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São Paulo é o ‘azarado’ do sorteio da Libertadores
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Julio Gomes

No mesmo dia do sorteio das oitavas de final da Champions League, a Conmebol realizou o sorteio das fases preliminares e da fase de grupos da Libertadores da América 2019.

São muitos times brasileiros, e quem mais pode reclamar da sorte é o São Paulo. Quem não pode reclamar de jeito nenhum são Cruzeiro, Atlético Mineiro e Flamengo.

O São Paulo enfrentará o argentino Talleres, de Córdoba, na pré-Libertadores. Se passar, provavelmente terá como rival o Independiente de Medellín, que ficou com o vice-campeonato colombiano no último domingo. Dois mata-matas difíceis logo no começo do ano.

Na América do Sul, é sempre difícil saber quem vem pela frente. O time de Medellín sofrerá algum desmanche ou se manterá forte? De qualquer maneira, é uma camisa tradicional e uma viagem longa para a Colômbia.

O Talleres ocupa uma posição intermediária na Argentina, mas não é um rival muito diferente do Defensa y Justicia e do Colón, argentinos medianos que recentemente eliminaram o São Paulo da Sul-Americana.

Se passar dessas duas eliminatórias, o São Paulo cairá no grupo 1, com “só” o River Plate e o Internacional, além do Alianza Lima, do Peru. Pode ser o grupo da morte.

Neste ano, o Vasco passou pela pré para cair em um grupo com Cruzeiro e Racing (e ser eliminado). No ano passado, o Botafogo também caiu em um grupo da morte após passar pela pré-Libertadores, mas conseguiu carregar o momento e chegar ao mata-mata. Ou seja, já teve time se aproveitando do momento trazido pela eliminatória preliminar, já teve time que não conseguiu usar o embalo a seu favor. Vamos ver o que será do São Paulo.

Outro que tem um grupo complicadinho pela frente (no papel) é o Palmeiras, que tem pela frente o San Lorenzo, da Argentina, o Junior de Barranquilla, campeão colombiano e vice da Sul-Americana, e um time que vem da pré-Libertadores, possivelmente a Universidad de Chile.

Assim como o Inter, o Grêmio é outro em grupo que pode se mostrar difícil, com a Católica, do Chile, o Rosario Central, da Argentina, e um time que virá da fase preliminar e será, provavelmente, ou o Libertad, do Paraguai, ou o Atlético Nacional, da Colômbia.

O Atlético Paranaense está no grupo do Boca Juniors, mas os outros rivais são o Jorge Wilstermann, da Bolívia, e o Tolima, da Colômbia.

Os brasileiros que não podem reclamar da sorte, por outro lado, são o Flamengo e os dois grandes mineiros.

O Flamengo enfrentará o Peñarol, a LDU de Quito e um time da Bolívia. Nenhum bicho papão.

O Cruzeiro está no grupo com o Emelec, do Equador, o Huracán, da Argentina, e o Deportivo Lara, da Venezuela. O Cruzeiro é, desde já, o favorito a passar da fase de grupos com a melhor campanha da Libertadores.

O Atlético Mineiro está na pré-Libertadores. Primeiro, enfrenta o Danubio, do Uruguai, e depois, provavelmente, o Barcelona de Guayaquil, do Equador. Se passar, cai em um grupo acessível, com Nacional uruguaio, Cerro Porteño, do Paraguai, e Zamora, da Venezuela.

A vida do sexto colocado do último Brasileiro é, em teoria, mais fácil que a do quinto, o São Paulo.

A Libertadores não é a Champions. A América do Sul não é a Europa. Os times mudam demais, às vezes radicalmente, de um ano para o outro. No ano que vem, talvez os grupos que hoje parecem fortes sejam, na real, fracos. E vice-versa. Mas quem passará a virada de ano com mais dores de cabeça, sem dúvida, é o torcedor são-paulino.


Renato aprendeu a ganhar, mas aprenderá a perder um dia?
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Julio Gomes

Tem quem peça Renato Gaúcho na seleção brasileira. Não acho absurdo. Renato é um ótimo técnico de futebol e já faz tempo. Além de conhecer o jogo, tem uma incrível ascendência sobre seus comandados, sabe entrar na cabeça deles e fazê-los entregar o melhor que podem, e aprendeu a trabalhar em equipe, uma exigência do futebol moderno, com departamento de análise de desempenho, fisiologia, etc.

Resumindo: Renato é bom pacas. E estes dois anos de Grêmio mostram que aprendeu a ganhar – jogos e títulos. Cresceu na profissão, mudou de patamar.

Maaaaaas, padece de um mal que parece enraizado em nossa sociedade. Não sabe perder. E não dá sinais de que aprenderá um dia.

O Brasil é o país campeão mundial de “busca de culpados”. Nunca somos nós os culpados por nossas derrotas, nossos tropeços, nossas demissões, nossos fracassos, nossos governantes. Sempre são os outros. Os outros, os outros, os outros, os outros.

Renato é um personagem riquíssimo. Além de ótimo jogador e ótimo técnico, é e sempre foi um falastrão. Reivindica o gol de barriga em 95, os títulos do Grêmio fazendo as escolhas certas. Mas, quando erra…

Existe isso? Ele erra?

A meu ver, por exemplo, o Grêmio errou em seu planejamento neste ano – e isso não é oportunismo, pois falo o mesmo desde maio. Era o único time pronto no primeiro semestre, o Brasileiro é o melhor campeonato para o “melhor time” jogar (é isso o que diz Renato sobre o time dele). Tudo bem que a diretoria deve ter compactuado com isso, mas colocar o time reserva diversas vezes no Brasileirão para arriscar tudo no mata-mata não parece ter sido sábio.

Mas será que Renato erra?

Ontem, a meu ver, o Grêmio flertou com a eliminação ao abandonar sua característica de jogo e atuar na defesa. Poderia ter levado três ou quatro do River no primeiro tempo. Mas Renato diz que “faria tudo igual de novo”.

Para ele, a culpa da eliminação é do árbitro de vídeo, o Grêmio “foi roubado”.

Técnicos chamam de palhaçada uma interpretação de arbitragem. Mas não chamam de palhaçada o gol feito perdido por seu atacante. Então a culpa não é de Éverton e o gol feito que perdeu. Ou de Bressan, pelo bração aberto para bloquear o chute de Scocco. Aí não são “palhaçadas”, certo, Renato?

Palhaçada é o árbitro de vídeo não ter chamado o árbitro de campo para reinterpretar um lance à beira do gramado. Um lance nada indiscutível, nada óbvio, em que passaram-se 10 minutos até que a TV geradora de imagens notasse que, talvez, a bola tivesse tocado no braço do jogador do River. Um lance que, pela recomendação, não é de falta, pois a bola toca involuntariamente no braço quando o jogador do River tenta cabeceá-la. Não foi um movimento antinatural do braço.

Alguém pode achar que é falta. Mas… chamar de roubo e palhaçada?

Nem a pífia passagem de Renato pela Roma, quando jogador, nos anos 80, foi culpa dele, como bem lembra o colega de UOL André Rocha.

Para Renato, a culpa é sempre dos outros. Ele não é o único. Nossa sociedade é inteirinha assim. Vive de achar responsáveis para seu próprio insucesso.

Um pouquinho de autocrítica, tão pedida a partidos e políticos nas últimas semanas, faria bem a muita gente.

 


Times brasileiros colheram o que plantaram na Argentina
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Julio Gomes

O Grêmio foi corajoso contra o River Plate. Mesmo com desfalques, jogou com inteligência, intensidade, volume. O Palmeiras foi medroso contra o Boca Juniors. Mesmo com força máxima, jogou pelo 0 a 0.

Os times brasileiros colheram na Argentina o que plantaram em seu plano de jogo.

Para o Grêmio, o 0 a 0 ou outro empate poderia até ser uma consequência de um bom jogo. A vitória foi um prêmio para o time que mereceu mais. E isso sem Luan e Everton. O time de Renato Gaúcho esfriou a torcida do River, não deu o campo que os argentinos gostam e foi quase perfeito no Monumental.

Para o Palmeiras, o 0 a 0 era o objetivo final. Poderia até ter vencido na Bombonera, dado que o Boca Juniors é um time mais limitado que o River e teve uma noite nada brilhante nesta quarta. Mas pagou o preço da covardia.

Grêmio e Boca trazem vantagens significativas para o Brasil, na semana que vem. Vantagens justas, dado o que fizeram e o que seus adversários não fizeram em campo.


Grêmio e Palmeiras conseguirão evitar a maior final de todas?
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Julio Gomes

Muitos clubes brasileiros têm uma história gigante, maravilhosa, torcidas e rivais. Mas pergunte a qualquer pessoa fora da América Latina qual o maior clássico do continente. Pergunte a qualquer brasileiro qual o maior clássico da América do Sul, excetuando seu próprio time.

Não tem jeito. É Boca x River. River x Boca. Determinar “o maior clássico de todos” passa por um monte de coisas.

Responda rápido: qual o maior clássico do Brasil? E o de São Paulo? E o do Rio? E o da Inglaterra? E o da Argentina?

Pois é. Não precisa ser bidu para saber que o último é o que terá o maior percentual de respostas iguais. Determinar o maior clássico de um país passa por títulos, quantidade de torcedores e, claro, pela exclusividade. A não concorrência. Boca x River é indiscutivelmente o grande clássico argentino. Sim, Grêmio e Inter fazem o único clássico gaúcho, por exemplo. E Celtic x Rangers fazem o grande clássico escocês. Em ambos os casos, não estamos falamos de um país inteiro como a Argentina, um país vencedor, berço de grandes craques e completamente apaixonado pelo esporte.

Boca Juniors e River Plate estão agora a um passo de uma inédita final de Libertadores. Inédita porque eles nunca disputaram uma decisão continental. E nem sequer houve até hoje uma final argentina.

Até pouco tempo atrás, o regulamento impedia que dois times do mesmo país disputassem a decisão. Depois, com o aumento da quantidade de clubes de cada país, o regulamento passou a dificultar, mas não impedir. Neste cenário, São Paulo e Atlético-PR, em 2005, e Inter e São Paulo, em 2006, fizeram as únicas finais, até hoje, entre times do mesmo país.

Hoje, essa regra caiu de vez. É por isso que Boca e River e Grêmio e Palmeiras não são mudados de lugar na chave, evitando uma final entre argentinos ou brasileiros, como antigamente.

Na história da Libertadores, Boca e River jogaram 24 vezes (a primeira delas foi em 1966), com 10 vitórias do Boca, 7 empates e 7 vitórias do River. Foram três confrontos em mata-mata e outros dois confrontos eliminatórios, em uma época em que a segunda fase levava às finais.

O Boca se deu bem três vezes (em 1978, no que era uma segunda fase equivalente às semifinais, em 2000, pelas quartas, e em 2004, pelas semifinais, passando nos pênaltis). Em 78 e 2000, seria campeão, em 2004 perderia a final para o Once Caldas.

O River Plate levou a melhor duas vezes (em 1970, no era uma segunda fase equivalente às quartas de final, e em 2015, nas oitavas, com aquele “superclássico da vergonha”, adiado após agressões da torcida do Boca a jogadores do River, com direito a gás pimenta no túnel do vestiário). O River ganharia esta competição de 2015.

O Boca Juniors tem seis títulos e busca o sétimo, para se igualar ao Independiente como maior campeão. O River Plate tem três títulos, o mesmo número dos brasileiros que mais vezes ganharam a competição (Grêmio, São Paulo e Santos).

Somados, Boca, River, Grêmio e Palmeiras têm 13 títulos de Libertadores. Nunca houve uma fase semifinal com tantos troféus reunidos e nem mesmo com quatro ex-campeões.

Grêmio e Palmeiras têm tradição suficiente para derrotar os argentinos. E têm time também. O Grêmio, apesar de algumas baixas, é o atual campeão. E o Palmeiras é o elenco mais completo do Brasil, com bons jogadores em todas as posições. Ambos com técnicos experientes e que já foram campeões da América.

 

São semifinais muito equilibradas, em que os brasileiros têm a vantagem de decidir em casa. Talvez o River tenha mostrado um futebol melhor que o de todos os outros. O Boca, pelo contrário, está um pouco abaixo.

Grêmio e Palmeiras podem estragar tudo. Mas, se der Boca Juniors de um lado, River Plate do outro, teremos a maior final de Libertadores da história.


Rodada marca a despedida do Grêmio do Brasileiro
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Julio Gomes

No primeiro semestre, a impressão era a de que o Grêmio era o único time do Brasil que podia ganhar o Brasileiro “se quisesse”.

Carregava o título da Libertadores, a maior estabilidade do Brasil em termos de diretoria-técnico-elenco, um ótimo futebol. Se quisesse, se jogasse sempre com os titulares, levaria.

Nunca quis. E, de uns tempos para cá, nem se quiser.

O Grêmio não é mais o mesmo. Perdeu Arthur, a saída mais sentida. Mas perdeu também Edílson, Jaílson, Fernandinho, Barrios… é verdade que o elenco ganhou algumas peças em relação ao campeão da América, é verdade que Everton explodiu, que Maicon voltou, mas nunca é fácil mudar.

Acima de tudo isso, estão as opções. E a opção do clube e de Renato foi, de novo, apostar no mata-mata, não no campeonato mais difícil, que é o Brasileiro, com suas 38 rodadas.

Com a derrota no Gre-Nal, o Grêmio não fica apenas a 8 pontos do Inter. Mas a 8 pontos de DOIS líderes. E também a 5 de um Palmeiras que não vai largar o osso.

No meio disso, o Grêmio tem uma Libertadores e o confronto mais “ganhável” das quartas de final, contra o Tucumán. Ou seja, o mais provável é que faça mais pelo menos quatro jogos de Libertadores, mais quatro com reservas no Brasileiro. Quatro dos 14 que faltam, muita coisa.

O Grêmio nunca se colocou em posição de ganhar o Brasileiro, o que é uma pena, pelo potencial que o time apresentava no primeiro semestre. Agora, já era.

A rodada do Gre-Nal, que teve também vitórias de todos os outros concorrentes, marca a despedida do Grêmio da disputa.

Na minha visão, um erro de leitura do clube. O Brasileiro é o mais difícil dos campeonatos? Pode ser. Mas, para o jeito que as coisas estavam desenhadas, especialmente no primeiro terço do campeonato, pré-Copa, o Brasileiro era o mais fácil dos três para o Grêmio. E, considerando que o clube não ganha o Brasileiro desde 96 e que acaba de ganhar as duas Copas, esta deveria ser a prioridade.

 

 


Rodada de jogos gigantes será divisora de águas no Brasileiro
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Julio Gomes

Podem anotar. A rodada deste meio de semana do Campeonato Brasileiro será uma divisora de águas na competição.

Três jogos desta quarta e um de quinta, todos eles com alto nível de dificuldade para os clubes que ocupam as cinco primeiras posições, indicarão quem quer o quê, a ponto de entrarmos no terço final do campeonato.

O São Paulo seguirá somando? Haverá um vencedor no duelo direto dos que vêm atrás, Inter e Flamengo? E Grêmio e Palmeiras, que jogam contra os dois times mais indigestos do momento para se enfrentar, irão entrar de vez na briga?

Uma pena que a rodada tão transcendental ocorra no meio de uma data Fifa, com diversas seleções, inclusive a brasileira, desfalcando os principais clubes.

O São Paulo fica sem Arboleda (além de outros seis desfalques por razões diferentes), o Flamengo perde Paquetá, Cuellar e Trauco, o Grêmio não terá Everton e Kannemann (só isso). Bom para Inter e Palmeiras, que passam incólumes das seleções e das lesões.

Uma pena, mas não uma surpresa. Já se sabe desde o ano passado o calendário do Brasileiro e quais são as datas reservadas para seleções. O calendário é o calcanhar de Aquiles do nosso futebol e é co-responsabilidade de CBF, federações estaduais e, claro, clubes.

Hoje, os clubes se fazem de vítimas por perderem seus jogadores em um momento tão importante. Mas eles estão no topo da pirâmide de culpados pela situação. O que não era possível prever era uma 23a rodada tão sensível.

O São Paulo, líder, vai ao Horto enfrentar o Atlético Mineiro (que perdeu Chará para a seleção colombiana). Apesar dos três jogos sem vitórias, o Atlético é forte demais em casa. O São Paulo será pressionado e pode se aproveitar disso, como fez contra o Flamengo. Jogar de forma reativa é uma marca no time. Para o Atlético, o jogo é quase uma final . A chance derradeira de voltar para a briga.

Inter e Flamengo, segundo e terceiro colocados, jogam no Beira-Rio. Além dos desfalques por conta da data Fifa, o Flamengo não poderá contar com Diego e Réver – ou seja, o ameaçado Barbieri terá meio time titular em Porto Alegre.

Desde a derrota para o Flamengo, no turno, o Inter engatou uma sequência com 11 vitórias, 6 empates e só 1 derrota (72% de aproveitamento). Com zero gols marcados nos cinco jogos contra seus concorrentes diretos, o Inter busca dar uma resposta.

O Palmeiras, quarto, recebe o Atlético-PR. Supostamente, seria, entre os líderes, o time com confronto mais “fácil” na rodada. Só que o Furacão é um dos times mais quentes do campeonato – são sete vitórias e dois empates nos últimos nove jogos, contando a Sul-Americana, e a quinta melhor campanha pós-Copa. E o Grêmio, quinto, vai à Vila Belmiro enfrentar um Santos que vive seu melhor momento no ano, embalando com Cuca e com Gabriel, o Gabigol, se reencontrando com o próprio apelido.

São Paulo, Inter e Flamengo, pela pontuação, o calendário e o fato de jogarem sempre com titulares, são os três candidatos maiores a título. Palmeiras e Grêmio correm por fora, pois atuarão muitas vezes no Brasileiro com seus times reservas – é a estratégia de ambos antes das partidas de mata-mata pela Libertadores e, no caso do Palmeiras, também a Copa do Brasil.

Mas esta é uma rodada que pode “obrigar” Palmeiras e/ou Grêmio a darem mais atenção ao campeonato. Imaginem um cenário de vitória deles, combinada com derrota do São Paulo e empate no Sul? A rodada pode acabar com o Flamengo sem técnico. Com o São Paulo disparando. Com o Inter liderando… são muitas as possibilidades!

Se olharmos a tabela com a lupa, veremos que, daqui até o final, a enorme maioria das rodadas sempre é, teoricamente, boa para alguém ou então ruim para alguém. Sempre um dos times tem um jogo mais complicado ou então, pelo contrário, mais fácil do que os outros. Sempre em tese, já que sabemos que no Brasil o nivelamento é grande mais.

Depois dessa rodada número 23, só mais uma tem características semelhantes. A 29a rodada, por enquanto toda marcada para o domingo, 14 de outubro, terá Inter x São Paulo, Palmeiras x Grêmio e o Fla-Flu. E adivinhem! Será em plena data Fifa. Aliás, será também ensanduichada entre as duas finais da Copa do Brasil, que podem ter a presença de Palmeiras e Flamengo.

É isso mesmo que você leu. Os dois jogos da final da Copa do Brasil e essa rodada gigante do Brasileiro vão coincidir com mais dois jogos da seleção brasileira – ainda não marcados, mas possivelmente contra Arábia Saudita e Argentina, lá no Oriente Médio. É provável que Tite não convoque jogadores dos clubes brasileiros para estes jogos, mas essa é uma decisão dele, não dos clubes.

Claro que outras rodadas podem se apresentar enormes mais para frente, de acordo com os momentos vividos pelos clubes que ponteiam a tabela e também seus adversários. Mas, a priori, as rodadas 23, essa que começa hoje, e a 29, ambas em datas Fifa, são as maiores até o fim o campeonato.


Fábio vira herói de todas as torcidas – menos a gremista
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Julio Gomes

O Grêmio é quem melhor joga futebol no Brasil. A frase, repetida à exaustão por Renato Gaúcho, possivelmente seja verdadeira. É assim que analisam a maioria dos especialistas, entre jornalistas e ex-jogadores. E o Grêmio é, afinal, o campeão da América.

Aí o time reserva, finalmente, ganha boas partidas no Brasileiro. O time titular é eliminado da Copa do Brasil, dando respiro no calendário. A pontuação é alta no primeiro turno. E a sombra gremista vai ganhando um tamanho que os rivais não queriam ver na competição nacional. Porque, se o time do Renato é eliminado da Libertadores semana que vem… quem vai pará-lo no Brasileiro?

O que não estava nos planos do Grêmio era o tropeço desta quarta à noite, contra um Cruzeiro sem vários titulares e sem intenção alguma no Brasileiro. Dedé e Henrique nem foram a Porto Alegre. Edílson foi outro titular que não entrou em campo, Lucas Silva, Robinho e Thiago Neves ficaram no banco, só entraram no segundo tempo.

O pepino é que Fábio estava lá. E foi o herói de novo, ao pegar o pênalti de Luan nos minutos finais. Herói cruzeirense? Sim. E herói são-paulino, flamenguista, colorado, palmeirense…

Além de ter evitado a quarta vitória seguida e dois pontos a mais para o Grêmio, Fábio evitou que a sombra gremista tomasse um tamanho maior do que o resto da turma de cima queria.

E agora o Grêmio vai com reservas a Curitiba enfrentar um Atlético-PR em ascensão. Em teoria, vai perder ainda mais terreno. O jogo desta quarta era essencial.

Em um campeonato equilibrado como o Brasileiro, em que não há jogo fácil, os duelos fora de casa de São Paulo e Inter, contra o desesperado Paraná e o acertadinho Bahia, talvez fossem até mais complicados do que o do Grêmio contra o Cruzeiro misto e com a cabeça em outras competições.

O São Paulo manteve os cinco pontos de frente, o Inter abriu vantagem para o rival, o Palmeiras se aproximou. E caberá ao Flamengo, na quinta, fazer a parte dele também.

O jogo entre Grêmio e Cruzeiro foi disputado com alta intensidade, foi um bom jogo de futebol. No primeiro tempo, o plano de jogo cruzeirense funcionou, com Bruno Silva muito bem em campo (golaço à parte), assim como De Arrascaeta. O Grêmio tocava muito de lado, com pouca verticalidade.

Renato ousou no intervalo, fez boas alterações, e o Grêmio foi muito superior no segundo tempo – aposto que Jael ganhará a vaga de André na Libertadores. Everton fez um golaço e Luan bateu mal o pênalti que representaria a virada. Bom para os líderes.

 


VAR vai virar a maior muleta do Brasil
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Julio Gomes

Antes de mais nada, preciso deixar claro. Sou totalmente favorável ao uso do recurso de vídeo no futebol. Ele é mais do que necessário. Dito isso, por ser uma coisa nova e por se tratar do esporte com maior número de variáveis e interpretações para um árbitro, é necessário aprimorar e padronizar o uso.

A Copa do Brasil nos dá um cheiro do que será o VAR no Brasil. A maior muleta da história do país.

Culpa do VAR? Não. Culpa dos péssimos árbitros que temos. Ou, para não personalizar tanto, culpa das péssimas condições dadas aos árbitros.

No Brasil, há duas coisas que matam o nível das arbitragens – ambas passam pelo (não) comando. Um é a falta de critério. Cada juiz apita do jeito que quer, o que é falta para um não é para outro, o que é amarelo para um não é para outro e assim vai. O segundo problema é que árbitros que erram contra os maiores clubes do país estão fritos. Vão para a geladeira, são expostos na mídia por dias, têm as famílias ameaçadas e por aí vai. Ficam desamparados. Isso criou uma classe que vive como medo. São medrosos, falando o português claro. Inseguros, para usar uma forma mais delicada.

O VAR não existe para árbitros de campo reafirmarem suas interpretações. Isso só vai gerar confusão, parar os jogos por muitos minutos, será o caos em cima do caos.

O recurso eletrônico existe para, caso algum erro grave e claro seja identificado por outro árbitro (que assiste às partidas com replays, câmera lenta, etc), o árbitro de campo seja avisado.

Exemplos claros do mau uso ocorreram em Flamengo x Grêmio e Chapecoense x Corinthians, nesta noite de quarta-feira.

No primeiro tempo, o árbitro Ricardo Marques Ribeiro foi muito bem e não deu dois pênaltis pedidos, um pelo Flamengo (sobre Paquetá), outro pelo Grêmio (sobre Cortez, que simulou pateticamente). Ele viu os lances de perto e tomou a decisão certa. Interpretou com perfeição.

Maaaaaaaas. Bastou aquela tradicional gritaria dos jogadores em campo (isso só vai acabar quando não tiver mais efeito) para que o árbitro ficasse com a falta de convicção estampada no rosto. O medo. E automaticamente ele levou a mão ao ouvido e indicou que queria escutar a opinião do colega árbitro de vídeo.

Oras, não é assim que tem que funcionar. Ele não pode pedir o recurso de vídeo para ter uma segunda opinião reafirmando a interpretação que ele teve no campo. O jogo tem que seguir. E, caso o árbitro de vídeo veja algo muito nítido e que vá contra a decisão de campo, é ele quem chama a atenção pelo intercomunicador.

Em Chapecó, um gol da Chape foi anulado no campo por impedimento. E aí Leandro Vuaden ficou 2 minutos esperando a confirmação do VAR, de um lance de impedimento claríssimo, de mais de metro. Ainda fez aquele sinal da TVzinha para confirmar a decisão. Oras bolas. A decisão em campo está tomada. Segue o jogo. Se o “bandeirinha de vídeo” vir algo diferente, que avise. E rápido, de preferência.

No fim, os árbitros não interferiram nas classificações de Flamengo e Corinthians para uma das semifinais da Copa do Brasil. Mas a insegurança ficou estampada na cara. Está claro que árbitros deixarão de marcar muitas coisas e jogarão a casca de banana para o “pessoal do vídeo” decidir. Vão tirar o corpo fora. É mais fácil não dar nada do que “des-dar” depois.

O VAR vai ser uma grande confusão se os árbitros apitarem pensando nele.


Torcedor do Grêmio tem mais é que celebrar ausências de Arthur e Luan
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Julio Gomes

A convocação de Tite para a Copa do Mundo vai mexer bem pouco com o Campeonato Brasileiro. Ainda faltam sete rodadas até a pausa para o Mundial, são 21 pontos em jogo. E tem mais: a competição é reiniciada assim que a bola parar de rolar na Rússia.

Tite chamou apenas três que atuam no Brasil: Cássio, Fágner e Geromel. São jogadores importantes para Corinthians e Grêmio, mas substituíveis – Fágner está lesionado, de qualquer maneira. Cássio e Geromel se despedem no fim de semana, ainda atuam mais uma vez na Libertadores e uma no Brasileiro.

Muita gente está brava porque Arthur e Luan, jogadores do time que melhor joga no Brasil, ficaram fora da lista de Tite. Mas o torcedor gremista deveria estar com um sorrisão deste tamanho no rosto.

O Grêmio não ganha o Campeonato Brasileiro desde 1996. Será que Renato Gaúcho irá escolher Libertadores e Copa do Brasil, como fez ano passado? Neste ano, parece que o treinador pode fazer uma aposta maior na competição de pontos corridos.

O Grêmio ainda tem a vaga nas oitavas para garantir na Libertadores, o que pode acontecer já nesta terça. No Brasileiro, daqui até a Copa, enfrenta Paraná (f), Ceará (f), Fluminense (c), Bahia (f), Palmeiras (c), América-MG (c) e Sport (f). Convenhamos, uma tabela bem interessante, com um adversário direto em casa e os três jogos no Nordeste longe do verão.

Com a bola que está jogando, o Grêmio tem tudo para fazer um altíssimo percentual de pontos nestas rodadas e

O Brasil pode até lamentar Arthur e Luan fora. A metade azul do Sul, no entanto, tem mais é que celebrar.

 


Corinthians é quem corre mais risco entre os brasileiros na Libertadores
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Julio Gomes

A quinta-feira foi ótima para os brasileiros na Libertadores da América. Para o Palmeiras, logicamente, que jogou muito bem, ganhou e se garantiu em primeiro lugar de um grupo complicado, mas também para Cruzeiro e Flamengo, mesmo sem entrar em campo.

O Santos já estava classificado, o Cruzeiro se garantiu ontem com a derrota da Universidad de Chile (só uma goleada histórica eliminaria os mineiros que têm 16 gols de vantagem de saldo), o Grêmio está encaminhado, o Flamengo ficou encaminhado com a derrota do Santa Fé para o River. O Corinthians é quem está em situação menos tranquila para o restante da competição na fase de grupos – claro, estou tirando da conta o já eliminado Vasco, que não corre risco algum, pois já está fora.

Após tantas eliminações seguidas na fase de grupos, o Flamengo está a uma vitória ou dois empates de avançar ao mata-mata. Ele entra se ganhar do Emelec, que está praticamente fora, com um Maracanã que certamente estará lotado.

Se bobear e empatar no dia 16 de maio, o Flamengo ainda precisará só de um empate contra um já classificado River Plate. E poderá entrar mesmo com derrota na Argentina.

Pensando apenas na classificação, o Flamengo tem uma situação mais confortável que a do Corinthians. Apesar de ser líder do grupo 7, o Corinthians tem desfalques importantes para as duas rodadas finais e a situação da chave é bem complexa. Qualquer um pode entrar e, o principal, está claro que qualquer um pode ganhar de qualquer um.

Se o Corinthians perder do Lara, na Venezuela, será obrigado a vencer o Millionarios na última rodada – mas o time colombiano pode chegar a este jogo também vivíssimo na briga pela classificação (ao contrário da situação atual do Emelec, rival do Flamengo).

Não estou dizendo que a situação do Corinthians é ruim. Não é. É boa, até. A classificação segue muito próxima e acredito que ela virá para o time de Carille.

Mas, entre os brasileiros vivos, é quem corre mais riscos. Até, repito, pelo elenco curto e as lesões recentes. É uma situação matematicamente boa, mas pior que a dos outros brasileiros.

O Palmeiras, com 13 pontos, é o melhor time da competição até agora. Se vencer o Junior Barranquilla, garante a melhor campanha e a vantagem de decidir em casa contra qualquer um no mata-mata.

O Cruzeiro se garantiu com a derrota da Universidad de Chile para o Racing, ontem. A diferença é só de três pontos, mas de 16 gols de saldo. Se vencer o Racing na última rodada, o Cruzeiro ainda acaba o grupo em primeiro, depois do início claudicante.

O Santos, que pegou o grupo mais moleza entre todos os brasileiros, precisa só vencer o fraco Real Garcilaso para se garantir em primeiro.

E o Grêmio, que também pegou um bom grupo, lidera e enfrenta os dois piores times nas rodadas finais. É uma situação muito mais cômoda que a do Corinthians – até, e este talvez seja o principal fator, pela bola que está jogando.

Entre os times não-brasileiros que começaram a competição como possíveis postulantes ao título, a situação mais delicada é a do Boca Juniors, que não depende só de si para se classificar. Deve ganhar do Alianza Lima na última rodada, em Buenos Aires, mas vai precisar torcer para o Junior Barranquilla não vencer o Palmeiras em São Paulo.

Os clubes já classificados por antecipação para as oitavas de final da Libertadores são: Libertad (Paraguai), River Plate, Racing, Cruzeiro, Santos e Palmeiras – o Atlético Nacional, da Colômbia, está praticamente dentro.