redação Sportv. Vídeo aqui. Mais tarde, sem citar nomes (nem precisava), o pai de Neymar publicou isso aqui no Instagram.

 

Eu apenas coloquei as duas posições na minha conta do Twitter. Para não dizer que não usei adjetivos, chamei as colocações de Casagrande de “pertinentes”. E a resposta de Neymar pai de “patética”. Choveram comentários e é possível que tenham sido na ordem de meio a meio.

Uma coisa é fato. Neymar desperta amor e ódio. Tem gente que adora o cara, o jogo dele, o jeito e não atura ouvir qualquer crítica. Tem gente que detesta e se nega a elogiar. Quem gosta de Neymar, tem certeza absoluta que a mídia “persegue” o rapaz. Quem não gosta, diz que a mídia “passa a mão na cabeça” dele.

Primeiro, a mídia, assim como torcedores, ex-jogadores, etc, é formada por gente em carne e osso. Cada um tem sua opinião, cada um faz sua análise e chega a conclusões. Na mídia, existe a mesmíssima divisão que há entre as pessoas que acompanham e vivem futebol, mas não estão com microfone em mãos. Tem quem ame, tem quem deteste.

Eu, por exemplo, me considero uma pessoa no meio do caminho. Gosto muito do jogo de Neymar, acredito que ele seja um genuíno craque, que já está na lista de 10 maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Isso mesmo.

No entanto, sou crítico em relação a algumas posturas dele, especialmente dentro de campo, e acho que ele pularia para um degrau mais alto se ele melhorasse em alguns aspectos mentais e tomasse algumas decisões mais inteligentes em jogos grandes. A tomada de decisões é o que diferencia, por exemplo, Messi de Neymar.

Quando digo que sou crítico a algumas posturas, não estou falando de Instagram nem de festança de aniversário. Falo de posturas no jogo mesmo, com algum individualismo, algum desrespeito por rivais, algum desdém, alguma animosidade com toda a mídia, que, a meu ver, sobram. Ele deveria ser maior que isso.

Quando Casagrande fala que Neymar está sendo muito mimado, ele acerta em cheio, a meu ver. Sobre a postura em campo, por exemplo, nas jogadas com Cavani, já não concordo muito.

O que não gosto da polêmica gerada nesta semana é quando os defensores de Neymar passam ao ataque. Desqualificando Casagrande por seus problemas do passado com as drogas. Casagrande merece ser aplaudido pela maneira aberta e transparente como lidou com um problema pessoal, até para servir de exemplo para tantas outras famílias que sofrem do mesmo mal. Chamá-lo de “cheirador” acrescenta zero ao debate sobre Neymar. Zero.

Mostra apenas o nível baixíssimo das pessoas quando têm suas ideais confrontadas. Parece que se sentem ameaçadas. Mas deixemos os comentários sobre a psique humana para quem sabe mais disso do que eu.

E quando o pai de Neymar se manifesta chamando Casagrande de “abutre” me parece extremamente agressivo e desproporcional.

“Em uma “guerra” há os que se alimentam de vitórias e há os que, como os abutres, se alimentam da carniça dos derrotados. Nada fazem, nada produzem, vivem do brilho ou, com mais frequência, de momentos difíceis de suas “presas”. Foi o que escreveu Neymar pai.

Quem é mesmo que “vive do brilho dos outros”? cri, cri, cri….

E tem mais. Que história é essa de guerra?? É isso que está virando o Brasil. Tudo é guerra, tudo é enfrentamento. Se você faz uma crítica, é inimigo e precisa ser combatido. É um binarismo inacreditável, surreal.

Não sou advogado de Casagrande. Mas a crítica dele é analítica. É uma análise do jogo de Neymar e da postura dele como jogador protagonista da seleção brasileira, além de ser o mais caro da história do futebol.

Na análise de Casagrande, Neymar atua em campo com uma mentalidade individualista. E ele não gostaria que isso acontecesse na Copa do Mundo, pelo bem da seleção brasileira.

Esta mentalidade individualista, a meu ver, é parte integrante do futebol brasileiro. Foi, em grande parte, razão do nosso sucesso. Mas, hoje, é razão do fracasso. O jogo mudou. Hoje, ele é mais coletivo do que nunca. E o individualismo precisa estar a serviço do coletivo para, aí sim, marcar diferenças.

O que Casagrande diz é que Neymar joga um jogo em que o coletivo precisa estar a serviço do individualismo (dele). E esta é uma inversão de lógica inaceitável. A soma de atitudes, gestos, falas, etc, de Neymar fazem com que ele chegue a esta conclusão. Me parece uma opinião lícita.

Como lícita foi a opinião de Muricy Ramalho no mesmo Sportv, ex-treinador dele no Santos, dizendo que Neymar não é mimado, é super profissional, dedicado, etc. Tite fala a mesma coisa. Aliás, é nítido que Tite entende como ninguém que sua grande missão é trazer o individualismo do jogador brasileiro para serviço do coletivo. Só assim o hexa será conquistado. E ele parece estar tendo êxito na missão, inclusive pela postura que Neymar mostra quando joga com a seleção, bem diferente da postura que vem mostrando no PSG.

Eu não acho que ser mimado e ser super profissional sejam coisas excludentes. Me parece claro que Neymar não teria atingido o nível estratosférico que atingiu não fosse um jogador profissional, preparado e dedicado. Dedicado até que ponto? Mais ou menos que Cristiano Ronaldo? Mais ou menos que Ronaldinho Gaúcho? É difícil dizer. Podemos deduzir, observar, mas creio que ninguém tenha tal certeza. Nem mesmo os envolvidos, pois não estão na pele do outro.

Agora, só porque é profissional não é mimado?

O que é ser mimado, afinal? Na minha opinião, a pessoa mimada é aquela que tem dificuldades em aceitar um não como resposta, pois sempre tiveram a sua volta pessoas dispostas e disponíveis a cumprir seus desejos.

Eu, caçula e temporão, sou uma pessoa mimada. Não teria por que fazer a auto análise aqui neste post mas… por que não? Já tive e tenho muitas dificuldades na vida por me sentir contrariado. É uma barreira a ser superada. E isso não me impede de ser profissional, dedicado, ético, correto, etc.

Ninguém é 100% perfeito, ninguém é 100% imperfeito.

A impressão que a resposta de Neymar pai passa (corroborada a mim por outras pessoas mais próximas, não citarei nomes) e que as atitudes de Neymar filho, pai e staff passam é que Neymar nunca será contrariado pelas pessoas a sua volta.

É muito difícil imaginar que, depois do jogo contra o Real Madrid, alguém vá chegar perto dele e falar. “Ney, você errou nesse lance, naquele, naquele outro, poderia ter passado aqui, chutado ali, tomado outra decisão”.

Muricy deu a dica no Sportv. “Ele gosta de ser contrariado, confrontado”. Não duvido. Mas será que isso está acontecendo e tem acontecido nos últimos anos? Muricy não convive mais com ele para saber.

Mais, para apimentar o debate. Isso é função do técnico?

Sem dúvida. Mas pense no quão difícil é a posição de um técnico nesta relação com uma estrela como Neymar, rodeada de gente envenenando sua cabeça sobre os outros profissionais a sua volta. Será que “staff” Neymar fala bem ou mal de Emery, Cavani, etc para ele? Será que fazem contrapontos? Ou será que falam o que Neymar quer ouvir?

O que vocês acham?

Eu acho que as pessoas mais próximas a ele, que são as que deveriam ser constantes antagonistas, apenas fazem passar a mão na cabeça e falar o que ele quer ouvir. E a resposta agressiva e desmedida de Neymar pai a Casagrande são praticamente uma comprovação disso.

Foram muitos os jogadores e, principalmente, treinadores, que adotaram essa postura de enfrentamento. Que consideravam que o mundo estava contra eles, que havia uma gigantesca conspiração dos invejosos de plantão. Invariavelmente, essas pessoas fracassaram no próprio mar de ódio que geraram.

Nada na vida é melhor do que um choque de realidade de tempos em tempos. É duro na hora, mas faz um bem danado depois. Se eu fosse Neymar, ouviria e absorveria melhor as críticas. Isso aqui não é guerra. É apenas o jogo. O jogo que ele escolheu jogar muito tempo atrás.

 

 


Asensio deixa o projeto PSG contra a parede
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Julio Gomes

O PSG fez quase tudo certo durante quase todo o tempo. Mas o Real Madrid é o Real Madrid. E, se de um lado alguns gols foram perdidos, do outro eles foram feitos.

Os 3 a 1 do Real Madrid no Bernabéu não acabam com a eliminatória. É claro que o PSG pode ganhar por 2 a 0 ou mais em Paris. Mas, convenhamos, é o atual bicampeão europeu quem tem o comando da disputa pela vaga nas quartas de final.

O projeto bilionário do PSG está contra a parede. Não é exatamente o plano gastar toda essa grana para conquistar torneios domésticos e ser eliminado nas oitavas de Champions.

Quando o Paris Saint-Germain melhor jogava, quando parecia que o time de Neymar faria o segundo gol, entrou Asensio. 22 anos de idade. Já conhecido por quem acompanha mais de perto o futebol europeu, mas não de tanta gente que fica restrita ao futebol local. O menino simplesmente acabou com o jogo – olho nele, que pode explodir de vez na Copa.

Em pouco mais de 10 minutos em campo, Asensio fez as jogadas dos dois gols que decretaram a virada e a vitória do Real Madrid.

Neymar jogou bem, ainda que tenha tomado um cartão amarelo bobo e perdido algumas chances de gol. Daniel Alves, restrito à defesa no primeiro tempo, foi importantíssimo para o domínio do PSG no segundo. Marquinhos fez uma partida impecável – que Thiago Silva tenha sido deixado no banco é uma notícia e tanto. Quem confia no homem?

O técnico Unai Emery foi bem também – falarei disso mais para frente. Colocando-se no lugar do torcedor do PSG, é difícil entender por onde veio o trem branco que passou por cima e gerou esse resultado.

Mas ele veio na forma de Asensio e os dois gols de Cristiano Ronaldo, apesar de alguns outros perdidos.

A escalação do PSG, sem um volante de origem, foi ousada. Incrível que um elenco milionário como este tenha para jogar de 5 apenas Thiago Motta, um jogador com a carreira marcada por lesões. Foram desenterrar Lass Diarra no mercado de inverno, mas seria bizarro colocá-lo em um jogo como este.

Sobrou para o jovem argentino Giovani Lo Celso, 21 anos apenas. Não foi uma escalação inédita, mas uma coisa é ter Lo Celso por ali em partidas do Francês, em que o PSG domina completamente e o adversário mal passa do meio de campo. Outra coisa é jogar assim no Santiago Bernabéu. Lo Celso acabaria cometendo um erro grave, no gol de empate, típico de quem tinha que fazer o que não sabe.

Zidane optou por Isco no meio de campo. E, como se esperava, o Real Madrid dominou o setor e o jogo nos primeiros 10 minutos.

Mas o PSG conseguiu, pouco a pouco, controlar as ações. Rabiot, que foi o melhor em campo, Verratti e Lo Celso passaram a ditar o ritmo do jogo, sem chutões. E, consistentemente, encontraram Neymar pela esquerda. Ele chegou a ter algumas bolas em 1 contra 1 para cima de Nacho, um lateral que na verdade é um zagueiro.

Se de um lado Neymar teve duas bolas em que recebeu em velocidade, trouxe para o meio e tomou as decisões erradas, do outro lado Cristiano Ronaldo perdeu dois gols que não costuma perder e ainda bateu mal uma falta que seria “meio gol” em outros pés – inclusive os dele.

Até que, quando finalmente trocou de lado e avançou pela direita, o PSG viu uma boa jogada de Mbappé acabar em gol. O cruzamento sobrou para Rabiot, que finalizou livre enquanto Modric só assistia.

O PSG era superior em campo, jogando com personalidade e com muita obediência tática. Não víamos o Neymar anárquico de alguns jogos e, sim, o Neymar jogando como rende melhor. Pela esquerda, com liberdade para flutuar.

O Real Madrid achou o empate no final do primeiro tempo, em uma infantilidade de Lo Celso, que agarrou o pescoço de Kroos na área. Cristiano Ronaldo bateu bem e fez seu gol número 100 pelo Real Madrid em Champions League.

O segundo tempo começou melhor para o Real Madrid. Casemiro, Modric, Kroos e Isco passaram a fazer valer a maioria no meio de campo, e o time da casa tinha o jogo sob controle, ainda que sem grandes chances de gol.

Foi aí que Unai Emery mudou o jogo. Com uma substituição suspeita, no papel, e ótima taticamente, na prática. A entrada do lateral Meunier no lugar de Cavani. O futebol é maravilhoso também por isso. Uma substituição que parecia defensiva, com 1 a 1 no placar, deixou o PSG muito melhor em campo.

Daniel Alves, que estava em campo apenas para impedir os avanços de Marcelo, passou a jogar pela direita na linha ofensiva – como no Barcelona ou na Juventus. Mbappé foi para o comando do ataque, trocando de posição com Neymar constantemente. O time passou a atacar de forma dinâmica e criou várias chances de gol.

Mas… não fez.

A resposta de Zidane demorou alguns minutos. Ele colocou em campo Asensio e Lucas Vázquez – Bale já havia entrado. E tirou Casemiro e Isco, que caíram muito do primeiro para o segundo tempo. Deu certo. Quando o Real Madrid se encontrava pior em campo, duas jogadas de Asensio acabaram nos gols de Cristiano Ronaldo e Marcelo.

Meunier acabou entrando mal em campo. A substituição de Emery foi ótima taticamente, mas na parte individual o trem passou por cima de Meunier.

Eliminatória aberta. Pero no mucho.

 


Conseguirão os “novos ricos” PSG e City mudar o status quo da Champions?
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Julio Gomes

É a batalha do velho contra o novo. A tradição histórica de grandes títulos contra o fenômeno recente bancado por dinheiro estrangeiro. A Liga dos Campeões da Europa volta nesta terça-feira para a fase de mata-mata, com os jogos de ida das oitavas de final. E o que todo mundo quer saber é: será que Paris Saint-Germain e Manchester City serão capazes de quebrar o domínio construído por Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique?

Não teremos uma resposta definitiva nesta semana. Mas ela começa a ser construída agora.

Lá se vão dez anos desde a última final de Champions sem a presença de um destes três (Moscou-2008) – desde então, Real Madrid e Barcelona ganharam as três finais que disputaram, e o Bayern, que também chegou a três finais, ganhou uma e perdeu duas. Temos de voltar a 2011 para encontrar uma fase de quartas de final sem a presença dos três. Desde então, três das semifinais tiveram todos eles.

Já PSG e City ainda lutam para chegar a sua primeira final.

O PSG havia sido campeão francês pela última vez em 94 quando, em 2011, foi comprado pelo dinheiro do Catar. Desde então, ganhou quatro vezes o título na França (ganhará pela quinta vez este ano), mas não conseguiu superar a barreira das quartas de final na Europa – o clube chegou a uma semi de Champions em 95, nos tempos de Weah e Raí.

Já o Manchester City, comprado por dinheiro dos Emirados Árabes em 2008, foi capaz de chegar à semifinal europeia em 2016, mas esta foi a única boa campanha internacional – domesticamente, o clube ganhou duas Premier Leagues e caminha para a terceira. O City havia sido campeão inglês pela última vez em 68 e chegou a frequentar a terceira divisão nos anos 90.

PSG e City não são clubes sem torcida ou tradição. Apenas nunca foram clubes capazes de dominar o futebol de seu país e muito menos fazer cócegas na Europa. Isso só é possível agora porque os talões de cheque dos sheiks árabes são gordos e com fundos ilimitados.

O mesmo aconteceu com o Chelsea, o primeiro dos ricaços fabricados artificialmente. No caso, o dinheiro era russo. Como a compra do clube ocorreu em 2003, já até nos acostumamos. O Chelsea era maior e mais tradicional que o City, até por estar em uma área rica de Londres, mas também não vencia o Inglês desde 55. Com o dinheiro russo, ganhou cinco vezes a Premier e conquistou a Champions em 2012, justos dez anos após vira “novo rico”.

Se dez anos é o prazo necessário de investimentos para conquistar o continente, chegou a vez do City, de Guardiola. E o PSG, de Neymar, ainda terá de esperar mais três aninhos.

O City abre as oitavas de final nesta terça jogando na Suíça, contra o Basel. É uma das barbadas desta fase, e o ex-primo pobre de Manchester deve chegar às quartas de final pela segunda vez em sua história.

O outro jogo da terça reúne Juventus e Tottenham, com partida de ida na Itália. A Juve, finalista em duas das últimas três Champions, é forte candidata de novo. E está voando, com 11 vitórias seguidas pelo Italiano e Copa da Itália. Mas tem desfalques importantes e será uma pedreira a eliminatória contra um Tottenham que vem de ótimas temporadas e que vive seu melhor momento na atual. Não perde há 12 jogos, desde que dois meses atrás foi goleado pelo City.

Todas as atenções estão voltadas, no entanto, para o duelo de quarta-feira entre Real Madrid e PSG, com jogo de ida na Espanha.

Porque é o duelo que representa essa batalha do gigante tradicional contra o ex-pequen00o que virou grande e sonha com voos bastante altos. O duelo entre o 12 vezes campeão da Europa e o zero vezes campeão da Europa. A presença de Cristiano Ronaldo e Neymar em campo dá rostos a este duelo – também é um encontro entre quem já é (CR7, dono de cinco Bolas de Ouro) e quem quer ser (Neymar).

Com a primeira partida no Bernabéu, onde o Real tropeçou em simplesmente a metade de seus jogos em casa na temporada, a responsabilidade é toda do atual campeão. Não vencer significará ficar com a vida dura demais para a volta, em Paris.

 


Os ricaços que me desculpem, mas o Napoli é a grande história da Europa
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Julio Gomes

PSG, City. City, PSG. Neymar, Guardiola. Guardiola, Neymar. Dólares. Euros. Libras. Qualidade.

Napoli. Pizza. Maradona. Paixão. Loucura. Qualidade.

Nomes próprios trazem “sinônimos” diversos, ainda que alguns sejam comuns a eles.

Se estamos falando há meses dos que parecem ser dois dos melhores times da Europa, o PSG e o Manchester City, é porque o dinheiro fez com que isso fosse possível. O PSG foi comprado pelo Qatar. Isso mesmo, o país. O Qatar comprou o time de Paris. O City foi comprado pelos Emirados Árabes Unidos. Dinheiro de famílias reais. Que patrocinam algumas coisas não tão louváveis assim pelo mundo.

Não vou ser poliana. Muito dinheiro jogado em futebol é geralmente fruto de picaretagem e exploração. E isso não acontece só nesses dois clubes. Acontece em vários lugares.

Mas, por serem clubes de uma história pouco (ou quase nada) vencedora antes desses aportes, fica uma percepção de artificialidade. Muita qualidade. Muita bola. Muita gente top do futebol mundial. Não temos por que não admirar. O difícil é amar.

Paixão está em Nápoles.

O Napoli estava quebrado em 2004. Quebrado. Falido. Foi resgatado pelo produtor de cinema Aurelio De Laurentiis, o atual presidente. Que vá lá, não é flor que se cheire, tem sobre ele acusações de lavagem de dinheiro, etc. Mas caramba, estamos falando do clube que representa todo o Sul (pobre) da Itália. O Napoli não podia simplesmente deixar de existir.

Depois de passar pela terceira e segunda divisões, o Napoli voltou. Nesta década, nos últimos sete campeonatos, ficou sempre entre os cinco primeiros. Passou a ser figura constante na Champions League. Ganhou duas Coppas Itália. Só falta realmente o título da Série A. E a hora é agora.

Após 24 rodadas, o Napoli soma 63 pontos. São 20 vitórias, 3 empates e apenas a derrota em casa, justamente para a Juventus. A toda-poderosa hexacampeã italiana tem 62 pontos. Já são sete rodadas seguidas com os dois times ganhando seus jogos. Mas a desse fim de semana de Carnaval, a 24ª rodada, foi especial.

Especial porque a Juventus ganhou na sexta-feira em Florença, um estádio difícil, um jogo sofrido, em que a Fiorentina teve inúmeras chances de sair na frente do placar. Especial porque o Napoli, pressionado, jogou contra a terceira colocada, a Lazio, e saiu perdendo logo de cara. Parecia ser o fim. A rodada que, a priori, poderia ser de tropeço juventino e vitória napolitana, ia se transformando na rodada de pesadelo para o Napoli.

Mas quem joga bola, joga bola. E o Napoli, com o futebol leve e envolvente promovido pelo surpreendente técnico Maurizio Sarri, virou para 4 a 1 para cima da Lazio. Voltou à liderança e mandou o recadinho para a Juventus. “Siamo qui”. Estamos aqui.

Mesmo a quilômetros de distância, separado por um oceano, foi possível sentir pela TV o clima do estádio San Paolo. É comoção pura.

Se é verdade que o confronto do segundo turno entre eles será em Turim e o Napoli ainda enfrentará Milan e Inter fora, a Juventus está envolvida com Champions League, Coppa Itália e jogará fora contra Lazio, Roma e Inter. Tem muita água para rolar.

Mas o fato é que o Napoli é a grande história a ser seguida nesta temporada.

Com todo respeito aos investimentos de PSG e City, que realmente têm tudo para desafiar o domínio europeu recentemente estabelecido por Real Madrid, Barcelona e Bayern, a história do Napoli é a mais linda, é a mais raiz.

Eu cresci tendo na Juventus o meu “time da Europa”. Torcia muito, de verdade. Era fanático. Em uma era pré-Internet, ia atrás de informações de todos os modos, aprendi a falar italiano, queria morar em Turim (que erro!). Meu pai, só de farra, resolveu “virar” torcedor do Napoli. Nos primeiros anos, ele se deu bem. Eram os anos de Maradona e dos únicos dois títulos italianos da história do Napoli. Depois disso, logicamente, a Juve continuou sendo o que sempre foi: uma máquina de títulos.

Eu perdi o entusiasmo quando comecei a trabalhar com esporte e acompanhar o futebol com outros olhos. Tenho uma linda camisa 8 que me foi presenteada por Emerson, em 2006. Sigo gostando da Juve, mas não como antes.

Hoje, me flagro torcendo contra a Juventus e a favor do Napoli. Se forem campeões, comprarei uma camisa azul para meu pai. Promessa feita.

 


Real Madrid, a vitória necessária e o ‘recadito’ para o PSG
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Julio Gomes

O Real Madrid faz uma temporada ruim. Simples assim. Não há copo meio cheio. Ele está, na verdade, bem vazio. O Real está a 16 pontos do Barcelona, sem chances de repetir o título espanhol. Foi eliminado em casa da Copa do Rei pelo Leganés, um clube minúsculo. Levou uma sova do Tottenham na Liga dos Campeões, ficou em segundo na fase de grupos e terá de pegar o PSG nas oitavas.

Temporada ruim, decepcionante. Menos de um ano atrás, parecia que o Barcelona iria ladeira abaixo e o Real Madrid dominaria o futebol no país de forma contundente. Quem pensou isso, como eu, caiu do cavalo. No mercado de inverno, Zidane preferiu não se mexer. Confiava que conseguiria recuperar o time com o que tinha em mãos. “Fechar o grupo”.

As últimas três semanas tiveram, alternadas ao vexame na Copa do Rei e o empate contra o Levante, goleadas de 7 sobre o La Coruña, um 4 a 1 em Valência e os 5 a 2 deste sábado, contra a Real Sociedad. Dá para dizer que, no mínimo, no meio da instabilidade, o time reencontra momentos de brilho e reafirmação.

E o que aconteceu neste sábado é muito promissor. Naturalmente, o Real Madrid teria escalado reservas contra a Real Sociedad. Afinal, a Liga já era e não haveria por que arriscar uma lesão antes de pegar o PSG.

Mas as ideias de Zidane eram outras. O francês via a necessidade de uma boa vitória, uma boa apresentação, para dar confiança e tranquilidade antes de quarta-feira.

Só não começaram jogando Casemiro e Bale. É óbvio que o time precisava de um jogo e um resultado como esses. Cristiano Ronaldo, que fez uma primeira metade de temporada meia boca, chega com um hat trick de moral. Será que repete o filme da temporada passada?

A grande sacada de Zidane em 2017 foi ganhar a Liga espanhola com meias e atacantes reservas. Os caras ganharam vários jogos duros e deram descanso para os titulares voarem na Champions League. Quem sabe a grande sacada deste ano seja confiar o tempo todo nos titulares. Veremos se o plano dará certo.

Ao final da partida contra a Real Sociedad, em vez do tradicional “Hala, Madrid”, hino do clube, os alto falantes do Bernabéu entoaram o “hino” da Champions.

Um recadito. Uma mensagem clara para o PSG. Estamos aqui. Estamos prontos. Podem vir quente que estamos fervendo.

 


Neymar comanda PSG às vésperas do que realmente importa
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Julio Gomes

O Paris Saint-Germain não deveria ter colocado Neymar para jogar hoje. Começando a rodada da Ligue 1 com mais de 10 pontos de vantagem para a concorrência, o PSG já sabe que reconquistará a coroa francesa. Ganhar ou perder do Toulouse, um time a um ponto da zona de rebaixamento, não faria diferença alguma.

Cavani e Thiago Silva foram poupados. Neymar, não. E, não fosse ele, o PSG, de fato, talvez tivesse tropeçado em Toulouse. Além de ter feito o único gol do jogo, Neymar chamou para si a responsabilidade de ganhar a partida.

Chamou da maneira correta. Jogando, encarando quando tem que encarar, distribuindo o jogo, desmontando a defesa rival. Sem chiliques, sem humilhações, sem esfomear. Foi um jogo trivial para um craque, como ele é. Este é o Neymar que eu, particularmente, gosto de ver.

OK, o PSG ganhou mais uma na França. Mas todos sabem o que realmente importa. É a Liga dos Campeões, é o confronto contra o atual bicampeão da Europa e maior vencedor da competição. Quarta-feira tem Real Madrid x PSG, partida de ida das oitavas de final.

O duelo entre quem é e quem quer ser.

É ano de Copa de Mundo. Haverá muitos “jogos do ano” até 31 de dezembro. Este é o primeiro deles. É o jogo do ano, é o jogo que o mundo vai parar para ver.

No ano passado, ainda sem Neymar e Mbappé, o PSG enfiou 4 a 0 no Barcelona nesta mesma fase. Para depois levar 6 a 1 na volta, obra da maior atuação de Neymar com a camisa do Barça e, claro, obra também do árbitro, que foi decisivo para a goleada histórica.

Portanto, qualquer que seja o resultado de Madri, ele não será definitivo. Ainda haverá a volta, em Paris. Mas, convenhamos, o primeiro jogo é muito mais do que meio caminho.

O PSG chega a essa partida tendo passado por poucos desafios reais na temporada. Passeia na França, com 21 vitórias em 25 jogos, média de 3 gols por partida. Já está na final da Copa da Liga e vivo na Copa da França – fatalmente, fará o triplete doméstico. Quando enfrentou o Bayern na fase de grupos da Champions, ganhou com autoridade em Paris, mas sofreu uma derrota dura em Munique.

Quer queira quer não, há uma grande interrogação sobre o PSG antes deste que é O jogo. O time é fantástico, as peças estão lá e Neymar voa na temporada. Mas esta é a hora H, e na hora H alguns crescem, outros somem.

Importante dizer que as interrogações também rondam o Real Madrid. Já sem chances de título na Espanha e eliminado vexatoriamente da Copa do Rei – por um time minúsculo e em casa. O Real não convence ninguém e já deu vários papelões na temporada. Mas quem duvida desses caras?

Assim como no momento do sorteio, o PSG vive melhor momento. É ligeiro favorito, segundo as casas de apostas. Mas quem quiser arriscar, que arrisque. Há muito tempo não temos um confronto tão 50-50 como este da Champions. Chega logo, quarta-feira!

 


Ingleses dominam mercado de inverno na Europa. Quem se deu melhor?
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Julio Gomes

O mercado de inverno europeu deu sequência à gastança que vimos no verão. Grandes negócios foram fechados, com volumes monstruosos de dinheiro, mesmo entre clubes médios e pequenos. O mercado foi especialmente interessante na Inglaterra.

Quem se deu bem? Quem se deu mal?

Espanha

O Real Madrid, apesar da crise, ficou quieto no mercado, não achou que fosse necessário se reforçar. É claro que o silêncio de Zidane no mercado será lembrado se o Real for eliminado pelo PSG e a temporada “acabar”.

O Barcelona, humilhado no verão, fez a maior contratação do inverno ao trazer Philippe Coutinho. Como o futebol é dinâmico! Chegou também Mina. Saíram Mascherano, Rafinha (Inter) e os pouco usados Arda Turan e Deulofeu.

O Atlético de Madri ganhou os já conhecidos reforços de Diego Costa e Vitolo, que já estavam contratados, mas só poderiam jogar a partir de janeiro. O clube só não esperava estar fora da Champions, da Copa do Rei e com chances remotas na Liga a essas alturas. O Valencia, que vive grande temporada, trouxe Vietto e Coquelin e deve se manter no G4 para voltar à Champions. O Sevilla levou Guilherme Arana.

Inglaterra

O Manchester United e o Arsenal parecem ser os grandes vencedores do mercado de inverno. A troca “seca” Alexis Sánchez-Mkhitaryan fez com que o United ganhasse um jogador diferenciado sem gastar, e além de tudo, o chileno pode jogar a Champions. O Arsenal não ficou de mãos abanando.

Saíram Giroud e Walcott, mas Wenger conseguiu renovar o contrato de Ozil e ainda trouxe Aubameyang, do Borussia Dortmund. Se o treinador conseguir encaixar no time Lacazette, Aubameyang, Ozil e Mkhitaryan, pode dar samba.

Liverpool e Manchester City investiram em zagueiros (Van Dijk e Laporte), um porque não parava de levar gols, o outro porque Guardiola percebeu que não pode contar com Mangala, Stones e Kompany. Como a defesa fica constantemente exposta, Pep foi buscar um zagueiro que é muito bom na leitura de jogadas e antecipações.

Mas nenhum dos dois conseguiu tirar Mahrez do Leicester. O Liverpool, que perdeu Coutinho, foi o derrotado do mercado, logicamente. O Chelsea mandou Batschuayi emprestado para o Dortmund e trouxe o lateral brasileiro Emerson, além de Giroud e Barkley – o que não deve mudar a formação titular de meio/ataque. O Tottenham trouxe Lucas Moura, um bom reforço para completar elenco.

Outros países

O PSG perdeu apenas Lucas e trouxe Lass Diarra (lembra dele?) para compor elenco em uma posição em que o titular, Thiago Motta, vive machucado.

O Borussia Dortmund conseguiu uma boa venda com Aubameyang, trouxe Batschuayi e investiu no zagueiro Akanji, do Basel. O Bayern de Munique foi outro gigante quieto no mercado, trouxe apenas o veterano Sandro Wagner para o ataque.

A Juventus, assim como o Real Madrid, não trouxe nem perdeu ninguém. A disputa com o Napoli pelo título italiano será travada com os mesmos protagonistas da atualidade.


Real Madrid? Quando se trata de Neymar, sempre que teve fumaça, teve fogo
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Julio Gomes

Muitos gols, dribles, títulos, polêmicas, conflitos, selfies e… especulações. É inegável que a carreira de Neymar tem sido marcada por tudo isso até agora. Não é possível ficar à margem. Alguns amam tudo, do jogo ao estilo. Alguns odeiam tudo, do jogo ao estilo. Alguns amam Neymar em campo, odeiam fora. Tem de tudo.

E se os gols, dribles, títulos, polêmicas e conflitos acontecem em mais ou menos quantidade em função do momento da temporada, tem uma coisa que não muda. As especulações sobre o futuro de Neymar rondam sua carreira inteira, desde o início. E, quando houve fumaça, houve fogo.

Agora, a fumaça é Neymar no Real Madrid.

Isso mesmo. O cara mal chegou ao PSG, na maior transação de todos os tempos, e esquenta cada vez mais o papo de Neymar no Real Madrid.

Quando ele estava no Santos, havia fumaceira o tempo todo. Mas nunca houve tanta fumaça quanto em 2011. E ano e meio depois confirmou-se a ida dele para o Barcelona, em um acordo fechado com o pai em… 2011.

Já no Barcelona o fumacê foi constante desde o início, mas se intensificou no meio de 2016. Só não foi ao PSG naquele momento porque, na hora H, o jogador não quis. A fumaça foi aumentando até que, no meio do ano passado, veio o incêndio.

E agora, em meio a algumas vaias de torcida, algumas especulações sobre insatisfação em Paris, alguma desavença de vestiário, etc, etc, aparece a fumaça branca. Fumata madridista.

Vamos lembrar que o namoro Neymar-Real Madrid é antigaço. Eu entrevistei o garotinho Neymar nas arquibancadas do Bernabéu ainda em 2006 (vídeo está aqui). Seu empresário e muita gente do staff sempre preferiram o Real ao Barça – foi o jogador que quis vestir a mesma camisa de Messi.

Após a goleada de sábado sobre o Montpellier, pela Ligue 1, Neymar finalmente se pronunciou – após dois meses em silêncio. O vídeo está aqui. Tire suas conclusões.

“Especulação sempre vai existir. No Santos sempre existiu. No Barcelona, toda janela de transferência tinha algo com o meu nome. É impossível ficar fora disso, né?”, disse Neymar.

O amigo João Castelo Branco insistiu, pedindo uma palavra para pôr fim na possibilidade de sair para o Real. “Já falei, especulação sempre existe, não vou estar repetindo toda hora”.

Eu não acho que seja “impossível ficar fora disso”. Basta se pronunciar mais claramente. Ou então que seu staff pare de vazar a outros clubes a possibilidade de saída. Ainda no Barcelona, Neymar foi literalmente oferecido a PSG, City e United, os únicos três que teriam bala para pagar a multa. Se o cara é oferecido, aí realmente fica “impossível ficar fora disso”.

Se teve uma coisa que Neymar NÃO fez no sábado foi ajudar a dissipar a especulação. A minha leitura é que deixou a porta escancarada para sair.

Eu não vejo o PSG liberando Neymar facilmente. E não vejo Neymar ao lado de Cristiano Ronaldo no Real Madrid.

Há algumas estrelas que precisam ficar alinhadas para que essa transferência ocorra. Uma saída de CR7 do Real e, talvez, um título de Champions para o PSG (o site Goal.com noticiou que o presidente do PSG teria feito essa promessa ao jogador, basta clicar).

Não acredito que Neymar vá para o Real Madrid sem que essas duas coisas ocorram. E tampouco acredito que Cristiano Ronaldo toparia ser negociado com o PSG se for um modelo CR7 mais dinheiro por Neymar. Aí o orgulho falará mais alto.

Vamos ver.

Em questão de semanas, a fumacinha virou fumaçona. E, quando se trata de Neymar, fumaça é fogo. Se não for agora no fim desta temporada, será na próxima, no meio de 2019. Mas que tem toda a pinta de que Neymar se vestirá de branco, isso tem.


Lesão de Mbappé deixa Neymar ainda mais em evidência
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Julio Gomes

Neymar e Mbappé chegaram juntos ao PSG, as maiores transferências da história. Presente e futuro, para elevar o nome do time e para levar Paris ao topo da Europa.

É claro que são jogadores com peso diferente. Neymar, seis anos mais velho, é um postulante a melhor do mundo agora. Mbappé, daqui a alguns anos.

Mas o fato é que o garoto vinha tendo impacto imediato nesta temporada. Foi titular em todos os jogos importantes do PSG (não podemos nos enganar com algumas esquentadas de banco em partidas menores) e mostrou grande conexão com Neymar e Cavani. É um jogador, além de talentoso e com faro de gol, com grande leitura de jogo. Posicionamento e tomadas de decisões quase sempre perfeitos.

A lesão que tira Mbappé dos gramados por dois meses fará com que o PSG jogue sem ele contra o Real Madrid, pelas oitavas da Champions League.

Mais um peso nas costas de Neymar, já não bastasse toda a responsabilidade que o melhor jogador brasileiro da década leva em suas costas.

É evidente que uma eventual eliminação para o Real fará todas as câmeras apontarem para Neymar. Mas não era tão evidente que passar desta eliminatória dependesse 110% de grande atuações coletivas e individuais de Neymar. Agora, é.

Mbappé tinha tudo para ser um nome próprio desta eliminatória. Quase contratado pelo Real no verão, com sede de mostrar serviço. E podendo aproveitar uma situação de mais liberdade de jogo, dada a atenção especial que Zidane dará a Neymar.

O PSG tem vários jogadores de alto nível para substituir Mbappé, como Di María ou Draexler. Mas ninguém mete medo como o garotão francês. Casemiro ficará muito mais tranquilo para caçar Neymar pelo campo. Muitas vezes esses jogadores coadjuvantes salvam a pele do protagonista ou mesmo fazem um trabalho que permita à estrela maior brilhar ainda mais.

Neymar perde um grande parceiro para os confrontos contra o Real. Talvez seu melhor parceiro, certamente o mais brilhante. A batata em seu colo esquenta ainda mais.