Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Flamengo

Corinthians é quem corre mais risco entre os brasileiros na Libertadores
Comentários Comente

Julio Gomes

A quinta-feira foi ótima para os brasileiros na Libertadores da América. Para o Palmeiras, logicamente, que jogou muito bem, ganhou e se garantiu em primeiro lugar de um grupo complicado, mas também para Cruzeiro e Flamengo, mesmo sem entrar em campo.

O Santos já estava classificado, o Cruzeiro se garantiu ontem com a derrota da Universidad de Chile (só uma goleada histórica eliminaria os mineiros que têm 16 gols de vantagem de saldo), o Grêmio está encaminhado, o Flamengo ficou encaminhado com a derrota do Santa Fé para o River. O Corinthians é quem está em situação menos tranquila para o restante da competição na fase de grupos – claro, estou tirando da conta o já eliminado Vasco, que não corre risco algum, pois já está fora.

Após tantas eliminações seguidas na fase de grupos, o Flamengo está a uma vitória ou dois empates de avançar ao mata-mata. Ele entra se ganhar do Emelec, que está praticamente fora, com um Maracanã que certamente estará lotado.

Se bobear e empatar no dia 16 de maio, o Flamengo ainda precisará só de um empate contra um já classificado River Plate. E poderá entrar mesmo com derrota na Argentina.

Pensando apenas na classificação, o Flamengo tem uma situação mais confortável que a do Corinthians. Apesar de ser líder do grupo 7, o Corinthians tem desfalques importantes para as duas rodadas finais e a situação da chave é bem complexa. Qualquer um pode entrar e, o principal, está claro que qualquer um pode ganhar de qualquer um.

Se o Corinthians perder do Lara, na Venezuela, será obrigado a vencer o Millionarios na última rodada – mas o time colombiano pode chegar a este jogo também vivíssimo na briga pela classificação (ao contrário da situação atual do Emelec, rival do Flamengo).

Não estou dizendo que a situação do Corinthians é ruim. Não é. É boa, até. A classificação segue muito próxima e acredito que ela virá para o time de Carille.

Mas, entre os brasileiros vivos, é quem corre mais riscos. Até, repito, pelo elenco curto e as lesões recentes. É uma situação matematicamente boa, mas pior que a dos outros brasileiros.

O Palmeiras, com 13 pontos, é o melhor time da competição até agora. Se vencer o Junior Barranquilla, garante a melhor campanha e a vantagem de decidir em casa contra qualquer um no mata-mata.

O Cruzeiro se garantiu com a derrota da Universidad de Chile para o Racing, ontem. A diferença é só de três pontos, mas de 16 gols de saldo. Se vencer o Racing na última rodada, o Cruzeiro ainda acaba o grupo em primeiro, depois do início claudicante.

O Santos, que pegou o grupo mais moleza entre todos os brasileiros, precisa só vencer o fraco Real Garcilaso para se garantir em primeiro.

E o Grêmio, que também pegou um bom grupo, lidera e enfrenta os dois piores times nas rodadas finais. É uma situação muito mais cômoda que a do Corinthians – até, e este talvez seja o principal fator, pela bola que está jogando.

Entre os times não-brasileiros que começaram a competição como possíveis postulantes ao título, a situação mais delicada é a do Boca Juniors, que não depende só de si para se classificar. Deve ganhar do Alianza Lima na última rodada, em Buenos Aires, mas vai precisar torcer para o Junior Barranquilla não vencer o Palmeiras em São Paulo.

Os clubes já classificados por antecipação para as oitavas de final da Libertadores são: Libertad (Paraguai), River Plate, Racing, Cruzeiro, Santos e Palmeiras – o Atlético Nacional, da Colômbia, está praticamente dentro.


Votação anti-VAR vai assombrar o Brasileiro do início ao fim
Comentários Comente

Julio Gomes

Faz um pouquinho mais de dois meses. Foi no início de fevereiro que os 20 clubes da Série A decidiram não utilizar o recurso de vídeo para auxiliar as arbitragens no Brasileirão.

Bastou um sábado de futebol, menos da metade da primeira das 38 rodadas do campeonato, para que a decisão levasse um gigantesco tapa na cara. Erros de arbitragem acontecem toda hora. Interpretações diferentes sobre o mesmo lance, também. O pepino mesmo, e esse pepino é solucionado pelo VAR, são os lances claros, evidentes, não passíveis de discussão.

Como o pênalti dado para o Vitória contra o Flamengo, que resultou na expulsão injusta de Éverton Ribeiro, alterando toda a dinâmica do jogo. Ou como o segundo gol do Flamengo, em impedimento grosseiro.

Nem todo o jogo tem lances tão claros, tão evidentes, de erros de arbitragem. Aqueles sem nenhum “porém”. Aqueles que, com o VAR, não existirão mais.

O Flamengo foi um dos que votaram a favor do VAR me fevereiro. O Vitória, contra.

Na semana passada, tivemos a final do Paulista e toda a polêmica do pênalti dado e “des-dado” para o Palmeiras, com a forte suspeita do VAR clandestino mudando a decisão do árbitro. Uma das coisas que mais li, ainda que o campeonato fosse outro. “O Palmeiras votou pelo VAR, o Corinthians votou contra”. E daí?

Nas entrevistas pós-jogo no Barradão, o tema foi levantado. Nos programas de todos os canais de TV, idem. Mas e daí?

E daí que esta é a sombra que vai acompanhar o campeonato todo. Um verdadeiro fantasma.

Sempre que houver erro claro, a tal votação será lembrada. “Viram? O time X votou contra o VAR, agora aguenta”. Ou então. “O time Y votou a favor do VAR, viram por quê? É sempre roubado!”.

Preparem-se. Serão 38 rodadas e sete meses e meio de lembranças da maldita votação.

Não vou colocar a lista aqui de quem votou a favor, quem votou contra e quem se absteve. Sabem o motivo? Defendo que precisamos parar de olhar para o próprio umbigo. O futebol brasileiro precisa urgentemente passar a pensar no todo, não no pedaço.

Não interessa quem votou como. Foi uma decisão coletiva contra o VAR.

Uma decisão, é claro, induzida pela CBF. Que não larga o osso, não deixa a organização do campeonato para os clubes, mas não quer se responsabilizar pela arbitragem de vídeo. Jogou o preço lá em cima. sabendo que isso geraria o que gerou.

Mas clubes que foram contra porque o VAR da CBF só seria usado no segundo turno ou os que foram contra por causa do preço alto não poderiam ter se mexido? Os que votaram a favor do VAR não poderiam ter liderado esse movimento?

Será que era tão difícil assim os clubes chegarem a um acordo, encontrarem uma situação melhor de custo e emparedarem a CBF? Os clubes são parceiros da CBF em mais este erro histórico.

A votação será lembrada durante o ano todo. Uma pena. Uma enorme pena.

 


Vinícius Jr salva a pele de Henrique Dourado e do juiz no Equador
Comentários Comente

Julio Gomes

Eu sei que todos os torcedores querem dizer que o grupo do seu time é o mais forte da Libertadores. Para valorizar vitória, justificar eventual derrota, sei lá. Mas o fato é que esse grupo 4 é o mais difícil da primeira fase. Especialmente para o Flamengo, por ter de jogar duas partidas com portões fechados.

Depois de ser prejudicado contra o River Plate, na partida do Engenhão, o Flamengo voltou a ser atrapalhado pela arbitragem, que não marcou um pênalti claríssimo de Guagua logo no comecinho da partida dest quarta, em Guayaquil. O jogador do Emelec perde o tempo de bola, mete a mão de forma escancarada e ninguém viu nada.

Apesar do erro, o Flamengo foi melhor ao longo da partida. Jogou bem, mesmo em um caldeirão e contra um bom time. Carpegiani percebeu que a esquerda da defesa do Emelec era fraca – uma avenida. Paquetá deitou por ali no primeiro tempo, Vinícius Jr no segundo.

E foi Vinícius Jr, com dois golaços, que virou a partida para salvar a pele do árbitro e também de Henrique Dourado.

Isso mesmo. Todas as boas jogadas do Flamengo na partida acabaram em decisões equivocadas de Dourado, um jogador que tem muito mais vontade do que talento. Ainda com a partida empatada, Dourado perdeu dois gols inacreditáveis de cabeça – supostamente, sua especialidade.

Poucos falarão de Dourado e do juiz graças ao menino Vinícius. Vai durar pouco. Vamos aproveitar.

A vitória não classifica o Flamengo. Como eu disse no começo do texto, o grupo, que ainda tem River e Santa Fé, é equilibradíssimo. O Emelec perde uma invencibilidade de 16 jogos, para se ter uma ideia do feito flamenguista. É um resultado para animar o rubro-negro. E para Carpegiani arrumar um lugar no time para Vinícius Jr.


Saída de Rueda inflama um debate cheio de verdades e mentiras
Comentários Comente

Julio Gomes

A saída de Rueda do Flamengo, rapidamente substituído por Carpegiani, reabre o debate sobre a qualidade dos técnicos estrangeiros versus brasileiros. O burburinho tomou conta das mesas redondas de segunda à noite.

Foi a deixa para muitos defenderem não haver necessidade de trazer estrangeiros para cá, que nós somos os bons, a classe não pode pagar o preço do 7 a 1, etc e tal. Um velho e conhecido discurso mezzo nacionalista mezzo corporativista.

Primeiro, é importante frisar que há bons e maus profissionais de qualquer nacionalidade e área de atuação. Rueda pisou feio na bola. Não por sair. Mas por deixar o Flamengo no escuro e de mãos atadas por três semanas. Não são apenas colombianos que fazem coisas assim. Podemos fazer uma lista de treinadores brasileiros que “abandonaram” seus clubes por uma oportunidade melhor.

Isso é tão comum e tratado com normalidade aqui que a nação ficou boquiaberta quando Muricy Ramalho abriu mão da seleção para seguir no Fluminense.

O que Rueda fez está simplesmente errado. E só serve para fortalecer o discurso nacionalista-corporativista de alguns técnicos, mais preocupados com reserva de mercado e orgulho ferido do que propriamente com a evolução do jogo.

Poucas horas depois do anúncio, lá estava Vanderlei Luxemburgo, outrora melhor técnico do Brasil, vociferando contra os estrangeiros em mesa redonda no Fox Sports.

As pérolas foram muitas. Desde um genial “se eu tivesse ficado dez anos no Real Madrid, teria ganhado alguma coisa” (uau, jura? Acho que até eu teria) até um “Guardiola veio aqui aprender, coloca em prática lá na Europa e é chamado de gênio… gênio somos nós!”.

Lógico que, ao criticar a decisão de Rueda de abandonar o Flamengo para treinar o Chile, Luxemburgo se esqueceu de dizer que ele também abandonou o Santos para ir ao Real Madrid, o Palmeiras para ir ao Cruzeiro, etc.

Jair Ventura, que ainda é novo no ofício, acaba de trocar o Botafogo, com quem tinha contrato, pelo Santos. Mas também criticou Rueda por “não avisar” o Flamengo – como se ele pudesse ter 100% de certeza disso.

No fim das contas, a grande crítica de Jair e Luxa é sobre o fato de “qualquer um” poder vir ser técnico no Brasil e os brasileiros não poderem exercer a profissão em vários países, pois o curso para treinadores da CBF não tem as devidas chancelas. Em vez de se unirem para melhorar o curso da CBF e lutarem nos bastidores pelo reconhecimento, preferem pedir para que haja mais barreiras aos estrangeiros que querem desembarcar por aqui.

O fato é que com as saídas rápidas de Osorio e Bauza do São Paulo, estas menos discutíveis, e a de Rueda, que pegou bem mal, as portas devem se fechar a estrangeiros.

Uma pena, pois o país precisa de intercâmbio, de novas ideias, de novas culturas que enriqueçam o futebol daqui.

A defesa de técnicos brasileiros baseia-se em uma verdade, uma meia-verdade e uma omissão (ou mentira).

A verdade é que o calendário do futebol brasileiro compromete demais o trabalho dos técnicos. Junte a isso o descomprometimento/amadorismo de dirigentes e temos um círculo para lá de vicioso. Treinadores dependem de resultados a cada semana para salvarem a própria pele, mas não têm o mínimo de tempo e condições para trabalhar.

A meia-verdade é que taticamente os treinadores brasileiros não estão atrás de ninguém. Não é bem assim, e má qualidade do jogo aqui atesta isso. Mas sim, concordo com quem diz que nem todos são gênios na Europa e burros por aqui. Houve um buraco de uns dez anos, em que mesmo coisas triviais que aconteciam na Europa não eram vistas por aqui, mas depois do colapso da Copa de 2014 muitos treinadores se sacudiram e viram que era necessário observar mais o que se fazia lá fora.

Há muito conhecimento por aqui, sim, há vários estilos de treinadores, há uma cultura impregnada em nossa sociedade. E há também muito técnico também que não faz questão alguma de adquirir conhecimentos, que ganha muito dinheiro e está o tempo todo empregado justamente devido a esse amadorismo todo que marca o futebol aqui.

Não é só por causa das licenças que os treinadores brasileiros perderam espaço em mercados onde reinaram um dia, como Japão, África e Oriente Médio. E não é coincidência que os três estrangeiros que abandonaram o barco (Osorio, Bauza e Rueda) saíram do Brasil para seleções nacionais.

Quais seleções nacionais estão buscando treinadores brasileiros e desfalcando nossos clubes? Resposta rápida: nenhuma.

Chegamos à omissão. Ou mentira.

Quando os técnicos brasileiros bradam que já ganharam um monte de coisa e que taticamente não tem muita diferença no mundo, eles se auto destroem. Ignoram alguns dos vários argumentos usados por nós mesmos da imprensa, os que defendemos mais estabilidade para os treinadores nos clubes brasileiros.

Esquecem-se que o trabalho do técnico é muito mais do que entender de formação tática. É entender de treinamentos, fisiologia, psicologia, nutrição, tecnologia. Quando falamos que treinadores brasileiros estão desatualizados, nos referimos muito mais a esse leque de coisas.

Por que afinal, que os jogos do Campeonato Brasileiro são tão ruins? Por que técnicos brasileiros não conseguem espaço na Europa ou em seleções?

Luxemburgo, sempre na mesma entrevista no Fox Sports, ridicularizou o fato de haver tanta literatura de futebol sendo produzida em Portugal. “Ganharam o quê? Nunca ganharam nada!”, bradava.

Bem, basta ver o que aconteceu com o futebol português nos últimos 20 anos para saber que alguma coisa aconteceu por lá. O melhor jogador do mundo foi produzido lá. Portugal ganhou, de fato, seu primeiro título europeu. E, capitaneados por José Mourinho, os treinadores portugueses colecionaram muitos triunfos em categorias máximas e ocupam postos de expressão nas grandes ligas do mundo.

Os técnicos portugueses poderiam gritar para Luxemburgo: “e os técnicos brasileiros, vieram aqui e ganharam o quê? Deixaram qual legado?”.

 

A adaptação a uma cultura diferente é sempre difícil. Luxemburgo pode achar que foi boicotado no Real Madrid e Scolari pode achar o mesmo de sua experiência no Chelsea, mas o fato é que o conhecimento futebolístico de ambos, por maior que fosse, não superou vários outros problemas que envolvem uma bagagem cultural que nenhum deles tinha – a começar pelo idioma.

Eu ficava p da vida quando via Luxemburgo ser ridicularizado em programas esportivos na Espanha. Lá, falavam essas mesmas frases feitas que ouvimos por aqui. “Não agrega nada, não traz nada de novo, não conhece a cultura, não tem experiência, etc, etc, etc”.

Não é fácil para um estrangeiro se adaptar ao futebol brasileiro, especialmente em clubes gigantes, com tanta pressão de torcida, imprensa, imprensa-torcida, dirigentes amadores. A própria estrutura dos clubes não facilita em nada para que um cara desses tenham a estabilidade necessária – também por isso, imagino, pulem fora com tanta facilidade.

Nada justifica a maneira como Rueda conduziu sua situação e deixou o Flamengo na mão. Mas isso e o fato de ele ser colombiano têm pouco a ver com o baixo nível geral do futebol brasileiro. Rueda nos fará ouvir muitas ladainhas por bastante tempo e fechará o mercado para muitos outros técnicos de fora.

Estamos no episódio do meio do Star Wars. É a hora do império contra-atacar.


Rueda faz um papelão e queima o filme dos estrangeiros
Comentários Comente

Julio Gomes

Veio Osorio, foi-se Osorio. Veio Bauza, foi-se Bauza. Veio Rueda, foi-se Rueda. Entre eles, é verdade, “fomos” com Aguirre, Gareca, Portugal, Fossatti, etc.

Está difícil para um técnico estrangeiro engrenar no Brasil. É verdade que as condições de trabalho aqui estão longe de serem as ideais. Calendário horroroso, que não dá fôlego para ninguém sério trabalhar, e dirigentes amadores, o que faz com que os técnicos saibam que já estão a ponto de serem demitidos assim que foram contratados.

Ainda assim, não dá para colocar na conta do São Paulo ou do Flamengo o fato de Osorio, Bauza e Rueda saírem para seleções nacionais. Osorio ainda saiu para uma Copa. Bauza, para a seleção de seu país, simplesmente a Argentina. Mas Rueda…

Deixar o Flamengo para ir para um Chile, que nem na Copa vai jogar? Esportivamente, inexplicável.

Mas o que incomoda mesmo foi a forma.

As notícias de Rueda no Chile estão pipocando já há algumas semanas. Da parte do treinador colombiano, sempre foi dito que “não havia nada”. Os dirigentes do Flamengo dizem que, para eles, Rueda sempre disse que não havia nada e que se reapresentaria nesta segunda normalmente.

Rueda chegou, mentiu ao dizer, ainda no aeroporto, que não havia nada com os chilenos, acertou a rescisão e tchau.

Se é verdade que o Flamengo não sabia de nada, é uma das grandes sacanagens dos últimos tempos. Uma falta de profissionalismo daquelas.

Não há problema nenhum em Rueda deixar o Flamengo por uma oferta. É do jogo, cada um sabe da própria vida. Tem problemas de saúde na família e queria ficar perto? Justíssimo.

O problema é deixar o Flamengo cego por tanto tempo e justo em um momento tão delicado, no início de temporada, com o mercado pegando fogo.

Isso tudo, repito, se for verdade a versão flamenguista de que Rueda deixou o clube no escuro o tempo todo. E, como do lado dele, nunca veio informação alguma, não há razão para duvidar do clube. Se Rueda negar tudo isso e disser que sempre deixou o Flamengo informado, repensaremos muitas coisas.

Mas a impressão, de fora, é que o Flamengo só não se desesperou em momento algum porque sempre teve Paulo César Carpegiani na manga. Que, de fato, foi deixado no escuro.

O torcedor tem todo o direito de ficar p da vida com o colombiano. Torcedor que, claro, teve uma parcela grande lá na contratação de Rueda. Nas redes sociais, a pressão foi tão grande que basicamente não houve outra opção para a diretoria que não fosse ir atrás do técnico campeão da América. Ainda foram atrás de Renato Gaúcho, hoje sabemos, mas o técnico do Grêmio recusou.

Rueda nunca se mostrou com a faca nos dentes trabalhando no Flamengo. Fez um trabalho tão bom (ou tão ruim) quanto Zé Ricardo. Bateu na trave em duas finais, mas perdeu ambas. Fez um Brasileirão que não emocionou ninguém.

Não foi tão criticado justamente porque chegou sob clamor popular e porque havia juntado muitos créditos após as bonitas atitudes quando do acidente trágico da Chapecoense, quando ele era técnico do Atlético Nacional.

Havia muita esperança de que seu trabalho aparecesse agora. Não vai aparecer.

E o futebol brasileiro, tão carente de intercâmbio e ideias novas, vê os técnicos estrangeiros chegarem para saírem. Os que tanto defendemos a chegada deles ficamos com cara de tacho. Que papelão, señor Rueda.


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
Comentários Comente

Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Sul-Americana expõe elenco mal planejado e desequilibrado do Flamengo
Comentários Comente

Julio Gomes

O Flamengo acabou o jogo contra o Independiente depositando suas esperanças de título em Lincoln, de 16 anos, Vinícius Jr, de 17, e Vizeu, de 20. Paquetá, que também tem 20 anos, foi o melhor jogador do time e autor do único gol.

Isso, claro, antes de Cuéllar fazer um pênalti estúpido que decretaria o empate e o título para os argentinos. Diego e Arão, os outros meio campistas, fizeram um jogo abaixo da crítica. Ainda bem que Márcio Araújo não estava em campo, senão a culpa, como sempre, seria toda dele. Éverton Ribeiro, que chegou com status de pop star no meio do ano, começou no banco e não mudou nada depois de entrar.

O jogador mais confiável do Flamengo na decisão da Sul-Americana era o goleiro, quem diria. Mais um jovem, César, que não deixou o time na mão.

Onde estavam Geuvânio, Rômulo, Rhodolfo….?

Resumindo: o clube mais popular do Brasil, que acertou suas finanças e tinha (tem) tudo para criar uma verdadeira dinastia no continente, acabou o péssimo ano precisando que os meninos da base salvando a pele de todo mundo. Não conseguiram.

Nada contra usar a base. Mas este não foi o caso de um uso planejado. Foi desespero.

As únicas chances de gol no segundo tempo vieram com Réver, que falhou no ataque e atrás também. Não dá para reclamar dele. Nem dele nem de Juan. Mas parece um pouco arriscado depositar a defesa nos pés de dois veteranos. Réver jogou mancando a partida toda.

Dá para reclamar do árbitro pelo pênalti? Dá. Dá para reclamar pelos pouquíssimos minutos de acréscimos? Dá.

Mas o buraco do Flamengo é mais embaixo. O Independiente está aí para mostrar como é possível montar elencos competitivos e equilibrados com pouco dinheiro.

O tal Barco, de 18 anos, que joga muita bola, vai para a MLS, lá nos Estados Unidos. Nenhum clube brasileiro tem um olheiro decente para pescar este tipo de talento no país vizinho?

Não basta ter grana. O Flamengo precisa contratar com mais inteligência, montar um elenco mais bem pensado e equilibrado. Simples assim. Vai ter de atacar o mercado de forma diferente, vendendo quem tem valor, mas que talvez não se encaixe neste projeto. Outros precisam ser dispensados.

Não adianta só comprar. O Flamengo precisa vender muita gente e, depois, comprar. Guardadas as devidas proporções, sabem quem fez isso no último mercado europeu? O Manchester City. Não foi só atrás de jogadores. Antes de comprar, mandou muita gente embora.

Este foi um time bom o suficiente para se classificar para a próxima Libertadores, ganhar o Estadual e chegar a duas finais de torneios que não eram prioritários. Mas, com todo esse dinheiro, e mesmo com a falta de sorte por algumas lesões e desfalques de outros tipos, o Flamengo precisava ter feito mais. Muito mais.

A diretoria mandou mal no planejamento. Mandou mal ao afastar o torcedor, cobrando preços abusivos ao longo do ano. Muitos jogadores mandaram mal em campo. E, claro, torcida que pula grade, invade estádio e estoura rojão em hotel não merece muitos elogios.


Afinal, será que mudar de técnico é bom ou mau negócio?
Comentários Comente

Julio Gomes

O Campeonato Brasileiro chegou ao fim, e somente seis clubes acabaram a competição com o mesmo treinador do início. Corinthians, Grêmio, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Avaí.

Os outros 14 clubes trocaram de treinador. Alguns deles, mais de uma vez. Foram, no total, 20 treinadores degolados por estes 14 clubes. Isso, sem contar os interinos que assumiram por algumas rodadas e não se firmaram. Ao longo da competição, 46 profissionais diferentes ocuparam o banco de reservas de algum time por pelo menos um jogo.

Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Chapecoense e Vitória são os clubes que chegaram, entre contratados e interinos, a ter quatro técnicos diferentes em seus jogos ao longo do campeonato.

É nítido que a definição sobre contratar e demitir técnicos é feita com pouca razão e pouco conhecimento do assunto. Se formos escolher palavras para definir, de forma genérica, a atuação de dirigentes de futebol no país elas seriam amadorismo, paixão, inconsequência. Dificilmente escolheríamos profissionalismo, planejamento, responsabilidade financeira. Dirigentes, a maioria (não todos, mas a maioria) atuam como torcedores.

Mas o que esse campeonato mostra, dentro do equilíbrio incrível que marca o futebol brasileiro, é que não existe uma regra. Algumas vezes, mandar treinador embora simplesmente dá certo. Outras vezes, não.

É fato que é muito difícil um time ser campeão trocando de técnico ao longo do campeonato. Este é o oitavo seguido em que quem ganha o título mantém o mesmo treinador do início ao fim – a última exceção foi o Flamengo de 2009. Em 15 anos de pontos corridos, só três campeões mudaram de técnico ao longo do percurso, ou seja, 20% (os outros foram Santos-2004 e Corinthians-2005)

É fato também que quem ganha o campeonato costuma estar na liderança já em algum momento do primeiro turno, então nenhum dirigente é louco de demitir o técnico que está dando certo.

No caso de 2017, o Corinthians efetivou Fábio Carille e foi com ele até o fim. Outros dois clubes que não mandaram treinadores embora foram Grêmio e Cruzeiro. O primeiro, com Renato Gaúcho, mostrou bom futebol durante todo o ano, chegou à semifinal da Copa do Brasil e acabou ganhando a Libertadores. Já Mano Menezes só passou a ter vida tranquila no Cruzeiro depois do título da Copa do Brasil.

O Botafogo teve um grande ano com Jair Ventura, uma campanha heróica na Libertadores, foi à semi da Copa do Brasil e tinha tudo para acabar entre os cinco primeiros no Brasileiro. Mas despencou no último mês de jogos e acabou fora até da pré-Libertadores. Digamos que não deu tempo para demitirem Jair.

O Fluminense colocou nas mãos de Abel o projeto de lançar jovens. Não foi um bom campeonato, mas correu poucos riscos. Houve uma tragédia pessoal no meio do caminho que faria com que demitir o Abel se transformasse, também, em uma péssima ação de relações públicas.

E o Avaí, por fim, foi o único time “rebaixável” desde o início que apostou na estabilidade. Manteve Claudinei Oliveira do início ao final. Louvável. Mas não adiantou. E se o Avaí tivesse trocado de técnico? Teria se salvado? Teria caído algumas rodadas antes? Nunca saberemos.

Nós, que defendemos estabilidade e responsabilidade financeira, inclusive com regras mais rígidas para evitar a dança das cadeiras, estávamos torcendo pelo Avaí. Claro que seria o exemplo para provar o ponto. Não provou nada, admito.

De alguma forma, no entanto, a tristeza dos jogadores do Avaí, comprometidos com Claudinei, contrastou com uma aparente indiferença do Coritiba, o último rebaixado na última rodada.

Um Coritiba que no início do ano mandou embora Paulo César Carpegiani, que havia livrado o clube da queda no ano passado e foi demitido após a eliminação para o ASA na Copa do Brasil. O Coxa começou o Brasileiro com Pachequinho, trocou para Marcelo Oliveira e… não deu certo.

Como não deu certo para o Atlético-GO, que demitiu dois antes de efetivar João Paulo Sanches e ter aproveitamento melhor. Como não deu certo para o Flamengo, que com Zé Ricardo fez 29 pontos nos 19 jogos do turno (51% de aproveitamento). Sem ele, fez 24 pontos no returno (44% com Rueda). Como não deu certo para a Ponte Preta, que somou 28 pontos em 24 jogos com Gilson Kleina (39%) e apenas 11 em 13 jogos com Eduardo Baptista (28%).

Gilson Kleina e Zé Ricardo foram daquela para uma melhor, e acabaram levando Chapecoense e Vasco à classificação para a fase prévia da Libertadores.

Com Kleina, a Chape teve aproveitamento de 70% nas nove rodadas finais, não perdeu um jogo sequer e acabou como “campeã” do returno. Mas é bom lembrar que a Chape havia demitido no começo do campeonato Vágner Mancini, que depois ajudaria o Vitória a se salvar do rebaixamento.

O Vasco demitiu Milton Mendes com 25 pontos em 21 jogos, uma posição acima da zona de rebaixamento (39%). Com Zé Ricardo, teve 58% de aproveitamento e acabou em sétimo lugar.

Os casos de Chapecoense e Vasco são os casos claros de mudanças de técnico que deram certo. Isso ficou nítido também nos casos de São Paulo e Bahia.

Mas não está claro, por exemplo, se as mudanças realizadas em Palmeiras, Santos, Atlético-MG e Atlético-PR fizeram os times melhorarem ou não. Será que o Palmeiras de Cuca, o Santos de Dorival, o Galo de Roger e o Atlético-PR de Baptista teriam acabado melhor ou pior do que acabaram? Impossível dizer.

Mesmo o caso do Sport é de puro palpite. Depois de assumir no lugar de Luxemburgo, Daniel Paulista empatou um e perdeu quatro dos cinco primeiros jogos. Mas ganhou os três finais, tendo a sorte de pegar Fluminense e Corinthians desinteressados nas rodadas derradeiras. O aproveitamento com Luxa era de 38%, com Daniel Paulista foi a 41%. Será que Luxemburgo não teria salvado o Sport?

Está claro que a estabilidade no comando técnico é necessária para times que estejam buscando o título. Mas e para as vagas na Libertadores? E para a fuga de rebaixamento? Não está nada claro. Dá certo para alguns, errado para outros.

 


Todos os cenários que podem botar (ou tirar) o Flamengo na Libertadores-18
Comentários Comente

Julio Gomes

Com a grande vitória sobre o Junior na Colômbia, na noite de César, o Flamengo disputará a final da Copa Sul-Americana contra o Independiente. Convém não subestimar o time argentino, que é grande – é o maior campeão da história da Libertadores.

Apesar do alívio momentâneo e da presença em mais uma decisão, em um ano em que o clube transita o tempo inteiro entre o trágico e o aceitável, o Flamengo ainda não está garantido na Libertadores do ano que vem. Longe disso.

Tudo dependerá do jogo contra o Vitória, domingo, em Salvador, pela última rodada do Brasileiro. E, talvez, da final continental.

O melhor cenário é bater o Vitória e já se garantir na fase de grupos da Libertadores, jogando a decisão somente pela taça. Mas, se não vencer em Salvador, o Flamengo muito provavelmente precisará ganhar a Sul-Americana para jogar a Libertadores de 2018. O jogo de ida será na Argentina, quarta que vem, com a volta no Rio, dia 13 de dezembro.

Entenda todas as possibilidades:

– Flamengo vence Vitória no domingo. Neste caso, estará diretamente classificado para a fase de grupos da Libertadores e a final da Sul-Americana servirá “apenas” pelo título (e para eventualmente abrir uma nova vaga na Libertadores para outro time brasileiro).

– Flamengo empata com o Vitória. Neste caso, só garantirá vaga na fase de grupos se Vasco, Botafogo e Chapecoense não vencerem seus jogos. Garante vaga na pré-Libertadores caso um ou dois destes três times citados não vençam (neste caso, o título da Sul-Americana serviria para o Flamengo escapar da fase prévia e entrar direto nos grupos). Porém, se o Fla empatar e Vasco, Botafogo e Chape vencerem no domingo, aí o rubro-negro acabará o Brasileirão em nono lugar e dependerá do título da Sul-Americana para jogar a Libertadores-2018. Sem título, sem vaga.

– Flamengo perde do Vitória. Neste caso, só garantirá vaga na fase de grupos se o Vasco perder também e se Botafogo, Chapecoense e Atlético-MG não vencerem seus jogos. Garante vaga na pré-Libertadores se dois dos quatro times citados acima tropeçarem (Vasco perder, Fogo, Chape e Galo não ganharem). Se três deles ou se todos eles conseguirem o resultado que lhes interessa, o Flamengo dependerá do título da Sul-Americana para jogar a Libertadores.

O Vasco joga em casa contra uma já rebaixada Ponte Preta. O Botafogo joga também em casa contra um desinteressado Cruzeiro. A Chapecoense joga contra um desesperado Coritiba, que precisa do resultado para não cair. E o Atlético-MG recebe um Grêmio de ressaca e que não terá nem o técnico no banco.

É muito, muito, muito difícil imaginar que Vasco e Atlético-MG não vençam seus jogos. A vitória do Botafogo é provável, e a Chapecoense é quem tem o jogo mais duro.

Portanto, se o Flamengo derrotar o Vitória (que também depende do resultado para se manter na Série A) estará na fase de grupos da Libertadores. Se empatar ou perder, a pré-Libertadores é uma possibilidade, mas dependeria de tropeços alheios.

O Vitória é o pior mandante do Brasileiro, com 14 pontos somados em 18 jogos (três vitórias, cinco empates e dez derrotas), 26% de aproveitamento – ganhou só um dos últimos oito jogos no Barradão. O Flamengo é o quinto pior visitante, com 17 pontos em 18 jogos (quatro vitórias, cinco empates e nove derrotas), 31% de aproveitamento – ganhou só um dos últimos onze jogos fora de casa pelo Brasileiro, com oito derrotas nos últimos nove.

O jogo do turno, em 6 de agosto, teve vitória dos baianos por 2 a 0, o que selou a demissão de Zé Ricardo do Flamengo. No retrospecto histórico, no entanto, os cariocas têm ampla vantagem. Nos últimos dez anos, o Flamengo jogou seis vezes em Salvador, com duas vitórias, três empates e só uma derrota.

Um mau resultado no Barradão deverá colocar no time de Rueda toda a pressão do mundo para vencer a Sul-Americana e salvar 2017 (que acabaria com um título) e 2018 (garantindo vaga na Libertadores).

 


Júlio César e Zé Roberto: dois grandes brasileiros que se vão do futebol
Comentários Comente

Julio Gomes

A maneira de o brasileiro ver e falar de futebol é muito próxima de um moedor de carnes. Ao mesmo tempo em que ídolos são gerados em 5 minutos, reputações inteiras são moídas após um erro ou após uma escolha que não agrade à maioria apaixonada.

Júlio César e Zé Roberto não são unanimidade no futebol.

Brasileiro.

Porque em todos os grandes centros europeus eles construíram uma reputação irretocável. Especialmente, claro, na Itália e na Alemanha.

Vou contar duas historinhas que aconteceram comigo, nos anos em que tive a grande oportunidade de cobrir de perto o futebol europeu.

No fim de 2004, fui a Munique. E combinei com Zé Roberto uma entrevista para a revista “Placar”. Ele marcou o encontro para a Marienplatz. Para quem não conhece Munique, é a principal praça da cidade, uma espécie de Praça da Sé de Munique – só que um pouquinho mais limpa :-).

Achei estranho. Como assim, na Marienplatz? Assim, no meio das pessoas? E foi lá que nos encontramos. Entramos em um café e conversamos longamente. O cara era simplesmente titular do Bayern de Munique. Onde, em alguma outra oportunidade, cheguei a encontrá-lo também. Um CT incrível.

O que mais me chamou a atenção? O respeito. A maneira como as pessoas se aproximavam dele, cumprimentavam, mostravam admiração. Eu não falo mais do que meia dúzia de palavras em alemão. Mas gestos e olhares são suficientes para compreender o que estava acontecendo.

E Júlio César. Bem, sobre ele eu sempre achei o mesmo que um monte de vocês achavam ou acham. “Mascarado”.

Ledo engano. Com ele, me encontrei em Milão em 2006 ou 2007, por aí. A ideia era apenas fazer uma entrevista para a Band. Mas Júlio César abriu as portas da casa dele. Conheci Suzana Werner, brinquei com os filhos, ganhei carona. Nada me pareceu mais humano do que aquele casal de celebridades. O apartamento era muito perto do estádio San Siro. Na ocasião, ele me contou que voltava à pé das partidas. Assim, no meio do povo. “Mesmo em dia de Inter x Milan?”. “Sim”.

Em 2010, Júlio César foi indiscutivelmente (vou repetir, indiscutivelmente) o melhor goleiro do mundo. Atuações muito consistentes em uma Inter de Milão que conquistou a Europa após décadas de seca. O Brasil tem sido um grande fabricante de goleiros nas últimas décadas. Mas, depois de Taffarel, que goleiro brasileiro foi o melhor do mundo? Só Júlio César.

Mas, por não ter sido um goleiro ultravitorioso no Flamengo, por uma falha na Copa de 2010 e pelos 7 a 1, é visto com desdém por muitos aqui. Em 2010, a falha deveria ser compartilhada com Felipe Melo. E mais: uma falha não faz de ninguém um idiota, assim como um acerto não faz de alguém um craque. O futebol é cruel demais.

Em 2014, eu não teria chamado Júlio César para a Copa. Mas o que ele teve a ver com o 7 a 1? Nada. Ou quase nada. Não fosse ele, talvez o Brasil nem tivesse passado pelo Chile nas oitavas de final.

Zé Roberto foi outra “vítima” do Flamengo. Depois de anos para lá de espetaculares na Portuguesa, Zé Roberto passou a fazer parte da seleção brasileira. Foi parar em um Real Madrid estrelado, onde ele precisaria de tempo para ganhar espaço. Voltou para o Flamengo, caiu na fogueira, não foi nada demais. Portanto, nunca foi visto como o craque que sempre foi pela grande imprensa.

A partir daí, Zé Roberto foi quase campeão europeu e alemão com o pequeno Bayer Leverkusen. E foi titular por muitos anos de um gigante como o Bayern. Aprendeu alemão, se adaptou ao país. Menos mal que treinadores de futebol (especialmente Parreira e Zagallo) ignoravam as mesas redondas que sempre “escolhiam” Zé Roberto para ficar fora das convocações e times titulares da seleção.

O Brasil foi “descobrir” que Zé Roberto era bom de bola em 2006, quando ele fez uma grande Copa do Mundo em um time que deixou a desejar. Depois, triunfou no Santos, no Grêmio, no Palmeiras. Mostrou ser zero egoísta ao pedir dispensa da seleção de Dunga em 2007, “para dar lugar aos mais jovens”. Curiosamente, quando acabou o ciclo de Zé na seleção, começou o de Júlio César titular do gol. Eles estiveram pouco tempo juntos, portanto.

Zé Roberto encerrou a carreira com honras. Fez parte da reconstrução de um gigante, como o Palmeiras. Só depois de passar por times mais midiáticos ganhou um pouco do tamanho que merece.

Ainda assim, poucos colocariam Zé Roberto no lugar que merece na história do futebol brasileiro. Falei um pouco disso neste post de dois anos atrás.

Júlio César e Zé Roberto são dois exemplos a serem seguidos. De adaptação em outros países, de respeito adquirido, de profissionalismo, de capacidade técnica, de construção familiar, de lisura nos clubes por onde passaram.

Eles deixam um belo legado. Que definitivamente não pode ser minimizado por frases do tipo “ganhou o quê?”, “falhou naquele dia”, “não fez nada não sei onde”.

O Palmeiras acerta em cheio dando um cargo imediato para Zé Roberto. Espero que não seja só para parecer bacana, só para consumo externo.

Já o Flamengo deveria ter trazido Júlio César de volta muito tempo atrás. Para jogar, não dá mais. Que seja, então, para cuidar de seus goleiros, porque está precisando.