Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Manchester City

Seis Champions seguidas sem final. E agora, Guardiola?
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Julio Gomes

“Eles são o melhor time do mundo. Mas sabíamos que podíamos vencê-los”.

A frase foi de Jurgen Klopp, técnico do Liverpool, depois de eliminar o Manchester City, de Pep Guardiola.

Mas poderia ter sido dita por Di Matteo, em 2012, depois de o Chelsea tirar o Barcelona na semifinal. Ou por Simeone, em 2016, depois de o Atlético de Madrid eliminar o Bayern. Ou por Mourinho, em 2010, quando a Inter tirou o Barça. Bem, talvez ouvir isso de Mourinho seria surpreendente demais…

O fato é que a história se repete. Guardiola é um gênio. Desde que apareceu no cenário europeu como técnico, 10 anos atrás, mudou o futebol. Isso não é passível de debate. Os times dele (primeiro o Barça, depois o Bayern, depois o City) foram sempre os que melhor jogaram. Um futebol ofensivo, atrativo, apaixonante. Mas, na principal competição de clubes do mundo… os fracassos se acumulam.

Com o Barcelona, Guardiola foi campeão de duas das três primeiras Champions que jogou (2009 e 2011). Desde então, jogou a competição outras seis vezes. E nunca mais chegou à decisão.

O contraste com o desempenho em campeonatos de pontos corridos é tremendo. O título do Manchester City na Premier League é apenas questão de tempo. Será o sétimo em nove temporadas de Guardiola (ganhou três de quatro com o Barça e os três que jogou com o Bayern).

Seus críticos dirão que é fácil ganhar campeonatos longos de pouca competitividade com timaços nas mãos.

Eu acredito que a crítica possa até ser válida para os anos de Bayern. De forma alguma para os anos de Barcelona, quando Guardiola assumiu o comando de um clube em transição e vindo de duas temporadas horríveis. Foi ele quem construiu o timaço que o Barcelona mostrou ao mundo entre 2008 e 2012 (o mais dominante e encantador que vi em vida). No City, a evolução foi tremenda da temporada passada para a atual. É verdade que foram gastos muitos milhões no mercado. Mas contratar bem e fazer os jogadores encaixarem também é uma arte.

Sou fã de Guardiola. Muito fã. Estamos diante de uma figura que faz história, que mudou o esporte.

Mas não é possível ignorar tantas eliminações nas fases agudas da Champions. E das mais diversas formas. Há algo errado aí na tomada de decisões de Pep. Há algo errado na maneira de encarar a adversidade, tendo poucos minutos para resolver pepinos.

Como quando deixou o Bayern tão exposto aos (óbvios) contra ataques do Real Madrid, em 2014. Como na pane nos minutos finais do jogo do Camp Nou, em 2015. Ou como neste duelo contra o Liverpool, inventando escalações e mudanças táticas que nada tiveram que ver com o que time fez ao longo da temporada.

É verdade, também, que não foi ele que perdeu o pênalti contra o Atlético, em 2016. Foi Muller. Nem contra o Chelsea, em 2012. Foi Messi. Tampouco foi ele quem anulou um gol legal do City, ontem, que deixaria o jogo com um 2 a 0 no intervalo.

Nem tudo é culpa de Guardiola. Mas nem tudo o que Guardiola faz é perfeito.

Devemos nos habituar a imperfeições. Não precisamos nos render. Mas a vida é cheia delas.

 


Klopp deu mais baile sobre um ‘inventor’ Guardiola
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Julio Gomes

Jurgen Klopp não é qualquer treinador de futebol. É o único homem que ganhou seis jogos de futebol contra Pep Guardiola (perdeu cinco).

Guardiola não é infalível. Ele erra. Todos erramos. Mas há erros e erros. Momentos e momentos para errar. Errar nas quartas de final da Champions. E contra Klopp… bem, são esses os erros que te assombram por anos.

O Manchester City atuou o ano inteiro com jogadores abertos, colados nas linhas laterais, espalhando as defesas rivais e dando corredores para De Bruyne e David Silva. Nesta quarta, em Liverpool, Guardiola não escalou nem Sterling nem Bernardo Silva. Optou por Gundogan, um volante, aberto pela direita. Perdeu agressividade no ataque e consistência no meio de campo. Do outro lado, optou por um zagueiro, Laporte, na lateral esquerda.

Inventou. E pagou o preço. A derrota por 3 a 0 não é irreversível. Em setembro, no primeiro turno da Premier League, o City meteu 5 a 0 no Liverpool. Mas, convenhamos, o Liverpool está com um pé na semifinal, para provavelmente acompanhar Barcelona, Real Madrid e Bayern nas semis mais laureadas de todos os tempos.

No primeiro tempo em Anfield Road, o City teve “só” 55% de posse de bola, abaixo de sua média. O Liverpool foi o time que quis a bola. Especialmente no segundo seguinte após perdê-la.

Ao longo dos anos, muitos treinadores tentaram parar os times de Guardiola marcando de forma passiva e fechando linhas na frente da área. Klopp, não. E vimos mais uma vez um time do alemão jogar de forma agressiva, mordendo em todas as partes do campo e adiantando a primeira linha de marcação até a área, quando preciso. Até Ederson chegou a ser pressionado na saída de bola.

A marcação agressiva do Liverpool, somada à má escalação do City, resultou em um incrível 3 a 0 em apenas meia hora de jogo.

Guardiola só foi acertar o time no intervalo. Abriu De Bruyne pela direita e trouxe Gundogan para o meio. Depois, colocou Sterling no lugar do alemão, posicionando o belga ao lado de Silva, pelo meio. Ou seja, o City só jogou como City dos 12min do segundo tempo para frente.

Criou chances, pressionou, jogou dentro da área do Liverpool – e ainda teve sorte por Salah sair contundido, o que obviamente comprometeu as saídas do time da casa em contra ataques.

Mas, em apenas meia hora e com Sané e De Bruyne em uma noite para esquecer, não eu para o City.

É a terceira vitória do Liverpool de Klopp sobre o City de Guardiola em três duelos em Anfield. A sexta de Klopp em 13 jogos contra o catalão, se somarmos os duelos da Alemanha. Está virando freguês.

 


Barcelona e Bayern são os sortudos do dia na Champions
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Julio Gomes

Não sejamos hipócritas. Tudo bem que é reta final, todo jogo é difícil, não tem moleza, etc e tal. Mas é lógico que Roma e Sevilla eram os times que todos queriam enfrentar nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa. E os agraciados foram Barcelona e Bayern de Munique.

O Bayern não pode reclamar da sorte! Depois de ser segundo colocado na fase de grupos, escapou de clássicos nas oitavas e enfrentou o Besiktas, da Turquia. Agora, nas quartas, pega o Sevilla e decide em casa.

O Barcelona joga a primeira em casa e decide a classificação em Roma. O favoritismo de Barça e Bayern nestes dois duelos é marcante.

Já os outros dois confrontos são equilibrados. Juventus e Real Madrid reeditam a final do ano passado, são duas camisas pesadíssimas. É um clássico europeu. Existe um ligeiro favoritismo do Madrid, logicamente, por ser o bicampeão e por ter Cristiano Ronaldo. Mas a Juventus já eliminou o Real recentemente e está em franco crescimento na temporada.

Nos últimos quatro anos, o Real ganhou a Champions três vezes. Na única vez que ficou pelo caminho, em 2015, foi eliminado justamente pela Juve.

E o Manchester City vai decidir em casa contra o Liverpool, em um duelo doméstico que deixará um inglês apenas nas semifinais. O Liverpool é capaz de tudo. Faz muitos gols, leva muitos gols, tem um técnico ousado. Tanto que, em um 4 a 3 épico, foi o time que quebrou a invencibilidade do City na temporada, em janeiro.

O City é mais time e, assim como o Real, tem certo favoritismo. Mas é um duelo equilibrado. Até porque o Liverpool tem muito mais história e tradição.

O sorteio permitiu que os quatro times mais fortes do continente – Real Madrid, Barcelona, Bayern e Manchester City – possam estar juntos nas semifinais. Será que alguém pode impedir que este destino se concretize?


Ingleses? A era é de Barcelona, Bayern e Real Madrid na Champions
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Julio Gomes

Muito se fala da Premier League, que é, de fato, uma liga com jogos fantásticos. Mas os últimos 10 anos de futebol europeu mostram uma superioridade inegável dos melhores times espanhóis, do Bayern e até da Juventus sobre os melhores ingleses.

Não discuto que a competitividade da Premier é maior que da Liga espanhola, da Bundesliga e da Série A italiana. Isso se deve a uma classe média/baixa de nível mais alto. E o ritmo dos jogos é mais intenso, a meu ver, porque a arbitragem deixa correr, sem marcar tantas faltas e sem sofrer com mimimi e teatro dos jogadores.

No entanto, o domínio absurdo de Real Madrid, Barcelona e Bayern fala muito mais deles do que dos outros. Eles não dominam seus campeonatos domésticos porque os outros são ruins. Mas, sim, porque eles são muito bons.

Este domínio seria igual, em um hipotético campeonato europeu em pontos corridos (credo).

Quem argumenta que a Liga espanhola é fraca cita sempre o hipotético Getafe-Leganés do domingo de manhã. Mas se esquece do timaço do Atlético de Madrid, se esquece do sucesso europeu do Sevilla, se esquece de um monte de coisas. E quem acha a Bundesliga uma liga sem graça não assiste a jogo algum da Alemanha, isso eu garanto.

Nesta sexta-feira cedinho, quando forem sorteados os jogos de quartas de final  da Liga dos Campeões da Europa, Barça, Real e Bayern estarão lá, juntos, pela sétima temporada seguida. Se não derem o azar de se enfrentarem, é bem possível que estejam os três juntos nas semifinais pela quarta vez nestes sete anos. É muita coisa. É muita hegemonia.

Quer mais? Desde aquela final inglesa de 2008, em Moscou, nunca mais uma decisão europeia deixou de ter Bayern, Real ou Barça.

Muito se falou da presença dos cinco ingleses nas oitavas de final neste ano, um feito inédito. E muitos achavam que a Inglaterra poderia classificar os cinco para as quartas. Pois é. Passaram só dois. Da Espanha, passaram três. Da Itália, também passaram dois. Quem imaginava que o Sevilla, que nem vive sua melhor temporada, eliminaria o Manchester United?

Talvez os nomes e os valores gastos no mercado turvem nossa visão. Hoje, não é possível considerar times da Premier favoritos em duelos contra times da Liga espanhola. Simples assim. Pelo menos não se olharmos o retrospecto dos últimos 10 anos de Champions e até Europa League.

Os melhores times espanhóis são melhores que os melhores times ingleses e provam isso ano após ano.

O domínio do Manchester City na Inglaterra, um domínio que nunca se viu na Premier, faz com que o campeonato seja considerado fraco e pouco competitivo? Não, né? O que esse domínio nos mostra é que o City tem um time especial, que está fazendo algo diferente – sob comando de um técnico espanhol, diga-se.

O Manchester City parece ser, entre os quadrifinalistas, o único time capaz de derrubar Bayern, Barcelona ou Real Madrid. Será? Pode ser. Mas que Guardiola prefere não jogar contra nenhum dos três, pode ter certeza que prefere…

 


Guardiola leva primeiro título da temporada europeia. Levará o último?
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Julio Gomes

Pouco mais de um ano e meio após chegar ao Manchester City, Pep Guardiola levantou neste domingo seu primeiro troféu pelo clube. Com os fáceis e contundentes 3 a 0 sobre o Arsenal, em Wembley, o City conquistou a Copa da Liga Inglesa.

Não é o título mais importante da temporada. Pelo contrário, é o menos importante. Na Inglaterra, assim como na França ou em Portugal, os clubes jogam também a tal Copa da Liga, além da Copa do país. Nestes países, são três as competições domésticas – na Espanha, Itália ou Alemanha são apenas duas.

É uma competição em que são utilizados muitos reservas nas fases iniciais. Mas, na hora em que grandes clubes se encontram ou quando chega a decisão, aí ninguém quer perder. Guardiola mandou tudo o que tinha de bom para cima do Arsenal. E tudo o que o City tem de bom é muito melhor do que o que o Arsenal tem de bom.

Foi um passeio. Um massacre. O Arsenal praticamente não teve chances contra um City jogando o fino da bola. Gol de Aguero, Kompany e David Silva mataram a final.

Boa notícia também a volta de Gabriel Jesus, que entrou em campo pela primeira vez em 2018 nos minutos finais. Má notícia a lesão de Fernandinho, que saiu de campo machucado. Talvez seja desfalque para Tite nos amistosos de março contra Rússia e Alemanha.

Vamos esquecer as Supercopas, que apenas abrem oficialmente as temporadas no verão europeu. E levar em conta os cinco países mais importantes da Uefa. Com este filtro, este foi o primeiro título da temporada.

O Manchester City é o primeiro clube das grandes ligas europeias a levantar um troféu.

O último clube campeão da temporada sairá em 26 de maio, em Kiev, Ucrânia, quando será disputada a final da Liga dos Campeões da Europa.

Neste momento, pelas cotações das casas de apostas, o City, de Guardiola, é o principal favorito a levantar este troféu também. Troféu que Guardiola levantou pela segunda e última vez em 2011, no mesmo Wembley em que levantou a Copa da Liga hoje.

O homem ganhou sete das oito finais que disputou como técnico. Dez anos após o início dos investimentos gigantescos com dinheiro dos Emirados Árabes Unidos, o clube se acostumou a chegar e ganhar. O time está voando em todos os setores, jogando o futebol mais ofensivo e bacana de se ver na Europa. A comunhão entre treinador e comandados é nítida. O título da Premier League, que será o segundo da temporada, é só questão de tempo.

Alguém duvida que o City de Guardiola fechará a temporada do mesmo jeito que fechou hoje a Copa da Liga?

 

 

 


Mourinho perdeu de vez a vergonha de estacionar seus ônibus
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Julio Gomes

Após a inédita classificação de cinco times para as oitavas de final e as sonoras goleadas aplicadas por Manchester City e Liverpool fora de casa, semana passada, a moda foi falar da força dos ingleses na Liga dos Campeões da Europa.

Mas se é verdade que, além dos já citados acima, o Tottenham tem uma bela vantagem contra a Juventus (2 a 2 na ida em Turim), Chelsea e Manchester United saem dos jogos de ida das oitavas de final em situação não tão confortável.

E foram eles justamente os ingleses que enfrentaram nesta semana clubes da Espanha, o país líder do ranking da Uefa.

O Chelsea, na terça, ficou no 1 a 1 com o Barcelona, em casa. Vai ter de buscar o resultado no Camp Nou, na segunda semana de março. E o Manchester United, nesta quarta, foi completamente dominado pelo Sevilla e precisa levantar as mãos aos céus por ter saído da Andaluzia com um 0 a 0.

Foram 25 finalizações do Sevilla, 8 delas exigindo defesas de De Gea (uma delas, no final do primeiro tempo, simplesmente milagrosa). Pelos lados do United, apenas 6 finalizações, só uma a gol. Sim, Mourinho nunca teve e segue sem ter vergonha alguma de buscar resultados desta forma pragmática. O que não dá para entender é fazê-lo com um elenco como este do United.

Estacionar o ônibus em Sevilha, contra um time que nem está tão certinho assim, trocou de técnico recentemente… é muito pouco para um clube do tamanho do United.

Ainda assim, o 0 a 0 não garante nada. O Sevilla jogará por qualquer empate com gols na volta, em Manchester. E viajará com a certeza de poder encarar o United de igual para igual.

O Barcelona tem a vantagem de jogar em casa contra o Chelsea, ter mais time e poder se classificar com um 0 a 0. O Sevilla tem a vantagem de ir a Manchester jogando por dois resultados. Sem dúvida, os times de Conte e Mourinho são os ingleses em pior situação.

Desde o título do Chelsea, em 2012, os clubes ingleses nunca mais passaram perto de ganhar o título da Champions. Nas cinco temporadas desde então, a Espanha colocou sempre três times nas quartas de final e dois nas semifinais.

Nas últimas nove temporadas, foram três títulos do Real Madrid, três do Barcelona e os outros três foram divididos entre alemães, italianos e ingleses. No mesmo período, Sevilla e Atlético de Madrid ganharam, entre eles, cinco Europa Leagues. Esta década é da Espanha, sem a menor sombra de dúvidas.

Entre 2007 e 2009, a Inglaterra sempre colocou três times nas semifinais – e em dois destes torneios colocou quatro nas quartas de final. Com a força da Premier League e o dinheiro fluindo, a impressão era que a Europa voltaria a ser coisa de ingleses, como ocorrera no fim dos anos 70, começo dos 80.

Mas o domínio de mais ou menos dez anos atrás não se confirmou. E é simplista dizer que isso não ocorreu apenas por causa da força de Real e Barça. Duas explicações corriqueiras são o calendário inglês, mais extenuante que o espanhol, o alemão e o italiano, e a competitividade maior na Premier League, o que dá menos “folga” para os principais times.

Enfim. É fato que os clubes ingleses parecem mais fortes neste ano do que nos anteriores. Mas não é surpresa nem que haja uma final inglesa e nem que nenhum deles chegue às semifinais. Convém esperar.

 


Conseguirão os “novos ricos” PSG e City mudar o status quo da Champions?
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Julio Gomes

É a batalha do velho contra o novo. A tradição histórica de grandes títulos contra o fenômeno recente bancado por dinheiro estrangeiro. A Liga dos Campeões da Europa volta nesta terça-feira para a fase de mata-mata, com os jogos de ida das oitavas de final. E o que todo mundo quer saber é: será que Paris Saint-Germain e Manchester City serão capazes de quebrar o domínio construído por Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique?

Não teremos uma resposta definitiva nesta semana. Mas ela começa a ser construída agora.

Lá se vão dez anos desde a última final de Champions sem a presença de um destes três (Moscou-2008) – desde então, Real Madrid e Barcelona ganharam as três finais que disputaram, e o Bayern, que também chegou a três finais, ganhou uma e perdeu duas. Temos de voltar a 2011 para encontrar uma fase de quartas de final sem a presença dos três. Desde então, três das semifinais tiveram todos eles.

Já PSG e City ainda lutam para chegar a sua primeira final.

O PSG havia sido campeão francês pela última vez em 94 quando, em 2011, foi comprado pelo dinheiro do Catar. Desde então, ganhou quatro vezes o título na França (ganhará pela quinta vez este ano), mas não conseguiu superar a barreira das quartas de final na Europa – o clube chegou a uma semi de Champions em 95, nos tempos de Weah e Raí.

Já o Manchester City, comprado por dinheiro dos Emirados Árabes em 2008, foi capaz de chegar à semifinal europeia em 2016, mas esta foi a única boa campanha internacional – domesticamente, o clube ganhou duas Premier Leagues e caminha para a terceira. O City havia sido campeão inglês pela última vez em 68 e chegou a frequentar a terceira divisão nos anos 90.

PSG e City não são clubes sem torcida ou tradição. Apenas nunca foram clubes capazes de dominar o futebol de seu país e muito menos fazer cócegas na Europa. Isso só é possível agora porque os talões de cheque dos sheiks árabes são gordos e com fundos ilimitados.

O mesmo aconteceu com o Chelsea, o primeiro dos ricaços fabricados artificialmente. No caso, o dinheiro era russo. Como a compra do clube ocorreu em 2003, já até nos acostumamos. O Chelsea era maior e mais tradicional que o City, até por estar em uma área rica de Londres, mas também não vencia o Inglês desde 55. Com o dinheiro russo, ganhou cinco vezes a Premier e conquistou a Champions em 2012, justos dez anos após vira “novo rico”.

Se dez anos é o prazo necessário de investimentos para conquistar o continente, chegou a vez do City, de Guardiola. E o PSG, de Neymar, ainda terá de esperar mais três aninhos.

O City abre as oitavas de final nesta terça jogando na Suíça, contra o Basel. É uma das barbadas desta fase, e o ex-primo pobre de Manchester deve chegar às quartas de final pela segunda vez em sua história.

O outro jogo da terça reúne Juventus e Tottenham, com partida de ida na Itália. A Juve, finalista em duas das últimas três Champions, é forte candidata de novo. E está voando, com 11 vitórias seguidas pelo Italiano e Copa da Itália. Mas tem desfalques importantes e será uma pedreira a eliminatória contra um Tottenham que vem de ótimas temporadas e que vive seu melhor momento na atual. Não perde há 12 jogos, desde que dois meses atrás foi goleado pelo City.

Todas as atenções estão voltadas, no entanto, para o duelo de quarta-feira entre Real Madrid e PSG, com jogo de ida na Espanha.

Porque é o duelo que representa essa batalha do gigante tradicional contra o ex-pequen00o que virou grande e sonha com voos bastante altos. O duelo entre o 12 vezes campeão da Europa e o zero vezes campeão da Europa. A presença de Cristiano Ronaldo e Neymar em campo dá rostos a este duelo – também é um encontro entre quem já é (CR7, dono de cinco Bolas de Ouro) e quem quer ser (Neymar).

Com a primeira partida no Bernabéu, onde o Real tropeçou em simplesmente a metade de seus jogos em casa na temporada, a responsabilidade é toda do atual campeão. Não vencer significará ficar com a vida dura demais para a volta, em Paris.

 


Os ricaços que me desculpem, mas o Napoli é a grande história da Europa
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Julio Gomes

PSG, City. City, PSG. Neymar, Guardiola. Guardiola, Neymar. Dólares. Euros. Libras. Qualidade.

Napoli. Pizza. Maradona. Paixão. Loucura. Qualidade.

Nomes próprios trazem “sinônimos” diversos, ainda que alguns sejam comuns a eles.

Se estamos falando há meses dos que parecem ser dois dos melhores times da Europa, o PSG e o Manchester City, é porque o dinheiro fez com que isso fosse possível. O PSG foi comprado pelo Qatar. Isso mesmo, o país. O Qatar comprou o time de Paris. O City foi comprado pelos Emirados Árabes Unidos. Dinheiro de famílias reais. Que patrocinam algumas coisas não tão louváveis assim pelo mundo.

Não vou ser poliana. Muito dinheiro jogado em futebol é geralmente fruto de picaretagem e exploração. E isso não acontece só nesses dois clubes. Acontece em vários lugares.

Mas, por serem clubes de uma história pouco (ou quase nada) vencedora antes desses aportes, fica uma percepção de artificialidade. Muita qualidade. Muita bola. Muita gente top do futebol mundial. Não temos por que não admirar. O difícil é amar.

Paixão está em Nápoles.

O Napoli estava quebrado em 2004. Quebrado. Falido. Foi resgatado pelo produtor de cinema Aurelio De Laurentiis, o atual presidente. Que vá lá, não é flor que se cheire, tem sobre ele acusações de lavagem de dinheiro, etc. Mas caramba, estamos falando do clube que representa todo o Sul (pobre) da Itália. O Napoli não podia simplesmente deixar de existir.

Depois de passar pela terceira e segunda divisões, o Napoli voltou. Nesta década, nos últimos sete campeonatos, ficou sempre entre os cinco primeiros. Passou a ser figura constante na Champions League. Ganhou duas Coppas Itália. Só falta realmente o título da Série A. E a hora é agora.

Após 24 rodadas, o Napoli soma 63 pontos. São 20 vitórias, 3 empates e apenas a derrota em casa, justamente para a Juventus. A toda-poderosa hexacampeã italiana tem 62 pontos. Já são sete rodadas seguidas com os dois times ganhando seus jogos. Mas a desse fim de semana de Carnaval, a 24ª rodada, foi especial.

Especial porque a Juventus ganhou na sexta-feira em Florença, um estádio difícil, um jogo sofrido, em que a Fiorentina teve inúmeras chances de sair na frente do placar. Especial porque o Napoli, pressionado, jogou contra a terceira colocada, a Lazio, e saiu perdendo logo de cara. Parecia ser o fim. A rodada que, a priori, poderia ser de tropeço juventino e vitória napolitana, ia se transformando na rodada de pesadelo para o Napoli.

Mas quem joga bola, joga bola. E o Napoli, com o futebol leve e envolvente promovido pelo surpreendente técnico Maurizio Sarri, virou para 4 a 1 para cima da Lazio. Voltou à liderança e mandou o recadinho para a Juventus. “Siamo qui”. Estamos aqui.

Mesmo a quilômetros de distância, separado por um oceano, foi possível sentir pela TV o clima do estádio San Paolo. É comoção pura.

Se é verdade que o confronto do segundo turno entre eles será em Turim e o Napoli ainda enfrentará Milan e Inter fora, a Juventus está envolvida com Champions League, Coppa Itália e jogará fora contra Lazio, Roma e Inter. Tem muita água para rolar.

Mas o fato é que o Napoli é a grande história a ser seguida nesta temporada.

Com todo respeito aos investimentos de PSG e City, que realmente têm tudo para desafiar o domínio europeu recentemente estabelecido por Real Madrid, Barcelona e Bayern, a história do Napoli é a mais linda, é a mais raiz.

Eu cresci tendo na Juventus o meu “time da Europa”. Torcia muito, de verdade. Era fanático. Em uma era pré-Internet, ia atrás de informações de todos os modos, aprendi a falar italiano, queria morar em Turim (que erro!). Meu pai, só de farra, resolveu “virar” torcedor do Napoli. Nos primeiros anos, ele se deu bem. Eram os anos de Maradona e dos únicos dois títulos italianos da história do Napoli. Depois disso, logicamente, a Juve continuou sendo o que sempre foi: uma máquina de títulos.

Eu perdi o entusiasmo quando comecei a trabalhar com esporte e acompanhar o futebol com outros olhos. Tenho uma linda camisa 8 que me foi presenteada por Emerson, em 2006. Sigo gostando da Juve, mas não como antes.

Hoje, me flagro torcendo contra a Juventus e a favor do Napoli. Se forem campeões, comprarei uma camisa azul para meu pai. Promessa feita.

 


Ingleses dominam mercado de inverno na Europa. Quem se deu melhor?
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Julio Gomes

O mercado de inverno europeu deu sequência à gastança que vimos no verão. Grandes negócios foram fechados, com volumes monstruosos de dinheiro, mesmo entre clubes médios e pequenos. O mercado foi especialmente interessante na Inglaterra.

Quem se deu bem? Quem se deu mal?

Espanha

O Real Madrid, apesar da crise, ficou quieto no mercado, não achou que fosse necessário se reforçar. É claro que o silêncio de Zidane no mercado será lembrado se o Real for eliminado pelo PSG e a temporada “acabar”.

O Barcelona, humilhado no verão, fez a maior contratação do inverno ao trazer Philippe Coutinho. Como o futebol é dinâmico! Chegou também Mina. Saíram Mascherano, Rafinha (Inter) e os pouco usados Arda Turan e Deulofeu.

O Atlético de Madri ganhou os já conhecidos reforços de Diego Costa e Vitolo, que já estavam contratados, mas só poderiam jogar a partir de janeiro. O clube só não esperava estar fora da Champions, da Copa do Rei e com chances remotas na Liga a essas alturas. O Valencia, que vive grande temporada, trouxe Vietto e Coquelin e deve se manter no G4 para voltar à Champions. O Sevilla levou Guilherme Arana.

Inglaterra

O Manchester United e o Arsenal parecem ser os grandes vencedores do mercado de inverno. A troca “seca” Alexis Sánchez-Mkhitaryan fez com que o United ganhasse um jogador diferenciado sem gastar, e além de tudo, o chileno pode jogar a Champions. O Arsenal não ficou de mãos abanando.

Saíram Giroud e Walcott, mas Wenger conseguiu renovar o contrato de Ozil e ainda trouxe Aubameyang, do Borussia Dortmund. Se o treinador conseguir encaixar no time Lacazette, Aubameyang, Ozil e Mkhitaryan, pode dar samba.

Liverpool e Manchester City investiram em zagueiros (Van Dijk e Laporte), um porque não parava de levar gols, o outro porque Guardiola percebeu que não pode contar com Mangala, Stones e Kompany. Como a defesa fica constantemente exposta, Pep foi buscar um zagueiro que é muito bom na leitura de jogadas e antecipações.

Mas nenhum dos dois conseguiu tirar Mahrez do Leicester. O Liverpool, que perdeu Coutinho, foi o derrotado do mercado, logicamente. O Chelsea mandou Batschuayi emprestado para o Dortmund e trouxe o lateral brasileiro Emerson, além de Giroud e Barkley – o que não deve mudar a formação titular de meio/ataque. O Tottenham trouxe Lucas Moura, um bom reforço para completar elenco.

Outros países

O PSG perdeu apenas Lucas e trouxe Lass Diarra (lembra dele?) para compor elenco em uma posição em que o titular, Thiago Motta, vive machucado.

O Borussia Dortmund conseguiu uma boa venda com Aubameyang, trouxe Batschuayi e investiu no zagueiro Akanji, do Basel. O Bayern de Munique foi outro gigante quieto no mercado, trouxe apenas o veterano Sandro Wagner para o ataque.

A Juventus, assim como o Real Madrid, não trouxe nem perdeu ninguém. A disputa com o Napoli pelo título italiano será travada com os mesmos protagonistas da atualidade.


O que fará Tite se Fernandinho continuar jogando assim?
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Julio Gomes

O meio de campo titular da seleção brasileira da era Tite está escalado: Casemiro, Paulinho e Renato Augusto.

Fernandinho é um coringa que pode entrar por ali e que parece ser o reserva imediato para os três. Mas o que fará Tite se Fernandinho continuar jogando o que está jogando no Manchester City?

Está cada vez mais difícil imaginar um time, qualquer que seja, sem ele. Qualquer time ou até qualquer seleção. Fernandinho está em uma hipotética “seleção mundial” de 2017, sem sombra de dúvida.

É uma peça fundamental no time mais quente da Europa, o Manchester City. Pep Guardiola não se cansa de elogiar o brasileiro e, durante a vitória fácil sobre o Watford, nesta terça, debaixo de chuva, aplaudiu seu jogador com braços esticados para cima, pedindo ao estádio para que entendesse a grandeza do jogo de Fernandinho.

Guardiola, aliás, que jogava muito, disse que seria reserva nesse time do City. Por causa de Fernandinho.

Sua presença no meio de campo, à frente (às vezes ao lado) dos zagueiros, limpando tudo, permite ao time jogar com toda sua força ofensiva. Sterling e Sané pelos lados, Silva e De Bruyne na armação, Aguero (ou Jesus) à frente.

É a chave que permite ao time ser sólido na defesa e criar maiorias e volume no ataque.

Lembra muito o papel de facilitador de Marcos Senna fez na seleção espanhola de 2008, campeã da Euro (o embrião de tudo o que viria). Com Senna, a Espanha podia jogar com Xavi, Iniesta, Silva, Torres e Villa. Busquets também faz um papel mais ou menos assim no Barcelona, e mesmo Casemiro no Real Madrid.

Mas Fernandinho seja talvez um jogador de melhor passe e mais importante para determinar a velocidade do time em campo – às vezes mais lento, às vezes acelerando.

Tite já comentou e pensa em uma formação com Casemiro e Fernandinho juntos. Neste desenho, no entanto, Philippe Coutinho jogaria por dentro, com Neymar e Willian abertos, sairiam do time Paulinho e Renato Augusto. Seria um 4-2-3-1 puro, diferente do 4-1-4-1 atual.

Mas como tirar Paulinho do time? É outro que está jogando muito e tem uma chegada ao ataque rara entre meio campistas, além da força na bola aérea. Com Casemiro, Fernandinho e Paulinho, o time pode ficar defensivo demais. Se Fernandinho jogar como joga no City, Casemiro teria de adiantar posição, o que também não parece uma grande opção.

Enfim.

Fica para Tite quebrar a cabeça e tomar as decisões.

Mas, do jeito que Fernandinho está jogando, e nada indica que seu nível cairá neste semestre, vai ser difícil deixá-lo fora da seleção que estreará na Copa da Rússia.