Blog do Júlio Gomes

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Mourinho perdeu de vez a vergonha de estacionar seus ônibus
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Julio Gomes

Após a inédita classificação de cinco times para as oitavas de final e as sonoras goleadas aplicadas por Manchester City e Liverpool fora de casa, semana passada, a moda foi falar da força dos ingleses na Liga dos Campeões da Europa.

Mas se é verdade que, além dos já citados acima, o Tottenham tem uma bela vantagem contra a Juventus (2 a 2 na ida em Turim), Chelsea e Manchester United saem dos jogos de ida das oitavas de final em situação não tão confortável.

E foram eles justamente os ingleses que enfrentaram nesta semana clubes da Espanha, o país líder do ranking da Uefa.

O Chelsea, na terça, ficou no 1 a 1 com o Barcelona, em casa. Vai ter de buscar o resultado no Camp Nou, na segunda semana de março. E o Manchester United, nesta quarta, foi completamente dominado pelo Sevilla e precisa levantar as mãos aos céus por ter saído da Andaluzia com um 0 a 0.

Foram 25 finalizações do Sevilla, 8 delas exigindo defesas de De Gea (uma delas, no final do primeiro tempo, simplesmente milagrosa). Pelos lados do United, apenas 6 finalizações, só uma a gol. Sim, Mourinho nunca teve e segue sem ter vergonha alguma de buscar resultados desta forma pragmática. O que não dá para entender é fazê-lo com um elenco como este do United.

Estacionar o ônibus em Sevilha, contra um time que nem está tão certinho assim, trocou de técnico recentemente… é muito pouco para um clube do tamanho do United.

Ainda assim, o 0 a 0 não garante nada. O Sevilla jogará por qualquer empate com gols na volta, em Manchester. E viajará com a certeza de poder encarar o United de igual para igual.

O Barcelona tem a vantagem de jogar em casa contra o Chelsea, ter mais time e poder se classificar com um 0 a 0. O Sevilla tem a vantagem de ir a Manchester jogando por dois resultados. Sem dúvida, os times de Conte e Mourinho são os ingleses em pior situação.

Desde o título do Chelsea, em 2012, os clubes ingleses nunca mais passaram perto de ganhar o título da Champions. Nas cinco temporadas desde então, a Espanha colocou sempre três times nas quartas de final e dois nas semifinais.

Nas últimas nove temporadas, foram três títulos do Real Madrid, três do Barcelona e os outros três foram divididos entre alemães, italianos e ingleses. No mesmo período, Sevilla e Atlético de Madrid ganharam, entre eles, cinco Europa Leagues. Esta década é da Espanha, sem a menor sombra de dúvidas.

Entre 2007 e 2009, a Inglaterra sempre colocou três times nas semifinais – e em dois destes torneios colocou quatro nas quartas de final. Com a força da Premier League e o dinheiro fluindo, a impressão era que a Europa voltaria a ser coisa de ingleses, como ocorrera no fim dos anos 70, começo dos 80.

Mas o domínio de mais ou menos dez anos atrás não se confirmou. E é simplista dizer que isso não ocorreu apenas por causa da força de Real e Barça. Duas explicações corriqueiras são o calendário inglês, mais extenuante que o espanhol, o alemão e o italiano, e a competitividade maior na Premier League, o que dá menos “folga” para os principais times.

Enfim. É fato que os clubes ingleses parecem mais fortes neste ano do que nos anteriores. Mas não é surpresa nem que haja uma final inglesa e nem que nenhum deles chegue às semifinais. Convém esperar.

 


Messi precisa de uma bola para afundar plano (quase) perfeito do Chelsea
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Julio Gomes

Não foram poucas as retrancas que o Barcelona enfrentou em sua fase dourada, nos últimos 13 anos. Nenhum time conseguiu “anestesiar” tanto o jogo catalão como o Chelsea.

A história foi a mesma nesta terça. A mesma de 2005, 2009, 2012. O Chelsea, com uma quarta leva diferente de jogadores, conseguiu fazer o Barça ficar o tempo inteiro longe de seu gol. Menos, claro, quando Christensen atravessou um péssimo passe em frente a sua área e deu de presente a bola para Iniesta, que deu de bandeja o gol a Messi.

E Messi, que nunca havia feito gol em Buffon na Champions (e fez na primeira fase), agora quebra outro tabu incômodo. Não havia marcado contra o Chelsea nas oito partidas anteriores, com direito a pênalti perdido em semifinal. De hoje, não passou. Uma bola limpa. Era tudo o que ele precisava.

Messi foi quem mais tentou, mas sempre que pegava a bola tinha a ótima marcação de dois, três, às vezes até quatro adversários. Kanté, incansável, não saía de perto um segundo sequer. Faltou ao Barcelona movimentação, que outros jogadores abrissem linhas de passe a Messi.

Foi um time estático, com Rakitic muito recuado, Paulinho enfiado, Iniesta sumido. Courtois fez só uma boa defesa, em um chute cruzado de Suárez. Um jogo ruim, talvez o pior do Barça na temporada inteira – em que ele perdeu apenas uma vez.

E, mesmo assim, mesmo com o Chelsea fazendo o jogo acontecer exatamente da forma como Conte queria, o resultado final foi de 1 a 1. O que deixa o Barcelona muito mais perto das quartas de final do que o time azul londrino.

Além de Kanté, destaque para Willian. Na proposta de jogo de Conte, sem centroavante e com três jogadores agudos à frente, Willian conseguiu ser mais perigoso até que Hazard, que é quem tinha mais liberdade. Chutou duas bolas na trave e fez um gol, foi o principal jogador da partida.

O plano tático de Conte funcionou à perfeição. Mas o futebol é coisa de seres humanos. E seres humanos erram. Não basta estar concentrado 99,999% do tempo, porque Messi só precisa de 0,001 para estragar teus planos.

 

 


Iniesta volta ao campo em que mudou de patamar
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Julio Gomes

Nunca me esquecerei de uma conversa com Tostão, na pequenina cidade suíça de Weggis, durante aqueles famosos treinamentos da seleção brasileira antes da Copa de 2006. Eu já morava na Espanha e tinha acompanhado muito de perto aquele renascimento do Barcelona, que conquistava a Europa pela primeira vez em 14 anos. Falávamos de Ronaldinho, de Deco, de Eto’o, de Xavi. Quando Tostão comentou. “Quem é um craque é o Iniesta”.

Eu tomei um susto. Iniesta não era um titular daquele Barça. Ele começava os jogos menores do Espanhol, quando Rijkaard preferia um time mais leve e ofensivo em campo. Na Champions, era banco. Jogavam Edmilson, Van Bommel, Rafa Márquez… caras mais pesados, literalmente. Iniesta não me chamava tanta atenção ainda em 2006. Mas, se Tostão falou, estava falado.

Aquela conversa me veio à cabeça imediatamente quando ocorreram os dois grandes momentos da carreira de Iniesta – e, por sorte, eu estava no campo nas duas vezes. Uma, claro, todos se lembrarão, foi a final da Copa de 2010 e aquele gol na prorrogação contra a Holanda. O gol do título mundial da Espanha – desde então, ele é aplaudido em todos os estádio espanhóis.

Mas, um ano antes, no dia 6 de maio de 2009, Andrés Iniesta pulou para outro patamar em sua carreira.

O estádio era Stamford Bridge, em Londres, o mesmo estádio que receberá amanhã o jogo de ida entre Chelsea e Barcelona, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. E Iniesta fez isso aqui.

Para muitos, aquele foi o jogo dos cinco pênaltis não marcados para o Chelsea. Era a semifinal da Champions, o jogo de ida, no Camp Nou, havia acabado no 0 a 0. Entre um jogo e outro, o Barcelona, que vivia o primeiro ano de Guardiola no comando técnico, enfiou 6 a 2 no Real Madrid, em pleno Bernabéu – o famoso jogo em que Guardiola inventou Messi como falso 9.

Quatro dias depois dos 6 a 2, vinha o duelo de Stamford Bridge. Um duelo em que o Chelsea foi muito superior e que teve, sim, vários pênaltis não marcados.

Meu testemunho, de quem estava no campo, é que nenhum dos lances, na hora, pareceram tão claros assim. Mas, depois, vendo no vídeo, dava para entender a revolta dos jogadores do Chelsea. O jogo poderia estar resolvido antes. Mas não estava. E veio o golaço de Iniesta no primeiro chute a gol do Barça. E que chute.

Eu estava atrás do gol, ali de colete laranja de imprensa. Estava no meio da torcida do Barcelona, Stamford Bridge é um estádio apertado para trabalhar. Lembro do barulho da bola estufando a rede. O mundo parou naquele momento.

O Barcelona chegaria à final, venceria o United e aquele time, no primeiro ano de Guardiola, ganharia tudo o que havia para ser disputado. Sem Champions, não haveria Mundial, Supercopa, etc. Aquele gol de Iniesta foi o gol que elevou o jogador à categoria de ídolo enorme do clube e foi o gol mais importante do Barcelona naquela temporada, a temporada do “sextete”.

Iniesta já não é mais menino. Tem 33 anos.

Mas já fez nesta temporada mais jogos como titular do que na temporada passada inteira. Está melhor fisicamente, fugindo de lesões, pronto para os jogos principais do Barcelona.

O duelo contra o Chelsea nunca foi moleza para o Barça. Desde que o Chelsea foi comprado por Abramovich, os clubes se encontraram 10 vezes, com 3 vitórias do Chelsea, 5 empates e 2 do Barça – a última delas em 2006.

O Chelsea de Mourinho eliminou o Barcelona nas oitavas em 2005, mas o troco foi dado na mesma fase no ano seguinte – ali nascia a grande rivalidade Mou-Barça. Em 2009, com o gol de Iniesta, o Barcelona passou à final, mas em 2012 o Chelsea daria o troco também na semi – na última temporada de Guardiola no clube catalão. Em eliminatórias, portanto, está 2 a 2.

Quando saiu o sorteio, no fim do ano, este duelo parecia mais equilibrado.

Agora, o favoritismo do Barcelona é claro. O Chelsea vive grande instabilidade, com apenas duas vitórias em seis jogos pela Premier League em 2018. Já o Barcelona, após a perda de Neymar e o atropelamento sofrido na Supercopa espanhola, se levantou rapidamente e faz uma temporada impecável. Perdeu apenas um jogo (em 38) – para o Espanyol, na Copa do Rey, mas mesmo assim está na final do torneio.

Messi e Suárez estão voando, o time está firme em todas as linhas e, claro, tem um certo Iniesta.

 

 


Asensio deixa o projeto PSG contra a parede
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Julio Gomes

O PSG fez quase tudo certo durante quase todo o tempo. Mas o Real Madrid é o Real Madrid. E, se de um lado alguns gols foram perdidos, do outro eles foram feitos.

Os 3 a 1 do Real Madrid no Bernabéu não acabam com a eliminatória. É claro que o PSG pode ganhar por 2 a 0 ou mais em Paris. Mas, convenhamos, é o atual bicampeão europeu quem tem o comando da disputa pela vaga nas quartas de final.

O projeto bilionário do PSG está contra a parede. Não é exatamente o plano gastar toda essa grana para conquistar torneios domésticos e ser eliminado nas oitavas de Champions.

Quando o Paris Saint-Germain melhor jogava, quando parecia que o time de Neymar faria o segundo gol, entrou Asensio. 22 anos de idade. Já conhecido por quem acompanha mais de perto o futebol europeu, mas não de tanta gente que fica restrita ao futebol local. O menino simplesmente acabou com o jogo – olho nele, que pode explodir de vez na Copa.

Em pouco mais de 10 minutos em campo, Asensio fez as jogadas dos dois gols que decretaram a virada e a vitória do Real Madrid.

Neymar jogou bem, ainda que tenha tomado um cartão amarelo bobo e perdido algumas chances de gol. Daniel Alves, restrito à defesa no primeiro tempo, foi importantíssimo para o domínio do PSG no segundo. Marquinhos fez uma partida impecável – que Thiago Silva tenha sido deixado no banco é uma notícia e tanto. Quem confia no homem?

O técnico Unai Emery foi bem também – falarei disso mais para frente. Colocando-se no lugar do torcedor do PSG, é difícil entender por onde veio o trem branco que passou por cima e gerou esse resultado.

Mas ele veio na forma de Asensio e os dois gols de Cristiano Ronaldo, apesar de alguns outros perdidos.

A escalação do PSG, sem um volante de origem, foi ousada. Incrível que um elenco milionário como este tenha para jogar de 5 apenas Thiago Motta, um jogador com a carreira marcada por lesões. Foram desenterrar Lass Diarra no mercado de inverno, mas seria bizarro colocá-lo em um jogo como este.

Sobrou para o jovem argentino Giovani Lo Celso, 21 anos apenas. Não foi uma escalação inédita, mas uma coisa é ter Lo Celso por ali em partidas do Francês, em que o PSG domina completamente e o adversário mal passa do meio de campo. Outra coisa é jogar assim no Santiago Bernabéu. Lo Celso acabaria cometendo um erro grave, no gol de empate, típico de quem tinha que fazer o que não sabe.

Zidane optou por Isco no meio de campo. E, como se esperava, o Real Madrid dominou o setor e o jogo nos primeiros 10 minutos.

Mas o PSG conseguiu, pouco a pouco, controlar as ações. Rabiot, que foi o melhor em campo, Verratti e Lo Celso passaram a ditar o ritmo do jogo, sem chutões. E, consistentemente, encontraram Neymar pela esquerda. Ele chegou a ter algumas bolas em 1 contra 1 para cima de Nacho, um lateral que na verdade é um zagueiro.

Se de um lado Neymar teve duas bolas em que recebeu em velocidade, trouxe para o meio e tomou as decisões erradas, do outro lado Cristiano Ronaldo perdeu dois gols que não costuma perder e ainda bateu mal uma falta que seria “meio gol” em outros pés – inclusive os dele.

Até que, quando finalmente trocou de lado e avançou pela direita, o PSG viu uma boa jogada de Mbappé acabar em gol. O cruzamento sobrou para Rabiot, que finalizou livre enquanto Modric só assistia.

O PSG era superior em campo, jogando com personalidade e com muita obediência tática. Não víamos o Neymar anárquico de alguns jogos e, sim, o Neymar jogando como rende melhor. Pela esquerda, com liberdade para flutuar.

O Real Madrid achou o empate no final do primeiro tempo, em uma infantilidade de Lo Celso, que agarrou o pescoço de Kroos na área. Cristiano Ronaldo bateu bem e fez seu gol número 100 pelo Real Madrid em Champions League.

O segundo tempo começou melhor para o Real Madrid. Casemiro, Modric, Kroos e Isco passaram a fazer valer a maioria no meio de campo, e o time da casa tinha o jogo sob controle, ainda que sem grandes chances de gol.

Foi aí que Unai Emery mudou o jogo. Com uma substituição suspeita, no papel, e ótima taticamente, na prática. A entrada do lateral Meunier no lugar de Cavani. O futebol é maravilhoso também por isso. Uma substituição que parecia defensiva, com 1 a 1 no placar, deixou o PSG muito melhor em campo.

Daniel Alves, que estava em campo apenas para impedir os avanços de Marcelo, passou a jogar pela direita na linha ofensiva – como no Barcelona ou na Juventus. Mbappé foi para o comando do ataque, trocando de posição com Neymar constantemente. O time passou a atacar de forma dinâmica e criou várias chances de gol.

Mas… não fez.

A resposta de Zidane demorou alguns minutos. Ele colocou em campo Asensio e Lucas Vázquez – Bale já havia entrado. E tirou Casemiro e Isco, que caíram muito do primeiro para o segundo tempo. Deu certo. Quando o Real Madrid se encontrava pior em campo, duas jogadas de Asensio acabaram nos gols de Cristiano Ronaldo e Marcelo.

Meunier acabou entrando mal em campo. A substituição de Emery foi ótima taticamente, mas na parte individual o trem passou por cima de Meunier.

Eliminatória aberta. Pero no mucho.

 


Tottenham domina a Juventus e leva resultado enorme a Londres
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Julio Gomes

Que maravilha! A Champions League está de volta. E o nível vai lá para a estratosfera quando começam as fases eliminatórias. Na Suíça, o Manchester City, de Guardiola, enfiou logo 4 a 0 no Basel – ou seja, já está praticamente garantido nas quartas de final pela segunda vez em sua história e deu mais uma incrível demonstração de força.

Mas o jogaço mesmo foi disputado em Turim, onde Juventus e Tottenham ficaram no 2 a 2.

A Juve, fortíssima em casa, abriu 2 a 0, mas cedeu o empate e tem que agradecer aos céus por não ter saído derrotada. O Tottenham não se assustou com o cenário e fez uma partida espetacular na Itália.

Para se ter uma ideia do tamanho do feito, a Juve não levava dois gols em casa desde outubro, quando perdera para Lazio por 2 a 1 – aquela foi a quebra de uma invencibilidade caseira de 41 partidas e dois anos. A Juve não levava dois gols em um jogo qualquer desde uma derrota por 3 a 2 para a Sampdoria, em novembro, em Gênova. Nos três meses desde então, haviam sido 16 partidas disputadas e apenas UM gol sofrido.

É verdade que a Juve não tinha Barzagli, Matuidi e Dybala, mas o começo do jogo apagaria qualquer desfalque. A grande notícia desse duelo foi a personalidade monstra do Tottenham em campo. Jogou melhor por 80 minutos, poderia até ter virado e leva um grande resultado a Londres.

A Juventus começou a 200 por hora. Antes que o Tottenham entendesse em que cidade estava, para que lado deveria atacar, onde estavam seus torcedores e se a bola era redonda ou não, já estava 2 a 0.

Dois gols de Higuaín em 9 minutos. O primeiro, em jogada ensaiada, após falta cobrada por Pjanic, e o segundo convertendo pênalti sofrido por Bernardeschi.

A Juventus poderia ter mantido o ritmo de jogo. O Tottenham estava tonto, contra as cordas. Mas aí, meio que automaticamente, recuou. Recuou demais. Acreditava que naturalmente poderia dar a bola ao Tottenham e matar a eliminatória nos contra ataques.

Foi um jogo que lembrou muito a semifinal da Champions de 99. A Juventus, que vinha de três finais seguidas, abriu rápidos 2 a 0 sobre o Manchester United. Recuou tanto que levou a virada do rival inglês e foi eliminada. Outros tempos, claro.

Pudemos ver, nesta terça, a incrível maturidade adquirida pelo Tottenham nos últimos anos. Com Dele Ali e Eriksen flutuando entre as linhas de marcação, laterais subindo e espalhando o campo e Kane azucrinando os zagueiros, o time inglês foi empurrando a Juventus para trás. Muita personalidade, para um time que perdia fora de casa para uma gigante do futebol europeu.

Na primeira chance de Kane, Buffon defendeu o cabeceio à queima roupa. Na segunda, defendeu com a ponta dos dedos. Na terceira, não teve jeito. Kane conseguiu, aos 35min, o importante gol fora de casa.

Após uma jogadaça de Douglas Costa, que fez uma boa partida pelo meio e foi destaque, a Juventus ainda conseguiu outro pênalti no fim do primeiro tempo. Mas Higuaín, que havia desperdiçado uma boa chance em contra ataque, chutou no travessão. Desperdiçou o hat trick e uma vantagem enorme para ser levada para o intervalo.

No segundo tempo, o jogo perdeu ritmo. Até porque o 2 a 1 não estava mau para ninguém. A Juventus decepcionou, porque em nenhum momento apertou para ampliar a vantagem. O Tottenham manteve a posse de bola, jogou no campo da Juve, mas sem se expor demais.

Ganhou um prêmio após falta sofrida por Dele Ali nas proximidades da área. Eriksen bateu rasteira, no canto de Buffon, que deu um passinho para o lado e levou o gol no contrapé. Falha (raríssima) de Buffon.

O 2 a 2 colocou justiça no placar, o Tottenham fez por merecer o resultado.

E agora joga por qualquer vitória e empates por 0 a 0 ou 1 a 1 para se classificar em Wembley. O favoritismo vai todo para o time inglês, e a Juve que se vire para fazer em Londres o que não fez em casa.


Conseguirão os “novos ricos” PSG e City mudar o status quo da Champions?
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Julio Gomes

É a batalha do velho contra o novo. A tradição histórica de grandes títulos contra o fenômeno recente bancado por dinheiro estrangeiro. A Liga dos Campeões da Europa volta nesta terça-feira para a fase de mata-mata, com os jogos de ida das oitavas de final. E o que todo mundo quer saber é: será que Paris Saint-Germain e Manchester City serão capazes de quebrar o domínio construído por Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique?

Não teremos uma resposta definitiva nesta semana. Mas ela começa a ser construída agora.

Lá se vão dez anos desde a última final de Champions sem a presença de um destes três (Moscou-2008) – desde então, Real Madrid e Barcelona ganharam as três finais que disputaram, e o Bayern, que também chegou a três finais, ganhou uma e perdeu duas. Temos de voltar a 2011 para encontrar uma fase de quartas de final sem a presença dos três. Desde então, três das semifinais tiveram todos eles.

Já PSG e City ainda lutam para chegar a sua primeira final.

O PSG havia sido campeão francês pela última vez em 94 quando, em 2011, foi comprado pelo dinheiro do Catar. Desde então, ganhou quatro vezes o título na França (ganhará pela quinta vez este ano), mas não conseguiu superar a barreira das quartas de final na Europa – o clube chegou a uma semi de Champions em 95, nos tempos de Weah e Raí.

Já o Manchester City, comprado por dinheiro dos Emirados Árabes em 2008, foi capaz de chegar à semifinal europeia em 2016, mas esta foi a única boa campanha internacional – domesticamente, o clube ganhou duas Premier Leagues e caminha para a terceira. O City havia sido campeão inglês pela última vez em 68 e chegou a frequentar a terceira divisão nos anos 90.

PSG e City não são clubes sem torcida ou tradição. Apenas nunca foram clubes capazes de dominar o futebol de seu país e muito menos fazer cócegas na Europa. Isso só é possível agora porque os talões de cheque dos sheiks árabes são gordos e com fundos ilimitados.

O mesmo aconteceu com o Chelsea, o primeiro dos ricaços fabricados artificialmente. No caso, o dinheiro era russo. Como a compra do clube ocorreu em 2003, já até nos acostumamos. O Chelsea era maior e mais tradicional que o City, até por estar em uma área rica de Londres, mas também não vencia o Inglês desde 55. Com o dinheiro russo, ganhou cinco vezes a Premier e conquistou a Champions em 2012, justos dez anos após vira “novo rico”.

Se dez anos é o prazo necessário de investimentos para conquistar o continente, chegou a vez do City, de Guardiola. E o PSG, de Neymar, ainda terá de esperar mais três aninhos.

O City abre as oitavas de final nesta terça jogando na Suíça, contra o Basel. É uma das barbadas desta fase, e o ex-primo pobre de Manchester deve chegar às quartas de final pela segunda vez em sua história.

O outro jogo da terça reúne Juventus e Tottenham, com partida de ida na Itália. A Juve, finalista em duas das últimas três Champions, é forte candidata de novo. E está voando, com 11 vitórias seguidas pelo Italiano e Copa da Itália. Mas tem desfalques importantes e será uma pedreira a eliminatória contra um Tottenham que vem de ótimas temporadas e que vive seu melhor momento na atual. Não perde há 12 jogos, desde que dois meses atrás foi goleado pelo City.

Todas as atenções estão voltadas, no entanto, para o duelo de quarta-feira entre Real Madrid e PSG, com jogo de ida na Espanha.

Porque é o duelo que representa essa batalha do gigante tradicional contra o ex-pequen00o que virou grande e sonha com voos bastante altos. O duelo entre o 12 vezes campeão da Europa e o zero vezes campeão da Europa. A presença de Cristiano Ronaldo e Neymar em campo dá rostos a este duelo – também é um encontro entre quem já é (CR7, dono de cinco Bolas de Ouro) e quem quer ser (Neymar).

Com a primeira partida no Bernabéu, onde o Real tropeçou em simplesmente a metade de seus jogos em casa na temporada, a responsabilidade é toda do atual campeão. Não vencer significará ficar com a vida dura demais para a volta, em Paris.

 


Os ricaços que me desculpem, mas o Napoli é a grande história da Europa
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Julio Gomes

PSG, City. City, PSG. Neymar, Guardiola. Guardiola, Neymar. Dólares. Euros. Libras. Qualidade.

Napoli. Pizza. Maradona. Paixão. Loucura. Qualidade.

Nomes próprios trazem “sinônimos” diversos, ainda que alguns sejam comuns a eles.

Se estamos falando há meses dos que parecem ser dois dos melhores times da Europa, o PSG e o Manchester City, é porque o dinheiro fez com que isso fosse possível. O PSG foi comprado pelo Qatar. Isso mesmo, o país. O Qatar comprou o time de Paris. O City foi comprado pelos Emirados Árabes Unidos. Dinheiro de famílias reais. Que patrocinam algumas coisas não tão louváveis assim pelo mundo.

Não vou ser poliana. Muito dinheiro jogado em futebol é geralmente fruto de picaretagem e exploração. E isso não acontece só nesses dois clubes. Acontece em vários lugares.

Mas, por serem clubes de uma história pouco (ou quase nada) vencedora antes desses aportes, fica uma percepção de artificialidade. Muita qualidade. Muita bola. Muita gente top do futebol mundial. Não temos por que não admirar. O difícil é amar.

Paixão está em Nápoles.

O Napoli estava quebrado em 2004. Quebrado. Falido. Foi resgatado pelo produtor de cinema Aurelio De Laurentiis, o atual presidente. Que vá lá, não é flor que se cheire, tem sobre ele acusações de lavagem de dinheiro, etc. Mas caramba, estamos falando do clube que representa todo o Sul (pobre) da Itália. O Napoli não podia simplesmente deixar de existir.

Depois de passar pela terceira e segunda divisões, o Napoli voltou. Nesta década, nos últimos sete campeonatos, ficou sempre entre os cinco primeiros. Passou a ser figura constante na Champions League. Ganhou duas Coppas Itália. Só falta realmente o título da Série A. E a hora é agora.

Após 24 rodadas, o Napoli soma 63 pontos. São 20 vitórias, 3 empates e apenas a derrota em casa, justamente para a Juventus. A toda-poderosa hexacampeã italiana tem 62 pontos. Já são sete rodadas seguidas com os dois times ganhando seus jogos. Mas a desse fim de semana de Carnaval, a 24ª rodada, foi especial.

Especial porque a Juventus ganhou na sexta-feira em Florença, um estádio difícil, um jogo sofrido, em que a Fiorentina teve inúmeras chances de sair na frente do placar. Especial porque o Napoli, pressionado, jogou contra a terceira colocada, a Lazio, e saiu perdendo logo de cara. Parecia ser o fim. A rodada que, a priori, poderia ser de tropeço juventino e vitória napolitana, ia se transformando na rodada de pesadelo para o Napoli.

Mas quem joga bola, joga bola. E o Napoli, com o futebol leve e envolvente promovido pelo surpreendente técnico Maurizio Sarri, virou para 4 a 1 para cima da Lazio. Voltou à liderança e mandou o recadinho para a Juventus. “Siamo qui”. Estamos aqui.

Mesmo a quilômetros de distância, separado por um oceano, foi possível sentir pela TV o clima do estádio San Paolo. É comoção pura.

Se é verdade que o confronto do segundo turno entre eles será em Turim e o Napoli ainda enfrentará Milan e Inter fora, a Juventus está envolvida com Champions League, Coppa Itália e jogará fora contra Lazio, Roma e Inter. Tem muita água para rolar.

Mas o fato é que o Napoli é a grande história a ser seguida nesta temporada.

Com todo respeito aos investimentos de PSG e City, que realmente têm tudo para desafiar o domínio europeu recentemente estabelecido por Real Madrid, Barcelona e Bayern, a história do Napoli é a mais linda, é a mais raiz.

Eu cresci tendo na Juventus o meu “time da Europa”. Torcia muito, de verdade. Era fanático. Em uma era pré-Internet, ia atrás de informações de todos os modos, aprendi a falar italiano, queria morar em Turim (que erro!). Meu pai, só de farra, resolveu “virar” torcedor do Napoli. Nos primeiros anos, ele se deu bem. Eram os anos de Maradona e dos únicos dois títulos italianos da história do Napoli. Depois disso, logicamente, a Juve continuou sendo o que sempre foi: uma máquina de títulos.

Eu perdi o entusiasmo quando comecei a trabalhar com esporte e acompanhar o futebol com outros olhos. Tenho uma linda camisa 8 que me foi presenteada por Emerson, em 2006. Sigo gostando da Juve, mas não como antes.

Hoje, me flagro torcendo contra a Juventus e a favor do Napoli. Se forem campeões, comprarei uma camisa azul para meu pai. Promessa feita.

 


Neymar comanda PSG às vésperas do que realmente importa
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Julio Gomes

O Paris Saint-Germain não deveria ter colocado Neymar para jogar hoje. Começando a rodada da Ligue 1 com mais de 10 pontos de vantagem para a concorrência, o PSG já sabe que reconquistará a coroa francesa. Ganhar ou perder do Toulouse, um time a um ponto da zona de rebaixamento, não faria diferença alguma.

Cavani e Thiago Silva foram poupados. Neymar, não. E, não fosse ele, o PSG, de fato, talvez tivesse tropeçado em Toulouse. Além de ter feito o único gol do jogo, Neymar chamou para si a responsabilidade de ganhar a partida.

Chamou da maneira correta. Jogando, encarando quando tem que encarar, distribuindo o jogo, desmontando a defesa rival. Sem chiliques, sem humilhações, sem esfomear. Foi um jogo trivial para um craque, como ele é. Este é o Neymar que eu, particularmente, gosto de ver.

OK, o PSG ganhou mais uma na França. Mas todos sabem o que realmente importa. É a Liga dos Campeões, é o confronto contra o atual bicampeão da Europa e maior vencedor da competição. Quarta-feira tem Real Madrid x PSG, partida de ida das oitavas de final.

O duelo entre quem é e quem quer ser.

É ano de Copa de Mundo. Haverá muitos “jogos do ano” até 31 de dezembro. Este é o primeiro deles. É o jogo do ano, é o jogo que o mundo vai parar para ver.

No ano passado, ainda sem Neymar e Mbappé, o PSG enfiou 4 a 0 no Barcelona nesta mesma fase. Para depois levar 6 a 1 na volta, obra da maior atuação de Neymar com a camisa do Barça e, claro, obra também do árbitro, que foi decisivo para a goleada histórica.

Portanto, qualquer que seja o resultado de Madri, ele não será definitivo. Ainda haverá a volta, em Paris. Mas, convenhamos, o primeiro jogo é muito mais do que meio caminho.

O PSG chega a essa partida tendo passado por poucos desafios reais na temporada. Passeia na França, com 21 vitórias em 25 jogos, média de 3 gols por partida. Já está na final da Copa da Liga e vivo na Copa da França – fatalmente, fará o triplete doméstico. Quando enfrentou o Bayern na fase de grupos da Champions, ganhou com autoridade em Paris, mas sofreu uma derrota dura em Munique.

Quer queira quer não, há uma grande interrogação sobre o PSG antes deste que é O jogo. O time é fantástico, as peças estão lá e Neymar voa na temporada. Mas esta é a hora H, e na hora H alguns crescem, outros somem.

Importante dizer que as interrogações também rondam o Real Madrid. Já sem chances de título na Espanha e eliminado vexatoriamente da Copa do Rei – por um time minúsculo e em casa. O Real não convence ninguém e já deu vários papelões na temporada. Mas quem duvida desses caras?

Assim como no momento do sorteio, o PSG vive melhor momento. É ligeiro favorito, segundo as casas de apostas. Mas quem quiser arriscar, que arrisque. Há muito tempo não temos um confronto tão 50-50 como este da Champions. Chega logo, quarta-feira!

 


Lesão de Mbappé deixa Neymar ainda mais em evidência
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Julio Gomes

Neymar e Mbappé chegaram juntos ao PSG, as maiores transferências da história. Presente e futuro, para elevar o nome do time e para levar Paris ao topo da Europa.

É claro que são jogadores com peso diferente. Neymar, seis anos mais velho, é um postulante a melhor do mundo agora. Mbappé, daqui a alguns anos.

Mas o fato é que o garoto vinha tendo impacto imediato nesta temporada. Foi titular em todos os jogos importantes do PSG (não podemos nos enganar com algumas esquentadas de banco em partidas menores) e mostrou grande conexão com Neymar e Cavani. É um jogador, além de talentoso e com faro de gol, com grande leitura de jogo. Posicionamento e tomadas de decisões quase sempre perfeitos.

A lesão que tira Mbappé dos gramados por dois meses fará com que o PSG jogue sem ele contra o Real Madrid, pelas oitavas da Champions League.

Mais um peso nas costas de Neymar, já não bastasse toda a responsabilidade que o melhor jogador brasileiro da década leva em suas costas.

É evidente que uma eventual eliminação para o Real fará todas as câmeras apontarem para Neymar. Mas não era tão evidente que passar desta eliminatória dependesse 110% de grande atuações coletivas e individuais de Neymar. Agora, é.

Mbappé tinha tudo para ser um nome próprio desta eliminatória. Quase contratado pelo Real no verão, com sede de mostrar serviço. E podendo aproveitar uma situação de mais liberdade de jogo, dada a atenção especial que Zidane dará a Neymar.

O PSG tem vários jogadores de alto nível para substituir Mbappé, como Di María ou Draexler. Mas ninguém mete medo como o garotão francês. Casemiro ficará muito mais tranquilo para caçar Neymar pelo campo. Muitas vezes esses jogadores coadjuvantes salvam a pele do protagonista ou mesmo fazem um trabalho que permita à estrela maior brilhar ainda mais.

Neymar perde um grande parceiro para os confrontos contra o Real. Talvez seu melhor parceiro, certamente o mais brilhante. A batata em seu colo esquenta ainda mais.

 


Neste momento, Barcelona precisa mais de Mina do que de Coutinho
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Julio Gomes

Que Philippe Coutinho iria para o Barcelona, todos sabíamos faz tempo. Afinal, existe uma velha máxima no futebol que a cada janela de transferência se revela verdadeira. O jogador vai jogar onde quiser jogar. A vontade dele sempre prevalece – especialmente quando falamos do altíssimo nível.

E Coutinho queria ir para o Barcelona. O Liverpool tentou bravamente segurá-lo. Jogou duro. Mas, quando não tem jeito, não tem jeito. Pelo menos ainda conseguiu surfar na onda das mega transações, e esta virou a segunda mais cara de todos os tempos – atrás apenas da de Neymar, vai virar a terceira quando o PSG pagar o combinado por Mbappé no verão europeu. A lista completa está aqui.

Os valores estão aumentando tanto e tão rápido que uma multa rescisória como a de Griezmann, do Atlético de Madri, de apenas 100 milhões de euros, parece dinheiro de pinga.

Como dinheiro de pinga será para o Barcelona, mas não para o Palmeiras, tirar Mina do clube verde seis meses antes do previsto. O Palmeiras vai se beneficiar duplamente. Primeiro, porque ganhará mais dinheiro. Segundo, porque ter Mina não será essencial no primeiro semestre.

Sim, eu sei, tem Libertadores, grupo do Boca Jrs, etc. Mas não é pela presença (ou não) de Mina que o Palmeiras vai passar ou não de fase. O Paulista é irrelevante hoje em dia, e o Brasileiro só começa para valer depois da Copa do Mundo. É até bom para Roger já treinar o time desde o começo com os zagueiros com quem contará. É melhor pegar o dinheiro, já que o Barça está querendo gastar.

E quer gastar porque precisa. Muito. Umtiti, da seleção francesa, titular da zaga, sofreu lesão grave. Mascherano foi embora para a China. Neste momento, o Barcelona precisa de zagueiro e faz-se necessária a chegada de Mina.

O colombiano é muito mais importante para os planos do clube neste semestre do que Philippe Coutinho.

Isso porque o Barça já é virtual campeão espanhol. E, por já ter defendido o Liverpool, o “mágico” não poderá atuar mais na Champions. Para voltar a ser campeão da Europa, o Barça precisa demais reforçar a defesa – e rezar para nem Messi nem Suárez se lesionarem.

Este cenário – Liga doméstica quase decidida e Champions sem Coutinho – é o que faz muita gente questionar o momento da transação.

Se ele chegasse em julho, depois da Copa, teria mais sentido para todo mundo, e Coutinho seguiria jogando a Champions pelo Liverpool, até com chances de título, por que não. Mas o Barça não quis arriscar. O mercado da bola é muito dinâmico, então era melhor resolver logo a questão.

Coutinho quer dar sequência a uma história de sucesso de brasileiros no Barcelona. Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Ronaldo, Romário, Evaristo… isso sem falar nos tantos coadjuvantes, alguns deles muito importantes para o clube (Deco, Belletti, Daniel Alves, Edmilson, etc, etc).

E chega em um momento melhor do que se tivesse sido contratado no meio do ano passado, quando o clube acabara de perder Neymar e ele chegaria com todo esse peso nas costas. Meses depois, o Barça já está recuperado daquele mercado horroroso e resolveu as coisas esportivamente antes do que todos imaginavam.

É claro que, para o futuro do clube, não há comparação entre Mina e Coutinho. Philippe chega para fazer história. Um jogador dinâmico e versátil, que pode atuar em várias posições do meio para frente. Pode fazer de Iniesta, pode fazer de Messi, pode fazer de… Coutinho. É craque. É um jogador que dá muitas alternativas táticas ao clube, e a seleção se beneficiará por ter lado a lado dois caras que começarão jogando a Copa – ele e Paulinho.

Mas, para os próximos quatro meses, Coutinho é um luxo. Mina, uma necessidade.