Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Messi

Messi precisa de uma bola para afundar plano (quase) perfeito do Chelsea
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Julio Gomes

Não foram poucas as retrancas que o Barcelona enfrentou em sua fase dourada, nos últimos 13 anos. Nenhum time conseguiu “anestesiar” tanto o jogo catalão como o Chelsea.

A história foi a mesma nesta terça. A mesma de 2005, 2009, 2012. O Chelsea, com uma quarta leva diferente de jogadores, conseguiu fazer o Barça ficar o tempo inteiro longe de seu gol. Menos, claro, quando Christensen atravessou um péssimo passe em frente a sua área e deu de presente a bola para Iniesta, que deu de bandeja o gol a Messi.

E Messi, que nunca havia feito gol em Buffon na Champions (e fez na primeira fase), agora quebra outro tabu incômodo. Não havia marcado contra o Chelsea nas oito partidas anteriores, com direito a pênalti perdido em semifinal. De hoje, não passou. Uma bola limpa. Era tudo o que ele precisava.

Messi foi quem mais tentou, mas sempre que pegava a bola tinha a ótima marcação de dois, três, às vezes até quatro adversários. Kanté, incansável, não saía de perto um segundo sequer. Faltou ao Barcelona movimentação, que outros jogadores abrissem linhas de passe a Messi.

Foi um time estático, com Rakitic muito recuado, Paulinho enfiado, Iniesta sumido. Courtois fez só uma boa defesa, em um chute cruzado de Suárez. Um jogo ruim, talvez o pior do Barça na temporada inteira – em que ele perdeu apenas uma vez.

E, mesmo assim, mesmo com o Chelsea fazendo o jogo acontecer exatamente da forma como Conte queria, o resultado final foi de 1 a 1. O que deixa o Barcelona muito mais perto das quartas de final do que o time azul londrino.

Além de Kanté, destaque para Willian. Na proposta de jogo de Conte, sem centroavante e com três jogadores agudos à frente, Willian conseguiu ser mais perigoso até que Hazard, que é quem tinha mais liberdade. Chutou duas bolas na trave e fez um gol, foi o principal jogador da partida.

O plano tático de Conte funcionou à perfeição. Mas o futebol é coisa de seres humanos. E seres humanos erram. Não basta estar concentrado 99,999% do tempo, porque Messi só precisa de 0,001 para estragar teus planos.

 

 


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Barcelona só perde título espanhol se sofrer virada recorde
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Julio Gomes

Com os 3 a 0 sobre o Real Madrid, sábado, em pleno Santiago Bernabéu, e as derrotas de Atlético de Madri, Valencia e Sevilla, o Barcelona teve a rodada dos sonhos antes de o Campeonato Espanhol fazer a pausa para as festas de fim de ano.

O Barça é líder com 45 pontos em 51 possíveis, não perdeu um jogo sequer na Liga doméstica. A vantagem é de 9 pontos para o Atlético, 11 para o Valencia, 14 para o Real Madrid (que tem um jogo a menos) e 16 para o Sevilla.

Na história do Espanhol, a maior “remontada” de pontos aconteceu na temporada 98/99. Exatos 19 anos atrás, o Mallorca liderava o campeonato após 14 rodadas e tinha 9 pontos de vantagem para o Barcelona, que acabaria sendo campeão no ano de seu Centenário. O Mallorca terminaria em terceiro lugar.

Se o Atlético de Madri for campeão da atual temporada, terá igualado este recorde histórico. Se o Barça perder o título para outro time, como o Real Madrid, por exemplo, terá sido a maior remontada já vista no campeonato.

E tem um detalhe: no segundo turno, o Barcelona jogará contra Atlético, Real e Valencia em seu estádio, o Camp Nou. Não está fácil para a concorrência.

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Zidane inventa, erra feio, e Barça “mata” o Real na Liga

O dado histórico, somado à consistência deste Barcelona de Valverde e a inconsistência dos rivais, faz com que muitos considerem a Liga já definida, mesmo faltando duas rodadas para ser concluído o primeiro turno.

Seria o nono título do espanhol do Barça em 14 temporadas, um domínio só comparável ao histórico Real Madrid de Si Stefano, dos anos 50 e 60. São justamente as 14 temporadas com Messi no time principal desde a estreia, em 2004 – o argentino é o recordista de gols em clássicos no Bernabéu (agora são 15) e o jogador que mais gols fez contra o Real Madrid na história.

Com a vitória no clássico , o Barcelona conseguiu vencer em Madri em três Ligas seguidas pela primeira vez na história (só o Atlético de Simeone, recentemente, havia conseguido tal feito). É também a primeira vez que o Real sofre pelo menos três gols em casa, do mesmo adversário, três vezes seguidas.

Os últimos dez dérbis pela Liga no Bernabéu tiveram sete vitórias do Barça, com 28 gols marcados – quase três por visita. Dá para chamar de freguesia.

Manchester City, com a campanha surreal que faz na Inglaterra, Bayern de Munique, na Alemanha, e PSG, com todo o investimento que fez na França, também já são virtuais campeões nacionais. Sobram as disputas intensas na Itália e Portugal e, claro, a Liga dos Campeões, onde todos esses aí vão se enfrentar.

De todos esses, o Barcelona é quem faz a temporada mais surpreendente. É importante lembrar que este era um clube em depressão quatro meses atrás, humilhado pela saída de Neymar, sem conseguir quem queria no mercado, sem a renovação de Messi assinada, sem o Iniesta de outros tempos, com diretores renunciando, com um ex-presidente atrás das grades e o atual enrolado com a Justiça.

Tanto que Piqué dizia, após a derrota para o Real Madrid na Supercopa espanhola, que abria a temporada, que pela primeira vez se sentia inferior ao maior rival.

O mundo girou, Ernesto Valverde faz um enorme trabalho, Paulinho encaixou como uma luva e hoje, quem quiser tirar o título do Barça, terá de bater recorde.

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Quem precisa de Neymar? Paulinho virou o substituto perfeito

As três maiores viradas da história da Liga espanhola foram: a já citada do Barça para cima do Mallorca (9 pontos, em 98/99); outra do Barça, do Dream Team de Cruyff, mas sobre o Real Madrid, quando a vitória ainda valia 2 pontos (8 pontos de desvantagem após 14 rodadas, em 91/92); e a do Valencia de Rafa Benítez sobre o Real Madrid dos galácticos (8 pontos faltando apenas 12 rodadas, em 2003/2004).

Neste mesmo campeonato, o primeiro de Ronaldinho na Espanha, o Barcelona chegou a tirar 18 pontos de desvantagem para o Real Madrid para acabar em segundo lugar – os galácticos acabariam em quarto. Era o terreno sendo pavimentado para o bicampeonato em 2005 e 2006, o início da “era Messi”.


Zidane inventa, erra feio, e Barça “mata” o Real Madrid na Liga
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Julio Gomes

Zinedine Zidane vai completar em janeiro dois anos à frente do Real Madrid. Neste período, ganhou uma Liga Espanhola e duas Champions League seguidas, o que nunca havia acontecido na era moderna da competição. O francês se notabilizou por não inventar. É um ex-craque, que conhece o clube, a linguagem necessária para estimular e fazer com que os seus jogadores funcionem em campo. Nunca pareceu ser um gênio tático ou um mestre das substituições durante os jogos.

Hoje, Zidane inventou. O Real levou 3 a 0 na testa. E a Liga acabou.

Zidane tirou Isco do time, colocou Kovacic. No primeiro tempo, a estratégia de ganhar o meio de campo até que deu certo em alguma medida. O Real Madrid teve a posse de bola e, jogando pela esquerda, Cristiano Ronaldo criou muitos problemas para o Barça. Mas faltava criatividade, o último passe. O passe de morte. Faltava Isco.

É verdade que Messi mal pegou na bola. Quando conseguiu, encontrou um lançamento para Paulinho, na única chance do Barça no primeiro tempo. Aliás, Paulinho já justificou com sobras o investimento. Sem Neymar, o Barça passou a jogar em um 4-4-2 que só dá certo porque Paulinho tem muita chegada no ataque.

O primeiro tempo foi do Real Madrid, mas as chances criadas foram poucas – basicamente uma rara furada de Cristiano Ronaldo e uma grande defesa de Ter Stegen. No segundo tempo, o Barcelona voltou muito melhor. Com Rakitic mais próximo de Busquets e o time mais compacto no meio, aliado a um Real Madrid “mole”, começaram a surgir os primeiros contra ataques para o Barcelona.

Num deles, criado por Busquets e puxado por Rakitic, Kovacic fingiu que não era com ele, Casemiro estava muito recuado e saiu o gol de Suárez. Mesmo assim, Zidane demorou para reagir. Nada fez. Até que saiu o segundo gol, em pênalti anotado por Messi e com expulsão de Carvajal. Ali, a vitória do Barcelona ficou decretada.

O Real ainda tentou depois de Zidane tirar os dois volantes, Ter Stegen brilhou e sairia o terceiro gol nos acréscimos, de Vidal.

O preço pago pelo Real Madrid pelos erros de Zidane é altíssimo. A derrota por 3 a 0 para o Barcelona é a quinta nos últimos sete superclássicos disputados no Santiago Bernabéu. Em Madri, quem manda é o Barça. Não à toa, vimos algo raro neste sábado: um time vaiado pela própria torcida.

Antes de começar a temporada, o Real Madrid era destacado favorito para ganhar o Campeonato Espanhol. Nos duelos entre os dois gigantes na Supercopa, no início da temporada, o Real atropelava um Barça em depressão, que perderia Neymar para o PSG. Naquela ocasião, Piqué, um ícone da Catalunha e do clube, disse o seguinte:

“Pela primeira vez, em anos, me sinto realmente inferior ao Real Madrid”.

Piqué estava correto. Havia um abismo entre os clubes. Mas talvez essa noção e o fato de terem vencido tudo foram fatores que geraram desatenção no Real Madrid. O time começou mal a temporada, com tropeços pouco usuais.

Enquanto isso, o Barcelona ia vencendo, vencendo, vencendo. Mesmo sem Neymar. Mesmo com tantas lesões. Mesmo com a seca de Suárez. Mesmo sem encantar. Mesmo com toda a fervura política na Catalunha. O Barça fechou os ouvidos e foi vencendo, vencendo, vencendo.

Chegamos ao clássico deste sábado, e o Real Madrid precisava vencer para sobreviver. Perdeu. E o Campeonato Espanhol virou missão impossível. São 14 pontos de desvantagem (que podem ser 11, porque o Real tem um jogo a menos). Até hoje, na história da Liga, a maior “remontada” foi de 9 pontos.

Zidane será muito pressionado nas próximas semanas, até as oitavas de final da Champions, contra o PSG. Neste momento, o Real Madrid seria presa fácil para o time francês. Algo está acontecendo nos bastidores, e possivelmente alguns destes atritos virão a público nos próximos dias.

Vamos ver como Zidane vai se virar para reencontrar o time e a forma de vencer.


Real Madrid enfrenta ‘match point’ contra o Barcelona
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Julio Gomes

Antes do início do Campeonato Espanhol, o Real Madrid tinha ares de favoritaço. O bicampeonato era uma barbada.

Afinal, o Real, além de campeão espanhol, é o bi europeu. Acabou o primeiro semestre voando, atropelando quem aparecesse na frente. Encontrou um Isco mágico com a titularidade no meio de campo. E mostrou reservas de muitas garantias, liderados por Asensio e Morata, que deram conta do recado quando necessário e mostraram que pediriam passagem logo logo.

Já o Barcelona… bem, o Barcelona, além de ter acabado bem mal a temporada, dando sinais de decadência, perdeu simplesmente Neymar, com requintes de humilhação, no mercado de verão. E ainda levou um “não” do Liverpool, apesar de tanto insistir por Philippe Coutinho.

Acelere a fita e estamos no fim do ano. O Barcelona tem 11 pontos de vantagem para o Real Madrid, ainda que este tenha um jogo a menos, devido à viagem para o Mundial.

O time de 2017 acaba o ano contra a parede.

O Real tropeçou no começo da temporada. Isso quase sempre acontece, os dois gigantes vira e mexe dão umas escorregadas no início do campeonato. Só que não foi o caso com o Barcelona de Ernesto Valverde, mesmo sem Neymar.

O Barça só não venceu Atlético de Madri e Valencia fora de casa, resultados normais, e tropeçou com o Celta em casa. Foram 13 vitórias até agora, com três empates e nenhuma derrota. Daí, a vantagem expressiva.

O Real Madrid chega ao clássico com o troféu do Mundial no bolso, mas sabedor de que essa é a principal “final” de dezembro para o clube. É uma espécie de match point. Que o Real só salva com vitória. Isso quer dizer que o Barcelona será campeão caso não perca? Ainda não. Até porque o Atlético de Madri está perto e vai se reforçar no mercado de janeiro. Mas é difícil o Real buscar o título se não conseguir diminuir a desvantagem no confronto direto.

O Real ganhou três dos últimos cinco clássicos contra o Barça. Mas, em casa, no Santiago Bernabéu, perdeu quatro dos últimos seis confrontos.

Só 1 dos últimos 14 clássicos acabou empatado. Em só 2 dos últimos 25 clássicos algum time ficou sem marcar. Só 1 dos últimos 30 clássicos teve menos de dois gols marcados. Ou seja, a tendência do jogão nos últimos anos tem sido de gols e alternância de placar.

Desta vez, é plausível acreditar que o Real Madrid tomará o comando das ações e terá mais posse de bola. Zidane tem todos os titulares à disposição e um time que já sabemos de cor. Casemiro, Kroos e Modric formam o melhor meio de campo do mundo. Isco flutua na armação para Cristiano Ronaldo e Benzema. É um time que já provou nos últimos anos que cresce quando importa.

O Barcelona, ao contrário dos últimos anos, é um time mais equilibrado e menos exposto defensivamente com Valverde. Paulinho não é titular sempre, mas fatalmente será no sábado, até porque tem muita explosão e chegada à frente. Sua presença faz com que Iniesta e Rakitic tenham mais liberdade em determinadas situações. E, claro, Messi e Suárez são a garantia na frente de que qualquer coisa pode acontecer.

Messi já fez 14 gols no Bernabéu. Cristiano Ronaldo também tem o Barça como uma das vítimas prediletas. Os dois maiores do século.

É o maior jogo de futebol do mundo. E com aquele componente político que conhecemos – nesta semana foram realizadas eleições na Catalunha, os ânimos estão à flor da pele e a arquibancada mostrará isso. Quem gosta de futebol, não pode perder.


Argentina: risco real de naufrágio. Espanha “ganha” o sorteio
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Julio Gomes

Quatro anos atrás, em uma mesa da sala de conferências na Costa do Sauípe, onde foi realizado o sorteio para a Copa do Mundo do Brasil, eu escrevi um post com o seguinte título: “Espanha: risco real de naufrágio. Argentina ‘ganha’ o sorteio”. Para ler e lembrar, basta clicar aqui.

Acabaria sendo profético. O sorteio ruim empurrou a Espanha para uma eliminação prematura na primeira fase, e a Argentina, que teve mais sorte, chegaria até a final, no Maracanã.

Curiosamente, quatro anos depois aconteceu exatamente o inverso. E não perdi tempo, usando o mesmíssimo título daquela de 2013 para a postagem de hoje – apenas, claro, trocando os países.

Desta vez, a Espanha é quem mais tem razões para comemorar o sorteio dos grupos, realizados na sexta-feira, em Moscou. E a Argentina, entre as potências do futebol mundial, é quem tem mais a lamentar. E é quem mais corre riscos de eliminação logo de cara.

Claro, não há sorte e azar se as seleções não forem boas. E a Espanha, hoje comandada por Julen Lopetegui, parece ter superado as más campanhas na Copa-2014 e Euro-2016. É uma seleção que conseguiu se renovar e reencontrar uma forma de jogar. Tem um sistema defensivo sólido, baseado nos veteranos Sergio Ramos, Piqué e Busquets, e gera jogo ofensivo de qualidade com jogadores como Thiago, Isco, Asensio e Morata.

A Argentina é o outro lado da moeda. É uma seleção que parece ter vivido sua grande chance em 2014, naquela final contra a Alemanha. Depois, vieram as derrotas nos pênaltis para o Chile nas duas Copas América, as mudanças de técnico, o drama nas eliminatórias. Jorge Sampaoli não conseguiu fazer o time jogar de acordo com suas ideias, e não há muito tempo e jogos para que consiga. É um grande técnico. Mas que talvez não seja capaz de resolver os graves problemas da albiceleste.

A Argentina está no grupo D, com Islândia, Croácia e Nigéria. É um grupo muito complicado, qualquer uma dessas seleções pode passar. Sério, Julio? Sério. Seríssimo.

Sou fã do futebol da Croácia, é uma seleção que ainda não mostrou, em uma Copa ou Euro, todo o potencial da geração de Modric, Rakitic, Perisic, Mandzukic, etc. Uma seleção que pode ganhar de qualquer outra se estiver em seu dia.

E que foi relegada a jogar a repescagem nas eliminatórias europeias, vejam só, pela Islândia. A seleção que foi a “Cinderela” na Euro-2016, sua primeira grande competição, eliminando a Inglaterra nas oitavas de final e só caindo nas quartas para a anfitriã França. A Islândia provou que o que aconteceu no ano passado não foi por acaso, garantindo vaga direta para jogar a primeira Copa do Mundo de sua história. A Islândia é tão boa quanto qualquer seleção média europeia, muito organizada e corajosa em campo.

E a Nigéria, comandada pelo incansável Obi Mikel, por Iwobi e Iheanacho, jogadores de nível de Premier League, é a mais camisa mais forte entre as seleções africanas na Copa. Na última data Fifa, em 14 de novembro, meteu 4 a 2 na Argentina em amistoso. Classificou-se no grupo da morte das eliminatórias africanas, que tinha Camarões e Argélia.

A Argentina pode ganhar de Islândia, Nigéria e Croácia? Pode. Sim, claro que pode. Como pode não ganhar um jogo sequer neste grupo e ser eliminada na primeira fase. Não seria nenhum absurdo, pelo que a seleção de Messi apresentou no último ano e meio.

Já a Espanha, no grupo B, vai enfrentar Portugal na estreia e, depois, Marrocos e Irã. O grupo é uma baba. Há outras seleções fortes que caíram em grupos tranquilos, como França e Bélgica. Mas elas não têm o cruzamento dos sonhos que a Espanha tem.

Classificando-se, a Espanha enfrentará nas oitavas alguma seleção do grupo A (Rússia, Uruguai, Egito e Arábia Saudita). Ou seja, é o melhor cenário possível, é um cruzamento contra o grupo mais fraco. Mesmo que os espanhóis se enrolem e fiquem atrás de Portugal (o que eu duvido), ela não enfrentará nenhum bicho papão nas oitavas. OK, o Uruguai precisa ser respeitado. A Rússia é a dona da casa. Mas a Espanha tem um time consideravelmente melhor que ambos.

Se ficar em primeira no grupo e passando das oitavas contra Rússia ou Uruguai, a Espanha teria nas quartas de final possivelmente o primeiro colocado do grupo D que, como vimos acima, pode muito bem nem ser a Argentina. A Alemanha só apareceria no caminho na semifinal e, o Brasil ou a França, só em uma eventual decisão.

Quer mais? Então ouve essa.

Cair no grupo B foi perfeito para a logística espanhola. A Roja ficará baseada em Krasnodar, uma cidade no sul da Rússia, a meros 270 km de Sochi.

Em Sochi, a sede mais próxima, será o jogo de estreia contra Portugal. Depois, jogos em Moscou e Saransk. Mas, ficando em primeira, a Espanha volta a jogar em Moscou nas oitavas, Sochi nas quartas e Moscou nas semis e na final. Ou seja, uma logística de viagens para lá de tranquila, sempre podendo ir e vir da capital e ficar em sua base durante o Mundial. E sem grandes contrastes climáticos.

Não à toa, o Brasil, que estará hospedado em Sochi, sonhava em ser sorteado para cair no grupo B.

A Espanha tem um ótimo time, que vive momento de alta confiança, grupo fácil, cruzamentos fáceis, boa logística de viagens e nenhum bicho papão pelo caminho até a semifinal.

Ninguém pode comemorar mais o resultado do sorteio.

Leia também no blog: 
Brasil pega grupo chato, dá azar nos cruzamentos e fará tour pela Rússia


Barça atropela a Juve. Quem tem Messi nunca está morto
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Julio Gomes

O Barcelona, após a dramática janela de transferências, é quem deveria ser o time desfigurado em campo. Mas não foi o que vimos no Camp Nou, na noite de abertura da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. Foi a Juventus, vice-campeã na temporada passada, que estava irreconhecível.

A Juve entrou em campo nesta terça sem cinco jogadores que começaram a final contra o Real Madrid e sem seis dos que fizeram aquele 3 a 0 em cima do Barcelona nas quartas de final da última Champions, em abril. Sem Daniel Alves, Bonucci e Chiellini, a intensidade defensiva caiu demais.

E tudo o que Messi precisa nessa vida é de um time desarrumado atrás.

Messi é cada vez mais um meio-campista. Está mais paradão. Não se movimenta como antes, não marca mais a saída de bola do rival e não fica buscando deslocamentos. Recebe a bola no pé. Às vezes, apenas devolve. Às vezes, resolve acelerar. E, quando acelera, sai de baixo.

Ernesto Valverde escalou o Barcelona de forma inteligente. Abriu Alba pela esquerda e jogou Dembélé lá para a ponta direita. O efeito foi nítido: Alex Sandro, uma das principais armas para a saída de bola da Juventus, ficou preso na marcação. Messi e Iniesta se encontraram pelo meio do campo, e Suárez caiu por todos os lados. Busquets ficou mais recuado.

Ainda assim, o Barça trocou muitos passes e chegou pouco no primeiro tempo. A grande chance veio no rebote de uma falta cobrada por Messi, Suárez chutou e obrigou Buffon a fazer grande defesa. Pouco a pouco, a Juventus foi avançando a marcação e conseguiu roubar bolas e ameaçar. O 0 a 0 do primeiro tempo era condizente com o jogo.

Mas, por mais que o Barcelona não pareça mais ou mesmo, alterne momentos de chatice pura com velocidade, mesmo que não tenha mais Neymar, o fato é que o time que tenha Messi, qualquer que seja ele, nunca pode ser considerado morto.

No último lance do primeiro tempo, Messi acelerou. Fez linda tabela com Suárez e bateu com precisão, no canto, sem chances para Buffon. Foi a primeira vez na carreira que Messi conseguiu fazer um gol em Buffon.

Na carreira de Buffon, só faltava ganhar a Champions e tomar gol do Messi. Agora só falta ganhar a Champions. E vai ser difícil. Porque a Juventus, além de menos intensa e coesa defensivamente, vai sentir falta da opção ofensiva que Daniel Alves dava na temporada passada (além do espírito competitivo). Claro que há muita temporada pela frente e Allegri tem tempo para encontrar alternativas. Mas, neste momento, a Juve não passa a segurança de outros anos. Foi um time apático no Camp Nou.

No começo do segundo tempo, Alex Sandro subiu pela esquerda (uma raridade) e Dybala teve a chance de empatar. Mas chutou por cima. Alguns minutos depois, Messi acertou a trave. Depois, em uma troca de posições com Dembélé, arrancou pela direita e cruzou, Rakitic completou na sobra. Ali, o jogo morreu.

A Juve tentou adiantar a marcação para buscar o renascimento no jogo. Resultado? Deu espaços. Com espaço, Messi fez um golaço, 3 a 0. A partir daí, até a Juve achou que estava de bom tamanho.

Coloquei o Barcelona na terceira prateleira de favoritos para a Champions e o mantenho por aí. Mas, para um clube que parecia despedaçado um mês atrás, Valverde está conseguindo encontrar soluções rapidamente. E, claro, quem tem Messi tem sempre esperanças.

Favoritos vencem com facilidade

Todos os favoritos ganharam bem, sem sustos, neste primeiro dia de fase de grupos. Nenhum deles sofreu um gol sequer.

No grupo A, o Manchester United fez 3 a 0 no Basel. O Benfica levou a virada em casa e perdeu para o CSKA Moscou por 2 a 1. Resultado péssimo para os portugueses nessa briga pela segunda vaga.

No grupo B, O PSG foi à Escócia e meteu 5 a 0 no Celtic. Neymar fez um, Mbappé fez outro, Cavani fez dois. É um ataque absurdo. O Bayern de Munique também passeou, 3 a 0 no Anderlecht. Na próxima rodada, tem o primeiro confronto entre PSG e Bayern. Entre eles, decidirão quem fica em primeiro e quem fica em segundo.

No grupo C, o Chelsea fez o dever de casa e enfiou 6 a 0 no debutante Qarabag. Roma e Atlético de Madri ficaram no 0 a 0 no Olímpico, um resultado melhor para o Atlético, logicamente.

E, no grupo D, além dos 3 a 0 do Barça sobre a Juve, o Sporting, fora de casa, abriu 3 a 0 sobre o Olympiacos. O multicampeão grego ainda fez dois gols no finalzinho, mas não conseguiu buscar o milagre. O Sporting está com 100% de aproveitamento na temporada e não pode ser descartado como uma ameaça à Juve neste grupo.

 


Prévia do Espanhol: Real Madrid é favoritaço para o bi
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Julio Gomes

O Campeonato Espanhol começa nesta sexta-feira e, enquanto muitos insistem com o discurso do “só tem dois times”, a perspectiva para a temporada é de uma competição de “um time só”. O Real Madrid já era bicampeão europeu, mais time, mais completo. Mas, depois dos dois bailes em cima do Barcelona na Supercopa espanhola, a distância entre eles ficou exposta. E o gigante da capital torna-se um favorito destacado para ser bicampeão espanhol.

Tão favorito quanto o PSG na França ou o Bayern da Alemanha ou a Juventus na Itália? É mais ou menos por aí…

O abismo para o maior rival está tão grande que o próprio Piqué, que virou uma espécie de porta-voz não oficial do Barcelona, disse após a derrota de quarta, no Santiago Bernabéu. “Pela primeira vez em 9 anos me sinto inferior ao Real Madrid”. E, para piorar tudo, o Barcelona ficará o primeiro mês da temporada sem Suárez, lesionado.

Leia também: Superioridade do Real deve aumentar desespero do Barça no mercado

Depois dos anos de um domínio exagerado de Barcelona e Real Madrid na Espanha, especialmente os de Guardiola e Mourinho, os dois gigantes tiveram alguma resistência nas duas temporadas passadas.

O Atlético de Madri tornou-se uma ameaça real. E alguns jogos que eram resolvidos no estilo “passeio” ficaram mais duros. Times médios se reforçaram. Goleadas deixaram de ser tão previsíveis, ainda que tenham acontecido, claro que sim.

Dito isso, o Real Madrid voltou a ser campeão após quatro anos e agora o clube da capital tem a faca e o queijo na mão para ser dominante por bastante tempo.

Zinedine Zidane, uma aposta arriscada do presidente Florentino Pérez, caiu como uma luva. Tem exatamente o tom, o discurso e os métodos que agradam à comunidade que gira em torno do clube e o grupo de jogadores.

E, de repente, o Real tem uma baita linha defensiva, um meio de campo extraordinário e um ataque letal. Pode jogar com a bola ou sem ela. É fortíssimo no jogo aéreo, tem velocidade para contra atacar, tem qualidade para furar retrancas. Cristiano Ronaldo não dá sinais de parar. E o futuro está garantido com Isco, Asensio, o lateral Théo Hernandez, tirado do Atlético por 30 milhões de euros e que será preparado para substituir Marcelo, o meia Ceballos, do Betis, muito bom de bola, etc.

As saídas de Pepe, Danilo, Morata e James Rodríguez debilitam, claro. Debilitam o time reserva. Nada mais. É um elenco jovem e completíssimo.

Apesar de as casas de apostas insistirem em pagar o mesmo retorno para título do Real Madrid e título do Barcelona, vejo o clube da capital com amplo favoritismo para ficar com a Liga. A superioridade na disputa da Supercopa não é circunstancial.

Além de estar voando, encaixado e com elenco, o Real vê um Barcelona vivendo um pesadelo extra-campo. O clube foi humilhado pela decisão de Neymar de abandoná-lo. Virou motivo de piada nas rodas de dirigentes e pessoas importantes do futebol europeu. E também nas conversas de bar.  Não se perde um jogador como Neymar impunemente.

Agora é um clube desesperado que acaba tomando medidas desesperadas. Pagou por Paulinho mais do que deveria. E o mesmo acontecerá com Philippe Coutinho e/ou Dembélé. Isso se conseguir trazê-los. Mesmo que venham, haverá um tempo para adaptação, encontrar o melhor formato de time para acomodá-los, etc. Suárez está machucado. Quando perceberem, o Real Madrid estará muito na frente.

A derrota contundente na Supercopa não se deve à ausência de Neymar. O que Neymar fez foi perceber que a barca estava afundando e foi ser feliz em outro lugar. A linha defensiva é de segunda linha, o meio de campo está envelhecido e sem opções e Messi já está há tempos andando em campo. Faz gols, dá assistências, é um gênio, mas não trabalha mais defensivamente, não joga com sangue nos olhos. E isso já faz uns bons dois anos.

No meu ponto de vista, o Barcelona está mais para disputar segundo lugar com o Atlético do que primeiro com o Real Madrid.

O ATLÉTICO, de Simeone, segue tão forte quanto nos outros anos. É verdade que não pôde contratar ninguém pela sanção da Fifa, mas manteve seu grande líder, o técnico, e seu grande jogador, Griezmann. Em janeiro, devem chegar Diego Costa, Vitolo (emprestado ao Las Palmas até dezembro) e talvez outros nomes, o que fará do Atlético um candidato na Champions League (de novo).

A grande chave para o Atlético é dar mais espaço a protagonismo a Saúl, um jogador jovem, de muito talento e que talvez trabalhe demasiado taticamente. O belga Carrasco também precisa ter mais importância.

O SEVILLA substituiu Sampaoli pelo bom (e também argentino) Eduardo Berizzo, ex-Celta. Perdeu alguns jogadores importantes, como Vitolo, o lateral Mariano (Galatasaray, difícil entender essa decisão) e veteranos como o zagueiro Ramy, o meia Nasry ou o volante Iborra.

Mas trouxe reforços interessantes e que podem dar certo nas mãos de um técnico que gosta de jogo, como Berizzo. O atacante colombiano Muriel, da Sampdoria, o zagueiro dinamarquês Kjaer, do Fenerbahce, o volante Banega, da Inter, e os extremos Nolito e Jesús Navas, ambos chegando do Manchester City.

O grande adversário do Sevilla na busca por uma vaga na Champions League será novamente o VILLARREAL, que se reforçou com o colombiano Bacca (Milan) e o turco Unal (Man City) para o ataque, o zagueiro Semedo (Sporting) e o promissor meia Fornals (Málaga). As principais perdas foram o zagueiro Musacchio, para o Milan, e o veterano Soldado, para o Fenerbahce.

OUTROS:

A Real Sociedad e o Athletic Bilbao mantêm bases interessantes, mas dificilmente conseguirão se manter no G4. O Valencia, em eterna tentativa de ser grande de novo, aposta em um bom técnico, Marcelino. Mas segue com um elenco fraquinho.

Olho para o filho de Zidane, Enzo, que jogará no Alavés. O Celta, que havia apostado em Luís Enrique antes de o treinador chegar ao Barcelona, agora aposta em seu braço direito, Juan Carlos Unzué. Douglas Luiz, ótimo volante revelado pelo Vasco e comprado pelo Manchester City, atuará por empréstimo no recém-ascendido Girona para ganhar experiência.

Outras prévias no blog:
Em busca do hexa na Alemanha, Bayern não tem rivais à altura

Liga inglesa: a melhor virou também a mais imprevisível

França: Neymar e PSG fazem bi parecer sonho distante para o Monaco

 

Supercopa da Espanha:

13/8/17 Barcelona 1 x 3 Real Madrid
16/8/17 Real Madrid 2 x 0 Barcelona

Maiores campeões espanhóis: Real Madrid (33), Barcelona (24), Atlético de Madri (10)

Previsões:

Título: Real Madrid
Vice: Atlético de Madri
Vagas na Champions: Barcelona e Sevilla
Artilheiro: Messi
Melhor jogador: Isco
Olho em: Asensio e Saúl, astros da Espanha sub-21, podem explodir
Na TV: FOX e ESPN
Duelos imperdíveis: Atlético-Barcelona em 14/10/17, Atlético-Real em 18/11/17, Real-Barcelona em 19/12/17, Barcelona-Atlético em 3/3/18, Real-Atlético em 7/4/18, Barcelona-Real em 5/5/18

Bom saber: a rodada sempre começa na sexta à tarde e tem jogos também às segundas-feiras. Real Madrid e Barcelona quase sempre jogam sábado ou domingo à tarde.

Primeira rodada:

Sexta
15h15 Leganés x Alavés
17h15 Valencia x Las Palmas

Sábado
13h15 Celta x Real Sociedad
15h15 Girona x Atlético de Madri
17h15 Sevilla x Espanyol

Domingo
13h15 Athletic Bilbao x Getafe
15h15 Barcelona x Betis
17h15 La Coruña x Real Madrid

Segunda
15h15 Levante x Villarreal
17h Málaga x Eibar


Neymar estreia “à la Messi”, armando jogo e mais longe do gol
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Julio Gomes

Neymar fez uma boa estreia com a camisa do Paris Saint-Germain. Fez o terceiro gol da vitória de 3 a 0 sobre o pequenino Guingamp, após passe de Cavani – o uruguaio havia marcado o segundo, na primeira assistência de Neymar pelo PSG. A lata havia sido aberta em um gol contra patético do Guingamp no início no segundo tempo.

Um gol, um passe para gol, uma caneta, um bom cruzamento que Marquinhos cabeceou no travessão. Não dá para reclamar.

Eu sou uma voz que destoante da maioria ao analisar o futebol de Neymar. O rapaz é um craque, disso não há dúvidas. Mas, a meu ver, sua principal qualidade é a finalização.

Com isso, não quero dizer que ele não seja bom driblador ou que não saiba armar o jogo. Apenas digo que a melhor versão de Neymar é aquela em que ele joga bem perto do gol, recebendo bolas limpas e com poucos adversários pela frente. De preferência, em velocidade. Ele tem um índice de aproveitamento ao concluir para o gol do nível de Cristiano Ronaldo e outros finalizadores pelo mundo.

Em quatro temporadas no Barcelona, Neymar fez 88 gols de bola rolando. 40 deles com apenas um toque na bola, 39 com domínio e finalização e somente 9 construindo o próprio gol.

Na estreia, o gol veio com toque único na bola. É lógico que essa proporção vai mudar no PSG. Ele jogou de 10. A mudança de camisa nunca foi tão fiel à mudança tática. Jogou como Messi faz em vários momentos no Barcelona, recebendo bolas no meio de vários adversários (como ilustra a foto abaixo). É bom. Ficarão mais fáceis as comparações.

Na temporada passada, a primeira do técnico Unai Emery, o Paris jogou quase sempre com dois jogadores bem abertos – entre Draexler, Di María e Lucas. Neste domingo, Neymar e Di María jogaram centralizados, abrindo o corredor para os laterais. Só que praticamente “tirando” do jogo o italiano Verratti, que é originalmente o principal armador do time.

Daniel Alves deu poucas estocadas pela direita, com o tempo vai adquirir mais entrosamento com o argentino. Kurzawa avançou muito pelo espaço que seria de Neymar na esquerda. Dele saiu o cruzamento que mais tarde acabaria no gol de Neymar.

E o jogo todo passou pelos pés do brasileiro. Até demais. Uma coisa é ter liberdade em campo. Ter posição saindo da esquerda, mas ter liberdade de movimentos. É assim que Neymar joga na seleção brasileira.

Não foi o que aconteceu na estreia. Ele foi um meia de fato, um armador, o principal construtor de todas as jogadas. Foi mais um Isco ou um Rodriguinho ou um Iniesta do que Neymar. Foi mais Verratti do que Verratti. Deste jeito, em alguns momentos de vacas magras pré-Tite, a coisa não funcionou tão bem na seleção.

Ocupou uma parte do campo em que há mais gente, mais congestionada. E ficou longe demais do gol.

No primeiro tempo, o PSG, apesar de ter a bola o tempo todo, criou pouquíssimas chances de perigo real. No segundo tempo, ganhou um presente de Ikoko, um gol contra dos mais bizarros que todos veremos em nossas vidas.

Aí sim, o jogo mudou, ficou fácil, o PSG passou a ter mais espaços. Neste cenário, em um contra ataque, Neymar deu um passe maravilhoso para Cavani fazer o segundo gol. Sua primeira assistência com a nova camisa.

O número de passes para gol inevitavelmente aumentará. Mas é bom ressaltar que Neymar já dava muitas assistências no Barcelona. Isso não passa necessariamente por ter um posicionamento de “playmaker”.

Sinceramente, não acho que esse posicionamento se manterá e é justo que o técnico tente em uma partida contra um adversário fraco como o Guingamp.

Na hora H da temporada, acredito que Emery vai preferir Neymar jogando mais à esquerda, mais perto do gol, onde ele é muito mais produtivo.

Se o plano de sair do Barcelona e ir para o PSG era ser protagonista e jogar como Messi, parece que ele será mesmo colocado em prática. Vai faltar… jogar como Messi.

 


Transferência de Neymar é a de maior impacto na Europa desde 2009
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Julio Gomes

A compra de Neymar pelo Paris Saint-Germain é a negociação de maior impacto no futebol europeu desde 2009, quando o Real Madrid tirou Cristiano Ronaldo do Manchester United e Kaká do Milan. E muda a correlação de forças no futebol europeu.

O Barcelona perde seu badalado trio e agora vai precisar dar uma resposta e atacar o mercado. Neymar é a primeira peça do dominó. Dybala, da Juventus, e Philippe Coutinho, do Liverpool, são os alvos preferidos. O maior golpe seria tirar Mbappé do Monaco (e do Real Madrid). Já falaremos mais adiante do impacto para o time. E o PSG passa de “time com chances na Europa” para tão favorito quanto os outros gigantes. Muda de prateleira.

Se nos últimos cinco anos a Champions começava sempre com Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique como favoritos e dominantes, agora a chegada de Neymar põe o PSG nesse grupelho.

Desde que passou a ter as finanças arraigadas por dinheiro do Catar, o PSG deixou de ser uma força local (e nem tão forte assim) para se transformar em um player mundial. Ganhou quatro ligas francesas em sequência entre 2012 e 2016, mas sempre parou nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

Na temporada passada, perdeu o Francês para um surpreendente (e já quase desfeito) Monaco e acabou nas oitavas da Champions, após levar aquele surreal 6 a 1 do Barcelona.

Foi justamente aquele o jogo mais memorável de Neymar com a camisa do Barça. Não estava sendo. Mas, no 7 minutos finais, ele colocou a bola embaixo do braço e foi responsável direto pelos três gols decisivos (com árbitro, Suárez e Sergi Roberto como coadjuvantes).

Talvez ali Neymar tenha se convencido de que precisaria viver longe da sombra de Messi.

Uma pena, para quem gosta de ver craques jogando com craques. Nas últimas três temporadas, vimos possivelmente o melhor trio de ataque da história. O melhor dos argentinos, o melhor dos uruguaios e um dos melhores atacantes brasileiros já produzidos. O supra sumo da América do Sul esteve reunido com a camisa do Barcelona.

Logo de cara, na primeira temporada, ganharam tudo. Na segunda temporada, o doblete doméstico. Na terceira, só mesmo a Copa do Rei. O declínio de resultados teve menos a ver com o trio, que sempre pareceu ser solidário e se dar bem em campo e fora dele, e mais a ver com um Real Madrid muito, muito forte e mais completo nas outras linhas (além de muito bom no ataque também).

Completar as linhas talvez seja o maior desafio para o Barcelona, muito mais do que conseguir um substituto imediato para Neymar.

Philippe Coutinho explodiu no Liverpool e seria uma troca imediata, caindo na mesma posição. Dybala, no entanto, seria uma contratação de mais peso. Porque seria tirado da Juventus, finalista da Champions passada, algoz do próprio Barça e uma adversária direta nesta temporada, apesar das saídas de de Daniel Alves e Bonucci.

Além de Dybala ser mais “fantasista”, como Messi. Ele tem mais cara de substituto de Messi do que Coutinho ou até mesmo Neymar. E é um jogador de apenas 23 anos de idade, dois anos mais novo que Neymar.

Já que vai perder o brasileiro, o Barcelona acabará tentando negociar com o PSG a chegada de Verratti. O meio-campista italiano tem apenas 24 anos e tem características muito parecidas às de Iniesta – este sim em fase final da carreira, o que também explica o declínio do time na última temporada.

E a linha defensiva segue sendo o calcanhar de Aquiles do time. Nenhuma das quatro posições de trás tem jogadores de garantias (Piqué vive nítido declínio técnico, Mascherano está velho, Umtiti ainda não pode receber esse rótulo).

Real Madrid, Bayern de Munique, PSG, Juventus, Chelsea e Manchester United têm linhas sólidas. E o Manchester City foi atrás de Ederson para o gol, Walker, Mendy e Danilo para as laterais. Gastou 180 milhões de euros nesses quatro.

Agora, o Barça precisará escolher. Uma contratação de super impacto ou uma reformulação do elenco? Aposto na primeira opção, mas acredito que o correto seria a segunda.

Para analisar o PSG, é preciso aguardar o resto do mês. Até pela questão do fair play financeiro, o clube pode precisar vender algum ou alguns de seus jogadores mais valiosos nesta janela. Verratti, como já citei, ou Di María, que obviamente pode perder espaço no time com a chegada de Neymar.

Em 2008, fui o primeiro a publicar, na época no portal Terra, que Cristiano Ronaldo queria deixar o United para jogar no Real Madrid. Era a primeira vez que o português deixava claro o que queria, à parte as especulações de imprensa. Guardo com carinho todos os jornais da época, de diversos países, dando o crédito. Foi uma notícia de muito impacto lá, pouco aqui. Mas a troca se realizaria só um ano depois. Desta vez, o primeiro a publicar que Neymar realmente queria deixar o Barcelona para jogar no PSG foi o amigo Marcelo Bechler, do Esporte Interativo. Menos de um mês depois, a coisa aconteceu. Furos são muito raros hoje em dia. Palmas para Bechler!

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