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Corinthians é quem corre mais risco entre os brasileiros na Libertadores
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Julio Gomes

A quinta-feira foi ótima para os brasileiros na Libertadores da América. Para o Palmeiras, logicamente, que jogou muito bem, ganhou e se garantiu em primeiro lugar de um grupo complicado, mas também para Cruzeiro e Flamengo, mesmo sem entrar em campo.

O Santos já estava classificado, o Cruzeiro se garantiu ontem com a derrota da Universidad de Chile (só uma goleada histórica eliminaria os mineiros que têm 16 gols de vantagem de saldo), o Grêmio está encaminhado, o Flamengo ficou encaminhado com a derrota do Santa Fé para o River. O Corinthians é quem está em situação menos tranquila para o restante da competição na fase de grupos – claro, estou tirando da conta o já eliminado Vasco, que não corre risco algum, pois já está fora.

Após tantas eliminações seguidas na fase de grupos, o Flamengo está a uma vitória ou dois empates de avançar ao mata-mata. Ele entra se ganhar do Emelec, que está praticamente fora, com um Maracanã que certamente estará lotado.

Se bobear e empatar no dia 16 de maio, o Flamengo ainda precisará só de um empate contra um já classificado River Plate. E poderá entrar mesmo com derrota na Argentina.

Pensando apenas na classificação, o Flamengo tem uma situação mais confortável que a do Corinthians. Apesar de ser líder do grupo 7, o Corinthians tem desfalques importantes para as duas rodadas finais e a situação da chave é bem complexa. Qualquer um pode entrar e, o principal, está claro que qualquer um pode ganhar de qualquer um.

Se o Corinthians perder do Lara, na Venezuela, será obrigado a vencer o Millionarios na última rodada – mas o time colombiano pode chegar a este jogo também vivíssimo na briga pela classificação (ao contrário da situação atual do Emelec, rival do Flamengo).

Não estou dizendo que a situação do Corinthians é ruim. Não é. É boa, até. A classificação segue muito próxima e acredito que ela virá para o time de Carille.

Mas, entre os brasileiros vivos, é quem corre mais riscos. Até, repito, pelo elenco curto e as lesões recentes. É uma situação matematicamente boa, mas pior que a dos outros brasileiros.

O Palmeiras, com 13 pontos, é o melhor time da competição até agora. Se vencer o Junior Barranquilla, garante a melhor campanha e a vantagem de decidir em casa contra qualquer um no mata-mata.

O Cruzeiro se garantiu com a derrota da Universidad de Chile para o Racing, ontem. A diferença é só de três pontos, mas de 16 gols de saldo. Se vencer o Racing na última rodada, o Cruzeiro ainda acaba o grupo em primeiro, depois do início claudicante.

O Santos, que pegou o grupo mais moleza entre todos os brasileiros, precisa só vencer o fraco Real Garcilaso para se garantir em primeiro.

E o Grêmio, que também pegou um bom grupo, lidera e enfrenta os dois piores times nas rodadas finais. É uma situação muito mais cômoda que a do Corinthians – até, e este talvez seja o principal fator, pela bola que está jogando.

Entre os times não-brasileiros que começaram a competição como possíveis postulantes ao título, a situação mais delicada é a do Boca Juniors, que não depende só de si para se classificar. Deve ganhar do Alianza Lima na última rodada, em Buenos Aires, mas vai precisar torcer para o Junior Barranquilla não vencer o Palmeiras em São Paulo.

Os clubes já classificados por antecipação para as oitavas de final da Libertadores são: Libertad (Paraguai), River Plate, Racing, Cruzeiro, Santos e Palmeiras – o Atlético Nacional, da Colômbia, está praticamente dentro.


Moisés pede passagem entre os titulares do Palmeiras
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Julio Gomes

O Palmeiras fez um jogaço nesta quinta à noite em Lima, na vitória por 3 a 1 sobre o Alianza, pela Libertadores. Poderia ter vencido até por mais e só tomou um golzinho em um pênalti bobo, quando já vencia com folga.

Foi um jogo com os reservas em campo, e Roger ganhou algumas certezas. O grupo é bom mesmo, e praticamente qualquer titular tem substituto à altura.

Willian, que começou o ano como titular e perdeu espaço para Keno, jogou muito. Mas o grande nome mesmo foi Moisés, especialmente no primeiro tempo. Com chegada, movimentação pelos lados, associação com os atacantes, dois passes lindos para gol. Um jogo para lá de completo.

Vamos lembrar que Moisés foi um dos grandes nomes do Palmeiras no título brasileiro de 2016 e só perdeu espaço pela grave lesão que sofreu. É uma sombra gigantesca para Lucas Lima, que não vem agradando tanto.

Difícil imaginar que Moisés será preterido por Lucas Lima nos grandes jogos daqui para frente.

(Ainda que, depois do jogo, Moisés tenha dado a entender que concorre por uma vaga com Bruno Henrique, não Lucas Lima. Ele concorre com todo mundo, na real, pois pode jogar em muitas funções e funciona muito bem no meio ao lado de Bruno Henrique).

Com 13 pontos, o Palmeiras já se garantiu em primeiro no grupo 8 e tem a melhor campanha da Libertadores. Tem gente insinuando que o Palmeiras poderia perder para Junior Barranquilla na última rodada, para eliminar o Boca Juniors.

Me parece daquelas especulações sem fundamento algum. Se ganhar, o Palmeiras garante a vantagem de decidir em casa em todas as fases do mata-mata da Libertadores. Se perder o último jogo, pode virar o quinto ou sexto de melhor campanha. Seria um prejuízo imenso.

 


Votação anti-VAR vai assombrar o Brasileiro do início ao fim
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Julio Gomes

Faz um pouquinho mais de dois meses. Foi no início de fevereiro que os 20 clubes da Série A decidiram não utilizar o recurso de vídeo para auxiliar as arbitragens no Brasileirão.

Bastou um sábado de futebol, menos da metade da primeira das 38 rodadas do campeonato, para que a decisão levasse um gigantesco tapa na cara. Erros de arbitragem acontecem toda hora. Interpretações diferentes sobre o mesmo lance, também. O pepino mesmo, e esse pepino é solucionado pelo VAR, são os lances claros, evidentes, não passíveis de discussão.

Como o pênalti dado para o Vitória contra o Flamengo, que resultou na expulsão injusta de Éverton Ribeiro, alterando toda a dinâmica do jogo. Ou como o segundo gol do Flamengo, em impedimento grosseiro.

Nem todo o jogo tem lances tão claros, tão evidentes, de erros de arbitragem. Aqueles sem nenhum “porém”. Aqueles que, com o VAR, não existirão mais.

O Flamengo foi um dos que votaram a favor do VAR me fevereiro. O Vitória, contra.

Na semana passada, tivemos a final do Paulista e toda a polêmica do pênalti dado e “des-dado” para o Palmeiras, com a forte suspeita do VAR clandestino mudando a decisão do árbitro. Uma das coisas que mais li, ainda que o campeonato fosse outro. “O Palmeiras votou pelo VAR, o Corinthians votou contra”. E daí?

Nas entrevistas pós-jogo no Barradão, o tema foi levantado. Nos programas de todos os canais de TV, idem. Mas e daí?

E daí que esta é a sombra que vai acompanhar o campeonato todo. Um verdadeiro fantasma.

Sempre que houver erro claro, a tal votação será lembrada. “Viram? O time X votou contra o VAR, agora aguenta”. Ou então. “O time Y votou a favor do VAR, viram por quê? É sempre roubado!”.

Preparem-se. Serão 38 rodadas e sete meses e meio de lembranças da maldita votação.

Não vou colocar a lista aqui de quem votou a favor, quem votou contra e quem se absteve. Sabem o motivo? Defendo que precisamos parar de olhar para o próprio umbigo. O futebol brasileiro precisa urgentemente passar a pensar no todo, não no pedaço.

Não interessa quem votou como. Foi uma decisão coletiva contra o VAR.

Uma decisão, é claro, induzida pela CBF. Que não larga o osso, não deixa a organização do campeonato para os clubes, mas não quer se responsabilizar pela arbitragem de vídeo. Jogou o preço lá em cima. sabendo que isso geraria o que gerou.

Mas clubes que foram contra porque o VAR da CBF só seria usado no segundo turno ou os que foram contra por causa do preço alto não poderiam ter se mexido? Os que votaram a favor do VAR não poderiam ter liderado esse movimento?

Será que era tão difícil assim os clubes chegarem a um acordo, encontrarem uma situação melhor de custo e emparedarem a CBF? Os clubes são parceiros da CBF em mais este erro histórico.

A votação será lembrada durante o ano todo. Uma pena. Uma enorme pena.

 


Arbitragem será bode expiatório, mas derrota palmeirense é duríssima
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Julio Gomes

O Palmeiras vai reclamar da arbitragem. Sem razão. É preciso saber perder e é preciso saber ganhar.

A arbitragem foi muito boa no Allianz Parque neste domingo. É verdade que foi ajudada pela maioria dos jogadores, que deram o papelão que deram na primeira partida e hoje se comportaram melhor. Mas o fato é que Marcelo Aparecido de Souza controlou o jogo e os ânimos inflamados desde o início. Teve méritos.

Errou ao marcar equivocadamente pênalti de Ralf em Dudu no segundo tempo. Mas depois acertou ao ouvir o que o quarto árbitro tinha a dizer. É chover no molhado pedir o VAR. O futebol precisa disso para ontem. É também chover no molhado desconfiar da interferência externa em lances assim.

É uma pena que tenhamos de ver acertos por linhas tortas. Uma espécie de clandestinidade ajudando os árbitros a tomarem as decisões certas em campo.

Ainda assim, prefiro a desconfiança a ver uma final sendo decidida por um pênalti mal marcado.

O Corinthians começou o jogo muito bem, com Matheus Vital fazendo estragos pela esquerda. Chegou rapidamente ao gol e depois fez o que melhor sabe. Se defendeu. Se defendeu muito bem, com propriedade, tomando pouquíssimos sustos ao longo de 90 minutos.

O Palmeiras é um time superior à maioria dos outros do Brasil. Tem um elenco mais recheado, o que é importante para campeonatos-maratona, não tanto para mata-matas. Isso não quer dizer que é um time bom pra caramba. É superior, mas não é essa Coca-Cola toda. O equilíbrio (por baixo) é a marca do futebol jogado no Brasil.

Esta é uma derrota duríssima. É um clube com um orçamento muito maior que o do Corinthians, uma constelação, uma final em seu estádio, com torcida única e vantagem do empate. É uma humilhação para o palmeirense.

Qual alegria ao longo do ano será grande suficiente para apagar uma derrota como essa? Talvez somente um mata-mata contra o próprio Corinthians na Libertadores.

Roger terá de juntar os cacos, pois o Brasileiro está aí.

Reclamar do árbitro é o que farão jogadores, diretores, torcedores, etc. Mas é apenas um bode expiatório. O Palmeiras deu pouco trabalho a Cássio em 180 minutos e já havia passado do Santos na bacia das almas. Há muitas coisas para serem resolvidas na constelação palestrina.

 


Palmeiras precisa priorizar clássico e usar reservas na Libertadores
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Julio Gomes

Para quê, afinal, serve um elenco farto? Para que o nível de um clube não caia, ou caia o menos possível, quando jogadores forem trocados.

É por isso que elencos fartos e de bom nível ganham campeonatos de pontos corridos – campeonatos do estilo maratona, em que muitos jogadores perdem partidas por lesões, cartões, convocações, etc.

Um elenco farto também serve para situações como a que o Palmeiras enfrenta nesta semana.

Não há debate. A Libertadores é mais importante que o Paulista. Porém, por mais paradoxal que isso seja, a final contra o Corinthians é mais importante do que o jogo de hoje, contra o Alianza Lima, do Peru.

Dez entre dez torcedores do Palmeiras estão de olho no jogo de domingo como a coisa mais importante de suas vidas.

E, convenhamos, é assim que é o futebol. Falem o que quiser dos Estaduais (que precisam ser reformulados, não extintos). Mas é no futebol local que nasce a rivalidade, o amor pelo esporte, o interesse, a força que transformou o futebol brasileiro no mais vencedor do mundo.

Por mais que as pessoas que odeiem os estaduais advoguem o contrário, o torcedor quer mesmo é ganhar um título do rival. E, para o Palmeiras, com o investimento feito, jogando pelo empate e em casa, com torcida única, perder o Paulista para o Corinthians seria uma tragédia e tanto.

Uma tragédia que certamente afetaria as pretensões do clube nas disputas maiores.

Para o Palmeiras, perder para o Corinthians domingo teria efeitos mais graves na própria Libertadores do que perder para o Alianza Lima hoje.

Até porque o Alianza Lima não é um adversário direto pela vaga – é o mais fraco do grupo. E porque o Palmeiras criou gordura ganhando na estreia do Junior Barranquilla, fora de casa.

Se eu estivesse no lugar de Roger, não colocaria um time inteiramente reserva contra os peruanos. Um time inteiro reserva é risco demais.

Mas certamente deixaria de fora da partida os jogadores que saíram mais desgastados da batalha de sábado, em Itaquera. A melhor opção possivelmente seja manter a defesa titular e usar a fartura do elenco do meio para frente.

Poderia escalar, por exemplo, Felipe Melo, Tchê Tchê, Moisés, Guerra, Keno ou Deyverson. Nenhum deles seria titular no domingo. Se não quiser colocar só reservas, é possível usar alguém que esteja bem fisicamente para aguentar os dois trancos da semana.

Enfim, Roger tem opções. É isso, afinal, o que diferencia o Palmeiras de toda a concorrência.

O Vasco, envolvido na final do Carioca, e o Cruzeiro, no Mineiro, não vivem a mesma situação. O duelo entre eles, pela Libertadores, é decisivo, já que ambos perderam na estreia. E uma eventual perda de título estadual não teria os mesmos efeitos que teria uma derrota palmeirense.

Na última vez que um dérbi decidiu o Paulistão, em 99, o então técnico Luiz Felipe Scolari escalou reservas na decisão contra o Corinthians para priorizar a Libertadores. Mas aí estamos falando da final da Libertadores, que foi disputada entre as duas decisões do estadual. Uma situação um pouquinho diferente da atual.

O jogo da semana para o clube alviverde não é o de hoje. É domingo. É o divisor de águas da temporada palmeirense, para bem ou para mal.


Futebol brasileiro tem machões demais, jogadores de menos
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Julio Gomes

De que adianta falar do clássico? O torcedor hoje em dia vibra mais com briga do que com gol. Fala mais de porrada do que boas jogadas de defesa. Debate mais juiz do que técnico.

O Palmeiras fez um jogo sólido em Itaquera, como não havia feito contra o Santos e nem no dérbi da primeira fase. Contou com a falha de Cássio para abrir o placar. Depois, defendeu bem, cedeu poucas chances ao Corinthians – que segue com o problema crônico de criar pouco quando precisa buscar o resultado.

O Palmeiras teve chances para matar a final no segundo tempo. Teve espaço e ocasiões. Não aproveitou. Ainda assim, leva uma vantagem enorme de jogar por dois resultados no segundo jogo, diante da própria torcida.

Mas o episódio que será falado durante toda a semana será o da briga ao final do primeiro tempo.

Os dois expulsos após a confusão, Felipe Melo e Clayson, deveriam começar o jogo já com cartão amarelo. Só pela palhaçada de não se cumprimentarem no início da partida, quando os times estão enfileirados.

Se envolveram em confusão sei lá quando e não se cumprimentam. Que façam cara de nojinho. Que sejam hipócritas, sim. Mas não deem um exemplo pífio desses.

Temos uma sociedade violenta, agressiva, o futebol é um dos catalisadores para que as coisas explodam. Estamos cansados de ver isso. Para que serve dois jogadores de futebol mostrarem o total desrespeito um pelo outro antes mesmo do jogo? O que esperar que façam DURANTE o jogo?

Bem, exatamente o que fizeram. Que troquem sopapos e agressões na primeira oportunidade.

E o que gera o empurra-empurra? Qualquer coisa, não é mesmo? É o país dos machões.

Nesse caso específico, não gostei do que fez Henrique. Levou um tranco normal de Borja e quis dar de xerifão, como sempre fazem os zagueiros. Aí depois chega Dudu, que também não é exatamente amado por ninguém, para “separar”. E aí chega todo mundo.

Mas, se não fosse o tranco de Henrique em Borja, seria outra coisa. Porque qualquer coisa é motivo para os tumultos que só vemos por aqui. Raríssimos fora, frequentes nos campos do Brasil.

Porque é o país dos machões. O futebol em que antes de jogar o que os caras querem é ganhar pontos com a torcida. Cada um tem um alvo preferido e se aproveita dessas situações para dar aquela chegada, aquele tabefe, aquele safanão. Torcedores, aliás, com sangue exageradamente nos olhos.

Falta bola, sobra garganta.

O árbitro foi quase perfeito na partida. Talvez pudesse ter dado uns três amarelos para Gabriel. Mas também perdoou amarelos ao Palmeiras. Ele não quis estragar ainda mais o jogo. Fez bem.

Espero que após a partida os jogadores de Palmeiras e Corinthians vejam bem o exemplo que deram. E depois não fiquem só com palavras bonitas quando os cabecinhas vestidos com as camisas de um e de outro estejam se matando pela cidade, enquanto eles fazem churrasco juntos.

É preciso dar exemplo para ser exemplo.


‘Clássico é clássico’. Uma máxima que não esconde favoritismo do Palmeiras
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Julio Gomes

Clássico é clássico. E vice-versa, como diria o outro. Todos estamos carecas de saber disso. Já vimos várias vezes times grandes ganharem de outros times grandes mesmo quando o momento deles é diferente. Um está bem. O outro está mal. O que está mal vai lá e… pumba.

Isso acontece principalmente no Brasil, onde os clássicos são muito frequentes e historicamente sempre houve certo nivelamento entre os times. Ou seja, por mais que o momento de um fosse melhor que o do outro, o nível dos jogadores sempre foi parecido.

Agora, nos momentos em que há desnível, o melhor quase sempre ganha. É assim aqui e em qualquer lugar que exista futebol.

Não dá para se esconder nessas máximas para se isentar da análise das semifinais do Campeonato Paulista.

A diferença entre Palmeiras e Santos é brutal. Em todas as linhas. Só o goleiro do Santos é melhor que o do Palmeiras. Até Willian bigode, a meu ver, é um jogador mais valioso que Gabibol. Menos finalizador, mas bom o suficiente fazendo gols e muito melhor taticamente.

Vamos lembrar que o melhor jogador do Santos nos últimos anos agora é do… Palmeiras.

O Palmeiras tem um time mais entrosado, sistema ofensivo mais sólido, meio de campo melhor, ataque melhor, banco de reservas melhor. E essencialmente joga melhor. É um time com cara de pronto contra outro em construção, com técnico e jogadores jovens e ainda em período de evolução.

O Santos pode ganhar? Claro que pode. Futebol é futebol. Com 5min algum jogador do Palmeiras pode fazer uma bobagem, pênalti e expulsão e pronto, o jogo é outro. É por isso que amamos esse esporte.

Mas fica fácil demais dizer sempre que qualquer um pode ganhar e tudo pode acontecer. Sim, tudo pode acontecer. Mas existem tendências que precisamos tentar prever analisando o passado distante, recente o presente (anímico e físico) e o potencial técnico e tático dos jogadores envolvidos.

O Palmeiras não é pouco favorito a ganhar do Santos na semifinal. É muito favorito. MUITO.

E na outra semi? Na outra semi também temos um favorito, o Corinthians. Por ser um time melhor tecnicamente? Não. O nível é bem parecido se olharmos nome a nome. Mas o Corinthians é um time mais bem treinado e muito sólido taticamente – coisas que o São Paulo não tem, até porque o treinador tem nesta semana seus primeiros dias de treinos.

Além disso, o Corinthians decide em seu estádio e tem histórico recente muito bom contra o São Paulo.

Mas sim, há um nivelamento técnico entre jogadores. E clássico é clássico. O São Paulo pode passar. Tem muito mais chances do que o Santos.

Em uma eventual final, o Palmeiras será ligeiramente favorito contra o Corinthians. E muito favorito contra o São Paulo, tanto quanto é contra o Santos.

Não podemos negar o inegável. Eu não me escondo nas frases feitas do futebol.

 


Por que não termos clássicos só com mulheres na torcida visitante?
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Julio Gomes

A vitória do Palmeiras sobre o São Paulo marcou o último clássico da primeira fase do Paulistão. Talvez tenhamos mais nas semifinais e na final. Todos eles tiveram torcida única.

E, para esta eventualidade de termos mais clássicos, assim como para os clássicos que vêm por aí no Brasileirão, em São Paulo ou outros Estados que têm adotado a medida, eu deixo uma sugestão. Só mulheres nas arquibancadas dos visitantes.

Foram seis clássicos no Paulistão até agora. O mandante ganhou quatro deles, um terminou empatado (Santos x Corinthians) e somente um teve vitória do visitante (o Santos bateu o São Paulo no Morumbi).

Por mais que a correlação de forças seja diferente entre os quatro grandes Paulistas neste momento, podemos perceber uma tendência. Quem joga em casa, vence.

É assim na era dos clássicos de torcida única. Se somarmos os dois Brasileiros (16 e 17) e os dois Paulistas (17 e 18) com a regra vigente, os mandantes ganharam quase 70% dos pontos – foram 24 vitórias em 38 jogos (e o culpado de os mandantes não terem desempenho ainda melhor é o São Paulo).

É óbvio que o retrospecto não se deve apenas ao fator torcida única. Mas também a ele, sem dúvida.

A decisão de não permitir a entrada de torcedores do time visitante gera desequilíbrio esportivo e, também, faz com o que o ambiente perca cor, perca graça.

Tampouco tem graça vermos os setores para os visitantes sempre ocupados apenas pelos organizados, ou seja, os violentos, os encrenqueiros, aquelas pessoas que afastam tanta gente dos campos.

Fica aqui minha sugestão para o Ministério Público, neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Por que não clássicos com torcida visitante, sim, mas que apenas mulheres possam ocupar as arquibancadas?

Já poderiam colocar em prática no Paulistão.

Eu ficaria muito surpreso se tivermos problemas…


Presente em Barranquilla faz Palmeiras salvar semana dos brasileiros
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Julio Gomes

As reações de Roger na lateral do campo durante quase todo o jogo mostram bem como o Palmeiras não fez o jogo dos sonhos do técnico em Barranquilla, na estreia pela Libertadores – principalmente no primeiro tempo.

Mas o resultado, inegavelmente, foi o do sonho dos torcedores. Em um grupo encardido como este, o Palmeiras abre a Libertadores ganhando fora de casa, por 3 a 0, do time que supostamente pode ser a ameaça aos dois grandões da chave (Palmeiras e Boca).

Tem noite em que as coisas simplesmente dão errado. Foi esta a noite para o Junior Barranquilla. Começou com uma expulsão inaceitável aos 8min de jogo. Acabou com um dos pênaltis mais mal batidos da história da Libertadores.

O Palmeiras ganhou um presente dos céus quando Gutiérrez, no comecinho do jogo, levantou demais o pé em uma disputa no meio de campo e deixou a sola atingir o peito e o pescoço de Bruno Henrique. Não dá para entender o que se passa pela cabeça de um atleta profissional que faz isso. Não havia como o juiz não expulsá-lo, por mais que comprometesse o jogo.

Antes disso, Jaílson já havia feito duas boas defesas. O Junior jogou melhor que o Palmeiras no primeiro tempo, mesmo com um a menos. Porque o Palmeiras não parecia querer jogo – à exceção era Dudu que, pela direita, deitou em cima de Mier. Em uma jogada por ali, saiu o gol de Bruno Henrique.

Bruno Henrique entrou para dar mais força na marcação e acabou saindo com dois gols. Deve ganhar a posição de Tchê Tchê, é mais completo, dá mais qualidade para a saída de bola.

No segundo tempo, o Palmeiras veio com uma atitude melhor, controlou o jogo e, nas apertadas que deu, resolveu. Uma partida condicionada pela expulsão logo no começo e que um time sólido soube aproveitar.

Com o presente recebido e a eficiência para fazer gols, o Palmeiras virou o único brasileiro a vencer nesta semana inicial de fase de grupos da Libertadores.

O Corinthians não voltou com um mau empate da Colômbia. O Flamengo foi prejudicado pela arbitragem contra o River. O Grêmio poderia ter voltado com algo melhor do Uruguai. O Cruzeiro não pode se desesperar pela derrota para um bom Racing.

O resultado mais inaceitável foi mesmo o do Santos, perdendo no Peru para o time mais fraco do grupo. Preocupante.

Mesmo mostrando irritação, Roger acertou em tudo o que fez. Bruno Henrique brilhou, e Guerra, que entrou melhor do que Lucas Lima, deu o passe para o terceiro gol.

 


Centroavante no Corinthians? Para quê?
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Julio Gomes

Se você tem um baita meia criativo, que se associa, dá assistências, tem chegada e brilha, você escala. E se não tiver esse jogador? Se vira de outro jeito, ora pois.

Se você tem um atacante como Jô, que faz boas paredes, faz gols, se movimenta, incomoda a saída de bola rival, você escala. E se não tiver? Se vira de outro jeito, ora pois.

Carille tentou Kazim, Júnior Dutra, o Corinthians está no mercado, agora trouxe Alex Teixeira. Mas talvez a solução seja um pouco mais evidente: jogar de outro jeito. Nenhum desses caras se assemelha a Jô.

Aliás, cada vez mais é difícil encontrar jogadores como Jô. Porque centroavantes mais pesados podem limitar times taticamente, tanto na fase ofensiva quanto, talvez principalmente, na defensiva. Se o cara não faz tudo o que Jô fez no ano passado, o time é prejudicado.

Centroavante não é goleiro. Não é figura obrigatória em campo. Dá para jogar com, dá para jogar sem. Dá para ganhar com, dá para ganhar sem.

Quer um exemplo de time que deveria ter jogado sem centroavante? O Brasil da Copa de 2014.

Jogando de outro jeito, sem um 9 fixo e nem falso 9, o Corinthians foi superior ao Palmeiras. Neste 4-2- de Carille, Rodriguinho brilhou muito, maiorias foram criadas no meio de campo, os zagueiros rivais ficaram sem referência. Não é necessário ter um homem-gol, se vários homens podem fazer gols.

E Rodriguinho hoje não fez um gol. Fez um golaço.

As polêmicas de arbitragens eu deixo para vocês. Mas, no domingo, Carille se saiu melhor que Roger. E o Corinthians mostra que está mais vivo do que nunca. Mesmo sem Jô.