Blog do Júlio Gomes

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Klopp é o técnico que melhor entende o futebol da atualidade
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Julio Gomes

Pep Guardiola, José Mourinho, Diego Simeone, Zinedine Zidane. Não são poucos os técnicos badalados do mundo, e possivelmente todos eles mereçam os elogios e salários que recebem. Mas será que não subestimamos Jurgen Klopp?

O homem é o último a ter derrubado o Bayern de Munique na Bundesliga. Ficou a minutos de vencer a Champions com o Borussia Dortmund. Perdeu outra final, a de meses atrás, porque seu goleiro fez as lambanças que fez contra o Real Madrid. É a nêmesis de Guardiola, considerado por muitos, inclusive este escriba, o gênio dos gênios.

Creio que, neste momento, não haja técnico que entenda melhor o espírito do futebol mundial. O jogo se transformou. Hoje, há muita intensidade física, a disputa não para e os atletas precisam se multiplicar. Os torcedores, no estádio ou pela TV, querem ver correria e gols.

Não é à toa que os torcedores dos times de Klopp amem o alemão de paixão. Além de seus times serem legais de ver, eles vencem jogos e o treinador vive cada minuto da partida como se fosse o último da vida. A entrega dele é total. E a de seus comandados, logicamente, também.

Há outros técnicos que conseguem arrancar isso de seus jogadores. Mas talvez não consigam divertir as pessoas que estejam assistindo aos jogos.

O Liverpool foi o melhor time em campo durante todo o jogo contra o Paris Saint-Germain, neste dia de abertura da Liga dos Campeões da Europa. Venceu por 3 a 2, com um gol de Firmino nos acréscimos, mas poderia ter goleado. Estamos falando de dois dos favoritos ao título. Foi um jogaço.

O Liverpool é um time que pressiona demais o adversário. Quando tem a bola, imprime velocidade, empurra, joga com muita verticalidade. Quando não tem a bola, morde o tempo inteiro e em todas as linhas, em todas as partes do campo. É alucinante, a 200 por hora o tempo todo.

Letal no ataque e seguro na defesa, coisa que não era antes da chegada de Van Dijk. Talvez o detalhe a ser corrigido seja a falta de atenção nos 15 minutos finais das partidas. Tem que matar antes ou então saber se defender melhor no fim.

O Liverpool fez 2 a 0 no primeiro tempo sem muitos problemas contra o PSG e só levou um gol de Meunier porque o trio de arbitragem não apontou o impedimento de Cavani no lance – chega a ser surreal que a Champions não tenha o bendito VAR.

No segundo tempo, o normal seria vermos o PSG pressionar em busca do empate. Pode até ter tentado. Não conseguiu. O Liverpool foi o melhor time em campo e teve várias chances de ampliar o marcador.

Vou inventar uma frase nova agora: quem não faz, toma. O jogo estava mortinho. Um passe errado de Salah foi suficiente para, em um roubo de bola de Draxler, Neymar acelerar a jogada e ela sobrar para Mbappé empatar. O Paris mal sabia como tinha conseguido chegar ao 2 a 2.

Mas a intensidade dos times de Klopp é inesgotável. Apesar da ducha de água fria, o Liverpool foi para cima, empurrou e chegou ao merecido 3 a 2.

O Paris começou a temporada passada atropelando o Bayern e acabou sendo eliminado logo nas oitavas pelo Real Madrid. Perder hoje não quer dizer muita coisa. Mas há muito o que corrigir. Não tem muito sentido Neymar jogar como armador, ele precisa de espaço, de campo, do 1 contra 1, precisa estar perto do gol para fazer o que sabe fazer melhor: gol.

 


Champions tem fases de grupos cada vez mais previsíveis
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Julio Gomes

OK, OK, temos um grupo que arregala os olhos de todo mundo! Barcelona, Tottenham, Internazionale e PSV Eindhoven.

Uau! Talvez, apenas TALVEZ, se a Inter realmente acertar uns bons jogos, esse grupo saia do trivial, que seriam as classificações de Barcelona e Tottenham. Sim, certamente iremos assistir atentamente aos duelos entre esses três. E fingir que o PSV pode ameaçar alguém, afinal, já foi time de Romário e Ronaldo um dia…

(suspiro)

A Champions não é mais a mesma. Pelo menos na fase de grupos. Na era das superpotências, a competição ficou extremamente previsível antes do mata-mata. A classe média da Europa está tão achatada quanto nossa classe média da vida real no Brasil.

Ela olha para cima, para os ricaços, achando que um dia pode ser um deles (ou voltar a ser). Mal percebe que, na realidade, está muito mais perto do grupo gigantesco de pobres, sem chance alguma na vida.

Benfica, Ajax, PSV… eles já ganharam a Europa um dia. Hoje, não ameaçam mais do que Hoffenheim, Brugge ou Viktoria Pilsen.

O grupo citado, com Barcelona, Tottenham, Inter e PSV, é o grupo B. Como já disse, surpreendente será se a Inter conseguir tirar Barça ou Tottenham – que é fortíssimo e no ano passado jogou o Real Madrid para o segundo lugar de seu grupo.

O grupo C é o outro que está sendo chamado de “da morte”, pois tem PSG, Liverpool, Napoli e o Estrela Vermelha, campeão de 1991 e que recebe os jogos no caldeirão de Belgrado, chamado por eles de “Marakana”.

Mas esse grupo é da morte só para o Napoli, mesmo.

No grupo A, difícil não imaginar que Atlético de Madrid e Borussia Dortmund deixem Monaco e Brugge para trás.

O D é o mais equilibrado, sem favoritos entre Lokomotiv Moscou, Porto, Schalke 04 e Galatasaray. Quaisquer dois podem passar – para dificilmente avançarem após as oitavas. É imprevisível porque não tem nenhum grande time, ou seja, tão imprevisível quanto desinteressante.

No grupo E, o Bayern passa com folgas, Benfica e Ajax fazem o outrora clássico pela “glória” de chegar às oitavas. Olharemos com carinho para os duelos clássicos entre Bayern e Benfica, Bayern e Ajax, relembraremos dias maravilhosos dos anos 60 e 70, apenas para tomarmos um choque de realidade com o placar final desses jogos.

No grupo F, o Manchester City passa com folgas e deixa para Lyon, Shakhtar e Hoffenheim a briga pelo segundo lugar. No grupo G, o Real Madrid não terá problemas contra Roma ou CSKA Moscou. Esses dois, City e Real, possivelmente estarão mesclando titulares e reservas nas rodadas finais, lá para novembro e dezembro.

E o grupo H é parecido com os grupos B e C. Tem cara de grupo da morte… do Valencia. Juventus e Manchester United estão léguas à frente em termos de time, orçamento, etc, e qualquer coisa que não seja a classificação dos dois será surpreendente.

A fase de grupos terá vários jogões. Juventus x Manchester United, PSG x Liverpool, Barcelona x Tottenham, Atlético x Dortmund… mas em regra essas partidas mais decidirão primeiro lugar dos grupos, o que nem é tão visto na Europa como a coisa mais relevante do mundo. A competitividade é baixa nesta fase do torneio. Sobram clássicos entre favoritos, mas que são jogos sem transcendência.

A que isso se deve? Fácil apontar o dedo para a Uefa e a decisão de colocar mais campeões nacionais (de países de futebol muito abaixo) na fase de grupos. Mas o buraco é mais profundo do que isso. Mesmo se estivessem aqui camisas mais conhecidas que foram ficando pelo caminho (Spartak Moscou, Fenerbahce, Celtic) ou que entrassem mais times médios dos grandes centros… que diferença faria? Nenhuma.

Fair play financeiro, teto de gastos e salários, grupos maiores… sei lá. Alguma solução a Uefa vai precisar dar. Ou os clubes. Competição esportiva precisa de organização, qualidade, tudo isso. Mas também de um pouco de imprevisibilidade.


Manchester City começa Inglês do jeito que acabou: arrasando
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Julio Gomes

Começou o Campeonato Inglês do jeito que se esperava. O Manchester United ganhou com sofrimento na sexta-feira, coisa que virou característica fundamental dos times de Mourinho nos últimos anos. O Chelsea começou ganhando e jogando bem, a vida com Maurizio Sarri será muito mais divertida para jogadores e torcedores do que era com Conte. O Liverpool, em busca de um título inédito (na era Premier League), contratou bem e começou com uma goleada contundente – a chave será encontrar equilíbrio e consistência semana após semana.

E o melhor ficou para o fim da rodada. O Manchester City foi a Londres e fez fáceis 2 a 0 sobre o Arsenal, de técnico novo (Unai Emery, ex-amiguinho dos brasileiros do PSG – contém ironia).

É estranho ver o Arsenal sem Arsene Wenger no banco após mais de duas décadas. Mas o time, em campo, foi igualzinho ao dos últimos anos. Pouca atitude competitiva em vários momentos da partida, derrota para um time melhor sem dar muita luta, sem ameaçar, sem conseguir trazer a torcida junto.

Mas ainda é cedo para criticar o Arsenal. Até porque do outro lado estava o time a ser batido, o melhor do último ano (apesar de ter ficado sem o título máximo, a Champions). O Manchester City dos 100 pontos começou a temporada atual fulminante, do mesmo jeito que acabou a outra.

Guardiola montou o City com uma linha de 4, usando Mendy pela lateral-esquerda. O francês, campeão do mundo, mesmo sem jogar, era para ser titular na temporada passada, mas sofreu grave lesão. Do lado direito do ataque, Mahrez, grande nome do Leicester daquele milagre. Ou seja, o timaço da temporada passada agora tem dois baita reforços.

Passou por cima do Arsenal sem dó e sem De Bruyne, David Silva, Gabriel Jesus, Sané…

É muita força, muito jogador bom, muitas opções e uma ideia muito clara de jogo, difícil de ser enfrentada pelos outros. O City joga com posse, controle, velocidade, se defende bem e com seriedade, é um time quase perfeito. Vamos ver como a temporada se desenrola. Haverá mais altos do que baixos, e a Champions é uma conta pendente de Guardiola nestes anos de Bayern e City.

Na Inglaterra, não sei se terá pro cheiro, não.


Marcelo x Salah é o duelo chave da final da Champions
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Julio Gomes

Chegou a hora. Real Madrid e Liverpool vão decidir amanhã, em Kiev, o título europeu. O Real Madrid tenta se transformar no primeiro a vencer a competição máxima do continente por três vezes seguidas desde o Bayern dos anos 70 – já é o primeiro a ganhar dois seguidos na “era Champions”. O Liverpool, que nunca conquistou o Inglês na “era Premier League”, pode voltar a ser coroado após o “milagre de Istambul”, em 2005, para cima do Milan.

Muito se fala do duelo Cristiano Ronaldo x Salah. A vitória na final seria um passo decisivo rumo à Bola de Ouro – ainda que falte “só” a Copa do Mundo para ser jogada.

Quando todos esperavam o ano de Neymar, após a chegada triunfal ao PSG, foi um egípcio que saiu do nada para se meter entre Messi e Cristiano Ronaldo, dominantes há 10 anos.

Mas não é Cristiano Ronaldo quem irá parar Salah na final deste sábado. A responsabilidade é coletiva. E o setor é o de Marcelo.

Este é o grande duelo da decisão. Marcelo x Salah. Marcelo vive um momento sublime na carreira e é de seus pés que costumam sair as jogadas mais perigosas do Real Madrid.

Pode ser um drible que rompa uma das linhas e gere profundidade. Pode ser uma finalização certeira de fora da área, como a contra o Bayern m Munique. Pode ser uma tabela com um dos atacantes. Pode ser uma daquelas magníficas viradas de jogo, que gera um contra um pelo outro lado do campo.

Muitas vezes o jogo do Real nasce por ali, e Salah é o primeiro jogador a dar o combate.

Não podemos perder de vista que Marcelo está longe de ser perfeito na defesa. Ainda que tenha evoluído, é um ponto fraco do Real e precisa de muita ajuda por ali. É o lado de Salah, um jogador que faz uma temporada surreal.

Há muitos outros duelos que podem definir o jogo, mas é por ali que a final será jogada, estudada, pensada. Quem, entre os dois, ganhar a batalha nas fases ofensiva e decisiva, deixará seu time muito bem encaminhado.


Liverpool foi o único capaz de vencer final do Real nos últimos 52 anos
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Julio Gomes

Real Madrid e Liverpool farão, no próximo dia 26, em Kiev, a final mais premiada da história da Liga dos Campeões da Europa. São 17 títulos somados – 12 do Real, 5 dos ingleses.

Mas os dois não são apenas supercampeões. Eles são também supervencedores de finais.

Se levarmos em conta um mínimo de três finais disputadas, para tirarmos da conta os que venceram a uma ou duas decisões que jogaram, encontraremos em Real Madrid e Liverpool os dois clubes com melhor aproveitamento em finais.

O Real Madrid ganhou 12 e perdeu apenas 3, um aproveitamento de 80%. O Liverpool ganhou 5 e perdeu 2, ou seja, 71,5% de sucesso. Curiosamente, foi o próprio Liverpool que impôs ao Real uma dessas raras derrotas em finais: 1 a 0 na decisão de 1981, disputada em Paris.

O Real ganhou as cinco primeiras Copas da Europa, entre 56 e 60, os anos de Di Stefano, Gento e companhia. Depois perdeu duas finais – em 62, para o Benfica de Eusébio, e em 64, para a Inter de Milão. Voltou a ser campeão em 66. Depois disso, o time da capital espanhola demorou 32 anos para voltar a ser campeão continental, já entrando na era moderna da Champions League.

Entre o hexa, em 66, e o hepta, em 98, a única final disputada pelo Real foi a de 81, quando perdeu para um Liverpool em seu auge europeu.

O Liverpool era dominante na Inglaterra no fim dos anos 70 e início dos 80. Foi campeão europeu em 77, 78, 81 e 84, perdendo a decisão de 85. Depois, na era Champions, conseguiu o milagre de Istambul em 2005, contra o Milan, para depois perder do próprio Milan em 2007 – nestes anos, como agora, o Liverpool não era cotado para chegar à decisão.

Na era Champions League, o Real Madrid ganhou as seis finais que jogou – duas contra a Juventus (98 e 2017), duas contra o Atlético de Madrid (2014 e 16), uma contra o Valencia (2000) e uma contra o Bayer Leverkusen (2002). Somados, todos esses adversários derrotados pelo Real tinham apenas dois títulos máximos europeus (ambos da Juventus, que, ao contrário dos finalistas deste ano, é o clube com pior aproveitamento em decisões).

Portanto, em 10 de seus 12 títulos, o Real enfrentou um time que, na ocasião, nunca havia sido campeão.

Quando os dois gigantes disputaram a final em 81, a competição tinha outro formato, apenas com os campeões nacionais e eliminatórias desde o início. Falando o português claro, era mais difícil entrar no torneio, mas mais fácil chegar até o fim – o que aumenta os méritos do Real Madrid da atualidade.

Em 80/81, o Liverpool havia passado por Oulun (FIN), Aberdeen (ESC), CSKA Sofia (BUL) e Bayern de Munique. O Real Madrid havia passado por Limerick (IRL), Honved (HUN), Spartak Moscou (RUS) e Inter de Milão.

O Liverpool entrou em campo na decisão com oito ingleses e três escoceses. O Real Madrid tinha nove espanhóis, um alemão e um inglês. O que dá bem a noção de como os tempos eram outros. Alan Kennedy fez o gol do título, aos 37min do segundo tempo.


Salah é o melhor jogador do mundo, será injusto se não for Bola de Ouro
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Julio Gomes

A primeira coisa que é importante ressaltar, antes de seguir com este post. O prêmio de melhor jogador de futebol do mundo não pode ser dado para quem “é” e, sim, para quem “está”. É um prêmio de melhor do ano. Para premiar a temporada, não uma avaliação geral de todos os atributos e potencial que os jogadores têm na vida.

Dito isso, será uma das grandes injustiças da história se não for Mohamed Salah, um egípcio, um herói improvável, o jogador encarregado de quebrar os 10 anos de domínio de Messi e Cristiano Ronaldo dividindo a premiação de melhor do mundo.

Desde que Kaká foi eleito, em 2007, o argentino e o português ficaram com cinco prêmios cada. No meio do caminho, a Fifa “comprou” a Bola de Ouro, uma premiação mais técnica e com mais credibilidade – afinal, a votação da Fifa é povoada de jogadores, técnicos e jornalistas da periferia da bola, mais sujeitos a votar em nomes famosos.

Agora, Bola de Ouro e Fifa estão separadas novamente. Não consigo prever o que acontecerá na premiação da Fifa, creio que dependerá demais da Copa do Mundo.

Mas acredito que dificilmente a Bola de Ouro sairá das mãos de Mohamed Salah. E será injusto se não for assim.

Salah já foi eleito o melhor jogador da Premier League por seus pares – um indicativo importante, em um campeonato tão dominado por um time, o Manchester City, que não é o dele.

Na temporada toda, são 43 gols em 47 jogos para Salah. Uma enormidade. E ele ainda produz um número significativo de assistências.

Nesta terça, contra a Roma, Salah fez dois e deu dois passes para gol. Os dois gols foram os dois primeiros. E foram dois golaços. Este é outro detalhe. O cara virou o Messi de um ano para o outro. É gol de canhota no ângulo, de cavadinha… é só golaço. Sem contar a função tática pela esquerda, fechando espaços e criando muitos problemas com tanta velocidade.

Quando saiu de campo, o Liverpool relaxou e tomou dois gols que ainda fazem a Roma sonhar. No fim, 5 a 2 para o time inglês. É muito difícil a classificação para a final europeia escapar, mas futebol é futebol.

No dia 15 de junho, o Egito vai estrear na Copa do Mundo contra o Uruguai, em Ekaterimburgo. Será o primeiro jogo do Egito em Copas desde 1990. Será o dia do aniversário de 26 anos de Salah, que não é nenhum garotinho.

Foi contratado pelo Chelsea quatro anos atrás, não deu certo, foi emprestado para a Fiorentina, vendido para a Roma. Na Itália, eu costumava chamá-lo de “uma espécie de Mirandinha”. Velocista, ciscador, mas péssimo na tomada de decisões. Meio burro, falando o português claro (“ou corro ou penso, professor”). Eu, como muitos, achei um absurdo o Liverpool pagar mais de 200 milhões de reais por ele.

Eu, como muitos, estávamos errados. Ele não só provou seu valor na Premier League como passou a tomar todas as decisões corretas. Passa quando tem que passar. Finaliza quando tem que finalizar. E faz gols. Um caminhão deles.

O Liverpool perdeu seu (suposto) melhor jogador em janeiro, Philippe Coutinho, e foi criticado por trazer um zagueiro (Van Dijk) por outro caminhão de dinheiro. Resultado? Acertou o sistema defensivo, manteve a velocidade na frente, já praticamente se garantiu no top 4 da Premier, derrubou três vezes seguidas o badalado time de Guardiola e está virtualmente na final da Champions League.

Tudo isso passa por um monte de gente. A coragem de Klopp, a grande fase de Firmino, a presença de Van Dijk, etc. Mas tudo isso passa essencialmente pelo Faraó. Por Salah.

Messi é o Pelé dos nossos tempos. Cristiano Ronaldo é o melhor atacante que já vimos. Os dois elevaram o nível do futebol a tal ponto que é muito difícil olhar para outro jogador e colocá-lo acima deles.

Mas lá está Salah. No topo da pirâmide.

 


Bayern x Real Madrid: o maior clássico europeu é uma final impossível
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Julio Gomes

Está é a décima Liga dos Campeões da Europa consecutiva que terá na final ou Real Madrid ou Bayern de Munique ou Barcelona. Mas nenhuma das 10 teve uma final entre dois dos três times que dominam o cenário há tanto tempo, deixando os também ricos e poderosos ingleses chupando dedos.

O sorteio desta sexta colocou frente a frente Bayern e Real, Real e Bayern. De novo. É o confronto que mais vezes aconteceu em competições europeias. Por isso, e pela história vitoriosa de ambos ao longo das décadas, é o maior clássico europeu.

Claro que não há, entre eles, a rivalidade e o ódio que envolvem confrontos locais, de mesma cidade ou país. Mas há tensão suficiente. Tem muita história. Muita mesmo.

Foram 24 jogos até hoje, todos eles válidos pela competição máxima europeia. Mas, nunca, em uma final. E, outra vez, o sorteio impediu que a decisão fosse realizada entre eles.

Nos 24 jogos até hoje, 11 vitórias para cada lado e 2 empates. O domínio caseiro é evidente e idêntico. Quem jogou em casa ganhou 9 vezes, empatou 1 e perdeu 2. Sim, o retrospecto de ambos é igual jogando em casa. Em mata-matas, o Real levou a melhor 6 vezes, o Bayern, 5. Em semifinais, o Bayern leva vantagem de 4 a 2 nos duelos entre eles.

Eu já contei isso aqui no blog outras vezes. O Bayern é o único clube do mundo que o Real Madrid verdadeiramente teme, não gosta de enfrentar. Por mais que o retrospecto seja tão equilibrado, existe uma imagem de que o Bayern é a pedra no sapato madrilenho, a “bestia negra”, o único “não freguês” do mundo. E nem mesmo as últimas duas vitórias do Real contra eles, nas semis de 2014 e nas quartas do ano passado, mudaram essa imagem.

Se em 2014 o Real, de Carlo Ancelotti, se aproveitou com bola aérea e contra ataques dos buracos deixados por Guardiola para golear em Munique, no ano passado a história foi diferente. Ancelotti era o técnico do Bayern, e uma expulsão injusta de Vidal no Bernabéu foi decisiva para o duelo pender para o Real na prorrogação.

Ancelotti, como sabemos, não durou no Bayern e deu lugar a Jupp Heynckes, campeão de tudo em 2013 e retirado da aposentadoria, para onde voltará dentro de um mês e pouquinho. Heynckes é um homem que fala a língua dos jogadores, de uma simplicidade incrível na leitura de jogo, um desses técnicos que nos faz pensar que talvez “menos seja mais” com um elenco estrelado em mãos.

Logicamente a chave para o Bayern é não deixar Cristiano Ronaldo fazer tantos estragos. Com ele, bobeou, dançou.

Quem quer que passe deste duelo será ultrafavorito se enfrentar a Roma na final de Kiev. E será ligeiramente favorito contra o Liverpool, uma camisa pesada, multicampeã e um time extremamente perigoso na fase ofensiva. Em um jogo, pode golear ou ser goleado por qualquer um. Pode eliminar o City, como pode perder da Roma. É um time imprevisível.

Bayern de Munique e Real Madrid. A final que parece que nunca será. É que merecemos mesmo ver sempre dois jogos entre eles. Um é pouco.

 

 

 


Klopp deu mais baile sobre um ‘inventor’ Guardiola
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Julio Gomes

Jurgen Klopp não é qualquer treinador de futebol. É o único homem que ganhou seis jogos de futebol contra Pep Guardiola (perdeu cinco).

Guardiola não é infalível. Ele erra. Todos erramos. Mas há erros e erros. Momentos e momentos para errar. Errar nas quartas de final da Champions. E contra Klopp… bem, são esses os erros que te assombram por anos.

O Manchester City atuou o ano inteiro com jogadores abertos, colados nas linhas laterais, espalhando as defesas rivais e dando corredores para De Bruyne e David Silva. Nesta quarta, em Liverpool, Guardiola não escalou nem Sterling nem Bernardo Silva. Optou por Gundogan, um volante, aberto pela direita. Perdeu agressividade no ataque e consistência no meio de campo. Do outro lado, optou por um zagueiro, Laporte, na lateral esquerda.

Inventou. E pagou o preço. A derrota por 3 a 0 não é irreversível. Em setembro, no primeiro turno da Premier League, o City meteu 5 a 0 no Liverpool. Mas, convenhamos, o Liverpool está com um pé na semifinal, para provavelmente acompanhar Barcelona, Real Madrid e Bayern nas semis mais laureadas de todos os tempos.

No primeiro tempo em Anfield Road, o City teve “só” 55% de posse de bola, abaixo de sua média. O Liverpool foi o time que quis a bola. Especialmente no segundo seguinte após perdê-la.

Ao longo dos anos, muitos treinadores tentaram parar os times de Guardiola marcando de forma passiva e fechando linhas na frente da área. Klopp, não. E vimos mais uma vez um time do alemão jogar de forma agressiva, mordendo em todas as partes do campo e adiantando a primeira linha de marcação até a área, quando preciso. Até Ederson chegou a ser pressionado na saída de bola.

A marcação agressiva do Liverpool, somada à má escalação do City, resultou em um incrível 3 a 0 em apenas meia hora de jogo.

Guardiola só foi acertar o time no intervalo. Abriu De Bruyne pela direita e trouxe Gundogan para o meio. Depois, colocou Sterling no lugar do alemão, posicionando o belga ao lado de Silva, pelo meio. Ou seja, o City só jogou como City dos 12min do segundo tempo para frente.

Criou chances, pressionou, jogou dentro da área do Liverpool – e ainda teve sorte por Salah sair contundido, o que obviamente comprometeu as saídas do time da casa em contra ataques.

Mas, em apenas meia hora e com Sané e De Bruyne em uma noite para esquecer, não eu para o City.

É a terceira vitória do Liverpool de Klopp sobre o City de Guardiola em três duelos em Anfield. A sexta de Klopp em 13 jogos contra o catalão, se somarmos os duelos da Alemanha. Está virando freguês.

 


Barcelona e Bayern são os sortudos do dia na Champions
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Julio Gomes

Não sejamos hipócritas. Tudo bem que é reta final, todo jogo é difícil, não tem moleza, etc e tal. Mas é lógico que Roma e Sevilla eram os times que todos queriam enfrentar nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa. E os agraciados foram Barcelona e Bayern de Munique.

O Bayern não pode reclamar da sorte! Depois de ser segundo colocado na fase de grupos, escapou de clássicos nas oitavas e enfrentou o Besiktas, da Turquia. Agora, nas quartas, pega o Sevilla e decide em casa.

O Barcelona joga a primeira em casa e decide a classificação em Roma. O favoritismo de Barça e Bayern nestes dois duelos é marcante.

Já os outros dois confrontos são equilibrados. Juventus e Real Madrid reeditam a final do ano passado, são duas camisas pesadíssimas. É um clássico europeu. Existe um ligeiro favoritismo do Madrid, logicamente, por ser o bicampeão e por ter Cristiano Ronaldo. Mas a Juventus já eliminou o Real recentemente e está em franco crescimento na temporada.

Nos últimos quatro anos, o Real ganhou a Champions três vezes. Na única vez que ficou pelo caminho, em 2015, foi eliminado justamente pela Juve.

E o Manchester City vai decidir em casa contra o Liverpool, em um duelo doméstico que deixará um inglês apenas nas semifinais. O Liverpool é capaz de tudo. Faz muitos gols, leva muitos gols, tem um técnico ousado. Tanto que, em um 4 a 3 épico, foi o time que quebrou a invencibilidade do City na temporada, em janeiro.

O City é mais time e, assim como o Real, tem certo favoritismo. Mas é um duelo equilibrado. Até porque o Liverpool tem muito mais história e tradição.

O sorteio permitiu que os quatro times mais fortes do continente – Real Madrid, Barcelona, Bayern e Manchester City – possam estar juntos nas semifinais. Será que alguém pode impedir que este destino se concretize?


Ingleses? A era é de Barcelona, Bayern e Real Madrid na Champions
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Julio Gomes

Muito se fala da Premier League, que é, de fato, uma liga com jogos fantásticos. Mas os últimos 10 anos de futebol europeu mostram uma superioridade inegável dos melhores times espanhóis, do Bayern e até da Juventus sobre os melhores ingleses.

Não discuto que a competitividade da Premier é maior que da Liga espanhola, da Bundesliga e da Série A italiana. Isso se deve a uma classe média/baixa de nível mais alto. E o ritmo dos jogos é mais intenso, a meu ver, porque a arbitragem deixa correr, sem marcar tantas faltas e sem sofrer com mimimi e teatro dos jogadores.

No entanto, o domínio absurdo de Real Madrid, Barcelona e Bayern fala muito mais deles do que dos outros. Eles não dominam seus campeonatos domésticos porque os outros são ruins. Mas, sim, porque eles são muito bons.

Este domínio seria igual, em um hipotético campeonato europeu em pontos corridos (credo).

Quem argumenta que a Liga espanhola é fraca cita sempre o hipotético Getafe-Leganés do domingo de manhã. Mas se esquece do timaço do Atlético de Madrid, se esquece do sucesso europeu do Sevilla, se esquece de um monte de coisas. E quem acha a Bundesliga uma liga sem graça não assiste a jogo algum da Alemanha, isso eu garanto.

Nesta sexta-feira cedinho, quando forem sorteados os jogos de quartas de final  da Liga dos Campeões da Europa, Barça, Real e Bayern estarão lá, juntos, pela sétima temporada seguida. Se não derem o azar de se enfrentarem, é bem possível que estejam os três juntos nas semifinais pela quarta vez nestes sete anos. É muita coisa. É muita hegemonia.

Quer mais? Desde aquela final inglesa de 2008, em Moscou, nunca mais uma decisão europeia deixou de ter Bayern, Real ou Barça.

Muito se falou da presença dos cinco ingleses nas oitavas de final neste ano, um feito inédito. E muitos achavam que a Inglaterra poderia classificar os cinco para as quartas. Pois é. Passaram só dois. Da Espanha, passaram três. Da Itália, também passaram dois. Quem imaginava que o Sevilla, que nem vive sua melhor temporada, eliminaria o Manchester United?

Talvez os nomes e os valores gastos no mercado turvem nossa visão. Hoje, não é possível considerar times da Premier favoritos em duelos contra times da Liga espanhola. Simples assim. Pelo menos não se olharmos o retrospecto dos últimos 10 anos de Champions e até Europa League.

Os melhores times espanhóis são melhores que os melhores times ingleses e provam isso ano após ano.

O domínio do Manchester City na Inglaterra, um domínio que nunca se viu na Premier, faz com que o campeonato seja considerado fraco e pouco competitivo? Não, né? O que esse domínio nos mostra é que o City tem um time especial, que está fazendo algo diferente – sob comando de um técnico espanhol, diga-se.

O Manchester City parece ser, entre os quadrifinalistas, o único time capaz de derrubar Bayern, Barcelona ou Real Madrid. Será? Pode ser. Mas que Guardiola prefere não jogar contra nenhum dos três, pode ter certeza que prefere…