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Torcedor do Grêmio tem mais é que celebrar ausências de Arthur e Luan
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Julio Gomes

A convocação de Tite para a Copa do Mundo vai mexer bem pouco com o Campeonato Brasileiro. Ainda faltam sete rodadas até a pausa para o Mundial, são 21 pontos em jogo. E tem mais: a competição é reiniciada assim que a bola parar de rolar na Rússia.

Tite chamou apenas três que atuam no Brasil: Cássio, Fágner e Geromel. São jogadores importantes para Corinthians e Grêmio, mas substituíveis – Fágner está lesionado, de qualquer maneira. Cássio e Geromel se despedem no fim de semana, ainda atuam mais uma vez na Libertadores e uma no Brasileiro.

Muita gente está brava porque Arthur e Luan, jogadores do time que melhor joga no Brasil, ficaram fora da lista de Tite. Mas o torcedor gremista deveria estar com um sorrisão deste tamanho no rosto.

O Grêmio não ganha o Campeonato Brasileiro desde 1996. Será que Renato Gaúcho irá escolher Libertadores e Copa do Brasil, como fez ano passado? Neste ano, parece que o treinador pode fazer uma aposta maior na competição de pontos corridos.

O Grêmio ainda tem a vaga nas oitavas para garantir na Libertadores, o que pode acontecer já nesta terça. No Brasileiro, daqui até a Copa, enfrenta Paraná (f), Ceará (f), Fluminense (c), Bahia (f), Palmeiras (c), América-MG (c) e Sport (f). Convenhamos, uma tabela bem interessante, com um adversário direto em casa e os três jogos no Nordeste longe do verão.

Com a bola que está jogando, o Grêmio tem tudo para fazer um altíssimo percentual de pontos nestas rodadas e

O Brasil pode até lamentar Arthur e Luan fora. A metade azul do Sul, no entanto, tem mais é que celebrar.

 


Corinthians é quem corre mais risco entre os brasileiros na Libertadores
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Julio Gomes

A quinta-feira foi ótima para os brasileiros na Libertadores da América. Para o Palmeiras, logicamente, que jogou muito bem, ganhou e se garantiu em primeiro lugar de um grupo complicado, mas também para Cruzeiro e Flamengo, mesmo sem entrar em campo.

O Santos já estava classificado, o Cruzeiro se garantiu ontem com a derrota da Universidad de Chile (só uma goleada histórica eliminaria os mineiros que têm 16 gols de vantagem de saldo), o Grêmio está encaminhado, o Flamengo ficou encaminhado com a derrota do Santa Fé para o River. O Corinthians é quem está em situação menos tranquila para o restante da competição na fase de grupos – claro, estou tirando da conta o já eliminado Vasco, que não corre risco algum, pois já está fora.

Após tantas eliminações seguidas na fase de grupos, o Flamengo está a uma vitória ou dois empates de avançar ao mata-mata. Ele entra se ganhar do Emelec, que está praticamente fora, com um Maracanã que certamente estará lotado.

Se bobear e empatar no dia 16 de maio, o Flamengo ainda precisará só de um empate contra um já classificado River Plate. E poderá entrar mesmo com derrota na Argentina.

Pensando apenas na classificação, o Flamengo tem uma situação mais confortável que a do Corinthians. Apesar de ser líder do grupo 7, o Corinthians tem desfalques importantes para as duas rodadas finais e a situação da chave é bem complexa. Qualquer um pode entrar e, o principal, está claro que qualquer um pode ganhar de qualquer um.

Se o Corinthians perder do Lara, na Venezuela, será obrigado a vencer o Millionarios na última rodada – mas o time colombiano pode chegar a este jogo também vivíssimo na briga pela classificação (ao contrário da situação atual do Emelec, rival do Flamengo).

Não estou dizendo que a situação do Corinthians é ruim. Não é. É boa, até. A classificação segue muito próxima e acredito que ela virá para o time de Carille.

Mas, entre os brasileiros vivos, é quem corre mais riscos. Até, repito, pelo elenco curto e as lesões recentes. É uma situação matematicamente boa, mas pior que a dos outros brasileiros.

O Palmeiras, com 13 pontos, é o melhor time da competição até agora. Se vencer o Junior Barranquilla, garante a melhor campanha e a vantagem de decidir em casa contra qualquer um no mata-mata.

O Cruzeiro se garantiu com a derrota da Universidad de Chile para o Racing, ontem. A diferença é só de três pontos, mas de 16 gols de saldo. Se vencer o Racing na última rodada, o Cruzeiro ainda acaba o grupo em primeiro, depois do início claudicante.

O Santos, que pegou o grupo mais moleza entre todos os brasileiros, precisa só vencer o fraco Real Garcilaso para se garantir em primeiro.

E o Grêmio, que também pegou um bom grupo, lidera e enfrenta os dois piores times nas rodadas finais. É uma situação muito mais cômoda que a do Corinthians – até, e este talvez seja o principal fator, pela bola que está jogando.

Entre os times não-brasileiros que começaram a competição como possíveis postulantes ao título, a situação mais delicada é a do Boca Juniors, que não depende só de si para se classificar. Deve ganhar do Alianza Lima na última rodada, em Buenos Aires, mas vai precisar torcer para o Junior Barranquilla não vencer o Palmeiras em São Paulo.

Os clubes já classificados por antecipação para as oitavas de final da Libertadores são: Libertad (Paraguai), River Plate, Racing, Cruzeiro, Santos e Palmeiras – o Atlético Nacional, da Colômbia, está praticamente dentro.


Votação anti-VAR vai assombrar o Brasileiro do início ao fim
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Julio Gomes

Faz um pouquinho mais de dois meses. Foi no início de fevereiro que os 20 clubes da Série A decidiram não utilizar o recurso de vídeo para auxiliar as arbitragens no Brasileirão.

Bastou um sábado de futebol, menos da metade da primeira das 38 rodadas do campeonato, para que a decisão levasse um gigantesco tapa na cara. Erros de arbitragem acontecem toda hora. Interpretações diferentes sobre o mesmo lance, também. O pepino mesmo, e esse pepino é solucionado pelo VAR, são os lances claros, evidentes, não passíveis de discussão.

Como o pênalti dado para o Vitória contra o Flamengo, que resultou na expulsão injusta de Éverton Ribeiro, alterando toda a dinâmica do jogo. Ou como o segundo gol do Flamengo, em impedimento grosseiro.

Nem todo o jogo tem lances tão claros, tão evidentes, de erros de arbitragem. Aqueles sem nenhum “porém”. Aqueles que, com o VAR, não existirão mais.

O Flamengo foi um dos que votaram a favor do VAR me fevereiro. O Vitória, contra.

Na semana passada, tivemos a final do Paulista e toda a polêmica do pênalti dado e “des-dado” para o Palmeiras, com a forte suspeita do VAR clandestino mudando a decisão do árbitro. Uma das coisas que mais li, ainda que o campeonato fosse outro. “O Palmeiras votou pelo VAR, o Corinthians votou contra”. E daí?

Nas entrevistas pós-jogo no Barradão, o tema foi levantado. Nos programas de todos os canais de TV, idem. Mas e daí?

E daí que esta é a sombra que vai acompanhar o campeonato todo. Um verdadeiro fantasma.

Sempre que houver erro claro, a tal votação será lembrada. “Viram? O time X votou contra o VAR, agora aguenta”. Ou então. “O time Y votou a favor do VAR, viram por quê? É sempre roubado!”.

Preparem-se. Serão 38 rodadas e sete meses e meio de lembranças da maldita votação.

Não vou colocar a lista aqui de quem votou a favor, quem votou contra e quem se absteve. Sabem o motivo? Defendo que precisamos parar de olhar para o próprio umbigo. O futebol brasileiro precisa urgentemente passar a pensar no todo, não no pedaço.

Não interessa quem votou como. Foi uma decisão coletiva contra o VAR.

Uma decisão, é claro, induzida pela CBF. Que não larga o osso, não deixa a organização do campeonato para os clubes, mas não quer se responsabilizar pela arbitragem de vídeo. Jogou o preço lá em cima. sabendo que isso geraria o que gerou.

Mas clubes que foram contra porque o VAR da CBF só seria usado no segundo turno ou os que foram contra por causa do preço alto não poderiam ter se mexido? Os que votaram a favor do VAR não poderiam ter liderado esse movimento?

Será que era tão difícil assim os clubes chegarem a um acordo, encontrarem uma situação melhor de custo e emparedarem a CBF? Os clubes são parceiros da CBF em mais este erro histórico.

A votação será lembrada durante o ano todo. Uma pena. Uma enorme pena.

 


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Cristiano Ronaldo ou Renato Gaúcho? Apenas parem, por favor
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Julio Gomes

De repente, Renato Gaúcho faz uma piada. Isso mesmo, uma piada. Ao seu estilo. Bonachão, cariocão, malandrão, todo cheio de si. Eu gosto do Renato. Não gosto do culto à malandragem nociva que assola nosso país, mas acho ele bem mais que isso. Acho esse estilo necessário, o futebol precisa de gente assim. E gente assim faz esse tipo de gozação, do tipo “joguei mais bola que o Cristiano Ronaldo”.

A fanfarronice é ótima para discussões de mesa de bar. E claro que não passou daquilo. De uma piada, uma brincadeira, um deboche. Mas o mundo gira que gira, dá voltas e mais voltas, e chegamos a um Grêmio x Real Madrid na final do Mundial de Clubes. Justo o Grêmio de Renato contra o Real de Cristiano.

E aí abriu-se uma “discussão”. Que, logicamente, é uma não-discussão.

Porque Cristiano Ronaldo é simplesmente o melhor atacante da era mais competitiva da história do futebol (não estou colocando Messi como atacante).

“Ah, mas Julio, nos tempos de Pelé tinham muitos mais grandes jogadores”. E aí começam a listar um monte de meias, atacantes, gente divina, que marcou o futebol. Mas não vejo a listagem com muitos zagueiros, volantes, goleiros.

O quanto era mais fácil fazer gol? Naquela época ou na atual? Basta ver os números. Em que tempos se jogava mais jogo de alta competitividade? Naquela época ou na atual?

Comparar épocas é muito delicado. Porque se 50 anos atrás os atacantes eram menos protegidos pelas arbitragens, as bolas eram de couro, o material esportivo era pior, os campos eram horríveis, a medicina não era evoluída, etc, etc, etc, etc, etc, hoje em dia temos tudo isso acima valendo para todo mundo, não só para quem mete gol. E mais. Temos vídeos, temos TV e Internet mostrando tudo o que todos fazem. E isso beneficia muito mais destruidores do que construtores. A competição é mais equilibrada.

Um zagueiro que enfrentou Pelé e Garrincha em uma Copa do Mundo tinha visto quantos jogos deles? E hoje, alguém que enfrenta Messi e Cristiano Ronaldo? Quem levava mais vantagem, portanto? Os defensores daquela época ou os de hoje, que sabem até a cor da cueca dos caras?

“Ganhar prêmios em outras épocas era mais difícil, porque havia mais craques”. Sim. Sem problema algum se você quiser considerar que Xavi, Kaká, Ibrahimovic, Iniesta, Neymar, Kroos, Suárez, Roberto Carlos, Buffon, Ronaldinho, entre tantos e tantos outros, não são ou foram craques.

Pelé e Di Stefano foram os reis do seu tempo. Depois vieram Cruyff e Beckenbauer. Maradona, Romário, Ronaldo, Zidane. E vieram Messi e Cristiano Ronaldo. São eras. Os gigantes de determinadas eras.

É neste grupo que está Cristiano Ronaldo. O maior do seu tempo ao gosto de alguns. Ou o segundo maior.

Quem fala que Cristiano Ronaldo é apenas físico ou que treina mais que os outros e, por isso, triunfa, comete uma injustiça do tamanho da boca de Renato Gaúcho. É uma mentira que anda sendo contada por aí e que está colando.

O que exatamente é a tal técnica que outros têm melhor que Cristiano Ronaldo? Chutar para o gol é técnica? Domínio de bola, passe, visão de jogo, drible em velocidade, cabeceio… essas coisas são o quê, então? Brasileiro se confunde muito, acha que “técnica” é ficar dando pirueta nas embaixadinhas de aquecimento antes do jogo.

Não usarei adjetivos, porque não estou aqui para ofender ninguém. Mas, na minha opinião, quem fala isso em público, que Cristiano é muita dedicação e pouco talento, passa vergonha.

“Ah, mas Cristiano Ronaldo só jogou em timaço”. Sim, é o que acontece com os gênios. Jogam em timaços. Talvez justamente porque eles joguem lá é que são timaços. Ou as seleções brasileiras e os Santos de Pelé não eram timaços?

Cristiano Ronaldo, assim como Romário, foi se transformando em um jogador mais de área justamente porque o tempo passa, a velocidade diminui, a mudança de ritmo na arrancada não é mais a mesma e tudo mais. Mas vamos lembrar que ele foi um ponta na maior parte da carreira. Driblador, velocista. E que chuta com as duas pernas, cobra faltas, faz gols de cabeça, etc, etc, etc.

Nem preciso aqui continuar a elencar as qualidades de Cristiano Ronaldo. Quem quiser vê-las, é só ligar a TV.

Uma das pessoas que me mostrou, em diversas entrevistas bate papos, o quão grande era Cristiano Ronaldo foi um tal Luiz Felipe Scolari. Falando coisas que nem cheguei a publicar. Quase caí da cadeira ao ver Felipão dizendo que “Renato jogou mais, mas Cristiano é mais goleador”. Colocando gasolina na fogueira do pachequismo. Espero, sinceramente, que seja fanfarronice dele também.

Até porque Cristiano Ronaldo deve estar pouco preocupado com as brincadeiras de Renato. Mas não vai gostar muito de ouvir o que falou Felipão, um dos técnicos mais importantes que ele já teve.

Uma semana atrás, ouvi uma entrevista de Tostão à rádio Bandeirantes, para José Luiz Datena. Datena disse que considerava Tostão “melhor do que esses caras de hoje em dia, tipo Cristiano Ronaldo”. A resposta de Tostão foi mais ou menos assim: “De jeito nenhum. Sei que fui um bom jogador, mas de forma alguma é possível me comparar ao Cristiano Ronaldo”. No que o apresentador finalizou com um “só fala isso porque é muito humilde”.

Não! Tostão fala isso porque entende MUITO, mas MUITO de futebol. Eu tenho a humildade de mudar várias opiniões minhas depois de ler e ouvir o que Tostão tem para falar.

Não é possível que a auto estima do brasileiro esteja tão em baixa, a ponto de querermos ficar rebaixando os gênios do futebol atual somente porque nenhum deles veste a camisa amarela.

Podemos ver isso diariamente, na tentativa forçada de colocar Neymar no mesmo patamar de Cristiano Ronaldo. Neymar é um monstro, um gênio, é o terceiro melhor jogador de futebol do mundo, como foi Garrincha na era de Pelé e Di Stefano. Não tem por que ficar fazendo isso.

Eu não vi o Renato do Grêmio, vi do Flamengo para frente. E vi recentemente reportagens sobre seu fracasso na Roma. Acho que nenhuma lista dos 10 melhores atacantes brasileiros da história terá Renato. Talvez, apenas talvez, ele entre em uma lista dos 10 melhores dos últimos 40 anos. Talvez.

Se Cristiano Ronaldo tivesse nascido no Brasil, eu não tenho dúvidas de que ele seria considerado o segundo maior jogador da história do futebol.

Pachequismo tem limites. Apenas parem, por favor.

 

 


Real Madrid fica a um suspiro do maior vexame de sua história
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Julio Gomes

O Real Madrid ficou a um triz do maior vexame de sua história. Precisou de um gol de Gareth Bale, que sozinho vale algumas vezes mais do que o time todo do Al Jazira, para vencer a brava equipe dos Emirados Árabes por 2 a 1 e se classificar para enfrentar o Grêmio na final do Mundial de Clubes da Fifa.

O gol saiu aos 35min do segundo tempo. Nos minutos finais, o Real Madrid ficou passando a bola de lado e esperando o tempo passar.

Nem as goleadas recentes sofridas para o Barcelona, a eliminação na Copa do Rei protagonizada pelo minúsculo Alcorcón, em 2009, nada chegaria perto de uma eliminação como essa. Seria uma mancha na história do clube mais vitorioso do planeta.

Uma hora ou outra, se for mantido esse formato de Mundial por mais tempo, um time europeu acabará perdendo na semifinal para um africano, um asiático ou coisa assim. A chance disso acontecer é maior se o representante europeu da vez for um time “medião”, tipo aquele Liverpool de 2005, a Inter de Milão de 2010 ou o Chelsea de 2012.

Nunca imaginei que a zebra passaria tão perto de um time como esse Real Madrid, tão forte, cheio de estrelas e com o melhor jogador do mundo no ataque. Mesmo com Carvajal, Sergio Ramos e Kroos poupados, nada justifica um jogo como esse.

O fato é que o Real atuou de forma relapsa, principalmente na defesa. No primeiro tempo, deu três bobeadas que geraram contra ataques perigosíssimos para o Al Jazira. No terceiro, Romarinho guardou mais um no Mundial. Era o 1 a 0 que deixava o mundo boquiaberto.

Antes disso, o veterano goleiro Ali Khaseif havia feito pelo menos seis defesas no estilo “milagre”, parando tudo que ia para o gol.

No segundo tempo, aconteceram os dois momentos que mudaram o destino da partida. O Al Jazira chegou a fazer o 2 a 0, em um contra ataque armado por Romarinho e que tinha dois jogadores sozinhos contra apenas o goleiro Navas. O autor do gol estava impedido por milímetros, lance anulado por Sandro Meira Ricci com a ajuda do vídeo. Uma chance inacreditável desperdiçada.

E logo depois Ali Khaseif, que havia se machucado no primeiro tempo, precisou ser substituído. A primeira bola que foi ao gol, chutada por Cristiano Ronaldo, vazou o goleiro substituto. Que ainda fez boas defesas e contou com a benevolência da trave, até que finalmente saiu a virada protagonizada por Bale.

Isso mostra que o Grêmio pode ganhar do Real Madrid?

É muito difícil fazer o paralelo. As semifinais não servem muito como parâmetro.

Esse quase vexame do Real é má notícia para o Grêmio, porque talvez faça o time entrar com mais atenção e seriedade na decisão. Por outro lado, mostrou buracos interessantes para Renato Gaúcho explorar em contra ataques. Vai ter jogo no sábado.

 

 


Afinal, será que mudar de técnico é bom ou mau negócio?
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Julio Gomes

O Campeonato Brasileiro chegou ao fim, e somente seis clubes acabaram a competição com o mesmo treinador do início. Corinthians, Grêmio, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Avaí.

Os outros 14 clubes trocaram de treinador. Alguns deles, mais de uma vez. Foram, no total, 20 treinadores degolados por estes 14 clubes. Isso, sem contar os interinos que assumiram por algumas rodadas e não se firmaram. Ao longo da competição, 46 profissionais diferentes ocuparam o banco de reservas de algum time por pelo menos um jogo.

Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Chapecoense e Vitória são os clubes que chegaram, entre contratados e interinos, a ter quatro técnicos diferentes em seus jogos ao longo do campeonato.

É nítido que a definição sobre contratar e demitir técnicos é feita com pouca razão e pouco conhecimento do assunto. Se formos escolher palavras para definir, de forma genérica, a atuação de dirigentes de futebol no país elas seriam amadorismo, paixão, inconsequência. Dificilmente escolheríamos profissionalismo, planejamento, responsabilidade financeira. Dirigentes, a maioria (não todos, mas a maioria) atuam como torcedores.

Mas o que esse campeonato mostra, dentro do equilíbrio incrível que marca o futebol brasileiro, é que não existe uma regra. Algumas vezes, mandar treinador embora simplesmente dá certo. Outras vezes, não.

É fato que é muito difícil um time ser campeão trocando de técnico ao longo do campeonato. Este é o oitavo seguido em que quem ganha o título mantém o mesmo treinador do início ao fim – a última exceção foi o Flamengo de 2009. Em 15 anos de pontos corridos, só três campeões mudaram de técnico ao longo do percurso, ou seja, 20% (os outros foram Santos-2004 e Corinthians-2005)

É fato também que quem ganha o campeonato costuma estar na liderança já em algum momento do primeiro turno, então nenhum dirigente é louco de demitir o técnico que está dando certo.

No caso de 2017, o Corinthians efetivou Fábio Carille e foi com ele até o fim. Outros dois clubes que não mandaram treinadores embora foram Grêmio e Cruzeiro. O primeiro, com Renato Gaúcho, mostrou bom futebol durante todo o ano, chegou à semifinal da Copa do Brasil e acabou ganhando a Libertadores. Já Mano Menezes só passou a ter vida tranquila no Cruzeiro depois do título da Copa do Brasil.

O Botafogo teve um grande ano com Jair Ventura, uma campanha heróica na Libertadores, foi à semi da Copa do Brasil e tinha tudo para acabar entre os cinco primeiros no Brasileiro. Mas despencou no último mês de jogos e acabou fora até da pré-Libertadores. Digamos que não deu tempo para demitirem Jair.

O Fluminense colocou nas mãos de Abel o projeto de lançar jovens. Não foi um bom campeonato, mas correu poucos riscos. Houve uma tragédia pessoal no meio do caminho que faria com que demitir o Abel se transformasse, também, em uma péssima ação de relações públicas.

E o Avaí, por fim, foi o único time “rebaixável” desde o início que apostou na estabilidade. Manteve Claudinei Oliveira do início ao final. Louvável. Mas não adiantou. E se o Avaí tivesse trocado de técnico? Teria se salvado? Teria caído algumas rodadas antes? Nunca saberemos.

Nós, que defendemos estabilidade e responsabilidade financeira, inclusive com regras mais rígidas para evitar a dança das cadeiras, estávamos torcendo pelo Avaí. Claro que seria o exemplo para provar o ponto. Não provou nada, admito.

De alguma forma, no entanto, a tristeza dos jogadores do Avaí, comprometidos com Claudinei, contrastou com uma aparente indiferença do Coritiba, o último rebaixado na última rodada.

Um Coritiba que no início do ano mandou embora Paulo César Carpegiani, que havia livrado o clube da queda no ano passado e foi demitido após a eliminação para o ASA na Copa do Brasil. O Coxa começou o Brasileiro com Pachequinho, trocou para Marcelo Oliveira e… não deu certo.

Como não deu certo para o Atlético-GO, que demitiu dois antes de efetivar João Paulo Sanches e ter aproveitamento melhor. Como não deu certo para o Flamengo, que com Zé Ricardo fez 29 pontos nos 19 jogos do turno (51% de aproveitamento). Sem ele, fez 24 pontos no returno (44% com Rueda). Como não deu certo para a Ponte Preta, que somou 28 pontos em 24 jogos com Gilson Kleina (39%) e apenas 11 em 13 jogos com Eduardo Baptista (28%).

Gilson Kleina e Zé Ricardo foram daquela para uma melhor, e acabaram levando Chapecoense e Vasco à classificação para a fase prévia da Libertadores.

Com Kleina, a Chape teve aproveitamento de 70% nas nove rodadas finais, não perdeu um jogo sequer e acabou como “campeã” do returno. Mas é bom lembrar que a Chape havia demitido no começo do campeonato Vágner Mancini, que depois ajudaria o Vitória a se salvar do rebaixamento.

O Vasco demitiu Milton Mendes com 25 pontos em 21 jogos, uma posição acima da zona de rebaixamento (39%). Com Zé Ricardo, teve 58% de aproveitamento e acabou em sétimo lugar.

Os casos de Chapecoense e Vasco são os casos claros de mudanças de técnico que deram certo. Isso ficou nítido também nos casos de São Paulo e Bahia.

Mas não está claro, por exemplo, se as mudanças realizadas em Palmeiras, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR fizeram os times melhorarem ou não. Será que o Palmeiras de Cuca, o Santos de Dorival, o Galo de Roger e o Atlético-PR de Baptista teriam acabado melhor ou pior do que acabaram? Impossível dizer.

Mesmo o caso do Sport é de puro palpite. Depois de assumir no lugar de Luxemburgo, Daniel Paulista empatou um e perdeu quatro dos cinco primeiros jogos. Mas ganhou os três finais, tendo a sorte de pegar Fluminense e Corinthians desinteressados nas rodadas derradeiras. O aproveitamento com Luxa era de 38%, com Daniel Paulista foi a 41%. Será que Luxemburgo não teria salvado o Sport?

Está claro que a estabilidade no comando técnico é necessária para times que estejam buscando o título. Mas e para as vagas na Libertadores? E para a fuga de rebaixamento? Não está nada claro. Dá certo para alguns, errado para outros.

 


Luan acerta em cheio: o melhor jeito de ir para a Europa é ir consagrado
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Julio Gomes

Muitos jogadores brasileiros caem no canto da sereia. Geralmente, um canto entoado por agentes que são ótimos atores. Fingem que estão muito preocupados com a carreira de seus clientes, quando na verdade estão preocupados com as comissões.

Luan não se deixou seduzir. Um digno herdeiro da mítica camisa de 7 de Renato, de Paulo Nunes, Luan é hoje tricampeão da América. E seu nome irá rodar o mundo após o golaço contra o Lanús.

É fácil ser seduzido pelo futebol europeu. Lá, estão os melhores. Os melhores jogadores, os melhores campos, os melhores CTs, os melhores campeonatos, os melhores tudo. O fato é que jogar no futebol europeu é uma obrigação para quem quer crescer, evoluir e chegar mais longe no esporte.

Negar uma chance no futebol europeu é como negar uma chance em Hollywood ou na NBA. Mas o futebol europeu não é uma massa uniforme. Há clubes e clubes. Campeonatos e campeonatos. Cidades e cidades.

Luan é quase uma unanimidade. O melhor jogador brasileiro atuando no Brasil. Campeão olímpico, 24 anos de idade. Mas já não é assim tão novinho. Há, sim, aspectos que precisam ser melhorados em seu jogo. Já foi até alvo de parte da torcida gremista.

É difícil para um rapaz como Luan recusar uma proposta como a que veio do Spartak Moscou, no meio do ano. Uma proposta para ganhar três, quatro ou cinco vezes mais, como ele disse.

Mas Luan ficou no Grêmio. “Por esse grupo e pelo que a gente vinha fazendo, eu tinha a convicção de que a gente poderia ser campeão da Libertadores”.

O Grêmio poderia até ter perdido a final. Mas a leitura de Luan (e de quem quer que esteja ao lado dele e tenha influenciado nessa tomada de decisão) estava correta.

Leia também no blog:
Grêmio de hoje tem bola para vencer o Real Madrid
Grêmio de Renato foi o melhor time do Brasil em 2017

O melhor jeito de chegar à Europa é chegar consagrado, em alta, valorizado, conhecido e respeitado. Como chegou Neymar ao Barcelona, após o título da Libertadores com o Santos. Não estou comparando os jogadores, apenas as situações.

A vida de um jogador brasileiro na Europa pode não ser fácil. Existe a adaptação ao país, língua, costumes, o ambiente de vestiário, o jogo, as demandas táticas, nutrição, etc.

É muito diferente chegar por cima e chegar como mais um.

Luan escancarou o mercado para ele mesmo com o golaço que vai rodar o mundo e o tri da Libertadores para o Grêmio. Foi o melhor jogador da maior competição do continente. Se a convocação final de Tite para a Copa do Mundo fosse amanhã, ele fatalmente estaria na lista.

Quanto valia Luan em agosto e quanto vale Luan hoje?

Abrir mão do contrato com o Spartak para ficar no Grêmio foi uma decisão sábia. Com a renovação assinada até 2020 e a multa rescisória fixada em 20 milhões de euros, Luan vai poder escolher onde jogar. Certamente aparecerão clubes de ligas de elite atrás dele. E bons salários.

Luan tem um futebol refinado, mas vai precisar de perseverança para evoluir na Europa. Ele não se encaixa em qualquer posição do meio para frente e não dá grande contribuição defensiva. Não tem jeito, são exigências do futebol moderno.

É muito melhor cair em um time pronto e em que seja bancado pelo técnico do que cair numa roubada. Pode fazer toda a diferença entre triunfar ou não no futebol de alto nível, toda diferença entre ir ou não para uma Copa do Mundo – aliás, a decisão conservadora nesse sentido seria ficar no Grêmio no próximo semestre e chegar à Europa só depois da Copa-2018.

Ele está na história do Grêmio e as páginas daqui para frente estão todas em branco. Luan tem bola e tem mercado. Nada como ter uma boa cabeça, e não apenas bons pés.

 


Grêmio de hoje tem bola para vencer o Real Madrid (que não é mais o mesmo)
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Julio Gomes

O Grêmio foi ao longo do ano, sob a batuta de um remodelado Renato Gaúcho, o único time que jogou futebol ofensivo no Brasil. É o melhor time do país, aquele que não tem problema algum com a bola e muito menos pavor de tê-la em seus pés. Um Grêmio que nada tem a ver com as raízes gremistas, mas que tudo tem a ver com as raízes do futebol brasileiro.

O título da Libertadores foi merecido e a festa perdurará por alguns dias. Logo depois, vem o Mundial. Será que esse Grêmio de Renato é tão bom que chega ao nível de um time de alto escalão europeu?

Não, claro que não. Mas é um time que pode, sim, ganhar o Real Madrid se esta for a final do Mundial de Clubes da Fifa, daqui a menos de duas semanas, nos Emirados Árabes.

Se já eram os mais dedicados, agora os clubes sul-americanos ganharam uma outra vantagem enorme para a disputa do Mundial: a proximidade das datas.

O fato de a Libertadores ser disputada ao longo do ano todo faz com que o campeão logo viaje para a disputa do Mundial. Não há desmanche e não há aquela obsessão sendo construída ao longo de todo o segundo semestre. Aquele excesso de foco que se transforma em uma pressão vil para cima dos envolvidos.

O Grêmio chegará ao Oriente Médio deste mesmo jeito que jogou contra o Lanús. Voando. É um time pronto, entrosado e, o principal, com ritmo de jogo. Mais do que isso: ritmo de decisão.

Leia também no blog: Grêmio de Renato foi o melhor time do Brasil em 2017

Imaginem um confronto contra um Real Madrid na ponta dos cascos, como aquele que atropelou a Juventus na final da Liga dos Campeões?

Pois é. Aquele Real Madrid venceria qualquer time sul-americano mesmo se jogasse com vendas nos olhos.

Mas aquele Real não é o Real Madrid de hoje. O Real Madrid de hoje é um time com problemas. Que ocupa a quarta posição no Campeonato Espanhol, a longínquos oito pontos do líder. Que sofreu uma dura derrota para o Tottenham e acabou em segundo em seu grupo na Champions. Um time que no último fim de semana sofreu para ganhar do Málaga, que ocupa a zona de rebaixamento. É um Real que parece sem fome.

Agora a imprensa espanhola trata o retorno de Bale, após mais uma lesão, como a salvação da lavoura. Sendo que o time se acertou mesmo na temporada passada justamente com a lesão do galês e a entrada de Isco no meio de campo.

Cristiano Ronaldo andou falando que o nível caiu, devido às saídas de jogadores como Morata ou Pepe. Sergio Ramos andou retrucando. Dizem que os dois líderes do vestiário já não se bicam.

Campeão espanhol, após alguns incômodos anos de seca, e bi da Champions (o primeiro a conseguir o feito), o Real Madrid começou a temporada 17/18 com toda a pinta de um time a fim de construir uma dinastia. Era favoritaço na Espanha, ainda mais depois da saída de Neymar do Barcelona e dos fracassos do rival na janela de transferências, e era também o time a ser batido na Europa.

Talvez quando chegue o mata-mata da Champions, a partir de fevereiro, Zidane tenha conseguido levar o time novamente a um alto nível. Mas, neste momento, o Real não é o melhor da Europa. Há pelo menos cinco times jogando futebol de forma mais consistente. Na Espanha, o Real tem sofrido para vencer times que são, sem sombra de dúvida, piores do que o Grêmio.

O Real Madrid jogará contra a parede neste sábado, em Bilbao, contra o Athletic. Um rival histórico, um campo duro, e a possibilidade de chegar ao duelo 11 pontos atrás do Barça, que joga antes. Na quarta, quando o Grêmio já estará nos Emirados Árabes, cumprirá tabela pela Champions contra o Borussia Dortmund. No outro sábado, tem um jogo duríssimo, em casa, contra o bom time do Sevilla.

Só depois disso, destes dois jogos fundamentais pelo Espanhol, é que o Real Madrid viajará e pensará no “Mundialito”.

E tem mais: sabem qual o jogo seguinte ao Mundial? Sim, o clássico contra o Barcelona, em 23 de dezembro. Não podemos descartar a hipótese de Zidane deixar de fora da eventual partida contra o Grêmio qualquer jogador que esteja mais cansado ou correndo risco de lesão.

A prioridade para o Real Madrid serão os jogos contra Athletic, Sevilla e, depois, Barcelona. A tabela é complicada, é uma benção para o Grêmio.

Um Grêmio, como já disse, que chegará inteiro e com ritmo.

É lógico que o favoritismo estará todo do lado do Real Madrid. É lógico que, em condições normais, o Real passará o carro sobre qualquer um. Mas o que quero dizer é que, neste momento específico da temporada, as condições não são normais.

A chave será não assumir a inferioridade, como os times sul-americanos naturalmente têm feito desde que o abismo foi criado e acentuado entre os melhores de lá e os melhores daqui, nas últimas duas décadas. Se o Grêmio mudar a sua postura e seu jeito de ser e quiser só se defender, fatalmente perderá. Não adianta querer se espelhar, por exemplo, no Inter de 2006 ou no Corinthians de 2012. É preciso evitar a armadilha que fez o Santos cair praticamente sem lutar contra o Barcelona, em 2011.

Não basta ficar atrás e estacionar o ônibus.

Mas se o Grêmio colocar em campo toda a bola e toda a coragem que tem mostrado pode, sim, surpreender um Real Madrid que vive seu pior momento desde o início do trabalho de Zidane. Pode competir pela bola no meio de campo e pode criar problemas para uma defesa que não está firme.

Se tudo der certo, Renato Gaúcho vai poder tirar onda de Cristiano Ronaldo ao vivo e a cores. Será?

 


Grêmio campeão! Time de Renato Gaúcho foi o melhor do Brasil em 2017
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Julio Gomes

O Grêmio é tricampeão da América! O título veio com um atropelo para cima do Lanús na Argentina. Um jogo completo do time de Renato Gaúcho. Marcou lá no alto desde o início, acuou o adversário, jogou com a bola nos pés, cabeça alta, qualidade de passe e, claro, eficiência nas finalizações.

Com dois golaços, Fernandinho e Luan não perdoaram os erros bisonhos do Lanús, um time que entrou em campo sem entender a grandeza do momento.

O segundo tempo teve algum drama, após o pênalti bobo de Jaílson e a expulsão infantil de Ramiro. Mesmo assim, o jogo ficou controlado e o Grêmio passou mais perto dos 3 a 1, no gol perdido por Luan, do que de sofrer o empate.

Falamos de Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro desde o começo do ano. Mas não é só dinheiro e nome que fazem times campeões. Em seu momento, falamos do Cruzeiro, capaz de ganhar do Grêmio e ser campeão da Copa do Brasil. E, claro, falamos muito do Corinthians, campeão brasileiro.

O Corinthians foi um time muito regular, mas que não deixou ninguém apaixonado com seu futebol e teve o benefício de poder se dedicar exclusivamente a um campeonato que foi deixado lado de lado pela concorrência em muitos momentos. Fora da Libertadores e eliminado logo da Copa do Brasil, o Corinthians abriu vantagem e, na reta final, conseguiu mantê-la.

Mas, apesar de ter vencido um duelo direto entre eles em Porto Alegre, nunca chegou perto do futebol apresentado pelo Grêmio titular ao longo do ano.

O tricolor gaúcho foi o único time do país a jogar bola, de forma ativa, sem ficar apostando no jogo reativo. O único time a acreditar no jogo ofensivo, apostando na qualidade e no talento de jogadores como Arthur e Luan. Só caiu de produção na temporada quando perdeu Geromel e Luan, por lesão.

Infelizmente, Renato entendeu que não poderia ganhar a Libertadores e o Brasileiro. Continuo achando que foi uma decisão equivocada. Mas nunca saberemos. E o fato é que deu certo. O objetivo principal foi atingido.

Ficou sem o título gaúcho, sem os títulos nacionais, mas ganhou a Libertadores, o que faz justiça ao desempenho apresentado em campo e a Renato Gaúcho.

Um técnico que mantém o discurso bobo de que “estudar não serve para nada no futebol”, mas que, na prática, estudou muito, sim. Levou a sério a profissão, amadureceu, atuou bem no mercado, montou um ótimo grupo de jogadores, resgatando alguns abandonados por clubes que dão bola demais para o que falam seus torcedores.

Cresceu como técnico e chegou ao auge.

Renato é o primeiro brasileiro campeão da América como jogador e técnico. Pouquíssimos clubes do Brasil têm uma figura tão emblemática, um ídolo deste porte. Tivemos Zico no Flamengo, Dinamite no Vasco, Rogério Ceni no São Paulo, Falcão no Inter. Mas, claro, nenhum deles teve, fora de campo, o impacto de Renato. Pelo contrário. E vamos deixar Pelé fora da conversa.

O Renato é Grêmio, o Grêmio é Renato. O Renato é Gaúcho. A América é tricolor novamente.