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Arquivo : Copa Sul-Americana

Quando o Atlético-PR implodirá a noção de “12 grandes” no Brasil?
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Julio Gomes

Existe um ponto pacífico (ainda que não unânime) de que há um G12 do futebol brasileiro. Os quatro grandes do Rio, de São Paulo, a dupla de Minas e a dupla gaúcha.

Entre estes, estão as maiores conquistas da história do nosso futebol, o maior número de jogadores convocados para a seleção (especialmente nos anos de ouro da seleção), são as camisas com o maior número de apaixonados Brasil afora, os maiores mercados, com mais mídia, etc, etc.

Mas o que define a “grandeza” de um clube?

Esses debates são eternos. Vai ter gente puxando mais pela história, creio que a maioria. Vai ter gente puxando por número e importância de títulos, aquele debate típico do torcedor no boteco. Vai ter gente puxando por tamanho de torcida. E vai ter gente dando um peso maior para o momento esportivo atual de cada clube.

Os 12 grandes que costumamos considerar os 12 grandes do Brasil continuam sendo os 12 maiores?

Em que momento a história é reescrita e reconsiderada?

O Atlético-PR, que agora será chamado de Athletico (deixo o debate sobre o marketing agressivo para outro post), se coloca onde no nosso cenário? Muitos dizem que o título da Sul-Americana “muda o patamar” do clube. Muda de qual para qual patamar exatamente?

Há coisas que o Atlético-PR dificilmente conseguirá. O Atlético nunca terá para a seleção brasileira a importância que os “12 grandes” tiveram. E nunca terá porque nunca mais ninguém terá, o futebol mudou e ficou global. Nem mesmo a seleção tem a mesma importância de outrora e tampouco será dominante no futebol mundial, como nos anos dourados (50 a 70).

O Atlético dificilmente conseguirá ser um clube nacional em termos de torcida e mídia, porque a “nacionalização” dos clubes do Rio e SP, principalmente, passou por um momento diferente das telecomunicações, de dominação total da mídia localizada nas duas maiores cidades do país. Hoje, é tudo mais difuso.

O Atlético precisa extrapolar as fronteiras de Curitiba, porque mesmo em seu Estado, o Paraná, a concorrência dos clubes paulistas é forte demais. E extrapolar fronteiras é algo que só se consegue com muitos títulos, aliado a marketing agressivo (que já é feito no clube) e positivo (muito longe de ser feito, muito pelo contrário). Eu não sei a fórmula para isso, e nem Petraglia e companhia sabem.

Tanto que precisou chegar a uma final internacional para finalmente quebrar o recorde de público do Paraná Clube (!!!) em seu próprio estádio. Talvez, por mais paradoxal que isso possa parecer, o Atlético só dará o passo além das fronteiras quando ele tiver dominado completamente seu próprio quintal. Não digo protagonismo. Digo exclusividade.

Falo tudo isso para mostrar a dificuldade de o Atlético furar esse G12. Porque há coisas que os clubes do G12 conseguiram ao longo dos anos que não são mais atingíveis nos tempos de hoje.

Por outro lado, quantos clubes do Brasil tem a estrutura física e humana (estádio, CT, departamentos técnicos, base, etc) que o Atlético tem?

O trio-de-ferro de SP está bem na fita nesse sentido. No Rio, o Flamengo montou estrutura e tem dinheiro, mas sofre sem estádio. Os mineiros têm estrutura magnífica, mas não têm estádio. Os gaúchos têm ótimos estádio próprios, mas estrutura ainda em desenvolvimento.

Se pegarmos o combo completo, o Atlético-PR certamente está posicionado no top 5 do país.

Há jogadores que hoje preferem vestir uma camisa como a do Atlético a uma mais tradicional. Mas há jogadores que não. Esse ainda é um processo em andamento.

A TV aberta não passa a final do Atlético na Sul-Americana para os grandes centros. Mas opa, tampouco passou a semifinal, que tinha o Fluminense. Aliás, o Fluminense é o único do G12 que não tem um título internacional.

Quem entra no Brasileiro hoje com mais chances de se enfiar na Libertadores? O Atlético ou um dos grandes cariocas (exceto o Flamengo)?

O mundo muda hoje em dia de forma muito rápida, muito dinâmica. Uma empresa hoje prefere investir em Cingapura ou em Milão? Mas e um turista, prefere gastar suas economias indo a Paris ou a Dubai?

A queda de braço entre tradição e modernidade está em vários setores, nos afeta em vários aspectos de nossas vidas. Quanto mais velhos somos, mais resistimos a mudanças. O próprio debate eleitoral recente no Brasil, girando em torno de temas comportamentais, nos mostra isso.

Desde a virada do milênio e a nacionalização do futebol brasileiro (outrora regional), com o advento dos pontos corridos, o Atlético-PR é um clube mais estável e relevante do que vários dos chamados 12 grandes.

É que talvez ele nunca consiga dar o salto para competir de fato com o grupinho dos mais poderosos destes 12. Ele não vai mais ser rebaixado para a Série B e correr riscos ano após ano, como ocorreu com o Palmeiras. Mas tampouco receberá as injeções financeiras e terá estádio cheio todo jogo, como o Palmeiras de hoje tem.

Entretanto, se fosse possível comprar um clube no Brasil e você fosse um multimilionário russo querendo botar dinheiro aqui, você compraria o Atlético ou o Botafogo?

Na história do nosso futebol, o Atlético ocupava um lugar de segundo escalão, aquelas forças regionais, com repiques nacionais. Junto com um monte de gente… Coritiba, Sport, Bahia, Vitória, Goiás, Remo, Paysandu, Portuguesa, Guarani, Santa Cruz, etc, etc, etc.

Hoje, claramente se descolou dessa galera toda e o único que parece ter alguma chance de se descolar também, se trabalhar bem e com consistência por muitos anos, é o Bahia.

Eu não acho que o título da Sul-Americana mude o patamar do Atlético. Porque isso já aconteceu. O conjunto da obra dos últimos 20 anos, sim, é que já mudou o patamar do Atlético, com construção da Arena e depois da atual, com o CT do Caju, com título brasileiro, com final de Libertadores, com o problema que é para vários “gigantes” jogar na Baixada. O título da Sul-Americana é um grão de areia a mais. Presenças constantes na Libertadores atrairão mais profissionais de peso, mais mídia, mais dinheiro. E assim o círculo virtuoso segue.

O G12 histórico é cada vez mais apenas história.

Hoje, na prática, o Brasil parece ter um G2 (que muitos achavam que seriam Flamengo e Corinthians, mas que na prática viraram Flamengo e Palmeiras). Que com boa vontade pode ser chamado de G4 ou talvez G7, G8.

Só daqui 20, 30, 40 anos poderemos, talvez, olhar para a história do futebol brasileiro e colocar o Atlético-PR na lista dos 10 maiores clubes do Brasil. Mas se fizermos um recorte do milênio, apenas, e dermos um peso maior para o presente do que para o passado, o Atlético já está nesse G10.

Ou melhor, o Athletico. Que não quer mais aquele hífen que mostra que ele é só do Paraná.

 


Sorteio da Conmebol gera grandes clássicos entre brasileiros e argentinos
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Julio Gomes

River Plate x Flamengo. Boca Juniors x Palmeiras. Corinthians x Independiente. Atlético Mineiro x San Lorenzo.

Alguns dos maiores e mais populares clubes da Argentina e do Brasil estarão frente a frente no ano que vem, seja pela Libertadores, seja pela Sul-Americana. Foi o que determinou o sorteio realizado na noite desta quarta-feira, na sede da Conmebol.

Não é boa notícia nem para brasileiros nem para argentinos, logicamente. Ainda mais com as camisas pesadíssimas envolvidas. Ótima notícia para quem gosta de futebol e não está envolvido emocionalmente, mas péssima para os clubes.

Na primeira fase da Sul-Americana, o único confronto envolvendo dois campeões da Libertadores reúne justamente Atlético e San Lorenzo.

Outro Atlético, o Paranaense, terá de decidir a eliminatória no campo do Newell’s Old Boys. E, incrivelmente, haverá um outro jogo entre brasileiros e argentinos: São Paulo x Rosario Central. Bahia, Botafogo e Fluminense fugiram de confrontos tão duros.

Na Libertadores, o Grêmio é o único time brasileiro com um grupo molezinha. E também o único que não enfrenta qualquer time argentino antes do mata-mata. Jogará contra o Cerro Porteño, do Paraguai, o Defensor, do Uruguai, e o Monagas, da Venezuela. Além de tudo, são duas viagens curtas e apenas uma mais longa.

O grupo 4 tem River Plate, Flamengo, Emelec, do Equador, e um time que virá da pré-Libertadores, que pode ser simplesmente o Santa Fé, da Colômbia. Grupo muito difícil, até porque o último jogo do Flamengo na fase será em Buenos Aires, contra o River.

O grupo 5 tem tudo para ser o outro “da morte”. O Cruzeiro enfrentará o Racing, da Argentina, a Universidad de Chile e é aqui que o Vasco cairá caso passe das duas fases prévias.

O grupo 6 tem Santos e Estudiantes, além do Real Garcilaso, do Peru, e um time da fase prévia, que pode ser a Chapecoense. Não é um grupo tão complicado para o Santos, mas novamente um duelo Brasil-Argentina.

O grupo 7, o do Corinthians, tem dois times muito grandes em seus países. O Independiente, da Argentina, campeão da Sul-Americana, e o Millionarios, da Colômbia. A baba é o Deportivo Lara, da Venezuela. São duas viagens longas para o Corinthians e um grupo muito competitivo.

E o grupo 8 tem o confronto entre Boca Juniors e Palmeiras, que já fizeram grandes duelos na história. Junto com eles o Alianza Lima, do Peru, e um time da fase prévia, que pode ser um Junior Barranquilla, da Colômbia, ou um Olímpia, do Paraguai.

Palmeiras e Flamengo, os brasileiros no segundo e terceiro potes, respetivamente, não poderiam cair nos grupos de Grêmio, Cruzeiro, Santos e Corinthians. Então a chance de cair contra River ou Boca era grande. Mas, com um pouco de sorte, ambos poderiam ter caído nos grupos 2 ou 3, encabeçados por Atlético Nacional e Peñarol, que são os grupos mais fracos da fase inicial.

Na Libertadores, é sempre difícil fazer previsões. São muitas mudanças de um ano para o outro, às vezes até de um mês para o outro. Saem jogadores, trocam técnicos, é tudo muito volátil. Algumas camisas são muito pesadas, mas vestidas por times horrorosos. Outros times surpreendem, apesar de estarem voando abaixo do radar.

Mas uma coisa é certa. Para brasileiros e argentinos, não há dificuldade maior do que enfrentar… brasileiros e argentinos.


Sul-Americana expõe elenco mal planejado e desequilibrado do Flamengo
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Julio Gomes

O Flamengo acabou o jogo contra o Independiente depositando suas esperanças de título em Lincoln, de 16 anos, Vinícius Jr, de 17, e Vizeu, de 20. Paquetá, que também tem 20 anos, foi o melhor jogador do time e autor do único gol.

Isso, claro, antes de Cuéllar fazer um pênalti estúpido que decretaria o empate e o título para os argentinos. Diego e Arão, os outros meio campistas, fizeram um jogo abaixo da crítica. Ainda bem que Márcio Araújo não estava em campo, senão a culpa, como sempre, seria toda dele. Éverton Ribeiro, que chegou com status de pop star no meio do ano, começou no banco e não mudou nada depois de entrar.

O jogador mais confiável do Flamengo na decisão da Sul-Americana era o goleiro, quem diria. Mais um jovem, César, que não deixou o time na mão.

Onde estavam Geuvânio, Rômulo, Rhodolfo….?

Resumindo: o clube mais popular do Brasil, que acertou suas finanças e tinha (tem) tudo para criar uma verdadeira dinastia no continente, acabou o péssimo ano precisando que os meninos da base salvando a pele de todo mundo. Não conseguiram.

Nada contra usar a base. Mas este não foi o caso de um uso planejado. Foi desespero.

As únicas chances de gol no segundo tempo vieram com Réver, que falhou no ataque e atrás também. Não dá para reclamar dele. Nem dele nem de Juan. Mas parece um pouco arriscado depositar a defesa nos pés de dois veteranos. Réver jogou mancando a partida toda.

Dá para reclamar do árbitro pelo pênalti? Dá. Dá para reclamar pelos pouquíssimos minutos de acréscimos? Dá.

Mas o buraco do Flamengo é mais embaixo. O Independiente está aí para mostrar como é possível montar elencos competitivos e equilibrados com pouco dinheiro.

O tal Barco, de 18 anos, que joga muita bola, vai para a MLS, lá nos Estados Unidos. Nenhum clube brasileiro tem um olheiro decente para pescar este tipo de talento no país vizinho?

Não basta ter grana. O Flamengo precisa contratar com mais inteligência, montar um elenco mais bem pensado e equilibrado. Simples assim. Vai ter de atacar o mercado de forma diferente, vendendo quem tem valor, mas que talvez não se encaixe neste projeto. Outros precisam ser dispensados.

Não adianta só comprar. O Flamengo precisa vender muita gente e, depois, comprar. Guardadas as devidas proporções, sabem quem fez isso no último mercado europeu? O Manchester City. Não foi só atrás de jogadores. Antes de comprar, mandou muita gente embora.

Este foi um time bom o suficiente para se classificar para a próxima Libertadores, ganhar o Estadual e chegar a duas finais de torneios que não eram prioritários. Mas, com todo esse dinheiro, e mesmo com a falta de sorte por algumas lesões e desfalques de outros tipos, o Flamengo precisava ter feito mais. Muito mais.

A diretoria mandou mal no planejamento. Mandou mal ao afastar o torcedor, cobrando preços abusivos ao longo do ano. Muitos jogadores mandaram mal em campo. E, claro, torcida que pula grade, invade estádio e estoura rojão em hotel não merece muitos elogios.


Todos os cenários que podem botar (ou tirar) o Flamengo na Libertadores-18
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Julio Gomes

Com a grande vitória sobre o Junior na Colômbia, na noite de César, o Flamengo disputará a final da Copa Sul-Americana contra o Independiente. Convém não subestimar o time argentino, que é grande – é o maior campeão da história da Libertadores.

Apesar do alívio momentâneo e da presença em mais uma decisão, em um ano em que o clube transita o tempo inteiro entre o trágico e o aceitável, o Flamengo ainda não está garantido na Libertadores do ano que vem. Longe disso.

Tudo dependerá do jogo contra o Vitória, domingo, em Salvador, pela última rodada do Brasileiro. E, talvez, da final continental.

O melhor cenário é bater o Vitória e já se garantir na fase de grupos da Libertadores, jogando a decisão somente pela taça. Mas, se não vencer em Salvador, o Flamengo muito provavelmente precisará ganhar a Sul-Americana para jogar a Libertadores de 2018. O jogo de ida será na Argentina, quarta que vem, com a volta no Rio, dia 13 de dezembro.

Entenda todas as possibilidades:

– Flamengo vence Vitória no domingo. Neste caso, estará diretamente classificado para a fase de grupos da Libertadores e a final da Sul-Americana servirá “apenas” pelo título (e para eventualmente abrir uma nova vaga na Libertadores para outro time brasileiro).

– Flamengo empata com o Vitória. Neste caso, só garantirá vaga na fase de grupos se Vasco, Botafogo e Chapecoense não vencerem seus jogos. Garante vaga na pré-Libertadores caso um ou dois destes três times citados não vençam (neste caso, o título da Sul-Americana serviria para o Flamengo escapar da fase prévia e entrar direto nos grupos). Porém, se o Fla empatar e Vasco, Botafogo e Chape vencerem no domingo, aí o rubro-negro acabará o Brasileirão em nono lugar e dependerá do título da Sul-Americana para jogar a Libertadores-2018. Sem título, sem vaga.

– Flamengo perde do Vitória. Neste caso, só garantirá vaga na fase de grupos se o Vasco perder também e se Botafogo, Chapecoense e Atlético-MG não vencerem seus jogos. Garante vaga na pré-Libertadores se dois dos quatro times citados acima tropeçarem (Vasco perder, Fogo, Chape e Galo não ganharem). Se três deles ou se todos eles conseguirem o resultado que lhes interessa, o Flamengo dependerá do título da Sul-Americana para jogar a Libertadores.

O Vasco joga em casa contra uma já rebaixada Ponte Preta. O Botafogo joga também em casa contra um desinteressado Cruzeiro. A Chapecoense joga contra um desesperado Coritiba, que precisa do resultado para não cair. E o Atlético-MG recebe um Grêmio de ressaca e que não terá nem o técnico no banco.

É muito, muito, muito difícil imaginar que Vasco e Atlético-MG não vençam seus jogos. A vitória do Botafogo é provável, e a Chapecoense é quem tem o jogo mais duro.

Portanto, se o Flamengo derrotar o Vitória (que também depende do resultado para se manter na Série A) estará na fase de grupos da Libertadores. Se empatar ou perder, a pré-Libertadores é uma possibilidade, mas dependeria de tropeços alheios.

O Vitória é o pior mandante do Brasileiro, com 14 pontos somados em 18 jogos (três vitórias, cinco empates e dez derrotas), 26% de aproveitamento – ganhou só um dos últimos oito jogos no Barradão. O Flamengo é o quinto pior visitante, com 17 pontos em 18 jogos (quatro vitórias, cinco empates e nove derrotas), 31% de aproveitamento – ganhou só um dos últimos onze jogos fora de casa pelo Brasileiro, com oito derrotas nos últimos nove.

O jogo do turno, em 6 de agosto, teve vitória dos baianos por 2 a 0, o que selou a demissão de Zé Ricardo do Flamengo. No retrospecto histórico, no entanto, os cariocas têm ampla vantagem. Nos últimos dez anos, o Flamengo jogou seis vezes em Salvador, com duas vitórias, três empates e só uma derrota.

Um mau resultado no Barradão deverá colocar no time de Rueda toda a pressão do mundo para vencer a Sul-Americana e salvar 2017 (que acabaria com um título) e 2018 (garantindo vaga na Libertadores).

 


Flamengo precisa usar mais Vinícius Jr, antes que se arrependa
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Julio Gomes

O ano do Flamengo ainda não acabou. O clube ficou muito perto da eliminação na Copa Sul-Americana e, se tivesse caído diante do Fluminense, o ano já poderia ser carimbado como trágico. Para ser pior, só faltaria não conseguir uma vaga na próxima Libertadores via Brasileiro.

Mas o ano não acabou. Estamos em novembro. O Flamengo está na semifinal da competição e pode muito bem acabar a temporada com um título continental, vaga na Libertadores e festa.

Para isso, no entanto, é necessário usar Vinícius Jr. Decisivo contra o Fluminense, ele pode ser decisivo também em muitas outras partidas. É um jogador raro, desses que aparecem aqui de quando em quando. No deserto técnico que é o futebol brasileiro, não dá para um clube privar seu torcedor de um diamante como esse.

Sabemos que outros jogadores que explodiram cedo, como Neymar, Robinho, Gabriel Jesus, etc, “aconteceram” muito mais pela necessidade dos clubes do que por planejamento. Foram pra fogueira e saíram inteiros e mais fortes. O Flamengo, supostamente, não tem necessidade. Tem elenco, não precisa ter pressa.

Mas está cometendo um erro. O jogador já está vendido e, a partir do meio do ano que vem, o Real Madrid pode levá-lo.

O ano do Real Madrid não está bom até agora, não se sabe como acabará a temporada. Existe a possibilidade de o clube da capital espanhola ficar sem títulos e precisar dar uma resposta. A resposta pode ser trazer logo o menino.

Se isso acontecer, o Flamengo terá utilizado Vinícius Jr com mais frequência quando? No Estadual do Rio-2018? Seria um desperdício monstruoso.

O garoto claramente tem muito talento e é capaz de mudar jogos. É nítido que não sente a pressão, não sente a camisa. Seja como titular, seja como reserva, o fato é que o Flamengo precisa dar mais minutos a ele.

O ano pode até acabar bem, mas até agora a temporada teve muitos mais baixos do que altos para o clube. E isso se deve, a meu ver, a essa hesitação toda em soltar o menino.

Zé Ricardo caiu antes de arriscar. E a toada de Rueda é a mesma. Não sei se é acordo, se é ordem de cima ou se é um conservadorismo exagerado dos técnicos.

Libertem Vinícius Jr!


Corinthians se safa com chutaços, mas não inspira confiança
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Julio Gomes

Em algum momento do primeiro tempo, a Universidad de Chile tinha 70% de posse de bola em Itaquera. Por mais que o Corinthians sob Fábio Carille goste de dar a bola ao adversário para ter campo para contra atacar, o que aconteceu nesta quarta foi um escândalo.

O Corinthians foi completamente dominado pelo rival, em seu estádio, durante dois terços do jogo. Mas conseguiu um ótimo 2 a 0 que certamente irá mascarar quase tudo. Um 2 a 0 construído por dois chutes de fora da área de rara felicidade.

No final do primeiro tempo, Gabriel acertou um míssil de fora da área. No primeiro rebote, Arana quase marcou. No segundo, após outro milagre do goleiro, Rodriguinho empurrou para dentro. E, no segundo tempo, novo rebote e Jadson acerta um chute firme, rasteiro, no cantinho, para o 2 a 0.

A etapa inicial foi de um domínio impressionante dos chilenos. O Corinthians não pegava na bola, não trocava cinco passes, jogava acuado em seu campo. No único bom ataque, fez o gol. No segundo tempo, La U também começou melhor, mas a postura corintiana foi, pelo menos, mais corajosa.

Foi somente com o 2 a 0 no placar que o Corinthians conseguiu ter os contra ataques limpos que tanto adora. E o time chileno passou a errar passes, baixou a cabeça, perdeu o controle do jogo. O time de Carille teve duas boas chances para fazer um placar ainda melhor. A última impressão é a que vai ficar, mas não deveria.

Não é uma coincidência o Corinthians ter vencido dois clássicos no Paulista e o jogo grande pela Sul-Americana. É um time que se dará bem em alguns jogos grandes pelo jeito de jogar. O problema são os jogos contra times que não agridem, que não fazem questão de atacar.

Tipo o Botafogo de Ribeirão. O empate sem gols, modorrento, no fim de semana, pode muito bem se repetir. Não vejo a vaga nas semifinais do Paulista tão claramente garantida. O Corinthians ganhou, mas não inspira confiança.


Tirar final sul-americana de Chapecó é um crime
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Julio Gomes

Já aconteceu várias vezes. Seguirá acontecendo. E seguirá me indignando. Depois da linda e heróica campanha, a Chapecoense será obrigada a jogar fora de seu estádio, de sua cidade, de seu Estado, a grande final da Copa Sul-Americana.

Isso porque a Arena Condá não tem a capacidade mínima, para 40 mil torcedores. Nenhum estádio em Santa Catarina tem.

Nunca entendi a exigência da Conmebol, que já fez, por exemplo, o Atlético Paranaense ter de mandar a final da Libertadores contra o São Paulo no Beira-Rio. Oras, ou um estádio serve para receber a competição ou não serve. Por que somente na final?

O que importa é um estádio ter conforto, segurança e condições de trabalho.

Se o mandante de uma final tem estádio pequeno, o azar é dele. Deixará de faturar.

Mas onde está a justiça esportiva? E, neste caso específico, a justiça com toda uma cidade? Chapecó respira os anos inesquecíveis da Chapecoense e, na hora do filet mignon, verá tudo pela TV.

O que é melhor para o espetáculo? Um lindo ambiente com 15 mil pessoas nas arquibancadas ou um estádio grande e vazio, sem graça, sem alma?

É de uma falta de sensibilidade atroz.

Muitos criticam os clubes por “assinarem o regulamento”. O que teria de fazer a Chapecoense? “Olha, Conmebol, não vou jogar essa Sul-Americana não, por causa desse item do regulamento aqui sobre as finais, viu”. A Conmebol daria risada, do alto de sua arrogância.

Clubes são reféns de uma instituição podre.

É por essas e outras que nunca seremos.

E só nos resta torcer para que a Chapecoense seja. Mesmo criminosamente levada para longe de sua casa.


Aos 40, milagreiro Ceni faz o maior jogo da carreira
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Julio Gomes

Claro, o jogo contra o Liverpool valeu um Mundial. Teve uma partida histórica também contra o Cruzeiro, acho, em que meteu gol, pegou pênalti. Tem até um vídeo do amigo André Plihal com o seis melhores momentos de Ceni, escolhidos por ele mesmo.

Mas a verdade é que eu nunca vi um jogo de Rogério Ceni maior do que o desta noite, no Chile. O São Paulo venceu a Universidade Católica por 4 a 3 e se classificou para as quartas de final da Sul-Americana.

Antes de falar de Rogério, um comentário. Muricy acertou quando poupou jogadores para a partida de ida, um mês atrás, com o time lá na rabeira do Brasileiro. E acertou em cheio também ao botar todo mundo para jogar a partida de volta, já que o rebaixamento deixa de ser uma realidade para o São Paulo. A coisa já está acertada no Brasileiro, o São Paulo tem, na Sul-Americana, a chance de ouro (e inimaginável, meses atrás) de estar na Libertadores-2014. Deveria, nesse momento, poupar todo mundo que precisa ser poupado no Brasileiro e ir com tudo na Copa.

Aloisio fez dois gols e deu passe de gol, Ganso contribuiu com as assistências que vêm sendo frequentes. Douglas deu dois gols de graça. Tudo isso é verdade. Tem algumas histórias nesse jogo, algumas tradicionais, outras nem tanto.

Mas não haveria classificação, talvez houvesse até goleada da Católica, não fosse Rogério Ceni. “O jogo do Mundial, teoricamente, é o mais importante da história do clube. Mas fiz boas defesas hoje”, disse ao microfone de Fernando Caetano, ótimo repórter do Fox Sports.

Desculpa, Rogério. Boas defesas você fez em outras partidas por aí.

Nesta quarta, 23 de outubro, data de aniversário de Pelé, Rogério Ceni fez cinco MILAGRES no Chile. E ainda algumas outras boas defesas.

Fazer gol não é obrigação de goleiro, é um bônus. Defender pênalti tampouco, é um “plus a mais”. Defender durante o jogo, estar bem posicionado, sair bem do gol, fazer virar escanteio aquele gol certo do outro time… é isso o que fazem os goleiros gigantes.

Rogério Ceni não precisava desse jogo no Chile para se aposentar como um gigante. Mas nada como fazer a melhor partida da carreira tecnicamente. Com reflexo para dar e vender. Aos 40. Um jogo pode ser mais importante, outro menos, um mais relevante, um mais emocionante. Tem para todos os gostos. Para o meu, esse aí foi o maior do Mito.

 


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