Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Neymar

No meio da guerrinha, quem mostra mais bola e maturidade é Mbappé
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Engana-se quem pensa que o mais importante na tarde desta quarta era analisar o futebol jogado por Paris Saint-Germain e Bayern de Munique. Tudo estava e está em segundo plano. Entender a relação entre Neymar e Cavani, compreender o que ela pode significar, é a coisa mais importante do momento.

“Ah, mas isso é fofoquinha”, dirão alguns. Não, não, mil vezes não. Isso é observar e analisar a relação entre o principal artilheiro do time e o jogador mais caro da história do futebol. É óbvio que o sucesso do PSG na temporada depende de um bom relacionamento entre eles – mesmo que tal relacionamento seja restrito ao campo.

Se houver qualquer tipo de boicote ou má vontade, estará indo por água abaixo o projeto de maior investimento já visto no futebol.

Os números mostraram que, desde a estreia de Neymar com a camisa do PSG até o “jogo da discórdia”, contra o Lyon, dez dias atrás, ele e Cavani foram trocando menos e menos passes entre eles. Não é fofoca. É estatística. É análise de dados.

O que se viu nesta quarta, contra o Bayern, é que Mbappé não assumiu a camisa do “time Neymar” ou do “time Cavani”. Foi o garoto de apenas 18 anos quem melhor e mais democraticamente se apresentou em campo. Foi o grande nome da vitória.

Vitória construída logo a um minuto e meio. Neymar fez grande jogada pela esquerda e deu passe açucarado para Daniel Alves, que entrou muito mais livre do que deveria pela direita para finalizar. A partir daí, o Bayern de Munique tomou as rédeas do jogo e abusou das bolas aéreas. Levou vantagem quase sempre, o que deve acender um sinal de alerta na defesa do PSG.

No entanto, é perceptível que será muito difícil para qualquer time jogar contra o PSG estando atrás no placar. Ceder espaços é simplesmente fatal. Neymar e Mbappé são muito rápidos e muito bons. E Cavani é um atacante de mobilidade, que se desloca bem. Os três farão barulho durante a temporada toda, especialmente quando tiverem buracos para contra atacar.

Vieram, então, os gols de Cavani e Neymar. E as comemorações. Que precisam, sim, ser observadas.

No segundo gol, Mbappé costurou pela direita, fez grande jogada e passou para Cavani acertar um chutaço. Neymar, que no primeiro gol comemorou efusivamente com Daniel Alves, no segundo gol correu em direção a Mbappé, enquanto o time celebrava com Cavani. Depois, só depois, Neymar fez lá um carinho em Cavani. Frio. Mais para as câmeras do que qualquer coisa.

Claramente existe algo ali. Só não vê quem não quer. Está bem longe de estar resolvida a questão entre eles.

No segundo tempo, o Bayern continuou em cima. Literalmente. Todas as tentativas eram por cima. Mas podiam ficar jogando uns três dias que não sairia o gol do Bayern.

E logo começaram a aparecer mais chances de contra ataque para o PSG. Em uma delas, após jogada iniciada por Dani Alves, Mbappé penteou a bola, só não fez chover dentro da área e cruzou. No rebote, Neymar deixou o dele.

O time inteiro correu para celebrar com Mbappé. Quando substituído, foi aplaudido em pé pelo Parque dos Príncipes.

Deu para notar que tanto Neymar quanto Cavani se sentem muito mais à vontade buscando se associar a Mbappé. E este mostra incrível maturidade e capacidade de fazer as melhores escolhas. Dar o passe para quem realmente tem que receber o passe, sem fanfarronices ou querer jogar para a torcida. Esse garoto vai longe.

Com 3 a 0, Neymar bateu uma falta. Cavani bateu outra. Se cumprimentaram. Não teve o pênalti que todo mundo queria. A relação está fria mas, em uma noite ótima para o Paris, o clube não foi afetado negativamente. Lógico, teremos que ver como a coisa evolui ao longo da temporada e, o principal, teremos de ver o que acontecerá com os pênaltis e o que acontecerá em jogos em que as coisas não estiverem dando certo.

Tanto a coisa está pegando que, em um lance parecido com o do primeiro gol, Neymar habilitou Daniel Alves para finalizar e fazer o quarto. Mas Daniel preferiu cruzar para Cavani fazer mais um. Foi nítida a intenção do lateral brasileiro.

O jogo não sela a paz entre Neymar e Cavani. Mas mostra que eles podem conviver em campo sem prejudicar o time. Só não podem querer disputar a amizade e os passes de Mbappé da maneira infantil como disputaram as cobranças de pênalti e falta dez dias atrás.

O Bayern de Munique tem problemas. Falta criatividade no ataque e sobram espaços para os adversários contra golpearem. Vai ficar em segundo neste grupo, e vamos ver que peças Carlo Ancelotti vai mover para o gigante alemão ser forte no mata-mata, no ano que vem.

 


Neymar e outras boas notícias no empate da seleção na Colômbia
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O Brasil de Tite, finalmente, não venceu nas eliminatórias. O surreal mesmo era ganhar tantos jogos seguidos na que talvez seja a mais dura competição entre seleções. Empatar com o bom time da Colômbia, em Barranquilla, é um resultado para lá de normal.

A seleção não teve de início quatro titulares (Miranda, Marcelo, Casemiro e Gabriel Jesus), mas fez um jogo sólido. Algumas boas notícias podem ser tiradas.

William, de volta aos titulares depois da queimada de filme de Philippe Coutinho no mercado europeu, voltou a jogar bem. Fez um golaço no primeiro tempo.

Thiago Silva e Fernandinho fizeram jogos sólidos. O meio de campo mostrou organização e nunca deixou a Colômbia ter espaço e se sentir confortável. James Rodríguez causou mais danos ao cair para os lados.

Foi assim, com um lindo passe, que ele desmontou a marcação de Filipe Luís e Renato Augusto e habilitou o companheiro para dar o cruzamento que resultou no belo cabeceio de Falcao García. Ninguém falhou no gol, foram muitos méritos do adversário.

No primeiro tempo, a Colômbia bateu demais. O time soube apanhar, não caiu na pilha, não revidou. E ainda teve a maturidade de pedir ao técnico rival, Pekerman (Daniel Alves e Neymar falaram com ele), para que conversasse com seus jogadores. No segundo tempo, o jogo ficou muito mais calmo.

E a melhor das notícias foi Neymar. Depois do jogo ruim, individualista e pouco produtivo, contra o Equador, ele voltou a ser o “Neymar da seleção” na Colômbia.

Será que Tite chamou o jogador de lado para uma conversa sobre a atuação de quinta? Seria ótima notícia. Mas duvido que ficaremos sabendo se ela ocorreu e em que termos.

Se Tite não falou nada, média notícia. Pelo menos Neymar caiu em si.

Suas melhores atuações pela seleção são como as de hoje. Pela esquerda, com liberdade de criação e movimentos, mais perto do gol e com menos adversários. Foi de uma jogada dele, por exemplo, que saiu o golaço de William. E também saíram outros lances de perigo.

Neymar não funciona quando joga de forma anárquica, transitando pelo meio de campo, com muitos rivais pela frente e se preocupando com carretilhas. Este Neymar não passará nem perto de ganhar uma Bola de Ouro.

Já o Neymar maduro, consciente taticamente, letal em velocidade e fazendo gols, este sim, pode ganhar uma logo logo.

 


Neymar faz seu pior jogo com Tite. Tendência ou exceção?
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Neymar fez contra o Equador, em Porto Alegre, aquele jogo que só gosta quem tem carteirinha do fã clube. Individualista, nervosinho, agressivo com os rivais, pouco útil para o time. Prendeu a bola, buscou dribles em vez de passes, tomou as decisões erradas.

Fez um jogo mais parecido com os dos tempos de Dunga, em que a seleção brasileira era um amontoado à espera de Neymar para resolver as coisas. Com Tite, a coisa mudou. Neymar atuou sempre pela esquerda, perto do gol e com liberdade para afunilar, se associar, entrar na área e finalizar.

Esta é a melhor versão de Neymar. Em Barcelona, ele jogava pela esquerda, mas com pouca liberdade de movimentos e com muitas obrigações defensivas. No Brasil de Tite, passou a produzir mais jogando à vontade (mas com um posicionamento).

No primeiro jogo pelo PSG, contra o Guingamp, Neymar jogou de forma anárquica. Pelo meio, vindo buscar todas as bolas, “à la Messi”, longe do gol e de seu melhor lugar no campo. Nos jogos seguintes, a coisa já se acertou e ele jogou de forma mais parecida à da seleção.

Eu acredito que a partida desta noite seja uma exceção, pelo fato de o Brasil já estar classificado. E não uma tendência, pelo fato de ele ter ido buscar liberdade e protagonismo no PSG. Mas isso é algo para vermos nos próximos jogos.

Não acredito que Tite tenha ficado feliz com a partida de seu melhor jogador. Os próximos dias terão implicações até a Copa. O treinador vai deixar isso claro internamente? Ou vai deixá-lo se sair com uma atuação assim?

Philippe Costinhas, perdão, Coutinho, por outro lado, mudou o jogo ao entrar. Ocupou a faixa central do campo, trouxe velocidade e dinamismo, empurrou Neymar para a esquerda e fez um golaço.

Com o mau jogo de Neymar e os ótimos minutos de Coutinho, capaz que o Barcelona ofereça 250 milhões de euros ao Liverpool e ainda bata no peito. A janela de transferências se fecha na Espanha nesta sexta.

A defesa não foi exigida, Willian e Gabriel Jesus foram muito bem, a estrela de Paulinho brilhou.

O time titular está testado e aprovado. Talvez, nas rodadas finais das eliminatórias, Tite possa testar jogadores e sistemas. Fica a dica.

A má notícia fica para o público. Dois terços do estádio ocupados. E o terço vazio? Certamente vazio pelos preços altos. Eles seguem achando que a seleção brasileira é só deles.


Quatro impressões iniciais da temporada europeia
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A temporada 2017/2018 ainda mal começou na Europa e temos a primeira pausa para jogos de seleções. Foram quatro rodadas na França e Portugal, três na Inglaterra e Holanda, duas na Alemanha, Espanha e Itália. Foram disputadas também as fases prévias da Liga dos Campeões e da Liga Europa, com as chaves sorteadas para a fase de grupos de ambas as competições continentais.

Já podemos tirar conclusões? É logicamente cedo para concluir qualquer coisa. Mas já temos alguns indícios. Aqui vão quatro deles:

1- Manchester United é favorito a tudo

Convencionou-se dizer que a segunda temporada de José Mourinho é sempre a melhor nos clubes por onde passa. O técnico português tem impacto imediato, mas é depois de observar (e trocar) as peças do elenco que ele consegue elevar seus times ao próximo nível.

A primeira temporada de Mourinho no United não foi ruim. Conquistou a Europa League e a Copa da Liga Inglesa. É verdade que são títulos menores para um clube com o tamanho e o histórico do United, mas ainda assim foram os primeiros pós-Ferguson, o que foi importantíssimo. Para este ano, chegaram Lukaku, Matic e Lindelof. E agora há a notícia da permanência de Ibrahimovic, um jogador importantíssimo, ainda mais considerando que o sueco ficou apesar da chegada de Lukaku – ou seja, fica com a consciência da reserva e de sua importância para o grupo.

O United é o único a ganhar os três jogos na Premier League e não sofreu um gol sequer. Meteu 4 a 0 no West Ham e no Swansea (fora) e fez 2 a 0 no Leicester. O United do campeonato passado não goleava ninguém e costumava empatar jogos como este, contra o fechadinho Leicester, sábado. Agora apresenta mais soluções ofensivas aliadas à solidez defensiva.

Além do mais, o United foi sorteado em um grupo fácil na Champions League, ou seja, não precisará abrir mão de jogos na Premier League para avançar às oitavas na Europa. É apenas início de temporada, mas já deu para ver que as previsões feitas antes de o campeonato começar estavam certas: o gigante de Manchester vai disputar o título inglês, sim senhor, e é forte candidato na Champions.

Ainda na Inglaterra, importante observar o bom início do Liverpool, apesar da “lesão” (assim mesmo, entre aspas) de Philippe Coutinho. Sem o brasileiro, os Reds passaram bem pela prévia da Champions, contra um perigoso Hoffenheim, enfiaram impiedosos 4 a 0 no Arsenal, ontem, e só não têm 100% na Premier porque levaram um gol nos acréscimos e em impedimento na primeira rodada. Havia a interrogação sobre o que seria o Liverpool sem Coutinho. E a impressão é que Klopp conseguirá superar a ausência de seu melhor jogador – se ele, de fato, sair para o Barcelona.

2- Milão está de volta

Comprados por chineses, Milan e Internazionale tentam retomar dias de glória e quebrar o inédito domínio da Juventus, hexacampeã italiana.

O Milan foi o terceiro clube que mais gastou na janela de verão europeia, atrás apenas de Manchester City e PSG, trouxe o torcedor de volta ao San Siro e não está deixando ninguém na mão até agora. Passou com tranquilidade da fase prévia da Europa League e ganhou as duas primeiras no Italiano – ainda que tenha sofrido mais da conta ontem, contra o Cagliari.

É um time inteirinho novo e, como eu já dizia na prévia do Italiano, vamos ver que química Montella irá conseguir criar. Se encaixar, como parece que está encaixando, o Milan tem tudo para estar entre os quatro primeiros e ameaçar a Juventus. O início é promissor.

A Inter foi a quarta que mais gastou antes da temporada passada. Para este ano, mais do que gastar, o que o clube fez foi trazer o técnico Spalletti. E logo na segunda rodada ele comandou uma virada importante contra seu ex-clube, a Roma, fora de casa. A ausência de competições europeias (calendário folgado), duas vitórias em dois jogos, sendo uma delas contra um adversário direto da parte alta da tabela, credenciam a Inter a fazer um bom papel no Italiano.

3- Monaco não dará trégua ao PSG

Neymar começou muito bem sua trajetória no PSG, com gols, assistências e eficiência. Por aqui, o que mais ouvimos ultimamente é que “na França é fácil”. Bom, geralmente os que falam isso também achavam que “jogar na Espanha é fácil”. Difícil é o Brasileirão, claro.

Os adversários da França estão um degrau abaixo da Espanha, sem dúvida, e a diferença do PSG para os outros é muito grande. Mas eu não usaria tais argumentos para diminuir o início de Neymar.

O que este começo de temporada nos mostra, no entanto, é que o PSG não vai passear rumo ao título do Francês. O atual campeão é o Monaco e, apesar da perda de três titulares para a Premier League, o time de Leonardo Jardim trouxe boas reposições e manteve o alto nível.

Assim como o PSG, o Monaco ganhou seus quatro primeiros jogos no campeonato e, ontem, enfiou 6 a 1 no Olympique de Marselha – um grande do país e que começou a temporada como suposta terceira força. Falcao García começou voando e já tem sete gols nas quatro primeiras rodadas, e o Monaco fez os mesmos 14 gols que o PSG marcou.

Resta saber se nesta semana serão confirmados os rumores da saída de Mbappé do Monaco para o PSG. Se a transferência realmente ocorrer, aí a balança se desequilibra. Mas, por enquanto, não podemos descartar o atual campeão. Somando as duas temporadas, o Monaco ganhou seus últimos 16 jogos na Ligue 1.

4- Barcelona em crise

Quem olha a tabela do Espanhol, vê o Barcelona entre os líderes, com seis pontos, e o Real Madrid abaixo, com quatro. Nesta segunda, o clube catalão apresentou o novinho Dembélé, segundo jogador mais caro da história do futebol. Pode ser que para os jornais locais a crise seja passado. Mas não é. O Barcelona foi atropelado pelo Real na Supercopa, jogou francamente mal nas duas vitórias pela Liga e nota-se uma ruptura entre jogadores e diretoria. Não há coesão e união.

Se conseguir acertar com Coutinho até quinta, quando fecha a janela de transferências, o Barcelona terá sido o clube campeão de gastos do verão. Tudo isso porque perdeu Neymar de forma humilhante para o PSG e saiu comprando a torto e direito, pagando mais do que o mercado exige. Jogando para a torcida, sem qualquer planejamento financeiro.

Perdeu Neymar para si mesmo, assim como tinha perdido uma peça tão importante como Daniel Alves. E agora temos a novela da tal assinatura de Messi, que está faltando, apesar do anúncio de renovação meses atrás.

O início de temporada mostra um Barcelona rachado, com pouco futebol e muitas interrogações. Interrogações que não pairam sobre o Real Madrid, apesar do tropeço diante do Valencia – sem Cristiano Ronaldo, diga-se.


Neymar, agora sim, joga como na seleção e dá show em Paris
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Se no primeiro jogo com a camisa do PSG, domingo passado, Neymar fez o que quis em campo, vindo buscar jogo até no círculo central, no segundo, vitória de 6 a 2 sobre o Toulouse, a coisa foi diferente.

Hoje, sim, Neymar jogou de forma muito similar à que joga na seleção brasileira com Tite. Seu posicionamento é pela esquerda, mas ele tem liberdade para afunilar e aparecer em outras áreas do campo. Mas sempre no ataque, não tantos metros longe de gol.

Com técnica e improviso, ele foi o nome do jogo em sua primeira partida no Parque dos Príncipes. Fez dois gols, o mais importante e o mais bonito, cavou pênalti, deu duas assistências e carretilha. Um show, como o esperado pelo valor desembolsado por ele.

Não jogou nem tão fixo na esquerda e precisando até voltar para recompor na marcação, como no Barcelona. E nem tão anárquico como na estreia, em Guingamp.

Mais fiel ao posicionamento, Neymar fez um jogo melhor neste domingo. E funcionou melhor para o time, pois não criou um “congestionamento” no meio de campo. E apareceu mais vezes na área, criando (muito) perigo.

Assim, transformou Rabiot no nome do primeiro tempo. O meio-campista foi, para fazer um paralelo, uma espécie de Iniesta contra o Toulouse, avançando pela esquerda e se aproveitando dos corredores e quebras defensivas criadas por Neymar.

Em um chute de Rabiot, que o goleiro deu rebote, Neymar fez o primeiro gol. Gol importante. Pois o PSG começou melhor, mas cedeu um gol no contra ataque e começava a dar sinais de tensão.

Antes disso, Neymar havia perdido um gol feito, chutando por cima cara a cara. E havia dado uma assistência magnífica desperdiçada por Cavani. Logo depois do empate, Neymar deu uma bela deixada para Rabiot acertar um chute preciso e virar o jogo.

Di María foi quem, assim no primeiro jogo, centralizou seu posicionamento. Uma nítida tentativa de abrir o corredor para Daniel Alves, que apareceu mais vezes no ataque. O sacrificado é Verratti, que precisa ficar mais precavido. Se é para jogar assim, talvez Pastore seja uma opção melhor do que Di María para o time.

No segundo tempo, Neymar tentou cavar um pênalti, fez uma firula, foi o jogador mais ativo, mas Cavani estava pouco inspirado. Depois da expulsão injusta de Verratti, parecia que a coisa iria virar dramática. E aí os gols passaram a sair aos montes.

Neymar cavou um pênalti que eu não marcaria, e Cavani fez 3 a 1. Depois de o Toulouse diminuir, Pastore fez o quarto, e Kurzawa, em um golaço de voleio após escanteio batido por Neymar, fez 5 a 2. O melhor ficou para o fim. Em um lance na área que parecia perdido, Neymar se livrou da marcação e fez um golaço.

Foi um jogo muito agradável, o PSG está jogando bom futebol. E, com Neymar, agora mais fiel ao seu melhor posicionamento e com liberdade de ações, ganhando entrosamento, a tendência é só melhorar.

Só seria bom evitar carretilhas, como a dada nos acréscimos, que só servem para adversários se sentirem humilhados. Tem quem goste. Eu acho que faz mais mal do que bem para ele.

Enquanto isso, o Barcelona ganhou por 2 a 0 do Betis e Messi, apesar de três bolas na trave, andou em campo. O que vai virando tendência. Isso na semana em que o clube admite não ter ainda a assinatura de Messi para a renovação e surge fumaça forte de que ele poderia ir para o Manchester City. Se bobear de graça, ao final da temporada.

Imaginem o Barcelona sem Messi, depois de perder Neymar basicamente por causa do tal protagonismo? Uau.

O PSG soma três vitórias no campeonato. Mas o Monaco também, e a qualidade do atual campeão não caiu, mesmo com os jogadores que saíram. O Campeonato Francês não será a baba que muitos pensam.


Neymar estreia “à la Messi”, armando jogo e mais longe do gol
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Neymar fez uma boa estreia com a camisa do Paris Saint-Germain. Fez o terceiro gol da vitória de 3 a 0 sobre o pequenino Guingamp, após passe de Cavani – o uruguaio havia marcado o segundo, na primeira assistência de Neymar pelo PSG. A lata havia sido aberta em um gol contra patético do Guingamp no início no segundo tempo.

Um gol, um passe para gol, uma caneta, um bom cruzamento que Marquinhos cabeceou no travessão. Não dá para reclamar.

Eu sou uma voz que destoante da maioria ao analisar o futebol de Neymar. O rapaz é um craque, disso não há dúvidas. Mas, a meu ver, sua principal qualidade é a finalização.

Com isso, não quero dizer que ele não seja bom driblador ou que não saiba armar o jogo. Apenas digo que a melhor versão de Neymar é aquela em que ele joga bem perto do gol, recebendo bolas limpas e com poucos adversários pela frente. De preferência, em velocidade. Ele tem um índice de aproveitamento ao concluir para o gol do nível de Cristiano Ronaldo e outros finalizadores pelo mundo.

Em quatro temporadas no Barcelona, Neymar fez 88 gols de bola rolando. 40 deles com apenas um toque na bola, 39 com domínio e finalização e somente 9 construindo o próprio gol.

Na estreia, o gol veio com toque único na bola. É lógico que essa proporção vai mudar no PSG. Ele jogou de 10. A mudança de camisa nunca foi tão fiel à mudança tática. Jogou como Messi faz em vários momentos no Barcelona, recebendo bolas no meio de vários adversários (como ilustra a foto abaixo). É bom. Ficarão mais fáceis as comparações.

Na temporada passada, a primeira do técnico Unai Emery, o Paris jogou quase sempre com dois jogadores bem abertos – entre Draexler, Di María e Lucas. Neste domingo, Neymar e Di María jogaram centralizados, abrindo o corredor para os laterais. Só que praticamente “tirando” do jogo o italiano Verratti, que é originalmente o principal armador do time.

Daniel Alves deu poucas estocadas pela direita, com o tempo vai adquirir mais entrosamento com o argentino. Kurzawa avançou muito pelo espaço que seria de Neymar na esquerda. Dele saiu o cruzamento que mais tarde acabaria no gol de Neymar.

E o jogo todo passou pelos pés do brasileiro. Até demais. Uma coisa é ter liberdade em campo. Ter posição saindo da esquerda, mas ter liberdade de movimentos. É assim que Neymar joga na seleção brasileira.

Não foi o que aconteceu na estreia. Ele foi um meia de fato, um armador, o principal construtor de todas as jogadas. Foi mais um Isco ou um Rodriguinho ou um Iniesta do que Neymar. Foi mais Verratti do que Verratti. Deste jeito, em alguns momentos de vacas magras pré-Tite, a coisa não funcionou tão bem na seleção.

Ocupou uma parte do campo em que há mais gente, mais congestionada. E ficou longe demais do gol.

No primeiro tempo, o PSG, apesar de ter a bola o tempo todo, criou pouquíssimas chances de perigo real. No segundo tempo, ganhou um presente de Ikoko, um gol contra dos mais bizarros que todos veremos em nossas vidas.

Aí sim, o jogo mudou, ficou fácil, o PSG passou a ter mais espaços. Neste cenário, em um contra ataque, Neymar deu um passe maravilhoso para Cavani fazer o segundo gol. Sua primeira assistência com a nova camisa.

O número de passes para gol inevitavelmente aumentará. Mas é bom ressaltar que Neymar já dava muitas assistências no Barcelona. Isso não passa necessariamente por ter um posicionamento de “playmaker”.

Sinceramente, não acho que esse posicionamento se manterá e é justo que o técnico tente em uma partida contra um adversário fraco como o Guingamp.

Na hora H da temporada, acredito que Emery vai preferir Neymar jogando mais à esquerda, mais perto do gol, onde ele é muito mais produtivo.

Se o plano de sair do Barcelona e ir para o PSG era ser protagonista e jogar como Messi, parece que ele será mesmo colocado em prática. Vai faltar… jogar como Messi.

 


Prévia do Francês: Neymar e PSG fazem bi parecer só um sonho para o Monaco
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juliogomes

Depois de quatro títulos consecutivos do Paris Saint-Germain, que se transformou em um grande player europeu com a compra do clube e os aportes financeiros vindos do Catar, a França viu atônita a um jovem e insinuante time do Monaco conquistar a Ligue 1.

Capitaneado por um renascido Falcao García e com uma constelação de jovens valores, o Monaco arrancou com muita força e, na reta final da temporada, simplesmente não deixou o PSG ultrapassá-lo. Isso tudo jogando a Champions League ao mesmo tempo e só caindo na semifinal, para a Juventus.

Será que o Monaco vai conseguir repetir a dose?

Muito, muito difícil. A caminhada começa nesta sexta-feira, às 15h45, abrindo o campeonato em casa contra o Toulouse. No sábado, logo às 12h, tem jogo do Paris e possível estreia de Neymar.

O PSG “quebrou a banca” no mercado de transferências pagando a cláusula rescisória no valor de 222 milhões de euros e tirando Neymar do Barcelona. É uma adição técnica estratosférica a um time já muito bom.

O PSG é forte em todas as linhas, tem um elenco equilibrado e um técnico, o espanhol Unai Emery, muito competente. Emery é subvalorizado por quem acompanha o futebol não tão de perto, mas é um profissional jovem, dedicado e que sabe demais do jogo. Só não pode de forma alguma, logicamente, entrar em rota de colisão com Neymar.

Além dele, o Paris assinou com Daniel Alves e com o lateral esquerdo espanhol Berchiche (16 milhões de euros), da Real Sociedad, para suprir a aposentadoria de Maxwell.

Só não sabemos ainda se o Paris irá perder algum jogador importante nesta janela. Verratti é um alvo do Barcelona já há bastante tempo, e tirar o ótimo meia italiano seria uma vingancinha interessante. E Di María deve estar preocupado com a alta probabilidade de esquentar banco o ano todo. De qualquer forma, na falta de Suárez, Neymar terá a seu lado Edison Cavani. O uruguaio meteu 35 gols em 36 jogos na última Ligue 1.

Se o Monaco conseguirá ou não fazer frente ao Paris, isso passará por segurar Mbappé. O jovem de 18 anos é a joia da coroa do Principado.

O Real Madrid quer Mbappé – a negociação foi dada como certa pela imprensa espanhola na semana passada, por 180 milhões de euros, mas ainda não se confirmou. O Manchester City, de Guardiola, quer Mbappé. E o Barcelona, por que não, pode entrar no meio para atravessar qualquer negócio, agora que tem dinheiro em caixa.

Só que, claro, a França inteira quer e precisa que Mbappé fique. Para a Ligue 1 crescer, alcançar o interesse e o volume de dinheiro da Série A italiana e, depois, alçar voos para se equiparar aos três principais campeonatos (Premier League, Bundesliga e Liga espanhola), é necessário ter times fortes e estrelas mundiais.

Não basta um PSG dominante com Neymar. É necessário ter um adversário de peso.

Mbappé à parte, o Monaco fez três grandes vendas, seguindo a política do clube se encontrar jovens talentos e ganhar dinheiro com eles. O Manchester City pagou 107 milhões de euros para levar o meia português Bernardo Silva, de 22 anos, e o lateral Mendy, de 23. Já o Chelsea pagou 40 pelo volante Bakayoko, de 22. Vendeu também Germain, um atacante que teve muitos minutos na temporada, para o Olympique de Marselha. Não dá para chamar de desmanche, mas foram embora jogadores importantes.

Olho muito atento, no entanto, para as contratações do Monaco, que foram muito acertadas nos últimos anos. Logo que terminou a temporada passada, o clube anunciou a contratação de um rapaz extremamente promissor: o meio-campista belga Youri Tielemans, que veio do Anderlecht por 25 milhões de euros e já aparece em convocações de seu país.

Na Holanda, o Monaco buscou o zagueiro congolês Kongolo e pagou 15 milhões ao Feyenoord, campeão  holandês na temporada passada. Pagou 10 milhões ao Rennes pelo ponta Diakhaby, 8 milhões pelo volante marfinense Meité, do Zulte (Bélgica) e ainda foi buscar, na base do Barcelona, o atacante Mboula, 18, de origem congolesa.

Se segurar Mbappé, o Monaco tem time para desafiar o PSG. Mas ganhar novamente o título é para sonhadores.

Outros times e técnicos de peso

O Nantes anunciou a contratação de Claudio Ranieri, demitido do Leicester após o milagre da temporada retrasada. Mas o treinador que mais chama a atenção é Marcelo Bielsa. O argentino assinou com o Lille por duas temporadas e logo dispensou mais de dez jogadores. Aliás, os dois se enfrentam logo na primeira rodada, domingo de manhã.

O elenco do Lille tem média de idade inferior a 24 anos, é o mais novo do país. Gastou 35 milhões de euros contratando três jovens e promissores brasileiros: Thiago Maia (20), do Santos, Luiz Araújo (21) e Thiago Mendes (25), do São Paulo. É um time trabalho pelo maluco beleza Bielsa. E times de Bielsa são sempre times bons e que têm algo a dizer ao longo da temporada.

O Nice, surpreendente terceiro colocado na última temporada e que disputará a fase prévia da Champions, teve como grande notícia neste período de mercado a renovação de Balotelli por mais um ano. O time manteve a base e fez algumas contratações pontuais – como a chegada do experiente lateral Jallet, que veio de graça do Lyon.

O Lyon fez duas vendas importantes no mercado. Lacazette, 26, saiu por 53 milhões de euros para o Arsenal, enquanto o volante Tolisso, 22 anos, custou 41 milhões aos cofres do Bayern de Munique. O zagueiro argentino Mammana saiu por 16 milhões para o Zenit russo. Na lista de contratações, o que chama mais a atenção é Traoré, atacante de Burkina Fasso que nunca se firmou no Chelsea e estava emprestado para o Ajax, onde jogou muito bem. É bom lembrar que o Lyon tem no elenco o jovem holandês Memphis Depay, contratado junto ao Manchester United na temporada passada.

O Olympique de Marselha, que tem o ex-Barça Zubizarreta como diretor de futebol, adotou uma política interessante de repatriar jogadores. O clube mais popular do país, que já havia trazido de volta Payet em janeiro, se reforçou repatriando Thauvin, lateral do Newcastle, Rami, zagueiro do Sevilla, e trazendo Luiz Gustavo, aquele mesmo, do Wolfsburg. Também tirou Germain, atacante do Monaco.

Supercopa da França:

29/7/17 PSG 2 x 1 Monaco

Maiores campeões franceses: Marselha e Saint Étienne (10 títulos cada)

Previsões:

Título: PSG
Vice: Monaco
Terceiro (vaga na Champions): Olympique de Marselha
Artilheiro: Cavani
Melhor jogador: Neymar
Olho em: Lille e Rennes
Na TV: Sportv e ESPN
Duelos imperdíveis: Monaco-PSG em 26/11, e PSG-Monaco só em 15/4/18

Bom saber: a rodada sempre começa na sexta à tarde e o jogo principal ocorre geralmente no domingo à tarde, ao mesmo tempo dos jogos do Brasileirão

Primeira rodada:

Sexta
15h45 Monaco x Toulouse

Sábado
12h PSG x Amiens
15h Lyon x Strasbourg
15h Metz x Guingamp
15h Montpellier x Caen
15h Saint Étienne x Nice
15h Troyes x Rennes

Domingo
10h Lille x Nantes
12h Angers x Bordeaux
16h Olympique de Marselha x Dijon


Neymar no Barcelona foi mico ou gênio?
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A imagem de Neymar na Catalunha será uma só: a de traidor. Como Figo. Na Espanha, eles usam o termo “pesetero”, que remete à antiga moeda do país (as pesetas), com o mesmo sentido que usamos o termo “mercenário”.

Acho pesetero mais simpático. Mostra melhor que o cara se importa mais com dinheiro do que outras coisas. Mas não acho, sinceramente, que Neymar deva ser julgado ou avaliado em função de suas escolhas financeiras.

Cada um é livre para fazer o que bem entender da vida. Se ele acha que o dinheiro é o mais importante, que seja assim. Desde que, logicamente, pague devidamente os impostos, o combinado com as partes envolvidas, etc.

Vamos focar nos quatro anos que Neymar passou em Barcelona. Como posicioná-lo na história do clube? Será que a passagem de Neymar foi mais um mico do que trouxe benefícios ao clube?

Primeiro, falando de história e dos brasileiros em Barcelona nesta era moderna no futebol (vou tirar Evaristo da equação).

Não é possível colocar Neymar no patamar atingido por Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. Sem chances. Não precisa nem ser aberta discussão aqui. Ambos ganharam Bola de Ouro no clube e deixaram marcas mais profundas.

Na história do clube, jogadores como Daniel Alves, Deco, Belletti e Edmilson também merecem mais homenagens do que Neymar.

Mas vamos nos limitar aos supercraques, aos jogadores protagonistas não apenas no clube, mas também na seleção brasileira. Será que há lugar para Neymar no pódio catalão?

Ronaldo e Romário tiveram passagens mais rápidas do que a dele pelo Barcelona.

Ronaldo até saiu de forma parecida. Jogou apenas um ano, arrebentou, apareceu para o mundo e, de alguma forma, não se sentiu valorizado na Catalunha. A Inter de Milão pagou a cláusula e levou o Fenômeno embora. De qualquer forma, Ronaldo não teve a carreira marcada por muitas glórias nos clubes por onde passou, a marca dele é a seleção.

Romário ficou um ano e meio. Suficiente para meter três gols em uma goleada sobre o Real Madrid, ser segundo colocado na Bola de Ouro de 93 e ganhar a mesma em 94. Fez parte do “Dream Team” de Cruyff, o maior time da história do Barça (até chegarem os anos da dupla Guardiola-Messi) e, em sua única temporada completa, meteu 30 gols em 33 jogos na Espanha e foi com o time até a final da Copa dos Campeões (derrota para o Milan).

Neymar não teve individualmente, no Barcelona, uma temporada tão fantástica com aquela 93/94 de Romário ou a 96/97 de Ronaldo.

Por outro lado, foi importantíssimo na conquista da Champions League 14/15, que foi a temporada da chegada de Suárez e a montagem do tal trio MSN.

Nos últimos dois anos, no entanto, ficou uma constante impressão de que Neymar era o menos importante dos três, ainda que fosse o principal beneficiado pela marcação sempre forte em Messi e Suárez (neste, por posicionamento, não por ser melhor ou pior que Neymar).

Sem Neymar, o Barça teria conquistado a Europa em 2015? Difícil dizer. O fato é que ele fez 7 dos 13 gols do Barcelona nos cinco jogos de quartas, semis e final contra, respectivamente, PSG, Bayern e Juventus. Foi uma temporada tão boa, aquela após a Copa do Mundo, que ele acabou em terceiro lugar na Bola de Ouro, atrás de já sabem quem.

Mas, sem Neymar, o que o Barça teria feito diferente nas últimas duas temporadas, em que ganhou um Espanhol, duas Copas do Rei e não passou nem perto da final da Champions? Possivelmente, os resultados teriam sido os mesmos.

Para não ser injusto, podemos dizer que o Barça caiu nas quartas da última Champions, e não nas oitavas, por causa daqueles 7 minutos magníficos de Neymar contra, adivinhem, o PSG. Aqueles minutos mágicos que resultaram nos 6 a 1 e que talvez tenham mostrado para Neymar mesmo e um punhado de outras pessoas que ele poderia e deveria ser o protagonista.

O fato é que a dupla Messi-Neymar nunca explodiu como se esperava. E Neymar não pode, de forma alguma, reclamar de qualquer espécie de boicote em campo. Messi e Suárez nunca deixaram de passar bolas e dar gols para Neymar.

Dos 105 gols marcados por Neymar em jogos oficiais, 12 foram de pênalti e 5 de falta. Dos 88 gols com bola rolando, em 49 deles Neymar precisou dar apenas UM toque para a bola entrar. Outros 30 foram no estilo domina e finaliza. E somente 9 vieram de jogadas totalmente individuais. Neymar recebeu de presente a esmagadora maioria de seus gols no Barça, praticamente três em cada quatro.

Isso não tira um centímetro de méritos. É apenas para constatar que não havia nada do tipo “não passavam a bola para ele”.

Acredito que, no coração do torcedor do Barça, Romário fique à frente de Neymar. Mas, em termos de conquistas e impacto para o clube, Neymar foi mais importante. Ronaldo não fica à frente dos dois em nenhum dos critérios.

O debate em cima do título desta postagem se deve a todos os pepinos extra-campo que o Barcelona teve com Neymar.

A chegada do Santos, em uma transferência tão picareta que ainda está sendo revista e debatida nos tribunais espanhóis. Importante frisar que o Barça sempre posou de “bom moço”, se contrapondo aos negócios “duvidosos” do Real Madrid. A compra de Neymar, os valores por baixo do pano, etc, arranharam a imagem do clube mundialmente.

E, agora, uma saída que deixa cicatrizes. Deixa o Barcelona com uma imagem de clube incapaz de segurar um de seus gênios, que simplesmente escolheu abandoná-lo.

Isso depois de ter, em quatro anos, ganhado mais dinheiro do clube do que Iniesta, por exemplo, ganhou a vida inteira.

Colocando o desgaste, o dinheiro, os títulos, os gols, a paixão, tudo isso na balança… será que valeu a pena?

Cada um terá uma resposta. Eu acho que Neymar foi um mico para o Barça fora de campo, tanto na chegada quanto na saída. Em campo, passou longe, muito longe, de ser um mico.  Mas não teve, na terceira e quarta temporadas, algo perto do impacto da segunda.

Pelo que joga, Neymar fez, com a camisa do Barça, menos do que podia. Ou será que fez exatamente o que podia?

Já veremos.


Transferência de Neymar é a de maior impacto na Europa desde 2009
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juliogomes

A compra de Neymar pelo Paris Saint-Germain é a negociação de maior impacto no futebol europeu desde 2009, quando o Real Madrid tirou Cristiano Ronaldo do Manchester United e Kaká do Milan. E muda a correlação de forças no futebol europeu.

O Barcelona perde seu badalado trio e agora vai precisar dar uma resposta e atacar o mercado. Neymar é a primeira peça do dominó. Dybala, da Juventus, e Philippe Coutinho, do Liverpool, são os alvos preferidos. O maior golpe seria tirar Mbappé do Monaco (e do Real Madrid). Já falaremos mais adiante do impacto para o time. E o PSG passa de “time com chances na Europa” para tão favorito quanto os outros gigantes. Muda de prateleira.

Se nos últimos cinco anos a Champions começava sempre com Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique como favoritos e dominantes, agora a chegada de Neymar põe o PSG nesse grupelho.

Desde que passou a ter as finanças arraigadas por dinheiro do Catar, o PSG deixou de ser uma força local (e nem tão forte assim) para se transformar em um player mundial. Ganhou quatro ligas francesas em sequência entre 2012 e 2016, mas sempre parou nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

Na temporada passada, perdeu o Francês para um surpreendente (e já quase desfeito) Monaco e acabou nas oitavas da Champions, após levar aquele surreal 6 a 1 do Barcelona.

Foi justamente aquele o jogo mais memorável de Neymar com a camisa do Barça. Não estava sendo. Mas, no 7 minutos finais, ele colocou a bola embaixo do braço e foi responsável direto pelos três gols decisivos (com árbitro, Suárez e Sergi Roberto como coadjuvantes).

Talvez ali Neymar tenha se convencido de que precisaria viver longe da sombra de Messi.

Uma pena, para quem gosta de ver craques jogando com craques. Nas últimas três temporadas, vimos possivelmente o melhor trio de ataque da história. O melhor dos argentinos, o melhor dos uruguaios e um dos melhores atacantes brasileiros já produzidos. O supra sumo da América do Sul esteve reunido com a camisa do Barcelona.

Logo de cara, na primeira temporada, ganharam tudo. Na segunda temporada, o doblete doméstico. Na terceira, só mesmo a Copa do Rei. O declínio de resultados teve menos a ver com o trio, que sempre pareceu ser solidário e se dar bem em campo e fora dele, e mais a ver com um Real Madrid muito, muito forte e mais completo nas outras linhas (além de muito bom no ataque também).

Completar as linhas talvez seja o maior desafio para o Barcelona, muito mais do que conseguir um substituto imediato para Neymar.

Philippe Coutinho explodiu no Liverpool e seria uma troca imediata, caindo na mesma posição. Dybala, no entanto, seria uma contratação de mais peso. Porque seria tirado da Juventus, finalista da Champions passada, algoz do próprio Barça e uma adversária direta nesta temporada, apesar das saídas de de Daniel Alves e Bonucci.

Além de Dybala ser mais “fantasista”, como Messi. Ele tem mais cara de substituto de Messi do que Coutinho ou até mesmo Neymar. E é um jogador de apenas 23 anos de idade, dois anos mais novo que Neymar.

Já que vai perder o brasileiro, o Barcelona acabará tentando negociar com o PSG a chegada de Verratti. O meio-campista italiano tem apenas 24 anos e tem características muito parecidas às de Iniesta – este sim em fase final da carreira, o que também explica o declínio do time na última temporada.

E a linha defensiva segue sendo o calcanhar de Aquiles do time. Nenhuma das quatro posições de trás tem jogadores de garantias (Piqué vive nítido declínio técnico, Mascherano está velho, Umtiti ainda não pode receber esse rótulo).

Real Madrid, Bayern de Munique, PSG, Juventus, Chelsea e Manchester United têm linhas sólidas. E o Manchester City foi atrás de Ederson para o gol, Walker, Mendy e Danilo para as laterais. Gastou 180 milhões de euros nesses quatro.

Agora, o Barça precisará escolher. Uma contratação de super impacto ou uma reformulação do elenco? Aposto na primeira opção, mas acredito que o correto seria a segunda.

Para analisar o PSG, é preciso aguardar o resto do mês. Até pela questão do fair play financeiro, o clube pode precisar vender algum ou alguns de seus jogadores mais valiosos nesta janela. Verratti, como já citei, ou Di María, que obviamente pode perder espaço no time com a chegada de Neymar.

Em 2008, fui o primeiro a publicar, na época no portal Terra, que Cristiano Ronaldo queria deixar o United para jogar no Real Madrid. Era a primeira vez que o português deixava claro o que queria, à parte as especulações de imprensa. Guardo com carinho todos os jornais da época, de diversos países, dando o crédito. Foi uma notícia de muito impacto lá, pouco aqui. Mas a troca se realizaria só um ano depois. Desta vez, o primeiro a publicar que Neymar realmente queria deixar o Barcelona para jogar no PSG foi o amigo Marcelo Bechler, do Esporte Interativo. Menos de um mês depois, a coisa aconteceu. Furos são muito raros hoje em dia. Palmas para Bechler!

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Será que o PSG é mesmo o caminho mais fácil para Neymar ser Bola de Ouro?
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juliogomes

A contratação de Neymar pelo Paris Saint-Germain está cada vez mais próxima. Possivelmente, nos próximos dias será anunciada, com pompa e circunstância.

Não é difícil prever que o assunto dinheiro será pouco falado por Neymar ou seu staff. Não irão querer dizer publicamente que a troca é movida pelo vil metal. Pega mal, já sabem. O mais provável é que o discurso seja o de “buscar um novo desafio na carreira”, “transformar o PSG em campeão europeu”, etc.

O que não se fala muito na Europa, mas parece obsessão por aqui, em uma sociedade que em regra se preocupa mais com sucessos individuais do que coletivos, é a tal busca pela Bola de Ouro.

Há muitos anos se fala tanto de quando, afinal, Neymar será eleito o melhor mundo. O detalhe é que ele nunca foi o melhor do mundo. E não é. Mas o que importa, na cabeça de alguns, é que será. E é necessário saber como articular as coisas para que isso aconteça. Para que ele esteja no centro, no topo, não no degrau abaixo.

E aí a convenção é acreditar que, no Barcelona, com a sombra de Messi, ele nunca será o melhor do mundo. Portanto, precisa encontrar as condições ideais para tal. Um time bom, em condições de ser campeão da Champions e em que ele seja o destaque.

Eu pergunto: será mesmo que no PSG Neymar terá um caminho mais fácil para ganhar a Bola de Ouro do que no Barcelona?

De bate pronto, a resposta é um retumbante “sim”. Mas tenho muitas dúvidas sobre tanta certeza.

No curto prazo, agora que é mundialmente conhecido, a grande chave para Neymar ganhar a Bola de Ouro é a Copa do Mundo da Rússia.

Tradicionalmente, o destaque da seleção campeã é quem leva o prêmio de melhor do ano. É verdade que em 2010 e 2014 os prêmios individuais foram para Messi e Cristiano Ronaldo, mas há um enorme porém aí. Foram anos em que a Bola de Ouro havia sido “comprada” pela Fifa. Aquele sistema de votação em que o capitão do Sri Lanka tem uma poderosa voz.

Agora, a Bola de Ouro voltou a ser a Bola de Ouro. Com especialistas que realmente acompanham o futebol de alto nível de perto definindo os melhores do ano. Voltaremos a ter gente como Weah ou Sammer ou Nedved ou Shevchenko ganhando o prêmio, e não apenas os jogadores de mais nome e mídia.

Em 2010, a Bola de Ouro teria (e devia ter) ido para Iniesta, Xavi ou Sneijder, certamente não para Messi. Em 2014, talvez para Neuer, em vez de Cristiano Ronaldo – ainda que naquela temporada, de fato, o português tenha arrebentado e a seleção alemã não tenha nos mostrado algum grande destaque individual na Copa.

Se a seleção brasileira ganhar a Copa do Mundo de 2018, é muito provável que Neymar terá sido decisivo na campanha. Gabriel Jesus e Philippe Coutinho ainda não têm o mesmo tamanho. Brasil hexa significará Neymar melhor do mundo, sem muitas dúvidas.

E aí, pouco importa em que time ele estará. Talvez seja até melhor estar junto com Messi, conquistando ou perdendo as mesmas coisas que o argentino no Barcelona e tendo a Copa do Mundo como “desempate”, do que estar em um PSG que PODE fracassar precocemente na Europa.

O PSG nunca foi campeão europeu e terá de passar por times estrelados e fortíssimos, como Real Madrid, Bayern, Juventus, Chelsea, Manchester United, City, o próprio Barça. Já a seleção brasileira sabe o caminho dos títulos e terá menos adversários rumo ao hexa.

Por outro lado, claro, a Copa é uma só, a Champions tem todo ano. No longo prazo, ser a estrela do PSG pode abrir mais possibilidades de Bola de Ouro a Neymar. No longo prazo, porém, também seria possível contar com uma passagem de bastão de Messi para ele no Barcelona.

O debate sobre “o melhor caminho para ser Bola de Ouro” nem deveria existir. Cansa um pouco essa individualização de um esporte coletivo. Mas somos o que somos. E, por mais que isso dificilmente seja ouvido da boca de Neymar, o fato é que entra na balança da tomada de decisão.