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Oito jogos históricos que se repetirão na Champions League
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O sorteio da fase de grupos da Champions League distribuiu 32 das mais fortes e tradicionais equipes europeias em oito grupos. Os confrontos ocorrem entre setembro e dezembro. E o blog foi recuperar oito jogos históricos, um de cada grupo, que se repetirão agora, em 2017.

29/5/68 Manchester United 4 x 1 Benfica

Dez anos após a tragédia de Munique, um acidente aéreo que matou oito jogadores e três membros da comissão técnica do Manchester United, o clube conquistou sua primeira Copa da Europa – a primeira também de um clube inglês. Comandado pelo histórico técnico Matt Busby e o lendário Bobby Charlton, ambos sobreviventes da tragédia, o United enfrentou na final o Benfica, multicampeão português, que já tinha dois títulos europeus e o grande Eusébio no ataque.

O jogo, disputado diante de mais de 90 mil pessoas no velho Wembley, em Londres, terminou empatado em 1 a 1. Charlton abriu o placar para o United, mas Jaime Graça empatou para o Benfica a dez minutos do fim. Na prorrogação, gols de George Best, Kidd e, novamente, Charlton, selaram o 4 a 1 e a primeira Copa dos Campeões para o United. É um dos jogos mais importantes da história do clube e com toda a carga simbólica de ter ocorrido dez anos após o acidente de Munique.

Ambos estão no grupo A da atual Champions, e o United tem um retrospecto altamente positivo contra o Benfica, com seis vitórias, dois empates e somente uma derrota (fase de grupos, em 2005). Os outros times são o CSKA Moscou e o Basel, da Suíça, que em 2012 eliminou o próprio United da fase de grupos da Champions.

19/3/86 Anderlecht 2 x 0 Bayern de Munique

No grupo B da competição, o Bayern de Munique tem a companhia do Paris Saint-Germain (que ganhou os três jogos que fez em Paris contra os alemães). Os outros times, o Celtic e o Anderlecht, não devem ser páreos para os atuais multimilionários que enfrentarão.

Mas o Anderlecht viveu um auge e foi muito forte nos anos 70 e 80, quando ganhou duas Recopas (76 e 78), uma Copa da Uefa (83) e duas Supercopas (76 e 78, contra Bayern e Liverpool). Em 1986, entrou em campo contra o Bayern pelas quartas de final da Copa dos Campeões após perder a partida de ida por 2 a 1. No que foi um dos grandes jogos da história do clube, ganhou a volta por 2 a 0, com gols de Scifo e Frimann, classificando-se para as semifinais e igualando o feito de 1982.

Acabou sendo eliminado na semi pelo Steaua Bucareste, da Romênia, que seria campeão europeu na decisão contra o Barcelona. Aquele time do Anderlecht era a base da seleção da Bélgica, que chegaria à semifinal da Copa do Mundo de 86, no México – quatro jogadores do clube eram titulares da seleção belga, que tinha o goleiro Pfaff, do Bayern.

30/4/14 Chelsea 1 x 3 Atlético de Madri

Chelsea, Atlético de Madri e Roma deverão ter uma disputa apertada pelas duas vagas do grupo C. Houve poucos confrontos entre estes três clubes. Eu poderia lembrar de novembro de 2008, quando a Roma ganhou do Chelsea pela fase de grupos. Foi minha única visita ao Olímpico e eu bati o carro na saída do estádio. Mas foi muito mais uma pequena tragédia pessoal do que um jogo inesquecível :-).

Em 2012, o Atlético chegou a ganhar a Supercopa da Europa com um 4 a 1 sobre o Chelsea, então vencedor da Champions. Mas o confronto mais relevante entre eles ocorreria dois anos depois. Eram as quartas de final da Champions de 2014 e, após o empate sem gols em Madri, os times de Mourinho e Simeone se enfrentaram em Londres.

O Chelsea abriu o placar com Fernando Torres. Mas Adrián empatou ainda no primeiro tempo, e Diego Costa e Arda Turan decretaram o 1-3 que levaram o Atlético à semifinal europeia (perderia a final para o Real Madrid, na prorrogação). Na temporada seguinte, Diego Costa passaria a jogar pelo Chelsea – e agora quer desesperadamente voltar ao Atlético.

6/6/15 Barcelona 3 x 1 Juventus

O Barcelona conquistou sua quinta Copa da Europa ao vencer a Juventus, em Berlim, dois anos atrás. Foi o auge do lendário trio Messi-Suárez-Neymar, desfeito com a saída do brasileiro para o PSG. Aquela era a segunda temporada de Neymar no Barça, e a primeira de Suárez e do técnico Luís Enrique. Rakitic abriu o placar para os catalães, mas a Juve, que tinha Pirlo, Pogba e Tevez, empatou com Morata. Tevez desperdiçou uma grande chance de virada antes de Suárez fazer o segundo e, nos acréscimos, Neymar definir o 3 a 1.

Na temporada passada, há poucos meses, a Juve se vingou, eliminando o Barcelona nas quartas de final com um 3 a 0 em Turim e um 0 a 0 no Camp Nou. O clube italiano perderia a final para o Real Madrid, mas manteve a sólida base para a atual temporada, enquanto o Barcelona está juntando os cacos após o trágico mercado de verão e a perda de Neymar.

 

18/5/16 Sevilla 3 x 1 Liverpool

Outro jogo recente, o Sevilla conquistou a Europa League retrasada vencendo o Liverpool na final, disputada na Basileia, Suíça. Daqueles times, seis jogadores ainda seguem no Sevilla, e dez no Liverpool. Os ingleses saíram na frente com Sturridge, mas no segundo tempo Gameiro e Coke (duas vezes) viraram para o Sevilla, então treinado por Unai Emery, hoje técnico do PSG.

Aquela foi a terceira conquista de Europa League consecutiva do Sevilla, quinta no total. Os dois times estão no grupo E da atual Champions League, junto com o Spartak Moscou e o Maribor, da Eslovênia.

14/9/11 Manchester City 1 x 1 Napoli

Feyenoord e Shakhtar Donetsk, os outros integrantes do grupo F, nunca jogaram entre si ou contra Napoli ou City. Os clubes da Itália e da Inglaterra, favoritos para passar neste grupo, estiveram juntos nesta fase na temporada 2011/12.

O Manchester City jogava a Champions League pela primeira vez desde que passou a ter dinheiro árabe arraigando suas contas. Pela primeira vez na máxima competição europeia desde 1968. E o Napoli também vivia um momento histórico. Era seu primeiro jogo de Champions League e a primeira vez na máxima competição europeia desde 1990/91, ainda tempos de Copa dos Campeões e de Diego Maradona.

Na estreia de ambos na fase moderna da Champions, empate por 1 a 1, gols de Kolarov e Cavani. Depois, na quinta rodada, o Napoli venceria por 2 a 1, com dois de Cavani, passando o City na tabela e se classificando para as oitavas, deixando o já rico clube de Manchester eliminado na fase de grupos.

26/5/04 Porto 3 x 0 Monaco

Poucos diriam, antes do início daquela temporada 2003/2004, que o título europeu seria decidido entre Porto e Monaco. Mas foi o que aconteceu, com a vitória portuguesa na decisão, disputada em Gelsenkirchen, Alemanha. O brasileiro Carlos Alberto, Deco (nome do jogo) e o russo Alenichev marcaram na fácil vitória do Porto.

O jogo é inesquecível também por ter sido a primeira Champions conquistada por José Mourinho, que na temporada seguinte assumiria o Chelsea. O time do Porto seria a base da seleção de Portugal, que naquele verão de 2004, comandada por Luiz Felipe Scolari, perderia em casa a final da Eurocopa para a Grécia. Os principais nomes do Monaco eram Evra, Giuly e Morientes. Nenhum dos dois clubes voltou a jogar uma final europeia depois daquilo.

Na atual Champions, Porto e Monaco estão no grupo G, ao lado do debutante RB Leipzig, da Alemanha, e do Besiktas, bicampeão turco.

24/4/13 Borussia Dortmund 4 x 1 Real Madrid

O grupo H é considerado o grupo da morte. Real e Dortmund, que já caíram no mesmo grupo na temporada passada, voltam a se enfrentar e têm a companhia do Tottenham, uma força da Premier League. O Tottenham foi vítima recente tanto de um quanto do outro e precisa mostrar mais do que vem monstrando em campanhas europeias. Irá se reencontrar com dois ex-jogadores que estão no Real, Bale e Modric.

O Real Madrid eliminou o Borussia em 2014, no caminho rumo ao nono título europeu. Mas o jogo que fica marcado para a história foi disputado um ano antes. Era a partida de ida da semifinal, em Dortmund, e o polonês Robert Lewandowski, hoje no Bayern, fez simplesmente os quatro gols da vitória do Borussia, de Klopp, sobre o Real, de Mourinho. Na partida de volta, o Real fez dois gols no fim e quase chegou à heróica remontada, mas não deu. O Borussia Dortmund perderia a final de 2013 para o Bayern.

 


Real Madrid encabeça grupo da morte. Dos outros…
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juliogomes

As bolinhas tiradas por Totti e Shevchenko, homenageados no sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, foram desviando balas aqui e ali. Mas não teve como evitar a confecção de um grupo da morte.

E o grupo H, encabeçado pelo campeão Real Madrid, é o que será apelidado assim. O Real enfrenta novamente o Borussia Dortmund (que no ano passado relegou os espanhóis à segunda posição no grupo) e o Tottenham (que fez uma péssima Champions no ano passado, mas é um belíssimo time de futebol). Sorte que o quarto elemento é o fraco Apoel Nicosia, do Chipre, que vai apanhar de todo mundo.

São três times para duas vagas. Mas o Real Madrid está alguns vários degraus acima dos outros. É possível que seja o grupo da morte… para os outros. Tottenham e Dortmund que se virem pela segunda vaga.

Outro grupo forte é o que reúne Chelsea, Atlético de Madri, Roma e o estreante Qarabag, do Azerbaijão. O Atlético e o Chelsea são favoritos, a Roma ainda é uma incógnita na temporada. Trocou técnico e perdeu bons jogadores. Claro que pode deixar um dos favoritos a ver navios, mas, a priori, corre por fora.

À exceção do Tottenham e do Chelsea, o sorteio foi muito bom para os ingleses.

O Manchester United, de José Mourinho, vai enfrentar Benfica, Basel e CSKA Moscou. Um grupo tranquilo para o gigante inglês, que não vai precisar se matar e sacrificar jogos da Premier League para passar. Benfica é ligeiro favorito para a segunda vaga.

O Liverpool, que poderia ter caído em um verdadeiro grupo da morte (estava no terceiro pote das bolinhas), se safou e jogará contra Sevilla, Spartak Moscou e Maribor, da Eslovênia. O Liverpool mostrou muita força da fase prévia, passando por cima do bom Hoffenheim. Mesmo que perca Philippe Coutinho, é o favorito destacado. Até porque o Sevilla tem técnico novo, ainda derrapa e vai suar para ficar à frente do Spartak, campeão russo.

O Manchester City, depois de anos de “azareios”, finalmente teve um sorteio favorável. Jogará contra Napoli, Shakhtar Donetsk e Feyenoord, o campeão holandês. City é favoritaço para ser primeiro do grupo. E o Napoli, um ótimo time de futebol, que manteve a base do ano passado, é favoritaço para ser segundo. Tem mais chance de o Napoli atrapalhar o City do que ser atrapalhado pelos outros.

Dos três grupos restantes, um tem equilíbrio total. E os outros dois tem aquele formato com duas grandes forças e duas zebras. O que se decide é basicamente quem fica em primeiro, quem fica em segundo.

É assim no grupo B, em que Bayern de Munique e o Paris Saint-Germain, de Neymar, disputarão o primeiro lugar e não terão a passagem às oitavas ameaçada por Anderlecht ou Celtic. Os confrontos entre Bayern e PSG devem ser os que chamarão mais atenção durante a fase de grupos.

E é assim no grupo D, em que Juventus e Barcelona, que se enfrentaram nas últimas quartas de final, jogarão pelo primeiro lugar. Bom sorteio para o Barça, que derrapa neste início de temporada, mas não deve ser ameaçado por Olympiacos ou Sporting de Portugal. Não quero desprezar as duas camisas, com muita história, mas imaginem se caísse um Liverpool ou um Tottenham ou um Leipzig nesse grupo? O Barcelona pode respirar aliviado.

O grupo G é o mais equilibrado, com Monaco, Porto, Besiktas e RB Leipzig. O Monaco é favorito. É o campeão francês, atual semifinalista e, ainda que tenha perdido três titulares em relação à campanha passada, segue mostrando ótimo futebol. O Porto tem a camisa mais pesada, mas o Besiktas é um bom time, bicampeão turco, e o RB Leipzig tem um ótimo time. É vice-campeão alemão e manteve a base.

Abaixo, os grupos e os prognósticos de quem passa para as oitavas de final:

Grupo A
Benfica (POR)
Manchester United (ING)
Basel (SUI)
CSKA Moscou (RUS)

Prognóstico: 1- United, 2- Benfica, 3- Basel, 4- CSKA

Grupo B
Bayern de Munique (ALE)
Paris Saint-Germain (FRA)
Anderlecht (BEL)
Celtic (ESC)

Prognóstico: 1- PSG, 2-Bayern, 3- Anderlecht, 4- Celtic

Grupo C
Chelsea (ING)
Atlético de Madri (ESP)
Roma (ITA)
Qarabag (AZE)

Prognóstico: 1- Atlético, 2- Chelsea, 3- Roma, 4- Qarabag

Grupo D
Juventus (ITA)
Barcelona (ESP)
Olympiakos (GRE)
Sporting (POR)

Prognóstico: 1- Juventus, 2- Barcelona, 3- Olympiacos, 4- Sporting

Grupo E
Spartak Moscou (RUS)
Sevilla (ESP)
Liverpool (ING)
Maribor (SLO)

Prognóstico: 1- Liverpool, 2- Sevilla, 3- Spartak, 4- Maribor

Grupo F
Shakhtar Donetsk (UCR)
Manchester City (ING)
Napoli (ITA)
Feyenoord (HOL)

Prognóstico: 1- City, 2- Napoli, 3- Feyenoord, 4- Shakhtar

Grupo G
Monaco (FRA)
Porto (POR)
Besiktas (TUR)
RB Leipzig (ALE)

Prognóstico: 1- Monaco, 2- Leipzig, 3- Besiktas, 4- Porto

Grupo H
Real Madrid (ESP)
Borussia Dortmund (ALE)
Tottenham (ING)
Apoel Nicosia (CHP)

Prognóstico: 1- Real, 2- Tottenham, 3- Dortmund, 4- Apoel


Ligas europeias entram na reta final com mês recheado de clássicos
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juliogomes

Passada a última pausa da temporada europeia para jogos de seleções, o “vírus Fifa” deixou os grandes clubes em paz desta vez. Chegamos à reta final dos campeonatos e o mês de abril reservas grandes clássicos em todas as ligas.

Já neste fim de semana, PSG e Monaco decidem a Copa da Liga da França (sábado 15h45). Benfica e Porto se enfrentam pela liderança (e, possivelmente, o título) em Portugal (sábado 16h30). Schalke 04 e Borussia Dortmund fazem o clássico do Vale do Ruhr, nesta que é considerada a maior rivalidade da Alemanha (sábado 10h30). Na Itália, em outro clássico de grande rivalidade, o Napoli recebe a Juventus no domingo (15h45). E a rodada da Premier League tem clássico de Liverpool no sábado (8h30) e o confronto entre os criticados Wenger e Guardiola no domingo (12h).

A Champions League tem quartas de final em 11/12 e 18/19 de abril, com Bayern-Real Madrid, Juventus-Barcelona, Dortmund-Monaco e Atlético de Madri-Leicester.

Veja o que ainda está em jogo nos principais países:

INGLATERRA

O Chelsea chega às 10 rodadas finais com uma enorme vantagem de pontos. São 69 contra 59 do Tottenham, 57 do Manchester City, 56 do Liverpool, 52 do Manchester United, 50 de Arsenal e Everton. O título vai ficar com os “blues”, mas a disputa pelas vagas na próxima Liga dos Campeões promete.

Já neste sábado, tem o “Merseyside Derby”, o clássico de Liverpool. Jogando em seu estádio, o Liverpool não perde para o Everton desde 1999. Depois disso, no entanto, o Liverpool, assim como o Tottenham, tem uma tabela mais tranquila.

Após a decepcionante eliminação nas oitavas de final da Champions, o Manchester City, de Guardiola, vai a Londres enfrentar o Arsenal, domingo, e o Chelsea, na próxima quarta. O Chelsea ainda joga o clássico contra o United, em Manchester, no dia 16. Aliás, o United, de Mourinho, que já ganhou a Copa da Liga Inglesa, ainda está vivo na Liga Europa, onde enfrenta o Anderlecht nas quartas de final e é o grande favorito ao título.

Principais jogos de abril:
1/4 Liverpool-Everton
2/4 Arsenal-Man City
5/4 Chelsea-Man City
16/4 Man United-Chelsea (Mou vs Conte)
22/4 Chelsea-Tottenham (semi Copa da Inglaterra)
23/4 Arsenal-Man City (semi Copa da Inglaterra)
27/4 Man City-Man United (Mou vs Pep)
30/4 Tottenham-Arsenal, Everton-Chelsea

ESPANHA

O Real Madrid tem o controle da Liga, pois soma dois pontos a mais que o Barcelona (65 a 63), tem ainda um jogo a menos e joga o clássico do returno no Santiago Bernabéu. Mas os dois gigantes têm duelos complicadíssimos na Liga dos Campeões logo antes do superclássico e o Campeonato Espanhol está mais equilibrado. Os gigantes já tropeçaram e ainda podem tropeçar mais vezes.

O Atlético de Madri, em quarto, com 55 pontos, está mais focado na Champions, mas adoraria fazer um grande dérbi contra o Real antes dos duelos contra o Leicester. O Sevilla, com 57, tentará se manter entre os quatro e não perder Jorge Sampaoli para a seleção argentina.

Principais jogos de abril:
5/4 Barcelona x Sevilla
8/4 Real Madrid-Atlético de Madri
(11/4 Juventus-Barça, 12/4 Bayern-Real, Atlético-Leicester na Champions)
(18/4 Real-Bayern e Leicester-Atlético, 19/4 Barça-Juventus na Champions)
23/4 Real Madrid-Barcelona
29 ou 30/4 Real Madrid-Valencia, Espanyol-Barcelona

ALEMANHA

O Bayern de Munique conquistará o inédito pentacampeonato, disso ninguém duvida. Tem folga na Bundesliga e poderá até poupar jogadores nos jogos próximos ao duelo contra o Real Madrid pela Liga dos Campeões – ainda que sejam jogos complicados. São 62 pontos na tabela, 13 a mais que o surpreendente RB Leipzig e 16 a mais que o Borussia Dortmund.

Depois de perder o clássico para o Borussia em Dortmund, em novembro, o Bayern engatou 12 vitórias e 2 empates no Alemão. Somando todas as competições, são 19 jogos e quatro meses sem perder. Em abril, o Bayern terá duas oportunidades de se vingar (ou não) de seu maior rival doméstico, que também está vivo na Champions.

Principais jogos de abril:
1/4 Schalke 04-Dortmund
8/4 Bayern-Dortmund
(11/4 Dortmund-Monaco, 12/4 Bayern-Real na Champions, 13/4 Ajax-Schalke na Europa League)
15/4 Bayer Leverkusen-Bayern
(18/4 Real-Bayern, 19/4 Monaco-Dortmund na Champions, 20/4 Schalke-Ajax na Europa League)
26/4 Bayern-Dortmund (semifinal da Copa da Alemanha, jogo único)

ITÁLIA

Assim como Chelsea e Bayern de Munique, a Juventus tem folga na liderança. Será o sexto Scudetto consecutivo, um feito inédito e histórico. Faltando nove rodadas para o final, a Juve lidera com 73 pontos, são 8 a mais que a Roma e 10 a mais que o Napoli. Foram 24 vitórias em 29 jogos até agora.

O mês de abril começa com dois duelos contra o Napoli, um pelo campeonato, outro pela Copa. São jogos de muita rivalidade e tensão entre times e torcidas. É o sul contra o norte, um duelo de muito simbolismo.

Jogando em seu estádio pelo Campeonato Italiano, a Juventus soma 31 vitórias consecutivas, juntando a atual com a temporada passada. Não empata desde um 1 a 1 com o Frosinone, em setembro de 2015. Não perde desde o primeiro jogo da temporada 15/16, 0-1 para a Udinese, em agosto de 2015. Somando todas as competições, são 46 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium. Impressionante.

Lazio, com 57, Inter e Atalanta, com 55, e Milan, com 53 pontos, ainda tentam alcançar Roma (65) e Napoli (63) pelas vagas na próxima Champions.

Principais jogos de abril:
2/4 Napoli-Juventus
4/4 Roma-Lazio (semi Coppa Itália, Lazio fez 2-0 na ida)
5/4 Napoli-Juventus (semi Coppa Itália, Juve fez 3-1 na ida)
9/4 Lazio-Napoli
(11/4 Juventus-Barça na Champions)
15/4 Internazionale-Milan
(19/4 Barça-Juventus na Champions)
29 ou 30/4 Roma-Lazio, Internazionale-Napoli

FRANÇA

Depois da virada sofrida na Liga dos Campeões para o Barcelona, restam ao Paris Saint-Germain as competições domésticas. A parada está dura na Ligue 1. Em busca do pentacampeonato, o PSG, com 68 pontos, está 3 atrás do Monaco – dono do melhor ataque da Europa na temporada.

O Monaco, que superou o City de Guardiola e está nas quartas de final da Champions, fez 129 gols em 48 partidas oficias, média de 2,7. É um time super agradável de ver jogar e que vai vender caro o título francês, que não conquista desde o ano 2000.

Logo de cara, neste sábado, PSG e Monaco se enfrentam em Lyon pelo título da Copa da Liga da França. É a competição menos importante da temporada, mas que ganhou peso justamente pelo confronto direto entre as duas forças do país. Nos dois jogos entre eles pela Ligue 1, o Monaco fez 3 a 1 em casa e empatou por 1 a 1 em Paris (com gol nos acréscimos).

Eles também estão vivos na Copa da França e tem jogos relativamente fáceis no meio da semana que vem. Podem se enfrentar nas semifinais ou em uma eventual nova decisão.

O Nice, de Balotelli, ficou para trás na tabela e soma 64 pontos, sete a menos que o Monaco. Mas deve conseguir vaga na Champions, pois tem 14 a mais do que o Lyon, o quarto colocado. O Lyon ainda está vivo na Europa League e enfrenta nos dias 13 e 20 de abril o Besiktas, líder do Campeonato Turco, por uma vaga nas semifinais.

PORTUGAL

Também neste sábado, Benfica e Porto fazem o superclássico em Lisboa. O Benfica lidera o campeonato com 64 pontos, apenas 1 a mais que o Porto – ambos foram eliminados nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Depois do clássico, faltarão sete rodadas para o fim do campeonato. Como Benfica e Porto costumam ganhar praticamente todos os seus jogos em Portugal, o duelo direto é uma verdadeira decisão. Ainda em abril, no dia 22, o Benfica faz o dérbi de Lisboa contra o terceiro colocado, no estádio do Sporting.


E agora, quem quer enfrentar o Leicester nas quartas?
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juliogomes

E o conto de fadas continua em Leicester. Quando todos davam os foxes como mortos na Champions League, o feitiço mostrou-se mais ativo do que nunca.

O Sevilla pegou um Leicester morto na partida de ida. Era a chance de goleada e classificação definida. E o jogo foi para goleada, mas acabou só em 2 a 1. Os jogadores conseguiram, afinal, derrubar Claudio Ranieri. E começaram a correr de novo.

Com o auxiliar Craig Shakespeare, “amigão” dos jogadores, assumindo o comando, o Leicester voltou a seu 4-4-2 bem britânico. Jogo forte na bola aérea e no contra ataque. Na vitória por 2 a 0, nesta terça, o Leicester teve 32% de posse de bola. Defende-se bem, não se incomoda com a bola nos pés dos outros.

O Sevilla começou o jogo passivo, levou o gol e só depois resolveu jogar. E aí Schmeichel, filho de peixe, que já havia defendido um pênalti na ida, defendeu outro na volta – o primeiro goleiro a fazer isso em uma eliminatória europeia.

Quando perdeu o pênalti, já no fim do jogo, o Sevilla estava com dez homens em campo após Nasri se desentender com Vardy no meio de um lance de ataque. Vardy “brasileirou” e fez um teatro danado após uma não cabeçada. Patético. Ou vermelho para os dois ou nada, pois o amarelo para ambos resultou na expulsão de um só.

Mesmo sem Nasry, que foi burrinho, burrinho, o Sevilla ainda arrumou o pênalti que levaria para a prorrogação. E perdeu de novo. Sampaoli só não perdeu cabelos porque não tem.

Não dá para dizer que o Sevilla mereceu. Teve todas as chances possíveis e imagináveis e fez questão de desperdiçá-las. E assim, a Espanha perde uma chance de ouro de colocar quatro times nas quartas de final pela primeira vez na história da máxima competição europeia.

O Leicester segue iluminado.

Quem quer enfrentá-lo nas quartas de final, após o sorteio de sexta-feira?

A resposta é simples. TODOS. O Leicester é o time mais fraco das quartas de final, mais previsível e mais fácil de ser batido. É o mais simpático também. Mas simpatia não ganha Champions.

Por outro lado, a Juventus ganhou por 1 a 0 do Porto, sem maiores problemas. São 47 jogos de invencibilidade no Juventus Stadium, um fortim. Está aí um time que, ao contrário do Leicester, ninguém quer enfrentar na Champions.


Gol sofrido no fim mais ajuda que atrapalha o Real Madrid
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juliogomes

O Real Madrid levou um gol de Reus aos 43 do segundo tempo, empatou por 2 a 2 com o Borussia Dortmund e acabou ficando em segundo no grupo F da Champions League.

Má notícia? Na minha visão, longe disso. O Real atinge 34 jogos de invencibilidade com Zidane no comando, igualando uma marca história estabelecida em 1988-89, e deve superar o recorde no fim de semana, em casa, contra o La Coruña.

De quebra, ao ser segundo, diminui as chances de enfrentar uma “pedreira” nas oitavas de final. É verdade que decidirá fora de casa a vaga nas quartas, mas isso é muito relativo. Se fizer um bom resultado na ida, no Bernabéu, decidir fora nem é mau negócio.

Sendo segundo colocado no grupo, o Real Madrid será sorteado contra um dos primeiros colocados – não pode, no entanto, enfrentar times do mesmo país ou do mesmo grupo em que jogou a fase inicial.

Portanto, o Real enfrentará nas oitavas um destes cinco times: Arsenal, Juventus, Napoli, Monaco ou Leicester. Se colocarmos Arsenal e Juve na lista de favoritos ao título, o Real tem 40% de chances de pegar uma pedreira, contra 60% de chances de pegar um rival mais fraco. Não digo que Napoli, Monaco e Leicester sejam galinhas mortas, mas é difícil imaginar um destes três eliminando o Real de Zidane na Champions.

Se não tivesse levado o gol do Dortmund no fim, o Real enfrentaria um destes seis: Bayern de Munique, Manchester City, PSG, Benfica, Porto ou Bayer Leverkusen. Ou seja, 50% de chances de enfrentar um favorito ao título. E Bayern, City e PSG, creio, são mais fortes que Arsenal e Juventus.

Não acredito que levar um gol no fim tenha sido estratégia – não foi o que o jogo nos contou, e o Real colocou os titulares em campo. Apenas que há males que vêm para bem.

Como não houve nenhuma grande zebra na fase de grupos, não há nenhuma “baba” nas oitavas. Os segundos colocados como Porto, Benfica, Sevilla ou Napoli são clubes que, se não têm o mesmo orçamento dos gigantes e não devem brigar por título, têm camisa, bons jogadores e podem fazer alguma graça no mata-mata contra algum desavisado.

O Barcelona pode enfrentar Bayern, PSG, Porto, Benfica ou Bayer Leverkusen.

sorteio_champions

Vamos agora aos classificados para as oitavas na Champions e quais os possíveis adversários que podem sair do sorteio de segunda-feira:

Grupo A
Arsenal – Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
PSG – Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Ludogorets na Liga Europa

Grupo B
Napoli – PSG, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto, Sevilla
Benfica – Arsenal, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester, Juventus
*Besiktas na Liga Europa

Grupo C
Barcelona – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Porto
Manchester City – Napoli, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Borussia Moenchengladbach na Liga Europa

Grupo D
Atlético de Madri – PSG, Benfica, Manchester City, Bayer Leverkusen, Porto
Bayern de Munique – Arsenal, Napoli, Barcelona, Monaco, Leicester, Juventus
*Rostov na Liga Europa

Grupo E
Monaco – Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Real Madrid, Porto, Sevilla
Bayer Leverkusen – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Leicester, Juventus
*Tottenham na Liga Europa

Grupo F
Borussia Dortmund – PSG, Benfica, Manchester City, Porto, Sevilla
Real Madrid – Arsenal, Napoli, Monaco, Leicester, Juventus
*Legia Varsóvia na Liga Europa

Grupo G
Leicester – PSG, Benfica, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Sevilla
Porto – Arsenal, Napoli, Barcelona, Atlético de Madri, Monaco, Borussia Dortmund, Juventus
*Copenhagen na Liga Europa

Grupo H
Juventus – PSG, Benfica, Manchester City, Bayern de Munique, Bayer Leverkusen, Real Madrid, Porto
Sevilla – Arsenal, Napoli, Monaco, Borussia Dortmund, Leicester
*Lyon na Liga Europa


Chelsea e PSG, o sortudos. United e Arsenal, os ameaçados
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juliogomes

No ano passado, Manchester City e Chelsea. No ano retrasado, City e Manchester United. Clubes ingleses eliminados na fase de grupos da Champions League, está aí algo “impossível” poucos anos atrás, mas que ocorreu com frequência inesperada nas últimas temporadas.

Após o sorteio da fase de grupos, nesta quinta, podemos dizer que Manchester United e Arsenal são os que mais correm riscos de repetir os vexames recentes. Foram os dois cabeças-de-chave “agraciados” com adversários difíceis no caminho rumo ao mata-mata do torneio europeu.

O sorteio tinha 32 times divididos em 4 potes, de acordo com o coeficiente Uefa de cada um. No pote 1, só time grande. No pote 2, algumas forças misturadas com outros times menos potentes. Nos potes 3 e 4 é onde deveriam estar as “babas”, o problema é que havia clubes fortes no meio delas. No pote 3, o temido Manchester City e duas forças da Bundesliga: Borussia Dortmund e Bayer Leverkusen. No pote 4, dois times de ligas fortes: Napoli e Real Sociedad.

Esses cinco poderiam ter ido um para cada grupo. Mas qual graça teria o sorteio, não fosse pela formação usual de grupos da morte?

Bayer Leverkusen e Real Sociedad caíram no Grupo A, encabeçado pelo Manchester United. O outro time do grupo é o Shakhtar Donetsk, que no ano passado eliminou o Chelsea na fase inicial. O Shakhtar é um ótimo time, com bons jogadores brasileiros e já muita experiência am Champions League, pois tem jogado o torneio todo ano. Sem dúvida, o United é o favorito para passar, deixando para os outros três a disputa da segunda vaga. Mas olho aberto, não é o United de Alex Ferguson, é o United de um técnico novo, com quase nenhuma experiência em competição europeia.

Nas três primeiras rodadas, são dois jogos em Manchester, contra Bayer e Real. É aqui que o United tem de ganhar pontos e tranquilidade, senão pode viver um drama para se classificar.

O Arsenal, que é menos forte do que o United, pegou as duas maiores carnes de pescoço dos potes 3 e 4: Dortmund e Napoli. O Borussia é o favorito neste grupo, e o Napoli montou um ótimo time sob o comando de Rafael Benítez, é a segunda força da Itália – só atrás da Juventus. O grupo ainda tem o Olympique de Marselha, que tem tradição, torcida, estádio complicado e começou muito bem a temporada.

Dois anos atrás, Arsenal e Marselha passaram de um grupo que tinha o Dortmund e o Olympiacos (em vez do Napoli). Apenas coincidência que o grupo da morte deste ano seja quase idêntico a um grupo de pouco tempo atrás. Meu palpite é que Borussia e Napoli passam, deixando o Arsenal pelo caminho – salvo reforços de verdade até segunda-feira, quando se fecha a janela.

Se United e Arsenal deram azar, o mesmo não podem dizer os outros dois ingleses. O Chelsea, de José Mourinho, caiu no grupo mais fraco, o E, com Schalke 04, Basel e Steaua Bucareste. O Manchester City, que caiu dois anos seguidos em grupos da morte, vai ter de encarar o Bayern de Munique. Mas os outros rivais são CSKA Moscou e Viktoria Pilsen, que representam pouco perigo. A questão é: entre Bayern e City, que vai ficar em primeiro e ganhar o direito de decidir em casa nas oitavas?

Este confronto, entre o campeão alemão e o vice inglês, entre Guardiola e Pellegrini, tem tudo para se repetir mais à frente nesta mesma Champions. Nas quartas, semis ou, por que não?, até mesmo na final.

Outro ricaço que deu sorte foi o Paris Saint-Germain, que caiu no grupo do pior time entre todos os cabeças-de-chave, o Benfica. E foi acompanhado de Olympiacos e Anderlecht. Grupo baba para o PSG.

Real Madrid e Barcelona, os dois maiores da Espanha, têm pela frente Juventus e Milan, os dois maiores da Itália. Não vejo ninguém ameaçando a classificação dos quatro, ainda que o Milan possa sofrer contra Ajax e Celtic. A questão é quem passa em primeiro nestes grupos.

Por fim, o grupo equilibradíssimo com Porto, Atlético de Madrid e Zenit, além do debutante Austria Viena. Os dois que passarem aqui podem criar problemas para grandes nas oitavas de final. Abaixo, minhas previsões para os oito grupos, na ordem de classificação:

Grupo A
Classificados: Manchester United (ING) e Real Sociedad (ESP)
Liga Europa: Shakhtar Donetsk (UCR)
Eliminado: Bayer Leverkusen (ALE)

Grupo B
Classificados: Juventus (ITA) e Real Madrid (ESP)
Liga Europa: Galatasaray (TUR)
Eliminado: Copenhagen (DIN)

Grupo C
Classificados: Paris Saint-Germain (FRA) e Benfica (POR)
Liga Europa: Anderlecht (BEL)
Eliminado: Olympiacos (GRE)

Grupo D
Classificados: Manchester City (ING) e Bayern de Munique (ALE)
Liga Europa: CSKA Moscou (RUS)
Eliminado: Viktoria Pilsen (TCH)

Grupo E
Classificados: Chelsea (ING) e Basel (SUI)
Liga Europa: Schalke 04 (ALE)
Steaua Bucareste (ROM)

Grupo F
Classificados: Borussia Dortmund (ALE) e Napoli (ITA)
Liga Europa: Arsenal (ING)
Eliminado: Olympique de Marselha (FRA)

Grupo G
Classificados: Atlético de Madrid (ESP) e Porto (POR)
Liga Europa: Zenit (RUS)
Eliminado: Austria Viena (AUT)

Grupo H
Classificados: Barcelona (ESP) e Milan (ITA)
Liga Europa: Ajax (HOL)
Celtic (ESC)

Atlético de Madrid e Napoli são, para mim, os “médios” que podem aprontar para os grandes nesta Champions. O Arsenal, como eu já disse, é o maior candidato a fracassar. Bayern, Barcelona, Real Madrid, Chelsea, Juventus e Manchester City. Esta é minha ordem de favoritismo para o título, e não vejo o título nas mãos de algum time que não seja um destes seis.

E para vocês, quem vai levar a “orelhuda” em Lisboa, no ano que vem?

(obrigado aos que me corrigiram… a final é na Luz, não em Wembley)


Fica, Bernard! A Ucrânia é uma gelada…
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juliogomes

Quem me acompanha há meses, talvez até anos (deve ter algum louco), não deve estar entendendo nada. Como assim o Julio Gomes, “baba ovo dos europeus”, crítico ferrenho do futebol jogado no Brasil, está dizendo para Bernard ficar?? Tem coisa errada aqui.

Posso explicar, posso explicar. Vou tentar, pelo menos.

Sim, sou crítico ferrenho do futebol brasileiro e da maneira como se vê e analisa futebol no Brasil. Somos resultadistas, reféns do fim, sem preocupação com o meio. Encaro o jogo como um jogo de estudos, conhecimento teórico, não somente os métodos empíricos que dominam por aqui. Acredito que o futebol deva ser jogado em cima de filosofias técnicas, táticas e morais, não em busca do resultado pelo resultado. Interpreto o esporte com o mesmo peso de importância para as facetas ofensiva e defensiva, baseado em conceitos coletivos, não individualistas. Acredito que o esporte, e o clube, tenham responsabilidades sociais relevantes. E lamento muito termos categorias de base que estão largadas e, em regra, dominadas por preceitos equivocados. Os jogadores e técnicos brasileiros são mal formados, simples assim.

Dito tudo isso, de forma bastante resumida, acredito que os jogadores importantes do Brasil precisam sair daqui para conhecer e evoluir no mais alto nível de competição, e este nível não está aqui. Está nas ligas europeias. Não estou aqui vomitando uma opinião. Isso é consenso entre os próprios jogadores, os profissionais brasileiros envolvidos com o futebol – ainda que muitos deles mantenham um discurso oposto para não “se queimarem” por essas bandas.

E aí chegamos ao caso Bernard.

Eu não tenho dúvidas sobre a necessidade de Bernard ir para a Europa para dar um passo além em seu jogo, em sua carreira. Os problemas são o momento e o destino.

Bernard é, hoje, um nome certo na Copa do Mundo do ano que vem. E um jogador importante na cabeça de Luiz Felipe Scolari, aquele garoto para revolucionar partidas complicadas, para colocar velocidade, para dar a opção de explorar contra ataques. E um nome muito pouco conhecido, praticamente um anônimo para jogadores e técnicos de outras seleções. Ou seja, pode realmente ser um fator surpresa no Mundial.

Por mais globalizado que esteja o futebol, pouca gente na Europa perde tempo vendo partidas do Brasileirão ou Libertadores. Não concordo com ela, mas é uma realidade. Um treinador de uma seleção importante saberá exatamente quem é Bernard, eventualmente poderá mostrar vídeo em alguma preleção. Mas o efeito é muito diferente. Se Bernard jogar na Europa, ele será visto pelos próprios colegas de profissão, seu jeito de jogar será conhecido, trejeitos, seu ponto forte, o fraco, etc. Ele estará exposto.

Pensando em seleção brasileira, o fator surpresa representa algo mais positivo do que a evolução tática que ele terá jogando na Europa por uma temporada apenas.

Há, também, o fator risco. Onde ele vai parar? Em que time? Com que técnico? Quantos minutos terá? Vai conquistar rapidamente espaço ou vai esquentar banco por muitos minutos? Será uma temporada de transição e falta de ritmo?

Vejamos os cenários. Se ficar no Brasil, Bernard jogará em sua cidade, com sua torcida, em um time que (infelizmente) não terá pressão no Campeonato Brasileiro. Tranquilidade para trabalhar, tentar, arriscar, fazer gols. A imagem, perante o mercado, só tende a melhorar, pois o bom rendimento é quase uma garantia.

Um cenário que não seria ruim seria o Porto. É um clube gigante de Portugal, um grande da Europa, que não fará feio e irá a fases agudas da Champions League. Um país em que o idioma é o mesmo, o clima não é um fator de relevância, muito menos a culinária. Um clube super acostumado a brasileiros, vencedor, que jogará a maioria das partidas com a boa responsabilidade da vitória. O Porto é comprador e também vendedor, vive disso, não seria a coisa mais complicada do mundo dar um salto maior na Europa daqui a um, dois, três anos. Tantos outros o fizeram.

Pensando em Copa do Mundo, o melhor seria Bernard ficar. Pensando na carreira, ir para o Porto está longe de ser má ideia.

O problema é que a opção mais forte, que está se desenhando, é o embarque para o Shakhtar Donetsk. E aí, amigos, seria ruim para a seleção e para a carreira. Bom mesmo, só para o Atlético e o monte de intermediários que colocarão dinheiro no bolso.

Jogar na Ucrânia tem algumas vantagens. Menor pressão é uma delas, dirão alguns. Você é comandado por um homem do futebol e está rodeado de brasileiros no time, isso minimiza um pouco o abismo cultural que é viver na Ucrânia. A exposição não é pequena, se o clube repetir passos importantes em competições europeias.

Mas os pontos negativos, para mim, existem em maior número. A evolução futebolística é mais lenta, porque ela ocorre muito mais em raros jogos europeus do que na liga doméstica. Como já citado, o fator surpresa na Copa acaba. As chances de lesões aumentam pelo fator climático, a dureza da competição e o fortalecimento obrigatório para aguentar tudo isso, o que pode mudar o formato corporal de maneira sensível e comprometedora.

E o principal. O Shakhtar é comprador, como o Porto. Mas não é vendedor. O clube pertence a um multibilionário que não está nessa de futebol para ganhar dinheiro e, sim, para se divertir. As leis de mercado não se aplicam tanto assim, não é uma instituição conhecida por atender corações e facilitar a saída de jogadores. Que o digam Elano, Fernandinho, Willian… Bernard não pode considerar o Shakhtar um trampolim. Pode até ser, mas dar o salto ali para um grande europeu não é tarefa fácil. Muito pelo contrário.

Para o Atlético, talvez o dinheiro seja necessário neste momento. Mas é difícil imaginar qualquer tipo de desvalorização no período de um ano, o mais provável é que ocorra o contrário. Que o Galo venda Bernard mais tarde por mais dinheiro.

A impressão que eu tenho é que Bernard quer ficar. Sair ano que vem ou, pelo menos, não sair para a Ucrânia. Seria importantíssimo, para ele e para o futebol do país, ficar neste momento. E fazer as malas só depois do Mundial.

 


José está de volta para casa e com a namorada com quem foi mais feliz
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juliogomes

José era um gajo muito inteligente e emotivo. Estudioso desde a adolescência, não hesitou, como muitos em seu país, ao tomar a decisão de viver fora junto com um tio bem mais velho e aprender, absorver conhecimento, agregar idiomas e experiência.

Conheceu uma moça linda na escola, ela chamava-se Núria. De forte personalidade, muito apegada a seus valores locais e conhecida por todos. Apaixonou-se e fez uma promessa a si mesmo. Um dia, ela seria sua.

Foi-se embora quando o colégio técnico lhe chamou, a ansiedade era grande, era preciso voltar à sua terra. A batalha interna entre razão e emoção sempre foi muito intensa, um verdadeiro cabo de guerra que só José conhece. A razão quase sempre ganha, no entanto.

José teve outras namoradas. Duas delas, as meninas mais famosas do bairro. Uma, Luz, passou rápido por sua vida. O outro namoro, com Lourdes, foi intenso e feliz. A família toda adorava José e muitos pensavam que o namoro seria para sempre, mas o garoto ainda era muito novo, havia concluído seu curso com êxito, e o bairro ficara pequeno. A fama, pela incrível competência, já se espalhava pelo mercado.

Partiu José para a universidade – uma instituição antiga, mas que só agora estava fazendo investimentos importantes. Lá, ele fez chover. As coisas davam certo, o reitor e os outros colegas eram quase devotos. Namorou a mais rica das moças, Elizabeth, o casamento parecia inevitável. Ela era perfeita para ele: de família milionária, dava suporte a todos os seus projetos. Famoso e admirado, podia arriscar e até errar. Levou o nome da universidade para o mundo. Era o verdadeiro dono do pedaço.

José, inquieto, começou a deixar que a emoção tomasse conta da razão. Estava tão certo de si que pouco ouvia o que os outros falavam. Alguns de seus seguidores e pupilos lhe deram as costas. Como todas as relações na vida, a dele com sua amada começou a ficar desgastada. Já não havia mais dinheiro para as experiências, jantares, festas e compras. As brigas se sucediam. Ele fez as malas e foi embora com o coração partido.

Era tempo de rever amigos da escola, se apoiar no passado para superar o momento difícil. José sempre havia sido dono de seu destino, aquele pé no traseiro desferido por Elizabeth havia sido um duro golpe.

Um amigo de infância contou que aquele seu primeiro amor, Núria, de tantos anos atrás, estava em um momento difícil. Havia perdido o namorado de anos, fora abandonada por amigas, estava depressiva. Era a grande chance para José. Ele mandou flores, convidou para jantar no melhor restaurante, mostrou todos os projetos de sucesso.

Mas Núria não queria José e tinha uma maneira curiosa de dispensá-lo. “Vete al teatro”, dizia ela. Núria era apaixonada por Pep, um velho amigo de José dos tempos de escola. Eles eram muito diferentes, realmente. Se davam bem, mas eram pessoas distintas. Pep, um garoto popular desde cedo, de uma família local, enquanto José nunca havia deixado de ser o menino de fora, o estrangeiro. Pep, mais bonitão, filósofo, um apaixonado. José, um prático, competitivo demais, até. Núria sempre havia tido uma queda por Pep, mas naquela época de criança eram todos muito inocentes.

Agora, não. José era um homem feito, enquanto Pep mal havia saído do bairro. Ser esnobado daquela maneira por Núria doía como a morte de alguém querido. José jurou vingança.

Botou o pé na estrada novamente e fez seu mestrado. Conheceu uma moça experiente, teve um lindo caso de amor com Francesca. Rápido, mas inesquecível. A sintonia era total, os projetos deram certo, ganhou o prêmio máximo europeu. Era uma tese estranha, relacionada a estacionamentos específicos de grandes veículos, como ônibus. Teve sucesso, apesar da desconfiança geral. Mas aquele não era seu lugar. Deu um longo beijo em Francesca, que ficou destroçada e nunca mais se recuperou. Guardou uma foto com carinho. E foi-se embora, pois era a hora da vingança.

Dias antes, recebera uma carta de Sofia. Inimiga número um de Núria desde os tempos de escola, até mesmo as famílias se odiavam. Pep, finalmente, havia decolado em sua carreira profissional, estava tocando projetos importantes e reconhecidos no mundo inteiro. Tudo ia bem entre Pep e Núria, até que José voltou e tudo ficou conturbado.

O romance de José com Sofia foi cheio de altos e baixos e eles logo se casaram. Foi muito mais um acordo do que paixão verdadeira. Muito rica, ela financiou todos os seus caprichos e o mestrado, que tinha uma tese final com enunciado estranho: “como avançar 100 metros em quatro toques”. No início, as coisas foram bem. José fez a empresa do pai de Sofia assumir a liderança do mercado, deixou Pep em parafuso e ele até terminou o namoro com Núria. Era uma vitória pessoal de José, mas ao mesmo tempo tudo ficou estranho, sem a presença do grande inimigo na concorrência. Núria nem olhava em sua cara. A amizade de infância virou ódio puro.

Com o passar do tempo, José e seus planos mirabolantes começaram a causar preocupação em alguns familiares. Custava muito caro, o novo namorado de Sofia! A família se dividiu. O pai de Sofia, Dom Pérez, até que gostava de José. Mas ele havia arrumado problemas com primos, tios, até os netinhos e médicos da família. Nem mesmo o porteiro da casa ele conseguia trocar! Os funcionários da fábrica, que não faziam parte da família, gostavam muito dele. Mas não havia mais condições de ficar naquele lugar.

José não aguentava ter que passar por tantos crivos familiares. Ele era mestre em sua área, um profissional renomado e de sucesso. Em um mundo moderno e competitivo, aquela família era um verdadeiro atraso. José nem mesmo se reconhecia em alguns momentos. Aquele garoto animado, empolgado e espirituoso havia se transformado em um homem carrancudo, amargurado, raivoso. José não estava feliz e começou a pensar no divórcio.

Plim. Mensagem no celular.

“José, my love. Nunca te esqueci. Não sou mais rica. Percebi que o dinheiro não é tudo na vida. Meus outros homens foram efêmeros, apelei até para o garçom espanhol, lembra dele? Nada deu certo. Você não quer voltar para casa? Estamos todos de braços abertos. Você é muito importante para nós, a empresa do papai ganhou aquele prêmio que você não conseguiu, mas está tudo bagunçado e a gente precisa de toda essa experiência que você adquiriu. Você é o special one. Assinado: Yours, Elizabeth.”

José não pensou duas vezes. Elizabeth não tem o charme de Sofia. Nem a experiência de Francesca. Não é bela como Núria. Mas ele nunca havia sido tão feliz. Vai poder trabalhar em paz, do jeito que ele gosta. Com mais razão e menos emoção, sem aqueles chatos com microfones, blocos e canetas fazendo perguntas idiotas. Ali não tem primo para encher o saco. É só não se queimar com o pai, chamado de Russão pelos íntimos, e ele pode fazer as coisas à sua maneira. Era a hora de ganhar o prêmio de novo.

Menu do celular. Mensagens. Nova. Digitar.

“Elizabeth, nunca te esqueci e nunca deixarei de te amar. O endereço é o mesmo? A Internet está funcionando? Estou chegando amanhã. Mande um abraço para o teu pai. Marque o casamento. Beijos, José”.

José, finalmente, vai poder trabalhar do jeito que gosta. Tem mais uma chance para ser feliz onde mais se sentiu à vontade na vida, no lugar que mais gostou, com a mulher que mais lhe fez feliz. Sofia e Núria seguem se odiando. Francesca não sai da depressão. Lourdes continua arrumando namorados melhores do que Luz. Pep foi trabalhar em outra empresa, que hoje é a melhor do mundo.

Em agosto, José e Pep têm um novo encontro marcado. Esse mundo realmente é uma bola.

 


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