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O inacreditável e inexplicável Santos de Levir Culpi
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Levir Culpi já completou um turno inteiro com o Santos no Campeonato Brasileiro. Estreou com uma vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras, lá no dia 14 de junho. Mesmo placar do clássico deste sábado chuvoso, em São Paulo.

O Santos de Levir ganhou dez partidas, empatou oito e perdeu só duas (para o Sport na Vila e, com reservas, para o Botafogo no Rio) pelo Brasileiro. Fez somente 21 gols nestes 20 jogos. Mas sofreu 10. Isso mesmo. D-E-Z.

Não é novidade alguma termos times de grande solidez defensiva fazendo estragos. Mas o Santos não é um time de grande solidez defensiva. Cede espaços, finalizações, vive encurralado. Joga no bumba meu boi, trocando golpes (mas muito mais levando do que batendo).

Não tem volantes ou zagueiros de seleção. Mas tem Vanderlei. O fato de o Santos levar 0,5 gol por jogo tem mais a ver com o goleiro do que o técnico ou o sistema, e isso por si só é um fato incrível.

Com Lucas Lima, o time ainda tem mais qualidade com a bola nos pés. Mas Lucas Lima, convenhamos, não teve um bom ano de 2017. Seu grande jogo foi contra o Corinthians, que talvez tenha sido o único grande jogo do Santos de Levir.

Sem Lucas Lima, o que foi uma constante devido a lesões, o time tem jogado do mesmo jeito. Mal. E conseguido o mesmo tipo de resultados. Ótimos.

Ricardo Oliveira, autor do gol da vitória, a primeira do Santos no Allianz Parque, não é o mesmo de antigamente, o que é normal. E tem Bruno Henrique, este sim, um jogador que faz os gols que Ricardo Oliveira deveria estar fazendo e dá os passes de gol que Lucas Lima deveria estar dando.

O Santos não é brilhante no ataque. Não é no meio. Não é na defesa. Não é taticamente. Não tem sido sistematicamente ajudado por arbitragens ou pela sorte.

O Santos de Levir não tem nada a ver com o DNA histórico do clube. O Santos de Levir não tem nada a ver com os outros times de Levir. O Santos de Levir não agrada ninguém. O Santos de Levir tem 47 pontos, só 7 a menos que o Corinthians, e pode sonhar com o título.

Me desculpem. Não me sinto capaz de explicar o Santos de Levir.

 


Brasileiro, ato 26: clássico paulista define o “anti-Corinthians”
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juliogomes

A 26a rodada do Brasileiro terá três jogos neste sábado. O último deles, marcado para as 19h, reúne Palmeiras e Santos e vai definir o “anti-Corinthians”. Já que o Grêmio não topou a missão, sobrará para o vencedor deste jogo o rótulo de “único” ainda capaz de buscar o líder. Um empate, claro, será ótimo para o Corinthians, que tem um jogo duro (ou não) contra o Cruzeiro, domingo.

O Palmeiras não vem enchendo os olhos de ninguém, mas fez uma boa partida contra o Fluminense e já acumula três vitórias nos últimos quatro jogos. Parece ser um time mais firme, além de ter melhores jogadores que o Santos.

O Santos, de Levir, segue sem Lucas Lima e baseará seu jogo nos milagres de Vanderlei com a velocidade de Bruno Henrique no ataque. Ele ou Copete tentarão se aproveitar do fato de Zé Roberto, um veterano e já não tão rápido como outrora, ocupar a lateral esquerda.

É um clássico de torcida única em que a tendência é o Palmeiras dominar e o Santos contra atacar. É o duelo do segundo melhor ataque contra a segunda melhor defesa. O empate, como eu disse, meio que mata as esperanças dos dois. Este fato é o que nos anima na expectativa de ver um bom jogo.

O Palmeiras faz quatro dos próximos seis jogos em casa e aí enfrenta o Corinthians. Se vencer o clássico contra o Santos, jogará toda a responsabilidade do mundo para o líder, que enfrenta um Cruzeiro que vem de título – talvez de ressaca, mas certamente sem pressão alguma e levinho, levinho em campo.
SÁBADO

16h Vasco x Chapecoense (São Januário)
Turno: Chape 2-1
Colocação: 9-Vasco (32), 10-Chape (31)
Prognóstico: 1-1
Aposta: Menos de 2,5 gols
Último jogo com portões fechados em São Januário, fundamental para o Vasco se firmar na tabela e ficar longe do Z4. A Chape, que nunca perdeu para o Vasco, melhorou com Emerson Cris no comando e é uma rival perigosa. Os dois já tiveram as piores defesas do campeonato, mas estancaram a sangria nas últimas rodadas. Ligeiro favoritismo para o mandante, mas se fosse na Loteca um triplo seria indicado.

16h Bahia x Coritiba (Fonte Nova)
Turno: 0-0
Colocação: 13-Bahia (30), 19-Coxa (27)
Prognóstico: Bahia 2-0
Aposta: coluna 1
A esta altura do campeonato, no primeiro turno, o Coritiba era o terceiro colocado. Justamente contra o Bahia, Kleber deu aquele “show”, pegou um enorme gancho e as coisas começaram a ir ladeira abaixo para para o Coxa. O Bahia tem uma grande chance de vencer o Coritiba pela primeira vez desde 1985, vários tabus como este já caíram neste campeonato. O Coxa é um dos times que ainda não venceram no returno – o outro é o Sport.

19h Palmeiras x Santos (Allianz)
Turno: Santos 1-0
Colocação: 4-Palmeiras (43), 2-Santos (44)
Prognóstico: Palmeiras 1-0
Aposta: melhor fugir
Uma rivalidade que esquentou nos últimos anos. No jogo do turno, o Santos venceu com Vanderlei brilhando e alguns lances polêmicos de arbitragem, que geraram muita reclamação do Palmeiras. Além de jogar em casa, com torcida única, o Palmeiras mostra-se um time mais firme do que o Santos, que não cansa de jogar mal. A velocidade de Copete e Bruno Henrique, principalmente pelo lado esquerdo da defesa palmeirense, pode ser um fator no jogo.

DOMINGO

16h Cruzeiro x Corinthians (Mineirão)
Turno: SCCP 1-0
Colocação: 5-Cruzeiro (40), 1-SCCP (54)
Prognóstico: 0-0
Aposta: menos de 2,5 gols
O Cruzeiro vive seu melhor momento no ano, com o título da Copa do Brasil e cinco jogos sem perder no Brasileiro. Como vai encarar o campeonato a partir de agora? A Libertadores está garantida, não será campeão nem rebaixado. Começaremos a ter a resposta no domingo. Acredito que um time de ressaca sempre terá problemas contra um time que precisa do resultado, e essa interrogação faz deste um jogo de prognóstico complicado. Como o desfalque de Jô é considerável, vou apostar em um empate sem gols. O Cruzeiro é o mandante com menos derrotas (uma), e o Corinthians é o visitante com menos derrotas (uma também) na competição.

16h Grêmio x Fluminense (Arena)
Turno: 0-2 Grêmio
Colocação: 3-Grêmio (43), 12-Flu (31)
Prognóstico: 2-2
Aposta: ambos marcam
Novamente, o Grêmio vai a campo com um time misto, quase inteiro reserva, devido a lesões e cartões. O Fluminense, que tem sofrido no setor defensivo e que só apanhou do Grêmio nesta temporada, tem o sinal de alerta ligado. Está se aproximando da zona de rebaixamento e todos sabem que o elenco que Abel tem em mãos está longe de ser farto. O Grêmio só venceu um dos seis jogos que fez e estaria no Z4 do returno, mesma situação do Flu, que terá Diego Cavalieri de volta ao gol. Pelas casas de apostas, a vitória do Fluminense é simplesmente o resultado mais improvável da rodada. Será tão impossível assim?

16h Botafogo x Vitória (Engenhão)
Turno: 2-2
Colocação: 6-Fogo (40), 16-Vitória (29)
Prognóstico: 2-1
Aposta: coluna 1
Desde o começo do campeonato, esta é a primeira vez que o Botafogo teve uma semana inteira de descanso (à parte a semana em que o Brasileiro parou pelas datas Fifa). Líder do returno, vindo de quatro vitórias e com três jogos seguidos para serem disputados no Rio, o Botafogo está com as baterias recarregadas, focado em buscar o G4 e é favorito contra o Vitória – apesar de o time baiano ser o segundo melhor visitante do campeonato. O Vitória tem desfalques na defesa.

16h São Paulo x Sport (Morumbi)
Turno: 0-0
Colocação: 17-SPFC (28), 14-Sport (30)
Prognóstico: SPFC 3-1
Aposta: mais de 2,5 gols
Se o São Paulo tivesse vencido o Corinthians, este jogo teria tudo para ser um passeio. Como não venceu e continua no Z4, a pressão, que é a maior inimiga do time são-paulino, segue forte. É um jogo crucial, contra adversário direto e pior time do returno. E tem mais: o Sport não tem Diego Souza e é um velho freguês no Morumbi – havia perdido sempre, até o empate do ano passado. Não dava para escolher adversário melhor. Agora cabe ao São Paulo, que tem marcado primeiro e seguidamente desperdiçado a vantagem construída, fazer o dever de casa. São duas das piores defesas do campeonato, só o Atlético-GO sofreu mais gols.

16h Avaí x Atlético-GO (Ressacada)
Turno: Atlético 3-1
Colocação: 15-Avaí (30), 20-Atlético (22)
Prognóstico: 1-1
Aposta: Duplo, empate e Atlético-GO
Se por um lado o Avaí é a “sensação” do campeonato no momento, ainda invicto no returno, precisamos lembrar que este é o pior ataque do campeonato (disparado) e não faz dois gols no mesmo jogo desde aquela surreal vitória sobre o Grêmio, quase três meses atrás. Walter volta ao Dragão, que ainda pode sonhar com a salvação se vencer.

19h Atlético-PR x Atlético-MG (Baixada)
Turno: 0-1 CAP
Colocação: 8-CAP (34), 11-CAM (31)
Prognóstico: CAP 1-0
Aposta: melhor fugir
O Atlético-MG estreia Oswaldo de Oliveira, e Robinho volta ao time titular. O Galo, apesar das trocas de técnicos e do mau campeonato, é o visitante de terceiro melhor aproveitamento. E o Furacão, sem Nikão e Paulo André, não está tão firme na Arena como em outros tempos. Jogo de difícil prognóstico em que quem marcar primeiro leva imensa vantagem.

SEGUNDA

20h Ponte Preta x Flamengo (Moisés Lucarelli)
Turno: Fla 2-0
Colocação: 18-Ponte (28), 7-Fla (39)
Prognóstico: 1-1
Aposta: vale arriscar uma coluna 2, com empate anula
Assim, de repente, a Ponte está afundada na zona de rebaixamento. Com a queda de rendimento de Lucca, Eduardo Baptista precisa encontrar soluções para o time se reencontrar no Brasileiro. Após a derrota na Copa do Brasil, o Flamengo precisa estar entre os primeiros para se garantir na Libertadores.


Sandro Meira Ricci e o autoritarismo
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juliogomes

Somos os campeões mundiais de jogadores chiliquentos. Eu não nego este fato e sou um combatente deste bom combate. Acredito que deve haver menos pressão sobre os árbitros para que eles possam fazer o seu trabalho. Aqui no Brasil, o país do mimimi, somos muito condescendentes com o… mimimi.

Mas o que Sandro Meira Ricci fez na noite desta segunda, na Ilha do Retiro, extrapola completamente o que um árbitro deve fazer em campo. É confundir autoridade com autoritarismo.

Árbitros não são meros aplicadores de regras. Para isso, bastaria um robô. Em um esporte tão sujeito a interpretações, árbitros precisam ser mediadores. Eles não são e não podem ser o espetáculo. O ideal é que ninguém nem perceba que eles estejam por ali.

Uma coisa é errar. São muitos lances rápidos, muitos lances milimétricos, árbitros são humanos e podem errar. O que não podem é querer o protagonismo. Não podem querer ser a principal figura em campo. É o que muitos querem.

Assim como tantos policiais extrapolam suas funções. Assim como muitos juízes e desembargadores se acham seres superiores. O mesmo ocorre com árbitros de futebol. Alguns corações simplesmente não comportam tanto poder. Como bem definiu o jornalista Pedro Galindo, alguns árbitros brasileiros têm um “fetiche militaresco”.

Diego Souza é seguro pela camisa seguidas vezes no mesmo lance. Dá um chilique. Sandro Meira Ricci dá cartão amarelo ao vascaíno que cometeu a falta. E logo para Diego Souza. Que já estava p da vida. E solta um sonoro “vai tomar no c…”. Não para o árbitro. Para o mundo. Um termo para lá de consagrado nos campos de futebol.

Imaginem se todos os “vai tomar no c…” fossem premiados com cartão vermelho?

Sandro Meira Ricci poderia ter chamado Diego de lado, poderia ter fingido que não ouviu, poderia ter batido um papo e ainda assim dado amarelo pelo chilique, poderia ter agido de várias maneiras para mediar um momento de extremo nervosismo do jogador que acabara de sofrer cinco puxões de camisa e abraços de urso.

Mas não. O que ele quer é provar que é o suprasumo master da face da Terra. E, em 5 segundos, mostra amarelo e vermelho.

Dar um cartão vermelho com 20min de jogo para mim equivale a um pênalti aos 40min do segundo tempo. É muito determinante para o resultado. O árbitro só pode fazer isso em casos extremos. Repito: árbitros não estão lá para intervir tanto e definir partidas mas, sim, para mediá-las.

Vanderlei Luxemburgo criticou Ricci por ter demorado tanto para marcar a falta sobre Diego Souza e “irritar o jogador”. Mas depois considerou a expulsão correta, o que mostra bem como está a relação entre técnico e comandado em um Sport que é um dos times em pior estado de forma no campeonato.

Não quero passar a mão na cabeça de Diego Souza. Apenas não gosto de justiça seletiva.

O Sport ainda fez um grande jogo mesmo assim e buscou o empate. Superando um pênalti mal marcado e depois desmarcado, em lance que nos faz desconfiar de novo da ajuda seletiva do tal árbitro de vídeo.

A arbitragem brasileira beira o caos. Mas, muito mais do que erros técnicos e as polêmicas de vídeo, o que mais irrita são a falta de critério e o excesso de autoritarismo de alguns.

Precisamos de menos mimimi dos jogadores. E menos autoritarismo dos árbitros. Um pacto nacional. Com Supremo, com tudo, como diria certo senador.

 


O São Paulo parece ter mais medo de ganhar do que de perder
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juliogomes

O São Paulo foi muito melhor do que o Corinthians no primeiro tempo. Mais intenso. Era, como esperado, o time mais a fim de jogo. Afinal, uma vitória tiraria o São Paulo da zona de rebaixamento para, provavelmente, não mais voltar para ela.

Não foi “uma aula de futebol”, como definiu Petros. Mas foi uma boa atuação. No segundo tempo, se defendia bem e criava problemas no contra ataque. Um raro jogo ruim de Cássio, que falhou no gol de Petros e não inspirava confiança alguma quando exigido (até salvar no finalzinho). Uma chance de ouro para fazer o 2 a 0 em uma espetada fatal e passar um belo domingo com a família.

Mas aí Cueva, que estava muito bem, cansa (tinha mesmo que sair?). Aí Dorival resolve fechar a casinha (excesso de cautela com muito relógio para correr). Aí o Júnior Tavares resolve ganhar um tiro de meta. Aí o Denilson passa voando como uma borboleta no rebote. E…

O São Paulo parece ser um time com mais medo de ganhar do que de perder. Joga bem, cria jogo, abre vantagem e, ato seguido, se encolhe, se acanha, se perde.

O empate é ruim? Não. Basta pensar friamente. É um empate contra o líder do campeonato, um time de quase 80% de aproveitamento quando joga fora de casa – que é como se sente mais confortável.

Um erro de grandes que lutam para não cair é desprezar esses pontinhos e querer ganhar sempre. O erro do próprio São Paulo contra o Palmeiras, no Allianz. Não cair é somar, somar e somar. Mesmo que de um em um. É diferente da luta pelo título, em que somar de um em um costuma não servir.

A priori, pois, o empate não pode ser desprezado. Mas era uma chance gigante de acabar com o drama do rebaixamento. Se o São Paulo ganha do rival mais detestado pela torcida, ganha do líder e sai do Z4… a confiança volta de vez. Não cairia mais.

Volta à estaca zero? Não. Mas o São Paulo ainda pode acabar a rodada no Z4. O próximo jogo, contra o Sport, pior time do returno, se transforma em um daqueles do tipo “ou ganha ou ganha” – e jogos assim são extremamente perigosos.

Já o Corinthians dá mais um passinho para o cantado título. Cresceu no segundo tempo, Carille mexeu bem, encontrou o empate e, com um pouco de sorte, poderia até ter vencido. Romero foi muito mal, Jadson abaixo, de novo, mas Rodriguinho, que vinha de uma expulsão besta na Argentina, fez um ótimo segundo tempo e foi decisivo para o empate.

A nota triste fica para a comemoração de Gabriel, do Corinthians, que já havia sido substituído e estava no banco quando saiu o gol de empate. Virou-se para a torcida do São Paulo e fez gestos obscenos. Podemos nos lembrar também das abobrinhas que falou do Palmeiras no começo do ano. Estou para ver jogador mais burrinho e inconsequente.

 


Vinte polêmicas que o árbitro de vídeo poderia ter evitado (ou criado)
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juliogomes

Depois do famoso gol de braço de Jô no fim de semana, agora a CBF quer implementar o árbitro de vídeo no Campeonato Brasileiro. Sofre críticas, logicamente. Afinal, é uma novidade, uma mudança cultural e temos visto muita polêmica na Alemanha e na Itália, onde os campeonatos locais já utilizam o recurso da tecnologia.

Só com o tempo os critérios serão acertados, árbitros serão treinados e se acostumarão. Portanto, colocar a coisa em prática de um dia para o outro é pedir para ter problemas. Isso sem contar a isonomia da competição, muito afetada, já que durante 24 rodadas clubes que foram prejudicados não puderam contar com tal auxílio.

O blog separou alguns lances que, se analisados em vídeo, possivelmente teriam mudado a história de jogos do Campeonato Brasileiro. Claro que não falo abaixo de todos os erros de arbitragem. Mas de algumas polêmicas que marcaram a competição até agora. E também de lances em que, talvez, o árbitro de vídeo vai servir mais para atrapalhar do que ajudar.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol

Rodada 1

Avaí 0 x 0 Vitória
Começamos logo com um lance em que não tenho opinião formada sobre como o processo deve ocorrer. O Avaí foi prejudicado, e a CBF admitiu, ao não ter um pênalti claríssimo marcado aos 36min do segundo tempo. É lógico que, pelo vídeo, o árbitro seria avisado do erro. Mas clique e perceba que o árbitro vê o lance perfeitamente e escolhe não dar pênalti. O que fazer? Inicialmente, em casos assim, tendo a achar que deve valer a interpretação do árbitro ali no campo. Se ele não tiver visto o lance, aí sim, manda a opinião de quem vir pelo vídeo. Felipe Gomes da Silva foi o árbitro que conseguiu não apitar esse pênalti.

Corinthians 1 x 1 Chapecoense
Também na primeira rodada, o árbitro goiano Elmo Alves Resende Cunha (sim! o mesmo Elmo que validou o gol de Jô no domingo) deixou de dar pênalti para a Chape quando o jogo estava 0 a 0 em Itaquera. Gabriel bloqueia o chute com os braços abertos, pênalti claro. De novo, o árbitro vê e resolve não apitar. Mas neste caso, ao contrário do lance acima, a velocidade pode trair os olhos do árbitro. Ele pode não notar o bloqueio com o braço e ser auxiliado pelo vídeo. É o que, imagino, aconteceria.

Grêmio 2 x 0 Botafogo
Este é o típico lance que seria invalidado. O segundo gol do Grêmio é irregular, Luan toca com a mão na bola. O árbitro Braulio Machado está encoberto pelo corpo do gremista. E, com a infeliz incompetência dos auxiliares, sobraria para o vídeo apontar a infração.

Rodada 2

Vasco 2 x 1 Bahia
Mais um lance super complexo, em que critérios precisariam ser definidos com antecedência. Jean, do Vasco, deveria ter sido expulso aos 21min de jogo por essa falta. O árbitro Leandro Marinho vê a falta e escolhe dar o amarelo. Ele erra. Será que seria corrigido pelo vídeo? Acredito que não, pois ele simplesmente interpretou de maneira errada. Uma expulsão na metade do primeiro tempo, ainda com 0 a 0, poderia ter mudado o jogo.

 

Rodada 7

Atlético-MG 0 x 1 Atlético-PR
Aqui temos o típico lance que seria corrigido pelo vídeo e alteraria o destino do jogo. O Galo teve um gol de Rafael Moura mal anulado por impedimento de Marlone (que não existia). Já era metade do segundo tempo. O jogo, que deveria estar 1 a 0 para o time da casa, seria vencido no finalzinho pelo Furacão. Mais uma derrota no Horto. Algumas rodadas depois, Roger seria demitido do Atlético-MG. Percebam aqui o quanto a arbitragem de vídeo poderia ter mudado o destino das coisas.

Coritiba 0 x 0 Bahia
Na mesma rodada, Kleber Gladiador deu um soco na cara de Edson, do Bahia. Deveria ter sido expulso e deveria ter sido marcado pênalti para o Bahia. Kleber seria expulso mais tarde neste mesmo jogo por Wagner Reway que, imagino, não viu o soco anterior e, por isso, não marcou nada. Com o vídeo, a CBF posteriormente puniu disciplinarmente o jogador do Coritiba. Mas, nos 90 minutos, a ausência de vídeo prejudicou o Bahia.

 

Rodada 8

Coritiba 0 x 0 Corinthians
Um lance muito falado na época. Jô faria o gol da vitória do Corinthians no finalzinho, mas um impedimento inexistente foi assinalado.

 

Rodada 11

Sport 1 x 0 Atlético-PR
Outro erro grotesco, agora de Grazianni Maciel Rocha, que viu toque de mão de Wanderson, do Atlético-PR. A bola nunca tocou na mão do jogador, o árbitro se equivocou e teria sido corrigido pelo vídeo. O pênalti mal marcado, já aos 28min do segundo tempo, acabou dando a vitória ao Sport. Eduardo Baptista seria demitido do Atlético-PR após a rodada seguinte.

Rodada 14

Chapecoense 2 x 0 São Paulo
Separei este lance porque, creio, será um exemplo de polêmica recorrente com o árbitro de vídeo. O juiz Wagner Magalhães não marca o suposto pênalti de Grolli em Pratto. Eu também não marcaria. Mas a CBF considerou um erro. Esse agarra-agarra na área acontece sempre e é difícil saber se o zagueiro realmente imprimiu carga suficiente para derrubar o adversário. Pelo vídeo, em câmera lenta, tudo parece falta. Qual será o critério de marcação? Tenho certeza que haverá inconsistências, às vezes dentro do mesmo jogo.

Rodada 15

Flamengo 2 x 2 Palmeiras
Muita reclamação do Flamengo com o árbitro Jailson Freitas por duas faltas de Mina em Guerrero, em lances que originaram os gols palmeirenses. A segunda foi dentro da área, seria pênalti pro Flamengo. Imaginem só. Com o vídeo, o juiz anularia o gol do Palmeiras e daria pênalti para o Flamengo. Não dá para mudar muito mais o destino de um jogo.

Rodada 16

Vitória 1 x 2 Chapecoense
Marcelo de Lima Henrique apitou o que talvez tenha sido o jogo com maior número de erros. Anulou um gol do Vitória por impedimento por não ver que o próprio jogador da Chape havia tocado a bola para trás. Depois, marca corretamente pênalti para a Chape, mas erra ao não expulsar goleiro do Vitória. Ainda deu um pênalti inexistente pro Vitória, mas, já com 1 a 2, aos 37min do segundo, deixa de dar um pênalti para o time baiano. Todos estes lances que poderiam ter sido corrigidos pelo vídeo. Ou seja, o jogo teria uma história completamente diferente desde o início

Atlético-GO 1 x 1 Botafogo
Paulinho empatou para o time da casa, a 15min do final do jogo, em posição irregular. Um gol que teria sido anulado pelo árbitro de vídeo, e possivelmente o Botafogo teria saído com a vitória.

Rodada 17

Corinthians 1 x 1 Flamengo
Uma das grandes polêmicas do campeonato, já que foi o jogo entre os dois times mais populares do país. Jô teve outro gol mal anulado, pois não estava em posição de impedimento. Lance que teria sido facilmente validado com o uso do vídeo. Ricardo Marques era o árbitro.

Cruzeiro 0 x 0 Vitória
Um pênalti não dado para o Vitória no meio do segundo tempo (mão de Ariel Cabral, que salta para bloquear um cruzamento com os braços abertos) marcou a arbitragem de Dewson Fernando Freitas da Silva. Não é possível, pela imagem, saber onde estava o juiz, se ele viu ou não viu. Mas seria facilmente marcado com o auxílio do vídeo.

 

Rodada 19

Bahia 2 x 1 São Paulo
Dois lances no mesmo jogo que prejudicaram o São Paulo. No primeiro gol do Bahia, há impedimento na origem da jogada. E, já com 2 a 1, há um pênalti não dado pro São Paulo (camisa puxada na área). Dorival reclamou muito, mas a CBF ignorou os erros em seu site.

Rodada 20

Sport 0 x 0 Ponte Preta
Leandro Vuaden decidiu não marcar pênalti para o Sport neste lance. A meu ver, o jogador da Ponte claramente leva a mão até a bola, talvez por reflexo, mas não importa. A CBF, no entanto, considera que Vuaden acertou ao não marcar nada. Como seria com a arbitragem de vídeo? Valeria a interpretação de Vuaden na hora? Ou haveria o risco de alguém que estivesse de olho nas imagens durante o jogo tivesse a mesma opinião que a minha?

São Paulo 3 x 2 Cruzeiro
Rafael Traci foi muito criticado por um pênalti dado sobre Gilberto, que significaria o terceiro gol e a vitória do São Paulo. A CBF concordou com a marcação. Mas foi contra a maré, pois todos os analistas de arbitragem e a maioria dos jornalistas consideraram que não houve infração alguma no lance. O que teria dito o árbitro de vídeo em sua comunicação com o juiz de campo?

Rodada 23

Atlético-PR 1 x 1 Coritiba
Outro lance em que o árbitro de vídeo poderia simplesmente ter uma interpretação diferente do árbitro de campo. Anderson Daronco não marca pênalti em Rildo e tem o apoio da CBF em sua decisão. Tem o meu também. Rildo é o maior piscineiro do futebol brasileiro e busca o contato com o zagueiro do Atlético para ludibriar o árbitro. Mas Salvio Spinola, por exemplo, e muitas outras pessoas acharam que era lance de pênalti. E se o árbitro de vídeo também achasse ali na hora? Bom lembrar que, na continuação do lance, saiu o pênalti que resultou no empate do Atlético-PR.

 

Rodada 24

Cruzeiro 1 x 0 Bahia
Ainda com o jogo empatado, houve um puxão de Hudson na área e o árbitro Wagner Reway deixou de marcar pênalti para o Bahia no fim do primeiro tempo. O vídeo poderia ter alterado a história do jogo.

Corinthians 1 x 0 Vasco
E, claro, como não poderia deixar de ser, o jogo da polêmica mais recente. O Corinthians venceu com um gol irregular de Jô, mas reclamou de três pênaltis não marcados para ele antes disso – dois sobre Jô, um sobre Balbuena em lance de escanteio. Qualquer um destes poderia ser apontado pelo árbitro de vídeo, dependendo da interpretação. E, claro, o gol de Jô teria sido rapidamente invalidado.

 


Árbitro de vídeo é necessário, mas cria risco de tapetão no Brasileiro
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A notícia do dia é essa aqui, assinada pelos ótimos Pedro Ivo Almeida e Rodrigo Mattos. A CBF resolveu antecipar o uso de árbitro de vídeo no Brasileiro, após o gol de Jô no domingo, que deu a vitória ao Corinthians sobre o Vasco. O lance foi irregular e seria facilmente anulado por vídeo.

Eu sou um grande defensor do uso do vídeo no futebol. Mas coisa ainda está engatinhando e há inconsistências.

Não há debate sobre lances de bola entrar ou não e de impedimento. São lances que são ou não são, sem margem de interpretação. Não tem meio gol ou meio impedimento. Se, com o posicionamento de câmeras e tecnologia, for possível cravar o lance, nem precisamos de árbitros para checar o vídeo. É preciso ter a confiabilidade do olho do falcão, do tênis.

Há outros lances bem mais complexos. Há pênaltis claros que árbitros simplesmente não viram e apitariam se tivessem visto. Mas há outros lances que o árbitro viu no campo e tomou uma decisão (de falta ou não falta, vermelho ou não vermelho). E aí? Por que deixar nas mãos de outros dois ou três árbitros, no ar condicionado, vendo o lance em câmera lenta?

Há erros de direito, tipo o cartão equivocadamente dado a Gabriel, do Corinthians, no famoso dérbi do Paulistão. Esses seriam corrigidos com vídeo.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol

Enfim, há muito debate sobre o uso. Quando ele é correto e justo? É preciso de tempo. De dinheiro. De testes. De preferência em campeonatos menores.

Implementar o árbitro de vídeo no meio do Campeonato Brasileiro cria uma inconsistência impressionante. E, possivelmente, jurídica.

Em vários lances, teremos “justiça” daqui para frente. Mas e os que ficaram para trás na mesma competição?

O gol irregular de Jô contra o Vasco. Os dois impedimentos mal marcados de Jô, que prejudicaram o Corinthians contra Coritiba e Flamengo. O pênalti escandaloso não dado para o Avaí contra o Vitória, lá na primeira rodada. Bolas que não sabemos se entraram ou não entraram em um par de jogos, como Fluminense x Chapecoense. Tem para todos os gostos, 24 rodadas já foram disputadas, 239 jogos.

Este blog tem feito um levantamento desde o início do campeonato de erros de arbitragem – com a ajuda de especialistas de diversos canais de TV e as próprias análises da CBF. Até agora, foram 46 pênaltis que deveriam ter sido marcados e não foram. Houve 13 pênaltis mal marcados. Gols mal anulados? 9. E outros 13 gols irregulares que acabaram sendo validados.

São muitos erros que ficaram para trás e que poderiam, se houvesse árbitro de vídeo, ter construído uma história diferente do campeonato. Tudo seria diferente.

Nem mesmo na Alemanha, um país ultraorganizado em tudo, o árbitro de vídeo passa ileso. O Colônia quer a anulação do jogo deste fim de semana, em que perdeu por 5 a 0 do Borussia Dortmund.

Imaginem aqui, no país do tapetão, o que acontecerá com uma implementação desse tipo em pleno voo? Haverá argumento jurídico de sobra para quem se sentir prejudicado. Apertem os cintos. Vem bagunça por aí.

Adendo: o Regulamento Geral do Brasileiro meio que cria uma proteção para isso, como podemos ver abaixo. Mas, sinceramente, acho que é uma proteção bastante frouxa.

Art. 77 – O uso de “AV” deve ocorrer, a partir do momento em que a Comissão de Arbitragem da CBF apresente condições técnicas e materiais – o que poderá se dar no curso de qualquer das competições que coordena, independentemente de fase.
§ 1º – A CBF não está obrigada a utilizar a tecnologia da arbitragem em todos os jogos da
mesma competição ou da mesma rodada, na medida que depende de condições técnicas e
materiais para fazê-lo.

 


Arthur é o nome mais importante da convocação de Tite
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juliogomes

Quando Tite convocou a seleção brasileira para os jogos contra Equador e Colômbia, um mês atrás, eu escrevi aqui no blog que o grupo parecia ter 17 nomes certos para a Copa-2018.

As vagas abertas, a meu ver, eram ocupadas por Cássio, Fágner, Rodrigo Caio, Luan, Giuliano e Taison. Na convocação desta sexta-feira, para os jogos derradeiros nas eliminatórias, contra Bolívia e Chile, foram convocados os 17 “fixos” e Cássio. Os outros cinco citados acima ficaram de fora.

Para os testes, Tite chamou Danilo (Manchester City), Jemerson (Monaco), Arthur (Grêmio), Diego (Flamengo), Fred (Shakhtar) e Tardelli (Shandong). A lista desta vez tem 24 nomes.

Danilo e Jemerson parecem ter chances reais de estar no Mundial. Diego, Fred e Tardelli serão contestados – o primeiro porque não tem jogado bem, os outros dois porque não são vistos por ninguém (e, sei lá por qual razão, as pessoas pressupõem que não merecem, porque estão na Ucrânia e China. A meu ver, o que eles não merecem é a avaliação de quem não os assiste).

Mas quero me ater a Arthur.

Este é o nome mais importante desta convocação. Arthur é um jovem, com potencial para estar na seleção por muitos anos e muitas Copas. Na quarta, contra o Botafogo, sob os olhares de Tite, fez uma partida monstruosa. E, justamente com a ausência de Luan, um dos preteridos da lista, virou uma espécie de armador principal do Grêmio naquela partida. Mostrou, portanto, versatilidade e capacidade de fazer mais do que o que faz em sua posição original.

O time titular de Tite na Copa (salvo lesões) terá Casemiro como primeiro volante, Paulinho e Renato Augusto mais à frente. Estes dois são jogadores raros e que encaixam no que o técnico quer, jogadores “box to box”, com capacidade defensiva, de leitura de jogo e chegada forte ao ataque.

É muito difícil e tem sido muito difícil encontrar quem possa substituir Paulinho ou Renato Augusto caso um destes se machuque ou seja suspenso. Alguns são volantes demais, outros são meias demais. É difícil achar meio-campistas completos no futebol brasileiro.

Arthur tem mostrado potencial para ser um deles. Pode virar o primeiro reserva para posições chave.

Philippe Coutinho pode ser uma opção ali. Mas seria uma opção ofensiva. E não é sempre assim que a seleção poderá/precisará jogar na Copa.


Flamengo procurou Fernando Diniz ano passado. Terá coragem?
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juliogomes

O Flamengo demitiu Zé Ricardo na noite deste domingo. Como escrevi após o a derrota para o Vitória, neste domingo pela manhã, o técnico cavou a própria cova ao abandonar suas convicções, jogar para a galera e escalar um time que ele não teve tempo para treinar e naturalmente não escalaria. Quando o treinador trai seus próprios conceitos, perde o respeito, perde tudo.

Desde que Muricy Ramalho precisou deixar o Flamengo, em maio do ano passado, o clube procurou duas vezes Fernando Diniz.

Diniz havia levado o Audax à final do Campeonato Paulista no ano passado. Tem uma ideia clara de futebol. Jogar bonito. Para Fernando Diniz, quanto mais um time gostar de ter a bola, jogar com ela, se aproximar, envolver o adversário, controlar o jogo, mais chances ele terá de vencer. Para Diniz, o mais importante é olhar para a vida de seus jogadores. Ajudá-los. Pessoas felizes desempenham melhor.

Se ele foi capaz de implementar a ideia em um time pequeno de São Paulo, possivelmente terá menos dificuldades ainda em um time grande, com jogadores de qualidade e experiência.

Quando o Flamengo procurou Fernando Diniz, o empresário Mário Teixeira, dono do Audax, queria também comprar o Oeste de Itápolis. Diniz deu a palavra que seguiria no projeto. E seguiu. Uma lealdade raríssima no futebol brasileiro.

Que foi paga com… demissão. Já que as coisas não deram certo em 2017 e o Audax foi de vice-campeão a rebaixado no Paulistão.

Será que o Flamengo voltará à carga por Fernando Diniz?

O momento é perfeito. É verdade que o time está na semifinal da Copa do Brasil. E tem a Sul-Americana. Seriam prêmios de consolação para tanto investimento e expectativa, já não tem mais Libertadores e não tem mais Campeonato Brasileiro para conquistar.

Fernando Diniz teria tempo para implementar seu modo de ver futebol, e o Flamengo teria o futebol mais interessante do Brasil em 2018.

Mas será que os dirigentes terão coragem? Seria uma aposta arriscada. Como vimos com Zé Ricardo e outros tantos, no futebol o que manda são resultados, não desempenho, ideia de jogo, etc.

Há outros nomes no mercado. Roger, que acabou de ser mandado embora do Atlético Mineiro, Jorginho, demitido do Bahia e com tanta história no Flamengo, e até mesmo Reinaldo Rueda, o colombiano campeão da última Libertadores com o Atlético Nacional.

Umas semanas atrás, após a contratação de Diego Alves, disse que o Flamengo estava adquirindo mais um grande jogador e que tinha tudo para construir uma dinastia no futebol brasileiro. É arriscado fazer esse tipo de previsão em um país em que as coisas são tão volúveis e, o futebol, tão nivelado.

Mas a saúde financeira conquistada pelo clube mais popular do país – em oposição ao Corinthians – é algo digno de nota. Não adianta tirar sarro da minha “previsão” agora, como centenas fazem no Twitter. Vamos conversar de novo sobre isso daqui a cinco anos. Dinastias não são construídas nem destruídas em um mês.

O que o Flamengo quer? Vitórias imediatas? Ou realmente marcar uma época no futebol brasileiro? Vamos aguardar os próximos capítulos.

 


Borja é um grande mico. Vai deixar de ser?
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juliogomes

O texto abaixo foi escrito pelo amigo Paulo Junior, do canal de podcasts Central 3, que, entre outras maravilhas, tem o semanal “Zé no Rádio”, com José Trajano. Junior, assim como Trajano e este escriba, é um ex-ESPN. Um desiludido com o futebol moderno. E, assim como eu, enxerga o colombiano Miguel Borja caminhando a passos largos para se transformar no maior mico da história palmeirense. O blog agradece desde já ao amigo pelo texto. E assina embaixo.

Leia também, sobre o jogo de quarta: Palmeiras podia ter vencido, mas Cuca errou e preferiu jogar com 10

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Borja, a contratação mais cara da história do Palmeiras, jamais poderá reclamar de má vontade da torcida: contra o Cruzeiro, há uma semana, quando foi a campo no intervalo e com o time perdendo por 3 a 0, era aplaudido por devolver arremesso de lateral de Tchê Tchê ou Egídio, aquela cobrança de protocolo, no pé bom para o centroavante chapar de volta e correr para a área.

Dali foi elogiado por parecer mais interessado que de costume, de certa forma contagiado por um time que perdia em casa por três gols e buscou o empate na pressão. Fez um jogo ligado, sim, ainda que continuasse errando lances fáceis, apanhando da bola em alguns momentos.

Uma semana antes, tinha marcado o gol da vitória contra o Atlético-GO, jogo em que Cuca revelou a um amigo depois do placar magro: não tem um centroavante melhor que esse para indicar, não? O treinador do clube mais agressivo do mercado se mexeu, claro. Tentou Richarlison, tenta Diego Souza. A torcida tem que apoiar, óbvio. Mas, internamente, Borja é uma coisa que o técnico segue tentando entender.

Nessa semana, jogou contra o Grêmio em jornada de poupados e ganhou nova chance contra o Barcelona, no Equador. Pelos relatos dos setoristas, seria titular mesmo com a presença de Guerra, liberado para voltar a São Paulo em razão de um acidente com o filho. Sem a principal referência técnica e criativa do time, a presença de Borja saltou ainda mais aos olhos: com o desfalque do venezuelano o time ficaria mais lento, mais previsível, cadenciado, ao ritmo de Zé Roberto, o que aumentaria a responsabilidade do seu atacante fora de órbita, escalado ao invés da velocidade de Roger Guedes ou Keno, ou de uma chance ao meia Raphael Veiga.

Borja nada fez. Nem procurou.

Após mais uma atuação constrangedora do colombiano, podemos ponderar o esquema tático (o famoso: a bola não chega!), uma provável comparação com Gabriel Jesus, o tempo para se acostumar com o novo país, a pressão por ter custado tanto dinheiro, o fato de ter só 24 jogos (15 como titular) pelo clube, num início de adaptação no primeiro semestre de um contrato de cinco anos. Todos esses poréns são válidos, e Borja, como todo artilheiro – incríveis 39 gols em 2016, contrastando com 13 em 2015 e só 14 nas temporadas somadas antes disso -, pode desencantar a qualquer momento e carregar o Palmeiras nas três competições. Tem 7, joga num time grande e pode terminar o ano com 20, 30, 40 gols, quem sabe?

Mas tem uma coisa anterior a isso, outra camada, que independe dos fatores citados acima: Borja é mais devagar e menos técnico do que todos pensavam. Isso é fato. Tem dificuldade em proteger a bola contra defensores comuns, atrapalha contra-ataques, tropeça mais do que parecia pela TV. Aí não tem posição, esquema, perto ou longe da área, sequência. Tem o cara, o jogo e a bola, relação primária, coisa de peneira de adolescente – você bater o olho e ver onde tem samba e onde tem canela. Essa primeira vista é assustadora. A presença de Miguel Borja nos quase 80 minutos em campo no Equador é pavorosa.

Assim, pelo que custou, pelo que custa, pelo momento do clube e pela megalomania dos investimentos, Borja tem pinta de maior mico da história do Palmeiras, ainda que só dependa dele mesmo para reverter o quadro. Aliás, tem tempo e condições ideais para isso – bom salário, estádio cheio, clube estruturado, apoio dos companheiros. Reforço: pode virar o jogo, e lembro Dudu, por exemplo, que começou no clube com atuações que nem de perto pareciam o que viria a ser nos títulos em 2015 e 2016.

A questão é saber se tem capacidade e força para isso. “Mas, ah, ele é jogador de área!”. Que corra mais, abra espaços, ajude. “Ah, no Atlético Nacional o time era arrumadinho”. Que trabalhe para arrumar esse, oras. “Ah, o Cuca não gosta de 9 que jogue parado!”. Convença o técnico, se reinvente, se vire! Se Borja não tem culpa de ter custado tanto e ser pintado como o 9 das Américas, que ao menos encontre outra identidade. Mas se é com essa “obsessão”, como cantam clube e torcida, que se joga um mata-mata de Libertadores, olha…

Por enquanto, a prateleira é a do folclore dos micos. Tipo Neto por Ribamar, ou aquele empresário do mercado de vinhos que colocou 2 milhões de euros no Valdívia. A chance no time titular em Guayaquil passou como um grande vazio. Veremos como reage, ou não, nessa sequência que vai dar nas decisões contra Cruzeiro e Barcelona. Acho, puro palpite, que assistindo do banco de reservas.


Alemanha, o país do futebol, chega a mais uma decisão
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juliogomes

Eu tenho alguns arrependimentos na vida. O maior deles, não ter escrito um livro com o amigo Sérgio Patrick e que estava prontinho para ser escrito. Pesquisas e entrevistas feitas. Faltou disciplina, talvez coragem. A ideia de título para o livro, em 2013, era: “O Brasil não é o país do futebol”. Conforme as pesquisas avançaram, identificamos que havia um claríssimo país do futebol: a Alemanha. O livro se chamaria: “Por que a Alemanha (e não o Brasil) é o país do futebol”. Faltava um ano para o 7 a 1.

Não escreverei o livro-que-não-escrevi aqui. Mas, simplificando, a Alemanha é o país do futebol por várias razões. Povo apaixonado e praticante do esporte, futebol inserido na sociedade, usado como forma de aproximação, integração e inserção social, campeonatos locais fortíssimos, ingressos acessíveis, estádios lotados, clubes financeiramente saudáveis, futebol de base tratado com o cuidado do de cima, busca do conhecimento teórico em todas as esferas dos esporte, formação de profissionais, seleção multicampeã em todas as categorias, inclusive futebol feminino.

O futebol alemão não tem brechas. Você não encontrará NENHUM outro futebol do mundo que atenda com glória todos os pontos acima, entre outros.

E, nesta quinta, com um time super renovado, cheio de caras novas, pensando muito mais na Copa do Mundo de 2022 do que na de 2018, a Alemanha passou por cima do México. 4 a 1. Vai disputar a final da Copa das Confederações contra o Chile.

E aí, será que “vamos” celebrar mais uma “talentosa geração da Alemanha”?

Mais uma? Que sorte eles têm, hein. É geração talentosa atrás de geração talentosa! Os que analisam assim são os mesmos, possivelmente, que diziam que “o problema da seleção brasileira é que a atual geração é ruim”. Incrível, ficou boa com Tite.

Não tem sorte e azar não, amigas e amigos. Tem trabalho. Planejamento. Responsabilidade. Tudo o que nós não temos em nosso combalido país quando se trata de futebol (a seleção é a exceção que, infelizmente, nubla o resto).

A Alemanha fabrica jogadores de futebol desde que revolucionou seu modo de ver a base, lá no ano 2000, após o fracasso naquela Euro. A consagração veio na Copa de 2014, a dos 7 a 1. O placar não refletia a diferença técnica entre Alemanha e Brasil. Mas refletia perfeitamente a diferença entre o futebol de lá e o daqui, como um todo. E segue refletindo.

Enquanto aqui no nosso Brasileirão vemos técnicos degolados, maratona de jogos, clubes quebrados, dirigentes atuando com a mesma racionalidade de torcedores em redes sociais, na Copa das Confederações vemos a Alemanha mandar um time B. Vemos a Alemanha pensando dois passos adiante. Descansando jogadores experientes e dando bagagem aos mais novos.

A Alemanha pode até perder a final de domingo para o Chile. Acho até que perderá. O Chile vive o melhor momento de sua história, tem uma geração campeã, de jogadores acima da média e que compreendem a importância desse título. O torcedor chileno (mais de 12 mil foram à Rússia) percebe o momento histórico, os jogadores também.

Mas o que importa?

Será que o futebol não é mais do que ganhar ou perder? Ninguém joga para perder, isso é básico, mas será que só importa mesmo vencer? Será que o que vale é vencer, não importam os meios? Não é mais bacana vencer sem a influência do acaso?

Nada do que acontece com o futebol da Alemanha é por acaso. Nem mesmo uma final com um time de vinte e poucos anos de média. Aliás, bom notar que a seleção sub-21 está na final europeia contra a Espanha. A Alemanha agregou talento, conhecimento, paixão a sua já conhecida mentalidade competitiva.

Sabem qual a imagem mais bacana da goleada sobre o México? Não, não são os gols de Goretzka, as boas defesas de Ter Stegen ou os dribles de Draxler. A imagem é o pênalti que Werner sofre ao ser empurrado por trás. Mas ele se recusa a cair, tenta fazer o gol e depois xinga o árbitro. A mentalidade é se dar bem por méritos próprios, não depender dos outros.

O futebol é muito dinâmico. Copas do Mundo são torneios curtíssimos, qualquer um pode ganhar ano que vem (meu favorito é o Brasil). Em pouco tempo, muitos países podem alcançar a Alemanha. Mas, hoje, eles estão dando um banho na concorrência, inclusive europeia.

A Alemanha segue dando aulas. Só não aprende quem não quer.