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Sem Itália e Holanda, Copa será a mais ‘desfalcada’ desde 94
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Julio Gomes

Com as eliminações de Itália e Holanda, ambas protagonizadas pela Suécia nas eliminatórias europeias, a Copa do Mundo de 2018 será a mais desfalcada do grupo de “potências” do futebol mundial desde a edição de 1994.

Na última vez que a Itália ficou fora de uma Copa, em 58, o Brasil ganhou seu primeiro título. Na última vez que a Holanda não se classificou para um Mundial, em 2002, o Brasil conquistou o penta. E na última vez em que mais de uma seleção campeã mundial ficou fora de uma Copa, em 1994, o Brasil ganhou o tetra.

Naquela ocasião, Inglaterra, Uruguai e França ficaram de fora da Copa organizada pelos EUA. A França ainda não era campeã do mundo, mas já tinha um time forte. Foi eliminada em casa, assim como a Itália nesta semana, de forma dramática, levando gol no último minuto. A alma só seria lavada quatro anos mais tarde.

Também não jogou a Copa de 94 a Dinamarca, então campeã europeia (92) – uma raridade, pois só três vezes na história o campeão europeu não se classificou para o Mundial seguinte. Esta é outra coincidência com a desfalcada Copa da Rússia. Além de Itália e Holanda, tampouco estará o Chile, campeão continental no ano passado. Foi apenas a segunda vez que um campeão de Copa América disputada a dois anos ou menos do Mundial acabou não se classificando.

Desde 98, quando o Mundial foi ampliado e passou de 24 para 32 seleções, tivemos três Copas com todos os campeões presentes: 2002 (mas sem a Holanda), 2010 e 2014 (estas, as únicas até hoje com as nove “grandes” presentes). Em 98 e 2006, o Uruguai foi o ausente após sucumbir nas eliminatórias.

Copas “desfalcadas” costumam trazer boas lembranças para o torcedor brasileiro.

No tricampeonato da seleção, em 70, não estiveram no Mundial do México quatro das nove seleções que formam o grupo de países com melhores resultados da história das Copas (o G9). Isso nunca mais aconteceu desde então – vale ressaltar também que, na época, nenhum dos quatro havia levantado o caneco, como veremos mais abaixo neste post.

Dos cinco títulos brasileiros, dois deles vieram em Copas em que algo raro aconteceu: dois países que já haviam sido campeões mundiais no passado acabaram não disputando a competição (58 e 94).

Devido ao desastre italiano, a Copa da Rússia, no ano que vem, será a décima da história em que alguma seleção que já levantou a taça um dia não disputará a competição (metade das vezes).

Quem forma o G9?

A seleção brasileira, todos sabemos, jogou todas as 20 Copas disputadas até hoje. Alemanha e Itália vêm em seguida, com 18 participações. A Alemanha, seja como Ocidental ou, depois, unificada, não perde um Mundial desde 1950. A Itália não ficava fora desde 58. A Argentina, com 16 participações, esteve ausente pela última vez em 70. Espanha, Inglaterra e França jogaram 14 Mundiais. A última Copa sem a Espanha foi a de 74, enquanto ingleses e franceses “faltaram” pela última vez em 94.

São oito países campeões de Copas. Mas este blog considera importante acrescentar a Holanda no G9 de potências. Afinal, a Holanda, que “existe no futebol” desde a década de 70, chegou a três finais (só menos do que as quatro seleções gigantes) e acabou entre as quatro primeiras colocadas em menos ocasiões somente que Brasil, Alemanha e Itália. Além, claro, de ter uma influência histórica no esporte moderno.

A Holanda jogou 10 de 20 Copas e chegou pelo menos à semifinal em metade de suas participações. Além das campeãs, outras nove seleções apareceram em mais Mundiais que a Oranje, mas sem a mesma relevância em teremos de resultados. O México, por exemplo, é o quinto país com mais participações (15), mas nunca passou das quartas de final.

Veja a lista das potências que faltaram em cada Copa:

1930 – Campeão: Uruguai. Faltaram: Alemanha, Itália, Inglaterra, Espanha e Holanda;
1934 – Campeã: Itália. Faltaram: Inglaterra e Uruguai;
1938 – Campeã: Itália. Faltaram: Inglaterra, Espanha, Argentina e Uruguai;
1950 – Campeão: Uruguai. Faltaram: Alemanha, França, Holanda e Argentina;
1954 – Campeã: Alemanha. Faltaram: Espanha, Holanda e Argentina;
1958 – Campeão: Brasil. Faltaram: Itália, Espanha, Holanda e Uruguai;
1962 – Campeão: Brasil. Faltaram: França e Holanda;
1966 – Campeã: Inglaterra. Faltou: Holanda;
1970 – Campeão: Brasil. Faltaram: França, Espanha, Holanda e Argentina;
1974 – Campeã: Alemanha. Faltaram: Inglaterra, França e Espanha;
1978 – Campeã: Argentina. Faltaram: Inglaterra e Uruguai;
1982 – Campeã: Itália. Faltaram: Holanda e Uruguai;
1986 – Campeã: Argentina. Faltou: Holanda;
1990 – Campeã: Alemanha. Faltou: França;
1994 – Campeão: Brasil. Faltaram: Inglaterra, França e Uruguai;
1998 – Campeã: França. Faltou: Uruguai;
2002 – Campeão: Brasil. Faltou: Holanda;
2006 – Campeã: Itália. Faltou: Uruguai;
2010 – Campeã: Espanha. Não faltou ninguém;
2014 – Campeã: Alemanha. Não faltou ninguém;
2018 – Campeão: ? Faltarão: Itália e Holanda.

Portanto, na última vez em que mais de uma seleção campeã mundial ficou fora de uma Copa, em 1994, o Brasil ganhou o tetra. E, antes disso, a Copa com mais integrantes do G9 ausentes havia sido a de 1970, que não teve Argentina, França, Espanha e Holanda – vale ressaltar que elas não eram exatamente potências, como hoje.

Considerando o momento da realização de cada Copa do Mundo, houve dez Mundiais (metade) com a presença de todos os países que já haviam sido campeões de alguma edição anterior. Houve três Mundiais em que dois campeões estavam ausentes. Em 1958, quando não jogaram Itália e Uruguai, e em 1978 e 1994, quando ficaram fora Inglaterra e Uruguai.

A Copa do ano que vem será a sétima da história em que um único campeão ficará assistindo em casa (no caso, a Itália). Nos outros Mundiais em que isso ocorreu, cinco vezes o ausente foi o Uruguai – 34, 38, 82, 98 e 2006 – e uma vez foi  a Inglaterra (74).

Alemanha, Argentina, França, Espanha e, logicamente, o Brasil, jamais ficaram fora de uma Copa depois de terem conquistado a taça pela primeira vez.

 


A Itália buscou a tragédia. E ela veio
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Julio Gomes

Parece incrível. Mas uma Copa com 32 seleções não terá a Itália, tetracampeã, que não ficava fora desde 1958. Triste? Sem dúvida. Justo? Sim. Surpreendente? Nem tanto.

O sufoco italiano, que acabou em tragédia, não foi exclusivo nessas eliminatórias, o que diz muito do que é o futebol hoje em dia.

O Brasil começou as eliminatórias sul-americanas mal como nunca antes. Corria risco real de ficar fora da Copa, até que chegou Tite e tudo mudou. A Argentina, então, passou a ficar em zona de risco devido aos maus resultados. Trocou de técnico, não adiantou – o futebol continuou péssimo – e só foi à Copa porque Messi resgatou os argentinos em um jogo estranho no Equador, na última rodada.

Por fim, mais uma campeã mundial em risco. A Itália. Como já era lógico, foi segunda colocada no grupo da Espanha e precisou jogar na repescagem. Enfrentou a Suécia, uma seleção com certa tradição e que deixou de fora a Holanda.

Holanda, por sinal, que, depois de ser finalista da Copa-2010 e terceira na Copa-2014, acabou fora da Euro-2016 e da Copa do ano que vem.

O drama italiano aumentou com a derrota por 1 a 0 no jogo de ida. E foi se acentuando em San Siro. Posse de bola de 75% (será que a Itália já teve tanto a bola assim antes?), mas só seis finalizações a gol, pouca criatividade. Alguma pressão, lógico, até pelo desespero. Alguma sorte, porque o árbitro espanhol Mateu Lahoz resolveu perdoar duas mãos de italianos na área no primeiro tempo. Esse juiz é péssimo, mas teve lá algum mérito ao decidir não decidir a partida com penaltizinhos reclamados pelos dois lados.

No fim, o 0 a 0 foi o que o jogo mereceu. A Itália não joga bom futebol, a Suécia se defendeu bem. Arrivederci.

A Itália já vem há muitos anos alternando boas e horrorosas competições. Em Copas do Mundo, a eliminação vexatória para a Coreia em 2002 (não sei de onde tiraram tanto choro sobre aquela arbitragem) foi seguida pelo tetra em 2006, mas depois vieram eliminações na fase de grupos em 2010 e 2014. No meio disso, no entanto, veio uma final de Euro-2012.

Será que a Itália faria um papel tão melhor assim que a Suécia ano que vem?

É um país com estádios caindo aos pedaços, clubes com estruturas muito distantes dos outros grandes europeus, nenhum planejamento de base, conceitos antigos de futebol. Charme e hino bonito não ganham mais jogo.

Aliás, antes do início do jogo, quando a torcida italiana em Milão vaiou o hino sueco, algo muito raro de se ver na Europa, ainda mais entre países sem rusga histórica, já se imaginava que a noite não seria das melhores. Buffon aplaudiu o hino sueco efusivamente, mostrando como era errada a atitude dos tifosi.

Ainda que muitos tenham se acostumado a sempre considerar a Itália favorita (até porque “analisar” peso de camisa e lista de títulos é sempre mais fácil), já há muito tempo ela não faz jus a esse status. Não é uma seleção consistente. Joga um futebol pobre, parado no tempo. Defender-se bem não é mais exclusividade de italianos, por sinal. A Suécia mostrou isso hoje.

No futebol de clubes, a Juventus renasceu e o Napoli joga bom futebol. Há técnicos italianos bons, nova geração, há algum renascimento. Mas a seleção paga o preço dos anos passados de estagnação do calcio.

Vamos acrescentar ao drama argentino e à tragédia italiana algumas coisas que não chamam tanta a atenção, mas merecem nota.

O Chile, campeão de duas Copas Américas seguidas, ficou atrás do Peru nas eliminatórias – e fora da Copa. Os Estados Unidos, que sempre entraram com facilidade via Concacaf, foram eliminados. Japão e Coreia sofreram como não costumavam sofrer na Ásia. Na África, só a Nigéria, entre os classificados, havia jogado em 2014. Marrocos, Tunísia, Egito e Senegal são novidades, e seleções frequentes, como Gana, Camarões e Costa do Marfim, ficaram de fora.

O que tudo isso mostra?

Mostra que o futebol global é, hoje, muito equilibrado. Que não tem mais bobo no futebol, já sabemos faz tempo. Que as seleções médias e algumas pequenas subiram de nível e alcançaram as grandes, isso é novidade.

Não há mais margem para negligência. Não é mais possível colocar uma seleção já não tão brilhante nas mãos de um técnico ultrapassado, sem curriculum, sem nada, como Gian Piero Ventura. O futebol de alto nível não perdoa mais.

Claro que há algumas seleções acima de outras, como o Brasil, a Alemanha, a França. São mais bem treinadas, tem mais poderio. Mas qualquer um pode ganhar de qualquer uma dessas em qualquer fase na Copa, até mesmo nas eliminatórias. Vamos lembrar que a mesma Alemanha que ganhou de 7 do Brasil alguns dias antes quase sucumbiu diante da Argélia.

O fato de a Copa do Mundo ter sido aumentada de 32 para 48 seleções, a partir de 2026, parece ser (e deve ser) uma medida politiqueira da Fifa, para agradar confederações marginais – sob o discurso de expandir o futebol.

Mas o real efeito desta Copa inchada será salvar a pele das seleções mais tradicionais.


Espanha, Sérvia, Alemanha e Inglaterra estão com o pé na Copa-2018
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Julio Gomes

A rodada do fim de semana classificou a Bélgica para a Copa do Mundo, após a vitória por 2 a 1 na Grécia. Além da anfitriã, a Rússia, a seleção belga é a única europeia já confirmada.

Mas a rodada dupla deste início de setembro deixou também Espanha, Inglaterra, Alemanha e Sérvia com um pé (e uns dedinhos) na Copa do Mundo do ano que vem. Nas eliminatórias europeias, as seleções vencedoras dos nove grupos ganham vaga direta, e oito segundos colocados disputam quatro vagas no mata-mata.

A Espanha, depois da ótima partida de sábado contra a Itália, no duelo direto que, de fato, decidiu tudo, massacrou Liechtenstein nesta terça por 8 a 0. Foram quase 80% de posse de bola e gols de quase todo mundo: Morata e Aspas fizeram dois, Isco, Sergio Ramos, David Silva e Deulofeu, um cada. A Espanha vai virando “o time de Isco”, o que não é mau negócio.

Com 22 pontos, a Espanha mantém três de frente para a Itália, que ganhou de Israel por 1 a 0 com um gol de Immobile. Foi uma partida preguiçosa da Itália, que parecia desmotivada em campo. Melhorou no segundo tempo, mas não foi suficiente para ampliar o marcador.

A Espanha não deve tropeçar nem contra Albânia nem contra Israel e tem 17 gols a mais de saldo que a Itália. Pode até perder uma. Não vai acontecer, a vaga para a Roja virá em outubro. E a Itália que se vire na repescagem.

Em uma “final” pela vaga direta, a Sérvia foi a Dublin e conquistou uma vitória enorme sobre a Irlanda. 1 a 0, com gol de Kolarov, ex-Manchester City, hoje na Roma. A Sérvia jogou quase 30 minutos com um homem a menos e segurou o resultado.

Nos outros jogos do grupo D, a Áustria se despediu ao ficar com 1 a 1 com a Geórgia, e o País de Gales ganhou por 2 a 0 em Moldova. Agora, faltando duas rodadas, a Sérvia tem 18 pontos, Gales tem 14 e a Irlanda tem 13. Mas a vaga está nas mãos dos sérvios, que enfrentam as fracas Áustria (fora) e Geórgia (casa) nos últimos jogos.

Na última rodada, Gales e Irlanda se enfrentarão em Cardiff por uma vaga na repescagem. Talvez o empate sirva para Gales, talvez para ninguém (o pior segundo colocado fica fora).

Além de Espanha e Sérvia, outras duas seleções praticamente garantidas são Alemanha e Inglaterra, que venceram seus jogos na segunda-feira.

A Alemanha tem cinco pontos a mais que a Irlanda do Norte e, mesmo que perca o confronto direto entre elas, depois se despedirá em casa contra o Azerbaijão. Já deve se garantir na próxima rodada, mesmo jogando na Irlanda. Os norte-irlandeses vão para a repescagem.

A Inglaterra tem cinco pontos de vantagem para a Eslováquia e seis para Eslovênia e Escócia. Também pode até tropeçar uma vez, já que a Inglaterra pega a Lituânia na última rodada. As outras três seleções jogam por uma vaga na repescagem. A Escócia tem duelos diretos em casa contra a Eslováquia e fora contra a Eslovênia. Se não perderem na Escócia, os eslovacos têm tudo para ficarem com a vaga no mata-mata derradeiro.

Outras potências

Depois de perder na estreia para a Suíça, um ano atrás, Portugal, campeão europeu, fez sua parte. Ganhou todos os jogos. Mas a Suíça também. Na próxima rodada, em outubro, Portugal vai ganhar de Andorra e a Suíça, em casa, não deve perder da Hungria. Na última rodada, em 10 de outubro, Portugal recebe a Suíça. Se vencer, vai para a Copa e jogará os suíços para a repescagem. A Suíça jogará pelo empate para ir ao Mundial.

A outra finalista da última Euro, a França, perdeu a chance de se garantir ao empatar com Luxemburgo, domingo. Com 17 pontos, comanda um grupo que tem a Suécia com 16, Holanda com 13 e Bulgária com 12. Na próxima rodada, jogam Bulgária x França e Suécia e Holanda têm jogos fáceis. Na última rodada, a França recebe Belarus, enquanto a Holanda recebe a Suécia.

A tendência é a França ganhar o grupo e a Suécia ser segunda, por ter um saldo muito melhor que o da Holanda. Mas é um grupo em que está tudo aberto – graças ao tropeço inesperado dos franceses domingo.

Grupo embolados

O grupo I teve jogos fundamentais nesta terça. A Turquia sobreviveu ao vencer a Croácia por 1 a 0, e a Islândia, Cinderela da última Euro, fez 2 a 0 na Ucrânia.

Agora, Croácia e Islândia têm 16 pontos, Ucrânia e Turquia têm 14. As quatro tem um jogo tranquilo, contra os rivais mais fracos do grupo. E tudo será definido em dois confrontos diretos: na próxima rodada, Turquia x Islândia e, na última, Ucrânia x Croácia. Um empate servirá para a Croácia e, talvez, para a Islândia. A turcos e ucranianos, bastará uma vitória para garantir, pelo menos, repescagem. Vai pegar fogo.

No grupo E, a Polônia tem 19 pontos, Montenegro e Dinamarca têm 16. A Polônia tem tudo para ficar com a vaga, joga fora com a Armênia e em casa contra Montenegro. Na próxima rodada, se enfrentam Montenegro e Dinamarca – na última rodada, os dinamarqueses recebem a eliminada Romênia. O jogo de Montenegro é fundamental, e um empate é bom negócio para a Dinamarca.

Além de Bélgica, Espanha, Sérvia, Alemanha e Inglaterra, conseguirão vagas diretas possivelmente França, Polônia, Portugal ou Suíça e, vou arriscar, a Croácia.

A repescagem está se desenhando com Suécia, Portugal ou Suíça, Irlanda do Norte, País de Gales, Montenegro ou Dinamarca, Eslováquia, Itália, Grécia e Turquia ou Islândia. Um deles, de pior campanha, ficará fora. E os outros se matam-matam por quatro vagas.

 


Argentina, França e cinco potências locais jogam contra a parede
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Julio Gomes

As eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 terão dias cheios e decisivos entre amanhã, quinta, e terça-feira que vem. Por enquanto, só Rússia, Brasil e Irã estão garantidos, mas todos os continentes podem ter mais classificados saindo nos próximos dias.

Chama a atenção, no entanto, que algumas potências mundiais, como França e Argentina, e outras locais, como Japão, Coreia do Sul, Camarões, Gana e até Estados Unidos jogarão contra a parede. Precisam dos resultados, sob pena de ficarem fora do Mundial ou caírem em perigosas repescagens. Destas, as duas africanas são as que vivem situação mais dramática.

O blog separou alguns jogos nos quais todos precisamos ficar de olho:

AMÉRICA DO SUL – Uruguai x Argentina (quinta, 20h)

Com o risco de ficar fora da Copa, em uma competição tão parelha como as eliminatórias sul-americanas, a Argentina trocou Bauza por Sampaoli. Essa é a esperança. Que o novo técnico encontre química com os jogadores e faça o time produzir o que ele pode.

Na América do Sul, são quatro vagas, mas o quinto é virtual classificado, pois enfrentará uma seleção da Oceania (a Nova Zelândia, possivelmente) na repescagem. O Brasil está garantido, e depois está um bolo só: Colômbia (24 pontos), Uruguai e Chile (23) seriam os classificados hoje; a Argentina (22) iria pra repescagem; mas não podemos descartar Equador (20), Peru (18) e Paraguai (18).

Faltam quatro rodadas. Se perder do Uruguai, a Argentina precisará vencer Venezuela e Peru em casa e muito provavelmente decidirá seu futuro contra o Equador, na altitude, na última rodada.

Para o Uruguai, que começou tão bem, não seria bom perder. Mas tampouco seria dramático. Pois os últimos jogos são contra Paraguai e Venezuela fora, e depois Bolívia em casa. Olhando para a tabela, é provável que Colômbia, Chile e Uruguai não fiquem fora das cinco primeiras posições.

A chave para a Argentina é evitar um confronto de tudo ou nada na altitude. E, para isso, precisa somar alguma coisa no Centenário. Com toda a rivalidade envolvida e a necessidade de ambos, este é o jogo mais imperdível de todos.

EUROPA – França x Holanda (quinta, 15h45)

A França é tida como uma das candidatas ao título mundial. Mas, antes, precisa chegar na Copa. E o caminho ficou tortuoso após a inesperada derrota para a Suécia, em junho, com a falha de Lloris no final. O grupo A das eliminatórias europeias tem Suécia e França com 13 pontos, Holanda com 10 e Bulgária com 9.

Nesta quinta, jogam França x Holanda e Bulgária x Suécia. Depois disso, faltarão três jogos para cada. Apesar do favoritismo, a França pode perder em casa para Holanda e se complicar de verdade. Um empate já seria ruim, pois pode deixar a Suécia com o comando em busca da vaga direta (o segundo do grupo vai ter de jogar repescagem).

Nos outros grupos, destaco um Hungria x Portugal, no domingo. Portugal está contra a parede desde que perdeu da Suíça na primeira rodada e não pode tropeçar. Alemanha, Bélgica e Polônia podem já se classificar nessa dobradinha de jogos, mas pode ser que isso só aconteça nas duas últimas rodadas, em outubro.

E no sábado, 15h45, tem um Espanha x Itália enorme. As duas lideram o grupo G com 16 pontos, mas a Espanha tem um saldo melhor. Não há muita expectativa de tropeço para ambas nas três rodadas finais. É um jogo em que basicamente quem vencer irá para a Copa, jogando a outra para a repescagem. Um empate é melhor para a Espanha, porque tem mais saldo e mais facilidade para golear, mas não seria um fim do mundo para os italianos, ainda mais jogando fora de casa.

ÁSIA – Japão x Austrália (quinta, 7h30)

Se vencer, o Japão estará classificado para a Copa com uma rodada de antecipação. Seria a quarta seleção com passaporte carimbado e deixaria para a Austrália a responsabilidade de golear a Tailândia na última rodada do grupo A asiático (terça) para ficar à frente da Arábia Saudita e entrar também.

O problema para o Japão é se não vencer a Austrália nesta quinta, e este é um resultado para lá de plausível. Neste caso, faria um confronto direto com os sauditas, fora de casa, no último jogo, terça que vem. Um empate bastaria para os japoneses, mas uma derrota deixaria a Arábia na Copa e jogaria o Japão para duas repescagens – a primeira contra um asiático (possivelmente o Uzbequistão, mas podendo ser a Coreia do Sul) e a segunda contra um representante da Concacaf.

A última vez que o Japão ficou fora de uma Copa foi a de 94, quando tomou um gol do Iraque no último minuto do último jogo das eliminatórias. A última vez que precisou passar por uma repescagem para garantir a vaga foi para a Copa de 98, ganhando justamente do Iraque na prorrogação.

Aquele Mundial de 98 foi o primeiro da história do futebol japonês e, de lá para cá, sempre se classificou sem o drama que pode viver nestes próximos dias. Amanhã cedo, é vaga ou tensão.

Já a Coreia do Sul, que jogou oito Copas seguidas (de 1986 para cá), pode até se classificar na próxima rodada. Para isso, precisa vencer o já garantido Irã (9h desta quinta) e torcer por uma derrota do Uzbequistão na China. O mais provável, no entanto, é que o duelo direto entre Uzbequistão e Coreia do Sul, na outra terça, defina quem entra na Copa e quem vai pra repescagem.

Podemos ter, portanto, um inesperado confronto entre Japão e Coreia na repescagem asiática, se as duas potências continentais não fizerem o que se espera delas nestas últimas duas rodadas.

ÁFRICA – Nigéria x Camarões (sexta, 13h)

As eliminatórias africanas têm um “grupo da morte” reunindo Nigéria (6 pontos), Camarões (2) e Argélia (1), três seleções que estiveram na Copa de 2014. Só uma delas irá à Rússia ano que vem.

Camarões, que em janeiro sagrou-se campeã continental, é a seleção africana com mais presenças em Mundiais – foram sete de nove desde a Copa de 82. A Nigéria vem logo atrás, com cinco participações (sempre presente desde 94, exceto na Copa de 2006).

As duas potências continentais se enfrentam nesta sexta, na Nigéria, e depois segunda-feira, em Camarões. A seleção camaronesa precisa, no mínimo, de quatro pontos nestes confrontos diretos para se manter com vida. Se vencer uma das duas partidas, a Nigéria encaminha a vaga.

Outra seleção tradicional contra as cordas é Gana, que esteve nos últimos três Mundiais e foi quadrifinalista em 2010. Após duas rodadas do grupo E, Gana tem só um ponto, contra seis do Egito e quatro de Uganda.

A última vez que o Egito esteve em uma Copa foi em 1990, apesar de desde então ter vencido quatro vezes a Copa Africana das Nações (é o maior campeão, com sete títulos, seguido de Camarões, com cinco, e Gana, com quatro).

Nesta quinta (16h), jogam Uganda x Egito. Na sexta (12h30), Gana recebe o Congo. Na terça, os jogos se repetem, com mandos invertidos. Gana, para sobreviver, precisa ganhar seus dois jogos e torcer para o Egito não fazer mais do que três pontos nos duelos contra a seleção de Uganda.

 

A Tunísia, fora das últimas duas Copas, enfrenta a República Democrática do Congo, que quando se chamava Zaire jogou o Mundial de 74. Sexta o duelo é na Tunísia, terça no Congo. Ambas têm seis pontos e, se alguém ganhar os dois duelos ou fizer quatro pontos neles, ficará com um pé na Copa-2018.

 

CONCACAF – EUA x Costa Rica (sexta, 19h)

Os Estados Unidos estão na terceira posição, com só 8 pontos. O México tem 14 e deve se garantir com três rodadas de antecipação se vencer o Panamá (7 pontos), também na sexta à noite. A Costa Rica vem logo atrás, com 11. O quarto colocado do hexagonal precisará jogar repescagem com uma seleção asiática.

Os EUA levaram um sonoro 4 a 0 da Costa Rica menos de um ano atrás e não estão em posição tão confortável assim. Se perderem em casa, na sexta, estarão contra a parede no duelo com Honduras, fora de casa, terça-feira. Os norte-americanos se classificaram para os últimos sete Mundiais. Honduras esteve nos últimos dois, e o Panamá busca classificação inédita.

 

 


A um ano da Copa, França parece ser o maior obstáculo para a seleção
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Julio Gomes

Vamos começar pelo fim? Assim ninguém se dá ao trabalho de malhar o analista nos comentários. Sim, eu sei que a Copa do Mundo é uma competição rápida e que em um jogo qualquer coisa pode acontecer. Nos dias de hoje ainda mais, pois há muito equilíbrio entre times e seleções no futebol globalizado e da velocidade da informação. Não há segredos. Há padrões. Zebras acontecerão cada vez mais em competições internacionais curtas. Times organizados ganham jogos.

Dito tudo isso, não quero me furtar de tentar prever o futuro com base no presente, no passado e nas próprias perspectivas de futuro. Hoje, considero a seleção brasileira a mais forte do mundo. E, entre as europeias, a França, e não a Alemanha ou a Espanha ou a Itália, é quem promete ser o maior obstáculo para o hexa.

Brasil e França podem perder de QUALQUER UM. Isso é óbvio. Não ficarei aqui colocando o óbvio como “porém” ao analisar seleções e seus momentos. A Alemanha era a melhor seleção do mundo em 2014, disparado. E quase tropeçou na Argélia. Acontece. É uma questão de encaixe, seleções que tentam se dar bem na fraqueza alheia. Muitas vezes funciona.

Em 20 jogos contra aquela Alemanha, aquela Argélia ganharia um. Quase foi na Copa. Mas não podemos ignorar a superioridade alemã e nos escorar no “não tem favorito” para analisar e prognosticar um jogo de futebol. Claro que tinha e claro que tem.

O que faz da seleção brasileira tão forte? Uma série de fatores que simplesmente se encaixaram com a chegada de Tite. Ótimo treinador, antenado e atualizado com métodos e formações do futebol atual, ótimos jogadores em todas as posições, jogadores que compraram a ideia do técnico e rapidamente adotaram um estilo de jogo coletivo e participativo, muito uso de informações, estatísticas, vídeos, etc. Tudo isso em uma das camisas mais poderosas da história do futebol.

A França, já não é de agora, montou uma seleção muito boa e também tem um técnico competente, Deschamps, que conseguiu unir jogadores historicamente divididos. Uma seleção que viu dois jogadores promissores ganharem status de estrelas mundiais em Pogba e Griezmann.

A França parou na Copa do Mundo de 2014 na Alemanha, como era de se esperar. Mas superou a mesma Alemanha ano passado, na Eurocopa. Realmente faltou vencer Portugal (sem Cristiano Ronaldo desde o início do jogo) na decisão. E este é um ponto negativo que não pode ser deixado de lado. Que time é esse que perde um Europeu em casa, daquele jeito?

Mas algumas coisas aconteceram nesta temporada, que acabou oficialmente com estas partidas de seleções.

Algumas coisas tipo o Monaco, campeão francês e semifinalista da Champions.

Mbappé, já comparado com Henry, é um fator X nesta seleção francesa. Um jogador em claras condições de explodir rumo à estratosfera nesta temporada que vem e que mostrou um pouco disso no amistoso desta quarta-feira, na vitória sobre a Inglaterra (3 a 2 mesmo com um jogador a menos).

Mbappé é o que Neymar poderia ter sido na Copa de 2010, por exemplo. Um jogador muito jovem, de apenas 18 anos, que foi convocado pela primeira vez em março e que traz para um bom time aquele algo mais. Coragem, talento, velocidade, capacidade de desmontar esquemas.

Mas tem mais além dele. A temporada brutal do Monaco deu a Deschamps jogadores muito confiantes em Lemar, Sidibé e Mendy. Além deles, surgiu também Dembélé, que explodiu com a camisa do Borussia Dortmund (na foto acima, abraçado a Mbappé). Nenhum destes estava na Euro, um ano atrás.

Lloris, que era apenas um bom goleiro, ganhou status de um dos melhores do mundo com a número 1 do Tottenham. Descarte a besteira que ele fez no fim de semana contra a Suécia, pelas eliminatórias. E Kanté, depois da temporada brilhante no Leicester, foi para o Chelsea e transformou-se no melhor jogador da Premier League. É o Makelele 2.0. E ainda tem a dupla de zaga, Umtiti e Varane, mais do que consolidados e aprovados após esta temporada, titulares de Barcelona e Real Madrid, respectivamente.

Enfim. Uma França que já era forte na Copa de 2014 e na Euro de 2016, ganhou um punhado de jogadores que podem dar “algo a mais” no ano que vem. É uma claríssima candidata.

Imaginem um confronto entre Brasil e França na Copa? Daria calafrios, não é mesmo? Depois de 1986, 1998 e 2006, pode até haver um bloqueio pelo histórico. Convenhamos, o Brasil já entra ganhando contra um monte de seleções. Justamente pelo medo que impõe. Não contra a França. Com medo, eles não jogarão.

Mas e as outras seleções?

Temos muito tempo para dissecá-las. A Alemanha cumpriu um ciclo em 2014. Era uma seleção montada, que bateu na trave nas Euros de 2008 e 12, além da Copa de 2010. Desde o tetra, perdeu Lahm, Schweinsteiger, Goetze não explodiu, Draxler ainda é mais promessa que realidade. É uma seleção fortíssima, sem dúvida. É a campeã e é a Alemanha, oras bolas. Tem Neuer. Tem Kroos. Mas ainda passa por uma transição e hoje é menos forte do que era.

A Espanha está na mesma. Tem ótimos talentos. Jogadores pedindo passagem, como Isco e Asensio, um camisa 9 de muito respeito em Diego Costa, goleiraço, ótima dupla de zaga. Maaaaaas. Ainda não encaixou com Julen Lopetegui. O ciclo novo foi sendo adiado, demorou para começar e não sei se conseguirá encontrar a química necessária antes do Mundial.

A Itália tem mais camisa e sangue vencedor do que propriamente um time. A Bélgica, exatamente o contrário. Tem time, um baita time, mas falta aquela competitividade necessária para ganhar a Copa. A Argentina tem craques do meio para frente, muitos problemas atrás, mas ganhou um treinador fantástico em Sampaoli.

Todas estas podem ganhar a Copa. Até o México de Osorio pode ganhar a Copa! Até Portugal. Até a Croácia. Até o Uruguai. É mata-mata (ou melhor, só “mata”) e hoje há um equilíbrio brutal no futebol.

Mas, neste momento, a um ano do Mundial, ninguém parece mais pronto e com mais poder de fogo do que o Brasil e seu eterno nêmesis: a França.

 


Com Buffon e Pellè, a Itália é toda uma instituição
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Julio Gomes

Falar que a “era espanhola” acabou será chover no molhado. Elogiar muito Buffon vai fazer parecer que a Itália foi massacrada no jogo desta segunda. E notar que a Itália tem Pellè vai parecer piada.

Mas como escrever sobre o jogo mais relevante das oitavas de final da Euro sem falar destas três coisas?

A Espanha já aportou muito para o futebol mundial. Mais o Barcelona do que a Espanha, na verdade. E mais nos anos de Guardiola do que em outros, ainda que esta “era” já dure seus 10 anos.

Marcação adiantada, participação dos atacantes em todas as facetas táticas defensivas do jogo, posse de bola como recurso primordial, aproximações entre jogadores, maiorias criadas por todo o campo, triangulações, privilegiar a técnica em vez da força. O futebol não está mudando, ele já mudou. E a Espanha tem tudo a ver com isso.

E quer prova maior do que a forma como a Itália jogou?

A Itália não deu chutões. Se defendeu com firmeza e ocupação de espaços, como sempre fez. Mas, com a bola, confundiu completamente a Espanha. Porque jogou. Não só com bolas longas, esticadas no “seja o que deus quiser”. Mas, sim, com aproximações, qualidade, ultrapassagens, técnica.

Conte é um baita treinador. Sorte do Chelsea. Del Bosque não analisou bem o que a Itália fizera na estreia, contra a Bélgica. Azar dele.

A Itália foi mais Espanha que a Espanha nesta tarde. Fez o primeiro gol e teve várias ocasiões para matar a partida. Duas absurdamente claras no segundo tempo.

Naturalmente, na meia hora final de jogo o time que tem que buscar o resultado vai atacar mais e pressionar. A Espanha, daqueles times que ganharam a Copa e duas Euros, ainda tem uma boa defesa. Mas, sem Xabi Alonso e Xavi, perdeu muito no meio de campo. E, sem Villa e Torres, perdeu muito poderio ofensivo. Vai precisar se reencontrar, e não acredito que seja com Del Bosque. Um ótimo gestor de estrelas, mas que não é o mais brilhante e moderno taticamente.

Quando a Espanha empurrou a Itália contra o próprio gol, apareceu Buffon. Três defesas espetaculares. Uma delas, em um toque de Piqué à queima roupa nos últimos minutos, foi monumental.

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Buffon é simplesmente um monstro. Um dos grandes goleiros que já vimos jogar. Se seguir Zoff, capaz que ainda fique uns bons anos por aí. Tomara. Além de ser tecnicamente perfeito, não ter falhas em seu jogo, é um líder. É carismático. Uma instituição do tamanho de um camisa com quatro estrelas no peito.

Para o perfeito jogo defensivo da Itália, ao longo da história, faltava só um Pelé mesmo.

Não tem Pelé, mas tem Pellè. Desculpem, a piadinha é inevitável.

Como inevitável era o segundo gol, dado que a azzurra domina como ninguém a arte de contra atacar.

A Itália ganhou da Alemanha na semifinal da Copa de 2006. E na semifinal da Euro 2012. Os alemães mesmos costumam se auto declarar “fregueses” dos italianos, a nível de clubes e seleções. A Itália ainda entrou em campo com 10 pendurados contra a Espanha, mas só um deles está suspenso do próximo jogo, o reserva Thiago Motta.

Desafio maior não haverá para a campeã do mundo. Sábado que vem. Não dá para perder.


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