Blog do Júlio Gomes

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Sorte sorriu para o City na vitória sobre o Liverpool
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Julio Gomes

O Manchester City ganhou do Liverpool por 2 a 1, diminuindo a desvantagem para quatro pontos, tirando a invencibilidade do líder e colocando fogo na Premier League inglesa.

Antes de mais nada, um parênteses. Espero que todos os técnicos e jogadores do Brasil, principalmente os da base, tenham assistido a essa partida. Dois times taticamente perfeitos, agressivos, jogando todas as fases do jogo, sem abdicar de nada. Esse é o futebol que amamos.

A vitória teve mérito, raramente não é assim. Mas teve muito de sorte também.

O City se livrou por um centímetro (para ser mais exato, 11 milímetros) de fazer um gol contra no primeiro tempo. Após tabela maravilhosa entre Salah e Firmino e assistência do egípcio, Mané chutou na trave. Na volta, Stones, zagueiro do City, se apavorou e chutou a bola em cima de Ederson. A bola ia entrando quando o próprio Stones salvou. A tecnologia da linha do gol mostrou que não entrou por isso aí, um centímetro.

Sorte também o fato de Lovren, zagueiro croata supervalorizado, ser do Liverpool, não do City. Foi ele quem teve a velocidade de um mastodonte no final do primeiro tempo e deixou Aguero se antecipar, dominar, girar e fuzilar, sem chance para Alisson. A bola passou no único lugar por onde poderia passar, no pequeno espaço entre o goleiro brasileiro e a trave.

Lovren voltaria a vacilar três vezes no segundo tempo, mas o City não aproveitou. O zagueiro croata é velho, lento, é claramente o ponto fraco de uma defesa que leva poucos gols – o que valoriza ainda mais o outro zagueiro, o holandês Van Dijk.

Ironicamente, após o justo empate do Liverpool, marcado por Firmino (após falha de Danilo no lance), foi Van Dijk, com suas pernas longas, que deu condição de jogo, novamente por um centímetro, para Sterling receber uma boa bola, avançar e dar a assistência para Sane fazer o gol da vitória.

O chute cruzado do alemão bateu na trave e entrou, ao contrário do chute de Mané no primeiro tempo, que bateu na trave e voltou para a área.

No segundo tempo, houve pelo menos dois bate e rebates na área do City, aquelas bolas que podem cair em qualquer pé, mas que acabaram não entrando.

O resultado normal para o jogo seria um empate. O Liverpool fez por merecer e encurralou o City nos 20 minutos finais, coisa muito rara de se ver quando um time comandado por Guardiola está em campo.

Mas, nos detalhes, o jogo caiu para o City, não para o Liverpool. O futebol é assim. Quando dois times se equivalem e fazem bons jogos, o placar final será decidido por um erro, por uma genialidade, por um centímetro para lá ou para cá.

Para o time azul de Manchester, uma noite perfeita. Para o Liverpool, no entanto, não foi um desastre completo. O time mostrou não sentir a pressão, jogou pela vitória e merecia outro resultado. Não amarelou, enfim. Ainda são quatro pontos de vantagem e o sonho de acabar com a seca de 29 anos sem título da Premier mais do que vivo.

 


Time de 2018, Liverpool começa o ano com desafio gigante
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Julio Gomes

O Liverpool foi o grande time de futebol de 2018. E não falo isso naquela de “a última impressão é a que fica”. Não, é a impressão de um ano todo.

Vamos lembrar que, no primeiro semestre, o Liverpool foi até a final da Champions League, eliminando no caminho o Manchester City, de Guardiola, destruidor de todos os recordes na Premier League. Vamos lembrar que é com a camisa do Liverpool que joga Salah, o jogador de um país sem tradição alguma e que ousou se colocar no nível, tanto técnico quanto estatístico, de Cristiano Ronaldo e Messi.

E, claro, vieram a Copa do Mundo e o segundo semestre. A Copa nos mostrou que o futebol de posse de bola se transformou rapidamente no futebol da intensidade e das transições (hoje, passar a defender depois de atacar e atacar depois de defender, as duas transições, para contra atacar e para evitar contra ataques, são mais importantes do que simplesmente atacar ou simplesmente defender).

O Liverpool é o time de futebol do mundo que melhor compreende e executa o futebol do momento, à imagem de seu técnico, o alemão Jurgen Klopp.

Mesmo nos tempos de Borussia Dortmund, Klopp já era um anti-Guardiola de sucesso. Não uma nêmesis do tipo Mourinho, de extremos, criando uma rivalidade agressiva tanto em campo como no discurso. Klopp é um boa gente. Sua rivalidade com Guardiola não se trata de algo pessoal e midiático, mas estratégico.

Só que Klopp, apesar de ser uma pedra no sapato guardiolista, vai agora além dos momentos pontuais em que há um confronto direto. Agora o time de Klopp conseguiu transformar a intensidade em consistência (e tudo isso em um ano em que o Liverpool perdeu Philippe Coutinho).

Se, na temporada passada, o Liverpool era uma espécie de Robin Hood – leão nos jogos contra os outros grandes, gatinho contra os times médios e pequenos, uma verdadeira peneira defensiva -, agora os Reds passaram um turno inteiro sem perder um ponto sequer para um time fora do “big six” (os três maiores de Londres e os dois de Manchester).

O primeiro jogo gigantesco de 2019, hoje à tarde, coloca frente a frente Manchester City x Liverpool.

A percepção geral é que a pressão está toda do lado do time de Guardiola, pois é ele que joga em casa, que está sete pontos atrás e que, se perder, pode dar adeus ao título.

Não vejo assim. A pressão existe para os dois, mas, para mim, é maior para o Liverpool. Porque é o Liverpool que não ganha o Campeonato Inglês desde 1990 (nunca foi campeão na era Premier League e perdeu para o United o posto de maior vencedor do país).

O Liverpool é o raro clube grande europeu (o único, na real) que escolheria ganhar a liga doméstica do que a Champions League. O Liverpool PRECISA ganhar a Premier League neste ano, dado que montou um belo time e chega à metade do campeonato com vantagem considerável.

Se vencer hoje, o Liverpool dará um passo gigante para isso. Mas, e se perder? A vantagem cai para quatro pontos, as interrogações invadem a cabeça, o City ganha muita força e ainda faltará um mundo de 17 jogos. O empate hoje seria ótimo para o Liverpool. Mas será que o time de Klopp jogará pensando nisso? Se conformará com isso?

Não é e nunca foi a característica dos times de Klopp.

Hoje é dia para o Liverpool mostrar toda sua grandeza. Mostrar se esse time, que é quem melhor joga futebol no planeta já há meses, tem o DNA dos campeões. O resultado importa. Mas, a forma, ainda mais.

 


Após 10 anos, Guardiola, afinal, perde o trono
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Julio Gomes

Pep Guardiola surge como treinador de futebol, para os olhos de todos nós, há 10 anos. Um pouquinho mais que isso, para ser mais exato. No meio de 2008, ele assumia, para a surpresa de muitos, o time principal do Barcelona, sucedendo Rijkaard.

E, desde então, firmou-se como o grande gênio da classe.

Não adianta contarmos apenas os títulos para definirmos quem é melhor, isso é puro resultadismo, é tudo o que combato no futebol e na vida. Um golpe de sorte, uma genialidade, um erro, um centímetro – no futebol, qualquer coisa pode definir um título. É analisando desempenho e consistência e ouvindo o que dizem os próprios atletas e pares que fica mais justo apontar melhores e piores, profissionais de sucesso ou nem tanto.

Os times de Guardiola são os melhores do mundo desde que ele passou a brincar dessa coisa de ser técnico. Times com impressão digital, como se fossem um quadro assinado por um maestro, um roteiro de cinema com cada frase e cada take pensados de forma magistral.

Alguns ganharam tudo, outros não. Mas os times que ficam marcados são sempre os dele. As quatro Champions em cinco anos do Real Madrid importam, e muito. Mas, daqui a X anos, lembraremos do nome “Real Madrid”, talvez secundado pelo nome “Cristiano Ronaldo”. A década que se completa será para sempre a década de Guardiola.

Do Barcelona tão bom que nos fez compará-lo ao Santos de Pelé. De um Bayern de Munique destruidor de todos os recordes possíveis na ultracompetitiva Alemanha, que só não ganhou a Europa por obras do acaso. E de um Manchester City que fez a Premier League, a melhor liga doméstica do mundo, parecer coisa de amadores.

Em 2018, finalmente, Guardiola parece estar de volta ao mundo dos terráqueos. Pela primeira vez, acaba um ano e não digo que esse cara é o número 1.

Continua sendo um gênio. O City continua sendo um time espetacular, que daqui a seis meses pode ser campeão de absolutamente tudo. Mas, neste fim de 2018, o melhor técnico do mundo chama-se Jurgen Klopp, e o Liverpool é o time do ano.

Exatamente por combater o resultadismo, digo que isso nada tem a ver com as duas derrotas seguidas do City e a liderança absoluta do Liverpool na Premier. Isso é apenas consequência de algo que está sendo construído ao longo do ano. Os resultados deste mês de dezembro dão apenas uma forcinha a minha tese – que, aliás, já defendo neste espaço desde setembro. No dia 3 de janeiro tem aí um City x Liverpool, para eu quebrar a cara :-).

Se eu fosse um magnata, que comprasse a Portuguesa e tivesse todo o dinheiro do mundo à disposição, hoje meu alvo seria Klopp, e não Guardiola.

Aceito todas as disposições em contrário. Como sempre.

 


Klopp é o técnico que melhor entende o futebol da atualidade
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Julio Gomes

Pep Guardiola, José Mourinho, Diego Simeone, Zinedine Zidane. Não são poucos os técnicos badalados do mundo, e possivelmente todos eles mereçam os elogios e salários que recebem. Mas será que não subestimamos Jurgen Klopp?

O homem é o último a ter derrubado o Bayern de Munique na Bundesliga. Ficou a minutos de vencer a Champions com o Borussia Dortmund. Perdeu outra final, a de meses atrás, porque seu goleiro fez as lambanças que fez contra o Real Madrid. É a nêmesis de Guardiola, considerado por muitos, inclusive este escriba, o gênio dos gênios.

Creio que, neste momento, não haja técnico que entenda melhor o espírito do futebol mundial. O jogo se transformou. Hoje, há muita intensidade física, a disputa não para e os atletas precisam se multiplicar. Os torcedores, no estádio ou pela TV, querem ver correria e gols.

Não é à toa que os torcedores dos times de Klopp amem o alemão de paixão. Além de seus times serem legais de ver, eles vencem jogos e o treinador vive cada minuto da partida como se fosse o último da vida. A entrega dele é total. E a de seus comandados, logicamente, também.

Há outros técnicos que conseguem arrancar isso de seus jogadores. Mas talvez não consigam divertir as pessoas que estejam assistindo aos jogos.

O Liverpool foi o melhor time em campo durante todo o jogo contra o Paris Saint-Germain, neste dia de abertura da Liga dos Campeões da Europa. Venceu por 3 a 2, com um gol de Firmino nos acréscimos, mas poderia ter goleado. Estamos falando de dois dos favoritos ao título. Foi um jogaço.

O Liverpool é um time que pressiona demais o adversário. Quando tem a bola, imprime velocidade, empurra, joga com muita verticalidade. Quando não tem a bola, morde o tempo inteiro e em todas as linhas, em todas as partes do campo. É alucinante, a 200 por hora o tempo todo.

Letal no ataque e seguro na defesa, coisa que não era antes da chegada de Van Dijk. Talvez o detalhe a ser corrigido seja a falta de atenção nos 15 minutos finais das partidas. Tem que matar antes ou então saber se defender melhor no fim.

O Liverpool fez 2 a 0 no primeiro tempo sem muitos problemas contra o PSG e só levou um gol de Meunier porque o trio de arbitragem não apontou o impedimento de Cavani no lance – chega a ser surreal que a Champions não tenha o bendito VAR.

No segundo tempo, o normal seria vermos o PSG pressionar em busca do empate. Pode até ter tentado. Não conseguiu. O Liverpool foi o melhor time em campo e teve várias chances de ampliar o marcador.

Vou inventar uma frase nova agora: quem não faz, toma. O jogo estava mortinho. Um passe errado de Salah foi suficiente para, em um roubo de bola de Draxler, Neymar acelerar a jogada e ela sobrar para Mbappé empatar. O Paris mal sabia como tinha conseguido chegar ao 2 a 2.

Mas a intensidade dos times de Klopp é inesgotável. Apesar da ducha de água fria, o Liverpool foi para cima, empurrou e chegou ao merecido 3 a 2.

O Paris começou a temporada passada atropelando o Bayern e acabou sendo eliminado logo nas oitavas pelo Real Madrid. Perder hoje não quer dizer muita coisa. Mas há muito o que corrigir. Não tem muito sentido Neymar jogar como armador, ele precisa de espaço, de campo, do 1 contra 1, precisa estar perto do gol para fazer o que sabe fazer melhor: gol.

 


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