Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Guardiola

Seis Champions seguidas sem final. E agora, Guardiola?
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Julio Gomes

“Eles são o melhor time do mundo. Mas sabíamos que podíamos vencê-los”.

A frase foi de Jurgen Klopp, técnico do Liverpool, depois de eliminar o Manchester City, de Pep Guardiola.

Mas poderia ter sido dita por Di Matteo, em 2012, depois de o Chelsea tirar o Barcelona na semifinal. Ou por Simeone, em 2016, depois de o Atlético de Madrid eliminar o Bayern. Ou por Mourinho, em 2010, quando a Inter tirou o Barça. Bem, talvez ouvir isso de Mourinho seria surpreendente demais…

O fato é que a história se repete. Guardiola é um gênio. Desde que apareceu no cenário europeu como técnico, 10 anos atrás, mudou o futebol. Isso não é passível de debate. Os times dele (primeiro o Barça, depois o Bayern, depois o City) foram sempre os que melhor jogaram. Um futebol ofensivo, atrativo, apaixonante. Mas, na principal competição de clubes do mundo… os fracassos se acumulam.

Com o Barcelona, Guardiola foi campeão de duas das três primeiras Champions que jogou (2009 e 2011). Desde então, jogou a competição outras seis vezes. E nunca mais chegou à decisão.

O contraste com o desempenho em campeonatos de pontos corridos é tremendo. O título do Manchester City na Premier League é apenas questão de tempo. Será o sétimo em nove temporadas de Guardiola (ganhou três de quatro com o Barça e os três que jogou com o Bayern).

Seus críticos dirão que é fácil ganhar campeonatos longos de pouca competitividade com timaços nas mãos.

Eu acredito que a crítica possa até ser válida para os anos de Bayern. De forma alguma para os anos de Barcelona, quando Guardiola assumiu o comando de um clube em transição e vindo de duas temporadas horríveis. Foi ele quem construiu o timaço que o Barcelona mostrou ao mundo entre 2008 e 2012 (o mais dominante e encantador que vi em vida). No City, a evolução foi tremenda da temporada passada para a atual. É verdade que foram gastos muitos milhões no mercado. Mas contratar bem e fazer os jogadores encaixarem também é uma arte.

Sou fã de Guardiola. Muito fã. Estamos diante de uma figura que faz história, que mudou o esporte.

Mas não é possível ignorar tantas eliminações nas fases agudas da Champions. E das mais diversas formas. Há algo errado aí na tomada de decisões de Pep. Há algo errado na maneira de encarar a adversidade, tendo poucos minutos para resolver pepinos.

Como quando deixou o Bayern tão exposto aos (óbvios) contra ataques do Real Madrid, em 2014. Como na pane nos minutos finais do jogo do Camp Nou, em 2015. Ou como neste duelo contra o Liverpool, inventando escalações e mudanças táticas que nada tiveram que ver com o que time fez ao longo da temporada.

É verdade, também, que não foi ele que perdeu o pênalti contra o Atlético, em 2016. Foi Muller. Nem contra o Chelsea, em 2012. Foi Messi. Tampouco foi ele quem anulou um gol legal do City, ontem, que deixaria o jogo com um 2 a 0 no intervalo.

Nem tudo é culpa de Guardiola. Mas nem tudo o que Guardiola faz é perfeito.

Devemos nos habituar a imperfeições. Não precisamos nos render. Mas a vida é cheia delas.

 


Klopp deu mais baile sobre um ‘inventor’ Guardiola
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Julio Gomes

Jurgen Klopp não é qualquer treinador de futebol. É o único homem que ganhou seis jogos de futebol contra Pep Guardiola (perdeu cinco).

Guardiola não é infalível. Ele erra. Todos erramos. Mas há erros e erros. Momentos e momentos para errar. Errar nas quartas de final da Champions. E contra Klopp… bem, são esses os erros que te assombram por anos.

O Manchester City atuou o ano inteiro com jogadores abertos, colados nas linhas laterais, espalhando as defesas rivais e dando corredores para De Bruyne e David Silva. Nesta quarta, em Liverpool, Guardiola não escalou nem Sterling nem Bernardo Silva. Optou por Gundogan, um volante, aberto pela direita. Perdeu agressividade no ataque e consistência no meio de campo. Do outro lado, optou por um zagueiro, Laporte, na lateral esquerda.

Inventou. E pagou o preço. A derrota por 3 a 0 não é irreversível. Em setembro, no primeiro turno da Premier League, o City meteu 5 a 0 no Liverpool. Mas, convenhamos, o Liverpool está com um pé na semifinal, para provavelmente acompanhar Barcelona, Real Madrid e Bayern nas semis mais laureadas de todos os tempos.

No primeiro tempo em Anfield Road, o City teve “só” 55% de posse de bola, abaixo de sua média. O Liverpool foi o time que quis a bola. Especialmente no segundo seguinte após perdê-la.

Ao longo dos anos, muitos treinadores tentaram parar os times de Guardiola marcando de forma passiva e fechando linhas na frente da área. Klopp, não. E vimos mais uma vez um time do alemão jogar de forma agressiva, mordendo em todas as partes do campo e adiantando a primeira linha de marcação até a área, quando preciso. Até Ederson chegou a ser pressionado na saída de bola.

A marcação agressiva do Liverpool, somada à má escalação do City, resultou em um incrível 3 a 0 em apenas meia hora de jogo.

Guardiola só foi acertar o time no intervalo. Abriu De Bruyne pela direita e trouxe Gundogan para o meio. Depois, colocou Sterling no lugar do alemão, posicionando o belga ao lado de Silva, pelo meio. Ou seja, o City só jogou como City dos 12min do segundo tempo para frente.

Criou chances, pressionou, jogou dentro da área do Liverpool – e ainda teve sorte por Salah sair contundido, o que obviamente comprometeu as saídas do time da casa em contra ataques.

Mas, em apenas meia hora e com Sané e De Bruyne em uma noite para esquecer, não eu para o City.

É a terceira vitória do Liverpool de Klopp sobre o City de Guardiola em três duelos em Anfield. A sexta de Klopp em 13 jogos contra o catalão, se somarmos os duelos da Alemanha. Está virando freguês.

 


Guardiola leva primeiro título da temporada europeia. Levará o último?
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Julio Gomes

Pouco mais de um ano e meio após chegar ao Manchester City, Pep Guardiola levantou neste domingo seu primeiro troféu pelo clube. Com os fáceis e contundentes 3 a 0 sobre o Arsenal, em Wembley, o City conquistou a Copa da Liga Inglesa.

Não é o título mais importante da temporada. Pelo contrário, é o menos importante. Na Inglaterra, assim como na França ou em Portugal, os clubes jogam também a tal Copa da Liga, além da Copa do país. Nestes países, são três as competições domésticas – na Espanha, Itália ou Alemanha são apenas duas.

É uma competição em que são utilizados muitos reservas nas fases iniciais. Mas, na hora em que grandes clubes se encontram ou quando chega a decisão, aí ninguém quer perder. Guardiola mandou tudo o que tinha de bom para cima do Arsenal. E tudo o que o City tem de bom é muito melhor do que o que o Arsenal tem de bom.

Foi um passeio. Um massacre. O Arsenal praticamente não teve chances contra um City jogando o fino da bola. Gol de Aguero, Kompany e David Silva mataram a final.

Boa notícia também a volta de Gabriel Jesus, que entrou em campo pela primeira vez em 2018 nos minutos finais. Má notícia a lesão de Fernandinho, que saiu de campo machucado. Talvez seja desfalque para Tite nos amistosos de março contra Rússia e Alemanha.

Vamos esquecer as Supercopas, que apenas abrem oficialmente as temporadas no verão europeu. E levar em conta os cinco países mais importantes da Uefa. Com este filtro, este foi o primeiro título da temporada.

O Manchester City é o primeiro clube das grandes ligas europeias a levantar um troféu.

O último clube campeão da temporada sairá em 26 de maio, em Kiev, Ucrânia, quando será disputada a final da Liga dos Campeões da Europa.

Neste momento, pelas cotações das casas de apostas, o City, de Guardiola, é o principal favorito a levantar este troféu também. Troféu que Guardiola levantou pela segunda e última vez em 2011, no mesmo Wembley em que levantou a Copa da Liga hoje.

O homem ganhou sete das oito finais que disputou como técnico. Dez anos após o início dos investimentos gigantescos com dinheiro dos Emirados Árabes Unidos, o clube se acostumou a chegar e ganhar. O time está voando em todos os setores, jogando o futebol mais ofensivo e bacana de se ver na Europa. A comunhão entre treinador e comandados é nítida. O título da Premier League, que será o segundo da temporada, é só questão de tempo.

Alguém duvida que o City de Guardiola fechará a temporada do mesmo jeito que fechou hoje a Copa da Liga?

 

 

 


Atlético-PR e Fernando Diniz: o casamento do ano no Brasil
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Julio Gomes

O Atlético Paranaense resolveu fazer a aposta que tantos clubes grandes do Brasil relutaram em fazer. Contratou Fernando Diniz.

Fernando não é o Guardiola brasileiro. Mas é.

Não é porque eles são pessoas diferentes, têm estilos diferentes de trabalhar e, claro, a bagagem cultural de cada um deles, pelo país em que nasceram e os lugares por onde passaram, é diferente.

Mas ao mesmo tempo é, sim, o nosso Guardiola. Porque a visão de futebol dos dois se assemelha no conceito principal: querer ganhar a sua maneira, não de qualquer maneira.

É um rótulo simplista e simplório, malvado até, mas que tem lá algum sentido. E, neste momento em que volta a estar em alta o Pep europeu, deste jeito de ver e sentir o futebol, temos as condições ideais para a explosão da carreira do nosso Pep.

Fernando Diniz é o único técnico do Brasil que, por onde quer que tenha passado, não abriu mão da sua maneira de ver futebol. Alguns gostam, alguns não gostam. É do jogo. É direito de dirigentes, torcedores, jornalistas gostarem ou não gostarem. Tem gente que ama de paixão o Barcelona de Guardiola. Tem gente que, apesar dos resultados, não gosta.

É muito mais honesto ver o futebol assim do que “gostar” ou “não gostar” em função do resultado. Isso sim, é o que faz nosso futebol ser tratado de forma tão rasa. O resultadismo.

Mas voltando a Diniz. Nossa categoria de treinadores, desunida, é ao mesmo tempo refém do amadorismo dos dirigentes nacionais e beneficiada financeiramente pelo troca-troca e a irresponsabilidade destes mesmos dirigentes com as finanças dos clubes. Enquanto acaba sendo obrigada a se sustentar em resultados e aceita este círculo vicioso, Fernando Diniz foi o único que não sucumbiu a esta forma de trabalhar.

É visto por alguns, portanto, como “louco”. Ou um “radical intransigente”. Não podemos esquecer que o brasileiro é, no fundo da alma, um conservador. Pessoas disruptivas incomodam.

Foi treinado por este louco que o Audax, aqui em São Paulo, fez o Santos ser campeão paulista jogando como time pequeno, atuando nos contra ataques em 2016. O Audax já submeteu Palmeiras e São Paulo em campo, na bola. No peito.

Já deu para ver que eu sou um entusiasta deste jeito de ver o futebol. Mais do que isso: um entusiasta da coragem e de pessoas que seguem fiéis a seu modo de ver o mundo. Já estamos cansados de tanta bipolaridade, de tanta incoerência, de tanta volatilidade, de tanta inconsistência.

E por que o casamento com o Clube Atlético Paranaense é perfeito?

Porque o Atlético, apesar de ainda ser um pouco refém do personalismo e das decisões de Mário Celso Petraglia, é o clube do Brasil mais próximo ao que consideramos modelo ideal de tratar o futebol extra-campo. É o clube mais profissional daqui, do topo à base.

Se no Brasil existem 12 clubes grandes (por história, alcance nacional, torcida, mídia, jogadores cedidos à seleção, etc, etc), é fato que o Atlético-PR se posicionou sozinho em uma prateleira de 13a força.

Até 20 anos atrás, o Atlético-PR não era “maior” que Coritiba, Sport, Vitória, Bahia, Paysandu, Remo, Goiás, Portuguesa, Guarani, só para citar alguns dos clubes que, gigantes ou não localmente, sempre fizeram parte da “classe média” do futebol brasileiro.

De duas décadas para cá, o Atlético se descolou dessa turma. Foi o primeiro a construir uma Arena moderna, que já foi atualizada por causa da Copa, fez um CT de primeiro mundo, tem setores ultramodernos de fisiologia, preparação física, análise de desempenho e scout, é um clube solvente financeiramente, com receita, pagamentos em dia, torcida, ambição, atuação no mercado internacional. Estável. Só não gosto do tratamento que dá à imprensa, mas até nisso o Atlético está “europeizado”.

No próximo Brasileiro, Botafogo e Fluminense entrarão para não cair. Como vem sendo rotina, por sinal, salvo anos de exceção. O Atlético-PR já não entra mais no Brasileiro para não cair. A consistência de duas décadas da instituição CAP contrasta com a inconsistência de vários clubes “gigantes” da nossa história nesta era de pontos corridos. Na esfera esportiva, o Atlético já é um dos 10 clubes do Brasil.

Petraglia, com suas qualidades e defeitos, é, sem sombra de dúvida, o principal dirigente do futebol brasileiro nos últimos 20 anos. Foi o único capaz de mudar um clube de patamar. Não por ter vencido um título brasileiro. É muito mais que isso.

Com esta visão vanguardista, dentro do deserto que é o futebol brasileiro, o Atlético adotou, por exemplo, a postura de jogar o Campeonato Paranaense com um time sub-23. Algo que todos acabarão fazendo um dia, se os Estaduais continuarem.

Isso dará tempo (alguns meses) a Fernando Diniz para implementar suas ideias e gastar horas, horas e horas com o elenco do Atlético para que lá na frente, no Brasileiro e na hora aguda da Copa do Brasil, o time esteja jogando de acordo com suas convicções.

No futebol de defesa e contra ataque que virou isso aqui, veremos um time remando contra a maré. O único que de certa forma fez isso este ano acabou levantando a taça da Libertadores.

Se Petraglia e o Atlético tiveram coragem ao longo de anos para desafiar federação local, desafiar o status quo do futebol brasileiro, quebrar tantos obstáculos, é plausível imaginar que a contratação de Fernando Diniz esteja carregada de convicção.

Convicção que praticamente não existe entre dirigentes do futebol brasileiro, que atuam muito mais como torcedores empoderados do que como verdadeiros profissionais da área. Convicção que é o que mais faz falta no futebol daqui.

Em algum dos outros “12 grandes” do Brasil, Diniz teria muito menos tempo de trabalho e muito mais pressão das arquibancadas e microfones. Já em outros clubes da “classe média”, teria muito menos ferramentas a sua disposição.

É claro que na primeira série de derrotas do Atlético haverá jornalistas e diretores questionando o trabalho de Fernando Diniz. Mas acredito que ele caia no lugar certo para ter o mínimo de tempo necessário para desenvolver seu trabalho.

E isso ficou claro na conversa que definiu a contratação, pelo que o blog apurou. A convicção está lá no discurso de quem manda, de quem banca. Claro que as coisas podem mudar. Relações humanas são relações humanas. Mas há motivos e histórico para acreditar que, se houver qualquer tipo de ruptura, ela não virá por causa de uma ou outra derrota.

É uma notícia para lá de animadora para quem gosta da maneira do Atlético trabalhar fora de campo e da maneira de Fernando trabalhar dentro de campo.

Que seja um longo e próspero casamento.


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


City e Guardiola ‘matam’ a Premier League no dérbi dos presentes
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Julio Gomes

O Manchester City foi a Old Trafford, ganhou do Manchester United por 2 a 1 e praticamente decretou o fim da disputa pelo título da Premier League.

Além de vencer seu principal concorrente, o City ainda foi beneficiado pelos empates de Chelsea, Arsenal e Liverpool. Neste momento, o time de Pep Guardiola tem 11 pontos de vantagem para o United, 14 para o Chelsea e podemos parar por aqui. O turno está quase no fim, são 15 vitórias e 1 empate em 16 jogos e nenhuma, nenhuma indicação de que o City vá “despencar” no returno.

Podemos considerar tranquilamente que o Manchester City será campeão inglês. Basta saber quando e qual será o tamanho do recorde. Por enquanto, as 14 vitórias seguidas já são uma marca inédita.

O que não dava para imaginar é que o City venceria o dérbi de Manchester com dois gols de bola parada, contando com falhas bisonhas de um time comandado por um tal José Mourinho. O time de Pep venceu com jogadas típicas dos times de Mou. Foram três gols na partida dados de presente pelas defesas.

Mas, independente de como saíram os gols que quebraram a série invicta de 40 jogos do United em seu campo, a forma de vencer foi a forma City de jogar, a forma Pep de enxergar futebol.

O domínio do City no primeiro tempo foi impressionante. Mesmo jogando no campo adversário, controlou completamente as ações, empurrou o United para trás e passou 45 minutos sem sofrer uma finalização sequer. O gol poderia ter saído bem antes. Mas saiu de um escanteio, após uma bobeada defensiva e a finalização de David Silva. O United empatou nos acréscimos em uma falha individual de Delph, lateral improvisado na esquerda por Guardiola e bem aproveitada por Rashford.

No segundo tempo, o United voltou melhor que o City, carregando o momento do primeiro. Equilibrou a posse de bola e aproveitou o fato de Guardiola ter precisado sacar o zagueiro Kompany e colocado Fernandinho na zaga. Mas, em nova jogada de bola parada, Lukaku afastou mal e ela sobrou limpa para Otamendi fazer o segundo do City.

Guardiola corrigiu, colocando um zagueiro e tirando Gabriel Jesus que, linda entortada no argentino Rojo à parte, fez um jogo ruim, errático, tomando más decisões – ainda que, diga-se, fora de seu melhor posicionamento. A partir daí, o City voltou a dominar. Sempre carregado por De Bruyne, um jogador especial, com leitura incrível e que adapta seu posicionamento em função do que encontra na marcação adversária.

No final, o United, claro, tentou buscar o empate. E, na melhor jogada do time de Mourinho na partida, parou em dois milagres seguidos do goleiro brasileiro Ederson.

O dérbi do ano passado serviu para ver que Guardiola havia viajado na contratação de Cláudio Bravo. O de hoje serve para referendar a grana paga por Ederson, um dos heróis da vitória.

Agora são 20 jogos entre Guardiola e Mourinho, com 9 vitórias para os times comandados por Pep, 7 empates e 4 vitórias do português.

O Manchester City é o grande time da temporada até agora. Ainda falta muito na Champions. Mas, na Premier, a vaca alheia já foi para o brejo.


Mou x Pep, capítulo 20: a batalha para voltar ao topo da pirâmide
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Julio Gomes

Em algum momento, parecia que José Mourinho e Pep Guardiola haviam atingido tal tamanho que mastodontes como Real Madrid e Barcelona estavam a seus pés. Não era o Barcelona que dominava a Europa e seria, um ano após o outro, desafiado por Chelsea, Inter, o próprio Real. Não. Era o Barcelona de Pep. E o desafiante era o time de Mou, onde quer que ele estivesse.

O tempo passou, Mourinho saiu do Real Madrid, viveu altos e baixos, perdeu um pouco do status adquirido. Guardiola foi para o Bayern, não chegou a uma final europeia, começou mal no Manchester City. E, neste domingo, eles se reencontram em mais um dérbi de Manchester.

Será o dérbi número 175 da história e o vigésimo jogo com os dois técnicos mais falados do mundo se enfrentando. O capítulo número 20. São dois técnicos que há muito tempo não atingem o olimpo que costumavam frequentar. Que não são unanimidade.

Mas que, nesta temporada, dão toda a pinta de que estão prontos para triunfar novamente. Não é apenas mais um Mou x Pep. É um clássico importante para situar a força dos times deles, que são candidatos a tudo na Europa e querem justificar o rótulo.

Amigos nos tempos de Barcelona anos-90 (Mou era auxiliar, Pep era jogador), eles romperam completamente em 2011, no auge da rivalidade. E agora, na mesma cidade, cinzenta, onde não há nada o que fazer e já há alguns anos sem se enfrentar diretamente por algo grande, parece que reataram.

Nas coletivas pré-jogo, não tivermos farpas para lá e para cá. Guardiola se recusou a criticar o jogo supostamente “negativo” do United (“cada técnico entende o futebol de uma maneira, essa é uma beleza do esporte”). Chamou Mourinho de “irmão gêmeo” na vontade de ganhar que ambos compartilham. O português, do outro lado, elogiou muito o time do City e seu “técnico fantástico”. Para não dizer que não era Mourinho, alfinetou os jogadores e as arbitragens (já fazendo aquela tradicional pressão) dizendo que às vezes “o vento derruba os jogadores do City”.

O fato é que os dérbis disputados na temporada passada tiveram um tamanho muito menor do que o esperado, pois os times de Manchester fizeram uma campanha pouco espetacular. Pareciam jogos envolvendo técnicos com mais passado do que futuro. Mas, neste ano, tudo mudou.

O City lidera a Premier com uma campanha surreal, 14 vitórias e 1 empate. O United tem respeitáveis 35 pontos, mas já está 8 atrás. Ou seja, o dérbi é crucial para o time de Mourinho, que joga em casa, tentar quebrar a invencibilidade do City, diminuir a diferença para 5 pontos e mostrar que o campeonato está vivo.

Mais do que isso. São dois times que claramente podem ir longe na Europa. Fizeram uma primeira fase de Champions League muito boa e podem, por que não, se encontrar em fases agudas no ano que vem. Guardiola e Mourinho voltam a ser fortíssimos aspirantes a tudo. A reconquistar a Europa – coisa que um não faz desde 2011, o outro, desde 2010.

Até hoje, foram disputados 19 confrontos diretos entre Mourinho e Guardiola. Pep ganhou oito jogos, Mou ganhou quatro e foram sete empates. Em pontos corridos, foram seis jogos, com três a um para o catalão (dois empates) – o mais marcante foi o primeiro, os 5 a 0 do Barça sobre o Real, a pior derrota de Mourinho. Esta é a quarta temporada em que eles treinam times na mesma liga.

Em mata-matas, o placar mostra 1 a 1 em Champions League (Inter sobre o Barça em 2010, Barça sobre o Real em 2011), 1 a 1 em Copas do Rei, 2 a 0 para Pep nas Supercopas da Espanha e Europa, que pouco valem, 1 a 0 para Mou na Copa da Liga Inglesa (ano passado), que também tem menos importância.


Ederson estreia com o pé esquerdo no Manchester City
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Julio Gomes

Foi apenas o primeiro jogo. Mas não foi um jogo qualquer. O goleiro brasileiro Ederson, comprado por 40 milhões de euros (segundo mais caro da história), começou com o pé esquerdo no Manchester City.

Uma saída tresloucada do gol permitiu que Lukaku ganhasse pelo alto e fizesse o primeiro gol do Manchester United no dérbi de pré-temporada, disputado em Houston. O belga é, pelo menos por enquanto, o jogador mais caro da janela de transferências europeia – o United pagou 85 milhões de euros para tirar o goleador do Everton.

Ainda no primeiro tempo, Rashford fez 2 a 0, e o placar se manteve assim até o fim.

Ederson é uma aposta de Pep Guardiola. Já provou seu valor no Benfica e tem o tal jogo com os pés que agrada o treinador. Não é porque falhou no dérbi de pré-temporada que seja um fiasco, um fracasso, um erro.

Foi apenas um início infeliz.

E Ederson precisa saber, logicamente, que a lupa estará sobre ele o tempo todo. Nem tanto por causa dele. Mas por causa de Guardiola. Um treinador genial, um eterno revolucionário, mas que parece evoluir pouco em sua relação com o mercado.

Mourinho, por exemplo, é um gastão que acerta mais do que erra quando convence os proprietários de seus times a torrar uma grana por alguém.

Já Guardiola está ganhando cada vez mais a fama de gastar muito e mal. Por exemplo: foi anunciada a compra de Danilo, lateral-direito do Real Madrid, por 30 milhões de euros. Um valor surreal. Quem assistiu aos jogos de Danilo no Real entenderá. Não é que ele foi simplesmente relegado ao banco pelo ótimo Carvajal. É que ele foi mal quase sempre mesmo, nunca conquistou a confiança de Zidane. Difícil imaginar que o Real não vendesse Danilo por um valor bem inferior.

Então jogadores como Ederson acabarão pagando o pato sempre que falharem. Nada pessoal. A questão é avaliar o que faz Guardiola no mercado.

O amistoso para quase 70 mil pessoas em Houston teve um ritmo frenético no primeiro tempo, parecia jogo já de Premier League. Um grande jogo de futebol entre um United com cara de time titular e um City com muitas caras novas – como o ótimo Phil Foden, de apenas 17 anos (isso ninguém tira de Guardiola, o cara tem olhos de lince para pescar jogadores jovens).

O United tem um time pronto e ganhou Lukaku para matar bolas ali na frente. Olho muito aberto para o time de Mourinho nesta temporada.

 


Gabriel Jesus ajuda Guardiola a salvar a temporada
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Julio Gomes

Ainda não é matemático. Mas, na prática, o Manchester City garantiu classificação para a próxima Liga dos Campeões da Europa nesta terça-feira, ao vencer o West Bromwich por 3 a 1. O primeiro gol do jogo foi anotado por Gabriel Jesus.
Nestes quatro meses com o City, Gabriel Jesus, com uma lesão no pé no meio do caminho, atuou em nove partidas e fez, com o desta quarta, seis gols. Foram seis vitórias e três empates do time de Guardiola nestes jogos. Dá para concluir que o brasileiro foi importante para salvar a temporada dos Citizens.
Afinal, o City não conseguiu disputar o título inglês, foi eliminado das oitavas da Champions pelo Monaco, na semifinal da Copa da Inglaterra perdeu para o Arsenal e, na Copa da Liga, perdeu para o United de Mourinho. É uma temporada sem título, mas com Champions. Seria trágico para Guardiola acabar seu primeiro ano fora do G4 – o clube esteve no clubinho nas últimas seis temporadas, desde que virou “novo rico”.
Na última rodada (todos os jogos serão às 11h de domingo), o City enfrenta o Watford, 16o colocado e amargando cinco derrotas seguidas. Se vencer, garante o terceiro lugar e a vaga direta na fase de grupos da Champions. Se empatar, será terceiro caso o Liverpool não vença o já rebaixado Middlesbrough por três gols ou mais. Caso contrário, será o quarto e terá de disputar a fase prévia.
A única combinação trágica que deixaria o City fora da Champions: derrota para o Watford, vitórias de Liverpool e Arsenal. E ainda o Arsenal teria de tirar a desvantagem de cinco gols que tem para o City no saldo de gols.
A situação da Premier League:
Já sabemos que Chelsea é campeão e, junto com o Tottenham, estará na fase de grupos da Champions League.
A terceira vaga direta e a quarta (para a fase prévia) estão entre:
 
Manchester City – 75 pontos (saldo +36aq)
Liverpool – 73 pontos (saldo +33)
Arsenal – 72 pontos (saldo +31)
 
Liverpool recebe o Middlesbrough. Penúltimo e já rebaixado. Se vencer, fica pelo menos em quarto. Se tropeçar…
 
Arsenal recebe o Everton, sétimo colocado. Se Liverpool tropeçar, basta ao Arsenal ganhar para ir à Champions. Ou, então ganhar, City perder e tirar esses cinco gols a menos de saldo.
 

E, no fim, o Bayern conseguiu menos com Ancelotti que com Guardiola
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Julio Gomes

A Bundesliga cresce, cresce, cresce. É a segunda liga doméstica mais valiosa do mundo, já passou há um tempo a espanhola de Real Madrid e Barcelona. É a liga dos ingressos baratos, estádios lotados, clubes ricos, saudáveis financeiramente, com bases sólidas e que não podem ser vendidos para russos ou príncipes árabes.

Ainda assim, falta algo. O equilíbrio que marca praticamente todos os jogos e que faz com que as posições na tabela sejam tão brigadas (literalmente qualquer um pode ir para a Champions, qualquer um pode cair) não atinge o Bayern de Munique.

É tudo muito disputado. Menos o título.

Mas o mata-mata é algo muito especial. E se nos pontos corridos o poderio financeiro e a camisa do Bayern fazem toda a diferença, em jogos eliminatórios a história é outra. O Bayern completou nesta quarta-feira cinco jogos sem vencer e, depois da eliminação para o Real Madrid, caiu em casa para o Borussia Dortmund, na Copa da Alemanha.

Como a maioria das pessoas olha só para o resultado, não para desempenho e como ele é atingido, acostumou-se a achar que bastava ao Bayern de Munique entrar em campo para ganhar jogos. Mas não é moleza jogar na Alemanha.

Depois do bicampeonato do Borussia Dortmund, em 2011 e 2012, o Bayern tirou alguns dos melhores jogadores do próprio Dortmund. Ganhou as últimas quatro Bundesligas, as últimas três com Pep Guardiola e com direito a recordes.

Guardiola ganhou também duas Copas da Alemanha, mas parou três vezes seguidas nas semifinais da Liga dos Campeões. A última delas, no ano passado, de forma dramática diante do Atlético de Madri, com pênalti perdido por Muller na hora H.

Convencionou-se, então, dizer que Guardiola não fizera nada mais que a obrigação. O Bayern havia conseguido nove “dobletes” na história. Com o catalão, ganhou dois em três anos.

Chegou Carlo Ancelotti, o homem que entende muito de futebol e de gestão de egos. Um técnico que os jogadores adoram. Que nunca foi midiático como Mourinho, criativo como Guardiola, mas que ganhou Champions com o Milan e com o Real Madrid, foi campeão também no PSG e no Chelsea. Um treinador especialista em pegar bons times, não estressar jogadores e caminhar junto com eles para os títulos.

Eu era um dos que acreditavam que o Bayern de Munique seria campeão europeu neste ano. Pelo técnico e pelo elenco que tem.

Mas o Bayern caiu diante do Real Madrid e perdeu em casa o jogo único contra o Borussia Dortmund por 3 a 2, sendo eliminado nas semifinais da Copa da Alemanha. O Bayern vencia por 2 a 1, levou a virada no segundo tempo.

O Borussia Dortmund, também eliminado nas quartas de final da Champions, não conseguiu fazer frente ao Bayern na atual Bundesliga – ainda que tenha vencido o clássico do turno, em Dortmund. Mas chega à quarta final consecutiva na Copa da Alemanha e é favorito contra o Eintracht Frankfurt.

O primeiro ano de Ancelotti terá título alemão. Sem doblete, sem chegar entre os quatro da Europa, sem os recordes de Guardiola.

No fim das contas, fácil mesmo é achar que tudo é fácil no futebol.