Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Mbappé

O futebol da Holanda desapareceu
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Como esperado, a Holanda perdeu por 4 a 0 para a França e ficou em situação delicada nas eliminatórias europeias para a Copa do Mundo. Ainda depende só de si, porque a Bulgária fez o favor de vencer a Suécia por 3 a 2, em outro jogo do grupo A.

Mas a matemática parece ser o menor dos problemas da Holanda. Uma seleção que sete anos atrás perdia o título mundial na prorrogação, na África do Sul, e três anos atrás ficava fora da final da Copa do Mundo ao perder nos pênaltis para a Argentina, em Itaquera.

O problema maior da Holanda é ser uma seleção sem identidade, sem grandes jogadores, sem futebol. É um time ruim, simples assim. Robben é o único jogador de classe mundial e já não é mais menino. Perdeu um gol incrível quando a Holanda ainda caía por 1 a 0 e criou sua única chance de machucar a França.

Todos os problemas ficaram escancarados no Stade de France. A seleção da casa dominou o jogo do primeiro ao último minuto, controlou a posse, criou as chances, não foi ameaçada. É verdade que a Holanda ficou com dez em campo após uma expulsão injusta de Strootman, mas logo antes o árbitro havia perdoado um pênalti claro para a França.

A França, essa sim uma seleção renovada e com grandes perspectivas de futuro, ainda comemorou o primeiro gol de Mbappé, o quarto na goleada. Mbappé foi anunciado hoje e jogará ao lado de Neymar no PSG.

Em 2010, a Holanda chegou à final da Copa com um futebol feio, defensivo, que tinha pouco a ver com suas raízes. Era uma Holanda pragmática para conquistar o título que faltava, mesmo tendo Robben e, aí sim, Sneijder no auge.

Na Euro 2012, a Holanda foi eliminada na primeira fase com três derrotas. Era um sinal. Mas aí veio a campanha da Copa-2014, e a Holanda foi até a semifinal e deu uma marretada no Brasil na disputa do terceiro lugar. É bom lembrar que passou pela Costa Rica nos pênaltis nas quartas e sofrera contra o México nas oitavas. Não era um futebol maravilhoso.

Veio a não classificação para a Euro 2016. E, agora, tudo indica que virá a eliminação da Copa 2018. A seleção holandesa sofre junto com seu futebol.

Está aí a Bélgica, um país vizinho, com menos tradição, para provar que trabalho de base bem feito dá resultado. A Holanda ficou muito para trás na Europa e agora terá de remar para ser competitiva de novo.

Se vencer a Grécia no domingo, a Bélgica estará classificada para a Copa com duas rodadas de antecipação. Se empatar, não terá a vaga na matemática, mas na prática, pois tem um saldo de gols monstruoso – hoje meteu 9 a 0 em Gibraltar, com gols de Lukaku, Hazard, Mertens, Witsel… todos jogadores caros. Quantos jogadores holandeses movimentaram o mercado de verão mais inflacionado da história?

A conta para a Holanda é a seguinte. No grupo A, a França lidera com 16 pontos e conseguirá a vaga direta na Copa. O segundo lugar vai ter de brigar na repescagem. A Suécia tem 13 pontos e saldo de +7, a Bulgária tem 12 pontos e saldo de -2, a Holanda tem 10 pontos e saldo de +3.

No domingo, a Holanda recebe a Bulgária e tem de vencer para ultrapassá-la. Depois, em outubro, joga em Belarus também precisando ganhar. A Suécia, por sua vez, joga fora com Belarus no domingo e, depois, em casa contra Luxemburgo. Na última rodada, em 10 de outubro, a Holanda recebe a Suécia em Amsterdã.

Portanto, a matemática é vencer os três jogos restantes e, caso a Suécia vença os dois próximos dela, tentar ficar à frente no saldo de gols para ser segunda do grupo.

Mas, como eu já disse, a matemática é o menor dos problemas da Holanda. Uma pena.

 


Quando Neymar e Mbappé são maiores que um Real Madrid x Barcelona
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juliogomes

O sábado é dia de Real Madrid x Barcelona (21h, Esporte Interativo). Isso mesmo. Em Miami. Parte da perna norte-americana de amistosos de pré-temporada dos grandes clubes europeus. Mas o clássico pouco importa. Estamos na metade da janela europeia de transferências e só se fala em Neymar e Mbappé.

As possíveis transferências mais caras da história estão monopolizando todas as atenções na Europa. E todo o mercado depende delas, como se fossem peças de dominó esperando para a primeira da fila ser tocada.

Qual o dedo vai empurrar a primeira peça? Quais dedos assinarão o primeiro cheque?

A situação de Neymar é a principal. Até por ser um jogador mais consolidado, talvez no auge (só saberemos quando encerrar a carreira), pronto para ser protagonista na Copa do Mundo-2018 com o Brasil e, quem sabe, se transformar em verdadeiro candidato a melhor do mundo.

E também por já estar em um clube gigante.

O caso de Mbappé é diferente. Ele é mais ou menos como Neymar anos atrás. Uma promessa. Uma quase certeza, mas ainda uma promessa. Um jogador totalmente diferente da média, que já se mostrou capaz de fazer a diferença em jogos grandes, muito novo. E, diferente do Neymar dos tempos de Santos, já com experiência europeia, no alto nível, contra defesas de verdade.

Neymar parecia que ia para o PSG. Depois, parecia que havia sido convencido a ficar no Barcelona. Agora, parece que está a ponto de ir de novo. Teve participação em evento comercial cancelada, brigou no treino, empurrou segurança na noite de Miami, parece com os nervos à flor da pele.

Para encaixar as peças que faltam neste quebra-cabeças, falta entender o que, afinal, quer Neymar. Quer dinheiro? Quer ganhar títulos? Quer ser o número um do mundo? Quer jogar com os melhores? Fugir da Justiça espanhola? Quer um time só para ele? Quer alguma coisa ou só quer o que os outros determinam que ele queira? É necessário ouvi-lo.

Se o PSG driblar o fair play financeiro e fizer um cheque de duzentos e tantos milhões de euros, vai receber um craque pronto. Já tem um time capaz de ganhar Champions League. Ficaria ainda mais forte. Mas este detalhe não pode fugir de Neymar: não adianta ganhar Francesão e fazer 250 gols na temporada. A única coisa que importa será a Champions League.

Com o dinheiro em mãos, o Barcelona não poderá simplesmente sanar as contas. Precisará dar uma resposta. E aí a Juventus vai precisar se mexer para segurar Dybala, e o Liverpool para segurar Coutinho. A Juve, com dinheiro, sempre faz estragos no mercado (Buffon, Nedved e Thuram em 2001, após vender Zidane, Higuaín e Pjanic ano passado, após vender Pogba). O Liverpool também está ativo no mercado. É o efeito cascata.

A notícia deste sábado é que até Griezmann vira alvo do Barça, apesar de o francês ter decidido ficar mais um ano no Atlético de Madri – uma atitude legal de gratidão, pois o Atlético não pode contratar ninguém até o ano que vem. Griezmann fatalmente sairia para o United, acabou ficando, para o Barça pode ir para cima.

Mas a cartada de mestre do Barcelona seria mesmo pegar o dinheiro e comprar Mbappé. Durante a semana, o Marca reportou que o Real Madrid pagará 180 milhões de euros e o negócio estaria fechado. Mas o fato é que o garoto está relacionado para o jogo deste sábado do Monaco contra o PSG. É a Supercopa da França, jogo que abre oficialmente a temporada no país.

Mbappé é fã de Zidane e tem fotografias de pequeno com a camiseta do Real. Assim como Neymar escolheu o Barcelona, Mbappé pode simplesmente escolher o Real. Mas não nos esqueçamos que o Manchester City, que gastou o que tem e o que não tem na janela até agora, está alucinado atrás do garoto também.

É difícil imaginar que Mbappé fique no Monaco, apesar dos esforços do time do Principado – que já perdeu Bernardo Silva e Mendy para Guardiola.

Até o PSG pode voltar à carga por Mbappé. O clube francês também quer Alexis Sanchez. Mas tudo está parado, obviamente, enquanto Neymar não sai do muro.

No meio de tudo isso, tem um Barcelona x Real Madrid a ser jogado.

Até agora, na pré-temporada, o Barcelona ganhou por 2 a 1 da Juventus e por 1 a 0 do Manchester United. Três gols de Neymar, com uma fome pouco usual para craques voltando de férias. Já o Real Madrid empatou com o United e levou uma chacoalhada de 4 a 1 do Manchester City. Deve uma resposta a seus fãs nos EUA.

Tudo isso sem Cristiano Ronaldo, ainda de férias após a Copa das Confederações. Aliás, a janela de transferências começou com um piti de Cristiano, ameaçando deixar o Real. Já devem ter se resolvido, porque não se fala mais nisso.

Do jeito que é competitivo, capaz que esteja esperando a venda de Neymar ou de Mbappé para, em seu momento, se transformar na transferência mais cara da história.

“Vamos tentar ganhar o jogo, porque um clássico é um clássico”, disse Zidane.

Mas já sabem. O verdadeiro jogo da temporada está sendo jogado bem longe do campo de Miami. E a janela só fecha em 31 de agosto.

 


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