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Arquivo : Neymar

Vexame do PSG é valioso ou sinal de coisas piores?
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Julio Gomes

Para quem não viu, o Paris Saint-Germain deu um vexame ao ser eliminado da Copa da Liga Francesa, quarta, pelo “poderoso” Guingamp, lanterna da Ligue 1.

É isso aí. No Campeonato Francês, o PSG tem 47 pontos, com 15 vitórias e 2 empates em 17 jogos. O Guingamp tem 11 pontos, com 2 vitórias em 18 jogos. E o detalhe: a vitória do Guingamp na quarta, de virada, foi conseguida no Parque dos Príncipes.

Foi somente a segunda derrota do PSG na temporada – a outra havia sido para o Liverpool, pela Champions League.

A eliminação chama a atenção por vários motivos. O PSG ganhou as últimas cinco Copas da Liga da França. Ganhou as últimas quatro Copas da França. E ganhará daqui a alguns meses o sexto título da Ligue 1, o Campeonato Francês, sem sete anos. Desde que o dinheiro do Qatar começou a ser injetado, o clube virou dominante no cenário nacional.

Dominante de verdade. Tirando um ano bom do Monaco, na temporada retrasada, o PSG nunca foi sequer ameaçado.

Para piorar tudo, apesar de a Copa da Liga ser a competição menos importante do ano, o PSG que perdeu do Guingamp tinha em campo o time titular. Thiago Silva, Di María, Neymar, Mbappé… a turma toda. Isso é o que chamou mais a atenção.

O que podemos tirar dessa derrota?

Só o tempo nos dirá.

O grande objetivo do PSG é a Champions League, o investimento todo foi feito para o clube conquistar a Europa. Nos últimos anos, a impressão é que a Europa não era conquistada, entre outros motivos, pela falta de competitividade no futebol doméstico.

A primeira fase da Champions atual já mostrou isso. O PSG ficou a um fio de ser eliminado já na fase de grupos, perdeu contra o Liverpool e deu sorte de sair vivo com dois empates contra o Napoli. Jogos que se intercalaram com goleadas fáceis no futebol “de casa”.

Talvez essa mesma falta de competitividade e a rotina de vitórias fáceis tenha levado ao vexame desta semana.

Ou talvez não. Talvez na hora H a gente descubra que o PSG nunca chegou a encaixar como time para os duelos grandes de verdade. No dia 12 de fevereiro, o PSG viaja a Manchester para enfrentar o United pela ida das oitavas de final.

Desde que Mourinho foi demitido e Solskjaer assumiu, o United ganhou cinco de cinco, com 16 gols marcados. Um reencontro total com a torcida e com o futebol. É um dos times mais quentes da Europa, e os confrontos contra Tottenham e Arsenal, em Londres, ainda neste mês de janeiro, darão pistas mais sólidas sobre este “novo” time.

Será que a derrota para o Guingamp é apenas o presságio do desastre? Ou será que servirá como toque de atenção para o Paris jogar todas as partidas com a devida e necessária seriedade?

Quando saiu o sorteio das oitavas da Champions, não havia muitas razões para o PSG para se preocupar. Agora, há duas. O United. E o próprio Paris.

 


Buffon brilha, mas PSG fica contra as cordas na Champions
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Julio Gomes

Está aí uma boa contratação. A chegada de Buffon dá ao PSG aquela segurança que qualquer grande time precisa. Idade, convenhamos, não é o fator mais determinante para um goleiro. Buffon mostrou que seguirá sendo sempre Buffon, que os reflexos estão em dia, e salvou o Paris de uma derrota contra o Napoli.

Tuchel deu uma de professor Pardal, deixando Cavani no banco. Ninguém poderá acusar o técnico alemão de falta de coragem. Montou o time com três zagueiros, espetou alas pelos lados e deixou Neymar e Mbappé totalmente livres na frente.

Deu relativamente certo no primeiro tempo, mas mais por causa da passividade do Napoli do que pelo jogo do PSG. Bernat, um dos laterais avançados, acabou fazendo o 1 a 0.

O Napoli voltou muito melhor para o segundo tempo e foi quando Buffon passou a brilhar. Só não evitou o pênalti em Callejón, após a lambança de Thiago Silva. E ainda quase fez a defesa na cobrança.

Com 1 a 1, entrou Cavani, o Napoli perdeu gás, e o PSG ficou muito perto da vitória. Mbappé não esteve à altura do momento.

O Napoli mereceu ganhar a partida de Paris, quando levou gol nos acréscimos. No segundo duelo entre eles, parou em Buffon e, depois do empate, perdeu fôlego. Tem mais é que agradecer o ponto ganho.

A inacreditável derrota do Liverpool para o Estrela Vermelha, no Maracanã de Belgrado, embola tudo. Napoli e Liverpool têm 6 pontos, o PSG tem 5 e o Estrela Vermelha tem 4.

Supostamente Napoli, em casa, na próxima rodada, e PSG, fora, na última, vão ganhar do Estrela Vermelha.

O jogo entre PSG e Liverpool, na quinta rodada, em Paris, ganha contornos de decisão.

Especialmente para o PSG, que, se perder, fatalmente ficará fora das oitavas. Um empate também deve ser trágico para o Paris. O time mais milionário do planeta está contra as cordas.

Se na próxima rodada o Napoli vencer o Estrela Vermelha e PSG e Liverpool empatarem, o Napoli estará classificado. O PSG teria de torcer para o Liverpool não ganhar do já garantido Napoli na última partida. Não dependeria mais de si.

Por outro lado, se vencer os dois jogos finais, o time de Neymar estará classificado, e Liverpool e Napoli decidirão a segunda vaga em confronto direto. O Liverpool, mesmo que perca em Paris, dependerá só de si na última rodada.

O Paris está impossível na França. Mas, na Europa, está chegando a hora do tudo ou nada. “Acabar” a temporada em novembro não está nos planos do pessoal da grana, lá no Catar.


Com Neymar longe do gol, PSG fica longe do sucesso
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Julio Gomes

Foram 400 milhões de euros em Neymar e Mbappé. Não vou nem converter para reais, para ninguém perder o ar. O Paris Saint-Germain não investiu essa baba para ganhar o Francesão com trocentos pontos de diferença, a Copa da França, a Copa da Liga Francezzzzzzzzzz….

O dinheiro do Catar foi jorrado ali em Paris para que a Europa fosse conquistada. Nada menos do que isso.

Um gol de Di María, aos 48min do segundo tempo, salvou o PSG de uma derrota em casa para o Napoli, nesta quarta. Derrota que deixaria o PSG em situação muito, muito, mas muito complicada na Liga dos Campeões. O empate por 2 a 2, dadas as circunstâncias, faz Paris respirar.

O Liverpool lidera o grupo com 6 pontos, o Napoli foi a 5, o PSG tem 4 e o Estrela Vermelha, da Sérvia, tem 1. Na próxima rodada, o PSG precisará ganhar do Napoli de todos os jeitos, na Itália. Se empatar de novo, se obrigará a bater o Liverpool na rodada seguinte. Porque senão Liverpool e Napoli, na última rodada, podem jogar por um resultado que sirva a ambos.

O fato é que o Napoli fez um jogaço em Paris. Com Carlo Ancelotti, o time perdeu um pouquinho do brilho que tinha com Sarri (hoje, no Chelsea), mas ganhou consistência. Fica menos exposto. Foi superior ao PSG no primeiro tempo e nem sofreu tanto assim no segundo. Mereceu a vitória, mas foi castigado.

Neymar jogou no meio de campo, com Di María e Mbappé abertos pelos lados. No segundo tempo, Tuchel mudou para um sistema de três zagueiros, o time melhorou, mas Neymar continuou por ali. Mal pegava na bola e já tinha a marcação em cima, muitas vezes com ajudas e dobras.

Eu não gosto. Tem que goste, tem quem ache Neymar um armador. Eu não vejo assim. Claro que ele pode jogar bem como camisa 10, o cara é um craque, jogaria bem até de lateral. Mas, para mim, a grande qualidade de Neymar é seu poder de finalização. Prefiro muito mais pelo lado, driblando em velocidade, criando situações de 1 contra 1, flutuando, chegando à área.

Neymar longe da área, como jogou hoje, não é a solução para o PSG.

É um timaço, mas que paga pela falta de competitividade na França. Foi dominado tanto por Liverpool quanto por Napoli e só não perdeu de ambos por causa desse gol achado por Di María nos acréscimos.

O Paris tem problemas. E eles precisarão ser resolvidos a tempo do jogo de Nápoles, em duas semanas. Senão, aqueles 400 milhões de euros parecerão ainda mais caros do que já foram…


Que difícil é tirar a nhaca pós-Copa!
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Julio Gomes

O Brasil ganhou só de 2 a 0 da Arábia Saudita. Isso aí, 2 a 0, com o segundo saindo aos 51min do segundo tempo. Os sauditas levaram 5 da Rússia na Copa, uns meses atrás. São uma seleção fraquíssima. A seleção de Tite tinha uma defesa toda nova, mas meio e ataque que deveriam ter mostrado mais, muito mais. A defesa nem testada foi.

A boa notícia foi o bom jogo coletivo de Neymar. Parece estar mesmo com a cabeça diferente nesta temporada, as atuações pelo PSG mostram isso. Se Neymar pensar mais no todo, menos nele, isso será sempre boa notícia. Hoje, deu duas assistências.

À parte o bom jogo de Neymar, foi aquela atuação preguiçosa. Já nos habituamos a isso em amistosos. É aquela nhaca pós Copa. Ninguém quer nada e é difícil pedir motivação. Todo mundo sabe que esses jogos servem para quase nada.

Os europeus ainda encontraram uma solução com a criação da Liga das Nações. Os bobos amistosos foram parcialmente substituídos por jogos que valem alguma coisa. Mas os jogos do Brasil vão ser isso aí.

Ainda mais quando a seleção é um estorvo para os clubes e tenta dividir atenção com reta final de Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores.

Estamos no meio da final da Copa nacional. Às vésperas das maiores semifinais da história da Libertadores. E a rodada do Brasileiro, neste fim de semana, tem Fla-Flu, Inter x São Paulo e Palmeiras x Grêmio. Até os jogadores da seleção devem estar pensando nesses jogos.


Klopp é o técnico que melhor entende o futebol da atualidade
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Julio Gomes

Pep Guardiola, José Mourinho, Diego Simeone, Zinedine Zidane. Não são poucos os técnicos badalados do mundo, e possivelmente todos eles mereçam os elogios e salários que recebem. Mas será que não subestimamos Jurgen Klopp?

O homem é o último a ter derrubado o Bayern de Munique na Bundesliga. Ficou a minutos de vencer a Champions com o Borussia Dortmund. Perdeu outra final, a de meses atrás, porque seu goleiro fez as lambanças que fez contra o Real Madrid. É a nêmesis de Guardiola, considerado por muitos, inclusive este escriba, o gênio dos gênios.

Creio que, neste momento, não haja técnico que entenda melhor o espírito do futebol mundial. O jogo se transformou. Hoje, há muita intensidade física, a disputa não para e os atletas precisam se multiplicar. Os torcedores, no estádio ou pela TV, querem ver correria e gols.

Não é à toa que os torcedores dos times de Klopp amem o alemão de paixão. Além de seus times serem legais de ver, eles vencem jogos e o treinador vive cada minuto da partida como se fosse o último da vida. A entrega dele é total. E a de seus comandados, logicamente, também.

Há outros técnicos que conseguem arrancar isso de seus jogadores. Mas talvez não consigam divertir as pessoas que estejam assistindo aos jogos.

O Liverpool foi o melhor time em campo durante todo o jogo contra o Paris Saint-Germain, neste dia de abertura da Liga dos Campeões da Europa. Venceu por 3 a 2, com um gol de Firmino nos acréscimos, mas poderia ter goleado. Estamos falando de dois dos favoritos ao título. Foi um jogaço.

O Liverpool é um time que pressiona demais o adversário. Quando tem a bola, imprime velocidade, empurra, joga com muita verticalidade. Quando não tem a bola, morde o tempo inteiro e em todas as linhas, em todas as partes do campo. É alucinante, a 200 por hora o tempo todo.

Letal no ataque e seguro na defesa, coisa que não era antes da chegada de Van Dijk. Talvez o detalhe a ser corrigido seja a falta de atenção nos 15 minutos finais das partidas. Tem que matar antes ou então saber se defender melhor no fim.

O Liverpool fez 2 a 0 no primeiro tempo sem muitos problemas contra o PSG e só levou um gol de Meunier porque o trio de arbitragem não apontou o impedimento de Cavani no lance – chega a ser surreal que a Champions não tenha o bendito VAR.

No segundo tempo, o normal seria vermos o PSG pressionar em busca do empate. Pode até ter tentado. Não conseguiu. O Liverpool foi o melhor time em campo e teve várias chances de ampliar o marcador.

Vou inventar uma frase nova agora: quem não faz, toma. O jogo estava mortinho. Um passe errado de Salah foi suficiente para, em um roubo de bola de Draxler, Neymar acelerar a jogada e ela sobrar para Mbappé empatar. O Paris mal sabia como tinha conseguido chegar ao 2 a 2.

Mas a intensidade dos times de Klopp é inesgotável. Apesar da ducha de água fria, o Liverpool foi para cima, empurrou e chegou ao merecido 3 a 2.

O Paris começou a temporada passada atropelando o Bayern e acabou sendo eliminado logo nas oitavas pelo Real Madrid. Perder hoje não quer dizer muita coisa. Mas há muito o que corrigir. Não tem muito sentido Neymar jogar como armador, ele precisa de espaço, de campo, do 1 contra 1, precisa estar perto do gol para fazer o que sabe fazer melhor: gol.

 


Neymar teve seus melhores anos após Copas. Será a Champions da redenção?
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Julio Gomes

Era o dia 22 de junho de 2011. Pacaembu. Final de Libertadores da América. Neymar fez um gol, o Santos ganhou do Peñarol e voltou a conquistar o título que não via desde os tempos de Pelé. Menos de um ano antes, era disputada a decisão da Copa do Mundo da África. Uma Copa em que a seleção brasileira foi eliminada nas quartas de final e para a qual Neymar possivelmente devesse ter sido convocado por Dunga.

Vamos agora a 6 de junho de 2015. Berlim. Final de Champions League. Neymar fez um, o Barcelona ganhou da Juventus e voltou a conquistar a Europa. Menos de um ano antes, era disputada a decisão da Copa do Mundo do Brasil. Uma Copa em que a seleção brasileira foi eliminada nas semifinais, naquele 7 a 1 contra a Alemanha que não teve participação de Neymar, pois ele se machucara nas quartas, contra a Colômbia.

Finalmente, chegamos a 2018. O Brasil acaba de cair na Copa da Rússia nas quartas de final, e Neymar saiu do Mundial como piada, por seus exageros e simulações. Daqui a menos de um ano, em junho de 2019, será disputada, em Madrid, a final da Champions, que dá o pontapé para sua fase de grupos nesta terça-feira.

Começa o torneio de futebol mais importante do mundo. E Neymar busca, pela enésima vez na carreira, a redenção. O tempo, para quem busca glória e conquistas pessoais, está passando rápido.

Para o Paris Saint-Germain, clube que contratou o jogador na maior transação da história e que virou um protagonista no mercado com o dinheiro do Catar, não estar nessa final de 2019 será nada menos do que uma enorme frustração. Um fracasso.

Em 2010, logo após a frustração de não ir à Copa, Neymar levou o Santos ao título da Copa do Brasil e começou com tudo sua história na seleção (chamado por Mano). No primeiro semestre de 2011, foi artilheiro do Santos e terceiro goleador da Libertadores na campanha do título. Em 2014, logo após a frustração da Copa em casa e de um ano de adaptação ao Barcelona, Neymar voou, fez 10 gols na campanha do título europeu, dividiu a artilharia com Messi e Cristiano Ronaldo e se colocou como postulante a melhor do mundo.

Neymar vem de nova frustração em uma Copa. E de um ano de adaptação ao PSG. Ele pode se agarrar a vários paralelos. Indiscutivelmente, os 11 meses que se seguiram aos Mundiais de 2010 e, depois, 2014, foram os melhores de sua carreira. Em 2011, se reivindicou como uma realidade nacional. Em 2015, internacional.

E em 2018/19, o padrão de sucesso pós-Mundial será mantido?

Não importam os gols e as vitórias fáceis na França. O que importa para o Paris é a Champions. E o time é um dos favoritaços a levantar a taça.

Nas casas de apostas, o principal favorito é o Manchester City, de Guardiola. Depois, vêm o Barcelona, de Messi, a Juventus, de Cristiano Ronaldo, e o PSG, de Neymar (ou de Mbappé?). Atrás deles todos, o tricampeão Real Madrid. Ou seja, os algoritmos consideram que a mudança de CR7 para a Itália é suficiente para catapultar a Juve e jogar o Real para a condição de quinta força. Logo atrás, vêm o Bayern de Munique e o Liverpool.

O Liverpool, algoz do City e finalista da Champions na temporada passada, se reforçou, ganhou os cinco jogos que fez até agora na Premier League (lidera com o Chelsea) e é o primeiro adversário do Paris, no grande jogo desta terça.

Sabemos que a fase de grupos da Champions tem reservado poucas surpresas. Ser primeiro do grupo é sempre uma vantagem, pois aumenta as chances de enfrentar um rival mais fácil nas oitavas ou, pelo menos, decidir em casa contra um rival de mesmo porte.

Na temporada passada, o Paris, primeiro de um grupo que tinha o Bayern, acabou emparelhado com o Real Madrid nas oitavas e dançou. Entre um jogo e outro, Neymar se machucou, escapando da eliminação em casa – assim como escapara do 7 a 1, em 2014.

Ser primeiro do grupo, pois, não é obsessão de quase ninguém na Champions. Mas jogos como este Liverpool x PSG desta tarde servem para medir forças logo no início da temporada. É o grande duelo do dia e da primeira rodada.

Depois do papelão na Rússia e da frustrante primeira temporada com o PSG, Neymar começa mais uma caminhada de redenção. Desta vez, não só esportiva, mas a redenção de sua imagem perante o mundo e os fãs. O ano em que Neymar precisa, de todas as formas, aparecer no noticiário somente pela enorme bola que joga.

Será que ele cumprirá a missão que lhe foi dada a peso de ouro pelos donos do clube? Será que, menos de um ano após uma Copa, ele estará, pela terceira vez, com as mãos em um troféu de relevância gigantesca?

Meu palpite é que sim. Mas a caminhada é longa. E é grande o desafio de controlar a fogueira das vaidades dentro de um clube que tem menos peso do que o vestiário. É arriscado o palpite. Mas é um bom palpite. Neymar já fez isso antes.

 


Neymar brilhou e fez mais pelo pôquer do que pelos próprios times
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Julio Gomes

Neymar foi a ilustre presença no evento de São Paulo do BSOP, a Brazilian Series of Poker, neste mês de julho. Ontem, encerrou sua participação chegando em sexto lugar em um torneio High Roller – que são os que têm entrada mais cara, portanto reúnem também uma quantidade maior de profissionais.

Antes de mais nada, é preciso explicar a quem não conhece muito de pôquer algumas coisas. O pôquer não é jogo de azar, é um esporte de mente. O pôquer é um jogo ultrademocrático, pois todos os participantes entram em cada torneio, do mais caro ao mais barato, com as exatas mesmas condições – teus feitos passados só te dão uma coisa: respeito. Nada mais.

O BSOP, com etapas espalhadas pelo Brasil todo, é um evento milionário, muito bem administrado e organizado, e que reúne milhares de profissionais e amadores, amantes do esporte. Tudo é perfeitamente legalizado (e taxado). Neymar jogou ombro a ombro com gente que vive do esporte, o resultado obtido por ele é extraordinário, não se consegue com sorte ou nome.

O que significa o prêmio do sexto lugar para Neymar? Nada. E tudo. Nada em termos financeiros, porque um dia de salário dele já é mais do que o prêmio. Mas é tudo em termos de satisfação pessoal. Só quem joga pôquer sabe.

É o desafio de vencer, de ser melhor, de se superar, de estar concentrado para tomar as melhores decisões sempre, é a adrenalina. O pôquer mexe com áreas do nosso cérebro que nem conhecemos. Mesmo para os profissionais, para quem literalmente vive disso, não é o dinheiro o principal motor. Muito menos para amadores como eu ou Neymar ou meu colega de UOL e Bandsports Napoleão de Almeida (fraco, mas esforçado com as fichas na mesa).

O motor é outro. E o sensacional do pôquer é você ter o direito de jogar com quem quiser, o torneio que quiser – creio que o único outro esporte que permita isso seja a corrida de rua, e mesmo assim há, nas maratonas mundo afora, alguma separação física entre profissionais e amadores.

Eu já me sentei na mesa com Petkovic. Com o Rodrigão, do vôlei. Há muitos esportistas e celebridades participante dos grandes torneios de pôquer do Brasil. Mas nada se compara à exposição que traz a presença de Neymar no BSOP.

Uma coisa é gente como ele, Ronaldo ou Nadal fazerem propaganda de site de pôquer. Outra história é o cara se sentar na mesa, jogar, interagir, participar, humanizar. Claro que vai ter gente falando: “Por que não se dedicou assim na Copa? Jogar baralho em vez de treinar?! Coisa de vagabundo!”. Os haters serão sempre haters.

Mas o fato é que Neymar “legitima” o esporte participando de um evento como o BSOP. Traz uma incrível publicidade positiva para o pôquer. Ajuda a quebrar resistência e preconceitos disseminados na sociedade. Ele certamente ajudou mais o pôquer brasileiro em 2018 do que a seleção brasileira, o PSG ou a própria carreira. E talvez nem saiba disso.

E, sempre é bom ressaltar, Neymar está de férias.

Ele poderia estar assistindo vídeos de jogos, melhorando aspectos de sua profissão como jogador de futebol? Não somos máquinas. É necessário ter a cabeça limpa e tempo para tudo. Mesmo no dia a dia no clube, como profissional da bola, há muito tempo livre. Tempo suficiente para se dedicar mais à profissão, conhecer sistemas, adversários, manter forma física, etc, e também para estudar o pôquer.

Tem jogador que gosta de tocar bateria, como Cech, que gosta de pintar, como Meunier, que gosta de cozinhar, como Sommer. E tem jogador que gosta de pôquer, como Neymar. Há tempo para tudo isso na vida desses caras.

Aliás, o pôquer é um ótimo ambiente para simulação, exageros e mentiras, muito melhor do que o campo de futebol! Enganar o adversário é a própria essência do jogo. Neste mês de julho, Neymar brilhou muito mais na mesa do que no campo.

Quem me acompanha aqui sabe que, ao mesmo tempo em que o considero um craque espetacular, sou muito crítico a várias facetas da carreira de Neymar. A atitude em campo em relação aos adversários e árbitros precisa ser mais madura e respeitosa. E, essencialmente, me parece uma carreira muito mais gerida em função dos ganhos financeiros do que esportivos. O futebol é um grande negócio, é assim faz tempo. O problema é o peso de uma coisa em relação à outra – e quando uma coisa atrapalha a outra.

Neymar Jr, a quem não conheço pessoalmente, me parece, à distância, um rapaz bastante inteligente. É uma pena que a redoma em volta dele me pareça muito menos brilhante. Mas forte suficiente para mantê-lo aprisionado dentro dela – não o isento de culpa, mas creio que ele seja vítima simultaneamente.

Não é fácil demitir os parças, não é verdade? Não é fácil mudar rumos quando algumas raízes ficaram tão enterradas. Não é fácil mudar algumas atitudes quando o mundo a sua volta te enfeitiça. É uma bolha cada vez mais espessa.

Pensemos em Lewis Hamilton. O pai dele é o pai dele. Sempre será. Mas o pai-empresário foi demitido em 2010. Sábia decisão. Talvez Hamilton, celebridade-parça, tenha algumas coisas a contar para Neymar. Eu também tenho. Talvez um dia, em uma mesa de pôquer.


Diário da Copa: Neymar e as matrioskas
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Julio Gomes

Na feirinha de Izmailovo, famosa em Moscou por ser o lugar ideal para comprar bugigangas típicas russas ou do período soviético, as matrioskas dominam o cenário.

São aquelas bonequinhas russas fofinhas. Você abre uma, aparece outra. E depois outra e outra e outra… tem algumas com três peças, com cinco, até com quinze! Algumas mais bonitas, outras nem tanto. A sacada deles é que fazem matrioskas de gente famosa.

Então tem matrioska do Lenin, do Putin, do John Lennon, do Obama, do Michael Jackson e por aí vai. Claro, tem também dos jogadores mais conhecidos. Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar, a turminha de sempre.

Nesta reta final de Copa, a feira é dominada por turistas em busca das lembrancinhas finais para a família toda. Muitos brasileiros e muitos latinos. Os vendedores, espertos como só eles, já sabem todos os números e palavras-chave em espanhol e português.

“É bom que vocês conversam com a gente, eu gosto de negociar!”, me fala Vladimir. “Os europeus parece que têm medo de nós, russos, nem chegam perto”. Vladimir me fala longas frases em russo, como se eu entendesse alguma coisa só porque lhe dei bom dia no idioma local e aprendi uma palavra ou outra.

Nossa negociação acontece em russo, espanhol, inglês e português. Uma loucura! Mas dá certo. Compro minhas matrioskas, consigo um bom desconto, ele me chama de “chorão”, eu digo que aprendi com a minha mulher e ele cai na risada.

Enquanto embala minhas bonequinhas, ele deixa cair uma matrioska de Neymar, que estava no caminho. Foi um strike, Neymar caiu e levou umas dez bonequinhas com ele. Vladimir começa a fazer um som, como se a matrioska de Neymar estivesse se contorcendo de dor. Todos em volta caem na risada.

É com essa imagem que Neymar sai da Copa. Virou piada internacional. Ao abrir as matrioskas de Neymar, os outros bonequinhos Neymarzinhos são iguais – lógico – e cada vez menores. O grande desafio dele é mudar. Senão não será maior do que é hoje nunca.

Já o desafio de Vladimir e do resto dos colegas das outras barracas é arrumar matrioskas de Mbappé e Modric. Não encontrei nenhuma em Izmailovo. Nem de Pogba ou Griezmann, nenhum francês, nenhum croata. Precisam atualizar e variar o estoque. O futebol mudou.


CR7 foi só a primeira peça de um mercado que vai pegar fogo
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Julio Gomes

A grande interrogação era Cristiano Ronaldo. Onde ele jogaria? Porque já estava claro que os dias de Real Madrid estavam contados…

PSG e Manchester United pareciam ser as única opções – desconsiderando, claro, os mercados milionários periféricos, como China, EUA ou Oriente Médio. Mas Cristiano escolheu a Juventus.

Por um lado, aumenta o abismo entre Juve e outros no futebol italiano. Por outro, coloca um clube gigante de volta a uma briga que não estava parecendo mais dela, pela coroa europeia. E volta a trazer o calcio ao centro das atenções. Talvez a própria liga italiana se beneficie, com jogadores querendo atuar no mesmo campeonato de CR7.

A partir daqui, teremos semanas frenéticas. Na Premier League inglesa, a janela de contratações será fechada em 9 de agosto, por decisão dos clubes. Nos outros mercados importantes da Europa, a data segue sendo 31 de agosto.

O Real Madrid gastou pouco nas últimas temporadas, vai viver uma reconstrução com o novo técnico, Lopetegui, e sem Cristiano. Já sabemos que é um clube ultra agressivo no mercado. Todos os sinais apontam para Neymar. Mas a coisa não é tão simples.

Por um lado, a ausência de multa rescisória e o orgulho dos homens do Catar não farão fácil essa negociação. Por outro, o PSG vai receber um Neymar menor e um Mbappé muito maior após a Copa. Será o clube de quem? Não seria mais fácil apostar em Mbappé, que é francês, tem só 19 anos e não quer sair do clube? (ao contrário de Neymar).

Mas, pelo prisma do staff Neymar, forçar uma saída agora pode ser uma armadilha. Chegar ao Real Madrid tricampeão europeu e sem Ronaldo… qualquer coisa que não seja ganhar a Champions de novo será um fracasso retumbante. Além de adicionar a imagem de mercenário à já arranhada imagem do jogador pós-Copa.

Talvez tenha mais sentido esperar um ano. Minha aposta é que o casamento Real Madrid-Neymar só será celebrado no próximo mercado, em 2019.

Eu, se fosse apostar minhas fichas, apostaria em uma investida fortíssima do Real sobre Hazard, um namoro antigo, e Kane. Ambos nomes importantes da Copa, em clubes ingleses de relevância, mas que não se comparam ao gigante espanhol. Hazard, convenhamos, está fazendo hora-extra no Chelsea.

Pogba, outro que cresce na Copa, não parece feliz no Manchester United de Mourinho. O que será de Dybala e Higuaín na Juventus, com a chegada de Cristiano? São jogadores com alto valor de mercado e que podem sair, contra a vontade deles ou não.

É como um gigante dominó com as peças de pé, formando um desenho de cifrão. A primeira peça era Cristiano Ronaldo. A partir de agora, cairão todas as outras. Vai pegar fogo!


Neymar destruiu a própria imagem na Copa do Mundo
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Julio Gomes

Os vídeos pipocam, todo dia chega um diferente. Torcedores belgas se jogam no chão, mãos nas pernas, gritos forjados de dor, fingindo que são Neymar. Ou então crianças em um campo de futebol qualquer do mundo. Quando, ao fundo, algum adulto grita “Neymar!”, todas se jogam ao chão, se contorcendo de dor.

O debate sobre Neymar nesta Copa foi intenso. Mas ele é praticamente um debate falso. Pois pouca gente discorda do fato de ele ser um grande jogador. E pouca gente concorda com sua atitude em campo.

Eu acreditava que essa seria a Copa de Neymar, inclusive com possibilidades de sair dela como favorito à Bola de Ouro – claro que isso teria de passar pelo título da seleção. Depois da lesão e do tempo parado, chegaria voando na Copa. Em um time bem arrumado e confiante.

Bastaram os dois primeiros duelos para ver que não seria assim. E o choro depois do jogo da Costa Rica mostra o quanto esses jogadores da seleção brasileira colocam sobre si uma pressão que foge completamente dos padrões aceitáveis.

Mas OK, não foi uma Copa de Bola de Ouro. Neymar fez alguns gols, jogou bem alguns jogos, mal outros, como contra a Bélgica. Não é pecado não fazer uma Copa de Bola de Ouro.

O pepino é a imagem. Todos sabiam que Neymar era um menino mimado. Só que agora ele é visto como um menino pilantra. Sabe aquela coisa de “ser exemplo para as crianças”? Bem… exemplo do quê?

Se Neymar sempre foi uma figura controversa entre adultos, entre crianças ele era uma espécie de unanimidade. Por vários fatores: o jeito moleque, o sorriso, a maneira extrovertida de jogar. Neymar perdeu nesta Copa seu maior capital. Não é mais unanimidade entre crianças. É ridicularizado por muitas delas.

Não me venham com a historinha para boi dormir de “é culpa da imprensa”.

As pessoas formam opinião em função do que veem. E o que elas viram foi um jogador tentando o tempo inteiro forçar cartões a adversários reagindo de maneira exagerada a qualquer falta. Tanto tentou ludibriar os árbitros que acabou prejudicando o próprio time – a falta de credibilidade levou árbitros a tomarem decisões erradas no campo.

Não são jornalistas nem árbitros nem adversários que fizeram a imagem de Neymar ir para o ralo. Foi ele mesmo. Virou a piada da Copa. Campeão dos memes. E essas coisas são difíceis pra caramba de serem revertidas.

Era a Copa para Neymar sair maior. Saiu menor. Muito menor.