Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Internacional

São Paulo é o ‘azarado’ do sorteio da Libertadores
Comentários Comente

Julio Gomes

No mesmo dia do sorteio das oitavas de final da Champions League, a Conmebol realizou o sorteio das fases preliminares e da fase de grupos da Libertadores da América 2019.

São muitos times brasileiros, e quem mais pode reclamar da sorte é o São Paulo. Quem não pode reclamar de jeito nenhum são Cruzeiro, Atlético Mineiro e Flamengo.

O São Paulo enfrentará o argentino Talleres, de Córdoba, na pré-Libertadores. Se passar, provavelmente terá como rival o Independiente de Medellín, que ficou com o vice-campeonato colombiano no último domingo. Dois mata-matas difíceis logo no começo do ano.

Na América do Sul, é sempre difícil saber quem vem pela frente. O time de Medellín sofrerá algum desmanche ou se manterá forte? De qualquer maneira, é uma camisa tradicional e uma viagem longa para a Colômbia.

O Talleres ocupa uma posição intermediária na Argentina, mas não é um rival muito diferente do Defensa y Justicia e do Colón, argentinos medianos que recentemente eliminaram o São Paulo da Sul-Americana.

Se passar dessas duas eliminatórias, o São Paulo cairá no grupo 1, com “só” o River Plate e o Internacional, além do Alianza Lima, do Peru. Pode ser o grupo da morte.

Neste ano, o Vasco passou pela pré para cair em um grupo com Cruzeiro e Racing (e ser eliminado). No ano passado, o Botafogo também caiu em um grupo da morte após passar pela pré-Libertadores, mas conseguiu carregar o momento e chegar ao mata-mata. Ou seja, já teve time se aproveitando do momento trazido pela eliminatória preliminar, já teve time que não conseguiu usar o embalo a seu favor. Vamos ver o que será do São Paulo.

Outro que tem um grupo complicadinho pela frente (no papel) é o Palmeiras, que tem pela frente o San Lorenzo, da Argentina, o Junior de Barranquilla, campeão colombiano e vice da Sul-Americana, e um time que vem da pré-Libertadores, possivelmente a Universidad de Chile.

Assim como o Inter, o Grêmio é outro em grupo que pode se mostrar difícil, com a Católica, do Chile, o Rosario Central, da Argentina, e um time que virá da fase preliminar e será, provavelmente, ou o Libertad, do Paraguai, ou o Atlético Nacional, da Colômbia.

O Atlético Paranaense está no grupo do Boca Juniors, mas os outros rivais são o Jorge Wilstermann, da Bolívia, e o Tolima, da Colômbia.

Os brasileiros que não podem reclamar da sorte, por outro lado, são o Flamengo e os dois grandes mineiros.

O Flamengo enfrentará o Peñarol, a LDU de Quito e um time da Bolívia. Nenhum bicho papão.

O Cruzeiro está no grupo com o Emelec, do Equador, o Huracán, da Argentina, e o Deportivo Lara, da Venezuela. O Cruzeiro é, desde já, o favorito a passar da fase de grupos com a melhor campanha da Libertadores.

O Atlético Mineiro está na pré-Libertadores. Primeiro, enfrenta o Danubio, do Uruguai, e depois, provavelmente, o Barcelona de Guayaquil, do Equador. Se passar, cai em um grupo acessível, com Nacional uruguaio, Cerro Porteño, do Paraguai, e Zamora, da Venezuela.

A vida do sexto colocado do último Brasileiro é, em teoria, mais fácil que a do quinto, o São Paulo.

A Libertadores não é a Champions. A América do Sul não é a Europa. Os times mudam demais, às vezes radicalmente, de um ano para o outro. No ano que vem, talvez os grupos que hoje parecem fortes sejam, na real, fracos. E vice-versa. Mas quem passará a virada de ano com mais dores de cabeça, sem dúvida, é o torcedor são-paulino.


Santos, voando com Cuca, pode ser fiel da balança no Brasileiro
Comentários Comente

Julio Gomes

Santos e Paraná. Estes são os únicos dois clubes que, daqui até o fim do Brasileiro, enfrentam os três líderes da competição – realisticamente falando, únicos que podem chegar ao título: Palmeiras (59 pontos), Internacional (56) e Flamengo (55).

O Paraná, lanterna e virtual rebaixado, joga com os três em casa. Recebe o Flamengo no próximo fim de semana (rodada 30), o Palmeiras na 35a rodada e o Inter na última.

Mas quem promete mesmo ser o fiel da balança é o Santos, que visita os três postulantes à taça e busca entrar no G6, para estar na próxima Libertadores da América. Vai ao Beira-Rio na segunda-feira que vem, fechando contra o Inter a próxima rodada. Faz o clássico contra o Palmeiras na rodada 32 (4/11) e vai ao Rio pegar o Flamengo na 34 (14/11). Nas próximas cinco rodadas, que prometem encaminhar o campeão, em três delas o Santos estará frente a frente com um dos times que ocupam as três primeiras posições da tabela.

E isso é muito relevante, principalmente pelo fato de o Santos ser um dos times mais quentes do campeonato – neste momento, só o Palmeiras vive fase ainda mais consistente.

Antes da chegada de Cuca, o Santos (com Jair Ventura) havia vencido 4, empatado 4 e perdido 7, feito apenas 16 pontos, com 36% de aproveitamento (números de Z4) e, em média, mais de um gol sofrido por partida.

Desde agosto, com Cuca, o Santos ganhou 7, empatou 5 e perdeu 2 jogos no Brasileiro, aproveitamento de 62% (números de G4). A defesa levou apenas sete gols, um a cada duas partidas, e Gabriel Barbosa virou artilheiro isolado do campeonato.

Após um início ruim, de quatro jogos sem vitórias, Cuca levou ao Santos a uma ótima sequência. O time só perdeu uma das últimas 14 partidas que fez pelas três competições (está eliminado da Libertadores e da Copa do Brasil), sofrendo apenas quatro gols nesta série de jogos.

Curiosamente, Felipão reestreou pelo Palmeiras na mesma rodada de Cuca, a 17a do campeonato, antepenúltima do turno. Com Luiz Felipe Scolari, o Palmeiras está invicto no Brasileiro e tem um aproveitamento surreal, de 96%.

Se pegarmos somente este recorte do campeonato, de agosto para cá, desde as chegadas de Scolari e Cuca, o Palmeiras é o time de melhor aproveitamento, tanto que chegou à liderança, o Inter é o segundo (69% dos pontos ganhos), o Atlético-PR vem em terceiro e, o Santos, em quarto. Se tirarmos da conta os tropeços iniciais da era-Cuca, no entanto, o Santos só fica atrás do Palmeiras.

No turno, o Santos perdeu do Inter em casa (1-2) e empatou com Palmeiras (1-1) e Flamengo (1-1). Como serão os confrontos do returno, agora que o time ganhou tanta solidez e mudou de cara?

Faltam somente nove rodadas para o fim do campeonato e tudo indica que o campeão será quem estiver na frente após a rodada 34, principalmente se esse time for o Palmeiras, que tem confrontos melhores que a concorrência nas rodadas finais.

Nos jogos do primeiro turno contra os adversários que ainda têm pela frente, o Internacional somou 22 de 27 pontos possíveis. O Palmeiras fez 16, sendo 6 ainda em 5 jogos com Roger e 10 pontos em 4 jogos com Scolari). Já o Flamengo somou 14 pontos contra os adversários que tem pela frente, com derrotas para São Paulo, Grêmio e Atlético-PR, três das seis que sofreu no campeonato todo.

No pós-Copa, o Flamengo é um time com desempenho pior do que Palmeiras, Inter e o “intruso” Santos. Mas, desde a chegada recente de Dorival Jr, não sofreu um gol sequer e conseguiu vitórias contundentes em Itaquera e no Fla-Flu. E ainda tem a vantagem de fazer um confronto direto, em casa, contra o Palmeiras (sábado, 27/10).

Palmeiras e Inter, os dois melhores mandantes do Brasileiro (o Inter segue invicto em Porto Alegre), fazem cinco jogos em casa e quatro fora na reta final. Já o Fla joga quatro em casa e cinco fora.

Estes são os jogos que faltam para os candidatos ao título Brasileiro:

Rodada 30
Palmeiras x Ceará
Paraná x Flamengo
Inter x Santos

(meio de semana: Boca Juniors x Palmeiras)

Rodada 31
Vasco x Inter
Flamengo x Palmeiras

(meio de semana: Palmeiras x Boca Juniors)

Rodada 32
São Paulo x Flamengo
Palmeiras x Santos
Inter x Atlético-PR

(meio de semana: primeira final da Libertadores)

Rodada 33
Botafogo x Flamengo
Atlético-MG x Palmeiras
Ceará x Inter

(rodadas 34, 35 e 36 afetadas por data Fifa)

Rodada 34 (meio de semana)
Flamengo x Santos
Palmeiras x Fluminense
Inter x América

Rodada 35
Paraná x Palmeiras
Botafogo x Inter
Sport x Flamengo

Rodada 36 (meio de semana)
Flamengo x Grêmio
Palmeiras x América
Inter x Atlético-MG

Rodada 37
Cruzeiro x Flamengo
Vasco x Palmeiras
Inter x Fluminense

(meio de semana: segunda final da Libertadores)

Rodada 38
Paraná x Inter
Flamengo x Atlético-PR
Palmeiras x Vitória

 


Chance de título do São Paulo era tão fantasiosa quanto a de rebaixamento
Comentários Comente

Julio Gomes

O São Paulo flertou tanto com um inédito rebaixamento ao longo do ano passado que parecia até que ia cair. O São Paulo flertou tanto com o título neste ano que parecia até que ia ganhar. No fim, eram apenas fantasias.

O São Paulo não tinha como cair ano passado, como não tinha como ser campeão esse ano. Era, o do ano passado e é, o atual, um time “medião”.

Como o Brasileiro é muito equilibrado, nivelado por baixo, muitos times são mediões. Quase todos. O que faz um cair, outro ficar lá em cima? A resposta número um é elenco. O campeonato é uma grande maratona, inserido em um calendário desumano e estúpido. Quem tiver mais dinheiro (e souber aproveitá-lo) vai sempre ter elencos melhores. Quem tiver menos, vai sofrer.

E aí entram outros fatores, claro. Ter bom técnico, elenco com encaixe, torcida apoiando, sorte, etc.

No ano passado, o São Paulo montou mal o elenco. Sofreu, mas não só não caiu como ainda quase beliscou uma pré-Libertadores. Neste ano, com um corpo diretivo mais competente, montou um time melhor. Mas para ser campeão? Fantasia.

O São Paulo tem um time bom, com técnico bom, torcida apoiou, mas o elenco não é tão recheado como o de outros concorrentes. Quando um jogador fundamental, como Éverton, se machuca, a coisa desanda facilmente. Aí Anderson Martins comete seguidos erros em seguidos jogos. Deu certo azar aqui e ali. É a história de sempre, acontece com quase todo mundo (exceto, claro, o time que acaba sendo campeão).

Tem potencial e dinheiro para, no futuro próximo, voltar a brigar forte. Possivelmente voltará à Libertadores. É o caminho a ser seguido.

Depois da derrota para o Internacional, o São Paulo fica fora da briga pelo título. São sete pontos para um Palmeiras que ninguém para, quatro para o próprio Inter, que renasce forte na luta, três para o Flamengo. Todos apontando para cima, enquanto o Tricolor ganhou uma das últimas oito – e com semanas inteiras para treinar. Aponta para baixo.

O Flamengo, que havia feito três gols só duas vezes em 41 partidas competitivas na temporada, fez dois 3 a 0 seguidos contra Corinthians e Fluminense. Cresceu com Dorival. E o Inter fez uma grande partida de futebol contra o São Paulo, no Beira-Rio. Levou um gol no início, mas partiu para a virada e com direito a gol mal anulado. Jogou bem e ainda sonha.

O Grêmio, que na visão deste blog já estava fora da luta de fato (dentro só na matemática) desde o Gre-Nal e por avançar na Libertadores (lembram do elenco curto?), ainda poderia dar uma respirada se tivesse vencido o Palmeiras no Pacaembu. Com tantos desfalques, virou presa fácil para o líder. Deyverson, estrela do time de “domingueiros” de Felipão, resolveu.

O Brasileiro parece ser, agora, coisa de três. São Paulo e Grêmio vão jogar pelo G4.


Queridinha do Brasil faz a alegria de três das maiores torcidas
Comentários Comente

Julio Gomes

A vitória da Chapecoense sobre o Internacional, nesta segunda à noite, representou um suspiro de alívio para as torcidas de São Paulo, Palmeiras e Flamengo, três das maiores do Brasil.

Time que já tinha a simpatia geral por ser o patinho feio na elite, ganhou o coração de todos após a tragédia de Medellín e, agora, deixa tanta gente feliz. A Chape, de quebra, sai da zona do rebaixamento.

O Inter poderia assumir a liderança isolada e ganhar ainda mais moral para o resto do Brasileiro. Pelo contrário. Em uma rodada que parecia favorável ao Colorado, enfrentando um time da zona de rebaixamento, todos os seus adversários fizeram um ponto a mais e em jogos mais complicados (Flamengo e São Paulo, em clássicos locais, o Palmeiras jogando em Salvador contra o bom time do Bahia).

Ainda teve vitória do rival Grêmio, que, no entanto, eu descarto da briga pelo título por causa da Libertadores – não pela diferença de pontos.

O Inter ainda perdeu um pênalti aos 49min do segundo tempo, com Jandrei parando Damião – aliás, eu não teria marcado a penalidade. Jandrei, cria colorada, ainda fez um milagre aos 51min, em um lance de bola parada onde, aí sim, me pareceu haver pênalti não marcado para o Inter sobre Moledo.

O Colorado não pode falar de arbitragem. A real é que nunca foi superior à Chape e só jogou bem depois de sofrer a virada e ficar com um homem a menos. Não jogou como líder. Mais um típico jogo que mostra o equilíbrio absurdo do nosso campeonato. Ninguém é favorito contra ninguém.

O Brasileiro é cada vez mais um campeonato “caseiro”. Nas primeiras 20 rodadas, só uma (a sexta) acabou sem vitória alguma dos visitantes. Nas últimas cinco rodadas, isso aconteceu três vezes. O Inter perde o posto de melhor visitante e também a liderança para o São Paulo.

Os empates conseguidos pelo São Paulo, em Santos, e pelo Palmeiras, em Salvador, contra adversários superiores ao longo dos dois jogos, hoje parecem valer ouro.


Inter desafia tendência de Brasileiro ‘caseiro’ para ganhar rodada
Comentários Comente

Julio Gomes

O Flamengo empatou. O São Paulo empatou. O Palmeiras empatou. Os três principais adversários do Internacional na luta pelo título brasileiro deixaram pontos pelo caminho neste fim de semana. Para saber se essa rodada será ótima, regular ou péssima para o Inter, teremos de esperar a resposta do próprio Inter.

Antes desta rodada começar, ela já pintava como uma rodada boa para o Colorado. Afinal, o jogo de hoje à noite contra a Chapecoense fora de casa, apesar de não poder ser chamado de fácil, é, em teoria, menos complicado do que os jogos que tinham os outros concorrentes. Flamengo e São Paulo fizeram clássicos, o Palmeiras foi com o time reserva à Fonte Nova.

Se o Inter vencer, terá sido uma rodada maravilhosa, com liderança isolada e tropeços alheios. Se o Inter perder, terá sido uma rodada horrorosa. Se empatar, terá sido uma rodada apenas regular – afinal, tudo seguirá igual e ficará o gostinho de chance perdida.

Para vencer em Chapecó, o Inter terá de derrubar o que parece ser uma tendência no Brasileirão.

No primeiro turno, os visitantes ganharam 36 jogos em 19 rodadas – 19% dos confrontos, o que fica bem perto da média de qualquer campeonato do mundo, em que os times que jogam fora costumam vencer entre 20 e 25% das partidas. Somente uma rodada, a sexta, foi encerrada sem vitória alguma dos visitantes.

No segundo turno, apenas 10% dos jogos acabaram com derrota do time da casa. Ou seja, isso acontecia em 1 a cada 5 jogos no turno. Está acontecendo em 1 a cada 10 jogos no returno. O campeonato, nesta fase de mais equilíbrio e de elencos consolidados, virou uma competição “caseira”.

Nas 20 primeiras rodadas do campeonato, só uma delas ficou sem visitante ganhar jogo. Se o Inter não vencer em Chapecó, isso acontecerá pela terceira vez nas últimas cinco rodadas. É contra essa tendência que o Colorado joga hoje à noite.

A boa notícia? O Inter é o time de melhor aproveitamento fora de casa (boa notícia para a metade vermelha do Sul, logicamente).

O time de Odair Hellmann ganhou 52,78% dos pontos disputados fora, com cinco vitórias, quatro empates e três derrotas. Além de ter, também, um aproveitamento fantástico contra os times da parte baixa da tabela.

O único outro que ganhou mais da metade dos pontos que jogou fora de casa foi o São Paulo, com 20 pontos em 13 partidas. Caiu para 51,3% de aproveitamento após o bom empate na Vila Belmiro.

 


Rodada marca a despedida do Grêmio do Brasileiro
Comentários Comente

Julio Gomes

No primeiro semestre, a impressão era a de que o Grêmio era o único time do Brasil que podia ganhar o Brasileiro “se quisesse”.

Carregava o título da Libertadores, a maior estabilidade do Brasil em termos de diretoria-técnico-elenco, um ótimo futebol. Se quisesse, se jogasse sempre com os titulares, levaria.

Nunca quis. E, de uns tempos para cá, nem se quiser.

O Grêmio não é mais o mesmo. Perdeu Arthur, a saída mais sentida. Mas perdeu também Edílson, Jaílson, Fernandinho, Barrios… é verdade que o elenco ganhou algumas peças em relação ao campeão da América, é verdade que Everton explodiu, que Maicon voltou, mas nunca é fácil mudar.

Acima de tudo isso, estão as opções. E a opção do clube e de Renato foi, de novo, apostar no mata-mata, não no campeonato mais difícil, que é o Brasileiro, com suas 38 rodadas.

Com a derrota no Gre-Nal, o Grêmio não fica apenas a 8 pontos do Inter. Mas a 8 pontos de DOIS líderes. E também a 5 de um Palmeiras que não vai largar o osso.

No meio disso, o Grêmio tem uma Libertadores e o confronto mais “ganhável” das quartas de final, contra o Tucumán. Ou seja, o mais provável é que faça mais pelo menos quatro jogos de Libertadores, mais quatro com reservas no Brasileiro. Quatro dos 14 que faltam, muita coisa.

O Grêmio nunca se colocou em posição de ganhar o Brasileiro, o que é uma pena, pelo potencial que o time apresentava no primeiro semestre. Agora, já era.

A rodada do Gre-Nal, que teve também vitórias de todos os outros concorrentes, marca a despedida do Grêmio da disputa.

Na minha visão, um erro de leitura do clube. O Brasileiro é o mais difícil dos campeonatos? Pode ser. Mas, para o jeito que as coisas estavam desenhadas, especialmente no primeiro terço do campeonato, pré-Copa, o Brasileiro era o mais fácil dos três para o Grêmio. E, considerando que o clube não ganha o Brasileiro desde 96 e que acaba de ganhar as duas Copas, esta deveria ser a prioridade.

 

 


Rodada de jogos gigantes será divisora de águas no Brasileiro
Comentários Comente

Julio Gomes

Podem anotar. A rodada deste meio de semana do Campeonato Brasileiro será uma divisora de águas na competição.

Três jogos desta quarta e um de quinta, todos eles com alto nível de dificuldade para os clubes que ocupam as cinco primeiras posições, indicarão quem quer o quê, a ponto de entrarmos no terço final do campeonato.

O São Paulo seguirá somando? Haverá um vencedor no duelo direto dos que vêm atrás, Inter e Flamengo? E Grêmio e Palmeiras, que jogam contra os dois times mais indigestos do momento para se enfrentar, irão entrar de vez na briga?

Uma pena que a rodada tão transcendental ocorra no meio de uma data Fifa, com diversas seleções, inclusive a brasileira, desfalcando os principais clubes.

O São Paulo fica sem Arboleda (além de outros seis desfalques por razões diferentes), o Flamengo perde Paquetá, Cuellar e Trauco, o Grêmio não terá Everton e Kannemann (só isso). Bom para Inter e Palmeiras, que passam incólumes das seleções e das lesões.

Uma pena, mas não uma surpresa. Já se sabe desde o ano passado o calendário do Brasileiro e quais são as datas reservadas para seleções. O calendário é o calcanhar de Aquiles do nosso futebol e é co-responsabilidade de CBF, federações estaduais e, claro, clubes.

Hoje, os clubes se fazem de vítimas por perderem seus jogadores em um momento tão importante. Mas eles estão no topo da pirâmide de culpados pela situação. O que não era possível prever era uma 23a rodada tão sensível.

O São Paulo, líder, vai ao Horto enfrentar o Atlético Mineiro (que perdeu Chará para a seleção colombiana). Apesar dos três jogos sem vitórias, o Atlético é forte demais em casa. O São Paulo será pressionado e pode se aproveitar disso, como fez contra o Flamengo. Jogar de forma reativa é uma marca no time. Para o Atlético, o jogo é quase uma final . A chance derradeira de voltar para a briga.

Inter e Flamengo, segundo e terceiro colocados, jogam no Beira-Rio. Além dos desfalques por conta da data Fifa, o Flamengo não poderá contar com Diego e Réver – ou seja, o ameaçado Barbieri terá meio time titular em Porto Alegre.

Desde a derrota para o Flamengo, no turno, o Inter engatou uma sequência com 11 vitórias, 6 empates e só 1 derrota (72% de aproveitamento). Com zero gols marcados nos cinco jogos contra seus concorrentes diretos, o Inter busca dar uma resposta.

O Palmeiras, quarto, recebe o Atlético-PR. Supostamente, seria, entre os líderes, o time com confronto mais “fácil” na rodada. Só que o Furacão é um dos times mais quentes do campeonato – são sete vitórias e dois empates nos últimos nove jogos, contando a Sul-Americana, e a quinta melhor campanha pós-Copa. E o Grêmio, quinto, vai à Vila Belmiro enfrentar um Santos que vive seu melhor momento no ano, embalando com Cuca e com Gabriel, o Gabigol, se reencontrando com o próprio apelido.

São Paulo, Inter e Flamengo, pela pontuação, o calendário e o fato de jogarem sempre com titulares, são os três candidatos maiores a título. Palmeiras e Grêmio correm por fora, pois atuarão muitas vezes no Brasileiro com seus times reservas – é a estratégia de ambos antes das partidas de mata-mata pela Libertadores e, no caso do Palmeiras, também a Copa do Brasil.

Mas esta é uma rodada que pode “obrigar” Palmeiras e/ou Grêmio a darem mais atenção ao campeonato. Imaginem um cenário de vitória deles, combinada com derrota do São Paulo e empate no Sul? A rodada pode acabar com o Flamengo sem técnico. Com o São Paulo disparando. Com o Inter liderando… são muitas as possibilidades!

Se olharmos a tabela com a lupa, veremos que, daqui até o final, a enorme maioria das rodadas sempre é, teoricamente, boa para alguém ou então ruim para alguém. Sempre um dos times tem um jogo mais complicado ou então, pelo contrário, mais fácil do que os outros. Sempre em tese, já que sabemos que no Brasil o nivelamento é grande mais.

Depois dessa rodada número 23, só mais uma tem características semelhantes. A 29a rodada, por enquanto toda marcada para o domingo, 14 de outubro, terá Inter x São Paulo, Palmeiras x Grêmio e o Fla-Flu. E adivinhem! Será em plena data Fifa. Aliás, será também ensanduichada entre as duas finais da Copa do Brasil, que podem ter a presença de Palmeiras e Flamengo.

É isso mesmo que você leu. Os dois jogos da final da Copa do Brasil e essa rodada gigante do Brasileiro vão coincidir com mais dois jogos da seleção brasileira – ainda não marcados, mas possivelmente contra Arábia Saudita e Argentina, lá no Oriente Médio. É provável que Tite não convoque jogadores dos clubes brasileiros para estes jogos, mas essa é uma decisão dele, não dos clubes.

Claro que outras rodadas podem se apresentar enormes mais para frente, de acordo com os momentos vividos pelos clubes que ponteiam a tabela e também seus adversários. Mas, a priori, as rodadas 23, essa que começa hoje, e a 29, ambas em datas Fifa, são as maiores até o fim o campeonato.


Inter só fez 1 gol em 7 jogos contra times mais fortes do Brasileiro
Comentários Comente

Julio Gomes

Contra os outros times fortes do campeonato, quase nada. Contra os fracos, quase tudo. Essa é a tônica do Internacional no Campeonato Brasileiro.

É verdade que, no segundo turno, o Inter tem a vantagem de jogar em casa contra seus concorrentes a título. Mas isso só vai significar algo se o time conseguir, de fato, se impor e ganhar jogos. Seria bom fazer alguns golzinhos.

Contra o Palmeiras, neste domingo, o Inter teve efetivamente uma chance de gol, em boa defesa de Weverton. Foi um jogo para 0 a 0 mesmo, mas, se houvesse um vencedor, teria de ser o time reserva de Scolari, pelo primeiro tempo que fez.

Até agora, contra os sete primeiros da tabela, o Inter só venceu o Atlético Mineiro, fora de casa, por 1 a 0. Jogando no Beira-Rio, empatou com Cruzeiro e Palmeiras, ambos por 0 a 0. Mesmo resultado dos empates contra Grêmio e São Paulo, fora de casa. As derrotas vieram para Palmeiras (1 a 0, primeiro turno) e Flamengo (2 a 0).

Ou seja, em sete jogos, apenas um gol marcado, uma vitória, quatro empates e duas derrotas. Sete pontos em 21 possíveis.

Contra o resto, o Inter fez 35 de 42 pontos possíveis, com 11 vitórias, somente dois empates e uma derrota. Aproveitamento de 33,3% contra os times de ponta, 83,3% contra o resto. O abismo é surreal.

Para ser campeão pela primeira vez desde 1979, o Inter vai precisar mudar essa dinâmica. E a hora é agora, já que os três próximos jogos são contra Cruzeiro (fora), Flamengo e Grêmio, em casa. Mais para frente virão os duelos contra São Paulo e Atlético-MG, também no Beira-Rio.

É verdade que a defesa está firme, sólida, não sofreu gols nos últimos seis jogos. E defesas ganham campeonatos.

Mas Odair Hellmann tem um abacaxi para resolver. Achar gols e vitórias em jogos grandes. Senão, o sonho de título não passará disso… um sonho.


Inter não é obrigado a ficar com Guerrero por mais de 3 anos
Comentários Comente

Julio Gomes

O Internacional não é obrigado a ter Paolo Guerrero por um período maior do que os 3 anos de contrato, assinado dias atrás e com vigência até agosto de 2021.

O blog apurou que, ao final do contrato, o clube gaúcho tem a opção de ampliar o vínculo pelo período que o peruano ficar afastado pela suspensão por doping – se não houver nenhuma mudança, será um período de oito meses de inatividade.

O Inter deixa claro que quer ter Guerrero por três anos “de serviços prestados”, como informou o repórter do UOL Esporte, Marinho Saldanha. Mas ele não é obrigado a ter (e pagar) Guerrero por três anos e oito meses. Ao final do contrato vigente, ele pode ou não optar pela ampliação.

O clube se protegeu desta maneira e também ficando desobrigado a pagar o salário do peruano durante a suspensão – ainda que vá pagar as luvas do contrato, de aproximadamente R$ 200 mil, no período (decisão para lá de discutível, convenhamos).

Guerrero terá 37 anos e meio ao final do atual contrato. Se o Inter fosse obrigado a ter Guerrero por três anos após a suspensão, ficaria com o jogador até abril de 2022, quando ele já teria mais de 38 anos de idade.

De qualquer maneira, a revogação do efeito suspensivo que permitiu a Paolo Guerrero jogar a Copa do Mundo pegou o Inter de calças curtas. O clube até contava que a suspensão por doping voltasse a valer, mas possivelmente só em dezembro ou no ano que vem – segundo apuração do colega Marinho Saldanha, que conhece as entranhas do clube como poucos. O plano A do Inter era ter Guerrero na busca do título nacional, que não conquista desde 1979.

Guerrero faria a estreia contra o Palmeiras, domingo, em um cenário perfeito, com Beira-Rio lotado, busca pela liderança, campanha de marketing para bombar o terceiro uniforme, etc. Até lugar no time ele tinha, já que Pottker está suspenso. Por tudo isso, a notícia de hoje veio como uma ducha de água fria.


Fábio vira herói de todas as torcidas – menos a gremista
Comentários Comente

Julio Gomes

O Grêmio é quem melhor joga futebol no Brasil. A frase, repetida à exaustão por Renato Gaúcho, possivelmente seja verdadeira. É assim que analisam a maioria dos especialistas, entre jornalistas e ex-jogadores. E o Grêmio é, afinal, o campeão da América.

Aí o time reserva, finalmente, ganha boas partidas no Brasileiro. O time titular é eliminado da Copa do Brasil, dando respiro no calendário. A pontuação é alta no primeiro turno. E a sombra gremista vai ganhando um tamanho que os rivais não queriam ver na competição nacional. Porque, se o time do Renato é eliminado da Libertadores semana que vem… quem vai pará-lo no Brasileiro?

O que não estava nos planos do Grêmio era o tropeço desta quarta à noite, contra um Cruzeiro sem vários titulares e sem intenção alguma no Brasileiro. Dedé e Henrique nem foram a Porto Alegre. Edílson foi outro titular que não entrou em campo, Lucas Silva, Robinho e Thiago Neves ficaram no banco, só entraram no segundo tempo.

O pepino é que Fábio estava lá. E foi o herói de novo, ao pegar o pênalti de Luan nos minutos finais. Herói cruzeirense? Sim. E herói são-paulino, flamenguista, colorado, palmeirense…

Além de ter evitado a quarta vitória seguida e dois pontos a mais para o Grêmio, Fábio evitou que a sombra gremista tomasse um tamanho maior do que o resto da turma de cima queria.

E agora o Grêmio vai com reservas a Curitiba enfrentar um Atlético-PR em ascensão. Em teoria, vai perder ainda mais terreno. O jogo desta quarta era essencial.

Em um campeonato equilibrado como o Brasileiro, em que não há jogo fácil, os duelos fora de casa de São Paulo e Inter, contra o desesperado Paraná e o acertadinho Bahia, talvez fossem até mais complicados do que o do Grêmio contra o Cruzeiro misto e com a cabeça em outras competições.

O São Paulo manteve os cinco pontos de frente, o Inter abriu vantagem para o rival, o Palmeiras se aproximou. E caberá ao Flamengo, na quinta, fazer a parte dele também.

O jogo entre Grêmio e Cruzeiro foi disputado com alta intensidade, foi um bom jogo de futebol. No primeiro tempo, o plano de jogo cruzeirense funcionou, com Bruno Silva muito bem em campo (golaço à parte), assim como De Arrascaeta. O Grêmio tocava muito de lado, com pouca verticalidade.

Renato ousou no intervalo, fez boas alterações, e o Grêmio foi muito superior no segundo tempo – aposto que Jael ganhará a vaga de André na Libertadores. Everton fez um golaço e Luan bateu mal o pênalti que representaria a virada. Bom para os líderes.