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São Paulo é o ‘azarado’ do sorteio da Libertadores
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Julio Gomes

No mesmo dia do sorteio das oitavas de final da Champions League, a Conmebol realizou o sorteio das fases preliminares e da fase de grupos da Libertadores da América 2019.

São muitos times brasileiros, e quem mais pode reclamar da sorte é o São Paulo. Quem não pode reclamar de jeito nenhum são Cruzeiro, Atlético Mineiro e Flamengo.

O São Paulo enfrentará o argentino Talleres, de Córdoba, na pré-Libertadores. Se passar, provavelmente terá como rival o Independiente de Medellín, que ficou com o vice-campeonato colombiano no último domingo. Dois mata-matas difíceis logo no começo do ano.

Na América do Sul, é sempre difícil saber quem vem pela frente. O time de Medellín sofrerá algum desmanche ou se manterá forte? De qualquer maneira, é uma camisa tradicional e uma viagem longa para a Colômbia.

O Talleres ocupa uma posição intermediária na Argentina, mas não é um rival muito diferente do Defensa y Justicia e do Colón, argentinos medianos que recentemente eliminaram o São Paulo da Sul-Americana.

Se passar dessas duas eliminatórias, o São Paulo cairá no grupo 1, com “só” o River Plate e o Internacional, além do Alianza Lima, do Peru. Pode ser o grupo da morte.

Neste ano, o Vasco passou pela pré para cair em um grupo com Cruzeiro e Racing (e ser eliminado). No ano passado, o Botafogo também caiu em um grupo da morte após passar pela pré-Libertadores, mas conseguiu carregar o momento e chegar ao mata-mata. Ou seja, já teve time se aproveitando do momento trazido pela eliminatória preliminar, já teve time que não conseguiu usar o embalo a seu favor. Vamos ver o que será do São Paulo.

Outro que tem um grupo complicadinho pela frente (no papel) é o Palmeiras, que tem pela frente o San Lorenzo, da Argentina, o Junior de Barranquilla, campeão colombiano e vice da Sul-Americana, e um time que vem da pré-Libertadores, possivelmente a Universidad de Chile.

Assim como o Inter, o Grêmio é outro em grupo que pode se mostrar difícil, com a Católica, do Chile, o Rosario Central, da Argentina, e um time que virá da fase preliminar e será, provavelmente, ou o Libertad, do Paraguai, ou o Atlético Nacional, da Colômbia.

O Atlético Paranaense está no grupo do Boca Juniors, mas os outros rivais são o Jorge Wilstermann, da Bolívia, e o Tolima, da Colômbia.

Os brasileiros que não podem reclamar da sorte, por outro lado, são o Flamengo e os dois grandes mineiros.

O Flamengo enfrentará o Peñarol, a LDU de Quito e um time da Bolívia. Nenhum bicho papão.

O Cruzeiro está no grupo com o Emelec, do Equador, o Huracán, da Argentina, e o Deportivo Lara, da Venezuela. O Cruzeiro é, desde já, o favorito a passar da fase de grupos com a melhor campanha da Libertadores.

O Atlético Mineiro está na pré-Libertadores. Primeiro, enfrenta o Danubio, do Uruguai, e depois, provavelmente, o Barcelona de Guayaquil, do Equador. Se passar, cai em um grupo acessível, com Nacional uruguaio, Cerro Porteño, do Paraguai, e Zamora, da Venezuela.

A vida do sexto colocado do último Brasileiro é, em teoria, mais fácil que a do quinto, o São Paulo.

A Libertadores não é a Champions. A América do Sul não é a Europa. Os times mudam demais, às vezes radicalmente, de um ano para o outro. No ano que vem, talvez os grupos que hoje parecem fortes sejam, na real, fracos. E vice-versa. Mas quem passará a virada de ano com mais dores de cabeça, sem dúvida, é o torcedor são-paulino.


Deyverson foi muito maior que Borja no Brasileiro
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Julio Gomes

Foi uma noite de gols ridiculamente perdidos no Campeonato Brasileiro. Damião, duas vezes, jogando fora a virada do Inter sobre o Atlético Mineiro. René dando uma bicuda, com gol livre, enquanto o Flamengo ainda empatava com o Grêmio – talvez Geromel tenha desviado, mas a finalização foi patética. Depois, no mesmo jogo, Vitinho jogou o 2 a 0 por cima, com gol livre, perdendo um tão feito quanto o que ele mesmo perdeu contra o São Paulo rodadas atrás. Pimpão, na Vila, teve a virada em seus pés nos acréscimos, mas demorou tanto que foi travado.

Mas o gol perdido da noite é o de Borja. Livre, com bola limpa, sem ser pressionado, o colombiano chutou por cima o que seria o primeiro do Palmeiras, o gol do alívio, no finalzinho de um encardido primeiro tempo contra o América no Parque.

No segundo tempo, um lance fortuito, com bola espirrada em Luan, abriu a lata. E veio a goleada palmeirense. O quarto e último gol foi de Deyverson, com suor e sangue, após a cabeçada sofrida pelo atacante no lance.

O mesmo Deyverson que, momentos antes, na celebração do gol de Luan, tentou pular em cima dos companheiros para comemorar, passou lotado e caiu no chão lá do outro lado. É realmente um cidadão com um parafuso a menos, como disseram o próprio Felipão e outros jogadores do Palmeiras ao longo do semestre.

Deyverson é um jogador mais ou menos em termos técnicos e explosivo, encrenqueiro. Mas o fato é que ele foi um dos jogadores cruciais da campanha do título palmeirense – que, se não vier no fim de semana, contra o Vasco, virá na última rodada, em casa, contra o Vitória.

O Palmeiras escolheu a Libertadores como prioridade número 1, pelo prestígio e a obsessão dos brasileiros neste torneio. Colocou a Copa do Brasil como prioridade número 2, pela grana de premiação e por ser um torneio disputado em meio de semana, como a Libertadores.

Assim, sobrou o Brasileiro como prioridade 3 (e última). E Felipão colocou, sem dó, o time reserva para jogar o Brasileiro. O mesmo fizeram Cruzeiro e Grêmio, que acabaram ficando pelo caminho no principal torneio nacional por causa disso.

Mas deu certo para o Palmeiras. E deu certo essencialmente porque boa parte do elenco tem o mesmo nível. A dupla de zaga do Brasileiro possivelmente seja melhor que a dos mata-matas. Dudu jogou tudo o que podia e fez a diferença. E Lucas Lima e Deyverson foram jogadores fundamentais no Brasileiro.

O gol de Deyverson nesta quarta, com sangue escorrendo no rosto, contrasta com o gol perdido por Borja.

Mesmo depois das eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil, quando Borja assumiu a posição de titular no Brasileiro, foi Deyverson quem apareceu mais.

O colombiano teve um bom ano, mas passou longe de ser figura importante no Brasileiro. Na foto do título, precisa estar o maluquinho Deyverson.


River x Boca é a maior final da história da Libertadores
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Julio Gomes

River Plate x Boca Juniors. Boca Juniors x River Plate. O clássico mais famoso da América do Sul, um dos maiores do mundo, decidirá o campeão da Copa Libertadores.

Será não só a primeira final entre eles, mas também a primeira final argentina da história (houve dois entre brasileiros). Até poucos anos atrás, o regulamento forçava duelos entre times do mesmo país em fases anteriores, para impedir decisões domésticas. Há um pouquinho mais de tempo, nem havia mais do que dois representantes de cada país.

River e Boca conseguiram montar ótimos times de futebol. São melhores do que os brasileiros, simples assim. Neste momento, são os dois grandes times do continente. E, quem for campeão, tem chance verdadeira de encarar um claudicante Real Madrid no Mundial de Clubes.

Aliás, você não verá argentinos falando sobre o Mundial, essa obsessão é coisa bem nossa. Ganhar a Libertadores, ainda mais em uma final com estes envolvidos, basta por si só.

A semifinal entre River e Grêmio poderia ter caído para qualquer lado, foi no detalhe. Mas a semi entre Boca e Palmeiras teve claramente um time melhor do que o outro.

O Palmeiras pagou pela covardia do primeiro jogo. Foi à Bombonera para empatar e ficará para sempre lamentando o que poderia ter acontecido, tivesse feito um jogo mais ousado e corajoso, como o Grêmio no campo do River.

O Boca fez o oposto nesta quarta à noite. Foi melhor do que o Palmeiras no primeiro tempo, jogou bola, não se preocupou em ficar fazendo cera ou antijogo. O meio de campo do Boca não rifou bola alguma e se recusou a montar uma retranca. Isso só foi acontecer por alguns minutos no segundo tempo, quando o Palmeiras conseguiu a virada e pressionava em direção ao sonho.

Mas aí o 2 a 2, marcado por Benedetto, acabou com a semifinal.

O Palmeiras fez o que dava para fazer hoje, o pepino foi a ida. Agora, restará como consolação o “Brasileirinho”, que o Palmeiras disputou com o time B – e, com o time B, chegou à ponta. Está com a mão na taça, dada a vantagem construída e a tabela restante.

Espero que a TV aberta dê, a todo o Brasil, a chance de ver essa final – a última em ida e volta, já que a Libertadores passará a ter final única ano que vem. Aliás, que bom que essa final histórica será disputada em dois estádios históricos, não em campo neutro!

Muitos clubes brasileiros têm uma história gigante, maravilhosa, torcidas e rivais, mas não há uma clássico maior do que Boca x River. É o equivalente a um Real Madrid x Barcelona na final da Champions League (o que nunca ocorreu, diga-se).

Na história da Libertadores, eles jogaram 24 vezes (a primeira delas foi em 1966), com 10 vitórias do Boca, 7 empates e 7 vitórias do River. Foram três confrontos em mata-mata e outros dois confrontos eliminatórios, em uma época em que a segunda fase levava às finais.

O Boca se deu bem três vezes (em 1978, no que era uma segunda fase equivalente às semifinais, em 2000, pelas quartas, e em 2004, pelas semifinais, passando nos pênaltis). Em 78 e 2000, seria campeão, em 2004 perderia a final para o Once Caldas.

O River Plate levou a melhor duas vezes (em 1970, no era uma segunda fase equivalente às quartas de final, e em 2015, nas oitavas, com aquele “superclássico da vergonha”, adiado após agressões da torcida do Boca a jogadores do River, com direito a gás pimenta no túnel do vestiário). O River ganharia esta competição de 2015.

O Boca Juniors tem seis títulos e busca o sétimo, para se igualar ao Independiente como maior campeão da Libertadores. O River Plate tem três títulos, o mesmo número dos brasileiros que mais vezes ganharam a competição (Grêmio, São Paulo e Santos).

É a maior final de Libertadores da história.

 


Empate no Rio deixa Palmeiras com a mão na taça
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Julio Gomes

O Palmeiras jogou fora de casa, desfalcado de várias peças importantes, com improvisação na lateral direita e com o Maracanã pulsando contra ele. Ainda assim, conseguiu um ponto valiosíssimo neste sábado, no Rio. Um ponto de título. O verde já tem uma mão na taça.

O Flamengo precisava de todas as maneiras ganhar o jogo para esquentar a briga no Brasileiro. Mas o Palmeiras virou, definitivamente, a maior pedra no sapato flamenguista nos últimos anos. Conseguiu segurar a pressão flamenguista neste sábado com uma defesa muito sólida.

Ainda faltam sete rodadas para o final do campeonato, mas o Palmeiras tem uma vantagem de quatro pontos para o Flamengo e de cinco para o Inter, que tropeçou duas vezes seguidas. Ou seja, há margem de erro. Gordura.

É verdade que o Palmeiras agora tem uma montanha para escalar contra o Boca Juniors e, em seguida, partidas duras contra Santos e Atlético-MG, no Horto. Mas, depois disso, os cinco jogos finais do Palmeiras são cinco jogos em que dificilmente algum ponto ficará pelo caminho.

Quem quiser tirar o título do Palmeiras terá de ultrapassá-lo nas duas próximas rodadas. O que é difícil de imaginar.

Luiz Felipe Scolari conseguiu o que queria, evitou a derrota no Rio. E está perto, muito perto, de seu primeiro título relevante nos pontos corridos.

 


Times brasileiros colheram o que plantaram na Argentina
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Julio Gomes

O Grêmio foi corajoso contra o River Plate. Mesmo com desfalques, jogou com inteligência, intensidade, volume. O Palmeiras foi medroso contra o Boca Juniors. Mesmo com força máxima, jogou pelo 0 a 0.

Os times brasileiros colheram na Argentina o que plantaram em seu plano de jogo.

Para o Grêmio, o 0 a 0 ou outro empate poderia até ser uma consequência de um bom jogo. A vitória foi um prêmio para o time que mereceu mais. E isso sem Luan e Everton. O time de Renato Gaúcho esfriou a torcida do River, não deu o campo que os argentinos gostam e foi quase perfeito no Monumental.

Para o Palmeiras, o 0 a 0 era o objetivo final. Poderia até ter vencido na Bombonera, dado que o Boca Juniors é um time mais limitado que o River e teve uma noite nada brilhante nesta quarta. Mas pagou o preço da covardia.

Grêmio e Boca trazem vantagens significativas para o Brasil, na semana que vem. Vantagens justas, dado o que fizeram e o que seus adversários não fizeram em campo.


Clássico é de vida ou morte para o Flamengo, não para o Palmeiras
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Julio Gomes

Muita gente vai chamar o jogo de sábado que vem, entre Flamengo x Palmeiras, de “final antecipada” do campeonato.

O Palmeiras chegará quatro pontos à frente. O Inter, se vencer o Santos nesta segunda, estará entre eles. Faltarão mais sete rodadas após o duelo direto.

Não dá para chamar de final antecipada. Assim seria se claramente o vencedor saísse do jogo com a mão na taça. Pode até ser o caso com o Palmeiras. Se o Inter tropeçar contra o Santos ou contra o Vasco, sexta que vem, no Rio, e o Palmeiras ganhar no Maracanã, já podem dar a taça. O Palmeiras precisará apenas administrar.

Mas, se o Flamengo vencer o Palmeiras, pode dizer que o Fla terá a mão na taça? Claro que não.

O jogo é de vida ou morte para o Flamengo, mas não para o Palmeiras. Se o Flamengo perder em casa e ficar sete pontos atrás, adeus título. Se o Palmeiras perder no Rio, ainda será líder do campeonato – que pegará fogo.

Um empate seria ótimo para o Palmeiras, que vai jogar desfalcado de seus laterais direitos e de seus dois principais jogadores “domingueiros”, aqueles que levaram o time à ponta no Brasileiro: Lucas Lima e Deyverson.

O jogo do primeiro turno foi de muita briga. Espero que o do segundo seja de muita bola.

O Palmeiras tem os dois jogos contra o Boca Juniors ensanduichando a partida contra o Flamengo. Devido às suspensões no Brasileiro, Scolari terá de botar alguns para jogar três partidas seguidas – ou apelar a reservas menos rodados.

É uma final para o Palmeiras, que pode por a mão na taça. Para o Flamengo, que vem de três vitórias contundentes, é vida ou morte.


Santos, voando com Cuca, pode ser fiel da balança no Brasileiro
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Julio Gomes

Santos e Paraná. Estes são os únicos dois clubes que, daqui até o fim do Brasileiro, enfrentam os três líderes da competição – realisticamente falando, únicos que podem chegar ao título: Palmeiras (59 pontos), Internacional (56) e Flamengo (55).

O Paraná, lanterna e virtual rebaixado, joga com os três em casa. Recebe o Flamengo no próximo fim de semana (rodada 30), o Palmeiras na 35a rodada e o Inter na última.

Mas quem promete mesmo ser o fiel da balança é o Santos, que visita os três postulantes à taça e busca entrar no G6, para estar na próxima Libertadores da América. Vai ao Beira-Rio na segunda-feira que vem, fechando contra o Inter a próxima rodada. Faz o clássico contra o Palmeiras na rodada 32 (4/11) e vai ao Rio pegar o Flamengo na 34 (14/11). Nas próximas cinco rodadas, que prometem encaminhar o campeão, em três delas o Santos estará frente a frente com um dos times que ocupam as três primeiras posições da tabela.

E isso é muito relevante, principalmente pelo fato de o Santos ser um dos times mais quentes do campeonato – neste momento, só o Palmeiras vive fase ainda mais consistente.

Antes da chegada de Cuca, o Santos (com Jair Ventura) havia vencido 4, empatado 4 e perdido 7, feito apenas 16 pontos, com 36% de aproveitamento (números de Z4) e, em média, mais de um gol sofrido por partida.

Desde agosto, com Cuca, o Santos ganhou 7, empatou 5 e perdeu 2 jogos no Brasileiro, aproveitamento de 62% (números de G4). A defesa levou apenas sete gols, um a cada duas partidas, e Gabriel Barbosa virou artilheiro isolado do campeonato.

Após um início ruim, de quatro jogos sem vitórias, Cuca levou ao Santos a uma ótima sequência. O time só perdeu uma das últimas 14 partidas que fez pelas três competições (está eliminado da Libertadores e da Copa do Brasil), sofrendo apenas quatro gols nesta série de jogos.

Curiosamente, Felipão reestreou pelo Palmeiras na mesma rodada de Cuca, a 17a do campeonato, antepenúltima do turno. Com Luiz Felipe Scolari, o Palmeiras está invicto no Brasileiro e tem um aproveitamento surreal, de 96%.

Se pegarmos somente este recorte do campeonato, de agosto para cá, desde as chegadas de Scolari e Cuca, o Palmeiras é o time de melhor aproveitamento, tanto que chegou à liderança, o Inter é o segundo (69% dos pontos ganhos), o Atlético-PR vem em terceiro e, o Santos, em quarto. Se tirarmos da conta os tropeços iniciais da era-Cuca, no entanto, o Santos só fica atrás do Palmeiras.

No turno, o Santos perdeu do Inter em casa (1-2) e empatou com Palmeiras (1-1) e Flamengo (1-1). Como serão os confrontos do returno, agora que o time ganhou tanta solidez e mudou de cara?

Faltam somente nove rodadas para o fim do campeonato e tudo indica que o campeão será quem estiver na frente após a rodada 34, principalmente se esse time for o Palmeiras, que tem confrontos melhores que a concorrência nas rodadas finais.

Nos jogos do primeiro turno contra os adversários que ainda têm pela frente, o Internacional somou 22 de 27 pontos possíveis. O Palmeiras fez 16, sendo 6 ainda em 5 jogos com Roger e 10 pontos em 4 jogos com Scolari). Já o Flamengo somou 14 pontos contra os adversários que tem pela frente, com derrotas para São Paulo, Grêmio e Atlético-PR, três das seis que sofreu no campeonato todo.

No pós-Copa, o Flamengo é um time com desempenho pior do que Palmeiras, Inter e o “intruso” Santos. Mas, desde a chegada recente de Dorival Jr, não sofreu um gol sequer e conseguiu vitórias contundentes em Itaquera e no Fla-Flu. E ainda tem a vantagem de fazer um confronto direto, em casa, contra o Palmeiras (sábado, 27/10).

Palmeiras e Inter, os dois melhores mandantes do Brasileiro (o Inter segue invicto em Porto Alegre), fazem cinco jogos em casa e quatro fora na reta final. Já o Fla joga quatro em casa e cinco fora.

Estes são os jogos que faltam para os candidatos ao título Brasileiro:

Rodada 30
Palmeiras x Ceará
Paraná x Flamengo
Inter x Santos

(meio de semana: Boca Juniors x Palmeiras)

Rodada 31
Vasco x Inter
Flamengo x Palmeiras

(meio de semana: Palmeiras x Boca Juniors)

Rodada 32
São Paulo x Flamengo
Palmeiras x Santos
Inter x Atlético-PR

(meio de semana: primeira final da Libertadores)

Rodada 33
Botafogo x Flamengo
Atlético-MG x Palmeiras
Ceará x Inter

(rodadas 34, 35 e 36 afetadas por data Fifa)

Rodada 34 (meio de semana)
Flamengo x Santos
Palmeiras x Fluminense
Inter x América

Rodada 35
Paraná x Palmeiras
Botafogo x Inter
Sport x Flamengo

Rodada 36 (meio de semana)
Flamengo x Grêmio
Palmeiras x América
Inter x Atlético-MG

Rodada 37
Cruzeiro x Flamengo
Vasco x Palmeiras
Inter x Fluminense

(meio de semana: segunda final da Libertadores)

Rodada 38
Paraná x Inter
Flamengo x Atlético-PR
Palmeiras x Vitória

 


Brasileiro, finalmente, tem um claro favorito
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Julio Gomes

O Brasileirão está equilibradíssimo, está todo mundo ali por perto. Mas, depois da liderança pré-Copa do Flamengo, dos resultados pós-Copa do São Paulo e da arrancada do Inter, o campeonato, agora, pela primeira vez, tem um claro favorito.

A vitória do Palmeiras no Morumbi, um estádio onde costuma se dar mal, foi muito contundente. E tem mais: o feito acontece com o time “domingueiro”. O time reserva de Felipão, que cada vez é menos reserva, até porque cada vez mais ganha reforços dos titulares, dos jogadores do time das Copas.

No Morumbi, jogou a zaga “reserva”, de Luan e Gustavo Gómez. Jogaram Lucas Lima, Hyoran e Deyverson. O mundo perfeito. Felipão conseguiu os três pontos, dar uma paulada no rival e manter o grupo inteiro de jogadores contente, sem melindres.

O Palmeiras abre três pontos do Inter, quatro do São Paulo e se mantém quatro à frente do Flamengo, que pode dar uma arrancada após ganhar como ganhou em Itaquera e com técnico novo. Se o Palmeiras ganhar do Grêmio, em casa, semana que vem, tira os gremistas da luta e dá mais um novo golpe de autoridade.

O jogo mais difícil seria o contra o Flamengo, no meio das semifinais contra o Boca Juniors. Vai ser um jogo com cheiro de final de campeonato. Depois disso, nas cinco rodadas finais, é muito difícil imaginar o Palmeiras perdendo qualquer ponto pelo caminho.

Temos um favorito, finalmente. E é o mesmo de antes de o campeonato começar.


Grêmio e Palmeiras conseguirão evitar a maior final de todas?
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Julio Gomes

Muitos clubes brasileiros têm uma história gigante, maravilhosa, torcidas e rivais. Mas pergunte a qualquer pessoa fora da América Latina qual o maior clássico do continente. Pergunte a qualquer brasileiro qual o maior clássico da América do Sul, excetuando seu próprio time.

Não tem jeito. É Boca x River. River x Boca. Determinar “o maior clássico de todos” passa por um monte de coisas.

Responda rápido: qual o maior clássico do Brasil? E o de São Paulo? E o do Rio? E o da Inglaterra? E o da Argentina?

Pois é. Não precisa ser bidu para saber que o último é o que terá o maior percentual de respostas iguais. Determinar o maior clássico de um país passa por títulos, quantidade de torcedores e, claro, pela exclusividade. A não concorrência. Boca x River é indiscutivelmente o grande clássico argentino. Sim, Grêmio e Inter fazem o único clássico gaúcho, por exemplo. E Celtic x Rangers fazem o grande clássico escocês. Em ambos os casos, não estamos falamos de um país inteiro como a Argentina, um país vencedor, berço de grandes craques e completamente apaixonado pelo esporte.

Boca Juniors e River Plate estão agora a um passo de uma inédita final de Libertadores. Inédita porque eles nunca disputaram uma decisão continental. E nem sequer houve até hoje uma final argentina.

Até pouco tempo atrás, o regulamento impedia que dois times do mesmo país disputassem a decisão. Depois, com o aumento da quantidade de clubes de cada país, o regulamento passou a dificultar, mas não impedir. Neste cenário, São Paulo e Atlético-PR, em 2005, e Inter e São Paulo, em 2006, fizeram as únicas finais, até hoje, entre times do mesmo país.

Hoje, essa regra caiu de vez. É por isso que Boca e River e Grêmio e Palmeiras não são mudados de lugar na chave, evitando uma final entre argentinos ou brasileiros, como antigamente.

Na história da Libertadores, Boca e River jogaram 24 vezes (a primeira delas foi em 1966), com 10 vitórias do Boca, 7 empates e 7 vitórias do River. Foram três confrontos em mata-mata e outros dois confrontos eliminatórios, em uma época em que a segunda fase levava às finais.

O Boca se deu bem três vezes (em 1978, no que era uma segunda fase equivalente às semifinais, em 2000, pelas quartas, e em 2004, pelas semifinais, passando nos pênaltis). Em 78 e 2000, seria campeão, em 2004 perderia a final para o Once Caldas.

O River Plate levou a melhor duas vezes (em 1970, no era uma segunda fase equivalente às quartas de final, e em 2015, nas oitavas, com aquele “superclássico da vergonha”, adiado após agressões da torcida do Boca a jogadores do River, com direito a gás pimenta no túnel do vestiário). O River ganharia esta competição de 2015.

O Boca Juniors tem seis títulos e busca o sétimo, para se igualar ao Independiente como maior campeão. O River Plate tem três títulos, o mesmo número dos brasileiros que mais vezes ganharam a competição (Grêmio, São Paulo e Santos).

Somados, Boca, River, Grêmio e Palmeiras têm 13 títulos de Libertadores. Nunca houve uma fase semifinal com tantos troféus reunidos e nem mesmo com quatro ex-campeões.

Grêmio e Palmeiras têm tradição suficiente para derrotar os argentinos. E têm time também. O Grêmio, apesar de algumas baixas, é o atual campeão. E o Palmeiras é o elenco mais completo do Brasil, com bons jogadores em todas as posições. Ambos com técnicos experientes e que já foram campeões da América.

 

São semifinais muito equilibradas, em que os brasileiros têm a vantagem de decidir em casa. Talvez o River tenha mostrado um futebol melhor que o de todos os outros. O Boca, pelo contrário, está um pouco abaixo.

Grêmio e Palmeiras podem estragar tudo. Mas, se der Boca Juniors de um lado, River Plate do outro, teremos a maior final de Libertadores da história.


Reservas levaram Palmeiras à ponta. E agora, o que será deles?
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Julio Gomes

O desenho que Luiz Felipe Scolari deu ao semestre do Palmeiras é para lá de claro. Ele montou um time para jogar as Copas, que podemos chamar de “time titular”, pois os torneios são a prioridade do clube (por prestígio e grana), e montou um time para jogar o Brasileirão nos fins de semana – que podemos chamar de “time reserva”.

O time titular passou pelo Cerro Porteño e, nesta semana, deve confirmar, contra o Colo Colo, a classificação para as semifinais da Libertadores. Na Copa do Brasil, passou pelo Bahia, mas foi eliminado pelo Cruzeiro e está fora da decisão.

Como o time titular atua somente nos meios de semana, ele jogou duas partidas pelo Brasileirão com Scolari, vencendo Botafogo (22/8) e Atlético-PR (5/9) – ambos jogos bastante difíceis, em que os titulares flertaram com um tropeço no Allianz Parque.

Já o time reserva só entra em campo nos fins de semana. E, assim, ganhou seis partidas (incluindo o clássico contra o Corinthians) e empatou três (incluindo o jogo com o Inter, no Beira-Rio). Seis das nove partidas foram disputadas fora de casa, em condições adversas. Com este fantástico aproveitamento de 77,7%, podemos falar tranquilamente que foi o time reserva que levou o Palmeiras à atual liderança do campeonato.

O time reserva é beneficiado por ter quase sempre o mesmo goleiro do time titular (Weverton) e contar, esporadicamente, com a entrada de Dudu desde o início – ou, pelo menos, com a entrada dele e de Willian no segundo tempo das partidas mais encardidas. Felipe Melo, suspenso da Libertadores, é outro que tem aparecido no time reserva.

E assim Felipão toca a vida. Com dois times, ambos de nível parecido, ambos com uma semana de descanso entre seus jogos.

Só que agora o Palmeiras é líder e está fora da Copa do Brasil. Isso faz com que o Brasileirão ganhe peso e que o calendário, finalmente, dê um folga. Nesta semana, os titulares jogarão contra o Colo Colo. As duas semanas seguintes à atual serão as duas primeiras semanas “livres” para Felipão desde seu retorno ao Palmeiras.

Os meios de semana estarão reservados para as finais da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Corinthians (no meio de uma data Fifa).

Os dois próximos compromissos do Palmeiras pelo Brasileiro são contra o São Paulo, sábado, e contra o Grêmio, no outro domingo, dia 14 de outubro. Dois jogos contra times que disputam diretamente o título com o Palmeiras e dois jogos que não precedem compromisso algum de meio de semana.

E aí, o que fará Felipão?

A lógica estabelecida indicaria o time reserva nos dois jogos. Mas aí os titulares farão o quê? Terão folga até a semifinal da Libertadores, que será só em 24 de outubro? Difícil imaginar que os caras ficarão 20 dias sem jogar, certo? Difícil não, impossível.

Minha aposta é que Felipão, do meio para frente, vai escalar seus titulares.

Mas ficam interrogações. O que fazer com a linha de defesa? Marcos Rocha, Gustavo Gómez, Luan e Victor Luís deram conta do recado, o time reserva levou três gols em nove jogos. Há quem diga que essa dupla de zaga é melhor que a “titular”, formada por Antônio Carlos e Dracena.

E o que fazer com Lucas Lima e Deyverson, que foram os nomes mais importantes deste time reserva no período? Vai mandar Lucas Lima para o banco e agora ele só volta no jogo contra o Ceará, daqui a 20 dias, a partida que precede a semi da Libertadores?

O time reserva ganhou corpo, jogou com motivação e fez seu trabalho. Felipão conseguiu ter o elenco na mão, todos se sentem protagonistas.

Mas agora chegam as partidas contra São Paulo e Grêmio e só um time pode jogar. Ele fará uma escolha por time A ou time B? Ou vai misturar tudo? Como isso vai cair dentro do elenco?

A bola já esteve com o Flamengo, com o São Paulo e com o Inter. Agora, a bola está com o Palmeiras. Felipão que se vire!