Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Palmeiras

Centroavante no Corinthians? Para quê?
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Julio Gomes

Se você tem um baita meia criativo, que se associa, dá assistências, tem chegada e brilha, você escala. E se não tiver esse jogador? Se vira de outro jeito, ora pois.

Se você tem um atacante como Jô, que faz boas paredes, faz gols, se movimenta, incomoda a saída de bola rival, você escala. E se não tiver? Se vira de outro jeito, ora pois.

Carille tentou Kazim, Júnior Dutra, o Corinthians está no mercado, agora trouxe Alex Teixeira. Mas talvez a solução seja um pouco mais evidente: jogar de outro jeito. Nenhum desses caras se assemelha a Jô.

Aliás, cada vez mais é difícil encontrar jogadores como Jô. Porque centroavantes mais pesados podem limitar times taticamente, tanto na fase ofensiva quanto, talvez principalmente, na defensiva. Se o cara não faz tudo o que Jô fez no ano passado, o time é prejudicado.

Centroavante não é goleiro. Não é figura obrigatória em campo. Dá para jogar com, dá para jogar sem. Dá para ganhar com, dá para ganhar sem.

Quer um exemplo de time que deveria ter jogado sem centroavante? O Brasil da Copa de 2014.

Jogando de outro jeito, sem um 9 fixo e nem falso 9, o Corinthians foi superior ao Palmeiras. Neste 4-2- de Carille, Rodriguinho brilhou muito, maiorias foram criadas no meio de campo, os zagueiros rivais ficaram sem referência. Não é necessário ter um homem-gol, se vários homens podem fazer gols.

E Rodriguinho hoje não fez um gol. Fez um golaço.

As polêmicas de arbitragens eu deixo para vocês. Mas, no domingo, Carille se saiu melhor que Roger. E o Corinthians mostra que está mais vivo do que nunca. Mesmo sem Jô.


Clássico sonolento expõe a época mais difícil de ver jogos no Brasil
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Julio Gomes

Entre janeiro e maio, é o buraco negro. O fundo do poço. A hora mais difícil de ver jogos Brasil afora. Principalmente, se for logo depois de algum jogo grande da Europa. É o luxo seguido do lixo.

Neste domingo, a emenda foi Liverpool 2-2 Tottenham com Palmeiras 2-1 Santos (claro, o clássico foi visto por quem está onde passou esse jogo – fora de São Paulo, tivemos outros jogos sendo transmitidos na TV aberta. Vou me ater ao que vi).

A outra dobradinha tradicional que vemos entre janeiro e maio é em meios de semana. Jogos de Champions League ou finais das Copas europeias à tarde seguidos de duelos modorrentos das fases iniciais da Libertadores e Copa do Brasil à noite. Dá depressão.

Liverpool e Tottenham, neste domingo, foi um daqueles jogos incríveis da Premier League. A 110 por hora, sem parar por um segundo sequer, de tirar o fôlego e, de quebra, com golaços, placar maluco, pênaltis e gols nos acréscimos, etc. Já Palmeiras x Santos foi um sono só.

Um jogo muito, muito, muito difícil de ver. É claro que há atenuantes, já falaremos deles. O calendário não ajuda nada, nada, nada.

Quem está emocionalmente envolvido nem precisa perder tempo cornetando aqui. É lógico que o palmeirense está feliz e o santista está triste em função do resultado e das perspectivas de cada um deles na temporada. Mas isso pouco importa, falo da qualidade do jogo. Nem mesmo o mais fanático torcedor pode estar satisfeito com o ritmo do clássico paulista. Quer fazer um teste? Tente encontrar um amigo não-palmeirense que tenha assistido aos 90 minutos e tenha gostado.

É claro que não são todos os jogos que são bons na Europa. Óbvio que não. Não me venham com aquele argumento profundo de “vá ver Getafe x Leganés então”. Falta qualidade técnica lá em muitos times. Mas os jogos são mais bem jogados, os times são mais organizados. E, o principal, as arbitragens não ficam parando tanto tudo.

No Palmeiras x Santos isso ficou claro. Tudo é falta, tudo é cartão, tudo é reclamação, tudo é motivo para ficar rolando no chão. Os árbitros são permissivos, e os jogadores ficam o tempo todo querendo enganá-los e pressioná-los.

O ritmo de jogo já é lento por natureza, porque estamos no começo da temporada e os times estão longe do melhor momento físico. E os árbitros fazem com que esse ritmo seja ainda mais lento.

Mesmo com o placar apertado, o clássico paulista foi um sono só. Parecia ritmo de Copa de 70. Para quem viu Liverpool x Tottenham minutos antes, parecia um jogo em slow motion. O Santos achou um gol (ilegal, pois a bola havia saído pela linha de fundo segundos antes) e, ainda assim, não passou nem perto de empatar.

O Palmeiras, apesar de ter um elenco muito, mas muito, mas muito melhor que o do Santos, nunca apertou, nunca fez valer a superioridade. Roger tem escalado sempre o que tem de melhor, colecionado vitórias com segurança e está ganhando a tranquilidade que outros não tiveram para trabalhar. Está sendo inteligente.

A superioridade do Palmeiras só ficará mais clara conforme a temporada avance. O grande vilão, para todos, é o calendário. Ninguém teve nem pré-temporada.

Virão as finais dos Estaduais, com algumas partidas mais emocionantes, porque serão clássicos e jogos eliminatórios. Acabará a temporada europeia. Virá a Copa do Mundo. E, lá para agosto, o Brasileirão, com times mais prontos e melhores fisicamente, passará a ter partidas melhores.

No segundo semestre, chegam também as fases agudas de Libertadores e Copa do Brasil. É o que nos resta. Esperar. E tentar não dormir.


Torcedores coniventes atacam quem não deve e dão carta branca à cartolagem
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Julio Gomes

Lucas Lima saiu do Santos, e o clube não ficou com um tostão. Gustavo Scarpa saiu do Fluminense, e o clube não ficou com um tostão.

Estamos em 2018 e ainda tem gente falando de Lei Pelé e demonizando empresários. Estamos em 2018, era do jornalismo sob ataque no mundo todo, e quando um colega levanta algumas suspeitas na relação entre Cruzeiro e “investidores”, o que a torcida faz? Cria uma super hashtag xingando jornalista e emissora. “Campanha” que ganha apoio de outras torcidas.

O que se quer do futebol, afinal?

Está ficando cada vez mais claro que o torcedor tem o que merece. Clubes falidos. Um futebol falido.

Sempre tratamos aqui o torcedor como vítima. Eu tenho sérias dúvidas se ele é vítima do estado atual das coisas. A meu ver, tem responsabilidade. Muita.

Claro que a imprensa também tem. E claro que a cartolagem tem muito mais. Em ambos os casos, o que vemos são muitos “profissionais” atuarem como… torcedores.

É muito simples ficar lamentando o fato de o Palmeiras ter mais dinheiro que os outros e poder pagar a Lucas Lima e Scarpa salários que outros não podem. É muito simples também ficar xingando jornalista que “fala mal do seu clube”. O mais fácil de tudo ainda é reclamar da Lei Pelé ou da famosíssima conspiração do eixo Rio-SP – um devaneio de quem nunca colocou o pé em uma redação para saber como funciona.

Empresários também existem na Europa. A “Lei Pelé”, as equivalentes dela, também. O fatiamento de jogadores entre clubes grandes e pequenos (ou seja, empresários) segue existindo aqui, em um claro movimento de burlar a tentativa que a Fifa fez de acabar com isso em 2015. Aqui leis existem para serem dribladas, não cumpridas.

O que quero ver mesmo é quando vai chegar o momento em que torcedores de futebol cobrarão os dirigentes de seus clubes. Não por resultados e títulos. E, sim, transparência e responsabilidade financeira.

Como instituições como Santos e Fluminense perdem ativos desta forma e fica por isso mesmo?

Não, não estou falando de uso de violência ou de faixinha inofensiva na arquibancada.

Tivemos dois movimentos recentes em nosso futebol em que agentes externos entraram na jogada para criar regras de responsabilidade aos clubes.

Um foi o movimento Bom Senso, que partiu de jogadores. Queriam apenas receber em dia. A pauta se ampliou. Tudo ali beneficiava o futebol e os principais atores do futebol (os jogadores). Deu no quê? Nada. Qual foi o apoio das arquibancadas? Nenhum. Zero. Basicamente quem vai ao estádio escolheu um lado: o da cartolagem.

O segundo movimento foi o Profut, um refinanciamento de dívidas promovido pelo governo federal, que exigiria contrapartidas de transparência e responsabilidade.

Mais uma vez, qual foi o apoio popular? Zero. Nenhum. O Profut já sofreu modificações, sempre beneficiando clubes e cartolagem. E, claro, a “bancada da bola” no Congresso conseguiu o que queria. Não sem antes ter feito todo o possível para derrubar a ex-presidente da República que, entre tantas críticas que merecia, pelo menos era a única política com ojeriza da cartolagem e que parecia a fim de desafiá-los (por questão pessoais).

As dívidas trabalhistas dos principais clubes brasileiros superam DOIS BILHÕES de reais. Isso mesmo, dois bilhões. Entre impostos e outras dívidas, os clubes devem mais de seis bilhões.

Grande parte deste dinheiro é teu. É nosso. São dívidas com os cofres públicos. E ninguém faz nada. Só querem saber de vitórias e títulos.

É como se dentro de uma casa pai, mãe e filhos quisessem só gastar em festas e fazer festas, sem nenhuma preocupação com alimentação, estudos e o uso responsável do dinheiro. Que família daria certo agindo assim?

Vou repetir. Dois bilhões em dívidas trabalhistas.

Eu teria feito o que Gustavo Scarpa fez? Não. Parece ingratidão? Sim. Mas eu também não sei os detalhes do que passou este rapaz no clube. O que sabemos é que ele não recebia o que o clube deveria pagá-lo. Será que ele é mesmo o grande vilão?

E os torcedores do Fluminense que xingam Scarpa e os santistas que xingam Lucas Lima deveriam estar se perguntando, na verdade, quem são os verdadeiros responsáveis pelo que aconteceu.

Deveriam estar cobrando dirigentes, em vez de estar votando neles e colocando esses caras como nossos representantes no Congresso. Que tipo de gente passa a mão na cabeça de dirigente que leva cocaína para lá e para cá em helicóptero em troca de alguns títulos?

Vocês acham mesmo que a Premier League é o que é e o nosso futebol é o que é porque a Inglaterra é rica e o Brasil é pobre?

Enquanto o torcedor, essa peça tão fundamental da equação, continuar se eximindo de suas responsabilidades e atirando flechas nos alvos errados, os clubes continuarão ladeira abaixo. E quem parece ser a exceção (e digo “parece” porque já tenho anos demais e cabelos de menos para acreditar em contos de fadas) atropela a concorrência, como o Palmeiras vem fazendo.

 

 


Neste momento, Barcelona precisa mais de Mina do que de Coutinho
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Julio Gomes

Que Philippe Coutinho iria para o Barcelona, todos sabíamos faz tempo. Afinal, existe uma velha máxima no futebol que a cada janela de transferência se revela verdadeira. O jogador vai jogar onde quiser jogar. A vontade dele sempre prevalece – especialmente quando falamos do altíssimo nível.

E Coutinho queria ir para o Barcelona. O Liverpool tentou bravamente segurá-lo. Jogou duro. Mas, quando não tem jeito, não tem jeito. Pelo menos ainda conseguiu surfar na onda das mega transações, e esta virou a segunda mais cara de todos os tempos – atrás apenas da de Neymar, vai virar a terceira quando o PSG pagar o combinado por Mbappé no verão europeu. A lista completa está aqui.

Os valores estão aumentando tanto e tão rápido que uma multa rescisória como a de Griezmann, do Atlético de Madri, de apenas 100 milhões de euros, parece dinheiro de pinga.

Como dinheiro de pinga será para o Barcelona, mas não para o Palmeiras, tirar Mina do clube verde seis meses antes do previsto. O Palmeiras vai se beneficiar duplamente. Primeiro, porque ganhará mais dinheiro. Segundo, porque ter Mina não será essencial no primeiro semestre.

Sim, eu sei, tem Libertadores, grupo do Boca Jrs, etc. Mas não é pela presença (ou não) de Mina que o Palmeiras vai passar ou não de fase. O Paulista é irrelevante hoje em dia, e o Brasileiro só começa para valer depois da Copa do Mundo. É até bom para Roger já treinar o time desde o começo com os zagueiros com quem contará. É melhor pegar o dinheiro, já que o Barça está querendo gastar.

E quer gastar porque precisa. Muito. Umtiti, da seleção francesa, titular da zaga, sofreu lesão grave. Mascherano foi embora para a China. Neste momento, o Barcelona precisa de zagueiro e faz-se necessária a chegada de Mina.

O colombiano é muito mais importante para os planos do clube neste semestre do que Philippe Coutinho.

Isso porque o Barça já é virtual campeão espanhol. E, por já ter defendido o Liverpool, o “mágico” não poderá atuar mais na Champions. Para voltar a ser campeão da Europa, o Barça precisa demais reforçar a defesa – e rezar para nem Messi nem Suárez se lesionarem.

Este cenário – Liga doméstica quase decidida e Champions sem Coutinho – é o que faz muita gente questionar o momento da transação.

Se ele chegasse em julho, depois da Copa, teria mais sentido para todo mundo, e Coutinho seguiria jogando a Champions pelo Liverpool, até com chances de título, por que não. Mas o Barça não quis arriscar. O mercado da bola é muito dinâmico, então era melhor resolver logo a questão.

Coutinho quer dar sequência a uma história de sucesso de brasileiros no Barcelona. Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Ronaldo, Romário, Evaristo… isso sem falar nos tantos coadjuvantes, alguns deles muito importantes para o clube (Deco, Belletti, Daniel Alves, Edmilson, etc, etc).

E chega em um momento melhor do que se tivesse sido contratado no meio do ano passado, quando o clube acabara de perder Neymar e ele chegaria com todo esse peso nas costas. Meses depois, o Barça já está recuperado daquele mercado horroroso e resolveu as coisas esportivamente antes do que todos imaginavam.

É claro que, para o futuro do clube, não há comparação entre Mina e Coutinho. Philippe chega para fazer história. Um jogador dinâmico e versátil, que pode atuar em várias posições do meio para frente. Pode fazer de Iniesta, pode fazer de Messi, pode fazer de… Coutinho. É craque. É um jogador que dá muitas alternativas táticas ao clube, e a seleção se beneficiará por ter lado a lado dois caras que começarão jogando a Copa – ele e Paulinho.

Mas, para os próximos quatro meses, Coutinho é um luxo. Mina, uma necessidade.


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Afinal, será que mudar de técnico é bom ou mau negócio?
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Julio Gomes

O Campeonato Brasileiro chegou ao fim, e somente seis clubes acabaram a competição com o mesmo treinador do início. Corinthians, Grêmio, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Avaí.

Os outros 14 clubes trocaram de treinador. Alguns deles, mais de uma vez. Foram, no total, 20 treinadores degolados por estes 14 clubes. Isso, sem contar os interinos que assumiram por algumas rodadas e não se firmaram. Ao longo da competição, 46 profissionais diferentes ocuparam o banco de reservas de algum time por pelo menos um jogo.

Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Chapecoense e Vitória são os clubes que chegaram, entre contratados e interinos, a ter quatro técnicos diferentes em seus jogos ao longo do campeonato.

É nítido que a definição sobre contratar e demitir técnicos é feita com pouca razão e pouco conhecimento do assunto. Se formos escolher palavras para definir, de forma genérica, a atuação de dirigentes de futebol no país elas seriam amadorismo, paixão, inconsequência. Dificilmente escolheríamos profissionalismo, planejamento, responsabilidade financeira. Dirigentes, a maioria (não todos, mas a maioria) atuam como torcedores.

Mas o que esse campeonato mostra, dentro do equilíbrio incrível que marca o futebol brasileiro, é que não existe uma regra. Algumas vezes, mandar treinador embora simplesmente dá certo. Outras vezes, não.

É fato que é muito difícil um time ser campeão trocando de técnico ao longo do campeonato. Este é o oitavo seguido em que quem ganha o título mantém o mesmo treinador do início ao fim – a última exceção foi o Flamengo de 2009. Em 15 anos de pontos corridos, só três campeões mudaram de técnico ao longo do percurso, ou seja, 20% (os outros foram Santos-2004 e Corinthians-2005)

É fato também que quem ganha o campeonato costuma estar na liderança já em algum momento do primeiro turno, então nenhum dirigente é louco de demitir o técnico que está dando certo.

No caso de 2017, o Corinthians efetivou Fábio Carille e foi com ele até o fim. Outros dois clubes que não mandaram treinadores embora foram Grêmio e Cruzeiro. O primeiro, com Renato Gaúcho, mostrou bom futebol durante todo o ano, chegou à semifinal da Copa do Brasil e acabou ganhando a Libertadores. Já Mano Menezes só passou a ter vida tranquila no Cruzeiro depois do título da Copa do Brasil.

O Botafogo teve um grande ano com Jair Ventura, uma campanha heróica na Libertadores, foi à semi da Copa do Brasil e tinha tudo para acabar entre os cinco primeiros no Brasileiro. Mas despencou no último mês de jogos e acabou fora até da pré-Libertadores. Digamos que não deu tempo para demitirem Jair.

O Fluminense colocou nas mãos de Abel o projeto de lançar jovens. Não foi um bom campeonato, mas correu poucos riscos. Houve uma tragédia pessoal no meio do caminho que faria com que demitir o Abel se transformasse, também, em uma péssima ação de relações públicas.

E o Avaí, por fim, foi o único time “rebaixável” desde o início que apostou na estabilidade. Manteve Claudinei Oliveira do início ao final. Louvável. Mas não adiantou. E se o Avaí tivesse trocado de técnico? Teria se salvado? Teria caído algumas rodadas antes? Nunca saberemos.

Nós, que defendemos estabilidade e responsabilidade financeira, inclusive com regras mais rígidas para evitar a dança das cadeiras, estávamos torcendo pelo Avaí. Claro que seria o exemplo para provar o ponto. Não provou nada, admito.

De alguma forma, no entanto, a tristeza dos jogadores do Avaí, comprometidos com Claudinei, contrastou com uma aparente indiferença do Coritiba, o último rebaixado na última rodada.

Um Coritiba que no início do ano mandou embora Paulo César Carpegiani, que havia livrado o clube da queda no ano passado e foi demitido após a eliminação para o ASA na Copa do Brasil. O Coxa começou o Brasileiro com Pachequinho, trocou para Marcelo Oliveira e… não deu certo.

Como não deu certo para o Atlético-GO, que demitiu dois antes de efetivar João Paulo Sanches e ter aproveitamento melhor. Como não deu certo para o Flamengo, que com Zé Ricardo fez 29 pontos nos 19 jogos do turno (51% de aproveitamento). Sem ele, fez 24 pontos no returno (44% com Rueda). Como não deu certo para a Ponte Preta, que somou 28 pontos em 24 jogos com Gilson Kleina (39%) e apenas 11 em 13 jogos com Eduardo Baptista (28%).

Gilson Kleina e Zé Ricardo foram daquela para uma melhor, e acabaram levando Chapecoense e Vasco à classificação para a fase prévia da Libertadores.

Com Kleina, a Chape teve aproveitamento de 70% nas nove rodadas finais, não perdeu um jogo sequer e acabou como “campeã” do returno. Mas é bom lembrar que a Chape havia demitido no começo do campeonato Vágner Mancini, que depois ajudaria o Vitória a se salvar do rebaixamento.

O Vasco demitiu Milton Mendes com 25 pontos em 21 jogos, uma posição acima da zona de rebaixamento (39%). Com Zé Ricardo, teve 58% de aproveitamento e acabou em sétimo lugar.

Os casos de Chapecoense e Vasco são os casos claros de mudanças de técnico que deram certo. Isso ficou nítido também nos casos de São Paulo e Bahia.

Mas não está claro, por exemplo, se as mudanças realizadas em Palmeiras, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR fizeram os times melhorarem ou não. Será que o Palmeiras de Cuca, o Santos de Dorival, o Galo de Roger e o Atlético-PR de Baptista teriam acabado melhor ou pior do que acabaram? Impossível dizer.

Mesmo o caso do Sport é de puro palpite. Depois de assumir no lugar de Luxemburgo, Daniel Paulista empatou um e perdeu quatro dos cinco primeiros jogos. Mas ganhou os três finais, tendo a sorte de pegar Fluminense e Corinthians desinteressados nas rodadas derradeiras. O aproveitamento com Luxa era de 38%, com Daniel Paulista foi a 41%. Será que Luxemburgo não teria salvado o Sport?

Está claro que a estabilidade no comando técnico é necessária para times que estejam buscando o título. Mas e para as vagas na Libertadores? E para a fuga de rebaixamento? Não está nada claro. Dá certo para alguns, errado para outros.

 


Júlio César e Zé Roberto: dois grandes brasileiros que se vão do futebol
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Julio Gomes

A maneira de o brasileiro ver e falar de futebol é muito próxima de um moedor de carnes. Ao mesmo tempo em que ídolos são gerados em 5 minutos, reputações inteiras são moídas após um erro ou após uma escolha que não agrade à maioria apaixonada.

Júlio César e Zé Roberto não são unanimidade no futebol.

Brasileiro.

Porque em todos os grandes centros europeus eles construíram uma reputação irretocável. Especialmente, claro, na Itália e na Alemanha.

Vou contar duas historinhas que aconteceram comigo, nos anos em que tive a grande oportunidade de cobrir de perto o futebol europeu.

No fim de 2004, fui a Munique. E combinei com Zé Roberto uma entrevista para a revista “Placar”. Ele marcou o encontro para a Marienplatz. Para quem não conhece Munique, é a principal praça da cidade, uma espécie de Praça da Sé de Munique – só que um pouquinho mais limpa :-).

Achei estranho. Como assim, na Marienplatz? Assim, no meio das pessoas? E foi lá que nos encontramos. Entramos em um café e conversamos longamente. O cara era simplesmente titular do Bayern de Munique. Onde, em alguma outra oportunidade, cheguei a encontrá-lo também. Um CT incrível.

O que mais me chamou a atenção? O respeito. A maneira como as pessoas se aproximavam dele, cumprimentavam, mostravam admiração. Eu não falo mais do que meia dúzia de palavras em alemão. Mas gestos e olhares são suficientes para compreender o que estava acontecendo.

E Júlio César. Bem, sobre ele eu sempre achei o mesmo que um monte de vocês achavam ou acham. “Mascarado”.

Ledo engano. Com ele, me encontrei em Milão em 2006 ou 2007, por aí. A ideia era apenas fazer uma entrevista para a Band. Mas Júlio César abriu as portas da casa dele. Conheci Suzana Werner, brinquei com os filhos, ganhei carona. Nada me pareceu mais humano do que aquele casal de celebridades. O apartamento era muito perto do estádio San Siro. Na ocasião, ele me contou que voltava à pé das partidas. Assim, no meio do povo. “Mesmo em dia de Inter x Milan?”. “Sim”.

Em 2010, Júlio César foi indiscutivelmente (vou repetir, indiscutivelmente) o melhor goleiro do mundo. Atuações muito consistentes em uma Inter de Milão que conquistou a Europa após décadas de seca. O Brasil tem sido um grande fabricante de goleiros nas últimas décadas. Mas, depois de Taffarel, que goleiro brasileiro foi o melhor do mundo? Só Júlio César.

Mas, por não ter sido um goleiro ultravitorioso no Flamengo, por uma falha na Copa de 2010 e pelos 7 a 1, é visto com desdém por muitos aqui. Em 2010, a falha deveria ser compartilhada com Felipe Melo. E mais: uma falha não faz de ninguém um idiota, assim como um acerto não faz de alguém um craque. O futebol é cruel demais.

Em 2014, eu não teria chamado Júlio César para a Copa. Mas o que ele teve a ver com o 7 a 1? Nada. Ou quase nada. Não fosse ele, talvez o Brasil nem tivesse passado pelo Chile nas oitavas de final.

Zé Roberto foi outra “vítima” do Flamengo. Depois de anos para lá de espetaculares na Portuguesa, Zé Roberto passou a fazer parte da seleção brasileira. Foi parar em um Real Madrid estrelado, onde ele precisaria de tempo para ganhar espaço. Voltou para o Flamengo, caiu na fogueira, não foi nada demais. Portanto, nunca foi visto como o craque que sempre foi pela grande imprensa.

A partir daí, Zé Roberto foi quase campeão europeu e alemão com o pequeno Bayer Leverkusen. E foi titular por muitos anos de um gigante como o Bayern. Aprendeu alemão, se adaptou ao país. Menos mal que treinadores de futebol (especialmente Parreira e Zagallo) ignoravam as mesas redondas que sempre “escolhiam” Zé Roberto para ficar fora das convocações e times titulares da seleção.

O Brasil foi “descobrir” que Zé Roberto era bom de bola em 2006, quando ele fez uma grande Copa do Mundo em um time que deixou a desejar. Depois, triunfou no Santos, no Grêmio, no Palmeiras. Mostrou ser zero egoísta ao pedir dispensa da seleção de Dunga em 2007, “para dar lugar aos mais jovens”. Curiosamente, quando acabou o ciclo de Zé na seleção, começou o de Júlio César titular do gol. Eles estiveram pouco tempo juntos, portanto.

Zé Roberto encerrou a carreira com honras. Fez parte da reconstrução de um gigante, como o Palmeiras. Só depois de passar por times mais midiáticos ganhou um pouco do tamanho que merece.

Ainda assim, poucos colocariam Zé Roberto no lugar que merece na história do futebol brasileiro. Falei um pouco disso neste post de dois anos atrás.

Júlio César e Zé Roberto são dois exemplos a serem seguidos. De adaptação em outros países, de respeito adquirido, de profissionalismo, de capacidade técnica, de construção familiar, de lisura nos clubes por onde passaram.

Eles deixam um belo legado. Que definitivamente não pode ser minimizado por frases do tipo “ganhou o quê?”, “falhou naquele dia”, “não fez nada não sei onde”.

O Palmeiras acerta em cheio dando um cargo imediato para Zé Roberto. Espero que não seja só para parecer bacana, só para consumo externo.

Já o Flamengo deveria ter trazido Júlio César de volta muito tempo atrás. Para jogar, não dá mais. Que seja, então, para cuidar de seus goleiros, porque está precisando.

 


Quando os clubes tomarão atitudes sérias em relação aos organizados?
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Julio Gomes

Há quem diga que torcidas organizadas são um braço importante de organizações criminosas no Brasil. São parte de operações de transporte, armazenamento, etc, e contam com a “boa vontade”, digamos, tanto de elementos da polícia quanto da justiça. É um vespeiro em que ninguém quer mexer.

Os que vivemos de e para o futebol, temos um discurso muito difuso sobre os organizados. Na mídia, ouvimos críticas duras quando há atos de violência. Mas, de forma diluída, há muitos posicionamentos que nada mais fazem legitimar esses grupos. O mesmo acontece entre pessoas que trabalham nos clubes profissionais.

“São os que torcem de verdade e apoiam o time”. “Eles têm direito de xingar, porque pagam ingresso”. “É bom que os jogadores sintam um calor de vez em quando”. E por aí vai.

Eu entendo que dirigentes de futebol tenham medo de encarar esse problema de frente. Afinal, estamos falando de pessoas de carne e osso, que recebem ameaças pesadas e não querem ter suas famílias afetadas por marginais. É complicado mesmo.

Mas quem assume uma posição de liderança em um clube de futebol quer o quê? Só as benesses do cargo? Quer poder e projeção, mas quer empurrar problemas para baixo do tapete?

No caso do Palmeiras, as notícias que chegaram (como esta aqui, publicada em janeiro pela Folha), são de um rompimento do ex-presidente, Paulo Nobre, com a Mancha, principal organizada. A relação com a Mancha teria sido também o pivô do afastamento entre Nobre e o atual presidente, Maurício Galiotte. A Crefisa, principal financiadora do clube, bancou também o Carnaval da Mancha, como se noticiou na época.

Depois da lamentável ação da torcida antes do jogo entre Palmeiras e Flamengo, Galiotte soltou uma nota oficial dizendo que “manterá a política de não conceder privilégio às torcidas organizadas”.

Só neste ano, tivemos o Corinthians recebendo torcedores organizados para uma “reunião” com os jogadores quando o time afundava na crise de resultados no segundo turno. O São Paulo fez o mesmo, recebeu organizados quando ocupava a zona de rebaixamento. No Santos, no Inter, no Vasco, na Ponte Preta e até na Chapecoense vimos e vemos este tipo de torcedor agir com violência e intimidação em 2017. Vimos aquela cena horripilante antes do Coritiba x Corinthians, no primeiro turno.

Eles se consideram (e parece que são mesmo) donos dos clubes. Legítimos e únicos representantes. O resto é torcedor de sofá, que não tem voz nem importância. E é assim em todos os clubes profissionais do Brasil, do maior ao menor.

Vamos lembrar que as torcidas organizadas usam nomes e símbolos que só deveriam ser explorados comercialmente pelas entidades. Estrangular as torcidas financeiramente seria algo relativamente fácil. Basta clubes e autoridades quererem.

Mas querem?

Haveria algum tipo de problema nos estádios durante os clássicos se o espaço da torcida visitante fosse ocupado por torcedores não organizados? Por famílias, vamos. E se na torcida mandante não estivessem os organizados do time anfitrião? Será que não há medidas mais dolorosas, mas também mais eficazes e democráticas do que a tal “torcida única”?

Alguém já notou como os organizados são majoritariamente os torcedores presentes quando qualquer time grande joga fora de casa? Seja pelo Brasileiro seja pela Libertadores. Seja em um campo a 100km de distância da cidade do clube, seja no México, seja no Japão.

Quem paga por isso? Quem financia essas viagens? E o que é levado e trazido nessas viagens? O que acontece nas estradas durante essas rotas?

Será que, se houvesse menos subsidio oficial a esse tipo de gente, não seria possível baratear os ingressos para o “torcedor comum”?

Eu me permito não acreditar na nota do Palmeiras, assim como não acredito em quase nada do que dizem os dirigentes do futebol brasileiro. Acreditarei quando não vir mais organizados nos estádios, quando os ingressos para os setores destinados a eles estiverem nas mãos, por exemplo, de instituições de caridade ou de pessoas de baixa renda, por exemplo, das escolas públicas da região.

Acreditarei quando clubes não admitirem mais essas “visitas” e passarem a atuar financeiramente contra essas instituições.

Por enquanto, aos meus ouvidos, as palavras do presidente do Palmeiras são tão sólidas quanto as pipocas que voaram em direção ao ônibus do time.

Espero que o tempo me desminta.


Brasileiro, ato 34: mini Rio-SP mostrará caminhos para a Libertadores
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Julio Gomes

Com a disputa pelo título encerrada – basta saber quando o Corinthians será campeão matematicamente -, as cinco rodadas finais do Brasileiro terão jogos valendo Libertadores e fuga do rebaixamento. E dois clássicos entre cariocas e paulistas dirão muito sobre o futuro dos clubes envolvidos na competição.

No domingo, o Palmeiras recebe o Flamengo no Allianz Parque e, se não se recuperar após as derrotas para Corinthians e Vitória, estará colocando a posição no G4 em risco. Se vencer, o Flamengo ficará a um ponto do Palmeiras. E o Botafogo, que neste sábado abre a rodada contra o Atlético-PR, é outro que pode se aproximar ainda mais.

Jogarão também Vasco e São Paulo no Maracanã, dois dos quatro melhores times do returno – o melhor, por enquanto, é o Botafogo. Vasco e São Paulo não olham para o G4, mas olham para uma vaga na pré-Libertadores. É bom lembrar que o G6 vai virar G7 se o Cruzeiro estiver entre os seis primeiros, e pode virar G8 se o Grêmio for campeão da Libertadores ou até G9, se o Flamengo vencer a Sul-Americana e estiver entre os primeiros do Brasileiro.

Como há essa indefinição, e ela vai perdurar até as duas rodadas finais do campeonato, é importante estar bem posicionado. O Vasco, que só perdeu 1 de 11 jogos com Zé Ricardo, estará consolidado entre os oito primeiros se vencer o São Paulo. Já o time paulista, que perdeu a chance de ganhar a quarta seguida ao tropeçar na Chape, no Pacaembu, já se afastou do rebaixamento e precisa ganhar no Maracanã para sair da “zona morta” da tabela e entrar na briga pela Libertadores. O jogo é um divisor de águas nesse sentido.

Outro confronto direto de Libertadores reúne Bahia e Atlético-MG. Na parte de baixo da tabela, o duelo que mais chama a atenção reúne Coritiba e Ponte Preta. É um confronto direto e, se o Coxa vencer, fica muito tranquilo na luta contra o rebaixamento, afundando a Ponte de vez.

Aqui vão os prognósticos da rodada.

SÁBADO

17h Botafogo x Atlético-PR (Engenhão)
Turno: 0-0
Prognóstico: Fogo 1-0
Aposta: menos de 2,5 gols
O Botafogo é líder do returno porque começou ganhando cinco de seis jogos. Desde setembro, não encaixa duas vitórias seguidas e precisa quebrar essa escrita para buscar o Palmeiras e entrar no G4. O Atlético-PR não faz gol há três jogos e não terá Gedoz nem Nikão, mas Guilherme volta ao time. Parece que vai acabar o campeonato na zona morta, mas se continuar perdendo muito o Z4 pode virar um fantasma, pois ainda jogará fora de casa contra Ponte e Avaí.

19h Corinthians x Avaí (Itaquera)
Turno: 0-0
Prognóstico: 0-0
Aposta: menos de 2,5 gols
Sem Cássio e com a lesão de Walter, o Corinthians terá no gol o jovem Caíque, terceiro goleiro. Jô, suspenso, também está fora. Basicamente, portanto, o Corinthians não terá seus dois jogadores mais importantes no campeonato e enfrenta um adversário para quem um pontinho será um espetáculo. Jogo deve ser amarrado e duro de ver em Itaquera.

DOMINGO

17h Vasco x São Paulo (Arena da Baixada)
Turno: SPFC 1-0
Prognóstico: 1-2
Aposta: melhor fugir!
São dois dos times mais consistentes do returno. Um dia, chegaram a estar ameaçados de rebaixamento, principalmente o São Paulo, mas este é um pesadelo distante e agora a hora é de pensar em Libertadores. Com Zé Ricardo, o Vasco só perdeu um jogo e nunca tomou mais de um gol na mesma partida. A questão é: como estarão as arquibancadas de São Januário? Torcedores unidos para apoiar o time ou um clima de guerra pela divisão política do clube? O Vasco não vence o São Paulo em casa desde maio de 2005. Desde então, foram 20 jogos entre eles, com 12 vitórias são-paulinas e 2 vascaínas (mas ambas como visitante). Jogo de difícil prognóstico.

17h Palmeiras x Flamengo (Allianz Parque)
Turno: 2-2
Prognóstico: 2-2
Aposta: ambos marcam
Quem olhasse a tabela antes do início do campeonato poderia usar uma caneta marca-texto e marcar este clássico na 34a rodada como um possível jogo de implicações de título. Ledo engano. Os dois elencos milionários do futebol brasileiro não fizeram um campeonato nem perto de suas possibilidades e agora jogam por uma vaga no G4 – e olhe lá, porque do jeito que vão as coisas ficarão abraçados com vagas de pré-Libertadores. Desde 2010, o Flamengo só venceu 1 de 12 jogos contra o Palmeiras, que leva vantagem no retrospecto histórico. Ainda sem Borja e Mina, o Palmeiras deve ter William de volta ao ataque, enquanto o Flamengo terá a defesa reforçada por Juan. Paquetá, que jogou muito bem pelo meio contra o Cruzeiro, segue no time substituindo Diego.

17h Grêmio x Vitória (Alfredo Jaconi, Caxias do Sul)
Turno: 1-3 Grêmio
Prognóstico: Grêmio 2-1
Aposta: coluna 1
Depois de seis jogos sem vencer, o Vitória finalmente ganhou uma – e em casa. O que já foi suficiente para sair da zona de rebaixamento. O jogo será em Caxias do Sul porque a Arena Grêmio irá receber um show, o que deixou Renato Gaúcho indignado. Com as duas últimas vitórias, o Grêmio está mais do que consolidado no G4, uma garantia, pois nunca se sabe o que acontecerá na final da Libertadores. Se ganhar mais essa (Grohe, Cortez e Edilson são os desfalques, do meio para frente joga todo mundo), o Grêmio pode usar reservas a vida toda no Brasileiro, com a certeza de que estará na fase de grupos da próxima Libertadores. O Vitória ganhou em Porto Alegre ano passado, o que não acontecia desde 2005.

17h Atlético-GO x Sport (Olímpico)
Turno: Sport 4-0
Prognóstico: 1-2
Aposta: coluna 2, com empate anula aposta
Pior time do returno, com apenas uma vitória, o Sport tanto fez que entrou na zona de rebaixamento e em um momento para lá de crítico do campeonato. Agora, contra o lanterna Atlético-GO, mesmo jogando fora e sem Diego Souza, é vencer ou vencer. Não adianta mais somar de um em um. O Dragão perdeu as últimas quatro em casa e ganhou só uma das últimas 12 partidas, já sabe que será rebaixado.

18h Bahia x Atlético-MG (Fonte Nova)
Turno: 0-2 Bahia
Prognóstico: 2-2
Aposta: mais de 2,5 gols
Assim como os clássicos entre paulistas e cariocas, este é também um jogo com implicações de Libertadores. Para o Bahia, já livre do rebaixamento muito antes do que o mais otimista torcedor imaginava, seria um prêmio e tanto. O time encaixou com Carpegiani e vai fazer estragos nas rodadas finais. Para o Atlético, dadas as expectativas antes do início do campeonato, seria um prêmio de consolação para lá de aceitável. Enquanto o Bahia, que é bom mandante, ganhou quatro, empatou duas e perdeu só uma com Carpegiani, o Galo, que é otimo visitante, ganhou quatro, empatou duas e perdeu duas com Oswaldo de Oliveira. Os últimos quatro duelos entre eles acabaram em empate em Salvador, e o Bahia não vence o Galo em casa desde 2002.

19h Cruzeiro x Fluminense (Mineirão)
Turno: 1-1
Prognóstico: Cruzeiro 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
O Cruzeiro ganhou só um dos últimos cinco jogos, era normal que o time caísse de rendimento após o título da Copa do Brasil. O Fluminense ganhou um de quatro e parece claro o destino: acabar na zona morta da tabela. Nem cai nem briga por nada lá em cima. O Flu joga sem Henrique Dourado, artilheiro do campeonato.

19h Coritiba x Ponte Preta (Couto Pereira)
Turno: Ponte 4-0
Prognóstico: Coxa 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
Com Eduardo Baptista, a Ponte conseguiu duas vitórias por 1 a 0, empatou um jogo e perdeu seis. O péssimo momento contrasta com o do Coritiba, que não perde há cinco jogos e, se vencer a rival direta, fica em situação muito confortável para evitar o rebaixamento. Para o Coxa, é a chance de respirar de vez. Para a Ponte, é final de campeonato. Típico confronto em que, historicamente, quem joga em casa, vence. Última vitória da Ponte em Curitiba foi 16 anos atrás. Com dois gols marcados nos últimos cinco jogos, Baptista promete escalação ofensiva.

SEGUNDA

20h Chapecoense x Santos (Arena Condá)
Turno: Santos 1-0
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir!
Com Gilson Kleina, a Chape ganhou uma e empatou três. De pontinho em pontinho, vai ficando longe do rebaixamento – o que seria praticamente um título após a tragédia de um ano atrás. O Santos é um dos times mais difíceis de prever neste campeonato. Vive em litígio com a torcida e joga sem Bruno Henrique, mas está em terceiro na tabela e quer se garantir com vaga direta na Libertadores. Jogo tem cheiro de empate.


Corinthians tem tudo para ser campeão daqui a uma semana
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Julio Gomes

Aconteceu exatamente o que se esperava. O dérbi entre Corinthians e Palmeiras, no domingo, decidiu o campeonato. Quem vencesse, sairia fortalecido demais, quem perdesse pagaria o preço.

Contra o Atlético-PR, em Curitiba, o Corinthians foi mais parecido com o do primeiro turno. É nítido como o time passou a jogar com mais confiança, menos dúvidas, a consistência defensiva voltou a aparecer e até mesmo teve pênalti defendido.

Teria vencido na Arena da Baixada, não fosse a tranquilidade adquirida pelo dérbi? Nunca saberemos, mas dado o futebol que o time vinha apresentando, é plausível achar que não. E Palmeiras e Santos teriam perdido, se tivessem chance real de título? Difícil.

O Palmeiras, ainda grogue, conseguiu o feito de perder para o Vitória, em Salvador. O Vitória, pior mandante do campeonato, ganhou em casa pela primeira vez após três meses e foi, junto com o Corinthians, o grande vencedor da rodada. Afinal, Avaí, Ponte Preta e Sport, concorrentes diretos contra o rebaixamento, perderam em casa.

E o Santos parece ter sentido a vitória do Corinthians em Curitiba. Não jogou com a devida faca nos dentes. Fez o primeiro e depois levou tanta pressão do Vasco que estava claro que o empate chegaria. E chegou. Cabisbaixo, levou a virada na falta cobrada por Nenê.

O Corinthians tem agora dois jogos em casa, contra Avaí (sábado à noite) e Fluminense (no feriado, quarta que vem). Ainda que o Avaí tenha melhores resultados fora de casa, o momento do campeonato é outro. É um time que só ganhou uma de suas últimas dez partidas. E o Fluminense não mete medo em ninguém, está em zona morta da tabela.

Com duas vitórias nestes jogos, o Corinthians chega a 71 pontos. Já não poderia mais ser alcançado por Santos e Palmeiras. O Grêmio ainda poderia chegar a 72 pontos, mas tem poupado jogadores pensando na final da Libertadores e é muito capaz que perca algum ponto contra o Vitória (em Caxias do Sul) ou São Paulo (na Arena).

Daqui a uma semana, o Corinthians muito provavelmente já será o justo campeão brasileiro.