Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Manchester City

Guardiola leva primeiro título da temporada europeia. Levará o último?
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Julio Gomes

Pouco mais de um ano e meio após chegar ao Manchester City, Pep Guardiola levantou neste domingo seu primeiro troféu pelo clube. Com os fáceis e contundentes 3 a 0 sobre o Arsenal, em Wembley, o City conquistou a Copa da Liga Inglesa.

Não é o título mais importante da temporada. Pelo contrário, é o menos importante. Na Inglaterra, assim como na França ou em Portugal, os clubes jogam também a tal Copa da Liga, além da Copa do país. Nestes países, são três as competições domésticas – na Espanha, Itália ou Alemanha são apenas duas.

É uma competição em que são utilizados muitos reservas nas fases iniciais. Mas, na hora em que grandes clubes se encontram ou quando chega a decisão, aí ninguém quer perder. Guardiola mandou tudo o que tinha de bom para cima do Arsenal. E tudo o que o City tem de bom é muito melhor do que o que o Arsenal tem de bom.

Foi um passeio. Um massacre. O Arsenal praticamente não teve chances contra um City jogando o fino da bola. Gol de Aguero, Kompany e David Silva mataram a final.

Boa notícia também a volta de Gabriel Jesus, que entrou em campo pela primeira vez em 2018 nos minutos finais. Má notícia a lesão de Fernandinho, que saiu de campo machucado. Talvez seja desfalque para Tite nos amistosos de março contra Rússia e Alemanha.

Vamos esquecer as Supercopas, que apenas abrem oficialmente as temporadas no verão europeu. E levar em conta os cinco países mais importantes da Uefa. Com este filtro, este foi o primeiro título da temporada.

O Manchester City é o primeiro clube das grandes ligas europeias a levantar um troféu.

O último clube campeão da temporada sairá em 26 de maio, em Kiev, Ucrânia, quando será disputada a final da Liga dos Campeões da Europa.

Neste momento, pelas cotações das casas de apostas, o City, de Guardiola, é o principal favorito a levantar este troféu também. Troféu que Guardiola levantou pela segunda e última vez em 2011, no mesmo Wembley em que levantou a Copa da Liga hoje.

O homem ganhou sete das oito finais que disputou como técnico. Dez anos após o início dos investimentos gigantescos com dinheiro dos Emirados Árabes Unidos, o clube se acostumou a chegar e ganhar. O time está voando em todos os setores, jogando o futebol mais ofensivo e bacana de se ver na Europa. A comunhão entre treinador e comandados é nítida. O título da Premier League, que será o segundo da temporada, é só questão de tempo.

Alguém duvida que o City de Guardiola fechará a temporada do mesmo jeito que fechou hoje a Copa da Liga?

 

 

 


Mourinho perdeu de vez a vergonha de estacionar seus ônibus
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Julio Gomes

Após a inédita classificação de cinco times para as oitavas de final e as sonoras goleadas aplicadas por Manchester City e Liverpool fora de casa, semana passada, a moda foi falar da força dos ingleses na Liga dos Campeões da Europa.

Mas se é verdade que, além dos já citados acima, o Tottenham tem uma bela vantagem contra a Juventus (2 a 2 na ida em Turim), Chelsea e Manchester United saem dos jogos de ida das oitavas de final em situação não tão confortável.

E foram eles justamente os ingleses que enfrentaram nesta semana clubes da Espanha, o país líder do ranking da Uefa.

O Chelsea, na terça, ficou no 1 a 1 com o Barcelona, em casa. Vai ter de buscar o resultado no Camp Nou, na segunda semana de março. E o Manchester United, nesta quarta, foi completamente dominado pelo Sevilla e precisa levantar as mãos aos céus por ter saído da Andaluzia com um 0 a 0.

Foram 25 finalizações do Sevilla, 8 delas exigindo defesas de De Gea (uma delas, no final do primeiro tempo, simplesmente milagrosa). Pelos lados do United, apenas 6 finalizações, só uma a gol. Sim, Mourinho nunca teve e segue sem ter vergonha alguma de buscar resultados desta forma pragmática. O que não dá para entender é fazê-lo com um elenco como este do United.

Estacionar o ônibus em Sevilha, contra um time que nem está tão certinho assim, trocou de técnico recentemente… é muito pouco para um clube do tamanho do United.

Ainda assim, o 0 a 0 não garante nada. O Sevilla jogará por qualquer empate com gols na volta, em Manchester. E viajará com a certeza de poder encarar o United de igual para igual.

O Barcelona tem a vantagem de jogar em casa contra o Chelsea, ter mais time e poder se classificar com um 0 a 0. O Sevilla tem a vantagem de ir a Manchester jogando por dois resultados. Sem dúvida, os times de Conte e Mourinho são os ingleses em pior situação.

Desde o título do Chelsea, em 2012, os clubes ingleses nunca mais passaram perto de ganhar o título da Champions. Nas cinco temporadas desde então, a Espanha colocou sempre três times nas quartas de final e dois nas semifinais.

Nas últimas nove temporadas, foram três títulos do Real Madrid, três do Barcelona e os outros três foram divididos entre alemães, italianos e ingleses. No mesmo período, Sevilla e Atlético de Madrid ganharam, entre eles, cinco Europa Leagues. Esta década é da Espanha, sem a menor sombra de dúvidas.

Entre 2007 e 2009, a Inglaterra sempre colocou três times nas semifinais – e em dois destes torneios colocou quatro nas quartas de final. Com a força da Premier League e o dinheiro fluindo, a impressão era que a Europa voltaria a ser coisa de ingleses, como ocorrera no fim dos anos 70, começo dos 80.

Mas o domínio de mais ou menos dez anos atrás não se confirmou. E é simplista dizer que isso não ocorreu apenas por causa da força de Real e Barça. Duas explicações corriqueiras são o calendário inglês, mais extenuante que o espanhol, o alemão e o italiano, e a competitividade maior na Premier League, o que dá menos “folga” para os principais times.

Enfim. É fato que os clubes ingleses parecem mais fortes neste ano do que nos anteriores. Mas não é surpresa nem que haja uma final inglesa e nem que nenhum deles chegue às semifinais. Convém esperar.

 


Conseguirão os “novos ricos” PSG e City mudar o status quo da Champions?
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Julio Gomes

É a batalha do velho contra o novo. A tradição histórica de grandes títulos contra o fenômeno recente bancado por dinheiro estrangeiro. A Liga dos Campeões da Europa volta nesta terça-feira para a fase de mata-mata, com os jogos de ida das oitavas de final. E o que todo mundo quer saber é: será que Paris Saint-Germain e Manchester City serão capazes de quebrar o domínio construído por Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique?

Não teremos uma resposta definitiva nesta semana. Mas ela começa a ser construída agora.

Lá se vão dez anos desde a última final de Champions sem a presença de um destes três (Moscou-2008) – desde então, Real Madrid e Barcelona ganharam as três finais que disputaram, e o Bayern, que também chegou a três finais, ganhou uma e perdeu duas. Temos de voltar a 2011 para encontrar uma fase de quartas de final sem a presença dos três. Desde então, três das semifinais tiveram todos eles.

Já PSG e City ainda lutam para chegar a sua primeira final.

O PSG havia sido campeão francês pela última vez em 94 quando, em 2011, foi comprado pelo dinheiro do Catar. Desde então, ganhou quatro vezes o título na França (ganhará pela quinta vez este ano), mas não conseguiu superar a barreira das quartas de final na Europa – o clube chegou a uma semi de Champions em 95, nos tempos de Weah e Raí.

Já o Manchester City, comprado por dinheiro dos Emirados Árabes em 2008, foi capaz de chegar à semifinal europeia em 2016, mas esta foi a única boa campanha internacional – domesticamente, o clube ganhou duas Premier Leagues e caminha para a terceira. O City havia sido campeão inglês pela última vez em 68 e chegou a frequentar a terceira divisão nos anos 90.

PSG e City não são clubes sem torcida ou tradição. Apenas nunca foram clubes capazes de dominar o futebol de seu país e muito menos fazer cócegas na Europa. Isso só é possível agora porque os talões de cheque dos sheiks árabes são gordos e com fundos ilimitados.

O mesmo aconteceu com o Chelsea, o primeiro dos ricaços fabricados artificialmente. No caso, o dinheiro era russo. Como a compra do clube ocorreu em 2003, já até nos acostumamos. O Chelsea era maior e mais tradicional que o City, até por estar em uma área rica de Londres, mas também não vencia o Inglês desde 55. Com o dinheiro russo, ganhou cinco vezes a Premier e conquistou a Champions em 2012, justos dez anos após vira “novo rico”.

Se dez anos é o prazo necessário de investimentos para conquistar o continente, chegou a vez do City, de Guardiola. E o PSG, de Neymar, ainda terá de esperar mais três aninhos.

O City abre as oitavas de final nesta terça jogando na Suíça, contra o Basel. É uma das barbadas desta fase, e o ex-primo pobre de Manchester deve chegar às quartas de final pela segunda vez em sua história.

O outro jogo da terça reúne Juventus e Tottenham, com partida de ida na Itália. A Juve, finalista em duas das últimas três Champions, é forte candidata de novo. E está voando, com 11 vitórias seguidas pelo Italiano e Copa da Itália. Mas tem desfalques importantes e será uma pedreira a eliminatória contra um Tottenham que vem de ótimas temporadas e que vive seu melhor momento na atual. Não perde há 12 jogos, desde que dois meses atrás foi goleado pelo City.

Todas as atenções estão voltadas, no entanto, para o duelo de quarta-feira entre Real Madrid e PSG, com jogo de ida na Espanha.

Porque é o duelo que representa essa batalha do gigante tradicional contra o ex-pequen00o que virou grande e sonha com voos bastante altos. O duelo entre o 12 vezes campeão da Europa e o zero vezes campeão da Europa. A presença de Cristiano Ronaldo e Neymar em campo dá rostos a este duelo – também é um encontro entre quem já é (CR7, dono de cinco Bolas de Ouro) e quem quer ser (Neymar).

Com a primeira partida no Bernabéu, onde o Real tropeçou em simplesmente a metade de seus jogos em casa na temporada, a responsabilidade é toda do atual campeão. Não vencer significará ficar com a vida dura demais para a volta, em Paris.

 


Os ricaços que me desculpem, mas o Napoli é a grande história da Europa
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Julio Gomes

PSG, City. City, PSG. Neymar, Guardiola. Guardiola, Neymar. Dólares. Euros. Libras. Qualidade.

Napoli. Pizza. Maradona. Paixão. Loucura. Qualidade.

Nomes próprios trazem “sinônimos” diversos, ainda que alguns sejam comuns a eles.

Se estamos falando há meses dos que parecem ser dois dos melhores times da Europa, o PSG e o Manchester City, é porque o dinheiro fez com que isso fosse possível. O PSG foi comprado pelo Qatar. Isso mesmo, o país. O Qatar comprou o time de Paris. O City foi comprado pelos Emirados Árabes Unidos. Dinheiro de famílias reais. Que patrocinam algumas coisas não tão louváveis assim pelo mundo.

Não vou ser poliana. Muito dinheiro jogado em futebol é geralmente fruto de picaretagem e exploração. E isso não acontece só nesses dois clubes. Acontece em vários lugares.

Mas, por serem clubes de uma história pouco (ou quase nada) vencedora antes desses aportes, fica uma percepção de artificialidade. Muita qualidade. Muita bola. Muita gente top do futebol mundial. Não temos por que não admirar. O difícil é amar.

Paixão está em Nápoles.

O Napoli estava quebrado em 2004. Quebrado. Falido. Foi resgatado pelo produtor de cinema Aurelio De Laurentiis, o atual presidente. Que vá lá, não é flor que se cheire, tem sobre ele acusações de lavagem de dinheiro, etc. Mas caramba, estamos falando do clube que representa todo o Sul (pobre) da Itália. O Napoli não podia simplesmente deixar de existir.

Depois de passar pela terceira e segunda divisões, o Napoli voltou. Nesta década, nos últimos sete campeonatos, ficou sempre entre os cinco primeiros. Passou a ser figura constante na Champions League. Ganhou duas Coppas Itália. Só falta realmente o título da Série A. E a hora é agora.

Após 24 rodadas, o Napoli soma 63 pontos. São 20 vitórias, 3 empates e apenas a derrota em casa, justamente para a Juventus. A toda-poderosa hexacampeã italiana tem 62 pontos. Já são sete rodadas seguidas com os dois times ganhando seus jogos. Mas a desse fim de semana de Carnaval, a 24ª rodada, foi especial.

Especial porque a Juventus ganhou na sexta-feira em Florença, um estádio difícil, um jogo sofrido, em que a Fiorentina teve inúmeras chances de sair na frente do placar. Especial porque o Napoli, pressionado, jogou contra a terceira colocada, a Lazio, e saiu perdendo logo de cara. Parecia ser o fim. A rodada que, a priori, poderia ser de tropeço juventino e vitória napolitana, ia se transformando na rodada de pesadelo para o Napoli.

Mas quem joga bola, joga bola. E o Napoli, com o futebol leve e envolvente promovido pelo surpreendente técnico Maurizio Sarri, virou para 4 a 1 para cima da Lazio. Voltou à liderança e mandou o recadinho para a Juventus. “Siamo qui”. Estamos aqui.

Mesmo a quilômetros de distância, separado por um oceano, foi possível sentir pela TV o clima do estádio San Paolo. É comoção pura.

Se é verdade que o confronto do segundo turno entre eles será em Turim e o Napoli ainda enfrentará Milan e Inter fora, a Juventus está envolvida com Champions League, Coppa Itália e jogará fora contra Lazio, Roma e Inter. Tem muita água para rolar.

Mas o fato é que o Napoli é a grande história a ser seguida nesta temporada.

Com todo respeito aos investimentos de PSG e City, que realmente têm tudo para desafiar o domínio europeu recentemente estabelecido por Real Madrid, Barcelona e Bayern, a história do Napoli é a mais linda, é a mais raiz.

Eu cresci tendo na Juventus o meu “time da Europa”. Torcia muito, de verdade. Era fanático. Em uma era pré-Internet, ia atrás de informações de todos os modos, aprendi a falar italiano, queria morar em Turim (que erro!). Meu pai, só de farra, resolveu “virar” torcedor do Napoli. Nos primeiros anos, ele se deu bem. Eram os anos de Maradona e dos únicos dois títulos italianos da história do Napoli. Depois disso, logicamente, a Juve continuou sendo o que sempre foi: uma máquina de títulos.

Eu perdi o entusiasmo quando comecei a trabalhar com esporte e acompanhar o futebol com outros olhos. Tenho uma linda camisa 8 que me foi presenteada por Emerson, em 2006. Sigo gostando da Juve, mas não como antes.

Hoje, me flagro torcendo contra a Juventus e a favor do Napoli. Se forem campeões, comprarei uma camisa azul para meu pai. Promessa feita.

 


Ingleses dominam mercado de inverno na Europa. Quem se deu melhor?
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Julio Gomes

O mercado de inverno europeu deu sequência à gastança que vimos no verão. Grandes negócios foram fechados, com volumes monstruosos de dinheiro, mesmo entre clubes médios e pequenos. O mercado foi especialmente interessante na Inglaterra.

Quem se deu bem? Quem se deu mal?

Espanha

O Real Madrid, apesar da crise, ficou quieto no mercado, não achou que fosse necessário se reforçar. É claro que o silêncio de Zidane no mercado será lembrado se o Real for eliminado pelo PSG e a temporada “acabar”.

O Barcelona, humilhado no verão, fez a maior contratação do inverno ao trazer Philippe Coutinho. Como o futebol é dinâmico! Chegou também Mina. Saíram Mascherano, Rafinha (Inter) e os pouco usados Arda Turan e Deulofeu.

O Atlético de Madri ganhou os já conhecidos reforços de Diego Costa e Vitolo, que já estavam contratados, mas só poderiam jogar a partir de janeiro. O clube só não esperava estar fora da Champions, da Copa do Rei e com chances remotas na Liga a essas alturas. O Valencia, que vive grande temporada, trouxe Vietto e Coquelin e deve se manter no G4 para voltar à Champions. O Sevilla levou Guilherme Arana.

Inglaterra

O Manchester United e o Arsenal parecem ser os grandes vencedores do mercado de inverno. A troca “seca” Alexis Sánchez-Mkhitaryan fez com que o United ganhasse um jogador diferenciado sem gastar, e além de tudo, o chileno pode jogar a Champions. O Arsenal não ficou de mãos abanando.

Saíram Giroud e Walcott, mas Wenger conseguiu renovar o contrato de Ozil e ainda trouxe Aubameyang, do Borussia Dortmund. Se o treinador conseguir encaixar no time Lacazette, Aubameyang, Ozil e Mkhitaryan, pode dar samba.

Liverpool e Manchester City investiram em zagueiros (Van Dijk e Laporte), um porque não parava de levar gols, o outro porque Guardiola percebeu que não pode contar com Mangala, Stones e Kompany. Como a defesa fica constantemente exposta, Pep foi buscar um zagueiro que é muito bom na leitura de jogadas e antecipações.

Mas nenhum dos dois conseguiu tirar Mahrez do Leicester. O Liverpool, que perdeu Coutinho, foi o derrotado do mercado, logicamente. O Chelsea mandou Batschuayi emprestado para o Dortmund e trouxe o lateral brasileiro Emerson, além de Giroud e Barkley – o que não deve mudar a formação titular de meio/ataque. O Tottenham trouxe Lucas Moura, um bom reforço para completar elenco.

Outros países

O PSG perdeu apenas Lucas e trouxe Lass Diarra (lembra dele?) para compor elenco em uma posição em que o titular, Thiago Motta, vive machucado.

O Borussia Dortmund conseguiu uma boa venda com Aubameyang, trouxe Batschuayi e investiu no zagueiro Akanji, do Basel. O Bayern de Munique foi outro gigante quieto no mercado, trouxe apenas o veterano Sandro Wagner para o ataque.

A Juventus, assim como o Real Madrid, não trouxe nem perdeu ninguém. A disputa com o Napoli pelo título italiano será travada com os mesmos protagonistas da atualidade.


O que fará Tite se Fernandinho continuar jogando assim?
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Julio Gomes

O meio de campo titular da seleção brasileira da era Tite está escalado: Casemiro, Paulinho e Renato Augusto.

Fernandinho é um coringa que pode entrar por ali e que parece ser o reserva imediato para os três. Mas o que fará Tite se Fernandinho continuar jogando o que está jogando no Manchester City?

Está cada vez mais difícil imaginar um time, qualquer que seja, sem ele. Qualquer time ou até qualquer seleção. Fernandinho está em uma hipotética “seleção mundial” de 2017, sem sombra de dúvida.

É uma peça fundamental no time mais quente da Europa, o Manchester City. Pep Guardiola não se cansa de elogiar o brasileiro e, durante a vitória fácil sobre o Watford, nesta terça, debaixo de chuva, aplaudiu seu jogador com braços esticados para cima, pedindo ao estádio para que entendesse a grandeza do jogo de Fernandinho.

Guardiola, aliás, que jogava muito, disse que seria reserva nesse time do City. Por causa de Fernandinho.

Sua presença no meio de campo, à frente (às vezes ao lado) dos zagueiros, limpando tudo, permite ao time jogar com toda sua força ofensiva. Sterling e Sané pelos lados, Silva e De Bruyne na armação, Aguero (ou Jesus) à frente.

É a chave que permite ao time ser sólido na defesa e criar maiorias e volume no ataque.

Lembra muito o papel de facilitador de Marcos Senna fez na seleção espanhola de 2008, campeã da Euro (o embrião de tudo o que viria). Com Senna, a Espanha podia jogar com Xavi, Iniesta, Silva, Torres e Villa. Busquets também faz um papel mais ou menos assim no Barcelona, e mesmo Casemiro no Real Madrid.

Mas Fernandinho seja talvez um jogador de melhor passe e mais importante para determinar a velocidade do time em campo – às vezes mais lento, às vezes acelerando.

Tite já comentou e pensa em uma formação com Casemiro e Fernandinho juntos. Neste desenho, no entanto, Philippe Coutinho jogaria por dentro, com Neymar e Willian abertos, sairiam do time Paulinho e Renato Augusto. Seria um 4-2-3-1 puro, diferente do 4-1-4-1 atual.

Mas como tirar Paulinho do time? É outro que está jogando muito e tem uma chegada ao ataque rara entre meio campistas, além da força na bola aérea. Com Casemiro, Fernandinho e Paulinho, o time pode ficar defensivo demais. Se Fernandinho jogar como joga no City, Casemiro teria de adiantar posição, o que também não parece uma grande opção.

Enfim.

Fica para Tite quebrar a cabeça e tomar as decisões.

Mas, do jeito que Fernandinho está jogando, e nada indica que seu nível cairá neste semestre, vai ser difícil deixá-lo fora da seleção que estreará na Copa da Rússia.

 


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Explosão do mercado foi a grande notícia do futebol em 2017
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Julio Gomes

Quando o Paris Saint-Germain depositou os 222 milhões de euros por Neymar, pagando ao Barcelona a multa rescisória, muitos viram aquele movimento como uma aberração do mercado. Uma distorção que só poderia ocorrer porque o PSG é um clube que na prática, pertence a um país – o Catar.

Mas é importante notar que o último mercado do verão europeu teve muitas outras transferências que implodiram recordes e mostraram que o que existe mesmo é uma tendência. O próprio Barcelona usou o dinheiro para pagar 105 milhões por Dembélé, do Borussia Dortmund, de apenas 20 anos, e 40 a um clube da China para trazer Paulinho.

Tiveram os 85 milhões pagos pelo Manchester United por Lukaku. E tantos outros negócios com volumes enormes de dinheiro. Morata do Real para o Chelsea, o Manchester City gastando centenas de milhões para trazer goleiro e laterais, a injeção de dinheiro no Milan, etc. O próprio PSG já se comprometeu a pagar outros 180 milhões de euros no meio do ano que vem ao Monaco para ter Mbappé, que por enquanto chegou por empréstimo.

De acidente, não tem nada.

A explosão do mercado foi a grande notícia do futebol em 2017. Com todo respeito ao bi europeu do Real Madrid, ao Chelsea de Conte, ao Grêmio de Renato Gaúcho, ao Corinthians de Carille e até à eliminação da gigante Itália da próxima Copa do Mundo.

Nada, no planeta bola, foi mais relevante do que a onda de transferências gigantescas.

A economia reaquece em alguns lugares da Europa, os clubes ganham mais e mais dinheiro globalmente, não apenas localmente, e existe uma corrida insana sendo disputada. O tal Fair Play financeiro foi o grande derrotado do ano e não parece passar de mais do que conversinha para boi dormir.

É uma corrida que vai ampliando o abismo dentro da própria Europa entre alguns gigantes nacionais e outros clubes menores. O que dizer então do abismo entre os gigantes da Europa e os clubes da América do Sul? Esse extremo fortalecimento e as quantias exorbitantes deixam a Champions League cada vez mais espetacular. Mas geram degradação esportiva das ligas domésticas europeias.

Precisamos ver no que vai dar.

Mas o movimento de final de ano já nos mostra que a tendência é irreversível. Nesta semana mesmo, o Liverpool anunciou a contratação do zagueiro mais caro da história. Não, não é o Baresi nem o Gamarra nem o Maldini nem o Sergio Ramos. O Liverpool pagou 75 milhões de libras (330 milhões de reais) pelo holandês Virgil Van Dijk, de 26 anos, do Southampton.

Estaria o Liverpool já contanto com um dinheiro que receberá por Philippe Coutinho? Tudo bem que a defesa do Liverpool é uma peneira e tanto. Mas 75 milhões de libras?? Uau.

É possível que o Barça finalmente consiga contratar Coutinho em janeiro ou no meio do ano e é plausível imaginar que o valor supere o pago pelo PSG por Neymar, virando a maior venda da história.

Ainda tem o climão de Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Quanto algum clube do mundo poderia pagar por ele?

Em 2018, teremos Copa do Mundo. Teremos a Libertadores com maior número de campeões na história. Teremos PSG x Real Madrid logo de cara, nas oitavas de final da Champions. Veremos e falaremos de muito futebol.

Mas, se preparem. Grandes manchetes voltarão a ser abocanhadas pelo tresloucado mercado da bola.

 


Após sorteio, City vira o maior favorito da Champions; Real cai para 5º
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Julio Gomes


Após a realização do sorteio dos confrontos de oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, o Manchester City, de Pep Guardiola, transformou-se no principal favorito a ganhar o título continental. Pelo menos é o movimento que ocorreu nas casas de apostas pelo mundo.

O Real Madrid, atual bicampeão, era o maior favorito quando as apostas foram abertas, antes mesmo do início da Champions. E hoje, depois do sorteio que emparelhou o time de Zidane contra o PSG nas oitavas, passou a ser somente o quinto colocado na lista de favoritos ao título. É claro que, além do sorteio, os supercomputadores levam em conta os resultados inconsistentes do Real até agora na temporada – no Campeonato Espanhol, por exemplo, é só o quarto colocado.

O Manchester City foi o grande “sortudo” do dia ao ser emparelhado para enfrentar o Basel, da Suíça, nas oitavas. Líder disparado da Premier League inglesa e com apenas uma derrota na temporada, o time de Gabriel Jesus e Fernandinho é o maior favorito para passar às quartas de final.

Leia também no blog:
PSG x Real Madrid: será que o estagiário vai derrubar o chefe?

Logicamente, os resultados impressionantes até agora e essas probabilidades foram calculados pelos algoritmos das casas de apostas, diminuindo muito o valor pago para quem acreditar no título do City. Hoje, quem apostar (e acertar) no título do City tem um retorno de 4 para 1. Ou seja, para cada real (ou dólar ou euro ou a moeda que seja) apostado, o ganhador leva quatro de volta. Em nenhum momento da temporada o valor foi tão baixo para qualquer time na Champions. A lista completa está abaixo neste post*.

Quando o torneio começou, em setembro, o principal favorito era o Real Madrid. Na época, o retorno era de 5,50 para 1 em caso de título. Na sequência, vinham Barcelona (7 para 1), PSG (7 para 1) e Bayern (8 para 1). O City era apenas o quinto favorito, ao lado do Manchester United (13 para 1).

Antes do sorteio desta segunda-feira e após a realização da primeira fase, o PSG havia subido para o topo da lista de favoritos. Até ontem, o título do time de Neymar pagava 4,50 para 1. Na sequência, vinham City (5,50), Real (7), Barça (7) e Bayern (8).

Após o emparelhamento de oitavas de final, o retorno em caso de título do Manchester City caiu de 5,50 para 4 para 1. O Bayern de Munique, que enfrentará o Besiktas e já lidera a Bundesliga com folga, tornou-se o segundo favorito. O retorno caiu de 8 para 5,50 para 1 em caso de conquista alemã. Já o título do PSG subiu de cotação e passou a pagar 6 para 1, e o Real Madrid transformou-se apenas no quinto favorito a ficar com o título (9 para 1). Nunca, desde que as apostas foram abertas, se pagou tanto pela possibilidade de título do Real.

Como logicamente os retornos vão caindo de fase para fase, com o afunilamento do torneio, é plausível acreditar que este é o melhor momento possível para apostar em título do Real Madrid – caso o apostador ache que a terceira conquista seguida virá. Até porque conforme investidores observem aqui uma boa oportunidade e façam apostas, o valor de retorno vai caindo.

Por exemplo. Assim que saiu o sorteio, a vitória do Real Madrid sobre o PSG no jogo de ida, que será em Madri, pagava 2,25 para 1. Neste momento em que o post é publicado, esta cotação já havia caído para 2,10 para 1.

O título do Chelsea, emparelhado contra o Barcelona, pagaria para quem apostar hoje 34 para 1 (era 21 para 1 antes do sorteio). A maior zebra do torneio é o Basel, da Suíça – 401 para 1 em caso de título (boa sorte!).

Os jogos de IDA de oitavas de final:

13/2
Basel x Manchester City
Juventus x Tottenham

14/2
Real Madrid x PSG
Porto x Liverpool

20/2
Chelsea x Barcelona
Bayern de Munique x Besiktas

21/2
Sevilla x Manchester United
Shakhtar Donetsk x Roma

Retorno em caso de título da Champions (entre parênteses, a cotação antes do início do torneio):

Manchester City – 4 para 1 (13)
Bayern de Munique – 5,50 (8)
Paris Saint-Germain – 6 (7)
Barcelona – 8,50 (7)
Real Madrid – 9 (5,50)
Manchester United – 15 (12)
Liverpool – 15 (29)
Juventus – 17 (21)
Tottenham – 23 (34)
Chelsea – 34 (17)
Roma – 34 (101)
Sevilla – 101 (101)
Porto – 101 (126)
Shakhtar – 101 (251)
Besiktas – 201 (251)
Basel – 401 (501)

* fonte utilizada: Bet365

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PSG x Real Madrid: será que o estagiário vai derrubar o chefe?
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Julio Gomes

Aconteceu o que todo mundo queria, menos os envolvidos. Paris Saint-Germain e Real Madrid vão se enfrentar logo nas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa.

O Paris ganhou seu grupo, que tinha o Bayern, para enfrentar o pior segundo colocado possível. O Bayern, curiosamente, enfrentará o melhor primeiro colocado possível: o Besiktas, da Turquia.

O Bayern e o Manchester City, que enfrentará o Basel, da Suíça, são os dois mega favoritos das oitavas de final, os grandes “sortudos” da manhã desta segunda-feira. Manchester United, contra o Sevilla, Liverpool, que pega o Porto, e Roma, contra o Shakhtar, são favoritos, mas em duelos perigosos.

E não é possível apontar favoritos em dois duelos bem equilibrados: Tottenham x Juventus e Barcelona x Chelsea. São jogões. E vamos lembrar, em fevereiro/março os times poderão estar diferentes do que estão hoje.

Mas nada chama tanta a atenção como PSG x Real Madrid.

É simbólico, porque temos o duelo entre o chefe e aspirante. O clube mais vezes campeão da Europa, o único bicampeão da era Champions, a camisa mais pesada do mundo, contra o clube multimilionário que quer entrar no clubinho de campeões.

Eu entendo que todo mundo esteja dizendo que o PSG deu muito azar no sorteio. E deu mesmo! Mas o Real Madrid também, viu. Este é um duelo 50-50 e, neste início de temporada, o PSG está mostrando mais futebol. Outra coisa é quando chegar a hora H.

É claro que o PSG não queria enfrentar o Real Madrid nas oitavas de final. Seria inevitável enfrentar uma pedreira em algum momento, mas muito melhor que fosse mais para o fim, que o PSG tivesse tempo para construir um momento e um time mais equilibrado defensivamente no terço final da temporada.

Por outro lado, e se o PSG ganhar do Real Madrid? Aí terá, bem cedo, mostrado para o mundo e para si mesmo que pode ganhar de qualquer um. Se vencer o Real nas oitavas, o PSG não terá nenhum obstáculo maior, pelo menos simbolicamente, pela frente.

Individualmente, é também o duelo entre Cristiano Ronaldo e Neymar. O melhor do mundo, dono da Bola de Ouro, contra o que quer ser um dia.

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Estas são as oitavas da Champions:

Tottenham x Juventus
Manchester City x Basel
Liverpool x Porto
Manchester United x Sevilla
PSG x Real Madrid
Roma x Shakhtar Donetsk
Barcelona x Chelsea
Besiktas x Bayern

Meus palpites, HOJE. Passam Juventus, City, Liverpool, United, PSG, Roma, Chelsea e Bayern. Mas em fevereiro conversamos novamente :-)