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Arquivo : CBF

Petraglia diz que Atlético-PR não aceita convite da CBF para ir à Copa
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Julio Gomes

O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR (e homem forte do clube), Mário Celso Petraglia, disse que o Atlético Paranaense não vai aceitar o convite da CBF, que irá custear a viagem de alguns dirigentes para acompanhar de perto a primeira fase da Copa do Mundo.

“Não aceitamos por princípio. Não aceitamos favor deles nem de ninguém. Eles que deem (a viagem) para outro. Se eu quiser ir à Copa do Mundo, tenho dinheiro de comprar a minha passagem”, falou Petraglia ao blog.

Este blogueiro viajou a Curitiba a convite do Atlético-PR para conhecer a estrutura do clube e fazer uma entrevista com Petraglia. O conteúdo gerado pela conversa e as observações feitas no CT do Caju será publicado neste mesmo espaço, nos próximos dias.

A CBF convidou dirigentes das 27 federações estaduais e realizou um sorteio entre clubes das Séries A e B. O Atlético-PR foi um dos contemplados para o “voo da alegria”, assim como Atlético-MG, Bahia, Ceará, São Paulo, Avaí, Guarani, CRB, Brasil-RS e Paysandu. Segundo o jornal O Tempo, o Atlético de Minas também declinou o convite.

“Existe um distanciamento (entre clube e CBF). Nós não fomos nem na eleição (de Rogério Caboclo, atual presidente da CBF). Aparecer lá para quê?, questionou Petraglia.

 

 


Salvem os estaduais! Nosso futebol depende do resgate regional
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Julio Gomes

Um grande número de campeonatos estaduais começaram no meio da semana, em todo o Brasil. Ouviremos nas rádios, TVs e leremos em colunas de jornal e blogs que os estaduais não são mais os mesmos, perderam importância, precisam acabar, etc, etc, etc.

Eu vejo de forma diferente. Na minha modestíssima opinião, entre as várias razões para a derrocada do futebol brasileiro nos últimos 20 anos está o sucateamento dos estaduais. E vou explicar.

Primeiramente, é importante deixar claro que os estaduais que eu gostaria que existissem não são esses que estão aí. Com o calendário atual do futebol brasileiro, com os regulamentos mirabolantes e bizarros, feitos para os grandes acabarem ganhando o título e para atender coronéis ou políticos do interior, que batem no peito dizendo que trouxeram os grandes para a cidade.

Com o formato atual do futebol brasileiro, é fato que os estaduais não ajudam em nada os pequenos e estrangulam o calendário dos grandes. Consequentemente, temos campeonatos desinteressantes e o público não é bobo. Não vai ao estádio e nem se importa com os jogos, o que afasta anunciantes.

Os estaduais são fundamentais. Mas precisam ser completamente repensados, e falarei disso mais para frente no post.

Por que, afinal, eu considero os estaduais tão importantes?

Entre outros fatores, o principal, o mais importante, é a formação e revelação de jogadores, técnicos e profissionais do esporte.

O Brasil está perdendo a rodo jogadores jovens para outros mercados. Perde sem que eles joguem por aqui. É por causa do dinheiro? Não só. Um rapaz que joga bola pode, hoje, até ter como sonho definitivo vestir a camisa do Barcelona ou do Real Madrid. Mas, para chegar lá, ele certamente prefere brilhar antes nos clubes grandes daqui do que no Estoril ou na Udinese.

O principal fator é o sucateamento das classes média e baixa do futebol brasileiro. Não é falta de dinheiro. É concentração de dinheiro.

O sistema nacionalizado do futebol brasileiro pode até deixar felizes os torcedores dos grandes clubes, que são a maioria do país. Só que ele essa elitização (que vida existe fora da Série A?) gera um encolhimento do mercado. E faz com que seja muito mais difícil para os próprios grandes clubes garimpar talentos.

Cada vez mais notamos que a cultura esportiva no Brasil vai minguando. E o torcedor de futebol cada vez mais se importa apenas com vitória. É raro encontrarmos identificação com clubes e, principalmente, cidades.

A grande exceção da atualidade é Chapecó.

Imaginem que bacana se tivéssemos dezenas de cidades como Chapecó? Chapecó é uma cidade de mais ou menos 200 mil habitantes. Vou citar aqui 40 cidades com mais de 200 mil habitantes – algumas com clubes de futebol que já tiveram alguma relevância e hoje praticamente desapareceram ou estão sem protagonismo neste futebol nacionalizado:

Criciúma, Araraquara, Marília, Itabuna, Arapiraca, Volta Redonda, Governador Valadares, Santarém, Limeira, Cascavel, Uberaba, Ponta Grossa, Vitória da Conquista, Caruaru, Pelotas, Vitória, Cariacica, Bauru, Anápolis, Piracicaba, Maringá, Campina Grande, Rio Preto, Caxias, Campos dos Goytacazes, Juiz de Fora, Aracaju, Uberlândia, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Teresina, Natal, Maceió, São Luís, Manaus, Belém, Brasília.

Alguém dirá que cabe a estas cidades terem clubes organizados e com apoio da própria cidade (população, poder público, empresários locais) para replicar o que faz a Chapecoense.

Pode até ser. Mas aí precisaríamos de uma primeira divisão nacional com quantos clubes? 40? 50? Quem defende esta teoria está disposto a isso?

Sim, é necessário que os clubes se organizem e tenham apoio da própria cidade. Eu acho, imagino, que a população de Manaus adoraria ter um clube bacana e forte para torcer, em vez de ficar torcendo pelo Vasco à distância.

Como fazer, no entanto, para que estas cidades brasileiras tenham a capacidade de bancar e curtir a existência de clubes saudáveis e que atraiam a atenção da própria população? Para começar, precisam ter calendário e motivação.

Vejam, é praticamente impossível, com o modelo atual de Séries A e B com pontos corridos, dinheiro de TV, etc, que estas cidades possam entrar no restrito círculo. Na elite. Impossível, eu diria. A Chapecoense é uma aberração. Não podemos nos pautar por exceções para estabelecer regras.

Nos Estados Unidos, a NBA tem apenas 30 franquias profissionais. Mas o esporte escolar e universitário bem organizado permite que o basquete seja jogado nas estranhas do país inteiro. Permite que quem goste de basquete possa acompanhar os jogos locais, independente de sua cidade ter ou não um time na NBA. Permite que os talentos sejam treinados e apareçam.

Na Alemanha, a Bundesliga tem apenas 36 times, duas ligas. Da terceira para baixo, são ligas regionalizadas, bem cuidadas, organizadas, fomentadas pela Federação Alemã de futebol. É lá que ocorre todo o trabalho de base, de pinçar e trabalhar o talento e o interesse locais. Para que depois esses jogadores passem a jogar nos clubes maiores.

Pensem nos grandes clubes do Brasil, a elite da elite, como franquias da NBA. E pense nos pequenos e médios como as universidades da NCAA.

Tudo bem, o Brasil pode até ter Séries A e B elitizadas. Mas de alguma forma é necessário entrelaçar a terceira divisão com os estaduais.

Os estaduais precisam ser jogados durante o ano inteiro, sempre e somente aos fins de semana. Uma opção de lazer local, nada de jogos na quarta à noite. E precisam, sim senhor, serem subsidiados pela CBF. Afinal, de que serve o caminhão de dinheiro que a CBF ganha com a seleção brasileira (o maior produto do país) se não for para fomentar o esporte no país?

A CBF tem, sim, a obrigação de custear viagens, cursos, treinamentos e prover material esportivo, tecnologia e conhecimento para os pequenos e médios clubes país afora. Para que eles possam fazer toda a varredura de talentos locais, nas escolas inclusive, para que eles possam ter o direito sobre esses jogadores (e não deixá-los nas mãos de empresários), para que eles possam crescer como seres humanos e eventualmente virar jogadores de futebol de alto nível.

Caras que seriam vistos jogando por seus clubes localmente, em torneios estaduais e/ou regionais, e possam então dar o salto para algum clube maior da região ou até a nível nacional, em vez de saírem daqui com 15 anos direto para a Europa – muito mais do que o dinheiro, o que seduz essa molecada é a perspectiva de carreira estável por lá, em detrimento da total bagunça daqui.

Sim, eu sei que muitas das cidades que eu citei acima estão no Estado de São Paulo. Mas é muito bem possível organizar o futebol brasileiro em campeonatos regionais.

Um no Sul (RS, SC e PR), um em SP, um Sudeste (RJ-MG-ES), um no Centro-Oeste, um no Norte, um no Nordeste. Entre seis e oito grandes “Estaduais”. Ligas semi-profissionais. E abaixo delas, ligas amadoras.

É necessário que esses times joguem o ano inteiro, com calendário, com organização, com regulamentos interessantes e dinâmicos (talvez até pontos corridos, para garantir mesmo calendário e receita). E lá em outubro podem ocorrer “fases finais” destes campeonatos. Quem for melhor ao longo do ano, é premiado com o direito de receber os clubes “grandes” do país em verdadeiros festivais para estas cidades, que durariam 1 ou 2 meses.

Os grandes não podem ficar jogando com qualquer time do interior, como acontece hoje. Precisa ser com os melhores, com os que fizerem por merecer.

Neste momento de fases finais, em outubro e novembro, os regionais podem até serem “des-regionalizados” para virarem fases finais somente estaduais. Quadrangulares em estados menores, talvez hexagonais ou octogonais em estados como SP, RJ, RS, MG, PE, etc. Com regulamentos dinâmicos, em que o pequeno possa enfrentar o grande em sua casa. Com semifinais e finais, grandes momentos para a história. E em uma situação de fim de ano em que todos os clubes grandes do Brasil que não tiverem vencido o Brasileiro ou não estiverem em uma final de Copa do Brasil ou Libertadores darão toda a atenção do mundo à competição local.

O futebol regional é a essência do futebol brasileiro. Nosso futebol nasce, cresce e triunfa de forma regional, não nacional. A rivalidade local impulsiona o interesse pelo esporte. Cria grandes jogos, cria ídolos.

As cidades pequenas e médias do Brasil PRECISAM ter a possibilidade de que seus filhos joguem pela cidade. Joguem por seus primos, familiares, amigos, namoradas. Apareçam. Sejam revelados para o mundo.

Alguns não irão tão longe. Serão veteranos em seus clubes locais. Mas pelo menos terão jogos para disputar o ano todo, salário para receber e sustentar a família, a perspectiva de trabalhar nestes mesmos clubes no futuro, seja em comissões técnicas, área de saúde ou pinçando talentos nas escolas.

O futebol brasileiro é o caos, entre outras coisas, porque só temos olhos para os Flamengos, Corinthians, Palmeiras, Cruzeiros, Grêmios e Bahias da vida. Porque a CBF só acumula dinheiro, sem distribuir riqueza e conhecimento. Nós não sobreviveremos com 10 clubes grandes e outros 15 coadjuvantes, minha gente.

É necessário voltar às origens. Com inteligência, claro, com a perfeita noção de que a economia mudou e os clubes precisam ser colocados em duas prateleiras diferentes.

A Inter de Limeira não mais vai ser campeã paulista em cima do melhor Palmeiras possível para o momento e desesperado atrás de um título. Mas a Inter de Limeira pode perfeitamente jogar o ano inteiro, ter um time decente, um clube que dê orgulho para a cidade, que atraia alguns milhares de pessoas todos os domingos para vê-la jogar contra outros times do interior, que tenha um time recheado de jovens que possam no futuro vestir a camisa da seleção brasileira e levar o nome de Limeira para o mundo e que, de quebra, se triunfar entre os seus no interior, possa sim voltar a enfrentar o Palmeiras por um título paulista, numa grande festa de fim de ano, quando o Palmeiras já tiver cumprido todos os seus compromissos maiores e mais rentáveis na temporada.

Salvem os Estaduais! Estaremos todos salvando a nós mesmos.


Neymar será Bola de Ouro! Dezoito previsões bombásticas para 2018
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Julio Gomes

No meu post de fim de ano em 2016, previ o título europeu do Real Madrid, o brasileiro do Corinthians, o Grêmio voando com Renato Gaúcho, a saída de Neymar para o PSG, o Oscar para Moonlight, o fim do jejum da Portela no Carnaval… pena que esqueci de clicar no botão “publicar”!

Alguém caiu nessa? Não, né. Assim como ninguém cai nas desculpas de Marco Polo del Nero para não sair do Brasil…

Apesar da CBF, apesar da bandidagem, apesar da cartolagem, apesar da empáfia característica do futebol brasileiro, a seleção será hexacampeã do mundo na Rússia.

É com essa previsão que abrimos o post “bola de cristal” que encerra o ano. 18 palpites para 18.

Foram 253 postagens ao longo de 2017. E de antemão agradeço muito a quem leu, comentou, compartilhou. A ideia aqui não é polemizar de graça, criticar ou elogiar em função de preferências pessoais. A ideia é tratar o esporte de maneira séria e com responsabilidade.

Esquentando a bola de cristal… e vamos lá!

A seleção será hexa porque está pronta para isso, porque está mordida, porque tem um grande técnico, porque é forte em todos os setores, porque na semi romperá a maldição de sempre perder da França em Copas, porque na final manterá a Espanha na lista de fregueses e porque Neymar colocará seu nome na história…

…Neymar irá quebrar a dicotomia Messi-Cristiano e, com a taça na Rússia, ganhará todos os prêmios de melhor do mundo. Mas por causa da Copa, não do clube, já que o PSG, apesar das grandes atuações dele, justificando o investimento, não conquistará a Champions League…

…o PSG irá eliminar o Real Madrid nas oitavas de final, mas cairá na competição nas quartas, quando enfrentar um dos times de Manchester…

…Guardiola e Mourinho se enfrentarão na semifinal da Champions. Pep vai levar a melhor, Mou irá reclamar da arbitragem, pois seu time acabará o jogo decisivo com dez homens, e o City jogará e triunfará contra o Bayern de Munique na decisão de Kiev…

…Guardiola derrotará Tite na eleição de melhor técnico do ano e será aclamado como o melhor de todos os tempos…

…De Bruyne será o grande nome da Champions e chegará na Copa com status de “rival de Neymar” pelos prêmios individuais nos próximos anos, mas sucumbirá com a Bélgica nas quartas de final, no jogo mais difícil para o Brasil na Rússia…

…Messi será campeão espanhol com o Barcelona pela nona vez em 14 temporadas, mas será eliminado com a Argentina na primeira fase da Copa e anunciará a aposentadoria da seleção…

…a Islândia avançará no grupo da Argentina e será a Cinderela da Copa…

…Cristiano Ronaldo deixará o Real Madrid rumo à Inglaterra no meio do ano, na transferência que deixará em segundo plano a multimilionária venda de Philippe Coutinho ao Barcelona…

…Richarlison e Malcom serão os outros dois jogadores brasileiros vendidos por um valor bizarro, mas só passarão a defender a seleção depois da Copa…

…Maradona subirá no caminhão e desfilará com o time do Napoli, campeão italiano pela primeira vez em 28 anos, e participará de todos os eventos festivos, que irão parar a cidade por sete dias…

…no Brasil, o grande time do ano será o Cruzeiro, que irá ganhar algum título grande. Thiago Neves será o nome do ano por aqui…

…o Palmeiras será o grande rival do Cruzeiro ao longo do ano na disputa pelos títulos mais importantes…

…o Grêmio irá perder Luan e Arthur, deixar o Brasileiro em segundo plano e priorizar as Copas novamente, mas desta vez sem sucesso…

…antes do final do ano, Renato Gaúcho será anunciado técnico do Flamengo, que será eliminado na fase de grupos da Libertadores e terá mais um ano abaixo do esperado…

…o Corinthians? Vai despencar. Mas Andrés Sanchez não demitirá Carille…

…o Fluminense finalmente cairá para a Série B, após perder disputa ferrenha com o Botafogo…

…e a CBF seguirá sendo presidida por picaretas, e as instituições públicas nada farão para incomodar nossos bandidos.

Por falar em bandidos, eles continuarão sendo maioria absoluta no Congresso mais conservador já eleito na história e que fará do próximo presidente, quem quer que ele seja, mais um refém da política do toma-lá-dá-cá. Seguiremos na lama. Mas com seis estrelas no peito.

Bom ano a todos!


Marin, Jô e a falência do futebol brasileiro
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Julio Gomes

José Maria Marin foi governador biônico na ditadura, conviveu com torturadores, roubou até medalha em campeonato de jovens. Mas só foi se encontrar com a Justiça porque virou, de repente, meio que por acaso, presidente da CBF. Foi com muita sede ao pote e na hora errada. Justo quando os americanos ficaram p… da vida por terem visto a Copa de 2022 ter sido roubada deles por cartolas corruptos.

Como Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e congressistas brasileiros nada fazem, restou ao FBI caçar Marin. E outros bandidos. Todos velhinhos, que passaram a vida inteira roubando, extorquindo, corrompendo.

Marin possivelmente morrerá atrás das grades. É o que deveria acontecer com muitos dos nossos velhinhos aqui. Tem dois, dos mais famosos, que não podem nem sair do Brasil para não terem o mesmo destino. São refugiados e protegidos dentro do país da impunidade. Outros já morreram e nunca pagarão pelo que fizeram e roubaram.

Quantos Marins tomam e tomaram conta dos clubes e federações brasileiros ao longo dos anos?

Assim como políticos destruíram ou venderam para seus parceiros as empresas públicas nacionais, cartolas destruíram os clubes brasileiros. E, claro, usaram os clubes para perpetuar dirigentes nas federações (não só de futebol, mas de diversos esportes, entidades olímpicas, etc).

E aí chegamos à venda de Jô ao Nagoya Grampus, do Japão, por mais ou menos 10 milhões de euros.

O discurso que lemos e ouvimos é o da resignação. Os aplausos ao que nunca poderia ser aplaudido. “O clube precisa de dinheiro! Não tem como recusar uma proposta dessas!” O próximo passo é diminuir o jogador. “Jô nem vale tudo isso! Já é velho! Nunca mais oferecerão essa grana!”

Perguntem ao Real Madrid se eles contratam alguém pensando em títulos ou em vendas. Aliás, preciso contar um segredo. Títulos também dão dinheiro!

Os gigantescos clubes brasileiros, de tanta história, de tanta torcida, de tanta importância para a nossa sociedade, nunca poderiam se contentar com vendas medíocres. O que é mais importante para o Corinthians? Ter um jogador como Jô para ganhar o Brasileiro, que nunca teria sido vencido sem ele neste ano? Ou ter um jogador como Jô para ganhar uma grana e pagar dívidas?

Eu sei qual é a realidade. Mas, em vez de sucumbir a ela, prefiro olhar para a natureza dela. Na esperança de mudá-la.

Por que os clubes brasileiros estão assim? Por que chegamos onde chegamos?

Lembre-se, torcedor ou apaixonado por futebol, da sexta-feira em que José Maria Marin foi condenado e preso por americanos e em que o melhor jogador do Campeonato Brasileiro foi vendido para um clube japonês.

Este dia resume nossa falência, construída ao longo de décadas. Em vez de aplaudir ou xingar cartolas em função do título conquistado ou perdido, os verdadeiros torcedores e a imprensa séria deveriam ser implacáveis com quem destrói o maior patrimônio deste combalido país. Só assim teremos esperança.


Vinte polêmicas que o árbitro de vídeo poderia ter evitado (ou criado)
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Julio Gomes

Depois do famoso gol de braço de Jô no fim de semana, agora a CBF quer implementar o árbitro de vídeo no Campeonato Brasileiro. Sofre críticas, logicamente. Afinal, é uma novidade, uma mudança cultural e temos visto muita polêmica na Alemanha e na Itália, onde os campeonatos locais já utilizam o recurso da tecnologia.

Só com o tempo os critérios serão acertados, árbitros serão treinados e se acostumarão. Portanto, colocar a coisa em prática de um dia para o outro é pedir para ter problemas. Isso sem contar a isonomia da competição, muito afetada, já que durante 24 rodadas clubes que foram prejudicados não puderam contar com tal auxílio.

O blog separou alguns lances que, se analisados em vídeo, possivelmente teriam mudado a história de jogos do Campeonato Brasileiro. Claro que não falo abaixo de todos os erros de arbitragem. Mas de algumas polêmicas que marcaram a competição até agora. E também de lances em que, talvez, o árbitro de vídeo vai servir mais para atrapalhar do que ajudar.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol

Rodada 1

Avaí 0 x 0 Vitória
Começamos logo com um lance em que não tenho opinião formada sobre como o processo deve ocorrer. O Avaí foi prejudicado, e a CBF admitiu, ao não ter um pênalti claríssimo marcado aos 36min do segundo tempo. É lógico que, pelo vídeo, o árbitro seria avisado do erro. Mas clique e perceba que o árbitro vê o lance perfeitamente e escolhe não dar pênalti. O que fazer? Inicialmente, em casos assim, tendo a achar que deve valer a interpretação do árbitro ali no campo. Se ele não tiver visto o lance, aí sim, manda a opinião de quem vir pelo vídeo. Felipe Gomes da Silva foi o árbitro que conseguiu não apitar esse pênalti.

Corinthians 1 x 1 Chapecoense
Também na primeira rodada, o árbitro goiano Elmo Alves Resende Cunha (sim! o mesmo Elmo que validou o gol de Jô no domingo) deixou de dar pênalti para a Chape quando o jogo estava 0 a 0 em Itaquera. Gabriel bloqueia o chute com os braços abertos, pênalti claro. De novo, o árbitro vê e resolve não apitar. Mas neste caso, ao contrário do lance acima, a velocidade pode trair os olhos do árbitro. Ele pode não notar o bloqueio com o braço e ser auxiliado pelo vídeo. É o que, imagino, aconteceria.

Grêmio 2 x 0 Botafogo
Este é o típico lance que seria invalidado. O segundo gol do Grêmio é irregular, Luan toca com a mão na bola. O árbitro Braulio Machado está encoberto pelo corpo do gremista. E, com a infeliz incompetência dos auxiliares, sobraria para o vídeo apontar a infração.

Rodada 2

Vasco 2 x 1 Bahia
Mais um lance super complexo, em que critérios precisariam ser definidos com antecedência. Jean, do Vasco, deveria ter sido expulso aos 21min de jogo por essa falta. O árbitro Leandro Marinho vê a falta e escolhe dar o amarelo. Ele erra. Será que seria corrigido pelo vídeo? Acredito que não, pois ele simplesmente interpretou de maneira errada. Uma expulsão na metade do primeiro tempo, ainda com 0 a 0, poderia ter mudado o jogo.

 

Rodada 7

Atlético-MG 0 x 1 Atlético-PR
Aqui temos o típico lance que seria corrigido pelo vídeo e alteraria o destino do jogo. O Galo teve um gol de Rafael Moura mal anulado por impedimento de Marlone (que não existia). Já era metade do segundo tempo. O jogo, que deveria estar 1 a 0 para o time da casa, seria vencido no finalzinho pelo Furacão. Mais uma derrota no Horto. Algumas rodadas depois, Roger seria demitido do Atlético-MG. Percebam aqui o quanto a arbitragem de vídeo poderia ter mudado o destino das coisas.

Coritiba 0 x 0 Bahia
Na mesma rodada, Kleber Gladiador deu um soco na cara de Edson, do Bahia. Deveria ter sido expulso e deveria ter sido marcado pênalti para o Bahia. Kleber seria expulso mais tarde neste mesmo jogo por Wagner Reway que, imagino, não viu o soco anterior e, por isso, não marcou nada. Com o vídeo, a CBF posteriormente puniu disciplinarmente o jogador do Coritiba. Mas, nos 90 minutos, a ausência de vídeo prejudicou o Bahia.

 

Rodada 8

Coritiba 0 x 0 Corinthians
Um lance muito falado na época. Jô faria o gol da vitória do Corinthians no finalzinho, mas um impedimento inexistente foi assinalado.

 

Rodada 11

Sport 1 x 0 Atlético-PR
Outro erro grotesco, agora de Grazianni Maciel Rocha, que viu toque de mão de Wanderson, do Atlético-PR. A bola nunca tocou na mão do jogador, o árbitro se equivocou e teria sido corrigido pelo vídeo. O pênalti mal marcado, já aos 28min do segundo tempo, acabou dando a vitória ao Sport. Eduardo Baptista seria demitido do Atlético-PR após a rodada seguinte.

Rodada 14

Chapecoense 2 x 0 São Paulo
Separei este lance porque, creio, será um exemplo de polêmica recorrente com o árbitro de vídeo. O juiz Wagner Magalhães não marca o suposto pênalti de Grolli em Pratto. Eu também não marcaria. Mas a CBF considerou um erro. Esse agarra-agarra na área acontece sempre e é difícil saber se o zagueiro realmente imprimiu carga suficiente para derrubar o adversário. Pelo vídeo, em câmera lenta, tudo parece falta. Qual será o critério de marcação? Tenho certeza que haverá inconsistências, às vezes dentro do mesmo jogo.

Rodada 15

Flamengo 2 x 2 Palmeiras
Muita reclamação do Flamengo com o árbitro Jailson Freitas por duas faltas de Mina em Guerrero, em lances que originaram os gols palmeirenses. A segunda foi dentro da área, seria pênalti pro Flamengo. Imaginem só. Com o vídeo, o juiz anularia o gol do Palmeiras e daria pênalti para o Flamengo. Não dá para mudar muito mais o destino de um jogo.

Rodada 16

Vitória 1 x 2 Chapecoense
Marcelo de Lima Henrique apitou o que talvez tenha sido o jogo com maior número de erros. Anulou um gol do Vitória por impedimento por não ver que o próprio jogador da Chape havia tocado a bola para trás. Depois, marca corretamente pênalti para a Chape, mas erra ao não expulsar goleiro do Vitória. Ainda deu um pênalti inexistente pro Vitória, mas, já com 1 a 2, aos 37min do segundo, deixa de dar um pênalti para o time baiano. Todos estes lances que poderiam ter sido corrigidos pelo vídeo. Ou seja, o jogo teria uma história completamente diferente desde o início

Atlético-GO 1 x 1 Botafogo
Paulinho empatou para o time da casa, a 15min do final do jogo, em posição irregular. Um gol que teria sido anulado pelo árbitro de vídeo, e possivelmente o Botafogo teria saído com a vitória.

Rodada 17

Corinthians 1 x 1 Flamengo
Uma das grandes polêmicas do campeonato, já que foi o jogo entre os dois times mais populares do país. Jô teve outro gol mal anulado, pois não estava em posição de impedimento. Lance que teria sido facilmente validado com o uso do vídeo. Ricardo Marques era o árbitro.

Cruzeiro 0 x 0 Vitória
Um pênalti não dado para o Vitória no meio do segundo tempo (mão de Ariel Cabral, que salta para bloquear um cruzamento com os braços abertos) marcou a arbitragem de Dewson Fernando Freitas da Silva. Não é possível, pela imagem, saber onde estava o juiz, se ele viu ou não viu. Mas seria facilmente marcado com o auxílio do vídeo.

 

Rodada 19

Bahia 2 x 1 São Paulo
Dois lances no mesmo jogo que prejudicaram o São Paulo. No primeiro gol do Bahia, há impedimento na origem da jogada. E, já com 2 a 1, há um pênalti não dado pro São Paulo (camisa puxada na área). Dorival reclamou muito, mas a CBF ignorou os erros em seu site.

Rodada 20

Sport 0 x 0 Ponte Preta
Leandro Vuaden decidiu não marcar pênalti para o Sport neste lance. A meu ver, o jogador da Ponte claramente leva a mão até a bola, talvez por reflexo, mas não importa. A CBF, no entanto, considera que Vuaden acertou ao não marcar nada. Como seria com a arbitragem de vídeo? Valeria a interpretação de Vuaden na hora? Ou haveria o risco de alguém que estivesse de olho nas imagens durante o jogo tivesse a mesma opinião que a minha?

São Paulo 3 x 2 Cruzeiro
Rafael Traci foi muito criticado por um pênalti dado sobre Gilberto, que significaria o terceiro gol e a vitória do São Paulo. A CBF concordou com a marcação. Mas foi contra a maré, pois todos os analistas de arbitragem e a maioria dos jornalistas consideraram que não houve infração alguma no lance. O que teria dito o árbitro de vídeo em sua comunicação com o juiz de campo?

Rodada 23

Atlético-PR 1 x 1 Coritiba
Outro lance em que o árbitro de vídeo poderia simplesmente ter uma interpretação diferente do árbitro de campo. Anderson Daronco não marca pênalti em Rildo e tem o apoio da CBF em sua decisão. Tem o meu também. Rildo é o maior piscineiro do futebol brasileiro e busca o contato com o zagueiro do Atlético para ludibriar o árbitro. Mas Salvio Spinola, por exemplo, e muitas outras pessoas acharam que era lance de pênalti. E se o árbitro de vídeo também achasse ali na hora? Bom lembrar que, na continuação do lance, saiu o pênalti que resultou no empate do Atlético-PR.

 

Rodada 24

Cruzeiro 1 x 0 Bahia
Ainda com o jogo empatado, houve um puxão de Hudson na área e o árbitro Wagner Reway deixou de marcar pênalti para o Bahia no fim do primeiro tempo. O vídeo poderia ter alterado a história do jogo.

Corinthians 1 x 0 Vasco
E, claro, como não poderia deixar de ser, o jogo da polêmica mais recente. O Corinthians venceu com um gol irregular de Jô, mas reclamou de três pênaltis não marcados para ele antes disso – dois sobre Jô, um sobre Balbuena em lance de escanteio. Qualquer um destes poderia ser apontado pelo árbitro de vídeo, dependendo da interpretação. E, claro, o gol de Jô teria sido rapidamente invalidado.

 


Árbitro de vídeo é necessário, mas cria risco de tapetão no Brasileiro
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Julio Gomes

A notícia do dia é essa aqui, assinada pelos ótimos Pedro Ivo Almeida e Rodrigo Mattos. A CBF resolveu antecipar o uso de árbitro de vídeo no Brasileiro, após o gol de Jô no domingo, que deu a vitória ao Corinthians sobre o Vasco. O lance foi irregular e seria facilmente anulado por vídeo.

Eu sou um grande defensor do uso do vídeo no futebol. Mas coisa ainda está engatinhando e há inconsistências.

Não há debate sobre lances de bola entrar ou não e de impedimento. São lances que são ou não são, sem margem de interpretação. Não tem meio gol ou meio impedimento. Se, com o posicionamento de câmeras e tecnologia, for possível cravar o lance, nem precisamos de árbitros para checar o vídeo. É preciso ter a confiabilidade do olho do falcão, do tênis.

Há outros lances bem mais complexos. Há pênaltis claros que árbitros simplesmente não viram e apitariam se tivessem visto. Mas há outros lances que o árbitro viu no campo e tomou uma decisão (de falta ou não falta, vermelho ou não vermelho). E aí? Por que deixar nas mãos de outros dois ou três árbitros, no ar condicionado, vendo o lance em câmera lenta?

Há erros de direito, tipo o cartão equivocadamente dado a Gabriel, do Corinthians, no famoso dérbi do Paulistão. Esses seriam corrigidos com vídeo.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol

Enfim, há muito debate sobre o uso. Quando ele é correto e justo? É preciso de tempo. De dinheiro. De testes. De preferência em campeonatos menores.

Implementar o árbitro de vídeo no meio do Campeonato Brasileiro cria uma inconsistência impressionante. E, possivelmente, jurídica.

Em vários lances, teremos “justiça” daqui para frente. Mas e os que ficaram para trás na mesma competição?

O gol irregular de Jô contra o Vasco. Os dois impedimentos mal marcados de Jô, que prejudicaram o Corinthians contra Coritiba e Flamengo. O pênalti escandaloso não dado para o Avaí contra o Vitória, lá na primeira rodada. Bolas que não sabemos se entraram ou não entraram em um par de jogos, como Fluminense x Chapecoense. Tem para todos os gostos, 24 rodadas já foram disputadas, 239 jogos.

Este blog tem feito um levantamento desde o início do campeonato de erros de arbitragem – com a ajuda de especialistas de diversos canais de TV e as próprias análises da CBF. Até agora, foram 46 pênaltis que deveriam ter sido marcados e não foram. Houve 13 pênaltis mal marcados. Gols mal anulados? 9. E outros 13 gols irregulares que acabaram sendo validados.

São muitos erros que ficaram para trás e que poderiam, se houvesse árbitro de vídeo, ter construído uma história diferente do campeonato. Tudo seria diferente.

Nem mesmo na Alemanha, um país ultraorganizado em tudo, o árbitro de vídeo passa ileso. O Colônia quer a anulação do jogo deste fim de semana, em que perdeu por 5 a 0 do Borussia Dortmund.

Imaginem aqui, no país do tapetão, o que acontecerá com uma implementação desse tipo em pleno voo? Haverá argumento jurídico de sobra para quem se sentir prejudicado. Apertem os cintos. Vem bagunça por aí.

Adendo: o Regulamento Geral do Brasileiro meio que cria uma proteção para isso, como podemos ver abaixo. Mas, sinceramente, acho que é uma proteção bastante frouxa.

Art. 77 – O uso de “AV” deve ocorrer, a partir do momento em que a Comissão de Arbitragem da CBF apresente condições técnicas e materiais – o que poderá se dar no curso de qualquer das competições que coordena, independentemente de fase.
§ 1º – A CBF não está obrigada a utilizar a tecnologia da arbitragem em todos os jogos da
mesma competição ou da mesma rodada, na medida que depende de condições técnicas e
materiais para fazê-lo.

 


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