Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Philippe Coutinho

Neymar faz seu pior jogo com Tite. Tendência ou exceção?
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Neymar fez contra o Equador, em Porto Alegre, aquele jogo que só gosta quem tem carteirinha do fã clube. Individualista, nervosinho, agressivo com os rivais, pouco útil para o time. Prendeu a bola, buscou dribles em vez de passes, tomou as decisões erradas.

Fez um jogo mais parecido com os dos tempos de Dunga, em que a seleção brasileira era um amontoado à espera de Neymar para resolver as coisas. Com Tite, a coisa mudou. Neymar atuou sempre pela esquerda, perto do gol e com liberdade para afunilar, se associar, entrar na área e finalizar.

Esta é a melhor versão de Neymar. Em Barcelona, ele jogava pela esquerda, mas com pouca liberdade de movimentos e com muitas obrigações defensivas. No Brasil de Tite, passou a produzir mais jogando à vontade (mas com um posicionamento).

No primeiro jogo pelo PSG, contra o Guingamp, Neymar jogou de forma anárquica. Pelo meio, vindo buscar todas as bolas, “à la Messi”, longe do gol e de seu melhor lugar no campo. Nos jogos seguintes, a coisa já se acertou e ele jogou de forma mais parecida à da seleção.

Eu acredito que a partida desta noite seja uma exceção, pelo fato de o Brasil já estar classificado. E não uma tendência, pelo fato de ele ter ido buscar liberdade e protagonismo no PSG. Mas isso é algo para vermos nos próximos jogos.

Não acredito que Tite tenha ficado feliz com a partida de seu melhor jogador. Os próximos dias terão implicações até a Copa. O treinador vai deixar isso claro internamente? Ou vai deixá-lo se sair com uma atuação assim?

Philippe Costinhas, perdão, Coutinho, por outro lado, mudou o jogo ao entrar. Ocupou a faixa central do campo, trouxe velocidade e dinamismo, empurrou Neymar para a esquerda e fez um golaço.

Com o mau jogo de Neymar e os ótimos minutos de Coutinho, capaz que o Barcelona ofereça 250 milhões de euros ao Liverpool e ainda bata no peito. A janela de transferências se fecha na Espanha nesta sexta.

A defesa não foi exigida, Willian e Gabriel Jesus foram muito bem, a estrela de Paulinho brilhou.

O time titular está testado e aprovado. Talvez, nas rodadas finais das eliminatórias, Tite possa testar jogadores e sistemas. Fica a dica.

A má notícia fica para o público. Dois terços do estádio ocupados. E o terço vazio? Certamente vazio pelos preços altos. Eles seguem achando que a seleção brasileira é só deles.


A viagem milagrosa que curou as costas de Philippe Coutinho
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Philippe Coutinho não jogou ainda pelo Liverpool na temporada. Seu time teve duelos importantíssimos contra o Hoffenheim, da Alemanha, pela fase prévia da Champions League. Depois de tanto batalhar para acabar em quarto lugar no último Campeonato Inglês, faltava passar essa barreira para garantir a presença (e os milhões) no campeonato europeu mais importante.

Coutinho não estava lá.

Seu time já jogou três partidas pelo Campeonato Inglês e é o vice-líder, com sete pontos. Já precisou encarar um clássico, ontem, contra o Arsenal.

Coutinho não estava lá.

A versão oficial é de dores nas costas. Dores que não lhe impediram de se apresentar à seleção brasileira, já classificada para a Copa do Mundo, para dois jogos de eliminatórias sul-americanas. E tem mais! Santa viagem milagrosa. O jogador chegou curado!

Passou pelo Rio de Janeiro para “bater um papo” com um médico antigo de sua confiança, como mostra a reportagem de Pedro Ivo Almeida, do UOL Esporte. O diagnóstico: estresse.

Vamos falar o português claro, né. Coutinho não tem dores nas costas. O que ele tem é vontade de ir jogar no Barcelona, e o Liverpool não quer liberá-lo. Está forçando a barra para sair. Não é o primeiro e nem o último a fazê-lo, e infelizmente a maioria de casos parecidos (não todos, mas a maioria) tinha jogadores brasileiros no meio.

O jogador de futebol brasileiro de alto nível vai sendo criado em uma redoma de proteção, são mimados, paparicados e raramente contrariados. Seja por dirigentes, empresários ou até mesmo familiares. Curiosamente, a maioria deles sai de condições humanas terríveis. Da proteção nula para a proteção total.

Será que alguém teve coragem de dar um esporro em Coutinho por ter deixado seu clube na mão em um momento tão delicado, que selaria toda a temporada do Liverpool?

Coutinho não é um novato na Europa. Já completou sete temporadas por lá. Foi contratado muito jovem pela Inter de Milão, não deu certo por uma temporada e meia, foi emprestado pro Espanyol para ganhar experiência, melhorou, voltou à Itália, voltou a não dar certo e, quando já parecia ser mais um caso de brasileiro de quem muito se esperava e pouca coisa entregaria, foi parar no Liverpool.

Foi o Liverpool que apostou nele, não o Barcelona ou qualquer outro. Foi na Inglaterra, em quatro temporadas e meia, que ele cresceu, aprendeu e virou um grande. Em uma das camisas mais pesadas do mundo.

Ninguém parecia estar com uma arma na cabeça de Philippe Coutinho quando ele renovou o contrato por CINCO temporadas em janeiro deste ano, para ganhar R$ 2,5 milhões por mês. E mais: sabendo que na Inglaterra não há cláusula de rescisão. Ele tinha contrato até 2020 e fez um novo acordo até 2022, ganhando mais, logicamente.

O jogador tem direito de querer sair e ir jogar em outro lugar. E o clube tem direito de querer que o contrato seja cumprido por sua maior estrela.

O que ninguém tem direito é de deixar o outro na mão, como Coutinho vem fazendo neste início de temporada. Isso não é o que chamamos de profissionalismo.

Imaginem se o Liverpool não vende Coutinho e, só de bronca, lhe dá um ano sabático para pensar melhor na vida? O que seria da Copa do Mundo dele? Seria pouco profissional da parte do Liverpool e todos se revoltariam, certo?

Outra coisa: Coutinho tampouco tem direito de guardar em segredo o milagre da companhia aérea que cura dores nas costas. É uma poltrona mágica? Minha lombar está me matando ultimamente…

PS – se o Liverpool prometeu em janeiro, no momento da renovação, facilitar a saída ou qualquer coisa do tipo, que isso seja falado. Até para o jogador não ficar mal visto no mundo inteiro, que é o que está acontecendo.

Mais no blog: Quatro impressões iniciais da temporada europeia

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Prévia do Inglês: a melhor Liga virou também a mais imprevisível
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A Premier League já vem há anos sendo considerada a mais forte do mundo entre as ligas domésticas. Especialmente pela quantidade de dinheiro envolvido e o fato de os times médios e pequenos não serem presas tão fáceis para os grandes, como na Espanha, França, Holanda, Portugal. Por ter melhores times do que os italianos. Por ter mais concorrência do que a Bundesliga. Não tem jogo fácil. E é difícil ter jogo ruim.

O que a Premier não tinha, no entanto, era esse “componente Brasileirão”. O campeonato começa com muitos favoritos – ou sem favorito, depende do ponto de vista. Há um altíssimo índice de imprevisibilidade. Nem disso mais o futebol brasileiro pode presumir.

Vamos puxar a comparação pelas casas de apostas e seus poderosos algoritmos. Vou usar dados do Bet365, o maior site de apostas do mundo. Eis o retorno para cada dólar apostado no campeão inglês:

Manchester City – 2,70/1
Manchester United e Chelsea – 4,50/1
Tottenham – 11/1
Arsenal e Liverpool – 13/1

Para efeitos de comparação. Na Alemanha, o título do Bayern paga apenas 1,14 para cada dólar apostado. O sexto favorito da lista é o Hoffenheim, que vai disputar uma vaga com o Liverpool na próxima Champions. O título do Hoffenheim paga 81 para 1 para quem acertar.

Na Espanha, título do Real Madrid ou do Barcelona dá retorno de 1,90 para 1. Do quinto ao oitavo “favoritos” (uma lista que tem os tradicionais Valencia e Athletic Bilbao), o retorno é de absurdos 301 para 1. O retorno é assim grande por uma simples razão: não vai acontecer.

Na Itália, o título da Juventus paga 1,66 para 1. O sexto favorito é a Lazio: 67 para 1. Na França, título do PSG dá retorno de 1,14, igual ao do Bayern na Alemanha. O sexto favorito, o Nice, paga 81 para 1.

Não é possível encontrar uma liga doméstica de alto nível com seis times tão nivelados como na Premier League. Entre os dois clubes de Manchester, Liverpool e os três grandes londrinos, qualquer um pode ser campeão e qualquer um pode acabar em quinto ou sexto, fora da zona de classificação da Champions. Nenhum resultado surpreende.

Este é um dos componentes que fazem do campeonato que começa nesta sexta-feira, com o jogo entre Arsenal e Leicester, uma competição imperdível.

Além do mais, estão nele alguns dos técnicos mais badalados do planeta: Guardiola, Mourinho, Klopp, Conte, Pocchetino, Wenger. E muitos dos craques que estarão na Copa do Mundo do ano que vem.

Vamos saber um pouquinho mais dos favoritos?

MANCHESTER CITY – O clube de Guardiola foi o que mais mudou e mais gastou: 240 milhões de euros (e a janela ainda não fechou). Comprou o goleiro Ederson, do Benfica e da seleção, tirou Bernardo Silva (meia português) e Mendy (lateral francês) do ótimo Monaco, e comprou outros dois laterais-direitos: Walker, do Tottenham, e Danilo, do Real Madrid (já que Daniel Alves deu para trás para jogar com Neymar). Nasri voltou do empréstimo ao Sevilla.

A lista de dispensas também foi grande: Ileanacho, Nolito, Kolarov, Zabaleta, Fernando, Jesus Navas, Clichy, Caballero…

Não haverá desculpas para Guardiola. Como virou moda, aparentemente o City também usará um sistema com três zagueiros, mas com laterais muito mais ofensivos que os da concorrência. Gabriel Jesus (7 gols em 10 jogos na temporada passada) e Aguero devem jogar juntos no ataque, sendo municiados com gente de muita qualidade (De Bruyne, Silva, Sané, etc). É natural que seja considerado favorito ao título, mas é preciso observar se Guardiola encontrará a química. Se o time vai encaixar, parar de dar gols em saídas de bola e entender, de fato, o seu treinador.

MANCHESTER UNITED – Convencionou-se dizer que o segundo ano de Mourinho é sempre o melhor. O primeiro, apesar do futebol pobre, trouxe os primeiros títulos ao clube pós-Ferguson. Europa League, Copa da Liga, Supercopa inglesa, vaga na Champions…

O atacante belga Lukaku, de só 24 anos, chegou por 85 milhões de euros (só Neymar foi mais caro) e é promessa de gols. O sérvio Matic, volante tirado do Chelsea, um concorrente direto, e o zagueiro sueco Lindelof, de 23 anos, do Benfica, também chegam para jogar. Foram-se Rooney e Ibrahimovic. O United não vai encantar, mas vai competir. Mourinho é Mourinho, não convém duvidar.

CHELSEA – O atual campeão também fez contratações caras e relevantes: Morata chegou do Real Madrid para o ataque, Bakayoko era titular do Monaco e o zagueiro alemão Rudiger veio da Roma. Mas, ao contrário dos times de Manchester, o Chelsea perdeu jogadores muito importantes: Matic e Diego Costa.

Falem o que quiserem do atacante brasileiro, mas ele é um jogador talhado para a Premier League. Foi muito importante para o título, era um desafogo, um criador de chances onde elas não existiam. O artilheiro do time. E sua dispensa, via whatsapp de Conte, foi tão amadora que custará caro aos cofres do clube. A base do Chelsea está mantida, mas é necessário ver se os substitutos que chegam corresponderão à altura dos que se foram. E nesse ano tem Champions para o Chelsea, nada de semanas e mais semanas inteiras para descansar e treinar.

TOTTENHAM – O vice-campeão foi o time com menos mudanças. Não chegou ninguém importante e saiu Walker (para o City) da base titular. Ou seja, o Tottenham, muito bem treinado por Pocchetino, vai novamente para as cabeças. Mas não melhorou. E tem um detalhe: devido à construção de seu novo estádio, irá jogar em Wembley. Não será o mesmo time invencível em casa que foi na temporada passada, em White Hart Lane. Isso pode atrapalhar muito o sonho por um título que não vem desde 1961. Ficar entre os quatro já será uma grande conquista.

LIVERPOOL – Philippe Coutinho fica ou sai? Passará pelo Hoffenheim e entrará na fase de grupos da Champions League? Estas duas perguntas condicionam toda a temporada do Liverpool. O time foi o que fez mais pontos nos confrontos diretos entre os seis favoritos na temporada passada, mas deixou um caminhão deles contra os pequenos.

A grande compra foi o ponta egípcio Salah, da Roma. Convenhamos, nenhum time passa de quarto a primeiro na Inglaterra por ter Salah. É fundamental para o Liverpool manter Coutinho e trazer algum nome relevante – como Keita, do Leipzig. Também fundamental será conter o grande número de erros defensivos visto no time de Klopp no último campeonato. Daí a tentativa de tirar o zagueiro holandês Van Dijk, de 26 anos, do Southampton.

ARSENAL – Arsène Wenger, o longevo, segue firme e forte, para alegria de alguns, desespero de muitos. O Arsenal trouxe o atacante francês Lacazette, do Lyon, por 53 milhões de euros, mas ainda pode perder Alexis Sanchez, assediado por City e PSG. Se o chileno não for vendido nesta janela, sairá de graça ao final da temporada. O Arsenal não disputará a Champions pela primeira vez em duas décadas, quem sabe assim Wenger conseguirá fazer o time ser mais consistente e brigar por algo mais do que o tradicional quarto lugar dos últimos tempos.

E o resto dos times?

Uma menção ao Everton, que pegou o dinheiro de Lukaku e investiu em alguns nomes como o goleiro Pickford, do Sunderland, o zagueiro Keane, do Burnley, o ótimo meia Klaassen, do Ajax, e o atacante Sandro, do Málaga, ex-Barça. Wayne Rooney também está de volta à casa e pode ajudar com sua experiência. O holandês Ronald Koeman segue no comando técnico.

Outro holandês conhecido, Frank de Boer, será o técnico do Crystal Palace. O Leicester, improvável campeão em 2016, efetivou Criag Shakespeare, que levantou o time após a dispensa de Ranieri. Tão procurados no verão passado, Mahrez e Vardy seguem por lá, e o clube gastou 27 milhões de euros para tirar o promissor atacante nigeriano Ileanacho, de 20 anos, do Manchester City.

O supertradicional Newcastle, que sempre gastou muito (e mal), bateu e voltou da segunda divisão. O técnico espanhol Rafael Benítez segue no cargo, e o clube fez algumas contratações modestas para não repetir o vexame.

Não ao cai-cai

A cultura na Inglaterra é a de que jogadores que simulam fazem mais mal ao jogo do que jogadores que quebram pernas alheias. E a Premier League decidiu ser mais dura com os simuladores.

Um grupo de especialistas (cada painel será formado por um ex-árbitro, um ex-técnico e um ex-jogador) irá rever as imagens da rodada a cada segunda-feira. Jogadores que tiverem simulado faltas na área ou fingido agressões serão automaticamente suspensos por duas partidas – caso haja unanimidade no painel. Caso ele tenha conseguido o pênalti ou a expulsão de um rival com sua simulação, a punição será ainda maior.

Supercopa da Inglaterra: 

6/8/17 Arsenal 1 x 1 Chelsea (Arsenal 4 a 1 nos pênaltis)

Maiores campeões ingleses: Manchester United (20), Liverpool (18)

Campeões nos 25 anos desde a fundação da Premier League: Manchester United (13), Chelsea (5), Arsenal (3), Manchester City (2), Leicester (1), Blackburn (1)

Previsões:

Título: Manchester City
Vice: Manchester United
Vagas na Champions: Chelsea e Tottenham
Artilheiro: Lukaku (United)
Melhor jogador: De Bruyne (City)
Na TV: ESPN tem exclusividade

Primeira rodada:

Sexta
15h45 Arsenal x Leicester

Sábado
8h30 Watford x Liverpool
11h Chelsea x Burnley
11h Everton x Stoke City
11h Crystal Palace x Huddersfield Town
11h Southampton x Swansea
11h West Bromwich x Bournemouth
13h30 Brighton x Manchester City

Domingo
9h30 Newcastle x Tottenham
12h Manchester United x West Ham

 


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