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O ano flamenguista foi vergonhoso do início ao fim
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Julio Gomes

Se 81 é o maior ano da história do Flamengo, o 18 é o inverso. OK, infame. Mas não tão infame quanto a temporada rubro-negra.

O flamenguista deve estar de saco estourando com o time. Mais de 66 mil pessoas foram ao Maracanã para ver o time se despedir com vitória do campeonato. E nem isso conseguiram.

Com todo esse orçamento, cota de TV gigante, contratações a rodo… o Flamengo passa o ano em branco. E é difícil escolher o momento mais deprimente do 2018 flamenguista.

O ano começou com a lenga lenga em torno de Rueda. Aí Carpegiani, que chegava para ser o pulso firme no futebol, vira técnico tampão e cai. E cai porque perde a semifinal do Carioca para o Botafogo, como se o Carioquinha fosse prioridade para um clube do tamanho do Flamengo.

Aí tem o repique, o sopro de esperança, com a liderança do Brasileiro antes da Copa.

Mas deixam Vinícius Jr ir embora para o Real Madrid. Acumulam-se as derrotas. Eliminação na Libertadores. Eliminação na Copa do Brasil para esse ridículo time do Corinthians. Troca de técnico. Presidente em campanha eleitoral. Goleiro-estrela afastado do elenco. E a venda de mais uma “joia”, Paquetá.

Enquanto o Palmeiras segurou Dudu, que não é nenhum moleque, o Flamengo perde em poucos meses o seu presente, o seu futuro.

O gran finale? Em algumas horas, o “não” de Renato Gaúcho e a derrota para o mistão do Atlético-PR no Maracanã, na despedida de Paquetá e com quase 70 mil almas no estádio.

O que o Flamengo precisa fazer diferente?

Tem um monte de coisa que pode e tem que mudar, se o Flamengo quiser mesmo se posicionar como a grande força do futebol brasileiro, contestando uma certa hegemonia que o Palmeiras começa a criar. As eleições determinarão os próximos passos. O Flamengo precisa de um organograma mais claro no futebol, de liderança, estratégia e contratações bem feitas, um elenco mais equilibrado.

Quando escrever cartinha para o Papai Noel, talvez o flamenguista nem peça títulos em 2019. Peça apenas para parar de passar vergonha.

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Por que o Flamengo não ganha nada?
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Julio Gomes

“Que baita contratação a do Flamengo. Diego Alves é um goleiraço. Vem dinastia por aí. Pro Flamengo ganhar tudo é só questão de tempo”.

Este infeliz tweet foi escrito por mim mesmo, no dia 17 de julho do ano passado. Desde então, ele me assombra.

É claro que não perco um minuto de sono por causa dele. Mas não há uma maldita derrota do Flamengo desde então que não gere alguns “kkkk”, “hahahaha”, “esperando a dinastia…”, “apaga que dá tempo” ou “meu tweet predileto” passando pela minha timeline.

Eu me divirto! Fico imaginando a falta do que fazer das pessoas que aguardam uma derrota do Flamengo para me lembrar da péssima previsão.

E vejam. Não dá para dizer que uma dinastia não aconteceu (e muito menos que aconteceu) após um ano. Eu poderia ser cornetado pelo tweet daqui uns anos… mas agora? Assim tão rápido?

Só que aí Diego Alves, que eu realmente acho um goleiraço e nunca havia dado muitas pistas de egocentrismo, faz o que fez. Pode até vir dinastia, mas não será com ele no gol… hehe. Então, OK, está na hora de falar deste meu tweet e sobre o Flamengo.

Qualquer pessoa com mais de 10 anos de idade cresceu ouvindo. “A hora que o Flamengo se organizar, não vai ter para ninguém…”

O clube sempre foi sinônimo de bagunça, má gestão e descaso com as contas. Pois bem, o Flamengo se organizou. Ninguém pode tirar esse mérito dos seis anos de Eduardo Bandeira de Mello na presidência.

Pagou dívidas, modernizou as condições de treinamento, fez bons acordos financeiros. Uma potência como o Flamengo, com dinheiro para gastar, poderia, sim, criar uma dinastia.

Só que a gestão esportiva foi simplesmente muito ruim.

O jornalista e amigo Mauro Cezar Pereira, da ESPN, com muitas fontes dentro do clube, relata o excesso de paternalismo e a falta de um comando firme no ambiente interno.

As trocas de treinadores tiveram pouca coerência. O episódio do início do ano – em que o Flamengo ficou no escuro sobre Rueda para, então, efetivar um Carpegiani, que havia chegado para fazer outra coisa, e logo depois demiti-lo por insucesso no Estadual – mostra como o clube atuou mal em seu departamento de futebol.

As contratações parecem ter sido muito mais baseadas em nomes e oportunidades de mercado. Populismo puro. Agrada, gera elogios na imprensa “especializada” (muitas vezes torcedora) e faz o torcedor se sentir bem.

Exemplo disso: o ex-diretor Rodrigo Caetano tendo seu nome cantado por torcedores no aeroporto, quando o clube contratou Éverton Ribeiro. Onde já se viu tamanha homenagem a alguém que nem entra em campo?

Um bom elenco não sai de contratações assim. É preciso pensar no elenco como um todo. Não só com dois jogadores para cada posição (o Flamengo tampouco tem isso), mas com jogadores que se encaixem e que tenham o perfil necessário para um determinado jeito de jogar que o clube entenda ser o melhor.

No ano passado, o Flamengo não tinha um goleiro de nível minimamente razoável, o que foi notado na Copa do Brasil. Gastou dinheiro e tempo com Guerrero. Neste ano, pouco se esforçou para segurar Vinícius Jr até o fim do ano. No banco de reservas e ganhando um belo salário estão Henrique Dourado e Geuvânio – alguém tinha visto esses caras jogarem? As laterais são posições críticas. Agora, o gol volta a ser um pepino.

Nos seis anos de Bandeira de Mello, o Flamengo ganhou uma Copa do Brasil (2013) e dois Cariocas (hoje, o Estadual é pouco para o Flamengo e, além do mais, dadas as condições financeiras de Vasco, Fluminense e Botafogo, o Flamengo deveria ganhar o Carioca todos os anos).

O clube colecionou fracassos (às vezes, papelões) na Libertadores e até na Sul-Americana. E, no Brasileiro, não é que esteja exatamente passando perto de ser campeão todo ano. O “cheirinho” e o “deixou chegar” viraram motivo para piada.

Talvez eu tenha exagerado ao falar em “dinastia” naquele tweet do ano passado. Em nosso futebol, tão nivelado, com tantas camisas pesadas e com este calendário ridículo, é difícil imaginar um clube criando algum tipo de supremacia. Ganhar Brasileiro e Copa do Brasil segue sendo coisa de um time só, o Cruzeiro do longínquo ano de 2003.

Mesmo soberanias com a do Palmeiras, nos anos 90, do São Paulo, nos anos 2000, e do Corinthians, nesta segunda década do novo milênio, são intermitentes e curtas.

OK, admito. Diego Alves não iria mudar, como não mudou, o patamar do Flamengo. Não vai vir dinastia alguma. Agora, não ganhar nada… NA-DA… é, sim, surpreendente.

Tempos melhores podem e devem vir ao Flamengo. Mas gente do futebol e que entenda de futebol precisa estar no comando. Mesmo aqui no Brasil, ganhar não é para amadores.

 


Empate no Rio deixa Palmeiras com a mão na taça
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Julio Gomes

O Palmeiras jogou fora de casa, desfalcado de várias peças importantes, com improvisação na lateral direita e com o Maracanã pulsando contra ele. Ainda assim, conseguiu um ponto valiosíssimo neste sábado, no Rio. Um ponto de título. O verde já tem uma mão na taça.

O Flamengo precisava de todas as maneiras ganhar o jogo para esquentar a briga no Brasileiro. Mas o Palmeiras virou, definitivamente, a maior pedra no sapato flamenguista nos últimos anos. Conseguiu segurar a pressão flamenguista neste sábado com uma defesa muito sólida.

Ainda faltam sete rodadas para o final do campeonato, mas o Palmeiras tem uma vantagem de quatro pontos para o Flamengo e de cinco para o Inter, que tropeçou duas vezes seguidas. Ou seja, há margem de erro. Gordura.

É verdade que o Palmeiras agora tem uma montanha para escalar contra o Boca Juniors e, em seguida, partidas duras contra Santos e Atlético-MG, no Horto. Mas, depois disso, os cinco jogos finais do Palmeiras são cinco jogos em que dificilmente algum ponto ficará pelo caminho.

Quem quiser tirar o título do Palmeiras terá de ultrapassá-lo nas duas próximas rodadas. O que é difícil de imaginar.

Luiz Felipe Scolari conseguiu o que queria, evitou a derrota no Rio. E está perto, muito perto, de seu primeiro título relevante nos pontos corridos.

 


Clássico é de vida ou morte para o Flamengo, não para o Palmeiras
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Julio Gomes

Muita gente vai chamar o jogo de sábado que vem, entre Flamengo x Palmeiras, de “final antecipada” do campeonato.

O Palmeiras chegará quatro pontos à frente. O Inter, se vencer o Santos nesta segunda, estará entre eles. Faltarão mais sete rodadas após o duelo direto.

Não dá para chamar de final antecipada. Assim seria se claramente o vencedor saísse do jogo com a mão na taça. Pode até ser o caso com o Palmeiras. Se o Inter tropeçar contra o Santos ou contra o Vasco, sexta que vem, no Rio, e o Palmeiras ganhar no Maracanã, já podem dar a taça. O Palmeiras precisará apenas administrar.

Mas, se o Flamengo vencer o Palmeiras, pode dizer que o Fla terá a mão na taça? Claro que não.

O jogo é de vida ou morte para o Flamengo, mas não para o Palmeiras. Se o Flamengo perder em casa e ficar sete pontos atrás, adeus título. Se o Palmeiras perder no Rio, ainda será líder do campeonato – que pegará fogo.

Um empate seria ótimo para o Palmeiras, que vai jogar desfalcado de seus laterais direitos e de seus dois principais jogadores “domingueiros”, aqueles que levaram o time à ponta no Brasileiro: Lucas Lima e Deyverson.

O jogo do primeiro turno foi de muita briga. Espero que o do segundo seja de muita bola.

O Palmeiras tem os dois jogos contra o Boca Juniors ensanduichando a partida contra o Flamengo. Devido às suspensões no Brasileiro, Scolari terá de botar alguns para jogar três partidas seguidas – ou apelar a reservas menos rodados.

É uma final para o Palmeiras, que pode por a mão na taça. Para o Flamengo, que vem de três vitórias contundentes, é vida ou morte.


Santos, voando com Cuca, pode ser fiel da balança no Brasileiro
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Julio Gomes

Santos e Paraná. Estes são os únicos dois clubes que, daqui até o fim do Brasileiro, enfrentam os três líderes da competição – realisticamente falando, únicos que podem chegar ao título: Palmeiras (59 pontos), Internacional (56) e Flamengo (55).

O Paraná, lanterna e virtual rebaixado, joga com os três em casa. Recebe o Flamengo no próximo fim de semana (rodada 30), o Palmeiras na 35a rodada e o Inter na última.

Mas quem promete mesmo ser o fiel da balança é o Santos, que visita os três postulantes à taça e busca entrar no G6, para estar na próxima Libertadores da América. Vai ao Beira-Rio na segunda-feira que vem, fechando contra o Inter a próxima rodada. Faz o clássico contra o Palmeiras na rodada 32 (4/11) e vai ao Rio pegar o Flamengo na 34 (14/11). Nas próximas cinco rodadas, que prometem encaminhar o campeão, em três delas o Santos estará frente a frente com um dos times que ocupam as três primeiras posições da tabela.

E isso é muito relevante, principalmente pelo fato de o Santos ser um dos times mais quentes do campeonato – neste momento, só o Palmeiras vive fase ainda mais consistente.

Antes da chegada de Cuca, o Santos (com Jair Ventura) havia vencido 4, empatado 4 e perdido 7, feito apenas 16 pontos, com 36% de aproveitamento (números de Z4) e, em média, mais de um gol sofrido por partida.

Desde agosto, com Cuca, o Santos ganhou 7, empatou 5 e perdeu 2 jogos no Brasileiro, aproveitamento de 62% (números de G4). A defesa levou apenas sete gols, um a cada duas partidas, e Gabriel Barbosa virou artilheiro isolado do campeonato.

Após um início ruim, de quatro jogos sem vitórias, Cuca levou ao Santos a uma ótima sequência. O time só perdeu uma das últimas 14 partidas que fez pelas três competições (está eliminado da Libertadores e da Copa do Brasil), sofrendo apenas quatro gols nesta série de jogos.

Curiosamente, Felipão reestreou pelo Palmeiras na mesma rodada de Cuca, a 17a do campeonato, antepenúltima do turno. Com Luiz Felipe Scolari, o Palmeiras está invicto no Brasileiro e tem um aproveitamento surreal, de 96%.

Se pegarmos somente este recorte do campeonato, de agosto para cá, desde as chegadas de Scolari e Cuca, o Palmeiras é o time de melhor aproveitamento, tanto que chegou à liderança, o Inter é o segundo (69% dos pontos ganhos), o Atlético-PR vem em terceiro e, o Santos, em quarto. Se tirarmos da conta os tropeços iniciais da era-Cuca, no entanto, o Santos só fica atrás do Palmeiras.

No turno, o Santos perdeu do Inter em casa (1-2) e empatou com Palmeiras (1-1) e Flamengo (1-1). Como serão os confrontos do returno, agora que o time ganhou tanta solidez e mudou de cara?

Faltam somente nove rodadas para o fim do campeonato e tudo indica que o campeão será quem estiver na frente após a rodada 34, principalmente se esse time for o Palmeiras, que tem confrontos melhores que a concorrência nas rodadas finais.

Nos jogos do primeiro turno contra os adversários que ainda têm pela frente, o Internacional somou 22 de 27 pontos possíveis. O Palmeiras fez 16, sendo 6 ainda em 5 jogos com Roger e 10 pontos em 4 jogos com Scolari). Já o Flamengo somou 14 pontos contra os adversários que tem pela frente, com derrotas para São Paulo, Grêmio e Atlético-PR, três das seis que sofreu no campeonato todo.

No pós-Copa, o Flamengo é um time com desempenho pior do que Palmeiras, Inter e o “intruso” Santos. Mas, desde a chegada recente de Dorival Jr, não sofreu um gol sequer e conseguiu vitórias contundentes em Itaquera e no Fla-Flu. E ainda tem a vantagem de fazer um confronto direto, em casa, contra o Palmeiras (sábado, 27/10).

Palmeiras e Inter, os dois melhores mandantes do Brasileiro (o Inter segue invicto em Porto Alegre), fazem cinco jogos em casa e quatro fora na reta final. Já o Fla joga quatro em casa e cinco fora.

Estes são os jogos que faltam para os candidatos ao título Brasileiro:

Rodada 30
Palmeiras x Ceará
Paraná x Flamengo
Inter x Santos

(meio de semana: Boca Juniors x Palmeiras)

Rodada 31
Vasco x Inter
Flamengo x Palmeiras

(meio de semana: Palmeiras x Boca Juniors)

Rodada 32
São Paulo x Flamengo
Palmeiras x Santos
Inter x Atlético-PR

(meio de semana: primeira final da Libertadores)

Rodada 33
Botafogo x Flamengo
Atlético-MG x Palmeiras
Ceará x Inter

(rodadas 34, 35 e 36 afetadas por data Fifa)

Rodada 34 (meio de semana)
Flamengo x Santos
Palmeiras x Fluminense
Inter x América

Rodada 35
Paraná x Palmeiras
Botafogo x Inter
Sport x Flamengo

Rodada 36 (meio de semana)
Flamengo x Grêmio
Palmeiras x América
Inter x Atlético-MG

Rodada 37
Cruzeiro x Flamengo
Vasco x Palmeiras
Inter x Fluminense

(meio de semana: segunda final da Libertadores)

Rodada 38
Paraná x Inter
Flamengo x Atlético-PR
Palmeiras x Vitória

 


Flamengo embala com ‘supergoleadas’ raríssimas hoje em dia
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Julio Gomes

Se descontarmos o Carioquinha, o Flamengo havia feito 41 jogos nesta temporada por Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil antes das vitórias sobre Corinthians e Fluminense.

Nos 41 jogos anteriores, o time havia feito três ou mais gols em somente duas ocasiões. Um 3 a 0 sobre o Ceará, na terceira rodada do campeonato, ainda em abril. E um 4 a 1 sobre o Sport, em julho, no pós-Copa. O Ceará do pré-Copa e o Sport do pós-Copa foram os times com piores sequências no Brasileiro.

Ou seja, o Flamengo não havia feito três gols em nenhum jogo realmente competitivo – até agora. De repente, em oito dias, faz 3 a 0 no Corinthians em Itaquera, um estádio difícil para qualquer um, e 3 a 0 no Fla-Flu, um clássico.

Para alguns, 3 a 0 é goleada. Para mim, não é. Mas, no futebol brasileiro de hoje em dia, 3 a 0 é uma supergoleada.

Dorival Jr não é mago. É um bom treinador e um sujeito honesto, íntegro, bem educado e equilibrado. Mas não está na categoria de gênio.

Se houve uma mudança no Flamengo após a saída de Barbieri e a chegada de Dorival foi a contundência. O time segue com posse e volume, mas é mais contundente na tentativa de definir jogadas. E, claro, tem sorte também. Às vezes, bolas não entram, às vezes, entram. Se não tentar, não entram – essa é uma certeza inexorável. O Fla está tentando mais.

Há de se esforçar para ser feliz. O discurso de “saber sofrer” cansa.

Mudanças de treinador nunca são desejáveis. Mas às vezes um bom time, mesmo que bem montado, não consegue fazer resultados. Precisa de uma palavra diferente, uma confiança extra, uma sorte aqui ou ali. E pode engrenar.

Os placares contundentes que o Flamengo conseguiu contra Corinthians e Fluminense não são raras apenas para o Flamengo. São raras no campeonato e no futebol brasileiro de uma forma geral. Quem faz 1 a 0, se dá por satisfeito, recua e comemora, como fez Mano Menezes na quarta-feira.

Vitórias fáceis viraram algo tão raro que nem lembramos mais como era isso. O Flamengo não virou uma máquina, mas está fazendo o que Palmeiras, Inter, Grêmio, São Paulo, ninguém faz.

A troca de técnico teve o efeito desejado. O time mudou de humor, de atitude e os resultados aparecem.

A tabela mostra agora um duelo contra o lanterna e virtual rebaixado Paraná e, depois, os confrontos ultradecisivos contra Palmeiras e São Paulo. O Flamengo está mais vivo do que nunca.

 


Problema do Flamengo não é treinador, é má gestão do futebol
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Julio Gomes

O Flamengo demitiu mais um técnico. Agora, Maurício Barbieri. Não ficarei aqui defendendo estabilidade de treinadores, etc.

A instabilidade de treinadores no Brasil é ruim e se deve a muitos fatores. Desde o amadorismo dos dirigentes até o calendário nefasto e o próprio comodismo de muitos treinadores, para quem é conveniente pular de galho e galho e ficar só esperando a próxima boa proposta.

Trocar de técnico costuma não dar em nada. Mas, às vezes, funciona, vide Palmeiras, indo de Roger a Felipão, vide Real Madrid, chamando Zidane no meio de uma temporada. A maioria das trocas em meio de campeonato não ajuda, algumas ajudam. É uma aposta.

Quando treinador e jogadores não falam a mesma língua ou quando o trabalho simplesmente não evolui, trocar pode dar certo. O Flamengo tem 12 jogos para ser campeão brasileiro. Está na briga e tem jogadores para ganhar. Poderia ser com Barbieri? Pode ser com um técnico da velha guarda? Ou com interino? É loteria. Pode ser com qualquer um, basta sentar lá na cadeira, rolar uma química com os atletas e engatar duas ou três vitórias. Cria-se ambiente vencedor e a coisa vai.

Um mês no futebol é muita coisa. A Grécia foi campeã da Europa em um mês. A Croácia foi finalista da Copa em um mês. Quando a coisa dá certo, o período curto ajuda.

Portanto, não critico a demissão de Barbieri nesse sentido. Trocar agora pode até dar certo.

Mas o problema do Flamengo claramente não é de treinador. Já passaram por lá de todos os tipos. Novos, velhos, bons e ruins. Até houve um esforço para segurar nomes como Zé Ricardo e o próprio Barbieri. Mas o buraco é mais embaixo.

O problema do Flamengo é de gestão de futebol. Diretoria permissiva em relação aos jogadores, muitas contratações erradas, pagando valores acima do aconselhável e com elenco descompensado. Muito atleta para as mesmas posições e outras posições sem nenhum atleta de bom nível.

O Palmeiras, em sua gastança, montou um elenco muito mais coeso do que o do Flamengo, só para usar o exemplo do outro “rico” do futebol brasileiro.

A gestão Bandeira de Mello foi ótima para as finanças do Flamengo. E isso renderá frutos quando o clube cair em mãos que entendem de montagem de elenco de futebol. Hoje, não está.

 

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Queridinha do Brasil faz a alegria de três das maiores torcidas
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Julio Gomes

A vitória da Chapecoense sobre o Internacional, nesta segunda à noite, representou um suspiro de alívio para as torcidas de São Paulo, Palmeiras e Flamengo, três das maiores do Brasil.

Time que já tinha a simpatia geral por ser o patinho feio na elite, ganhou o coração de todos após a tragédia de Medellín e, agora, deixa tanta gente feliz. A Chape, de quebra, sai da zona do rebaixamento.

O Inter poderia assumir a liderança isolada e ganhar ainda mais moral para o resto do Brasileiro. Pelo contrário. Em uma rodada que parecia favorável ao Colorado, enfrentando um time da zona de rebaixamento, todos os seus adversários fizeram um ponto a mais e em jogos mais complicados (Flamengo e São Paulo, em clássicos locais, o Palmeiras jogando em Salvador contra o bom time do Bahia).

Ainda teve vitória do rival Grêmio, que, no entanto, eu descarto da briga pelo título por causa da Libertadores – não pela diferença de pontos.

O Inter ainda perdeu um pênalti aos 49min do segundo tempo, com Jandrei parando Damião – aliás, eu não teria marcado a penalidade. Jandrei, cria colorada, ainda fez um milagre aos 51min, em um lance de bola parada onde, aí sim, me pareceu haver pênalti não marcado para o Inter sobre Moledo.

O Colorado não pode falar de arbitragem. A real é que nunca foi superior à Chape e só jogou bem depois de sofrer a virada e ficar com um homem a menos. Não jogou como líder. Mais um típico jogo que mostra o equilíbrio absurdo do nosso campeonato. Ninguém é favorito contra ninguém.

O Brasileiro é cada vez mais um campeonato “caseiro”. Nas primeiras 20 rodadas, só uma (a sexta) acabou sem vitória alguma dos visitantes. Nas últimas cinco rodadas, isso aconteceu três vezes. O Inter perde o posto de melhor visitante e também a liderança para o São Paulo.

Os empates conseguidos pelo São Paulo, em Santos, e pelo Palmeiras, em Salvador, contra adversários superiores ao longo dos dois jogos, hoje parecem valer ouro.


Inter desafia tendência de Brasileiro ‘caseiro’ para ganhar rodada
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Julio Gomes

O Flamengo empatou. O São Paulo empatou. O Palmeiras empatou. Os três principais adversários do Internacional na luta pelo título brasileiro deixaram pontos pelo caminho neste fim de semana. Para saber se essa rodada será ótima, regular ou péssima para o Inter, teremos de esperar a resposta do próprio Inter.

Antes desta rodada começar, ela já pintava como uma rodada boa para o Colorado. Afinal, o jogo de hoje à noite contra a Chapecoense fora de casa, apesar de não poder ser chamado de fácil, é, em teoria, menos complicado do que os jogos que tinham os outros concorrentes. Flamengo e São Paulo fizeram clássicos, o Palmeiras foi com o time reserva à Fonte Nova.

Se o Inter vencer, terá sido uma rodada maravilhosa, com liderança isolada e tropeços alheios. Se o Inter perder, terá sido uma rodada horrorosa. Se empatar, terá sido uma rodada apenas regular – afinal, tudo seguirá igual e ficará o gostinho de chance perdida.

Para vencer em Chapecó, o Inter terá de derrubar o que parece ser uma tendência no Brasileirão.

No primeiro turno, os visitantes ganharam 36 jogos em 19 rodadas – 19% dos confrontos, o que fica bem perto da média de qualquer campeonato do mundo, em que os times que jogam fora costumam vencer entre 20 e 25% das partidas. Somente uma rodada, a sexta, foi encerrada sem vitória alguma dos visitantes.

No segundo turno, apenas 10% dos jogos acabaram com derrota do time da casa. Ou seja, isso acontecia em 1 a cada 5 jogos no turno. Está acontecendo em 1 a cada 10 jogos no returno. O campeonato, nesta fase de mais equilíbrio e de elencos consolidados, virou uma competição “caseira”.

Nas 20 primeiras rodadas do campeonato, só uma delas ficou sem visitante ganhar jogo. Se o Inter não vencer em Chapecó, isso acontecerá pela terceira vez nas últimas cinco rodadas. É contra essa tendência que o Colorado joga hoje à noite.

A boa notícia? O Inter é o time de melhor aproveitamento fora de casa (boa notícia para a metade vermelha do Sul, logicamente).

O time de Odair Hellmann ganhou 52,78% dos pontos disputados fora, com cinco vitórias, quatro empates e três derrotas. Além de ter, também, um aproveitamento fantástico contra os times da parte baixa da tabela.

O único outro que ganhou mais da metade dos pontos que jogou fora de casa foi o São Paulo, com 20 pontos em 13 partidas. Caiu para 51,3% de aproveitamento após o bom empate na Vila Belmiro.

 


Rodada de jogos gigantes será divisora de águas no Brasileiro
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Julio Gomes

Podem anotar. A rodada deste meio de semana do Campeonato Brasileiro será uma divisora de águas na competição.

Três jogos desta quarta e um de quinta, todos eles com alto nível de dificuldade para os clubes que ocupam as cinco primeiras posições, indicarão quem quer o quê, a ponto de entrarmos no terço final do campeonato.

O São Paulo seguirá somando? Haverá um vencedor no duelo direto dos que vêm atrás, Inter e Flamengo? E Grêmio e Palmeiras, que jogam contra os dois times mais indigestos do momento para se enfrentar, irão entrar de vez na briga?

Uma pena que a rodada tão transcendental ocorra no meio de uma data Fifa, com diversas seleções, inclusive a brasileira, desfalcando os principais clubes.

O São Paulo fica sem Arboleda (além de outros seis desfalques por razões diferentes), o Flamengo perde Paquetá, Cuellar e Trauco, o Grêmio não terá Everton e Kannemann (só isso). Bom para Inter e Palmeiras, que passam incólumes das seleções e das lesões.

Uma pena, mas não uma surpresa. Já se sabe desde o ano passado o calendário do Brasileiro e quais são as datas reservadas para seleções. O calendário é o calcanhar de Aquiles do nosso futebol e é co-responsabilidade de CBF, federações estaduais e, claro, clubes.

Hoje, os clubes se fazem de vítimas por perderem seus jogadores em um momento tão importante. Mas eles estão no topo da pirâmide de culpados pela situação. O que não era possível prever era uma 23a rodada tão sensível.

O São Paulo, líder, vai ao Horto enfrentar o Atlético Mineiro (que perdeu Chará para a seleção colombiana). Apesar dos três jogos sem vitórias, o Atlético é forte demais em casa. O São Paulo será pressionado e pode se aproveitar disso, como fez contra o Flamengo. Jogar de forma reativa é uma marca no time. Para o Atlético, o jogo é quase uma final . A chance derradeira de voltar para a briga.

Inter e Flamengo, segundo e terceiro colocados, jogam no Beira-Rio. Além dos desfalques por conta da data Fifa, o Flamengo não poderá contar com Diego e Réver – ou seja, o ameaçado Barbieri terá meio time titular em Porto Alegre.

Desde a derrota para o Flamengo, no turno, o Inter engatou uma sequência com 11 vitórias, 6 empates e só 1 derrota (72% de aproveitamento). Com zero gols marcados nos cinco jogos contra seus concorrentes diretos, o Inter busca dar uma resposta.

O Palmeiras, quarto, recebe o Atlético-PR. Supostamente, seria, entre os líderes, o time com confronto mais “fácil” na rodada. Só que o Furacão é um dos times mais quentes do campeonato – são sete vitórias e dois empates nos últimos nove jogos, contando a Sul-Americana, e a quinta melhor campanha pós-Copa. E o Grêmio, quinto, vai à Vila Belmiro enfrentar um Santos que vive seu melhor momento no ano, embalando com Cuca e com Gabriel, o Gabigol, se reencontrando com o próprio apelido.

São Paulo, Inter e Flamengo, pela pontuação, o calendário e o fato de jogarem sempre com titulares, são os três candidatos maiores a título. Palmeiras e Grêmio correm por fora, pois atuarão muitas vezes no Brasileiro com seus times reservas – é a estratégia de ambos antes das partidas de mata-mata pela Libertadores e, no caso do Palmeiras, também a Copa do Brasil.

Mas esta é uma rodada que pode “obrigar” Palmeiras e/ou Grêmio a darem mais atenção ao campeonato. Imaginem um cenário de vitória deles, combinada com derrota do São Paulo e empate no Sul? A rodada pode acabar com o Flamengo sem técnico. Com o São Paulo disparando. Com o Inter liderando… são muitas as possibilidades!

Se olharmos a tabela com a lupa, veremos que, daqui até o final, a enorme maioria das rodadas sempre é, teoricamente, boa para alguém ou então ruim para alguém. Sempre um dos times tem um jogo mais complicado ou então, pelo contrário, mais fácil do que os outros. Sempre em tese, já que sabemos que no Brasil o nivelamento é grande mais.

Depois dessa rodada número 23, só mais uma tem características semelhantes. A 29a rodada, por enquanto toda marcada para o domingo, 14 de outubro, terá Inter x São Paulo, Palmeiras x Grêmio e o Fla-Flu. E adivinhem! Será em plena data Fifa. Aliás, será também ensanduichada entre as duas finais da Copa do Brasil, que podem ter a presença de Palmeiras e Flamengo.

É isso mesmo que você leu. Os dois jogos da final da Copa do Brasil e essa rodada gigante do Brasileiro vão coincidir com mais dois jogos da seleção brasileira – ainda não marcados, mas possivelmente contra Arábia Saudita e Argentina, lá no Oriente Médio. É provável que Tite não convoque jogadores dos clubes brasileiros para estes jogos, mas essa é uma decisão dele, não dos clubes.

Claro que outras rodadas podem se apresentar enormes mais para frente, de acordo com os momentos vividos pelos clubes que ponteiam a tabela e também seus adversários. Mas, a priori, as rodadas 23, essa que começa hoje, e a 29, ambas em datas Fifa, são as maiores até o fim o campeonato.