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Corinthians é quem corre mais risco entre os brasileiros na Libertadores
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Julio Gomes

A quinta-feira foi ótima para os brasileiros na Libertadores da América. Para o Palmeiras, logicamente, que jogou muito bem, ganhou e se garantiu em primeiro lugar de um grupo complicado, mas também para Cruzeiro e Flamengo, mesmo sem entrar em campo.

O Santos já estava classificado, o Cruzeiro se garantiu ontem com a derrota da Universidad de Chile (só uma goleada histórica eliminaria os mineiros que têm 16 gols de vantagem de saldo), o Grêmio está encaminhado, o Flamengo ficou encaminhado com a derrota do Santa Fé para o River. O Corinthians é quem está em situação menos tranquila para o restante da competição na fase de grupos – claro, estou tirando da conta o já eliminado Vasco, que não corre risco algum, pois já está fora.

Após tantas eliminações seguidas na fase de grupos, o Flamengo está a uma vitória ou dois empates de avançar ao mata-mata. Ele entra se ganhar do Emelec, que está praticamente fora, com um Maracanã que certamente estará lotado.

Se bobear e empatar no dia 16 de maio, o Flamengo ainda precisará só de um empate contra um já classificado River Plate. E poderá entrar mesmo com derrota na Argentina.

Pensando apenas na classificação, o Flamengo tem uma situação mais confortável que a do Corinthians. Apesar de ser líder do grupo 7, o Corinthians tem desfalques importantes para as duas rodadas finais e a situação da chave é bem complexa. Qualquer um pode entrar e, o principal, está claro que qualquer um pode ganhar de qualquer um.

Se o Corinthians perder do Lara, na Venezuela, será obrigado a vencer o Millionarios na última rodada – mas o time colombiano pode chegar a este jogo também vivíssimo na briga pela classificação (ao contrário da situação atual do Emelec, rival do Flamengo).

Não estou dizendo que a situação do Corinthians é ruim. Não é. É boa, até. A classificação segue muito próxima e acredito que ela virá para o time de Carille.

Mas, entre os brasileiros vivos, é quem corre mais riscos. Até, repito, pelo elenco curto e as lesões recentes. É uma situação matematicamente boa, mas pior que a dos outros brasileiros.

O Palmeiras, com 13 pontos, é o melhor time da competição até agora. Se vencer o Junior Barranquilla, garante a melhor campanha e a vantagem de decidir em casa contra qualquer um no mata-mata.

O Cruzeiro se garantiu com a derrota da Universidad de Chile para o Racing, ontem. A diferença é só de três pontos, mas de 16 gols de saldo. Se vencer o Racing na última rodada, o Cruzeiro ainda acaba o grupo em primeiro, depois do início claudicante.

O Santos, que pegou o grupo mais moleza entre todos os brasileiros, precisa só vencer o fraco Real Garcilaso para se garantir em primeiro.

E o Grêmio, que também pegou um bom grupo, lidera e enfrenta os dois piores times nas rodadas finais. É uma situação muito mais cômoda que a do Corinthians – até, e este talvez seja o principal fator, pela bola que está jogando.

Entre os times não-brasileiros que começaram a competição como possíveis postulantes ao título, a situação mais delicada é a do Boca Juniors, que não depende só de si para se classificar. Deve ganhar do Alianza Lima na última rodada, em Buenos Aires, mas vai precisar torcer para o Junior Barranquilla não vencer o Palmeiras em São Paulo.

Os clubes já classificados por antecipação para as oitavas de final da Libertadores são: Libertad (Paraguai), River Plate, Racing, Cruzeiro, Santos e Palmeiras – o Atlético Nacional, da Colômbia, está praticamente dentro.


Votação anti-VAR vai assombrar o Brasileiro do início ao fim
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Julio Gomes

Faz um pouquinho mais de dois meses. Foi no início de fevereiro que os 20 clubes da Série A decidiram não utilizar o recurso de vídeo para auxiliar as arbitragens no Brasileirão.

Bastou um sábado de futebol, menos da metade da primeira das 38 rodadas do campeonato, para que a decisão levasse um gigantesco tapa na cara. Erros de arbitragem acontecem toda hora. Interpretações diferentes sobre o mesmo lance, também. O pepino mesmo, e esse pepino é solucionado pelo VAR, são os lances claros, evidentes, não passíveis de discussão.

Como o pênalti dado para o Vitória contra o Flamengo, que resultou na expulsão injusta de Éverton Ribeiro, alterando toda a dinâmica do jogo. Ou como o segundo gol do Flamengo, em impedimento grosseiro.

Nem todo o jogo tem lances tão claros, tão evidentes, de erros de arbitragem. Aqueles sem nenhum “porém”. Aqueles que, com o VAR, não existirão mais.

O Flamengo foi um dos que votaram a favor do VAR me fevereiro. O Vitória, contra.

Na semana passada, tivemos a final do Paulista e toda a polêmica do pênalti dado e “des-dado” para o Palmeiras, com a forte suspeita do VAR clandestino mudando a decisão do árbitro. Uma das coisas que mais li, ainda que o campeonato fosse outro. “O Palmeiras votou pelo VAR, o Corinthians votou contra”. E daí?

Nas entrevistas pós-jogo no Barradão, o tema foi levantado. Nos programas de todos os canais de TV, idem. Mas e daí?

E daí que esta é a sombra que vai acompanhar o campeonato todo. Um verdadeiro fantasma.

Sempre que houver erro claro, a tal votação será lembrada. “Viram? O time X votou contra o VAR, agora aguenta”. Ou então. “O time Y votou a favor do VAR, viram por quê? É sempre roubado!”.

Preparem-se. Serão 38 rodadas e sete meses e meio de lembranças da maldita votação.

Não vou colocar a lista aqui de quem votou a favor, quem votou contra e quem se absteve. Sabem o motivo? Defendo que precisamos parar de olhar para o próprio umbigo. O futebol brasileiro precisa urgentemente passar a pensar no todo, não no pedaço.

Não interessa quem votou como. Foi uma decisão coletiva contra o VAR.

Uma decisão, é claro, induzida pela CBF. Que não larga o osso, não deixa a organização do campeonato para os clubes, mas não quer se responsabilizar pela arbitragem de vídeo. Jogou o preço lá em cima. sabendo que isso geraria o que gerou.

Mas clubes que foram contra porque o VAR da CBF só seria usado no segundo turno ou os que foram contra por causa do preço alto não poderiam ter se mexido? Os que votaram a favor do VAR não poderiam ter liderado esse movimento?

Será que era tão difícil assim os clubes chegarem a um acordo, encontrarem uma situação melhor de custo e emparedarem a CBF? Os clubes são parceiros da CBF em mais este erro histórico.

A votação será lembrada durante o ano todo. Uma pena. Uma enorme pena.

 


Arbitragem será bode expiatório, mas derrota palmeirense é duríssima
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Julio Gomes

O Palmeiras vai reclamar da arbitragem. Sem razão. É preciso saber perder e é preciso saber ganhar.

A arbitragem foi muito boa no Allianz Parque neste domingo. É verdade que foi ajudada pela maioria dos jogadores, que deram o papelão que deram na primeira partida e hoje se comportaram melhor. Mas o fato é que Marcelo Aparecido de Souza controlou o jogo e os ânimos inflamados desde o início. Teve méritos.

Errou ao marcar equivocadamente pênalti de Ralf em Dudu no segundo tempo. Mas depois acertou ao ouvir o que o quarto árbitro tinha a dizer. É chover no molhado pedir o VAR. O futebol precisa disso para ontem. É também chover no molhado desconfiar da interferência externa em lances assim.

É uma pena que tenhamos de ver acertos por linhas tortas. Uma espécie de clandestinidade ajudando os árbitros a tomarem as decisões certas em campo.

Ainda assim, prefiro a desconfiança a ver uma final sendo decidida por um pênalti mal marcado.

O Corinthians começou o jogo muito bem, com Matheus Vital fazendo estragos pela esquerda. Chegou rapidamente ao gol e depois fez o que melhor sabe. Se defendeu. Se defendeu muito bem, com propriedade, tomando pouquíssimos sustos ao longo de 90 minutos.

O Palmeiras é um time superior à maioria dos outros do Brasil. Tem um elenco mais recheado, o que é importante para campeonatos-maratona, não tanto para mata-matas. Isso não quer dizer que é um time bom pra caramba. É superior, mas não é essa Coca-Cola toda. O equilíbrio (por baixo) é a marca do futebol jogado no Brasil.

Esta é uma derrota duríssima. É um clube com um orçamento muito maior que o do Corinthians, uma constelação, uma final em seu estádio, com torcida única e vantagem do empate. É uma humilhação para o palmeirense.

Qual alegria ao longo do ano será grande suficiente para apagar uma derrota como essa? Talvez somente um mata-mata contra o próprio Corinthians na Libertadores.

Roger terá de juntar os cacos, pois o Brasileiro está aí.

Reclamar do árbitro é o que farão jogadores, diretores, torcedores, etc. Mas é apenas um bode expiatório. O Palmeiras deu pouco trabalho a Cássio em 180 minutos e já havia passado do Santos na bacia das almas. Há muitas coisas para serem resolvidas na constelação palestrina.

 


Futebol brasileiro tem machões demais, jogadores de menos
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Julio Gomes

De que adianta falar do clássico? O torcedor hoje em dia vibra mais com briga do que com gol. Fala mais de porrada do que boas jogadas de defesa. Debate mais juiz do que técnico.

O Palmeiras fez um jogo sólido em Itaquera, como não havia feito contra o Santos e nem no dérbi da primeira fase. Contou com a falha de Cássio para abrir o placar. Depois, defendeu bem, cedeu poucas chances ao Corinthians – que segue com o problema crônico de criar pouco quando precisa buscar o resultado.

O Palmeiras teve chances para matar a final no segundo tempo. Teve espaço e ocasiões. Não aproveitou. Ainda assim, leva uma vantagem enorme de jogar por dois resultados no segundo jogo, diante da própria torcida.

Mas o episódio que será falado durante toda a semana será o da briga ao final do primeiro tempo.

Os dois expulsos após a confusão, Felipe Melo e Clayson, deveriam começar o jogo já com cartão amarelo. Só pela palhaçada de não se cumprimentarem no início da partida, quando os times estão enfileirados.

Se envolveram em confusão sei lá quando e não se cumprimentam. Que façam cara de nojinho. Que sejam hipócritas, sim. Mas não deem um exemplo pífio desses.

Temos uma sociedade violenta, agressiva, o futebol é um dos catalisadores para que as coisas explodam. Estamos cansados de ver isso. Para que serve dois jogadores de futebol mostrarem o total desrespeito um pelo outro antes mesmo do jogo? O que esperar que façam DURANTE o jogo?

Bem, exatamente o que fizeram. Que troquem sopapos e agressões na primeira oportunidade.

E o que gera o empurra-empurra? Qualquer coisa, não é mesmo? É o país dos machões.

Nesse caso específico, não gostei do que fez Henrique. Levou um tranco normal de Borja e quis dar de xerifão, como sempre fazem os zagueiros. Aí depois chega Dudu, que também não é exatamente amado por ninguém, para “separar”. E aí chega todo mundo.

Mas, se não fosse o tranco de Henrique em Borja, seria outra coisa. Porque qualquer coisa é motivo para os tumultos que só vemos por aqui. Raríssimos fora, frequentes nos campos do Brasil.

Porque é o país dos machões. O futebol em que antes de jogar o que os caras querem é ganhar pontos com a torcida. Cada um tem um alvo preferido e se aproveita dessas situações para dar aquela chegada, aquele tabefe, aquele safanão. Torcedores, aliás, com sangue exageradamente nos olhos.

Falta bola, sobra garganta.

O árbitro foi quase perfeito na partida. Talvez pudesse ter dado uns três amarelos para Gabriel. Mas também perdoou amarelos ao Palmeiras. Ele não quis estragar ainda mais o jogo. Fez bem.

Espero que após a partida os jogadores de Palmeiras e Corinthians vejam bem o exemplo que deram. E depois não fiquem só com palavras bonitas quando os cabecinhas vestidos com as camisas de um e de outro estejam se matando pela cidade, enquanto eles fazem churrasco juntos.

É preciso dar exemplo para ser exemplo.


‘Clássico é clássico’. Uma máxima que não esconde favoritismo do Palmeiras
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Julio Gomes

Clássico é clássico. E vice-versa, como diria o outro. Todos estamos carecas de saber disso. Já vimos várias vezes times grandes ganharem de outros times grandes mesmo quando o momento deles é diferente. Um está bem. O outro está mal. O que está mal vai lá e… pumba.

Isso acontece principalmente no Brasil, onde os clássicos são muito frequentes e historicamente sempre houve certo nivelamento entre os times. Ou seja, por mais que o momento de um fosse melhor que o do outro, o nível dos jogadores sempre foi parecido.

Agora, nos momentos em que há desnível, o melhor quase sempre ganha. É assim aqui e em qualquer lugar que exista futebol.

Não dá para se esconder nessas máximas para se isentar da análise das semifinais do Campeonato Paulista.

A diferença entre Palmeiras e Santos é brutal. Em todas as linhas. Só o goleiro do Santos é melhor que o do Palmeiras. Até Willian bigode, a meu ver, é um jogador mais valioso que Gabibol. Menos finalizador, mas bom o suficiente fazendo gols e muito melhor taticamente.

Vamos lembrar que o melhor jogador do Santos nos últimos anos agora é do… Palmeiras.

O Palmeiras tem um time mais entrosado, sistema ofensivo mais sólido, meio de campo melhor, ataque melhor, banco de reservas melhor. E essencialmente joga melhor. É um time com cara de pronto contra outro em construção, com técnico e jogadores jovens e ainda em período de evolução.

O Santos pode ganhar? Claro que pode. Futebol é futebol. Com 5min algum jogador do Palmeiras pode fazer uma bobagem, pênalti e expulsão e pronto, o jogo é outro. É por isso que amamos esse esporte.

Mas fica fácil demais dizer sempre que qualquer um pode ganhar e tudo pode acontecer. Sim, tudo pode acontecer. Mas existem tendências que precisamos tentar prever analisando o passado distante, recente o presente (anímico e físico) e o potencial técnico e tático dos jogadores envolvidos.

O Palmeiras não é pouco favorito a ganhar do Santos na semifinal. É muito favorito. MUITO.

E na outra semi? Na outra semi também temos um favorito, o Corinthians. Por ser um time melhor tecnicamente? Não. O nível é bem parecido se olharmos nome a nome. Mas o Corinthians é um time mais bem treinado e muito sólido taticamente – coisas que o São Paulo não tem, até porque o treinador tem nesta semana seus primeiros dias de treinos.

Além disso, o Corinthians decide em seu estádio e tem histórico recente muito bom contra o São Paulo.

Mas sim, há um nivelamento técnico entre jogadores. E clássico é clássico. O São Paulo pode passar. Tem muito mais chances do que o Santos.

Em uma eventual final, o Palmeiras será ligeiramente favorito contra o Corinthians. E muito favorito contra o São Paulo, tanto quanto é contra o Santos.

Não podemos negar o inegável. Eu não me escondo nas frases feitas do futebol.

 


Corinthians acha dois gols para sobreviver
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Julio Gomes

Se no primeiro tempo o Corinthians teve o domínio do jogo, mas não levou muito perigo, no segundo o Bragantino foi muito superior no Pacaembu. Um time disposto a mostrar, em campo, que poderia eliminar o Corinthians mesmo jogando duas partidas fora de casa – que papelão dos dirigentes de Bragança, que “venderam” a vantagem esportiva de jogar a primeira no interior.

No primeiro tempo, o Bragantino jogou por uma bola – e encontrou, em um escanteio aos 47. No segundo, o time criou inúmeras chances de gol. Subiu a marcação e contou com um Corinthians displicente, talvez o pior jogo do time na era Carille.

Foi a primeira vez que Carille sofre três gols em um jogo “para valer” – a única outra ocasião em que o Corinthians sofrera três gols sob comando do técnico foi em uma derrota por 3 a 0 para o Flamengo, nas rodadas finais do Brasileiro, com o título já definido.

Mas com time grande não dá para brincar.

O empate do Corinthians saiu em um gol estúpido. Após escanteio e bola espirrada, Balbuena empatou sem que ninguém subisse junto para incomodar. O Bragantino reclama de falta (inexistente) de Romero no lance. Como pode ser falta um jogador se posicionar à frente do goleiro, sem encostar nele nem pular para disputar o lance?

Mas o Bragantino não sentiu o empate. Fez 3 a 1, poderia ter feito mais e tinha o jogo controlado. Só que deu moleza para Pedrinho na intermediária, e o garoto achou um golaço nos instantes finais. Nos acréscimos, o Corinthians apertou, mas teria sido castigo demais se o Bragantino sofresse o empate. O 3 a 2 foi um resultado até curto, para o que foi o segundo tempo.

O Bragantino vai a Itaquera no meio de semana buscar um empate. Precisará fazer outro jogo quase perfeito. O Corinthians, que sobrevive no Paulista após o jogo horrível que fez, terá de jogar com muito mais foco e vontade para ir à semifinal.

 


Por que não termos clássicos só com mulheres na torcida visitante?
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Julio Gomes

A vitória do Palmeiras sobre o São Paulo marcou o último clássico da primeira fase do Paulistão. Talvez tenhamos mais nas semifinais e na final. Todos eles tiveram torcida única.

E, para esta eventualidade de termos mais clássicos, assim como para os clássicos que vêm por aí no Brasileirão, em São Paulo ou outros Estados que têm adotado a medida, eu deixo uma sugestão. Só mulheres nas arquibancadas dos visitantes.

Foram seis clássicos no Paulistão até agora. O mandante ganhou quatro deles, um terminou empatado (Santos x Corinthians) e somente um teve vitória do visitante (o Santos bateu o São Paulo no Morumbi).

Por mais que a correlação de forças seja diferente entre os quatro grandes Paulistas neste momento, podemos perceber uma tendência. Quem joga em casa, vence.

É assim na era dos clássicos de torcida única. Se somarmos os dois Brasileiros (16 e 17) e os dois Paulistas (17 e 18) com a regra vigente, os mandantes ganharam quase 70% dos pontos – foram 24 vitórias em 38 jogos (e o culpado de os mandantes não terem desempenho ainda melhor é o São Paulo).

É óbvio que o retrospecto não se deve apenas ao fator torcida única. Mas também a ele, sem dúvida.

A decisão de não permitir a entrada de torcedores do time visitante gera desequilíbrio esportivo e, também, faz com o que o ambiente perca cor, perca graça.

Tampouco tem graça vermos os setores para os visitantes sempre ocupados apenas pelos organizados, ou seja, os violentos, os encrenqueiros, aquelas pessoas que afastam tanta gente dos campos.

Fica aqui minha sugestão para o Ministério Público, neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Por que não clássicos com torcida visitante, sim, mas que apenas mulheres possam ocupar as arquibancadas?

Já poderiam colocar em prática no Paulistão.

Eu ficaria muito surpreso se tivermos problemas…


Sheik, o chato bom de bola, dá vitória ao Corinthians
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Julio Gomes

Emerson Sheik é aquele jogador que todo árbitro deve odiar. Os adversários tampouco devem amá-lo.

Catimbeiro, teatral, exagerado, provocador. O Sheik é tudo isso. Mas é também bom de bola. E fez um golaço, em um belo sem pulo, para dar a vitória ao Corinthians sobre o Mirassol, nesta quarta à noite. 15 mil heróis foram ao estádio em Itaquera ver a pelada, decidida com o gol perto dos 45 do segundo tempo.

O Corinthians não apertou em momento algum, e o Mirassol foi melhor em quase todo o segundo tempo. As poucas defesas de Cássio foram mais complicadas do que as do goleiro do Mirassol. Mas o futebol é assim, e o time grande, com jogadores melhores, costuma ganhar.

Ralf, reestreando, mostrou bom posicionamento, mas certa lentidão. No primeiro tempo, funcionou bem o lado esquerdo corintiano, com o estreante Sidcley se entendendo bem com Maycon, hoje volante, mas que vinha atuando na lateral. Por ali, a dupla e Clayson criaram as melhores ocasiões do time. No segundo tempo, o lado esquerdo sumiu.

Lucca desperdiçou a chance de convencer Carille e a torcida. Não jogou nada.

No fim, entrou Sheik. Levou uma trombada e logo saiu rolando pelo gramado, como se tivesse levado uma marretada na cabeça. Depois, reclamou de uma mão no rosto. Tentou cavar um pênalti de forma bisonha, mergulhando após sentir um contato nas costas. Mas, quando fez o que melhor sabe, que é jogar, fez um golaço.

Castigo para o Mirassol, mas a vida é assim para os pequenos.


Centroavante no Corinthians? Para quê?
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Julio Gomes

Se você tem um baita meia criativo, que se associa, dá assistências, tem chegada e brilha, você escala. E se não tiver esse jogador? Se vira de outro jeito, ora pois.

Se você tem um atacante como Jô, que faz boas paredes, faz gols, se movimenta, incomoda a saída de bola rival, você escala. E se não tiver? Se vira de outro jeito, ora pois.

Carille tentou Kazim, Júnior Dutra, o Corinthians está no mercado, agora trouxe Alex Teixeira. Mas talvez a solução seja um pouco mais evidente: jogar de outro jeito. Nenhum desses caras se assemelha a Jô.

Aliás, cada vez mais é difícil encontrar jogadores como Jô. Porque centroavantes mais pesados podem limitar times taticamente, tanto na fase ofensiva quanto, talvez principalmente, na defensiva. Se o cara não faz tudo o que Jô fez no ano passado, o time é prejudicado.

Centroavante não é goleiro. Não é figura obrigatória em campo. Dá para jogar com, dá para jogar sem. Dá para ganhar com, dá para ganhar sem.

Quer um exemplo de time que deveria ter jogado sem centroavante? O Brasil da Copa de 2014.

Jogando de outro jeito, sem um 9 fixo e nem falso 9, o Corinthians foi superior ao Palmeiras. Neste 4-2- de Carille, Rodriguinho brilhou muito, maiorias foram criadas no meio de campo, os zagueiros rivais ficaram sem referência. Não é necessário ter um homem-gol, se vários homens podem fazer gols.

E Rodriguinho hoje não fez um gol. Fez um golaço.

As polêmicas de arbitragens eu deixo para vocês. Mas, no domingo, Carille se saiu melhor que Roger. E o Corinthians mostra que está mais vivo do que nunca. Mesmo sem Jô.


Caíque e Júnior Dutra ganham pontos no primeiro jogo do Corinthians
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Julio Gomes

Ganhar a Copa lá na Flórida não importa para o Corinthians nem para ninguém. É um torneio de pré-temporada para brasileiros, inter-temporada para europeus, serve para treino e observações.

E, com um elenco que acaba de voltar de férias, creio que Fábio Carille pôde fazer boas observações.

Com os titulares, no primeiro tempo, o Corinthians mostrou aquela solidez que já conhecemos. Com a formação 4-1-4-1, Jadson ganhou a proximidade de Rodriguinho no meio de campo e creio que será o maior beneficiado.

As bolas aéreas trouxeram problemas, o PSV ganhou todas pelo alto. E Juninho Capixaba, estreante na lateral esquerda, mostrou personalidade com a bola nos pés, mas alguma inconsistência defensiva. O PSV praticamente só jogou por ali, já que não estava dando nada certo do outro lado, ocupado por Fágner.

No segundo tempo, o PSV, que é lider na Holanda, voltou com o mesmo time, exceto seu principal armador, Van Ginkel. O Corinthians mudou todos os jogadores, e o outro estreante, Júnior Dutra, ocupou o comando de ataque.

Não há comparação entre Jr Dutra e Kazim. O brasileiro é muito melhor tecnicamente. Mesmo em um segundo tempo dominado pelo PSV, Jr Dutra conseguiu aparecer, se movimentou, brigou, clareou algumas jogadas que pareciam perdidas.

Meu palpite é que ele será titular no próximo jogo do Corinthians na Flórida. Vamos ver.

Marquinhos Gabriel e Giovanni Augusto, abertos pelos lados, produziram pouco.

A defesa reserva, afobada, fez muitas faltas e cedeu muitas chances ao PSV – que estava mal de pontaria. Caíque, o goleiro que substituiu Cássio, foi o nome do jogo. Fez duas defesaças no fim do jogo e só não parou o lance do gol de empate, que saiu no último lance da partida, aos 48min.

Mas, na disputa por pênaltis, Caíque fez uma defesa e deu a vitória ao Corinthians. Os jogadores de linha converteram todos. Logicamente Caíque não é uma ameaça a Cássio, mas foi o herói da noite.

Fica uma nota, que nada tem a ver com o Corinthians ou Carille.

O PSV melhorou no segundo tempo após a entrada de um certo Mauro Júnior. Brasileiro, 18 anos, que jogou na seleção sub-17 e foi do Desportivo Brasil, que se propõe a formar e vender, direto para a Europa. Jogou bem, mudou a dinâmica da partida. Mais um valor que se foi sem nem atuar por aqui.

Parabéns aos envolvidos.

Tags : Corinthians