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Juve supera expulsão exagerada de CR7 e mostra a que veio
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Julio Gomes

A Juventus chegou a duas finais de Champions nas últimas quatro temporadas. É multicampeã italiana, uma camisa pesadíssima. Não é novidade considerá-la uma das favoritas ao título europeu.

Mas é lógico que a chegada de Cristiano Ronaldo mudou o status do clube.

Pois bem. Eis que na estreia de CR7 pela Juve na Champions, ele é expulso com 29min de jogo pelo árbitro alemão Felix Brych. Considero exagerado o vermelho direto. Cristiano se enrosca na área com Murillo e depois dá uma espécie de puxada de cabelo no adversário, que estava caído. Agressão? O árbitro auxiliar de linha de fundo considerou que sim. Eu achei um exagero completo.

Foi tipo Diego Souza expulso outro dia, no Brasileiro, contra o Fluminense. Deu margem para o juiz expulsar? Deu. Foi infantil? Foi. Mas merecia o vermelho? Não. Cristiano até chorou em campo de tanta raiva, algo raro de ver. É a imagem mais forte desta primeira rodada da fase de grupos da Champions.

E como a Juventus iria reagir a essa expulsão, jogando em Valência, contra um bom time?

Não há jeito melhor de reagir do que dando um murro na mesa. O Valencia fez dois pênaltis bestas (bem marcados), Pjanic cobrou bem os dois e, de resto, foi se defender com aquela concentração típica dos times italianos. Ainda teve pênalti defendido pela Juve nos acréscimos.

O fato é que a Juventus tem um senhor time de futebol e passou com louvor do teste. Com um a menos por dois terços da partida e sem Cristiano Ronaldo, foi lá e ganhou do Valencia.

O Real Madrid ganhou bem da Roma, assim como o fizeram Bayern de Munique e Manchester United, fora de casa, contra Benfica e Young Boys.

A grande zebra da primeira rodada foi a derrota do Manchester City para o Lyon, na Inglaterra.

Os “novos ricos” City e PSG foram os dois favoritões que perderam na estreia. Vão ter de remar para fazer história.


Klopp é o técnico que melhor entende o futebol da atualidade
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Julio Gomes

Pep Guardiola, José Mourinho, Diego Simeone, Zinedine Zidane. Não são poucos os técnicos badalados do mundo, e possivelmente todos eles mereçam os elogios e salários que recebem. Mas será que não subestimamos Jurgen Klopp?

O homem é o último a ter derrubado o Bayern de Munique na Bundesliga. Ficou a minutos de vencer a Champions com o Borussia Dortmund. Perdeu outra final, a de meses atrás, porque seu goleiro fez as lambanças que fez contra o Real Madrid. É a nêmesis de Guardiola, considerado por muitos, inclusive este escriba, o gênio dos gênios.

Creio que, neste momento, não haja técnico que entenda melhor o espírito do futebol mundial. O jogo se transformou. Hoje, há muita intensidade física, a disputa não para e os atletas precisam se multiplicar. Os torcedores, no estádio ou pela TV, querem ver correria e gols.

Não é à toa que os torcedores dos times de Klopp amem o alemão de paixão. Além de seus times serem legais de ver, eles vencem jogos e o treinador vive cada minuto da partida como se fosse o último da vida. A entrega dele é total. E a de seus comandados, logicamente, também.

Há outros técnicos que conseguem arrancar isso de seus jogadores. Mas talvez não consigam divertir as pessoas que estejam assistindo aos jogos.

O Liverpool foi o melhor time em campo durante todo o jogo contra o Paris Saint-Germain, neste dia de abertura da Liga dos Campeões da Europa. Venceu por 3 a 2, com um gol de Firmino nos acréscimos, mas poderia ter goleado. Estamos falando de dois dos favoritos ao título. Foi um jogaço.

O Liverpool é um time que pressiona demais o adversário. Quando tem a bola, imprime velocidade, empurra, joga com muita verticalidade. Quando não tem a bola, morde o tempo inteiro e em todas as linhas, em todas as partes do campo. É alucinante, a 200 por hora o tempo todo.

Letal no ataque e seguro na defesa, coisa que não era antes da chegada de Van Dijk. Talvez o detalhe a ser corrigido seja a falta de atenção nos 15 minutos finais das partidas. Tem que matar antes ou então saber se defender melhor no fim.

O Liverpool fez 2 a 0 no primeiro tempo sem muitos problemas contra o PSG e só levou um gol de Meunier porque o trio de arbitragem não apontou o impedimento de Cavani no lance – chega a ser surreal que a Champions não tenha o bendito VAR.

No segundo tempo, o normal seria vermos o PSG pressionar em busca do empate. Pode até ter tentado. Não conseguiu. O Liverpool foi o melhor time em campo e teve várias chances de ampliar o marcador.

Vou inventar uma frase nova agora: quem não faz, toma. O jogo estava mortinho. Um passe errado de Salah foi suficiente para, em um roubo de bola de Draxler, Neymar acelerar a jogada e ela sobrar para Mbappé empatar. O Paris mal sabia como tinha conseguido chegar ao 2 a 2.

Mas a intensidade dos times de Klopp é inesgotável. Apesar da ducha de água fria, o Liverpool foi para cima, empurrou e chegou ao merecido 3 a 2.

O Paris começou a temporada passada atropelando o Bayern e acabou sendo eliminado logo nas oitavas pelo Real Madrid. Perder hoje não quer dizer muita coisa. Mas há muito o que corrigir. Não tem muito sentido Neymar jogar como armador, ele precisa de espaço, de campo, do 1 contra 1, precisa estar perto do gol para fazer o que sabe fazer melhor: gol.

 


Neymar teve seus melhores anos após Copas. Será a Champions da redenção?
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Julio Gomes

Era o dia 22 de junho de 2011. Pacaembu. Final de Libertadores da América. Neymar fez um gol, o Santos ganhou do Peñarol e voltou a conquistar o título que não via desde os tempos de Pelé. Menos de um ano antes, era disputada a decisão da Copa do Mundo da África. Uma Copa em que a seleção brasileira foi eliminada nas quartas de final e para a qual Neymar possivelmente devesse ter sido convocado por Dunga.

Vamos agora a 6 de junho de 2015. Berlim. Final de Champions League. Neymar fez um, o Barcelona ganhou da Juventus e voltou a conquistar a Europa. Menos de um ano antes, era disputada a decisão da Copa do Mundo do Brasil. Uma Copa em que a seleção brasileira foi eliminada nas semifinais, naquele 7 a 1 contra a Alemanha que não teve participação de Neymar, pois ele se machucara nas quartas, contra a Colômbia.

Finalmente, chegamos a 2018. O Brasil acaba de cair na Copa da Rússia nas quartas de final, e Neymar saiu do Mundial como piada, por seus exageros e simulações. Daqui a menos de um ano, em junho de 2019, será disputada, em Madrid, a final da Champions, que dá o pontapé para sua fase de grupos nesta terça-feira.

Começa o torneio de futebol mais importante do mundo. E Neymar busca, pela enésima vez na carreira, a redenção. O tempo, para quem busca glória e conquistas pessoais, está passando rápido.

Para o Paris Saint-Germain, clube que contratou o jogador na maior transação da história e que virou um protagonista no mercado com o dinheiro do Catar, não estar nessa final de 2019 será nada menos do que uma enorme frustração. Um fracasso.

Em 2010, logo após a frustração de não ir à Copa, Neymar levou o Santos ao título da Copa do Brasil e começou com tudo sua história na seleção (chamado por Mano). No primeiro semestre de 2011, foi artilheiro do Santos e terceiro goleador da Libertadores na campanha do título. Em 2014, logo após a frustração da Copa em casa e de um ano de adaptação ao Barcelona, Neymar voou, fez 10 gols na campanha do título europeu, dividiu a artilharia com Messi e Cristiano Ronaldo e se colocou como postulante a melhor do mundo.

Neymar vem de nova frustração em uma Copa. E de um ano de adaptação ao PSG. Ele pode se agarrar a vários paralelos. Indiscutivelmente, os 11 meses que se seguiram aos Mundiais de 2010 e, depois, 2014, foram os melhores de sua carreira. Em 2011, se reivindicou como uma realidade nacional. Em 2015, internacional.

E em 2018/19, o padrão de sucesso pós-Mundial será mantido?

Não importam os gols e as vitórias fáceis na França. O que importa para o Paris é a Champions. E o time é um dos favoritaços a levantar a taça.

Nas casas de apostas, o principal favorito é o Manchester City, de Guardiola. Depois, vêm o Barcelona, de Messi, a Juventus, de Cristiano Ronaldo, e o PSG, de Neymar (ou de Mbappé?). Atrás deles todos, o tricampeão Real Madrid. Ou seja, os algoritmos consideram que a mudança de CR7 para a Itália é suficiente para catapultar a Juve e jogar o Real para a condição de quinta força. Logo atrás, vêm o Bayern de Munique e o Liverpool.

O Liverpool, algoz do City e finalista da Champions na temporada passada, se reforçou, ganhou os cinco jogos que fez até agora na Premier League (lidera com o Chelsea) e é o primeiro adversário do Paris, no grande jogo desta terça.

Sabemos que a fase de grupos da Champions tem reservado poucas surpresas. Ser primeiro do grupo é sempre uma vantagem, pois aumenta as chances de enfrentar um rival mais fácil nas oitavas ou, pelo menos, decidir em casa contra um rival de mesmo porte.

Na temporada passada, o Paris, primeiro de um grupo que tinha o Bayern, acabou emparelhado com o Real Madrid nas oitavas e dançou. Entre um jogo e outro, Neymar se machucou, escapando da eliminação em casa – assim como escapara do 7 a 1, em 2014.

Ser primeiro do grupo, pois, não é obsessão de quase ninguém na Champions. Mas jogos como este Liverpool x PSG desta tarde servem para medir forças logo no início da temporada. É o grande duelo do dia e da primeira rodada.

Depois do papelão na Rússia e da frustrante primeira temporada com o PSG, Neymar começa mais uma caminhada de redenção. Desta vez, não só esportiva, mas a redenção de sua imagem perante o mundo e os fãs. O ano em que Neymar precisa, de todas as formas, aparecer no noticiário somente pela enorme bola que joga.

Será que ele cumprirá a missão que lhe foi dada a peso de ouro pelos donos do clube? Será que, menos de um ano após uma Copa, ele estará, pela terceira vez, com as mãos em um troféu de relevância gigantesca?

Meu palpite é que sim. Mas a caminhada é longa. E é grande o desafio de controlar a fogueira das vaidades dentro de um clube que tem menos peso do que o vestiário. É arriscado o palpite. Mas é um bom palpite. Neymar já fez isso antes.

 


Champions tem fases de grupos cada vez mais previsíveis
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Julio Gomes

OK, OK, temos um grupo que arregala os olhos de todo mundo! Barcelona, Tottenham, Internazionale e PSV Eindhoven.

Uau! Talvez, apenas TALVEZ, se a Inter realmente acertar uns bons jogos, esse grupo saia do trivial, que seriam as classificações de Barcelona e Tottenham. Sim, certamente iremos assistir atentamente aos duelos entre esses três. E fingir que o PSV pode ameaçar alguém, afinal, já foi time de Romário e Ronaldo um dia…

(suspiro)

A Champions não é mais a mesma. Pelo menos na fase de grupos. Na era das superpotências, a competição ficou extremamente previsível antes do mata-mata. A classe média da Europa está tão achatada quanto nossa classe média da vida real no Brasil.

Ela olha para cima, para os ricaços, achando que um dia pode ser um deles (ou voltar a ser). Mal percebe que, na realidade, está muito mais perto do grupo gigantesco de pobres, sem chance alguma na vida.

Benfica, Ajax, PSV… eles já ganharam a Europa um dia. Hoje, não ameaçam mais do que Hoffenheim, Brugge ou Viktoria Pilsen.

O grupo citado, com Barcelona, Tottenham, Inter e PSV, é o grupo B. Como já disse, surpreendente será se a Inter conseguir tirar Barça ou Tottenham – que é fortíssimo e no ano passado jogou o Real Madrid para o segundo lugar de seu grupo.

O grupo C é o outro que está sendo chamado de “da morte”, pois tem PSG, Liverpool, Napoli e o Estrela Vermelha, campeão de 1991 e que recebe os jogos no caldeirão de Belgrado, chamado por eles de “Marakana”.

Mas esse grupo é da morte só para o Napoli, mesmo.

No grupo A, difícil não imaginar que Atlético de Madrid e Borussia Dortmund deixem Monaco e Brugge para trás.

O D é o mais equilibrado, sem favoritos entre Lokomotiv Moscou, Porto, Schalke 04 e Galatasaray. Quaisquer dois podem passar – para dificilmente avançarem após as oitavas. É imprevisível porque não tem nenhum grande time, ou seja, tão imprevisível quanto desinteressante.

No grupo E, o Bayern passa com folgas, Benfica e Ajax fazem o outrora clássico pela “glória” de chegar às oitavas. Olharemos com carinho para os duelos clássicos entre Bayern e Benfica, Bayern e Ajax, relembraremos dias maravilhosos dos anos 60 e 70, apenas para tomarmos um choque de realidade com o placar final desses jogos.

No grupo F, o Manchester City passa com folgas e deixa para Lyon, Shakhtar e Hoffenheim a briga pelo segundo lugar. No grupo G, o Real Madrid não terá problemas contra Roma ou CSKA Moscou. Esses dois, City e Real, possivelmente estarão mesclando titulares e reservas nas rodadas finais, lá para novembro e dezembro.

E o grupo H é parecido com os grupos B e C. Tem cara de grupo da morte… do Valencia. Juventus e Manchester United estão léguas à frente em termos de time, orçamento, etc, e qualquer coisa que não seja a classificação dos dois será surpreendente.

A fase de grupos terá vários jogões. Juventus x Manchester United, PSG x Liverpool, Barcelona x Tottenham, Atlético x Dortmund… mas em regra essas partidas mais decidirão primeiro lugar dos grupos, o que nem é tão visto na Europa como a coisa mais relevante do mundo. A competitividade é baixa nesta fase do torneio. Sobram clássicos entre favoritos, mas que são jogos sem transcendência.

A que isso se deve? Fácil apontar o dedo para a Uefa e a decisão de colocar mais campeões nacionais (de países de futebol muito abaixo) na fase de grupos. Mas o buraco é mais profundo do que isso. Mesmo se estivessem aqui camisas mais conhecidas que foram ficando pelo caminho (Spartak Moscou, Fenerbahce, Celtic) ou que entrassem mais times médios dos grandes centros… que diferença faria? Nenhuma.

Fair play financeiro, teto de gastos e salários, grupos maiores… sei lá. Alguma solução a Uefa vai precisar dar. Ou os clubes. Competição esportiva precisa de organização, qualidade, tudo isso. Mas também de um pouco de imprevisibilidade.


Europeus precisam fazer algo para criar imprevisibilidade
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Julio Gomes

Falar que as ligas europeias estão em declínio pode parecer um devaneio. Estádios cheios, muito dinheiro envolvido, os maiores craques do futebol mundial, grandes salários e volume de dinheiro em transferências. O interesse global é inegável. Mas, se olharmos com lupa, tem algo que não está certo. E que fatalmente vai exigir mudanças no futuro próximo. A previsibilidade.

Neste fim de semana, começam os campeonatos na Inglaterra e na França. Semana que vem, Espanha, Itália e Alemanha. São as cinco ligas domésticas mais importantes da Europa. Se você quiser apostar agora em Manchester City, PSG, Barcelona, Juventus e Bayern de Munique campeões nacionais, a chance de acerto beira os 100%.

O único risco maiorzinho aí é apostar no Barça. Afinal, o Real Madrid, mesmo em transição e sem Cristiano Ronaldo, está no mesmo campeonato. Mas os outros quatro… é difícil, muito difícil, quase impossível, imaginar que um deles não será campeão.

Vivemos a era das grandes potências. O que ela tem gerado? Na Champions League, uma fase de grupos monótona e previsível. E um mata-mata espetacular, porque é quando, afinal, esses times todos se enfrentam. E, no mata-mata, os (um pouco) mais fracos podem superar os mais fortes. Como aconteceu na temporada passada, com o Liverpool eliminando o Manchester City (no Campeonato Inglês, o City ficou 25 pontos na frente do Liverpool, o que dá a dimensão da diferença entre os times).

O espetacular mata-mata envolvendo todas as potências europeias nos faz pensar que tudo está bem. Poucos notam que, em fevereiro/março, quando começam estes confrontos, as ligas domésticas estão todas resolvidas. Até por isso é raro vermos lá debates sobre poupar ou não poupar jogadores, um debate que pega fogo aqui no Brasil nestes dias.

Quando olhamos os jogos dos timaços e os clássicos domésticos na TV nos fins de semana, parece que as ligas domésticas europeias são só alegria. Mas, fora de Inglaterra e Alemanha, tem muito estádio vazio e jogo despertando interesse zero

Apenas como medida do tamanho do favoritismo dos times citados em suas ligas domésticas, o blog foi buscar em site de apostas (o Bet365) as cotações para títulos neste início de temporada. Os números abaixo se referem ao valor retornado para cada unidade apostada. Se o apostador colocar 1 dólar no título da Juventus na Itália, por exemplo, irá receber como retorno 1,40 dólar.

Compare as cotações da Champions League (imprevisibilidade total) com as ligas domésticas (previsibilidade máxima):

Champions League: Man City 6,50, Barcelona 7, Juventus 7, Bayern 8, PSG 8, Real 8, Liverpool 12, Atlético de Madrid 15, Manchester United 15.

Inglês: Manchester City 1,66, Liverpool 4,50, Manchester United 11

Espanhol: Barcelona 1,75, Real Madrid 2,62, Atlético de Madrid 9,50

Italiano: Juventus 1,40, Inter 7,50, Napoli 8

Alemão: Bayern de Munique 1,16, Borussia Dortmund 6,50, Leipzig 29

Francês: PSG 1,11, Lyon e Marselha 13

Percebam que um título europeu do Atlético de Madrid ou do Manchester United tem retorno próximo a um título doméstico destes dois. No Bet365, todos os campeonatos acima, exceto o espanhol, tem a possibilidade extra para o apostador adivinhar o “campeão do resto”. Ou seja, Inglês sem City, Italiano sem Juventus, Alemão sem Bayern, Francês sem PSG.

Andei conversando com muitos jornalistas e amigos europeus sobre isso nestes dois meses que acabo de passar na Europa. Não há movimento algum para mudar o estado das coisas. Mas todos concordaram que a chatice das ligas domésticas é tremenda e vai, mais cedo ou mais tarde, exigir mudanças.

Não é normal que o PSG ganhe as três competições domésticas na França e a temporada seja considerada um fracasso, pela derrota na Champions. Não é normal o Barça conseguir tantos dobletes na Espanha, coisa que era raríssima no passado, e pouca gente dar bola para isso.

Não é novidade que historicamente alguns times dominam algumas ligas. Mas nunca foi tão fácil, tão previsível. O abismo entre o Bayern e o resto do pacote, hoje, não é muito menor do que o abismo entre o Bayern e os times sul-americanos, por exemplo.

Um alto dirigente da Juventus já andou falando, recentemente, sobre diminuir as ligas domésticas e criar uma Champions League com grupos maiores antes do mata-mata, mais datas europeias, mais confrontos entre os grandes.

Este é um caminho mais realista, me parece, do que outros, do tipo criar mata-matas nas ligas domésticas ou então tetos orçamentários para diminuir o abismo – que é a fórmula encontrada nos esportes americanos, entre outros mecanismos.

A distribuição mais justa de dinheiro cria, na Premier League inglesa, uma situação de times médios e pequenos mais fortes, mais competitividade rodada após rodada. O domínio do City no ano passado (e possivelmente neste) não é corriqueiro. Mas a Premier League é a exceção que comprova a regra.

O futebol brasileiro vive realidade oposta à das ligas europeias. Por aqui está tudo tão errado (calendário, amadorismo, etc), mas tão errado, que, mesmo com as diferenças bizarras de dinheiro recebidas pelos clubes de Série A, a imprevisibilidade é a grande marca do nosso futebol. É ruim, mas é bom. Os espetáculos são, em sua maioria, uma tristeza. Mas não saber quem vai ganhar é um componente muito importante de qualquer disputa esportiva.

Não há nada o que possamos ensinar aos europeus. A imprevisibilidade daqui é decorrência de problemas, não de alguma solução. Mais cedo ou mais tarde, no entanto, eles terão de fazer alguma coisa.


Por que ninguém fala deste Real Madrid como o melhor time da história?
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Julio Gomes

Basta ler a coluna na Folha do grande PVC, também blogueiro aqui do UOL, para entender o tamanho da história feita pelo Real Madrid.

É o primeiro tricampeão da era Champions League (já era primeiro o bicampeão), uma era em que é muito mais difícil ganhar o torneio. Antes, enquanto tínhamos o formato de Copa dos Campeões da Europa, o difícil mesmo era disputar o torneio – era necessário ser campeão nacional. A característica da era Champions é que todos os grandões estão sempre na disputa, porque, claro, raramente não ficam entre os três ou quatro primeiros nas ligas domésticas.

Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Juventus, Manchester United, agora os “ricos” Chelsea, City, PSG, enfim. A galera toda está sempre lá, salvo uma ou outra exceção. E é isso que faz da Champions uma competição tão difícil de ser vencida.

Que o Real tenha vencido quatro europeus em cinco anos é um fato estrondoso. Muito mais relevante que o penta do próprio Real lá nos anos 60, quando a competição é criada, ou os tris de Ajax e Bayern e, claro, mais relevante que as quatro conquistas do Barcelona entre 2006 e 2015, com uma espinha dorsal e um jeito de jogar característico.

Quando o Barcelona de Guardiola, Messi, Xavi e Iniesta ganha do jeito que ganha em 2011 – e considerando que aquele time era base e inspiração para uma Espanha campeã do mundo em 2010 e campeã da Europa em 2008 e, depois, em 2012 -, parecia claro que estávamos diante do maior time da história. Maior que o Real de Di Stefano e do Santos de Pelé, pela competição maior de hoje em dia, pelo fato de o futebol ser globalizado (ou seja, os melhores do mundo realmente estão na Champions) e por deixar uma marca, uma impressão digital, quando parecia impossível inventar algo novo no jogo. O resgate triunfal do “jogo bonito”.

Por que podemos discutir se o Barça de Guardiola e Messi é o melhor de sempre, mas não vemos discussões desse tipo sobre o Real Madrid de Zidane e Cristiano Ronaldo?

Não seria a hora de olharmos para Sergio Ramos como um dos grandes zagueiros da história? Não seria a hora de percebermos que, exceção feita à Copa do Mundo, Marcelo tem uma carreira maior que a de Roberto Carlos? Não seria a hora de colocarmos a dupla Kross-Modric em um patamar parecido ao de Xavi-Iniesta? Não seria a hora de vermos que Cristiano Ronaldo é o maior atacante de todos os tempos?

Eu desconfio de alguns fatores que fazem com que muita gente seja tão reativa à ideia de considerar este Real Madrid de 14-18 o maior time de todos os tempos.

É um time que neste mesmo período ganhou seu campeonato doméstico apenas uma vez – neste ano, por exemplo, acabou em terceiro, a 17 pontos do Barcelona. As ligas domésticas, com 38 rodadas, apontam que times conseguem ser mais consistentes, dominantes em todos os jogos, enquanto o mata-mata, claro, dá margem a muito mais coisa.

O Barça de Guardiola, o Real de Di Stefano, o Santos de Pelé eram todos absolutamente dominantes nas competições domésticas.

Guardiola é um gênio do ofício, um cara que consegue enxergar muito além, abstrair, pensar fora da caixa. É desses que deixam a digital, um legado. Qual é até agora a marca de Zidane?

E uma comparação parecida envolve o embate Cristiano-Messi. Os números e a capacidade do primeiro são inegáveis. Mas Messi é fantasia, é genialidade, é fazer aquilo que ninguém espera, aquilo que conexões cerebrais não conseguem enxergar.

Cristiano e Zidane ganham. Messi e Guardiola encantam. Mais ou menos por aí.

Os detratores do Real Madrid vão também olhar para a sorte, para os adversários do mata-mata, para erros de arbitragem que favoreceram o clube nestes quatro títulos. Mas, se olharmos na lupa, o mesmo que argumento que poderia servir para diminuir os feitos do Real pode ser usado para outros. Nos últimos anos, o Barcelona tem sido mais ajudado por arbitragens europeias que o Real Madrid, por exemplo. Em três dos quatro títulos, o Real passou pelo Bayern. Enfim. Não tem muito como ficar colocando “poréns”.

Talvez o título deste ano tenha sido mesmo o menos brilhante, com tantos presentes dados pelos adversários. Mas azar dos outros.

O Real Madrid, eu já disse aqui, só dá presente para a própria torcida, não para os rivais.

Ainda que eu seja um “Messista”, eu também sou “Cristianista”. O cara ruma à sexta Bola de Ouro, faz mais gols que qualquer um, foi campeão europeu com Portugal, ganhou tudo com dois clubes diferentes, mostrando que se adapta a qualquer lugar.

É fácil defender a tese de “Cristiano é o maior de todos”. Muito mais fácil do que defender a tese de “este Real Madrid é o maior time de futebol da história”.

Eu entendo que você não goste dessa ideia. Mas está na hora de, no mínimo, debatê-la. Acho que esse time aí faz por merecer, não fez?

 


Marcelo x Salah é o duelo chave da final da Champions
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Julio Gomes

Chegou a hora. Real Madrid e Liverpool vão decidir amanhã, em Kiev, o título europeu. O Real Madrid tenta se transformar no primeiro a vencer a competição máxima do continente por três vezes seguidas desde o Bayern dos anos 70 – já é o primeiro a ganhar dois seguidos na “era Champions”. O Liverpool, que nunca conquistou o Inglês na “era Premier League”, pode voltar a ser coroado após o “milagre de Istambul”, em 2005, para cima do Milan.

Muito se fala do duelo Cristiano Ronaldo x Salah. A vitória na final seria um passo decisivo rumo à Bola de Ouro – ainda que falte “só” a Copa do Mundo para ser jogada.

Quando todos esperavam o ano de Neymar, após a chegada triunfal ao PSG, foi um egípcio que saiu do nada para se meter entre Messi e Cristiano Ronaldo, dominantes há 10 anos.

Mas não é Cristiano Ronaldo quem irá parar Salah na final deste sábado. A responsabilidade é coletiva. E o setor é o de Marcelo.

Este é o grande duelo da decisão. Marcelo x Salah. Marcelo vive um momento sublime na carreira e é de seus pés que costumam sair as jogadas mais perigosas do Real Madrid.

Pode ser um drible que rompa uma das linhas e gere profundidade. Pode ser uma finalização certeira de fora da área, como a contra o Bayern m Munique. Pode ser uma tabela com um dos atacantes. Pode ser uma daquelas magníficas viradas de jogo, que gera um contra um pelo outro lado do campo.

Muitas vezes o jogo do Real nasce por ali, e Salah é o primeiro jogador a dar o combate.

Não podemos perder de vista que Marcelo está longe de ser perfeito na defesa. Ainda que tenha evoluído, é um ponto fraco do Real e precisa de muita ajuda por ali. É o lado de Salah, um jogador que faz uma temporada surreal.

Há muitos outros duelos que podem definir o jogo, mas é por ali que a final será jogada, estudada, pensada. Quem, entre os dois, ganhar a batalha nas fases ofensiva e decisiva, deixará seu time muito bem encaminhado.


Liverpool foi o único capaz de vencer final do Real nos últimos 52 anos
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Julio Gomes

Real Madrid e Liverpool farão, no próximo dia 26, em Kiev, a final mais premiada da história da Liga dos Campeões da Europa. São 17 títulos somados – 12 do Real, 5 dos ingleses.

Mas os dois não são apenas supercampeões. Eles são também supervencedores de finais.

Se levarmos em conta um mínimo de três finais disputadas, para tirarmos da conta os que venceram a uma ou duas decisões que jogaram, encontraremos em Real Madrid e Liverpool os dois clubes com melhor aproveitamento em finais.

O Real Madrid ganhou 12 e perdeu apenas 3, um aproveitamento de 80%. O Liverpool ganhou 5 e perdeu 2, ou seja, 71,5% de sucesso. Curiosamente, foi o próprio Liverpool que impôs ao Real uma dessas raras derrotas em finais: 1 a 0 na decisão de 1981, disputada em Paris.

O Real ganhou as cinco primeiras Copas da Europa, entre 56 e 60, os anos de Di Stefano, Gento e companhia. Depois perdeu duas finais – em 62, para o Benfica de Eusébio, e em 64, para a Inter de Milão. Voltou a ser campeão em 66. Depois disso, o time da capital espanhola demorou 32 anos para voltar a ser campeão continental, já entrando na era moderna da Champions League.

Entre o hexa, em 66, e o hepta, em 98, a única final disputada pelo Real foi a de 81, quando perdeu para um Liverpool em seu auge europeu.

O Liverpool era dominante na Inglaterra no fim dos anos 70 e início dos 80. Foi campeão europeu em 77, 78, 81 e 84, perdendo a decisão de 85. Depois, na era Champions, conseguiu o milagre de Istambul em 2005, contra o Milan, para depois perder do próprio Milan em 2007 – nestes anos, como agora, o Liverpool não era cotado para chegar à decisão.

Na era Champions League, o Real Madrid ganhou as seis finais que jogou – duas contra a Juventus (98 e 2017), duas contra o Atlético de Madrid (2014 e 16), uma contra o Valencia (2000) e uma contra o Bayer Leverkusen (2002). Somados, todos esses adversários derrotados pelo Real tinham apenas dois títulos máximos europeus (ambos da Juventus, que, ao contrário dos finalistas deste ano, é o clube com pior aproveitamento em decisões).

Portanto, em 10 de seus 12 títulos, o Real enfrentou um time que, na ocasião, nunca havia sido campeão.

Quando os dois gigantes disputaram a final em 81, a competição tinha outro formato, apenas com os campeões nacionais e eliminatórias desde o início. Falando o português claro, era mais difícil entrar no torneio, mas mais fácil chegar até o fim – o que aumenta os méritos do Real Madrid da atualidade.

Em 80/81, o Liverpool havia passado por Oulun (FIN), Aberdeen (ESC), CSKA Sofia (BUL) e Bayern de Munique. O Real Madrid havia passado por Limerick (IRL), Honved (HUN), Spartak Moscou (RUS) e Inter de Milão.

O Liverpool entrou em campo na decisão com oito ingleses e três escoceses. O Real Madrid tinha nove espanhóis, um alemão e um inglês. O que dá bem a noção de como os tempos eram outros. Alan Kennedy fez o gol do título, aos 37min do segundo tempo.


Real Madrid fica a um jogo do inacreditável na Europa
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Julio Gomes

Você sabia que o Real Madrid é o primeiro bicampeão da história da Uefa Champions League? Para a maioria das pessoas que acompanham este blog, isso não é novidade. Ao ganhar a Champions ano passado, repetindo o feito de 2016, o Real se transformou no primeiro clube a ser campeão europeu de forma consecutiva desde que a Copa dos Campeões virou Champions.

Isto não é apenas coincidência. Até 1992, no formato antigo, a Copa dos Campeões era jogada apenas por… campeões. E nem sempre, como sabemos, o campeão de uma liga nacional em um ano mantém o nível no seguinte.

Entre 1955, quando foi criada a Copa dos Campeões, e 1992, nada menos do que oito clubes fizeram pelo menos uma dobradinha de títulos – alguns ganharam até mais do que dois seguidos.

Na era Champions League, passaram a disputar o torneio dois, três, quatro times de cada país europeu. É por isso que os grandes, como Real, Barcelona, Bayern, United, Juventus, etc, estão na Champions ano sim, ano também. Se fizer um mau campeonato nacional e chegar em terceiro, por exemplo, vai pra Champions mesmo assim.

Com tanto time gigante, ficou muito difícil ser campeão de forma consecutiva. Tão difícil que foram 25 anos de competição até o Real Madrid atingir o feito, que era tão corriqueiro antes.

É verdade que criou-se um abismo entre os mais poderosos da Europa e uma classe média que costumava dar muito trabalho. Mas os poderosos são tão poderosos, concentram tanto os jogadores top do planeta, que é inacreditável que o mesmo time ganhe sempre o campeonato mais importante.

Se ganhar a final contra o Liverpool (ou contra a Roma), o Real Madrid terá sido campeão pela quarta vez em cinco anos. Será o primeiro tricampeão seguido desde o Bayern dos anos 70.

O Bayern da atualidade não foi capaz de evitar o feito. E basicamente não foi capaz porque deu dois gols de presente. Um em Munique, o 1-2 presenteado por Rafinha. E um em Madri, dado pelo goleiro Ulreich no começo do segundo tempo. O Bayern foi melhor que o Real em três dos quatro tempos da eliminatória. Isso já tinha sido assim no confronto entre eles ano passado. Deixou a eliminatória aberta até o fim. Fez gols, perdeu gols, consagrou Navas, foi superior.

O Real Madrid já havia passado no sufoco contra a Juventus antes. E teve muita sorte nas finais contra o Atlético em anos anteriores. Podemos empilhar as eliminatórias que o Real ganhou sabe-se lá como nestes anos todos. Com Cristiano Ronaldo fazendo rigorosamente nada em dois jogos, brilhou Keylor Navas, um goleiro subestimado.

O Bayern foi melhor. Mas deu dois presentes. Alguém se lembra de o Real Madrid dar presentes para os adversários nos últimos cinco anos? Pois é. Presente do Real, só para sua torcida.


Real Madrid é uma máquina de fazer times pagarem por seus pecados
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Julio Gomes

Quantas vezes já vimos essa história? O time joga bem contra o Real Madrid. Pode ser um pequeno, de forma surpreendente. Pode ser um gigante, tipo Bayern de Munique. Perde um gol. Perde outro. Domina. E…. pumba.

Foi a história do jogo desta quarta, em Munique. Uma cidade em que o Real Madrid havia perdido nas dez primeiras visitas que fizera na história, mas onde ganha agora a terceira de forma consecutiva. O Bayern era a “bestia negra”. Virou freguês em casa.

Zidane montou o Real de forma cautelosa, sem Benzema ou Bale, com Cristiano Ronaldo isolado na frente e Lucas Vázquez no time para marcar pelo lado. Povoou o meio de campo. Até conseguiu ter a posse de bola nos primeiros minutos. E ainda deu a sorte de ver o Bayern, com uma formação ultraofensiva, perder Robben, machucado, no comecinho do jogo.

Mas o Bayern se acertou, fez o gol em um contra ataque improvável, com Kimmich, e a partir daí encontrou os espaços no meio de campo. Teve várias chances de gol, a melhor delas com Ribery, outras em escanteios que poderiam ter acabado com bola na rede. Era jogo para 2 a 0 no primeiro tempo.

Mas o Real Madrid faz todo mundo pagar por seus pecados. Todo. Mundo. Até o Bayern.

Bastou uma falha na intermediária e Marcelo acertou um chute lindo para empatar o jogo. No intervalo, Zidane tirou Isco, sacrificado pela esquerda, e colocou Asensio, um jogador mais incisivo. Subiu a marcação, incomodou a saída de bola do Bayern e fez seu time ser muito superior no segundo tempo.

Foi Rafinha, que fazia uma ótima partida pela esquerda, que deu o presente que Asensio não desperdiçou. 2 a 1 para o Real Madrid. Asensio, o mesmo que decidiu a eliminatória contra o PSG. Futuro e presente do Real Madrid.

O Bayern ocupou o campo de ataque, mas o Real Madrid, fechadinho, apesar da frustração de Cristiano por ficar tão isolado na frente, conseguiu fazer o seu jogo funcionar.

O Bayern havia perdido também Boateng por lesão no primeiro tempo. Heynckes ficou sem margem de manobra tática. Talvez, quando o Real perdeu Carvajal, pudesse ter trazido Rafinha para direita, aberto Kimmich na frente e jogado Thomas Muller para dentro da área. Uma área em que Lewandowski passou o jogo inteiro enrolado no meio de três, quatro, cinco adversários.

Quando Ribery conseguia fazer algo pela esquerda, mesmo com a língua de fora a seus 35 anos de idade, não havia ninguém na área para concluir. Faltou presença ofensiva ao Bayern no posicionamento dos meias e de Thomas Muller.

No segundo tempo, não apareceram chances ótimas como no primeiro. A melhor foi aos 43min, mano a mano de Lewandowski com Navas, que o polonês tocou pessimamente, para fora.

O Bayern perdoou no ataque, errou no lance do segundo gol. E o Real Madrid, como sempre, fez o adversário pagar o preço.

Não é uma eliminatória definida, claro que não. No ano passado, o Real ganhou por 2 a 1 em Munique, mas o Bayern devolveu o placar em Madri e levou o jogo para a prorrogação. A expulsão equivocada de Vidal deu ao Real a possibilidade de fazer três gols na prorrogação e se classificar.

Tem jogo. O Bayern tem gente suficiente para reverter. Mas, neste momento, é difícil imaginar uma final de Champions League diferente de Real Madrid x Liverpool.