Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Manchester City

Sorte sorriu para o City na vitória sobre o Liverpool
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Julio Gomes

O Manchester City ganhou do Liverpool por 2 a 1, diminuindo a desvantagem para quatro pontos, tirando a invencibilidade do líder e colocando fogo na Premier League inglesa.

Antes de mais nada, um parênteses. Espero que todos os técnicos e jogadores do Brasil, principalmente os da base, tenham assistido a essa partida. Dois times taticamente perfeitos, agressivos, jogando todas as fases do jogo, sem abdicar de nada. Esse é o futebol que amamos.

A vitória teve mérito, raramente não é assim. Mas teve muito de sorte também.

O City se livrou por um centímetro (para ser mais exato, 11 milímetros) de fazer um gol contra no primeiro tempo. Após tabela maravilhosa entre Salah e Firmino e assistência do egípcio, Mané chutou na trave. Na volta, Stones, zagueiro do City, se apavorou e chutou a bola em cima de Ederson. A bola ia entrando quando o próprio Stones salvou. A tecnologia da linha do gol mostrou que não entrou por isso aí, um centímetro.

Sorte também o fato de Lovren, zagueiro croata supervalorizado, ser do Liverpool, não do City. Foi ele quem teve a velocidade de um mastodonte no final do primeiro tempo e deixou Aguero se antecipar, dominar, girar e fuzilar, sem chance para Alisson. A bola passou no único lugar por onde poderia passar, no pequeno espaço entre o goleiro brasileiro e a trave.

Lovren voltaria a vacilar três vezes no segundo tempo, mas o City não aproveitou. O zagueiro croata é velho, lento, é claramente o ponto fraco de uma defesa que leva poucos gols – o que valoriza ainda mais o outro zagueiro, o holandês Van Dijk.

Ironicamente, após o justo empate do Liverpool, marcado por Firmino (após falha de Danilo no lance), foi Van Dijk, com suas pernas longas, que deu condição de jogo, novamente por um centímetro, para Sterling receber uma boa bola, avançar e dar a assistência para Sane fazer o gol da vitória.

O chute cruzado do alemão bateu na trave e entrou, ao contrário do chute de Mané no primeiro tempo, que bateu na trave e voltou para a área.

No segundo tempo, houve pelo menos dois bate e rebates na área do City, aquelas bolas que podem cair em qualquer pé, mas que acabaram não entrando.

O resultado normal para o jogo seria um empate. O Liverpool fez por merecer e encurralou o City nos 20 minutos finais, coisa muito rara de se ver quando um time comandado por Guardiola está em campo.

Mas, nos detalhes, o jogo caiu para o City, não para o Liverpool. O futebol é assim. Quando dois times se equivalem e fazem bons jogos, o placar final será decidido por um erro, por uma genialidade, por um centímetro para lá ou para cá.

Para o time azul de Manchester, uma noite perfeita. Para o Liverpool, no entanto, não foi um desastre completo. O time mostrou não sentir a pressão, jogou pela vitória e merecia outro resultado. Não amarelou, enfim. Ainda são quatro pontos de vantagem e o sonho de acabar com a seca de 29 anos sem título da Premier mais do que vivo.

 


Time de 2018, Liverpool começa o ano com desafio gigante
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Julio Gomes

O Liverpool foi o grande time de futebol de 2018. E não falo isso naquela de “a última impressão é a que fica”. Não, é a impressão de um ano todo.

Vamos lembrar que, no primeiro semestre, o Liverpool foi até a final da Champions League, eliminando no caminho o Manchester City, de Guardiola, destruidor de todos os recordes na Premier League. Vamos lembrar que é com a camisa do Liverpool que joga Salah, o jogador de um país sem tradição alguma e que ousou se colocar no nível, tanto técnico quanto estatístico, de Cristiano Ronaldo e Messi.

E, claro, vieram a Copa do Mundo e o segundo semestre. A Copa nos mostrou que o futebol de posse de bola se transformou rapidamente no futebol da intensidade e das transições (hoje, passar a defender depois de atacar e atacar depois de defender, as duas transições, para contra atacar e para evitar contra ataques, são mais importantes do que simplesmente atacar ou simplesmente defender).

O Liverpool é o time de futebol do mundo que melhor compreende e executa o futebol do momento, à imagem de seu técnico, o alemão Jurgen Klopp.

Mesmo nos tempos de Borussia Dortmund, Klopp já era um anti-Guardiola de sucesso. Não uma nêmesis do tipo Mourinho, de extremos, criando uma rivalidade agressiva tanto em campo como no discurso. Klopp é um boa gente. Sua rivalidade com Guardiola não se trata de algo pessoal e midiático, mas estratégico.

Só que Klopp, apesar de ser uma pedra no sapato guardiolista, vai agora além dos momentos pontuais em que há um confronto direto. Agora o time de Klopp conseguiu transformar a intensidade em consistência (e tudo isso em um ano em que o Liverpool perdeu Philippe Coutinho).

Se, na temporada passada, o Liverpool era uma espécie de Robin Hood – leão nos jogos contra os outros grandes, gatinho contra os times médios e pequenos, uma verdadeira peneira defensiva -, agora os Reds passaram um turno inteiro sem perder um ponto sequer para um time fora do “big six” (os três maiores de Londres e os dois de Manchester).

O primeiro jogo gigantesco de 2019, hoje à tarde, coloca frente a frente Manchester City x Liverpool.

A percepção geral é que a pressão está toda do lado do time de Guardiola, pois é ele que joga em casa, que está sete pontos atrás e que, se perder, pode dar adeus ao título.

Não vejo assim. A pressão existe para os dois, mas, para mim, é maior para o Liverpool. Porque é o Liverpool que não ganha o Campeonato Inglês desde 1990 (nunca foi campeão na era Premier League e perdeu para o United o posto de maior vencedor do país).

O Liverpool é o raro clube grande europeu (o único, na real) que escolheria ganhar a liga doméstica do que a Champions League. O Liverpool PRECISA ganhar a Premier League neste ano, dado que montou um belo time e chega à metade do campeonato com vantagem considerável.

Se vencer hoje, o Liverpool dará um passo gigante para isso. Mas, e se perder? A vantagem cai para quatro pontos, as interrogações invadem a cabeça, o City ganha muita força e ainda faltará um mundo de 17 jogos. O empate hoje seria ótimo para o Liverpool. Mas será que o time de Klopp jogará pensando nisso? Se conformará com isso?

Não é e nunca foi a característica dos times de Klopp.

Hoje é dia para o Liverpool mostrar toda sua grandeza. Mostrar se esse time, que é quem melhor joga futebol no planeta já há meses, tem o DNA dos campeões. O resultado importa. Mas, a forma, ainda mais.

 


Após 10 anos, Guardiola, afinal, perde o trono
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Julio Gomes

Pep Guardiola surge como treinador de futebol, para os olhos de todos nós, há 10 anos. Um pouquinho mais que isso, para ser mais exato. No meio de 2008, ele assumia, para a surpresa de muitos, o time principal do Barcelona, sucedendo Rijkaard.

E, desde então, firmou-se como o grande gênio da classe.

Não adianta contarmos apenas os títulos para definirmos quem é melhor, isso é puro resultadismo, é tudo o que combato no futebol e na vida. Um golpe de sorte, uma genialidade, um erro, um centímetro – no futebol, qualquer coisa pode definir um título. É analisando desempenho e consistência e ouvindo o que dizem os próprios atletas e pares que fica mais justo apontar melhores e piores, profissionais de sucesso ou nem tanto.

Os times de Guardiola são os melhores do mundo desde que ele passou a brincar dessa coisa de ser técnico. Times com impressão digital, como se fossem um quadro assinado por um maestro, um roteiro de cinema com cada frase e cada take pensados de forma magistral.

Alguns ganharam tudo, outros não. Mas os times que ficam marcados são sempre os dele. As quatro Champions em cinco anos do Real Madrid importam, e muito. Mas, daqui a X anos, lembraremos do nome “Real Madrid”, talvez secundado pelo nome “Cristiano Ronaldo”. A década que se completa será para sempre a década de Guardiola.

Do Barcelona tão bom que nos fez compará-lo ao Santos de Pelé. De um Bayern de Munique destruidor de todos os recordes possíveis na ultracompetitiva Alemanha, que só não ganhou a Europa por obras do acaso. E de um Manchester City que fez a Premier League, a melhor liga doméstica do mundo, parecer coisa de amadores.

Em 2018, finalmente, Guardiola parece estar de volta ao mundo dos terráqueos. Pela primeira vez, acaba um ano e não digo que esse cara é o número 1.

Continua sendo um gênio. O City continua sendo um time espetacular, que daqui a seis meses pode ser campeão de absolutamente tudo. Mas, neste fim de 2018, o melhor técnico do mundo chama-se Jurgen Klopp, e o Liverpool é o time do ano.

Exatamente por combater o resultadismo, digo que isso nada tem a ver com as duas derrotas seguidas do City e a liderança absoluta do Liverpool na Premier. Isso é apenas consequência de algo que está sendo construído ao longo do ano. Os resultados deste mês de dezembro dão apenas uma forcinha a minha tese – que, aliás, já defendo neste espaço desde setembro. No dia 3 de janeiro tem aí um City x Liverpool, para eu quebrar a cara :-).

Se eu fosse um magnata, que comprasse a Portuguesa e tivesse todo o dinheiro do mundo à disposição, hoje meu alvo seria Klopp, e não Guardiola.

Aceito todas as disposições em contrário. Como sempre.

 


Champions tem fases de grupos cada vez mais previsíveis
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Julio Gomes

OK, OK, temos um grupo que arregala os olhos de todo mundo! Barcelona, Tottenham, Internazionale e PSV Eindhoven.

Uau! Talvez, apenas TALVEZ, se a Inter realmente acertar uns bons jogos, esse grupo saia do trivial, que seriam as classificações de Barcelona e Tottenham. Sim, certamente iremos assistir atentamente aos duelos entre esses três. E fingir que o PSV pode ameaçar alguém, afinal, já foi time de Romário e Ronaldo um dia…

(suspiro)

A Champions não é mais a mesma. Pelo menos na fase de grupos. Na era das superpotências, a competição ficou extremamente previsível antes do mata-mata. A classe média da Europa está tão achatada quanto nossa classe média da vida real no Brasil.

Ela olha para cima, para os ricaços, achando que um dia pode ser um deles (ou voltar a ser). Mal percebe que, na realidade, está muito mais perto do grupo gigantesco de pobres, sem chance alguma na vida.

Benfica, Ajax, PSV… eles já ganharam a Europa um dia. Hoje, não ameaçam mais do que Hoffenheim, Brugge ou Viktoria Pilsen.

O grupo citado, com Barcelona, Tottenham, Inter e PSV, é o grupo B. Como já disse, surpreendente será se a Inter conseguir tirar Barça ou Tottenham – que é fortíssimo e no ano passado jogou o Real Madrid para o segundo lugar de seu grupo.

O grupo C é o outro que está sendo chamado de “da morte”, pois tem PSG, Liverpool, Napoli e o Estrela Vermelha, campeão de 1991 e que recebe os jogos no caldeirão de Belgrado, chamado por eles de “Marakana”.

Mas esse grupo é da morte só para o Napoli, mesmo.

No grupo A, difícil não imaginar que Atlético de Madrid e Borussia Dortmund deixem Monaco e Brugge para trás.

O D é o mais equilibrado, sem favoritos entre Lokomotiv Moscou, Porto, Schalke 04 e Galatasaray. Quaisquer dois podem passar – para dificilmente avançarem após as oitavas. É imprevisível porque não tem nenhum grande time, ou seja, tão imprevisível quanto desinteressante.

No grupo E, o Bayern passa com folgas, Benfica e Ajax fazem o outrora clássico pela “glória” de chegar às oitavas. Olharemos com carinho para os duelos clássicos entre Bayern e Benfica, Bayern e Ajax, relembraremos dias maravilhosos dos anos 60 e 70, apenas para tomarmos um choque de realidade com o placar final desses jogos.

No grupo F, o Manchester City passa com folgas e deixa para Lyon, Shakhtar e Hoffenheim a briga pelo segundo lugar. No grupo G, o Real Madrid não terá problemas contra Roma ou CSKA Moscou. Esses dois, City e Real, possivelmente estarão mesclando titulares e reservas nas rodadas finais, lá para novembro e dezembro.

E o grupo H é parecido com os grupos B e C. Tem cara de grupo da morte… do Valencia. Juventus e Manchester United estão léguas à frente em termos de time, orçamento, etc, e qualquer coisa que não seja a classificação dos dois será surpreendente.

A fase de grupos terá vários jogões. Juventus x Manchester United, PSG x Liverpool, Barcelona x Tottenham, Atlético x Dortmund… mas em regra essas partidas mais decidirão primeiro lugar dos grupos, o que nem é tão visto na Europa como a coisa mais relevante do mundo. A competitividade é baixa nesta fase do torneio. Sobram clássicos entre favoritos, mas que são jogos sem transcendência.

A que isso se deve? Fácil apontar o dedo para a Uefa e a decisão de colocar mais campeões nacionais (de países de futebol muito abaixo) na fase de grupos. Mas o buraco é mais profundo do que isso. Mesmo se estivessem aqui camisas mais conhecidas que foram ficando pelo caminho (Spartak Moscou, Fenerbahce, Celtic) ou que entrassem mais times médios dos grandes centros… que diferença faria? Nenhuma.

Fair play financeiro, teto de gastos e salários, grupos maiores… sei lá. Alguma solução a Uefa vai precisar dar. Ou os clubes. Competição esportiva precisa de organização, qualidade, tudo isso. Mas também de um pouco de imprevisibilidade.


Manchester City começa Inglês do jeito que acabou: arrasando
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Julio Gomes

Começou o Campeonato Inglês do jeito que se esperava. O Manchester United ganhou com sofrimento na sexta-feira, coisa que virou característica fundamental dos times de Mourinho nos últimos anos. O Chelsea começou ganhando e jogando bem, a vida com Maurizio Sarri será muito mais divertida para jogadores e torcedores do que era com Conte. O Liverpool, em busca de um título inédito (na era Premier League), contratou bem e começou com uma goleada contundente – a chave será encontrar equilíbrio e consistência semana após semana.

E o melhor ficou para o fim da rodada. O Manchester City foi a Londres e fez fáceis 2 a 0 sobre o Arsenal, de técnico novo (Unai Emery, ex-amiguinho dos brasileiros do PSG – contém ironia).

É estranho ver o Arsenal sem Arsene Wenger no banco após mais de duas décadas. Mas o time, em campo, foi igualzinho ao dos últimos anos. Pouca atitude competitiva em vários momentos da partida, derrota para um time melhor sem dar muita luta, sem ameaçar, sem conseguir trazer a torcida junto.

Mas ainda é cedo para criticar o Arsenal. Até porque do outro lado estava o time a ser batido, o melhor do último ano (apesar de ter ficado sem o título máximo, a Champions). O Manchester City dos 100 pontos começou a temporada atual fulminante, do mesmo jeito que acabou a outra.

Guardiola montou o City com uma linha de 4, usando Mendy pela lateral-esquerda. O francês, campeão do mundo, mesmo sem jogar, era para ser titular na temporada passada, mas sofreu grave lesão. Do lado direito do ataque, Mahrez, grande nome do Leicester daquele milagre. Ou seja, o timaço da temporada passada agora tem dois baita reforços.

Passou por cima do Arsenal sem dó e sem De Bruyne, David Silva, Gabriel Jesus, Sané…

É muita força, muito jogador bom, muitas opções e uma ideia muito clara de jogo, difícil de ser enfrentada pelos outros. O City joga com posse, controle, velocidade, se defende bem e com seriedade, é um time quase perfeito. Vamos ver como a temporada se desenrola. Haverá mais altos do que baixos, e a Champions é uma conta pendente de Guardiola nestes anos de Bayern e City.

Na Inglaterra, não sei se terá pro cheiro, não.


Seis Champions seguidas sem final. E agora, Guardiola?
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Julio Gomes

“Eles são o melhor time do mundo. Mas sabíamos que podíamos vencê-los”.

A frase foi de Jurgen Klopp, técnico do Liverpool, depois de eliminar o Manchester City, de Pep Guardiola.

Mas poderia ter sido dita por Di Matteo, em 2012, depois de o Chelsea tirar o Barcelona na semifinal. Ou por Simeone, em 2016, depois de o Atlético de Madrid eliminar o Bayern. Ou por Mourinho, em 2010, quando a Inter tirou o Barça. Bem, talvez ouvir isso de Mourinho seria surpreendente demais…

O fato é que a história se repete. Guardiola é um gênio. Desde que apareceu no cenário europeu como técnico, 10 anos atrás, mudou o futebol. Isso não é passível de debate. Os times dele (primeiro o Barça, depois o Bayern, depois o City) foram sempre os que melhor jogaram. Um futebol ofensivo, atrativo, apaixonante. Mas, na principal competição de clubes do mundo… os fracassos se acumulam.

Com o Barcelona, Guardiola foi campeão de duas das três primeiras Champions que jogou (2009 e 2011). Desde então, jogou a competição outras seis vezes. E nunca mais chegou à decisão.

O contraste com o desempenho em campeonatos de pontos corridos é tremendo. O título do Manchester City na Premier League é apenas questão de tempo. Será o sétimo em nove temporadas de Guardiola (ganhou três de quatro com o Barça e os três que jogou com o Bayern).

Seus críticos dirão que é fácil ganhar campeonatos longos de pouca competitividade com timaços nas mãos.

Eu acredito que a crítica possa até ser válida para os anos de Bayern. De forma alguma para os anos de Barcelona, quando Guardiola assumiu o comando de um clube em transição e vindo de duas temporadas horríveis. Foi ele quem construiu o timaço que o Barcelona mostrou ao mundo entre 2008 e 2012 (o mais dominante e encantador que vi em vida). No City, a evolução foi tremenda da temporada passada para a atual. É verdade que foram gastos muitos milhões no mercado. Mas contratar bem e fazer os jogadores encaixarem também é uma arte.

Sou fã de Guardiola. Muito fã. Estamos diante de uma figura que faz história, que mudou o esporte.

Mas não é possível ignorar tantas eliminações nas fases agudas da Champions. E das mais diversas formas. Há algo errado aí na tomada de decisões de Pep. Há algo errado na maneira de encarar a adversidade, tendo poucos minutos para resolver pepinos.

Como quando deixou o Bayern tão exposto aos (óbvios) contra ataques do Real Madrid, em 2014. Como na pane nos minutos finais do jogo do Camp Nou, em 2015. Ou como neste duelo contra o Liverpool, inventando escalações e mudanças táticas que nada tiveram que ver com o que time fez ao longo da temporada.

É verdade, também, que não foi ele que perdeu o pênalti contra o Atlético, em 2016. Foi Muller. Nem contra o Chelsea, em 2012. Foi Messi. Tampouco foi ele quem anulou um gol legal do City, ontem, que deixaria o jogo com um 2 a 0 no intervalo.

Nem tudo é culpa de Guardiola. Mas nem tudo o que Guardiola faz é perfeito.

Devemos nos habituar a imperfeições. Não precisamos nos render. Mas a vida é cheia delas.

 


Klopp deu mais baile sobre um ‘inventor’ Guardiola
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Julio Gomes

Jurgen Klopp não é qualquer treinador de futebol. É o único homem que ganhou seis jogos de futebol contra Pep Guardiola (perdeu cinco).

Guardiola não é infalível. Ele erra. Todos erramos. Mas há erros e erros. Momentos e momentos para errar. Errar nas quartas de final da Champions. E contra Klopp… bem, são esses os erros que te assombram por anos.

O Manchester City atuou o ano inteiro com jogadores abertos, colados nas linhas laterais, espalhando as defesas rivais e dando corredores para De Bruyne e David Silva. Nesta quarta, em Liverpool, Guardiola não escalou nem Sterling nem Bernardo Silva. Optou por Gundogan, um volante, aberto pela direita. Perdeu agressividade no ataque e consistência no meio de campo. Do outro lado, optou por um zagueiro, Laporte, na lateral esquerda.

Inventou. E pagou o preço. A derrota por 3 a 0 não é irreversível. Em setembro, no primeiro turno da Premier League, o City meteu 5 a 0 no Liverpool. Mas, convenhamos, o Liverpool está com um pé na semifinal, para provavelmente acompanhar Barcelona, Real Madrid e Bayern nas semis mais laureadas de todos os tempos.

No primeiro tempo em Anfield Road, o City teve “só” 55% de posse de bola, abaixo de sua média. O Liverpool foi o time que quis a bola. Especialmente no segundo seguinte após perdê-la.

Ao longo dos anos, muitos treinadores tentaram parar os times de Guardiola marcando de forma passiva e fechando linhas na frente da área. Klopp, não. E vimos mais uma vez um time do alemão jogar de forma agressiva, mordendo em todas as partes do campo e adiantando a primeira linha de marcação até a área, quando preciso. Até Ederson chegou a ser pressionado na saída de bola.

A marcação agressiva do Liverpool, somada à má escalação do City, resultou em um incrível 3 a 0 em apenas meia hora de jogo.

Guardiola só foi acertar o time no intervalo. Abriu De Bruyne pela direita e trouxe Gundogan para o meio. Depois, colocou Sterling no lugar do alemão, posicionando o belga ao lado de Silva, pelo meio. Ou seja, o City só jogou como City dos 12min do segundo tempo para frente.

Criou chances, pressionou, jogou dentro da área do Liverpool – e ainda teve sorte por Salah sair contundido, o que obviamente comprometeu as saídas do time da casa em contra ataques.

Mas, em apenas meia hora e com Sané e De Bruyne em uma noite para esquecer, não eu para o City.

É a terceira vitória do Liverpool de Klopp sobre o City de Guardiola em três duelos em Anfield. A sexta de Klopp em 13 jogos contra o catalão, se somarmos os duelos da Alemanha. Está virando freguês.

 


Barcelona e Bayern são os sortudos do dia na Champions
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Julio Gomes

Não sejamos hipócritas. Tudo bem que é reta final, todo jogo é difícil, não tem moleza, etc e tal. Mas é lógico que Roma e Sevilla eram os times que todos queriam enfrentar nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa. E os agraciados foram Barcelona e Bayern de Munique.

O Bayern não pode reclamar da sorte! Depois de ser segundo colocado na fase de grupos, escapou de clássicos nas oitavas e enfrentou o Besiktas, da Turquia. Agora, nas quartas, pega o Sevilla e decide em casa.

O Barcelona joga a primeira em casa e decide a classificação em Roma. O favoritismo de Barça e Bayern nestes dois duelos é marcante.

Já os outros dois confrontos são equilibrados. Juventus e Real Madrid reeditam a final do ano passado, são duas camisas pesadíssimas. É um clássico europeu. Existe um ligeiro favoritismo do Madrid, logicamente, por ser o bicampeão e por ter Cristiano Ronaldo. Mas a Juventus já eliminou o Real recentemente e está em franco crescimento na temporada.

Nos últimos quatro anos, o Real ganhou a Champions três vezes. Na única vez que ficou pelo caminho, em 2015, foi eliminado justamente pela Juve.

E o Manchester City vai decidir em casa contra o Liverpool, em um duelo doméstico que deixará um inglês apenas nas semifinais. O Liverpool é capaz de tudo. Faz muitos gols, leva muitos gols, tem um técnico ousado. Tanto que, em um 4 a 3 épico, foi o time que quebrou a invencibilidade do City na temporada, em janeiro.

O City é mais time e, assim como o Real, tem certo favoritismo. Mas é um duelo equilibrado. Até porque o Liverpool tem muito mais história e tradição.

O sorteio permitiu que os quatro times mais fortes do continente – Real Madrid, Barcelona, Bayern e Manchester City – possam estar juntos nas semifinais. Será que alguém pode impedir que este destino se concretize?


Ingleses? A era é de Barcelona, Bayern e Real Madrid na Champions
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Julio Gomes

Muito se fala da Premier League, que é, de fato, uma liga com jogos fantásticos. Mas os últimos 10 anos de futebol europeu mostram uma superioridade inegável dos melhores times espanhóis, do Bayern e até da Juventus sobre os melhores ingleses.

Não discuto que a competitividade da Premier é maior que da Liga espanhola, da Bundesliga e da Série A italiana. Isso se deve a uma classe média/baixa de nível mais alto. E o ritmo dos jogos é mais intenso, a meu ver, porque a arbitragem deixa correr, sem marcar tantas faltas e sem sofrer com mimimi e teatro dos jogadores.

No entanto, o domínio absurdo de Real Madrid, Barcelona e Bayern fala muito mais deles do que dos outros. Eles não dominam seus campeonatos domésticos porque os outros são ruins. Mas, sim, porque eles são muito bons.

Este domínio seria igual, em um hipotético campeonato europeu em pontos corridos (credo).

Quem argumenta que a Liga espanhola é fraca cita sempre o hipotético Getafe-Leganés do domingo de manhã. Mas se esquece do timaço do Atlético de Madrid, se esquece do sucesso europeu do Sevilla, se esquece de um monte de coisas. E quem acha a Bundesliga uma liga sem graça não assiste a jogo algum da Alemanha, isso eu garanto.

Nesta sexta-feira cedinho, quando forem sorteados os jogos de quartas de final  da Liga dos Campeões da Europa, Barça, Real e Bayern estarão lá, juntos, pela sétima temporada seguida. Se não derem o azar de se enfrentarem, é bem possível que estejam os três juntos nas semifinais pela quarta vez nestes sete anos. É muita coisa. É muita hegemonia.

Quer mais? Desde aquela final inglesa de 2008, em Moscou, nunca mais uma decisão europeia deixou de ter Bayern, Real ou Barça.

Muito se falou da presença dos cinco ingleses nas oitavas de final neste ano, um feito inédito. E muitos achavam que a Inglaterra poderia classificar os cinco para as quartas. Pois é. Passaram só dois. Da Espanha, passaram três. Da Itália, também passaram dois. Quem imaginava que o Sevilla, que nem vive sua melhor temporada, eliminaria o Manchester United?

Talvez os nomes e os valores gastos no mercado turvem nossa visão. Hoje, não é possível considerar times da Premier favoritos em duelos contra times da Liga espanhola. Simples assim. Pelo menos não se olharmos o retrospecto dos últimos 10 anos de Champions e até Europa League.

Os melhores times espanhóis são melhores que os melhores times ingleses e provam isso ano após ano.

O domínio do Manchester City na Inglaterra, um domínio que nunca se viu na Premier, faz com que o campeonato seja considerado fraco e pouco competitivo? Não, né? O que esse domínio nos mostra é que o City tem um time especial, que está fazendo algo diferente – sob comando de um técnico espanhol, diga-se.

O Manchester City parece ser, entre os quadrifinalistas, o único time capaz de derrubar Bayern, Barcelona ou Real Madrid. Será? Pode ser. Mas que Guardiola prefere não jogar contra nenhum dos três, pode ter certeza que prefere…

 


Guardiola leva primeiro título da temporada europeia. Levará o último?
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Julio Gomes

Pouco mais de um ano e meio após chegar ao Manchester City, Pep Guardiola levantou neste domingo seu primeiro troféu pelo clube. Com os fáceis e contundentes 3 a 0 sobre o Arsenal, em Wembley, o City conquistou a Copa da Liga Inglesa.

Não é o título mais importante da temporada. Pelo contrário, é o menos importante. Na Inglaterra, assim como na França ou em Portugal, os clubes jogam também a tal Copa da Liga, além da Copa do país. Nestes países, são três as competições domésticas – na Espanha, Itália ou Alemanha são apenas duas.

É uma competição em que são utilizados muitos reservas nas fases iniciais. Mas, na hora em que grandes clubes se encontram ou quando chega a decisão, aí ninguém quer perder. Guardiola mandou tudo o que tinha de bom para cima do Arsenal. E tudo o que o City tem de bom é muito melhor do que o que o Arsenal tem de bom.

Foi um passeio. Um massacre. O Arsenal praticamente não teve chances contra um City jogando o fino da bola. Gol de Aguero, Kompany e David Silva mataram a final.

Boa notícia também a volta de Gabriel Jesus, que entrou em campo pela primeira vez em 2018 nos minutos finais. Má notícia a lesão de Fernandinho, que saiu de campo machucado. Talvez seja desfalque para Tite nos amistosos de março contra Rússia e Alemanha.

Vamos esquecer as Supercopas, que apenas abrem oficialmente as temporadas no verão europeu. E levar em conta os cinco países mais importantes da Uefa. Com este filtro, este foi o primeiro título da temporada.

O Manchester City é o primeiro clube das grandes ligas europeias a levantar um troféu.

O último clube campeão da temporada sairá em 26 de maio, em Kiev, Ucrânia, quando será disputada a final da Liga dos Campeões da Europa.

Neste momento, pelas cotações das casas de apostas, o City, de Guardiola, é o principal favorito a levantar este troféu também. Troféu que Guardiola levantou pela segunda e última vez em 2011, no mesmo Wembley em que levantou a Copa da Liga hoje.

O homem ganhou sete das oito finais que disputou como técnico. Dez anos após o início dos investimentos gigantescos com dinheiro dos Emirados Árabes Unidos, o clube se acostumou a chegar e ganhar. O time está voando em todos os setores, jogando o futebol mais ofensivo e bacana de se ver na Europa. A comunhão entre treinador e comandados é nítida. O título da Premier League, que será o segundo da temporada, é só questão de tempo.

Alguém duvida que o City de Guardiola fechará a temporada do mesmo jeito que fechou hoje a Copa da Liga?