Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Cruzeiro

Não tem santo no caso Arrascaeta-Flamengo-Cruzeiro
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Julio Gomes

Tomar partido é tentador. O torcedor do Flamengo e De Arrascaeta dirão que o jogador tem direito de decidir seu destino. Ninguém pode tirar a razão. O Cruzeiro dirá que o jogador falta com o profissionalismo ao forçar a saída e faltar a treinos. Ninguém pode tirar a razão.

Tomar partido, repito, é tentador. E a nós, jornalistas, é exigido isso aí. No mundo de hoje em dia, é necessário tomar partido. Estar deste ou daquele lado. Eu não caio nessa.

O caso De Arrascaeta é similar a tantos outros na história do futebol. Novidade zero.

É possível que em alguns casos o jogador tenha tido a razão, tenha sido sufocado pelo clube que era seu “dono”. É possível também que em alguns casos o clube tenha tido a razão.

Exemplo recente? Philippe Coutinho no Liverpool. Perdeu jogos importantes do clube alegando lesão para, dias depois, aparecer jogando pela seleção brasileira. O castigo? Precisou esperar seis meses para, enfim, ser negociado com o Barcelona. O Liverpool fez o que lhe cabia, não permitiu que o jogador se mostrasse maior que a instituição. Bateu o pé. Coutinho, diga-se, cumpriu sua parte e jogou bem nestes meses que separaram as investidas do Barça (estamos falando do segundo semestre de 2017).

A Fifa proíbe clubes de assediarem jogadores justamente por causa disso. Só é possível negociar com um jogador quando ele está a seis meses do fim do contrato. Antes disso, é necessário que a conversa seja clube-clube. Depois de um acordo, fala-se com o jogador.

Mas a vida real, especialmente no Brasil, é diferente. A lei da Fifa não “pegou” aqui, e não é a única. Nenhum clube reclama na Fifa pelo assédio a seus jogadores, e possivelmente a razão para isso é que, amanhã, o clube que hoje é vítima estará fazendo a mesma coisa.

O ideal era que Cruzeiro e Flamengo tivessem se acertado e pensado no melhor para ambos e também para o cidadão De Arrascaeta. A realidade é que os dirigentes não estão nem aí para o cara, e empresários manipulam essas situações de forma a forçar a negociação.

Será que se Arrascaeta não fizesse o que está fazendo o Cruzeiro aceitaria vendê-lo? Será que é verdade que o Cruzeiro venderia por 5 milhões de euros para qualquer um, menos para o Flamengo? Os clubes respeitam o que querem os jogadores? Será que o uruguaio conta a verdade ao dizer o que disse da reunião com o vice cruzeirense e que seu celular foi vazado?

É fácil ficar horas e horas chamando o jogador de anti-profissional. Não farei isso. Tampouco passarei pano. Ele poderia aparecer nos treinos, reunir técnico, colegas de time e imprensa e deixar tudo mais claro.

Na real, acabamos sendo forçados a opinar em cima de fragmentos de informações. Só é possível tomar partido se você é a mosquinha quietinha ali no vidro da sala de reunião, onde tudo aconteceu e foi falado.

Nessas histórias, não costuma haver santo. E a figura do empresário, tão execrada, só existe com o tamanho atual devido à falta de profissionalismo e organização dos clubes. Entre o que acontecia no passado, quando os clubes eram literalmente donos da vida dos jogadores, e o que acontece hoje, quando às vezes, esporadicamente, um jogador se rebela… não tenho dúvidas, o cenário menos pior é o atual.

O jogador é o elo fraco desta relação e raramente (alguns poucos) podem “forçar a barra”. Mas que as coisas poderiam acontecer de forma mais civilizada, isso poderiam.


São Paulo é o ‘azarado’ do sorteio da Libertadores
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Julio Gomes

No mesmo dia do sorteio das oitavas de final da Champions League, a Conmebol realizou o sorteio das fases preliminares e da fase de grupos da Libertadores da América 2019.

São muitos times brasileiros, e quem mais pode reclamar da sorte é o São Paulo. Quem não pode reclamar de jeito nenhum são Cruzeiro, Atlético Mineiro e Flamengo.

O São Paulo enfrentará o argentino Talleres, de Córdoba, na pré-Libertadores. Se passar, provavelmente terá como rival o Independiente de Medellín, que ficou com o vice-campeonato colombiano no último domingo. Dois mata-matas difíceis logo no começo do ano.

Na América do Sul, é sempre difícil saber quem vem pela frente. O time de Medellín sofrerá algum desmanche ou se manterá forte? De qualquer maneira, é uma camisa tradicional e uma viagem longa para a Colômbia.

O Talleres ocupa uma posição intermediária na Argentina, mas não é um rival muito diferente do Defensa y Justicia e do Colón, argentinos medianos que recentemente eliminaram o São Paulo da Sul-Americana.

Se passar dessas duas eliminatórias, o São Paulo cairá no grupo 1, com “só” o River Plate e o Internacional, além do Alianza Lima, do Peru. Pode ser o grupo da morte.

Neste ano, o Vasco passou pela pré para cair em um grupo com Cruzeiro e Racing (e ser eliminado). No ano passado, o Botafogo também caiu em um grupo da morte após passar pela pré-Libertadores, mas conseguiu carregar o momento e chegar ao mata-mata. Ou seja, já teve time se aproveitando do momento trazido pela eliminatória preliminar, já teve time que não conseguiu usar o embalo a seu favor. Vamos ver o que será do São Paulo.

Outro que tem um grupo complicadinho pela frente (no papel) é o Palmeiras, que tem pela frente o San Lorenzo, da Argentina, o Junior de Barranquilla, campeão colombiano e vice da Sul-Americana, e um time que vem da pré-Libertadores, possivelmente a Universidad de Chile.

Assim como o Inter, o Grêmio é outro em grupo que pode se mostrar difícil, com a Católica, do Chile, o Rosario Central, da Argentina, e um time que virá da fase preliminar e será, provavelmente, ou o Libertad, do Paraguai, ou o Atlético Nacional, da Colômbia.

O Atlético Paranaense está no grupo do Boca Juniors, mas os outros rivais são o Jorge Wilstermann, da Bolívia, e o Tolima, da Colômbia.

Os brasileiros que não podem reclamar da sorte, por outro lado, são o Flamengo e os dois grandes mineiros.

O Flamengo enfrentará o Peñarol, a LDU de Quito e um time da Bolívia. Nenhum bicho papão.

O Cruzeiro está no grupo com o Emelec, do Equador, o Huracán, da Argentina, e o Deportivo Lara, da Venezuela. O Cruzeiro é, desde já, o favorito a passar da fase de grupos com a melhor campanha da Libertadores.

O Atlético Mineiro está na pré-Libertadores. Primeiro, enfrenta o Danubio, do Uruguai, e depois, provavelmente, o Barcelona de Guayaquil, do Equador. Se passar, cai em um grupo acessível, com Nacional uruguaio, Cerro Porteño, do Paraguai, e Zamora, da Venezuela.

A vida do sexto colocado do último Brasileiro é, em teoria, mais fácil que a do quinto, o São Paulo.

A Libertadores não é a Champions. A América do Sul não é a Europa. Os times mudam demais, às vezes radicalmente, de um ano para o outro. No ano que vem, talvez os grupos que hoje parecem fortes sejam, na real, fracos. E vice-versa. Mas quem passará a virada de ano com mais dores de cabeça, sem dúvida, é o torcedor são-paulino.


O Brasil ainda não está pronto para o VAR
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Julio Gomes

Você pode achar que foi pênalti de Thiago Neves, como pode achar que foi Ralf quem buscou o contato e caiu. Você pode achar que a mão de Jadson no peito de Dedé é ou não é suficiente para derrubá-lo.

Só há uma coisa que não se pode discutir. Nenhum dos dois lances é indiscutível.

E, em lances assim, não deve haver uso do VAR.

Pelo pouco que vimos até agora, percebe-se que os árbitros brasileiros não estão preparados para o VAR. E nem mesmo entendem o uso. Sempre desconfiei disso: árbitros aqui apitarão pensando no vídeo, condicionados pelo vídeo, com medo do vídeo.

Essa muletinha não pode existir. Mas simplesmente não vejo como não existir no Brasil.

Alguém aí andou falando que, “na dúvida, o juiz tem que deixar o jogo seguir e ver se vai sair o gol. Depois, revisa”. Alexandre Mattos, dirigente do Palmeiras, após aquele gol mal anulado na semi da Copa do Brasil, disse que essa foi a recomendação. Depois, foi desmentido.

Mas percebo que muita gente acha, equivocadamente, que é assim que funciona. Não é.

A Fifa diz que só se “deixa seguir” em caso de impedimento, quando muitas vezes a questão é milimétrica (e não interpretativa). Se o bandeira acha que determinado jogador está impedido, ele deixa o lance seguir e só aponta o impedimento após a conclusão do mesmo. Se sair gol, revisa.

Isso não se aplica a lances de falta.

Ontem, quando Jadson leva a mão ao peito de Dedé, o árbitro leva o apito à boca. Claramente, marcaria a falta, não fosse o VAR. Resolve esperar. E aí, como deu o “azar” de sair o gol de Pedrinho, se obrigou a ir ao vídeo.

Se o árbitro acha que foi falta, tem que marcar! Se ele não achou que foi falta na hora, a um metro da jogada, não poderia ter reinterpretado o lance depois.

A mesma lógica serve para o lance de pênalti marcado para o Corinthians. O árbitro viu o lance e interpretou que não foi falta. Ele não tem que chamar a opinião do VAR depois. E o VAR não pode chamar o juiz para reinterpretar nada.

O VAR só tem que chamar o juiz se houver um lance CLARO, praticamente indiscutível, e que tenha fugido da percepção da arbitragem. Esse é o protocolo. A suposta falta de Thiago Neves em Ralf não é um lance indiscutível. E o árbitro havia visto claramente em campo e tomado a decisão. Segue o jogo!

Mas aí o que acontece? O árbitro leva a mão ao ouvido. Essa é a senha para que se forme a rodinha em torno dele.

Quem achou que as reclamações fossem diminuir nos campos do Brasil? Não se esqueçam: esse é o país do “quem não chora, não mama”, o país onde se ganha muita coisa no grito. Não é o VAR que vai evitar as rodinhas, o empurra-empurra, a pressão.

Como bem notou o narrador Milton Leite, do Sportv, durante a transmissão de ontem, o Brasil é o país em que mesmo depois de o árbitro tomar uma decisão com o vídeo, os jogadores seguirão reclamando.

É cultural, como eu disse acima. Mas é, também, um sintoma do nível da arbitragem nacional. Eles são tão ruins, seja ao vivo, seja com vídeo, que ninguém confia.

E querem saber? Dá certo! Porque me parece nítido que a revisão do segundo gol do Corinthians foi uma “compensação” pela revisão do pênalti marcado minutos antes. Quem não chora, não mama.

Acho até que o árbitro de ontem fez um primeiro tempo perfeito. Distribuiu amarelos e controlou um jogo que começou descontrolado. Foi corajoso ao conter a pilha do time da casa, o que nunca é fácil. Mas se perdeu completamente nas decisões da segunda etapa. Apitou pensando no VAR. Não se pode apitar assim. Tem que apitar como se não houvesse VAR.

O futebol é muito complexo e veremos muita coisa acontecer, principalmente nestes anos iniciais de VAR pelo mundo. A própria final de Copa do Mundo já teve um pênalti (para a França) reinterpretado pelo VAR. O jogo tem muitas variáveis e vai demorar um pouco para haver resposta para todos os lances. “Se acontecer isso, se deve fazer aquilo”. E por aí vai.

Mas, no Brasil, mal a coisa começou e já está tudo errado. Eu sou totalmente favorável ao uso do vídeo para resolver erros crassos, que é a proposta da Fifa. Mas, no Brasil, está na cara que o VAR vai criar mais problemas do que soluções.

Enquanto os árbitros não forem mais bem qualificados, enquanto não houver coerência, critérios unificados, treinamento e profissionalização, seguirá uma porcaria. Com VAR, uma porcaria ao quadrado.

 


Cruzeiro faz placar curto demais e perde chance de matar a decisão
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Julio Gomes

O Cruzeiro poderia e deveria ter vencido o Corinthians por mais do que 1 a 0, nesta noite de quarta, no Mineirão. A superioridade de um time em relação ao outro é flagrante. Mesmo sem De Arrascaeta, o Cruzeiro é muito mais time do que o Corinthians. Só há equilíbrio técnico entre os goleiros.

Como melhor time que é, o Cruzeiro dominou todo o primeiro tempo e foi premiado no fim, com o gol de Thiago Neves. Seja pelas chances do primeiro tempo quanto pelas poucas no segundo, o time da casa deveria ter vencido por mais. Até porque o Corinthians fez mais um jogo daqueles. Sem graça, sem nenhuma ofensividade, especulando com o resultado que, acredita, possa ser bom para a volta.

Na semifinal, contra o Flamengo, conseguiu segurar o 0 a 0 no Rio para, depois, achar a vitória em São Paulo. Contra o Cruzeiro, que é mais organizado e equilibrado que o Flamengo, não deu para segurar o sonhado 0 a 0. Mas a derrota mínima, ainda mais em uma Copa do Brasil em que o gol fora de casa não vale mais como critério de desempate, é o menor dos males. Certamente o Corinthians acredita que possa reverter o placar e pelo menos forçar pênaltis em Itaquera.

O problema do Cruzeiro de Mano é o mesmo já há algum tempo. Corre riscos demais, senta muito cedo no resultado.

Tivesse apertado no segundo tempo, teria criado mais chances e, possivelmente, feito um resultado melhor. Não apertou. Deu a bola ao Corinthians em vários momentos, e o time rival nada fazia com ela. O Cruzeiro deveria ter aproveitado o fator casa e o fato de ser melhor, arriscado mais, deveria ter tentado matar a final já em casa.

A postura deverá ser a mesma em Itaquera. Mano gosta de jogar assim, o time sabe se defender e tem velocidade para contra atacar. A faca e o queijo seguem nas mãos, o Cruzeiro tem a superioridade técnica e o placar a seu favor. Corre perigo, porque Mano Menezes parece ter aversão a ganhar com facilidade. Mas é muito favorito para ser campeão.

 


Corinthians e Cruzeiro: olhem os times de 98 e chorem de saudades
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Julio Gomes

Corinthians e Cruzeiro farão uma final nacional 20 anos depois da única até hoje, a disputa do título do Campeonato Brasileiro de 1998.

Foram, a meu ver, os últimos anos de qualidade alta nos times brasileiros. O último grande time brasileiro, com nível parecido aos grandes europeus, foi o Corinthians do Mundial do ano 2000 (que mantinha parte da base do bi brasileiro 98-99). Depois disso, com a união de Champions League + mercado comum europeu + lei Bosman + globalização + mesmas gestões pífias no futebol sul-americano, foi sendo criado o abismo que já perdura há duas décadas.

Os títulos mundiais de Inter, São Paulo e Corinthians não passam de soluços.

Vejam o Corinthians que entrou em campo no terceiro e decisivo jogo (saudades dos playoffs com três partidas!) contra o Cruzeiro, naquele 23 de dezembro de 1998:

Nei; Índio, Batata (Cris), Gamarra e Sylvinho; Vampeta, Rincón, Ricardinho (Amaral) e Marcelinho; Mirandinha (Dinei) e Edílson. O técnico era Vanderlei Luxemburgo (no auge da carreira). Outros dois jogadores que entraram em campo em algum dos três jogos da decisão foram o volante Gilmar Fubá e o atacante Didi.

Esse meio de campo do Corinthians talvez tenha sido o último meio de campo de nível mundial de um time brasileiro. Quem, do time atual do Corinthians, jogaria nessa equipe de 98? Cássio, sem dúvida. Fágner, talvez. E olhe lá.

Mesmo se pegarmos o Corinthians campeão mundial de 2012, quem entraria nesse time? Acho que também só o Cássio. Talvez alguém no lugar de Mirandinha no ataque? Danilo, Sheik ou Guerrero, só escolher. O Tite de 2012 era melhor que o Luxemburgo de 98? Na opinião deste blog, não.

Vamos agora ao Cruzeiro vice-campeão brasileiro de 98.

Dida; Gustavo (Alex Alves), Marcelo Dijan, João Carlos e Gilberto; Valdir (Marcelo Ramos), Djair, Ricardinho e Valdo; Muller e Fábio Júnior. O técnico era Levir Culpi. Nos dois primeiros jogos, o titular da zaga era Wilson Gottardo ao lado de Marcelo. Que timaço!

Quem, do time atual, jogaria naquele Cruzeiro? Fábio? Ótimo, mas me desculpem, Dida foi melhor. Dedé na zaga? Bom debate. Lucas Silva no lugar de Valdir, provavelmente.

Na minha opinião, até o super Cruzeiro de 2003 era inferior, nome a nome, ao de 98. A grande exceção, claro, Alex. E o time de 2003 jogava mais no todo, de forma coletiva. O bi brasileiro de 2013/14 teria quem entrando em 98? Talvez só os mesmos Dedé e Lucas Silva. É um debate, alguém pode argumentar sobre esse ou aquele, mas estaremos entrando na exceção.

Meu ponto é que, hoje, os times são bem piores do que 20 anos atrás. Algo muito errado aconteceu e tem acontecido com o futebol brasileiro e nada está sendo feito para reverter esse processo.

O Cruzeiro é, a meu ver, favorito contra o Corinthians nesta final de Copa do Brasil. É o atual campeão, é mais time em todos os setores, tem mais opções no banco e um técnico mais experiente. Mas o nível está tão lá embaixo, principalmente se compararmos à grande final de 98 entre eles, que qualquer coisa pode acontecer.

 


Fábio vira herói de todas as torcidas – menos a gremista
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Julio Gomes

O Grêmio é quem melhor joga futebol no Brasil. A frase, repetida à exaustão por Renato Gaúcho, possivelmente seja verdadeira. É assim que analisam a maioria dos especialistas, entre jornalistas e ex-jogadores. E o Grêmio é, afinal, o campeão da América.

Aí o time reserva, finalmente, ganha boas partidas no Brasileiro. O time titular é eliminado da Copa do Brasil, dando respiro no calendário. A pontuação é alta no primeiro turno. E a sombra gremista vai ganhando um tamanho que os rivais não queriam ver na competição nacional. Porque, se o time do Renato é eliminado da Libertadores semana que vem… quem vai pará-lo no Brasileiro?

O que não estava nos planos do Grêmio era o tropeço desta quarta à noite, contra um Cruzeiro sem vários titulares e sem intenção alguma no Brasileiro. Dedé e Henrique nem foram a Porto Alegre. Edílson foi outro titular que não entrou em campo, Lucas Silva, Robinho e Thiago Neves ficaram no banco, só entraram no segundo tempo.

O pepino é que Fábio estava lá. E foi o herói de novo, ao pegar o pênalti de Luan nos minutos finais. Herói cruzeirense? Sim. E herói são-paulino, flamenguista, colorado, palmeirense…

Além de ter evitado a quarta vitória seguida e dois pontos a mais para o Grêmio, Fábio evitou que a sombra gremista tomasse um tamanho maior do que o resto da turma de cima queria.

E agora o Grêmio vai com reservas a Curitiba enfrentar um Atlético-PR em ascensão. Em teoria, vai perder ainda mais terreno. O jogo desta quarta era essencial.

Em um campeonato equilibrado como o Brasileiro, em que não há jogo fácil, os duelos fora de casa de São Paulo e Inter, contra o desesperado Paraná e o acertadinho Bahia, talvez fossem até mais complicados do que o do Grêmio contra o Cruzeiro misto e com a cabeça em outras competições.

O São Paulo manteve os cinco pontos de frente, o Inter abriu vantagem para o rival, o Palmeiras se aproximou. E caberá ao Flamengo, na quinta, fazer a parte dele também.

O jogo entre Grêmio e Cruzeiro foi disputado com alta intensidade, foi um bom jogo de futebol. No primeiro tempo, o plano de jogo cruzeirense funcionou, com Bruno Silva muito bem em campo (golaço à parte), assim como De Arrascaeta. O Grêmio tocava muito de lado, com pouca verticalidade.

Renato ousou no intervalo, fez boas alterações, e o Grêmio foi muito superior no segundo tempo – aposto que Jael ganhará a vaga de André na Libertadores. Everton fez um golaço e Luan bateu mal o pênalti que representaria a virada. Bom para os líderes.

 


E agora, dirigentes? A culpa do calendário é também de vocês
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Julio Gomes

Tite convocou a seleção brasileira para os primeiros amistosos pós-Copa do Mundo. São muitos nomes interessantes, as novidades. Alguns que talvez já devessem estar antes, tipo Fabinho, agora no Liverpool.

Mas quero focar em Paquetá, Dedé e Fágner. O Flamengo ficará sem o primeiro, o Cruzeiro ficará sem o segundo, o Corinthians ficará sem o terceiro na primeira partida semifinal da Copa do Brasil. Talvez eles até joguem, aquela coisa, pega avião, chega em cima da hora, vai para campo. Mas logicamente não nas condições ideais para seus técnicos.

Bom para o Palmeiras, “melhor elenco do Brasil”, mas com zero jogadores convocados.

E agora, dirigentes? Como é que fica?

Logicamente Paquetá é mais importante para o Flamengo do que Fágner para o Corinthians, ainda que isso seja discutível. Mas o fato é que a cartolagem brasileira, eternamente de mãos dadas com a CBF (mesmo com esta vivendo os escândalos que vive extra-campo), agora vai vir a público reclamar da vida, como se nada tivesse a ver com isso.

O calendário bizarro do futebol brasileiro faz com que o campeonato principal do país seja jogado um dia após a final da Copa, seja jogado em datas Fifa, tenha a semifinal da Copa do Brasil um dia após amistoso da seleção. Depois não entendem por que as pessoas cada vez mais têm bronca da seleção.

Só os clubes podem mudar isso. Mas eles seguirão fingindo que são vítimas, e não co-responsáveis.

PS – falei aqui da Copa do Brasil, mas haverá rodadas do Brasileiro no meio dos amistosos. O Grêmio, por exemplo, além de Everton, já perdeu Kannemann para a Argentina. E outros virão.


Esse Flamengo não cheira bem
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Julio Gomes

O contraste é enorme no Flamengo. A boa gestão financeira dos últimos anos não combina com a gestão esportiva, principalmente no que toca a composição de elenco. Entra ano, sai ano, o Flamengo parece ter um belo grupo de atletas. Os jogos passam e vão ficando evidentes algumas deficiências crônicas.

De que adianta cuidar do dinheiro para gastá-lo em Henrique Dourado e Geuvânio? Só para usar um exemplo de cada ano.

Por mais equilibrado que seja o futebol sul-americano, por mais que nenhum time tenha um elenco perfeito e um time-base espetacular, o Flamengo tem alguns jogadores bem abaixo para quem pretende ganhar tudo.

Os expostos da noite trágica no Maracanã são Rodinei e Marlos Moreno. Não são só eles, mas são também eles.

No sistema defensivo, a única solução encontrada pelo Flamengo nos últimos anos foi Diego Alves, que evitou a goleada cruzeirense nesta quarta.

O cartão estúpido levado por Paquetá naquele jogo contra o River Plate, na fase de grupos, passou fatura. Nem em campo ele deveria ter entrado em Buenos Aires. O futuro jogador de seleção brasileira fez muita falta contra o Cruzeiro. Em pouco tempo, Paquetá já se transformou em uma peça muito mais importante que os “badalados” Diego, que não dá ritmo a uma jogada sequer, e Éverton Ribeiro, amarrado à lateral do campo.

O técnico Barbieri parece ter valor, mas talvez esteja queimando etapas ao assumir o Flamengo neste momento – um exemplo foi a má decisão de usar o time titular duas vezes contra o Grêmio. Contra o Cruzeiro, não conseguiu encontrar soluções e demorou demais para fazer mudanças. E o torcedor, sabedor de tudo isso, não passou nem perto de encher o Maracanã – não é bobo, bobo é quem coloca os preços que coloca.

Bobo também é quem não parece ter se esforçado o suficiente para segurar Vinícius Júnior, que seria uma peça chave na temporada.

O Flamengo está virtualmente eliminado da Libertadores da América pós levar os 2 a 0 para o Cruzeiro. Na Copa do Brasil, ainda pode sonhar no duelo contra o Grêmio. E ganhar o Brasileiro, cada vez mais menosprezado por todo mundo, será uma missão inglória para um time com tantos pontos fracos.

Dois meses atrás, tinha cheirinho. Agora, tem que ser muito otimista ou ter um olfato daqueles para sentir qualquer coisa…


Corinthians é quem corre mais risco entre os brasileiros na Libertadores
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Julio Gomes

A quinta-feira foi ótima para os brasileiros na Libertadores da América. Para o Palmeiras, logicamente, que jogou muito bem, ganhou e se garantiu em primeiro lugar de um grupo complicado, mas também para Cruzeiro e Flamengo, mesmo sem entrar em campo.

O Santos já estava classificado, o Cruzeiro se garantiu ontem com a derrota da Universidad de Chile (só uma goleada histórica eliminaria os mineiros que têm 16 gols de vantagem de saldo), o Grêmio está encaminhado, o Flamengo ficou encaminhado com a derrota do Santa Fé para o River. O Corinthians é quem está em situação menos tranquila para o restante da competição na fase de grupos – claro, estou tirando da conta o já eliminado Vasco, que não corre risco algum, pois já está fora.

Após tantas eliminações seguidas na fase de grupos, o Flamengo está a uma vitória ou dois empates de avançar ao mata-mata. Ele entra se ganhar do Emelec, que está praticamente fora, com um Maracanã que certamente estará lotado.

Se bobear e empatar no dia 16 de maio, o Flamengo ainda precisará só de um empate contra um já classificado River Plate. E poderá entrar mesmo com derrota na Argentina.

Pensando apenas na classificação, o Flamengo tem uma situação mais confortável que a do Corinthians. Apesar de ser líder do grupo 7, o Corinthians tem desfalques importantes para as duas rodadas finais e a situação da chave é bem complexa. Qualquer um pode entrar e, o principal, está claro que qualquer um pode ganhar de qualquer um.

Se o Corinthians perder do Lara, na Venezuela, será obrigado a vencer o Millionarios na última rodada – mas o time colombiano pode chegar a este jogo também vivíssimo na briga pela classificação (ao contrário da situação atual do Emelec, rival do Flamengo).

Não estou dizendo que a situação do Corinthians é ruim. Não é. É boa, até. A classificação segue muito próxima e acredito que ela virá para o time de Carille.

Mas, entre os brasileiros vivos, é quem corre mais riscos. Até, repito, pelo elenco curto e as lesões recentes. É uma situação matematicamente boa, mas pior que a dos outros brasileiros.

O Palmeiras, com 13 pontos, é o melhor time da competição até agora. Se vencer o Junior Barranquilla, garante a melhor campanha e a vantagem de decidir em casa contra qualquer um no mata-mata.

O Cruzeiro se garantiu com a derrota da Universidad de Chile para o Racing, ontem. A diferença é só de três pontos, mas de 16 gols de saldo. Se vencer o Racing na última rodada, o Cruzeiro ainda acaba o grupo em primeiro, depois do início claudicante.

O Santos, que pegou o grupo mais moleza entre todos os brasileiros, precisa só vencer o fraco Real Garcilaso para se garantir em primeiro.

E o Grêmio, que também pegou um bom grupo, lidera e enfrenta os dois piores times nas rodadas finais. É uma situação muito mais cômoda que a do Corinthians – até, e este talvez seja o principal fator, pela bola que está jogando.

Entre os times não-brasileiros que começaram a competição como possíveis postulantes ao título, a situação mais delicada é a do Boca Juniors, que não depende só de si para se classificar. Deve ganhar do Alianza Lima na última rodada, em Buenos Aires, mas vai precisar torcer para o Junior Barranquilla não vencer o Palmeiras em São Paulo.

Os clubes já classificados por antecipação para as oitavas de final da Libertadores são: Libertad (Paraguai), River Plate, Racing, Cruzeiro, Santos e Palmeiras – o Atlético Nacional, da Colômbia, está praticamente dentro.


Votação anti-VAR vai assombrar o Brasileiro do início ao fim
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Julio Gomes

Faz um pouquinho mais de dois meses. Foi no início de fevereiro que os 20 clubes da Série A decidiram não utilizar o recurso de vídeo para auxiliar as arbitragens no Brasileirão.

Bastou um sábado de futebol, menos da metade da primeira das 38 rodadas do campeonato, para que a decisão levasse um gigantesco tapa na cara. Erros de arbitragem acontecem toda hora. Interpretações diferentes sobre o mesmo lance, também. O pepino mesmo, e esse pepino é solucionado pelo VAR, são os lances claros, evidentes, não passíveis de discussão.

Como o pênalti dado para o Vitória contra o Flamengo, que resultou na expulsão injusta de Éverton Ribeiro, alterando toda a dinâmica do jogo. Ou como o segundo gol do Flamengo, em impedimento grosseiro.

Nem todo o jogo tem lances tão claros, tão evidentes, de erros de arbitragem. Aqueles sem nenhum “porém”. Aqueles que, com o VAR, não existirão mais.

O Flamengo foi um dos que votaram a favor do VAR me fevereiro. O Vitória, contra.

Na semana passada, tivemos a final do Paulista e toda a polêmica do pênalti dado e “des-dado” para o Palmeiras, com a forte suspeita do VAR clandestino mudando a decisão do árbitro. Uma das coisas que mais li, ainda que o campeonato fosse outro. “O Palmeiras votou pelo VAR, o Corinthians votou contra”. E daí?

Nas entrevistas pós-jogo no Barradão, o tema foi levantado. Nos programas de todos os canais de TV, idem. Mas e daí?

E daí que esta é a sombra que vai acompanhar o campeonato todo. Um verdadeiro fantasma.

Sempre que houver erro claro, a tal votação será lembrada. “Viram? O time X votou contra o VAR, agora aguenta”. Ou então. “O time Y votou a favor do VAR, viram por quê? É sempre roubado!”.

Preparem-se. Serão 38 rodadas e sete meses e meio de lembranças da maldita votação.

Não vou colocar a lista aqui de quem votou a favor, quem votou contra e quem se absteve. Sabem o motivo? Defendo que precisamos parar de olhar para o próprio umbigo. O futebol brasileiro precisa urgentemente passar a pensar no todo, não no pedaço.

Não interessa quem votou como. Foi uma decisão coletiva contra o VAR.

Uma decisão, é claro, induzida pela CBF. Que não larga o osso, não deixa a organização do campeonato para os clubes, mas não quer se responsabilizar pela arbitragem de vídeo. Jogou o preço lá em cima. sabendo que isso geraria o que gerou.

Mas clubes que foram contra porque o VAR da CBF só seria usado no segundo turno ou os que foram contra por causa do preço alto não poderiam ter se mexido? Os que votaram a favor do VAR não poderiam ter liderado esse movimento?

Será que era tão difícil assim os clubes chegarem a um acordo, encontrarem uma situação melhor de custo e emparedarem a CBF? Os clubes são parceiros da CBF em mais este erro histórico.

A votação será lembrada durante o ano todo. Uma pena. Uma enorme pena.