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Arquivo : Flamengo

Saída de Rueda inflama um debate cheio de verdades e mentiras
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Julio Gomes

A saída de Rueda do Flamengo, rapidamente substituído por Carpegiani, reabre o debate sobre a qualidade dos técnicos estrangeiros versus brasileiros. O burburinho tomou conta das mesas redondas de segunda à noite.

Foi a deixa para muitos defenderem não haver necessidade de trazer estrangeiros para cá, que nós somos os bons, a classe não pode pagar o preço do 7 a 1, etc e tal. Um velho e conhecido discurso mezzo nacionalista mezzo corporativista.

Primeiro, é importante frisar que há bons e maus profissionais de qualquer nacionalidade e área de atuação. Rueda pisou feio na bola. Não por sair. Mas por deixar o Flamengo no escuro e de mãos atadas por três semanas. Não são apenas colombianos que fazem coisas assim. Podemos fazer uma lista de treinadores brasileiros que “abandonaram” seus clubes por uma oportunidade melhor.

Isso é tão comum e tratado com normalidade aqui que a nação ficou boquiaberta quando Muricy Ramalho abriu mão da seleção para seguir no Fluminense.

O que Rueda fez está simplesmente errado. E só serve para fortalecer o discurso nacionalista-corporativista de alguns técnicos, mais preocupados com reserva de mercado e orgulho ferido do que propriamente com a evolução do jogo.

Poucas horas depois do anúncio, lá estava Vanderlei Luxemburgo, outrora melhor técnico do Brasil, vociferando contra os estrangeiros em mesa redonda no Fox Sports.

As pérolas foram muitas. Desde um genial “se eu tivesse ficado dez anos no Real Madrid, teria ganhado alguma coisa” (uau, jura? Acho que até eu teria) até um “Guardiola veio aqui aprender, coloca em prática lá na Europa e é chamado de gênio… gênio somos nós!”.

Lógico que, ao criticar a decisão de Rueda de abandonar o Flamengo para treinar o Chile, Luxemburgo se esqueceu de dizer que ele também abandonou o Santos para ir ao Real Madrid, o Palmeiras para ir ao Cruzeiro, etc.

Jair Ventura, que ainda é novo no ofício, acaba de trocar o Botafogo, com quem tinha contrato, pelo Santos. Mas também criticou Rueda por “não avisar” o Flamengo – como se ele pudesse ter 100% de certeza disso.

No fim das contas, a grande crítica de Jair e Luxa é sobre o fato de “qualquer um” poder vir ser técnico no Brasil e os brasileiros não poderem exercer a profissão em vários países, pois o curso para treinadores da CBF não tem as devidas chancelas. Em vez de se unirem para melhorar o curso da CBF e lutarem nos bastidores pelo reconhecimento, preferem pedir para que haja mais barreiras aos estrangeiros que querem desembarcar por aqui.

O fato é que com as saídas rápidas de Osorio e Bauza do São Paulo, estas menos discutíveis, e a de Rueda, que pegou bem mal, as portas devem se fechar a estrangeiros.

Uma pena, pois o país precisa de intercâmbio, de novas ideias, de novas culturas que enriqueçam o futebol daqui.

A defesa de técnicos brasileiros baseia-se em uma verdade, uma meia-verdade e uma omissão (ou mentira).

A verdade é que o calendário do futebol brasileiro compromete demais o trabalho dos técnicos. Junte a isso o descomprometimento/amadorismo de dirigentes e temos um círculo para lá de vicioso. Treinadores dependem de resultados a cada semana para salvarem a própria pele, mas não têm o mínimo de tempo e condições para trabalhar.

A meia-verdade é que taticamente os treinadores brasileiros não estão atrás de ninguém. Não é bem assim, e má qualidade do jogo aqui atesta isso. Mas sim, concordo com quem diz que nem todos são gênios na Europa e burros por aqui. Houve um buraco de uns dez anos, em que mesmo coisas triviais que aconteciam na Europa não eram vistas por aqui, mas depois do colapso da Copa de 2014 muitos treinadores se sacudiram e viram que era necessário observar mais o que se fazia lá fora.

Há muito conhecimento por aqui, sim, há vários estilos de treinadores, há uma cultura impregnada em nossa sociedade. E há também muito técnico também que não faz questão alguma de adquirir conhecimentos, que ganha muito dinheiro e está o tempo todo empregado justamente devido a esse amadorismo todo que marca o futebol aqui.

Não é só por causa das licenças que os treinadores brasileiros perderam espaço em mercados onde reinaram um dia, como Japão, África e Oriente Médio. E não é coincidência que os três estrangeiros que abandonaram o barco (Osorio, Bauza e Rueda) saíram do Brasil para seleções nacionais.

Quais seleções nacionais estão buscando treinadores brasileiros e desfalcando nossos clubes? Resposta rápida: nenhuma.

Chegamos à omissão. Ou mentira.

Quando os técnicos brasileiros bradam que já ganharam um monte de coisa e que taticamente não tem muita diferença no mundo, eles se auto destroem. Ignoram alguns dos vários argumentos usados por nós mesmos da imprensa, os que defendemos mais estabilidade para os treinadores nos clubes brasileiros.

Esquecem-se que o trabalho do técnico é muito mais do que entender de formação tática. É entender de treinamentos, fisiologia, psicologia, nutrição, tecnologia. Quando falamos que treinadores brasileiros estão desatualizados, nos referimos muito mais a esse leque de coisas.

Por que afinal, que os jogos do Campeonato Brasileiro são tão ruins? Por que técnicos brasileiros não conseguem espaço na Europa ou em seleções?

Luxemburgo, sempre na mesma entrevista no Fox Sports, ridicularizou o fato de haver tanta literatura de futebol sendo produzida em Portugal. “Ganharam o quê? Nunca ganharam nada!”, bradava.

Bem, basta ver o que aconteceu com o futebol português nos últimos 20 anos para saber que alguma coisa aconteceu por lá. O melhor jogador do mundo foi produzido lá. Portugal ganhou, de fato, seu primeiro título europeu. E, capitaneados por José Mourinho, os treinadores portugueses colecionaram muitos triunfos em categorias máximas e ocupam postos de expressão nas grandes ligas do mundo.

Os técnicos portugueses poderiam gritar para Luxemburgo: “e os técnicos brasileiros, vieram aqui e ganharam o quê? Deixaram qual legado?”.

 

A adaptação a uma cultura diferente é sempre difícil. Luxemburgo pode achar que foi boicotado no Real Madrid e Scolari pode achar o mesmo de sua experiência no Chelsea, mas o fato é que o conhecimento futebolístico de ambos, por maior que fosse, não superou vários outros problemas que envolvem uma bagagem cultural que nenhum deles tinha – a começar pelo idioma.

Eu ficava p da vida quando via Luxemburgo ser ridicularizado em programas esportivos na Espanha. Lá, falavam essas mesmas frases feitas que ouvimos por aqui. “Não agrega nada, não traz nada de novo, não conhece a cultura, não tem experiência, etc, etc, etc”.

Não é fácil para um estrangeiro se adaptar ao futebol brasileiro, especialmente em clubes gigantes, com tanta pressão de torcida, imprensa, imprensa-torcida, dirigentes amadores. A própria estrutura dos clubes não facilita em nada para que um cara desses tenham a estabilidade necessária – também por isso, imagino, pulem fora com tanta facilidade.

Nada justifica a maneira como Rueda conduziu sua situação e deixou o Flamengo na mão. Mas isso e o fato de ele ser colombiano têm pouco a ver com o baixo nível geral do futebol brasileiro. Rueda nos fará ouvir muitas ladainhas por bastante tempo e fechará o mercado para muitos outros técnicos de fora.

Estamos no episódio do meio do Star Wars. É a hora do império contra-atacar.


Rueda faz um papelão e queima o filme dos estrangeiros
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Julio Gomes

Veio Osorio, foi-se Osorio. Veio Bauza, foi-se Bauza. Veio Rueda, foi-se Rueda. Entre eles, é verdade, “fomos” com Aguirre, Gareca, Portugal, Fossatti, etc.

Está difícil para um técnico estrangeiro engrenar no Brasil. É verdade que as condições de trabalho aqui estão longe de serem as ideais. Calendário horroroso, que não dá fôlego para ninguém sério trabalhar, e dirigentes amadores, o que faz com que os técnicos saibam que já estão a ponto de serem demitidos assim que foram contratados.

Ainda assim, não dá para colocar na conta do São Paulo ou do Flamengo o fato de Osorio, Bauza e Rueda saírem para seleções nacionais. Osorio ainda saiu para uma Copa. Bauza, para a seleção de seu país, simplesmente a Argentina. Mas Rueda…

Deixar o Flamengo para ir para um Chile, que nem na Copa vai jogar? Esportivamente, inexplicável.

Mas o que incomoda mesmo foi a forma.

As notícias de Rueda no Chile estão pipocando já há algumas semanas. Da parte do treinador colombiano, sempre foi dito que “não havia nada”. Os dirigentes do Flamengo dizem que, para eles, Rueda sempre disse que não havia nada e que se reapresentaria nesta segunda normalmente.

Rueda chegou, mentiu ao dizer, ainda no aeroporto, que não havia nada com os chilenos, acertou a rescisão e tchau.

Se é verdade que o Flamengo não sabia de nada, é uma das grandes sacanagens dos últimos tempos. Uma falta de profissionalismo daquelas.

Não há problema nenhum em Rueda deixar o Flamengo por uma oferta. É do jogo, cada um sabe da própria vida. Tem problemas de saúde na família e queria ficar perto? Justíssimo.

O problema é deixar o Flamengo cego por tanto tempo e justo em um momento tão delicado, no início de temporada, com o mercado pegando fogo.

Isso tudo, repito, se for verdade a versão flamenguista de que Rueda deixou o clube no escuro o tempo todo. E, como do lado dele, nunca veio informação alguma, não há razão para duvidar do clube. Se Rueda negar tudo isso e disser que sempre deixou o Flamengo informado, repensaremos muitas coisas.

Mas a impressão, de fora, é que o Flamengo só não se desesperou em momento algum porque sempre teve Paulo César Carpegiani na manga. Que, de fato, foi deixado no escuro.

O torcedor tem todo o direito de ficar p da vida com o colombiano. Torcedor que, claro, teve uma parcela grande lá na contratação de Rueda. Nas redes sociais, a pressão foi tão grande que basicamente não houve outra opção para a diretoria que não fosse ir atrás do técnico campeão da América. Ainda foram atrás de Renato Gaúcho, hoje sabemos, mas o técnico do Grêmio recusou.

Rueda nunca se mostrou com a faca nos dentes trabalhando no Flamengo. Fez um trabalho tão bom (ou tão ruim) quanto Zé Ricardo. Bateu na trave em duas finais, mas perdeu ambas. Fez um Brasileirão que não emocionou ninguém.

Não foi tão criticado justamente porque chegou sob clamor popular e porque havia juntado muitos créditos após as bonitas atitudes quando do acidente trágico da Chapecoense, quando ele era técnico do Atlético Nacional.

Havia muita esperança de que seu trabalho aparecesse agora. Não vai aparecer.

E o futebol brasileiro, tão carente de intercâmbio e ideias novas, vê os técnicos estrangeiros chegarem para saírem. Os que tanto defendemos a chegada deles ficamos com cara de tacho. Que papelão, señor Rueda.


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Sul-Americana expõe elenco mal planejado e desequilibrado do Flamengo
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Julio Gomes

O Flamengo acabou o jogo contra o Independiente depositando suas esperanças de título em Lincoln, de 16 anos, Vinícius Jr, de 17, e Vizeu, de 20. Paquetá, que também tem 20 anos, foi o melhor jogador do time e autor do único gol.

Isso, claro, antes de Cuéllar fazer um pênalti estúpido que decretaria o empate e o título para os argentinos. Diego e Arão, os outros meio campistas, fizeram um jogo abaixo da crítica. Ainda bem que Márcio Araújo não estava em campo, senão a culpa, como sempre, seria toda dele. Éverton Ribeiro, que chegou com status de pop star no meio do ano, começou no banco e não mudou nada depois de entrar.

O jogador mais confiável do Flamengo na decisão da Sul-Americana era o goleiro, quem diria. Mais um jovem, César, que não deixou o time na mão.

Onde estavam Geuvânio, Rômulo, Rhodolfo….?

Resumindo: o clube mais popular do Brasil, que acertou suas finanças e tinha (tem) tudo para criar uma verdadeira dinastia no continente, acabou o péssimo ano precisando que os meninos da base salvando a pele de todo mundo. Não conseguiram.

Nada contra usar a base. Mas este não foi o caso de um uso planejado. Foi desespero.

As únicas chances de gol no segundo tempo vieram com Réver, que falhou no ataque e atrás também. Não dá para reclamar dele. Nem dele nem de Juan. Mas parece um pouco arriscado depositar a defesa nos pés de dois veteranos. Réver jogou mancando a partida toda.

Dá para reclamar do árbitro pelo pênalti? Dá. Dá para reclamar pelos pouquíssimos minutos de acréscimos? Dá.

Mas o buraco do Flamengo é mais embaixo. O Independiente está aí para mostrar como é possível montar elencos competitivos e equilibrados com pouco dinheiro.

O tal Barco, de 18 anos, que joga muita bola, vai para a MLS, lá nos Estados Unidos. Nenhum clube brasileiro tem um olheiro decente para pescar este tipo de talento no país vizinho?

Não basta ter grana. O Flamengo precisa contratar com mais inteligência, montar um elenco mais bem pensado e equilibrado. Simples assim. Vai ter de atacar o mercado de forma diferente, vendendo quem tem valor, mas que talvez não se encaixe neste projeto. Outros precisam ser dispensados.

Não adianta só comprar. O Flamengo precisa vender muita gente e, depois, comprar. Guardadas as devidas proporções, sabem quem fez isso no último mercado europeu? O Manchester City. Não foi só atrás de jogadores. Antes de comprar, mandou muita gente embora.

Este foi um time bom o suficiente para se classificar para a próxima Libertadores, ganhar o Estadual e chegar a duas finais de torneios que não eram prioritários. Mas, com todo esse dinheiro, e mesmo com a falta de sorte por algumas lesões e desfalques de outros tipos, o Flamengo precisava ter feito mais. Muito mais.

A diretoria mandou mal no planejamento. Mandou mal ao afastar o torcedor, cobrando preços abusivos ao longo do ano. Muitos jogadores mandaram mal em campo. E, claro, torcida que pula grade, invade estádio e estoura rojão em hotel não merece muitos elogios.


Afinal, será que mudar de técnico é bom ou mau negócio?
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Julio Gomes

O Campeonato Brasileiro chegou ao fim, e somente seis clubes acabaram a competição com o mesmo treinador do início. Corinthians, Grêmio, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Avaí.

Os outros 14 clubes trocaram de treinador. Alguns deles, mais de uma vez. Foram, no total, 20 treinadores degolados por estes 14 clubes. Isso, sem contar os interinos que assumiram por algumas rodadas e não se firmaram. Ao longo da competição, 46 profissionais diferentes ocuparam o banco de reservas de algum time por pelo menos um jogo.

Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Chapecoense e Vitória são os clubes que chegaram, entre contratados e interinos, a ter quatro técnicos diferentes em seus jogos ao longo do campeonato.

É nítido que a definição sobre contratar e demitir técnicos é feita com pouca razão e pouco conhecimento do assunto. Se formos escolher palavras para definir, de forma genérica, a atuação de dirigentes de futebol no país elas seriam amadorismo, paixão, inconsequência. Dificilmente escolheríamos profissionalismo, planejamento, responsabilidade financeira. Dirigentes, a maioria (não todos, mas a maioria) atuam como torcedores.

Mas o que esse campeonato mostra, dentro do equilíbrio incrível que marca o futebol brasileiro, é que não existe uma regra. Algumas vezes, mandar treinador embora simplesmente dá certo. Outras vezes, não.

É fato que é muito difícil um time ser campeão trocando de técnico ao longo do campeonato. Este é o oitavo seguido em que quem ganha o título mantém o mesmo treinador do início ao fim – a última exceção foi o Flamengo de 2009. Em 15 anos de pontos corridos, só três campeões mudaram de técnico ao longo do percurso, ou seja, 20% (os outros foram Santos-2004 e Corinthians-2005)

É fato também que quem ganha o campeonato costuma estar na liderança já em algum momento do primeiro turno, então nenhum dirigente é louco de demitir o técnico que está dando certo.

No caso de 2017, o Corinthians efetivou Fábio Carille e foi com ele até o fim. Outros dois clubes que não mandaram treinadores embora foram Grêmio e Cruzeiro. O primeiro, com Renato Gaúcho, mostrou bom futebol durante todo o ano, chegou à semifinal da Copa do Brasil e acabou ganhando a Libertadores. Já Mano Menezes só passou a ter vida tranquila no Cruzeiro depois do título da Copa do Brasil.

O Botafogo teve um grande ano com Jair Ventura, uma campanha heróica na Libertadores, foi à semi da Copa do Brasil e tinha tudo para acabar entre os cinco primeiros no Brasileiro. Mas despencou no último mês de jogos e acabou fora até da pré-Libertadores. Digamos que não deu tempo para demitirem Jair.

O Fluminense colocou nas mãos de Abel o projeto de lançar jovens. Não foi um bom campeonato, mas correu poucos riscos. Houve uma tragédia pessoal no meio do caminho que faria com que demitir o Abel se transformasse, também, em uma péssima ação de relações públicas.

E o Avaí, por fim, foi o único time “rebaixável” desde o início que apostou na estabilidade. Manteve Claudinei Oliveira do início ao final. Louvável. Mas não adiantou. E se o Avaí tivesse trocado de técnico? Teria se salvado? Teria caído algumas rodadas antes? Nunca saberemos.

Nós, que defendemos estabilidade e responsabilidade financeira, inclusive com regras mais rígidas para evitar a dança das cadeiras, estávamos torcendo pelo Avaí. Claro que seria o exemplo para provar o ponto. Não provou nada, admito.

De alguma forma, no entanto, a tristeza dos jogadores do Avaí, comprometidos com Claudinei, contrastou com uma aparente indiferença do Coritiba, o último rebaixado na última rodada.

Um Coritiba que no início do ano mandou embora Paulo César Carpegiani, que havia livrado o clube da queda no ano passado e foi demitido após a eliminação para o ASA na Copa do Brasil. O Coxa começou o Brasileiro com Pachequinho, trocou para Marcelo Oliveira e… não deu certo.

Como não deu certo para o Atlético-GO, que demitiu dois antes de efetivar João Paulo Sanches e ter aproveitamento melhor. Como não deu certo para o Flamengo, que com Zé Ricardo fez 29 pontos nos 19 jogos do turno (51% de aproveitamento). Sem ele, fez 24 pontos no returno (44% com Rueda). Como não deu certo para a Ponte Preta, que somou 28 pontos em 24 jogos com Gilson Kleina (39%) e apenas 11 em 13 jogos com Eduardo Baptista (28%).

Gilson Kleina e Zé Ricardo foram daquela para uma melhor, e acabaram levando Chapecoense e Vasco à classificação para a fase prévia da Libertadores.

Com Kleina, a Chape teve aproveitamento de 70% nas nove rodadas finais, não perdeu um jogo sequer e acabou como “campeã” do returno. Mas é bom lembrar que a Chape havia demitido no começo do campeonato Vágner Mancini, que depois ajudaria o Vitória a se salvar do rebaixamento.

O Vasco demitiu Milton Mendes com 25 pontos em 21 jogos, uma posição acima da zona de rebaixamento (39%). Com Zé Ricardo, teve 58% de aproveitamento e acabou em sétimo lugar.

Os casos de Chapecoense e Vasco são os casos claros de mudanças de técnico que deram certo. Isso ficou nítido também nos casos de São Paulo e Bahia.

Mas não está claro, por exemplo, se as mudanças realizadas em Palmeiras, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR fizeram os times melhorarem ou não. Será que o Palmeiras de Cuca, o Santos de Dorival, o Galo de Roger e o Atlético-PR de Baptista teriam acabado melhor ou pior do que acabaram? Impossível dizer.

Mesmo o caso do Sport é de puro palpite. Depois de assumir no lugar de Luxemburgo, Daniel Paulista empatou um e perdeu quatro dos cinco primeiros jogos. Mas ganhou os três finais, tendo a sorte de pegar Fluminense e Corinthians desinteressados nas rodadas derradeiras. O aproveitamento com Luxa era de 38%, com Daniel Paulista foi a 41%. Será que Luxemburgo não teria salvado o Sport?

Está claro que a estabilidade no comando técnico é necessária para times que estejam buscando o título. Mas e para as vagas na Libertadores? E para a fuga de rebaixamento? Não está nada claro. Dá certo para alguns, errado para outros.

 


Todos os cenários que podem botar (ou tirar) o Flamengo na Libertadores-18
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Julio Gomes

Com a grande vitória sobre o Junior na Colômbia, na noite de César, o Flamengo disputará a final da Copa Sul-Americana contra o Independiente. Convém não subestimar o time argentino, que é grande – é o maior campeão da história da Libertadores.

Apesar do alívio momentâneo e da presença em mais uma decisão, em um ano em que o clube transita o tempo inteiro entre o trágico e o aceitável, o Flamengo ainda não está garantido na Libertadores do ano que vem. Longe disso.

Tudo dependerá do jogo contra o Vitória, domingo, em Salvador, pela última rodada do Brasileiro. E, talvez, da final continental.

O melhor cenário é bater o Vitória e já se garantir na fase de grupos da Libertadores, jogando a decisão somente pela taça. Mas, se não vencer em Salvador, o Flamengo muito provavelmente precisará ganhar a Sul-Americana para jogar a Libertadores de 2018. O jogo de ida será na Argentina, quarta que vem, com a volta no Rio, dia 13 de dezembro.

Entenda todas as possibilidades:

– Flamengo vence Vitória no domingo. Neste caso, estará diretamente classificado para a fase de grupos da Libertadores e a final da Sul-Americana servirá “apenas” pelo título (e para eventualmente abrir uma nova vaga na Libertadores para outro time brasileiro).

– Flamengo empata com o Vitória. Neste caso, só garantirá vaga na fase de grupos se Vasco, Botafogo e Chapecoense não vencerem seus jogos. Garante vaga na pré-Libertadores caso um ou dois destes três times citados não vençam (neste caso, o título da Sul-Americana serviria para o Flamengo escapar da fase prévia e entrar direto nos grupos). Porém, se o Fla empatar e Vasco, Botafogo e Chape vencerem no domingo, aí o rubro-negro acabará o Brasileirão em nono lugar e dependerá do título da Sul-Americana para jogar a Libertadores-2018. Sem título, sem vaga.

– Flamengo perde do Vitória. Neste caso, só garantirá vaga na fase de grupos se o Vasco perder também e se Botafogo, Chapecoense e Atlético-MG não vencerem seus jogos. Garante vaga na pré-Libertadores se dois dos quatro times citados acima tropeçarem (Vasco perder, Fogo, Chape e Galo não ganharem). Se três deles ou se todos eles conseguirem o resultado que lhes interessa, o Flamengo dependerá do título da Sul-Americana para jogar a Libertadores.

O Vasco joga em casa contra uma já rebaixada Ponte Preta. O Botafogo joga também em casa contra um desinteressado Cruzeiro. A Chapecoense joga contra um desesperado Coritiba, que precisa do resultado para não cair. E o Atlético-MG recebe um Grêmio de ressaca e que não terá nem o técnico no banco.

É muito, muito, muito difícil imaginar que Vasco e Atlético-MG não vençam seus jogos. A vitória do Botafogo é provável, e a Chapecoense é quem tem o jogo mais duro.

Portanto, se o Flamengo derrotar o Vitória (que também depende do resultado para se manter na Série A) estará na fase de grupos da Libertadores. Se empatar ou perder, a pré-Libertadores é uma possibilidade, mas dependeria de tropeços alheios.

O Vitória é o pior mandante do Brasileiro, com 14 pontos somados em 18 jogos (três vitórias, cinco empates e dez derrotas), 26% de aproveitamento – ganhou só um dos últimos oito jogos no Barradão. O Flamengo é o quinto pior visitante, com 17 pontos em 18 jogos (quatro vitórias, cinco empates e nove derrotas), 31% de aproveitamento – ganhou só um dos últimos onze jogos fora de casa pelo Brasileiro, com oito derrotas nos últimos nove.

O jogo do turno, em 6 de agosto, teve vitória dos baianos por 2 a 0, o que selou a demissão de Zé Ricardo do Flamengo. No retrospecto histórico, no entanto, os cariocas têm ampla vantagem. Nos últimos dez anos, o Flamengo jogou seis vezes em Salvador, com duas vitórias, três empates e só uma derrota.

Um mau resultado no Barradão deverá colocar no time de Rueda toda a pressão do mundo para vencer a Sul-Americana e salvar 2017 (que acabaria com um título) e 2018 (garantindo vaga na Libertadores).

 


Júlio César e Zé Roberto: dois grandes brasileiros que se vão do futebol
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Julio Gomes

A maneira de o brasileiro ver e falar de futebol é muito próxima de um moedor de carnes. Ao mesmo tempo em que ídolos são gerados em 5 minutos, reputações inteiras são moídas após um erro ou após uma escolha que não agrade à maioria apaixonada.

Júlio César e Zé Roberto não são unanimidade no futebol.

Brasileiro.

Porque em todos os grandes centros europeus eles construíram uma reputação irretocável. Especialmente, claro, na Itália e na Alemanha.

Vou contar duas historinhas que aconteceram comigo, nos anos em que tive a grande oportunidade de cobrir de perto o futebol europeu.

No fim de 2004, fui a Munique. E combinei com Zé Roberto uma entrevista para a revista “Placar”. Ele marcou o encontro para a Marienplatz. Para quem não conhece Munique, é a principal praça da cidade, uma espécie de Praça da Sé de Munique – só que um pouquinho mais limpa :-).

Achei estranho. Como assim, na Marienplatz? Assim, no meio das pessoas? E foi lá que nos encontramos. Entramos em um café e conversamos longamente. O cara era simplesmente titular do Bayern de Munique. Onde, em alguma outra oportunidade, cheguei a encontrá-lo também. Um CT incrível.

O que mais me chamou a atenção? O respeito. A maneira como as pessoas se aproximavam dele, cumprimentavam, mostravam admiração. Eu não falo mais do que meia dúzia de palavras em alemão. Mas gestos e olhares são suficientes para compreender o que estava acontecendo.

E Júlio César. Bem, sobre ele eu sempre achei o mesmo que um monte de vocês achavam ou acham. “Mascarado”.

Ledo engano. Com ele, me encontrei em Milão em 2006 ou 2007, por aí. A ideia era apenas fazer uma entrevista para a Band. Mas Júlio César abriu as portas da casa dele. Conheci Suzana Werner, brinquei com os filhos, ganhei carona. Nada me pareceu mais humano do que aquele casal de celebridades. O apartamento era muito perto do estádio San Siro. Na ocasião, ele me contou que voltava à pé das partidas. Assim, no meio do povo. “Mesmo em dia de Inter x Milan?”. “Sim”.

Em 2010, Júlio César foi indiscutivelmente (vou repetir, indiscutivelmente) o melhor goleiro do mundo. Atuações muito consistentes em uma Inter de Milão que conquistou a Europa após décadas de seca. O Brasil tem sido um grande fabricante de goleiros nas últimas décadas. Mas, depois de Taffarel, que goleiro brasileiro foi o melhor do mundo? Só Júlio César.

Mas, por não ter sido um goleiro ultravitorioso no Flamengo, por uma falha na Copa de 2010 e pelos 7 a 1, é visto com desdém por muitos aqui. Em 2010, a falha deveria ser compartilhada com Felipe Melo. E mais: uma falha não faz de ninguém um idiota, assim como um acerto não faz de alguém um craque. O futebol é cruel demais.

Em 2014, eu não teria chamado Júlio César para a Copa. Mas o que ele teve a ver com o 7 a 1? Nada. Ou quase nada. Não fosse ele, talvez o Brasil nem tivesse passado pelo Chile nas oitavas de final.

Zé Roberto foi outra “vítima” do Flamengo. Depois de anos para lá de espetaculares na Portuguesa, Zé Roberto passou a fazer parte da seleção brasileira. Foi parar em um Real Madrid estrelado, onde ele precisaria de tempo para ganhar espaço. Voltou para o Flamengo, caiu na fogueira, não foi nada demais. Portanto, nunca foi visto como o craque que sempre foi pela grande imprensa.

A partir daí, Zé Roberto foi quase campeão europeu e alemão com o pequeno Bayer Leverkusen. E foi titular por muitos anos de um gigante como o Bayern. Aprendeu alemão, se adaptou ao país. Menos mal que treinadores de futebol (especialmente Parreira e Zagallo) ignoravam as mesas redondas que sempre “escolhiam” Zé Roberto para ficar fora das convocações e times titulares da seleção.

O Brasil foi “descobrir” que Zé Roberto era bom de bola em 2006, quando ele fez uma grande Copa do Mundo em um time que deixou a desejar. Depois, triunfou no Santos, no Grêmio, no Palmeiras. Mostrou ser zero egoísta ao pedir dispensa da seleção de Dunga em 2007, “para dar lugar aos mais jovens”. Curiosamente, quando acabou o ciclo de Zé na seleção, começou o de Júlio César titular do gol. Eles estiveram pouco tempo juntos, portanto.

Zé Roberto encerrou a carreira com honras. Fez parte da reconstrução de um gigante, como o Palmeiras. Só depois de passar por times mais midiáticos ganhou um pouco do tamanho que merece.

Ainda assim, poucos colocariam Zé Roberto no lugar que merece na história do futebol brasileiro. Falei um pouco disso neste post de dois anos atrás.

Júlio César e Zé Roberto são dois exemplos a serem seguidos. De adaptação em outros países, de respeito adquirido, de profissionalismo, de capacidade técnica, de construção familiar, de lisura nos clubes por onde passaram.

Eles deixam um belo legado. Que definitivamente não pode ser minimizado por frases do tipo “ganhou o quê?”, “falhou naquele dia”, “não fez nada não sei onde”.

O Palmeiras acerta em cheio dando um cargo imediato para Zé Roberto. Espero que não seja só para parecer bacana, só para consumo externo.

Já o Flamengo deveria ter trazido Júlio César de volta muito tempo atrás. Para jogar, não dá mais. Que seja, então, para cuidar de seus goleiros, porque está precisando.

 


Rhodolfo e Vizeu precisam ser punidos exemplarmente
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Julio Gomes

Aqui no Brasil, estamos acostumados a achar que no futebol vale tudo. Não é nem só no profissional, não. É no próprio futsal ou society semanal entre amigos.

A frase que consagra o “vale tudo” é essa aqui: “o que acontece no campo, fica no campo”. A historinha do “código de ética” próprio do esporte. Podemos nos agredir à vontade dentro das quatro linhas, depois vamos tomar uma cerveja, como amigos que somos.

Claro que tais “convenções” não levam em conta pessoas que não gostam de passar por agressões morais constantes ou crianças que não querem lidar com tal nível de agressividade para poder praticar o esporte. Claro que quem tenta lutar contra as convenções é acusado de estar de mimimi.

Há uma tentativa, por parte de técnico, torcedores e dos envolvidos, de ressaltar o “lado bom” do atrito entre Rhodolfo e Vizeu na vitória do Flamengo sobre o Corinthians, ontem. OK, é compreensível.

Mas não é aceitável.

O lado bom seria a demonstração de um time com caráter e fome de ganhar.

Um jogo de futebol não pode ser uma bolha dissociada da sociedade. Uma espécie de jaula da morte, no melhor estilo Mad Max. Não podemos nos esquecer que um jogo de futebol é visto por parcela importante da sociedade. Que jogadores são copiados por crianças. Todas as atitudes, as boas e as más.

O futebol é tão poderoso que ele não é apenas reflexo da sociedade em que está inserido, mas também influencia e é copiado pela própria sociedade.

A quantidade de ofensas proferidas entre atletas, entre atletas e árbitros e das arquibancadas para o campo é completamente desproporcional. Xinga-se e ofende-se com a mesma naturalidade que se toma água. Isso sem contar a contestação ostensiva a cada decisão dos árbitros.

Que lições o futebol brasileiro tem passado à nossa já combalida sociedade?

OK, não irei mudar o mundo, infelizmente. Jogadores, profissionais ou amadores, continuarão se xingando, como Rhodolfo e Vizeu se xingaram neste domingo.

Só que é importante ressaltar que eles foram além. Uma cobrança normal de Rhodolfo por um erro de posicionamento de Vizeu virou um bate boca entre eles. Ato seguido, o zagueiro desferiu um soco no jovem atacante. Parecia transtornado, companheiros tiveram dificuldades para segurá-lo. Segundos depois, Vizeu fez o terceiro gol do Flamengo e mandou um dedo do meio para Rhodolfo que atravessou o campo inteiro e que certamente atravessará todos os oceanos e será mostrado em todos os programas esportivos do mundo.

Afinal, não é todo dia que vemos um atacante comemorar seu gol mandando um dedo do meio para um colega de equipe. Ainda mais no clube mais popular do “país do futebol”.

Transfiram a cena para o escritório de uma financeira ultracompetitiva. Pode ser normal ver dois profissionais se cobrarem em um momento tenso da vida profissional. Mas e se xingarem? E se agredirem verbalmente e fisicamente? Você acharia normal?

Depois do jogo, os dois apareceram juntos para uma entrevista no estilo paz e amor. Rhodolfo não parecia entender o tamanho de seu erro (o soco) e não parecia ter engolido muito o tal dedo do meio. Foi impressão minha e de outros colegas que acompanharam a entrevista. Vizeu assumiu o discurso do “jovem impetuoso”, “ainda estou aprendendo”, etc. Quase assumiu a culpa. Uma culpa que ele tem, sem dúvida, mas que não se compara à culpa de quem desfere um soco em um companheiro de trabalho – e de time.

De qualquer forma, Vizeu só aprendeu aos 20 anos de idade que não se faz o que ele fez. E quantos meninos e meninas terão “aprendido” a ver agressões e xingamentos e considerar tudo isso normal? Ainda mais se eles ligarem a TV de noite e verem tanta gente minimizando o acontecido. “É tudo do jogo, só exageraram um pouquinho”. Oras.

Sei que muito torcedores gostaram de ver jogadores do seu time se pegando, principalmente por ser, o Flamengo, um time acusado de “falta de raça” e também porque deu certo – ninguém foi expulso e o jogo foi ganho.

Não quero posar de falso moralista e sei que a tensão faz parte do jogo. Mas não dá para aceitar o que aconteceu na Ilha do Urubu, que acabe em um abraço e fique tudo para trás.

Diretoria do Flamengo e tribunais esportivos precisam tomar medidas duras, duríssimas, para o que aconteceu não se repita mais e sirva de exemplo. Mesmo que eles, os cartolas e juízes, não acreditem no que estiverem fazendo.


Brasileiro, ato 34: mini Rio-SP mostrará caminhos para a Libertadores
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Julio Gomes

Com a disputa pelo título encerrada – basta saber quando o Corinthians será campeão matematicamente -, as cinco rodadas finais do Brasileiro terão jogos valendo Libertadores e fuga do rebaixamento. E dois clássicos entre cariocas e paulistas dirão muito sobre o futuro dos clubes envolvidos na competição.

No domingo, o Palmeiras recebe o Flamengo no Allianz Parque e, se não se recuperar após as derrotas para Corinthians e Vitória, estará colocando a posição no G4 em risco. Se vencer, o Flamengo ficará a um ponto do Palmeiras. E o Botafogo, que neste sábado abre a rodada contra o Atlético-PR, é outro que pode se aproximar ainda mais.

Jogarão também Vasco e São Paulo no Maracanã, dois dos quatro melhores times do returno – o melhor, por enquanto, é o Botafogo. Vasco e São Paulo não olham para o G4, mas olham para uma vaga na pré-Libertadores. É bom lembrar que o G6 vai virar G7 se o Cruzeiro estiver entre os seis primeiros, e pode virar G8 se o Grêmio for campeão da Libertadores ou até G9, se o Flamengo vencer a Sul-Americana e estiver entre os primeiros do Brasileiro.

Como há essa indefinição, e ela vai perdurar até as duas rodadas finais do campeonato, é importante estar bem posicionado. O Vasco, que só perdeu 1 de 11 jogos com Zé Ricardo, estará consolidado entre os oito primeiros se vencer o São Paulo. Já o time paulista, que perdeu a chance de ganhar a quarta seguida ao tropeçar na Chape, no Pacaembu, já se afastou do rebaixamento e precisa ganhar no Maracanã para sair da “zona morta” da tabela e entrar na briga pela Libertadores. O jogo é um divisor de águas nesse sentido.

Outro confronto direto de Libertadores reúne Bahia e Atlético-MG. Na parte de baixo da tabela, o duelo que mais chama a atenção reúne Coritiba e Ponte Preta. É um confronto direto e, se o Coxa vencer, fica muito tranquilo na luta contra o rebaixamento, afundando a Ponte de vez.

Aqui vão os prognósticos da rodada.

SÁBADO

17h Botafogo x Atlético-PR (Engenhão)
Turno: 0-0
Prognóstico: Fogo 1-0
Aposta: menos de 2,5 gols
O Botafogo é líder do returno porque começou ganhando cinco de seis jogos. Desde setembro, não encaixa duas vitórias seguidas e precisa quebrar essa escrita para buscar o Palmeiras e entrar no G4. O Atlético-PR não faz gol há três jogos e não terá Gedoz nem Nikão, mas Guilherme volta ao time. Parece que vai acabar o campeonato na zona morta, mas se continuar perdendo muito o Z4 pode virar um fantasma, pois ainda jogará fora de casa contra Ponte e Avaí.

19h Corinthians x Avaí (Itaquera)
Turno: 0-0
Prognóstico: 0-0
Aposta: menos de 2,5 gols
Sem Cássio e com a lesão de Walter, o Corinthians terá no gol o jovem Caíque, terceiro goleiro. Jô, suspenso, também está fora. Basicamente, portanto, o Corinthians não terá seus dois jogadores mais importantes no campeonato e enfrenta um adversário para quem um pontinho será um espetáculo. Jogo deve ser amarrado e duro de ver em Itaquera.

DOMINGO

17h Vasco x São Paulo (Arena da Baixada)
Turno: SPFC 1-0
Prognóstico: 1-2
Aposta: melhor fugir!
São dois dos times mais consistentes do returno. Um dia, chegaram a estar ameaçados de rebaixamento, principalmente o São Paulo, mas este é um pesadelo distante e agora a hora é de pensar em Libertadores. Com Zé Ricardo, o Vasco só perdeu um jogo e nunca tomou mais de um gol na mesma partida. A questão é: como estarão as arquibancadas de São Januário? Torcedores unidos para apoiar o time ou um clima de guerra pela divisão política do clube? O Vasco não vence o São Paulo em casa desde maio de 2005. Desde então, foram 20 jogos entre eles, com 12 vitórias são-paulinas e 2 vascaínas (mas ambas como visitante). Jogo de difícil prognóstico.

17h Palmeiras x Flamengo (Allianz Parque)
Turno: 2-2
Prognóstico: 2-2
Aposta: ambos marcam
Quem olhasse a tabela antes do início do campeonato poderia usar uma caneta marca-texto e marcar este clássico na 34a rodada como um possível jogo de implicações de título. Ledo engano. Os dois elencos milionários do futebol brasileiro não fizeram um campeonato nem perto de suas possibilidades e agora jogam por uma vaga no G4 – e olhe lá, porque do jeito que vão as coisas ficarão abraçados com vagas de pré-Libertadores. Desde 2010, o Flamengo só venceu 1 de 12 jogos contra o Palmeiras, que leva vantagem no retrospecto histórico. Ainda sem Borja e Mina, o Palmeiras deve ter William de volta ao ataque, enquanto o Flamengo terá a defesa reforçada por Juan. Paquetá, que jogou muito bem pelo meio contra o Cruzeiro, segue no time substituindo Diego.

17h Grêmio x Vitória (Alfredo Jaconi, Caxias do Sul)
Turno: 1-3 Grêmio
Prognóstico: Grêmio 2-1
Aposta: coluna 1
Depois de seis jogos sem vencer, o Vitória finalmente ganhou uma – e em casa. O que já foi suficiente para sair da zona de rebaixamento. O jogo será em Caxias do Sul porque a Arena Grêmio irá receber um show, o que deixou Renato Gaúcho indignado. Com as duas últimas vitórias, o Grêmio está mais do que consolidado no G4, uma garantia, pois nunca se sabe o que acontecerá na final da Libertadores. Se ganhar mais essa (Grohe, Cortez e Edilson são os desfalques, do meio para frente joga todo mundo), o Grêmio pode usar reservas a vida toda no Brasileiro, com a certeza de que estará na fase de grupos da próxima Libertadores. O Vitória ganhou em Porto Alegre ano passado, o que não acontecia desde 2005.

17h Atlético-GO x Sport (Olímpico)
Turno: Sport 4-0
Prognóstico: 1-2
Aposta: coluna 2, com empate anula aposta
Pior time do returno, com apenas uma vitória, o Sport tanto fez que entrou na zona de rebaixamento e em um momento para lá de crítico do campeonato. Agora, contra o lanterna Atlético-GO, mesmo jogando fora e sem Diego Souza, é vencer ou vencer. Não adianta mais somar de um em um. O Dragão perdeu as últimas quatro em casa e ganhou só uma das últimas 12 partidas, já sabe que será rebaixado.

18h Bahia x Atlético-MG (Fonte Nova)
Turno: 0-2 Bahia
Prognóstico: 2-2
Aposta: mais de 2,5 gols
Assim como os clássicos entre paulistas e cariocas, este é também um jogo com implicações de Libertadores. Para o Bahia, já livre do rebaixamento muito antes do que o mais otimista torcedor imaginava, seria um prêmio e tanto. O time encaixou com Carpegiani e vai fazer estragos nas rodadas finais. Para o Atlético, dadas as expectativas antes do início do campeonato, seria um prêmio de consolação para lá de aceitável. Enquanto o Bahia, que é bom mandante, ganhou quatro, empatou duas e perdeu só uma com Carpegiani, o Galo, que é otimo visitante, ganhou quatro, empatou duas e perdeu duas com Oswaldo de Oliveira. Os últimos quatro duelos entre eles acabaram em empate em Salvador, e o Bahia não vence o Galo em casa desde 2002.

19h Cruzeiro x Fluminense (Mineirão)
Turno: 1-1
Prognóstico: Cruzeiro 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
O Cruzeiro ganhou só um dos últimos cinco jogos, era normal que o time caísse de rendimento após o título da Copa do Brasil. O Fluminense ganhou um de quatro e parece claro o destino: acabar na zona morta da tabela. Nem cai nem briga por nada lá em cima. O Flu joga sem Henrique Dourado, artilheiro do campeonato.

19h Coritiba x Ponte Preta (Couto Pereira)
Turno: Ponte 4-0
Prognóstico: Coxa 2-0
Aposta: coluna 1 paga bem
Com Eduardo Baptista, a Ponte conseguiu duas vitórias por 1 a 0, empatou um jogo e perdeu seis. O péssimo momento contrasta com o do Coritiba, que não perde há cinco jogos e, se vencer a rival direta, fica em situação muito confortável para evitar o rebaixamento. Para o Coxa, é a chance de respirar de vez. Para a Ponte, é final de campeonato. Típico confronto em que, historicamente, quem joga em casa, vence. Última vitória da Ponte em Curitiba foi 16 anos atrás. Com dois gols marcados nos últimos cinco jogos, Baptista promete escalação ofensiva.

SEGUNDA

20h Chapecoense x Santos (Arena Condá)
Turno: Santos 1-0
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir!
Com Gilson Kleina, a Chape ganhou uma e empatou três. De pontinho em pontinho, vai ficando longe do rebaixamento – o que seria praticamente um título após a tragédia de um ano atrás. O Santos é um dos times mais difíceis de prever neste campeonato. Vive em litígio com a torcida e joga sem Bruno Henrique, mas está em terceiro na tabela e quer se garantir com vaga direta na Libertadores. Jogo tem cheiro de empate.


Brasileiro, ato 33: Corinthians entra em contagem regressiva
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Julio Gomes

Depois da vitória em Itaquera sobre o Palmeiras, o Corinthians começou sua contagem regressiva para comemorar um título que estava para lá de definido, ficou por um triz e, agora, muito dificilmente escapará.

O Santos precisa ganhar todos os seus jogos e torcer por três tropeços do Corinthians. A campanha corintiana no returno não inspira confiança. Mas justamente confiança era o que estava faltando e agora está sobrando ao time de Fábio Carille.

Contra o Atlético-PR, em um estádio em que colecionou bons resultados nos últimos anos, o Corinthians tem tudo para se reencontrar de vez. E condicionar o jogo do Santos, contra um Vasco pouco vazado desde a chegada de Zé Ricardo.

Muitos acreditam que a diferença entre Corinthians e Santos vá diminuir nesta rodada, mas ela pode muito bem aumentar.

O post dá as dicas de apostas para os jogos de quarta-feira e será complementado amanhã com os prognósticos de quinta.

QUARTA

19h30 Ponte Preta x Grêmio (Moisés Lucarelli)
Turno: Grêmio 3-1
Colocação: 18-Ponte (35), 3-Grêmio (54)
Prognóstico: Ponte 1-0 Grêmio
Aposta: coluna 1, com empate anula aposta
O Grêmio venceu em Campinas pela última vez em 1980 e vai só com quatro titulares. Jogo fundamental para as chances de a Ponte Preta se manter na primeira divisão. Os reservas do Grêmio apanharam de todo mundo durante o campeonato, a Ponte precisa vencer ou vencer. Se não sair com os três pontos, dá mais um passinho rumo à Série B.

19h30 Avaí x Bahia (Ressacada)
Turno: 1-1
Colocação: 19-Avaí (35), 10-Bahia (42)
Prognóstico: 1-1
Aposta: ambos marcam
O Avaí só ganhou um dos último nove jogos e está afundado no Z4. O Bahia reagiu com Carpegiani e já está praticamente livre de qualquer possibilidade de rebaixamento. A ideia é alçar voos mais altos. Jogo de difícil prognóstico, até porque o Avaí não pode mais especular, precisa se abrir e buscar o resultado em casa.

21h Atlético-PR x Corinthians (Arena da Baixada)
Turno: 2-2
Colocação: 11-CAP (42), 1-Corinthians (62)
Prognóstico: 0-2
Aposta: menos de 2,5 gols
O Corinthians tirou todo o peso do mundo das costas após a vitória sobre o Palmeiras e tem tudo para voltar a encontrar os resultados do primeiro turno – começando por um estádio em que coleciona bons resultados historicamente. O Furacão não terá Guilherme e Sidcley, o Corinthians não terá Cássio, Gabriel e Jadson.

21h Sport x Botafogo (Ilha do Retiro)
Turno: Botafogo 2-1
Colocação: 16-Sport (36), 6-Fogo (48)
Prognóstico: 1-1
Aposta: melhor fugir
Mais um jogo de prognóstico dificílimo. O Sport só venceu 1 de seus últimos 15 jogos no campeonato e, em casa, não vence há mais de três meses. Só um ponto acima do Z4 e correndo grande risco, o Sport precisa urgentemente se reencontrar com a vitória, e tentará sem Diego Souza, que está com a seleção. O Botafogo já eliminou o Sport da Copa do Brasil neste ano e não perde para o time pernambucano há mais de três anos (seis jogos), mas não tem sido nenhum exemplo de consistência ultimamente.

21h45 Flamengo x Cruzeiro (Ilha do Urubu)
Turno: 1-1
Colocação: 7-Fla (47), 5-Cruzeiro (51)
Prognóstico: 1-1
Aposta: coluna do meio – aposta de altíssimo risco, altíssimo retorno
Os times já se enfrentaram três vezes neste ano, com três empates. Portanto, temos uma tendência. O Flamengo tem vários desfalques (Diego, Guerrero, Trauco, Juan, Réver), o que obrigará Rueda a escalar uma zaga para lá de suspeita com Rhodolfo e Rafael Vaz. O Cruzeiro joga as rodadas finais descompromissado, um fator que pode ajudar e pode atrapalhar também.

21h45 Santos x Vasco (Vila Belmiro)
Turno: 0-0
Colocação: 2-Santos (56), 8-Vasco (45)
Prognóstico: 1-0
Aposta: menos de 2,5 gols
Em dez jogos desde a chegada de Zé Ricardo ao Vasco, o clube ganhou quatro, empatou cinco e só perdeu para o gol de mão de Jô. Em apenas um desses jogos foram marcados mais do que dois gols somados os dois times (nos 2 a 1 sobre o Avaí). É um Vasco mais seguro, mas pouco goleador, que vai somando pontos em busca da Libertadores. O jogo deve ser condicionado pela partida do Corinthians em Curitiba. Se o Corinthians estiver tropeçando, a torcida e o sonho do título podem empurrar o Santos a uma vitória. O Vasco tem muitos desfalques e é difícil imaginar que a convulsão política não afete o time. A última vez que o Vasco venceu o Santos como visitante foi em 2006, é um confronto em que quem joga em casa costuma vencer, historicamente.

21h45 Vitória x Palmeiras (Barradão)
Turno: Palmeiras 4-2
Colocação: 17-Vitória (35), 4-Palmeiras (54)
Prognóstico: 1-3 Palmeiras
Aposta: mais de 2,5 gols
O Vitória está há seis jogos sem vencer e, em casa, amarga uma seca de três meses. Apesar da derrota em Itaquera, o Palmeiras é favorito para chegar à sétima vitória nos últimos oito jogos contra o rival baiano. Sem Borja nem Deyverson, Valentim deve improvisar um meia na frente.