Blog do Júlio Gomes

Arquivo : PSG

Título marca o nascimento de Mbappé, um novo fenômeno
Comentários Comente

Julio Gomes

Mbappé não ganhou a Copa sozinho, longe disso. Aliás, não ganhou nenhum jogo sozinho. Mesmo contra a Argentina, nas oitavas de final, apesar da atuação monstruosa, o gol decisivo foi o do empate, de Pavard.

Mas Mbappé é o grande nome da Copa do Mundo. Presenciamos em 2018 o possível nascimento de um fenômeno do futebol mundial. Um garoto de 19 anos, repetindo coisas que só Pelé havia atingido com tão pouca idade – fazer dois gols em um jogo de Copa do Mundo, fazer gol em uma final.

Lloris foi importantíssimo contra Uruguai e Bélgica, apesar da bizarrice da final. Os laterais Pavard e Lucas Hernandez foram perfeitos, a grande sacada de Deschamps. Os zagueiros, Varane e Umtiti, seguros atrás e decisivos na bola aérea na frente. Kanté e Matuidi, dois carregadores de piano de luxo. Pogba, um craque de bola, capaz de tudo no meio de campo. Griezmann, criativo, participativo, não falhou quando foi chamado. Giroud, o atacante dos zero gols, que mostra como o futebol é mais que isso.

É um timaço, o da França. Quem lê esse blog sabe que, na opinião do escriba, havia só dois favoritos a título. Brasil e França. É uma seleção pronta em todos os setores.

Mas a grande diferença de 2014 ou mesmo da Euro-2016 para cá foi o surgimento de Mbappé. Voou em um Monaco semifinalista de Champions, virou o segundo jogador mais caro da história ao ir para o PSG e, agora, se transforma em campeão do mundo com quatro gols na Copa.

É o surgimento de algo muito especial, que possivelmente durará muitos anos. A maior história, em outras tantas grandes histórias, da Copa da Rússia.

Passamos muitos anos buscando o sucessor de Messi e Cristiano Ronaldo. Encontramos. Começa a era Mbappé.


Diário da Copa: Neymar e as matrioskas
Comentários Comente

Julio Gomes

Na feirinha de Izmailovo, famosa em Moscou por ser o lugar ideal para comprar bugigangas típicas russas ou do período soviético, as matrioskas dominam o cenário.

São aquelas bonequinhas russas fofinhas. Você abre uma, aparece outra. E depois outra e outra e outra… tem algumas com três peças, com cinco, até com quinze! Algumas mais bonitas, outras nem tanto. A sacada deles é que fazem matrioskas de gente famosa.

Então tem matrioska do Lenin, do Putin, do John Lennon, do Obama, do Michael Jackson e por aí vai. Claro, tem também dos jogadores mais conhecidos. Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar, a turminha de sempre.

Nesta reta final de Copa, a feira é dominada por turistas em busca das lembrancinhas finais para a família toda. Muitos brasileiros e muitos latinos. Os vendedores, espertos como só eles, já sabem todos os números e palavras-chave em espanhol e português.

“É bom que vocês conversam com a gente, eu gosto de negociar!”, me fala Vladimir. “Os europeus parece que têm medo de nós, russos, nem chegam perto”. Vladimir me fala longas frases em russo, como se eu entendesse alguma coisa só porque lhe dei bom dia no idioma local e aprendi uma palavra ou outra.

Nossa negociação acontece em russo, espanhol, inglês e português. Uma loucura! Mas dá certo. Compro minhas matrioskas, consigo um bom desconto, ele me chama de “chorão”, eu digo que aprendi com a minha mulher e ele cai na risada.

Enquanto embala minhas bonequinhas, ele deixa cair uma matrioska de Neymar, que estava no caminho. Foi um strike, Neymar caiu e levou umas dez bonequinhas com ele. Vladimir começa a fazer um som, como se a matrioska de Neymar estivesse se contorcendo de dor. Todos em volta caem na risada.

É com essa imagem que Neymar sai da Copa. Virou piada internacional. Ao abrir as matrioskas de Neymar, os outros bonequinhos Neymarzinhos são iguais – lógico – e cada vez menores. O grande desafio dele é mudar. Senão não será maior do que é hoje nunca.

Já o desafio de Vladimir e do resto dos colegas das outras barracas é arrumar matrioskas de Mbappé e Modric. Não encontrei nenhuma em Izmailovo. Nem de Pogba ou Griezmann, nenhum francês, nenhum croata. Precisam atualizar e variar o estoque. O futebol mudou.


Só Neymar é mais importante do que Daniel Alves na seleção
Comentários Comente

Julio Gomes

A dúvida está no ar. Na segunda-feira, Tite convocará a seleção brasileira para a Copa do Mundo, e a grande interrogação é Daniel Alves.

Após a lesão da última terça, ainda não há um diagnóstico claro. Terá de operar? Basta tratar? Volta em quanto tempo?

Depois de Neymar (não há hexa sem ele), ninguém é mais importante para a seleção do que Daniel Alves. Não estou, com isso, dizendo que ele é o segundo melhor jogador do Brasil de Tite. Aliás, na minha visão Daniel errou ao escolher o PSG em detrimento do Manchester City. Perdeu nível. Perdeu competitividade e fez uma temporada média – como médio é o futebol francês. Quis se divertir com Neymar e as coisas não deram muito certo.

Mesmo assim, não há desnível maior em qualquer posição do que na lateral direita. Fágner, Danilo, Rafinha… nenhum desses caras se aproxima da capacidade técnica de Daniel Alves. Esta já era a posição mais crítica da seleção, exatamente porque Dani não vive seu melhor momento, mas não tem sombra. Agora, então, a coisa só piora.

Além deste problema, a ausência de um reserva à altura, estamos falando de um jogador altamente competitivo, importante no vestiário, multicampeão, experiente e que já viveu derrotas em Copas do Mundo. Minha aposta é que Daniel seria o capitão de Tite no Mundial.

Se não for necessária cirurgia e o diagnóstico apontar que Daniel Alves poderá voltar em algum momento da Copa, acredito que Tite será obrigado a levá-lo. Terá de arriscar. Pela liderança e pela possibilidade de voltar no mata-mata.

O mais provável é que o treinador comece o período de treinos na Granja Comary com 24 atletas. Leve dois laterais e espere até o fim para saber se poderá contar com Daniel Alves.

Claro que dá para ser campeão do mundo sem ele (sem Neymar, repito, não dá). Mas será ainda mais difícil do que já seria normalmente.

 


Zidane e Asensio apagam a constelação do PSG
Comentários Comente

Julio Gomes

Com toda a licença do mundo a Cristiano Ronaldo, pelos gols feitos, e até mesmo Neymar, pela sentida ausência, mas Zinedine Zidane foi o nome próprio da classificação do Real Madrid contra o Paris Saint-Germain pela Liga dos Campeões.

No primeiro jogo, ele já havia feito uma leitura perfeita da configuração tática do PSG, colocando Asensio em campo e definindo a partida com dois gols no fim. Para o segundo jogo, Zidane mostrou novamente ser um técnico subvalorizado por muitos – inclusive este escriba, em muitos momentos.

Não é qualquer um que tem a coragem de deixar no banco de reservas jogadores como Bale, Kroos e Modric. Não basta ter respeito dos próprios jogadores e apoio dos chefes para fazer algo assim. É necessário ter um plano. E Zidane tinha um plano.

Com as entradas de Asensio, Lucas Vázquez e Kovacic no meio, foi formada uma linha de quatro com Casemiro. Foram os quatro jogadores que mais quilômetros percorreram no primeiro tempo, dando consistência defensiva ao time e ao mesmo tempo dando volume ofensivo quando a bola era recuperada.

O PSG mantinha a posse com Motta, Rabiot e Verratti, mas muitos metros separavam os meio-campistas dos atacantes. Faltava Neymar flutuando pelo meio para fazer as associações entre linhas, papel que Di María não conseguiu desempenhar.

Só nos 5 minutos finais o PSG conseguiu finalizar a gol e criar suas duas melhores chances – em uma delas, Mbappé preferiu chutar em vez de dar o gol a Cavani, uma decisão para lá de equivocada. Antes disso, Areola havia feito duas ótimas intervenções.

No segundo tempo, o plano de Zidane triunfou. Asensio roubou bola de Daniel Alves, avançou, recuou e encontrou um passe precioso para Vázquez, que cruzou para Cristiano, sempre ele, fazer o 1 a 0.

Asensio ou Mbappé? Por enquanto, o espanhol é o jogador jovem de melhor prospecto na Europa. Mbappé foi muito mal na eliminatória de Champions.

O PSG foi para cima, criou chances, empurrou, mas o estrago já estava feito. E Verratti não ajudou nada xingando o árbitro e sendo expulso tolamente – ótimo jogador, mas é bom lembrar que foi ele que, um ano atrás, fez uma falta estúpida no goleiro (!) do Barcelona, habilitando o time catalão a jogar a bola na área e marcar o sexto gol daquela remontada histórica.

Um rebote na área acabou em empate de Cavani. Mas logo o Real Madrid voltou a marcar, com Casemiro – parece que todos os gols deles saem de desvios. Rabiot, que não acompanhou Vázquez no primeiro gol e entregou a bola de volta para a área suavemente no segundo, foi o pior do PSG em campo.

O fato é que no duelo entre quem é e quem quer ser, o Real Madrid mostrou ao PSG que, para ser campeão europeu, o clube francês ainda tem muito arroz e feijão para comer. Pequenos erros na tomada de decisões geram prejuízos incríveis. Times que chegam mais, como o Real Madrid, estão mais habituados a estes momentos.

Era querer demais que logo no primeiro ano de Neymar o PSG fosse campeão europeu? Talvez. O fato é que o PSG tem ficado há alguns anos a um passo das semifinais, de conseguir algo grande, e Neymar seria esse passo. Não desta vez.

 


Neymar e a velha queda de braço: Copa x clubes
Comentários Comente

Julio Gomes

Primeiro, é necessário falar a real. Jogador brasileiro que sabe que será convocado para a Copa do Mundo morre de medo de se machucar às vésperas da competição. Se dependesse deles, ficariam sem jogar os últimos dois ou três meses da temporada europeia.

Nunca entendi o papo de “falta de comprometimento” com a seleção. Dez de dez jogadores profissionais com quem convivi ou tive contato tratam a seleção brasileira como total prioridade em suas vidas. Isso não acontece com várias seleções europeias – por isso, às vezes, vemos times bons no papel fracassarem, pois não há química nem foco total.

E, sim, isso deixa muitos clubes europeus P…s da vida em ano de Copa. Porque eles sabem que os 15, 16 brasileiros “garantidos” no Mundial irão tirar o pé na temporada.

O PSG deve estar P… da vida com Neymar. E tem lá sua dose de razão. Pagou 222 milhões de euros para Neymar levar o clube ao título da Champions League. Campeonato Francês dá para ganhar sem Neymar.

(Aliás, antes que critiquem o técnico por não tirá-lo do jogo decidido contra o Olympique de Marselha, que é uma coisa que já andei ouvindo por aí esses dias, vai aqui uma informação. Neymar jogou 30 partidas na temporada. Foi titular nas 30. Foi substituído ZERO vezes. Me parece que o rapaz não gosta de sair de campo. E o jogo não era o último antes da partida contra o Real Madrid, ainda faltavam dez dias.)

O que aconteceu foi uma fatalidade. Contusões acontecem no futebol até em treino.

O que vem depois da lesão, no entanto, já mostra bem quais são as prioridades. Pelas informações disponíveis, a lesão poderia cicatrizar sozinha em semanas. Neymar perderia o jogo enorme contra o Real Madrid, mas ainda poderia ajudar o PSG na Champions, caso o time passasse pelas oitavas – não é impossível.

A OPÇÃO escolhida por Neymar, Neymar pai e pessoas de confiança foi operar, pensando na Copa do Mundo.

Poréééém, poucos minutos depois desta notícia, que chegou via-staff de Neymar, o técnico do PSG, Unai Emery, deu entrevista coletiva negando a operação. Dizendo que ainda é necessário esperar alguns dias.

É óbvio que o clube, que é quem paga salário, tentará preservar seu investimento e vai querer contar com Neymar na temporada. E se os caras ganham do Real Madrid semana que vem?? Como fica nas quartas de final?

Por que a opção pela cirurgia significaria optar pela Copa, em vez do clube?

Pelo seguinte. Ele ficaria dois meses parado, a lesão seria curada de forma mais segura e voltaria a tempo de ganhar ritmo em alguns jogos de final de temporada na França, ainda tem dois ou três amistosos com a seleção, participa dos treinamentos desde o começo, na Granja Comary.

Já vimos um milhão de vezes essa história. Jogadores que perdem um pedaço da temporada anterior chegam à Copa melhor fisicamente. E jogadores que atuam durante a temporada inteira chegam esgarçados no Mundial.

Para o jogador, que só quer jogar, deve ser frustrante (além de dolorido e doloroso) ficar fora de partidas importantes. O campo é sempre melhor que o hospital. Além, claro, de uma operação ser uma operação. Sempre existe risco, receio, angústia. Não é uma coisa trivial. Mas tampouco estamos falando da cirurgia e recuperação mais complicadas da medicina esportiva.

Para a seleção, no entanto, não vejo como má notícia. É uma bala desviada.

Do jeito que Neymar apanha e joga muitos minutos, o risco seria constante. Ele poderia sofrer qualquer lesão muscular leve, daquelas de um mês, no fim da temporada. Como poderia sofrer uma lesão muito mais grave do que esta.

Nos amistosos contra Rússia e Alemanha, Tite terá a oportunidade de testar o time sem Neymar, coisa que nunca foi feita antes da semifinal de 2014. Tudo bem, seria bom tê-lo nestes testes. Mas não tê-lo tem seu valor. É importante o time se sentir confiante para a eventualidade de o melhor jogador não estar em campo.

Tem mais. Se fizer a operação, ele fica dois meses fora dos campos e, de quebra, dois meses longe dos holofotes, da eventual pressão por não ter alcançado o objetivo com o PSG, das críticas, da antipatia generalizada que está se criando em torno do nome dele.

E o plano de ser melhor do mundo fica preservado, porque a competição decisiva para isso, em ano de Copa, é a própria Copa. Chegar tinindo na Rússia e arrebentar com a seleção é o atalho mais curto.

Para quem ama futebol, queria ver Neymar contra o Real Madrid, queria ver o que seria desse PSG na temporada, a opção de Neymar é uma tristeza. Para o clube, um desastre. Para quem está preocupado com o hexa, não é.

E aí, quem vai ganhar a queda de braço?

Se eu fosse apostar meu pouco dinheirinho, seria no jogador…

Veja também:

Técnico do PSG lamenta lesão de Neymar, mas mantém otimismo contra Real

Técnico do PSG diz ter sido avisado de Marquinhos poderá enfrentar o Real


É possível ver um lado positivo na lesão de Neymar
Comentários Comente

Julio Gomes

A lesão de Neymar foi de dar medo. Tornozelo virado, choro, drama. Mas, conforme o domingo foi avançando, as notícias ficaram mais tranquilizadoras. Neymar não fraturou o tornozelo. Tem uma entorse forte, é dúvida para o jogo da semana que vem, contra o Real Madrid, mas não parece ser dúvida para a Copa do Mundo.

Falta saber, é verdade, se houve alguma lesão de ligamentos. Mais exames serão realizados nas próximas horas e ficamos na torcida para que o diagnóstico seja mesmo apenas de entorse, como parece.

Para o PSG, dane-se a Copa do Mundo – o clube só quer saber da Champions. Mas, creio, para a maioria dos meus leitores aqui, o Mundial é o que mais importa.

 

Nunca é bom ver um jogador machucado, sofrendo, sendo impedido de fazer o que mais gosta. Mas pode haver um lado bom, se for uma lesão que o deixe fora dos gramados por apenas duas, três semanas.

Com Neymar de fora, aumentariam as chances de eliminação do PSG pelo Real Madrid. E, assim como aconteceu no 7 a 1, Neymar ficaria eximido da responsabilidade pelo eventual fracasso. Afinal, não estava lá. Haveria, ainda, margem para a eterna especulação. “E se ele estivesse naquele jogo?”.

De quebra, com algumas semanas parado e o PSG fora da Champions, Neymar chegaria muito mais descansado e inteiro para a Copa do Mundo da Rússia.

Todos sabemos que a combinação Champions-Copa não costuma dar certo. Ir até a final europeia significa, em regra, chegar “arrebentado” ao Mundial – além de acarretar a perda do período inicial de treinamentos.

Por outro lado, já vimos jogadores perderem largas partes de uma temporada por lesão, se recuperarem e chegarem voando na Copa – o caso clássico é o de Ronaldo em 2002.

Alguém dirá. “Julio, o cenário ideal não é o Neymar arrebentar e o PSG passar pelo Real Madrid?”. Ou então “o cenário ideal não é brilhar na Champions e depois na Copa?”.

Estou aqui apenas tentando encontrar um lado positivo para a triste imagem do domingo. E claro que o conceito de “ideal” depende muito do ângulo escolhido. A minha é a perspectiva de Neymar dar o hexa ao Brasil, não a perspectiva do torcedor parisiense. Brilhar na Champions e na Copa é algo que quase nenhum jogador consegue, pelo que já falei. O Mundial é disputado ao final de uma temporada extenuante.

Brilhar contra o Real Madrid elevaria o moral de Neymar, sem dúvida. Mas, além de a temporada se alargar na quantidade de jogos, nada impede que o PSG possa ser eliminado já nas quartas de final – e, depois de ter sido o jogador mais caro da história, Neymar sempre será responsabilizado, será a cara do eventual fracasso do projeto multimilionário da parceria PSG-Catar.

Se for uma lesão leve, sem grandes consequências, mas que o deixe fora por mais de 10 dias, ela pode tirá-lo da fogueira. Exatamente como aconteceu no 7 a 1.

Sempre é possível ver o copo meio cheio. E ainda tem quem me chame de pessimista.

 


Panelinha de brasileiros em clube europeu é uma faca de dois gumes
Comentários Comente

Julio Gomes

Eu trabalhava como correspondente na Europa, bem perto de Real Madrid e Barcelona, acompanhando os dois gigantes quase diariamente. Coincidentemente (ou não), ambos eram recheados de brasileiros.

No Real Madrid, no meio do entra-e-sai, estavam Luxemburgo (e comissão técnica), Roberto Carlos, Ronaldo, Cicinho, Júlio Baptista, Emerson, Robinho, Marcelo. No Barcelona, estavam Ronaldinho, Deco, Edmilson, Belletti, Sylvinho, Thiago Motta.

Tínhamos ali dois exemplos opostos de como ter muitos brasileiros no elenco de um gigante europeu pode dar muito certo ou muito errado.

No Real Madrid, formou-se a panelinha. Só que havia outras panelinhas dentro do clube, essencialmente um núcleo duro de jogadores espanhóis e profissionais do clube (médicos, diretores, etc). O conflito estava desenhado antes mesmo de Luxemburgo colocar os pés na capital.

No Barcelona, não parecia haver uma separação do tipo “brasileiros aqui, catalães para lá”. Eles se mesclaram, se fundiram. Não dava para chamar de panelinha.

Talvez os momentos e personagens explicassem ter dado errado no Real, certo no Barça. O Real vinha de títulos grandes, os jogadores já eram consagrados e parte da história do clube. Então que palhaçada era aquela de chegarem esses brasileiros querendo fazer e acontecer por aqui? Roberto Carlos era o elo entre o passado e o então presente, mas talvez não tenha sido capaz de fazer dar liga entre os grupos.

Foi a era dos Galácticos. Os fracassos não vieram só por causa dos brasileiros, claro que não. Mas o fato de não ter havido química certamente não ajudou.

Quando alguns deles saíram e poucos ficaram, obrigados a “entrar na linha”, o clube foi bicampeão espanhol (2007 e 2008).

Já o Barcelona era um clube em depressão em 2003, em um momento esportivo terrível, e tudo mudou com a chegada de Ronaldinho. Outros brasileiros já haviam feito sucesso no clube, havia e há uma química interessante entre Catalunha e Brasil. Existia boa vontade, uma boa vontade que não havia em Madri. Puxado por Ronaldinho, Barcelona começou a sorrir e a ganhar, então o próprio grupo de jogadores do clube via a turma brasilina com ótimos olhos.

Uma panelinha de brasileiros em clube grande europeu só dá certo se houver química e condescendência por parte dos outros jogadores e do técnico da vez. Até porque a maioria dos brasileiros (estou generalizando, falando de “maioria”, não de totalidade) não faz tanta questão de se misturar e de se adaptar. Gostam de levar o Brasil para a Europa, na forma de “parças”, comida, CDs de música.

Aí, chegamos ao Paris Saint-Germain da atualidade (ler essa notícia do UOL Esporte).

Não parecia haver tanto problema quando estavam lá veteranos como Thiago Motta, Maxwell (que parou), Thiago Silva, um jovem Marquinhos, outro jovem, Lucas.

Mas, quando chegam Neymar e vem um cara como Daniel Alves, um veterano e que foi a Paris apenas e tão somente para acompanhar Neymar e “ganharem tudo juntos”, o cenário muda. Ainda mais porque, com as contratações de Neymar e Mbappé, o resto do elenco todo passou a estar automaticamente à venda. E ninguém fica feliz ao ser oferecido por aí, jogado ao mercado.

Não havia muitas dúvidas de que a turma de brasileiros não estaria no topo da lista de “vendáveis”, exatamente para não incomodar o grupo. E, quando isso aconteceu com Lucas, os outros não gostaram muito.

Para piorar a situação, o resto do elenco tem uma quantidade considerável grande de argentinos e uruguaios, que formam outro tipo de panelinha. E um técnico que não tem o estilo “paizão”.

Foi interessante quando Muricy Ramalho disse, recentemente, em meio à polêmica Neymar-Casagrande, que o fato de o treinador espanhol Unai Emery não ser muito “amigão” dos jogadores estar atrapalhando as coisas.

De fato, Emery e a grande maioria dos treinadores europeus não precisam ser “paizões”. Luiz Felipe Scolari não deu certo no Chelsea, entre outras coisas, porque o estilo “paizão” era visto por outros jogadores com desdém. O jogador de futebol europeu, com bases educacionais e familiares mais sólidas (por serem provenientes de países mais desenvolvidos), não fazem muita questão desse tipo de relacionamento.

Mas os brasileiros, sim. O fato de a relação Emery-brasileiros ter ido para o vinagre fala mais (mal) sobre os brasileiros do que o técnico, no meu ponto de vista. Agora, sabedor do que viria pela frente e do que cairia em seu colo, o técnico também deveria ter tido mais jogo de cintura. Viver em enfrentamento com uma panelinha de jogadores brasileiros bons e caros era e é uma burrice. O lado fraco da corda é ele, o treinador. E, ao barrar Thiago Silva do jogo de quarta, ele declarou guerra.

Jogadores brasileiros são bons. Em regra, acima da média. Não à toa são maioria da Liga dos Campeões.

Mas juntá-los é uma faca de dois gumes. Pode dar muito certo, como já deu em vários lugares. Pode dar muito errado, como parece que vai dando no PSG.

Talvez o ideal seja ter alguns brasileiros, mas com parcimônia. Um ou dois “craques” ou titulares, mais um ou dois jogadores de grupo, para fazer companhia. Um modelo que já deu muito certo em muitos lugares.

Emery parece condenado no PSG. Qual a solução? Certamente não é desfazer a panelinha de brasileiros, agora que já está formada. Muito mais fácil mandar o cara embora, até porque ele não é unanimidade em Paris.

Um Carlo Ancelotti, que está dando sopa no mercado, um Tite. Enfim, alguém que seja capaz de falar a linguagem dos brasileiros, sempre sedentos por um carinho, uma palavra amiga.

 


Neymar pai e filho deveriam ouvir Casagrande, em vez de atacá-lo
Comentários Comente

Julio Gomes

A polêmica da semana, para variar, é com Neymar. Para quem não acompanhou, foram dois movimentos. Depois do jogo entre Real Madrid e PSG, Walter Casagrande Jr criticou a postura do jogador, em sua participação no programa Redação Sportv. Vídeo aqui. Mais tarde, sem citar nomes (nem precisava), o pai de Neymar publicou isso aqui no Instagram.

 

Eu apenas coloquei as duas posições na minha conta do Twitter. Para não dizer que não usei adjetivos, chamei as colocações de Casagrande de “pertinentes”. E a resposta de Neymar pai de “patética”. Choveram comentários e é possível que tenham sido na ordem de meio a meio.

Uma coisa é fato. Neymar desperta amor e ódio. Tem gente que adora o cara, o jogo dele, o jeito e não atura ouvir qualquer crítica. Tem gente que detesta e se nega a elogiar. Quem gosta de Neymar, tem certeza absoluta que a mídia “persegue” o rapaz. Quem não gosta, diz que a mídia “passa a mão na cabeça” dele.

Primeiro, a mídia, assim como torcedores, ex-jogadores, etc, é formada por gente em carne e osso. Cada um tem sua opinião, cada um faz sua análise e chega a conclusões. Na mídia, existe a mesmíssima divisão que há entre as pessoas que acompanham e vivem futebol, mas não estão com microfone em mãos. Tem quem ame, tem quem deteste.

Eu, por exemplo, me considero uma pessoa no meio do caminho. Gosto muito do jogo de Neymar, acredito que ele seja um genuíno craque, que já está na lista de 10 maiores jogadores brasileiros de todos os tempos. Isso mesmo.

No entanto, sou crítico em relação a algumas posturas dele, especialmente dentro de campo, e acho que ele pularia para um degrau mais alto se ele melhorasse em alguns aspectos mentais e tomasse algumas decisões mais inteligentes em jogos grandes. A tomada de decisões é o que diferencia, por exemplo, Messi de Neymar.

Quando digo que sou crítico a algumas posturas, não estou falando de Instagram nem de festança de aniversário. Falo de posturas no jogo mesmo, com algum individualismo, algum desrespeito por rivais, algum desdém, alguma animosidade com toda a mídia, que, a meu ver, sobram. Ele deveria ser maior que isso.

Quando Casagrande fala que Neymar está sendo muito mimado, ele acerta em cheio, a meu ver. Sobre a postura em campo, por exemplo, nas jogadas com Cavani, já não concordo muito.

O que não gosto da polêmica gerada nesta semana é quando os defensores de Neymar passam ao ataque. Desqualificando Casagrande por seus problemas do passado com as drogas. Casagrande merece ser aplaudido pela maneira aberta e transparente como lidou com um problema pessoal, até para servir de exemplo para tantas outras famílias que sofrem do mesmo mal. Chamá-lo de “cheirador” acrescenta zero ao debate sobre Neymar. Zero.

Mostra apenas o nível baixíssimo das pessoas quando têm suas ideais confrontadas. Parece que se sentem ameaçadas. Mas deixemos os comentários sobre a psique humana para quem sabe mais disso do que eu.

E quando o pai de Neymar se manifesta chamando Casagrande de “abutre” me parece extremamente agressivo e desproporcional.

“Em uma “guerra” há os que se alimentam de vitórias e há os que, como os abutres, se alimentam da carniça dos derrotados. Nada fazem, nada produzem, vivem do brilho ou, com mais frequência, de momentos difíceis de suas “presas”. Foi o que escreveu Neymar pai.

Quem é mesmo que “vive do brilho dos outros”? cri, cri, cri….

E tem mais. Que história é essa de guerra?? É isso que está virando o Brasil. Tudo é guerra, tudo é enfrentamento. Se você faz uma crítica, é inimigo e precisa ser combatido. É um binarismo inacreditável, surreal.

Não sou advogado de Casagrande. Mas a crítica dele é analítica. É uma análise do jogo de Neymar e da postura dele como jogador protagonista da seleção brasileira, além de ser o mais caro da história do futebol.

Na análise de Casagrande, Neymar atua em campo com uma mentalidade individualista. E ele não gostaria que isso acontecesse na Copa do Mundo, pelo bem da seleção brasileira.

Esta mentalidade individualista, a meu ver, é parte integrante do futebol brasileiro. Foi, em grande parte, razão do nosso sucesso. Mas, hoje, é razão do fracasso. O jogo mudou. Hoje, ele é mais coletivo do que nunca. E o individualismo precisa estar a serviço do coletivo para, aí sim, marcar diferenças.

O que Casagrande diz é que Neymar joga um jogo em que o coletivo precisa estar a serviço do individualismo (dele). E esta é uma inversão de lógica inaceitável. A soma de atitudes, gestos, falas, etc, de Neymar fazem com que ele chegue a esta conclusão. Me parece uma opinião lícita.

Como lícita foi a opinião de Muricy Ramalho no mesmo Sportv, ex-treinador dele no Santos, dizendo que Neymar não é mimado, é super profissional, dedicado, etc. Tite fala a mesma coisa. Aliás, é nítido que Tite entende como ninguém que sua grande missão é trazer o individualismo do jogador brasileiro para serviço do coletivo. Só assim o hexa será conquistado. E ele parece estar tendo êxito na missão, inclusive pela postura que Neymar mostra quando joga com a seleção, bem diferente da postura que vem mostrando no PSG.

Eu não acho que ser mimado e ser super profissional sejam coisas excludentes. Me parece claro que Neymar não teria atingido o nível estratosférico que atingiu não fosse um jogador profissional, preparado e dedicado. Dedicado até que ponto? Mais ou menos que Cristiano Ronaldo? Mais ou menos que Ronaldinho Gaúcho? É difícil dizer. Podemos deduzir, observar, mas creio que ninguém tenha tal certeza. Nem mesmo os envolvidos, pois não estão na pele do outro.

Agora, só porque é profissional não é mimado?

O que é ser mimado, afinal? Na minha opinião, a pessoa mimada é aquela que tem dificuldades em aceitar um não como resposta, pois sempre tiveram a sua volta pessoas dispostas e disponíveis a cumprir seus desejos.

Eu, caçula e temporão, sou uma pessoa mimada. Não teria por que fazer a auto análise aqui neste post mas… por que não? Já tive e tenho muitas dificuldades na vida por me sentir contrariado. É uma barreira a ser superada. E isso não me impede de ser profissional, dedicado, ético, correto, etc.

Ninguém é 100% perfeito, ninguém é 100% imperfeito.

A impressão que a resposta de Neymar pai passa (corroborada a mim por outras pessoas mais próximas, não citarei nomes) e que as atitudes de Neymar filho, pai e staff passam é que Neymar nunca será contrariado pelas pessoas a sua volta.

É muito difícil imaginar que, depois do jogo contra o Real Madrid, alguém vá chegar perto dele e falar. “Ney, você errou nesse lance, naquele, naquele outro, poderia ter passado aqui, chutado ali, tomado outra decisão”.

Muricy deu a dica no Sportv. “Ele gosta de ser contrariado, confrontado”. Não duvido. Mas será que isso está acontecendo e tem acontecido nos últimos anos? Muricy não convive mais com ele para saber.

Mais, para apimentar o debate. Isso é função do técnico?

Sem dúvida. Mas pense no quão difícil é a posição de um técnico nesta relação com uma estrela como Neymar, rodeada de gente envenenando sua cabeça sobre os outros profissionais a sua volta. Será que “staff” Neymar fala bem ou mal de Emery, Cavani, etc para ele? Será que fazem contrapontos? Ou será que falam o que Neymar quer ouvir?

O que vocês acham?

Eu acho que as pessoas mais próximas a ele, que são as que deveriam ser constantes antagonistas, apenas fazem passar a mão na cabeça e falar o que ele quer ouvir. E a resposta agressiva e desmedida de Neymar pai a Casagrande são praticamente uma comprovação disso.

Foram muitos os jogadores e, principalmente, treinadores, que adotaram essa postura de enfrentamento. Que consideravam que o mundo estava contra eles, que havia uma gigantesca conspiração dos invejosos de plantão. Invariavelmente, essas pessoas fracassaram no próprio mar de ódio que geraram.

Nada na vida é melhor do que um choque de realidade de tempos em tempos. É duro na hora, mas faz um bem danado depois. Se eu fosse Neymar, ouviria e absorveria melhor as críticas. Isso aqui não é guerra. É apenas o jogo. O jogo que ele escolheu jogar muito tempo atrás.

 

 


Asensio deixa o projeto PSG contra a parede
Comentários Comente

Julio Gomes

O PSG fez quase tudo certo durante quase todo o tempo. Mas o Real Madrid é o Real Madrid. E, se de um lado alguns gols foram perdidos, do outro eles foram feitos.

Os 3 a 1 do Real Madrid no Bernabéu não acabam com a eliminatória. É claro que o PSG pode ganhar por 2 a 0 ou mais em Paris. Mas, convenhamos, é o atual bicampeão europeu quem tem o comando da disputa pela vaga nas quartas de final.

O projeto bilionário do PSG está contra a parede. Não é exatamente o plano gastar toda essa grana para conquistar torneios domésticos e ser eliminado nas oitavas de Champions.

Quando o Paris Saint-Germain melhor jogava, quando parecia que o time de Neymar faria o segundo gol, entrou Asensio. 22 anos de idade. Já conhecido por quem acompanha mais de perto o futebol europeu, mas não de tanta gente que fica restrita ao futebol local. O menino simplesmente acabou com o jogo – olho nele, que pode explodir de vez na Copa.

Em pouco mais de 10 minutos em campo, Asensio fez as jogadas dos dois gols que decretaram a virada e a vitória do Real Madrid.

Neymar jogou bem, ainda que tenha tomado um cartão amarelo bobo e perdido algumas chances de gol. Daniel Alves, restrito à defesa no primeiro tempo, foi importantíssimo para o domínio do PSG no segundo. Marquinhos fez uma partida impecável – que Thiago Silva tenha sido deixado no banco é uma notícia e tanto. Quem confia no homem?

O técnico Unai Emery foi bem também – falarei disso mais para frente. Colocando-se no lugar do torcedor do PSG, é difícil entender por onde veio o trem branco que passou por cima e gerou esse resultado.

Mas ele veio na forma de Asensio e os dois gols de Cristiano Ronaldo, apesar de alguns outros perdidos.

A escalação do PSG, sem um volante de origem, foi ousada. Incrível que um elenco milionário como este tenha para jogar de 5 apenas Thiago Motta, um jogador com a carreira marcada por lesões. Foram desenterrar Lass Diarra no mercado de inverno, mas seria bizarro colocá-lo em um jogo como este.

Sobrou para o jovem argentino Giovani Lo Celso, 21 anos apenas. Não foi uma escalação inédita, mas uma coisa é ter Lo Celso por ali em partidas do Francês, em que o PSG domina completamente e o adversário mal passa do meio de campo. Outra coisa é jogar assim no Santiago Bernabéu. Lo Celso acabaria cometendo um erro grave, no gol de empate, típico de quem tinha que fazer o que não sabe.

Zidane optou por Isco no meio de campo. E, como se esperava, o Real Madrid dominou o setor e o jogo nos primeiros 10 minutos.

Mas o PSG conseguiu, pouco a pouco, controlar as ações. Rabiot, que foi o melhor em campo, Verratti e Lo Celso passaram a ditar o ritmo do jogo, sem chutões. E, consistentemente, encontraram Neymar pela esquerda. Ele chegou a ter algumas bolas em 1 contra 1 para cima de Nacho, um lateral que na verdade é um zagueiro.

Se de um lado Neymar teve duas bolas em que recebeu em velocidade, trouxe para o meio e tomou as decisões erradas, do outro lado Cristiano Ronaldo perdeu dois gols que não costuma perder e ainda bateu mal uma falta que seria “meio gol” em outros pés – inclusive os dele.

Até que, quando finalmente trocou de lado e avançou pela direita, o PSG viu uma boa jogada de Mbappé acabar em gol. O cruzamento sobrou para Rabiot, que finalizou livre enquanto Modric só assistia.

O PSG era superior em campo, jogando com personalidade e com muita obediência tática. Não víamos o Neymar anárquico de alguns jogos e, sim, o Neymar jogando como rende melhor. Pela esquerda, com liberdade para flutuar.

O Real Madrid achou o empate no final do primeiro tempo, em uma infantilidade de Lo Celso, que agarrou o pescoço de Kroos na área. Cristiano Ronaldo bateu bem e fez seu gol número 100 pelo Real Madrid em Champions League.

O segundo tempo começou melhor para o Real Madrid. Casemiro, Modric, Kroos e Isco passaram a fazer valer a maioria no meio de campo, e o time da casa tinha o jogo sob controle, ainda que sem grandes chances de gol.

Foi aí que Unai Emery mudou o jogo. Com uma substituição suspeita, no papel, e ótima taticamente, na prática. A entrada do lateral Meunier no lugar de Cavani. O futebol é maravilhoso também por isso. Uma substituição que parecia defensiva, com 1 a 1 no placar, deixou o PSG muito melhor em campo.

Daniel Alves, que estava em campo apenas para impedir os avanços de Marcelo, passou a jogar pela direita na linha ofensiva – como no Barcelona ou na Juventus. Mbappé foi para o comando do ataque, trocando de posição com Neymar constantemente. O time passou a atacar de forma dinâmica e criou várias chances de gol.

Mas… não fez.

A resposta de Zidane demorou alguns minutos. Ele colocou em campo Asensio e Lucas Vázquez – Bale já havia entrado. E tirou Casemiro e Isco, que caíram muito do primeiro para o segundo tempo. Deu certo. Quando o Real Madrid se encontrava pior em campo, duas jogadas de Asensio acabaram nos gols de Cristiano Ronaldo e Marcelo.

Meunier acabou entrando mal em campo. A substituição de Emery foi ótima taticamente, mas na parte individual o trem passou por cima de Meunier.

Eliminatória aberta. Pero no mucho.

 


Conseguirão os “novos ricos” PSG e City mudar o status quo da Champions?
Comentários Comente

Julio Gomes

É a batalha do velho contra o novo. A tradição histórica de grandes títulos contra o fenômeno recente bancado por dinheiro estrangeiro. A Liga dos Campeões da Europa volta nesta terça-feira para a fase de mata-mata, com os jogos de ida das oitavas de final. E o que todo mundo quer saber é: será que Paris Saint-Germain e Manchester City serão capazes de quebrar o domínio construído por Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique?

Não teremos uma resposta definitiva nesta semana. Mas ela começa a ser construída agora.

Lá se vão dez anos desde a última final de Champions sem a presença de um destes três (Moscou-2008) – desde então, Real Madrid e Barcelona ganharam as três finais que disputaram, e o Bayern, que também chegou a três finais, ganhou uma e perdeu duas. Temos de voltar a 2011 para encontrar uma fase de quartas de final sem a presença dos três. Desde então, três das semifinais tiveram todos eles.

Já PSG e City ainda lutam para chegar a sua primeira final.

O PSG havia sido campeão francês pela última vez em 94 quando, em 2011, foi comprado pelo dinheiro do Catar. Desde então, ganhou quatro vezes o título na França (ganhará pela quinta vez este ano), mas não conseguiu superar a barreira das quartas de final na Europa – o clube chegou a uma semi de Champions em 95, nos tempos de Weah e Raí.

Já o Manchester City, comprado por dinheiro dos Emirados Árabes em 2008, foi capaz de chegar à semifinal europeia em 2016, mas esta foi a única boa campanha internacional – domesticamente, o clube ganhou duas Premier Leagues e caminha para a terceira. O City havia sido campeão inglês pela última vez em 68 e chegou a frequentar a terceira divisão nos anos 90.

PSG e City não são clubes sem torcida ou tradição. Apenas nunca foram clubes capazes de dominar o futebol de seu país e muito menos fazer cócegas na Europa. Isso só é possível agora porque os talões de cheque dos sheiks árabes são gordos e com fundos ilimitados.

O mesmo aconteceu com o Chelsea, o primeiro dos ricaços fabricados artificialmente. No caso, o dinheiro era russo. Como a compra do clube ocorreu em 2003, já até nos acostumamos. O Chelsea era maior e mais tradicional que o City, até por estar em uma área rica de Londres, mas também não vencia o Inglês desde 55. Com o dinheiro russo, ganhou cinco vezes a Premier e conquistou a Champions em 2012, justos dez anos após vira “novo rico”.

Se dez anos é o prazo necessário de investimentos para conquistar o continente, chegou a vez do City, de Guardiola. E o PSG, de Neymar, ainda terá de esperar mais três aninhos.

O City abre as oitavas de final nesta terça jogando na Suíça, contra o Basel. É uma das barbadas desta fase, e o ex-primo pobre de Manchester deve chegar às quartas de final pela segunda vez em sua história.

O outro jogo da terça reúne Juventus e Tottenham, com partida de ida na Itália. A Juve, finalista em duas das últimas três Champions, é forte candidata de novo. E está voando, com 11 vitórias seguidas pelo Italiano e Copa da Itália. Mas tem desfalques importantes e será uma pedreira a eliminatória contra um Tottenham que vem de ótimas temporadas e que vive seu melhor momento na atual. Não perde há 12 jogos, desde que dois meses atrás foi goleado pelo City.

Todas as atenções estão voltadas, no entanto, para o duelo de quarta-feira entre Real Madrid e PSG, com jogo de ida na Espanha.

Porque é o duelo que representa essa batalha do gigante tradicional contra o ex-pequen00o que virou grande e sonha com voos bastante altos. O duelo entre o 12 vezes campeão da Europa e o zero vezes campeão da Europa. A presença de Cristiano Ronaldo e Neymar em campo dá rostos a este duelo – também é um encontro entre quem já é (CR7, dono de cinco Bolas de Ouro) e quem quer ser (Neymar).

Com a primeira partida no Bernabéu, onde o Real tropeçou em simplesmente a metade de seus jogos em casa na temporada, a responsabilidade é toda do atual campeão. Não vencer significará ficar com a vida dura demais para a volta, em Paris.