Blog do Júlio Gomes

Arquivo : Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo, melhor “9” do mundo, encaminha vaga do Real
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Cristiano Ronaldo usa a 7. Já jogou pelos lados. Era usado eventualmente como centroavante, até nos tempos de Manchester United e seleção portuguesa de Felipão isso acontecia. Mas era esporádico. O tempo passa. Diminuem a velocidade e a capacidade de driblar, o gajo virou um ” camisa 9″ de vez no Real Madrid. E adivinhem só? É o melhor 9 do mundo.

Atacantes de área que sejam matadores, sejam altos, façam pivô e também saibam cair para os lados, abrir espaços e jogar para time estão virando coisa rara. Tem Suárez, Cavani, Lewandowski, Benzema, Kane… cada vez mais outro tipo de jogador é usado no comando de ataque. Gente com mais mobilidade, como Gabriel Jesus, por exemplo.

Muitos times jogam sem o tradicional 9 ou com um falso 9.

Com a lesão de Bale, na temporada passada, e a de Benzema, nessa, Zidane resolveu deixar Cristiano Ronaldo ali no comando do ataque mesmo. Oficializou. A posição dele agora é essa. Assim como Romário, um dia velocista (e já goleador), virou o rei da área a seu tempo.

Com os dois gols em Dortmund nesta terça-feira, Cristiano Ronaldo chegou a 411 gols em 400 partidas oficiais com a camisa do Real Madrid. Qua-tro-cen-tos-e-on-ze. Isso aí.

O jogo acabou 3 a 1, e foi a primeira vitória do Real em Dortmund, um campo historicamente difícil. Um jogo muito aberto desde o início, com os dois times trocando golpes e chances. E já sabe, quando se joga assim contra o Real Madrid, geralmente se paga um preço.

É verdade que teve o possível pênalti de Sergio Ramos, salvando o que seria o 1 a 0 do Borussia com o braço. Me parece que Navas toca na bola e ela espirra em Ramos, o que não significaria penalidade (bola na mão). Polêmica à parte, o Borussia desperdiçou várias chances ao longo do jogo. E o Real foi muito mais eficiente, em uma grande partida de Bale (fez um golaço, o primeiro, e deu o passe para o segundo).

O grupo H, chamado de “grupo da morte” desde o sorteio, vai pintando como grupo da morte… do Borussia.

Real e Tottenham têm seis pontos, Borussia e o saco de pancadas Apoel têm zero. O Borussia precisará ganhar os dois jogos contra o time cipriota e, de preferência, torcer para o Tottenham perder as duas do Real. Assim, decide tudo no confronto direto contra os ingleses.

Outros grupos

No grupo E, o Sevilla venceu o Maribor, como esperado, e o Liverpool só empatou em Moscou contra o Spartak. São dois empates do Liverpool, que agora precisa fazer o lógico e vencer as duas contra o Maribor para respirar. A boa notícia foi o ótimo gol marcado por Philippe Coutinho, que parece estar de volta.

No grupo F, o Manchester City, que está pegando fogo e talvez seja o melhor time da temporada até agora, fez 2 a 0 no Shakhtar Donetsk. O Napoli fez 3 a 1 no Feyenoord. O City têm 6, Shakhtar e Napoli têm 3. Os napolitanos precisam somar algum ponto nos jogos contra o City e torcer pelo Feyenoord contra o Shakhtar.

No equilibradíssimo grupo G, o Besiktas chegou à segunda vitória ao bater o Leipzig, com um belo gol de Talisca. E a surpresa ficou para os 3 a 0 que o Monaco levou em casa do Porto. O Besiktas está bem posicionado no grupo, com 6 pontos, e o Monaco, com apenas 1 ponto, terá de se virar para não ser eliminado. Os dois se enfrentam duas vezes, e o mesmo farão Porto e Leipzig.

 


Prévia do Espanhol: Real Madrid é favoritaço para o bi
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O Campeonato Espanhol começa nesta sexta-feira e, enquanto muitos insistem com o discurso do “só tem dois times”, a perspectiva para a temporada é de uma competição de “um time só”. O Real Madrid já era bicampeão europeu, mais time, mais completo. Mas, depois dos dois bailes em cima do Barcelona na Supercopa espanhola, a distância entre eles ficou exposta. E o gigante da capital torna-se um favorito destacado para ser bicampeão espanhol.

Tão favorito quanto o PSG na França ou o Bayern da Alemanha ou a Juventus na Itália? É mais ou menos por aí…

O abismo para o maior rival está tão grande que o próprio Piqué, que virou uma espécie de porta-voz não oficial do Barcelona, disse após a derrota de quarta, no Santiago Bernabéu. “Pela primeira vez em 9 anos me sinto inferior ao Real Madrid”. E, para piorar tudo, o Barcelona ficará o primeiro mês da temporada sem Suárez, lesionado.

Leia também: Superioridade do Real deve aumentar desespero do Barça no mercado

Depois dos anos de um domínio exagerado de Barcelona e Real Madrid na Espanha, especialmente os de Guardiola e Mourinho, os dois gigantes tiveram alguma resistência nas duas temporadas passadas.

O Atlético de Madri tornou-se uma ameaça real. E alguns jogos que eram resolvidos no estilo “passeio” ficaram mais duros. Times médios se reforçaram. Goleadas deixaram de ser tão previsíveis, ainda que tenham acontecido, claro que sim.

Dito isso, o Real Madrid voltou a ser campeão após quatro anos e agora o clube da capital tem a faca e o queijo na mão para ser dominante por bastante tempo.

Zinedine Zidane, uma aposta arriscada do presidente Florentino Pérez, caiu como uma luva. Tem exatamente o tom, o discurso e os métodos que agradam à comunidade que gira em torno do clube e o grupo de jogadores.

E, de repente, o Real tem uma baita linha defensiva, um meio de campo extraordinário e um ataque letal. Pode jogar com a bola ou sem ela. É fortíssimo no jogo aéreo, tem velocidade para contra atacar, tem qualidade para furar retrancas. Cristiano Ronaldo não dá sinais de parar. E o futuro está garantido com Isco, Asensio, o lateral Théo Hernandez, tirado do Atlético por 30 milhões de euros e que será preparado para substituir Marcelo, o meia Ceballos, do Betis, muito bom de bola, etc.

As saídas de Pepe, Danilo, Morata e James Rodríguez debilitam, claro. Debilitam o time reserva. Nada mais. É um elenco jovem e completíssimo.

Apesar de as casas de apostas insistirem em pagar o mesmo retorno para título do Real Madrid e título do Barcelona, vejo o clube da capital com amplo favoritismo para ficar com a Liga. A superioridade na disputa da Supercopa não é circunstancial.

Além de estar voando, encaixado e com elenco, o Real vê um Barcelona vivendo um pesadelo extra-campo. O clube foi humilhado pela decisão de Neymar de abandoná-lo. Virou motivo de piada nas rodas de dirigentes e pessoas importantes do futebol europeu. E também nas conversas de bar.  Não se perde um jogador como Neymar impunemente.

Agora é um clube desesperado que acaba tomando medidas desesperadas. Pagou por Paulinho mais do que deveria. E o mesmo acontecerá com Philippe Coutinho e/ou Dembélé. Isso se conseguir trazê-los. Mesmo que venham, haverá um tempo para adaptação, encontrar o melhor formato de time para acomodá-los, etc. Suárez está machucado. Quando perceberem, o Real Madrid estará muito na frente.

A derrota contundente na Supercopa não se deve à ausência de Neymar. O que Neymar fez foi perceber que a barca estava afundando e foi ser feliz em outro lugar. A linha defensiva é de segunda linha, o meio de campo está envelhecido e sem opções e Messi já está há tempos andando em campo. Faz gols, dá assistências, é um gênio, mas não trabalha mais defensivamente, não joga com sangue nos olhos. E isso já faz uns bons dois anos.

No meu ponto de vista, o Barcelona está mais para disputar segundo lugar com o Atlético do que primeiro com o Real Madrid.

O ATLÉTICO, de Simeone, segue tão forte quanto nos outros anos. É verdade que não pôde contratar ninguém pela sanção da Fifa, mas manteve seu grande líder, o técnico, e seu grande jogador, Griezmann. Em janeiro, devem chegar Diego Costa, Vitolo (emprestado ao Las Palmas até dezembro) e talvez outros nomes, o que fará do Atlético um candidato na Champions League (de novo).

A grande chave para o Atlético é dar mais espaço a protagonismo a Saúl, um jogador jovem, de muito talento e que talvez trabalhe demasiado taticamente. O belga Carrasco também precisa ter mais importância.

O SEVILLA substituiu Sampaoli pelo bom (e também argentino) Eduardo Berizzo, ex-Celta. Perdeu alguns jogadores importantes, como Vitolo, o lateral Mariano (Galatasaray, difícil entender essa decisão) e veteranos como o zagueiro Ramy, o meia Nasry ou o volante Iborra.

Mas trouxe reforços interessantes e que podem dar certo nas mãos de um técnico que gosta de jogo, como Berizzo. O atacante colombiano Muriel, da Sampdoria, o zagueiro dinamarquês Kjaer, do Fenerbahce, o volante Banega, da Inter, e os extremos Nolito e Jesús Navas, ambos chegando do Manchester City.

O grande adversário do Sevilla na busca por uma vaga na Champions League será novamente o VILLARREAL, que se reforçou com o colombiano Bacca (Milan) e o turco Unal (Man City) para o ataque, o zagueiro Semedo (Sporting) e o promissor meia Fornals (Málaga). As principais perdas foram o zagueiro Musacchio, para o Milan, e o veterano Soldado, para o Fenerbahce.

OUTROS:

A Real Sociedad e o Athletic Bilbao mantêm bases interessantes, mas dificilmente conseguirão se manter no G4. O Valencia, em eterna tentativa de ser grande de novo, aposta em um bom técnico, Marcelino. Mas segue com um elenco fraquinho.

Olho para o filho de Zidane, Enzo, que jogará no Alavés. O Celta, que havia apostado em Luís Enrique antes de o treinador chegar ao Barcelona, agora aposta em seu braço direito, Juan Carlos Unzué. Douglas Luiz, ótimo volante revelado pelo Vasco e comprado pelo Manchester City, atuará por empréstimo no recém-ascendido Girona para ganhar experiência.

Outras prévias no blog:
Em busca do hexa na Alemanha, Bayern não tem rivais à altura

Liga inglesa: a melhor virou também a mais imprevisível

França: Neymar e PSG fazem bi parecer sonho distante para o Monaco

 

Supercopa da Espanha:

13/8/17 Barcelona 1 x 3 Real Madrid
16/8/17 Real Madrid 2 x 0 Barcelona

Maiores campeões espanhóis: Real Madrid (33), Barcelona (24), Atlético de Madri (10)

Previsões:

Título: Real Madrid
Vice: Atlético de Madri
Vagas na Champions: Barcelona e Sevilla
Artilheiro: Messi
Melhor jogador: Isco
Olho em: Asensio e Saúl, astros da Espanha sub-21, podem explodir
Na TV: FOX e ESPN
Duelos imperdíveis: Atlético-Barcelona em 14/10/17, Atlético-Real em 18/11/17, Real-Barcelona em 19/12/17, Barcelona-Atlético em 3/3/18, Real-Atlético em 7/4/18, Barcelona-Real em 5/5/18

Bom saber: a rodada sempre começa na sexta à tarde e tem jogos também às segundas-feiras. Real Madrid e Barcelona quase sempre jogam sábado ou domingo à tarde.

Primeira rodada:

Sexta
15h15 Leganés x Alavés
17h15 Valencia x Las Palmas

Sábado
13h15 Celta x Real Sociedad
15h15 Girona x Atlético de Madri
17h15 Sevilla x Espanyol

Domingo
13h15 Athletic Bilbao x Getafe
15h15 Barcelona x Betis
17h15 La Coruña x Real Madrid

Segunda
15h15 Levante x Villarreal
17h Málaga x Eibar


Será que o PSG é mesmo o caminho mais fácil para Neymar ser Bola de Ouro?
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juliogomes

A contratação de Neymar pelo Paris Saint-Germain está cada vez mais próxima. Possivelmente, nos próximos dias será anunciada, com pompa e circunstância.

Não é difícil prever que o assunto dinheiro será pouco falado por Neymar ou seu staff. Não irão querer dizer publicamente que a troca é movida pelo vil metal. Pega mal, já sabem. O mais provável é que o discurso seja o de “buscar um novo desafio na carreira”, “transformar o PSG em campeão europeu”, etc.

O que não se fala muito na Europa, mas parece obsessão por aqui, em uma sociedade que em regra se preocupa mais com sucessos individuais do que coletivos, é a tal busca pela Bola de Ouro.

Há muitos anos se fala tanto de quando, afinal, Neymar será eleito o melhor mundo. O detalhe é que ele nunca foi o melhor do mundo. E não é. Mas o que importa, na cabeça de alguns, é que será. E é necessário saber como articular as coisas para que isso aconteça. Para que ele esteja no centro, no topo, não no degrau abaixo.

E aí a convenção é acreditar que, no Barcelona, com a sombra de Messi, ele nunca será o melhor do mundo. Portanto, precisa encontrar as condições ideais para tal. Um time bom, em condições de ser campeão da Champions e em que ele seja o destaque.

Eu pergunto: será mesmo que no PSG Neymar terá um caminho mais fácil para ganhar a Bola de Ouro do que no Barcelona?

De bate pronto, a resposta é um retumbante “sim”. Mas tenho muitas dúvidas sobre tanta certeza.

No curto prazo, agora que é mundialmente conhecido, a grande chave para Neymar ganhar a Bola de Ouro é a Copa do Mundo da Rússia.

Tradicionalmente, o destaque da seleção campeã é quem leva o prêmio de melhor do ano. É verdade que em 2010 e 2014 os prêmios individuais foram para Messi e Cristiano Ronaldo, mas há um enorme porém aí. Foram anos em que a Bola de Ouro havia sido “comprada” pela Fifa. Aquele sistema de votação em que o capitão do Sri Lanka tem uma poderosa voz.

Agora, a Bola de Ouro voltou a ser a Bola de Ouro. Com especialistas que realmente acompanham o futebol de alto nível de perto definindo os melhores do ano. Voltaremos a ter gente como Weah ou Sammer ou Nedved ou Shevchenko ganhando o prêmio, e não apenas os jogadores de mais nome e mídia.

Em 2010, a Bola de Ouro teria (e devia ter) ido para Iniesta, Xavi ou Sneijder, certamente não para Messi. Em 2014, talvez para Neuer, em vez de Cristiano Ronaldo – ainda que naquela temporada, de fato, o português tenha arrebentado e a seleção alemã não tenha nos mostrado algum grande destaque individual na Copa.

Se a seleção brasileira ganhar a Copa do Mundo de 2018, é muito provável que Neymar terá sido decisivo na campanha. Gabriel Jesus e Philippe Coutinho ainda não têm o mesmo tamanho. Brasil hexa significará Neymar melhor do mundo, sem muitas dúvidas.

E aí, pouco importa em que time ele estará. Talvez seja até melhor estar junto com Messi, conquistando ou perdendo as mesmas coisas que o argentino no Barcelona e tendo a Copa do Mundo como “desempate”, do que estar em um PSG que PODE fracassar precocemente na Europa.

O PSG nunca foi campeão europeu e terá de passar por times estrelados e fortíssimos, como Real Madrid, Bayern, Juventus, Chelsea, Manchester United, City, o próprio Barça. Já a seleção brasileira sabe o caminho dos títulos e terá menos adversários rumo ao hexa.

Por outro lado, claro, a Copa é uma só, a Champions tem todo ano. No longo prazo, ser a estrela do PSG pode abrir mais possibilidades de Bola de Ouro a Neymar. No longo prazo, porém, também seria possível contar com uma passagem de bastão de Messi para ele no Barcelona.

O debate sobre “o melhor caminho para ser Bola de Ouro” nem deveria existir. Cansa um pouco essa individualização de um esporte coletivo. Mas somos o que somos. E, por mais que isso dificilmente seja ouvido da boca de Neymar, o fato é que entra na balança da tomada de decisão.

 


Eliminatórias da Copa: CR7 brilha e uma seleção vence após 13 anos
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juliogomes

José Mourinho disse recentemente em entrevista ao repórter João Castelo Branco, da ESPN Brasil, que gosta de “futebol sério” e, portanto, adora as eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo e não perde tempo vendo as europeias. “A qualificação europeia é uma brincadeira, toda gente se qualifica. Há um abismo entre as seleções”.

Mas dizem também que não tem mais bobo no futebol. E, para surpresa de Mourinho e de quem mais tenha prestado a atenção, o bobo da sexta-feira foi a Hungria.

Um dia tradicional no futebol, finalista da Copa de 54, a Hungria talvez tenha encontrado um novo fundo do poço. Perdeu para Andorra, um Principado de menos de 100 mil habitantes encravado entre França e Espanha, nos Pirineus. Uma seleção formada por amadores.

Menos de um ano atrás, a Hungria empatava por 3 a 3 com Portugal pela Euro-2016, depois de estar três vezes na frente. Se perdesse, Portugal seria eliminado. Acabaria sendo campeão europeu.

A classificação para a Copa do Mundo da Rússia era mais complicada do que para a Euro, e a missão húngara não era fácil em um grupo B com Portugal e Suíça. Mas daí a perder para Andorra…

Para se ter uma ideia do feito, Andorra só havia vencido um jogo oficial em sua história, em 13 de outubro de 2004, quando fez 1 a 0 na Macedônia pelas eliminatórias da Copa-2006. Desde então, eram 3 empates e 63 derrotas em jogos oficiais.

Se contarmos amistosos, no entanto, estaremos nos deparando com a melhor Andorra de todos os tempos! :-) :-)

Afinal, em fevereiro deste ano ganhou um amistoso por 2 a 0 contra San Marino (sua primeira vitória desde o tal jogo de 2004). Em março, empatou sem gols com Ilhas Faroe pelas eliminatórias. E agora chega ao terceiro jogo de invencibilidade, amigos! O herói contra a Hungria foi Marc Rebes, o autor do gol da vitória no primeiro tempo.

Agora, nos últimos 13 anos, Andorra soma 2 vitórias, 7 empates e 80 derrotas. Parabéns, Hungria.

No mesmo grupo B, Portugal contou com dois gols de Cristiano Ronaldo e fez 3 a 0 na Letônia. Mas a Suíça ganhou por 2 a 0 nas Ilhas Faroe e segue líder. Os suíços têm 18 pontos, os lusos têm 15. A vaga direta para a Copa-2018 ficará mesmo para o duelo direto entre eles, em Portugal, em outubro.

Outros grupos

No grupo A, a França pressionou durante todo o segundo tempo, mas, em uma bobeada incrível do goleiro Lloris, aos 47min do segundo tempo, levou um gol de Toivonen de trás da linha do meio do campo. Vitória de virada da Suécia por 2 a 1.

Gol que deixa em situação delicadíssima a Holanda, apesar da goleada por 5 a 0 sobre Luxemburgo.

Suécia e França lideram com 13 pontos, enquanto a Holanda tem 10 e a Bulgária tem 9, após perder por 2 a 1 para os bielorrussos. Na próxima rodada, em agosto, a Bulgária recebe a Suécia, e a Holanda jogará a vida em solo francês. Se a Holanda não vencer na França e os suecos ganharem dos búlgaros (provável), a Oranje, que já ficou fora da última Euro, possivelmente perderá também a Copa-18.

Pelo grupo H, a Bélgica jogou para o gasto e fez 2 a 0 na Estônia, fora de casa. Com 16 pontos, os belgas têm folga na ponta, já que Bósnia-Herzegovina e Grécia ficaram no 0 a 0. Os gregos foram a 12 pontos, os bósnios a 11.

No outro jogo do grupo, a recém federada seleção de Gibraltar perdeu por 2 a 1 para o Chipre, levando gol aos 42min do segundo tempo. Teria sido o primeiro ponto de Gibraltar em um jogo oficial. Não foi, então agora são 18 derrotas em 18 partidas.

portu


Real Madrid é primeiro bicampeão da era Champions. Veja mais curiosidades
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juliogomes

O Real Madrid conquistou a terceira Liga dos Campeões da Europa em quatro anos. Um domínio que não era visto desde os tricampeonatos de Ajax e Bayern de Munique, na década de 70 – quando o torneio tinha mesmo só campeões, não vários times fortes dos principais países.

Os 4 a 1 sobre a Juventus – que, antes desse jogo, havia tomado apenas três gols em 12 partidas no torneio – significaram a 12a conquista europeia do Real Madrid. Aqui vão alguns dados e curiosidades da Champions.

– O Real Madrid é o primeiro clube a ganhar dois títulos seguidos desde que a Champions League foi criada (substituindo a Copa dos Campeões), em 1992;

– O último bicampeão havia sido o Milan, em 89 e 90. Assim, Zidane torna-se o primeiro técnico a ganhar dois europeus seguidos desde o lendário Arrigo Sacchi;

– É a primeira vez desde 1958 que o Real Madrid consegue ser campeão europeu e espanhol na mesma temporada;

– O Real ganhou 12 das 15 finais que disputou, um incrível aproveitamento de 80%. Já são seis finais consecutivas vencendo;

– A Juventus, por outro lado, tem aproveitamento pífio em finais, com duas vitórias e sete derrotas – já são cinco seguidas depois do último título, em 1996;

– Campeã de tudo na Itália, a Juve perdeu a chance de conquistar uma tríplice coroa inédita. Entre italianos, só a Inter conseguiu, em 2010;

– O Real Madrid fez pelo menos um gol em todos os 60 jogos oficiais que disputou na temporada. A série histórica vem desde a temporada passada e já está em 65 partidas;

– Cristiano Ronaldo chegou a 600 gols na carreira (em 855 jogos) – 105 deles na Champions League, liderando a lista de artilheiros na história da competição;

– Com 12 gols, o português foi o artilheiro da Champions League pela quinta vez seguida e pela sexta vez em sua carreira – superando Messi, máximo goleador de cinco edições. Dos 12 gols, 10 saíram das quartas de final para frente;

– Cristiano Ronaldo torna-se o segundo homem (primeiro desde a criação da Champions) a fazer gols em três finais diferentes. Ele marcou também em 2008, pelo Manchester United, e em 2014. Alfredo di Stefano, outra lenda do Real Madrid, fez gols em cinco finais, consecutivamente entre 1956 e 60;

– Casemiro tornou-se o décimo brasileiro a marcar um gol em final de Champions League. O último havia sido Neymar, pelo Barcelona, em 2015, também contra a Juventus;

– Em apenas um ano e meio no cargo, Zidane já tem um currículo melhor como técnico do que como jogador do Real Madrid. Como técnico, ganhou cinco títulos: duas Champions, um Espanhol, um Mundial e uma Supercopa da Europa. Como jogador, também conquistou um Espanhol, um Mundial e uma Supercopa, mas apenas uma Champions.

 


O melhor da Europa? Aquele que tem Cristiano Ronaldo
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juliogomes

Fazia muito tempo que uma final de Champions League não mostrava quem era o melhor da Europa. A deste sábado mostrou. O melhor time é sempre o time de Cristiano Ronaldo.

Dois gols na final, gols em três finais, quatro títulos europeus. O melhor do mundo.

A Juventus foi agressiva no início, como tinha que ser. Teve chances. Mas cedeu um contra ataque, Cristiano Ronaldo deu um passe perfeito para Carvajal, que devolveu também com perfeição. E aí veio aquela finalização de bilhar. 1 a 0.

Mas a Juve, brava, não desistiu. Foi para cima, empatou em um gol que poderia ter marcado o futuro de Navas no Real Madrid. Mandzukic tocou por cobertura e correu para o abraço. Fez o mais difícil. Achar um empate rápido.

No segundo tempo, no entanto, não teve jogo. Ou melhor. Teve jogo de um time só.

A Juventus não quis rifar a bola, tentava sair jogando, mas a marcação avançada do Real Madrid não só impedia essa estratégia como roubava rapidamente e criava situações de perigo.

O gol parecia questão de tempo. E foi. Saiu em chute de muito longe de Casemiro, que desviou em Khedira e matou Buffon, entrando no único buraquinho possível entre a mão dele e a trave.

A Juve sentiu o gol. Não sabia o que fazer. Seguiu tentando sair para o jogo desde a defesa. E, em um passe errado de Alex Sandro, Modric criou o cruzamento finalizado por (quem mais?) Cristiano Ronaldo.

Com 3 a 1, a final morreu. Ainda teve um quase gol de Alex Sandro. E a ridícula expulsão de Cuadrado, em um teatro de Sergio Ramos que foi a única coisa a se lamentar na atuação do Real Madrid. Depois, veio a jogadaça de Marcelo e os 4 a 1, dos pés do superpromissor Asensio.

A Juventus havia levado três gols em 12 jogos na Champions. Levou quatro do time que fez gols em TODOS os 60 jogos oficiais que fez na temporada.

O campeão dos campeões, o time que não perde finais, ganha a sexta seguida. A duodécima. terceira em quatro anos. O primeiro bicampeão da história moderna da Champions League. Contra uma Juventus que perde a quinta final seguida e vira, de vez, o oposto do Real. O time que não vence finais.

Ganhou o melhor da Europa. Ganhou o time de Cristiano Ronaldo.


Juventus x Real Madrid: Cinco chaves da final da Champions League
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juliogomes

Há quem se apegue a curiosidades e tabus para “determinar” um favorito em uma final de campeonato. Freguesias, cor de camisa, datas.

Por exemplo. Você sabia que desde que a Copa dos Campeões virou a Champions League um clube italiano é campeão a cada sete anos? Em 96, foi a Juventus. Em 2003, o Milan. Em 2010, a Inter. Portanto, em 2017 só pode dar Juve, certo?

Por outro lado, você sabia que nas únicas duas vezes que o Real Madrid enfrentou a Juventus em campo neutro ele ganhou? E que, enquanto o Madrid é o clube de melhor aproveitamento em finais europeias, a Juve é o pior? Isso considerando quem jogou várias finais, claro, não só uma ou duas.

Esse tipo de informação é legal. Mas só se torna relevante mesmo se pesar coletivamente, se transformar em um fardo que, de fato, faça os jogadores atuarem abaixo do que podem devido à pressão. Que um tabu, uma “necessidade” de vitória entre na cabeça dos caras e afete o jogo. Não parece ser o caso neste Juventus x Real Madrid de jogadores tão experientes. Então vamos às chaves táticas da grande decisão deste sábado.

1- Brasileiro x brasileiros

Daniel Alves x Marcelo. Não é novidade para ninguém, certo? Um duelo que já ocorreu muitas vezes nos confrontos entre Barcelona e Real Madrid. Pelo Barça, Daniel enfrentou o Real 27 vezes, com 14 vitórias e 7 derrotas. Se somarmos os anos de Sevilla, foram 22 vitórias em 42 jogos. Ou seja, teve mais sucessos do que fracassos. Daniel Alves é uma das chaves da partida, seu espírito é contagiante e a experiência é muito importante. Quem vai pará-lo? Se Marcelo tiver essa atribuição, ficará comprometida uma importante saída de jogo do Real Madrid com ele pela esquerda. Possivelmente o trabalho sobre muitas vezes para Casemiro, um jogador que flertou com expulsões em vários momentos da temporada. Casemiro e Marcelo precisam parar Daniel Alves para o Real Madrid aumentar suas chances.

2- Agressividade

O Real Madrid faz gols consecutivamente há 64 jogos – todos os 59 da temporada atual e 5 ainda da temporada passada. Se tem algo que ficou claro nos últimos anos é que times que esperaram o Real Madrid pagaram o preço (como o Atlético de Madri). Uma das chaves para a Juventus é tomar as rédeas do jogo e mostrar a mesma agressividade que mostrou nos jogos de ida contra Barcelona e Monaco, outros times de ataque muito poderoso. Construir jogo, tentar aproveitar as falhas defensivas do Real, buscar o gol e não ficar apenas esperando uma boa chance de contra ataque.

 

3- Batalha no meio de campo

Tudo indica que Isco será mesmo titular e Bale começará o jogo no banco de reservas. Boa notícia para o Real Madrid, que foi um time muito mais equilibrado na temporada com o losango no meio – Casemiro no vértice de baixo, Modric pela direita, Kroos pela esquerda, Isco no topo. O desenho deu mais consistência defensiva, com os volantes ajudando na cobertura sem abrir buracos no meio. A Juventus não tem um volante do tipo Casemiro. Como Pjanic e Khedira conseguirão cortar essas linhas de passe? Como Dybala será municiado? Como sempre, no futebol de alto nível, quem ganhar a batalha do meio de campo terá grandes chances de ganhar o jogo.

4- Duelos individuais

Jogos muito equilibrados costumam ser desequilibrados de duas maneiras: arbitragens ou vitórias nos duelos individuais. Literalmente, um jogador superando o outro. Subindo mais para o cabeceio, dando um drible, se antecipando, aproveitando um erro alheio, enfim. Cristiano Ronaldo e Benzema destruíram o Atlético de Madri na semifinal ganhando os duelos individuais. Conseguirão também contra Chiellini, Bonucci e Barzagli? O mesmo vale para o outro lado. Higuaín e Mandzukic contra Sergio Ramos e Varane.

5- Primeiro gol

Viradas são muito raras em finais. Tão raras que basta puxar na memória para nos lembrarmos delas. Aqueles 2 a 1 do Barcelona sobre o Arsenal em 2006, com gol de Belletti no finalzinho. Ou os dois gols nos acréscimos do Manchester United sobre o Bayern de Munique, em 99. O Real Madrid ganhou do Atlético de virada, em 2014, mas na prorrogação e em circunstâncias especiais (empate aos 48min do segundo tempo, esgotamento físico e emocional do adversário). Há um certo consenso de que quem marcar primeiro terá muito mais do que meio caminho andado, daí a importância de entrar em campo a 110 por hora.

 

Com esse post, concluímos uma semana cheia de informações sobre Juventus e Real Madrid aqui no blog. Abaixo, encontre links para ler mais. Agora é esperar por um jogo sem erros importantes de arbitragem e que nos mostre, afinal, quem é o melhor da Europa.

Três razões para acreditar na Juventus. E três para crer no bi do Real Madrid

Buffon e Zidane: dois momentos históricos em que os caminhos se cruzaram

“Zidane virou um grande na Juventus, só faltou a Champions”

Como a final de 98 mudou os destinos de Real Madrid e Juventus

Real e Juventus campeões nacionais. Agora só falta saber quem é melhor

 


Três razões para acreditar na Juventus. E três para crer no bi do Real
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A final da Liga dos Campeões, sábado, será a primeira em muitos anos que realmente apontará quem é o melhor time da Europa. Um tira-teima entre os dois melhores da temporada. A Juventus, campeã italiana e da Coppa Itália, tenta a tríplice coroa inédita. O Real Madrid tenta ser campeão espanhol e europeu pela primeira vez desde 1958.

Os dois gigantes têm motivos de sobra para acreditar que podem levantar a “orelhuda” em Cardiff, no País de Gales. Aqui, o blog aponta os três principais.

TRÊS RAZÕES PARA ACREDITAR NA JUVENTUS

1- Melhor defesa do mundo

Dizem que ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos. O sistema defensivo da Juventus começa pelos atacantes e a pressão que exercem lá na frente, o que já virou praxe no futebol mundial. E acaba em uma verdadeira muralha. Buffon, melhor goleiro das últimas duas décadas, talvez da história, e a seguríssima linha de zaga formada por Chiellini e Bonucci, talvez com Barzagli acompanhando pela direita. Na atual campanha na Champions, a Juve sofreu três gols em 12 jogos – o único sofrido no mata-mata foi na semifinal contra o Monaco, com a eliminatória já decidida.

2- O fator Daniel Alves (e a fome)

Ele quase foi para a China. Mas resolveu ficar no futebol de alto nível e chegou a Turim dizendo que queria ajudar a Juventus a ganhar uma Champions League. Foi o principal nome da semifinal contra o Monaco, atuando em uma posição mais avançada pela direita – que deve se repetir no sábado. Se for campeão da Champions (seria a quarta), Daniel Alves chegará a 36 títulos na carreira, se igualando ao galês Ryan Giggs, multicampeão no Manchester United.

Aliás, depois de lerem o resto desse post, voltem, cliquem aqui e leiam um texto para a história publicado nesta semana por Daniel Alves. Quem não chorar é porque tem coração de pedra. Com esse texto maravilhoso, Daniel nos mostra como a fome de vencer impulsiona jogadores profissionais. Assim como ele, a Juventus tem muitos jogadores no elenco querendo provar algo para o mundo.

3- Histórico recente contra o Real

É verdade que o histórico aponta oito vitórias para cada lado e na única vez que se enfrentaram em uma final europeia, em 1998, deu Real Madrid. Mas, de lá para cá, a Juventus vem dominando os duelos contra o rival espanhol. Saiu vencedora de confrontos eliminatórios em 2003 (semi), 2005 (oitavas) e 2015 (semi). Este último, dois anos atrás, tinha muitos jogadores que estarão em campo no sábado do lado do Real Madrid. Oito titulares que atuaram na volta (empate no Bernabéu) jogarão a final de Cardiff, ou seja, é essencialmente o mesmo time. Por parte da Juve, somente o eixo defensivo repetirá.

TRÊS RAZÕES PARA ACREDITAR NO REAL MADRID

1- O ataque que não falha

O Real Madrid fez pelo menos um gol em todos (isso mesmo, você leu direito, TO-DOS) os jogos que disputou nessa temporada. Foram 169 gols em 59 partidas. Considerando a temporada passada, a sequência histórica já está em 64 jogos. O Real não passa em branco desde abril do ano passado. Quando um time já entra em campo com a certeza de meter pelo menos uma para dentro, quem coça a cabeça é o adversário.

2- O Real não perde finais

Todos sabem que o Real Madrid é o maior campeão europeu de todos os tempos, já são 11 troféus de Copa dos Campeões e Champions League. Uma das razões para isso é o incrível aproveitamento de 78% nas decisões. É aquela história: “deixou chegar…”. Ninguém tem percentual tão alto – exceto alguns clubes que ganharam todas as finais que jogaram, mas nunca disputando mais do que duas. O Real é o recordista de decisões, chegou a 14. A última derrota veio em 1981, para o Liverpool. De lá para cá, cinco decisões, cinco canecos. Já a Juventus, pelo contrário, ganhou duas de oito. O aproveitamento de 25% em decisões europeias é o pior entre todos os que já ganharam o título alguma vez.

3- O equilíbrio encontrado com Isco

Foi necessária a série de lesões e recaídas de Bale para Zidane encontrar o time ideal. E que aparentemente será mantido para a decisão, consideradas as declarações do próprio Bale durante a semana. Apesar de Zidane ter batido o pé ao longo da temporada (“no trio de ataque não se mexe”), o fato é que o time ficou mais equilibrado com Isco no topo do losango do meio de campo. Cristiano Ronaldo e Benzema passaram a atuar mais próximos e receber mais bolas limpas. A presença de Isco desafogou de Kroos e Modric a responsabilidade única de municiar o ataque e criou inúmeras linhas de passe a mais. Com essa formatação, o Real passou a se impor nos jogos e depender menos de bolas paradas, chuveirinhos e vitórias arrancadas nos minutos finais, que vinham sendo regra na temporada.

 


A Liga dos reservas do Real Madrid e da coragem de Zidane
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juliogomes

Não sou o analista mais eufórico sobre a capacidade de Zinedine Zidane como técnico de futebol. Ao longo deste pouco mais de um ano de sua carreira, no comando “só” do Real Madrid, vi muito conservadorismo nas substituições, um time ultradependente da bola aérea e muito vazado atrás. Pouca capacidade de mudar jogos complicados.

Mas não é possível tirar os méritos de Zidane se o Real confirmar o título espanhol (só ganhou um nos últimos oito anos) e chegar à final da Champions – duas possibilidades para lá de prováveis. A estratégia de rodízio nas escalações foi simplesmente perfeita.

Se Zidane ainda sente dificuldades nos 90 minutos, mostrou enorme capacidade de pensar a temporada como um todo. Mostrou coragem. Porque, se desse errado, seria criticado. E o fato é que o time está voando na hora H, sobrando fisicamente nos jogos grandes.

Neste sábado, os reservas do Real golearam o Granada com quatro gols no primeiro tempo. Com isso, o Real segue empatado com o Barcelona em pontos, mas com um jogo a menos. Duas vitórias e um empate nas últimas três partidas serão suficientes para o título espanhol. Isco não jogou em Granada, mas Morata, James Rodríguez, Lucas Vázquez e Asensio deram conta do recado.

Desde o começo de abril, em um período de um mês, Zidane optou por colocar um time praticamente inteiro reserva em campo em quatro partidas. Todas fora de casa. Os reservas ganharam os quatro jogos. 12 pontos de 12. Com direito a 21 gols marcados – cinco de James, que quase deixou o clube em janeiro, e sete de Morata, que, por mais que a imprensa madrilenha tenha tentado forçar a situação, nunca ameaçou a titularidade de Benzema. Coloquei a lista de jogos dos reservas e marcadores no final deste post.

Devido às lesões, só o sistema defensivo foi pouco rodado nestes jogos. Sergio Ramos, por exemplo, esteve em campo em quase todos. Marcelo, em metade.

Zidane não só conseguiu os pontos que precisava como não sucumbiu às pressões midiáticas. Em nenhum momento os titulares se sentiram ameaçados. Quem era craque sabe que qualquer jogador, craque ou não, precisa de confiança para desempenhar.

Cristiano Ronaldo nem no banco ficou nestas partidas e tampouco viajou para um jogo em março, contra o Eibar. Consequência? O português está tinindo no fim de temporada e fez oito gols em três jogos nas eliminatórias contra Bayern e Atlético na Champions. Lembrando que, após a Eurocopa do ano passado e a lesão sofrida na final, Cristiano ficou sem pré-temporada.

Zidane conseguiu conter a “fome” de Cristiano Ronaldo por minutos, gols e números. E criou o melhor dos mundos: o português está voando na Champions, e os reservas voando para estádios hostis, dando conta sem ele.

As rotações começaram em janeiro, quando há os jogos de Copa do Rei no meio de semana. Zidane já dava mostras do que faria mais para frente, deixando alguns titulares fora de alguns jogos. O time titular, então, teve uma sequência horrorosa no Espanhol no final de fevereiro. Derrota para o Valencia, vitória no finalzinho (e com ajuda da arbitragem) em Villarreal e empate em casa contra o Las Palmas. Ali, foi tomada a decisão.

O jogo seguinte a este empate foi em Eibar, e Zidane deixou mais de meio time de fora, incluindo Cristiano. A partir daí, começou a alternar times. Enquanto os titulares cederam pontos em casa nos clássicos contra Atlético e Barcelona, os reservas foram ganhando uma atrás da outra. Drama mesmo só no jogo de Gijón, com gol de Isco no último minuto. De resto, goleadas e pontos.

Os titulares voltam a campo contra o Atlético, quarta, pela Champions. E aí serão disputados os três jogos finais pela Liga espanhola. Sevilla em casa, Celta fora, Málaga fora. Será que Zidane terá coragem de colocar os reservas em algum destes três jogos? Veremos.

A epopeia dos reservas (entre parênteses, quem fez os gols):

4/3 Eibar 1-4 Real (Benzema-2, James, Asensio)
5/4 Leganés 2-4 Real (Morata-3, James)
15/4 Gijón 2-3 Real (Isco-2, Morata)
26/4 La Coruña 2-6 Real (James-2, Morata, Lucas Vázquez, Isco, Casemiro)
6/5 Granada 0-4 Real (James-2, Morata-2)


Real Madrid volta a lembrar o Atlético: “Nunca serão”
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juliogomes

Foi um muito bom jogo do Real Madrid e, de longe, a pior atuação do Atlético de Madri neste anos todos chegando às fases finais da Liga dos Campeões da Europa. No fim, a diferença foi novamente Cristiano Ronaldo.

O cara tinha dois gols nos oito primeiro jogos da Champions. Fez oito gols nos últimos três – os dois jogos contra o Bayern e o desta terça contra o Atlético. Os 3 a 0 no Santiago Bernabéu deixam o Real Madrid praticamente classificado para sua terceira final europeia em quatro anos.

É um time que faz pelo menos um gol desde um 0 a 0 com o Manchester City em 26 de abril do ano passado. 59 partidas consecutivas marcando. Se fizer um no estádio do Atlético, o rival precisará marcar cinco para se classificar. Em mata-matas, o Real Madrid nunca, na história, desperdiçou uma vantagem de três ou mais gols criada no primeiro jogo.

O fato é que a metamorfose promovida por Simeone nos últimos anos acabou sendo uma armadilha para o Atlético. O time raçudo, duro, defensivo dos primeiros anos foi dando lugar a talento e qualidade técnica. Não perdeu a solidez defensiva e ganhou muitas armas ofensivas.

Mas, contra o Real, ficou no meio do caminho. Não sabia se defendia ou atacava. Com 1 a 0 contra, no segundo tempo, se viu com a bola nos pés. Mas não cortava as linhas de marcação do Real. As substituições de Simeone não deram certo, Griezmann não encostou na bola. Navas não precisou se preocupar nem com chuveirinhos. Modric e Kroos, perfeitos, roubavam e logo acionavam os homens de frente. Foi um banho.

Mesmo sem pressionar, o Atlético cedeu inúmeros contra ataques a um Real Madrid que adora jogar assim. Zidane leu bem o jogo e, no meio do segundo tempo, colocou os rápidos Asensio e Lucas Vázquez no lugar de Isco e Benzema.

Haveria chances. E desta vez não tinha Neuer para operar milagres. Cristiano Ronaldo botou todas para dentro.

Zidane, conservador em substituições, tem um mérito claro na temporada. Usou o time reserva em cinco jogos fora de casa no Campeonato Espanhol. Os caras jogaram bem e trouxeram os pontos para casa. Não caiu na pressão da imprensa e manteve seus titulares para os jogos principais. Consequência: o time está voando fisicamente na reta final da temporada.

O Atlético saiu do Bernabéu humilhado. Depois de ter merecido o título em 2014, ter levado para os pênaltis em 2016 (sofrendo gol irregular, diga-se), o Atlético sai de campo com a sensação que era fortíssima antes da era Simeone, aquela que havia ficado para trás e agora volta com toda força.

A sensação do “nunca seremos”.