Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Monaco

O grande injustiçado na lista de finalistas do prêmio da Fifa
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A Bola de Ouro voltou a ser o que era. Então, sinceramente, o prêmio Fifa volta, para mim, a ser o que era. Um prêmio secundário. Sei que serei minoria no Brasil, um país obcecado por chancelas oficiais de títulos, prêmios e por aí vai.

Independente disso, saltou aos olhos uma gigantesca injustiça. E que, aliás, mostra bem por que o prêmio da Fifa não deve ser levado tão a sério. Os votantes, em sua esmagadora maioria, são pessoas à margem, muito à margem, de onde o futebol é jogado, estudado, conversado. São pessoas que veem jogos pela TV e acabam influenciados pela própria mídia local. Até pelo marketing mundial imposto por grandes marcas.

Não é possível que uma lista dos três melhores técnicos da temporada não tenha Leonardo Jardim, o português de 43 anos de idade que levou o Monaco ao título francês e à semifinal da Champions League (passando, no caminho, pelo time de Guardiola).

São feitos inacreditavelmente mais difíceis de serem atingidos do que, por exemplo, os de Antonio Conte e Massimiliano Allegri, os outros finalistas ao lado de quem será o óbvio vencedor, Zinedine Zidane (e com justiça).

Allegri levou a Juventus a mais um doblete na Itália e à final da Champions. Conte levou o Chelsea ao título da Premier inglesa, tendo a devida folga no calendário por não ter disputado competições europeias. Grandes feitos, grandes trabalhos, palmas para eles.

Mas e o que fez Jardim no Monaco?

Nascido na Venezuela, mas filho de pais portugueses, voltou cedo à terrinha e é um desses exemplos de como o conhecimento teórico do futebol está aprofundado e rendendo grandes frutos em Portugal. Leonardo Jardim não foi jogador de futebol, como tantos outros portugueses de sucesso. Começou como assistente técnico aos 27 anos.

Depois de duas ótimas temporadas no Sporting, foi pescado pelo Monaco em 2014. E, em sua terceira temporada, o time explodiu. A ponto de conquistar um campeonato amplamente dominado pelo Paris Saint-Germain nos últimos quatro anos.

Chegar entre os quatro semifinalistas da Champions pode ser algo fortuito, dependendo da trajetória, dos sorteios, mas as chancelas foram o título francês e o fato de o Monaco ter apresentado uma quantidade de gols absurda na temporada, próxima de Real Madrid e Barcelona.

Mas, mais do que conquistas, já que evito ser um resultadista, o que mais chama a atenção são os frutos que o trabalho de Leonardo Jardim trouxe ao Monaco.

O Monaco vendeu o lateral Mendy e o meia Bernardo Silva ao Manchester City por 107 milhões de euros, o volante Bakayoko ao Chelsea por 40 e, claro, a cereja do bolo, emprestou Mbappé, de 18 anos, ao PSG e receberá 180 milhões de euros por ele no ano que vem.

Mendy, de 23 anos, havia sido comprado por 13 milhões um ano antes, foi embora por 57,5 – mais de 300% de lucro. Bernardo Silva chegara junto com Jardim, por empréstimo. Em janeiro de 2015, o Monaco pagou ao Benfica 15 milhões de euros por ele. Foi vendido por três vezes mais – e o valor pode chegar a 75 milhões com bônus de desempenho. E Bakayoko, que tem a mesma idade que os dois jogadores do City, foi comprado por 8 milhões junto ao Rennes, também chegou junto com Jardim. Foi vendido por cinco vezes mais.

Tem Mbappé, claro, pinçado da base do Monaco e trabalhado dentro do próprio clube. Isso sem contar outros tantos jovens que ainda estão no elenco do Monaco ou que o clube trouxe por preços baixos no mercado. Gente como Lemar, Tielemans…

Esse é o trabalho que mais valorizo em um treinador de futebol: a construção de jogadores. Ainda mais um cara que não tem o respeito imediato da boleirada, por não ter sido jogador. Ninguém passou nem perto de mudar o mapa do futebol europeu como Leonardo Jardim. Seu trabalho pode ter repercussão até mesmo na Copa do Mundo do ano que vem – se a França for campeã, será porque essa turma toda do Monaco foi aproveitada e jogou bem.

Neymar entrou na lista dos três melhores pelo nome que tem. Foi uma temporada de um jogo só. Mas até aí, tudo bem. Cristiano Ronaldo ganhará o prêmio Fifa, a Bola de Ouro, nos votos dos outros jogadores, nos votos entre quem fala português, entre quem não fala, entre homens, entre mulheres, entre quem não viu um jogo sequer, entre quem viu todos. Enfim.

 


Real nunca foi tão favorito, mas nunca teve tanta concorrência na Champions
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O Real Madrid é o bicampeão da Liga dos Campeões da Europa. Tem o melhor jogador do mundo. Um técnico com time e diretoria nas mãos. Jogadores ótimos em todas as linhas. Banco de reservas jovem e fortíssimo. Tem camisa, tradição e o medo dos adversários.

Não há ninguém mais pronto que o Real na disputa da Champions League 2017/2018, que começa nesta terça-feira. E o reflexo disso é o favoritismo apontado pelas casas de apostas.

Durante os meses que antecederam a competição, um eventual título do Real Madrid tinha o mesmo retorno para os apostadores que uma eventual conquista do Barcelona ou do Bayern de Munique. E é assim há anos. Os três gigantes dominaram a competição, sempre entrando como favoritos, ao longo dos últimos dez anos. O Real foi campeão em 14, 16 e 17, o Barcelona em 09, 11 e 15, o Bayern em 13 (perdeu finais de 10 e 12).

As semifinais da última Champions foram as primeiras desde 2009 sem que pelo menos dois deles estivessem presentes.

Agora, as coisas mudaram. O Real Madrid se descolou dos dois concorrentes. É claro que o Barcelona, mesmo sem Neymar, mas ainda com Messi e Suárez, e o Bayern de Munique, de elenco milionário e técnico multicampeão, não podem ser descartados. Mas não estão na mesma prateleira que o Real Madrid.

Quem aparece como segundo favorito na competição é o Paris Saint-Germain, que ganha o status após as chegadas de Neymar e Mbappé. No final deste post, encontre o retorno das casas de apostas.

O PSG tem batido na trave desde que ganhou o aporte financeiro do Qatar. Precisa superar a barreira das quartas de final para, depois, pensar em título. No último mata-mata, todos se lembrarão, foi eliminado de forma surreal nas oitavas pelo Barcelona após fazer 4-0 na ida e levar 6-1 na volta. Agora, deu um murro na mesa. E acrescentou dois craques ao que já era um timaço. Qualquer coisa que não seja chegar à final será considerado um fracasso.

O PSG tenta se posicionar com o anti-Real. Mas não está sozinho.

Se, por um lado, o Real Madrid entra com um status de “maior favorito” que ninguém tinha desde o Barcelona dos anos de Guardiola, por outro vai ter de encarar uma competição incomum.

Devido ao título do Manchester United na última Europa League, a Inglaterra chega com cinco representantes. Que são, de fato, os cinco melhores times da Premier League, fortalecidos por altíssimos gastos em seguidas janelas de transferências e com técnicos badalados. Nada de Leicester e Arsenal, que todos sabiam que não chegariam a lugar algum.

O Chelsea, de Conte, o Manchester City, de Guardiola, o Manchester United, de Mourinho, e até mesmo o Liverpool, de Klopp, e o Tottenham, de Pocchetino, têm bola suficiente para eliminar qualquer time da Champions League quando chegar o mata-mata, no ano que vem. Os ingleses chegam com sede para recuperar o domínio da década passada.

E há uma leva de times que também são fortes o suficiente e com características interessantes para derrubar gigantes no mata-mata. O Atlético de Madri, de Simeone, foi finalista em 14 e 16, é um time ultracompetitivo e que já não surpreende mais. A Juventus chegou às finais de 15 e 17, perdeu Bonucci e Dani Alves, mas trouxe bons reforços e segurou Dybala.

O Napoli incomodou o Real Madrid na temporada passada e está roçando uma campanha mais longa. A Roma e o Sevilla podem encarar algum gigante em dois jogos. O Monaco, sensação da última Champions, perdeu muita gente, mas segue em alto nível. E não podemos descartar os alemães: o tradicionalíssimo Borussia Dortmund e o debutante RB Leipzig, que tem um ótimo time.

Não seria nenhum absurdo que qualquer um dos times citados acima neste post eliminasse o Real Madrid ou o PSG em algum momento. Pode até ser uma zebra, mas não um absurdo.

É uma Champions rara. Com um inegável favorito. Mas também recheada de times que podem derrotá-lo. Uma concorrência mais forte que a de outros anos.

Dessa turma toda, quem pode ficar pelo caminho já na fase de grupos?

Na próprio grupo do Real Madrid estão Borussia Dortmund e Tottenham, um deles vai sobrar. O grupo C reúne Chelsea, Atlético de Madri e Roma, que é favorita a ficar de fora. De resto, deverão estar todos no mata-mata, que promete ser o mais parelho e imprevisível da história. Por enquanto, ficamos com alguns jogaços e alguns joguinhos da fase de grupos.

Ranking de força do blog:

Prateleira 1:
Real Madrid – time pronto, bicampeão e com Cristiano Ronaldo

Prateleira 2:
Bayern de Munique – nunca é bom desprezar Ancelotti
Manchester United – nunca é bom desprezar Mourinho
Manchester City – nunca é bom desprezar Guardiola
Paris Saint-Germain – nenhum trio de ataque é mais poderoso. Tem fome

Prateleira 3:
Barcelona – Messi-Suárez podem desequilibrar, mas tem algo muito errado fora de campo
Atlético – parece em queda, mas tem coração, experiência, classe, técnico…
Juventus – forte, mas abaixo da temporada passada
Chelsea – a forma reativa de jogar pode machucar no mata-mata

Prateleira 4:
Tottenham – fez uma péssima Champions passada, mas o time está pronto
Liverpool – como será a reintegração de Coutinho após a crise?
Monaco – perdeu titulares, mas repôs bem (na medida do possível) e segue com talento e gols
Borussia Dortmund – foi primeiro no grupo do Real e chegou às quartas em 16/17
Napoli – tem um ataque muito rápido e está a ponto de beliscar algo maior se tiver sorte

Prateleira 5:
Leipzig – é vice alemão, segurou o time todo e pode incomodar
Sevilla – ainda não sabemos como será a vida pós-Sampaoli
Roma – ainda não sabemos como será a vida pós-Spalletti

Nas casas de apostas (retorno por valor apostado):
Real Madrid – entre 3,5 e 4
PSG – entre 6 e 7
Bayern – entre 7 e 8
Barcelona – entre 7 e 8
City – entre 10 e 12
United – entre 10 e 12
Juventus – entre 14 e 16
Chelsea – entre 14 e 18
Atlético – entre 18 e 22
Liverpool – entre 18 e 22


Quatro impressões iniciais da temporada europeia
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juliogomes

A temporada 2017/2018 ainda mal começou na Europa e temos a primeira pausa para jogos de seleções. Foram quatro rodadas na França e Portugal, três na Inglaterra e Holanda, duas na Alemanha, Espanha e Itália. Foram disputadas também as fases prévias da Liga dos Campeões e da Liga Europa, com as chaves sorteadas para a fase de grupos de ambas as competições continentais.

Já podemos tirar conclusões? É logicamente cedo para concluir qualquer coisa. Mas já temos alguns indícios. Aqui vão quatro deles:

1- Manchester United é favorito a tudo

Convencionou-se dizer que a segunda temporada de José Mourinho é sempre a melhor nos clubes por onde passa. O técnico português tem impacto imediato, mas é depois de observar (e trocar) as peças do elenco que ele consegue elevar seus times ao próximo nível.

A primeira temporada de Mourinho no United não foi ruim. Conquistou a Europa League e a Copa da Liga Inglesa. É verdade que são títulos menores para um clube com o tamanho e o histórico do United, mas ainda assim foram os primeiros pós-Ferguson, o que foi importantíssimo. Para este ano, chegaram Lukaku, Matic e Lindelof. E agora há a notícia da permanência de Ibrahimovic, um jogador importantíssimo, ainda mais considerando que o sueco ficou apesar da chegada de Lukaku – ou seja, fica com a consciência da reserva e de sua importância para o grupo.

O United é o único a ganhar os três jogos na Premier League e não sofreu um gol sequer. Meteu 4 a 0 no West Ham e no Swansea (fora) e fez 2 a 0 no Leicester. O United do campeonato passado não goleava ninguém e costumava empatar jogos como este, contra o fechadinho Leicester, sábado. Agora apresenta mais soluções ofensivas aliadas à solidez defensiva.

Além do mais, o United foi sorteado em um grupo fácil na Champions League, ou seja, não precisará abrir mão de jogos na Premier League para avançar às oitavas na Europa. É apenas início de temporada, mas já deu para ver que as previsões feitas antes de o campeonato começar estavam certas: o gigante de Manchester vai disputar o título inglês, sim senhor, e é forte candidato na Champions.

Ainda na Inglaterra, importante observar o bom início do Liverpool, apesar da “lesão” (assim mesmo, entre aspas) de Philippe Coutinho. Sem o brasileiro, os Reds passaram bem pela prévia da Champions, contra um perigoso Hoffenheim, enfiaram impiedosos 4 a 0 no Arsenal, ontem, e só não têm 100% na Premier porque levaram um gol nos acréscimos e em impedimento na primeira rodada. Havia a interrogação sobre o que seria o Liverpool sem Coutinho. E a impressão é que Klopp conseguirá superar a ausência de seu melhor jogador – se ele, de fato, sair para o Barcelona.

2- Milão está de volta

Comprados por chineses, Milan e Internazionale tentam retomar dias de glória e quebrar o inédito domínio da Juventus, hexacampeã italiana.

O Milan foi o terceiro clube que mais gastou na janela de verão europeia, atrás apenas de Manchester City e PSG, trouxe o torcedor de volta ao San Siro e não está deixando ninguém na mão até agora. Passou com tranquilidade da fase prévia da Europa League e ganhou as duas primeiras no Italiano – ainda que tenha sofrido mais da conta ontem, contra o Cagliari.

É um time inteirinho novo e, como eu já dizia na prévia do Italiano, vamos ver que química Montella irá conseguir criar. Se encaixar, como parece que está encaixando, o Milan tem tudo para estar entre os quatro primeiros e ameaçar a Juventus. O início é promissor.

A Inter foi a quarta que mais gastou antes da temporada passada. Para este ano, mais do que gastar, o que o clube fez foi trazer o técnico Spalletti. E logo na segunda rodada ele comandou uma virada importante contra seu ex-clube, a Roma, fora de casa. A ausência de competições europeias (calendário folgado), duas vitórias em dois jogos, sendo uma delas contra um adversário direto da parte alta da tabela, credenciam a Inter a fazer um bom papel no Italiano.

3- Monaco não dará trégua ao PSG

Neymar começou muito bem sua trajetória no PSG, com gols, assistências e eficiência. Por aqui, o que mais ouvimos ultimamente é que “na França é fácil”. Bom, geralmente os que falam isso também achavam que “jogar na Espanha é fácil”. Difícil é o Brasileirão, claro.

Os adversários da França estão um degrau abaixo da Espanha, sem dúvida, e a diferença do PSG para os outros é muito grande. Mas eu não usaria tais argumentos para diminuir o início de Neymar.

O que este começo de temporada nos mostra, no entanto, é que o PSG não vai passear rumo ao título do Francês. O atual campeão é o Monaco e, apesar da perda de três titulares para a Premier League, o time de Leonardo Jardim trouxe boas reposições e manteve o alto nível.

Assim como o PSG, o Monaco ganhou seus quatro primeiros jogos no campeonato e, ontem, enfiou 6 a 1 no Olympique de Marselha – um grande do país e que começou a temporada como suposta terceira força. Falcao García começou voando e já tem sete gols nas quatro primeiras rodadas, e o Monaco fez os mesmos 14 gols que o PSG marcou.

Resta saber se nesta semana serão confirmados os rumores da saída de Mbappé do Monaco para o PSG. Se a transferência realmente ocorrer, aí a balança se desequilibra. Mas, por enquanto, não podemos descartar o atual campeão. Somando as duas temporadas, o Monaco ganhou seus últimos 16 jogos na Ligue 1.

4- Barcelona em crise

Quem olha a tabela do Espanhol, vê o Barcelona entre os líderes, com seis pontos, e o Real Madrid abaixo, com quatro. Nesta segunda, o clube catalão apresentou o novinho Dembélé, segundo jogador mais caro da história do futebol. Pode ser que para os jornais locais a crise seja passado. Mas não é. O Barcelona foi atropelado pelo Real na Supercopa, jogou francamente mal nas duas vitórias pela Liga e nota-se uma ruptura entre jogadores e diretoria. Não há coesão e união.

Se conseguir acertar com Coutinho até quinta, quando fecha a janela de transferências, o Barcelona terá sido o clube campeão de gastos do verão. Tudo isso porque perdeu Neymar de forma humilhante para o PSG e saiu comprando a torto e direito, pagando mais do que o mercado exige. Jogando para a torcida, sem qualquer planejamento financeiro.

Perdeu Neymar para si mesmo, assim como tinha perdido uma peça tão importante como Daniel Alves. E agora temos a novela da tal assinatura de Messi, que está faltando, apesar do anúncio de renovação meses atrás.

O início de temporada mostra um Barcelona rachado, com pouco futebol e muitas interrogações. Interrogações que não pairam sobre o Real Madrid, apesar do tropeço diante do Valencia – sem Cristiano Ronaldo, diga-se.


Oito jogos históricos que se repetirão na Champions League
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juliogomes

O sorteio da fase de grupos da Champions League distribuiu 32 das mais fortes e tradicionais equipes europeias em oito grupos. Os confrontos ocorrem entre setembro e dezembro. E o blog foi recuperar oito jogos históricos, um de cada grupo, que se repetirão agora, em 2017.

29/5/68 Manchester United 4 x 1 Benfica

Dez anos após a tragédia de Munique, um acidente aéreo que matou oito jogadores e três membros da comissão técnica do Manchester United, o clube conquistou sua primeira Copa da Europa – a primeira também de um clube inglês. Comandado pelo histórico técnico Matt Busby e o lendário Bobby Charlton, ambos sobreviventes da tragédia, o United enfrentou na final o Benfica, multicampeão português, que já tinha dois títulos europeus e o grande Eusébio no ataque.

O jogo, disputado diante de mais de 90 mil pessoas no velho Wembley, em Londres, terminou empatado em 1 a 1. Charlton abriu o placar para o United, mas Jaime Graça empatou para o Benfica a dez minutos do fim. Na prorrogação, gols de George Best, Kidd e, novamente, Charlton, selaram o 4 a 1 e a primeira Copa dos Campeões para o United. É um dos jogos mais importantes da história do clube e com toda a carga simbólica de ter ocorrido dez anos após o acidente de Munique.

Ambos estão no grupo A da atual Champions, e o United tem um retrospecto altamente positivo contra o Benfica, com seis vitórias, dois empates e somente uma derrota (fase de grupos, em 2005). Os outros times são o CSKA Moscou e o Basel, da Suíça, que em 2012 eliminou o próprio United da fase de grupos da Champions.

19/3/86 Anderlecht 2 x 0 Bayern de Munique

No grupo B da competição, o Bayern de Munique tem a companhia do Paris Saint-Germain (que ganhou os três jogos que fez em Paris contra os alemães). Os outros times, o Celtic e o Anderlecht, não devem ser páreos para os atuais multimilionários que enfrentarão.

Mas o Anderlecht viveu um auge e foi muito forte nos anos 70 e 80, quando ganhou duas Recopas (76 e 78), uma Copa da Uefa (83) e duas Supercopas (76 e 78, contra Bayern e Liverpool). Em 1986, entrou em campo contra o Bayern pelas quartas de final da Copa dos Campeões após perder a partida de ida por 2 a 1. No que foi um dos grandes jogos da história do clube, ganhou a volta por 2 a 0, com gols de Scifo e Frimann, classificando-se para as semifinais e igualando o feito de 1982.

Acabou sendo eliminado na semi pelo Steaua Bucareste, da Romênia, que seria campeão europeu na decisão contra o Barcelona. Aquele time do Anderlecht era a base da seleção da Bélgica, que chegaria à semifinal da Copa do Mundo de 86, no México – quatro jogadores do clube eram titulares da seleção belga, que tinha o goleiro Pfaff, do Bayern.

30/4/14 Chelsea 1 x 3 Atlético de Madri

Chelsea, Atlético de Madri e Roma deverão ter uma disputa apertada pelas duas vagas do grupo C. Houve poucos confrontos entre estes três clubes. Eu poderia lembrar de novembro de 2008, quando a Roma ganhou do Chelsea pela fase de grupos. Foi minha única visita ao Olímpico e eu bati o carro na saída do estádio. Mas foi muito mais uma pequena tragédia pessoal do que um jogo inesquecível :-).

Em 2012, o Atlético chegou a ganhar a Supercopa da Europa com um 4 a 1 sobre o Chelsea, então vencedor da Champions. Mas o confronto mais relevante entre eles ocorreria dois anos depois. Eram as quartas de final da Champions de 2014 e, após o empate sem gols em Madri, os times de Mourinho e Simeone se enfrentaram em Londres.

O Chelsea abriu o placar com Fernando Torres. Mas Adrián empatou ainda no primeiro tempo, e Diego Costa e Arda Turan decretaram o 1-3 que levaram o Atlético à semifinal europeia (perderia a final para o Real Madrid, na prorrogação). Na temporada seguinte, Diego Costa passaria a jogar pelo Chelsea – e agora quer desesperadamente voltar ao Atlético.

6/6/15 Barcelona 3 x 1 Juventus

O Barcelona conquistou sua quinta Copa da Europa ao vencer a Juventus, em Berlim, dois anos atrás. Foi o auge do lendário trio Messi-Suárez-Neymar, desfeito com a saída do brasileiro para o PSG. Aquela era a segunda temporada de Neymar no Barça, e a primeira de Suárez e do técnico Luís Enrique. Rakitic abriu o placar para os catalães, mas a Juve, que tinha Pirlo, Pogba e Tevez, empatou com Morata. Tevez desperdiçou uma grande chance de virada antes de Suárez fazer o segundo e, nos acréscimos, Neymar definir o 3 a 1.

Na temporada passada, há poucos meses, a Juve se vingou, eliminando o Barcelona nas quartas de final com um 3 a 0 em Turim e um 0 a 0 no Camp Nou. O clube italiano perderia a final para o Real Madrid, mas manteve a sólida base para a atual temporada, enquanto o Barcelona está juntando os cacos após o trágico mercado de verão e a perda de Neymar.

 

18/5/16 Sevilla 3 x 1 Liverpool

Outro jogo recente, o Sevilla conquistou a Europa League retrasada vencendo o Liverpool na final, disputada na Basileia, Suíça. Daqueles times, seis jogadores ainda seguem no Sevilla, e dez no Liverpool. Os ingleses saíram na frente com Sturridge, mas no segundo tempo Gameiro e Coke (duas vezes) viraram para o Sevilla, então treinado por Unai Emery, hoje técnico do PSG.

Aquela foi a terceira conquista de Europa League consecutiva do Sevilla, quinta no total. Os dois times estão no grupo E da atual Champions League, junto com o Spartak Moscou e o Maribor, da Eslovênia.

14/9/11 Manchester City 1 x 1 Napoli

Feyenoord e Shakhtar Donetsk, os outros integrantes do grupo F, nunca jogaram entre si ou contra Napoli ou City. Os clubes da Itália e da Inglaterra, favoritos para passar neste grupo, estiveram juntos nesta fase na temporada 2011/12.

O Manchester City jogava a Champions League pela primeira vez desde que passou a ter dinheiro árabe arraigando suas contas. Pela primeira vez na máxima competição europeia desde 1968. E o Napoli também vivia um momento histórico. Era seu primeiro jogo de Champions League e a primeira vez na máxima competição europeia desde 1990/91, ainda tempos de Copa dos Campeões e de Diego Maradona.

Na estreia de ambos na fase moderna da Champions, empate por 1 a 1, gols de Kolarov e Cavani. Depois, na quinta rodada, o Napoli venceria por 2 a 1, com dois de Cavani, passando o City na tabela e se classificando para as oitavas, deixando o já rico clube de Manchester eliminado na fase de grupos.

26/5/04 Porto 3 x 0 Monaco

Poucos diriam, antes do início daquela temporada 2003/2004, que o título europeu seria decidido entre Porto e Monaco. Mas foi o que aconteceu, com a vitória portuguesa na decisão, disputada em Gelsenkirchen, Alemanha. O brasileiro Carlos Alberto, Deco (nome do jogo) e o russo Alenichev marcaram na fácil vitória do Porto.

O jogo é inesquecível também por ter sido a primeira Champions conquistada por José Mourinho, que na temporada seguinte assumiria o Chelsea. O time do Porto seria a base da seleção de Portugal, que naquele verão de 2004, comandada por Luiz Felipe Scolari, perderia em casa a final da Eurocopa para a Grécia. Os principais nomes do Monaco eram Evra, Giuly e Morientes. Nenhum dos dois clubes voltou a jogar uma final europeia depois daquilo.

Na atual Champions, Porto e Monaco estão no grupo G, ao lado do debutante RB Leipzig, da Alemanha, e do Besiktas, bicampeão turco.

24/4/13 Borussia Dortmund 4 x 1 Real Madrid

O grupo H é considerado o grupo da morte. Real e Dortmund, que já caíram no mesmo grupo na temporada passada, voltam a se enfrentar e têm a companhia do Tottenham, uma força da Premier League. O Tottenham foi vítima recente tanto de um quanto do outro e precisa mostrar mais do que vem monstrando em campanhas europeias. Irá se reencontrar com dois ex-jogadores que estão no Real, Bale e Modric.

O Real Madrid eliminou o Borussia em 2014, no caminho rumo ao nono título europeu. Mas o jogo que fica marcado para a história foi disputado um ano antes. Era a partida de ida da semifinal, em Dortmund, e o polonês Robert Lewandowski, hoje no Bayern, fez simplesmente os quatro gols da vitória do Borussia, de Klopp, sobre o Real, de Mourinho. Na partida de volta, o Real fez dois gols no fim e quase chegou à heróica remontada, mas não deu. O Borussia Dortmund perderia a final de 2013 para o Bayern.

 


Real Madrid encabeça grupo da morte. Dos outros…
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juliogomes

As bolinhas tiradas por Totti e Shevchenko, homenageados no sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, foram desviando balas aqui e ali. Mas não teve como evitar a confecção de um grupo da morte.

E o grupo H, encabeçado pelo campeão Real Madrid, é o que será apelidado assim. O Real enfrenta novamente o Borussia Dortmund (que no ano passado relegou os espanhóis à segunda posição no grupo) e o Tottenham (que fez uma péssima Champions no ano passado, mas é um belíssimo time de futebol). Sorte que o quarto elemento é o fraco Apoel Nicosia, do Chipre, que vai apanhar de todo mundo.

São três times para duas vagas. Mas o Real Madrid está alguns vários degraus acima dos outros. É possível que seja o grupo da morte… para os outros. Tottenham e Dortmund que se virem pela segunda vaga.

Outro grupo forte é o que reúne Chelsea, Atlético de Madri, Roma e o estreante Qarabag, do Azerbaijão. O Atlético e o Chelsea são favoritos, a Roma ainda é uma incógnita na temporada. Trocou técnico e perdeu bons jogadores. Claro que pode deixar um dos favoritos a ver navios, mas, a priori, corre por fora.

À exceção do Tottenham e do Chelsea, o sorteio foi muito bom para os ingleses.

O Manchester United, de José Mourinho, vai enfrentar Benfica, Basel e CSKA Moscou. Um grupo tranquilo para o gigante inglês, que não vai precisar se matar e sacrificar jogos da Premier League para passar. Benfica é ligeiro favorito para a segunda vaga.

O Liverpool, que poderia ter caído em um verdadeiro grupo da morte (estava no terceiro pote das bolinhas), se safou e jogará contra Sevilla, Spartak Moscou e Maribor, da Eslovênia. O Liverpool mostrou muita força da fase prévia, passando por cima do bom Hoffenheim. Mesmo que perca Philippe Coutinho, é o favorito destacado. Até porque o Sevilla tem técnico novo, ainda derrapa e vai suar para ficar à frente do Spartak, campeão russo.

O Manchester City, depois de anos de “azareios”, finalmente teve um sorteio favorável. Jogará contra Napoli, Shakhtar Donetsk e Feyenoord, o campeão holandês. City é favoritaço para ser primeiro do grupo. E o Napoli, um ótimo time de futebol, que manteve a base do ano passado, é favoritaço para ser segundo. Tem mais chance de o Napoli atrapalhar o City do que ser atrapalhado pelos outros.

Dos três grupos restantes, um tem equilíbrio total. E os outros dois tem aquele formato com duas grandes forças e duas zebras. O que se decide é basicamente quem fica em primeiro, quem fica em segundo.

É assim no grupo B, em que Bayern de Munique e o Paris Saint-Germain, de Neymar, disputarão o primeiro lugar e não terão a passagem às oitavas ameaçada por Anderlecht ou Celtic. Os confrontos entre Bayern e PSG devem ser os que chamarão mais atenção durante a fase de grupos.

E é assim no grupo D, em que Juventus e Barcelona, que se enfrentaram nas últimas quartas de final, jogarão pelo primeiro lugar. Bom sorteio para o Barça, que derrapa neste início de temporada, mas não deve ser ameaçado por Olympiacos ou Sporting de Portugal. Não quero desprezar as duas camisas, com muita história, mas imaginem se caísse um Liverpool ou um Tottenham ou um Leipzig nesse grupo? O Barcelona pode respirar aliviado.

O grupo G é o mais equilibrado, com Monaco, Porto, Besiktas e RB Leipzig. O Monaco é favorito. É o campeão francês, atual semifinalista e, ainda que tenha perdido três titulares em relação à campanha passada, segue mostrando ótimo futebol. O Porto tem a camisa mais pesada, mas o Besiktas é um bom time, bicampeão turco, e o RB Leipzig tem um ótimo time. É vice-campeão alemão e manteve a base.

Abaixo, os grupos e os prognósticos de quem passa para as oitavas de final:

Grupo A
Benfica (POR)
Manchester United (ING)
Basel (SUI)
CSKA Moscou (RUS)

Prognóstico: 1- United, 2- Benfica, 3- Basel, 4- CSKA

Grupo B
Bayern de Munique (ALE)
Paris Saint-Germain (FRA)
Anderlecht (BEL)
Celtic (ESC)

Prognóstico: 1- PSG, 2-Bayern, 3- Anderlecht, 4- Celtic

Grupo C
Chelsea (ING)
Atlético de Madri (ESP)
Roma (ITA)
Qarabag (AZE)

Prognóstico: 1- Atlético, 2- Chelsea, 3- Roma, 4- Qarabag

Grupo D
Juventus (ITA)
Barcelona (ESP)
Olympiakos (GRE)
Sporting (POR)

Prognóstico: 1- Juventus, 2- Barcelona, 3- Olympiacos, 4- Sporting

Grupo E
Spartak Moscou (RUS)
Sevilla (ESP)
Liverpool (ING)
Maribor (SLO)

Prognóstico: 1- Liverpool, 2- Sevilla, 3- Spartak, 4- Maribor

Grupo F
Shakhtar Donetsk (UCR)
Manchester City (ING)
Napoli (ITA)
Feyenoord (HOL)

Prognóstico: 1- City, 2- Napoli, 3- Feyenoord, 4- Shakhtar

Grupo G
Monaco (FRA)
Porto (POR)
Besiktas (TUR)
RB Leipzig (ALE)

Prognóstico: 1- Monaco, 2- Leipzig, 3- Besiktas, 4- Porto

Grupo H
Real Madrid (ESP)
Borussia Dortmund (ALE)
Tottenham (ING)
Apoel Nicosia (CHP)

Prognóstico: 1- Real, 2- Tottenham, 3- Dortmund, 4- Apoel


Prévia do Francês: Neymar e PSG fazem bi parecer só um sonho para o Monaco
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juliogomes

Depois de quatro títulos consecutivos do Paris Saint-Germain, que se transformou em um grande player europeu com a compra do clube e os aportes financeiros vindos do Catar, a França viu atônita a um jovem e insinuante time do Monaco conquistar a Ligue 1.

Capitaneado por um renascido Falcao García e com uma constelação de jovens valores, o Monaco arrancou com muita força e, na reta final da temporada, simplesmente não deixou o PSG ultrapassá-lo. Isso tudo jogando a Champions League ao mesmo tempo e só caindo na semifinal, para a Juventus.

Será que o Monaco vai conseguir repetir a dose?

Muito, muito difícil. A caminhada começa nesta sexta-feira, às 15h45, abrindo o campeonato em casa contra o Toulouse. No sábado, logo às 12h, tem jogo do Paris e possível estreia de Neymar.

O PSG “quebrou a banca” no mercado de transferências pagando a cláusula rescisória no valor de 222 milhões de euros e tirando Neymar do Barcelona. É uma adição técnica estratosférica a um time já muito bom.

O PSG é forte em todas as linhas, tem um elenco equilibrado e um técnico, o espanhol Unai Emery, muito competente. Emery é subvalorizado por quem acompanha o futebol não tão de perto, mas é um profissional jovem, dedicado e que sabe demais do jogo. Só não pode de forma alguma, logicamente, entrar em rota de colisão com Neymar.

Além dele, o Paris assinou com Daniel Alves e com o lateral esquerdo espanhol Berchiche (16 milhões de euros), da Real Sociedad, para suprir a aposentadoria de Maxwell.

Só não sabemos ainda se o Paris irá perder algum jogador importante nesta janela. Verratti é um alvo do Barcelona já há bastante tempo, e tirar o ótimo meia italiano seria uma vingancinha interessante. E Di María deve estar preocupado com a alta probabilidade de esquentar banco o ano todo. De qualquer forma, na falta de Suárez, Neymar terá a seu lado Edison Cavani. O uruguaio meteu 35 gols em 36 jogos na última Ligue 1.

Se o Monaco conseguirá ou não fazer frente ao Paris, isso passará por segurar Mbappé. O jovem de 18 anos é a joia da coroa do Principado.

O Real Madrid quer Mbappé – a negociação foi dada como certa pela imprensa espanhola na semana passada, por 180 milhões de euros, mas ainda não se confirmou. O Manchester City, de Guardiola, quer Mbappé. E o Barcelona, por que não, pode entrar no meio para atravessar qualquer negócio, agora que tem dinheiro em caixa.

Só que, claro, a França inteira quer e precisa que Mbappé fique. Para a Ligue 1 crescer, alcançar o interesse e o volume de dinheiro da Série A italiana e, depois, alçar voos para se equiparar aos três principais campeonatos (Premier League, Bundesliga e Liga espanhola), é necessário ter times fortes e estrelas mundiais.

Não basta um PSG dominante com Neymar. É necessário ter um adversário de peso.

Mbappé à parte, o Monaco fez três grandes vendas, seguindo a política do clube se encontrar jovens talentos e ganhar dinheiro com eles. O Manchester City pagou 107 milhões de euros para levar o meia português Bernardo Silva, de 22 anos, e o lateral Mendy, de 23. Já o Chelsea pagou 40 pelo volante Bakayoko, de 22. Vendeu também Germain, um atacante que teve muitos minutos na temporada, para o Olympique de Marselha. Não dá para chamar de desmanche, mas foram embora jogadores importantes.

Olho muito atento, no entanto, para as contratações do Monaco, que foram muito acertadas nos últimos anos. Logo que terminou a temporada passada, o clube anunciou a contratação de um rapaz extremamente promissor: o meio-campista belga Youri Tielemans, que veio do Anderlecht por 25 milhões de euros e já aparece em convocações de seu país.

Na Holanda, o Monaco buscou o zagueiro congolês Kongolo e pagou 15 milhões ao Feyenoord, campeão  holandês na temporada passada. Pagou 10 milhões ao Rennes pelo ponta Diakhaby, 8 milhões pelo volante marfinense Meité, do Zulte (Bélgica) e ainda foi buscar, na base do Barcelona, o atacante Mboula, 18, de origem congolesa.

Se segurar Mbappé, o Monaco tem time para desafiar o PSG. Mas ganhar novamente o título é para sonhadores.

Outros times e técnicos de peso

O Nantes anunciou a contratação de Claudio Ranieri, demitido do Leicester após o milagre da temporada retrasada. Mas o treinador que mais chama a atenção é Marcelo Bielsa. O argentino assinou com o Lille por duas temporadas e logo dispensou mais de dez jogadores. Aliás, os dois se enfrentam logo na primeira rodada, domingo de manhã.

O elenco do Lille tem média de idade inferior a 24 anos, é o mais novo do país. Gastou 35 milhões de euros contratando três jovens e promissores brasileiros: Thiago Maia (20), do Santos, Luiz Araújo (21) e Thiago Mendes (25), do São Paulo. É um time trabalho pelo maluco beleza Bielsa. E times de Bielsa são sempre times bons e que têm algo a dizer ao longo da temporada.

O Nice, surpreendente terceiro colocado na última temporada e que disputará a fase prévia da Champions, teve como grande notícia neste período de mercado a renovação de Balotelli por mais um ano. O time manteve a base e fez algumas contratações pontuais – como a chegada do experiente lateral Jallet, que veio de graça do Lyon.

O Lyon fez duas vendas importantes no mercado. Lacazette, 26, saiu por 53 milhões de euros para o Arsenal, enquanto o volante Tolisso, 22 anos, custou 41 milhões aos cofres do Bayern de Munique. O zagueiro argentino Mammana saiu por 16 milhões para o Zenit russo. Na lista de contratações, o que chama mais a atenção é Traoré, atacante de Burkina Fasso que nunca se firmou no Chelsea e estava emprestado para o Ajax, onde jogou muito bem. É bom lembrar que o Lyon tem no elenco o jovem holandês Memphis Depay, contratado junto ao Manchester United na temporada passada.

O Olympique de Marselha, que tem o ex-Barça Zubizarreta como diretor de futebol, adotou uma política interessante de repatriar jogadores. O clube mais popular do país, que já havia trazido de volta Payet em janeiro, se reforçou repatriando Thauvin, lateral do Newcastle, Rami, zagueiro do Sevilla, e trazendo Luiz Gustavo, aquele mesmo, do Wolfsburg. Também tirou Germain, atacante do Monaco.

Supercopa da França:

29/7/17 PSG 2 x 1 Monaco

Maiores campeões franceses: Marselha e Saint Étienne (10 títulos cada)

Previsões:

Título: PSG
Vice: Monaco
Terceiro (vaga na Champions): Olympique de Marselha
Artilheiro: Cavani
Melhor jogador: Neymar
Olho em: Lille e Rennes
Na TV: Sportv e ESPN
Duelos imperdíveis: Monaco-PSG em 26/11, e PSG-Monaco só em 15/4/18

Bom saber: a rodada sempre começa na sexta à tarde e o jogo principal ocorre geralmente no domingo à tarde, ao mesmo tempo dos jogos do Brasileirão

Primeira rodada:

Sexta
15h45 Monaco x Toulouse

Sábado
12h PSG x Amiens
15h Lyon x Strasbourg
15h Metz x Guingamp
15h Montpellier x Caen
15h Saint Étienne x Nice
15h Troyes x Rennes

Domingo
10h Lille x Nantes
12h Angers x Bordeaux
16h Olympique de Marselha x Dijon


Quando Neymar e Mbappé são maiores que um Real Madrid x Barcelona
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juliogomes

O sábado é dia de Real Madrid x Barcelona (21h, Esporte Interativo). Isso mesmo. Em Miami. Parte da perna norte-americana de amistosos de pré-temporada dos grandes clubes europeus. Mas o clássico pouco importa. Estamos na metade da janela europeia de transferências e só se fala em Neymar e Mbappé.

As possíveis transferências mais caras da história estão monopolizando todas as atenções na Europa. E todo o mercado depende delas, como se fossem peças de dominó esperando para a primeira da fila ser tocada.

Qual o dedo vai empurrar a primeira peça? Quais dedos assinarão o primeiro cheque?

A situação de Neymar é a principal. Até por ser um jogador mais consolidado, talvez no auge (só saberemos quando encerrar a carreira), pronto para ser protagonista na Copa do Mundo-2018 com o Brasil e, quem sabe, se transformar em verdadeiro candidato a melhor do mundo.

E também por já estar em um clube gigante.

O caso de Mbappé é diferente. Ele é mais ou menos como Neymar anos atrás. Uma promessa. Uma quase certeza, mas ainda uma promessa. Um jogador totalmente diferente da média, que já se mostrou capaz de fazer a diferença em jogos grandes, muito novo. E, diferente do Neymar dos tempos de Santos, já com experiência europeia, no alto nível, contra defesas de verdade.

Neymar parecia que ia para o PSG. Depois, parecia que havia sido convencido a ficar no Barcelona. Agora, parece que está a ponto de ir de novo. Teve participação em evento comercial cancelada, brigou no treino, empurrou segurança na noite de Miami, parece com os nervos à flor da pele.

Para encaixar as peças que faltam neste quebra-cabeças, falta entender o que, afinal, quer Neymar. Quer dinheiro? Quer ganhar títulos? Quer ser o número um do mundo? Quer jogar com os melhores? Fugir da Justiça espanhola? Quer um time só para ele? Quer alguma coisa ou só quer o que os outros determinam que ele queira? É necessário ouvi-lo.

Se o PSG driblar o fair play financeiro e fizer um cheque de duzentos e tantos milhões de euros, vai receber um craque pronto. Já tem um time capaz de ganhar Champions League. Ficaria ainda mais forte. Mas este detalhe não pode fugir de Neymar: não adianta ganhar Francesão e fazer 250 gols na temporada. A única coisa que importa será a Champions League.

Com o dinheiro em mãos, o Barcelona não poderá simplesmente sanar as contas. Precisará dar uma resposta. E aí a Juventus vai precisar se mexer para segurar Dybala, e o Liverpool para segurar Coutinho. A Juve, com dinheiro, sempre faz estragos no mercado (Buffon, Nedved e Thuram em 2001, após vender Zidane, Higuaín e Pjanic ano passado, após vender Pogba). O Liverpool também está ativo no mercado. É o efeito cascata.

A notícia deste sábado é que até Griezmann vira alvo do Barça, apesar de o francês ter decidido ficar mais um ano no Atlético de Madri – uma atitude legal de gratidão, pois o Atlético não pode contratar ninguém até o ano que vem. Griezmann fatalmente sairia para o United, acabou ficando, para o Barça pode ir para cima.

Mas a cartada de mestre do Barcelona seria mesmo pegar o dinheiro e comprar Mbappé. Durante a semana, o Marca reportou que o Real Madrid pagará 180 milhões de euros e o negócio estaria fechado. Mas o fato é que o garoto está relacionado para o jogo deste sábado do Monaco contra o PSG. É a Supercopa da França, jogo que abre oficialmente a temporada no país.

Mbappé é fã de Zidane e tem fotografias de pequeno com a camiseta do Real. Assim como Neymar escolheu o Barcelona, Mbappé pode simplesmente escolher o Real. Mas não nos esqueçamos que o Manchester City, que gastou o que tem e o que não tem na janela até agora, está alucinado atrás do garoto também.

É difícil imaginar que Mbappé fique no Monaco, apesar dos esforços do time do Principado – que já perdeu Bernardo Silva e Mendy para Guardiola.

Até o PSG pode voltar à carga por Mbappé. O clube francês também quer Alexis Sanchez. Mas tudo está parado, obviamente, enquanto Neymar não sai do muro.

No meio de tudo isso, tem um Barcelona x Real Madrid a ser jogado.

Até agora, na pré-temporada, o Barcelona ganhou por 2 a 1 da Juventus e por 1 a 0 do Manchester United. Três gols de Neymar, com uma fome pouco usual para craques voltando de férias. Já o Real Madrid empatou com o United e levou uma chacoalhada de 4 a 1 do Manchester City. Deve uma resposta a seus fãs nos EUA.

Tudo isso sem Cristiano Ronaldo, ainda de férias após a Copa das Confederações. Aliás, a janela de transferências começou com um piti de Cristiano, ameaçando deixar o Real. Já devem ter se resolvido, porque não se fala mais nisso.

Do jeito que é competitivo, capaz que esteja esperando a venda de Neymar ou de Mbappé para, em seu momento, se transformar na transferência mais cara da história.

“Vamos tentar ganhar o jogo, porque um clássico é um clássico”, disse Zidane.

Mas já sabem. O verdadeiro jogo da temporada está sendo jogado bem longe do campo de Miami. E a janela só fecha em 31 de agosto.

 


Juventus para dois dos ataques mais poderosos. Falta o melhor
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juliogomes

O Barcelona fez 160 gols em 56 jogos oficiais na temporada. Zero nos dois jogos contra a Juventus. O Monaco fez 150 gols em 60 partidas. Apenas um contra a Juventus, com a eliminatória já decidida e os jogadores menos concentrados em campo.

Falta, agora, à quase intransponível defesa da Juve parar o melhor dos ataques. O do Real Madrid, dos 158 gols em 55 jogos. Média de 2,87 gols por jogo, o ataque mais positivo da Europa.

Isso, claro, caso o Real Madrid confirme sua classificação para a final da Champions nesta quarta-feira – enfrenta o Atlético de Madri com a vantagem de ter vencido a partida de ida por 3 a 0. Já a Juventus se garantiu vencendo o Monaco por 2 a 1 – havia vencido por 2 a 0 a partida de ida.

Em 2015, a Juventus chegou à final contra o Barcelona sem ter passado por tantas provas. Neste ano, chega com confiança na estratosfera. Com a bagagem de uma final nas costas e jogadores que dão caráter ao time, como Daniel Alves – o grande nome das semifinais.

É um time que provou a si mesmo e ao mundo que é capaz de parar qualquer ataque. Seja Falcao e Mbappé, seja Messi, Suárez e Neymar, por que não pode parar Cristiano Ronaldo?

É um time capaz de jogar de muitas formas. Tem um goleiro histórico e com os reflexos em dia, uma dupla de zaga que é a melhor do mundo, laterais brasileiros todo-terreno, volantes que fecham linhas e com passe para a transição. E, claro, Dybala, Higuaín e Mandukic, homens com muito gol.

Um time completo, consistente, com camisa. A Juventus chega à nona final europeia. Ganhou pela última vez em 1996. Perdeu as finais de 97, 98, 2003 e 2015. Chegou a hora de sair da fila?


Que bom que Daniel Alves escolheu o futebol
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juliogomes

A final da Liga dos Campeões da Europa está mais do que desenhada. Salvo cataclisma, Juventus e Real Madrid se encontrarão novamente na decisão, 19 anos depois daquela final de Amsterdã. Em 98, o Real quebrou um jejum de 32 anos sem ser campeão da Europa. Agora, é a Juventus quem chega amargando uma fila de 21 anos.

A Juve encaminhou a vaga na decisão ao vencer o Monaco por 2 a 0, fora de casa, nesta quarta-feira.

Dois gols de Higuaín. Duas assistências brilhantes de Daniel Alves. Uma de calcanhar, outra em um cruzamento milimétrico no segundo pau.

Daniel foi escalado para jogar como quarto homem do meio de campo pela direita, como já ocorreu em outros momentos de sua carreira – inclusive na Copa de 2010. Vale lembrar que, no Barcelona, ele era um lateral “de mentira”. Jogava como um atacante, um companheiro imprescindível de Messi, Xavi e cia limitada.

Como o Barcelona deixou Daniel Alves sair?

OK, OK, ele quis sair. Mas será que sairia, não fosse uma situação insustentável no clube?

O Barcelona pagou, ao longo da temporada inteira, o preço de perder Daniel Alves. Ficou sem saída de bola pela direita, o desempenho de Rakitic despencou, o time ficou torto e dependente das jogadas individuais dos atacantes. As diagonais de Daniel Alves, as tabelas, os passes de gol foram todos a Turim.

Daniel Alves poderia ter ido para a China. Especulou-se que ganharia o maior salário do futebol mundial. Poderia ter ido para os Estados Unidos. Poderia ter voltado para o Brasil, para sua terra.

Mas não. Ele escolheu o futebol.

Notou que ainda tinha gás. Que ainda podia melhorar como profissional. Foi jogar no futebol mais difícil do mundo, em um campeonato tático, em que movimentos e equilíbrio defensivos são o ar que se respira.

Daniel Alves pode jogar em várias posições do campo. E continua decisivo, como foi em Mônaco nos passes para Higuaín.

“Quando saí do Barcelona, disse que queria novos desafios. A Juventus está há muito tempo sem vencer a Champions. Quero ajudá-los a voltar a vencer esta competição. Venho para cá com este pensamento”, falou Daniel ao chegar ao clube.

Muitos devem ter ignorado. Mas foram declarações quase proféticas. E ele segue trazendo impacto para o jogo na Champions.

O Monaco tem números ofensivos parecidos aos de Barcelona e Real Madrid na temporada. Um ataque magnífico, com o veterano Falcao e o promissor Mbappé lado a lado metendo muitos gols. Ainda assim, a Juventus não levou gol desse time – e cedeu poucas oportunidades.

Foi apenas o quarto jogo da temporada inteira em que o Monaco passou em banco (em 58 oficiais) – sendo que em dois deles atuou o time reserva e não havia necessidade do resultado. Em casa, é o primeiro jogo da temporada sem fazer gols (em 30 partidas).

 

A Juve é capaz que jogar recuada, com linhas fechadas e cedendo pouquíssimas chances. É capaz de jogar com a bola ou contra atacando. É um time de operários, com muita capacidade técnica, muita sincronia e muita vontade. Será uma justa finalista.

Blogueiros do UOL: Higuaín e Dani Alves encaminham vaga da Juventus para final


Real Madrid, Juventus e Monaco têm ótimo fim de semana antes das semis
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juliogomes

A semana será de semifinais de Liga dos Campeões, com o dérbi entre Real Madrid e Atlético de Madri, na terça, e Monaco x Juventus, na quarta. Mesmo sem entrar em campo neste domingo, Juventus e Monaco viraram virtuais campeões da Itália e da França.

A Juve tenta ser a primeira equipe a ganhar seis vezes seguidas o Italiano. O Monaco, por sua vez, tenta o oitavo título nacional, o primeiro desde o ano 2000. E ficou muito, muito perto com a derrota do Paris Saint-Germain neste domingo.

A temporada europeia vai chegando ao fim, e começam a aparecer os primeiros campeões das grandes ligas. O Bayern de Munique, após as decepcionantes eliminações na Liga dos Campeões da Europa e na Copa da Alemanha, garantiu matematicamente o pentacampeonato alemão ao desencantar e vencer o Wolfsburg por 6 a 0, fora de casa, no sábado.

Com Heynckes, o Bayern da tríplice coroa, em 2013, foi campeão com seis rodadas de antecipação. Com Guardiola, bateu o recorde em 2014 (sete rodadas, título em março). Em 2015, o tri veio com quatro rodadas de antecedência. O tetra, ano passado, na penúltima rodada. Agora, no primeiro ano de Carlo Ancelotti, é campeão com três rodadas para o fim da Bundesliga. Nunca, na história do futebol alemão, um time havia conseguido cinco títulos seguidos.

Na Inglaterra, o Chelsea deu um passo gigantesco rumo ao título ao vencer o Everton, fora de casa, por 3 a 0. É verdade que o Tottenham ganhou o dérbi de Londres contra o Arsenal, e a diferença entre eles segue em quatro pontos. Mas este era o último jogo realmente complicado para o Chelsea na tabela – dos quatro restantes, três são em casa e contra times da parte baixa da tabela.

A briga boa na Inglaterra é mesmo pelas duas vagas restantes no G4, as vagas para a próxima Liga dos Campeões. Liverpool e Manchester City tem os mesmos 66 pontos e os mesmos 28 gols de saldo (primeiro critério de desempate). O Manchester United tem 65 pontos, e o Arsenal tem 60, mas um jogo a menos.

Por falar em Liga dos Campeões, dos quatro semifinalistas, três brigam para serem campeões nacionais. E os três tiveram um fim de semana para sorrir.

O Real Madrid ainda tem os mesmos pontos que o Barcelona na ponta da Espanha, mas conseguiu uma vitória muito mais dramática. Pela enésima vez no campeonato, conseguiu pontos decisivos nos momentos finais. Marcelo foi o herói da vitória sobre o Valencia no sábado, marcando aos 41min do segundo tempo. O Valencia havia arrancado empates em Madri nas quatro das últimas cinco visitas e havia vencido o Real no jogo do turno.

Uma rodada a menos, e o Real Madrid ainda tem direito a empatar um dos quatro jogos restantes. Ao Barça, não basta vencer seus três jogos a fazer.

A Juventus empatou com a Atalanta na sexta-feira, mas depois viu de camarote a Roma perder o dérbi da capital por 3 a 1 para a Lazio, neste domingo de manhã. A vantagem na liderança, que poderia cair, subiu para nove pontos faltando quatro rodadas. A Juventus pode ser campeã na próxima rodada: faz em seu estádio o dérbi contra o Torino no sábado, enquanto a Roma tem um duro clássico contra o Milan, fora de casa, no domingo.

E o grande felizardo do dia foi o Monaco, que viu o PSG perder para o Nice por 3 a 1. Desde os 6 a 1 para o Barcelona, na Champions, o PSG havia vencido todas as nove partidas que havia disputado. Colocou pressão no Monaco, que busca seu primeiro título francês desde o ano 2000. Mas, apesar da maratona e de algumas partidas dramáticas, o time do Principado segurou as pontas.

No sábado, venceu o Toulouse precisando de uma virada no segundo tempo. Com a derrota do PSG em Nice, agora o Monaco tem três pontos de vantagem, muito mais saldo de gols (20 gols a mais), que é o primeiro critério de desempate, e ainda um jogo a menos.

Basta ao Monaco, portanto, ganhar dois dos quatro jogos restantes para ser campeão – pode perder duas vezes que ainda assim levará o caneco, mesmo que o PSG vença seus três jogos restantes. Essa margem de erro, que era pequena e ficou grande, dá um baita respiro para o Monaco focar nos duelos contra a Juventus pela Liga dos Campeões.

Em tempo: o Atlético de Madri, o último semifinalista da Champions, está fora da disputa pelo título espanhol, mas também sorriu. No sábado, meteu 5 a 0 no Las Palmas e recuperou a confiança em Gameiro. O problema é que perdeu Gimenez, machucado, e está sem lateral direito para enfrentar o Real Madrid – um tal Cristiano Ronaldo é quem joga por ali…