Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Philippe Coutinho

Teste na Rússia mostra caminhos para furar ferrolhos
Comentários Comente

Julio Gomes

O Brasil fez um primeiro tempo modorrento contra a Rússia. No segundo, melhorou e construiu a boa vitória por 3 a 0 no palco da final da próxima Copa.

O que mudou?

A penetração dos meio-campistas. Tite testa um time mais agressivo, com Philippe Coutinho pelo meio e Willian entre os titulares, sacando Renato Augusto. O problema do primeiro tempo é que Coutinho foi muito Renato Augusto. E Paulinho, talvez preocupado pela ausência de outro meio-campista mais, digamos, defensivo, guardou muito a posição no meio, perto de Casemiro.

Assim, o time vivia de algumas espetadas pelos lados, mas não tinha infiltração. E Douglas Costa, logicamente, não é Neymar. Eu acho que Douglas Costa estará na lista dos 23 da Copa, mas é um jogador que não acaba de me convencer.

O Brasil não criou nada e, após uma saída de bola errada, ainda quase levou um gol da Rússia, na melhor chance da partida até o intervalo.

No segundo tempo, Philippe Coutinho e Paulinho adiantaram posicionamento. E aí começaram a ser empilhadas as chances de gol.

O primeiro saiu na bola parada – Thiago Silva está virando um zagueiro melhor na frente do que atrás. O segundo saiu de um pênalti sofrido por Paulinho. O terceiro foi marcado pelo próprio. E antes ele havia perdido gol feito, em bela jogada de Coutinho.

Contra defesas de cinco atrás, é preciso abrir o campo. Só que não é só isso. É necessário que os meias (e até os laterais, no caso do Brasil) se infiltrem por dentro, chutem a gol de fora, tentem o drible e a tabela.

Não foi o que a seleção fez no primeiro tempo. Foi o que fez no segundo.

Há seleções que marcam melhor do que a Rússia e amistoso é amistoso. Mas este foi mais um bom teste para Tite ver o que funciona – e o que não funciona – ofensivamente.

Na fase defensiva, ficam algumas pulgas atrás da orelha. O Brasil deu espaços e oportunidades com essa formação.

 


Neste momento, Barcelona precisa mais de Mina do que de Coutinho
Comentários Comente

Julio Gomes

Que Philippe Coutinho iria para o Barcelona, todos sabíamos faz tempo. Afinal, existe uma velha máxima no futebol que a cada janela de transferência se revela verdadeira. O jogador vai jogar onde quiser jogar. A vontade dele sempre prevalece – especialmente quando falamos do altíssimo nível.

E Coutinho queria ir para o Barcelona. O Liverpool tentou bravamente segurá-lo. Jogou duro. Mas, quando não tem jeito, não tem jeito. Pelo menos ainda conseguiu surfar na onda das mega transações, e esta virou a segunda mais cara de todos os tempos – atrás apenas da de Neymar, vai virar a terceira quando o PSG pagar o combinado por Mbappé no verão europeu. A lista completa está aqui.

Os valores estão aumentando tanto e tão rápido que uma multa rescisória como a de Griezmann, do Atlético de Madri, de apenas 100 milhões de euros, parece dinheiro de pinga.

Como dinheiro de pinga será para o Barcelona, mas não para o Palmeiras, tirar Mina do clube verde seis meses antes do previsto. O Palmeiras vai se beneficiar duplamente. Primeiro, porque ganhará mais dinheiro. Segundo, porque ter Mina não será essencial no primeiro semestre.

Sim, eu sei, tem Libertadores, grupo do Boca Jrs, etc. Mas não é pela presença (ou não) de Mina que o Palmeiras vai passar ou não de fase. O Paulista é irrelevante hoje em dia, e o Brasileiro só começa para valer depois da Copa do Mundo. É até bom para Roger já treinar o time desde o começo com os zagueiros com quem contará. É melhor pegar o dinheiro, já que o Barça está querendo gastar.

E quer gastar porque precisa. Muito. Umtiti, da seleção francesa, titular da zaga, sofreu lesão grave. Mascherano foi embora para a China. Neste momento, o Barcelona precisa de zagueiro e faz-se necessária a chegada de Mina.

O colombiano é muito mais importante para os planos do clube neste semestre do que Philippe Coutinho.

Isso porque o Barça já é virtual campeão espanhol. E, por já ter defendido o Liverpool, o “mágico” não poderá atuar mais na Champions. Para voltar a ser campeão da Europa, o Barça precisa demais reforçar a defesa – e rezar para nem Messi nem Suárez se lesionarem.

Este cenário – Liga doméstica quase decidida e Champions sem Coutinho – é o que faz muita gente questionar o momento da transação.

Se ele chegasse em julho, depois da Copa, teria mais sentido para todo mundo, e Coutinho seguiria jogando a Champions pelo Liverpool, até com chances de título, por que não. Mas o Barça não quis arriscar. O mercado da bola é muito dinâmico, então era melhor resolver logo a questão.

Coutinho quer dar sequência a uma história de sucesso de brasileiros no Barcelona. Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Ronaldo, Romário, Evaristo… isso sem falar nos tantos coadjuvantes, alguns deles muito importantes para o clube (Deco, Belletti, Daniel Alves, Edmilson, etc, etc).

E chega em um momento melhor do que se tivesse sido contratado no meio do ano passado, quando o clube acabara de perder Neymar e ele chegaria com todo esse peso nas costas. Meses depois, o Barça já está recuperado daquele mercado horroroso e resolveu as coisas esportivamente antes do que todos imaginavam.

É claro que, para o futuro do clube, não há comparação entre Mina e Coutinho. Philippe chega para fazer história. Um jogador dinâmico e versátil, que pode atuar em várias posições do meio para frente. Pode fazer de Iniesta, pode fazer de Messi, pode fazer de… Coutinho. É craque. É um jogador que dá muitas alternativas táticas ao clube, e a seleção se beneficiará por ter lado a lado dois caras que começarão jogando a Copa – ele e Paulinho.

Mas, para os próximos quatro meses, Coutinho é um luxo. Mina, uma necessidade.


Explosão do mercado foi a grande notícia do futebol em 2017
Comentários Comente

Julio Gomes

Quando o Paris Saint-Germain depositou os 222 milhões de euros por Neymar, pagando ao Barcelona a multa rescisória, muitos viram aquele movimento como uma aberração do mercado. Uma distorção que só poderia ocorrer porque o PSG é um clube que na prática, pertence a um país – o Catar.

Mas é importante notar que o último mercado do verão europeu teve muitas outras transferências que implodiram recordes e mostraram que o que existe mesmo é uma tendência. O próprio Barcelona usou o dinheiro para pagar 105 milhões por Dembélé, do Borussia Dortmund, de apenas 20 anos, e 40 a um clube da China para trazer Paulinho.

Tiveram os 85 milhões pagos pelo Manchester United por Lukaku. E tantos outros negócios com volumes enormes de dinheiro. Morata do Real para o Chelsea, o Manchester City gastando centenas de milhões para trazer goleiro e laterais, a injeção de dinheiro no Milan, etc. O próprio PSG já se comprometeu a pagar outros 180 milhões de euros no meio do ano que vem ao Monaco para ter Mbappé, que por enquanto chegou por empréstimo.

De acidente, não tem nada.

A explosão do mercado foi a grande notícia do futebol em 2017. Com todo respeito ao bi europeu do Real Madrid, ao Chelsea de Conte, ao Grêmio de Renato Gaúcho, ao Corinthians de Carille e até à eliminação da gigante Itália da próxima Copa do Mundo.

Nada, no planeta bola, foi mais relevante do que a onda de transferências gigantescas.

A economia reaquece em alguns lugares da Europa, os clubes ganham mais e mais dinheiro globalmente, não apenas localmente, e existe uma corrida insana sendo disputada. O tal Fair Play financeiro foi o grande derrotado do ano e não parece passar de mais do que conversinha para boi dormir.

É uma corrida que vai ampliando o abismo dentro da própria Europa entre alguns gigantes nacionais e outros clubes menores. O que dizer então do abismo entre os gigantes da Europa e os clubes da América do Sul? Esse extremo fortalecimento e as quantias exorbitantes deixam a Champions League cada vez mais espetacular. Mas geram degradação esportiva das ligas domésticas europeias.

Precisamos ver no que vai dar.

Mas o movimento de final de ano já nos mostra que a tendência é irreversível. Nesta semana mesmo, o Liverpool anunciou a contratação do zagueiro mais caro da história. Não, não é o Baresi nem o Gamarra nem o Maldini nem o Sergio Ramos. O Liverpool pagou 75 milhões de libras (330 milhões de reais) pelo holandês Virgil Van Dijk, de 26 anos, do Southampton.

Estaria o Liverpool já contanto com um dinheiro que receberá por Philippe Coutinho? Tudo bem que a defesa do Liverpool é uma peneira e tanto. Mas 75 milhões de libras?? Uau.

É possível que o Barça finalmente consiga contratar Coutinho em janeiro ou no meio do ano e é plausível imaginar que o valor supere o pago pelo PSG por Neymar, virando a maior venda da história.

Ainda tem o climão de Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Quanto algum clube do mundo poderia pagar por ele?

Em 2018, teremos Copa do Mundo. Teremos a Libertadores com maior número de campeões na história. Teremos PSG x Real Madrid logo de cara, nas oitavas de final da Champions. Veremos e falaremos de muito futebol.

Mas, se preparem. Grandes manchetes voltarão a ser abocanhadas pelo tresloucado mercado da bola.

 


Neymar faz seu pior jogo com Tite. Tendência ou exceção?
Comentários Comente

Julio Gomes

Neymar fez contra o Equador, em Porto Alegre, aquele jogo que só gosta quem tem carteirinha do fã clube. Individualista, nervosinho, agressivo com os rivais, pouco útil para o time. Prendeu a bola, buscou dribles em vez de passes, tomou as decisões erradas.

Fez um jogo mais parecido com os dos tempos de Dunga, em que a seleção brasileira era um amontoado à espera de Neymar para resolver as coisas. Com Tite, a coisa mudou. Neymar atuou sempre pela esquerda, perto do gol e com liberdade para afunilar, se associar, entrar na área e finalizar.

Esta é a melhor versão de Neymar. Em Barcelona, ele jogava pela esquerda, mas com pouca liberdade de movimentos e com muitas obrigações defensivas. No Brasil de Tite, passou a produzir mais jogando à vontade (mas com um posicionamento).

No primeiro jogo pelo PSG, contra o Guingamp, Neymar jogou de forma anárquica. Pelo meio, vindo buscar todas as bolas, “à la Messi”, longe do gol e de seu melhor lugar no campo. Nos jogos seguintes, a coisa já se acertou e ele jogou de forma mais parecida à da seleção.

Eu acredito que a partida desta noite seja uma exceção, pelo fato de o Brasil já estar classificado. E não uma tendência, pelo fato de ele ter ido buscar liberdade e protagonismo no PSG. Mas isso é algo para vermos nos próximos jogos.

Não acredito que Tite tenha ficado feliz com a partida de seu melhor jogador. Os próximos dias terão implicações até a Copa. O treinador vai deixar isso claro internamente? Ou vai deixá-lo se sair com uma atuação assim?

Philippe Costinhas, perdão, Coutinho, por outro lado, mudou o jogo ao entrar. Ocupou a faixa central do campo, trouxe velocidade e dinamismo, empurrou Neymar para a esquerda e fez um golaço.

Com o mau jogo de Neymar e os ótimos minutos de Coutinho, capaz que o Barcelona ofereça 250 milhões de euros ao Liverpool e ainda bata no peito. A janela de transferências se fecha na Espanha nesta sexta.

A defesa não foi exigida, Willian e Gabriel Jesus foram muito bem, a estrela de Paulinho brilhou.

O time titular está testado e aprovado. Talvez, nas rodadas finais das eliminatórias, Tite possa testar jogadores e sistemas. Fica a dica.

A má notícia fica para o público. Dois terços do estádio ocupados. E o terço vazio? Certamente vazio pelos preços altos. Eles seguem achando que a seleção brasileira é só deles.


A viagem milagrosa que curou as costas de Philippe Coutinho
Comentários Comente

Julio Gomes

Philippe Coutinho não jogou ainda pelo Liverpool na temporada. Seu time teve duelos importantíssimos contra o Hoffenheim, da Alemanha, pela fase prévia da Champions League. Depois de tanto batalhar para acabar em quarto lugar no último Campeonato Inglês, faltava passar essa barreira para garantir a presença (e os milhões) no campeonato europeu mais importante.

Coutinho não estava lá.

Seu time já jogou três partidas pelo Campeonato Inglês e é o vice-líder, com sete pontos. Já precisou encarar um clássico, ontem, contra o Arsenal.

Coutinho não estava lá.

A versão oficial é de dores nas costas. Dores que não lhe impediram de se apresentar à seleção brasileira, já classificada para a Copa do Mundo, para dois jogos de eliminatórias sul-americanas. E tem mais! Santa viagem milagrosa. O jogador chegou curado!

Passou pelo Rio de Janeiro para “bater um papo” com um médico antigo de sua confiança, como mostra a reportagem de Pedro Ivo Almeida, do UOL Esporte. O diagnóstico: estresse.

Vamos falar o português claro, né. Coutinho não tem dores nas costas. O que ele tem é vontade de ir jogar no Barcelona, e o Liverpool não quer liberá-lo. Está forçando a barra para sair. Não é o primeiro e nem o último a fazê-lo, e infelizmente a maioria de casos parecidos (não todos, mas a maioria) tinha jogadores brasileiros no meio.

O jogador de futebol brasileiro de alto nível vai sendo criado em uma redoma de proteção, são mimados, paparicados e raramente contrariados. Seja por dirigentes, empresários ou até mesmo familiares. Curiosamente, a maioria deles sai de condições humanas terríveis. Da proteção nula para a proteção total.

Será que alguém teve coragem de dar um esporro em Coutinho por ter deixado seu clube na mão em um momento tão delicado, que selaria toda a temporada do Liverpool?

Coutinho não é um novato na Europa. Já completou sete temporadas por lá. Foi contratado muito jovem pela Inter de Milão, não deu certo por uma temporada e meia, foi emprestado pro Espanyol para ganhar experiência, melhorou, voltou à Itália, voltou a não dar certo e, quando já parecia ser mais um caso de brasileiro de quem muito se esperava e pouca coisa entregaria, foi parar no Liverpool.

Foi o Liverpool que apostou nele, não o Barcelona ou qualquer outro. Foi na Inglaterra, em quatro temporadas e meia, que ele cresceu, aprendeu e virou um grande. Em uma das camisas mais pesadas do mundo.

Ninguém parecia estar com uma arma na cabeça de Philippe Coutinho quando ele renovou o contrato por CINCO temporadas em janeiro deste ano, para ganhar R$ 2,5 milhões por mês. E mais: sabendo que na Inglaterra não há cláusula de rescisão. Ele tinha contrato até 2020 e fez um novo acordo até 2022, ganhando mais, logicamente.

O jogador tem direito de querer sair e ir jogar em outro lugar. E o clube tem direito de querer que o contrato seja cumprido por sua maior estrela.

O que ninguém tem direito é de deixar o outro na mão, como Coutinho vem fazendo neste início de temporada. Isso não é o que chamamos de profissionalismo.

Imaginem se o Liverpool não vende Coutinho e, só de bronca, lhe dá um ano sabático para pensar melhor na vida? O que seria da Copa do Mundo dele? Seria pouco profissional da parte do Liverpool e todos se revoltariam, certo?

Outra coisa: Coutinho tampouco tem direito de guardar em segredo o milagre da companhia aérea que cura dores nas costas. É uma poltrona mágica? Minha lombar está me matando ultimamente…

PS – se o Liverpool prometeu em janeiro, no momento da renovação, facilitar a saída ou qualquer coisa do tipo, que isso seja falado. Até para o jogador não ficar mal visto no mundo inteiro, que é o que está acontecendo.

Mais no blog: Quatro impressões iniciais da temporada europeia

Julio Gomes no Twitter

Julio Gomes no Facebook


Prévia do Inglês: a melhor Liga virou também a mais imprevisível
Comentários Comente

Julio Gomes

A Premier League já vem há anos sendo considerada a mais forte do mundo entre as ligas domésticas. Especialmente pela quantidade de dinheiro envolvido e o fato de os times médios e pequenos não serem presas tão fáceis para os grandes, como na Espanha, França, Holanda, Portugal. Por ter melhores times do que os italianos. Por ter mais concorrência do que a Bundesliga. Não tem jogo fácil. E é difícil ter jogo ruim.

O que a Premier não tinha, no entanto, era esse “componente Brasileirão”. O campeonato começa com muitos favoritos – ou sem favorito, depende do ponto de vista. Há um altíssimo índice de imprevisibilidade. Nem disso mais o futebol brasileiro pode presumir.

Vamos puxar a comparação pelas casas de apostas e seus poderosos algoritmos. Vou usar dados do Bet365, o maior site de apostas do mundo. Eis o retorno para cada dólar apostado no campeão inglês:

Manchester City – 2,70/1
Manchester United e Chelsea – 4,50/1
Tottenham – 11/1
Arsenal e Liverpool – 13/1

Para efeitos de comparação. Na Alemanha, o título do Bayern paga apenas 1,14 para cada dólar apostado. O sexto favorito da lista é o Hoffenheim, que vai disputar uma vaga com o Liverpool na próxima Champions. O título do Hoffenheim paga 81 para 1 para quem acertar.

Na Espanha, título do Real Madrid ou do Barcelona dá retorno de 1,90 para 1. Do quinto ao oitavo “favoritos” (uma lista que tem os tradicionais Valencia e Athletic Bilbao), o retorno é de absurdos 301 para 1. O retorno é assim grande por uma simples razão: não vai acontecer.

Na Itália, o título da Juventus paga 1,66 para 1. O sexto favorito é a Lazio: 67 para 1. Na França, título do PSG dá retorno de 1,14, igual ao do Bayern na Alemanha. O sexto favorito, o Nice, paga 81 para 1.

Não é possível encontrar uma liga doméstica de alto nível com seis times tão nivelados como na Premier League. Entre os dois clubes de Manchester, Liverpool e os três grandes londrinos, qualquer um pode ser campeão e qualquer um pode acabar em quinto ou sexto, fora da zona de classificação da Champions. Nenhum resultado surpreende.

Este é um dos componentes que fazem do campeonato que começa nesta sexta-feira, com o jogo entre Arsenal e Leicester, uma competição imperdível.

Além do mais, estão nele alguns dos técnicos mais badalados do planeta: Guardiola, Mourinho, Klopp, Conte, Pocchetino, Wenger. E muitos dos craques que estarão na Copa do Mundo do ano que vem.

Vamos saber um pouquinho mais dos favoritos?

MANCHESTER CITY – O clube de Guardiola foi o que mais mudou e mais gastou: 240 milhões de euros (e a janela ainda não fechou). Comprou o goleiro Ederson, do Benfica e da seleção, tirou Bernardo Silva (meia português) e Mendy (lateral francês) do ótimo Monaco, e comprou outros dois laterais-direitos: Walker, do Tottenham, e Danilo, do Real Madrid (já que Daniel Alves deu para trás para jogar com Neymar). Nasri voltou do empréstimo ao Sevilla.

A lista de dispensas também foi grande: Ileanacho, Nolito, Kolarov, Zabaleta, Fernando, Jesus Navas, Clichy, Caballero…

Não haverá desculpas para Guardiola. Como virou moda, aparentemente o City também usará um sistema com três zagueiros, mas com laterais muito mais ofensivos que os da concorrência. Gabriel Jesus (7 gols em 10 jogos na temporada passada) e Aguero devem jogar juntos no ataque, sendo municiados com gente de muita qualidade (De Bruyne, Silva, Sané, etc). É natural que seja considerado favorito ao título, mas é preciso observar se Guardiola encontrará a química. Se o time vai encaixar, parar de dar gols em saídas de bola e entender, de fato, o seu treinador.

MANCHESTER UNITED – Convencionou-se dizer que o segundo ano de Mourinho é sempre o melhor. O primeiro, apesar do futebol pobre, trouxe os primeiros títulos ao clube pós-Ferguson. Europa League, Copa da Liga, Supercopa inglesa, vaga na Champions…

O atacante belga Lukaku, de só 24 anos, chegou por 85 milhões de euros (só Neymar foi mais caro) e é promessa de gols. O sérvio Matic, volante tirado do Chelsea, um concorrente direto, e o zagueiro sueco Lindelof, de 23 anos, do Benfica, também chegam para jogar. Foram-se Rooney e Ibrahimovic. O United não vai encantar, mas vai competir. Mourinho é Mourinho, não convém duvidar.

CHELSEA – O atual campeão também fez contratações caras e relevantes: Morata chegou do Real Madrid para o ataque, Bakayoko era titular do Monaco e o zagueiro alemão Rudiger veio da Roma. Mas, ao contrário dos times de Manchester, o Chelsea perdeu jogadores muito importantes: Matic e Diego Costa.

Falem o que quiserem do atacante brasileiro, mas ele é um jogador talhado para a Premier League. Foi muito importante para o título, era um desafogo, um criador de chances onde elas não existiam. O artilheiro do time. E sua dispensa, via whatsapp de Conte, foi tão amadora que custará caro aos cofres do clube. A base do Chelsea está mantida, mas é necessário ver se os substitutos que chegam corresponderão à altura dos que se foram. E nesse ano tem Champions para o Chelsea, nada de semanas e mais semanas inteiras para descansar e treinar.

TOTTENHAM – O vice-campeão foi o time com menos mudanças. Não chegou ninguém importante e saiu Walker (para o City) da base titular. Ou seja, o Tottenham, muito bem treinado por Pocchetino, vai novamente para as cabeças. Mas não melhorou. E tem um detalhe: devido à construção de seu novo estádio, irá jogar em Wembley. Não será o mesmo time invencível em casa que foi na temporada passada, em White Hart Lane. Isso pode atrapalhar muito o sonho por um título que não vem desde 1961. Ficar entre os quatro já será uma grande conquista.

LIVERPOOL – Philippe Coutinho fica ou sai? Passará pelo Hoffenheim e entrará na fase de grupos da Champions League? Estas duas perguntas condicionam toda a temporada do Liverpool. O time foi o que fez mais pontos nos confrontos diretos entre os seis favoritos na temporada passada, mas deixou um caminhão deles contra os pequenos.

A grande compra foi o ponta egípcio Salah, da Roma. Convenhamos, nenhum time passa de quarto a primeiro na Inglaterra por ter Salah. É fundamental para o Liverpool manter Coutinho e trazer algum nome relevante – como Keita, do Leipzig. Também fundamental será conter o grande número de erros defensivos visto no time de Klopp no último campeonato. Daí a tentativa de tirar o zagueiro holandês Van Dijk, de 26 anos, do Southampton.

ARSENAL – Arsène Wenger, o longevo, segue firme e forte, para alegria de alguns, desespero de muitos. O Arsenal trouxe o atacante francês Lacazette, do Lyon, por 53 milhões de euros, mas ainda pode perder Alexis Sanchez, assediado por City e PSG. Se o chileno não for vendido nesta janela, sairá de graça ao final da temporada. O Arsenal não disputará a Champions pela primeira vez em duas décadas, quem sabe assim Wenger conseguirá fazer o time ser mais consistente e brigar por algo mais do que o tradicional quarto lugar dos últimos tempos.

E o resto dos times?

Uma menção ao Everton, que pegou o dinheiro de Lukaku e investiu em alguns nomes como o goleiro Pickford, do Sunderland, o zagueiro Keane, do Burnley, o ótimo meia Klaassen, do Ajax, e o atacante Sandro, do Málaga, ex-Barça. Wayne Rooney também está de volta à casa e pode ajudar com sua experiência. O holandês Ronald Koeman segue no comando técnico.

Outro holandês conhecido, Frank de Boer, será o técnico do Crystal Palace. O Leicester, improvável campeão em 2016, efetivou Criag Shakespeare, que levantou o time após a dispensa de Ranieri. Tão procurados no verão passado, Mahrez e Vardy seguem por lá, e o clube gastou 27 milhões de euros para tirar o promissor atacante nigeriano Ileanacho, de 20 anos, do Manchester City.

O supertradicional Newcastle, que sempre gastou muito (e mal), bateu e voltou da segunda divisão. O técnico espanhol Rafael Benítez segue no cargo, e o clube fez algumas contratações modestas para não repetir o vexame.

Não ao cai-cai

A cultura na Inglaterra é a de que jogadores que simulam fazem mais mal ao jogo do que jogadores que quebram pernas alheias. E a Premier League decidiu ser mais dura com os simuladores.

Um grupo de especialistas (cada painel será formado por um ex-árbitro, um ex-técnico e um ex-jogador) irá rever as imagens da rodada a cada segunda-feira. Jogadores que tiverem simulado faltas na área ou fingido agressões serão automaticamente suspensos por duas partidas – caso haja unanimidade no painel. Caso ele tenha conseguido o pênalti ou a expulsão de um rival com sua simulação, a punição será ainda maior.

Supercopa da Inglaterra: 

6/8/17 Arsenal 1 x 1 Chelsea (Arsenal 4 a 1 nos pênaltis)

Maiores campeões ingleses: Manchester United (20), Liverpool (18)

Campeões nos 25 anos desde a fundação da Premier League: Manchester United (13), Chelsea (5), Arsenal (3), Manchester City (2), Leicester (1), Blackburn (1)

Previsões:

Título: Manchester City
Vice: Manchester United
Vagas na Champions: Chelsea e Tottenham
Artilheiro: Lukaku (United)
Melhor jogador: De Bruyne (City)
Na TV: ESPN tem exclusividade

Primeira rodada:

Sexta
15h45 Arsenal x Leicester

Sábado
8h30 Watford x Liverpool
11h Chelsea x Burnley
11h Everton x Stoke City
11h Crystal Palace x Huddersfield Town
11h Southampton x Swansea
11h West Bromwich x Bournemouth
13h30 Brighton x Manchester City

Domingo
9h30 Newcastle x Tottenham
12h Manchester United x West Ham

 


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>