Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Messi

Por onde anda Messi?
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Julio Gomes

Messi anda. Isso é assim faz tempo. Messi é um gênio. Possivelmente o melhor jogador que já vi. Mas aquele Messi já era. Sim, o Messi atual continua fazendo gols e jogadas sensacionais com a camisa do Barcelona eventualmente. Mas, mesmo no Barça, já anda. Joga às vezes. Some outras vezes. O tempo passa para todos, e a motivação de fazer coisas acontecerem vai ficando para trás.

Messi andou durante todas as eliminatórias sul-americanas. E Messi está andando na Rússia.

É claro que, quando a bola chega a seus pés, o mundo para. Prendemos a respiração. Esperamos por algo. Mas esse algo raramente vem quando o uniforme é azul e branco.

Uma palavra que adoro no castellano. “Chispa”. Messi não tem mais chispa. Não explode. Não quer.

Isso não faz dele nem um pouco menos. Continua sendo o Pelé dos nossos tempos. Um gênio. Mas… passou.

A Argentina ficará virtualmente eliminada da Copa se a Islândia vencer a Nigéria na sexta. Até um empate fará com que ela não dependa mais de si. Para que haja alguma chance de evitar a tragédia, o melhor é a Nigéria ganhar amanhã. Neste caso, bastaria à Argentina vencer os nigerianos no último jogo. Isso tudo para provavelmente enfrentar a França nas oitavas de final.

A tragédia estava anunciada fazia tempo. Eu avisei no blog logo depois do sorteio. E repeti depois do treino que acompanhei em Moscou.

Este é um time nervoso, desarrumado, sem confiança algum, sem qualquer sinal de positividade e espírito vencedor. É um time com Willy Caballero no gol. Não se passa uma Copa impunemente com um goleiro de 36 anos e carreira tão insignificante.

E é um time em que Messi anda. É a tragédia mais anunciada da história recente das Copas. Não sei de onde tiravam que a Argentina era uma das favoritas. Isso aí não tem solução.

 

 


Empate foi castigo exagerado. Argentina mereceu a vitória
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Julio Gomes

Esse empate entre Argentina e Islândia estava mais do que cantado. Não era óbvio? A seleção poderosa em crise, a seleção poderosa que adora dar essas bobeadas, contra a seleção candidata a Cinderela da Copa e que tem conseguido sempre incomodar os maiores.

No entanto, o empate não foi o resultado justo para a partida. A Argentina foi muito superior, especialmente no segundo tempo. Não teve só uma posse de bola bizarramente maior, acima de 70%, mas transformou essa posse em chances. A bola não entrou porque não quis entrar.

E, creio, será a tônica para esta seleção. Está claro que as coisas não andam bem. O espírito é negativo, é um time que transmite insegurança. E, quando as coisas não andam bem, a bola resiste.

A melhor chance, claro, veio no pênalti perdido por Messi – pênalti inexistente, na minha opinião. Poucos minutos depois, no entanto, árbitros de campo e vídeo deixaram de marcar uma penalidade clara em Pavón. Elas por elas. Não dá para reclamar da sorte quando teu melhor jogador desperdiça uma chance assim.

Como também não para reclamar de falta de vontade. O time quis, tentou de todos os jeitos e até o fim. Nunca se acomodou nem teve medo. Essa é a boa notícia para os argentinos.

A má é que tem agora uma final contra a Croácia, uma seleção capaz de tudo – do melhor e do pior.


Nunca Barcelona e Real Madrid foram tão pequenos no mesmo dia
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Julio Gomes

Já tivemos muitos e muitos clássicos mais importantes do que o Barcelona-Real Madrid deste domingo. Não só na história toda, mas mesmo nos últimos anos. O de hoje foi dos menos importantes. O Espanhol está decidido para o Barcelona, o Real Madrid não joga mais nada nesse campeonato, não vivemos o auge da tensão política Espanha-Catalunha…

Então, com licença aos gols de Cristiano Ronaldo e Messi, um em cada tempo, e também com licença ao fato de o Barcelona ter mantido a invencibilidade no campeonato, se aproximando de um feito histórico, o clássico do Camp Nou foi vergonhoso.

Não havia razão para tanta pancada, tantas entradas, tanta provocação, tanta picuinha. Não há rivalidade que justifique.

Tem gente que adora. Muita gente, aliás. “Isso é futebol”. “Os caras não têm sangue de barata”. “Vai lá assistir vôlei”. Esses são os (profundos) argumentos prediletos da turma.

Não é como eu vejo o jogo, não é o que me apaixona no jogo. Sou um crítico frequente deste “futebol machão” que vemos na América Latina, não tem por que poupar o maior clássico do mundo de críticas.

Todos sabemos perfeitamente que existe tensão dentro do campo de futebol, não precisam estar jogando Barcelona e Real Madrid para termos conhecimento disso. O problema é quando descamba. E ainda mais em um jogo assim, assistido no mundo inteiro, por zilhões de pessoas.

Que exemplo dá Messi para o mundo ao dar uma entrada maldosa em Sergio Ramos, como uma forma de vingança após um cotovelo deixado por Ramos no peito de Luis Suárez?

O juiz deu amarelo a Ramos (justo) e a Suárez (também justo, pela reclamação ostensiva, aquele show de sempre). O que mais queria Messi?

Vamos dar um pequeno desconto a Messi, porque em tantos anos de carreira nunca o vimos fazer esse tipo de coisa?

Até podemos. Mas imaginem se fosse Neymar a fazer o que Messi fez? Teria perdão? Messi é grande quando faz o golaço que fez no segundo tempo, é pequeno quando resolve fazer justiça com as próprias mãos (ou pés).

Aliás, em nosso país estamos vivendo a era dos justiceiros. Todo mundo quer e acha que pode fazer justiça com as próprias mãos. O pequeno microcosmo do futebol nos mostra o quanto isso é a barbárie.

Messi deu a senha. No minuto seguinte, Bale deixou a sola na panturrilha de Umtiti, de forma igualmente maldosa. No mínimo, amarelo. Outro minuto, e Sergi Roberto dá um soco em Marcelo (recebeu o vermelho). Não dá nem para chamar o fraco juiz de justiceiro seletivo, porque no segundo tempo Suárez fez falta clara em Varane no lance do gol de Messi. E depois, já com 2 a 2, o árbitro ainda deixou de dar pênalti claro de Alba sobre Marcelo.

O árbitro se perdeu e cometeu erro atrás de erro. Mas a confusão toda começa antes disso e é exclusivamente culpa dos jogadores. Gente que, hoje, perdeu a noção do que representa. De como são copiados no mundo inteiro.

Nos minutos finais ainda teve a briguinha pelo tal fair play. Suárez cai, Busquets não joga a bola para fora, depois o Real Madrid tampouco e vira bate boca. Após o apito final, claro, sorrisinhos de Ramos, Piqué e os outros jogadores da seleção espanhola. Do tipo “os bobocas aí devem ter se divertido com nossas briguinhas”. Foi um “El Clássico” deprimente.

Vamos lembrar que a vergonha já havia começado antes da partida. Na Espanha, existe uma tradição de muitas décadas. Depois de um time ser campeão, ele é homenageado em sua partida seguinte. O adversário da vez faz um corredor (o “pasillo”) para render homenagem aos jogadores campeões, que entram em campo sob aplausos.

Em dezembro, o primeiro jogo do Real Madrid após a conquista do Mundial de Clubes foi o clássico contra o Barcelona. Alegando que não havia disputado o mesmo torneio, o Barça resolveu não fazer o tal pasillo. Um argumento discutível, pois o Barça havia disputado a Champions, vencida pelo Real e que deu o direito ao time de Madri jogar o “Mundialito”. Picuinha pura.

O Real Madrid, que se orgulha de ser um clube “señor”, acima do bem e do mal, classudo, devolveu como? Não fazendo o pasillo neste domingo, apesar de o Barça ter sido campeão espanhol na rodada passada. Ou seja, uma atitude pequena, mesquinha. Picuinha pura.

Faltou classe a todo mundo. Menos ao pobre Iniesta, que se despediu dos clássicos em um jogo para ser esquecido.

Nunca Barcelona e Real Madrid foram tão pequenos, juntos, no mesmo dia.


Messi faz Chelsea pagar por tantos erros
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Julio Gomes

O Chelsea fez uma boa eliminatória contra o Barcelona. Muito melhor do que o que tem feito no resto da temporada. Foi superior em Londres e teve chances (e coragem) no Camp Nou. Mas do outro lado está um rapaz chamado Lionel. E, quando Messi está em campo, é melhor não cometer erros.

Messi quebrou com louvor o tabu de nunca ter marcado contra o Chelsea – eram quatro duelos de mata-mata em Champions entre os clubes, com duas vitórias para cada, sempre com o argentino passando em branco. Mas ele fez um na ida, dois na volta e o Chelsea é passado.

O gol da ida foi o mais importante da eliminatória. Em um jogo em que o Chelsea havia sido superior, vencia e dava pinta de que ampliaria, um jogo em que Kanté anulou Messi. Mas aí Christensen deu um passe errado, Azpilicueta deu um bote errado, e Iniesta deu o gol a Messi.

Aquele 1 a 1, até injusto pelo que os times haviam feito em campo, definiu a eliminatória. Lembrando que naquele jogo Willian acertou duas bolas na trave. Como diz a música, bola na trave não altera o placar.

No Camp Nou, o Barcelona começou acelerado, fez 2 a 0 20 em minutos, com um gol e uma assistência de Messi a Dembélé, e praticamente matou a eliminatória. Duas bolas que Courtois costuma defender – o goleiro belga não teve sua noite mais feliz.

Verdade que depois o Chelsea jogou bem, ocupou a área adversária, acertou a trave de novo em falta batida por Marcos Alonso e vai reclamar de pênalti no próprio, no começo do segundo tempo. Dois lances que, sem dúvida, teriam botado fogo na eliminatória – não achei o toque de Piqué no braço suficiente para derrubar Marcos Alonso, mas ao mesmo tempo não entendo por que o jogador se deixaria cair daquele jeito.

Estava claro que o Barcelona teria algum contra ataque, porque o Chelsea estava no campo ofensivo e deixava espaços. Em um deles, Suárez achou Messi chegando em velocidade. Antes mesmo de a bola chegar aos pés de Messi, estava claro que ele colocaria na frente e faria o gol. Foi exatamente o que aconteceu.

Messi foi muita areia para o caminhãozinho do Chelsea, um time que fez uma eliminatória digna, mas cometeu erros que não pode ser cometidos em jogos assim.

O Barcelona chega às quartas de final pela 11a temporada seguida. É muita coisa. É muito Messi.


Na “final” espanhola, faltou coragem e sobrou Messi
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Julio Gomes

Diego Simeone mudou a história do Atlético de Madrid, e isso é inegável. Mas lá se vão 13 partidas contra o Barcelona na Liga espanhola e são zero vitórias do treinador argentino (nove do Barça, quatro empates).

Faltou coragem ao Atlético no Camp Nou. Faltou também ao Barcelona, mas o time já vencia quando recuou. E o resultado final do jogo acabou sendo definido por Messi. Um golaço de falta, mais uma genialidade do argentino, que chega a 600 gols como profissional.

Se nos anos iniciais de Simeone o Atlético era um time de futebol reativo, isso foi se transformando ao longo dos anos. O Atlético passou a ser um time de boa defesa, sim, mas também de muita qualidade com a bola. Só que parece que nos grandes clássicos, nos grandes jogos, o time dá um passo atrás. Falta aquele centímetro de coragem, já que concentração e dedicação sempre sobram.

Foi assim nas duas finais de Champions contra o Real Madrid. E é assim quase sempre nos jogos grandes contra o Barcelona pelo Espanhol.

Agora, o Barça volta a ter oito pontos de vantagem na tabela, o que praticamente determina o campeão.

O Barça foi muito melhor no primeiro tempo, contra um Atlético que só pensava em marcar e abdicou de jogar. Não foram tantas chances criadas, mas o domínio era claro. E, numa falta besta feita por Thomas em Messi, o gênio não perdoou.

Com a saída de Iniesta por lesão muscular, Ernesto Valverde (que venceu Simeone pela primeira vez) também mostrou pouca coragem. Colocou em campo André Gomes, pensando em fechar o meio de campo. É um jogador de nível muito abaixo do restante. A entrada de Paulinho teria sido mais natural.

No segundo tempo, o Atlético fez um jogo mais sólido, com outra atitude. Diante de um Barcelona recuado e desinteressado, o time de Madri foi ganhando metros. E, aí sim, apareceu a coragem de Simeone, colocando dois atacantes e partindo para cima.

A impressão é que o Atlético chegaria ao empate. Até fez o gol, mas o bandeirinha encontrou impedimento milimétrico de Diego Costa no lance. Se tivesse jogado com a mesma atitude desde o início, fatalmente o resultado teria sido diferente. Por que não agredir desde o primeiro minuto?

Ao Atlético, agora, resta centrar forças na Europa League, onde é o principal favorito ao título. O Barcelona possivelmente terá de enfrentar o Chelsea, pela Champions, sem Iniesta. A Liga espanhola já está na regressiva.


No Espanhol, Barcelona é a maior pedra no sapato de Simeone
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Julio Gomes

Na Champions, um leão. Na Liga espanhola, um gatinho. Este tem sido o Atlético de Madrid quando enfrenta o Barcelona, nos seis anos e pouquinho desde a chegada de Diego Simeone ao clube.

Neste domingo, os clubes duelam no Camp Nou. Com a vantagem do Barça atualmente em cinco pontos, o jogo é tratado como uma “final”. Se o Atlético for campeão, terá sido a maior “remontada” da história da Liga espanhola. E ser campeão passa por vencer fora domingo, coisa que os colchoneros não fazem desde 2006.

Se na “era Simeone”, que começou em dezembro de 2011, o Atlético fez o Real Madrid virar freguês em jogos pelo Campeonato Espanhol, o mesmo não se pode dizer dos duelos contra o Barça. Foram 12 jogos desde a chegada do treinador argentino, com 8 vitórias do Barcelona e 4 empates.

Se colocarmos todas as competições na balança, foram 12 vitórias do Barça, 6 empates e 2 vitórias do Atlético – ambas em jogos de Liga dos Campeões, em 2014 e 2016, anos em que Simeone eliminou o Barça e só caiu na final europeia, justamente diante do Real.

Entre estes empates, houve um no Camp Nou, em 2014, que significou o título espanhol para o Atlético. Uma boa lembrança, sem dúvida. Mas outro empate no domingo deixaria a diferença em cinco pontos, ou seja, manteria o Barça com o controle do campeonato.

Por isso e por outras razões, é possível imaginar que o Atlético irá agredir o Barcelona, o que pode resultar em um grandíssimo jogo de futebol.

Depois da decepcionante eliminação na fase de grupos da Champions, Simeone recebeu Diego Costa em janeiro. Na Liga, desde então, foram oito vitórias e um empate em nove jogos, com 20 gols marcados e 3 sofridos. A presença de Diego Costa fez com que Griezmann jogasse mais solto – o francês fez sete gols nos últimos dois jogos.

Diego Costa e Griezmann dão ao Atlético uma mistura ofensiva muito curiosa. Lembra os primeiros anos de Simeone, com um time mais duro, mais pesado, mais catimbeiro – Diego Costa personalizava tudo isso em campo. Mas lembra também o Atleti recente, dos últimos anos, um time mais leve, capaz de propor jogo e envolver adversários, com um atacante, Griezmann, de características muito distintas.

Tudo isso, como sempre, com um sólido sistema defensivo por trás e muita concentração.

Uma concentração para lá de fundamental, pois o Barcelona terá espaços, e Messi e Suárez estão voando. Aliás, Messi já fez 27 gols no Atlético, uma de suas vítimas prediletas, e está a um de chegar a 600 gols como profissional.

Apesar de ainda invicto no campeonato, o Barcelona tropeçou três vezes em fevereiro – empates contra Espanyol, Getafe e Las Palmas – e fez um jogo ruim contra o Chelsea, pela Champions (deu sorte de sair com o empate de Londres). É o pior momento do time na temporada, mas talvez falte justamente um jogo como esse para o caminho ser retomado.

 


Messi precisa de uma bola para afundar plano (quase) perfeito do Chelsea
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Julio Gomes

Não foram poucas as retrancas que o Barcelona enfrentou em sua fase dourada, nos últimos 13 anos. Nenhum time conseguiu “anestesiar” tanto o jogo catalão como o Chelsea.

A história foi a mesma nesta terça. A mesma de 2005, 2009, 2012. O Chelsea, com uma quarta leva diferente de jogadores, conseguiu fazer o Barça ficar o tempo inteiro longe de seu gol. Menos, claro, quando Christensen atravessou um péssimo passe em frente a sua área e deu de presente a bola para Iniesta, que deu de bandeja o gol a Messi.

E Messi, que nunca havia feito gol em Buffon na Champions (e fez na primeira fase), agora quebra outro tabu incômodo. Não havia marcado contra o Chelsea nas oito partidas anteriores, com direito a pênalti perdido em semifinal. De hoje, não passou. Uma bola limpa. Era tudo o que ele precisava.

Messi foi quem mais tentou, mas sempre que pegava a bola tinha a ótima marcação de dois, três, às vezes até quatro adversários. Kanté, incansável, não saía de perto um segundo sequer. Faltou ao Barcelona movimentação, que outros jogadores abrissem linhas de passe a Messi.

Foi um time estático, com Rakitic muito recuado, Paulinho enfiado, Iniesta sumido. Courtois fez só uma boa defesa, em um chute cruzado de Suárez. Um jogo ruim, talvez o pior do Barça na temporada inteira – em que ele perdeu apenas uma vez.

E, mesmo assim, mesmo com o Chelsea fazendo o jogo acontecer exatamente da forma como Conte queria, o resultado final foi de 1 a 1. O que deixa o Barcelona muito mais perto das quartas de final do que o time azul londrino.

Além de Kanté, destaque para Willian. Na proposta de jogo de Conte, sem centroavante e com três jogadores agudos à frente, Willian conseguiu ser mais perigoso até que Hazard, que é quem tinha mais liberdade. Chutou duas bolas na trave e fez um gol, foi o principal jogador da partida.

O plano tático de Conte funcionou à perfeição. Mas o futebol é coisa de seres humanos. E seres humanos erram. Não basta estar concentrado 99,999% do tempo, porque Messi só precisa de 0,001 para estragar teus planos.

 

 


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Barcelona só perde título espanhol se sofrer virada recorde
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Julio Gomes

Com os 3 a 0 sobre o Real Madrid, sábado, em pleno Santiago Bernabéu, e as derrotas de Atlético de Madri, Valencia e Sevilla, o Barcelona teve a rodada dos sonhos antes de o Campeonato Espanhol fazer a pausa para as festas de fim de ano.

O Barça é líder com 45 pontos em 51 possíveis, não perdeu um jogo sequer na Liga doméstica. A vantagem é de 9 pontos para o Atlético, 11 para o Valencia, 14 para o Real Madrid (que tem um jogo a menos) e 16 para o Sevilla.

Na história do Espanhol, a maior “remontada” de pontos aconteceu na temporada 98/99. Exatos 19 anos atrás, o Mallorca liderava o campeonato após 14 rodadas e tinha 9 pontos de vantagem para o Barcelona, que acabaria sendo campeão no ano de seu Centenário. O Mallorca terminaria em terceiro lugar.

Se o Atlético de Madri for campeão da atual temporada, terá igualado este recorde histórico. Se o Barça perder o título para outro time, como o Real Madrid, por exemplo, terá sido a maior remontada já vista no campeonato.

E tem um detalhe: no segundo turno, o Barcelona jogará contra Atlético, Real e Valencia em seu estádio, o Camp Nou. Não está fácil para a concorrência.

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Zidane inventa, erra feio, e Barça “mata” o Real na Liga

O dado histórico, somado à consistência deste Barcelona de Valverde e a inconsistência dos rivais, faz com que muitos considerem a Liga já definida, mesmo faltando duas rodadas para ser concluído o primeiro turno.

Seria o nono título do espanhol do Barça em 14 temporadas, um domínio só comparável ao histórico Real Madrid de Si Stefano, dos anos 50 e 60. São justamente as 14 temporadas com Messi no time principal desde a estreia, em 2004 – o argentino é o recordista de gols em clássicos no Bernabéu (agora são 15) e o jogador que mais gols fez contra o Real Madrid na história.

Com a vitória no clássico , o Barcelona conseguiu vencer em Madri em três Ligas seguidas pela primeira vez na história (só o Atlético de Simeone, recentemente, havia conseguido tal feito). É também a primeira vez que o Real sofre pelo menos três gols em casa, do mesmo adversário, três vezes seguidas.

Os últimos dez dérbis pela Liga no Bernabéu tiveram sete vitórias do Barça, com 28 gols marcados – quase três por visita. Dá para chamar de freguesia.

Manchester City, com a campanha surreal que faz na Inglaterra, Bayern de Munique, na Alemanha, e PSG, com todo o investimento que fez na França, também já são virtuais campeões nacionais. Sobram as disputas intensas na Itália e Portugal e, claro, a Liga dos Campeões, onde todos esses aí vão se enfrentar.

De todos esses, o Barcelona é quem faz a temporada mais surpreendente. É importante lembrar que este era um clube em depressão quatro meses atrás, humilhado pela saída de Neymar, sem conseguir quem queria no mercado, sem a renovação de Messi assinada, sem o Iniesta de outros tempos, com diretores renunciando, com um ex-presidente atrás das grades e o atual enrolado com a Justiça.

Tanto que Piqué dizia, após a derrota para o Real Madrid na Supercopa espanhola, que abria a temporada, que pela primeira vez se sentia inferior ao maior rival.

O mundo girou, Ernesto Valverde faz um enorme trabalho, Paulinho encaixou como uma luva e hoje, quem quiser tirar o título do Barça, terá de bater recorde.

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Quem precisa de Neymar? Paulinho virou o substituto perfeito

As três maiores viradas da história da Liga espanhola foram: a já citada do Barça para cima do Mallorca (9 pontos, em 98/99); outra do Barça, do Dream Team de Cruyff, mas sobre o Real Madrid, quando a vitória ainda valia 2 pontos (8 pontos de desvantagem após 14 rodadas, em 91/92); e a do Valencia de Rafa Benítez sobre o Real Madrid dos galácticos (8 pontos faltando apenas 12 rodadas, em 2003/2004).

Neste mesmo campeonato, o primeiro de Ronaldinho na Espanha, o Barcelona chegou a tirar 18 pontos de desvantagem para o Real Madrid para acabar em segundo lugar – os galácticos acabariam em quarto. Era o terreno sendo pavimentado para o bicampeonato em 2005 e 2006, o início da “era Messi”.


Zidane inventa, erra feio, e Barça “mata” o Real Madrid na Liga
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Julio Gomes

Zinedine Zidane vai completar em janeiro dois anos à frente do Real Madrid. Neste período, ganhou uma Liga Espanhola e duas Champions League seguidas, o que nunca havia acontecido na era moderna da competição. O francês se notabilizou por não inventar. É um ex-craque, que conhece o clube, a linguagem necessária para estimular e fazer com que os seus jogadores funcionem em campo. Nunca pareceu ser um gênio tático ou um mestre das substituições durante os jogos.

Hoje, Zidane inventou. O Real levou 3 a 0 na testa. E a Liga acabou.

Zidane tirou Isco do time, colocou Kovacic. No primeiro tempo, a estratégia de ganhar o meio de campo até que deu certo em alguma medida. O Real Madrid teve a posse de bola e, jogando pela esquerda, Cristiano Ronaldo criou muitos problemas para o Barça. Mas faltava criatividade, o último passe. O passe de morte. Faltava Isco.

É verdade que Messi mal pegou na bola. Quando conseguiu, encontrou um lançamento para Paulinho, na única chance do Barça no primeiro tempo. Aliás, Paulinho já justificou com sobras o investimento. Sem Neymar, o Barça passou a jogar em um 4-4-2 que só dá certo porque Paulinho tem muita chegada no ataque.

O primeiro tempo foi do Real Madrid, mas as chances criadas foram poucas – basicamente uma rara furada de Cristiano Ronaldo e uma grande defesa de Ter Stegen. No segundo tempo, o Barcelona voltou muito melhor. Com Rakitic mais próximo de Busquets e o time mais compacto no meio, aliado a um Real Madrid “mole”, começaram a surgir os primeiros contra ataques para o Barcelona.

Num deles, criado por Busquets e puxado por Rakitic, Kovacic fingiu que não era com ele, Casemiro estava muito recuado e saiu o gol de Suárez. Mesmo assim, Zidane demorou para reagir. Nada fez. Até que saiu o segundo gol, em pênalti anotado por Messi e com expulsão de Carvajal. Ali, a vitória do Barcelona ficou decretada.

O Real ainda tentou depois de Zidane tirar os dois volantes, Ter Stegen brilhou e sairia o terceiro gol nos acréscimos, de Vidal.

O preço pago pelo Real Madrid pelos erros de Zidane é altíssimo. A derrota por 3 a 0 para o Barcelona é a quinta nos últimos sete superclássicos disputados no Santiago Bernabéu. Em Madri, quem manda é o Barça. Não à toa, vimos algo raro neste sábado: um time vaiado pela própria torcida.

Antes de começar a temporada, o Real Madrid era destacado favorito para ganhar o Campeonato Espanhol. Nos duelos entre os dois gigantes na Supercopa, no início da temporada, o Real atropelava um Barça em depressão, que perderia Neymar para o PSG. Naquela ocasião, Piqué, um ícone da Catalunha e do clube, disse o seguinte:

“Pela primeira vez, em anos, me sinto realmente inferior ao Real Madrid”.

Piqué estava correto. Havia um abismo entre os clubes. Mas talvez essa noção e o fato de terem vencido tudo foram fatores que geraram desatenção no Real Madrid. O time começou mal a temporada, com tropeços pouco usuais.

Enquanto isso, o Barcelona ia vencendo, vencendo, vencendo. Mesmo sem Neymar. Mesmo com tantas lesões. Mesmo com a seca de Suárez. Mesmo sem encantar. Mesmo com toda a fervura política na Catalunha. O Barça fechou os ouvidos e foi vencendo, vencendo, vencendo.

Chegamos ao clássico deste sábado, e o Real Madrid precisava vencer para sobreviver. Perdeu. E o Campeonato Espanhol virou missão impossível. São 14 pontos de desvantagem (que podem ser 11, porque o Real tem um jogo a menos). Até hoje, na história da Liga, a maior “remontada” foi de 9 pontos.

Zidane será muito pressionado nas próximas semanas, até as oitavas de final da Champions, contra o PSG. Neste momento, o Real Madrid seria presa fácil para o time francês. Algo está acontecendo nos bastidores, e possivelmente alguns destes atritos virão a público nos próximos dias.

Vamos ver como Zidane vai se virar para reencontrar o time e a forma de vencer.