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Arquivo : Champions League

Por que ninguém fala deste Real Madrid como o melhor time da história?
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Julio Gomes

Basta ler a coluna na Folha do grande PVC, também blogueiro aqui do UOL, para entender o tamanho da história feita pelo Real Madrid.

É o primeiro tricampeão da era Champions League (já era primeiro o bicampeão), uma era em que é muito mais difícil ganhar o torneio. Antes, enquanto tínhamos o formato de Copa dos Campeões da Europa, o difícil mesmo era disputar o torneio – era necessário ser campeão nacional. A característica da era Champions é que todos os grandões estão sempre na disputa, porque, claro, raramente não ficam entre os três ou quatro primeiros nas ligas domésticas.

Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Juventus, Manchester United, agora os “ricos” Chelsea, City, PSG, enfim. A galera toda está sempre lá, salvo uma ou outra exceção. E é isso que faz da Champions uma competição tão difícil de ser vencida.

Que o Real tenha vencido quatro europeus em cinco anos é um fato estrondoso. Muito mais relevante que o penta do próprio Real lá nos anos 60, quando a competição é criada, ou os tris de Ajax e Bayern e, claro, mais relevante que as quatro conquistas do Barcelona entre 2006 e 2015, com uma espinha dorsal e um jeito de jogar característico.

Quando o Barcelona de Guardiola, Messi, Xavi e Iniesta ganha do jeito que ganha em 2011 – e considerando que aquele time era base e inspiração para uma Espanha campeã do mundo em 2010 e campeã da Europa em 2008 e, depois, em 2012 -, parecia claro que estávamos diante do maior time da história. Maior que o Real de Di Stefano e do Santos de Pelé, pela competição maior de hoje em dia, pelo fato de o futebol ser globalizado (ou seja, os melhores do mundo realmente estão na Champions) e por deixar uma marca, uma impressão digital, quando parecia impossível inventar algo novo no jogo. O resgate triunfal do “jogo bonito”.

Por que podemos discutir se o Barça de Guardiola e Messi é o melhor de sempre, mas não vemos discussões desse tipo sobre o Real Madrid de Zidane e Cristiano Ronaldo?

Não seria a hora de olharmos para Sergio Ramos como um dos grandes zagueiros da história? Não seria a hora de percebermos que, exceção feita à Copa do Mundo, Marcelo tem uma carreira maior que a de Roberto Carlos? Não seria a hora de colocarmos a dupla Kross-Modric em um patamar parecido ao de Xavi-Iniesta? Não seria a hora de vermos que Cristiano Ronaldo é o maior atacante de todos os tempos?

Eu desconfio de alguns fatores que fazem com que muita gente seja tão reativa à ideia de considerar este Real Madrid de 14-18 o maior time de todos os tempos.

É um time que neste mesmo período ganhou seu campeonato doméstico apenas uma vez – neste ano, por exemplo, acabou em terceiro, a 17 pontos do Barcelona. As ligas domésticas, com 38 rodadas, apontam que times conseguem ser mais consistentes, dominantes em todos os jogos, enquanto o mata-mata, claro, dá margem a muito mais coisa.

O Barça de Guardiola, o Real de Di Stefano, o Santos de Pelé eram todos absolutamente dominantes nas competições domésticas.

Guardiola é um gênio do ofício, um cara que consegue enxergar muito além, abstrair, pensar fora da caixa. É desses que deixam a digital, um legado. Qual é até agora a marca de Zidane?

E uma comparação parecida envolve o embate Cristiano-Messi. Os números e a capacidade do primeiro são inegáveis. Mas Messi é fantasia, é genialidade, é fazer aquilo que ninguém espera, aquilo que conexões cerebrais não conseguem enxergar.

Cristiano e Zidane ganham. Messi e Guardiola encantam. Mais ou menos por aí.

Os detratores do Real Madrid vão também olhar para a sorte, para os adversários do mata-mata, para erros de arbitragem que favoreceram o clube nestes quatro títulos. Mas, se olharmos na lupa, o mesmo que argumento que poderia servir para diminuir os feitos do Real pode ser usado para outros. Nos últimos anos, o Barcelona tem sido mais ajudado por arbitragens europeias que o Real Madrid, por exemplo. Em três dos quatro títulos, o Real passou pelo Bayern. Enfim. Não tem muito como ficar colocando “poréns”.

Talvez o título deste ano tenha sido mesmo o menos brilhante, com tantos presentes dados pelos adversários. Mas azar dos outros.

O Real Madrid, eu já disse aqui, só dá presente para a própria torcida, não para os rivais.

Ainda que eu seja um “Messista”, eu também sou “Cristianista”. O cara ruma à sexta Bola de Ouro, faz mais gols que qualquer um, foi campeão europeu com Portugal, ganhou tudo com dois clubes diferentes, mostrando que se adapta a qualquer lugar.

É fácil defender a tese de “Cristiano é o maior de todos”. Muito mais fácil do que defender a tese de “este Real Madrid é o maior time de futebol da história”.

Eu entendo que você não goste dessa ideia. Mas está na hora de, no mínimo, debatê-la. Acho que esse time aí faz por merecer, não fez?

 


Marcelo x Salah é o duelo chave da final da Champions
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Julio Gomes

Chegou a hora. Real Madrid e Liverpool vão decidir amanhã, em Kiev, o título europeu. O Real Madrid tenta se transformar no primeiro a vencer a competição máxima do continente por três vezes seguidas desde o Bayern dos anos 70 – já é o primeiro a ganhar dois seguidos na “era Champions”. O Liverpool, que nunca conquistou o Inglês na “era Premier League”, pode voltar a ser coroado após o “milagre de Istambul”, em 2005, para cima do Milan.

Muito se fala do duelo Cristiano Ronaldo x Salah. A vitória na final seria um passo decisivo rumo à Bola de Ouro – ainda que falte “só” a Copa do Mundo para ser jogada.

Quando todos esperavam o ano de Neymar, após a chegada triunfal ao PSG, foi um egípcio que saiu do nada para se meter entre Messi e Cristiano Ronaldo, dominantes há 10 anos.

Mas não é Cristiano Ronaldo quem irá parar Salah na final deste sábado. A responsabilidade é coletiva. E o setor é o de Marcelo.

Este é o grande duelo da decisão. Marcelo x Salah. Marcelo vive um momento sublime na carreira e é de seus pés que costumam sair as jogadas mais perigosas do Real Madrid.

Pode ser um drible que rompa uma das linhas e gere profundidade. Pode ser uma finalização certeira de fora da área, como a contra o Bayern m Munique. Pode ser uma tabela com um dos atacantes. Pode ser uma daquelas magníficas viradas de jogo, que gera um contra um pelo outro lado do campo.

Muitas vezes o jogo do Real nasce por ali, e Salah é o primeiro jogador a dar o combate.

Não podemos perder de vista que Marcelo está longe de ser perfeito na defesa. Ainda que tenha evoluído, é um ponto fraco do Real e precisa de muita ajuda por ali. É o lado de Salah, um jogador que faz uma temporada surreal.

Há muitos outros duelos que podem definir o jogo, mas é por ali que a final será jogada, estudada, pensada. Quem, entre os dois, ganhar a batalha nas fases ofensiva e decisiva, deixará seu time muito bem encaminhado.


Liverpool foi o único capaz de vencer final do Real nos últimos 52 anos
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Julio Gomes

Real Madrid e Liverpool farão, no próximo dia 26, em Kiev, a final mais premiada da história da Liga dos Campeões da Europa. São 17 títulos somados – 12 do Real, 5 dos ingleses.

Mas os dois não são apenas supercampeões. Eles são também supervencedores de finais.

Se levarmos em conta um mínimo de três finais disputadas, para tirarmos da conta os que venceram a uma ou duas decisões que jogaram, encontraremos em Real Madrid e Liverpool os dois clubes com melhor aproveitamento em finais.

O Real Madrid ganhou 12 e perdeu apenas 3, um aproveitamento de 80%. O Liverpool ganhou 5 e perdeu 2, ou seja, 71,5% de sucesso. Curiosamente, foi o próprio Liverpool que impôs ao Real uma dessas raras derrotas em finais: 1 a 0 na decisão de 1981, disputada em Paris.

O Real ganhou as cinco primeiras Copas da Europa, entre 56 e 60, os anos de Di Stefano, Gento e companhia. Depois perdeu duas finais – em 62, para o Benfica de Eusébio, e em 64, para a Inter de Milão. Voltou a ser campeão em 66. Depois disso, o time da capital espanhola demorou 32 anos para voltar a ser campeão continental, já entrando na era moderna da Champions League.

Entre o hexa, em 66, e o hepta, em 98, a única final disputada pelo Real foi a de 81, quando perdeu para um Liverpool em seu auge europeu.

O Liverpool era dominante na Inglaterra no fim dos anos 70 e início dos 80. Foi campeão europeu em 77, 78, 81 e 84, perdendo a decisão de 85. Depois, na era Champions, conseguiu o milagre de Istambul em 2005, contra o Milan, para depois perder do próprio Milan em 2007 – nestes anos, como agora, o Liverpool não era cotado para chegar à decisão.

Na era Champions League, o Real Madrid ganhou as seis finais que jogou – duas contra a Juventus (98 e 2017), duas contra o Atlético de Madrid (2014 e 16), uma contra o Valencia (2000) e uma contra o Bayer Leverkusen (2002). Somados, todos esses adversários derrotados pelo Real tinham apenas dois títulos máximos europeus (ambos da Juventus, que, ao contrário dos finalistas deste ano, é o clube com pior aproveitamento em decisões).

Portanto, em 10 de seus 12 títulos, o Real enfrentou um time que, na ocasião, nunca havia sido campeão.

Quando os dois gigantes disputaram a final em 81, a competição tinha outro formato, apenas com os campeões nacionais e eliminatórias desde o início. Falando o português claro, era mais difícil entrar no torneio, mas mais fácil chegar até o fim – o que aumenta os méritos do Real Madrid da atualidade.

Em 80/81, o Liverpool havia passado por Oulun (FIN), Aberdeen (ESC), CSKA Sofia (BUL) e Bayern de Munique. O Real Madrid havia passado por Limerick (IRL), Honved (HUN), Spartak Moscou (RUS) e Inter de Milão.

O Liverpool entrou em campo na decisão com oito ingleses e três escoceses. O Real Madrid tinha nove espanhóis, um alemão e um inglês. O que dá bem a noção de como os tempos eram outros. Alan Kennedy fez o gol do título, aos 37min do segundo tempo.


Real Madrid fica a um jogo do inacreditável na Europa
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Julio Gomes

Você sabia que o Real Madrid é o primeiro bicampeão da história da Uefa Champions League? Para a maioria das pessoas que acompanham este blog, isso não é novidade. Ao ganhar a Champions ano passado, repetindo o feito de 2016, o Real se transformou no primeiro clube a ser campeão europeu de forma consecutiva desde que a Copa dos Campeões virou Champions.

Isto não é apenas coincidência. Até 1992, no formato antigo, a Copa dos Campeões era jogada apenas por… campeões. E nem sempre, como sabemos, o campeão de uma liga nacional em um ano mantém o nível no seguinte.

Entre 1955, quando foi criada a Copa dos Campeões, e 1992, nada menos do que oito clubes fizeram pelo menos uma dobradinha de títulos – alguns ganharam até mais do que dois seguidos.

Na era Champions League, passaram a disputar o torneio dois, três, quatro times de cada país europeu. É por isso que os grandes, como Real, Barcelona, Bayern, United, Juventus, etc, estão na Champions ano sim, ano também. Se fizer um mau campeonato nacional e chegar em terceiro, por exemplo, vai pra Champions mesmo assim.

Com tanto time gigante, ficou muito difícil ser campeão de forma consecutiva. Tão difícil que foram 25 anos de competição até o Real Madrid atingir o feito, que era tão corriqueiro antes.

É verdade que criou-se um abismo entre os mais poderosos da Europa e uma classe média que costumava dar muito trabalho. Mas os poderosos são tão poderosos, concentram tanto os jogadores top do planeta, que é inacreditável que o mesmo time ganhe sempre o campeonato mais importante.

Se ganhar a final contra o Liverpool (ou contra a Roma), o Real Madrid terá sido campeão pela quarta vez em cinco anos. Será o primeiro tricampeão seguido desde o Bayern dos anos 70.

O Bayern da atualidade não foi capaz de evitar o feito. E basicamente não foi capaz porque deu dois gols de presente. Um em Munique, o 1-2 presenteado por Rafinha. E um em Madri, dado pelo goleiro Ulreich no começo do segundo tempo. O Bayern foi melhor que o Real em três dos quatro tempos da eliminatória. Isso já tinha sido assim no confronto entre eles ano passado. Deixou a eliminatória aberta até o fim. Fez gols, perdeu gols, consagrou Navas, foi superior.

O Real Madrid já havia passado no sufoco contra a Juventus antes. E teve muita sorte nas finais contra o Atlético em anos anteriores. Podemos empilhar as eliminatórias que o Real ganhou sabe-se lá como nestes anos todos. Com Cristiano Ronaldo fazendo rigorosamente nada em dois jogos, brilhou Keylor Navas, um goleiro subestimado.

O Bayern foi melhor. Mas deu dois presentes. Alguém se lembra de o Real Madrid dar presentes para os adversários nos últimos cinco anos? Pois é. Presente do Real, só para sua torcida.


Real Madrid é uma máquina de fazer times pagarem por seus pecados
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Julio Gomes

Quantas vezes já vimos essa história? O time joga bem contra o Real Madrid. Pode ser um pequeno, de forma surpreendente. Pode ser um gigante, tipo Bayern de Munique. Perde um gol. Perde outro. Domina. E…. pumba.

Foi a história do jogo desta quarta, em Munique. Uma cidade em que o Real Madrid havia perdido nas dez primeiras visitas que fizera na história, mas onde ganha agora a terceira de forma consecutiva. O Bayern era a “bestia negra”. Virou freguês em casa.

Zidane montou o Real de forma cautelosa, sem Benzema ou Bale, com Cristiano Ronaldo isolado na frente e Lucas Vázquez no time para marcar pelo lado. Povoou o meio de campo. Até conseguiu ter a posse de bola nos primeiros minutos. E ainda deu a sorte de ver o Bayern, com uma formação ultraofensiva, perder Robben, machucado, no comecinho do jogo.

Mas o Bayern se acertou, fez o gol em um contra ataque improvável, com Kimmich, e a partir daí encontrou os espaços no meio de campo. Teve várias chances de gol, a melhor delas com Ribery, outras em escanteios que poderiam ter acabado com bola na rede. Era jogo para 2 a 0 no primeiro tempo.

Mas o Real Madrid faz todo mundo pagar por seus pecados. Todo. Mundo. Até o Bayern.

Bastou uma falha na intermediária e Marcelo acertou um chute lindo para empatar o jogo. No intervalo, Zidane tirou Isco, sacrificado pela esquerda, e colocou Asensio, um jogador mais incisivo. Subiu a marcação, incomodou a saída de bola do Bayern e fez seu time ser muito superior no segundo tempo.

Foi Rafinha, que fazia uma ótima partida pela esquerda, que deu o presente que Asensio não desperdiçou. 2 a 1 para o Real Madrid. Asensio, o mesmo que decidiu a eliminatória contra o PSG. Futuro e presente do Real Madrid.

O Bayern ocupou o campo de ataque, mas o Real Madrid, fechadinho, apesar da frustração de Cristiano por ficar tão isolado na frente, conseguiu fazer o seu jogo funcionar.

O Bayern havia perdido também Boateng por lesão no primeiro tempo. Heynckes ficou sem margem de manobra tática. Talvez, quando o Real perdeu Carvajal, pudesse ter trazido Rafinha para direita, aberto Kimmich na frente e jogado Thomas Muller para dentro da área. Uma área em que Lewandowski passou o jogo inteiro enrolado no meio de três, quatro, cinco adversários.

Quando Ribery conseguia fazer algo pela esquerda, mesmo com a língua de fora a seus 35 anos de idade, não havia ninguém na área para concluir. Faltou presença ofensiva ao Bayern no posicionamento dos meias e de Thomas Muller.

No segundo tempo, não apareceram chances ótimas como no primeiro. A melhor foi aos 43min, mano a mano de Lewandowski com Navas, que o polonês tocou pessimamente, para fora.

O Bayern perdoou no ataque, errou no lance do segundo gol. E o Real Madrid, como sempre, fez o adversário pagar o preço.

Não é uma eliminatória definida, claro que não. No ano passado, o Real ganhou por 2 a 1 em Munique, mas o Bayern devolveu o placar em Madri e levou o jogo para a prorrogação. A expulsão equivocada de Vidal deu ao Real a possibilidade de fazer três gols na prorrogação e se classificar.

Tem jogo. O Bayern tem gente suficiente para reverter. Mas, neste momento, é difícil imaginar uma final de Champions League diferente de Real Madrid x Liverpool.

 


Salah é o melhor jogador do mundo, será injusto se não for Bola de Ouro
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Julio Gomes

A primeira coisa que é importante ressaltar, antes de seguir com este post. O prêmio de melhor jogador de futebol do mundo não pode ser dado para quem “é” e, sim, para quem “está”. É um prêmio de melhor do ano. Para premiar a temporada, não uma avaliação geral de todos os atributos e potencial que os jogadores têm na vida.

Dito isso, será uma das grandes injustiças da história se não for Mohamed Salah, um egípcio, um herói improvável, o jogador encarregado de quebrar os 10 anos de domínio de Messi e Cristiano Ronaldo dividindo a premiação de melhor do mundo.

Desde que Kaká foi eleito, em 2007, o argentino e o português ficaram com cinco prêmios cada. No meio do caminho, a Fifa “comprou” a Bola de Ouro, uma premiação mais técnica e com mais credibilidade – afinal, a votação da Fifa é povoada de jogadores, técnicos e jornalistas da periferia da bola, mais sujeitos a votar em nomes famosos.

Agora, Bola de Ouro e Fifa estão separadas novamente. Não consigo prever o que acontecerá na premiação da Fifa, creio que dependerá demais da Copa do Mundo.

Mas acredito que dificilmente a Bola de Ouro sairá das mãos de Mohamed Salah. E será injusto se não for assim.

Salah já foi eleito o melhor jogador da Premier League por seus pares – um indicativo importante, em um campeonato tão dominado por um time, o Manchester City, que não é o dele.

Na temporada toda, são 43 gols em 47 jogos para Salah. Uma enormidade. E ele ainda produz um número significativo de assistências.

Nesta terça, contra a Roma, Salah fez dois e deu dois passes para gol. Os dois gols foram os dois primeiros. E foram dois golaços. Este é outro detalhe. O cara virou o Messi de um ano para o outro. É gol de canhota no ângulo, de cavadinha… é só golaço. Sem contar a função tática pela esquerda, fechando espaços e criando muitos problemas com tanta velocidade.

Quando saiu de campo, o Liverpool relaxou e tomou dois gols que ainda fazem a Roma sonhar. No fim, 5 a 2 para o time inglês. É muito difícil a classificação para a final europeia escapar, mas futebol é futebol.

No dia 15 de junho, o Egito vai estrear na Copa do Mundo contra o Uruguai, em Ekaterimburgo. Será o primeiro jogo do Egito em Copas desde 1990. Será o dia do aniversário de 26 anos de Salah, que não é nenhum garotinho.

Foi contratado pelo Chelsea quatro anos atrás, não deu certo, foi emprestado para a Fiorentina, vendido para a Roma. Na Itália, eu costumava chamá-lo de “uma espécie de Mirandinha”. Velocista, ciscador, mas péssimo na tomada de decisões. Meio burro, falando o português claro (“ou corro ou penso, professor”). Eu, como muitos, achei um absurdo o Liverpool pagar mais de 200 milhões de reais por ele.

Eu, como muitos, estávamos errados. Ele não só provou seu valor na Premier League como passou a tomar todas as decisões corretas. Passa quando tem que passar. Finaliza quando tem que finalizar. E faz gols. Um caminhão deles.

O Liverpool perdeu seu (suposto) melhor jogador em janeiro, Philippe Coutinho, e foi criticado por trazer um zagueiro (Van Dijk) por outro caminhão de dinheiro. Resultado? Acertou o sistema defensivo, manteve a velocidade na frente, já praticamente se garantiu no top 4 da Premier, derrubou três vezes seguidas o badalado time de Guardiola e está virtualmente na final da Champions League.

Tudo isso passa por um monte de gente. A coragem de Klopp, a grande fase de Firmino, a presença de Van Dijk, etc. Mas tudo isso passa essencialmente pelo Faraó. Por Salah.

Messi é o Pelé dos nossos tempos. Cristiano Ronaldo é o melhor atacante que já vimos. Os dois elevaram o nível do futebol a tal ponto que é muito difícil olhar para outro jogador e colocá-lo acima deles.

Mas lá está Salah. No topo da pirâmide.

 


Na era das superpotências, feito do Barcelona já não é tão histórico
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Julio Gomes

O Barcelona deu sequência à era mais vitoriosa de sua história e conquistou ontem, com a goleada sobre o Sevilla, a Copa do Rei número 30 para a galeria de troféus do clube.

A Copa do Rei, quase sempre conquistada em Madri, diante dos olhos da realeza, com direito a hino nacional espanhol vaiado, tem um gosto especial para os catalães.

No fim de semana que vem, em La Coruña, o Barça deve garantir matematicamente também o título espanhol número 25 – o Real Madrid tem 33 Ligas, mas 19 Copas do Rei.

A imagem dos 5 a 0 sobre o Sevilla, no sábado, e talvez seja a imagem do título de Liga também, foi a dos aplausos a Iniesta – que deve anunciar aposentadoria em breve.

Mas qual será a imagem da temporada do Barcelona? O Iniesta levantando taça? Ou o Iniesta estupefato vendo, do banco de reservas, o time ser eliminado da Champions League em Roma? Falarei mais disso mais adiante.

Confirmada a conquista da Liga domingo que vem, será o oitavo “doblete” do Barça na história, ou seja, a oitava temporada com títulos de Liga e Copa. O Athletic Bilbao conseguiu cinco vezes, sendo a última nos anos 50. O Real Madrid, quatro vezes, a última em 88/89. O Atlético de Madrid tem apenas um doblete.

Isso dá bem a medida do feito. Ele é raro. Ou era raro. Pelo menos para o Barça.

Sempre gosto de usar 2003 como o ano do recorte. O ano da chegada de Ronaldinho ao clube. Ali, começa a virada. Vêm a confiança, os títulos, vem Messi, vem Guardiola, etc.

Até 2003, haviam sido quatro dobletes do Barça na história, ou seja, mesmo número do Real. Desde então, se confirmado o título da Liga na semana que vem, este número dobrou. E com um detalhe: em 2009 e 2015, o Barça conseguiu o triplete, pois ganhou a Champions também – o Real, mesmo sendo o maior campeão europeu, nunca fez um triplete.

E é aí que está.

Hoje o doblete que vale é o Champions + Liga doméstica. E não mais Liga + Copa locais, como antigamente.

Enquanto a Champions League era ainda a Copa dos Campeões da Europa, alguns grandes clubes podiam passar anos sem disputá-la. Só entravam caso ganhassem a liga doméstica.

Na “era Champions”, todos os grandes estão sempre lá. Desde 1997, o Real Madrid esteve presente em todas as edições. Neste mesmo período, Barcelona e Bayern só ficaram de fora uma vez. Manchester United e Arsenal, apenas duas. O Chelsea só ficou de fora de uma Champions desde que foi comprado por Abramovich. Juventus e Porto ausentes? Raríssimas vezes.

Com este novo formato de futebol europeu, o livre mercado no continente, a globalização, os direitos bilionários de TV, surgiram as hiperpotências – não preciso listar quais são.

E na era das hiperpotências, amigos e amigas, não me venham “só” com doblete doméstico. O que importa mesmo é a Champions. É lá que estão os rivais do mesmo tamanho.

O doblete doméstico do Barça é raro, como já vimos. Será comemorado, sem sombra de dúvidas. Mas não há como apagar o derretimento inexplicável nas quartas de final da Champions, apanhando de 3 a 0 de uma Roma de qualidade duvidosa (após ter feito 4 a 1 na ida).

Talvez daqui uns anos alguns se esqueçam do doblete. Ou confundam com algum outro – já que o feito virou corriqueiro. Mas ninguém se esquecerá da tragédia catalã em Roma por um bom tempo.

Assim como Guardiola possivelmente será lembrado pelos fracassos com o Bayern de Munique na Champions, e não pelos recordes nos três títulos de Bundesliga.

É o ônus do futebol na era das potências.

Está ficando chato, dirão alguns. Em termos de competitividade, está mesmo. O futebol nacional nos países europeus está altamente previsível. A ponto de dobletes, como este que o Barça conquistará, não serem mais vistos como feitos históricos.

Com tão poucos rivais à altura, convenhamos… a notícia não é nem o Barça fazê-lo de forma recorrente. A notícia é o Real Madrid não conseguir ganhar Liga e Copa desde 1989.

Por falar em Real Madrid. Depois de começar a temporada com tanto favoritismo no Espanhol, perdeu o campeonato ainda no primeiro turno. Está 15 pontos atrás. Foi eliminado da Copa do Rei em casa pelo minúsculo Leganés. Mas, se ganhar a Champions, que seria a quarta em cinco anos… quem seria o grande vencedor da temporada?

Pois é. O tamanho do doblete do Barça vai depender mais do que Real Madrid do que outra coisa.

 


Bayern x Real Madrid: o maior clássico europeu é uma final impossível
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Julio Gomes

Está é a décima Liga dos Campeões da Europa consecutiva que terá na final ou Real Madrid ou Bayern de Munique ou Barcelona. Mas nenhuma das 10 teve uma final entre dois dos três times que dominam o cenário há tanto tempo, deixando os também ricos e poderosos ingleses chupando dedos.

O sorteio desta sexta colocou frente a frente Bayern e Real, Real e Bayern. De novo. É o confronto que mais vezes aconteceu em competições europeias. Por isso, e pela história vitoriosa de ambos ao longo das décadas, é o maior clássico europeu.

Claro que não há, entre eles, a rivalidade e o ódio que envolvem confrontos locais, de mesma cidade ou país. Mas há tensão suficiente. Tem muita história. Muita mesmo.

Foram 24 jogos até hoje, todos eles válidos pela competição máxima europeia. Mas, nunca, em uma final. E, outra vez, o sorteio impediu que a decisão fosse realizada entre eles.

Nos 24 jogos até hoje, 11 vitórias para cada lado e 2 empates. O domínio caseiro é evidente e idêntico. Quem jogou em casa ganhou 9 vezes, empatou 1 e perdeu 2. Sim, o retrospecto de ambos é igual jogando em casa. Em mata-matas, o Real levou a melhor 6 vezes, o Bayern, 5. Em semifinais, o Bayern leva vantagem de 4 a 2 nos duelos entre eles.

Eu já contei isso aqui no blog outras vezes. O Bayern é o único clube do mundo que o Real Madrid verdadeiramente teme, não gosta de enfrentar. Por mais que o retrospecto seja tão equilibrado, existe uma imagem de que o Bayern é a pedra no sapato madrilenho, a “bestia negra”, o único “não freguês” do mundo. E nem mesmo as últimas duas vitórias do Real contra eles, nas semis de 2014 e nas quartas do ano passado, mudaram essa imagem.

Se em 2014 o Real, de Carlo Ancelotti, se aproveitou com bola aérea e contra ataques dos buracos deixados por Guardiola para golear em Munique, no ano passado a história foi diferente. Ancelotti era o técnico do Bayern, e uma expulsão injusta de Vidal no Bernabéu foi decisiva para o duelo pender para o Real na prorrogação.

Ancelotti, como sabemos, não durou no Bayern e deu lugar a Jupp Heynckes, campeão de tudo em 2013 e retirado da aposentadoria, para onde voltará dentro de um mês e pouquinho. Heynckes é um homem que fala a língua dos jogadores, de uma simplicidade incrível na leitura de jogo, um desses técnicos que nos faz pensar que talvez “menos seja mais” com um elenco estrelado em mãos.

Logicamente a chave para o Bayern é não deixar Cristiano Ronaldo fazer tantos estragos. Com ele, bobeou, dançou.

Quem quer que passe deste duelo será ultrafavorito se enfrentar a Roma na final de Kiev. E será ligeiramente favorito contra o Liverpool, uma camisa pesada, multicampeã e um time extremamente perigoso na fase ofensiva. Em um jogo, pode golear ou ser goleado por qualquer um. Pode eliminar o City, como pode perder da Roma. É um time imprevisível.

Bayern de Munique e Real Madrid. A final que parece que nunca será. É que merecemos mesmo ver sempre dois jogos entre eles. Um é pouco.

 

 

 


Árbitro decide o jogo. Eles estragam o futebol também na Europa
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Julio Gomes

A incompetência e a vontade de aparecer não têm nacionalidade, religião ou raça.

O britânico Michael Oliver, isso mesmo, um britânico, ou seja, um juiz de um lugar em que faltinhas não são marcadas, resolveu colocar o Real Madrid nas semifinais da Liga dos Campeões da Europa.

Anotou um pênalti para lá de discutível de Benatia em Lucas Vázquez aos 48min do segundo tempo. A Juventus vencia por 3 a 0 e levava de forma surreal a eliminatória para a prorrogação. Depois do milagre da Roma contra o Barcelona, estávamos à beira de outro na Champions. Mas ele não ocorreu.

O lance é duvidoso, eu admito isso. Aliás, o gesto do árbitro também denuncia que o lance foi duvidoso. Ele demora para apitar. Benatia encosta em Vázquez, que possivelmente faria o gol. O futebol é um jogo de contato, não é qualquer carga que é faltosa.

Mas, mais do que isso. No futebol, árbitros estão lá não apenas para colocar regras em prática. E, sim, levar o jogo. Arbitrar. Mediar. Um juiz que marca um pênalti nos minutos finais de uma partida (ou nos acréscimos) está decidindo a partida.

Assim como um juiz que expulsa um jogador nos minutos iniciais. Expulsão no começo e pênalti no fim são coisas que árbitros precisam evitar. E, de fato, evitam. Até que aparece algum Oliver da vida.

Como apareceu Javier Castrilli 20 anos atrás, naquele infame Corinthians-Portuguesa. São decisões de arbitragem que impedem o time prejudicado de buscar a reação (ou correção). Porque simplesmente não sobra tempo.

Árbitros não estão em campo para decidir partidas. São os jogadores que estão. Há casos inevitáveis, claro. Lembro-me da mão de Suárez na Copa de 2010, impedindo o gol de Gana. Mas, em um lance duvidoso ou não tão claro, como este do Bernabéu, um juiz NUNCA pode apitar pênalti. Nunca.

“Regras são regras”, choverão comentários assim aqui neste post. O primeiro minuto e o último são a mesma coisa. Nananinanão. Existe um código não escrito no futebol. Não é bem assim que funciona.

As regras do futebol têm altíssima carga de interpretação. Mesmo que Michael Oliver interprete a carga de Benatia como faltosa, ele não pode dar o pênalti. Pelo momento do jogo. Repito. Ele não está lá para decidir o jogo.

A Juventus expôs todos os problemas do Real Madrid e de Zidane. Que, ainda que esteja sendo um técnico cada vez melhor, ainda comete erros difíceis de explicar. No intervalo, com 0-2, tirou Casemiro de campo. Fechou o lado em que Douglas Costa fazia chover, mas escancarou a entrada da área e aumentou as chances da Juventus.

A prorrogação seria um final digno para uma eliminatória que começou com show de Ronaldo em Turim e acabaria com show de Buffon e companhia em Madri. Mas Oliver e, depois, novamente Ronaldo, não deixaram – aliás, que cobrança.

Uma brincadeira corrente na Europa quando se enfrentam Real Madrid e Juventus é falar que o juiz fica maluco em jogos assim. Não sabe quem ajudar. Claro, é uma coisa de torcedores rivais. Real e Juve sempre foram muito ajudados no futebol doméstico, ao longo da história. Times grandes sempre são muito ajudados, em qualquer lugar do mundo. Nesta quarta, tivemos o tira-teima.

Uma pena. Mas, com gente querendo ser mais realista que o rei, não tem VAR que funcione.


Klopp deu mais baile sobre um ‘inventor’ Guardiola
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Julio Gomes

Jurgen Klopp não é qualquer treinador de futebol. É o único homem que ganhou seis jogos de futebol contra Pep Guardiola (perdeu cinco).

Guardiola não é infalível. Ele erra. Todos erramos. Mas há erros e erros. Momentos e momentos para errar. Errar nas quartas de final da Champions. E contra Klopp… bem, são esses os erros que te assombram por anos.

O Manchester City atuou o ano inteiro com jogadores abertos, colados nas linhas laterais, espalhando as defesas rivais e dando corredores para De Bruyne e David Silva. Nesta quarta, em Liverpool, Guardiola não escalou nem Sterling nem Bernardo Silva. Optou por Gundogan, um volante, aberto pela direita. Perdeu agressividade no ataque e consistência no meio de campo. Do outro lado, optou por um zagueiro, Laporte, na lateral esquerda.

Inventou. E pagou o preço. A derrota por 3 a 0 não é irreversível. Em setembro, no primeiro turno da Premier League, o City meteu 5 a 0 no Liverpool. Mas, convenhamos, o Liverpool está com um pé na semifinal, para provavelmente acompanhar Barcelona, Real Madrid e Bayern nas semis mais laureadas de todos os tempos.

No primeiro tempo em Anfield Road, o City teve “só” 55% de posse de bola, abaixo de sua média. O Liverpool foi o time que quis a bola. Especialmente no segundo seguinte após perdê-la.

Ao longo dos anos, muitos treinadores tentaram parar os times de Guardiola marcando de forma passiva e fechando linhas na frente da área. Klopp, não. E vimos mais uma vez um time do alemão jogar de forma agressiva, mordendo em todas as partes do campo e adiantando a primeira linha de marcação até a área, quando preciso. Até Ederson chegou a ser pressionado na saída de bola.

A marcação agressiva do Liverpool, somada à má escalação do City, resultou em um incrível 3 a 0 em apenas meia hora de jogo.

Guardiola só foi acertar o time no intervalo. Abriu De Bruyne pela direita e trouxe Gundogan para o meio. Depois, colocou Sterling no lugar do alemão, posicionando o belga ao lado de Silva, pelo meio. Ou seja, o City só jogou como City dos 12min do segundo tempo para frente.

Criou chances, pressionou, jogou dentro da área do Liverpool – e ainda teve sorte por Salah sair contundido, o que obviamente comprometeu as saídas do time da casa em contra ataques.

Mas, em apenas meia hora e com Sané e De Bruyne em uma noite para esquecer, não eu para o City.

É a terceira vitória do Liverpool de Klopp sobre o City de Guardiola em três duelos em Anfield. A sexta de Klopp em 13 jogos contra o catalão, se somarmos os duelos da Alemanha. Está virando freguês.