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Arquivo : Messi

Barça atropela a Juve. Quem tem Messi nunca está morto
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juliogomes

O Barcelona, após a dramática janela de transferências, é quem deveria ser o time desfigurado em campo. Mas não foi o que vimos no Camp Nou, na noite de abertura da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. Foi a Juventus, vice-campeã na temporada passada, que estava irreconhecível.

A Juve entrou em campo nesta terça sem cinco jogadores que começaram a final contra o Real Madrid e sem seis dos que fizeram aquele 3 a 0 em cima do Barcelona nas quartas de final da última Champions, em abril. Sem Daniel Alves, Bonucci e Chiellini, a intensidade defensiva caiu demais.

E tudo o que Messi precisa nessa vida é de um time desarrumado atrás.

Messi é cada vez mais um meio-campista. Está mais paradão. Não se movimenta como antes, não marca mais a saída de bola do rival e não fica buscando deslocamentos. Recebe a bola no pé. Às vezes, apenas devolve. Às vezes, resolve acelerar. E, quando acelera, sai de baixo.

Ernesto Valverde escalou o Barcelona de forma inteligente. Abriu Alba pela esquerda e jogou Dembélé lá para a ponta direita. O efeito foi nítido: Alex Sandro, uma das principais armas para a saída de bola da Juventus, ficou preso na marcação. Messi e Iniesta se encontraram pelo meio do campo, e Suárez caiu por todos os lados. Busquets ficou mais recuado.

Ainda assim, o Barça trocou muitos passes e chegou pouco no primeiro tempo. A grande chance veio no rebote de uma falta cobrada por Messi, Suárez chutou e obrigou Buffon a fazer grande defesa. Pouco a pouco, a Juventus foi avançando a marcação e conseguiu roubar bolas e ameaçar. O 0 a 0 do primeiro tempo era condizente com o jogo.

Mas, por mais que o Barcelona não pareça mais ou mesmo, alterne momentos de chatice pura com velocidade, mesmo que não tenha mais Neymar, o fato é que o time que tenha Messi, qualquer que seja ele, nunca pode ser considerado morto.

No último lance do primeiro tempo, Messi acelerou. Fez linda tabela com Suárez e bateu com precisão, no canto, sem chances para Buffon. Foi a primeira vez na carreira que Messi conseguiu fazer um gol em Buffon.

Na carreira de Buffon, só faltava ganhar a Champions e tomar gol do Messi. Agora só falta ganhar a Champions. E vai ser difícil. Porque a Juventus, além de menos intensa e coesa defensivamente, vai sentir falta da opção ofensiva que Daniel Alves dava na temporada passada (além do espírito competitivo). Claro que há muita temporada pela frente e Allegri tem tempo para encontrar alternativas. Mas, neste momento, a Juve não passa a segurança de outros anos. Foi um time apático no Camp Nou.

No começo do segundo tempo, Alex Sandro subiu pela esquerda (uma raridade) e Dybala teve a chance de empatar. Mas chutou por cima. Alguns minutos depois, Messi acertou a trave. Depois, em uma troca de posições com Dembélé, arrancou pela direita e cruzou, Rakitic completou na sobra. Ali, o jogo morreu.

A Juve tentou adiantar a marcação para buscar o renascimento no jogo. Resultado? Deu espaços. Com espaço, Messi fez um golaço, 3 a 0. A partir daí, até a Juve achou que estava de bom tamanho.

Coloquei o Barcelona na terceira prateleira de favoritos para a Champions e o mantenho por aí. Mas, para um clube que parecia despedaçado um mês atrás, Valverde está conseguindo encontrar soluções rapidamente. E, claro, quem tem Messi tem sempre esperanças.

Favoritos vencem com facilidade

Todos os favoritos ganharam bem, sem sustos, neste primeiro dia de fase de grupos. Nenhum deles sofreu um gol sequer.

No grupo A, o Manchester United fez 3 a 0 no Basel. O Benfica levou a virada em casa e perdeu para o CSKA Moscou por 2 a 1. Resultado péssimo para os portugueses nessa briga pela segunda vaga.

No grupo B, O PSG foi à Escócia e meteu 5 a 0 no Celtic. Neymar fez um, Mbappé fez outro, Cavani fez dois. É um ataque absurdo. O Bayern de Munique também passeou, 3 a 0 no Anderlecht. Na próxima rodada, tem o primeiro confronto entre PSG e Bayern. Entre eles, decidirão quem fica em primeiro e quem fica em segundo.

No grupo C, o Chelsea fez o dever de casa e enfiou 6 a 0 no debutante Qarabag. Roma e Atlético de Madri ficaram no 0 a 0 no Olímpico, um resultado melhor para o Atlético, logicamente.

E, no grupo D, além dos 3 a 0 do Barça sobre a Juve, o Sporting, fora de casa, abriu 3 a 0 sobre o Olympiacos. O multicampeão grego ainda fez dois gols no finalzinho, mas não conseguiu buscar o milagre. O Sporting está com 100% de aproveitamento na temporada e não pode ser descartado como uma ameaça à Juve neste grupo.

 


Prévia do Espanhol: Real Madrid é favoritaço para o bi
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juliogomes

O Campeonato Espanhol começa nesta sexta-feira e, enquanto muitos insistem com o discurso do “só tem dois times”, a perspectiva para a temporada é de uma competição de “um time só”. O Real Madrid já era bicampeão europeu, mais time, mais completo. Mas, depois dos dois bailes em cima do Barcelona na Supercopa espanhola, a distância entre eles ficou exposta. E o gigante da capital torna-se um favorito destacado para ser bicampeão espanhol.

Tão favorito quanto o PSG na França ou o Bayern da Alemanha ou a Juventus na Itália? É mais ou menos por aí…

O abismo para o maior rival está tão grande que o próprio Piqué, que virou uma espécie de porta-voz não oficial do Barcelona, disse após a derrota de quarta, no Santiago Bernabéu. “Pela primeira vez em 9 anos me sinto inferior ao Real Madrid”. E, para piorar tudo, o Barcelona ficará o primeiro mês da temporada sem Suárez, lesionado.

Leia também: Superioridade do Real deve aumentar desespero do Barça no mercado

Depois dos anos de um domínio exagerado de Barcelona e Real Madrid na Espanha, especialmente os de Guardiola e Mourinho, os dois gigantes tiveram alguma resistência nas duas temporadas passadas.

O Atlético de Madri tornou-se uma ameaça real. E alguns jogos que eram resolvidos no estilo “passeio” ficaram mais duros. Times médios se reforçaram. Goleadas deixaram de ser tão previsíveis, ainda que tenham acontecido, claro que sim.

Dito isso, o Real Madrid voltou a ser campeão após quatro anos e agora o clube da capital tem a faca e o queijo na mão para ser dominante por bastante tempo.

Zinedine Zidane, uma aposta arriscada do presidente Florentino Pérez, caiu como uma luva. Tem exatamente o tom, o discurso e os métodos que agradam à comunidade que gira em torno do clube e o grupo de jogadores.

E, de repente, o Real tem uma baita linha defensiva, um meio de campo extraordinário e um ataque letal. Pode jogar com a bola ou sem ela. É fortíssimo no jogo aéreo, tem velocidade para contra atacar, tem qualidade para furar retrancas. Cristiano Ronaldo não dá sinais de parar. E o futuro está garantido com Isco, Asensio, o lateral Théo Hernandez, tirado do Atlético por 30 milhões de euros e que será preparado para substituir Marcelo, o meia Ceballos, do Betis, muito bom de bola, etc.

As saídas de Pepe, Danilo, Morata e James Rodríguez debilitam, claro. Debilitam o time reserva. Nada mais. É um elenco jovem e completíssimo.

Apesar de as casas de apostas insistirem em pagar o mesmo retorno para título do Real Madrid e título do Barcelona, vejo o clube da capital com amplo favoritismo para ficar com a Liga. A superioridade na disputa da Supercopa não é circunstancial.

Além de estar voando, encaixado e com elenco, o Real vê um Barcelona vivendo um pesadelo extra-campo. O clube foi humilhado pela decisão de Neymar de abandoná-lo. Virou motivo de piada nas rodas de dirigentes e pessoas importantes do futebol europeu. E também nas conversas de bar.  Não se perde um jogador como Neymar impunemente.

Agora é um clube desesperado que acaba tomando medidas desesperadas. Pagou por Paulinho mais do que deveria. E o mesmo acontecerá com Philippe Coutinho e/ou Dembélé. Isso se conseguir trazê-los. Mesmo que venham, haverá um tempo para adaptação, encontrar o melhor formato de time para acomodá-los, etc. Suárez está machucado. Quando perceberem, o Real Madrid estará muito na frente.

A derrota contundente na Supercopa não se deve à ausência de Neymar. O que Neymar fez foi perceber que a barca estava afundando e foi ser feliz em outro lugar. A linha defensiva é de segunda linha, o meio de campo está envelhecido e sem opções e Messi já está há tempos andando em campo. Faz gols, dá assistências, é um gênio, mas não trabalha mais defensivamente, não joga com sangue nos olhos. E isso já faz uns bons dois anos.

No meu ponto de vista, o Barcelona está mais para disputar segundo lugar com o Atlético do que primeiro com o Real Madrid.

O ATLÉTICO, de Simeone, segue tão forte quanto nos outros anos. É verdade que não pôde contratar ninguém pela sanção da Fifa, mas manteve seu grande líder, o técnico, e seu grande jogador, Griezmann. Em janeiro, devem chegar Diego Costa, Vitolo (emprestado ao Las Palmas até dezembro) e talvez outros nomes, o que fará do Atlético um candidato na Champions League (de novo).

A grande chave para o Atlético é dar mais espaço a protagonismo a Saúl, um jogador jovem, de muito talento e que talvez trabalhe demasiado taticamente. O belga Carrasco também precisa ter mais importância.

O SEVILLA substituiu Sampaoli pelo bom (e também argentino) Eduardo Berizzo, ex-Celta. Perdeu alguns jogadores importantes, como Vitolo, o lateral Mariano (Galatasaray, difícil entender essa decisão) e veteranos como o zagueiro Ramy, o meia Nasry ou o volante Iborra.

Mas trouxe reforços interessantes e que podem dar certo nas mãos de um técnico que gosta de jogo, como Berizzo. O atacante colombiano Muriel, da Sampdoria, o zagueiro dinamarquês Kjaer, do Fenerbahce, o volante Banega, da Inter, e os extremos Nolito e Jesús Navas, ambos chegando do Manchester City.

O grande adversário do Sevilla na busca por uma vaga na Champions League será novamente o VILLARREAL, que se reforçou com o colombiano Bacca (Milan) e o turco Unal (Man City) para o ataque, o zagueiro Semedo (Sporting) e o promissor meia Fornals (Málaga). As principais perdas foram o zagueiro Musacchio, para o Milan, e o veterano Soldado, para o Fenerbahce.

OUTROS:

A Real Sociedad e o Athletic Bilbao mantêm bases interessantes, mas dificilmente conseguirão se manter no G4. O Valencia, em eterna tentativa de ser grande de novo, aposta em um bom técnico, Marcelino. Mas segue com um elenco fraquinho.

Olho para o filho de Zidane, Enzo, que jogará no Alavés. O Celta, que havia apostado em Luís Enrique antes de o treinador chegar ao Barcelona, agora aposta em seu braço direito, Juan Carlos Unzué. Douglas Luiz, ótimo volante revelado pelo Vasco e comprado pelo Manchester City, atuará por empréstimo no recém-ascendido Girona para ganhar experiência.

Outras prévias no blog:
Em busca do hexa na Alemanha, Bayern não tem rivais à altura

Liga inglesa: a melhor virou também a mais imprevisível

França: Neymar e PSG fazem bi parecer sonho distante para o Monaco

 

Supercopa da Espanha:

13/8/17 Barcelona 1 x 3 Real Madrid
16/8/17 Real Madrid 2 x 0 Barcelona

Maiores campeões espanhóis: Real Madrid (33), Barcelona (24), Atlético de Madri (10)

Previsões:

Título: Real Madrid
Vice: Atlético de Madri
Vagas na Champions: Barcelona e Sevilla
Artilheiro: Messi
Melhor jogador: Isco
Olho em: Asensio e Saúl, astros da Espanha sub-21, podem explodir
Na TV: FOX e ESPN
Duelos imperdíveis: Atlético-Barcelona em 14/10/17, Atlético-Real em 18/11/17, Real-Barcelona em 19/12/17, Barcelona-Atlético em 3/3/18, Real-Atlético em 7/4/18, Barcelona-Real em 5/5/18

Bom saber: a rodada sempre começa na sexta à tarde e tem jogos também às segundas-feiras. Real Madrid e Barcelona quase sempre jogam sábado ou domingo à tarde.

Primeira rodada:

Sexta
15h15 Leganés x Alavés
17h15 Valencia x Las Palmas

Sábado
13h15 Celta x Real Sociedad
15h15 Girona x Atlético de Madri
17h15 Sevilla x Espanyol

Domingo
13h15 Athletic Bilbao x Getafe
15h15 Barcelona x Betis
17h15 La Coruña x Real Madrid

Segunda
15h15 Levante x Villarreal
17h Málaga x Eibar


Neymar estreia “à la Messi”, armando jogo e mais longe do gol
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juliogomes

Neymar fez uma boa estreia com a camisa do Paris Saint-Germain. Fez o terceiro gol da vitória de 3 a 0 sobre o pequenino Guingamp, após passe de Cavani – o uruguaio havia marcado o segundo, na primeira assistência de Neymar pelo PSG. A lata havia sido aberta em um gol contra patético do Guingamp no início no segundo tempo.

Um gol, um passe para gol, uma caneta, um bom cruzamento que Marquinhos cabeceou no travessão. Não dá para reclamar.

Eu sou uma voz que destoante da maioria ao analisar o futebol de Neymar. O rapaz é um craque, disso não há dúvidas. Mas, a meu ver, sua principal qualidade é a finalização.

Com isso, não quero dizer que ele não seja bom driblador ou que não saiba armar o jogo. Apenas digo que a melhor versão de Neymar é aquela em que ele joga bem perto do gol, recebendo bolas limpas e com poucos adversários pela frente. De preferência, em velocidade. Ele tem um índice de aproveitamento ao concluir para o gol do nível de Cristiano Ronaldo e outros finalizadores pelo mundo.

Em quatro temporadas no Barcelona, Neymar fez 88 gols de bola rolando. 40 deles com apenas um toque na bola, 39 com domínio e finalização e somente 9 construindo o próprio gol.

Na estreia, o gol veio com toque único na bola. É lógico que essa proporção vai mudar no PSG. Ele jogou de 10. A mudança de camisa nunca foi tão fiel à mudança tática. Jogou como Messi faz em vários momentos no Barcelona, recebendo bolas no meio de vários adversários (como ilustra a foto abaixo). É bom. Ficarão mais fáceis as comparações.

Na temporada passada, a primeira do técnico Unai Emery, o Paris jogou quase sempre com dois jogadores bem abertos – entre Draexler, Di María e Lucas. Neste domingo, Neymar e Di María jogaram centralizados, abrindo o corredor para os laterais. Só que praticamente “tirando” do jogo o italiano Verratti, que é originalmente o principal armador do time.

Daniel Alves deu poucas estocadas pela direita, com o tempo vai adquirir mais entrosamento com o argentino. Kurzawa avançou muito pelo espaço que seria de Neymar na esquerda. Dele saiu o cruzamento que mais tarde acabaria no gol de Neymar.

E o jogo todo passou pelos pés do brasileiro. Até demais. Uma coisa é ter liberdade em campo. Ter posição saindo da esquerda, mas ter liberdade de movimentos. É assim que Neymar joga na seleção brasileira.

Não foi o que aconteceu na estreia. Ele foi um meia de fato, um armador, o principal construtor de todas as jogadas. Foi mais um Isco ou um Rodriguinho ou um Iniesta do que Neymar. Foi mais Verratti do que Verratti. Deste jeito, em alguns momentos de vacas magras pré-Tite, a coisa não funcionou tão bem na seleção.

Ocupou uma parte do campo em que há mais gente, mais congestionada. E ficou longe demais do gol.

No primeiro tempo, o PSG, apesar de ter a bola o tempo todo, criou pouquíssimas chances de perigo real. No segundo tempo, ganhou um presente de Ikoko, um gol contra dos mais bizarros que todos veremos em nossas vidas.

Aí sim, o jogo mudou, ficou fácil, o PSG passou a ter mais espaços. Neste cenário, em um contra ataque, Neymar deu um passe maravilhoso para Cavani fazer o segundo gol. Sua primeira assistência com a nova camisa.

O número de passes para gol inevitavelmente aumentará. Mas é bom ressaltar que Neymar já dava muitas assistências no Barcelona. Isso não passa necessariamente por ter um posicionamento de “playmaker”.

Sinceramente, não acho que esse posicionamento se manterá e é justo que o técnico tente em uma partida contra um adversário fraco como o Guingamp.

Na hora H da temporada, acredito que Emery vai preferir Neymar jogando mais à esquerda, mais perto do gol, onde ele é muito mais produtivo.

Se o plano de sair do Barcelona e ir para o PSG era ser protagonista e jogar como Messi, parece que ele será mesmo colocado em prática. Vai faltar… jogar como Messi.

 


Transferência de Neymar é a de maior impacto na Europa desde 2009
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juliogomes

A compra de Neymar pelo Paris Saint-Germain é a negociação de maior impacto no futebol europeu desde 2009, quando o Real Madrid tirou Cristiano Ronaldo do Manchester United e Kaká do Milan. E muda a correlação de forças no futebol europeu.

O Barcelona perde seu badalado trio e agora vai precisar dar uma resposta e atacar o mercado. Neymar é a primeira peça do dominó. Dybala, da Juventus, e Philippe Coutinho, do Liverpool, são os alvos preferidos. O maior golpe seria tirar Mbappé do Monaco (e do Real Madrid). Já falaremos mais adiante do impacto para o time. E o PSG passa de “time com chances na Europa” para tão favorito quanto os outros gigantes. Muda de prateleira.

Se nos últimos cinco anos a Champions começava sempre com Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique como favoritos e dominantes, agora a chegada de Neymar põe o PSG nesse grupelho.

Desde que passou a ter as finanças arraigadas por dinheiro do Catar, o PSG deixou de ser uma força local (e nem tão forte assim) para se transformar em um player mundial. Ganhou quatro ligas francesas em sequência entre 2012 e 2016, mas sempre parou nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

Na temporada passada, perdeu o Francês para um surpreendente (e já quase desfeito) Monaco e acabou nas oitavas da Champions, após levar aquele surreal 6 a 1 do Barcelona.

Foi justamente aquele o jogo mais memorável de Neymar com a camisa do Barça. Não estava sendo. Mas, no 7 minutos finais, ele colocou a bola embaixo do braço e foi responsável direto pelos três gols decisivos (com árbitro, Suárez e Sergi Roberto como coadjuvantes).

Talvez ali Neymar tenha se convencido de que precisaria viver longe da sombra de Messi.

Uma pena, para quem gosta de ver craques jogando com craques. Nas últimas três temporadas, vimos possivelmente o melhor trio de ataque da história. O melhor dos argentinos, o melhor dos uruguaios e um dos melhores atacantes brasileiros já produzidos. O supra sumo da América do Sul esteve reunido com a camisa do Barcelona.

Logo de cara, na primeira temporada, ganharam tudo. Na segunda temporada, o doblete doméstico. Na terceira, só mesmo a Copa do Rei. O declínio de resultados teve menos a ver com o trio, que sempre pareceu ser solidário e se dar bem em campo e fora dele, e mais a ver com um Real Madrid muito, muito forte e mais completo nas outras linhas (além de muito bom no ataque também).

Completar as linhas talvez seja o maior desafio para o Barcelona, muito mais do que conseguir um substituto imediato para Neymar.

Philippe Coutinho explodiu no Liverpool e seria uma troca imediata, caindo na mesma posição. Dybala, no entanto, seria uma contratação de mais peso. Porque seria tirado da Juventus, finalista da Champions passada, algoz do próprio Barça e uma adversária direta nesta temporada, apesar das saídas de de Daniel Alves e Bonucci.

Além de Dybala ser mais “fantasista”, como Messi. Ele tem mais cara de substituto de Messi do que Coutinho ou até mesmo Neymar. E é um jogador de apenas 23 anos de idade, dois anos mais novo que Neymar.

Já que vai perder o brasileiro, o Barcelona acabará tentando negociar com o PSG a chegada de Verratti. O meio-campista italiano tem apenas 24 anos e tem características muito parecidas às de Iniesta – este sim em fase final da carreira, o que também explica o declínio do time na última temporada.

E a linha defensiva segue sendo o calcanhar de Aquiles do time. Nenhuma das quatro posições de trás tem jogadores de garantias (Piqué vive nítido declínio técnico, Mascherano está velho, Umtiti ainda não pode receber esse rótulo).

Real Madrid, Bayern de Munique, PSG, Juventus, Chelsea e Manchester United têm linhas sólidas. E o Manchester City foi atrás de Ederson para o gol, Walker, Mendy e Danilo para as laterais. Gastou 180 milhões de euros nesses quatro.

Agora, o Barça precisará escolher. Uma contratação de super impacto ou uma reformulação do elenco? Aposto na primeira opção, mas acredito que o correto seria a segunda.

Para analisar o PSG, é preciso aguardar o resto do mês. Até pela questão do fair play financeiro, o clube pode precisar vender algum ou alguns de seus jogadores mais valiosos nesta janela. Verratti, como já citei, ou Di María, que obviamente pode perder espaço no time com a chegada de Neymar.

Em 2008, fui o primeiro a publicar, na época no portal Terra, que Cristiano Ronaldo queria deixar o United para jogar no Real Madrid. Era a primeira vez que o português deixava claro o que queria, à parte as especulações de imprensa. Guardo com carinho todos os jornais da época, de diversos países, dando o crédito. Foi uma notícia de muito impacto lá, pouco aqui. Mas a troca se realizaria só um ano depois. Desta vez, o primeiro a publicar que Neymar realmente queria deixar o Barcelona para jogar no PSG foi o amigo Marcelo Bechler, do Esporte Interativo. Menos de um mês depois, a coisa aconteceu. Furos são muito raros hoje em dia. Palmas para Bechler!

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Será que o PSG é mesmo o caminho mais fácil para Neymar ser Bola de Ouro?
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juliogomes

A contratação de Neymar pelo Paris Saint-Germain está cada vez mais próxima. Possivelmente, nos próximos dias será anunciada, com pompa e circunstância.

Não é difícil prever que o assunto dinheiro será pouco falado por Neymar ou seu staff. Não irão querer dizer publicamente que a troca é movida pelo vil metal. Pega mal, já sabem. O mais provável é que o discurso seja o de “buscar um novo desafio na carreira”, “transformar o PSG em campeão europeu”, etc.

O que não se fala muito na Europa, mas parece obsessão por aqui, em uma sociedade que em regra se preocupa mais com sucessos individuais do que coletivos, é a tal busca pela Bola de Ouro.

Há muitos anos se fala tanto de quando, afinal, Neymar será eleito o melhor mundo. O detalhe é que ele nunca foi o melhor do mundo. E não é. Mas o que importa, na cabeça de alguns, é que será. E é necessário saber como articular as coisas para que isso aconteça. Para que ele esteja no centro, no topo, não no degrau abaixo.

E aí a convenção é acreditar que, no Barcelona, com a sombra de Messi, ele nunca será o melhor do mundo. Portanto, precisa encontrar as condições ideais para tal. Um time bom, em condições de ser campeão da Champions e em que ele seja o destaque.

Eu pergunto: será mesmo que no PSG Neymar terá um caminho mais fácil para ganhar a Bola de Ouro do que no Barcelona?

De bate pronto, a resposta é um retumbante “sim”. Mas tenho muitas dúvidas sobre tanta certeza.

No curto prazo, agora que é mundialmente conhecido, a grande chave para Neymar ganhar a Bola de Ouro é a Copa do Mundo da Rússia.

Tradicionalmente, o destaque da seleção campeã é quem leva o prêmio de melhor do ano. É verdade que em 2010 e 2014 os prêmios individuais foram para Messi e Cristiano Ronaldo, mas há um enorme porém aí. Foram anos em que a Bola de Ouro havia sido “comprada” pela Fifa. Aquele sistema de votação em que o capitão do Sri Lanka tem uma poderosa voz.

Agora, a Bola de Ouro voltou a ser a Bola de Ouro. Com especialistas que realmente acompanham o futebol de alto nível de perto definindo os melhores do ano. Voltaremos a ter gente como Weah ou Sammer ou Nedved ou Shevchenko ganhando o prêmio, e não apenas os jogadores de mais nome e mídia.

Em 2010, a Bola de Ouro teria (e devia ter) ido para Iniesta, Xavi ou Sneijder, certamente não para Messi. Em 2014, talvez para Neuer, em vez de Cristiano Ronaldo – ainda que naquela temporada, de fato, o português tenha arrebentado e a seleção alemã não tenha nos mostrado algum grande destaque individual na Copa.

Se a seleção brasileira ganhar a Copa do Mundo de 2018, é muito provável que Neymar terá sido decisivo na campanha. Gabriel Jesus e Philippe Coutinho ainda não têm o mesmo tamanho. Brasil hexa significará Neymar melhor do mundo, sem muitas dúvidas.

E aí, pouco importa em que time ele estará. Talvez seja até melhor estar junto com Messi, conquistando ou perdendo as mesmas coisas que o argentino no Barcelona e tendo a Copa do Mundo como “desempate”, do que estar em um PSG que PODE fracassar precocemente na Europa.

O PSG nunca foi campeão europeu e terá de passar por times estrelados e fortíssimos, como Real Madrid, Bayern, Juventus, Chelsea, Manchester United, City, o próprio Barça. Já a seleção brasileira sabe o caminho dos títulos e terá menos adversários rumo ao hexa.

Por outro lado, claro, a Copa é uma só, a Champions tem todo ano. No longo prazo, ser a estrela do PSG pode abrir mais possibilidades de Bola de Ouro a Neymar. No longo prazo, porém, também seria possível contar com uma passagem de bastão de Messi para ele no Barcelona.

O debate sobre “o melhor caminho para ser Bola de Ouro” nem deveria existir. Cansa um pouco essa individualização de um esporte coletivo. Mas somos o que somos. E, por mais que isso dificilmente seja ouvido da boca de Neymar, o fato é que entra na balança da tomada de decisão.

 


Uma falta que talvez explique o futuro de Neymar
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juliogomes

Primeiro jogo de pré-temporada. Valendo pouco, quase nada. O Barcelona já vencia a Juventus por 2 a 0, em uma noite de Neymar. Dois belos gols, o segundo passando por meio time da Juve dentro da área – uma pintura.

E eis que surge uma falta para o Barcelona, cometida sobre Neymar, aos 37min de jogo. Falta na cabeça da área, de frente para o gol. Nem um pouquinho para a esquerda nem para a direita. De frente. Boa para canhotos. Boa para destros. Boa para quem mete gol de falta.

Messi se posiciona. Neymar se posiciona. Messi bate.

Mesmo em um amistoso de pré-temporada. Mesmo em uma noite inspirada de Neymar, claramente a fim de jogo. Mesmo tendo Neymar provado inúmeras vezes que é capaz de guardar aquela falta. Quem bate é Messi. Hierarquia.

A saída de Neymar do Barcelona para o PSG tem pinta de que vá mesmo ocorrer. O PSG quer pagar a multa e só precisa fazê-lo sem ferir o fair play financeiro. Neymar já avisou a galera brasileira do clube francês que está a fim de ir. O pai já negociou o salário astronômico. E até mesmo os catalães já se cansaram da ganância exagerada e, pelo que mostram algumas enquetes (sem valor científico), o torcedor quer mais é que ele se mande. Com o dinheiro, daria para trazer Dybala, por exemplo.

Por que Neymar vai trocar uma camisa como a do Barcelona por outra?

Só há três razões plausíveis.

1- Dinheiro. 2- Sair da sombra de Messi para ter um time “para ele” na busca do trono de melhor do mundo. 3- Fazer história em um clube que ainda tem muitos troféus a serem conquistados.

Esportivamente, não faz sentido. Jogar em uma liga pior, que apresenta menos desafios profissionais e deixar de jogar lado a lado com um dos maiores da história.

Cidade? Bom, quem ousar colocar “morar em Paris” como uma vantagem sobre “morar em Barcelona” logicamente nunca morou nem em uma nem em outra. No máximo, visitou.

Mau relacionamento no vestiário? Nunca houve qualquer sinal disso.

As três razões acima precisam ser respeitadas. Cada um é dono do seu destino, das suas vontades. Não é falta alguma de respeito, no entanto, discordar delas. Se for por dinheiro ou se for para ser o melhor do mundo, acho uma tristeza.

Se for pelo desafio de desbravar o mundo e levar o PSG a feitos inéditos, já acho uma razão muito bacana e elogiável. E certamente será a versão oficial da possível transferência, porque é mais honrosa. Daí a acreditar nela…

A carreira de Neymar sempre foi marcada pela busca do dinheiro. Não me refiro especificamente a ele, mas a quem toma as decisões nesse sentido (seu pai no topo do processo decisório). Nos tempos de Santos, era debate sobre renovação ou venda quase todos os meses. Aí vimos uma das transações mais picaretas que o futebol já teve notícia. E, já no Barcelona, todo verão é a mesma coisa. Notícias e mais notícias sobre interessados. O clube X quer Neymar, o clube Y oferece o mundo a Neymar, o clube Z vai pagar a multa.

Os que estamos nesse meio sabemos muito bem como essas coisas funcionam. Notícias plantadas para “valorizar o passe” e conseguir algum benefício financeiro na mesa de negociações.

Isso gera desgaste e, claro, cria uma imagem. E a tal imagem faz ficar difícil acreditar que “fazer história no PSG” seja mais relevante do que o dinheiro na tomada de decisão.

Sair da sombra de Messi?

Se for para sair da sombra para ser o melhor do mundo, podemos criticar à vontade. Este é um jogo coletivo, é um equívoco buscar obsessivamente premiação individual. É uma mentalidade distorcida. E tem mais. Se ele se considera o melhor do mundo, ou se é convencido disso pelo pai e outras pessoas do staff, vá a campo e seja o melhor do mundo.

Ele não joga fora de posição no Barcelona. Aliás, já vimos pela própria seleção que ele rende muito melhor pela esquerda com liberdade do que como um 10.

Mas se for para sair da sombra de Messi para bater aquela falta que ele não pôde bater ontem. Bem, nesse caso… vá com fé, Neymar.


Messi, monstruoso, coloca o clássico no bolso
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juliogomes

Real Madrid e Barcelona fizeram um superclássico digno do apelido que recebe. Um jogo de futebol enorme, com muitas alternativas, muitas jogadas de gol, muitos milagres e um nome próprio: Lionel Messi.

Nitidamente cabisbaixo e desanimado em muitos momentos da temporada, incluindo os últimos jogos, Messi entrou em campo neste domingo para resolver tudo. Para mostrar o gênio que é em um palco onde já brilhou tantas vezes, o estádio do maior inimigo. Agora são 23 gols em 34 jogos na carreira contra o Real, sendo 14 deles no Bernabéu.

Jogou com um papel na boca para estancar o sangue após uma cotovelada involuntária de Marcelo no primeiro tempo. Fez um golaço para empatar a partida. E virou o jogo aos 47min do segundo tempo.

Com a vitória por 3 a 2, a sexta do Barcelona nos últimos nove jogos no Santiago Bernabéu, o time catalão assume a liderança do campeonato. São os mesmos 75 pontos do Real Madrid, mas o Barça tem a vantagem no critério de desempate (que é o confronto direto). Só que o Barça só tem mais cinco jogos a fazer, enquanto o Real jogará mais seis vezes.

Agora a pressão está toda do lado do Real Madrid, que só ganhou uma das últimas oito Ligas domésticas e não é campeão desde 2012, com Mourinho. O Barcelona, que já morreu e renasceu umas três vezes na temporada, tem tudo para ganhar os cinco jogos que restam. O Real, envolvido com semifinal de Champions League, que se vire para fazer mais nos jogos que tem.

Os primeiros 10 minutos do jogo foram todos do Real Madrid. Mas o Barcelona equilibrou quando Messi começou a aparecer. Luís Enrique armou o time em um 4-4-2, com Iniesta ao lado de Busquets no meio e Alcácer, o substituto de Neymar, fechando pela esquerda. Messi e Suárez ficaram livres na frente.

Saiu o gol do Real Madrid, de Casemiro, e logo Messi fez um golaço para empatar. Ter Stegen já fez no primeiro tempo uma defesa fantástica em chute de Cristiano Ronaldo.

E fez outra espetacular em um cabeceio a queima roupa de Benzema no início do segundo tempo, quando o Real Madrid dominava novamente.

Mas, de novo a partir dos 10min, o Barcelona acertou a saída de bola, abriu o campo com as subidas de Sergi Roberto e Alba e voltou a ameaçar. Começou o show de Navas, com grandes defesas, especialmente um chute de Suárez na pequena área e um cabeceio firme de Piqué.

Navas só não alcançou o chute fantástico de Rakitic, sumido na temporada inteira e que apareceu na melhor hora possível para o Barcelona.

Logo depois, Sergio Ramos foi expulso (falarei mais de arbitragem abaixo) e o jogo ficou nas mãos do Barcelona, que passou a ter contra ataques com superioridade numérica. Piqué, o grande inimigo público do Real Madrid, teve uma chance de ouro e voltou a parar em Navas.

Do outro lado, mesmo com um homem a menos, o Real Madrid chegou ao empate em uma bela jogada de Marcelo, o deslocamento e o gol de James Rodríguez, que ia se transformando em herói improvável do campeonato.

Mas Marcelo falhou. O Real Madrid acreditou na virada que daria o título, foi para cima e esqueceu que tinha um a menos em campo. Sergi Roberto recuperou uma bola na defesa e arrancou. Modric tentou parar o jogo com falta, mas não conseguiu. Marcelo nem tentou. Sergi avançou, passou para André Gomes, Alba deu um passe muito bom para Messi, e o argentino colocou no cantinho impossível para Navas.

Isso tudo aos 47 minutos do segundo tempo.

Foi o melhor jogo de futebol do ano e colocou fogo no Campeonato Espanhol.

Por melhores que tenham sido os duelos de mata-mata da Liga dos Campeões até agora, todos os grandes duelos foram marcados por erros importantes de arbitragem.

O superclássico teve algumas polêmicas. Mas, no meu ponto de vista, o trio de arbitragem acertou nos lances capitais.

Ao dar não pênalti em Cristiano Ronaldo no primeiro minuto, em um lance em que o português é acertado por Umtiti, ou melhor, encostado. Acertou ao não considerar que Marcelo agrediu Messi, em um acidente de trabalho em que o cotovelo do brasileiro acabou fazendo o argentino sangrar.

Acertou o bandeira ao não dar impedimento no gol do Real Madrid, em um lance muito difícil, em que um jogador do Barcelona, lá no alto, habilita um mundo de jogadores madridistas na área.

O juiz acertou também ao não expulsar Casemiro ainda no primeiro tempo, em um lance em que o brasileiro fez uma falta em Messi que poderia ser de amarelo – como poderia não ser, prefiro quando árbitros não comprometem tanto o jogo com expulsões tão cedo. Assim como achava que Vidal não deveria ter sido expulso no jogo entre Bayern e Real na terça-feira (vermelho tão pedido pelo madridismo), interpreto a não expulsão de Casemiro da mesma maneira.

E, finalmente, o árbitro acertou ao expulsar Sergio Ramos de forma direta a 15 minutos do final do jogo, quando o capitão do Real deu uma voadora para derrubar Messi. Não acertou o argentino (ainda bem!). Não precisa acertar para ficar configurada a agressão.

Foi um jogo difícil para a arbitragem que, creio, não comprometeu o resultado final. Difícil também será encontrar um jogo melhor que esse.

Talvez o resultado mais justo pelo que fizeram times e goleiros fosse mesmo o 2 a 2.

Mas Messi tem sua própria justiça.


O papo de Neymar melhor do mundo era precipitado e evaporou-se
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juliogomes

O futebol é muito dinâmico, e as pessoas (aqui incluindo jornalistas, torcedores e apreciadores do esporte) costumam se precipitar bastante e “cravar” verdades absolutas após um ou dois jogos de futebol, no calor das emoções.

Depois de anos ouvindo que Neymar seria o melhor do mundo (talvez essa hora chegue, talvez não, não seria absurdo não chegar), muitos disseram que havia chegado o momento. Tal certeza devia-se aos extraordinários minutos finais de Neymar naquele 6 a 1 do Barcelona sobre o PSG e aos bons jogos com a seleção brasileira.

Neymar foi, de fato, o jogador de futebol de melhor desempenho no mês de março. Daí a SER o melhor do mundo…

O fato é que em poucos dias evaporou-se qualquer chance de Neymar passar perto da Bola de Ouro 2017. Observe a sequência de fatos:

No sábado retrasado, o Barcelona perdeu por 2 a 0 para o Málaga e ficou em situação difícil na Liga espanhola. Neymar foi expulso por uma entrada infantil, desnecessária, quando o time corria atrás do empate. Ainda aplaudiu o quarto árbitro ironicamente e pegou três jogos de gancho, ficando fora do clássico de domingo contra o Real Madrid.

Dias depois da derrota em Málaga, o Barça perdeu por 3 a 0 para a Juventus, em Turim. No jogo de volta, ontem, só empatou sem gols no Camp Nou, sendo eliminado da principal competição interclubes do ano. No final do primeiro tempo, após uma falta de Pjanic em Messi, Neymar resolve tomar as dores do companheiro e dá uma espécie de voadora no juventino. Levou amarelo, que o deixaria fora da semifinal, caso o Barça se classificasse – mas não seria absurdo se o árbitro mostrasse vermelho direto.

Bom lembrar que, na partida épica contra o PSG, minutos depois de o Barcelona sofrer o gol que parecia ser o da eliminação (vencia por 3 a 1), Neymar deu um chute por trás em Marquinhos, sem bola. Recebeu amarelo que também poderia ter sido vermelho.

A atitude de Neymar melhorou ultimamente, parece ser um jogador mais maduro dentro e fora de campo.

Nas vitórias.

Antes, Neymar era mau vencedor e mau perdedor. Hoje, parece ter se transformado em um bom vencedor, diminuindo os lances de humilhação a adversários em campo, adotando um discurso sóbrio, etc.

Mas, nas derrotas, nos momentos de frustração, a atitude continua precisando melhorar. Poderia ter sido expulso contra o PSG, poderia ter sido expulso contra a Juventus, foi expulso contra o Málaga e, de quebra, ainda pegou um gancho que o deixará fora do último jogo gigante do Barcelona na temporada.

O choro copioso após a eliminação de quarta-feira significa o quê?

A impressão é que Neymar considerava que esse era seu momento. O ano dele. A hora de colocar uma Champions nas costas, tomar o protagonismo para si, resolver. Contra o PSG, ele parecia ser o único que verdadeiramente acreditava na virada e, assim sendo, acabou se transformando no símbolo daquela vitória.

Contra a Juventus, ele também parecia ser o único que acreditava. Excesso de fé ou falta de doses de realidade?

Neymar chorou pelo Barça ou por ele mesmo?

O choro não combinou tanto com o clima no Camp Nou. A torcida apoiou o time, todos ali já esperavam a eliminação. O Barcelona não vive um momento trágico, vive um momento de interrogações.

O choro realmente parece a frustração de quem deve estar ouvindo há tempos que esse seria o “seu ano”.

A temporada de Neymar foi ruim no início, chegou a ficar três meses sem fazer um gol sequer. Em janeiro, começou a virar, em março teve um pico, em abril foi mal. Taticamente, a evolução dele é nítida. Tanto na seleção quanto no Barcelona, está assumindo mais funções, dando assistências, tomando decisões melhores.

Em 2017, ano natural iniciado em janeiro, Neymar está em qualquer lista dos cinco melhores jogadores do planeta. Mas, se pensarmos na temporada como um todo, a temporada 2016/2017, será que ele figuraria entre os dez melhores?

Messi fez 45 gols em 45 jogos na temporada. Verdade, não foi o protagonista dos 6 a 1. Desperdiçou as chances que teve contra a Juventus. Ainda assim, não dá para comparar a temporada de Neymar com a de Messi. Suárez, com 24 gols, foi mais importante que Neymar até agora para o Barça ainda se manter vivo no Espanhol.

Lewandowski tem 39 gols em 41 jogos e será campeão alemão – sua importância para o Bayern ficou nítida após não jogar a ida e atuar baleado na volta contra o Real Madrid pela Champions.  Cavani fez 43 gols em 43 jogos do PSG. Griezmann, com 24 gols, é o grande nome do Atlético de Madri, novamente na semifinal europeia. Falcao, com 27 gols em 36 jogos, e o jovem Mbappé, de 18 anos, com 22 gols em 36 jogos, muitos deles no mata-mata da Champions, estão nas semis com o Monaco.

Hazard faz uma temporada brilhante pelo Chelsea, com quem será campeão inglês. Philippe Coutinho, no Liverpool, faz uma temporada melhor que a de Neymar. Dybala está a ponto de explodir e foi o homem mais decisivo da eliminatória que classificou a Juventus. Higuaín, com 23 gols em uma liga dura como a Italiana, não cansa de marcar. Aubameyang fez 26 gols para o Borussia Dortmund em 27 jogos na Bundesliga.

Opa, não estou esquecendo não. Deixei Cristiano Ronaldo para o fim. São 31 gols em 39 jogos na temporada, cinco deles marcados para cima de Neuer. Justamente quando Neymar caiu, Cristiano Ronaldo apareceu para lembrar todo mundo que a Bola de Ouro está lá na estante da casa dele.

E olha que nem estou falando dos defensores. Neymar faz uma temporada melhor que a de Sergio Ramos? Que a de Buffon? Que a de Kanté? Que a de Marcelo?

Pois é. Se analisarmos com olho clínico, sem emoções, esquecendo as patriotadas, possivelmente não colocaremos Neymar entre os dez jogadores de melhor desempenho na temporada. Em 2017, sim, na temporada inteira, não.

O que realmente incomoda é essa forçação de barra para colocar Neymar como o terceiro melhor do mundo isolado, pertinho de Messi e Cristiano Ronaldo, quase no nível deles, a ponto de ultrapassá-los. É uma grande ilusão.

Neymar é o melhor “do resto” para alguns. Não é para outros. Está longe de ser unanimidade. Atrás dos dois gênios, ele está ali num bolo que tem gente como Griezmann, Suárez, Lewandowski, Hazard.

A grande desvantagem em relação a essa turma é que parece que ser o melhor se torna uma obsessão de brasileiros. Antes seu “staff” falasse menos disso e mais sobre as regras disciplinares na Espanha, que não permitem aplausos irônicos a árbitros.

Outra má notícia é que os anos vão passando, Cristiano e Messi não largam o osso, não parecem perto de passar o bastão. Seguem em altíssimo nível. Quando eles caírem de verdade, quantos anos terá Neymar? Será que não é mais fácil vermos Gabriel Jesus ou Mbappé estarem ali prontos para pegar o bastão?

A grande vantagem de Neymar, por outro lado, é jogar em uma seleção azeitada e com chances para lá de reais de ser campeã do mundo em 2018. É com o Brasil, na Rússia, que Neymar tem sua chance mais realista de ser coroado melhor do mundo.

Mas isso só acontecerá se não for o objetivo. Sempre é bom lembrar. O futebol é um esporte coletivo, cada vez mais coletivo, em que o individual se destaca. E não o contrário.

Blogueiros do UOL: Com choro de Neymar, Juventus se classifica na Liga


Argentina, com Bauza e sem Messi, dá mais um vexame. Tem salvação?
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juliogomes

Ganhar em La Paz não é fácil. Nas eliminatórias de pontos corridos, a Argentina só conseguiu uma vez em seis jogos. Por pior que esteja a Bolívia, ela costuma complicar muita gente por lá nas eliminatórias sul-americanas. São 3600 metros de altitude e isso não é desculpa, é um fator que beneficia – e muito – o time da casa. A Argentina levou 2 a 0 em La Paz nesta terça-feira. Só que o resultado não é o maior dos problemas.

Com a derrota, a Argentina deve acabar o dia na quinta colocação, que a levaria para a repescagem. Mas, mais do que a matemática da classificação, o problema argentino é a falta de jogo.

Os times de Edgardo “Patón” Bauza nunca primaram pela ofensividade. Sempre foi um técnico de empatar ou perder fora, vitórias magras em casa, sufoco. E isso nos clubes, com tempo de treino.

Talvez algum gênio da combalida Federação Argentina tenha achado que a seleção, com tantos talentos na frente, precisava de alguém para arrumar a casa atrás. Não só não aconteceu isso como há um nítido descompasso entre as ideias futebolísticas de Bauza e dos jogadores.

Beira o inacreditável a Argentina, que tem Simeone, Sampaoli e Pochettino, não conseguir encontrar um nome melhor que o de Bauza, à altura dos jogadores que tem.

Como uma seleção que pode convocar Messi, Higuaín, Aguero, Dybala, Pratto e Di María tem o terceiro pior ataque das eliminatórias, com 15 gols marcados em 14 jogos?

Talvez a explicação seja a escalação conservadora de Bauza em La Paz. Deixar Aguero no banco??

A Argentina não era uma coisa maravilhosa com Sabella ou com Tata Martino. Mas, quer queira quer não, chegou a três finais em três anos, perdeu uma na prorrogação (Alemanha), outras duas nos pênaltis (as Copas Américas para o Chile). Em todos esses jogos teve claras ocasiões de gol perdidas por Higuaín que poderiam ter mudado tudo.

Com Bauza, tudo piorou. Nas eliminatórias, foram três vitórias em casa (1-0 sobre Uruguai e Chile, este último de forma injusta, e 3-0 na Colômbia); uma derrota em casa contra o Paraguai; fora, um sacode levado para o Brasil; empates contra Peru e Venezuela, agora a derrota para a Bolívia. A Argentina fez dois pontos em nove possíveis contra as três piores seleções do continente fora de casa.

O time não joga nada, não cria nada, não há jogo coletivo, linhas de passe. Nada de nada de nada. E não terá Messi em três das últimas quatro partidas das eliminatórias, se a exagerada suspensão de quatro jogos não for revista.

A Argentina enfrenta em agosto/setembro: Uruguai em Montevidéu, é plausível imaginar uma derrota, e Venezuela em casa. Depois, em outubro, Peru em casa e Equador na altitude de Quito.

Se a Argentina ganhar da Venezuela e do Peru em casa, chega a 28 pontos. Até hoje, nas eliminatórias de pontos corridos com dez seleções, 28 pontos sempre foram suficientes para a classificação. Mas no limite. E desta vez as eliminatórias estão diferentes, pois o Brasil disparou, Bolívia e Venezuela fazem poucos pontos, há muito equilíbrio entre as seleções que ocuparão da segunda à sexta colocações.

Essa distribuição indica que segundo e terceiro colocados possam fazer menos pontos do que as seleções que ocuparam essas posições nos últimos anos. No entanto, quarto e quinto devem fazer mais pontos do que sempre fizeram. Talvez os 28 pontos não sejam suficientes.

A única boa notícia para a Argentina é o derretimento do Equador, a seleção que sempre se aproveitou tão bem da altitude e conseguiu vaga em três dos últimos quatro Mundiais. Depois de vencer os quatro primeiros jogos e disparar na liderança, o Equador ganhou só dois dos nove jogos subsequentes.

A Argentina deve acabar o dia em quinto, com 22 pontos, e o Equador em sexto, com 20. Se vencer Venezuela e Peru em casa, a Argentina chega a 28. Teria de torcer para o Equador fazer no máximo quatro pontos nos seus jogos seguintes: Brasil e Chile fora, com o Peru em casa no meio. Como o Brasil está impossível, o Equador deve fazer três ou quatro pontos contra Peru e Chile. Neste cenário, a Argentina chegaria ao jogo de Quito, na rodada derradeira, sem poder ser alcançada pelo Equador.

Nas três próximas rodadas, precisa tratar de fazer dois pontos a mais que o Equador – para evitar um jogo de vida ou morte na altitude.

Tratar de conseguir os pontos com ou sem Bauza?

Na minha visão, já é tempo e ainda é tempo de trocar.

Com Bauza e sem Messi tudo fica mais difícil.

 

 


Barcelona muda e atropela. Conseguirá operar o milagre europeu?
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juliogomes

O Barcelona fez um de seus melhores jogos na temporada neste sábado, no Camp Nou. Goleou o bom time do Celta de Vigo por 5 a 0, sem tomar conhecimento do adversário, e chega embalado e empolgado para o duelo de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, quarta-feira, contra o Paris Saint-Germain.

Sempre é bom lembrar, no jogo de ida, em Paris, o Barça levou um sonoro 4 a 0. Nunca, na história das competições europeias, um 4 a 0 foi revertido na partida de volta.

Contra o Celta, o Barcelona mostrou sua melhor versão. Messi está voando, Neymar fez uma grande partida.

No auge da crise, o técnico Luís Enrique mudou a formação tática do time. Com a bola, Rafinha abre o campo pela direita, assim como Neymar faz pela esquerda. É uma tentativa de espalhar a defesa adversária e dar espaço a Messi, assim como era feito nos anos de sucesso com Daniel Alves no time.

Sergi Roberto afunila para formar um trio no meio com Busquets e Rakitic, e os dois zagueiros formam uma linha de três junto com o lateral Alba atrás. Sem a bola, Rafinha recompõe pelo meio e Sergi Roberto vira lateral direito, tendo menos terreno para recuperar. Assim, o time deixa de oferecer o corredor que ofereceu ao PSG na ida.

Depois da humilhação de Paris, o Barça quase tropeçou em casa contra o fraco Leganés – Messi salvou no último suspiro. Era o auge da crise, das críticas a Luís Enrique, à falta de criação do time, absolutamente dependente das genialidades do trio de frente.

No fim de semana passado, a nova forma de jogar foi colocada em prática. A vitória suada – e até mesmo pouco merecida – contra o Atlético de Madri foi um divisor de águas. Depois disso, o técnico anunciou que não renovará o contrato ao final de temporada, o que eliminou uma nuvem que pairava no noticiário do clube.

Luís Enrique não vai mais ficar. Então, não é necessário mais ficar falando dele, seja para massacrá-lo ou defendê-lo. O cara ganhou oito de dez títulos possíveis em duas temporadas. Na Catalunha, decidiu-se: vamos deixá-lo trabalhar nesses meses finais.

Em campo, o time fez 6 a 1 no Sporting Gijón e, hoje, 5 a 0 no Celta. Adversários fracos? Bem, o Celta havia vencido o Barça por 4 a 3 em Vigo, no jogo do turno, e eliminou o Real Madrid da Copa do Rei, com direito a vitória no Bernabéu, em janeiro.

Em nenhum momento da temporada atual o Barcelona havia feito 11 gols em dois jogos seguidos da Liga espanhola – no campeonato passado, só aconteceu uma vez. Fazer 11 gols em dois jogos é um feito raro até mesmo para o Barça de Messi, Suárez e Neymar.

Logicamente, os “vilões” de sempre seriam os únicos candidatos capazes de reverter um 4 a 0. Real Madrid, Bayern de Munique e Barcelona.

O PSG sabe disso. Desde os 4 a 0, baixou um pouco o ritmo, mas continuou ganhando jogos na França. É um time que segue embalado e que fará um plano de jogo para conseguir um gol no contra ataque e obrigar o Barcelona a fazer seis.

É muito diferente acontecer um 4 a 0 e “ter de” acontecer um 4 a 0. Um time que pode perder por até três gols não tem necessidade de buscar resultado, se abrir, ficar exposto. E o PSG tem um técnico, Unai Emery, que perdeu todas as vezes que foi ao Camp Nou. Mas que, de bobo, não tem nada.

A história do jogo sonhada pelo torcedor do Barcelona é aquele massacre inicial, um gol no começo, um segundo gol antes do intervalo, um terceiro em qualquer momento do segundo tempo e pandemônio final em busca do quarto. A história do jogo sonhada pelo PSG é acertar um contra ataque mortal com 0 a 0 ou mesmo 1 a 0 ou 2 a 0 contra. Seria uma ducha de água fria, fim de papo.

Em 2013, o Barcelona levou 2 a 0 do Milan nas oitavas de final. Na volta, ganhou por 4 a 0. Mesmo naquele jogo, contra um Milan que já não era grandes coisas, o time italiano perdeu um gol feito quando o jogo estava 1 a 0 para o Barça. Poderia ter sido mortal.

É difícil imaginar que o PSG, com jogadores como Di María, Draexler e Cavani, não encaixe um contra ataque bem encaixado. Ao Barcelona, mais do que fazer gols, será necessário ter muita sorte. Enquanto há vida, há esperança. E a esperança foi reforçada com as três vitórias dos últimos sete dias.

Na história europeia, houve três casos de times que reverteram em casa derrotas por quatro gols de diferença. O último foi o Real Madrid das grandes remontadas, em 1986. Levou 5 a 1 do Borussia Moenchengladbach na Alemanha, fez 4 a 0 no Bernabéu e avançou na extinta Copa da Uefa.

A virada sensacional mais recente foi a do La Coruña, nas quartas de final da Champions de 2004. Levou 4 a 1 do todo poderoso Milan, que era detentor do título europeu. Fez 4 a 0 na volta, em Coruña – para depois ser eliminado pelo Porto de Mourinho na semifinal.