Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Futebol brasileiro

Borja é um grande mico. Vai deixar de ser?
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O texto abaixo foi escrito pelo amigo Paulo Junior, do canal de podcasts Central 3, que, entre outras maravilhas, tem o semanal “Zé no Rádio”, com José Trajano. Junior, assim como Trajano e este escriba, é um ex-ESPN. Um desiludido com o futebol moderno. E, assim como eu, enxerga o colombiano Miguel Borja caminhando a passos largos para se transformar no maior mico da história palmeirense. O blog agradece desde já ao amigo pelo texto. E assina embaixo.

Leia também, sobre o jogo de quarta: Palmeiras podia ter vencido, mas Cuca errou e preferiu jogar com 10

***

Borja, a contratação mais cara da história do Palmeiras, jamais poderá reclamar de má vontade da torcida: contra o Cruzeiro, há uma semana, quando foi a campo no intervalo e com o time perdendo por 3 a 0, era aplaudido por devolver arremesso de lateral de Tchê Tchê ou Egídio, aquela cobrança de protocolo, no pé bom para o centroavante chapar de volta e correr para a área.

Dali foi elogiado por parecer mais interessado que de costume, de certa forma contagiado por um time que perdia em casa por três gols e buscou o empate na pressão. Fez um jogo ligado, sim, ainda que continuasse errando lances fáceis, apanhando da bola em alguns momentos.

Uma semana antes, tinha marcado o gol da vitória contra o Atlético-GO, jogo em que Cuca revelou a um amigo depois do placar magro: não tem um centroavante melhor que esse para indicar, não? O treinador do clube mais agressivo do mercado se mexeu, claro. Tentou Richarlison, tenta Diego Souza. A torcida tem que apoiar, óbvio. Mas, internamente, Borja é uma coisa que o técnico segue tentando entender.

Nessa semana, jogou contra o Grêmio em jornada de poupados e ganhou nova chance contra o Barcelona, no Equador. Pelos relatos dos setoristas, seria titular mesmo com a presença de Guerra, liberado para voltar a São Paulo em razão de um acidente com o filho. Sem a principal referência técnica e criativa do time, a presença de Borja saltou ainda mais aos olhos: com o desfalque do venezuelano o time ficaria mais lento, mais previsível, cadenciado, ao ritmo de Zé Roberto, o que aumentaria a responsabilidade do seu atacante fora de órbita, escalado ao invés da velocidade de Roger Guedes ou Keno, ou de uma chance ao meia Raphael Veiga.

Borja nada fez. Nem procurou.

Após mais uma atuação constrangedora do colombiano, podemos ponderar o esquema tático (o famoso: a bola não chega!), uma provável comparação com Gabriel Jesus, o tempo para se acostumar com o novo país, a pressão por ter custado tanto dinheiro, o fato de ter só 24 jogos (15 como titular) pelo clube, num início de adaptação no primeiro semestre de um contrato de cinco anos. Todos esses poréns são válidos, e Borja, como todo artilheiro – incríveis 39 gols em 2016, contrastando com 13 em 2015 e só 14 nas temporadas somadas antes disso -, pode desencantar a qualquer momento e carregar o Palmeiras nas três competições. Tem 7, joga num time grande e pode terminar o ano com 20, 30, 40 gols, quem sabe?

Mas tem uma coisa anterior a isso, outra camada, que independe dos fatores citados acima: Borja é mais devagar e menos técnico do que todos pensavam. Isso é fato. Tem dificuldade em proteger a bola contra defensores comuns, atrapalha contra-ataques, tropeça mais do que parecia pela TV. Aí não tem posição, esquema, perto ou longe da área, sequência. Tem o cara, o jogo e a bola, relação primária, coisa de peneira de adolescente – você bater o olho e ver onde tem samba e onde tem canela. Essa primeira vista é assustadora. A presença de Miguel Borja nos quase 80 minutos em campo no Equador é pavorosa.

Assim, pelo que custou, pelo que custa, pelo momento do clube e pela megalomania dos investimentos, Borja tem pinta de maior mico da história do Palmeiras, ainda que só dependa dele mesmo para reverter o quadro. Aliás, tem tempo e condições ideais para isso – bom salário, estádio cheio, clube estruturado, apoio dos companheiros. Reforço: pode virar o jogo, e lembro Dudu, por exemplo, que começou no clube com atuações que nem de perto pareciam o que viria a ser nos títulos em 2015 e 2016.

A questão é saber se tem capacidade e força para isso. “Mas, ah, ele é jogador de área!”. Que corra mais, abra espaços, ajude. “Ah, no Atlético Nacional o time era arrumadinho”. Que trabalhe para arrumar esse, oras. “Ah, o Cuca não gosta de 9 que jogue parado!”. Convença o técnico, se reinvente, se vire! Se Borja não tem culpa de ter custado tanto e ser pintado como o 9 das Américas, que ao menos encontre outra identidade. Mas se é com essa “obsessão”, como cantam clube e torcida, que se joga um mata-mata de Libertadores, olha…

Por enquanto, a prateleira é a do folclore dos micos. Tipo Neto por Ribamar, ou aquele empresário do mercado de vinhos que colocou 2 milhões de euros no Valdívia. A chance no time titular em Guayaquil passou como um grande vazio. Veremos como reage, ou não, nessa sequência que vai dar nas decisões contra Cruzeiro e Barcelona. Acho, puro palpite, que assistindo do banco de reservas.


Alemanha, o país do futebol, chega a mais uma decisão
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Eu tenho alguns arrependimentos na vida. O maior deles, não ter escrito um livro com o amigo Sérgio Patrick e que estava prontinho para ser escrito. Pesquisas e entrevistas feitas. Faltou disciplina, talvez coragem. A ideia de título para o livro, em 2013, era: “O Brasil não é o país do futebol”. Conforme as pesquisas avançaram, identificamos que havia um claríssimo país do futebol: a Alemanha. O livro se chamaria: “Por que a Alemanha (e não o Brasil) é o país do futebol”. Faltava um ano para o 7 a 1.

Não escreverei o livro-que-não-escrevi aqui. Mas, simplificando, a Alemanha é o país do futebol por várias razões. Povo apaixonado e praticante do esporte, futebol inserido na sociedade, usado como forma de aproximação, integração e inserção social, campeonatos locais fortíssimos, ingressos acessíveis, estádios lotados, clubes financeiramente saudáveis, futebol de base tratado com o cuidado do de cima, busca do conhecimento teórico em todas as esferas dos esporte, formação de profissionais, seleção multicampeã em todas as categorias, inclusive futebol feminino.

O futebol alemão não tem brechas. Você não encontrará NENHUM outro futebol do mundo que atenda com glória todos os pontos acima, entre outros.

E, nesta quinta, com um time super renovado, cheio de caras novas, pensando muito mais na Copa do Mundo de 2022 do que na de 2018, a Alemanha passou por cima do México. 4 a 1. Vai disputar a final da Copa das Confederações contra o Chile.

E aí, será que “vamos” celebrar mais uma “talentosa geração da Alemanha”?

Mais uma? Que sorte eles têm, hein. É geração talentosa atrás de geração talentosa! Os que analisam assim são os mesmos, possivelmente, que diziam que “o problema da seleção brasileira é que a atual geração é ruim”. Incrível, ficou boa com Tite.

Não tem sorte e azar não, amigas e amigos. Tem trabalho. Planejamento. Responsabilidade. Tudo o que nós não temos em nosso combalido país quando se trata de futebol (a seleção é a exceção que, infelizmente, nubla o resto).

A Alemanha fabrica jogadores de futebol desde que revolucionou seu modo de ver a base, lá no ano 2000, após o fracasso naquela Euro. A consagração veio na Copa de 2014, a dos 7 a 1. O placar não refletia a diferença técnica entre Alemanha e Brasil. Mas refletia perfeitamente a diferença entre o futebol de lá e o daqui, como um todo. E segue refletindo.

Enquanto aqui no nosso Brasileirão vemos técnicos degolados, maratona de jogos, clubes quebrados, dirigentes atuando com a mesma racionalidade de torcedores em redes sociais, na Copa das Confederações vemos a Alemanha mandar um time B. Vemos a Alemanha pensando dois passos adiante. Descansando jogadores experientes e dando bagagem aos mais novos.

A Alemanha pode até perder a final de domingo para o Chile. Acho até que perderá. O Chile vive o melhor momento de sua história, tem uma geração campeã, de jogadores acima da média e que compreendem a importância desse título. O torcedor chileno (mais de 12 mil foram à Rússia) percebe o momento histórico, os jogadores também.

Mas o que importa?

Será que o futebol não é mais do que ganhar ou perder? Ninguém joga para perder, isso é básico, mas será que só importa mesmo vencer? Será que o que vale é vencer, não importam os meios? Não é mais bacana vencer sem a influência do acaso?

Nada do que acontece com o futebol da Alemanha é por acaso. Nem mesmo uma final com um time de vinte e poucos anos de média. Aliás, bom notar que a seleção sub-21 está na final europeia contra a Espanha. A Alemanha agregou talento, conhecimento, paixão a sua já conhecida mentalidade competitiva.

Sabem qual a imagem mais bacana da goleada sobre o México? Não, não são os gols de Goretzka, as boas defesas de Ter Stegen ou os dribles de Draxler. A imagem é o pênalti que Werner sofre ao ser empurrado por trás. Mas ele se recusa a cair, tenta fazer o gol e depois xinga o árbitro. A mentalidade é se dar bem por méritos próprios, não depender dos outros.

O futebol é muito dinâmico. Copas do Mundo são torneios curtíssimos, qualquer um pode ganhar ano que vem (meu favorito é o Brasil). Em pouco tempo, muitos países podem alcançar a Alemanha. Mas, hoje, eles estão dando um banho na concorrência, inclusive europeia.

A Alemanha segue dando aulas. Só não aprende quem não quer.


Corinthians é a primeira força (até que se prove o contrário)
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O Corinthians não perde. E times que não perdem, adivinhem só, ganham campeonatos. Se o Corinthians não perdeu do belíssimo time do Grêmio, com 50 mil pessoas empurrando, vai perder de quem?

Próximos jogos? Botafogo e Ponte Preta em casa. Depois disso, dérbi com o Palmeiras no Allianz Parque. E atenção! A Ferroviária não está na Série A. Foi o último time a ganhar do Corinthians, três meses atrás.

Aqui em São Paulo, muito se ironizou pelo fato de algumas pessoas colocarem o Corinthians, no começo do ano, como a quarta força do Estado. Era normal considerar Palmeiras e Santos superiores, vinham de um Brasileiro muito bom, times prontos. O Corinthians estava abaixo mesmo desses dois, na teoria.

Na prática, foi lá e ganhou o Campeonato Paulista. Derrotou a Ponte Preta, que havia derrotado Santos e Palmeiras. Chegou ao Brasileiro ainda com desconfiança, inclusive deste blog. Me parecia um time muito bem montado, organizado, mas enxuto e sem grandes fazedores de diferença. Um time para G4, não para título.

Mas, depois da vitória sobre o Grêmio, a primeira na Arena, a primeira em Porto Alegre desde 2011 (ano de título), o Corinthians precisa ser considerado a primeira força do Campeonato Brasileiro. É o time a ser batido.

Já está quatro pontos na frente do Grêmio, dez na frente dos terceiros colocados. Já é campeão? Claro que não. Mas, com um quarto de campeonato transcorrido, o Corinthians se posiciona como favorito maior ao título. Os outros que corram atrás.

O primeiro tempo de Grêmio e Corinthians foi espetacular. Fazia tempo que o futebol brasileiro não nos brindava com um jogo tão bem jogado. Dentro de seus estilos, os dois times fizeram a bola rolar, não bateram, foram leais, não ficaram reclamando com arbitragem, tiveram algumas chances. Até o juiz foi perfeito, ao não dar um pênalti inexistente em Fágner. Só faltou mesmo o gol.

E o gol saiu no começo do segundo tempo. Grande arrancada de Paulo Roberto, um dos melhores em campo, herói improvável. Na defesa, foi um inferno na vida de Luan, não dando o espaço entre linhas que o gremista tanto gosta. No ataque, em um lance parecido ao do gol, ele quase marcou no primeiro tempo. No segundo, serviu Jô, que fez o corta-luz para Jadson marcar.

Falha de Marcelo Grohe. Por mais que o chute tenha sido à queima-roupa, não pode levar gol no meio das canetas.

Se Grohe será criticado, o que dizer de Cássio? Foi o nome de um jogo e faz Luan despencar na lista de melhores do campeonato. Porque, se Luan foi o nome das nove primeiras rodadas, brilhando nas sete vitórias gremistas, foi péssimo no jogo mais importante até agora.

Pelo pênalti perdido, batido de forma displicente? Também, mas não só. Minutos antes, perdeu um gol que não pode perder dentro da pequena área, defendido por Cássio. Tomou decisões erradas, errou bolas importantes, foi francamente mal.

O Corinthians é um time difícil de ser batido porque é extremamente disciplinado taticamente. Não é um time que só se defende. É um time parecido com os de José Mourinho. Defende-se muito bem, fechas os espaços importantes do campo, não comete erros bobos e, quando retoma a bola, se movimenta com velocidade e deslocamentos treinados e pensados. Ninguém corre à toa.

O Grêmio começou o jogo com ímpeto, mas pouco a pouco o jogo vai ficando chato para o adversário. Ele não encontra espaços, começa a tentar coisas que não tentaria novamente, comete erros. Perde o foco. E, neste exato momento, o Corinthians vai lá e mata.

 


Depois das cenas horrorosas de Curitiba, por que temos futebol hoje?
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A cena da agressão de alguns “torcedores” do Coritiba a um homem caído no chão é de dar dor de barriga. Quer dizer, tem gente que gosta. Eu não. Não há nada mais horroroso que a violência humana. O que leva uma pessoa a dar seguidos pisões e chutes na cabeça de outro caído?

Não há briga de torcida ou ódio que se justifique. E está longe, muito longe de ser uma cena inédita.

Independente do que aconteça com o torcedor corintiano agredido. Ou quem começou. Independente de qualquer argumento. A pergunta que fica é: por que raios teve um jogo de futebol depois disso?

“Ah, Julio, não podem ser punidas milhares de pessoas por causa da imbecilidade de alguns”.

E eu respondo: sim, podem sim. Enquanto a sociedade continuar sendo conivente, seguiremos vendo cenas de violência em dias de futebol.

Porque as torcidas organizadas são (ou viraram ou sempre foram, sei lá) apenas instituições que encobrem crimes e criminosos.

Lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, vendas ilegais. Quem quiser cutucar, encontra de tudo. E pessoas violentas usam as torcidas para fazer o que gostam: machucar outros. Se uma pessoa resolver chutar a cabeça de outra na rua, possivelmente ela será presa e arcará com as consequências. Em um jogo de futebol, ou escondidos dentro de manadas, elas podem fazer o que querem sem consequência alguma. Tudo é colocado sob o guarda-chuva “briga de torcidas”.

Como se fosse a paixão por um clube (ou o suposto ódio ao outro) que gerasse esse tipo de cena que vimos no domingo. Ou esta imagem clicada abaixo pelo amigo Leonardo Bessa.

Quantos dos animais de hoje estavam naquela batalha épica no gramado do Couto Pereira naquele Coritiba x Fluminense? E quantos dos corintianos dentro daqueles ônibus não estiveram envolvidos em algo parecido? Estamos falando de todos os clubes, de todas as torcidas-facções. Uma cena que se repete em looping.

É inacreditável que Coritiba e Corinthians tenham entrado em campo. Aliás, nada mais justo que um 0 a 0, porque não é possível que alguém pudesse comemorar alguma coisa hoje em Curitiba.

E é inacreditável que o resto da rodada seja realizado neste domingo.

Ah, mas tem o calendário. Ah, mas tem ingressos vendidos. Ah, mas pessoas viajaram para ver os jogos. Não importa. NÃO IMPORTA.

A sociedade precisa dar um basta. Os clubes, em sua maioria coniventes, parceiros ou, no mínimo, omissos em relações às facções autodenominadas torcidas organizadas, precisam criar vergonha na cara.

Jogos com torcida única, proibição de sinalizadores… estamos cansados de medidas paliativas e que nada resolvem. O poder público tem a obrigação de desmantelar as torcidas organizadas, inclusive cortar na carne, porque deve ter muito mais gente envolvida aí do que imaginamos – estou falando até de esferas públicas.

Em dias como hoje, não é possível ter futebol. Só medidas radicais, que incomodem muita gente, farão com que o problema seja realmente resolvido.


Quartas da Copa do Brasil: sem clássicos regionais e só um favorito
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O sorteio das quartas de final da Copa do Brasil, realizado nesta segunda-feira, gerou clássicos históricos do futebol brasileiro. Mas não apontou nenhum clássico estadual e ainda colocou mineiros e paulistas em lados opostos da chave.

De um lado da chave, estão Atlético Mineiro x Botafogo e Flamengo x Santos. Do outro lado, estão Grêmio x Atlético-PR e Palmeiras x Cruzeiro.

Jogam em casa a primeira partida Atlético, Flamengo, Grêmio e Palmeiras. Ou seja, Botafogo, Santos, Atlético-PR e Cruzeiro decidem as quartas de final em casa.

É difícil prever qualquer coisa, já que os jogos de ida serão realizados só no final de junho, enquanto as partidas de volta ocorrem entre final de julho e início de agosto. Até lá, muita coisa pode acontecer com os times envolvidos – e seis dos oito estarão disputando mata-mata da Copa Libertadores no meio do caminho.

Clássicos de Minas ou de São Paulo só podem ocorrer em uma eventual decisão. Atlético e Cruzeiro decidiram a Copa do Brasil em 2014 (com título do Galo), enquanto Palmeiras e Santos fizeram a final de 2015 (título palmeirense). A final do ano passado, em que o Grêmio bateu o Atlético Mineiro, também pode ser repetida.

Já um eventual clássico carioca pode ocorrer na semifinal caso Flamengo e Botafogo passem por Santos e Atlético-MG, respectivamente.

Favorito (pelo menos hoje)

O Grêmio, maior campeão da Copa do Brasil (cinco títulos), é quem, no papel, teve o melhor sorteio. Enfrenta um Atlético-PR que ainda não se acertou e tem um ponto no Brasileiro. Além de ter um retrospecto muito bom contra o Furacão, inclusive na temida Arena da Baixada.

Na temporada passada, o Grêmio eliminou o Atlético-PR nas oitavas de final. Ganhou por 1 a 0 em Curitiba (ainda com Roger), perdeu por 1 a 0 em Porto Alegre (justamente na reestreia de Renato Gaúcho), mas avançou nos pênaltis. O Grêmio já venceu o Atlético em Curitiba por 2 a 0, no último dia 21 de maio, pela segunda rodada do Brasileiro. Foi a terceira vitória gremista nas últimas quatro visitas à Arena da Baixada.

Ao contrário de outros grandes do futebol brasileiro que sofrem demais na Baixada, como São Paulo e Flamengo, o Grêmio se sente à vontade quando joga em Curitiba.

O Atlético-PR, além de ter a vantagem de decidir a partida de volta em casa, pode lembrar da única vez que chegou a uma final, em 2013, quando perdeu para o Flamengo. Naquela campanha, eliminou o Grêmio na semifinal.

Dos oito quadrifinalistas, o outro, além do Furacão, que nunca foi campeão do torneio é o Botafogo – perdeu a final de 1999 para o Juventude. Mas o Botafogo tem um bom retrospecto recente em mata-mata contra seu adversário das quartas e já eliminou o Galo da Copa do Brasil três vezes (07, 08 e 13) e da Copa Sul-Americana duas vezes (08 e 11).

O Flamengo, campeão três vezes (a última delas em 2013), pega um Santos que tem uma Copa do Brasil em sua história (2010).

Já o confronto com mais taças reunidas será entre Cruzeiro (quatro títulos, último em 2003) e Palmeiras (três títulos, último em 2015). Em 2015, o Palmeiras eliminou o Cruzeiro nas oitavas rumo ao título. No entanto, desde 2009, só venceu uma vez o rival mineiro em 12 confrontos pelo Brasileirão.

 


Brasileiro já começa com uma ‘final’ entre dois favoritos
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Fazer prognósticos no Brasileirão é sempre um grande desafio. Se não é lá grandes coisas tática e tecnicamente, o campeonato pode presumir de ser o mais imprevisível e equilibrado do mundo. Qualquer um pode ganhar de qualquer um, são muitos times de tradição, muitas camisas pesadas. E, ao longo do ano, muitas trocas de técnicos e jogadores.

Esta é a grande maravilha do Brasileirão. O equilíbrio.

A priori, este blog considera Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras, nesta ordem, os três candidatos principais ao título. E o primeiro jogo do campeonato é logo entre Fla e Galo! Lá na frente, poderemos olhar para ele com lupa quando os times estiverem disputando a ponta – ou não.

Porque, afinal, o Corinthians vem forte. O Cruzeiro, apesar do momento turbulento, tem um técnico para lá de provado nos pontos corridos. O Santos, atual vice-campeão, não pode ser descartado se mantiver o elenco intacto. Tem Grêmio, tem Botafogo…

Aqui no blog faremos os prognósticos de todos os jogos do campeonato. Vamos ver no que vai dar!

SÁBADO

16h Flamengo 1 x 1 Atlético-MG
O Flamengo tem um jogo duro na Argentina pela Libertadores, quarta-feira, e pode preservar algum jogador que esteja no limite físico. O Atlético tem dois desfalques na defesa (Marcos Rocha e Léo Silva), mas o técnico Roger reforçará o meio com três volantes. O Atlético vai ao Rio para buscar um empate.

19h Corinthians 1 x 0 Chapecoense
O Corinthians vem embalado pelo título paulista e a classificação na Sul-Americana. O time está funcionando, e Rodriguinho vive grande fase. Já a Chapecoense, apesar do título catarinense, ganhou só um de seus últimos sete jogos. Levou 4 na Colômbia no meio de semana. Já conseguiu empatar nas duas visitas que fez a Itaquera, mas desta vez será difícil evitar a derrota.

DOMINGO

11h Fluminense 1 x 2 Santos
Apenas um empate nos últimos 17 duelos entre eles, e o Santos costuma beliscar vitórias no Rio. O jovem time do Flu começou bem a temporada, mas sente a falta de Scarpa e, no meio de semana, sofreu para sair do Uruguai classificado na Sul-Americana. Já o Santos foi a Belém e venceu bem o Paysandu pela Copa do Brasil, o time evoluiu desde o início da temporada. Está embalando, jogando melhor. Se não perder seus melhores jogadores, é candidato a título.

16h Palmeiras 2 x 2 Vasco
A última vez que o Palmeiras venceu o Vasco como mandante foi em 2008. No único jogo entre eles no Alliaz Parque, em 2015, deu Vasco. O time cruzmaltino melhorou com o técnico Milton Mendes, e o Palmeiras tem a reestreia de Cuca em busca do bicampeonato. Algo me diz que vai dar zebra.

16h Cruzeiro 2 x 1 São Paulo
O jogo da depressão. O Cruzeiro, derrotado no Mineiro, caiu também na Sul-Americana. O São Paulo, depois de 18 dias de treinos, apresentou futebol pobre e também foi eliminado da Sul-Americana, pelo minúsculo Defensa y Justicia da Argentina. Crise dos dois lados. Recentemente, o Cruzeiro eliminou o São Paulo da Copa do Brasil, mas perdeu o jogo do Mineirão. A experiência de Mano Menezes e um time melhor que o do adversário farão a diferença na estreia, ainda que o São Paulo tenha ótimo retrospecto histórico contra o Cruzeiro em BH.

16h Bahia 1 x 0 Atlético-PR
O Atlético chega ao jogo com cinco desfalques e uma série de quatro jogos sem vitórias – perdeu em casa e está por um fio na Libertadores e perdeu o Paranaense para o Coritiba.

16h Ponte Preta 2 x 0 Sport
Após a linda campanha no Paulista, a Ponte perdeu seu artilheiro, Pottker. O Sport tem oito desfalques, vem de uma classificação dramática e emocionalmente cansativa na Sul-Americana no Uruguai (perdeu por 3 a 0 do Danubio e avançou nos pênaltis) e ainda joga pela Copa do Nordeste na outra semana. A Ponte é favorita.

16h Avaí 1 x 1 Vitória
O Avaí volta à primeira divisão com a intenção de permanecer. O Vitória estreia o técnico Petkovic e tem desfalques.

19h Grêmio 2 x 1 Botafogo
Mais um clássico. Nos últimos 20 anos, o Grêmio ganhou dez e perdeu só duas vezes do Botafogo em Porto Alegre – a última, ano passado. São dois times em posição confortável na Libertadores, mas que não triunfaram nos Estaduais. Equilíbrio. Fator casa pode fazer a diferença.

SEGUNDA

20h Coritiba 1 x 0 Atlético-GO
O Coxa vem embalado pelo título estadual. O Atlético conseguiu um bom empate com o Flamengo pela Copa do Brasil e mostrou-se um time arrumado defensivamente.


Futebol brasileiro segue moendo técnicos sem dó
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Técnicos são demitidos em muitos países. É normal vermos treinadores caírem também no “primeiro mundo da bola”. Mas é surreal o que acontece no Brasil.

O Campeonato Brasileiro nem começou, e vários times já demitiram treinadores. O último, o Palmeiras, que manda Eduardo Baptista embora poucos meses depois de contratá-lo.

O que esperam de um profissional em 3 ou 4 meses de trabalho?

OK, OK. O Palmeiras com Baptista não engrenou. Faz uma primeira fase da Libertadores cheia de emoções, gols no fim, drama. Mas, ainda assim, iria e vai se classificar.

No Paulistão, fez a melhor campanha da primeira fase. Ganhou clássicos. Foi eliminado na semifinal pela Ponte Preta. OK, não estava nos planos. Mas a Ponte é um time de Série A, oras. O Palmeiras ganhou UM Paulistão em 21 anos. Não é exatamente que o campeonato seja uma baba, que o Palmeiras ganhe toda hora.

E o Palmeiras não é o Real Madrid. Sim, bom elenco, bons nomes, mas calma lá. Não existe essa diferença toda que muitos querem ver para outros elencos do Brasil.

Borja e Guerra chegaram de outros países, é necessário tempo. Moisés se machucou, Tchê Tchê se machucou.

Não foi o técnico que foi expulso com 10 minutos de jogo contra o Tucumán na Argentina. Não foi o técnico que perdeu os gols que os caras perderam contra o Peñarol em São Paulo. Não foi o técnico que fez uma besteira atrás da outra contra a Ponte em Campinas.

O que exatamente quem contratou Eduardo Baptista esperava?

“Resultados” seria uma resposta cretina. A temporada mal começou, o mais importante ainda não foi jogado. “Desempenho” seria uma resposta ampla demais. E não se atinge desempenho, mudando um jeito de jogar, da noite para o dia.

O Palmeiras jogava tão bonito assim como Cuca no Brasileiro? Não, não jogava. Arrancou os resultados, foi campeão, parabéns. Mas não era um futebol inesquecível, de encher os olhos.

O estilo de Baptista ver futebol é completamente diferente. Entende-se, portanto, que sua contratação devia-se a um desejo de retomar um estilo antigo e histórico do Palmeiras. Se a ideia era seguir no “estilo Cuca”, então que fosse contratado outro treinador.

Quem contratou Eduardo Baptista precisava vir a público e explicar algumas coisas. O que exatamente se esperava dele e o profissional não entregou? Quanto a demissão vai custar para os cofres do Palmeiras?

Treinadores, de alguma forma, merecem. São vítimas em muitos casos, mas também se aproveitam. Sabem que uma demissão será sempre seguida de uma contratação. Incapazes de se unir para mudar as coisas. Do outro lado, dirigentes ou atuam como torcedores (o que são, passionais e imediatistas) ou jogam pra torcida (pela própria sobrevivência).

Não é possível que o futebol brasileiro siga funcionando como uma máquina de moer carne. Não é saudável, não é correto com os profissionais, não é correto com as finanças dos clubes. É muito amadorismo.

 


Sobre Felipe Melo, Bolsonaro e a truculência que não leva a nada
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Eu tinha prometido a mim mesmo não falar mais da pancadaria do Peñarol x Palmeiras, de Felipe Melo, de brigas, etc. Mas duas coisas me levam a escrever um pouquinho mais. Primeiro, o vídeo divulgado pelo Palmeiras, que mostra o início todo da confusão, mesmo que à distância. Depois, os vídeos de Felipe Melo apoiando Jair Bolsonaro para tomar conta do nosso combalido país.

Na semana passada, fiquei aturdido por duas razões.

Primeiro, tentando entender o que se passa na cabeça de uma pessoa que me ameaça somente porque eu emiti uma opinião diferente da dele. Recebi ameaças de morte em caixa pessoal de mensagens (todas nas mãos de quem deve estar, lógico). Recebi várias mensagens do tipo “vou te encher de porrada e aí vamos ver se você vai reagir”. Isso sem contar os xingamentos baixíssimos. Bloqueei mais de 500 pessoas, e bloquearei quantas mais for preciso, pois não quero qualquer tipo de relação com pessoas assim.

Não, eu não falei nada sobre a nação palmeirense, a história do clube, dos imigrantes, da Itália, da torcida, não ofendi honra coletiva, individual. Nada. Eu apenas critiquei Felipe Melo por ter desferido aqueles socos no jogador do Peñarol.

A segunda razão do meu susto foi a quantidade de gente que respeito, que considero ou sei que são pessoas do bem, elogiando e defendendo Felipe Melo. “Foi legítima defesa”, bradavam todos. “Lavou a alma dos brasileiros”, disseram alguns.

Foi com muita tristeza que li e vi alguns desses comentários.

Como eu disse em meu outro post sobre o tema, são devastadoras as consequências de imagens como aquelas. Pais “mostrando” para os filhos que é assim que se faz, filhos vendo a TV no dia seguinte e comentaristas esportivos dizendo “é isso mesmo, é assim que se faz”. A conivência generalizada da sociedade com a violência sob a fraca desculpa da legítima defesa. O que isso pode trazer de bom para uma sociedade já tão violenta como a nossa?

As imagens divulgadas pelo Palmeiras mostram algumas coisas.

Mostram, sim, que os uruguaios foram para cima de Felipe Melo logo de cara, quando o jogo acabou. Não foram para cima de outros. Foram para cima dele. Deu para ver também que, até o momento em que Felipe solta seus socos, os portões dos vestiários estavam abertos durante todo o tempo. Deu para ver também que Prass é atingido covardemente por três ou quatro. Não porque era o Prass, mas porque corria para tentar ajudar Felipe Melo e a confusão já tinha se generalizado.

Havia uma tensão monstra entre Felipe Melo e jogadores do Peñarol. O Palmeiras sabia disso, tanto que mandou alto contingente de seguranças. E ele sabia disso.

Assim que o juiz apita, levanta os braços. Não para comemorar, isso ficou nítido. Para louvar a Deus, dirá o Palmeiras em sua defesa. Tinha também algo do tipo “não quero briga”, pois ele mantém os braços levantados após o primeiro safanão.

Como todos sabem, quando um não quer, dois não brigam. Ele poderia tranquilamente ter se mandado na hora que o juiz apita. Apitou, vaza. Estava a uns 15 metros dos vestiários. Chegaria lá antes que qualquer jogador do Peñarol tivesse tempo de pensar na existência dele.

Mas não. Ele fica ali andando devagarinho com braços levantados. Para quê??

Chega um, chega outro, chega um terceiro, chega a turma do deixa disso, cria-se o empurra empurra. E, de novo, ele continua tendo chance de se mandar. O tempo inteiro ele poderia ter ido para o vestiário, escoltado por seus companheiros. Mas ele não se manda. Porque simplesmente não é isso o que ele queria. O que ele queria era mandar aqueles socos na cara de alguém.

Assim como três ou quatro jogadores do Peñarol também queriam briga. E, sem coragem de dar em Felipe Melo, deram covardemente nos coitados que estavam em volta. Prass apanhou por Melo. Outros apanharam por Melo. A briga não era deles.

Esse rapaz tem discurso violento e atitude violenta. Ele gosta de briga, gosta de resolver as coisas na força. Isso é cristalino.

E eu tenho direito de considerar isso ruim para a sociedade. E todo mundo tem direito de discordar de mim (sem agredir ou xingar).

E o capítulo de hoje, com o apoio a Bolsonaro e a mensagem do “pau nos vagabundos” deixa isso ainda mais claro para quem não quis ver antes.

Bolsonaro tem uma plataforma política baseada no confronto, na violência como solução para violência, na agressão aos que discordam dele e seus métodos, menosprezo pelas minorias historicamente massacradas, glorificação de homens que cometeram crimes bárbaros na ditadura, estado policial.

Um surfa em um momento de baixa estima da sociedade para com os políticos, pagando de honesto ainda que faça parte deste mesmo sistema político há décadas e como se não tivesse sido eleito por um dos partidos, o PP, que mais estão metidos no mar de lama de Brasília. O outro surfa na carência de ídolos no futebol brasileiro e em um momento em que jogadores de futebol são vistos como mercenários.

O jeito de ser de Felipe Melo em campo tem mesmo muito a ver com Bolsonaro. É a truculência no futebol. A truculência na política. Se não está comigo, é meu inimigo. E meu inimigo eu trato na porrada mesmo.

Exemplo: foi xingado de macaco? Que nojo. Isso é crime. Para mim, a atitude é ir para a delegacia. Para ele, a atitude é ir para o confronto. Eu sou um legalista, não um justiceiro.

Continuo considerando que o soco de Felipe Melo não teve nada de legítima de defesa. Foi uma atitude coerente de quem queria brigar. E de quem quer sempre brigar. No macro, ele é o grande culpado pelo que aconteceu no Uruguai. No micro, alguns energúmenos do Peñarol têm tanta ou mais culpa no cartório.

Sigo sem conseguir aplaudir soco na cara.

Sigo sem conseguir entender quem quer dar soco na cara em quem tem opinião diferente à sua.

Tenho certeza que muitos destes que perdem tempo na vida para ameaçar os outros fisicamente devem estar alinhados com Felipe politicamente. Devem achar mesmo que tem que dar “pau em vagabundo” (por vagabundo, entenda-se, quem vê o mundo de outro jeito). São pessoas muito violentas e pouco democráticas, que têm dificuldades em conviver com o diferente.

Violência nunca será resposta a nada, nunca será solução para nada.

Espero que este alinhamento de Felipe Melo com o que há de mais violento e truculento em nossa sociedade abra os olhos de algumas boas almas, especialmente colegas que influenciam a opinião pública, que defenderam o indefensável.


Nunca conseguirei aplaudir soco na cara
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juliogomes

Uau, a turma gosta de uma pancadaria, né? Nada como uma briga para unir time e torcida. Como critiquei Felipe Melo (também critiquei o Peñarol, jogadores, estádio, etc, mas isso não importa) após o quebra pau de Montevidéu, virei alvo no Twitter.

Essencialmente, aparecem para te xingar pessoas que colocam o nome do time substituindo ou como adendo ao próprio nome e que em sua foto de perfil colocam jogadores, estádios, escudo. Ou seja, time à frente da própria pessoa, da própria personalidade. Esses não me decepcionaram. São apenas acometidos de uma doença chamado fanatismo cego, acham que são a salvação do futebol, quando na verdade são o túmulo dele. Eles aparecerão por aqui nos comentários deste post. Não me decepcionam, apenas atendem (as baixas) expectativas.

O que me decepcionou foi tanta gente que respeito achar legítimo e normal o par de socos desferidos por Felipe Melo.

Antes de tentar entender o que aconteceu, eu lanço uma pergunta. E se Felipe Melo tivesse acertado em cheio o rosto do jogador uruguaio? Por força e velocidade, o rapaz possivelmente teria ficado estatelado ali no chão, sangrando com nariz quebrado. Teria sido melhor ou pior? Felipe Melo possivelmente estaria preso no Uruguai. Menos mal que não acertou.

Vamos tentar traçar uma cronologia dos fatos.

Impossível não falar da infeliz declaração do “tapa na cara de uruguaio”. Eu entendi perfeitamente, Felipe Melo usou uma figura de linguagem. Ele não estava sendo literal e inclusive se desculpou por isso depois. Mas é lógico que aquilo lá ficou anotado.

Depois, tivemos o jogo do Allianz Parque, com aqueles acréscimos eternos, a tensão, o antijogo do Peñarol que enervou time e torcida palmeirenses. Tivemos também Felipe Melo falando que foi chamado de “macaco”.

Eu sou radical quando o assunto é racismo. E sou também um pacifista radical. No meu ponto de vista, tudo, absolutamente TUDO pode ser resolvido sem agressão física. Obviamente, o ser humano não pensa assim. Não à toa, a história é contada através de guerras e basta sair em um sábado à noite para ver a quantidade de brigas nas ruas – em bares, discotecas, independente de lugar, classe social, cor, etc.

Então, se Felipe Melo foi chamado de macaco, deveria ter imediatamente parado o jogo. E seu agressor deveria estar enjaulado, que é o que ele merece.

A partida de quarta à noite não foi marcada pela violência durante 90 minutos. O Palmeiras estava mal armado no primeiro tempo, levou 2 a 0, Eduardo Baptista corrigiu no intervalo, voltou, virou para 3 a 2 de forma espetacular, ponto final. O Corinthians x São Paulo de domingo foi muito mais violento em campo.

Apito final, e aí começa a confusão.

Juntando tudo o que eu vi de imagens, em vídeo e também fotos, com algum toque de dedução (esse é o típico caso de interpretação, e cada um tem a sua), o que eu percebi.

Quando acaba o jogo, três ou quatro jogadores do Peñarol se dirigem a Felipe Melo, que está de braços levantados. Se Felipe Melo falou algo ao acabar o jogo ou se esses caras já tinham planejado fazer isso, só eles sabem. Tendo a considerar a segunda opção, por tudo o que tinha ocorrido antes, declarações, etc.

É aquela tirada de satisfações, que gera aquele empurra empurra de sempre. Quantas vezes não vimos isso no futebol? Fernando Prass se antecipa e já corre para defender seu companheiro.

Minha opinião: todas as perguntas na linha “o que você faria no lugar dele” se referem ao momento em que ele está sendo perseguido em campo. Eu transfiro a pergunta para este momento. O que eu faria no lugar dele?

Me mandaria, oras. Sai fora. Ele estava a poucos metros do túnel do vestiário. Os portões do vestiário foram abertos assim que o juiz apitou o final do jogo, como pode ser visto no vídeo com a imagem ampla ao final do jogo.

Se houve “emboscada”, como muitos disseram, ela só foi pensada depois. Porque, repito, assim que acaba o jogo, os portões dos vestiários são abertos.

Neste momento inicial da confusão, bastaria Felipe Melo dar um pique e IR EMBORA. Todos teriam feito o mesmo junto com ele, end of story.

Mas não, ele não vai embora. O rapaz tem histórico, não é mesmo? Basta ver suas declarações no passado e no presente. Felipe Melo faz questão de dizer que, se preciso for, para a porrada irá. Foi assim em todos os clubes por onde passou. E assim ele ganha torcidas. Porque torcidas e fanáticos adoram porrada.

Não discuto o futebol de Felipe Melo. Acho um grandíssimo jogador de futebol. Já defendi sua presença na seleção na Copa de 2014 e fui criticado por isso. Ele pode ser craque, bom pai, honesto, leal a quem trabalha com ele. Mas tem postura e discurso bélicos. Agressivos. Violentos. Alguém nega isso? Se negar, pode até parar de ler, sinceramente.

Com a postura de “não levar desaforo para casa”, de “bateu, levou”, ou melhor, “leve aqui uma antes para não me bater”, Felipe Melo é apenas mais um incentivador da violência, quando na verdade precisamos de mais e mais e mais inibidores da violência.

Por ser totalmente contrário a qualquer tipo de violência, fui “acusado” de: ser criado pela avó; tomar leite com pera; ter crescido no play do condomínio; ter apanhado na escola. Puxa. Feliz da sociedade formada de pessoas criadas pelas avós. Certamente é melhor que a sociedade do bullying, da violência, da agressão, da covardia, das coisas tratadas na marra, não no diálogo.

Sim, pelas imagens são os uruguaios que começam a confusão ali no apito final. Ou, na versão deles, continuam a confusão iniciada com a declaração do “tapa na cara”. São eles que começam, o que é lamentável, uma vergonha.

Mas, se eles quisessem realmente bater em Felipe Melo, teriam feito ali naquela hora do apito final, não?

Se o cara planeja dar um murro na cara de Felipe Melo, ele vai e dá. Eu apenas vi ali xingamentos, aquele empurra dali, encosta daqui (e, novamente, se houve ofensa racista, é de lá para a delegacia, não para o ringue).

E aí chegamos à parte 2. Felipe Melo vai recuando e sendo tirado pelos companheiros. Ele não corre para se mandar. Ele não corre para o vestiário. Ele corre com a postura corporal de quem quer brigar.

Um jogador do Peñarol corre atrás dele. Um baixinho, um tampinha, como eu. Que já teria batido nele (covardemente) antes, se quisesse fazê-lo. Felipe corria para trás, vários jogadores do Palmeiras estavam em volta e somente um do Peñarol.

Portanto, erra, a meu ver, quem fala que Felipe Melo desferiu aqueles socos “quando cercado por quatro ou cinco”, que “ele seria espancado” se não tivesse desferido os golpes. Não, ele não seria espancado. Como não foi antes e como não foi depois, quando verdadeiramente ficou encurralado no córner.

Ele poderia ter feito um milhão de coisas naquela situação. Corrido para o vestiário (de novo). E não, ele não sabia se o vestiário estava fechado ou não naquele momento.  Poderia ter dado um empurrão no tampinha. Poderia ter xingado de volta. Poderia ter se escorado nos vários coletes rosas palmeirenses a sua volta.

Mas não, ele desferiu dois socos que são uma imagem horrorosa. Um péssimo exemplo de como resolver as coisas.

Esqueçam o quem começou, quem acabou, etc, etc. E pensem apenas na imagem do soco. Uma criança vendo isso em casa. E o pai falando do lado “tem que bater antes de levar”. Pensem no desdobramento horroroso desta imagem e desta conclusão que vocês, que acham que os socos são legítima defesa. Uma pessoa bater na outra com a premissa de “melhor dar do que levar”.

Infelizmente, está sendo aplaudido por isso, inclusive por gente que eu admiro.

“O que você faria naquela situação?”, é o que mais me perguntaram. Certamente teria me mandado e não tentado socar o rapaz. Simples assim. Quando um não quer, dois não brigam, diz um dos mais sábios ditados da humanidade.

“Legítima defesa”, dizem. Defesa do quê exatamente? Ele não havia sofrido nenhuma agressão física até aquele momento. Nenhuma. No máximo, verbal.

Enquanto Felipe Melo corria para trás, quatro jogadores do Peñarol cercaram Fernando Prass e pelo menos dois deles acertaram o rosto do goleiro palmeirense.

Covardes. Uma vergonha. Precisam ser punidos por muitos jogos, a foto é um documento que precisa ser usado. Não sei se os socos em Prass ocorrem antes ou depois dos desferidos por Melo, acho que depois pela imagem, já que já estão no meio do campo e os outros estão correndo para o outro lado, onde estava Melo. Pouco importa.

Vi gente ousando criticar Borja por uma FOTO. Como se esse tipo de agressão não acontecesse em uma fração de segundos. Borja, na imagem em vídeo, é um dos primeiros a tentar tira Melo da confusão. Criticar quem está querendo acalmar as coisas. Típico.

Os jogadores agressores de Prass precisam ser punidos. Felipe Melo precisa ser punido. E o Peñarol precisa ser punido pela falta de segurança no estádio e, aí sim, pelos portões fechados dando ares de emboscada quando a violência se generalizou.

E esta é minha principal crítica a Felipe Melo. Sim, é achismo. Mas um achismo baseado em um milhão de outras confusões de fim de jogo que já vimos. Aquele empurra empurra não teria virado violência generalizada, não fosse o soco de Felipe Melo. Assim como naquele infame São Paulo x Palmeiras de 1994. Será que haveria o quebra pau generalizado, não fosse o soco na cara desferido por Edmundo?

Felipe Melo, depois do soco, que ainda bem ele não acertou, recuou até o córner. Um jogador do Peñarol chegou a pegar até a bandeirinha de escanteio para agredi-lo. Ainda bem, naquele momento apareceram os seguranças do clubes, uns poucos do estádio, Felipe conseguiu sair dali rapidamente. Sim, este foi o momento em que realmente ele estava encurralado. O único. E não, ele não foi espancado. E nem precisou socar ninguém para escapar dali, apenas dar alguns encontrões pelo caminho.

Caminho que ele deveria ter feito desde o apito final. O caminho do vestiário.

O Palmeiras mandou 20 seguranças para o jogo, aparentemente um número acima do normal, porque já imaginava algo do tipo. Há um histórico de coisas assim em campos sul-americanos, ainda que estejam ficando mais raros. Outro dia o Uruguai levou um sacode da seleção brasileira no Centenário e não houve um pontapé em campo, um problema sequer fora.

Mas, se o clube já imaginava, por que os jogadores não saíram fora antes de tudo isso?

Não, a culpa não é do Palmeiras. Quem vai tirar satisfação inicialmente são três ou quatro jogadores do Peñarol. Mas, vou repetir: quando um não quer, dois não brigam.

Os aplausos aos socos me incomodam demais. Como me incomodam, sem dúvida, todas as outras agressões dos uruguaios do Peñarol.

“Você tem sangue de barata, Julio!”

Olha. As baratas estão aí há milhões de anos. E nós, seres humanos, estamos conseguindo acabar com o planeta e contamos nossa curta história de um punhado de milhares de anos com sangue, guerras, luta, violência. Talvez sangue de barata seja necessário em nossas veias.

 


Palmas para Rodrigo Caio em um dia de tantas simulações
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juliogomes

O que Rodrigo Caio fez neste domingo não deveria ser notícia. Ele foi apenas… honesto. O árbitro havia mostrado cartão amarelo para Jô, por achar que o corintiano havia acertado o goleiro Renan na tentativa de chegar à bola.

Rodrigo Caio falou para o árbitro que ele – e não o rival – tinha tocado em Renan. O árbitro tirou o cartão amarelo de Jô.

Esse tipo de honestidade deveria ser o mínimo. Mas o mínimo está em falta no futebol brasileiro. Na sociedade brasileira.

Neste mesmo Campeonato Paulista, no dérbi centenário da fase de grupos, o Corinthians ficou com um jogador a menos contra o Palmeiras porque o árbitro confundiu dois jogadores. Mostrou o cartão e expulsou Gabriel, que não havia feito a tal falta.

Erro do árbitro, sem dúvida. Mas quantos jogadores do Palmeiras em volta perceberam o erro e aplaudiram e comemoraram, em vez de fazer o que fez Rodrigo Caio?

Erros acontecem. Mas precisamos de uma vez por todas extirpar da nossa sociedade a necessidade de “se dar bem” às custas de erros alheios. Chega de celebrar fins que justificam os meios.

O futebol é, como essência, um jogo de “engano”. Tentar enganar o adversário. Fingir que vai pra cá e vai pra lá. Fingir que vai chutar e dar um passe.

Mas fingir que um adversário te acertou no rosto quando o cotovelo dele atingiu o peito… isso está correto?

Ficar quieto ao ver um árbitro, um ser humano, cometer um erro que você sabe que ele cometeu e pode ser corrigido?

Zé Roberto, um grande nome da história do futebol brasileiro, de quem sou fã, fez isso hoje em Campinas. Simulou uma agressão no rosto que não houve. Fiquei surpreso. Aliás, vários jogadores fizeram o mesmo em Campinas. Simular agressões para que o adversário seja expulso.

É o ridículo do futebol brasileiro. O ridículo da sociedade brasileira.

Palmas para Rodrigo Caio. Que sirva de exemplo.