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Marcelo x Salah é o duelo chave da final da Champions
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Julio Gomes

Chegou a hora. Real Madrid e Liverpool vão decidir amanhã, em Kiev, o título europeu. O Real Madrid tenta se transformar no primeiro a vencer a competição máxima do continente por três vezes seguidas desde o Bayern dos anos 70 – já é o primeiro a ganhar dois seguidos na “era Champions”. O Liverpool, que nunca conquistou o Inglês na “era Premier League”, pode voltar a ser coroado após o “milagre de Istambul”, em 2005, para cima do Milan.

Muito se fala do duelo Cristiano Ronaldo x Salah. A vitória na final seria um passo decisivo rumo à Bola de Ouro – ainda que falte “só” a Copa do Mundo para ser jogada.

Quando todos esperavam o ano de Neymar, após a chegada triunfal ao PSG, foi um egípcio que saiu do nada para se meter entre Messi e Cristiano Ronaldo, dominantes há 10 anos.

Mas não é Cristiano Ronaldo quem irá parar Salah na final deste sábado. A responsabilidade é coletiva. E o setor é o de Marcelo.

Este é o grande duelo da decisão. Marcelo x Salah. Marcelo vive um momento sublime na carreira e é de seus pés que costumam sair as jogadas mais perigosas do Real Madrid.

Pode ser um drible que rompa uma das linhas e gere profundidade. Pode ser uma finalização certeira de fora da área, como a contra o Bayern m Munique. Pode ser uma tabela com um dos atacantes. Pode ser uma daquelas magníficas viradas de jogo, que gera um contra um pelo outro lado do campo.

Muitas vezes o jogo do Real nasce por ali, e Salah é o primeiro jogador a dar o combate.

Não podemos perder de vista que Marcelo está longe de ser perfeito na defesa. Ainda que tenha evoluído, é um ponto fraco do Real e precisa de muita ajuda por ali. É o lado de Salah, um jogador que faz uma temporada surreal.

Há muitos outros duelos que podem definir o jogo, mas é por ali que a final será jogada, estudada, pensada. Quem, entre os dois, ganhar a batalha nas fases ofensiva e decisiva, deixará seu time muito bem encaminhado.


Liverpool foi o único capaz de vencer final do Real nos últimos 52 anos
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Julio Gomes

Real Madrid e Liverpool farão, no próximo dia 26, em Kiev, a final mais premiada da história da Liga dos Campeões da Europa. São 17 títulos somados – 12 do Real, 5 dos ingleses.

Mas os dois não são apenas supercampeões. Eles são também supervencedores de finais.

Se levarmos em conta um mínimo de três finais disputadas, para tirarmos da conta os que venceram a uma ou duas decisões que jogaram, encontraremos em Real Madrid e Liverpool os dois clubes com melhor aproveitamento em finais.

O Real Madrid ganhou 12 e perdeu apenas 3, um aproveitamento de 80%. O Liverpool ganhou 5 e perdeu 2, ou seja, 71,5% de sucesso. Curiosamente, foi o próprio Liverpool que impôs ao Real uma dessas raras derrotas em finais: 1 a 0 na decisão de 1981, disputada em Paris.

O Real ganhou as cinco primeiras Copas da Europa, entre 56 e 60, os anos de Di Stefano, Gento e companhia. Depois perdeu duas finais – em 62, para o Benfica de Eusébio, e em 64, para a Inter de Milão. Voltou a ser campeão em 66. Depois disso, o time da capital espanhola demorou 32 anos para voltar a ser campeão continental, já entrando na era moderna da Champions League.

Entre o hexa, em 66, e o hepta, em 98, a única final disputada pelo Real foi a de 81, quando perdeu para um Liverpool em seu auge europeu.

O Liverpool era dominante na Inglaterra no fim dos anos 70 e início dos 80. Foi campeão europeu em 77, 78, 81 e 84, perdendo a decisão de 85. Depois, na era Champions, conseguiu o milagre de Istambul em 2005, contra o Milan, para depois perder do próprio Milan em 2007 – nestes anos, como agora, o Liverpool não era cotado para chegar à decisão.

Na era Champions League, o Real Madrid ganhou as seis finais que jogou – duas contra a Juventus (98 e 2017), duas contra o Atlético de Madrid (2014 e 16), uma contra o Valencia (2000) e uma contra o Bayer Leverkusen (2002). Somados, todos esses adversários derrotados pelo Real tinham apenas dois títulos máximos europeus (ambos da Juventus, que, ao contrário dos finalistas deste ano, é o clube com pior aproveitamento em decisões).

Portanto, em 10 de seus 12 títulos, o Real enfrentou um time que, na ocasião, nunca havia sido campeão.

Quando os dois gigantes disputaram a final em 81, a competição tinha outro formato, apenas com os campeões nacionais e eliminatórias desde o início. Falando o português claro, era mais difícil entrar no torneio, mas mais fácil chegar até o fim – o que aumenta os méritos do Real Madrid da atualidade.

Em 80/81, o Liverpool havia passado por Oulun (FIN), Aberdeen (ESC), CSKA Sofia (BUL) e Bayern de Munique. O Real Madrid havia passado por Limerick (IRL), Honved (HUN), Spartak Moscou (RUS) e Inter de Milão.

O Liverpool entrou em campo na decisão com oito ingleses e três escoceses. O Real Madrid tinha nove espanhóis, um alemão e um inglês. O que dá bem a noção de como os tempos eram outros. Alan Kennedy fez o gol do título, aos 37min do segundo tempo.


Salah é o melhor jogador do mundo, será injusto se não for Bola de Ouro
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Julio Gomes

A primeira coisa que é importante ressaltar, antes de seguir com este post. O prêmio de melhor jogador de futebol do mundo não pode ser dado para quem “é” e, sim, para quem “está”. É um prêmio de melhor do ano. Para premiar a temporada, não uma avaliação geral de todos os atributos e potencial que os jogadores têm na vida.

Dito isso, será uma das grandes injustiças da história se não for Mohamed Salah, um egípcio, um herói improvável, o jogador encarregado de quebrar os 10 anos de domínio de Messi e Cristiano Ronaldo dividindo a premiação de melhor do mundo.

Desde que Kaká foi eleito, em 2007, o argentino e o português ficaram com cinco prêmios cada. No meio do caminho, a Fifa “comprou” a Bola de Ouro, uma premiação mais técnica e com mais credibilidade – afinal, a votação da Fifa é povoada de jogadores, técnicos e jornalistas da periferia da bola, mais sujeitos a votar em nomes famosos.

Agora, Bola de Ouro e Fifa estão separadas novamente. Não consigo prever o que acontecerá na premiação da Fifa, creio que dependerá demais da Copa do Mundo.

Mas acredito que dificilmente a Bola de Ouro sairá das mãos de Mohamed Salah. E será injusto se não for assim.

Salah já foi eleito o melhor jogador da Premier League por seus pares – um indicativo importante, em um campeonato tão dominado por um time, o Manchester City, que não é o dele.

Na temporada toda, são 43 gols em 47 jogos para Salah. Uma enormidade. E ele ainda produz um número significativo de assistências.

Nesta terça, contra a Roma, Salah fez dois e deu dois passes para gol. Os dois gols foram os dois primeiros. E foram dois golaços. Este é outro detalhe. O cara virou o Messi de um ano para o outro. É gol de canhota no ângulo, de cavadinha… é só golaço. Sem contar a função tática pela esquerda, fechando espaços e criando muitos problemas com tanta velocidade.

Quando saiu de campo, o Liverpool relaxou e tomou dois gols que ainda fazem a Roma sonhar. No fim, 5 a 2 para o time inglês. É muito difícil a classificação para a final europeia escapar, mas futebol é futebol.

No dia 15 de junho, o Egito vai estrear na Copa do Mundo contra o Uruguai, em Ekaterimburgo. Será o primeiro jogo do Egito em Copas desde 1990. Será o dia do aniversário de 26 anos de Salah, que não é nenhum garotinho.

Foi contratado pelo Chelsea quatro anos atrás, não deu certo, foi emprestado para a Fiorentina, vendido para a Roma. Na Itália, eu costumava chamá-lo de “uma espécie de Mirandinha”. Velocista, ciscador, mas péssimo na tomada de decisões. Meio burro, falando o português claro (“ou corro ou penso, professor”). Eu, como muitos, achei um absurdo o Liverpool pagar mais de 200 milhões de reais por ele.

Eu, como muitos, estávamos errados. Ele não só provou seu valor na Premier League como passou a tomar todas as decisões corretas. Passa quando tem que passar. Finaliza quando tem que finalizar. E faz gols. Um caminhão deles.

O Liverpool perdeu seu (suposto) melhor jogador em janeiro, Philippe Coutinho, e foi criticado por trazer um zagueiro (Van Dijk) por outro caminhão de dinheiro. Resultado? Acertou o sistema defensivo, manteve a velocidade na frente, já praticamente se garantiu no top 4 da Premier, derrubou três vezes seguidas o badalado time de Guardiola e está virtualmente na final da Champions League.

Tudo isso passa por um monte de gente. A coragem de Klopp, a grande fase de Firmino, a presença de Van Dijk, etc. Mas tudo isso passa essencialmente pelo Faraó. Por Salah.

Messi é o Pelé dos nossos tempos. Cristiano Ronaldo é o melhor atacante que já vimos. Os dois elevaram o nível do futebol a tal ponto que é muito difícil olhar para outro jogador e colocá-lo acima deles.

Mas lá está Salah. No topo da pirâmide.

 


Bayern x Real Madrid: o maior clássico europeu é uma final impossível
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Julio Gomes

Está é a décima Liga dos Campeões da Europa consecutiva que terá na final ou Real Madrid ou Bayern de Munique ou Barcelona. Mas nenhuma das 10 teve uma final entre dois dos três times que dominam o cenário há tanto tempo, deixando os também ricos e poderosos ingleses chupando dedos.

O sorteio desta sexta colocou frente a frente Bayern e Real, Real e Bayern. De novo. É o confronto que mais vezes aconteceu em competições europeias. Por isso, e pela história vitoriosa de ambos ao longo das décadas, é o maior clássico europeu.

Claro que não há, entre eles, a rivalidade e o ódio que envolvem confrontos locais, de mesma cidade ou país. Mas há tensão suficiente. Tem muita história. Muita mesmo.

Foram 24 jogos até hoje, todos eles válidos pela competição máxima europeia. Mas, nunca, em uma final. E, outra vez, o sorteio impediu que a decisão fosse realizada entre eles.

Nos 24 jogos até hoje, 11 vitórias para cada lado e 2 empates. O domínio caseiro é evidente e idêntico. Quem jogou em casa ganhou 9 vezes, empatou 1 e perdeu 2. Sim, o retrospecto de ambos é igual jogando em casa. Em mata-matas, o Real levou a melhor 6 vezes, o Bayern, 5. Em semifinais, o Bayern leva vantagem de 4 a 2 nos duelos entre eles.

Eu já contei isso aqui no blog outras vezes. O Bayern é o único clube do mundo que o Real Madrid verdadeiramente teme, não gosta de enfrentar. Por mais que o retrospecto seja tão equilibrado, existe uma imagem de que o Bayern é a pedra no sapato madrilenho, a “bestia negra”, o único “não freguês” do mundo. E nem mesmo as últimas duas vitórias do Real contra eles, nas semis de 2014 e nas quartas do ano passado, mudaram essa imagem.

Se em 2014 o Real, de Carlo Ancelotti, se aproveitou com bola aérea e contra ataques dos buracos deixados por Guardiola para golear em Munique, no ano passado a história foi diferente. Ancelotti era o técnico do Bayern, e uma expulsão injusta de Vidal no Bernabéu foi decisiva para o duelo pender para o Real na prorrogação.

Ancelotti, como sabemos, não durou no Bayern e deu lugar a Jupp Heynckes, campeão de tudo em 2013 e retirado da aposentadoria, para onde voltará dentro de um mês e pouquinho. Heynckes é um homem que fala a língua dos jogadores, de uma simplicidade incrível na leitura de jogo, um desses técnicos que nos faz pensar que talvez “menos seja mais” com um elenco estrelado em mãos.

Logicamente a chave para o Bayern é não deixar Cristiano Ronaldo fazer tantos estragos. Com ele, bobeou, dançou.

Quem quer que passe deste duelo será ultrafavorito se enfrentar a Roma na final de Kiev. E será ligeiramente favorito contra o Liverpool, uma camisa pesada, multicampeã e um time extremamente perigoso na fase ofensiva. Em um jogo, pode golear ou ser goleado por qualquer um. Pode eliminar o City, como pode perder da Roma. É um time imprevisível.

Bayern de Munique e Real Madrid. A final que parece que nunca será. É que merecemos mesmo ver sempre dois jogos entre eles. Um é pouco.

 

 

 


Klopp deu mais baile sobre um ‘inventor’ Guardiola
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Julio Gomes

Jurgen Klopp não é qualquer treinador de futebol. É o único homem que ganhou seis jogos de futebol contra Pep Guardiola (perdeu cinco).

Guardiola não é infalível. Ele erra. Todos erramos. Mas há erros e erros. Momentos e momentos para errar. Errar nas quartas de final da Champions. E contra Klopp… bem, são esses os erros que te assombram por anos.

O Manchester City atuou o ano inteiro com jogadores abertos, colados nas linhas laterais, espalhando as defesas rivais e dando corredores para De Bruyne e David Silva. Nesta quarta, em Liverpool, Guardiola não escalou nem Sterling nem Bernardo Silva. Optou por Gundogan, um volante, aberto pela direita. Perdeu agressividade no ataque e consistência no meio de campo. Do outro lado, optou por um zagueiro, Laporte, na lateral esquerda.

Inventou. E pagou o preço. A derrota por 3 a 0 não é irreversível. Em setembro, no primeiro turno da Premier League, o City meteu 5 a 0 no Liverpool. Mas, convenhamos, o Liverpool está com um pé na semifinal, para provavelmente acompanhar Barcelona, Real Madrid e Bayern nas semis mais laureadas de todos os tempos.

No primeiro tempo em Anfield Road, o City teve “só” 55% de posse de bola, abaixo de sua média. O Liverpool foi o time que quis a bola. Especialmente no segundo seguinte após perdê-la.

Ao longo dos anos, muitos treinadores tentaram parar os times de Guardiola marcando de forma passiva e fechando linhas na frente da área. Klopp, não. E vimos mais uma vez um time do alemão jogar de forma agressiva, mordendo em todas as partes do campo e adiantando a primeira linha de marcação até a área, quando preciso. Até Ederson chegou a ser pressionado na saída de bola.

A marcação agressiva do Liverpool, somada à má escalação do City, resultou em um incrível 3 a 0 em apenas meia hora de jogo.

Guardiola só foi acertar o time no intervalo. Abriu De Bruyne pela direita e trouxe Gundogan para o meio. Depois, colocou Sterling no lugar do alemão, posicionando o belga ao lado de Silva, pelo meio. Ou seja, o City só jogou como City dos 12min do segundo tempo para frente.

Criou chances, pressionou, jogou dentro da área do Liverpool – e ainda teve sorte por Salah sair contundido, o que obviamente comprometeu as saídas do time da casa em contra ataques.

Mas, em apenas meia hora e com Sané e De Bruyne em uma noite para esquecer, não eu para o City.

É a terceira vitória do Liverpool de Klopp sobre o City de Guardiola em três duelos em Anfield. A sexta de Klopp em 13 jogos contra o catalão, se somarmos os duelos da Alemanha. Está virando freguês.

 


Barcelona e Bayern são os sortudos do dia na Champions
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Julio Gomes

Não sejamos hipócritas. Tudo bem que é reta final, todo jogo é difícil, não tem moleza, etc e tal. Mas é lógico que Roma e Sevilla eram os times que todos queriam enfrentar nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa. E os agraciados foram Barcelona e Bayern de Munique.

O Bayern não pode reclamar da sorte! Depois de ser segundo colocado na fase de grupos, escapou de clássicos nas oitavas e enfrentou o Besiktas, da Turquia. Agora, nas quartas, pega o Sevilla e decide em casa.

O Barcelona joga a primeira em casa e decide a classificação em Roma. O favoritismo de Barça e Bayern nestes dois duelos é marcante.

Já os outros dois confrontos são equilibrados. Juventus e Real Madrid reeditam a final do ano passado, são duas camisas pesadíssimas. É um clássico europeu. Existe um ligeiro favoritismo do Madrid, logicamente, por ser o bicampeão e por ter Cristiano Ronaldo. Mas a Juventus já eliminou o Real recentemente e está em franco crescimento na temporada.

Nos últimos quatro anos, o Real ganhou a Champions três vezes. Na única vez que ficou pelo caminho, em 2015, foi eliminado justamente pela Juve.

E o Manchester City vai decidir em casa contra o Liverpool, em um duelo doméstico que deixará um inglês apenas nas semifinais. O Liverpool é capaz de tudo. Faz muitos gols, leva muitos gols, tem um técnico ousado. Tanto que, em um 4 a 3 épico, foi o time que quebrou a invencibilidade do City na temporada, em janeiro.

O City é mais time e, assim como o Real, tem certo favoritismo. Mas é um duelo equilibrado. Até porque o Liverpool tem muito mais história e tradição.

O sorteio permitiu que os quatro times mais fortes do continente – Real Madrid, Barcelona, Bayern e Manchester City – possam estar juntos nas semifinais. Será que alguém pode impedir que este destino se concretize?


Ingleses? A era é de Barcelona, Bayern e Real Madrid na Champions
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Julio Gomes

Muito se fala da Premier League, que é, de fato, uma liga com jogos fantásticos. Mas os últimos 10 anos de futebol europeu mostram uma superioridade inegável dos melhores times espanhóis, do Bayern e até da Juventus sobre os melhores ingleses.

Não discuto que a competitividade da Premier é maior que da Liga espanhola, da Bundesliga e da Série A italiana. Isso se deve a uma classe média/baixa de nível mais alto. E o ritmo dos jogos é mais intenso, a meu ver, porque a arbitragem deixa correr, sem marcar tantas faltas e sem sofrer com mimimi e teatro dos jogadores.

No entanto, o domínio absurdo de Real Madrid, Barcelona e Bayern fala muito mais deles do que dos outros. Eles não dominam seus campeonatos domésticos porque os outros são ruins. Mas, sim, porque eles são muito bons.

Este domínio seria igual, em um hipotético campeonato europeu em pontos corridos (credo).

Quem argumenta que a Liga espanhola é fraca cita sempre o hipotético Getafe-Leganés do domingo de manhã. Mas se esquece do timaço do Atlético de Madrid, se esquece do sucesso europeu do Sevilla, se esquece de um monte de coisas. E quem acha a Bundesliga uma liga sem graça não assiste a jogo algum da Alemanha, isso eu garanto.

Nesta sexta-feira cedinho, quando forem sorteados os jogos de quartas de final  da Liga dos Campeões da Europa, Barça, Real e Bayern estarão lá, juntos, pela sétima temporada seguida. Se não derem o azar de se enfrentarem, é bem possível que estejam os três juntos nas semifinais pela quarta vez nestes sete anos. É muita coisa. É muita hegemonia.

Quer mais? Desde aquela final inglesa de 2008, em Moscou, nunca mais uma decisão europeia deixou de ter Bayern, Real ou Barça.

Muito se falou da presença dos cinco ingleses nas oitavas de final neste ano, um feito inédito. E muitos achavam que a Inglaterra poderia classificar os cinco para as quartas. Pois é. Passaram só dois. Da Espanha, passaram três. Da Itália, também passaram dois. Quem imaginava que o Sevilla, que nem vive sua melhor temporada, eliminaria o Manchester United?

Talvez os nomes e os valores gastos no mercado turvem nossa visão. Hoje, não é possível considerar times da Premier favoritos em duelos contra times da Liga espanhola. Simples assim. Pelo menos não se olharmos o retrospecto dos últimos 10 anos de Champions e até Europa League.

Os melhores times espanhóis são melhores que os melhores times ingleses e provam isso ano após ano.

O domínio do Manchester City na Inglaterra, um domínio que nunca se viu na Premier, faz com que o campeonato seja considerado fraco e pouco competitivo? Não, né? O que esse domínio nos mostra é que o City tem um time especial, que está fazendo algo diferente – sob comando de um técnico espanhol, diga-se.

O Manchester City parece ser, entre os quadrifinalistas, o único time capaz de derrubar Bayern, Barcelona ou Real Madrid. Será? Pode ser. Mas que Guardiola prefere não jogar contra nenhum dos três, pode ter certeza que prefere…

 


Mourinho perdeu de vez a vergonha de estacionar seus ônibus
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Julio Gomes

Após a inédita classificação de cinco times para as oitavas de final e as sonoras goleadas aplicadas por Manchester City e Liverpool fora de casa, semana passada, a moda foi falar da força dos ingleses na Liga dos Campeões da Europa.

Mas se é verdade que, além dos já citados acima, o Tottenham tem uma bela vantagem contra a Juventus (2 a 2 na ida em Turim), Chelsea e Manchester United saem dos jogos de ida das oitavas de final em situação não tão confortável.

E foram eles justamente os ingleses que enfrentaram nesta semana clubes da Espanha, o país líder do ranking da Uefa.

O Chelsea, na terça, ficou no 1 a 1 com o Barcelona, em casa. Vai ter de buscar o resultado no Camp Nou, na segunda semana de março. E o Manchester United, nesta quarta, foi completamente dominado pelo Sevilla e precisa levantar as mãos aos céus por ter saído da Andaluzia com um 0 a 0.

Foram 25 finalizações do Sevilla, 8 delas exigindo defesas de De Gea (uma delas, no final do primeiro tempo, simplesmente milagrosa). Pelos lados do United, apenas 6 finalizações, só uma a gol. Sim, Mourinho nunca teve e segue sem ter vergonha alguma de buscar resultados desta forma pragmática. O que não dá para entender é fazê-lo com um elenco como este do United.

Estacionar o ônibus em Sevilha, contra um time que nem está tão certinho assim, trocou de técnico recentemente… é muito pouco para um clube do tamanho do United.

Ainda assim, o 0 a 0 não garante nada. O Sevilla jogará por qualquer empate com gols na volta, em Manchester. E viajará com a certeza de poder encarar o United de igual para igual.

O Barcelona tem a vantagem de jogar em casa contra o Chelsea, ter mais time e poder se classificar com um 0 a 0. O Sevilla tem a vantagem de ir a Manchester jogando por dois resultados. Sem dúvida, os times de Conte e Mourinho são os ingleses em pior situação.

Desde o título do Chelsea, em 2012, os clubes ingleses nunca mais passaram perto de ganhar o título da Champions. Nas cinco temporadas desde então, a Espanha colocou sempre três times nas quartas de final e dois nas semifinais.

Nas últimas nove temporadas, foram três títulos do Real Madrid, três do Barcelona e os outros três foram divididos entre alemães, italianos e ingleses. No mesmo período, Sevilla e Atlético de Madrid ganharam, entre eles, cinco Europa Leagues. Esta década é da Espanha, sem a menor sombra de dúvidas.

Entre 2007 e 2009, a Inglaterra sempre colocou três times nas semifinais – e em dois destes torneios colocou quatro nas quartas de final. Com a força da Premier League e o dinheiro fluindo, a impressão era que a Europa voltaria a ser coisa de ingleses, como ocorrera no fim dos anos 70, começo dos 80.

Mas o domínio de mais ou menos dez anos atrás não se confirmou. E é simplista dizer que isso não ocorreu apenas por causa da força de Real e Barça. Duas explicações corriqueiras são o calendário inglês, mais extenuante que o espanhol, o alemão e o italiano, e a competitividade maior na Premier League, o que dá menos “folga” para os principais times.

Enfim. É fato que os clubes ingleses parecem mais fortes neste ano do que nos anteriores. Mas não é surpresa nem que haja uma final inglesa e nem que nenhum deles chegue às semifinais. Convém esperar.

 


A Premier dá mais uma lição: jogadores que não desistem nunca
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Julio Gomes

Liverpool e Tottenham fizeram um jogo daqueles de dar gosto. Os clássicos da Premier League costumam ser fantásticos. Os do Liverpool então, nem se fala – afinal, é um time de DNA ofensivo e com defensores que cometem muitas falhas infantis.

O Liverpool, único capaz de ganhar do todo-poderoso Manchester City na Premier, vencia o Tottenham por 1 a 0 em casa. Foi melhor no primeiro tempo, podia ter feito mais. Na sequência, o time londrino dominou totalmente o segundo tempo, mas esbarrava na defesa de Liverpool.

Até que tudo aconteceu nos 15 minutos finais. O empate saiu dos pés de Wanyama, com um petardo inacreditável de fora da área. Um dos gols do ano.

Em vez da satisfação com o empate, o Tottenham mostrou sede. Foi para cima e conseguiu um pênalti. Em um lance difícil, em que Kane estava em posição de impedimento, mas a falha de Lovren, que ataca a bola e fura, tocando de leve nela, habilita o atacante. Kane, em uma rara tarde infeliz, chuta no meio do gol e desperdiça o que seria a virada.

Tudo indicava que o jogo acabaria empatado. Mas aí o egípcio Salah, que certamente é um dos cinco melhores jogadores da temporada, fez o inimaginável. Recebeu uma bola pela direita, cruzou e ela tocou no braço de Delle Ali. Pênalti não marcado. Salah é tão rápido, tão rápido, que deu tempo de reclamar, desistir de reclamar, insistir na jogada, driblar três e meter o 2 a 1. Outro gol do ano.

Impossível não pensar em tantos jogadores que ficariam lá reclamando de pênalti e correriam babando para cima do árbitro. Vemos isso com frequência no Brasil. O jogador que desiste da jogada para reclamar ou cavar alguma falta.

Acabou, certo?

Nada disso. Ainda deu tempo de o Tottenham jogar uma bola na área e Van Dijk, o zagueiro mais caro do mundo, chutar Lamela na área. Teve a intenção? Não vejo intenção de fazer falta no lance. Mas o fato é que Lamela se antecipa na jogada, ganha o espaço e é acertado. Pênalti.

Só que o juiz não viu! Passaram alguns segundos até que o assistente chamou o árbitro para falar do pênalti. Aos 49 do segundo tempo, em um clássico, fora de casa.

Quantos bandeiras no mundo têm a capacidade técnica e, o principal, a coragem, a tranquilidade para marcar um lance desses? Saber que não será agredido, não irá para a geladeira, etc, etc…

E lá se foi Kane para a segunda chance e seu gol número 100. Depois de perder a chance da virada, não perdeu a do empate. 2 a 2.

A Premier League dá lições para todo mundo, principalmente aqui para nós, todos os dias. Mas, à parte toda a organização magnífica extra-campo, o que mais têm encantado são as lições dentro das quatro linhas.

Jogadores que não simulam, respeitam as decisões de arbitragem, que escolhem jogar bola. E não desistem nunca.


Ingleses dominam mercado de inverno na Europa. Quem se deu melhor?
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Julio Gomes

O mercado de inverno europeu deu sequência à gastança que vimos no verão. Grandes negócios foram fechados, com volumes monstruosos de dinheiro, mesmo entre clubes médios e pequenos. O mercado foi especialmente interessante na Inglaterra.

Quem se deu bem? Quem se deu mal?

Espanha

O Real Madrid, apesar da crise, ficou quieto no mercado, não achou que fosse necessário se reforçar. É claro que o silêncio de Zidane no mercado será lembrado se o Real for eliminado pelo PSG e a temporada “acabar”.

O Barcelona, humilhado no verão, fez a maior contratação do inverno ao trazer Philippe Coutinho. Como o futebol é dinâmico! Chegou também Mina. Saíram Mascherano, Rafinha (Inter) e os pouco usados Arda Turan e Deulofeu.

O Atlético de Madri ganhou os já conhecidos reforços de Diego Costa e Vitolo, que já estavam contratados, mas só poderiam jogar a partir de janeiro. O clube só não esperava estar fora da Champions, da Copa do Rei e com chances remotas na Liga a essas alturas. O Valencia, que vive grande temporada, trouxe Vietto e Coquelin e deve se manter no G4 para voltar à Champions. O Sevilla levou Guilherme Arana.

Inglaterra

O Manchester United e o Arsenal parecem ser os grandes vencedores do mercado de inverno. A troca “seca” Alexis Sánchez-Mkhitaryan fez com que o United ganhasse um jogador diferenciado sem gastar, e além de tudo, o chileno pode jogar a Champions. O Arsenal não ficou de mãos abanando.

Saíram Giroud e Walcott, mas Wenger conseguiu renovar o contrato de Ozil e ainda trouxe Aubameyang, do Borussia Dortmund. Se o treinador conseguir encaixar no time Lacazette, Aubameyang, Ozil e Mkhitaryan, pode dar samba.

Liverpool e Manchester City investiram em zagueiros (Van Dijk e Laporte), um porque não parava de levar gols, o outro porque Guardiola percebeu que não pode contar com Mangala, Stones e Kompany. Como a defesa fica constantemente exposta, Pep foi buscar um zagueiro que é muito bom na leitura de jogadas e antecipações.

Mas nenhum dos dois conseguiu tirar Mahrez do Leicester. O Liverpool, que perdeu Coutinho, foi o derrotado do mercado, logicamente. O Chelsea mandou Batschuayi emprestado para o Dortmund e trouxe o lateral brasileiro Emerson, além de Giroud e Barkley – o que não deve mudar a formação titular de meio/ataque. O Tottenham trouxe Lucas Moura, um bom reforço para completar elenco.

Outros países

O PSG perdeu apenas Lucas e trouxe Lass Diarra (lembra dele?) para compor elenco em uma posição em que o titular, Thiago Motta, vive machucado.

O Borussia Dortmund conseguiu uma boa venda com Aubameyang, trouxe Batschuayi e investiu no zagueiro Akanji, do Basel. O Bayern de Munique foi outro gigante quieto no mercado, trouxe apenas o veterano Sandro Wagner para o ataque.

A Juventus, assim como o Real Madrid, não trouxe nem perdeu ninguém. A disputa com o Napoli pelo título italiano será travada com os mesmos protagonistas da atualidade.