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Fenerbahce dribla fair play da Uefa e acerta com Giuliano por empréstimo
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O meia Giuliano, 27, conseguiu deixar o Zenit St Petersburgo, da Rússia, onde estava sendo barrado pelo técnico italiano Roberto Mancini, e acertou para jogar do Fenerbahce, da Turquia, por quatro anos.

Presente em todas as convocações de Tite para jogos oficiais e chamado para as partidas contra Equador e Colômbia, pelas eliminatórias, Giuliano precisava arrumar um time onde tivesse minutos e exposição para seguir nos planos e ir à Copa do Mundo do ano que vem.

O blog apurou que, para não ferir as regras do fair play financeiro da Uefa, o Fenerbahce acertou um empréstimo de um ano por 1 milhão de euros, com valor de compra fixado em 6 milhões (aproximadamente 22 milhões de reais) a ser pago no meio do ano que vem. Após o vencimento do contrato de empréstimo, pode ser efetuada a compra e assinado um outro contrato por três anos.

Giuliano teve sondagens da Sampdoria (Itália), da Real Sociedad (Espanha), clubes da Premier League e até da MLS americana, mas os interessados não chegaram a fazer propostas. Quem, de fato, ofereceu mais do que os 6 milhões de euros que o Zenit queria receber para negociar o meia foi o Trabzonspor, também da Turquia.

O brasileiro bateu o pé, disse que não aceitava ir para o clube, que é uma espécie de quarta força turca. O Zenit precisou aceitar uma proposta menor do Fenerbahce e só receberá o valor da compra no ano que vem. O clube russo pagou 7 milhões de euros para tirar o meia do Grêmio no ano passado.

O blog apurou também que Giuliano chegou a conversar com o técnico turco Aykut Kocaman, que volta ao clube. Em sua primeira passagem, levantou um título nacional (2011). A conversa foi essencial para o jogador se decidir pelo Fener, recusando a proposta do Trabzonspor.

O Fenerbahce, clube mais popular da Turquia e por onde já passaram Alex, Roberto Carlos e outros tantos brasileiros, só pode utilizar verbas provenientes de vendas para comprar jogadores. Não pode fechar o atual ano financeiro com déficit superior a 10 milhões de euros, senão pode ser sancionado. Para a temporada que vem, a limitação não existirá mais.

Na atual janela, vendeu o zagueiro dinamarquês Kjaer para o Sevilla por 12 milhões de euros e o atacante nigeriano Emenike para o Olympiakos por outros 2,5. Mas gastou 10 milhões para tirar o veterano atacante espanhol Roberto Soldado do Villarreal, 4,5 para levar Dirar, meia subutilizado no Monaco, e 1,5 para contratar o também veterano Valbuena, do Lyon e seleção francesa. O Fener ainda vai perder outro veterano, o holandês Van Persie, que deve assinar contrato para defender o clube que o revelou, o Feyenoord.

Uma semana atrás, o blog revelou em primeira mão que Giuliano, sem espaço e relegado ao banco de reservas com a chegada do técnico Mancini, pediu para a diretoria do Zenit liberá-lo. O clube russo sofreu uma reformulação na cadeia de comando e a atuação de novos empresários significou saída de brasileiros e entrada de argentinos no elenco (quatro foram contratados e são titulares do novo treinador).

Com o técnico anterior, o romeno Mircea Lucescu, que agora assumiu a seleção turca, Giuliano fez uma boa primeira temporada no Zenit. Atuou em 45 partidas, com 18 gols e 14 assistências, sendo artilheiro do clube russo no ano e com boas apresentações na Europa League. Assim, sempre fez parte dos planos de Tite.

O Fenerbahce também está na Europa League, mas ainda precisa passar da última fase pré-classificatória. Como já atuou pelo Zenit na mesma competição, Giuliano só poderia ser inscrito para a fase de grupos. E o clube terá de fazer uma ginástica e tirar alguém da lista, pois está limitado a um teto de inscritos na competição (novamente para respeitar as regras financeiras impostas pela Uefa).

O Campeonato Turco começa neste fim de semana, mas o brasileiro só deverá poder estrear na segunda rodada, justamente contra o Trabzonspor.

Campeão turco pela última vez em 2014 e só duas vezes nos últimos dez anos, o Fener tenta voltar a ter anos de mais relevância domesticamente e na Europa.

O futebol turco sempre foi dominado por Galatasaray (20 títulos),  Fenerbahce (19) e Besiktas (15, atual bicampeão), com títulos pulverizados entre o trio de Istambul e raríssimos momentos de domínio de um deles – o Fener, por exemplo, nunca venceu três ligas seguidas, e o último a conseguir o feito foi o Galatasaray de Fatih Terim, tetra nos anos 90.

Como mostra esta reportagem do UOL Esporte, os clubes turcos voltaram a fazer contratações de maior impacto nesta temporada, após sanções e limitações impostas pela Uefa.

O Galatasaray desembolsou 16 milhões de euros para contratar o volante Fernando, do Manchester City, zagueiro Maicon, do São Paulo, e o lateral Mariano, do Sevilla. Pagou outros 8 milhões para levar o meia marroquino Belhanda, do Dynamo Kiev.

O Besiktas, em busca do primeiro tri desde 1990-92 e com limitações financeiras, vendeu os zagueiros Rhodolfo, pro Flamengo, e Marcelo, pro Lyon. Trouxe Pepe, do Real Madrid, de graça, e gastou pouco para tirar o chileno Medel e o lateral Erkin, da Inter de Milão, e o centroavante Negredo, do Valencia. O time do técnico Senol Gunes tem os brasileiros Talisca (com mais um ano de contrato) e Adriano (lateral, ex-Barcelona) e é o rival a ser batido.

 

 

 


Seleção brasileira parece ter apenas seis vagas abertas para a Copa
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Tite convocou nesta quinta-feira a seleção para os jogos contra Equador e Colômbia, pelas eliminatórias. Como o Brasil já está classificado para a Copa do Mundo do ano que vem, a lista poderia ter mais novidades. Não teve.

Os únicos nomes que não vinham sendo chamados foram os de Cássio e Luan. Merecidos, pelo que fazem no Campeonato Brasileiro.

Muitas pessoas lembram o bom campeonato de Vanderlei, do Santos, e o mau de Rodrigo Caio, do São Paulo, para reclamar da não convocação de um, da convocação do outro. Acho ambas as reclamações justas. Nunca haverá lista unânime.

Parecem haver, pela convocação e pela entrevista dada por Tite, apenas seis vagas abertas. Que foram ocupadas nessa chamada por Cássio, Fágner, Rodrigo Caio, Luan, Giuliano e Taison.

Os outros 17 parecem nomes certos na Copa (salvo lesões ou eventos fora do script). Os nomes dos garantidos, abaixo, seguem com um número entre parênteses. Acompanhe comigo do 1 ao 17.

No gol, Alisson (1) e Ederson (2), até pela idade, parecem garantidos. Com Cássio, disputam a terceira vaga Vanderlei, Weverton e Diego Alves.

Nas laterais, Daniel Alves (3), Marcelo (4) e Filipe Luís (5) estão garantidos. Rafinha e Danilo são as sombras de Fágner, Arana é uma opção para a esquerda.

Na zaga, Miranda (6), Thiago Silva (7) e Marquinhos (8) parecem consolidados. As ameaças a Rodrigo Caio são Gil e, talvez, David Luiz. Geromel parece um sonho distante. Acho o gremista bem mais jogador que Rodrigo Caio, apenas uma opinião.

No meio, Fernandinho (9), Casemiro (10), Paulinho (11) e Renato Augusto (12) são nomes certos. Giuliano tem tudo para seguir, sempre foi convocado, mas tem duas semanas para arrumar um clube para jogar. Perdeu espaço no Zenit e tem de sair.

Nas pontas, Neymar (13) e Philippe Coutinho (14) são titulares, Willian (15) está garantido.

Taison e Luan são os reservas. Douglas Costa é uma opção. Mas também concorrem por essas três vagas (incluindo a de Giuliano) jogadores que ocupariam um espaço no meio de campo: Diego ou Rodriguinho. Até mesmo Éverton Ribeiro está no radar, segundo Tite. Meu palpite é que, desta turma toda, irão para a Copa um jogador com característica de jogar pelos lados, um que faça mais o “box to box” e o terceiro em função do momento.

O momento é de Luan. Que, segundo Tite, foi convocado para fazer a função de Coutinho, não de Renato Augusto. O fato é que a melhor posição do ainda gremista é por trás do atacante, em um 4-2-3-1. Não é o sistema tático de Tite.

Finalmente, para o comando de ataque Gabriel Jesus (16) e Firmino (17) são nomes quase certos. Vida dura para Diego Souza, Richarlison ou mesmo Jô.

Me dá pena não ver Fabinho, do Monaco, como uma opção. Poderia jogar na lateral direita e também no meio. De resto, é isso aí.

Tite convoca Cássio e Luan para jogos da seleção


Exclusivo: Giuliano pede para sair do Zenit e busca novo clube pela Copa-18
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O meia brasileiro Giuliano está procurando nova casa. Presente em todas as convocações de Tite para jogos oficiais, ele se reuniu na tarde desta sexta-feira com a diretoria do Zenit St Petersburg, da Rússia, e pediu para deixar o clube.

Sem espaço com o novo técnico, o italiano Roberto Mancini, Giuliano foi comprado pelo Zenit junto ao Grêmio um ano atrás por 7 milhões de euros. Revelado pelo Paraná, o meia apareceu no cenário nacional no Internacional, com Tite. Ficou três anos e meio no Dnipro, da Ucrânia, antes de desembarcar em Porto Alegre novamente. Jogou (bem) dois anos no Grêmio e acabou voltando para o leste europeu.

Ele tem contrato com o Zenit até o meio de 2020, mas a cláusula rescisória não é tão assustadora. E o clube disse ao jogador que liberaria a venda por aproximadamente 22 milhões de reais (errata: a multa não é de 6 milhões de euros, como informado anteriormente, este é o valor que o clube quer).

Segundo apurou o blog, Giuliano não quer arriscar uma presença que parece quase certa na Copa do Mundo. Como não caiu nas graças de Mancini, pelo menos de cara, pediu a liberação da diretoria, recebeu a permissão para sair e está buscando novo clube a partir de hoje.

O que não estava nos planos do jogador foi uma mudança geral no Zenit St Petersburgo – além do técnico, mudaram diretores e novos agentes passaram a atuar de forma mais próxima ao clube. Na atual janela de transferências, o Zenit centrou esforços e buscou três argentinos: o volante Paredes, da Roma (23 milhões de euros), o zagueiro Mammana, do Lyon (16 milhões), e o atacante Driussi, do River Plate (15 milhões).

Foi justamente Driussi que virou titular no lugar de Giuliano e, logo no primeiro jogo, fez os dois gols da vitória do time sobre o Rubin Kazan, pelo Campeonato Russo.

Mancini tem utilizado pouco o brasileiro, que era titular absoluto com o romeno Mircea Lucescu – um técnico que historicamente sempre gostou muito de jogadores brasileiros e levou vários para jogar no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, onde ficou por 12 anos. Lucescu foi mandado embora após apenas uma temporada e sem conseguir levar o Zenit à Champions League – agora assumiu a seleção da Turquia.

Em sua primeira temporada no Zenit, com Lucescu, Giuliano foi o artilheiro do time, com 17 gols em todas as competições.

No Campeonato Russo 17/18, o Zenit jogou três partidas até agora e venceu as três. Giuliano foi titular no primeiro jogo (substituído no segundo tempo), começou no banco no segundo jogo, entrando no decorrer da partida, e não foi utilizado por Mancini no terceiro jogo.

Pela fase preliminar da Liga Europa, o Zenit fez duas partidas, sempre mandando uma espécie de time B a campo. Giuliano foi titular, mas acabou substituído nos dois jogos.

Ele não sabe se será relacionado por Mancini para o clássico contra o Spartak, domingo, em Moscou. Diante do cenário de incertezas e com a cabeça na Copa do Mundo, o jogador pediu dispensa.

 


A um ano da Copa, França parece ser o maior obstáculo para a seleção
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juliogomes

Vamos começar pelo fim? Assim ninguém se dá ao trabalho de malhar o analista nos comentários. Sim, eu sei que a Copa do Mundo é uma competição rápida e que em um jogo qualquer coisa pode acontecer. Nos dias de hoje ainda mais, pois há muito equilíbrio entre times e seleções no futebol globalizado e da velocidade da informação. Não há segredos. Há padrões. Zebras acontecerão cada vez mais em competições internacionais curtas. Times organizados ganham jogos.

Dito tudo isso, não quero me furtar de tentar prever o futuro com base no presente, no passado e nas próprias perspectivas de futuro. Hoje, considero a seleção brasileira a mais forte do mundo. E, entre as europeias, a França, e não a Alemanha ou a Espanha ou a Itália, é quem promete ser o maior obstáculo para o hexa.

Brasil e França podem perder de QUALQUER UM. Isso é óbvio. Não ficarei aqui colocando o óbvio como “porém” ao analisar seleções e seus momentos. A Alemanha era a melhor seleção do mundo em 2014, disparado. E quase tropeçou na Argélia. Acontece. É uma questão de encaixe, seleções que tentam se dar bem na fraqueza alheia. Muitas vezes funciona.

Em 20 jogos contra aquela Alemanha, aquela Argélia ganharia um. Quase foi na Copa. Mas não podemos ignorar a superioridade alemã e nos escorar no “não tem favorito” para analisar e prognosticar um jogo de futebol. Claro que tinha e claro que tem.

O que faz da seleção brasileira tão forte? Uma série de fatores que simplesmente se encaixaram com a chegada de Tite. Ótimo treinador, antenado e atualizado com métodos e formações do futebol atual, ótimos jogadores em todas as posições, jogadores que compraram a ideia do técnico e rapidamente adotaram um estilo de jogo coletivo e participativo, muito uso de informações, estatísticas, vídeos, etc. Tudo isso em uma das camisas mais poderosas da história do futebol.

A França, já não é de agora, montou uma seleção muito boa e também tem um técnico competente, Deschamps, que conseguiu unir jogadores historicamente divididos. Uma seleção que viu dois jogadores promissores ganharem status de estrelas mundiais em Pogba e Griezmann.

A França parou na Copa do Mundo de 2014 na Alemanha, como era de se esperar. Mas superou a mesma Alemanha ano passado, na Eurocopa. Realmente faltou vencer Portugal (sem Cristiano Ronaldo desde o início do jogo) na decisão. E este é um ponto negativo que não pode ser deixado de lado. Que time é esse que perde um Europeu em casa, daquele jeito?

Mas algumas coisas aconteceram nesta temporada, que acabou oficialmente com estas partidas de seleções.

Algumas coisas tipo o Monaco, campeão francês e semifinalista da Champions.

Mbappé, já comparado com Henry, é um fator X nesta seleção francesa. Um jogador em claras condições de explodir rumo à estratosfera nesta temporada que vem e que mostrou um pouco disso no amistoso desta quarta-feira, na vitória sobre a Inglaterra (3 a 2 mesmo com um jogador a menos).

Mbappé é o que Neymar poderia ter sido na Copa de 2010, por exemplo. Um jogador muito jovem, de apenas 18 anos, que foi convocado pela primeira vez em março e que traz para um bom time aquele algo mais. Coragem, talento, velocidade, capacidade de desmontar esquemas.

Mas tem mais além dele. A temporada brutal do Monaco deu a Deschamps jogadores muito confiantes em Lemar, Sidibé e Mendy. Além deles, surgiu também Dembélé, que explodiu com a camisa do Borussia Dortmund (na foto acima, abraçado a Mbappé). Nenhum destes estava na Euro, um ano atrás.

Lloris, que era apenas um bom goleiro, ganhou status de um dos melhores do mundo com a número 1 do Tottenham. Descarte a besteira que ele fez no fim de semana contra a Suécia, pelas eliminatórias. E Kanté, depois da temporada brilhante no Leicester, foi para o Chelsea e transformou-se no melhor jogador da Premier League. É o Makelele 2.0. E ainda tem a dupla de zaga, Umtiti e Varane, mais do que consolidados e aprovados após esta temporada, titulares de Barcelona e Real Madrid, respectivamente.

Enfim. Uma França que já era forte na Copa de 2014 e na Euro de 2016, ganhou um punhado de jogadores que podem dar “algo a mais” no ano que vem. É uma claríssima candidata.

Imaginem um confronto entre Brasil e França na Copa? Daria calafrios, não é mesmo? Depois de 1986, 1998 e 2006, pode até haver um bloqueio pelo histórico. Convenhamos, o Brasil já entra ganhando contra um monte de seleções. Justamente pelo medo que impõe. Não contra a França. Com medo, eles não jogarão.

Mas e as outras seleções?

Temos muito tempo para dissecá-las. A Alemanha cumpriu um ciclo em 2014. Era uma seleção montada, que bateu na trave nas Euros de 2008 e 12, além da Copa de 2010. Desde o tetra, perdeu Lahm, Schweinsteiger, Goetze não explodiu, Draxler ainda é mais promessa que realidade. É uma seleção fortíssima, sem dúvida. É a campeã e é a Alemanha, oras bolas. Tem Neuer. Tem Kroos. Mas ainda passa por uma transição e hoje é menos forte do que era.

A Espanha está na mesma. Tem ótimos talentos. Jogadores pedindo passagem, como Isco e Asensio, um camisa 9 de muito respeito em Diego Costa, goleiraço, ótima dupla de zaga. Maaaaaas. Ainda não encaixou com Julen Lopetegui. O ciclo novo foi sendo adiado, demorou para começar e não sei se conseguirá encontrar a química necessária antes do Mundial.

A Itália tem mais camisa e sangue vencedor do que propriamente um time. A Bélgica, exatamente o contrário. Tem time, um baita time, mas falta aquela competitividade necessária para ganhar a Copa. A Argentina tem craques do meio para frente, muitos problemas atrás, mas ganhou um treinador fantástico em Sampaoli.

Todas estas podem ganhar a Copa. Até o México de Osorio pode ganhar a Copa! Até Portugal. Até a Croácia. Até o Uruguai. É mata-mata (ou melhor, só “mata”) e hoje há um equilíbrio brutal no futebol.

Mas, neste momento, a um ano do Mundial, ninguém parece mais pronto e com mais poder de fogo do que o Brasil e seu eterno nêmesis: a França.

 


Eliminatórias da Copa: CR7 brilha e uma seleção vence após 13 anos
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juliogomes

José Mourinho disse recentemente em entrevista ao repórter João Castelo Branco, da ESPN Brasil, que gosta de “futebol sério” e, portanto, adora as eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo e não perde tempo vendo as europeias. “A qualificação europeia é uma brincadeira, toda gente se qualifica. Há um abismo entre as seleções”.

Mas dizem também que não tem mais bobo no futebol. E, para surpresa de Mourinho e de quem mais tenha prestado a atenção, o bobo da sexta-feira foi a Hungria.

Um dia tradicional no futebol, finalista da Copa de 54, a Hungria talvez tenha encontrado um novo fundo do poço. Perdeu para Andorra, um Principado de menos de 100 mil habitantes encravado entre França e Espanha, nos Pirineus. Uma seleção formada por amadores.

Menos de um ano atrás, a Hungria empatava por 3 a 3 com Portugal pela Euro-2016, depois de estar três vezes na frente. Se perdesse, Portugal seria eliminado. Acabaria sendo campeão europeu.

A classificação para a Copa do Mundo da Rússia era mais complicada do que para a Euro, e a missão húngara não era fácil em um grupo B com Portugal e Suíça. Mas daí a perder para Andorra…

Para se ter uma ideia do feito, Andorra só havia vencido um jogo oficial em sua história, em 13 de outubro de 2004, quando fez 1 a 0 na Macedônia pelas eliminatórias da Copa-2006. Desde então, eram 3 empates e 63 derrotas em jogos oficiais.

Se contarmos amistosos, no entanto, estaremos nos deparando com a melhor Andorra de todos os tempos! :-) :-)

Afinal, em fevereiro deste ano ganhou um amistoso por 2 a 0 contra San Marino (sua primeira vitória desde o tal jogo de 2004). Em março, empatou sem gols com Ilhas Faroe pelas eliminatórias. E agora chega ao terceiro jogo de invencibilidade, amigos! O herói contra a Hungria foi Marc Rebes, o autor do gol da vitória no primeiro tempo.

Agora, nos últimos 13 anos, Andorra soma 2 vitórias, 7 empates e 80 derrotas. Parabéns, Hungria.

No mesmo grupo B, Portugal contou com dois gols de Cristiano Ronaldo e fez 3 a 0 na Letônia. Mas a Suíça ganhou por 2 a 0 nas Ilhas Faroe e segue líder. Os suíços têm 18 pontos, os lusos têm 15. A vaga direta para a Copa-2018 ficará mesmo para o duelo direto entre eles, em Portugal, em outubro.

Outros grupos

No grupo A, a França pressionou durante todo o segundo tempo, mas, em uma bobeada incrível do goleiro Lloris, aos 47min do segundo tempo, levou um gol de Toivonen de trás da linha do meio do campo. Vitória de virada da Suécia por 2 a 1.

Gol que deixa em situação delicadíssima a Holanda, apesar da goleada por 5 a 0 sobre Luxemburgo.

Suécia e França lideram com 13 pontos, enquanto a Holanda tem 10 e a Bulgária tem 9, após perder por 2 a 1 para os bielorrussos. Na próxima rodada, em agosto, a Bulgária recebe a Suécia, e a Holanda jogará a vida em solo francês. Se a Holanda não vencer na França e os suecos ganharem dos búlgaros (provável), a Oranje, que já ficou fora da última Euro, possivelmente perderá também a Copa-18.

Pelo grupo H, a Bélgica jogou para o gasto e fez 2 a 0 na Estônia, fora de casa. Com 16 pontos, os belgas têm folga na ponta, já que Bósnia-Herzegovina e Grécia ficaram no 0 a 0. Os gregos foram a 12 pontos, os bósnios a 11.

No outro jogo do grupo, a recém federada seleção de Gibraltar perdeu por 2 a 1 para o Chipre, levando gol aos 42min do segundo tempo. Teria sido o primeiro ponto de Gibraltar em um jogo oficial. Não foi, então agora são 18 derrotas em 18 partidas.

portu


Argentina, com Bauza e sem Messi, dá mais um vexame. Tem salvação?
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juliogomes

Ganhar em La Paz não é fácil. Nas eliminatórias de pontos corridos, a Argentina só conseguiu uma vez em seis jogos. Por pior que esteja a Bolívia, ela costuma complicar muita gente por lá nas eliminatórias sul-americanas. São 3600 metros de altitude e isso não é desculpa, é um fator que beneficia – e muito – o time da casa. A Argentina levou 2 a 0 em La Paz nesta terça-feira. Só que o resultado não é o maior dos problemas.

Com a derrota, a Argentina deve acabar o dia na quinta colocação, que a levaria para a repescagem. Mas, mais do que a matemática da classificação, o problema argentino é a falta de jogo.

Os times de Edgardo “Patón” Bauza nunca primaram pela ofensividade. Sempre foi um técnico de empatar ou perder fora, vitórias magras em casa, sufoco. E isso nos clubes, com tempo de treino.

Talvez algum gênio da combalida Federação Argentina tenha achado que a seleção, com tantos talentos na frente, precisava de alguém para arrumar a casa atrás. Não só não aconteceu isso como há um nítido descompasso entre as ideias futebolísticas de Bauza e dos jogadores.

Beira o inacreditável a Argentina, que tem Simeone, Sampaoli e Pochettino, não conseguir encontrar um nome melhor que o de Bauza, à altura dos jogadores que tem.

Como uma seleção que pode convocar Messi, Higuaín, Aguero, Dybala, Pratto e Di María tem o terceiro pior ataque das eliminatórias, com 15 gols marcados em 14 jogos?

Talvez a explicação seja a escalação conservadora de Bauza em La Paz. Deixar Aguero no banco??

A Argentina não era uma coisa maravilhosa com Sabella ou com Tata Martino. Mas, quer queira quer não, chegou a três finais em três anos, perdeu uma na prorrogação (Alemanha), outras duas nos pênaltis (as Copas Américas para o Chile). Em todos esses jogos teve claras ocasiões de gol perdidas por Higuaín que poderiam ter mudado tudo.

Com Bauza, tudo piorou. Nas eliminatórias, foram três vitórias em casa (1-0 sobre Uruguai e Chile, este último de forma injusta, e 3-0 na Colômbia); uma derrota em casa contra o Paraguai; fora, um sacode levado para o Brasil; empates contra Peru e Venezuela, agora a derrota para a Bolívia. A Argentina fez dois pontos em nove possíveis contra as três piores seleções do continente fora de casa.

O time não joga nada, não cria nada, não há jogo coletivo, linhas de passe. Nada de nada de nada. E não terá Messi em três das últimas quatro partidas das eliminatórias, se a exagerada suspensão de quatro jogos não for revista.

A Argentina enfrenta em agosto/setembro: Uruguai em Montevidéu, é plausível imaginar uma derrota, e Venezuela em casa. Depois, em outubro, Peru em casa e Equador na altitude de Quito.

Se a Argentina ganhar da Venezuela e do Peru em casa, chega a 28 pontos. Até hoje, nas eliminatórias de pontos corridos com dez seleções, 28 pontos sempre foram suficientes para a classificação. Mas no limite. E desta vez as eliminatórias estão diferentes, pois o Brasil disparou, Bolívia e Venezuela fazem poucos pontos, há muito equilíbrio entre as seleções que ocuparão da segunda à sexta colocações.

Essa distribuição indica que segundo e terceiro colocados possam fazer menos pontos do que as seleções que ocuparam essas posições nos últimos anos. No entanto, quarto e quinto devem fazer mais pontos do que sempre fizeram. Talvez os 28 pontos não sejam suficientes.

A única boa notícia para a Argentina é o derretimento do Equador, a seleção que sempre se aproveitou tão bem da altitude e conseguiu vaga em três dos últimos quatro Mundiais. Depois de vencer os quatro primeiros jogos e disparar na liderança, o Equador ganhou só dois dos nove jogos subsequentes.

A Argentina deve acabar o dia em quinto, com 22 pontos, e o Equador em sexto, com 20. Se vencer Venezuela e Peru em casa, a Argentina chega a 28. Teria de torcer para o Equador fazer no máximo quatro pontos nos seus jogos seguintes: Brasil e Chile fora, com o Peru em casa no meio. Como o Brasil está impossível, o Equador deve fazer três ou quatro pontos contra Peru e Chile. Neste cenário, a Argentina chegaria ao jogo de Quito, na rodada derradeira, sem poder ser alcançada pelo Equador.

Nas três próximas rodadas, precisa tratar de fazer dois pontos a mais que o Equador – para evitar um jogo de vida ou morte na altitude.

Tratar de conseguir os pontos com ou sem Bauza?

Na minha visão, já é tempo e ainda é tempo de trocar.

Com Bauza e sem Messi tudo fica mais difícil.

 

 


Paulinho, as apostas e o recorde histórico de Tite
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juliogomes

Ser técnico da seleção brasileira é ser um pouco apostador. Fazer escolhas, acreditar que este ou aquele jogador vai dar a resposta necessária. Paulinho é uma aposta de Tite que vem rendendo altos dividendos. Neymar deixando de ser faz-tudo é outra. Alisson, uma aposta ainda a ser comprovada.

De aposta em aposta, acerto em acerto, Tite vai estabelecendo recordes e colocando o Brasil como maior favorito para a Copa do Mundo do ano que vem – lembrando que a Argentina está em viés de baixa, Alemanha e Espanha chegarão em transição à Rússia. No principais sites de apostas do mundo, só um título da Alemanha paga menos do que o título do Brasil. Pouco menos, já está quase a mesma coisa. Você nem imagina a capacidade que as casas de apostas têm de prever o futuro.

Cinco vitórias consecutivas era o máximo que havia sido conseguido por uma seleção nas eliminatórias sul-americanas de pontos corridos – uma competição de altíssimo equilíbrio e estádio complicados. A Argentina conseguiu duas vezes, o Equador, uma. Tite já conseguiu sete vitórias seguidas. Superou as seis seguidas de João Saldanha na campanha anterior à Copa de 70.

A goleada por 4 a 1 sobre o Uruguai, em Montevidéu, de virada, teve pouco de acaso. O Brasil dominou o primeiro tempo, não sentiu o gol sofrido logo no início, chegou naturalmente ao gol de empate e à virada. Suportou bem a pressão no segundo tempo, com compostura defensiva e sem abdicar da transição rápida para contra atacar.

A rotatividade alta da seleção não deveria ser regra, claro. A escolha de jogadores deveria ser mais constante e seguir certa coerência desde a base. Em tempos em que seleções se reúnem tão raramente e por tão pouco tempo, em tempos de futebol coletivo, em que individualidades contam menos, quanto mais os jogadores se conhecerem e o estilo for mantido, melhor.

Vivemos ao longo das décadas altíssima rotatitivade de treinadores. Cada um resolve jogar de um jeito, cada um tem seus jogadores prediletos ou de confiança, a imprensa pressiona por seus prediletos, e a cada mudança de comando o Brasil foi sofrendo revoluções. Nada a ver com a Alemanha, por exemplo, que mantém bases sólidas por anos e vai pontualmente acrescentando um jogador aqui, outro ali.

Tite foi o enésimo treinador a fazer a própria revolução. Algumas apostas eram óbvias, como trazer Marcelo de volta ao time ou dar espaço a Casemiro, voando no Real Madrid.

Outras, nem tão óbvias. Como dar a titularidade a um jovem Gabriel Jesus. Como bancar Alisson no gol. Ou resgatar Paulinho.

Nunca fui apaixonado pelo futebol de Paulinho. Ele teve um período fantástico no Corinthians com Tite. Mas sempre desconfiei de jogadores que aparecem tarde, não triunfam no futebol de altíssimo nível e vão parar em mercados como a China.

Talvez ele simplesmente não tenha a capacidade de se adaptar a um país como a Inglaterra, aprender idioma, superar competição. Mas, com confiança e espaço garantido, o cara seja um monstro.

Tite bancou um cara que ele conhecia e que se adaptava ao futebol de área a área que é jogado hoje em dia por meio-campistas. E Paulinho não só fez boas partidas até agora como foi o grande nome da virada no Centenário. Um golaço do meio da rua empatou o jogo, e um rebote típico de quem está bem colocado decretou a virada. Depois, veio a pintura de Neymar. E a cereja do bolo foi o quarto gol no finalzinho.

Hat trick de Paulinho. Um truque de tirar o chapéu, o de Tite.

Neymar funciona na seleção de forma parecida com a de Cristiano Ronaldo no Real Madrid e, claro, dele mesmo no Barcelona. Associa-se pela esquerda com Marcelo, tem liberdade para afunilar e tirar da cartola bons passes para os meias que infiltram. Quando consegue o um contra um ou a chance de finalizar – sua maior qualidade -, triunfa. É craque.

Não ter Neymar com a responsabilidade de resolver tudo o tempo todo é uma das grandes virtudes de Tite.

Ainda resta ver se a aposta em Alisson dará certo. Acho uma injustiça Diego Alves, do Valencia, não ser o titular da seleção há muitos anos. Mas quem sou eu para desconfiar das apostas de Tite!

Assim como não desconfio de apostadores. O título do Brasil no ano que vem está pagando entre 7 e 8 para 1. Está aí um bom investimento. Tão bom quanto os de Tite.


Duas razões para não gostar da Copa do Mundo com 48 seleções
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juliogomes

Muito se falou e está se falando sobre a Copa do Mundo com 48 seleções, uma decisão que a Fifa já anunciou e será colocada em prática a partir de 2026. Em regra, são críticas e mais críticas.

Temos de levar em conta que geralmente as pessoas reclamam de mudanças. Reclamam sem antes ler, pensar, ouvir opiniões. Mudou, reclamou. O conservadorismo impera. No entanto, neste caso específico da Copa, creio que o incômodo geral tem razão de ser.

Começamos pelo motivo principal: a Fifa ganhar (mais) dinheiro. Não dá para cair na ladainha toda, na retórica dos dirigentes. A Copa inchou para a Fifa ganhar dinheiro. Ponto. Rentabilizar seu produto. Sim, ficará mais “democrática”, dará a chance para países que nunca participariam de um Mundial. Isso é legal. Mas não é a razão verdadeira.

São dois, a meu ver, os grandes problemas deste novo formato de Copa do Mundo. Duas coisas que me incomodam muito mais do que o argumento de “vai cair o nível técnico”.

Eu entendo o argumento do nível técnico, mas creio que não vá cair para muito abaixo do que já está. A Copa já perdeu quando foi ampliada de 24 para 32 seleções, com mais seleções pouco competitivas da Ásia, África e Concacaf. Já temos jogos ruins – ou pelo menos jogos entre quem não chegará a lugar algum. Na verdade, o nível do futebol de clubes está muito acima do de seleções há bastante tempo.

O que sim é um problema muito maior é, na prática, o fim das eliminatórias. Porque, convenhamos, praticamente todo mundo vai estar em uma Copa com 48 países. São 211 federações que compõem a Fifa e tem umas 50 e tantas ali que nem como todo intercâmbio do mundo terão um time competitivo um dia.

Basta ver o que aconteceu nas eliminatórias europeias para a inflada Eurocopa-2016. Perdeu nível. Deixou de exigir dos times mais fortes.

As eliminatórias são muito importantes para termos uma noção do nível em que se encontra cada seleção. Com amistosos, não é possível fazer essa avaliação. Tampouco será com eliminatórias de competitividade quase zero.

Na Europa, onde já é muito raro as grandes potências passarem apuros, possivelmente veremos o mesmo acontecer com seleções médias. Na América do Sul, onde as eliminatórias são ultracompetitivas, haverá vagas para 6 ou 7 entre 10! Tipo, Brasil e Argentina podem jogar com o time Z. Não terão problemas. E o mesmo acontecerá nas outras confederações, onde os “grandes” nem precisarão se esforçar mais. Isso se não juntarem Conmebol com Concacaf, aí é capaz que todas as seleções sul-americanas se classifiquem.

Isso gera perda de competitividade e, claro, de interesse. Em nome de uma Copa do Mundo com mais países envolvidos, a Fifa estará fazendo o já cada vez mais escasso interesse pelo futebol de seleções ir bueiro abaixo ao longo do ciclo entre um Mundial e outro.

E isso, claro, agrada aos clubes europeus e Uefa. Menos espaço para seleções, mais peso para as competições de clubes.

A segunda razão pela qual detesto a decisão da Fifa ainda é extra-oficial: o formato de competição com 16 grupos de 3 seleções.

Horroroso. Que entre três seleções, duas passem de fase? Pouca competitividade e gigantescas chances de resultados combinados, que interessem aos dois envolvidos na última rodada. Grandes chances também de empates triplos. Que serão decididos como? Sorteio? Ranking? Cartões? Sério mesmo?? Isso sem contar na vantagem esportiva que terá a seleção que fará o primeiro e o terceiro jogos, com um descanso no meio que as outras não terão.

José Mourinho é um que diz preferir grupos com três, em vez de quatro times. Dizem os defensores deste formato que há também muitos jogos “combináveis” em grupos de quatro. E há jogos que não valem nada, o que não acontece com grupos de três.

Ficou uma imagem de jogos amarrados, com “ônibus estacionados” na fase de grupos da Eurocopa. Só que ali havia um detalhe: alguns terceiros colocados se classificavam. Isso foi horrível para a fase inicial da competição. Portugal, que seria campeão, passou de fase com três empates.

Todo mundo que já montou tabela de alguma coisa na vida – campeonato de botão, torneio escolar, o que seja – sabe que grupo de três times é problema. É simplesmente ruim. Assim como grupos de quatro em que alguns terceiros colocados avançam.

Ventilaram a hipótese de 16 seleções classificadas para a Copa e outras 16 saindo de um mata-mata. Seria muito menos pior do que 16 grupos de 3.

Não quero aqui dramatizar demais, não acho que estejam matando a Copa do Mundo. Mas estão matando, sim, as eliminatórias. E criando um formato bizarro para que a Fifa agrade os parceiros e ganhe mais dinheiro. Sem ir mais além, razões suficientes para não gostar da decisão dos cartolas.

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Brasil voa e expõe uma Argentina deprimida
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juliogomes

A Argentina só ficou fora de quatro Copas do Mundo até hoje. Não jogou os Mundiais de 38, 50 e 54 por motivos extra-campo. Ficar sem jogar por não conseguir vaga mesmo só aconteceu em 1970, eliminada pelo Peru.

Depois disso, a Argentina deu dois papelões e ficou contra a parede para se classificar para os Mundiais de 94 e 2010. Nas eliminatórias de 94, levou aqueles 5 a 0 para a Colômbia em casa, o que a obrigou a jogar a repescagem contra a Austrália, ganhando com um magro 1 a 0 em Buenos Aires.

A partir de 98, as eliminatórias sul-americanas passaram a ser disputadas em pontos corridos, todo mundo contra todo mundo, e a Argentina se classificou sem problemas em quase todas as vezes. Menos para a Copa de 2010. Naquela campanha, ficou cinco jogos sem ganhar, trocou de técnico, assumiu Maradona (medida desesperada), levou 6 da Bolívia (lembram?), levou sacolada do Brasil de Dunga em casa em uma série de três derrotas seguidas e acabou chegando à última rodada contra as cordas.

Em outubro de 2009, quando a Argentina chegou para jogar contra o Uruguai, em Montevidéu, uma derrota poderia deixá-la fora até da repescagem. Acabou ganhando por 1 a 0, com um gol no fim de um herói improvável, Bolatti. Foi a senha para Maradona mandar todos os jornalistas para a p* que pariu.

O tempo passou, Messi se consolidou como um dos maiores jogadores da história e a Argentina chegou a três finais consecutivas. Copa do Mundo-2014 e Copas Américas de 2015 e 2016. Perdeu uma na prorrogação, duas nos pênaltis. Bateu na trave para quebrar o jejum de títulos da absoluta, que vem desde 93.

E agora a coisa desandou. A seleção argentina parece uma seleção deprimida e cabisbaixa em campo.

Messi ameaçou se aposentar da seleção após a nova final contra o Chile, mas se arrependeu. Tata Martino saiu em circunstâncias estranhas. Tentaram Simeone, não deu certo. Sampaoli já havia ido para o Sevilla. Com tanto treinador argentino bom por aí, o cargo caiu no colo de Patón Bauza, que está muito longe de ser gênio. Seus times historicamente caminharam aos trancos e barrancos, com números pífios atuando fora de casa. Será que chega ao ano que vem?

Bauza ganhou do Uruguai na estreia. Depois disso, empates com Venezuela e Peru, derrota em casa para o Paraguai e os 3 a 0 desta quinta, que poderiam ter sido mais, para o Brasil no Mineirão.

Antes da Copa América, era o Brasil quem estava contra a parede. A decisão (atrasada, mas correta) de trazer Tite para o comando colocou as coisas nos eixos. Jogando bem, um futebol moderno e que ressalta as (muitas) qualidades de seus melhores jogadores, a seleção ganhou cinco seguidas. É lider das eliminatórias com 24 pontos e já está virtualmente classificada para a Copa-2018.

O jogo do Mineirão foi um passeio. Por mais que a Argentina tivesse mais posse no primeiro tempo, estava claro que o Brasil chegaria ao gol pela movimentação do time inteiro e pela leveza de espírito em campo. O golaço de Coutinho faz o rival desabar. A defesa é segura, o meio de campo é dinâmico (Paulinho fez mais um bom jogo) e o atacante é rápido, insinuante, com três velocistas e grandes finalizadores. Podia ter sido uma goleada histórica se a seleção apertasse mais no segundo tempo.

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Enquanto o Brasil se encontrou, a Argentina tomou as decisões erradas. Pela segunda vez na história, fica quatro jogos seguidos sem ganhar nas eliminatórias. Está fora da zona de classificação até para a repescagem e só não vive situação francamente dramática porque a rodada foi perfeita (evidentemente, exceto a derrota acachapante da própria Argentina). O Equador perdeu, o Paraguai perdeu em casa do Peru e Colômbia e Chile só empataram.

Brasil, com 24, e Uruguai, com 23, já estão garantidos. Aí são seis seleções separados por apenas quatro pontos. Duas vão para a Copa, uma para a repescagem e três vão sobrar. A Colômbia tem 18, Equador e Chile com 17, Argentina com 16, Paraguai com 15 e Peru com 14. No papel, Argentina, Chile e Colômbia são os favoritos para as três vagas. Mas como ignorar a altitude do Equador? A tradição do Paraguai? E até o Peru, de Cueva e Guerrero?

A última rodada das eliminatórias neste ano, terça-feira, tem Argentina x Colômbia, Chile x Uruguai, Equador x Venezuela, Bolívia x Paraguai, Peru x Brasil. O jogo contra os colombianos (treinados por Pekerman, um argentino) é decisivo para a vida de Bauza e da albiceleste nas eliminatórias.

No ano que vem, a Argentina pega Chile (casa, fantasmas), Bolívia (fora, fantasmas) e Uruguai (fora, casca de banana) antes de, finalmente, ter dois jogos supostamente fáceis: Venezuela e Peru em casa. Encerra na altitude equatoriana. Não é uma tabela tranquila, não.

Com uma defesa ridícula e um sistema ofensivo que parece cansado de bater na trave, desmotivado, abalado, a Argentina corre risco real de ficar fora da Copa.

E o Brasil está voando.

Como o futebol é dinâmico…


Só as eliminatórias sul-americanas são páreo para a Champions League
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juliogomes

A Copa do Mundo é a Copa do Mundo. Mas hoje ela não é muito maior ou mais importante que a Champions League. Antigamente, a Copa era a única possibilidade de ver os grandes jogadores do mundo juntos em um mesmo torneio. Era a única possibilidade de vermos confrontos entre escolas. De tirarmos a teima. Hoje, isso tudo está empacotado dentro da Champions anualmente.

Agora, sem a mesma pompa, sem a mesma organização, sem os estádios e gramados lindos e modernos, restringindo o debate somente à parte técnica, eu digo: as eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo são a única competição capaz de rivalizar com o principal torneio de clubes. Não a Libertadores, mas as eliminatórias.

Vejam a rodada desta quinta-feira: Brasil x Argentina (só isso). Colômbia x Chile. Uruguai x Equador. Até Paraguai x Peru tem lá seu charme. E aí Venezuela x Bolívia deixamos de lado.

Agora olhe para a tabela: Brasil (21) e Uruguai (20) deram uma disparada, mas até a chegada de Tite o Brasil estava derrapando. Aí são seis seleções separadas por seis pontos, sendo que duas delas vão pra Copa e uma para a repescagem. Somente os lanternas Venezuela e Bolívia cumprem tabela, e mesmo assim, são adversários chatos quando jogam em casa.

O equilíbrio é total e é muito difícil apontar favoritos nos jogos. A cada rodada, tudo pode acontecer em três ou quatro dos cinco jogos.

Coloquemos agora na receita alguns ingredientes que a Champions League não tem: estádios com ambientaços, torcidas que fervem, condições extra-campo adversas (altitude, frio, calor, rojões na madrugada, polícia escoltando ônibus, vestiários discutíveis, árbitros pressionadíssimos).

Ah, mas isso tudo tem na Libertadores.

Sim. Só que tem um pequeno detalhe que a Libertadores não tem: os grandes jogadores.

Neymar, Coutinho, Thiago Silva, Marcelo, Messi, Di María, Higuaín, Mascherano, Suárez, Cavani, James, Vidal, Sánchez, entre tantos outros… esses caras infelizmente não duram muito tempo jogando em seus países natais. Logo vão para clubes europeus. Mas voltam para defender suas seleções – e, acreditem, amam fazê-lo.

Quem tem assistido somente aos jogos da seleção brasileira está perdendo. As partidas das Sul-Americanas têm muito bom nível técnico e de competitividade, são bem jogadas, dinâmicas, táticas, não devem para o futebol jogado na Europa. Aliás, são bem melhores que as das eliminatórias europeias – essas sim, com algumas ótimas seleções, mas um número muito grande de seleções médias, fracas ou péssimas. Isso, aliado ao sistema de grupos, faz com 70% dos jogos sejam desinteressantes a cada rodada.

A Argentina enfrenta o Brasil no Mineirão contra a parede. Neste momento, estaria fora da Copa. E arrumou um técnico, Patón Bauza, que historicamente fracassa fora de casa. Se perder do Brasil de Tite, que está voando, a Argentina precisa rezar para o Uruguai bater o Equador e, de preferência, que Colômbia x Chile acabe empatado.

Como são as coisas. De um mega crise, o Brasil saiu para virtual classificado. E, de finalista seguidamente em Copa do Mundo e duas Copas Américas, a Argentina vira uma seleção contra a parede para ir à Rússia. Vai precisar de muito Messi nesta noite no Mineirão. Senão estará à beira do seu 7 a 1 particular.

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