Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Neymar

Klopp é o técnico que melhor entende o futebol da atualidade
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Julio Gomes

Pep Guardiola, José Mourinho, Diego Simeone, Zinedine Zidane. Não são poucos os técnicos badalados do mundo, e possivelmente todos eles mereçam os elogios e salários que recebem. Mas será que não subestimamos Jurgen Klopp?

O homem é o último a ter derrubado o Bayern de Munique na Bundesliga. Ficou a minutos de vencer a Champions com o Borussia Dortmund. Perdeu outra final, a de meses atrás, porque seu goleiro fez as lambanças que fez contra o Real Madrid. É a nêmesis de Guardiola, considerado por muitos, inclusive este escriba, o gênio dos gênios.

Creio que, neste momento, não haja técnico que entenda melhor o espírito do futebol mundial. O jogo se transformou. Hoje, há muita intensidade física, a disputa não para e os atletas precisam se multiplicar. Os torcedores, no estádio ou pela TV, querem ver correria e gols.

Não é à toa que os torcedores dos times de Klopp amem o alemão de paixão. Além de seus times serem legais de ver, eles vencem jogos e o treinador vive cada minuto da partida como se fosse o último da vida. A entrega dele é total. E a de seus comandados, logicamente, também.

Há outros técnicos que conseguem arrancar isso de seus jogadores. Mas talvez não consigam divertir as pessoas que estejam assistindo aos jogos.

O Liverpool foi o melhor time em campo durante todo o jogo contra o Paris Saint-Germain, neste dia de abertura da Liga dos Campeões da Europa. Venceu por 3 a 2, com um gol de Firmino nos acréscimos, mas poderia ter goleado. Estamos falando de dois dos favoritos ao título. Foi um jogaço.

O Liverpool é um time que pressiona demais o adversário. Quando tem a bola, imprime velocidade, empurra, joga com muita verticalidade. Quando não tem a bola, morde o tempo inteiro e em todas as linhas, em todas as partes do campo. É alucinante, a 200 por hora o tempo todo.

Letal no ataque e seguro na defesa, coisa que não era antes da chegada de Van Dijk. Talvez o detalhe a ser corrigido seja a falta de atenção nos 15 minutos finais das partidas. Tem que matar antes ou então saber se defender melhor no fim.

O Liverpool fez 2 a 0 no primeiro tempo sem muitos problemas contra o PSG e só levou um gol de Meunier porque o trio de arbitragem não apontou o impedimento de Cavani no lance – chega a ser surreal que a Champions não tenha o bendito VAR.

No segundo tempo, o normal seria vermos o PSG pressionar em busca do empate. Pode até ter tentado. Não conseguiu. O Liverpool foi o melhor time em campo e teve várias chances de ampliar o marcador.

Vou inventar uma frase nova agora: quem não faz, toma. O jogo estava mortinho. Um passe errado de Salah foi suficiente para, em um roubo de bola de Draxler, Neymar acelerar a jogada e ela sobrar para Mbappé empatar. O Paris mal sabia como tinha conseguido chegar ao 2 a 2.

Mas a intensidade dos times de Klopp é inesgotável. Apesar da ducha de água fria, o Liverpool foi para cima, empurrou e chegou ao merecido 3 a 2.

O Paris começou a temporada passada atropelando o Bayern e acabou sendo eliminado logo nas oitavas pelo Real Madrid. Perder hoje não quer dizer muita coisa. Mas há muito o que corrigir. Não tem muito sentido Neymar jogar como armador, ele precisa de espaço, de campo, do 1 contra 1, precisa estar perto do gol para fazer o que sabe fazer melhor: gol.

 


Neymar teve seus melhores anos após Copas. Será a Champions da redenção?
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Julio Gomes

Era o dia 22 de junho de 2011. Pacaembu. Final de Libertadores da América. Neymar fez um gol, o Santos ganhou do Peñarol e voltou a conquistar o título que não via desde os tempos de Pelé. Menos de um ano antes, era disputada a decisão da Copa do Mundo da África. Uma Copa em que a seleção brasileira foi eliminada nas quartas de final e para a qual Neymar possivelmente devesse ter sido convocado por Dunga.

Vamos agora a 6 de junho de 2015. Berlim. Final de Champions League. Neymar fez um, o Barcelona ganhou da Juventus e voltou a conquistar a Europa. Menos de um ano antes, era disputada a decisão da Copa do Mundo do Brasil. Uma Copa em que a seleção brasileira foi eliminada nas semifinais, naquele 7 a 1 contra a Alemanha que não teve participação de Neymar, pois ele se machucara nas quartas, contra a Colômbia.

Finalmente, chegamos a 2018. O Brasil acaba de cair na Copa da Rússia nas quartas de final, e Neymar saiu do Mundial como piada, por seus exageros e simulações. Daqui a menos de um ano, em junho de 2019, será disputada, em Madrid, a final da Champions, que dá o pontapé para sua fase de grupos nesta terça-feira.

Começa o torneio de futebol mais importante do mundo. E Neymar busca, pela enésima vez na carreira, a redenção. O tempo, para quem busca glória e conquistas pessoais, está passando rápido.

Para o Paris Saint-Germain, clube que contratou o jogador na maior transação da história e que virou um protagonista no mercado com o dinheiro do Catar, não estar nessa final de 2019 será nada menos do que uma enorme frustração. Um fracasso.

Em 2010, logo após a frustração de não ir à Copa, Neymar levou o Santos ao título da Copa do Brasil e começou com tudo sua história na seleção (chamado por Mano). No primeiro semestre de 2011, foi artilheiro do Santos e terceiro goleador da Libertadores na campanha do título. Em 2014, logo após a frustração da Copa em casa e de um ano de adaptação ao Barcelona, Neymar voou, fez 10 gols na campanha do título europeu, dividiu a artilharia com Messi e Cristiano Ronaldo e se colocou como postulante a melhor do mundo.

Neymar vem de nova frustração em uma Copa. E de um ano de adaptação ao PSG. Ele pode se agarrar a vários paralelos. Indiscutivelmente, os 11 meses que se seguiram aos Mundiais de 2010 e, depois, 2014, foram os melhores de sua carreira. Em 2011, se reivindicou como uma realidade nacional. Em 2015, internacional.

E em 2018/19, o padrão de sucesso pós-Mundial será mantido?

Não importam os gols e as vitórias fáceis na França. O que importa para o Paris é a Champions. E o time é um dos favoritaços a levantar a taça.

Nas casas de apostas, o principal favorito é o Manchester City, de Guardiola. Depois, vêm o Barcelona, de Messi, a Juventus, de Cristiano Ronaldo, e o PSG, de Neymar (ou de Mbappé?). Atrás deles todos, o tricampeão Real Madrid. Ou seja, os algoritmos consideram que a mudança de CR7 para a Itália é suficiente para catapultar a Juve e jogar o Real para a condição de quinta força. Logo atrás, vêm o Bayern de Munique e o Liverpool.

O Liverpool, algoz do City e finalista da Champions na temporada passada, se reforçou, ganhou os cinco jogos que fez até agora na Premier League (lidera com o Chelsea) e é o primeiro adversário do Paris, no grande jogo desta terça.

Sabemos que a fase de grupos da Champions tem reservado poucas surpresas. Ser primeiro do grupo é sempre uma vantagem, pois aumenta as chances de enfrentar um rival mais fácil nas oitavas ou, pelo menos, decidir em casa contra um rival de mesmo porte.

Na temporada passada, o Paris, primeiro de um grupo que tinha o Bayern, acabou emparelhado com o Real Madrid nas oitavas e dançou. Entre um jogo e outro, Neymar se machucou, escapando da eliminação em casa – assim como escapara do 7 a 1, em 2014.

Ser primeiro do grupo, pois, não é obsessão de quase ninguém na Champions. Mas jogos como este Liverpool x PSG desta tarde servem para medir forças logo no início da temporada. É o grande duelo do dia e da primeira rodada.

Depois do papelão na Rússia e da frustrante primeira temporada com o PSG, Neymar começa mais uma caminhada de redenção. Desta vez, não só esportiva, mas a redenção de sua imagem perante o mundo e os fãs. O ano em que Neymar precisa, de todas as formas, aparecer no noticiário somente pela enorme bola que joga.

Será que ele cumprirá a missão que lhe foi dada a peso de ouro pelos donos do clube? Será que, menos de um ano após uma Copa, ele estará, pela terceira vez, com as mãos em um troféu de relevância gigantesca?

Meu palpite é que sim. Mas a caminhada é longa. E é grande o desafio de controlar a fogueira das vaidades dentro de um clube que tem menos peso do que o vestiário. É arriscado o palpite. Mas é um bom palpite. Neymar já fez isso antes.

 


Neymar brilhou e fez mais pelo pôquer do que pelos próprios times
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Julio Gomes

Neymar foi a ilustre presença no evento de São Paulo do BSOP, a Brazilian Series of Poker, neste mês de julho. Ontem, encerrou sua participação chegando em sexto lugar em um torneio High Roller – que são os que têm entrada mais cara, portanto reúnem também uma quantidade maior de profissionais.

Antes de mais nada, é preciso explicar a quem não conhece muito de pôquer algumas coisas. O pôquer não é jogo de azar, é um esporte de mente. O pôquer é um jogo ultrademocrático, pois todos os participantes entram em cada torneio, do mais caro ao mais barato, com as exatas mesmas condições – teus feitos passados só te dão uma coisa: respeito. Nada mais.

O BSOP, com etapas espalhadas pelo Brasil todo, é um evento milionário, muito bem administrado e organizado, e que reúne milhares de profissionais e amadores, amantes do esporte. Tudo é perfeitamente legalizado (e taxado). Neymar jogou ombro a ombro com gente que vive do esporte, o resultado obtido por ele é extraordinário, não se consegue com sorte ou nome.

O que significa o prêmio do sexto lugar para Neymar? Nada. E tudo. Nada em termos financeiros, porque um dia de salário dele já é mais do que o prêmio. Mas é tudo em termos de satisfação pessoal. Só quem joga pôquer sabe.

É o desafio de vencer, de ser melhor, de se superar, de estar concentrado para tomar as melhores decisões sempre, é a adrenalina. O pôquer mexe com áreas do nosso cérebro que nem conhecemos. Mesmo para os profissionais, para quem literalmente vive disso, não é o dinheiro o principal motor. Muito menos para amadores como eu ou Neymar ou meu colega de UOL e Bandsports Napoleão de Almeida (fraco, mas esforçado com as fichas na mesa).

O motor é outro. E o sensacional do pôquer é você ter o direito de jogar com quem quiser, o torneio que quiser – creio que o único outro esporte que permita isso seja a corrida de rua, e mesmo assim há, nas maratonas mundo afora, alguma separação física entre profissionais e amadores.

Eu já me sentei na mesa com Petkovic. Com o Rodrigão, do vôlei. Há muitos esportistas e celebridades participante dos grandes torneios de pôquer do Brasil. Mas nada se compara à exposição que traz a presença de Neymar no BSOP.

Uma coisa é gente como ele, Ronaldo ou Nadal fazerem propaganda de site de pôquer. Outra história é o cara se sentar na mesa, jogar, interagir, participar, humanizar. Claro que vai ter gente falando: “Por que não se dedicou assim na Copa? Jogar baralho em vez de treinar?! Coisa de vagabundo!”. Os haters serão sempre haters.

Mas o fato é que Neymar “legitima” o esporte participando de um evento como o BSOP. Traz uma incrível publicidade positiva para o pôquer. Ajuda a quebrar resistência e preconceitos disseminados na sociedade. Ele certamente ajudou mais o pôquer brasileiro em 2018 do que a seleção brasileira, o PSG ou a própria carreira. E talvez nem saiba disso.

E, sempre é bom ressaltar, Neymar está de férias.

Ele poderia estar assistindo vídeos de jogos, melhorando aspectos de sua profissão como jogador de futebol? Não somos máquinas. É necessário ter a cabeça limpa e tempo para tudo. Mesmo no dia a dia no clube, como profissional da bola, há muito tempo livre. Tempo suficiente para se dedicar mais à profissão, conhecer sistemas, adversários, manter forma física, etc, e também para estudar o pôquer.

Tem jogador que gosta de tocar bateria, como Cech, que gosta de pintar, como Meunier, que gosta de cozinhar, como Sommer. E tem jogador que gosta de pôquer, como Neymar. Há tempo para tudo isso na vida desses caras.

Aliás, o pôquer é um ótimo ambiente para simulação, exageros e mentiras, muito melhor do que o campo de futebol! Enganar o adversário é a própria essência do jogo. Neste mês de julho, Neymar brilhou muito mais na mesa do que no campo.

Quem me acompanha aqui sabe que, ao mesmo tempo em que o considero um craque espetacular, sou muito crítico a várias facetas da carreira de Neymar. A atitude em campo em relação aos adversários e árbitros precisa ser mais madura e respeitosa. E, essencialmente, me parece uma carreira muito mais gerida em função dos ganhos financeiros do que esportivos. O futebol é um grande negócio, é assim faz tempo. O problema é o peso de uma coisa em relação à outra – e quando uma coisa atrapalha a outra.

Neymar Jr, a quem não conheço pessoalmente, me parece, à distância, um rapaz bastante inteligente. É uma pena que a redoma em volta dele me pareça muito menos brilhante. Mas forte suficiente para mantê-lo aprisionado dentro dela – não o isento de culpa, mas creio que ele seja vítima simultaneamente.

Não é fácil demitir os parças, não é verdade? Não é fácil mudar rumos quando algumas raízes ficaram tão enterradas. Não é fácil mudar algumas atitudes quando o mundo a sua volta te enfeitiça. É uma bolha cada vez mais espessa.

Pensemos em Lewis Hamilton. O pai dele é o pai dele. Sempre será. Mas o pai-empresário foi demitido em 2010. Sábia decisão. Talvez Hamilton, celebridade-parça, tenha algumas coisas a contar para Neymar. Eu também tenho. Talvez um dia, em uma mesa de pôquer.


Diário da Copa: Neymar e as matrioskas
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Julio Gomes

Na feirinha de Izmailovo, famosa em Moscou por ser o lugar ideal para comprar bugigangas típicas russas ou do período soviético, as matrioskas dominam o cenário.

São aquelas bonequinhas russas fofinhas. Você abre uma, aparece outra. E depois outra e outra e outra… tem algumas com três peças, com cinco, até com quinze! Algumas mais bonitas, outras nem tanto. A sacada deles é que fazem matrioskas de gente famosa.

Então tem matrioska do Lenin, do Putin, do John Lennon, do Obama, do Michael Jackson e por aí vai. Claro, tem também dos jogadores mais conhecidos. Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar, a turminha de sempre.

Nesta reta final de Copa, a feira é dominada por turistas em busca das lembrancinhas finais para a família toda. Muitos brasileiros e muitos latinos. Os vendedores, espertos como só eles, já sabem todos os números e palavras-chave em espanhol e português.

“É bom que vocês conversam com a gente, eu gosto de negociar!”, me fala Vladimir. “Os europeus parece que têm medo de nós, russos, nem chegam perto”. Vladimir me fala longas frases em russo, como se eu entendesse alguma coisa só porque lhe dei bom dia no idioma local e aprendi uma palavra ou outra.

Nossa negociação acontece em russo, espanhol, inglês e português. Uma loucura! Mas dá certo. Compro minhas matrioskas, consigo um bom desconto, ele me chama de “chorão”, eu digo que aprendi com a minha mulher e ele cai na risada.

Enquanto embala minhas bonequinhas, ele deixa cair uma matrioska de Neymar, que estava no caminho. Foi um strike, Neymar caiu e levou umas dez bonequinhas com ele. Vladimir começa a fazer um som, como se a matrioska de Neymar estivesse se contorcendo de dor. Todos em volta caem na risada.

É com essa imagem que Neymar sai da Copa. Virou piada internacional. Ao abrir as matrioskas de Neymar, os outros bonequinhos Neymarzinhos são iguais – lógico – e cada vez menores. O grande desafio dele é mudar. Senão não será maior do que é hoje nunca.

Já o desafio de Vladimir e do resto dos colegas das outras barracas é arrumar matrioskas de Mbappé e Modric. Não encontrei nenhuma em Izmailovo. Nem de Pogba ou Griezmann, nenhum francês, nenhum croata. Precisam atualizar e variar o estoque. O futebol mudou.


CR7 foi só a primeira peça de um mercado que vai pegar fogo
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Julio Gomes

A grande interrogação era Cristiano Ronaldo. Onde ele jogaria? Porque já estava claro que os dias de Real Madrid estavam contados…

PSG e Manchester United pareciam ser as única opções – desconsiderando, claro, os mercados milionários periféricos, como China, EUA ou Oriente Médio. Mas Cristiano escolheu a Juventus.

Por um lado, aumenta o abismo entre Juve e outros no futebol italiano. Por outro, coloca um clube gigante de volta a uma briga que não estava parecendo mais dela, pela coroa europeia. E volta a trazer o calcio ao centro das atenções. Talvez a própria liga italiana se beneficie, com jogadores querendo atuar no mesmo campeonato de CR7.

A partir daqui, teremos semanas frenéticas. Na Premier League inglesa, a janela de contratações será fechada em 9 de agosto, por decisão dos clubes. Nos outros mercados importantes da Europa, a data segue sendo 31 de agosto.

O Real Madrid gastou pouco nas últimas temporadas, vai viver uma reconstrução com o novo técnico, Lopetegui, e sem Cristiano. Já sabemos que é um clube ultra agressivo no mercado. Todos os sinais apontam para Neymar. Mas a coisa não é tão simples.

Por um lado, a ausência de multa rescisória e o orgulho dos homens do Catar não farão fácil essa negociação. Por outro, o PSG vai receber um Neymar menor e um Mbappé muito maior após a Copa. Será o clube de quem? Não seria mais fácil apostar em Mbappé, que é francês, tem só 19 anos e não quer sair do clube? (ao contrário de Neymar).

Mas, pelo prisma do staff Neymar, forçar uma saída agora pode ser uma armadilha. Chegar ao Real Madrid tricampeão europeu e sem Ronaldo… qualquer coisa que não seja ganhar a Champions de novo será um fracasso retumbante. Além de adicionar a imagem de mercenário à já arranhada imagem do jogador pós-Copa.

Talvez tenha mais sentido esperar um ano. Minha aposta é que o casamento Real Madrid-Neymar só será celebrado no próximo mercado, em 2019.

Eu, se fosse apostar minhas fichas, apostaria em uma investida fortíssima do Real sobre Hazard, um namoro antigo, e Kane. Ambos nomes importantes da Copa, em clubes ingleses de relevância, mas que não se comparam ao gigante espanhol. Hazard, convenhamos, está fazendo hora-extra no Chelsea.

Pogba, outro que cresce na Copa, não parece feliz no Manchester United de Mourinho. O que será de Dybala e Higuaín na Juventus, com a chegada de Cristiano? São jogadores com alto valor de mercado e que podem sair, contra a vontade deles ou não.

É como um gigante dominó com as peças de pé, formando um desenho de cifrão. A primeira peça era Cristiano Ronaldo. A partir de agora, cairão todas as outras. Vai pegar fogo!


Neymar destruiu a própria imagem na Copa do Mundo
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Julio Gomes

Os vídeos pipocam, todo dia chega um diferente. Torcedores belgas se jogam no chão, mãos nas pernas, gritos forjados de dor, fingindo que são Neymar. Ou então crianças em um campo de futebol qualquer do mundo. Quando, ao fundo, algum adulto grita “Neymar!”, todas se jogam ao chão, se contorcendo de dor.

O debate sobre Neymar nesta Copa foi intenso. Mas ele é praticamente um debate falso. Pois pouca gente discorda do fato de ele ser um grande jogador. E pouca gente concorda com sua atitude em campo.

Eu acreditava que essa seria a Copa de Neymar, inclusive com possibilidades de sair dela como favorito à Bola de Ouro – claro que isso teria de passar pelo título da seleção. Depois da lesão e do tempo parado, chegaria voando na Copa. Em um time bem arrumado e confiante.

Bastaram os dois primeiros duelos para ver que não seria assim. E o choro depois do jogo da Costa Rica mostra o quanto esses jogadores da seleção brasileira colocam sobre si uma pressão que foge completamente dos padrões aceitáveis.

Mas OK, não foi uma Copa de Bola de Ouro. Neymar fez alguns gols, jogou bem alguns jogos, mal outros, como contra a Bélgica. Não é pecado não fazer uma Copa de Bola de Ouro.

O pepino é a imagem. Todos sabiam que Neymar era um menino mimado. Só que agora ele é visto como um menino pilantra. Sabe aquela coisa de “ser exemplo para as crianças”? Bem… exemplo do quê?

Se Neymar sempre foi uma figura controversa entre adultos, entre crianças ele era uma espécie de unanimidade. Por vários fatores: o jeito moleque, o sorriso, a maneira extrovertida de jogar. Neymar perdeu nesta Copa seu maior capital. Não é mais unanimidade entre crianças. É ridicularizado por muitas delas.

Não me venham com a historinha para boi dormir de “é culpa da imprensa”.

As pessoas formam opinião em função do que veem. E o que elas viram foi um jogador tentando o tempo inteiro forçar cartões a adversários reagindo de maneira exagerada a qualquer falta. Tanto tentou ludibriar os árbitros que acabou prejudicando o próprio time – a falta de credibilidade levou árbitros a tomarem decisões erradas no campo.

Não são jornalistas nem árbitros nem adversários que fizeram a imagem de Neymar ir para o ralo. Foi ele mesmo. Virou a piada da Copa. Campeão dos memes. E essas coisas são difíceis pra caramba de serem revertidas.

Era a Copa para Neymar sair maior. Saiu menor. Muito menor.


Neymar dá a melhor resposta: a “humilhação do bem”
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Julio Gomes

Aleksandar Dragovic é um daqueles jogadores de quem provavelmente só falaremos hoje. Depois, nunca mais. Um desses caras que precisam estar no futebol, porque nem todos são craques. Temos que ter também os que caem de bunda no chão antes de Neymar meter um golaço.

Aqui na TV russa, meu paupérrimo conhecimento do idioma me permitiu entender uma expressão do narrador. “очень класс!”. Tipo… “otchin class!”. Muita classe. Emendou com um “d-jo-go bo-ni-to”.

Essa é a marca do Brasil no mundo, quer o pessoal queira ou não. É por isso que a seleção brasileira é adorada. Não por vitórias. Mas por encanto.

O gol absurdo de Neymar, deixando Dragovic sentado como um pato no chão antes de concluir a gol, é a melhor resposta possível para o adversário.

Como mandou mal a Áustria neste domingo! Não permitiu o minuto de silêncio a Maria Esther Bueno antes do jogo (e isso em um dia em que um tenista austríaco jogava a final de Roland Garros). E não cansou de bater em campo.

É verdade que os amistosos pré-Copa tiveram a marca da competitividade. Algumas entradas mais fortes, jogos “sérios”. Mas uma coisa é jogar sério, outra é bater gratuitamente.

Prodl deu uma entrada criminosa em Neymar, seguida de um grito também, convenhamos, exagerado. Escutei aqui em Moscou sem precisar da TV. Schopf foi só madeira desde o início. Na falta do cartão vermelho, o próprio técnico austríaco, o senhor Foda (desculpem, a culpa não é minha), retirou o rapaz de campo. E Dragovic chutou Marcelo no chão, fingindo que queria tirar a bola. Primeiro levou dura de Paulinho. Depois, virou meme. Bem feito pela humilhação.

Foto André Mourão / MoWA Press

Essa é a humilhação válida. Nunca na vida criticarei Neymar por dar um drible maravilhoso como este para tirar o rival da jogada e meter o gol. Critico as carretilhas inúteis no meio de campo apenas para humilhar outro profissional.

Recado dado. Neymar será caçado na Copa. Porque é craque e porque é detestado por muitos – o que fala dele tanto quanto fala dos outros. Caberá às arbitragens coibir os açougueiros. E a Neymar responder na bola, como fez hoje.

O Brasil enfrentou um adversário duro, que acaba de ganhar da Rússia e da Alemanha – jogando bem, não por acaso. A seleção não deu chance alguma, fez 3 a 0 e poderia ter feito mais.

A Copa pode vir ou não. Isso é um jogo. Mas essa é uma seleção pronta para algo grande na Rússia.

 


Amistosos chatos e com poucos gols. Coincidência ou tendência?
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Julio Gomes

Nestes primeiros dias de amistosos para a Copa, já podemos ver uma espécie de tendência. Jogos de poucos (ou nenhum) gols entre seleções que estarão no Mundial. Os gols ficam para as partidas com pelo menos uma seleção que não vai à Copa.

O Brasil x Croácia deste domingo, em Liverpool, seguiu a tendência vista nos 0 a 0 de sábado, entre Bélgica e Portugal e entre Suécia e Dinamarca, ou no 0 a 0 de sexta entre Egito e Colômbia. Jogo sem graça, sem intensidade e com poucas chances de gol.

Estão escondendo o jogo? Apenas coincidência? Ou será uma tendência?

É difícil imaginar que os jogos de Copa do Mundo terão essa pouca intensidade. Mas não é difícil imaginar que grande parte dos jogos serão mesmo estudados em demasia, amarrados, com poucas chances.

Hoje em dia, existe muito equilíbrio no futebol. Os jogadores se conhecem, o nível físico é parecido, os espaços são escassos. Qualquer um consegue montar um time para empatar. Considerando que taticamente todos – ou quase todos – estão em nível parecido, o equilíbrio sempre será quebrado pelo talento.

Foi o que aconteceu em Liverpool neste domingo. Neymar entrou no segundo tempo e decidiu o jogo. É isso o que se espera dele – nada mais, nada menos. O desequilíbrio. No último lance, Firmino fez o segundo.

Portugal não teve Cristiano Ronaldo contra a Bélgica. Os belgas que desequilibram, Hazard e De Bruyne, não estavam ligados no jogo. Suécia e Dinamarca não têm jogadores assim. Salah não estava no Egito x Colômbia. Tudo 0 a 0. Seria também o placar de Brasil x Croácia, não fosse Neymar.

A exceção foi Inglaterra 2 x 1 Nigéria, resultado que passou por um primeiro tempo muito, mas muito ruim mesmo, dos nigerianos. No segundo tempo, o marasmo foi parecido ao dos outros jogos.

O desequilíbrio trazido por Neymar pode ganhar a Copa para o Brasil. Simples assim.

 

 


Zidane e Asensio apagam a constelação do PSG
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Julio Gomes

Com toda a licença do mundo a Cristiano Ronaldo, pelos gols feitos, e até mesmo Neymar, pela sentida ausência, mas Zinedine Zidane foi o nome próprio da classificação do Real Madrid contra o Paris Saint-Germain pela Liga dos Campeões.

No primeiro jogo, ele já havia feito uma leitura perfeita da configuração tática do PSG, colocando Asensio em campo e definindo a partida com dois gols no fim. Para o segundo jogo, Zidane mostrou novamente ser um técnico subvalorizado por muitos – inclusive este escriba, em muitos momentos.

Não é qualquer um que tem a coragem de deixar no banco de reservas jogadores como Bale, Kroos e Modric. Não basta ter respeito dos próprios jogadores e apoio dos chefes para fazer algo assim. É necessário ter um plano. E Zidane tinha um plano.

Com as entradas de Asensio, Lucas Vázquez e Kovacic no meio, foi formada uma linha de quatro com Casemiro. Foram os quatro jogadores que mais quilômetros percorreram no primeiro tempo, dando consistência defensiva ao time e ao mesmo tempo dando volume ofensivo quando a bola era recuperada.

O PSG mantinha a posse com Motta, Rabiot e Verratti, mas muitos metros separavam os meio-campistas dos atacantes. Faltava Neymar flutuando pelo meio para fazer as associações entre linhas, papel que Di María não conseguiu desempenhar.

Só nos 5 minutos finais o PSG conseguiu finalizar a gol e criar suas duas melhores chances – em uma delas, Mbappé preferiu chutar em vez de dar o gol a Cavani, uma decisão para lá de equivocada. Antes disso, Areola havia feito duas ótimas intervenções.

No segundo tempo, o plano de Zidane triunfou. Asensio roubou bola de Daniel Alves, avançou, recuou e encontrou um passe precioso para Vázquez, que cruzou para Cristiano, sempre ele, fazer o 1 a 0.

Asensio ou Mbappé? Por enquanto, o espanhol é o jogador jovem de melhor prospecto na Europa. Mbappé foi muito mal na eliminatória de Champions.

O PSG foi para cima, criou chances, empurrou, mas o estrago já estava feito. E Verratti não ajudou nada xingando o árbitro e sendo expulso tolamente – ótimo jogador, mas é bom lembrar que foi ele que, um ano atrás, fez uma falta estúpida no goleiro (!) do Barcelona, habilitando o time catalão a jogar a bola na área e marcar o sexto gol daquela remontada histórica.

Um rebote na área acabou em empate de Cavani. Mas logo o Real Madrid voltou a marcar, com Casemiro – parece que todos os gols deles saem de desvios. Rabiot, que não acompanhou Vázquez no primeiro gol e entregou a bola de volta para a área suavemente no segundo, foi o pior do PSG em campo.

O fato é que no duelo entre quem é e quem quer ser, o Real Madrid mostrou ao PSG que, para ser campeão europeu, o clube francês ainda tem muito arroz e feijão para comer. Pequenos erros na tomada de decisões geram prejuízos incríveis. Times que chegam mais, como o Real Madrid, estão mais habituados a estes momentos.

Era querer demais que logo no primeiro ano de Neymar o PSG fosse campeão europeu? Talvez. O fato é que o PSG tem ficado há alguns anos a um passo das semifinais, de conseguir algo grande, e Neymar seria esse passo. Não desta vez.

 


Neymar e a velha queda de braço: Copa x clubes
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Julio Gomes

Primeiro, é necessário falar a real. Jogador brasileiro que sabe que será convocado para a Copa do Mundo morre de medo de se machucar às vésperas da competição. Se dependesse deles, ficariam sem jogar os últimos dois ou três meses da temporada europeia.

Nunca entendi o papo de “falta de comprometimento” com a seleção. Dez de dez jogadores profissionais com quem convivi ou tive contato tratam a seleção brasileira como total prioridade em suas vidas. Isso não acontece com várias seleções europeias – por isso, às vezes, vemos times bons no papel fracassarem, pois não há química nem foco total.

E, sim, isso deixa muitos clubes europeus P…s da vida em ano de Copa. Porque eles sabem que os 15, 16 brasileiros “garantidos” no Mundial irão tirar o pé na temporada.

O PSG deve estar P… da vida com Neymar. E tem lá sua dose de razão. Pagou 222 milhões de euros para Neymar levar o clube ao título da Champions League. Campeonato Francês dá para ganhar sem Neymar.

(Aliás, antes que critiquem o técnico por não tirá-lo do jogo decidido contra o Olympique de Marselha, que é uma coisa que já andei ouvindo por aí esses dias, vai aqui uma informação. Neymar jogou 30 partidas na temporada. Foi titular nas 30. Foi substituído ZERO vezes. Me parece que o rapaz não gosta de sair de campo. E o jogo não era o último antes da partida contra o Real Madrid, ainda faltavam dez dias.)

O que aconteceu foi uma fatalidade. Contusões acontecem no futebol até em treino.

O que vem depois da lesão, no entanto, já mostra bem quais são as prioridades. Pelas informações disponíveis, a lesão poderia cicatrizar sozinha em semanas. Neymar perderia o jogo enorme contra o Real Madrid, mas ainda poderia ajudar o PSG na Champions, caso o time passasse pelas oitavas – não é impossível.

A OPÇÃO escolhida por Neymar, Neymar pai e pessoas de confiança foi operar, pensando na Copa do Mundo.

Poréééém, poucos minutos depois desta notícia, que chegou via-staff de Neymar, o técnico do PSG, Unai Emery, deu entrevista coletiva negando a operação. Dizendo que ainda é necessário esperar alguns dias.

É óbvio que o clube, que é quem paga salário, tentará preservar seu investimento e vai querer contar com Neymar na temporada. E se os caras ganham do Real Madrid semana que vem?? Como fica nas quartas de final?

Por que a opção pela cirurgia significaria optar pela Copa, em vez do clube?

Pelo seguinte. Ele ficaria dois meses parado, a lesão seria curada de forma mais segura e voltaria a tempo de ganhar ritmo em alguns jogos de final de temporada na França, ainda tem dois ou três amistosos com a seleção, participa dos treinamentos desde o começo, na Granja Comary.

Já vimos um milhão de vezes essa história. Jogadores que perdem um pedaço da temporada anterior chegam à Copa melhor fisicamente. E jogadores que atuam durante a temporada inteira chegam esgarçados no Mundial.

Para o jogador, que só quer jogar, deve ser frustrante (além de dolorido e doloroso) ficar fora de partidas importantes. O campo é sempre melhor que o hospital. Além, claro, de uma operação ser uma operação. Sempre existe risco, receio, angústia. Não é uma coisa trivial. Mas tampouco estamos falando da cirurgia e recuperação mais complicadas da medicina esportiva.

Para a seleção, no entanto, não vejo como má notícia. É uma bala desviada.

Do jeito que Neymar apanha e joga muitos minutos, o risco seria constante. Ele poderia sofrer qualquer lesão muscular leve, daquelas de um mês, no fim da temporada. Como poderia sofrer uma lesão muito mais grave do que esta.

Nos amistosos contra Rússia e Alemanha, Tite terá a oportunidade de testar o time sem Neymar, coisa que nunca foi feita antes da semifinal de 2014. Tudo bem, seria bom tê-lo nestes testes. Mas não tê-lo tem seu valor. É importante o time se sentir confiante para a eventualidade de o melhor jogador não estar em campo.

Tem mais. Se fizer a operação, ele fica dois meses fora dos campos e, de quebra, dois meses longe dos holofotes, da eventual pressão por não ter alcançado o objetivo com o PSG, das críticas, da antipatia generalizada que está se criando em torno do nome dele.

E o plano de ser melhor do mundo fica preservado, porque a competição decisiva para isso, em ano de Copa, é a própria Copa. Chegar tinindo na Rússia e arrebentar com a seleção é o atalho mais curto.

Para quem ama futebol, queria ver Neymar contra o Real Madrid, queria ver o que seria desse PSG na temporada, a opção de Neymar é uma tristeza. Para o clube, um desastre. Para quem está preocupado com o hexa, não é.

E aí, quem vai ganhar a queda de braço?

Se eu fosse apostar meu pouco dinheirinho, seria no jogador…

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